ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 19: 31-37 – PARTE III

Alimento diário - Comendo a Bíblia

A Crucificação

 

III – A prova feita para ver se Cristo estava vivo ou não, e a eliminação da dúvida.

1. Eles viram que Ele já estava morto, e por isto não quebraram suas pernas, v. 33. Observe aqui:

(1) Que Jesus morreu em menos tempo do que as pessoas crucificadas normalmente levavam para morrer. A estrutura do seu corpo foi rompida pela dor em menos tempo, provavelmente devido a uma condição debilitada, de muita fraqueza. Ou, mais exatamente, isto devia mostrar que Ele entregou voluntariamente sua vida, e pôde morrer quando desejou fazê-lo, embora suas mãos estivessem pregadas. Embora tenha se rendido à morte, Ele não foi derrotado.

 (2) Que seus inimigos ficaram satisfeitos porque Ele estava realmente morto. Os judeus, que ainda estavam por ali, para ver a execução concluída, não teriam omitido esta crueldade, se não tivessem certeza de que Ele estava fora do alcance dela.

(3) Independentemente dos propósitos que há no coração do homem, o conselho do Senhor permanecerá. O desejo era de quebrar suas pernas, mas, como o conselho de Deus era outro, isto foi evitado.

2. Por desejarem ter certeza de que Ele estava morto, eles fizeram esta prova, para tirar todas as dúvidas. “Um dos soldados lhe furou o lado com uma lança”, certamente desejando atingir seu coração, “e logo saiu sangue e água”, v. 34.

(1) O soldado aqui resolveu decidir a questão, quanto a se Ele estava morto ou não, com este honroso ferimento no seu lado, para substituir o método terrível de abreviamento da morte que eles tinham adotado com os outros dois. Diz a tradição que o nome deste soldado era Longino, e que, tendo um problema nos olhos, ele foi imediatamente curado por algumas gotas de sangue que, saindo do lado de Cristo, caíram nos seus olhos. Isto seria suficientemente significativo, se tivéssemos alguma boa fonte autorizada desta história.

(2) Mas Deus tinha outro desígnio aqui, que era:

[1] Dar uma evidência da verdade da morte de Cristo, como prova da sua ressurreição. Se Ele estivesse somente em transe, ou desmaiado, sua ressurreição seria um fingimento. Mas, com esta prova, Ele estava certamente morto, pois esta lança rompeu a verdadeira fonte da vida, e, de acordo com toda a lei e todo o curso da natureza, era impossível que um corpo humano sobrevivesse a um ferimento como este, nos órgãos vitais, e a esta perda dos fluidos.

[2] Dar uma explicação dos desígnios da morte de Cristo. Havia muito mistério na morte do Senhor, e o fato de que ela fosse comprovada solenemente (v. 35) sugere que havia algo de milagroso nela. Outro ponto admirável e interessante é o fato de o sangue e a água saírem distintos e separados da mesma ferida. Ele era, no mínimo, muito significativo. Este mesmo apóstolo se refere a isto como algo digno de muita consideração, 1 João 5.6,8.

Em primeiro lugar, a perfuração do seu lado era significativa. Quando desejamos declarar nossa sinceridade, desejamos que existisse uma janela nos nossos corações, para que seus pensamentos e intenções pudessem ser visíveis a todos. Por esta janela, aberta no lado de Cristo, você pode olhar dentro do seu coração, e ver ali amor flamejante, amor tão forte quanto a morte. É possível ver nossos nomes escritos ali. Alguns entendem que isto é uma alusão à abertura do lado de Adão, na fase da inocência. Quando Cristo, o segundo Adão, caiu em um sono profundo sobre a cruz, então seu lado foi aberto, e dele foi tirada sua igreja, que Ele desposou. Veja Efésios 5.30,32. Nosso devoto poeta, George Herbert, no seu poema intitulado The Bag (A Bolsa), de maneira muito piedosa, apresenta nosso Salvador, quando teve seu lado perfurado, falando desta maneira aos seus discípulos:

Se vocês tiverem alguma coisa para enviar, ou escrever

(Eu não tenho bolsa, mas há lugar aqui),

Isto chegará em segurança às mãos do meu Pai, e diante dos seus olhos

(Creiam em mim).

Eu me importarei com o que vocês enviarem,

Vejam, coloquem o que desejarem enviar muito perto do meu coração.

Ou, se depois algum dos meus amigos

Desejar me usar desta maneira, a porta

Ainda estará aberta. O que ele enviar,

Eu irei apresentar, junto com alguma coisa mais,

Não para que seja ainda mais ferido. Os suspiros

terão um significado para mim.

Ouça, Desespero, vá embora.

Em segundo lugar, o sangue e a água que saíram do ferimento eram significativos.

3. Eles significavam os dois grandes benefícios de que todos os crentes participam, por meio da justificação e santificação de Cristo. O sangue, para a remissão, a água, para a regeneração. O sangue, para a expiação, a água, para a purificação. O sangue e a água eram muito usados sob a lei. A culpa contraída devia ser expiada pelo sangue. As manchas contraídas deviam ser eliminadas pela água da purificação. Estes dois elementos sempre de­ vem andar juntos. “Haveis sido lavados… haveis sido santificados”, 1 Coríntios 6.11. Cristo os uniu, e nós não devemos pensar em separá-los. Ambos fluíram do lado perfurado do nosso Redentor. Ao Cristo crucificado, nós devemos tanto o mérito pela nossa justificação como o Espírito e a graça pela nossa santificação, e nós temos tanta necessidade destes últimos quanto do primeiro, 1 Coríntios 1.30.

4. Eles significavam as duas grandes ordenanças do batismo e da Ceia do Senhor, pelos quais estes benefícios são representados, selados e aplicados aos crentes. Nós devemos sua instituição e sua eficácia a Cristo. Não é a água na fonte que será, para nós, a “lavagem da regeneração”, mas a água do lado de Cristo. Não é o sangue da uva que irá tranquilizar a consciência e revigorar a alma, mas o sangue do lado de Cristo. Agora a pedra estava ferida (1 Coríntios 10.4), agora a fonte estava aberta (Zacarias 13.1), agora estavam escavadas as fontes da salvação, Isaías 12.3. Aqui estava o “rio cujas correntes alegram a cidade de Deus”.

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Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.