PSICOLOGIA ANALÍTICA

TIQUES E MANIAS EM CRIANÇAS

Parte da população apresenta tiques em determinadas fases da vida, mas a metade das pessoas que têm o problema relata que seu início se deu na infância ou na adolescência.

Tiques e manias em crianças

Torcer os cabelos, contrair o pescoço, piscar os olhos, tossir, pigarrear, soltar grunhidos e repetir certas palavras sem parar – todos esses gestos e sons que são repetidos exaustivamente por algumas crianças podem ser o indício de uma alteração de comportamento que chamamos de tique (ou transtorno de tique, como dizem os especialistas).

Quando essa criança mantém os tiques por mais de quatro semanas, o ideal é que os pais busquem ajuda profissional para que isso não se torne crônico, persistindo na fase adulta. Cerca de 3% da população apresenta tiques em determinadas fases da vida, mas a metade das pessoas que têm o problema relata que ele começou na infância ou na adolescência.

“É uma forma de a criança voltar ao estado normal quando exposta a situações de estresse, de extravasar a ansiedade. Então, quando repete um certo movimento, ela está buscando a homeostase, ou seja, a retomada do equilíbrio psíquico”, explicou o professor Luiz Gonzaga Leite, formado na Faculdade de Psicologia da PUC-SP e em Direito na Unisãopaulo. Segundo o psicólogo, algumas crianças estão mais predispostas a ter tiques do que outras. Tudo indica que pais muito rígidos ou protetores demais costumam contribuir para o aparecimento de tiques em seus filhos que, em geral, demonstram ansiedade, fragilidade emocional, insegurança e medo.

Não é regra, mas em alguns casos o tique aparece concomitantemente a uma alteração de comportamento conhecida como transtorno obsessivo-compulsivo, ou simplesmente TOC. Como o nome sugere, a pessoa que sofre do transtorno tem pensamentos persistentes de medo e ansiedade. Para aliviar o mal-estar gerado por pensamentos obsessivos, ela costuma realizar tarefas ou gestos repetitivos, como lavar as mãos ou coçar o nariz sempre que está numa situação de desconforto ou embaraço, por exemplo.

Nesse caso, a pessoa executa gestos simples ou exercícios mais complexos, como cantarolar uma oração 20 vezes antes de começar uma viagem, por exemplo. Tudo isso para dar vazão ao medo. Normalmente, ela até sabe que seu temor é tolo e irracional, mas não consegue relaxar enquanto não executa seu pequeno ritual.

Crianças ou não, pessoas assim costumam ser mais suscetíveis ao estresse. Portanto, situações traumáticas podem facilmente desencadear o transtorno. Essas circunstâncias funcionam como uma espécie de gatilho, que provoca a alteração de comportamento ao qual a criança já estava predisposta em razão do seu tipo de personalidade (obsessiva ­ compulsiva, perfeccionista).

A fonte geradora de estresse pode ser a morte de uma pessoa querida, a separação dramática dos pais, o nascimento de um irmão ou a mudança de cidade e escola (quando ela deixa para trás pessoas com as quais convivia). Um grande desgaste também pode ocorrer quando a criança é submetida a uma presença amedrontadora, um professor severo, por exemplo.

Note que o tique é bem diferente da compulsão. No primeiro caso, a criança busca alívio, descarga da ansiedade. No segundo, ela busca bem-estar, satisfação. Veja o caso das crianças que passam horas e horas jogando videogame. O comportamento delas é repetitivo, mas é voltado para o prazer. E, evidentemente, trata-se de uma atividade bem mais complexa que um simples tique vocal ou motor.

Se os pais observarem que. além dos movimentos involuntários, o filho produz algum som incomum por mais de um mês, eles devem buscar ajuda profissional. “Um pediatra poderá indicar se existe ou não a necessidade de fazer exames neurológicos, como o de ressonância magnética, para saber se há possíveis causas orgânicas para o tique”, alerta o psicólogo.

Ele observa que é importante fazer um diagnóstico diferencial antes de concluir que a origem do tique é de natureza psicológica. “Em alguns casos, o tique pode ser reflexo de alguma disfunção neurológica, que eventualmente pode surgir após uma infecção mal curada, um trauma craniano ou um derrame cerebral. Ou ainda ser decorrente de uma outra condição médica, como é o caso da esclerose múltipla”, observa.

Tiques e manias em crianças.2

Anúncios

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

Uma consideração sobre “PSICOLOGIA ANALÍTICA”

Os comentários estão encerrados.