ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 19: 16-18 – PARTE III

Alimento diário - Comendo a Bíblia

A Inscrição sobre a Cruz. A Crucificação

 

III – O cuidado que Jesus teve com sua pobre mãe.

1. Sua mãe está com Ele, na sua morte (v. 25): “Junto à cruz de Jesus estava sua mãe”, e alguns de seus parentes e amigos com ela, tão perto quanto podiam estar. A princípio, eles ficaram perto da cruz, como está dito aqui. Mas depois, é provável que os soldados os tivessem forçado a se afastarem, como está escrito nos textos de Mateus e Marcos, ou eles mesmos se afastaram.

(1) Veja aqui o carinhoso afeto que estas mulheres piedosas tiveram com nosso Senhor Jesus, nos seus sofrimentos. Quando todos os seus discípulos, exceto João, o tinham abandonado, elas continuaram a acompanhá-lo. Assim, os fracos foram como Davi (Zacarias 12.8, versão RA): não se detiveram pela fúria do inimigo, nem pelo horror da visão. Elas não puderam libertá-lo, nem aliviá-lo, mas o acompanharam para mostrar sua boa vontade. Há uma interpretação ímpia e blasfema que alguns dos autores papistas fazem do fato de Maria estar ao lado da cruz. Dizem que, com isto, ela contribuía para a expiação que Ele fazia pelo pecado, tanto quanto Ele, tornando-se, desta maneira, uma mediadora e auxiliadora conjunta na nossa salvação.

(2) Nós podemos facilmente supor que aflição foi para estas pobres mulheres ver Jesus maltratado desta maneira, especialmente para sua mãe. Agora se cumpriam as palavras de Simeão: “Uma espada traspassará também a tua própria alma”, Lucas 2.35. Os tormentos de Jesus eram uma tortura para Ela. Ela era torturada enquanto Ele estava na cruz, e seu coração sangrava com os ferimentos dele. E as injúrias com as quais injuriavam Jesus caíram sobre aqueles que o acompanhavam.

(3) Nós podemos, com razão, admirar o poder da graça divina, sustentando estas mulheres, especialmente Maria, nesta provação difícil. Nós não encontramos sua mãe retorcendo as mãos, ou arrancando os cabelos, ou rasgando suas roupas, nem fazendo uma gritaria, mas, com uma maravilhosa compostura, em pé, ao lado da cruz, e suas amigas com ela. Certamente, ela e aquelas que a acompanhavam eram, por um poder divino, fortalecidas a este nível de paciência, e certamente Maria tinha uma expectativa mais completa da ressurreição de Jesus do que as outras mulheres que a acompanhavam. Nós não sabemos o que conseguimos suportar, até que sejamos postos à prova, e então conheceremos àquele que disse: “A minha graça te basta”.

2. Carinhosamente, Jesus cuida da sua mãe, na sua morte. É provável que José, o marido de Maria, estives­ se morto há muito tempo, e seu filho Jesus a tivesse sustentado, e seu parentesco com Ele viesse sendo seu sustento. E agora que Ele estava morrendo, o que aconteceria com ela? Ele a viu ali, ao lado, e conheceu suas preocupações e tristezas. E viu João, em pé, não muito afastado, e desta maneira Ele estabeleceu um novo parentesco, entre sua mãe amada e seu discípulo amado. Pois Ele disse a ela: “Mulher, eis aí o teu filho”, por quem, a partir de agora, deverás ter um carinho maternal”, e disse a João: “Eis aí tua mãe”, a quem agora deverás ter um dever filial. Assim, “desde aquela hora”, aquela hora que jamais seria esquecida, “o discípulo a recebeu em sua casa”. Veja aqui:

(1) O cuidado que Cristo teve com sua querida mãe. Ele não estava tão dominado pela dor dos seus sofrimentos a ponto de se esquecer dos seus amigos. O Senhor trazia, em seu coração, todas as preocupações deles. Sua mãe, talvez, estivesse tão dominada pelos seus sofrimentos, que não pensava o que iria acontecer consigo mesma, mas Ele admitiu este pensamento. Ele não tinha ouro nem prata para deixar, nem propriedades, reais ou pessoais. Suas roupas tinham sido apreendidas pelos soldados, e nós não ouvimos falar mais nada sobre a bolsa desde que Judas, que era o responsável por ela, tinha se enforcado. Portanto, nos parece que, humanamente falando, o Senhor Jesus não tinha outra maneira de cuidar de sua mãe, senão fazendo-o através da cooperação de um bom amigo, e foi isto que Ele decidiu fazer aqui.

[1] Ele a chama de mulher, não de mãe, não por algum desrespeito por ela, mas porque “mãe” teria sido uma palavra dolorosa demais para aquela cujo coração já estava ferido pela tristeza. Era como Isaque dizendo a Abraão: “Meu pai”. Ele fala como alguém que não mais estava neste mundo, mas que já estava morto para aqueles deste mundo que lhe eram mais queridos. A maneira como o Senhor Jesus falou aqui, aparentemente desprezando sua mãe, como tinha feito antes, pretendia impedir e repreender as honras indevidas que Ele previa que seriam prestadas a ela pela igreja romana, como se ela, juntamente com Ele, merecesse as honras que só podem ser dadas ao Redentor.

[2] Ele ordena que ela considere a João como seu filho: “Eis aí o teu filho”, que está aí ao teu lado, sê como uma mãe para ele”. Veja aqui, em primeiro lugar, um exemplo da bondade divina, a ser observado para nosso encorajamento. Algumas vezes, quando Deus nos remove algum consolo, Ele nos proporciona outro, talvez onde não o procuramos. Nós lemos sobre os filhos que a igreja ainda teria depois de ter perdido os outros, Isaías 49.21. Que ninguém, portanto, considere tudo perdido, se uma cisterna secar, pois, da mesma fonte, outra cisterna poderá se encher. Em segundo lugar, um exemplo de dever filial, a ser observado e imitado por nós. Aqui Cristo ensinou os filhos a proverem, o máximo que puderem, pelo conforto dos seus pais já idosos. Quando Davi estava em aflição, ele cuidou dos seus pais e encontrou um abrigo para eles (1 Samuel 22.3). Assim também o Filho de Davi, aqui. Os filhos, na sua morte, de acordo com sua capacidade, devem prover para seus pais, se ainda vi­ verem e precisarem desta bondade.

(2) A confiança que Ele depositava no seu discípulo amado. É a ele que Ele diz: “Eis aí tua mãe”, isto é: Eu a deixo aos teus cuidados, sê para ela como um filho que a guie (Isaias 51.18), e “não desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer”, Provérbios 23.22. Agora:

[1] Esta era uma honra conferida a João, e um testemunho tanto da sua prudência quanto da sua fidelidade. Se aquele que conhece todas as coisas não soubesse que João o amava, não o teria feito guardião da sua mãe. É uma grande honra ser empregado a serviço de Cristo, e ser encarregado de algum dos seus interesses no mundo. Mas:

[2] Seria uma preocupação e uma carga para João. Porém, ele a aceitou alegremente, e a levou à sua própria casa, sem objetar pelo incômodo ou pela despesa, nem lembrar suas obrigações com sua própria família, nem a má vontade de que poderia ser alvo, com isto. Observe que aqueles que verdadeiramente amam a Cristo, e são que­ ridos por Ele, ficarão satisfeitos com uma oportunidade de fazer qualquer serviço para Ele ou para os dele. Nicéforo, História Eclesiástica, livro 2, cap. 3, diz que Maria viveu sob os cuidados do apóstolo João, em Jerusalém, durante onze anos, e morreu. Outros dizem que ela viveu mais tempo, chegando a acompanhá-lo até Éfeso.

Anúncios

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.