PSICOLOGIA ANALÍTICA

O CARÁTER DA DOR MORAL

Somente quando a pessoa sente na pele quando afrontam sua dignidade é que ela pode conhecer a intensidade profunda da dor moral, que humilha, faz a honra adoecer, deprimindo a alma.

O caráter da dor moral

Enquanto a dor somente acometer terceiros, você não fará ideia de o quanto é nefasta. Somente sentindo na pele quando afrontam sua dignidade é que você pode saber da intensidade profunda e sem limites da dor moral. Nem mesmo os juízes de varas criminais compreendem por completo o grande prejuízo que sofre aquele que foi hostilizado contra sua própria honra, sem empregar a rigidez ora merecida diante da justiça. A honra golpeada sangra e causa dor, até mais que as violências corporais. A desonra é humilhante, torna enferma a honra que até então era sólida e, com isso, deprime a alma.

“Cai-se a moral e falta-nos o fôlego. Pessoas são asfixiadas pela dor moral, embriagadas pelas pressões da vida moderna. Elas necessitam de algo além do livre-arbítrio para serem mais independentes.

Muitas vezes esquecemo-nos de observar nossas próprias atitudes, e com nosso egoísmo, preferimos criticar e apontar os erros alheios.

Toda vez que sentimos raiva de alguém estamos em conflito com nossa própria pressão interna e moral. Em síntese, estamos vivendo em uma época de muita agressividade moral.

Nossa honra é construída por atos, e quando desviamo-nos dos nossos objetivos, somos dominados pela desorientação. A falta de honra de outrem é como água de corredeira envenenada pela fúria do inverno gélido da alma. Assim, a mente malfadada trava combates entre si, dilacerando e ferindo a honra de um coração puro. Ela ergue a discórdia, maltrata os sentimentos. Cultiva o ódio na falta do amor! Crava as raízes mais profundas na mente ensanguentada pela dor” (Cláudia Eça).

Enquanto permanecerem essas dúvidas entremeadas na mente humana, a criatura estará a todo tempo também enfraquecida, como se faltasse nela uma parte da sua personalidade dissolvida pela desonra. Porém, assumindo novamente sua postura, erguendo a cabeça para se desvencilhar do problema acarretado, o indivíduo se renovará na busca da sua solidez.

Injúria e difamação são violações extremamente graves de ordem moral, inclusive tratadas como crimes em legislações de todo o mundo, isso porque causam lesões mórbidas à honra do ser humano, não só danificando a reputação, mas também, possivelmente, mutilando a autoestima, disseminando nas criaturas o revide ao ódio, egoísmo e inveja, em prejuízo à sua paz interior.

O caráter da dor moral.2

PSICOSSOMÁTICA DA DOR

Os processos psicossomáticos são representados por reflexos dos sentimentos negativos repassados do campo mental para o corpo físico.

No decorrer do dia a dia ainda é um pouco estranho para muitas pessoas aceitar que as doenças e as emoções possam de alguma forma estarem ligadas. Aceitar que uma doença possa ser causada por distúrbios emocionais faz cada vez mais sentido e tem-se verificado que a mudança desses padrões emocionais atenua a doença e pode mesmo aboli-la se esses padrões emocionais desequilibrados deixarem de existir. É óbvio que as degenerações podem depois ter um difícil retrocesso. No entanto, os estudiosos no assunto já relataram vários casos de sucesso.

Você já deve ter sentido diversas dores ou tido algum sintoma que os doutores não reconheceram? Permaneceu sem saber o motivo do seu dilema? Então, provavelmente seu corpo tenha passado por um processo psicossomático.

A dor é uma das sensações mais habituais em nossa constituição corpórea. Ela apresenta três indícios triviais: a energia, a percepção e a manifestação física. Cada marca fixada pela dor pode estar correlacionada a uma condição emocional específica em nosso cérebro. Isso nos faz concluir que apesar de estarmos na qualidade de adultos ainda necessitamos nos confrontar com outras experiências de vida, no intuito de amenizar a dor. Uma vez que essas experiências estiverem seguramente aplicadas em nossas vidas, compreendidas e aprendidas de uma maneira que seja capaz de ser transportada para outrem, a dor naturalmente desaparecerá.

“A doença não provém do exterior, o próprio ser humano a produz; o homem só se serve do mundo exterior como instrumento para ficar doente, escolhendo em seu inesgotável arsenal de acessórios ora a espiroqueta da sífilis, ora uma casca de banana, depois uma bala de fuzil ou um resfriado” (Georg Groddeck).

“O sintoma é uma manifestação do que nos faz falta, de princípios que não foram vividos pela consciência e que descem para o corpo, tornando­ se visíveis como sintomas corporais. O sintoma aparece como espelho de nossa alma e exige a nossa atenção. No sentido holístico, os acupunturistas e reflexologistas enfatizam a necessidade de um olhar médico no âmbito energético do processo que ocorre no corpo” (Dethlefsen, Thornald e Dahlke).

O corpo é evidentemente vulnerável quando referente à dor. Os conhecimentos adquiridos pela vida tomam-se visíveis imediatamente no seu corpo e, quando somos acometidos pelas perturbações emocionais, nosso corpo revela fisiologicamente o problema. Ficará apenas ao nosso encargo decifrá-lo. Estudiosos identificaram que é possível somatizar os distúrbios emocionais, elucidando, ainda, que o que principiou como uma desordem na mente pode se transformar em sintomas de enfermidades no corpo físico. Exemplos disso são os casos de indisposições estomacais (gastrites, úlceras), dores de cabeça (cefaleias, enxaquecas) ou alopecia, a queda acentuada de cabelos. O mais intrigante desse estudo é que os mesmos ficaram convencidos de que essas somatizações são procedentes do estado de ansiedade. Contudo, é indispensável que se descubra a origem do problema, pois somente a terapia medicamentosa não solucionará a questão, já que o agente desencadeante da doença psicossomática prosseguirá evoluindo.

CONEXÃO CORPO-MENTE

A conexão corpo-mente se refere à interação de pensamentos, emoções e capacidade física. É uma abordagem da saúde que vai além da biologia pura na identificação e no tratamento de doenças e enfermidades. Preconiza-se alimentação saudável, saneamento básico, educação, trabalho, renda, transporte, lazer, meio ambiente, atividade física, moradia e acesso aos bens e serviços essenciais para que todos tenham saúde. Por que será então que as pessoas adoecem, mesmo tendo acesso a todos os itens citados acima?

Do Oriente ao Ocidente, ao longo de todas as eras, sempre houve cientistas das mais diversas tradições que consideravam a cura da alma como condição básica para restabelecer o perfeito funcionamento do corpo físico. Várias tradições antigas já pregavam que a mente controlava o corpo e que tudo está ligado a tudo. Mas de que maneira isso ocorre?

Há três mil anos, a medicina indiana entende o corpo como uma projeção da consciência. Mas o que quer dizer isso?

Entender a totalidade dessa proposição implica, inevitavelmente, saber de que modo a mente movimenta as moléculas do corpo. Como nossos pensamentos e emoções podem nos levar à doença ou à cura? Como essa “consciência imaterial” influencia os processos biológicos? Existe uma infinidade de alterações mínimas da química celular, da temperatura do corpo, da carga elétrica, da pressão sanguínea e de outras reações que não são percebidas pelas pessoas.

“Vejo o cérebro como um computador que deixará de funcionar quando seus componentes falharem. Não existe paraíso ou vida além da morte para computadores quebrados; isso é um conto de fadas para pessoas com medo da escuridão (…). Durante milhões de anos, a humanidade viveu exatamente como os animais. Então aconteceu alguma coisa que desencadeou o poder da nossa imaginação. Nós aprendemos a falar e aprendemos a ouvir (…) Toda a história da Ciência tem sido a percepção gradual de que eventos não acontecem de uma maneira arbitrária, mas que refletem uma ordem básica, que pode ou não ser divinamente inspirada (…) Considerando o que os buracos negros sugerem, Deus não apenas joga dados, ele às vezes nos confunde jogando-os onde ninguém consegue ver” (Stephen Hawking).

A energia dos pensamentos atua sobre a massa cinzenta do cérebro, realizando modificações químicas e, dependendo do tipo de pensamento emitido, teremos essa ou aquela substância química cerebral ativada. Se o pensamento contiver emoções como o medo, por exemplo, o cérebro aceitará essas mensagens sob a forma de ordens expressas da mente, e as suprarrenais verterão uma grande quantidade de adrenalina na corrente sanguínea. Verifica-se então que toda e qualquer atitude mental, negativa ou positiva, produzirá “ordens mentais” no cérebro, e este obedecerá, liberando substâncias que irão enfraquecer ou fortalecer os sistemas de defesa do organismo.

Existiria uma conexão entre corpo, mente, emoção e sistema imunológico? Até quatrocentos anos atrás as doutrinas ou teorias que admitissem a existência de dois princípios necessários, porém opostos (corpo-alma) eram uma incógnita, entrementes os males aparecem apenas como fonte dos descuidos no campo físico e não têm nenhuma ligação com a consciência. Quem ajuizava que a moléstia tivesse ascendências psicológicas, sociais ou mentais obtinha, no máximo, expressões irônicas por parte dos profissionais da saúde conservadora. Edward Bach, o ilustre doutor dos florais, trabalhou incansavelmente durante o período da Primeira Guerra Mundial, ficando responsável diretamente por centenas de leitos com soldados feridos em certo hospital universitário. Nessa ocasião, já olhava atentamente como os enfermos resistiam perante as doenças e como essa resistência se transcorria no percurso das internações hospitalares. Bach era um raro profissional da medicina que tinha prazer de escutar o que os pacientes tinham a lhe falar. Descobria, assim, o verdadeiro motivo dos seus males e tinha a percepção de que os meros desaparecimentos dos sintomas físicos não eram o suficiente, e que a densidade corpórea era um espelho a revelar o que se propagava na mente e no espírito. Desse modo, compreendemos que o sujeito-paciente é um único objeto, em referência ao corpo, mente e emoção. Entendemos, ainda, que a doença não é tangível em sua naturalidade e que, nada obstante, é benéfica, contribuindo para o nosso próprio bem-estar, conduzindo-nos a refletir sobre nossos próprios maus hábitos e imperfeições, sugerindo-nos oportunidade de conscientização e determinação na supressão das nossas falhas, incentivando, assim, o crescimento na busca contínua da perfeição.

CORPO MENTAL E SEU UNIVERSO

O corpo representa uma das maiores obras de engenharia que o ser humano conhece. É um extraordinário universo constituído de partículas atômicas, com suas múltiplas combinações. É incrível a perfeição da estrutura humana! O coração trabalha bombeando o sangue por todo o corpo, o pulmão com seu efeito sanfona recebe e elimina o ar que respiramos, os rins filtram as impurezas contidas em nosso sangue, eliminando-as, o fígado trabalha como se fosse um laboratório em nosso organismo, recebendo os nutrientes e distribuindo aos órgãos que mais necessitam, e assim todos os órgãos desenvolvem suas funções em cadência uns com os outros. Toda essa engenharia é eficazmente controlada pelo cérebro. Existe uma grande influência da mente, por meio de suas emoções, pensamentos e sentimentos, na reatividade dos agentes químicos que percorrem o cérebro e o resto do corpo, e também uma infinidade de alterações mínimas da química celular, da temperatura do corpo, da descarga elétrica, da pressão sanguínea e de outras reações que não são percebidas pelas pessoas.

Seguindo essa linha de raciocínio, verifica-se então que toda e qualquer atitude mental, negativa ou positiva, produzirá “ordens mentais” no cérebro, e este obedecerá, liberando substâncias que irão enfraquecer ou fortalecer os sistemas de defesa do organismo. Há, portanto, no cérebro, uma verdadeira cascata de substâncias químicas que flui por toda parte, transportada pelos chamados neurotransmissores neuro – peptídeos, os quais se encontram tanto no cérebro como no próprio sistema imunológico, ou seja, são os chamados “transportadores” da inteligência da mente para todo o corpo.

“Nosso cérebro pode se tornar uma ferramenta destrutiva se não usado corretamente. Na verdade, não somos nós que o usamos – é ele que nos usa. Muitas vezes, não entendemos a ilusão de que somos nossas mentes e, consequentemente, nossas opiniões. Essa ferramenta (nosso cérebro) controla nossas vidas e devemos tratá-la com respeito, para, assim, manter o controle em nossas mãos (…) As pessoas tendem a se concentrar mais no negativo do que no positivo. Se você fizer uma caminhada de meia hora e terminar em “apenas” 20 minutos, você provavelmente se concentrará nos 10 minutos que não terminou em vez dos 20 minutos feitos. Isso acontece porque nossa mente fica obcecada com o negativo e, sem perceber, afeta negativamente nossa vida em cada passo que tomamos” (Eckhart Tolle).

Havendo a cronicidade do ressentimento, da mágoa, aumenta a calcificação das artérias coronárias, surgindo futuras isquemias coronarianas. Uma crise colérica poderá produzir danos terríveis para o fígado, chegando mesmo a aparecer alguns sintomas parecidos com a hepatite, pela qual a icterícia é a consequência.

Por outro lado, todos os pensamentos carregados de emoções e sentimentos enobrecidos, como a alegria, o carinho, o otimismo, a atitude de bondade, a autoestima elevada, a confiança, a perseverança e todo tipo de elementos saudáveis, são verdadeiras mensagens (ordens) para o cérebro, que as recebe e as codifica produzindo substâncias que auxiliarão no fortalecimento do sistema imunológico em si.

Seguindo essa linha de raciocínio, verifica-se então que toda e qualquer atitude mental, negativa ou positiva, produzirá “ordens mentais” no cérebro, e este obedecerá, liberando substâncias que irão enfraquecer ou fortalecer os sistemas de defesa do organismo.

Pesquisas sobre a interação entre mente, corpo e emoção avolumam-se atualmente e, pelo que se conseguiu apurar, sabe-se que a mente atua formidavelmente sobre o corpo orgânico, via cérebro, em uma comunicação de alta velocidade.

Refletindo sobre o tema, percebemos, então, que há uma unidade indivisível entre corpo e mente e emoção, e que devemos atentar quanto à nossa qualidade de pensamentos e tudo que se relaciona ao nosso desejo e/ou vontade.

ESTÁGIOS DOS PROCESSOS PSICOSSOMÁTICOS DO COTIDIANO

É possível destacar alguns estágios dos processos psicossomáticos do cotidiano: resfriado escorre quando o corpo não chora; a dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições: o estômago arde quando as raivas não conseguem sair; o diabetes invade quando a solidão dói; o corpo engorda quando a insatisfação aperta; a dor de cabeça deprime quando as dúvidas aumentam; o coração desiste quando o sentido da vida parece terminar: a alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável; as unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas; a pressão sobe quando o medo aprisiona; as neuroses paralisam quando a criança interna tiraniza; a febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.

Anúncios

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

Uma consideração sobre “PSICOLOGIA ANALÍTICA”

Os comentários estão encerrados.