PSICOLOGIA ANALÍTICA

A PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM

Câmeras de vídeo rastreiam movimentos dos olhos para detector para onde alunos direcionam sua atenção, e sensores de pele revelam se os estudantes estão interessados ou entediados. Os resultados ainda não chegaram às escolas, mas a nova metodologia já desafia crenças estabelecidas ao mostrar que professores não podem ser avaliados com base apenas em suas credenciais acadêmicas, que o tamanho da sala de aula nem sempre é primordial e que alunos poderão realmente ficar mais motivados se fizerem esforços para completar as tarefas durante as aulas, com supervisão e junto com os colegas.

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Anna Fisher apresentava um seminário para universitários sobre atenção e distração de crianças pequenas quando notou que as paredes da sala estavam nuas. Isso a fez refletir sobre as salas de aula da pré-escola, que costumam ser decoradas com cartazes alegres, mapas coloridos, gráficos e trabalhos de arte. Ela se questionou, então, sobre que efeito todo aquele estímulo visual exerce sobre crianças, que são muito mais suscetíveis à distração que seus alunos da Universidade Carnegie Mellon. Esse tipo de decoração afeta a capacidade de aprendizado das crianças?

Para verificar isso, a estudante de pós-graduação Karrie Godwin, orientanda de Fisher, desenvolveu um experimento com crianças do jardim de infância da Carnegie Mellon’s Children’s School, uma instituição experimental que funciona no campus. Dois grupos de 12 alunos cada um sentaram-se em uma sala alternadamente decorada ou totalmente vazia e ouviram três histórias sobre ciências em cada ambiente. Os pequenos voluntários foram filmados pelos pesquisadores, que mais tarde observaram o quanto cada criança prestou atenção aos relatos. Ao fim da leitura, fizeram perguntas sobre o que ouviram. As da sala de paredes nuas eram mais propensas a prestar atenção e apresentaram melhores resultados em testes de compreensão. Centenas de experiências como essa fazem parte de uma iniciativa para trazer conhecimentos científicos sobre aprendizagem para as salas de aula. Nos Estados Unidos, esse movimento começou com a lei “No child left behind” (Nenhuma criança deixada para trás), em 2002. Na ocasião, foi fundado o Instituto de Ciência da Educação (IES, na sigla em inglês) para incentivar cientistas a buscar o que foi descrito como “pesquisa cientificamente válida”, em especial estudos controlados randomizados, que defensores do IES consideram bastante confiáveis. Também foi criado o What Works Clearinghouse, espécie de banco de dados com informações variadas para educadores: desde comentários sobre currículos específicos até técnicas de ensino baseadas em evidências.

Agora, pesquisadores americanos estão usando a tecnologia emergente e novos métodos de análise de dados para criar experiências que teriam sido impossíveis há dez anos. Economistas descobriram como compactar os dados para simular estudos randomizados – que muitas vezes são difíceis e caros de adequar a escolas. Câmeras de vídeo rastreiam movimentos dos olhos para ver para onde alunos direcionam sua atenção; sensores de pele mostram se os estudantes estão interessados ou entediados. Grande parte das novas pesquisas supera a simples métrica de testes padronizados para avaliar a aprendizagem em andamento. “Estou interessado em medir o que realmente importa”, afirma Paulo Blikstein, professor assistente da Faculdade de Educação da Universidade Stanford, que participa do desenvolvimento de novas tecnologias e técnicas de coleta de dados para capturar o processo de aprendizagem. Conhecer o bom desempenho dos alunos ao completarem uma tarefa é apenas parte da experiência. Cientistas também gravam a expressão dos alunos, a resposta galvânica da pele e as interações no grupo, entre outras coisas. Blikstein denomina essa abordagem de “aná lise multimodal da aprendizagem”.

A nova metodologia já desafia crenças amplamente estabelecidas ao revelar que professores não podem ser avaliados com base apenas em suas credenciais acadêmicas, que o tamanho da sala de aula nem sempre é primordial e que alunos poderão realmente ficar mais motivados se fizerem esforços para completar uma tarefa em sala de aula. Embora ainda haja muito a ser compreendido nesse campo, as constatações já começam a preencher algumas lacunas nesse quebra-cabeça extremamente complexo chamado educação.

EM BUSCA OE PADRÕES

Perguntas provocativas deflagram os resultados mais surpreendentes. Em uma série de experiências com estudantes do ensino fundamental lI e médio, Blikstein tenta compreender a melhor forma de ensinar matemática e ciências indo além, por exemplo, dos testes de múltipla escolha para avaliar o conhecimento dos alunos. “Muito do que acontece em ciências exatas resulta em fracasso; é o processo de tentativa e erro que esperamos captar com essas novas ferramentas: levamos as crianças ao laboratório e passamos tarefas que envolvem algum tipo de projeto de engenharia ou de ciências”, conta Blikstein. Pesquisadores colocam sensores no laboratório e, às vezes, nas próprias crianças. Depois, coletam os dados e os analisam buscando padrões. “Há muitas coisas na forma como as pessoas aprendem que são contrárias à intuição; gostamos de desvendar esses mecanismos mentais, por vezes equivocados, para entender o que de fato é eficiente.”

A aprendizagem baseada em “descobertas” que ocorrem quando alunos desvendam sozinhos os fatos, em vez de recebê-los prontos, está em voga ultimamente. Blikstein e seus colegas no FabLab @ School, uma rede de oficinas educativas criada por ele em 2009, tentam atingir a essência da quantidade de instruções de que os alunos realmente precisam. Pais podem não gostar de ver seus filhos frustrados na escola, mas Blikstein garante que “há níveis de frustração e de fracasso que são muito produtivos, são ótimas maneiras de aprender”. Em uma série de estudos, ele e seus colegas tentaram descobrir se alunos aprendiam mais sobre um tópico de ciência se assistissem primeiramente a uma aula ou se fizessem uma atividade exploratória. Ele chamou a aula de “ouvir dizer e praticar”. Os alunos foram divididos em dois grupos. Um começou com a atividade expositiva e o outro, com a exploratória. Pesquisadores repetiram o experimento em várias ocasiões e encontraram resultados consistentes: jovens que iniciaram com atividade prática se saíram 25% melhor que aqueles que participaram antes da aula expositiva.

O professor de administração e política Jordan Matsudaira, da Universidade Cornell, ajudou a ressuscitar uma antiga ferramenta de pesquisa econômica e a empregou para observar a utilidade de aulas de reforço. O método, estruturado nos moldes de acompanhamentos clínicos controlados e conhecido como análise de regressão-descontinuidade, compara o rendimento de estudantes. No estudo sobre as aulas complementares, por exemplo, Matsudaira comparou alunos cujos resultados de testes ficaram pouco acima do nível que o s tornava candidatos para as atividades de reforço com aqueles que estavam logo abaixo para verificar se as aulas adicionais melhoravam os resultados dos testes dos alunos. Conclusão: aulas a mais podem ser uma forma mais eficaz para melhorar o aprendizado que a redução do tamanho das turmas, por exemplo.

Outros pesquisadores prospectam dados para monitorar o progresso de vários alunos ao longo do tempo. O professor Ryan Baker, da Universidade Columbia, presidente da International Educational Data Mining Society, lembra que, quando trabalhava em seu doutorado no início dos anos 2000, acordava todas as manhãs às 6 horas para dirigir até uma escola onde passava o dia todo em pé, fazendo anotações em uma prancheta. Avance rapidamente uma década, e a rotina de trabalho de Baker parece muito diferente. Recentemente, ele e seus colegas concluíram uma pesquisa longitudinal de sete anos para estudar os registros digitais sobre como milhares de estudantes do ensino fundamental II usaram um programa de tutoria em matemática pela internet denominado ASSISTments. Os pesquisadores rastrearam se os alunos entraram na faculdade e, se o fizeram, para que tipo de faculdade em termos de exigência e em qual graduação para verificar se poderiam fazer conexões entre o uso do software e as conquistas acadêmicas posteriores.

“O Big Data nos permite observar durante períodos longos e olhar detalhes muito precisos”, afirma Baker. Ele e seus colegas estavam especialmente interessados em ver o que acontecia com alunos que estavam “burlando” o sistema – tentando passar por um conjunto particular de problemas sem seguir todos os passos. Acontece que burlar os problemas mais fáceis não foi tão prejudicial quanto ludibriar nos mais difíceis. Alunos que resolveram as questões mais fáceis poderiam simplesmente estar entediados, enquanto os que trapacearam nas realmente complicadas podem não ter entendido o material. Baker acredita que esse tipo de informação talvez ajude professores e orientadores a descobrir não só quais alunos correm risco de te r problemas acadêmicos, mas também por que eles estão em risco e o que pode ser feito para ajudá-los.

PROFESSOR DE ALTA QUALIDADE

Novos estudos ajudam a construir uma base de evidências inexistente no ensino. Grover Whitehurst, diretor-fundador do IES – e atualmente diretor do Brown Center on Education Policy e membro sênior da Brookings lnstitution -, lembra que quando começou a trabalhar no projeto em 2002, logo após o programa No child left behind entrar em vigor, o superintendente de um distrito predominantemente de minorias pediu-lhe que sugerisse um currículo de matemática comprovadamente eficaz para os seus alunos. “Quando respondi que não ha­ via nenhum, ele não pôde acreditar estar sendo obrigado por lei a basear tudo o que fazia na pesquisa científica e não haver nenhuma na qual pudesse se fiar.” Esse superintendente não estava sozinho. “Havia muito pouca pesquisa que realmente atendesse às necessidades dos educadores. A maioria dos trabalhos era escrita por acadêmicos para serem lidos por acadêmicos.”

Muitos pesquisadores discordam dessa avaliação dura, mas a crítica forçou a comunidade a examinar e explicar seus métodos e missão. Nos primeiros anos do IES, Whitehurst e outros frequentemente comparavam a ciência da educação com os estudos sobre drogas, que indicavam que pessoas que estudam as escolas deveriam testar currículos ou práticas pedagógicas da mesma forma que um pesquisador farmacêutico testaria um novo fármaco.

Estratégias ecurrículos que passassem no teste iriam para o What Works Clearinghouse.

John Easton, atual diretor do IES e ex-pesquisador educacional na Universidade de Chicago, acredita que o Clearinghouse é especialmente útil como forma de o governo vetar produtos que os distritos escolares podem se sentir pressionados a comprar. “Acho que é uma fonte muito valiosa e confiável a que se pode recorrer e descobrir se há alguma evidência de que esse produto comercial funciona”, declara. O Clearinghouse agora abriga mais de 500 relatórios que resumem descobertas atuais sobre temas como o ensino de matemática para crianças pequenas, a escrita no ensino fundamental e auxílio a alunos no processo de candidatura à faculdade. Também revisou centenas de milhares de relatórios para auxiliar no discernimento entre a pesquisa de melhor qualidade e o trabalho mais fraco, inclusive estudos sobre temas como a eficácia das escolas conveniadas e pagamentos por mérito para professores, que informavam sobre o debate em curso sobre essas questões.

Segundo Whitehurst, uma das contribuições mais importantes da ênfase na ciência rigorosa foi uma mudança drástica na definição de um professor de alta qualidade. No passado, a qualidade era definida pelas credenciais, como um diploma ou certificação específica. “Agora, trata-se de eficácia na sala de aula, medida por observações e pela capacidade de um professor melhorar os resultados das avaliações”, afirma. Embora ainda haja controvérsia significativa sobre como mensurar a eficácia de um professor, Whitehurst acredita que a mudança na abordagem foi impulsionada pela comunidade de pesquisa, especialmente por economistas. Muitos pesquisadores se queixam de que a ênfase do IES em estudos controlados randomizados ignorou outras metodologias potencialmente úteis. Estudos de caso de distritos escolares, por exemplo, poderiam descrever práticas de aprendizado em ação da mesma forma como escolas de administração empregam estudos de caso de empresas. “O quadro atual é realmente um ecossistema de metodologias, o que faz sentido, porque a educação é um fenômeno complexo”, afirma o professor de psicologia da educação Anthony Kelly, da Universidade George Mason. Para Easton, porém, estudos controlados randomizados tomam parte importante nesse processo, mas não necessariamente como “evento culminante”. Para ele, os estudos também podem ser úteis no início do processo de desenvolvimento de uma intervenção educativa para ver se algo está funcionando e se vale a pena investigar mais.

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NO MUNDO REAL

Conseguir essa nova ciência em escolas ainda é um desafio. “O problema com a pesquisa em educação, como em muitos outros campos, é que ela normalmente se traduz em longas trajetórias de trabalho”, considera Joan Ferrini-Mundy, diretora adjunta da Directorate for Education and Human Resources. “É muito improvável que um único estudo, em período curto, produza impacto. “Há também uma barreira de longa data entre o laboratório e a sala de aula. No passado, muitos pesquisadores sentiam que não era sua função encontrar aplicações para seu trabalho no mundo real. E educadores, na maior parte das vezes, acreditam que a experiência acumulada na sala de aula superava qualquer coisa que pesquisadores poderiam lhes dizer.

O What Works Clearinghouse deveria ajudar a cobrir essa lacuna, mas em 2010 o General Accountability Office (GAO) constatou que apenas 42% dos distritos escolares pesquisados tinham ouvido falar dele. O levantamento do GAO verificou também que apenas 34% dos distritos acessaram o site do Clearinghouse pelo menos uma vez e que menos ainda o utilizava com frequência. Um relatório atualizado em dezembro de 2013 mostrou que a disseminação permanecia problemática. Easton e outros reconhecem a necessidade de um melhor direcionamento para as escolas. Como parte da solução, o Clearinghouse já publicou 18 “guias práticos”, que estabelecem o que se sabe sobre temas como ensinar inglês ou matemática para crianças pequenas. Cada um é compilado por uma comissão que reúne pesquisadores, professores e administradores escolares. “Os guias de boas práticas também podem orientar pesquisas futuras”, afirma a professora de psicologia Sharon Carver, membro do comitê de matemática para principiantes e diretora da Carnegie Mellon’s Children’s School. Ela pede a seus alunos de pós-graduação que leiam os guias relacionados com seu campo e busquem áreas que precisam de mais exploração.

Cada pergunta da pesquisa é uma tentativa de encaixar mais uma peça de um enorme quebra-cabeça. “Não acho que seja possível olhar para a educação pensando simplesmente se ela funciona ou não, como se fosse uma lâmpada”, ressalta Joseph Merlino, presidente da 21st Century Partnership for STEM Education, uma organização sem fins lucrativos dos subúrbios da Filadélfia. “Não acredito que o conhecimento humano seja assim… Em uma era mecânica, estamos acostumados a pensar nas coisas mecanicamente. Será que funciona? Você pode consertar? Não acredito que se possa corrigir a educação mais do que um pé de tomate. Você o cultiva. Você o nutre. E ele dá frutos.”

A organização de Merlino administrou um estudo controlado randomizado de cinco anos financiado pelo IES sobre a eficácia da aplicação dos quatro princípios da ciência cognitiva para o ensino de ciências no ensino fundamental II. Atribuíram aleatoriamente currículos modificados ou não a um total de 180 escolas na Pensilvânia e no Arizona. Uma parte do experimento foi baseada em pesquisa de ciência cognitiva sobre como as pessoas aprendem por diagramas. Pesquisadores descobriram que algumas das coisas que artistas gráficos colocam em um diagrama para incrementá-lo, como muitas cores, na verdade distraem o aprendizado. Verificaram ainda que estudantes precisam de instruções para ler diagramas. Esse é o tipo de resultado que poderia ser integrado no projeto de adoção de um novo livro. Os professores também poderiam ter tempo para explicar o significado de símbolos diferentes em um diagrama, como setas ou cortes.

Fazer de educadores uma parte importante do processo de pesquisa também gera resultados significativos em sala de aula. Professores muitas vezes sentem que a experiência que adquiriram com a prática é ignorada e que em vez disso obtêm um novo currículo, suposta­ mente baseado em evidências periódicas, sem muita explicação de por que o novo é muito melhor que o antigo. No passado, pesquisadores geralmente não sentiram que era seu papel explicar seu trabalho a professores. O compartilhamento de conhecimento, porém, tem dois lados. No estudo sobre o currículo de ciências na Pensilvânia e no Arizona, professo­ res foram envolvidos na concepção inicial dos experimentos. “Eles eram mais como mestres, ensinavam e nos deram retorno; como o estudo foi realizado em escolas de verdade, em vez de laboratório, pesquisadores treinaram os professores enquanto o trabalho prosseguia”, comenta Nora Newcombe, professora de psicologia da Universidade Temple e principal pesquisadora do Spatial lntelligence and Learning Center.

Outros pesquisadores apontam para o modelo da Finlândia, onde as teorias educacionais, as metodologias de pesquisa e a prática são partes importantes da formação de professores, segundo Pasi Sahlberg, que em 2011 escreveu Finnish lessons, um relato de como o país reconstruiu seu sistema de ensino e subiu para o topo do ranking internacional de matemática e alfabetização. De certa forma, a comparação com as escolas americanas é injusta porque a Finlândia é um país mais homogêneo, mas Nora acredita que o treinamento de professores de outros países deva incluir os mais recentes desenvolvimentos da ciência cognitiva. Em muitos programas de formação de professores, alunos “aprendem uma psicologia que está não apenas dez, mas 40 anos atrasada”, diz. Essa formação básica pode ajudar professores a avaliar a importância de novas pesquisas e encontrar formas de incorporá-las nas salas de aula. “Não se pode realmente escrever um roteiro para tudo que acontece na sala de aula”, declara ela. “Se tiver alguns princípios em sua mente para o que você faz nesses momentos aleatórios, poderá executar um trabalho melhor.”

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PRIMEIRO, A PRÁTICA

Estudo publicado on-line, na revista Proceedings of the National Academy of Sciences USA, revela que estudantes de ciências matriculados em aulas expositivas tradicionais eram mais propensos à reprovação que os colegas que usavam técnicas de aprendizagem ativa, com resolução de problemas em grupo e feedback regular do instrutor.

OUTROS OLHARES

A MÁGICA DA DESILUSÃO

Com frequência somos meros executores de ações previsíveis e falhas de julgamentos. Assim, podemos responsabilizar a forma como a mente foi programada para economizar energia nas escolhas, inclusive, as inconscientes.

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A capacidade de criar ferramentas para ganhar eficácia nas tarefas é um dos grandes diferenciais da espécie humana – um que nos permite expandir qualquer limite. Basta uma bicicleta para nos tirar da posição humilde que ocupamos no ranking de velocidade no reino animal. Steve Jobs, em um depoimento para a Biblioteca do Congresso (Library of Congress), em 1990, utilizou esse fato para manifestar seu entusiasmo pela tecnologia: “Um computador, para mim, é a ferramenta mais formidável que já criamos – é o equivalente a uma bicicleta para a mente”.

Quando ele fez essa analogia, há 30 anos, tanto um quanto outro eram utilizados conforme o desejo e a necessidade de quem os manipulava. Sobre as bicicletas, continuamos tendo pleno domínio. Mas com os computadores a ordem foi invertida. Criamos uma relação de dependência com as máquinas, que jamais teríamos com uma bicicleta, ao termos transformado essas ferramentas em extensores da mente, dos quais não mais conseguimos nos distanciar por um dia sequer. Mas o lado mais perigoso dessa relação é bem menos evidente: embora tenhamos a impressão de estar no comando das próprias escolhas, isso está longe de ser verdade, especialmente no mundo virtual. Atrás dos eletrônicos, grande parte das nossas ações é guiada por artimanhas que atuam em nível sub­ consciente para estender o tempo de uso das telas e atrair a nossa atenção, cada vez mais concorrida e limitada.

Passamos a seguir, obedientemente, os propósitos das máquinas, ou melhor, das corporações que as tornam complexas – neurônios do córtex pré-frontal do grande cérebro da tecnologia. As notificações não são vermelhas por acaso; o feed do Facebook não se organiza de forma aleatória, nem segue uma rígida ordem cronológica; os vídeos que assiste no YouTube, ou a maioria deles, não foram ativamente buscados e/ou selecionados por você. Atrás de cada aplicativo há milhares de especialistas arquitetando formas de mantê-lo ativo e certo de que está agindo de forma racional.

Como mágicos, conhecem muito bem a mente humana e sabem fazer o público escolher uma determinada carta e jurar que a escolha foi livre. Pois justamente por conhecer muito bem as armadilhas em que cai facilmente a mente humana que um mágico foi parar na Google com a função de apontar caminhos éticos para a tecnologia. Especialista em persuasão e já chamado de “a consciência de Silicon Valley”, Tristan Hanis ajudou essa e outras grandes empresas do setor a identificar e desfazer truques manipulativos que pudessem prejudicar os usuários. Seu trabalho, que quando era garoto era de criar ilusões, passou a ser desmanchá-las – uma espécie de magia ao contrário, que muito tem a revelar sobre irracionalidade humana.

“O que aprendemos com a mágica é que existem coisas que funcionam com todas as mentes, em um nível subconsciente. Você nem precisa entrar no artigo para ser influenciado por fake news. O fato de aparecerem repetidamente no seu feed de notícias cria associações no cérebro que fazem parecer verdade”, explica Harris em entrevista a Helen Lewis no fórum internacional de debates Intelligence Squated.

Mentiras podem ser muito sedutoras, atrair a atenção de muitos e garantir mais tempo de interações. Por esse motivo, falácias ganham destaque nas redes, e entre os vídeos mais frequentemente recomendados pelo YouTube, com a intenção de manter o público conectado, estão os sensacionalistas. “Nossa mente é vulnerável e essa vulnerabilidade está sendo explorada pela tecnologia, que está inclinada na direção do sensacionalismo, de conspirações e radicalismo, o que traz reais consequências”, alerta.

O comprometimento com a ética e a verdade, antes base na qual os veículos de notícias construíam uma valiosa reputação, desassociou-se das principais fontes de informação na disputa por cliques, likes, comentários e por minutos ou segundos da atenção do consumidor. Ficou mais difícil selecionar a informação e se proteger contra mentiras e mensagens subliminares. Antes até poderíamos julgar o conteúdo pela capa, mas hoje essa metáfora não vale mais. A informação falsa, tendenciosa e sem fundamento pode vir muito bem disfarçada e em uma quantidade que exige das pessoas grande capacidade de análise e de seleção daqueles estímulos que merecem os minutos de sua tão valiosa e concorrida atenção; ou seja, para nos proteger das influências negativas do universo virtual, precisamos mais do que nunca desenvolver o pensamento crítico – um conjunto de habilidades pouquíssimo trabalhadas pela educação formal, especialmente no Brasil.

As reais consequências a que Harris se refere são difíceis de calcular, pois o comportamento humano nunca é guiado por um único fator. Mas quando parte considerável do tempo e da atenção das pessoas está voltada a notícias falsas, constantes notificações e filtros de embelezamento, a associação das influências ocultas da tecnologia às alterações drásticas nos fundamentos da sociedade é inevitável.

E se não for possível enxergar claramente com exemplos à sua volta, pense no número crescente de adolescentes que busca clínicas de cirurgia plástica com a finalidade de parecer sua versão “embelezada” do Snapchat – uma clara evidência dos danos das redes à estima de jovens, que estão perdendo a percepção dos limites entre o real e o virtual.

Seguir acreditando que temos consciência das nossas escolhas no universo virtual e que os eletrônicos são ferramentas sobre as quais temos total domínio, como acontece com bicicletas, é ingenuidade nossa e irresponsabilidade das empresas de tecnologia.

GESTÃO E CARREIRA

ESCOLHA A DEDO

Selecionar os profissionais certos para trabalhar na sua empresa é um dos processos mais difíceis em um negócio, por isso é importante que o processo seletivo acerte em cheio.

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O processo seletivo é a porta de entrada para os profissionais em qualquer empresa, ele é um dos fatores primordiais que determinarão a qualidade e produtividade na realização das rotinas por este profissional. E o impacto de uma contratação errada em uma pequena empresa, por exemplo, é muito maior quando comparado às grandes corporações, já que isso pode gerar muitos custos desnecessários, fazendo grande diferença em estruturas mais enxutas. Portanto, um processo seletivo eficaz não só evita o erro de contratação, como também diminui o risco de maiores gastos com a reposição contínua de profissionais, além de gerar menos desgaste no relacionamento com as equipes e com os clientes. A coach de Carreira e Liderança Claudia Deris diz que toda empresa precisa de profissionais qualificados, independentemente do porte, pois é o profissional que dá vida e movimento ao negócio, por isso, cabe ao processo seletivo fazer a função de buscar no mercado profissionais compatíveis com a cultura e as necessidades da empresa. “Sem contar que todo processo seletivo demanda um valor para a empresa (profissional dedicado a esta atividade, exames admissionais, integração do novo colaborador à empresa etc.). Valor este que se transforma em custo altíssimo caso a contratação seja ineficiente”, alerta.

PASSO A PASSO

O primeiro ponto com que a empresa deve se preocupar para preparar um processo seletivo eficaz, segundo a coach, está em definir com riqueza de detalhes as atividades a serem exercidas pelo cargo e o perfil do profissional, técnico e comportamental, que a empresa deseja. Feito isso, torna-se bem mais fácil atrair, no mercado, candidatos compatíveis à vaga em aberto.

O diretor da Trend Recruitment, Marcelo Olivieri, concorda e reforça que a definição do perfil ideal para a contratação e a análise criteriosa dos requisitos para a posição são essenciais a fim de que não existam exageros ou ausência de pontos importantes nessa busca. “Após uma descrição clara do perfil, o caminho passa pela análise do currículo (seja ele impresso ou virtual – indiferente) . O ideal nessa análise é buscar cruzar as informações/experiências descritas pelo profissional com os pontos definidos como requisitos da posição”, ensina.

Segundo ele, uma boa análise dos currículos alinhada a uma conversa breve prévia por telefone para validar os principais pontos economiza tempo que poderia ser perdido com entrevistas presenciais desnecessárias.

Claudia Deris reforça aqui que é muito importante o recrutador verificar informações relativas à experiência profissional do candidato e ao tempo de trabalho em cada cargo. “Pelo currículo também é possível verificar o perfil do candidato em relação à forma como cuida de sua carreira: se seguiu uma linha de crescimento coerente com o cargo em que atua ou se pulou de cargo em cargo aleatoriamente”, elucida.

PREVENÇÕES

Caso o recrutador tenha dúvidas em relação aos dados contidos no currículo, torna-se interessante enviar um e-mail solicitando mais informações para fins de cadastro, assim não gerará expectativas desnecessárias no candidato. Já no caso de ter um grande número de currículos selecionados, Claudia acredita que o mais interessante é fazer uma breve entrevista de triagem por telefone, como disse Marcelo Olivieri anteriormente. “Na elaboração de redação ou em provas via e-mail, o recrutador corre o risco de ler um material que não seja de fato feito pelo candidato”, afuma a coach.

Mas Olivieri acha importante o pedido de provas ou redação caso a posição necessite de algum conhecimento ou aptidão específica. “O teste é sempre bem-vindo. Ele é parte do funil de seleção e vai ajudar a filtrar os candidatos que realmente tenham o perfil técnico /comportamental desejado, tornando a fase de seleção muito mais efetiva”.

ORIENTAÇÕES

Para o direto r da Trend Recruitment, um processo seletivo precisa sempre ser pautado por uma boa comunicação. Os candidatos precisam fazer seu papel de pesquisar e buscar informações sobre a empresa. Contudo, a companhia precisa fornecer detalhes do perfil, cultura, processo ou informações internas importantes para a tomada de decisão do candidato. “Um bom contato telefônico antes da entrevista facilita muito esse processo e garante que os dois lados estejam cientes das informações e tenham interesse em seguir para a etapa de entrevistas”, reforça.

Claudia compartilha da mesma opinião completando que quanto mais transparência a empresa tiver no processo seletivo, mais candidatos compatíveis ao cargo ela encontrará. “É de extrema valia, inclusive, informar ao candidato sobre as etapas do processo, quais serão e sobre sua previsão de término, bem como o perfil da empresa e o que ela espera dos colaboradores em termos comportamentais. Esse é um diálogo que pode ser realizado na primeira entrevista, sendo ela coletiva ou não”, diz a coach.

O levantamento de referências profissionais é algo que também deve ser utilizado pelas empresas. É um processo que visa validar as informações apresentadas pelo candidato que está pleiteando a posição em questão. Essa fase, na visão de Olivieri, ajuda a percebermos principalmente o perfil pessoal do candidato, como ele é visto por pares, ex-chefes, além de compreender quais marcas ele deixou nas empresas por onde passou.

Ao chamar os candidatos, a primeira etapa do processo seletivo vai depender da estratégia definida pela empresa. Ela pode optar por fazer uma Dinâmica de Grupo ou pela aplicação de um teste presencial antes da entrevista (apresentação de case, pitch de vendas etc.). “Contudo, caso a primeira etapa seja uma entrevista, o entrevistador também precisa se preparar muito bem para ela, tendo em mente todos os requisitos da posição e analisando a experiência do profissional avaliado de acordo com esses requisitos, sem deixar de analisar também o perfil pessoal do candidato e adaptação à cultura da empresa. As entrevistas devem durar, em média, de 45 minutos, recomenda Olivieri.

A coach Claudia mostra que existem várias ferramentas e métodos de entrevista. “Eu simpatizo, no caso de muitos candidatos, com a entrevista coletiva. Com ela o recrutador consegue realizar sua primeira triagem em um curto espaço de tempo. Já em casos com poucos candidatos, segue a entrevista individual”, ensina.

Em relação à dinâmica de grupo, Marcelo Olivieri a avalia como uma ferramenta interessante, mas que nem sempre é utilizada. “Em alguns casos pode enriquecer a análise do perfil ideal. Ela funciona em pequena empresa e deve ser preparada de forma a criar situações onde os candidatos possam demonstrar as habilidades necessárias para a posição”, afirma.

A dinâmica de grupo, segundo ele, mostra uma ótica diferente do profissional, pois o coloca em situações de debate, negociações, apresentações, gerando um ambiente rico para a análise dos candidatos. Contudo, deve-se analisar muito bem a real necessidade de aplicação de uma dinâmica de grupo. Muitos candidatos, apesar do interesse no processo, podem estar empregados e querem tratar o assunto de forma confidencial. Ao entrar em uma dinâmica de grupo, são expostos a um número razoável de profissionais da mesma área que ele, em alguns casos até de empresas concorrentes, o que pode gerar bastante desconforto.

Já a coach de carreira e liderança aponta que a dinâmica de grupo depende muito mais da quantidade de candidatos do que do porte da empresa, pois ela é muito utilizada na primeira etapa do processo seletivo, justamente para não tornar todo o processo desgastante e facilitar a triagem. E assim como todo o processo seletivo, deve girar em torno do perfil da vaga. Se a vaga é voltada para vendas, por exemplo, a dinâmica deve abordar situações em que o candidato exponha suas habilidades de comunicação, persuasão e relacionamento. “Uma dinâmica não condizente com as necessidades do cargo, ou seja, mal escolhida, pode pôr fim na qualidade do processo seletivo Jogo de cara, pois se a vaga é para contador não faz o menor sentido aplicar uma dinâmica onde são exploradas habilidades de um vendedor”, pontua Claudia dizendo ainda que deve durar em média de 20 a 40 minutos.

PROVA… PROVA ALGO?

As provas também auxiliam a tomada de decisão da empresa contratante. Elas devem ser preparadas após uma análise criteriosa dos requisitos técnicos que se quer avaliar. Normalmente são aplicados testes específicos, porém existem muitos casos onde são aplicadas redações, testes matemáticos ou de raciocínio lógico. No entanto, mais importante do que a aplicação, é o resultado que se espera dela. “O tempo para a resposta varia muito de acordo com o tamanho do teste. Testes muito longos podem ser improdutivos e desmotivar os candidatos. O ideal são testes rápidos com uma hora de aplicação, além disso, é importante avisar com antecedência ao candidato que ele precisará dispor desse tempo a mais nessa fase do processo seletivo”, indica Olivieri.

Claudia completa ainda que a prova é um instrumento utilizado para medir a capacidade técnica do candidato à vaga. Por isso, é sempre interessante aplicá-la para que o recrutador tenha uma noção do tipo de escrita e nível de conhecimento técnico do candidato. “Prova de redação com um tema de interesse para a empresa é sempre utilizada em todos os tipos de cargos, justamente por conseguir evidenciar a linha de raciocínio do candidato sobre determinado assunto e ter uma clara visão do nível de português que ele tem”, afirma.

OBRIGADO POR SUA PARTICIPAÇÃO!

Há dos mais diversos métodos de aplicação de um processo seletivo, como: entrevista por telefone, entrevista pela web a distância, aplicação de testes psicológicos, entre outros. Claudia acredita que cada método deve ser aplicado de acordo com o estilo da empresa e com a maturidade da área de RH. “Mas afirmo tranquilamente que nada substitui a boa entrevista do RH com o candidato”, pontua.

De acordo com ela, todo processo seletivo dependerá de um início organizado para ter êxito em sua finalização. Por isso, é tão importante ter mapeada a quantidade de etapas que o processo terá e informar ao candidato que for participar.

Ao final de cada etapa, sempre agradeça a participação do candidato eliminado, perguntando se pode manter o currículo dele no banco de dados da empresa. Outro fator importantíssimo é: dar retorno ao candidato sobre sua eliminação. Uma quantidade significativa de profissionais da área não dá retorno e passa uma péssima imagem da empresa para a qual trabalham.

Se for estratégia do processo seletivo aguardar mais uns dias para informar ao candidato que foi ou não aprovado na etapa, a coach recomenda não passar de uma semana. “Sabemos que o processo seletivo gera ansiedade. Esperar uma resposta de uma entrevista pode ser algo bastante difícil. A sugestão que dou também é sempre tentar dar um retorno/ feedback o mais rápido possível”, recomenda Marcelo Olivieri.

Por fim, ele diz que um feedback correto não só direciona o candidato a buscar outros desafios como também o ajuda a identificar quais equívocos cometeu no processo seletivo, caso tenha cometido algum.

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ROTEIRO PARA UM PROCESSO SELETIVO EFICAZ

PRIMEIRA ETAPA

1º – O recrutador se apresenta, mostra a empresa (excelente momento para promover a empresa em que trabalha de forma positiva) e fala sobre o perfil da vaga.

2º – O recrutador solicita que cada candidato vá à frente e se apresente. De preferência deixe um roteiro de pontos a serem abordados pelo candidato em um local de fácil visualização, assim ele ficará mais à vontade para falar sobre si publicamente e com seus concorrentes.

3º – Realize uma dinâmica de grupo para que os candidatos interajam entre si e o recrutador possa observar e analisar pontos como: postura, comportamento, exposição de ideias, capacidade de ouvir e demais pontos demandados pelo perfil da vaga.

4º – Ao finalizar a dinâmica, aplique uma avaliação escrita, seja ela técnica ou uma redação. Neste caso será de acordo com a demanda do cargo.

Com isso, o recrutador terá material de sobra para selecionar os candidatos para uma próxima etapa.

Duração dessa primeira etapa pode levar até 1h30.

SEGUNDA ETAPA

Já com um a quantidade bem menor de candidatos, o recrutador realizará a entrevista individual.

Nesta etapa cabe ao recrutador tornar o ambiente agradável para que o candidato sinta-se à vontade para falar de si e de sua carreira fazendo perguntas do âmbito pessoal: perguntando sobre sua história de vida, família, o que gosta de fazer; e profissional: quando começou a trabalhar, como desempenha suas atividades. quais expectativas tem para o futuro e principalmente sobre o quanto entende das rotinas do cargo da vaga.

Após o término da entrevista, o recrutador deve preparar um laudo contendo as in formações relevantes ao cargo, sendo elas positivas ou não, assim como suas observações em relação ao candidato e enviar ao solicitante da vaga para que ele já tenha essas informações em mãos quando for realizar a entrevista técnica.

A duração da segunda etapa pode ser de 30 minutos a 1 hora dependendo do grau de complexidade do cargo.

TERCEIRA ETAPA

A terceira e última etapa é realizada pelo gestor solicitante da vaga que já terá em mãos todas as informações do candidato, poupando-o de repetir as mesmas histórias. Com isso, ambos focarão exclusivamente na parte técnica do cargo, onde o entrevistador poderá atuar de maneira especifica conforme sua necessidade.

A duração da segunda etapa pode ser de 30 minutos a 1 hora dependendo do grau de complexidade do cargo.

Vale lembrar que o perfil da vaga e a quantidade de candidatos determinarão quais etapas serão necessárias para o sucesso do processo seletivo.

Fonte: CLAUDIA DERIS, Coach de Carreira e Liderança.

 

 13 ATITUDES DOS CANDIDATOS DURANTE O PROCESSO QUE DEVEM SER AVALIADAS COMO NEGATIVAS

 

  1. Chegar atrasado.
  2. Tomar espaço dos outros candidatos no momento da dinâmica, sem permitir que o outro se expresse.
  3. Falar mal das empresas em que trabalhou anteriormente.
  4. Falar da necessidade do trabalho por motivos pessoais.
  5. Demonstrar incerteza nas informações que for passar sobre seu próprio trabalho.
  6. Decorar discursos da internet sobre quais tipos de respostas deve dar em uma entrevista de emprego e perder a oportunidade de expor seu perfil.
  7. Ser monossilábico durante a entrevista, deixando de expor seus conceitos e habilidades.
  8. Concordar com tudo o que o recrutador diz na esperança de ser aceito.
  9. Informar uma pretensão salarial acima do que ganha, na esperança de ter uma boa margem para negociação salarial.
  10. Demonstrar total falta de conhecimento sobre a empresa, a não ser que ela se mantenha anônima durante o processo.
  11. Dizer que seus piores defeitos são: perfeccionismo, confiar demais nos outros, ser viciado em trabalho etc. Caso o recrutador faça perguntas sobre seus defeitos, ele espera uma resposta no mínimo sensata e verdadeira. Nenhuma empresa espera um ser perfeito trabalhando pra ela.
  12. Enfatizar que aceita qualquer condição e estilo de trabalho ofertado pela empresa; sabemos que após a contratação o discurso muda.
  13. Criticar de alguma forma os concorrentes à vaga, caso tenha contato com eles.

 

Fonte: CLAUDIA DERIS, Coach de Carreira e Liderança.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 21: 1-14 – PARTE I

alimento diário

Cristo com seus Discípulos

 

Aqui temos um relato da manifestação de Cristo aos seus discípulos, junto ao mar de Tiberíades. Agora:

1. Comparemos esta aparição com as que ocorreram antes, nas quais Cristo se apresentou aos seus discípulos quando estavam reunidos em uma assembleia solene (aparentemente, para adoração religiosa), em um dia do Senhor, e quando estavam todos juntos, talvez esperando sua aparição. Mas nesta ocasião Ele se apresentou a eles de maneira casual, em um dia de trabalho, quando eles estavam pescando, e não pensavam na sua aparição. Cristo tem muitas maneiras de dar-se a conhecer ao seu povo, normalmente nas suas ordenanças, mas, às vezes, pelo seu Espírito, Ele os visita, quando estão ocupados em suas tarefas comuns, como os pastores que guardavam seu rebanho à noite (Lucas 2.8), e também como em Gênesis 16.13.

2. Comparemos esta aparição com aquela no monte da Galileia, onde Cristo lhes tinha indicado que o encontrassem, Mateus 28.16. Para lá, eles foram depois de terminados os dias dos pães asmos, e se dedicaram, conforme julgaram adequado, até a ocasião determinada para este encontro geral. Esta aparição ocorreu enquanto estavam esperando por aquela, para que não se cansassem de esperar. A presença de Cristo é melhor até mesmo do que sua palavra, e nunca deixa a desejar. Ele frequentemente antecipa e supera as expectativas de fé do seu povo, mas nunca os desaponta. Quanto aos detalhes da história, podemos observar:

 

I – Quem eram aqueles a quem Cristo agora se manifestou (v. 2): não a todos os doze, mas somente a sete deles. Natanael é mencionado corno sendo um deles, a quem não encontrávamos desde o capítulo 1. Mas alguns pensam que ele era o mesmo que Bartolomeu, um dos doze. Supõe-se que os dois discípulos cujos nomes não são citados fossem Filipe de Betsaida e André de Cafarnaum. Observe aqui:

1. É bom que os discípulos de Cristo estejam sempre juntos, não somente em assembleias religiosas solenes, mas na convivência comum, e em atividades comuns. Os bons cristãos devem, com isto, tanto testificar como intensificar seu afeto uns pelos outros, e ter prazer uns nos outros, e edificar uns aos outros, tanto pelas palavras corno pelo exemplo.

2. Cristo decidiu se manifestar a eles quando estavam juntos, não somente para estimular a comunhão cristã, mas para que pudessem ser testemunhas comuns dos mesmos fatos, corroborando para o testemunho uns dos outros. Aqui estavam sete deles juntos, para confirmar o fato, pois alguns observam que a lei romana exigia sete testemunhas para um testamento.

3. Tomé era um deles, e é mencionado logo depois de Pedro, corno se agora estivesse mais atento do que nunca às reuniões dos apóstolos. Ê bom que as perdas ocorridas devido à nossa negligência nos tornem mais atentos, para não mais deixarmos passar as oportunidades.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

ESPAÇO URBANO, ESPAÇO PSÍQUICO

Há um caráter de idealização e criação imaginária na relação que mantemos com as cidades que amamos e habitamos; os lugares assumem o papel de extensões do próprio eu, investimos afetivamente neles a ponto de nos tornarmos parte deles e eles, parte de nossa subjetividade.

espaço urbano, espaço psíquico

Recentemente, conversando com um motorista de táxi que não parava de reclamar dos problemas de Recife, o surpreendi com uma pergunta: “Diante de tanta dificuldade, o senhor gosta de morar aqui?”. Ele me respondeu: “Claro, não há cidade melhor para viver”. De novo indaguei: “Por que gostamos de morar em lugares que maltratam tanto nossa dignidade?”. Ele apenas comentou pensativo: “É uma boa pergunta”.

Quando falamos de nossas cidades, falamos de nós mesmos. Usamos a linguagem do afeto, que nos faz negar parte da experiência, para sustentar uma posição subjetiva que nos favorece; sem tal negação seríamos obrigados a reconhecer nossas precariedades. Isso fica bem claro quando indagamos a respeito do ufanismo de certas pessoas quando tratam suas cidades como extensões do próprio eu.

De modo geral, o espaço que ocupamos e no qual transitamos nos proporciona a sensação de pertencimento e a circulação. Fazer parte de um lugar é adquirir a possibilidade de transitar e, consequentemente, de estender o nosso espaço vital. A cidade tem caráter transicional, na medida em que se situa entre o indivíduo e a sociedade, possibilitando o trânsito entre o público e o privado, o fora e o dentro.

Com base nessa dinâmica interior/exterior, nos inserimos em vários lugares, passamos a fazer parte deles, assim como também os internalizamos. Essa vinculação se dá por meio de um trabalho psíquico e depende do tipo de investimento que fazemos em relação ao local que habitamos, às cidades que amamos ou apenas admiramos. Investir afetivamente em um lugar depende das identificações – significa que a cidade nos representa, configurando-se como uma extensão de nós, se afina com nossas singularidades e demandas, embora nem sempre essa sintonia se revele concretamente. Há um aspecto de idealização, de criação imaginária, na relação que mantemos com nossas cidades.

A MÃE-AMBIENTE

Em uma acepção mais geral, o ambiente nos envolve e nos transmite as bases de uma dada cultura, assim como a mãe, primariamente, nos oferece, por meio da linguagem e de sua postura subjetiva, os valores primários do lar e da família. Essas bases permitem a ampliação do mundo por meio da constituição psíquica e dos processos de socialização em curso desde nosso nascimento.

Na concepção do psicanalista inglês Donald Winnicott, o espaço simbólico é representado pela mãe (ou substituta) que acolhe o bebê quando nasce, que deflagra seu processo de amadurecimento. Desde essa origem o bebê desenvolve condições de autonomia para construir e transitar por diferentes lugares ao longo da vida. O modo como a criança é inserida nesse ambiente primário marca suas relações com o outro singular, mas também com uma coletividade que se organiza e se sustenta no espaço mais amplo da cidade. Nos primeiros momentos de vida do bebê, ele e a mãe-ambiente estão fusionados, mas, paradoxalmente, iniciam também, nos primeiros meses, o processo de separação, que vai marcar as singularidades de cada membro da díade.

O ambiente “recepciona” o bebê por meio das trocas sensoriais, permitindo a fusão com a mãe. Paulatinamente, o mundo do bebê se amplia e ele consegue se diferenciar. É, portanto, a experiência de estar colado à mãe que enseja outra, fundamental, que é a progressiva separação, indicando que o processo de amadurecimento está em curso. Se a criança é bem recebida e reconhecida por um “ambiente mãe”, essa experiência vai possibilitar a criação de novos laços, base para a criação de novos ambientes, nos quais a criança se diferencia a partir do olhar do outro e dá continuidade a um processo contínuo de busca da autonomia no qual ela cria o próprio lugar no mundo.

Na concepção de Winnicott, o ambiente é, antes de tudo, a mãe. Ela é não só uma metáfora como o ambiente em si, na medida em que ampara, sustenta e acolhe o bebê, levando-o a reconhecer progressivamente um espaço que vai além dela e que se torna a matriz de todos os demais lugares que ocupará na vida. Poderíamos supor que a cidade representa, na vida adulta, parte desse espaço de acolhimento, pertencimento e reconhecimento.

Para Winnicott, a constituição do psiquismo e seu amadurecimento dependem de uma provisão ambiental na qual estão contidos os investimentos de afeto, base para que o sujeito siga criando uma espacialização da vida. Nesse sentido é que sujeito-espaço-cultura fazem parte de um mesmo encaixe que é ressignificado nas diferentes etapas da vida. Assim, à medida que a criança vai se separando da mãe, o ambiente vai sendo ampliado e ocupado por outros personagens significativos, como pai, irmãos, família etc. Prosseguirá, desse modo, como esteio de outros laços de afeto que não se restringem a uma dimensão singular, mas se estende ao coletivo, dimensionando simultaneamente um voltar-se para si e para o outro, que evidencia, de certo modo, a função ambiente exercida pela mãe.

Nos primeiros tempos de vida, é fundamental que o ambiente seja apresentado à criança de forma segura, de modo que no futuro o externo possa parecer confiável. A partir dessa condição, o sujeito poderá enfrentar os conflitos e paradoxos da vida relacional. A confiança no ambiente se constitui com base em algumas condições importantes: além do acolhimento, é preciso destacar a forma como o cuidado é oferecido e a constância da presença da mãe. A partir dessa experiência seguimos enfrentando nossas vulnerabilidades com mais segurança, em direção a certa autonomia em relação ao lugar que habitamos. A confiabilidade inicial enseja outra experiência importante, que é a circulação em um lugar que Winnicott denominou de espaço potencial. Aí, sim, trata-se de uma metáfora que expressa o movimento da criança que transita entre o mundo interno e o mundo externo, em um processo que pode lhe assegurar um funcionamento entre esses dois universos. Por meio da concepção de “espaço potencial”, é possível verificar como a criança, desde muito cedo, é levada a se movimentar em um lugar intermediário entre seu mundo interno e externo, entre ela e sua mãe, de modo a criar uma vida na qual os opostos não se excluem, mas são tensionados, incitando-a a desenvolver um espaço psíquico entre esses dois elementos e ter condições de viver criativamente.

Entendemos que esse espaço intermediário nos permite compreender a relação que o indivíduo desenvolve com a sociedade e, de modo mais específico, com a casa que habita e com sua cidade. Dessa forma, o indivíduo e o espaço vivido se refletem mutuamente, e nele há compartilhamentos tanto com uma coletividade mais ampla como com distintos grupos.

A confiança na mãe-ambiente pode ser assim considerada a matriz para a confiança nos demais ambientes a serem conquistados e é a base para um viver criativo. De acordo com Winnicott, a criatividade está relacionada às primeiras experiências do bebê, no momento em que ele acredita que criou tudo que está ao seu alcance. Mais adiante ele passa a dimensionar melhor a si mesmo e o outro, podendo então assumir os gestos compartilhados com o outro, mas originado em si mesmo. Isso significa que adquirimos por meio da criatividade os meios para criar nossa própria existência e nos vincular a pessoas e lugares, que, embora tenham realidades próprias, podem ser subjetivamente percebidos.

Tendo, assim, experimentado esse espaço, a criança terá condições de prosseguir em direção a uma autonomia que implica a aproximação do outro, sem perder a si mesma, de conceber relações intersubjetivas e coletivas que lhe permitem ampliar seu universo relacional e constituir uma ética da aproximação como condição indispensável à vida nas cidades.

PORTAS PARA O MUNDO

Os vínculos estão diretamente associados ao pertencer a um lugar, à criação de um hábitat. Constituímos laços primários quando somos acolhidos e há o reconhecimento como possibilidade de habitar determinado lugar. Assim, nos inserimos simbolicamente numa cadeia geracional a partir da qual respondemos às diferentes demandas de relação com indivíduos, grupos, coletividades etc. Essa inserção tem caráter dinâmico e muda permanentemente. Talvez seja isso que precisamos para nos reinventar a nós mesmos e, ao mesmo tempo, nosso hábitat, nossas cidades.

Assim como o espaço entre o corpo materno e o da criança é vivido como espaço transicional, outros espaços adquirem essa qualidade e nos permitem recriar sempre os diversos tipos de espaços existentes no mundo. É essa flexibilidade que abre a porta de entrada para o espaço pessoal e, ao mesmo tempo, nos conduz às experiências que temos com cidades e países. Afinal, percorrer os territórios do mundo é desconstruí-los- e apropriar-se deles.

espaço urbano, espaço psíquico. 2

“DETALHES” ESQUECIDOS

Há um caráter narcísico na maneira como nos situamos no próprio hábitat. Se ele é parte de nós, evidentemente, seu reflexo aparece em nossas ações, em nossa estética, na forma como transitamos, no prazer que sentimos em desbravá-lo e no tipo de interpretação que fazemos de sua geografia e de suas expressões culturais. Nesse sentido, tanto o sujeito quanto o espaço se refazem no dia a dia, à medida que a cidade se transforma e surgem novas construções, como equipamentos culturais, educacionais e de saúde; ou a destruição se impõe não só nos edifícios, mas sob a forma de diferentes tipos de violência.

Se a relação que mantemos com a cidade é narcísica, é preciso considerar os conflitos que advêm daí. Não raro, parece haver certa irracionalidade nas avaliações que fazemos dos lugares onde vivemos. Há, com frequência, falta de dissintonia entre o que dizemos, a forma como expressamos o viver na cidade, e o que ela concretamente nos oferece. Se cada um pensar nos desconfortos cotidianos causados pela precariedade dos espaços e equipamentos públicos, dos maus-tratos das ruas e vias públicas das cidades brasileiras, certamente elas seriam muito mal avaliadas. Entretanto, quando as descrevemos, frequentemente nos esquecemos de “detalhes”, como o trânsito infernal que nos faz perder boa parte de nossa vida, ameaça de violência em cada esquina, precariedade nos sistemas de saúde, educação, escassez de opções de lazer e de ofertas culturais em grande parte das grandes cidades brasileiras.

OUTROS OLHARES

O TIMBRE ORIGINAL

O reconhecimento de voz é a área da inteligência artificial que mais cresce e faz dinheiro – graças ao estalo pioneiro do HAL de 2007 – Uma Odisseia no Espaço.

o tibre original

Obsessivo, o diretor americano Stanley Kubrick (1928-1999) pediu ao ator canadense de escola shakespeariana Douglas Rain que durante dois dias seguidos repetisse as frases que seriam ditas pelo computador HAL 9000, o vilão de 2001 Uma Odisseia no Espaço, de 1968. Mais de cinquenta vezes o interprete entoou os versos de um clássico do cancioneiro inglês, Daisy Bell, de 1892 – variava o tom, ora monótono, ora acelerado, soltando as cordas vocais ou apenas murmurando as palavras. Rain, ou melhor, a voz de Rain, deu vida a um dos mais celebrados personagens da história do cinema, pai e mãe da inteligência artificial como a conhecemos hoje. O ator morreu no domingo 11, aos 90 anos, de causas não reveladas – seu legado, o timbre aveludado, reconfortante e amigável que emprestou à máquina imaginada por Kubrick a partir do livro de Arthur C. Clarke, foi o pontapé inicial dos mecanismos de reconhecimento de voz que proliferam agora na chamada internet das coisas. Sem Rain, não teríamos a Siri dos iPhones ou a Alexa da Amazon.

O canadense não foi escolhido à toa. “Era preciso um computador que parecesse vir de lugar nenhum”, diz o professor de linguística Jack Chambers, da Universidade de Toronto. “O inglês do Canadá soa normal a ouvidos de americanos, porque as vogais não revelam a origem.” Esse “vir de lugar nenhum” é a gênese das vozes eletrônicas que grassam atualmente – nos smartphones, nos carros, nas geladeiras, nos aparelhos de som, em quase tudo o que o ser humano de carne e osso inventou de pôr para conversar. É assim em inglês, em português, em todas as vinte línguas faladas pela Siri. A prosódia desapaixonada, quase fria, mais do que a tecnologia embarcada, é a preocupação central dos desenvolvedores de inteligência artificial.

Não há guerra tecnológica mais acirrada, atualmente, que a dos comandos de voz. No campo de batalha estão gigantes como Amazon, Apple, Google, LG, Samsung e Microsoft. Trata-se de um mercado que até 2023 valerá mais de 18 bilhões de dólares, com crescimento estimado de 19% ao ano. É um valor que pode ser atribuído a HAL, a Douglas Rain e à bondade eterna da odisseia de 2001: “Sinto muito, Dave, receio que eu não possa fazer isso” ou, no original em inglês, “I’m sorry, Dave. I’m afraid I can’t do that”.

GESTÃO E CARREIRA

EMOJIS QUE VALEM DINHEIRO

Como as carinhas em mensagens instantâneas e torpedos estão gerando mais negócios.

emojis que valem dinheiro

Carinhas, frutinhas e bonequinhos que alegram nossas mensagens no celular são hoje um valioso instrumento para alavancar negócios das áreas mais diversas. Os números impressionam. Em 2019, est]ao previstas 3,8 bilhões de contas de mensagens instantâneas, excluindo-se as de SMS. “As mensagens se tornaram um poderoso canal de mídia a ser explorado pelas empresas”, diz Vivian Rosenthal, fundadora da Snaps, agência americana de marketing. Um de seus clientes é a inglesa Unilever. A marca Dove vinha amargando uma década de queda nas vendas de xampus nos Estados Unidos. A partir da informação de que as americanas fizeram 100 milhões de poses para o Twitter sobre a dificuldade em domar os cabelos crespos e cacheados, a naps criou uma campanha destinada única e exclusivamente a elas. A ação envolveu vídeos, e-books e emojis de meninas de cabeleira encaracolados. Em algumas semanas, cerca de 150 milhões de emojis da Dove foram baixados – 250% acima do previsto. E as vendas de xampus cresceram 4%. Marcas líderes, como Burger King e Dunkin’ Donuts também já recorreram às figurinhas para incrementar seus negócios. O aplicativo de mensagens Line fatura cerca de U$ 270 milhões por ano com a venda de emojis do Pato Donald, Snoopy e Hello Kitty, entre outros.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 26-31 – PARTE IV

alimento diário

A Incredulidade de Tomé

 

IV – A observação que o evangelista faz sobre sua narrativa, como um historiador que se aproxima de uma conclusão, vv. 30,31. Aqui:

1. Ele nos assegura que muitas outras coisas ocorreram, todas dignas de serem registradas, “muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro”. Alguns entendem que se trata de todos os sinais que Jesus fez durante toda a sua vida na terra, todas as maravilhosas coisas que Ele disse, e todas as maravilhosas obras que Ele realizou. Mas parece mais estar limitado aos sinais que Ele fez depois da sua ressurreição, pois estes tiveram lugar somente na presença dos discípulos, que aqui são mencionados, Atos 10.41. Diversas das suas aparições não estão registradas, conforme 1 Coríntios 15.5-7. Veja Atos 1.3. Agora:

(1) Aqui podemos aproveitar esta atestação geral, de que houve outros sinais, muitos outros, para a confirmação da nossa fé. E, sendo a atestação acrescentada às narrativas em particular, eles fortalecem muito as evidências. Aqueles que registraram a ressurreição de Cristo não foram procurar evidências, para tomar provas tão pequenas e escassas como poderiam encontrar, e conjeturar sobre o resto. Não, eles tiveram evidências suficientes, e de sobra, e mais testemunhas para apresentar do que oportunidades para apresenta-las. Os discípulos, em cuja presença se realizaram estes outros sinais, deviam ser pregadores da ressurreição de Cristo a outros, e por isto era necessário que eles tivessem provas disto em abundância, para que aqueles que arriscassem a vida e tudo o que possuíssem por amor ao Senhor e à sua mensagem pudessem ter um consolo forte.

(2) Não precisamos perguntar por que os sinais não estão todos escritos, ou por que não mais que estes, ou outros, diferentes destes, pois é suficiente para nós que este texto tenha parecido bom ao Espírito Santo, por cuja inspiração foi escrito. Se esta história tivesse sido uma mera composição humana, teria crescido com uma imensidão de depoimentos e testemunhos, para provar a verdade contestada da ressurreição de Cristo, e teria havido uma longa argumentação para sua demonstração. Mas, sendo uma história divina, seus autores escrevem com uma segurança nobre, relatando o que resultou ser uma prova competente, suficiente para convencer àqueles que estavam dispostos a ser ensinados e para condenar aqueles que eram obstinados na sua incredulidade, e, se isto não satisfizer, nada mais o fará. Os homens apresentam tudo o que têm a dizer, para poderem ter credibilidade, mas Deus não o faz, pois Ele pode dar fé. Se esta história tivesse sido escrita para a diversão dos curiosos, ela teria sido mais extensa, ou cada circunstância teria embelezado a história. Mas ela foi escrita para levar os homens à fé, e o que está escrito é suficiente para atender este propósito, quer os homens a ouçam, quer a evitem.

2. Ele nos instrui no objetivo de registrar o que encontramos aqui (v. 31): “Estes relatos foram escritos, neste capítulo e no seguinte, para que creiam nestas evidências, para que possam crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, declarado com autoridade para sê-lo pela sua ressurreição”.

(1) Aqui está o objetivo daqueles que escreveram o Evangelho. Alguns escreveram livros para sua diversão, e os publicaram para seu proveito ou aplauso, outros, para satisfazer o humor ateniense, outros, para instruir o mundo em artes e ciências para seu benefício secular. Porém, os evangelistas escreveram sem nenhum objetivo de benefício temporal para si mesmos ou para outros, mas para levar os homens a Cristo e ao céu, e, para isto, per­ suadir os homens a crer. E por isto eles usaram os métodos mais adequados. Eles trouxeram ao mundo uma revelação divina, apoiada com as devidas evidências.

(2) O dever daqueles que leem e ouvem o Evangelho. É seu dever crer e aceitar a doutrina de Cristo, e este relato apresentado a respeito dele, 1 João 5.11.

[1] Aqui lemos que a grande verdade do Evangelho é que devemos crer – “que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus”. Em primeiro lugar, que Ele é o Cristo, a pessoa que, sob o título de Messias, foi prometido aos santos do Antigo Testamento, e esperado por eles, e que, de acordo com o significado do seu nome, é o ” Ungido de Deus”, para ser o Príncipe e o Salvador. Em segundo lugar, que Ele é o Filho de Deus, não somente como Mediador (pois então Ele não teria sido maior que Moisés, que foi um profeta, intercessor e legislador), mas anterior ao fato de que Ele era o Mediador. Pois, se Ele não fosse uma pessoa divina, dotada do poder de Deus, e com direito à glória de Deus, não teria sido qualificado para a tarefa – não teria sido adequado, nem para fazer o trabalho do Redentor, nem para usar a coroa do Redentor.

[2] Que a grande bem-aventurança do Evangelho é que devemos ter esperança – “para que, crendo, tenhais vida em seu nome”. Isto é, em primeiro lugar, para direcionar nossa fé. Devemos ter como objetivo a vida, a coroa da vida, a árvore da vida apresentada diante de nós. A vida por meio do nome de Cristo, a vida pro­ posta no concerto que é feito conosco em Cristo, é aquilo que devemos propor a nós mesmos como sendo a plenitude da nossa alegria e a recompensa abundante de todos os nossos serviços e sofrimentos. Em segundo lugar, para incentivar nossa fé e nos convidar a crer. Com o prospecto de algum grande benefício, os homens se arriscam muito. E maior benefício não pode haver além daquele que é oferecido pelas “palavras desta vida”, como é chamado o Evangelho, Atos 5.20. Isto inclui tanto a vida espiritual, em conformidade com Deus e em comunhão com Ele, como a vida eterna, na visão e no gozo dele. Estas bênçãos são recebidas através do no­ me de Cristo, pelos seus méritos e poder, e são infalivelmente garantidas a todos os verdadeiros crentes.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

ADOECER A QUALQUER CUSTO

Em uma década, Antônio C. sofreu mais de dez intervenções cirúrgicas para controlar as dores que o atormentavam, mas a etiologia de sua patologia não é física e sim psíquica. Ele sofre da síndrome de Münchausen: coloca a própria vida em perigo para ser internado e receber cuidados.

adoecer a qualquer custo

Como fazia todas as manhãs, em uma segunda-feira Antônio C., de 40 anos, levou seu filho, de 7, para a escola e depois seguiu para seu local de trabalho. Mas, no meio do caminho, um mal-estar intenso o dominou – e ele mudou de ideia. Correu para um hospital, sem avisar a esposa ou a mãe, com quem mantinha estreito contato. No pronto-socorro queixou-se de uma ansiedade incontrolável e, transtornado, pediu para ser examinado por um psiquiatra ou para falar com um psicólogo.

A decisão de procurar ajuda psicológica nascia de uma situação que lhe parecia insustentável: nos últimos meses, sua família havia descoberto que Antônio tinha grandes dívidas, acumuladas em jogos de azar durante anos. Depois de uma reação inicial de raiva e indignação, os parentes tinham se mostrado compreensivos, mas Antônio sentia-se deprimido, confuso, estressado; não conseguia se alimentar nem dormir. Costumava dizer que tinha enveredado por uma “estrada sem volta”. Foi-lhe, portanto, aconselhada uma internação na ala de psiquiatria, que Antônio aceitou aparentemente de bom grado, ainda que estivesse preocupado com as reações das pessoas da família.

No primeiro exame físico os médicos notaram, além das numerosas cicatrizes nas costas e no abdome do paciente, a presença de um neuroestimulador subcutâneo e de um dispositivo analgésico espinhal que libera morfina lentamente. Esse sofisticado sistema, instalado de forma permanente, era o resultado – como atestavam os registros do hospital – de mais de dez cirurgias na coluna vertebral, à quais o paciente tinha sofrido na última década.

Depois de duas intervenções no joelho esquerdo, quando tinha 30 anos, Antônio se submeteu a operações de hérnia de disco na região lombar da coluna vertebral, que lhe causava insuportáveis dores; o diagnóstico era lombociatalgia. Segundo os relatórios médicos, o desconforto do paciente persistia, apesar das intervenções cirúrgicas e dos resultados inconclusos dos controles radiológicos (nem a tomografia computadorizada, nem a ressonância magnética eram suficientes para determinar uma origem orgânica para a dor).

INDUÇÃO DE SINTOMAS
Por ocasião das suas consultas recorrentes de neurocirurgiões e especialistas em dor, notou-se que o paciente respondia positivamente à morfina, mas também ao placebo (substância sem atividade farmacológica, mas que em alguns casos pode produzir resposta positiva). Para explicar o “efeito placebo”, os profissionais recorreram ao sistema dos opioides endógenos.

Em virtude da invalidez, Antônio C. cumpria jornada de meio período, mas, muitas vezes, se ausentava do trabalho, sem o conhecimento da família. Tinha dificuldade para controlar sua impulsividade, por exemplo, no que dizia respeito aos jogos de azar; sentia-se frequentemente oprimido por uma sensação de claustrofobia e às vezes mergulhava em estado de confusão mental, durante o qual apresentava medo de perder o controle e intenso sentimento de angústia. Os clínicos que o acompanhavam diagnosticaram a síndrome de Münchausen, baseando-se em sua tendência patológica a mentir e na constante procura por internações e terapias cirúrgicas –mesmo na ausência de um histórico objetivo que justificasse a sintomatologia dolorosa.

A mulher e principalmente a mãe de Antônio reagiram mal à notícia de que ele sofria de transtorno emocional. Embora tivessem suportado com grande coragem e disponibilidade as numerosas intervenções cirúrgicas sofridas por ele, não aceitavam que o paciente precisasse de ajuda psicológica. Sentiam-se envergonhadas com a situação e, aos conhecidos que pediam notícias de Antônio, respondiam que estava fora a trabalho. Sob a pressão delas e sem dar aos médicos o tempo necessário para organizar um percurso terapêutico adequado, Antônio saiu do hospital.

EM BUSCA DE ATENÇÃO
O caso, descrito pelas psiquiatras italianas Camilla Callegari, Paola Bortolaso e Simone Vender, do Departamento de Medicina Clínica da Universidade da Insúbria, revela características típicas da síndrome de Münchausen. Trata-se de uma patologia que leva quem dela sofre a vagar de um hospital a outro, simulando as mais variadas condições patológicas e, em muitos casos, a se submeter a inúmeras e inúteis intervenções cirúrgicas.

Mas as viagens incríveis e as peripécias mirabolantes narradas no romance fantástico As aventuras do barão de Münchausen, de Rudolf Erich Raspe, de 1785 – obra que inspirou a denominação da patologia – são ofuscadas pela inesgotável fantasia com a qual os pacientes simulam ou provocam em si mesmos as mais diversas doenças. A síndrome de Münchausen pode ser definida como uma patologia da relação médico–paciente: indivíduos afetados por ela provocam intencionalmente em si mesmos a manifestação de sintomas, muitas vezes graves, para serem internados e assumirem a identidade de doente, com todas as “vantagens” que este papel comporta: desresponsabilização, necessidade de proteção e dependência.

Não raro, a pessoa arrisca a própria vida para conseguir uma internação ou uma intervenção cirúrgica. Pode provocar hemorragias ingerindo fármacos anticoagulantes, desencadear crises hipoglicêmicas consumindo insulina ou, ainda, contrair infecções, às vezes graves, contaminando com fezes ou urina feridas preexistentes ou injetando o muco dos ferimentos em várias partes do corpo. E tudo isso não é para conseguir vantagens materiais: o único objetivo dessas pessoas é serem consideradas doentes.

Não existe interesse, por exemplo, de obter ressarcimentos ou incentivos econômicos, evitar o serviço militar, o trabalho, ou então fugir de procedimentos judiciários. Nesses casos, o que se constata, em geral, são simulações e não procedimentos infligidos pelos pacientes a si mesmos, que lhes causam grandes sofrimentos. Foram estudados casos de pessoas que provocavam no próprio corpo enfisemas subcutâneos injetando ar sob a pele, ou abscessos mamários provocados pela introdução de material fecal nas mamas. Em um paciente foram encontrados elevados níveis de radioatividade por causa dos vários exames aos quais ele havia se submetido em poucos dias.

Em geral, os doentes inventam histórias para explicar os seus sintomas. Submetem-se a muitos diagnósticos, muitos deles invasivos e desconfortáveis. Se os resultados dos exames são negativos, costumam reagir mal, acusando os médicos de incompetência e, por fim, quando são “desmascarados”, quase sempre deixam rapidamente o hospital para dirigirem-se a outra instituição. Empreendem, assim, uma espécie de dolorosa “peregrinação hospitalar” – não em busca de cura, mas de cuidados e atenção.

Uma grande variedade de doenças pode ser simulada por tais pacientes: distúrbios abdominais, alterações da coagulação sanguínea, sintomas neurológicos e psiquiátricos, doenças dermatológicas e autoimunes, desequilíbrios metabólicos, patologias renais, cardiopatias, artrite e sequelas de abuso sexual. Exames de imagem do cérebro desses pacientes mostram que muitos deles apresentam lesões ocorridas precocemente no córtex pré-frontal. A existência de disfunção nessa área cerebral, entretanto, não é determinante da síndrome.

POR PROCURAÇÃO
Um caso particular é o da chamada “síndrome de Münchausen por procuração”, descrita pela primeira vez em 1977 pelo pediatra inglês Roy Meadow, na qual a pessoa simula ou provoca uma doença em outra pessoa para chamar a atenção sobre si, suscitar sentimentos de reconhecimento, compaixão e, por fim, o papel de quem, exaurido pelos constantes cuidados que dispensa, também precisa ser atendido. Muitas vezes trata-se de mães com características de personalidade borderline, que provocam voluntariamente feridas ou lesões nos próprios filhos, ou ainda os envenenam, como no filme O sexto sentido, de M. Night Shyamalan, de 1999, no qual o fantasma de uma menina revela ao protagonista ter sido envenenada com detergente pela mãe.

Um estudo do Departamento de Pediatria do Children’s Hospital and Regional Medical Center de Seattle, publicado em junho na Pediatric Nephrology, examinou fichas de 135 pessoas com síndrome de Münchausen por procuração. Os casos ocorreram ao longo de mais de três décadas. Um quarto das crianças apresentava sintomas no aparelho urinário ou suposto abuso sexual, sendo o autor da simulação, na quase totalidade dos casos, a mãe. Em média, o intervalo de tempo transcorrido desde o início dos sintomas até o reconhecimento da farsa era de quatro anos e meio – o que é bastante tempo, principalmente se levarmos em conta que, muitas vezes, os danos provocados pelos procedimentos de simulação tinham causado a morte das pequenas vítimas.

Apesar da predominância feminina nesse tipo específico de manifestação da patologia, de forma geral a síndrome de Münchausen é mais frequente em homens e também se associa, muitas vezes, a traços de personalidade borderline ou anti sociais. Entre os fatores de predisposição à doença podem estar experiências de abandono ou maus-tratos vividos durante a infância, mas, sobretudo, se destaca nas histórias desses pacientes sua frequente relação com médicos: a maioria foi submetida a longos tratamentos por doenças reais quando criança ou são profissionais de saúde.

TRANSTORNO FICTÍCIO

No século XIX, o comportamento patológico que consistia em produzir ou simular sintomas intencionalmente foi objeto de estudo e recebeu o nome de “patomímia”. Foi o médico inglês Richard Asher que, em 1951, deu o nome de síndrome de Münchausen a uma forma particular do transtorno caracterizado pela tendência patológica de mentir (também chamada pseudologia fantástica). Os pacientes acompanhados por Asher tinham em comum a peregrinação de um hospital a outro e a recorrente simulação, mais ou menos consciente, de doenças físicas.

A Associação Psiquiátrica Americana classifica a síndrome de Münchausen entre os “transtornos fictícios”, diferenciando-a da simulação (que apresenta vantagens materiais para o indivíduo) e dos transtornos que no passado eram classificados como histéricos (como a conversão, estudada por Sigmund Freud, na qual sintomas como perda da voz ou paralisia de membros não são produzidos intencionalmente e têm para o indivíduo um significado simbólico). Já na síndrome de Münchausen, também conhecida como “síndrome da dependência hospitalar”, “dependência policirúrgica” ou “síndrome do paciente profissional”, o único objetivo da pessoa é ser internado e, possivelmente, operado.

CrÈdito: DivulgaÁ„o

OUTROS OLHARES

O CALOR DOS CÉREBROS TRABALHANDO, VISTO DO CÉU

Um mapa mostra a intensidade da atividade tecnológica nas organizações.

o calor dos cérebros trabalhando, visto do céu

Mapas de calor já eram usados na França, em 1826, para apresentar dados demográficos. Este ano, foram aplicados durante a Copa do Mundo para mostrar a movimentação dos jogadores nas partidas. Com a explosão de dados e georreferenciamento, vêm sendo empregados para monitorar diferentes aspectos dos negócios, como movimentação de máquinas. E se a técnica puder apontar onde a transformação digital e a criação de novos serviços ocorre com mais intensidade? A Revelo, um banco de profissionais online, fez essa experiência na cidade de São Paulo. “Listamos endereços de 500 clientes que solicitaram desenvolvedores de software e monitoramos o ‘calor’ emitido nesses locais”, diz Mateus Pinho, 27 anos, diretor na Revelo. “Calor”, no caso, é a presença de programadores ou “devs” no local. A premissa é que se há mais “calor”, a empresa está trabalhando em algo novo. O bairro de Pinheiros despontou como o mais ativo na capital paulista. Sabe-se que parte do processo criativo pode ocorrer remotamente, na casa dos funcionários ou numa Starbucks. “Mas é bem razoável supor que a frequência e duração de reuniões presenciais para consolidar essas atividades indiquem onde a inovação é mais provável”, diz Pinho. Até o final do ano, a Revelo fará mapas similares em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.

o calor dos cérebros trabalhando, visto do céu.2

 

 

GESTÃO E CARREIRA

PRESSÃO NOS PONTOS CERTOS

Gestoras de fundos com bilhões em ativos vêm cobrando empresas para que incluam mais mulheres nos conselhos. A mudança está em andamento.

pressão nos pontos certos

Depois que grandes gestoras de fundos passaram a exigir mais mulheres nos conselhos das companhias abertas, o ritmo dessa mudança aumentou. É difícil estabelecer relações diretas de causa e efeito, mas de janeiro a maio executivas ocuparam 31% das novas vagas de conselheiros em companhias abertas americanas, segundo levantamento da Institutional Shareholder Services. É o índice mais alto em pelo menos dez anos. A BlackRock, maior gestora do mundo, com US$ 6,3 trilhões em ativos, pressiona companhias desde o início do ano para que tenham ao menos duas diretoras no conselho (na BlackRock, mulheres ocupam cinco das 18 cadeiras). A State Street Global Advisors (SSGA), uma das quatro maiores gestoras do mundo, responsável por US$ 3 trilhões, interpelou desde o ano passado 700 empresas que não tinham mulheres em seus conselhos. Desde então, 152 empresas contrataram conselheiras e outras 34 se comprometeram a fazê-lo. O fundo Blue Harbor Group tornou pública sua política ativista de apoio à diversidade. A australiana Hesta adotou outra abordagem: iniciou uma pesquisa entre 70 de suas parceiras, firmas menores de gestão, a fim de saber se há nelas mulheres com poder sobre as decisões de investimento. O Brasil segue devagar – o presidente da B3, Gilson Finkelsztain, alertou que 31% das empresas que compõem o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) não têm mulheres no conselho nem planos para mudar isso.

ALIMENTRO DIÁRIO

JOÃO 20: 26-31 – PARTE III

alimento diário

A Incredulidade de Tomé

 

III – O que aconteceu entre Cristo e Tomé, nesta reunião. E somente isto está registrado, embora possamos supor que Ele tenha dito muitas coisas aos de­ mais apóstolos. Aqui temos:

1. A graciosa condescendência de Cristo para com Tomé, v. 27. Ele o separou do resto, e dedicou-se particularmente a ele: ‘”Põe aqui o teu dedo’, e, já que tu queres isto, ‘vê as minhas mãos’, e satisfaz ao máximo tua curiosidade sobre as marcas dos pregos; ‘chega a tua mão’, e, se nada menos do que isto te convencer, ‘põe-na no meu lado”‘. Aqui temos:

(1) Uma repreensão implícita à incredulidade de Tomé, na clara referência que há aqui àquilo que Tomé tinha dito, respondendo palavra por palavra, pois Jesus as tinha ouvido, embora não pudesse ser visto. E poderíamos pensar que o fato de Cristo lhe dizer isto deve tê-lo envergonhado e feito ruborizar-se. Observe que não existe uma palavra de incredulidade em nossos lábios, nem um pensamento de incredulidade nas nossas mentes, em qualquer ocasião, que não seja de conhecimento do nosso Senhor Jesus, Salmos 78.21.

(2) Uma condescendência expressa à fraqueza humana, que fica evidente em duas coisas:

[1] Que Ele suporta que sua sabedoria receba algum tipo de exigência. Os grandes não receberão ordens dos seus inferiores, especialmente nos seus atos de graça, mas Cristo aqui se presta a atender até mesmo à exigência descabida de Tomé, em algo desnecessário, em lugar de romper com ele, deixando-o com sua incredulidade. Ele “não esmagará a cana quebrada”, mas, como um bom pastor, tornará a trazer a ovelha desgarrada, Ezequiel 34.16. Assim, nós devemos suportar as fraquezas dos fracos, Romanos 15.1,2.

[2] Ele suporta que seus ferimentos sejam investigados, permite que Tomé inclusive coloque a mão no seu lado, para que assim, por fim, ele creia. Assim, para a confirmação da nossa fé, Ele instituiu uma ordenança com o propósito de manter sua morte na lembrança, embora fosse uma morte ignominiosa, vergonhosa, e alguém pudesse pensar que ela deveria ser esquecida, e não mais mencionada. Mas, porque sua morte era uma evidência do seu amor, assim como seria um incentivo à nossa fé, Ele recomenda que se celebre a lembrança dela. E nesta ordenança, em que testemunhamos a morte do Senhor, nós somos chamados, por assim dizer, a colocar nosso dedo nas marcas dos pregos. Estenda sua mão até Ele, que estende sua ajuda, convidando, dando-lhe sua mão. As palavras que Cristo usa para encerrar o que tinha a dizer a Tomé são impressionantes: “Não sejas incrédulo, mas crente”, – não se torne um incrédulo, como se Tomé corresse o risco de ser selado na incredulidade naquele momento, caso não cedesse imediatamente. Este aviso é dado a todos nós: “Não sejas incrédulo”. Pois, se formos incrédulos, não teremos Cristo nem a graça, não teremos esperança nem alegria. Portanto, devemos dizer: “Eu creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade”.

2. A aceitação crédula de Tomé a Jesus Cristo. Agora ele está envergonhado da sua incredulidade, e clama: “Senhor meu, e Deus meu!”, v. 28. Não sabemos se ele colocou seu dedo nas marcas dos pregos. Aparentemente, ele não o fez, pois Cristo diz (v. 29): “Porque me viste, Tomé, creste”. Ver foi o suficiente. E agora a fé surge vencedora, depois da batalha contra a incredulidade.

(1) Agora Tomé está plenamente convencido da verdade da ressurreição de Cristo – que o mesmo Jesus que foi crucificado agora está vivo, e que este é Ele. Sua lentidão e relutância em crer podem ajudar a fortalecer nossa fé, pois aqui parece que as testemunhas da ressurreição de Cristo, que a confirmaram ao mundo, e que empenharam suas vidas nisto, não eram homens que criam facilmente, mas eram suficientemente cautelosos, e deixavam em suspenso sua fé até que tivessem tido a última evidência que podiam desejar. Desta maneira, “do comedor saiu comida”.

(2) Por essa razão, ele creu que Ele era o Senhor e Deus, e nós devemos crer nisto também.

[1] Nós devemos crer na sua divindade – que Ele é Deus. Não um homem feito Deus, mas Deus feito homem, como este evangelista estabeleceu na sua tese desde o início, cap. 1.1. O autor e cabeça da nossa santa religião tem a sabedoria, o poder, a soberania e a imutabilidade de Deus, o que era necessário, porque Ele deveria ser não somente o fundador dela, mas a fundação, para seu suporte constante, e a fonte devida, para seu suprimento.

[2] Sua mediação – que Ele é Senhor, o único Senhor, 1 Coríntios 8.6; 1 Timóteo 2.5. Ele está suficientemente autorizado, como plenipotenciário, a estabelecer os grandes interesses que há entre Deus e o homem, e a absorver a controvérsia que inevitavelmente tem sido nossa ruína, e a estabelecer a correspondência que era necessária para nossa felicidade. Veja Atos 2.36; Romanos 14.9.

(3) Ele o aceitou como seu Senhor e seu Deus. Na fé, deve haver a aceitação da vontade do Senhor nos termos do Evangelho, assim como a adequação do entendimento às verdades do Evangelho. Nós devemos aceitar que Cristo seja para nós aquilo que Deus o indicou para ser. “Senhor meu” se refere a Adonai – minha fundação e meu sustentador. “Deus meu”, a Elohim – meu príncipe e juiz. Como Deus o constituiu como o árbitro e juiz, nós devemos aprovar a escolha e nos submetermos inteiramente a Ele. Este é o ato vital de fé, Ele é meu, Cantares 2.16.

(4) Tomé faz uma profissão aberta de sua fé diante daqueles que tinham sido as testemunhas das suas dúvidas incrédulas. Ele diz isto a Cristo, e, para completar o sentido, nós devemos interpretar assim: Tu és meu Senhor e meu Deus. Ou, falando aos seus irmãos: Este é meu Senhor e meu Deus. Nós aceitamos Cristo como nosso Senhor Deus? Devemos ir até Ele, e dizer isto a Ele, como Davi (Salmos 16.2), oferecer-lhe nossa rendição espontânea, dizer isto aos outros, como aqueles que triunfam com nosso relacionamento com Cristo: Este é meu amado. Tomé fala com um afeto ardente, como alguém que se apossou de Cristo com toda a sua força: “Senhor meu, e Deus meu”.

3. O julgamento de Cristo sobre tudo o que aconteceu (v. 29): “‘Porque me viste, Tomé, creste’, e é bom que tenhas, finalmente, sido trazido aos meus termos. Mas ‘bem-aventurados os que não viram e creram!”‘ Aqui:

(1) Cristo reconhece que Tomé é um crente. Os crentes sinceros e legítimos, embora possam ser lentos e fracos, serão graciosamente aceitos pelo nosso Senhor Jesus. Aqueles que permaneceram descrentes por muito tempo, se, por fim, se renderem, o encontrarão pronto a perdoar. Tão logo Tomé aceita Cristo, Cristo lhe dá este consolo, e o faz saber que ele crê.

(2) O Senhor repreende Tomé pela sua incredulidade anterior. Tomé poderia ficar envergonhado ao pensar:

[1] Que ele tinha sido tão relutante para crer; e que tinha vindo tão lentamente aos seus próprios consolos. Aqueles que, com sinceridade, aceitaram Cristo, veem uma grande razão para se lamentar por não terem feito isto antes.

[2] Que não foi sem muita dificuldade que ele foi levado a crer, por fim: “Se você não me tivesse visto vivo, não teria crido”. Mas, se nenhuma evidência for necessária, exceto a dos nossos sentidos, e nós não crermos em nada, exceto naquilo de que formos testemunhas oculares, poderemos dizer adeus a todo o relacionamento e a toda a convivência com o Senhor. Se este for o único método de prova, como o mundo deverá ser convertido à fé em Cristo? Portanto, Tomé é repreendido com justiça, por colocar tanta ênfase em ver.

(3) O Senhor Jesus elogia a fé daqueles que creem com mais facilidade. Tomé, como crente, era verdadeiramente bem-aventurado. No entanto, mais “bem-aventurados os que não viram”. Isto não se refere a não ver os objetos de fé (pois estes são invisíveis, Hebreus 11.1; 2 Coríntios 4.18), mas os motivos de fé – os milagres de Cristo, e especialmente sua ressurreição. Bem-aventurados os que não viram estes milagres, e ainda assim creem em Cristo. Isto pode se referir; retrocedendo, aos santos do Antigo Testamento, que não tinham visto as coisas que os apóstolos viram, e ainda assim creram na promessa feita pelo Pai, e viveram de acordo com esta fé. Ou pode se referir ao futuro, àqueles que creriam depois disto, os gentios, que nunca tinham visto Cristo encarnado, como os judeus tinham visto. Esta fé é mais louvável e digna de elogios do que a daqueles que viram e creram, pois:

[1] Ela evidencia um estado de espírito melhor naqueles que realmente creem. Não ver, e ainda assim crer, mostra um maior esforço em procurar a verdade, e um maior empenho de mente para aceitá-la. Aquele que crê com esta visão tem sua resistência derrotada por um tipo de violência, mas aquele que crê sem esta visão, como os bereanos, é mais nobre.

[2] Ela é um grande exemplo do poder da graça divina. Quanto menos perceptível for a evidência, a obra da fé parecerá, ainda mais, ser uma obra do Senhor. Pedro é bem-aventurado na sua fé, porque não foi carne e sangue quem lhe revelou, Mateus 16.17. A carne e o sangue contribuem mais para a fé daqueles que veem e creem do que para a fé daqueles que não veem e, mesmo assim, creem. O Dr. Lightfoot cita uma frase de um dos rabinos: “Um único prosélito é mais aceitável a Deus do que todos os milhares de Israel que estiveram diante do monte Sinai. Pois eles viram e receberam a lei, mas um prosélito não viu, e mesmo assim ainda a recebe”.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

COMO TER UM ANO NOVO MAIS FELIZ

Você pode trabalhar a seu favor e ajudar-se a desfrutar de maior satisfação – mas não imagine que isso acontecerá por obra do acaso. A despeito de fatores genéticos e das condições adversas que a vida nos impõe, sentir-se bem é uma construção e a felicidade, uma escolha.

como ter um ano novo mais feliz

Responda com sinceridade: o que você quer para sua vida e, mais precisamente, para o próximo ano? Arrisco dizer que eu, você e qualquer outra pessoa que leia este texto tenhamos respondido a mesma coisa. Podemos até ter pensado em coisas diferentes, talvez associadas a saúde ou relacionamentos, dinheiro, realização profissional, possibilidade de viagem ou resolução de um impasse em qualquer esfera da vida seja para nós mesmos ou para outras pessoas. Não importa. Qualquer que tenha sido a resposta, certamente o que está por trás dela é a crença de que aquilo que desejamos nos trará satisfação. O que queremos mesmo é ser felizes – independentemente da idade, nacionalidade, experiência de vida, profissão, classe social, preferências, particularidades pessoais ou qualquer outra característica.

Mas, afinal, que estado é esse tão almejado? A felicidade pode ser entendida como a combinação entre o grau e a frequência de emoções positivas; o nível médio de satisfação que obtemos durante um longo período e a ausência de sentimentos negativos, tais como tristeza e raiva”, responde a psicóloga Susan Andrews, doutora em psicologia transpessoal pela Universidade de Greenwich, na Inglaterra, que fundou no Brasil, em 1992, o Instituto Visão Futuro, do qual é coordenadora. A instituição, mantida com base numa visão humanista de máxima utilização dos recursos, cooperação e equilíbrio com a natureza, fica numa comunidade autossustentável em Porangaba, no interior de São Paulo. Para a psicóloga, formada na Universidade Harvard, autora de A ciência de ser feliz Conheça os caminhos práticos que trazem bem-estar e alegria (Agora, 2011), essa definição marca a felicidade como uma característica estável, e não como uma flutuação momentânea: logo, não seria caracterizada apenas como a falta de emoções desagradáveis, mas também como a presença de sentimentos prazerosos.

Do latim, felix, felicis, queria dizer, originalmente, “fértil, “capaz de produzir frutos”. Em inglês, happiness tem raiz no nórdico arcaico, happ, que no dialeto de origem quer dizer “boa sorte. É muito provável que o vocábulo esteja vinculado à expressão antiga hapt up in bed, que significa estar protegido, seguro. Curiosamente, quando estamos realmente entregues à sensação de bem-estar, sem a ânsia incômoda de reter essa sensação, mas simplesmente permitindo-nos ficar bem, é como se estivéssemos livres de qualquer vulnerabilidade – inteiros e centrados. Talvez seja justamente essa experiência de paz e centramento que diferencie a felicidade, uma vivência interna, dos momentos de alegria, ou mesmo da euforia, exteriorizada e fugaz.

No entanto, antes de pensar na satisfação, parece ser importante levar em conta a questão do desprazer. Afinal, por que sofremos? Em linhas gerais, é possível considerar que o sofrimento nasce de um movimento mental duplo: o apego (àquilo que consideramos, em geral equivocadamente, ser a causa de nossa felicidade) e a aversão (o que vemos como razão do sofrimento). Nos dois casos, há distorção da percepção em relação ao que nos faz bem. É muito frequente imaginarmos que, se fôssemos mais ricos, tivéssemos assimilado cognitivamente mais informações, fôssemos mais jovens ou mais bonitos, seriamos mais felizes. O que a ciência mostra, porém, é que não é bem assim que funciona. Dinheiro, por exemplo, costuma ser fortemente associado a felicidade em nossa sociedade, mas parece que na prática a relação não é tão simples. O pesquisador Ruut Veenhoven, da Universidade Erasmus de Roterdã, na Holanda, constatou que populações de países ricos tendem a ser mais felizes do que as de países pobres. Mas atenção: quando a renda média anual chega a determinado patamar que contempla a satisfação de necessidades de alimentação, moradia, segurança e emprego, qualquer renda extra não parece tornar as pessoas realmente mais satisfeitas. Além desse parâmetro, dinheiro e felicidade simplesmente se desconectam e não é possível estabelecer a relação significativa entre o quanto a pessoa tem de dinheiro e seu índice de satisfação com a vida. O economista Richard Easterlin, da Universidade da Califórnia do Sul, levantou a hipótese de que, se a renda de cada habitante do planeta fosse aumentada, isso poderia ampliar a felicidade de todos. Essa relação, no entanto, não se confirmou. Ele constatou também que, acima da linha de pobreza, a possibilidade de o dinheiro atrair mais felicidade é bastante relativa: além do ponto em que necessidades básicas são atendidas, mais riqueza não garante acréscimo de satisfação. O trabalho de Easterlin, um clássico das ciências sociais, se traduz num conceito importante: menos é mais.

Mesmo uma vida de intensa estimulação sensorial profundamente agradável, em lugares luxuosos, plena de mimos, não garante a felicidade. Afinal. quanto mais uma experiência prazerosa for repetida, menos satisfação trará ao longo do tempo. Coisas maravilhosas são sentidas assim na primeira vez em que acontecem, mas sua fascinação se dissipa com a repetição. Para constatar isso, basta pensar em como é prazerosa a primeira mordida em um chocolate para quem adora esse alimento e qual sensação traz comer a quinta barra do mesmo doce – certamente a satisfação se dissipa.

Entre outros, os estudos desenvolvidos pelo psicólogo Edward Diener, professor da Universidade de Illinois, mostram que a procura da felicidade por meio de objetos externos nos afasta de desfrutar o momento presente, o que tende a diminuir nosso grau de satisfação, como se “nos distraísse de nós mesmos. Ele faz uma comparação com a dependência química, que garante prazer no início, mas, ao longo do tempo, obriga a pessoa a obter mais daquela substância para que se sinta bem – ou para que não fique tão mal. Numa sequência clássica de estudos muito interessantes publicada pelo periódico científico Journal of Psychopharmacology, os pesquisadores Philipe Brickman (psicólogo já falecido), o sociólogo Dan Coates e a psicóloga Ronnie Janoff’ Bulman acompanharam tanto pessoas que haviam sido sorteadas com prêmios da loteria quanto pacientes que ficaram paraplégicos. O trabalho revelou uma conclusão inusitada: uma semana depois de terem sofrido um acidente, os pacientes se mostravam revoltados e ansiosos; após três meses, voltavam a experimentar momentos de felicidade; um ano depois, aqueles que ganharam na loteria não eram mais felizes do que antes de receber o prêmio.

Talvez em alguma escala isto já tenha acontecido com você: comprou uma roupa incrível com um preço ótimo, viajou para um ligar lindo, ganhou o celular que tanto queria ou se casou com a pessoa que amava – e isso o fez muito feliz. No entanto, passado algum tempo, parece inevitável que a intensidade da satisfação inicial não se mantenha. O oposto também vale. Para a maioria das pessoas, quando acontece algo que as entristece profundamente ocorre o mesmo: passado o momento da dor, nosso estado de ânimo tende a se equilibrar. A súbita melhora ou piora de humor provocada por fatos da vida não persiste, pois tendemos a nos acostumar às circunstâncias e voltamos a um nível basal de felicidade, que varia de uma pessoa para outra, em decorrência de fatores variados como herança genética, traços de personalidade e com o quanto nos responsabilizamos por nós mesmos e nossas escolhas.

Um fato importante a ser considerado é que a felicidade duradoura não é um presente que caído céu por obra do acaso. Trata-se, na verdade, de uma construção subjetiva: o bem-estar não reside naquilo a que temos acesso ou naquilo que vivenciamos, mas em como fazemos isso. Não é novidade que somos hoje, em geral, mais ricos e saudáveis do que eram nossos pais e avós – mas nem por isso estamos mais satisfeitos e, não raro, caímos na armadilha de acreditar que seremos mais felizes se tivermos mais dinheiro, tempo, prazer, reconhecimento… Iludir-se com ideias prontas de que o bem-estar está diretamente associado a acumular bens materiais, atingir metas profissionais ou conquistar a pessoa amada pode trazer um grande desapontamento. Claro que tudo isso é importante, mas não determinante para a felicidade. A boa notícia é que é possível se apropriar do sentimento de satisfação e responsabilizar-se por ele – não apenas no nível cognitivo, mas também no âmbito psíquico. O que fazer, então? Não há “manuais de felicidade” ou soluções mágicas, mas pesquisas recentes nas áreas de psicologia e neurociência oferecem algumas pistas interessantes.

Pesquisadores da área da psicologia positiva são os principais defensores da ideia de que é possível aumentar o nosso nível de prazer com a vida. Eles reconhecem que há fatores sobre os quais não temos tanta (ou nenhuma) influência – como genética, responsável por algo em torno de metade de todo o nosso potencial para a satisfação, e as condições externas que favorecem ou prejudicam a expressão dessa carga hereditária. Mas há espaço de manobra. Pesquisadores da chamada ciência hedônica sugerem uma “fórmula para a felicidade”: F – G + C + AV, onde Felicidade – Genes + Condições externas + Atividades volitivas (ou ações intencionais). A psicóloga Sonja Lyubomirsky, professora da Universidade da Califórnia, ganhadora do prêmio Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos em 2008, esclarece que essas últimas são determinadas pela vontade, resultado de uma escolha. Sito as que mais apresentam possibilidades para aumentar e sustentar o sentimento de bem-estar. Ela ressalta que persistir no compromisso consciente de buscar experiências que nos fazem bem predispõe o funcionamento mental a buscar saídas criativas. Tendemos a nos familiarizar com aquilo que fazemos de forma atenta e significativa, criando sentidos e espaços psíquicos para essas experiências. “Costumamos subestimar atividades intencionais, mas elas são poderosas, podem deflagrar mudanças importantes em nossa qualidade de vida – mas é preciso comprometer-se com o projeto de ser uma pessoa mais feliz”, afirma Sonja Lyubomirsky.

como ter um ano novo mais feliz. 2

ROTINA PARA ORGANIZAR A VIDA

Pense sobre as experiências mais importantes que viveu. Muitos se recordam do dia do casamento, do nascimento dos filhos, de uma viagem especial ou da primeira vez que saltou de paraquedas. É pouco provável que algum se lembre da última vez que escovou os dentes. No entanto, estudos sugerem que as trivialidades do dia a dia podem contribuir bastante com a sensação de ter um propósito para si mesmo. Por mais que esse conceito soe como algo sentimental, perceber que a vida tem algum sentido é fundamental para nosso bem-estar. Pesquisas associam esse sentimento com flexibilidade, saúde mental, sucesso no trabalho e longevidade. A psicologia fala de três aspectos da experiência: significado, propósito e coerência. Em outras palavras, a vida ganha relevância quando nos sentimos importantes e enxergamos um objetivo, pois temos a sensação de pertencimento, de fazer parte de algo que nos transcende. Os dois primeiros elementos têm sido amplamente estudados. No entanto, experimentos sobre a coerência começaram somente em 2011, quando os psicólogos Jason Trent, Samantha Heintzelman e Laura King, da Universidade de Missouri, relataram na Psychological Science que até mesmo um padrão visual simples pode favorecer a sensação de um significado maior.

Segundo o artigo, 77 voluntários observaram 16 fotografias de árvores ordenadas de forma aleatória ou conforme as estações do ano. Aqueles que visualizaram as imagens com o padrão sazonal relataram encontrar mais sentido na vida do que os outros, o que foi medido de acordo com as respostas que haviam preenchido num questionário logo após a tarefa visual. Outros 229 participantes visualizaram três grupos de palavras por alguns segundos; algumas eram semanticamente relacionadas, outras não. Os que trabalharam com conjuntos de termos coerentes e viram alguma ligação entre os elementos disseram encontrar maior significado na vida do que os que observaram palavras aleatórias.

Samantha Heintzelman e Laura King escreveram no ano passado, num artigo na American Psychologist, que a tendência humana é encontrar um significado na vida. Então, combinando essas duas linhas de pensa mento, de que procurar sentido é algo comum e de que isso pode ser extraído da coerência, começamos a indagar quais seriam os aspectos do cotidiano com essa característica”, diz Samantha. Uma resposta pode ser a rotina. Em um trabalho apresentado em fevereiro na reunião anual da Society for Personlity and Social Psychology, pesquisadores solicitaram aos voluntários que resolvessem cinco labirintos. Para alguns, as soluções eram semelhantes, o que tendia a induzir ao hábito. Em seguida, os participantes responderam a perguntas sobre a vida. Os que haviam se familiarizado pouco antes com a resolução da tarefa claramente expressaram maior sensação de conforto. As cientistas relataram também na conferência que aqueles que disseram fazer “praticamente a mesma coisa todos os dias”, de acordo com um levantamento sobre o cotidiano deles, acreditavam que a vida tinha mais sentido.

A noção de que encontramos um maior significado em hábitos e trivialidades é um pouco surpreendente, segundo as cientistas. “Essa não é a maneira como historicamente temos pensado sobre o significado da vida, o que nos deixa um pouco perplexos”, comenta Heintzelman. Ela argumenta que, muito além de árvores, grupos de palavras e labirintos complicados, podemos encontrar sentido ao manter a casa arrumada, uma programação diária ou jantares semanais com os amigos. É importante também, de tempos em tempos, questionar nossas escolhas (como trabalho e relacionamentos) e reafirmar nossos compromissos – ou revê-los. A coerência de uma vida ordenada também ajuda a estabelecer quais são nossos objetivos, propósitos e os significados que queremos dar à nossa vida.

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O QUE FAZ SEU DINHEIRO RENDER

Muitos grandes pensadores já advertiram: a felicidade não depende de bens materiais. E a ciência confirma esse conselho – pessoas com mais dinheiro não são necessariamente mais felizes. No entanto, a maneira como gastamos nossas reservas faz diferença. Uma pesquisa revela algumas estratégias que podem ajudar a aumentar a satisfação em longo prazo. Investir em experiências, por exemplo, é mais satisfatório que adquirir mercadorias. Muitos estudos comprovam que gastar com restaurantes, cursos, concertos ou viagens, por exemplo, contribui mais para a felicidade duradoura do que adquirir bens. Um artigo publicado no início deste ano pelo psicólogo Thomas D. Gilovich e seus colegas da Universidade Cornell mostra que os benefícios podem estar relacionados com o fato de que momentos como esses envolvem interações sociais e tendem a ampliar nossas oportunidades de identificação, permitindo o enriquecimento de nossa subjetividade. Em termos de ‘dinheiro bem gasto’, as experiências são as que mais pontuam nas medidas de felicidade”, diz Gilovich.

É importante também planejar com tranquilidade as experiências. Antecipar mentalmente uma recompensa não raro pode proporcionar mais alegria do que a gratificação em si. Num estudo em andamento, Gilovich analisa exatamente essa questão, solicitando aos voluntários que descrevam seu estado mental antes e depois de adquirir bens. Ele observa que o planejamento e a antecipação das compras resultam em maior sensação de bem-estar e entusiasmo do que esperar as mercadorias chegarem, o que, em geral, causa tensão e impaciência. Os cientistas sugerem: tente atrasar a gratificação. A aproximação de uma recompensa imediata (sexo, drogas, alimento favorito) costuma aumentar os níveis de dopamina, um neurotransmissor que traz a sensação de bem-estar; quando recebemos o que desejamos, porém, a quantidade dessa substância tende a baixar. Gilovich acredita que essa dança dopaminérgica entra em jogo quando adquirimos presentes para nós mesmos. Já que o prazer de buscar satisfação imediata é passageiro. Por isso, insiste que adiar algumas compras até determinada data ou ocasião especial nos permite absorver mais prazer da experiência por causa da tensão acumulada. Isso vale também para crianças. Ou seja: oferecer frequentemente presentes (a si mesmo ou aos outros) sem motivo pode trazer pouco benefício.

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UMA AGENDA MAIS INTELIGENTE

A felicidade não pode ser forçada, muito menos de uma hora para outra. Negar sentimentos como raiva ou angústia é prejudicial para a mente e o corpo. O melhor é cultivar o bem-estar, o que favorece a saúde do corpo e dos relacionamentos. Uma alternativa eficaz pode ser reforçar as probabilidades de alcançar a satisfação planejando o tempo destinado a atividades prazerosas. Mas como fazer isso?

Um estudo publicado em dezembro de 2014 na Emotion relata como os pesquisadores transformaram em conceito a ideia de “priorizar a positividade”. Eles pediram a 233 adultos de diversas idades que assumissem essa postura intencionalmente em seu cotidiano e, posteriormente, os submeteram a vários testes. Os resultados mostram que os indivíduos que seguiram essa abordagem diziam estar mais satisfeitos com a vida em geral que os participantes do grupo de controle que apenas responderam às avaliações. Além disso, os primeiros relataram emoções positivas mais frequentemente e menos sintomas depressivos. Aqueles que priorizaram a positividade com planos concretos (como incluir na rotina atividades prazerosas) demonstraram também mais recursos psicológicos e sociais, como resiliência, atenção plena e relacionamentos positivos.

“É importante sair do automático e refletir sobre aquilo que traz satisfação e alegria, procurando arrumar tempo para esses eventos na sua vida diária”, observa a psicóloga Lahnna Catalino, da Universidade da Califórnia em San Francisco, coautora do estudo. “Para alguns, isso significa reservar regularmente alguns momentos para jardinagem ou culinária; para outros, se aproximar dos amigos ou praticar um esporte, por exemplo.” Essas atividades podem ser difíceis para pessoas que lutam contra a depressão, mas se alinham com a noção de que não é possível forçar  felicidade, mas abrir espaços para o que faz bem e desfrutar de dias que incluem coisas que dão prazer.

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INSPIRA, EXPIRA…

Nos últimos anos, inúmeros estudos revelaram os benefícios da meditação para o cérebro – e o restante do corpo. Pesquisas feitas no Departamento de Medicina da Universidade Chulalongkorn, em Bangcoc. na Tailândia, por exemplo. mostraram que pessoas que não praticavam meditação e o fizeram por apenas seis semanas vivenciaram uma significativa diminuição do nível de cortisol. Pesquisa conduzida por Vincent Giampapa, ex-presidente do Conselho Americano de Medicina Antienvelhecimento, revelou que a prática meditativa regular pode diminuir em até 47% os níveis excessivos de cortisol. Estudantes chineses da Universidade de Tecnologia de Dalian, que fizeram a prática pela primeira vez por apenas 20 minutos durante cinco dias, experimentaram redução também de ansiedade, de confusão, raiva e até depressão.

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À FLOR DA PELE

Pesquisadores do Instituto de Pesquisas do Toque, na Universidade de Miami, descobriram que algumas poucas semanas de massoterapia podem reduzir os níveis excessivos de cortisol, o hormônio do estresse, em até 30%. Além disso, provoca aumento dos neurotransmissores do bem-estar (serotonina, que cresceu até 28%) e do prazer {dopamina, que aumentou mais de 30%). A prática melhora também o funcionamento mental. Pesquisas feitas por Sybil Hart mostraram que crianças da pré-escola – especialmente aquelas consideradas mais “temperamentais” – que receberam 15 minutos de massagem regularmente se saíram melhor em lestes de desempenho cognitivo e revelaram um aumento na atenção. Uma vez que o cortisol inibe o funcionamento do centro de memória e aprendizado no cérebro, o hipocampo, a diminuição de cortisol favorece o desempenho mental. E vale fazer automassagem, dando atenção especial ao rosto, ao pescoço, às    axilas, às virilhas e aos joelhos, regiões onde se localizam  muitos linfonodos, beneficiando assim o corpo todo.

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FAZ BEM FAZER O BEM

Gente feliz é mais propensa a agir de forma altruísta, mas até recentemente ninguém jamais havia provado que fazer o bem de fato torna as pessoas mais felizes. Foi a psicóloga Sonja Lyubormirsky quem conduziu um experimento no qual foi pedido aos participantes que fizessem cinco atos de caridade por semana, no decorrer de seis semanas. Eles foram informados de que essas ações podiam ser grandes ou pequenas, e a pessoa beneficiada poderia ou não estar consciente delas. Resultado: a prática regular da benevolência tornava os voluntários mais felizes – e não só no momento do ato, mas por um longo período, especialmente se a pessoa não contava a ninguém e não esperava nada em troca. Além disso, recentemente alguns trabalhos têm revelado a base bioquímica do prazer do altruísmo. Um estudo com mais de 1.700 pessoas feito pelo Instituto para o Avanço da Saúde, nos Estados Unidos, concluiu que comportamentos e emoções altruístas produzem uma espécie de “barato de quem ajuda, que alivia estresse, enxaqueca e até dores associadas a transtornos sérios, como lúpus e esclerose múltipla.

OUTROS OLHARES

CHÁ PARA TODA HORA

Os brasileiros nunca ingeriram tanto a bebida como agora. O hábito vem sendo incrementado com a importação de novas plantas e formas diferentes de preparo.

chá para toda hora

“O Chá prepara o espírito e harmoniza a mente. Dissipa a lassidão e alivia a fadiga. Desperta o pensamento e previne a sonolência. Ilumina ou refresca o corpo e clarifica a percepção. “Foi assim que o monge budista chinês Lu Yu descreveu a bebida há 1.200 anos, na mais antiga obra já publicada sobre o tema: Ch’a Ching (O Clássico do Chá). Hoje o chá é a bebida mais consumida no mundo, depois da água. Os ingleses, conhecidos pelo hábito de beber chá, ingerem 165 milhões de xícaras por dia, uma média de três por habitante. Os brasileiros ainda estão longe de chegar lá – apenas onze xícaras por pessoa em um ano inteiro. Mas o cenário está mudando drasticamente.

O consumo per capita anual no Brasil cresceu 24% entre 2012 e 2017, enquanto no resto do mundo a expansão foi de 9%. Michel Bitencourt, tea sommelier, como é chamado o especialista em chás, explica o fenômeno: “O boom foi impulsionado com a chegada de novas plantas e formas diferentes de preparar a bebida”. Ervas como a africana rooibos, de sabor frutado, e achinesa puerh, com gosto terroso, agradaram aos brasileiros. Misturadas a destilados, sucos ou água gelada, entraram no cardápio de bares e restaurantes. Nos últimos cinco anos, foram inauguradas no país pelo menos 25 casas especializadas em chás, lojas que comercializam não só tipos exóticos de plantas, como também produtos sofisticados para a degustação da bebida. Prevê-se uma expansão de 30% desses estabelecimentos a cada ano.

Os chás prediletos dos brasileiros, no entanto, ainda são os com propriedades medicinais. A força do hábito vem da herança indígena e da vasta biodiversidade de plantas terapêuticas. ”A ciência reconhece o uso de chás tanto para auxiliar no tratamento quanto na prevenção de doenças”, diz Luna Azevedo, nutricionista da clínica Nutrindo Ideais. A menta, por exemplo, possui o composto ativo mentol, que, em infusão, acelera a digestão e atua como analgésico nas dores de barriga. As catequinas, substâncias do chá-verde, têm efeito antioxidante, prevenindo o envelhecimento. Independentemente do propósito, a melhor maneira de extrair as qualidades dos chás é comprá-los na forma in natura ou a granel, com as folhas cortadas. Em saquinhos, uma invenção americana do século XX, eles são triturados e podem ser misturados a pedaços de galhos e outras plantas.

chá para toda hora.2

GESTÃO E CARREIRA

O MAPA DA MINA DOS EMPREGOS

Estudo inédito mapeia 16 mil empresas que dobraram seu quadro de funcionários em apenas quatro anos.

o mapa da mina dos empregos

Com a crise, o medo da demissão assombra os brasileiros – no primeiro trimestre, a taxa de desemprego foi de 13,1%. Existe, porém, um grupo de empresas cujos quadros de funcionários só aumentam. São as scale-ups ou EACs (empresas de alto crescimento), caracterizadas por crescer 20% ou mais em posto de trabalho por três anos consecutivos. No Brasil, as EACs são raras – apenas 0,6%. No entanto, elas criaram 172% mais empregos de 2013 a 2015. Tivemos acesso com exclusividade a um levantamento feito pelo lnsper e pela Neoway, de análise de big data.

O trabalho avaliou 16.142 empresas que, entre 2013 e 2016, aumentaram em cerca de 100% o número de contratações. Só em 2016, criaram 1,8 milhão de vagas – ano em que 2 milhões de brasileiros foram demitidos. Da amostra, destacam-se 1.094 companhias cujas contratações cresceram 929%. “Saber os setores onde elas estão é um primeiro passo para mapeá-las”, diz Guilherme Fowler Monteiro, um dos responsáveis pelo estudo. “O próximo é entender o que esses negócios fazem de tão diferente.”

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 26-31 – PARTE II

alimento diário

A Incredulidade de Tomé

 

II – Onde, e como, Cristo lhe fez esta visita. Foi em Jerusalém, e as portas estavam fechadas, como antes, por temor aos judeus. Ali eles ficaram, para observar a festa dos pães asmos, durante sete dias, que expirou no dia anterior a este. No entanto, eles não podiam iniciar sua viagem à Galileia no primeiro dia da semana, porque era o dia de repouso cristão, mas ficaram até o dia seguinte. Observe:

1. Que Tomé estava com eles. Embora tivesse estado ausente uma vez, ele estava presente na segunda vez. Quando perdemos uma oportunidade, nós devemos prestar atenção para não perdermos a próxima, para que possamos recuperar nossas perdas. É um bom sinal, se uma perda como esta estimula nossos desejos, e um mau sinal, se os esfria. Os discípulos o admitiram no seu meio, e não insistiram em que cresse na ressurreição de Cristo, como eles, porque ela ainda tinha sido revelada de maneira obscura. Eles não o receberam para discussões duvidosas, mas lhe deram as boas-vindas, para que viesse e visse. Mas observe que Cristo não apareceu para Tomé, para sua satisfação, até que o encontrou em meio aos demais discípulos, porque Ele desejava estimular as reuniões de cristãos e ministros, pois ali Ele estaria, no meio deles. E, além disto, Ele desejava que todos os discípulos testemunhassem a repreensão que Ele fez a Tomé, e também o terno carinho que tinha por ele.

2. Que Cristo apresentou-se no meio deles, e ali ficou, e todos o conheceram, pois Ele se mostrou agora da mesma maneira como tinha se mostrado antes (v. 19). Ele era o mesmo, e não estava desafiando seus amados. Veja a condescendência do nosso Senhor Jesus. As portas do céu estavam prontas a se abrir para Ele, e ali Ele poderia ter estado, em meio à adoração de uma multidão de anjos. Mas, para o benefício da sua igreja, Ele permaneceu na terra, e visitou as pequenas reuniões privadas dos seus pobres discípulos, e esteve “no meio deles”.

3. Ele os cumprimentou a todos de uma maneira amistosa, como tinha feito antes. Ele lhes disse: “Paz seja convosco!” Esta não era uma simples repetição, mas significava a paz abundante e assegurada que Cristo dá, e a continuidade das suas bênçãos ao seu povo, pois elas não se esgotam, mas “novas são cada manhã”, toda nova reunião.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O DESEJO E SUAS POSSIBILIDADES

Filme adaptado de conto inglês apresenta de forma delicada possibilidades de subversão de modelos convencionais de sexualidade, afeto e família.

o desejo e suas possibilidades

Se a linguagem e a cultura são determinantes na formação psíquica, trazer ao discurso questões que, até agora, não poderiam ser vistas ou ditas pode ter caráter transformador. Apesar das constantes de padronizar comportamentos e se excluir diferenças tentativas ao longo dos séculos, a diversidade tem aberto seu caminho, quebrando o modelo cristalizado e rígido de moral e família convencional, que acorrenta laços afetivos e a sexualidade.

É com essa proposta que François Ozon apresenta Uma nova amiga, uma adaptação livre do conto da escritora inglesa Ruth Rendell. O filme inicia com foco no casamento dos jovens David e Laura, e na relação da noiva com sua madrinha Claire, grande companheira de infância e adolescência. Pouco depois, porém, Laura adoece, vítima de um câncer precoce e devastador, no mesmo período em que engravida e dá à luz sua filha. No hospital, Claire promete à amiga estar sempre ao lado de David para ajudá-lo com o bebê e no que mais fosse necessário. Na primeira visita a David após a morte da amiga Claire surpreende o rapaz cuidando da filha vestido com as roupas da falecida. O constrangimento o leva a justificativas apoiadas em uma possível necessidade de manter a presença da mãe para acalmar o bebê, o que não convence Claire.

Com o tempo e a convivência, porém, ela e David desenvolvem uma intimidade que permite a ele expor-se publicamente usando roupas e nome de mulher – assim surge Virgínia, uma “nova amiga” para Claire. Da tensão inicial aparece uma cumplicidade com certa dose de atração e erotismo que parece desvendar em Claire seu lado homossexual, encantada pela porção feminina do amigo. E, a despeito do tom inusitado da situação, o relacionamento entre eles ganha força sexual e afetiva.

Sem esbarrar num clima panfletário, a narrativa propõe de maneira natural uma reflexão cuidadosa sobre o desejo e suas infinitas possibilidades. Vale reafirmar que estes referenciais tão arraigados nas sociedades judeu-cristãs impuseram valores, influenciando e marcando a cultura, a ciência, a medicina e a psiquiatria de forma especialmente intensa até há poucas décadas. A psicanalista e historiadora contemporânea Elizabeth Roudinesco alerta para a importância de evitar o reducionismo muitas vezes estimulado pelas ciências positivistas, na tentativa de normatizar categorias de comportamento e discriminar o que parece estranho.

Essa dinâmica restringe os sujeitos a sistemas fechados que desconsideram as subjetividades e singularidades.

Um exemplo claro e didático se apresenta em 1952, na primeira edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM). A homossexualidade, neste caso, fica incluída nos distúrbios sociopáticos da personalidade, considerada um desvio sexual envolvendo comportamento patológico. Em 1968 passou a pertencer à classe dos desvios sexuais e somente a partir da terceira edição do DSM, em 1987, foi finalmente retirado do manual. O transexualismo surge na terceira edição classificado como disforia de gênero, o que foi revisto em 1994 com o diagnóstico de transtorno de gênero.

Este processo de patologização da homossexualidade e do transgênero foi delineado formalmente nas primeiras discussões, no século 19, por autores como o psiquiatra Richard von Krafft-Ebing, na Alemanha. Estes entendiam essa prática associada ao desvio sexual, à degeneração e psicopatia. Sob a influência do positivismo e de ideias desenvolvimentistas, Freud escreveu em 1905 os Três ensaios sobre a sexualidade e apontou como aberrações sexuais os desvios, as inversões (ou o que chamou hermafroditismo psíquico) e o comportamento perverso.

Por outro lado, sua teoria sobre desenvolvimento sexual, complexo de Édipo e castração trouxe a importância das experiências emocionais da infância como bases para a vida psíquica. Tendemos a repetir estas matrizes apoiadas nas identificações estabelecidas nessas primeiras vivências. E em nosso percurso, buscamos novas soluções para as inevitáveis marcas dos conflitos vividos. É a experiência da castração que nos possibilita o contato com nossos limites e com a incompletude. A partir desta constatação, somos impelidos à busca incessante de satisfação, em direção a outras possibilidades, já que a expectativa de realização pelo prazer total se perdeu e ficou impossível. Este olhar pode transcender o normal e o patológico como únicas referências possíveis.

O inusitado em Uma nova amiga surge, em grande parte, na atração de David/Virgínia por Claire, algo que extrapola o modelo “heteronormativo” previsto e coloca em pauta a questão de gênero, um tema contemporâneo complexo e desafiador aos pensamentos cartesianos. Na ordem do dia, a filósofa americana Judith Butler define gênero como “um modo de abraçar ou concretizar possibilidades, um processo de interpretar o corpo”. O debate sobre o tema visa desconstruir a padronização do modelo biológico e anatômico para definir sexualidade, considerando a constituição da identidade e do gênero uma orientação dinâmica atravessada pela construção da história pessoal, das relações e da cultura.

François Ozon foi ousado, mas de maneira delicada conduz o espectador a pensar e refletir sobre as implicações dos desejos e escolhas feitos pela vida. Denuncia também as hipocrisias sociais, os tabus que tendem a inibir infinitas saídas psíquicas. Como uma obra inacabada, caminhamos pela vida na busca de soluções mais ou menos criativas para nossas angústias. Em nossos projetos de vida, o amor, o trabalho e os relacionamentos podem permitir a concretização de alguns sonhos, mas trazem sempre à luz as arestas da realidade. Nesta luta, cada novo desafio pode ser visto como tentativa da reinvenção de nós mesmos, numa trajetória de aprendizado. Como diz Butler, “como corpos, nós somos sempre algo mais, e algo outro, do que nós mesmos”.

o desejo e suas possibilidades. 2

UMA NOVA AMIGA

1h47min – França, 2015 Direção: François Ozon Elenco: Romain Duris, Anaïs Demoustier, Raphaël Personnaz e outros.

 

ERANE PALADINO é psicóloga e psicanalista, mestre em psicologia clínica, professora do Instituto Sedes Sapientiae.

OUTROS OLHARES

BRINQUEDO LEVADO À SÉRIO

Chega ao Brasil o sistema que faz sucesso nas grandes cidades americanas: o aluguel de patinetes elétricas compartilhadas. Trata-se de um negócio bilionário.

brinquedo levado à sério

O paulistano mais atento já notou. Depois de décadas relegada ao ostracismo, a patinete começa a voltar à paisagem. Não aquele velho brinquedo em que crianças se impulsionavam com uma das pernas em praças e calçadas. A nova patinete é elétrica, chega a 25 quilômetros por hora e tem sido usada por homens de gravata e mulheres de tailleur zunindo pela ciclovia da Avenida Brigadeiro Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, enquanto motoristas irritados no infame trânsito da hora do rush os observam de dentro do carro. É que já estão em operação na cidade três sistemas de compartilhamento de patinetes elétricas, nos moldes do aluguel de bicicletas que hoje faz parte da rotina das grandes cidades brasileiras. Sem muito alarde, as startups Scoo, Ride e Yellow começaram a disponibilizaras engenhocas em agosto, em alguns poucos pontos da capital paulista. O aluguel é efetuado por meio de um aplicativo no celular, que mostra onde há patinetes livres e as destrava uma vez feito o pagamento. Simples e eficiente. “Ela tem mais estabilidade do que a bicicleta, permite que eu ande de salto, leve a mala da academia e não chegue ao trabalho suada”, diz a advogada Nathaly Guimarães, que não usa mais o carro para percorrer os 2 quilômetros entre sua casa e o escritório.

No Brasil, a primeira companhia a apostar no negócio foi a Ride. Seu fundador, Marcelo Loureiro, morava na cidade de Santa Monica, na Califórnia. Em setembro de 2017, ele acompanhou de perto o surgimento da Bird, a primeira empresa de compartilhamento de patinetes elétricas do mundo. O sucesso da Bird foi tão estrondoso que fez dela a startup que mais rápido se tornou um unicórnio – palavra que, no jargão do Vale do Silício, designa companhias avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares. “Estava lá durante os primeiros meses, vi os erros e os acertos deles, e pude tropicalizar o modelo para trazê-lo para cá”, conta Loureiro. A Bird, que hoje vale 2 bilhões de dólares, já anunciou planos de entrar no Brasil.

De olho na concorrência que se avizinha, Loureiro tem criado estratégias para crescer. A Ride anunciou recentemente sua fusão com a Grin, a maior operadora de patinetes elétricas da Cidade de México, e promete colocar 1.000 veículos por toda a São Paulo até o fim do ano. Fechou ainda uma parceria com a Rappi, aplicativo de serviço de delivery. A ideia é usara penetração da Rappi na América Latina para fazer uma rápida expansão para países como Colômbia e Argentina. A Scoo também tem planos de expandir suas atuações para fora do país e chegar a Buenos Aires até o fim do ano. A empresa, que ofereceu 100 patinetes de forma gratuita nos seus primeiros 75 dias, começou a operar normalmente em novembro e promete chegar ao Rio de Janeiro e a Brasília antes da virada do ano. Mais de 10.000 pessoas já utilizaram o serviço, que oferece as tarifas mais baixas do mercado: 1 real nos primeiros quatro minutos e 25 centavos para cada minuto adicional. “Na nossa visão, esse produto é um meio de transporte complementar ao transporte público e, portanto, a tarifa precisa ser baixa”, defende Maurício Duarte, diretor-geral da startup.

Com passagens em altos cargos na Uber, o fundador da Bird, Travis Vander Zanden, replicou em sua empresa o mote de seus antigos empregadores: é mais fácil pedir desculpas do que pedir permissão. Sua estratégia foi a de inundar as cidades americanas com patinetes elétricas sem nenhum contato prévio com as prefeituras ou com as comunidades locais. A companhia permitia que os usuários deixassem a patinete em qualquer lugar, sem zonas específicas de estacionamento. As pessoas largavam o veículo na frente de garagens, bloqueavam calçadas, e a falta de organização causou transtornos e a ira de muita gente. Em maio, São Francisco baniu o uso do aplicativo e de seus concorrentes. Voltou atrás em agosto, mas com um número limitado de licenças. Santa Monica foi pelo mesmo caminho. Ainda assim, as leis que impedem que as patinetes circulem nas calçadas têm sido ignoradas. O especialista em cidades inteligentes Renato de Castro vê como normal esse início de relacionamento conturbado, e aposta na proatividade do setor municipal em auxílio ao desenvolvimento do processo de digitalização dos municípios. “Em vez de discutirem como limitar as patinetes, as prefeituras devem fazer parcerias para que essas empresas possam contribuir para a mobilidade das cidades”, afirma. Em São Paulo, as três companhias optaram por usar áreas fixas para as patinetes por orientação da Secretaria Municipal de Transportes,  e têm apostado na criação de zonas específicas de estacionamento.

Um mês após lançar um aplicativo de compartilhamento de bicicletas sem base fixa, a Yellow disponibilizou seu serviço de patinetes. A empresa desenvolve soluções de integração com o transporte público e, na sua avaliação, seus veículos estimulam o que ela chama de micromobilidade. “Você não consegue colocar um ponto de ônibus, trem ou BRT em cada esquina. Todo mundo tem de percorrer uma pequena distância, seja no começo, seja no final do trajeto, e nós facilitamos isso com uma alternativa barata e não poluente”, diz Eduardo Musa, fundador da companhia. Sim, a patinete voltou para ficar.

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GESTÃO E CARREIRA

ELEVADORES QUE ENXERGAM LONGE

Atlas Schindler e Thyssekrupp começam a disputar o mercado brasileiro de equipamentos conectados à internet das coisas.

elevadores que enxergam longe

Chega ao Brasil este ano uma briga global – a suíça Schindler, empresa de 144 anos, e a alemã Thyssenkrupp, com 205 anos, passam a disputar o mercado local de elevadores e escadas rolantes conectados pela internet das coisas (IoT). A tecnologia permite que os equipamentos apresentem análises preditivas e diagnósticos de funcionamento. “A estimativa é reduzir em ao menos 20% o número de paralisações”, diz Fabio Mezzarano, diretor de Operações da Schindler para as Américas (o braço do grupo multinacional no Brasil, Atlas Schindler, surgiu quando a empresa suíça comprou a brasileira Atlas, em 1999). Segundo a Thyssenkrupp, mais de 47 mil clientes se beneficiaram globalmente do sistema, ao diminuir as paradas de equipamentos. A disputa por esse mercado começou em 2016, quando a Thyssenkrupp se aliou à Microsoft, e a Schindler à Huawei, em projetos de IoT.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 26-31 – PARTE Ialimento diário

A Incredulidade de Tomé

 

Aqui temos um relato de outra aparição de Cristo aos seus discípulos, depois da sua ressurreição, quando Tomé estava então com eles. E a este respeito, podemos observar:

I – Quando Cristo repetiu sua visita aos seus discípulos: “oito dias depois”, que era o dia após a sétima noite desde que Ele ressuscitou, e que, portanto, devia ser o primeiro dia da semana.

1. Ele adiou por algum tempo sua próxima aparição, para mostrar aos seus discípulos que Ele não tinha ressuscitado para uma vida como a que tinha tido anteriormente, para conviver constantemente com eles, mas como alguém que pertencia a outro mundo, e visitava este somente como o fazem os anjos, de vez em quando, quando houvesse oportunidade. É tolice investigar, e presunção determinar, onde Cristo esteve durante estes oito dias, e o resto do tempo da sua permanência na terra. Onde quer que Ele estivesse, sem dúvida “os anjos o serviam”. No início do seu ministério, Ele tinha estado por quarenta dias sem ser visto, tentado pelo Diabo, Mateus 4.1,2. E agora, no início da sua glória, Ele foi, durante quarenta dias, na maior parte do tempo sem ser visto, servido por seres celestiais bons.

2. Ele adiou sua visita por sete dias. Por quê?

(1) Para que Ele pudesse repreender Tomé pela sua incredulidade. Ele tinha negligenciado a reunião anterior dos discípulos, e, para ensiná-lo a valorizar mais estas sessões de graça no futuro, ele não teria outra oportunidade por diversos dias. Aquele que perde uma maré deve esperar um pouco por outra. Temos razão para pensar que Tomé teve uma semana muito melancólica, desanimado e em suspense, ao passo que os outros discípulos estavam cheios de alegria, e isto foi devido a si mesmo e à sua própria tolice.

(2) Para que Ele pudesse por à prova a fé e a paciência dos demais discípulos. Eles tinham obtido algo muito importante quando ficaram satisfeitos por terem visto o Senhor. “Os discípulos se alegraram”. Mas Ele iria testar se eles conseguiriam conservar o que tinham conseguido, quando não o vissem por alguns dias. Desta maneira, Ele gradualmente os desacostuma da sua presença física, que eles tinham amado e da qual dependiam em excesso.

(3) Para que Ele pudesse honrar o primeiro dia da semana, e dar uma clara indicação da sua vontade, de que este dia fosse observado, na sua igreja, como o dia de repouso cristão, o dia da semana para o descanso sagrado e para as santas convocações. O fato de que um único dia, em sete, devesse ser religiosamente observado era uma indicação que fora expressa desde o princípio, sendo tão antiga como a inocência. E o fato de que, no reino do Messias, o primeiro dia da semana devesse ser este dia solene era uma indicação suficiente de que Cristo, neste dia, repetidamente encontra­ ria seus discípulos em uma assembleia religiosa. É altamente provável que, na sua aparição anterior a eles, Ele lhes recomendasse que depois de oito dias se reunissem novamente, prometendo encontrá-los, e também que Ele aparecesse a eles a cada primeiro dia da semana, além de outras oportunidades, durante os quarenta dias. A observância religiosa deste dia tem sido, desde então, transmitida até nós, passando por todas as épocas da igreja. Por isto, “este é o dia que fez o Senhor”.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

PSICOLOGIA NA SALA DE AULA

Cientistas já sabem: marcar os trechos mais significativos dos textos com canetas coloridas ou mesmo reler várias vezes a mesma lição não ajuda tanto no processo de aprendizado quanto retomar o assunto estudado algumas vezes em dinâmicas de grupo e conversas com os colegas. Ainda assim, poucos professores encorajam os alunos a optar por técnicas comprovadamente eficazes.

psicologia na sala de aula

A maioria dos professores concorda que é importante que os alunos se lembrem do que leem. No entanto, uma das coisas mais comuns em escolas e cursos universitários é vê­los debruçados sobre livros ou fotocópias, com canetas marca-texto na mão, destacando passagens pertinentes – que muitas vezes incluem a maior parte da página. No final do semestre os estudantes se preparam para as provas, voltando aos textos e relendo os parágrafos coloridos.

Várias pesquisas têm mostrado, porém, que destacar trechos e relê-los está entre as maneiras menos eficazes de as pessoas se lembrarem do conteúdo que leram. Uma técnica muito mais eficaz é a dinâmica de grupo. Um estudo já replicado mostra que alunos que leem determinado texto uma veze tentam lembrá-lo em três ocasiões obtêm notas em torno de 50% maiores nas provas, em comparação aos colegas que leram o mesmo texto e depois o releram três vezes. E ainda assim muitos professores insistem em encorajar – ou pelo menos em não desencorajar – as técnicas que a ciência provou serem ineficazes.

Esse é apenas um sintoma do fracasso geral de integrar o conhecimento científico na escola. Muitas ideias comuns sobre educação desafiam princípios de cognição e aprendizagem. Um equívoco comum em algumas escolas é pensar que o ensino de conteúdo é menos importante que o de habilidades de pensamento crítico ou estratégias de resolução de problemas. Pesquisadores sabem que crianças devem aprender as conexões entre letras e sons e que se beneficiam mais quando essa instrução é planejada e explícita. É fácil dizer que os professores devem se esforçar mais para acompanhar a ciência, mas ensinar já é uma profissão muito trabalhosa. E é difícil para um não especialista separar pesquisas científicas da avalanche de falação e pseudociência.

Vendedores de panaceias caras e supostamente baseadas em pesquisas científicas fazem lobby de produtos que podem até ter validade, mas ainda não foram profundamente testados. Teorias de aprendizagem matemática, por exemplo, sugerem que jogos de tabuleiro lineares (mas não circulares) aumentam a prontidão para a área de exatas em pré-escola res, mas a ideia precisa de estudos em grande escala.

Como os educadores devem saber quais práticas adotar? Uma instituição que consulte pesquisas e as resuma poderia resolver o problema. A medicina fornece um precedente: médicos praticantes não têm tempo para se manter atualizados com as dezenas de milhares de artigos de pesquisa publicados anualmente, que podem sugerir uma mudança de tratamento. Em vez disso, eles confiam em sumários respeitáveis de pesquisas, publicados todo ano, que concluem se as evidências acumuladas apoiam mudanças na prática médica. Professores não têm nada semelhante a essas revisões competentes: estão por conta própria.

O Departamento de Educação dos Estados Unidos (DOE, em inglês) tentou, no passado, levar rigor científico ao ensino. A câmara What Works, criada em 2002 pelo Instituto de Ciências Educacionais do DOE, avalia currículos, programas e materiais de sala de aula, mas seus padrões são estritos e professores não têm participação no processo de verificação, tampouco na avaliação – e isso é crucial. Cientistas podem analisar pesquisas, mas professores entendem de educação. O propósito dessa instituição seria o de produzir informações que pudessem ser usadas para modelar o ensino e a aprendizagem.

Muitos professores precisam perder as noções de que o cérebro dos meninos é mais apto a atividades espaciais que o das meninas, por exemplo. Pode-se dizer que o trabalho de levar informações científicas precisas sobre cognição e aprendizagem a professores seja responsabilidade de faculdades de educação, do governo e de organizações profissionais de professores, mas essas instituições em geral não colocam esse objetivo como prioridade. Talvez um conselho nacional de revisão de estudos sobre aprendizagem fosse a maneira mais simples e rápida para transpor um grande obstáculo para a melhoria em muitas escolas.

O armazenamento digital de dados se tornou parte do cotidiano, seja na forma de listas de contatos e eventos do smartphone, seja no acesso constante aos enormes estoques de conhecimento guardados na nuvem. Pesquisas anteriores já haviam apontado que guardar informações nesses locais nos torna menos propensos a recordá-las, provavelmente porque entendemos que não precisamos memorizar algo que já está salvo. “Mas isso também pode liberar recursos mentais e memória para outros conteúdos”, argumentam os cientistas cognitivos Benjamin Storm e Sean Stone, ambos da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

Os dois conduziram uma série de experimentos em que pediram aos voluntários que estudassem uma lista de oito palavras. Para um grupo, os pesquisadores disseram que deveriam salvar o arquivo e para o outro, que apenas fechassem o documento. Em seguida, os participantes estudaram uma segunda lista. Mais tarde, um teste de memória avaliou o quanto os participantes se lembravam dos vocábulos.

ISSO FUNCIONA NA PRÁTICA!

Vem crescendo o número de estudos sobre como absorvemos conteúdo. Resultados consistentes sugerem que determinadas estratégias, como lembrar aos alunos que a inteligência não é algo fixo e “pronto”, podem ser determinantes para aprimorar a aprendizagem e o desempenho. Esse campo de pesquisa pode oferecer indicações simples e preciosas que ajudam a trazer muitos ganhos. Confira alguns dos mais recentes estudos que exploram esses campos.

psicologia na sala de aula. 2

SALVE UM ARQUIVO PARA LEMBRAR O CONTEÚDO DO OUTRO

Os pesquisadores observaram que aqueles que salvaram o primeiro arquivo se recordaram mais da lista do segundo, de acordo com artigo publicado em fevereiro do ano passado na revista Psychological Science. Esse efeito não foi observado quando o processo de gravação não era comprovadamente confiável ou se o documento acessado primeiramente mostrava apenas duas palavras. Os pesquisadores cogitam que é como se os voluntários tivessem usado o armazenamento digital como uma capacidade externa para “transferir” as demandas da memória. Eles sugerem que podemos aproveitar essa peculiaridade, salvando imediatamente as informações de que não precisamos para consulta posterior. Assim, realocamos recursos para aprender.

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TENHA PACIÊNCIA E MANTENHA A CURIOSIDADE

Em tempos de internet, quando qualquer informação está ao alcance de alguns toques, podemos ter a impressão de que acessar os resultados na hora favorece a absorção de informação. Vários estudos, porém, chamam atenção para os benefícios de não receber uma resposta às nossas perguntas tão rapidamente. Quando fazemos um teste, temos maior chance de memorizar a alternativa correta se a ouvimos depois de alguns segundos, em vez de acessá-la instantaneamente.

Para compreender por que isso ajuda a apurar a aprendizagem, pesquisadores da Universidade Estadual de Iowa pediram a estudantes universitários que dessem seu melhor palpite para perguntas triviais como “Quem inventou a palavra nerd?” e “Qual é a cor do sangue dos gafanhotos?” e avaliassem seu grau de curiosidade em relação ao assunto. Para metade das perguntas, os participantes tiveram acesso à informação correta imediatamente depois de ter respondido às perguntas. Para as demais, tiveram de esperar quatro segundos ou escutar a resposta com intervalos imprevisíveis de dois, quatro ou oito segundos. Em seguida, os voluntários participaram de uma tarefa não relacionada, com o objetivo de distraí-los e, só então, foram testados sobre o quanto absorveram das questões a que haviam respondido.

Os resultados desse experimento, publicados em novembro 2014 na Memory & Cognition, confirmam os benefícios dessa estratégia de aprendizado, mas mostram que ela depende da curiosidade: em testes de acompanhamento, os participantes acertaram mais vezes quando receberam as respostas depois de um tempo, porém, apenas em relação a questões de seu interesse. Os pesquisadores sugerem que esse atraso incentiva os alunos a antecipar a informação, o que aumenta o nível de atenção quando a recebem.

O efeito foi mais forte quando a resposta era dada em intervalos imprevisíveis, o que está de acordo com estudos anteriores que mostram que a atenção é reforça­ da quando a sequência de eventos é incerta. Então, quando estudar com um amigo, peça a ele que revele a informação correta somente depois de alguns segundos, sem que você saiba quantos. Mas, se preferir fazer isso sozinho, tente resistir ao desejo de pesquisar no Google ou procurar uma resposta imediata: dê palpites antes.

Aliás, quem cunhou a palavra nerd foi o escritor e cartunista americano Theodor Seuss Geisel, conhecido por Dr. Seuss, morto em 1991. E o sangue dos gafanhotos é branco. Se você estava pensando sobre isso, a demora pode ter ajudado a gravar essa informação em sua memória.

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MEXA COM O CORPO LOGO DEPOIS DE ESTUDAR

De forma geral, manter o corpo em movimento colabora para a saúde do cérebro, o que ajuda a aprimorar a capacidade de raciocinar e fixar o que aprendemos. Agora, novos estudos revelam outras constatações importantes relacionadas à prática de exercícios físicos: marcar o horário do treino logo após adquirir algum aprendizado ajuda a reter melhor as informações. Em diversos experimentos, constatou-se que pessoas que participaram de exercícios de musculação um pouco antes de estudar se saíram melhor em testes de recordação após horas, dias ou semanas.

Especialistas acreditam que a excitação física é a chave para a fixação. Exercícios podem estimular o corpo de maneira similar a experiências emocionais – e sabemos que memórias afetivas são as que mais duram. Os pesquisadores advertem, porém, que a atividade física produz, no máximo, um efeito de suporte – o mais importante, obviamente, é se dedicar aos estudos antes de qualquer coisa.

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DISTRAÇÕES ÚTEIS

Em certas circunstâncias, a distração pode colaborar para o aprendizado. A raiz dessa argumentação está no fato de que a memória tende a funcionar por meio de associações e o que aprendemos em uma situação nem sempre pode ser lembrado em outra. De maneira notável, pesquisadores já demonstraram que palavras decoradas durante um mergulho são mais fáceis de serem recordadas num ambiente subaquático do que em terra seca. Agora, psicólogos da Universidade Brown sugerem algo semelhante em relação à distração. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores treinaram 48 voluntários para atingir um alvo na tela de um computador utilizando um touchpad instável (que poderia, por exemplo, mover o cursor na diagonal). Depois, avaliaram a capacidade dos participantes de atingir rapidamente a marca. Durante essas etapas, os voluntários foram selecionados aleatoriamente para fazer uma segunda tarefa relacionada à capacidade de manter a atenção: contar letras em uma tela. Os que foram distraídos durante apenas uma fase demonstraram baixo desempenho na hora do teste, mas aqueles que participaram da tarefa de calcular letras tanto durante o treinamento quanto durante a avaliação se saíram tão bem quanto os que fizeram o mesmo, mas sem sofrer interferência, segundo artigo publicado em fevereiro na Psychological Science.

Os cientistas concordam que o consenso entre muitos especialistas é que a distração é algo negativo para o aprendizado. No entanto, se você souber de antemão que vai passar por um teste que interfere na atenção ou que terá de enfrentar um ambiente perturbador, uma boa alternativa para evitar ser pego de surpresa é tentar simular as distrações enquanto estuda ou treina.

É INUSITADO, MAS PODE AUMENTAR A CRIATIVIDADE E O FOCO

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TONIFICAÇÃO DA LINGUAGEM, EDUCAÇÃO PRECOCE NO BERÇO

Cientistas da Universidade de Rutgers desenvolveram testes para determinar se os bebês com audição normal processam os sons de modo profundo dentro do cérebro (gráfico abaixo). Eles estão analisando se um jogo criado por eles (gráfico ao lado) pode preparar crianças mais novas a falar, ouvir, ler e escrever.

psicologia na sala de aula. 7 À ESPERA DE “AHÁ!”

O Laboratório de Estudos sobre a Infância da Rutgers coloca uma touca de eletrodos em bebês para registrar a atividade cerebral enquanto eles ouvem sons variados. Primeiro, as crianças escutam tons de alta frequência, que estimulam determinado padrão de ondas cerebrais. Tons de alturas diferentes se intercalam com os tons iniciais e provocam uma mudança temporária na onda cerebral (a resposta ahá!) conforme o cérebro detecta a mudança. Uma resposta mais lenta ou mais fraca a esta alteração súbita na altura pode predizer problemas posteriores de linguagem.

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DIREÇÃO PREFERENCIAL

Com a tomografia por ressonância magnética por difusão os pesquisadores tornam visíveis as fibras da substância cerebral branca. As regiões claras correspondem às áreas nas quais a água só pode se mover de forma limitada (anisotrópica), por exemplo, ao longo dos filamentos neurais. Por outro lado, estão escuras as regiões do cérebro com difusão ilimitada (isotrópica) da água, por exemplo, nos ventrículos. As imagens pequenas as mostram em detalhe: anisotrópica (no alto) e isotrópica (embaixo).

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Tente isto: coloque uma informação fundamental em um tipo de letra difícil de acompanhar. Em um estudo de 2011, voluntários que leram algo numa fonte desconhecida ou pouco legível se recordaram mais da informação do que aqueles que tiveram a leitura fácil. O tamanho da letra, porém, não fez diferença.

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BRINCADEIRAS PARA OS PEQUENOS

Os bebês na Rutgers podem aprender a processar a altura (frequência do som) de forma mais eficiente enquanto também se divertem. A criança aprende a virar a cabeça em resposta aos tons B (à direita), mas não aos tons A (à esquerda), e é recompensada com um trecho de um vídeo na resposta correta. O ritmo de sequências de tons se acelera, e a criança aprende a responder cada vez mais com maior precisão, nesse ritmo acelerado.

OUTROS OLHARES

ELUS SÃO ELES E ELAS

Pessoas que não se identificam nem como homem nem como mulher revelam as complexas questões modernas sobre gênero e identidade.

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A pose é sexy. De saia curta, scarpin e blusa decotada, Mar Gonçalves, de 49 anos, cruza as pernas e deixa os cachos caírem sobre o rosto, faz carão e bate o selfie diante do espelho. A foto é a proteção de tela de seu celular, que, aliás, é um dos poucos objetos que compõem sua mesa de trabalho. O contraste da imagem com o ambiente burocrático do banco – e com o que costuma vestir no dia a dia – é grande: só sai de casa de calça jeans, camiseta e tênis. A dualidade de estilos é, na verdade, sua essência.  Mar é uma pessoa não binária: não se identifica nem com o gênero masculino nem com o feminino. Para o iFood e alguns alegas, é o Mar – o que não chega a ser um problema. Mas ela gosta mesmo de ser a Mar. Quer me chamar de ele, falar o Mar, tudo bem.

Mas, me encaixar numa caixinha, não, diz que quer que eu levante um armário porque sou forte, não porque sou homem.”

A carioca não sabia o que era não binaridade até 2012, quando, navegando na internet, deparou com o conceito. Para quem sempre se considerou fora dos padrões do mundo, de repente, passou a fazer sentido. Logo se entendeu como uma pessoa de gênero neutro e decidiu que, a partir dalí, seu nome de registro, Mar, seria a inspiração para o nome social: atenderia por Mar. Na época, era casada com uma zootecnista, com quem manteve um relacionamento até agosto do ano passado.      A companheira e os filhos dela, então com 17 e 18 anos, se esforçaram imediatamente para deixar de chamá-la pelo antigo apelido, Celo, passaram a apresentá-la como Mar. “São pessoas de boa cabeça”. No primeiro encontro com a ex-mulher, em 2009, já havia dito que era transgênero.

Se, em casa, a questão estava resolvida, no trabalho havia um mar para atravessar. Ela tinha acabado de ser transferida para o setor de Recursos Humanos da Caixa Econômica Federal, no qual é responsável até hoje por dar subsídio à defesa de reclamações trabalhista contra o banco. Não queria chegar ao novo grupo com a informação debaixo do braço. Preferiu esperar. Mudar o nome no perfil do Facebook parecia uma medida menos drástica e nem tão dramática. Pero no mucho. Ao passar a militar pelas causas LGBTQ+ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e queers) na rede social, em 2015, sua página foi tomada por mensagens de cunho transfóbico. Acabou apagando a conta. ”Três meses depois, voltei fortalecida, com perfil novo, 100% assumida e militante”, lembrou.

No mesmo ano, Mar escreveu um texto sobre linguagem inclusiva e compartilhou com o pessoal do banco. Era hora de puxar o assunto e deixar de ser Marcelo no ambiente de trabalho. O processo foi lento e não exatamente fácil. Apesar de, aos poucos, muitos terem absorvido a “novidade”, uma colega fez questão de seguir enquadrando-a como homem. Mar desceu do salto: sem se preocupar em ser educada pediu à moça que destilasse seu preconceito em outra freguesia. Também propôs um debate sobre diversidade à equipe e acabou por doutrinar a referida senhora, que hoje só a chama pelo nome de registro eventualmente. Por lapso, claro…

A falta de paciência para lidar com certas posturas hostis fez Mar preferir o mundo virtual ao real desde cedo. O computador e o vídeo- game – além do cinema e da literatura – viraram seu refúgio     diante da rejeição que começou a enfrentar ainda na infância, na escola, na hora do recreio, em vez de jogar futebol, preferia brincar de elástico, o que era motivo de piadas e insultos. A   chamavam de mulherzinha. Já na adolescência, reconheceu-se como mulher transexual, mas não     se sentiu pronta para compartilhar a descoberta. Só aos 30 anos criou coragem para contar o segredo para a mãe, com quem morava e mantinha uma relação delicada. O passo foi acompanhado por outro ainda maior: saiu de casa e começou a tomar hormônio feminino e inibidores de testosterona. Os seios cresceram, os pelos diminuíram, a gordura corporal se redistribuiu. Nessa época, conheceu uma mulher trans, com quem ficou casada por quatro anos. Deixou de recorrer aos hormônios em 2008, mesma época em que seu casamento acabou. Resolveu colocar um pé no freio na transição porque uma identificação completa com o gênero feminino não era exatamente o que estava imaginando. “Dei um passo atrás, voltei para o meu casulinho e fiquei assim até 2012, fazendo cosplay de pessoa cisgênero.”

Esse risco ela não corre mais. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou, em 1º de março, pessoas trans a mudar de nome e sexo nos documentos de identificação sem necessidade de cirurgia, o que foi regulamentado, em junho, pelo Conselho Nacional de Justiça. Em agosto, Mar aproveitou as férias para dar entrada no pedido de alteração do nome de registro. ”Mais confusão para os outros, mais tranquilidade interior para mim.”

O conceito de não binaridade é relativamente novo: chegou ao Brasil há cerca de oito anos. Recentemente, veio à tona após o desaparecimento de Matheusa Passareli, aluna de artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Morta no início de maio por traficantes do Morro do Dezoito, em Água Santa, Zona Norte do Rio de Janeiro, seu corpo não foi encontrado até hoje. Nos Estados Unidos, o termo começou a ficar mais popular na década de 90, quando apareceram as palavras “genderqueer” e ‘non-binary”, usadas para falar de pessoas que não se identificavam nem com o gênero masculino nem com o feminino. Ao longo da história da humanidade, entretanto, muita gente já se sentia como Mar. No século XV, antes da chegada dos colonizadores europeus, membros da tribo indígena americana Dois Espíritos acreditavam que dentro de um mesmo corpo havia um espírito de homem e um de mulher. No dia a dia, eles vestiam roupas e executavam o trabalho de ambos os gêneros.

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Conhecer um pouco mais sobre essa tribo fez Nuaj del Fiol, de 24 anos, entender que o que passava por sua cabeça não era exclusivo. Começou a externalizar isso em 2016, quando resolveu contar para seu pai que era pessoa não binária, o que não foi muito bem compreendido. Como não se considerava nem menina nem menino, Nuaj passou a usar pronomes e adjetivos neutros para falar de si. “Para mim, não é ela nem ele. É elu mesmo.”

Elu (pronuncia-se êlu) é o pronome mais usado na linguagem não binária para substituir “ela” ou “ele”. Há, ainda, outras formas, como ilu (ilú) e el.  Já os adjetivos ganham um “e” como vogal temática, proposta da comunidade LGBTQ + justamente para evitar o binarismo de gênero     gramatical. É também uma alternativa ao @ – bastante usado no começo dos anos 2000 entre feminista que se incomodavam com os efeitos excludentes da língua – e ao “x”, que ganhou força recentemente ao ser adotado por pessoas trans, queer e não binárias como forma de desconstruir a dicotomia entre masculino e feminino. Ambos os empregos foram questionados por terem suas interações orais limitadas, explicou o professor da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Rodrigo Borba, autor do livro O (des)aprendizado de si: transexualidades, interação e cuidado em saúde, publicado pela editora Fiocruz.

Nuaj contou que, mesmo sem se dar conta, sempre questionou a imposição de gênero. Cortou as madeixas no estilo “Joãozinho” pela primeira vez quando estava na primeira série do ensino fundamental. Também não entendia o por que de ter de frequentar o banheiro feminino. Quando entrou num banheiro masculino foi puxade (passamos a empregar o “e” não binário para nos referirmos a Nuaj) pela orelha pela professora. Passou boa parte de sua infância e adolescência sendo chamade de sapatão. Até pouco tempo atrás, tinha inflamações na pele e na garganta; para   elu, somatizações de seu sofrimento.  Há aproximadamente dois anos, quando descobriu e começou a entender a não binaridade, teve a sensação de que não tinha nem mesmo um nome para chamar de seu. O nome de registro já era uma peça pregada pelo destino. Natália significa “nascimento”, e del Fiol ‘do filho”: uma previsão irônica de que não se enquadraria na binaridade dos gêneros. Numa de suas buscas interiores, tirou algumas horas para meditar. Ouviu de suas vísceras um som que fazia ”nuuuuaaaaau. Renasceu. A partir daquele momento passou a se chamar Nua. O “J” foi acrescentado posteriormente, por sugestão de uma numeróloga.

Nascide em Campinas, veio para Rio há quatro anos com o objetivo de estudar: é alune de artes na Universidade Federal Fluminense (UFF) e está se formando em artes cênicas na Casa das Artes de Laranjeira (CAL). Vive sozinhe com uma gata em um apartamento no Flamengo, na Zona Sul, para onde se mudou em março. Na portaria, um senhor de idade diz: ”A Nuaj mora no quinto andar”, Elu contou que inda não explicou a ele que é uma pessoa não binária e, por isso, sofre diariamente ao sair de casa. “Não consigo sair de bigode de manhã porque o porteiro vai me olhar estranho. E ele é um senhorzinho tão amigável…”

A desconstrução da aparência feminina tem sido a parte mais dolorosa de seu processo. Comprou uma calcinhona, que cortou para fazer um top e esconder os seios. Deixou de depilar as pernas, e conquistou uma leve penugem no buço com a ajuda de alimento que contribuem para os pelos crescerem, como semente de girassol. ”Eu gosto do meu corpo, mas tenho uma disforia social. Quando me falam que sou ela, tento me esconder”.

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Quando criança, Sophi Saphirah, de 21 anos, achava que era um menino, seu gênero designado. Nascida em Uberlândia e filha de mãe solteira e evangélica, ainda adolescente não se reconhecia como transexual. Associava o termo à figura de um homem vestido de mulher. Hoje se considera uma pessoa não binária, mas prefere ser chamada no feminino, já que nega a construção social do que é ser homem. “Às vezes não quero pensar sobre isso, só quero ser. Não tenho exigência de ser tratada no gênero neutro, aceito o feminino sem problemas”, contou Sophi, amiga de Nuaj e estudante de artes cênicas na CAL.

Professora de psicologia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Jan iro (IFRJ) e transexual, Jaqueline Gomes de Jesus destaca que o Brasil tem uma educação muito conservadora e rígida nos estereótipos de gênero. Para ela, nossa cultura tem imagens tradicionais: pressupõe que as meninas são gostar de rosa, usar saia e brincar de boneca, enquanto os meninos vão preferir o azul, trajar calça e jogar bola. Para Sophi, uma cor não exclui a outra. Seus cabelos, longos e ondulados, foram tingidos de rosa e azul. Ela é bem alta, esguia. Sua pele é tão branca que beira o translúcido. O olhar é vago, e a fala cuidadosa e reflexiva, como se escolhesse cada palavra. Passou pelo processo de transição no ano passado, depois de uma professora proibir de interpretar um personagem que tinha características trans numa peça.    Começou a pensar sobre si e, de lá para cá, vem se questionando. Tomou hormônio feminino e inibidor de testosterona porque não queria ser vista como bicha, menino gay. “As pessoas têm cabeças binárias. Seria natural eu ter barba, por exemplo, mas é uma coisa que eu não suporto por causa da leitura social que isso representa. Muita gente olha para ver se eu tenho peito ou pau.”

Embora não tenha vontade de se submeter a cirurgias, Sophi fez modificações estéticas para ser lida socialmente como mulher e evitar situações transfóbicas – chegou a ser ameaçada com um pedaço de madeira. Episódios como esse são comuns. Informações do Grupo Gay da Bahia (GGB), que há 38 anos coleta estatística sobre assassinatos de homossexuais e transgênero no país. revelam que o Brasil é o país que mais mata LGBTQ+ no mundo. Só no ano passado, 445 pessoas foram vítimas fatais de crime homofóbico, número 30% maior do que em 2016. A assessora de Direitos Humanos e Minorias do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), promotora Eliane de Lima Pereira, recebe diariamente denúncias de violência, como o caso da transexual Bruna Andrade de César, internada à força por sua mãe em uma clínica psiquiátrica em maio. Apesar de lamentar a falta de dados mais precisos de crime contra essas pessoas, Pereira se mostra otimista com o protocolo de atendimento para mulher transexual e travesti na delegacia do Rio, lançado pela Polícia Civil também em maio. Para ela, estratégias para dar visibilidade àqueles cuja existência é negada são extremamente poderosas.

Sophi sabe que, mesmo sofrendo preconceito diariamente, é bastante privilegiada por ter apoio da mãe e poder trabalhar com teatro sem ganhar dinheiro por enquanto. “Gostaria de ver mais pessoas trans no mercado de trabalho. A maioria acaba se prostituindo para se sustentar.” Ela disse isso de forma enfática, enquanto brincava com seu gato na sala da casa em que mora sozinha. Já ao falar de sua vida pessoal, é muito discreta. Sua primeira relação mais séria, com uma pessoa não binária, começou há cerca de cinco meses. Amigues dizem que o casal se completa. E os perfis delus nas redes sociais, repletos de sorrisos e declarações atestam: estão muito felizes.

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GESTÃO E CARREIRA

DE ONDE VEM E DE ONDE VIRÁ O CLIENTE

Executivos de supermercados concentram o esforço em aplicativos e televendas.

de onde vem e de onde virá o cliente

Quais são os setores do varejo mais ancorados em lojas físicas e quais já colhem a maior parte das receitas na internet? Uma pesquisa obtida com exclusividade mostra qual é o grau de dependência desses negócios em relação a lojas físicas (em todos, a dependência entrou em queda mais acelerada desde 2016). O estudo abrangeu 537 dos maiores varejistas do Brasil. “As empresas líderes é que vão ditar o ritmo da mudança. Isso vai depender dos investimentos que elas fazem neste momento em novos canais e na experiência do cliente”, diz Daniel Domeneghetti, CEO da DOM Strategy Partners, consultoria que fez a pesquisa. Supermercados e hipermercados despontaram como os que mais investem em canais virtuais – 87% dos executivos responderam que concentram esforços para criar ou melhorar aplicativos móveis e televendas neste ano. No caso dos varejistas de moda, 67% dedicam mais atenção a canais como redes sociais, em que a venda nem sempre ocorre, mas que servem como entrada importante para que o consumidor compre em outro canal.

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ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 19-25 – PARTE III

alimento diário

Cristo com seus Discípulos

 

III – A incredulidade de Tomé, quando lhe foi feito o relato de tudo isto, motivando a segunda manifestação de Cristo.

1. Aqui está relatada a ausência de Tomé nesta reunião, v. 24. Aqui está escrito que ele era um dos doze, um participante do círculo dos apóstolos, que, embora agora fossem somente onze, já tinham sido doze, e em breve seriam doze outra vez. Eram somente onze, e um deles estava ausente. Os discípulos de Cristo nunca estarão todos reunidos, até a assembleia geral, no grande dia. Talvez a ausência de Tomé se devesse a alguma infelicidade, ou ele não estava bem, ou não tinha sido chamado, ou talvez tivesse cometido algum pecado ou tolice, ou foi distraído por negócios, ou por alguma visita, que ele preferiu a esta oportunidade, ou não veio por temer os judeus, e talvez tenha chamado de prudência e precaução aquilo que foi sua covardia. No entanto, com sua ausência, ele perdeu a satisfação de ver seu Mestre ressuscitado, e de compartilhar com os discípulos a alegria desta ocasião. Observe que sabem o que estão perdendo aqueles que se ausentam, descuidada­ mente, das assembleias solenes dos cristãos.

2. O relato que os outros discípulos lhe fazem, da visita que seu Mestre lhes tinha feito, v. 25. Na próxima vez que o viram, disseram-lhe, com suficiente alegria: “Vimos o Senhor”, e sem dúvida lhe contaram tudo o que tinha acontecido, particularmente a satisfação que Ele lhes tinha dado, mostrando-lhes suas mãos e seu lado. Aparentemente, embora Tomé não estivesse com eles naquela ocasião, ele não ficou longe deles por muito tempo. Aqueles que ficam ausentes por algum tempo não devem ser condenados como apóstatas para sempre. Tomé não é Judas. Observe com que alegria e triunfo eles contam: “‘Vimos o Senhor’, a visão mais consoladora que já tivemos”. Isto, eles disseram a Tomé:

(1) Para repreendê-lo pela sua ausência: “‘Vimos o Senhor’, mas você não o viu”. Ou, mais exatamente:

(2) Para informá-lo: ‘”Vimos o Senhor’, e desejávamos que você estivesse aqui, para vê-lo também, pois você teria visto o suficiente para ficar satisfeito”. Observe que os discípulos de Cristo devem se esforçar para edificar uns aos outros em sua fé mais sagrada, tanto repetindo o que ouviram àqueles que estavam ausentes, para que possam ouvi-lo de segunda mão, como também transmitindo o que sentiram e vivenciaram. Aqueles que, pela fé, viram o Senhor, e sentiram que Ele é gracioso, devem contar a outros o que Deus fez às suas almas, excluindo somente a ostentação.

3. As objeções que Tomé levantou contra as evidências, para justificar sua pouca disposição de aceitá-las. “Não me digam que vocês viram o Senhor vivo. Vocês são crédulos demais. Alguém fez vocês de tolos. Quanto a mim, ‘se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei”‘. Comparando isto com o que ele tinha dito (cap. 11.16; 14.5), alguns supõem que ele era um homem de tempemamento impertinente e rude, capaz de falar com irritação, pois nem todas as pessoas boas têm um bom temperamento. No entanto, houve muitos equívocos no seu comportamento nesta ocasião.

(1) Ele não tinha prestado atenção, ou não tinha dado a devida consideração, ao que Cristo tinha dito tão frequentemente, e também ao Antigo Testamento, que dizia que Ele ressuscitaria no terceiro dia. De modo que ele deveria ter dito: “Ele ressuscitou”, embora ainda não o tivesse visto, nem tivesse falado com alguma das pessoas que o tinham visto.

(2) Ele não teve uma consideração justa com o testemunho dos seus co-discípulos, que eram homens de sabedoria e integridade, e deviam ser dignos de crédito. Ele sabia que eles eram homens honestos. Todos os dez contribuíram para o testemunho com grande confiança, e ainda assim Tomé não conseguia se persuadir a dizer que o relato deles era verdadeiro. Cristo os tinha escolhido para que fossem suas testemunhas, deste mesmo fato, a todas as nações, e ainda assim Tomé, que pertencia à sua própria fraternidade, não permitia que eles fossem testemunhas competentes, nem confiava em nada além do que pudesse ver neles. No entanto, não era sua veracidade que ele questionava, mas sua prudência. Ele temia que eles fossem excessivamente crédulos.

(3) Ele tentou a Cristo, e limitou o Santo de Israel, quando desejou ser convencido pelos seus próprios métodos, caso contrário não se convenceria. Tomé não podia ter a certeza de que as marcas dos pregos que os apóstolos lhe disseram ter visto poderiam ser tocadas por seus dedos, ou que a ferida no seu lado suportasse a colocação da sua mão, nem era adequado lidar de maneira tão rude com um corpo vivo. Ainda assim, Tomé condiciona sua fé a esta evidência. Ou isto lhe seria permitido, e ele teria sua condição fantasiosa satisfeita, ou não creria. Veja Mateus 16.11; 27.42.

(4) A declaração aberta disto, na presença dos discípulos, era uma ofensa e um desencorajamento para eles. Não era somente um pecado, mas um escândalo. Assim como um covarde produz muitos covardes, um cristão cético também leva o coração de seus irmãos a se derreter como seu coração, Deuteronômio 20.8. Se ele tivesse pensado somente este mal, e tivesse coberto a boca com sua mão, para suprimi- o, seu erro teria permanecido consigo. Mas sua proclamação da sua infidelidade, e de maneira tão peremptória, podia ter péssimas consequências para os demais, que eram apenas fracos e hesitantes.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

SALTOS, RENDAS E OUTROS FETICHES

Preferência erótica por objetos inanimados ou partes do corpo, como pés, látex ou botas, mostra quão são enigmáticos os caminhos do desejo – e suscita controvérsias sobre os limites entre normal e patológico.

saltos, rendas e outros fetiches

Bernardo, de 40 anos, já perdeu as contas de quantas botas acumulou com o tempo, se 150 ou 200 pares. Em seu quarto, vários modelos – pretos, longos, brilhantes – estão alinhados, lado a lado.

Há variações de modelos militares, pilhas de específicos para motociclistas, indicados para fazer trilha, pares envernizados, de couro, além dos exemplares especiais de sua coleção – antigas botas de montaria inglesas que costuma usar. No entanto, Bernardo nunca montou um cavalo na vida. “Eu as uso durante a relação sexual. Elas são um fetiche para mim. “Ele adora também que seu parceiro use botas pesadas. A atração que sente por elas é tão grande que pode levá-lo ao clímax sexual mesmo sem a participação de outra pessoa.

O executivo bem-sucedido não tem problema nenhum em se classificar como fetichista. Quando, em chats na internet, procura pessoas com gosto semelhante, usa um nome que lembra o do imperador romano Gaius Germanicus (12 – 41 d.C), que recebeu o apelido de Calígula na infância por causa das botinhas (pequenas sandálias militares) que usava – quem sabe, o primeiro fetichista de botas famoso da história. No caso de Bernardo, porém, não são apenas elas que funcionam como estímulo erótico; ele se excita com couro de maneira geral. É possível pensar que há fetichismo quando, para atingir a excitação sexual ou o orgasmo, são necessários determinados objetos que lembram o corpo, partes do corpo ou estão relacionados às excreções.

Os favoritos incontestáveis da liga fetichista são os pés. Além deles, nada parece impensável no mundo colorido dos fetiches. Ao lado de clássicos como couro e borracha, utensílios como algemas, fraldas ou balões e mesmo ações como fumar podem se tornar o ponto­ chave do desejo.

Já Francisca, de 30 anos, adora vestidos de festa – não aqueles grandes, bufantes, mas os longos e justos. “Os vestidos me excitam e, quando estou usando um, imagino que fui raptada.” Ela é uma das poucas mulheres que assumem abertamente seu fetichismo. De maneira geral, a cena é dominada pelos homens. Não se sabe, porém, com exatidão qual a porcentagem de fetichistas na população, pois essa preferência surge frequentemente – isso quando o fato é mencionado nos consultórios do psiquiatra, psicanalista ou psicólogo – associada ao sadomasoquismo, voyeurismo ou exibicionismo.

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LIMITES IMPRECISOS

A distinção entre fetichismo e outras práticas sexuais costuma ser difícil, mas para os pesquisadores coloca-se principalmente a questão: a partir de que ponto uma pessoa é fetichista? Segundo o psiquiatra e terapeuta sexual Peter Fiedler, professor da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, não é fácil definir o que pode ser considerado “normal” quando se considera o poder de atração exercido por saltos altos ou lingeries provocantes sobre homens de qualquer orientação – até porque a sexualidade é desviante por natureza, como bem assinalou Sigmund Freud.

Freud já sabia que a passagem do “normal” para o “patológico” era fluida quando escreveu, em 1905, no primeiro de seus Três ensaios sobre a teoria da sexualidade: “Certo grau de (…) fetichismo, portanto, costuma ser próprio do amor normal, principalmente naqueles estágios da paixão nos quais o objeto sexual normal parece (…) inatingível. Para ilustrar quão presente pode ser a excitação sexual pelo fetiche, ele cita um trecho do romance Fausto, de Goethe (1749 – 1832). Nele, o personagem central está consumido de amor por Margarete. Como a união não é possível, ele pede ao demônio Mefisto: “Traze-me um lenço do seu seio/Um laço ao meu ardente anseio!”. Freud só falava em perversão patológica quando o fetiche suplantava qualquer outra possibilidade de satisfação, tornando-se objeto sexual exclusivo, sem o qual o desejo não pode ser satisfeito. Nesse caso, para ele, tratava-se de uma patologia. Atualmente psicanalistas e psicólogos são mais cuidadosos em classificar um fetichismo extremo como distúrbio sexual patológico. Aquilo que é estranho ou pouco usual não precisa ser obrigatoriamente patológico.

Os fetichistas se alegram com essa tendência. Bernardo e Francisca nunca se sentiram doentes por causa de suas preferências. Seus parceiros também jamais foram ameaçados por sua predileção fetichista. Esse é um ponto decisivo para o diagnóstico de distúrbios sexuais: o comportamento da pessoa afetada em um relacionamento serve de base para averiguar se há um problema grave. Quando fetichistas respeitam seu (sua) parceiro(a) e os interesses dele(a), está tudo bem.

Antigamente, esse tipo de comportamento seria considerado patológico, ainda que trouxesse satisfação pessoal e não prejudicasse os outros. Desde os anos 90, comportamentos e preferências foram se tornando pouco a pouco socialmente aceitáveis. Desde então, o desrespeito à esfera íntima e aos direitos de terceiros passou a ser o quesito decisivo para definir o que precisa de tratamento ou não.

Apesar de quase nunca sentirem sua necessidade como patológica, os fetichistas com frequência percebem muito cedo que seu comportamento sexual tende a ser diferente do de outras pessoas. Bernardo se pergunta se queria compensar alguma coisa ou simplesmente parecer mais masculino com o visual em couro, mas não e contra explicação convincente. Eu gosto porque me excita”, resume. Francisca vê a origem de seu fetichismo na relação com a mãe, muitas vezes doente e ausente. Em retrospectiva, diz: “O homem que me rapta em minha fantasia, quando estou usando vestidos maravilhosos, é como minha mãe, um tanto misterioso, poderoso”

Ainda assim, nem Bernardo nem Francisca conseguem explicar claramente o surgimento de suas preferências. Mesmo assim, suas reflexões indicam uma importante função dos fetiches: dar-lhes segurança. Segundo teoria do pediatra e psicanalista inglês Donald W. Winnicott (1896 – 1971), seu significado tem raízes nos chamados objetos de transição dos primeiros anos de vida, a partir dos quais as crianças encontram consolo na ausência da mãe (um cobertor ou um bichinho de pelúcia, por exemplo). Essa interpretação tem um paralelo com o significado etnológico dos fetiches: navegadores portugueses na Guiné foram os primeiros a cunhar o termo ao observar como membros de tribos da África ocidental usavam amuletos para se proteger de perigos e espíritos maus. Partindo desse princípio, psicanalistas passaram a interpretar a tendência ao fetichismo sexual como consequência de uma ligação insegura ou falta de ligação com a mãe durante a infância.

O psiquiatra e psicanalista americano Robert Stoller (1925 – 1991) também localiza na primeira infância a tendência ao fetichismo de nuances sadomasoquistas. Segundo ele, experiências traumáticas, como humilhações ou surras, acrescentam novos elementos ao desejo e ao prazer na idade adulta. Essa retomada de uma situação negativa da infância, Stoller classificou de perversão. “Um fetiche é uma história disfarçada de objeto, afirmou ele em 1991 depois de ter estudado o cenário do fetichismo em Los Angeles

RAZÃO E SENSIBILIDADE

Modelos psicanalíticos esclarecedores do fetichismo se mostram bastante plausíveis aplicados a cada caso, mas não podem ser comprovados empiricamente. Além do mais, as teorias não explicam por que apenas algumas pessoas cedem ao estímulo do fetiche. Na infância, todos são sensíveis a separações e se apegam a seus cobertores. No entanto, só alguns se tornam fetichistas. Parece que tudo depende da intensidade dos afetos. E mais: será que alguns são mais suscetíveis a estímulos fetichistas que outros?

Os psicólogos já quiseram descobrir isso no século passado. Contudo, até agora, ninguém nunca cogitou seriamente em considerar a existência de uma espécie de “gene do fetichismo”. A sexualidade humana é complexa demais para que uma única variante genética possa definir traços comportamentais de modo tão profundo. Certas predisposições, porém, poderiam se desenvolver de maneira a tornar uma pessoa mais suscetível ao surgimento de um fetichismo que outras. Possivelmente é congênita a forma como alguém estrutura suas ligações com os pais ou substitutos. Algumas variantes genéticas poderiam, então, tornar uma pessoa mais suscetível e outras mais resistentes.

“EXCITAÇÃO” DE LABORATÓRIO

Se o fetichismo for mesmo filogeneticamente determinado, um modelo animal talvez ajude. Há alguns anos, o pesquisador Michael Domjan, da Universidade do Texas em Austin, realizou um experimento com codornas-japonesas (Cotumix japônica). Aos machos foram apresentados bichos de pelúcia durante a copulação com fêmeas vivas, tornando-se assim um estímulo condicionado. Curiosamente, só cerca de metade dos animais copulou com o bicho de pelúcia, após a exposição ao estimulo. Conclusão: também entre as codornas-japonesas existem indivíduos mais suscetíveis ao fetiche que outros.

O único experimento conhecido desse tipo com seres humanos data dos anos 60. Naquela época, o cientista americano Stanley Rachman tentou induzir o fetichismo em laboratório: os sujeitos de sua pesquisa eram três psicólogos solteiros aos quais ele mostrou imagens de botas longas pretas. Quando juntou às imagens fotos de mulheres nuas, Rachman pôde registrar o surgimento de excitação sexual.

Dois anos mais tarde, demonstrou em um estudo subsequente, com seu colega Ray Hodgson, que um condicionamento adicional leva ao desenvolvimento de um fetichismo leve e temporário.

A experiência mostrou que também em seres humanos é possível condicionar a excitação sexual sob condições especiais pela apresentação de determinados objetos. No entanto, não ficou claro qual a influência dos genes. Também permaneceu incomprovada a suposição do pesquisador de que a combinação de um estímulo qualquer com a estimulação sexual na infância levaria ao surgimento de um fetichismo. Além disso, não se pode explicar qual a razão de não haver um número maior de fetichistas no mundo e por que objetos como travesseiros ou cobertores não se transformam em objetos do desejo, e sim coisas associadas ao corpo (quase sempre feminino).

Alguns pesquisadores consideram a predisposição o fator mais relevante: outros estão convencidos de que a origem está em acontecimentos marcantes; e há ainda os que explicam o desejo pelo objeto por meio da inveja do pênis freudiana, da suspensão do afeto ou de vivências eróticas na infância. No entanto, sem dúvida seria muito simplista atribuir ao fetichismo uma única origem. Resta o espanto sobre o que o cérebro humano é capaz de fazer em termos de abstração, fantasia e memória.

saltos, rendas e outros fetiches.3

O PODER MÁGICO DOS OBJETOS

“Artificial”, “falso” e “magia” são os significados da palavra feitiço, da qual advém fetichismo. Navegadores portugueses utilizavam esse termo para designar imagens de deuses da África ocidental. Na segunda metade do século 18, o magistrado francês Charles de Brosses (1709 – 1777) o usou em discussões científicas, relacionando-o à crença das populações primitivas no poder de objetos.

Em 1887, o psicólogo francês Alfred Binet (1857- 1911) associou pela primeira vez fetichismo e sexualidade. Segundo ele, um objeto adquiria significado erótico porque era percebido com estímulos sexuais naturais, de forma semelhante a um condicionamento pavloviano.

Em sua obra Psychopathia sexualis, o psiquiatra Richard von Krafft-Ebing (1840 – 1902) tratou detalhadamente dos comportamentos sexuais desviantes da norma como sadismo, masoquismo e fetichismo, os quais considerava patologias. Ele adotou o ponto de vista de Binel, do surgimento da preferência durante o período de amadurecimento sexual.

Já o médico e sexólogo alemão Magnus Hirschfeld (1868 – 1935) defendia uma abordagem sexual­ biológica: sua teoria da atratividade parcial afirma que todo ser humano tem certa preferência por determinadas características em uma pessoa – ou seja, um “fetichismo saudável com diferentes intensidades. O “fetichismo patológico” surgiria, então, quando uma única característica fosse supervalorizada e isolada do parceiro. Também para Sigmund Freud (1856 – 1939), certa preferência fetichista era normal.

Diferentemente de Binet e Krafft-Ebing, o psicanalista via a origem do fetichismo na primeira fase do desenvolvimento sexual.

Apesar de, ainda hoje, haver poucos dados sobre fetichistas, a maioria dos pesquisadores supõe que essa preferência ocorre sobretudo em homens. É provável que o motivo para isso tenha sua origem na história da evolução: enquanto a sexualidade feminina se orienta tendencialmente para a relação, os homens são quase sempre excitados por um estímulo-chave erótico.

Qualquer objeto específico pode ter efeito excitante sobre um fetichista, mas, considerando que quando se trata de sexualidade as composições podem ser as mais diversas, não é possível (nem desejável) restringir as possibilidades de prazer por meio de rótulos.

OUTROS OLHARES

AFOGANDO EM NÚMEROS

Os meninos têm uma vantagem comparativa em matemática e ciências? A constatação é falsa: eles tentam o campo em que são menos piores.

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Mesmo com um ponto de interrogação, meu título “Os meninos têm uma vantagem comparativa em matemática e ciências?” provavelmente soará sexista. Estou sugerindo que os meninos são melhores em matemática e ciências do que as meninas? Não, estou sugerindo que eles talvez sejam piores.

Considere primeiro o chamado paradoxo da igualdade de gênero, ou seja, a constatação de que os países com os mais altos níveis de igualdade de gênero tendem a ter as menores proporções de mulheres em comparação a homens em cursos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (CTEM).

Stoet e Geary pontuam isso bem: “A Finlândia se destaca na igualdade de gênero. As adolescentes do país superam os meninos em alfabetização científica e estão em segundo lugar no desempenho educacional europeu. Com esses altos níveis de desempenho educacional e de igualdade de gênero em geral, a Finlândia estaria pronta para acabar com a discrepância que existe entre os gêneros no ensino de CTEM. No entanto, paradoxalmente, o país tem uma das maiores discrepâncias de gênero do mundo em diplomas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Noruega e Suécia, também líderes em igualdade de gênero, não estão muito atrás – menos de 25% dos graduados em CTEM são mulheres”.

(Artigos recentes descobriram que o paradoxo se mantém em outras médias de educação, tais como cursos on-line abertos e maciços e em outras médias de comportamento e de personalidade. Os créditos da pesquisa são de Rolf Degen.)

Duas explicações para esse aparente paradoxo foram oferecidas. Primeiro, os países com maior igualdade de gênero tendem a ser mais ricos e possuem Estados de Bem-Estar Social maiores que países com menor igualdade de gênero. Como resultado, menos pessoas dependem da escolha de carreira. Mesmo que os campos de CTEM paguem mais, esperamos que pequenas diferenças de personalidade, que variam de acordo com o gênero, se tornem mais aparentes à medida que a renda aumente. Parafraseando John Adams, somente em um país rico as pessoas se sentem livres para perseguir seus interesses mais que suas necessidades. Se as mulheres estão um pouco menos interessadas nos campos de CTEM do que os homens, então espera-se que essa diferença se torne mais aparente.

Uma segunda explicação se concentra em habilidade. Algumas pessoas argumentam que há mais homens com níveis extraordinários de habilidade em matemática e ciências por causa da maior variabilidade masculina – a ideia de que eles seriam tanto os melhores como os piores na maioria das competências.

Vamos colocar essa hipótese de lado. Em vez disso, vamos pensar sobre os indivíduos e suas habilidades relativas em leitura, ciências e matemática – o que Stoet e Geary chamam de pontuação intraindividual. Agora, consideremos a figura na próxima página, baseada nos dados do teste do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), feito por, aproximadamente, meio milhão de estudantes de vários países. Concentrando-se nas cores, vermelho é para leitura, azul é para ciências e verde é para matemática. Pontuações negativas – pontuações à esquerda da linha vertical – indicam que as mulheres pontuam mais que os homens. Pontuações positivas indicam que os homens pontuam, em média, mais que as mulheres. Elas pontuam mais que eles em leitura em todos os países pesquisados. As mulheres também têm notas mais altas em ciências e matemática em alguns países.

Stoet e Geary também perguntaram para cada aluno em que assunto eles são relativamente melhores e, em seguida, classificaram por país. As diferenças foram ainda mais proeminentes. As mulheres não são apenas melhores em leitura. Até em países onde elas são, de acordo com o Pisa, melhores em matemática e ciências que os homens, na média geral elas se consideram relativamente melhores em leitura.

Mesmo quando as meninas superavam os meninos em como era o caso na Finlândia, elas geralmente se saíam ainda melhor em leitura, o que significa que sua força individual era, ao contrário da força dos meninos, a leitura.

Agora, considere o que acontece quando os alunos recebem o comando: “Faça algo em que você é bom!”. Falando francamente, a situação será mais ou menos assim: as meninas dirão que tiraram A em história e inglês e B em ciência e matemática, portanto, acharão que devem seguir seus pontos fortes e se especializar no uso das habilidades da história e do inglês. Os meninos dirão que tiraram B em ciências e matemática e C em história e inglês, portanto, acharão que devem seguir seus pontos fortes e fazer algo que envolva ciência e matemática.

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Note que isso é consistente com o estudo de Card e Payne sobre estudantes canadenses do ensino médio que abordei em meu texto “A discrepância de gênero não é o que você pensa”. Citando Card e Payne: “Em média, as mulheres têm aproximadamente as mesmas notas que os homens nos cursos preparatórios da universidade em matemática e ciências, mas notas superiores em inglês e francês e em outros cursos qualificantes que contam para as seis melhores pontuações determinantes de seus rankings universitários. Essa vantagem comparativa explica uma divisão substancial de diferença de gênero na probabilidade de cursar CTEM logo no final do ensino médio”.

E eu mesmo:

“Colocando de maneira simples (demais), os únicos homens que são bons o suficiente para entrar na universidade são aqueles que são bons em CTEM. As mulheres são boas o suficiente para entrar em campos não CTEM e CTENL Assim, entre estudantes universitários, as mulheres dominam nos campos não CTEM e os homens sobrevivem nos campos CTEM.”

Finalmente, Stoet e Geary mostram que as considerações acima também explicam o paradoxo da igualdade de gênero. Isso porque as diferenças intraindividuais são superiores na maioria dos países com igualdade de gênero. As diferenças intraindividuais no CTEM, por sexo, aumentam com a igualdade de gênero. Os meninos são mais propensos a ter a ciência como força relativa – ou seja, as mulheres podem ficar absolutamente melhores em tudo com a igualdade de gênero, mas são relativamente melhores em leitura. Abaixo, a figura mostra o percentual de mulheres que ingressam nos campos CTEM, que diminui com a igualdade de gênero.

A dominância masculina nos campos CTEM é geralmente vista por causa de uma vantagem masculina e uma desvantagem feminina – genética, cultural ou outra. Stoet e Geary mostram que o resultado pode, ao contrário, ser devido a diferenças na vantagem relativa. De fato, a teoria da vantagem comparativa nos diz que poderíamos levar isso ainda mais longe. Poderia ser o caso de os homens serem, em média, piores do que as mulheres em todos os campos. Mas eles se especializam no campo em que são menos piores, ou seja, ciência e matemática. Em outras palavras, os meninos poderiam ter uma desvantagem absoluta em todos os campos, mas uma vantagem comparativa em matemática e ciências. Não afirmo que a teoria é verdadeira, mas vale a pena pensar em um caso genuíno para entender como o mesmo padrão pode ser interpretado de maneiras diametralmente diferentes.

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GESTÃO E CARREIRA

MAIS ROBÔS, MAIS PRODUTIVIDADE

Eles avançam nas fábricas. Alguns até ajudam seres humanos.

mais robôs, mais produtividade

“Densidade de robôs” vem se tornando um indicador-chave para as economias. O cálculo mostra quantos robôs trabalham na indústria, em proporção ao número de colegas humanos. Densidade alta sugere maior produtividade; crescimento acelerado do indicador serve de alerta, por causa da tendência de substituição da mão de obra humana (cuja requalificação exige tempo). Seus efeitos ganham importância diante dos números mais recentes – a venda global de robôs cresceu impressionantes 31% no ano passado, para 387 mil unidades, segundo o cálculo da IFR (Federação Internacional de Robótica) concluído em junho. O ritmo de vendas dobrou em relação aos anos anteriores e se mantém forte mesmo em economias maduras como a Alemanha. Um relatório do banco suíço Julius Baer constata que a densidade de robôs nas Américas, incluindo o Brasil, é de 84 robôs para 10 mil humanos, e que o indicador tende a dobrar até 2026 (Estados Unidos e Canadá puxam para cima os números do continente). A densidade na China vem atrás, com 68 robôs para 10 mil humanos, mas a velocidade de crescimento por lá é muito superior e o índice já deve mais que dobrar até 2020. O relatório, num trecho feito em conjunto com o Goldman Sachs Global Investment Research, indica cinco tendências responsáveis pelo crescimento das vendas dessas máquinas. A primeira delas é a difusão dos cobots, os robôs que trabalham em colaboração com humanos. Esse tipo de equipamento tende a ser menor, mais barato e mais flexível, em relação aos usados nas linhas de montagem totalmente automatizadas.

mais robôs, mais produtividade.2

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 19-25 – PARTE II

alimento diário

Cristo com seus Discípulos

 

II – O que foi dito e feito nesta visita que Cristo fez aos seus discípulos, e sua conversa com eles. Quando estavam reunidos, Jesus chegou entre deles, com sua própria aparência, mas com um véu encobrindo o esplendor do seu corpo, agora começando a glorificar-se, caso contrário Ele teria ofuscado seus olhos, como na sua transfiguração. Cristo pôs-se no meio deles, para dar-lhes uma amostra do cumprimento da sua promessa, de que, onde dois ou três estiverem reunidos no seu nome, aí estará Ele no meio deles. Ele chegou, embora as portas estivessem cerradas. Isto não enfraquece, de maneira nenhuma, a evidência de que Ele tinha um corpo humano real depois da sua ressurreição. Embora as portas estivessem cerradas, Ele sabia como abri-las, sem fazer nenhum ruído, e entrar de modo que eles não pudessem ouvi-lo, da mesma maneira como anteriormente Ele tinha caminhado sobre as águas, e ainda tinha um corpo verdadeiro. É um consolo para os discípulos de Cristo, quando suas assembleias solenes são reduzidas à privacidade, que nenhuma porta possa impedir a presença de Cristo junto deles. Temos cinco aspectos nesta aparição de Cristo:

(1) Sua saudação gentil e familiar aos seus discípulos: Ele lhes disse: “Paz seja convosco!” Estas não eram palavras vazias, embora normalmente sejam assim usadas nos encontros de amigos, mas uma bênção solene e incomum, conferindo a todos eles os frutos e os efeitos abençoados da sua morte e ressurreição. A frase era comum, mas o sentido era peculiar. “Paz seja convosco” é equivalente a: Todo o bem esteja com vocês, toda a paz e todo o bem estejam sempre com vocês, sem dúvida. Cristo lhes tinha deixado sua paz como seu legado, cap. 14.27. Pela morte do testador, o testamento passa a vigorar, e agora Ele ressuscitava dos mortos, para provar o testamento e para ser, Ele mesmo, seu executor. Com esta finalidade, aqui Ele faz imediato pagamento do legado: “Paz seja convosco”. Quando Ele deseja a paz, Ele faz a paz, cria “os frutos dos lábios, paz, paz”, paz com Deus, paz nas nossas próprias consciências, paz uns com os outros. Toda esta paz esteja com vocês, não a paz com o mundo, mas a paz em Cristo. Sua repentina aparição no meio deles, quando estavam cheios de dúvidas a seu respeito, cheios de temores a seu próprio respeito, não podia deixar de colocá-los em um estado de desordem e consternação, cujos reflexos Ele acalma com estas palavras: “Paz seja convosco”.

(2) Sua manifestação clara e inegável a eles, v. 20. Observe aqui:

[1] O método que Ele usou para convencê-los da verdade da sua ressurreição: Agora eles contemplaram, vivo, aquele a quem, dois ou três dias antes, multidões tinham visto morto. Agora a única dúvida era se este que eles contemplavam vivo era o mesmo corpo que tinha sido visto morto, e ninguém poderia desejar uma prova melhor do que as cicatrizes ou marcas dos ferimentos no corpo. Agora, em primeiro lugar, as marcas dos ferimentos, marcas muito profundas (embora sem nenhuma dor ou nenhum desconforto), permaneceram no corpo do Senhor Jesus, mesmo depois da sua ressurreição, para que pudessem ser demonstrações da verdade da ressurreição. Os vencedores se gloriam nas marcas dos seus ferimentos. Os ferimentos de Cristo devem testificar na terra que se trata dele mesmo, e, portanto, Ele ressuscitou com eles. Eles também falam, no céu, na intercessão que Ele vive para fazer. Portanto, Ele subiu com estes ferimentos, e assim apareceu “no meio do trono… um Cordeiro, como havendo sido morto”, ensanguentado, Apocalipse 5.6. Aparentemente, Ele virá outra vez com suas cicatrizes, para que possam ver “aquele que traspassaram”. Em segundo lugar, Ele mostrou estas marcas aos seus discípulos para convencê-los. Eles não somente tiveram a satisfação de vê-lo apresentando a mesma aparência, e ouvi-lo falar com a mesma voz com que tinham se acostumado durante tanto tempo, Estes eram seus gestos, estes eram seus olhos e suas mãos!, mas tiveram a evidência adicional destas marcas peculiares: Ele lhes mostrou suas mãos, para que pudessem ver as marcas dos ferimentos nelas. Ele lhes mostrou seu peito, como a ama faz com a criança, para mostrar-lhes a ferida em seu lado. Observe que o Redentor exaltado sempre irá se apresentar com as mãos abertas, e o coração aberto, a todos os seus fiéis amigos e seguidores. Quando Cristo manifesta seu amor pelos crentes, pelos consolos do seu Espírito, isto lhes garante que, porque Ele vive, eles também viverão. Então Ele lhes mostra suas mãos e seu lado.

[2] A impressão causada neles, e o bem que isto lhes fez. Em primeiro lugar, eles ficaram convencidos de que viam o Senhor de modo que sua fé foi confirmada. A princípio, eles pensaram estar vendo somente uma aparição, um fantasma. Mas agora eles sabiam que era o Senhor em pessoa. Assim, muitos crentes fiéis, que, enquanto eram fracos, temiam que seus consolos fossem apenas imaginários, depois os descobrem, por meio da graça, reais e substanciais. Eles não perguntam: É o Senhor? Mas têm certeza, é Ele. Em segundo lugar; “os discípulos se alegraram”. Aquilo que fortaleceu sua fé despertou sua alegria. Crendo, eles se alegraram. O evangelista parece escrever com uma dose de arrebatamento e triunfo. “De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor”. Se o espírito de Jacó reviveu ao ouvir que José ainda estava vivo, como reviveria o coração destes discípulos, ao ouvir que Jesus está vivo outra vez? Isto, para eles, é como receber novamente a vida que havia sido levada pela morte. Agora se cumpriam estas palavras de Cristo (cap. 16.22): “Outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará”. Isto enxugou todas as lágrimas dos seus olhos. Observe que uma visão de Cristo irá alegrar o coração de um discípulo, em qualquer ocasião. Quanto mais virmos a Cristo, mais nos alegraremos nele, e nossa alegria nunca será perfeita, até que cheguemos onde o veremos como Ele é.

(3) A honrosa e ampla comissão que Ele lhes deu, de serem seus agentes na fundação da sua igreja, v. 21. Aqui temos:

[1] A introdução à sua comissão, que foi a repetição solene da saudação anterior: “Paz seja convosco”. Isto pretendia, ou, em primeiro lugar, chamar a atenção deles à comissão que Ele lhes iria dar. A saudação anterior pretendia acalmar o tumulto do seu temor, para que eles pudessem acompanhar calmamente as provas da sua ressurreição. Esta tinha a função de reduzir o impacto causado pela alegria, para que eles pudessem, tranquilamente, ouvir o que o Senhor ainda tinha a lhes dizer. Ou, em segundo lugar, incentivá-los a aceitar a comissão que Ele lhes estava dando. Embora isto os fosse envolver em uma grande quantidade de problemas, o Senhor ainda desejava a honra e o consolo deles naquele comissionamento. E, nesta questão, a paz estaria com eles. Gideão recebeu sua comissão com estas palavras: “Paz seja contigo”, Juízes 6.22,23. Cristo é nossa Paz. Se Ele está conosco, a paz é conosco. Cristo agora estava enviando os discípulos para que divulgassem a paz ao mundo (Isaias 52.7), e aqui Ele não somente a confere a eles, para sua própria satisfação, mas a confia a eles, para ser transmitida por eles a todos os filhos da paz, Lucas 10.5,6.

[2] A comissão propriamente dita, que soa muito grandiosa: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós”.

Em primeiro lugar, é fácil entender como Cristo os enviou. Ele indicou que eles dessem prosseguimento ao seu trabalho sobre a terra, e se dedicassem à divulgação do seu Evangelho e ao estabelecimento do seu reino entre os homens. Ele os enviou, autorizados com uma permissão divina, armados com um poder divino, enviou-os como embaixadores para tratar de paz, e como arautos para proclamá-la, enviou-os como servos para convidar para as bodas. Aqui eles são chamados apóstolos homens enviados.

Em segundo lugar, porém, como Cristo os enviaria, assim como o Pai o enviou, não é tão fácil de compreender. Certamente, as responsabilidades e os poderes atribuídos aos discípulos eram infinitamente inferiores aos do Senhor Jesus, mas:

1. Seu trabalho era do mesmo tipo que o dele, e eles deveriam prosseguir, começando onde Ele tinha parado. Eles não eram enviados para serem sacerdotes e reis, como Ele, mas somente profetas. Assim como Ele tinha sido enviado para dar testemunho da verdade, também eles. Não para serem mediadores da reconciliação, mas somente seus pregadores e divulgadores. Ele tinha sido enviado, não para que o servissem, mas para servir? Não para fazer sua própria vontade, mas a vontade daquele que o enviou? Não para destruir a lei e os profetas, mas para cumpri-los? Os discípulos também. Assim como o Pai o enviou às ovelhas perdidas da casa de Israel, também Ele os enviou a todo o mundo.

2. Ele tinha um poder para enviá-los igual ao poder que o Pai tinha para enviá-lo. Aqui parece estar a força da comparação. Pela mesma autoridade com que o Pai me enviou, Eu envio vocês. Isto prova a divindade de Cristo. As comissões que Ele fez tinham a mesma autoridade que aquelas que o Pai fez, e eram tão válidas e efetivas, em relação a todos os intentos e objetivos, como aquelas que Ele fez aos profetas do Antigo Testamento, em visões. As comissões de Pedro e João, designadas pela palavra clara de Cristo, são tão boas e válidas quanto aquelas de Isaías e Ezequiel, que foram designadas pelo Senhor que estava assentado no seu trono. Na verdade, são iguais àquela que foi feita ao próprio Mediador; em relação ao seu trabalho. O Senhor Jesus tinha uma autoridade incontestável, e uma capacidade irresistível para seu trabalho? Também eles as tinham, para desempenharem o seu. A expressão: “Assim como o Pai me enviou” é, de certa maneira, o relato do seu poder. Em virtude da autoridade que o Senhor Jesus recebeu como Mediador; Ele lhes deu autoridade, como seus ministros, para agirem por Ele, e em seu nome, em relação aos filhos dos homens, de modo que aqueles que os recebessem, ou rejeitassem, receberiam ou rejeitariam ao próprio Senhor J e­ sus, como também àquele que o enviou, cap. 13.20.

(4) A qualificação dos apóstolos para cumprir a incumbência que lhes foi dada, através da sua comissão (v. 22): “Assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo”. Observe:

[1] O sinal que Jesus usou para assegurar-lhes do dom que estava agora prestes a conceder-lhes, e para influenciá-los com este dom: ”Assoprou sobre eles”, não somente para lhes mostrar, por este sopro de vida, que Ele mesmo estava realmente vivo, mas para lhes indicar a vida espiritual e o poder que eles iriam receber dele, para todos os serviços que estivessem à sua frente. Provavelmente, Ele assoprou sobre todos eles juntos, não sobre cada um, individualmente, e, embora Tomé não estivesse com eles, ainda assim o Espírito do Senhor sabia onde encontrá-lo, como encontrou Eldade e Medade, Números 11.26. Aqui Cristo parece referir-se primeiro à criação do homem, por ocasião do sopro do fôlego da vida nele (Genesis 2.7), e indicar que Ele mesmo era o autor desta obra, e que a vida espiritual e a força dos ministros e cristãos derivam dele, e dependem dele, tanto quanto a vida natural de Adão e da sua semente. Assim como “o sopro do Todo-Poderoso” deu vida ao homem e deu início ao mundo antigo, também o sopro do poderoso Salvador deu vida aos seus ministros e deu início a um mundo novo, Jó 33.4 (versão RA). Isto nos evidencia, em primeiro lugar, que o Espírito é o sopro de Cristo, procedente do Filho. O Espírito, no Antigo Testamento, é comparado a um sopro (Ezequiel 37.9): ”Vem… ó espírito”. Mas o Novo Testamento nos diz que é o sopro de Cristo. O sopro de Deus indica o poder da sua ira (Isaias 11.4; 30.33), mas o sopro de Cristo significa o poder da sua graça. O sopro da ameaça é transformado nos sopros de amor, graças à mediação de Cristo. Nossas palavras são pronunciadas pelo nosso sopro, também a palavra de Cristo é “espírito e vida”. A palavra vem do Espírito, e o Espírito acompanha a palavra. Em segundo lugar, que o Espírito é o dom de Cristo. Os apóstolos transmitiam o Espírito Santo com a imposição de mãos, sendo estas mãos primeiro erguidas em oração, pois eles somente podiam suplicar esta bênção, e transmiti-la como mensageiros. Mas Cristo concedia o Espírito Santo pelo sopro, pois Ele é o autor do dom, e dele este dom se origina. Moisés não podia dar do Espírito que estava nele, mas Deus o fez (Números 11.17). Porém, Cristo o fez pessoalmente.

[2] A concessão solene que Jesus fez, representada por este sinal: “Recebei o Espírito Santo”, agora parcialmente, como um sinal daquilo que recebereis mais adiante, “não muito depois destes dias”. Agora eles recebiam mais do Espírito Santo do que já tinham recebido. Desta maneira, as bênçãos espirituais são dadas gradualmente, porque ao que tem, ser-lhe-á dado. Agora que Jesus começava a ser glorificado, mais do Espírito começava a ser dado. Veja cap. 7.39. Vejamos o que está contido nesta concessão. Em primeiro lugar, com ela, Cristo lhes dá a certeza da ajuda do Espírito no seu trabalho futuro, na execução da comissão que agora lhes era dada: “‘Eu vos envio’, e vós tereis o Espírito, que irá acompanhar-vos”. Agora o Espírito do Senhor estava sobre eles, para qualificá-los para todos os serviços que estavam à sua frente. Aqueles a quem Cristo emprega, Ele revestirá com seu Espírito, e lhes fornecerá todos os poderes necessários. Em segundo lugar, com ela, Ele lhes dá a experiência das influências do Espírito na sua situação atual. Jesus lhes tinha mostrado suas mãos e seu lado, para convencê-los da verdade da sua ressurreição, mas as evidências mais claras não operam, por si só, a fé. Um testemunho desta realidade é a infidelidade dos soldados, que foram as únicas testemunhas oculares da ressurreição. “Portanto, recebam o Espírito Santo, para operar a fé em vocês, e para abrir seu entendimento”. Agora eles estavam em perigo, por parte dos judeus: “Portanto, recebam o Espírito Santo, para operar a coragem em vocês”. Aquilo que Cristo diz a eles, Ele diz a todos os verdadeiros crentes: “Recebei o Espírito Santo”, Efésios 1.13. O que Cristo dá, nós devemos receber. Devemos nos submeter, e nossas almas, integralmente, às influências vivificadoras, santificadoras, do bendito Espírito, receber seus estímulos, e obedecê-los, receber seus poderes, e fazer uso deles. E aqueles que obedecem a esta palavra, como a um preceito, terão seus benefícios, como uma promessa. Eles receberão o Espírito Santo como o guia do seu caminho, e a primeira parte da sua herança.

(5) Uma ramificação especial do poder dado a eles pela sua comissão é particularizado (v. 23): “Àqueles a quem perdoardes os pecados”, exercendo devidamente os poderes que lhes vos confiados, estes ‘lhes são perdoados’, e eles poderão receber este consolo. E ‘àqueles a quem os retiverdes’, isto é, declarardes imperdoáveis, e sua culpa, obrigatória, os pecados ‘lhes são retidos’, e o pecador pode ter certeza disto, para sua tristeza”. Isto se segue ao seu recebimento do Espírito Santo, pois, se eles não tivessem um extraordinário espírito de discernimento, não teriam sido considerados adequados para serem depositários de tal autoridade, pois, no sentido estrito, esta é uma comissão especial aos próprios apóstolos e aos primeiros pregadores do Evangelho, que podiam distinguir quem estava “em fel de amargura e em laço de iniquidade”, e quem não estava. Através deste podei Pedro fulminou, com a morte, Ananias e Safira, e Paulo cegou Elimas. Mas isto deve ser interpretado como uma carta geral de privilégios à igreja e aos seus ministros, não assegurando uma infalibilidade de julgamento a nenhum homem ou grupo de homens no mundo, mas encorajando os fiéis representantes dos mistérios de Deus a se mante­ rem fiéis ao Evangelho que foram enviados a pregar, pois o próprio Deus se mantém fiel a ele. Os apóstolos, ao pregar a remissão, deviam começar em Jerusalém, embora esta cidade tivesse recentemente trazido sobre si a culpa pelo sangue de Cristo. “Vocês podem declarar perdoados seus pecados, nos termos do Evangelho”. E Pedro o fez, Atos 2.38; 3.19. Cristo, tendo ressuscitado para nossa justificação, envia os arautos do seu Evangelho para declarar iniciado o jubileu, já tendo feito a expiação, e por esta lei os homens serão julgados, cap. 12.38; Romanos 2.16; Tiago 2.12. Deus nunca irá alterar esta lei de julgamento, nem desviar-se dela. Aqueles a quem o Evangelho perdoar, serão perdoados, e aqueles a quem o Evangelho condenar, serão condenados, o que concede imensa honra ao ministério, e deve dar uma imensa coragem aos ministros. Os apóstolos e ministros de Cristo perdoam e retêm os pecados de duas maneiras, e ambas com autoridade:

[1] Pela doutrina legitima. Eles são comissionados a dizer ao mundo que a salvação deve ser obtida nos termos do Evangelho, e não em outros, e que encontrarão a Deus aqueles que disserem “amém” a isto. Sua condenação também se dará da mesma maneira.

[2] Por uma disciplina rígida, aplicando a regra geral do Evangelho a pessoas em particular. ”Aqueles a quem vocês admitirem na sua comunhão, de acordo com as regras do Evangelho, Deus irá admitir em uma comunhão consigo mesmo, e aqueles a quem vocês expulsarem da comunhão, por serem impenitentes e persistentes em pecados escandalosos e obstinados, estarão sujeitos ao julgamento justo de Deus”.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O ESTRANHO CASO DO GORILA INVISÍVEL

Estudo realizado há 19 anos aborda cegueira por desatenção ou inatencional, que nos impede de reconhecer mudanças no ambiente.

o estranho caso do gorila ivisível

Verão de 1999 nos Estados Unidos. Numa sala de aula, os professores Christopher F. Chabris, da Universidade Harvard, e Daniel J. Simons, da Universidade de Illinois, estão prestes a fazer uma pequena experiência muito curiosa com seus alunos do curso de psicologia.

“Por favor, assistam ao vídeo que vou projetar agora”, diz Chabris. “Vocês vão ver dois times jogando basquete, um de camisa branca e outro de camisa preta. Por favor, concentrem-se nos jogadores de camisa branca e contem os passes. Os estudantes acompanham o filme: não é fácil fixar-se na bola que quica de um lado para o outro da tela, mas ao fim da projeção a maior parte dos jovens acredita ter conseguido contar todos os passes.

“O que vocês acharam do gorila?”, pergunta Chabris em seguida. A plateia olha para ele com cara de espanto. Os dois professores de psicologia conduziam um estudo sobre um fenômeno já conhecido em neuropsicologia, mas até então nunca investigado a fundo: a cegueira por desatenção, chamada também de inatencional ou para mudanças.

Revendo o filme sem a missão de contar os passes, os estudantes percebem, estupefatos, que no meio dos jogadores, mais ou menos na metade da gravação, passa um indivíduo fantasiado de gorila, que para no meio da quadra onde acontece a partida, bate no peito e continua andando, saindo da cena.

Com diversas variantes, o experimento do gorila, um dos mais notórios dos últimos anos na área da psicologia, (o vídeo está disponível em youtu.be/vjG698U2Mvo). De acordo com os mesmos pesquisadores, vários estudos similares com pessoas de todas as idades mostraram que cerca da metade daqueles que assistem às cenas de fato não notam a presença do animal, embora se trate de uma presença nada marginal. Como é isso possível?

ANTES DA PERCEPÇÃO

O fenômeno da cegueira por desatenção, que está por trás dos resultados obtidos com o experimento do gorila, consiste na incapacidade de perceber um estímulo inesperado presente no campo de visão quando estamos ocupados com outras tarefas que requerem maior concentração. Uma variante da cegueira inatencional é o túnel cognitivo, que se observa quando uma pessoa está muito focada em uma ação manual ou em seus próprios pensamentos e, assim, não presta atenção suficiente no ambiente à sua volta. Segundo alguns neurocientistas, esses direcionamentos da capacidade de apreensão são responsáveis por incidentes graves, incluindo os casos de abandono de bebês em carros devido a sobrecargas cognitivas que não permitem ao cérebro processar todas as informações em determinado intervalo.

Antes de ser adotado por Simons e Chabris, o termo “cegueira por desatenção” foi usado pelos psicólogos Arien Mack e Irvin Rock, pesquisadores da Universidade da Califórnia, em um livro publicado em 1998. O experimento do gorila também é uma releitura, tecnologicamente mais avançada, de um experimento conduzido em 1975 pelo um psicólogo cognitivista Ulric Neisser. Ele havia proposto um modelo cognitivo, o Human lnformation Processing, ou HIP, que considerava a mente como um processador de informações e o ser humano, como um sujeito ativo na seleção daquilo que vem passivamente do ambiente.

Segundo esse modelo, sucessivamente elaborado e aprofundado por outros cientistas, os estímulos externos capturam a atenção e atingem o nível de conhecimento ou percepção (do inglês, awareness) em dois estados de elaboração. No primeiro, a atenção é capturada, por exemplo, porque o estimulo externo é peculiar ou inesperado; já a awareness é alcançada quando o estímulo chega à consciência do observador. Tomando por base esse modelo, a cegueira inatencional acontece quando algo interfere na passagem de um nível ao outro.

Isso pode ocorrer porque existe no ambiente alguma coisa que atrai a atenção na direção do estimulo, mas não é suficiente para trazê-lo ao nível consciente, ou então porque falta o esforço sustentado necessário para que uma percepção chegue ao âmbito do conhecimento. Há casos em que uma memória implícita, uma recordação de situações semelhantes, pode preceder a percepção consciente e interferir no estímulo real (é o que acontece, por exemplo, quando realizamos alguns gestos habituais, mesmo se no ambiente existe algo que deveria nos induzir a um comportamento diferente). Ou seja: um estimulo inesperado pode não ser percebido, assim como ocorre no experimento do gorila.

BASES NEUROFISIOLÓGICAS

Há muito tempo psicólogos se perguntam se as nossas intenções, necessidades e expectativas influenciam o que percebemos. O tema é importante não apenas para entender a maneira como exploramos o mundo interagimos com o ambiente, mas também para compreender, por exemplo, o quanto podemos confiar na nossa memória, especialmente quando se trata de um evento que presenciamos.

Em 1890, o filósofo e psicólogo William James escreveu no seu Princípios de psicologia que a capacidade da nossa consciência é limitada porque não podemos prestar atenção em tudo aquilo que acontece ao nosso redor. O próprio James já havia distinguido, muito antes de ser possível estudar as áreas cerebrais envolvidas nos processos atencionais, uma atenção “autogerada” (por exemplo, no caso de odores penetrantes ou de estímulos que sobres saem ao fundo, como uma mulher vestida de vermelho em meio a uma multidão de homens de preto) e uma atenção induzida, como aquela que alcançamos nos concentrando voluntariamente em determinado estímulo. No primeiro caso, trata-se de um fenômeno que nasce “de baixo”, porque o estímulo é tão saliente que sobressai aos outros. No segundo, o processo e induzido “do alto” e estão envolvidas regiões cerebrais mais específicas e complexas. Em 1985, um grupo de pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde Mental, dirigido por Robert Desimone, nos Estados Unidos, descobriu que no córtex visual de macacos, sobretudo na área V4, destinada à percepção da cor, alguns neurônios são mais ativos quando o animal fixa o olhar sobre o objeto colorido, mas são muito menos ativos quando o animal nota o objeto, mas não se concentra nele. Com humanos o funcionamento parece ser bastante similar. Consequentemente, a atenção que colocamos em um estímulo influencia a maneira como o percebemos, inclusive em relação a suas características básicas, como forma ou cor.

ASSEMBLEIAS DE NEURÔNIOS

Outro problema que a neurociência resolveu, e que explica em parte o fenômeno da cegueira inatencional, diz respeito à percepção do objeto como um todo. Cor, forma e tamanho de um objeto são apreendidos em áreas diferentes do córtex: para que o reconhecimento ocorra em nível consciente, é necessário que todas essas informações sejam integradas. Como acontece esse processo?

Uma possível explicação deriva dos estudos de Christoph van der Maisburg, da Universidade do Ruhr, na Alemanha, que formulou a hipótese da existência de uma atividade sincronizada entre os neurônios que percebem o mesmo estímulo: essencialmente, as células formam “assembleias de neurônios, cuja importância foi demonstrada sucessivamente por outros experimentos. O ganhador do Nobel Francis Cricke e o neurocientista Christof Koch afirmaram, no início dos anos 90, que somente os sinais que provêm de assembleias de neurônios são suficientemente potentes para chegar até a consciência; todos os outros são percebidos apenas de modo fragmentado.

A expectativa também ajuda o surgimento da awareness, como demonstraram alguns estudos de estímulos acústicos. Quando uma pessoa se concentra nos sons em determinada faixa de altura, os neurônios predispostos a perceber sons daquela altura são mais ativos do que os outros. É graças a esse mecanismo que conseguimos, por exemplo, acompanhar uma conversa num ambiente muito barulhento: aquilo que esperamos ouvir influencia o que realmente ouvimos e exclui em parte os outros sons.

O fenômeno do gorila invisível se manifesta, portanto, em todas as outras modalidades de percepção, da sonora à tátil. Existe também um fenômeno, chamado “piscar atencional”, que faz com que um indivíduo que realiza duas tarefas perceptivas (por exemplo, deve identificar as bolinhas verdes e os X pretos que aparecem aleatoriamente numa tela em meio a outras letras) tenderá a não perceber o segundo estímulo-alvo se ele aparecer muito precocemente. Por exemplo, se os X pretos aparecem entre 200 e 300 milésimos de segundo depois da bolinha verde, não são de fato percebidos completamente, mesmo que, obviamente, tenham sido vistos. Esse hiato de atenção é muito importante em situações de sobrecarga no ambiente e “apaga” de fato uma parte da realidade percebida.

A COR DA EMOÇÃO

Ainda que a consciência requeira atividade de numerosas regiões cerebrais, são poucas as responsáveis pela cegueira inatencional. Segundo alguns estudos, trata-se de uma rede que compreende parte do córtex frontal e das regiões parietais, além da amígdala. Esta última estrutura, que é como uma pequena central das emoções, fornece uma base anatômica para a influência que o estado emotivo exerce sobre as percepções. É provável que tanto o córtex frontal quanto a amígdala possam facilitar ou interferir nos fenômenos de sincronização dos neurônios.

Se um estímulo corresponde àquilo que esperamos ver, os sinais na entrada são reforçados. E vice-versa, se o estímulo é inesperado no meio de estímulos esperados, ele é suspenso, exatamente como acontece com o gorila. A sincronização neuronal é, portanto, um instrumento essencial para pôr em ordem os milhares de informações às quais o cérebro é exposto e que, se chegassem todas à consciência, provocariam rapidamente um colapso. Ao mesmo tempo, o experimento do gorila e, sobretudo, as sucessivas análises dos mecanismos neurofisiológicos na base do fenômeno, demonstram que o cérebro é tudo menos passivo nas relações com o ambiente: ele seleciona, escolhe e reforça apenas aquilo que quer.

EU NÃO VI!

Numa noite de janeiro de 1995, a central de polícia de Boston recebeu uma chamada de rádio: quatro rapazes negros haviam atirado num oficial de polícia e estavam fugindo de carro. Entre os perseguidores estava Michael Cox, um policial negro à paisana, especializado em seguir membros das gangues.

Na perseguição, Cox foi confundido com um dos fugitivos, parado por quatro colegas e espancado. Durante a agressão, outro policial, Kenneth Conte, passou a metros enquanto tentava alcançar outro suspeito. Ele não só não parou para prestar socorro ao colega como afirmou várias vezes não haver sequer notado o espancamento, mesmo sendo o único a admitir que se encontrava na vizinhança. Durante a ação, os colegas perceberam o terrível engano, mas, amedrontados, deixaram Cox caído no chão, ferido, com lesões graves que levaram seis meses para serem curadas.

Foi um escândalo: Conley foi acusado de falso testemunho por não querer (ou não poder) indicar os responsáveis. Levado aos tribunais, defendeu-se e continuou a afirmar que não tinha visto nada. Como seria possível não se dar conta de um espancamento tendo passado a poucos metros da vítima? O caso, que despertou imediatamente a curiosidade de Chabris e Simons, originou o vídeo do gorila e uma série de experimentos sucessivos, um dos quais, publicado em 2011 no periódico científico i-Perception, fornece provas que dão suporte à versão de Conley. Durante uma simulação dos acontecimentos (uma corrida noturna, com a tarefa de atenção sustentada de fixar e seguir um sujeito em fuga, e a encenação de um espancamento à margem da rua), apenas 35% dos participantes recrutados para o estudo notaram a vítima e os agressores. A mesma situação reproduzida à luz do dia induz a um fenômeno de cegueira inatencional na metade das pessoas. Diante disso, Kenny Conley, condenado em primeiro grau por falso testemunho, venceu a apelação contra o estado de Massachusetts.

OUTROS OLHARES

A VOLTA DA FOME

A desnutrição torna a crescer no Brasil e nos países vizinhos, provocando um desastre humanitário. Na América Latina e no Caribe falta comida para 47 milhões de pessoas.

a volta da fome

A culpa é da desigualdade. A falta de acesso a alimentos fez com que pelo terceiro ano seguido a fome e a desnutrição crescessem no Brasil, em países da América Latina e no Caribe, aponta o mais recente relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgado em Santiago do Chile, na quarta-feira 7. De acordo com o Panorama de Segurança Alimentar e Nutricional, elaborado com auxílio da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Programa Mundial de Alimentos (WFP), 6% da população regional passa fome, perfazendo 39,3 milhões de pessoas. Se acrescidos os desnutridos, os que não conseguem obter três refeições adequadas ao dia, esse número sobre 47,1 milhões (7,9%). Um crescimento de 5 milhões em relação ao período entre 2014 e 2016. Parece pouco, quando comparado com a África, onde a fome atinge 250 milhões de pessoas (21%). Mas há razões para preocupação, já que a região é uma importante produtora de commodities alimentícias. De acordo com Julio Berdegué, diretor da FAO, as causas merecem estudos aprofundados: “Não há razões técnicas, nem materiais”.

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CORTES NOS PROGRAMAS

O Brasil não escapou. Após tirar quase 14 milhões de pessoas da desnutrição, estamos de volta ao Mapa da Fome das Nações Unidas, de onde havíamos saído em 2014, quando menos de 5% da população ficou abaixo da linha da miséria. Em 2017, 11,7 milhões de brasileiros (5,6%) viviam com menos US$ 1,90 (R$ 7,22) ao dia, o que os tornou vulneráveis à desnutrição, mal que afeta principalmente idosos e crianças. Decorrentes da crise econômica e dos cortes orçamentários, o encolhimento dos programas sociais e de incentivo aos pequenos produtores dificulta o acesso a alimentos. De acordo com a FAO, hoje 5,2 milhões de brasileiros estão desnutridos, um aumento de 200 mil pessoas desde 2012. Algo vexaminoso para um país que colhe 300 milhões de toneladas anuais de grãos. “Precisamos avançar para que todos recebam cuidados devido à desnutrição e suas consequências”, disse Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).

Mas a situação é catastrófica mesmo na Venezuela. Hoje, 3,7 milhões de venezuelanos (11,7% da população) comem mal ou não tem o que comer. Um aumento de 600 mil pessoas desde 2015. Há falta crônica de comida, o que torna tudo mais grave e intenso do que nos demais países. Um levantamento de 2017 das universidades Andrés Bello, Simón Bolívar e Central da Venezuela apontou que 70% dos venezuelanos havia perdido peso. Na amostragem, a média de emagrecimento foi de seis quilos. Em 2012, antes da crise, os desnutridos somavam pouco mais de 1 milhão. Em 2002, eram 4,1 milhões, o que rendeu rasgados elogios internacionais ao mesmo governo bolivariano que agora fracassa inapelavelmente. O problema também persiste no Haiti (5 milhões, 45% da população) e no México (4,8 milhões, 3,8% da população), só que nos últimos três anos ambos os países apresentaram melhora. O mesmo ocorre na Colômbia e República Dominicana.

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PRODUTOS BARATOS

O relatório aponta que a exclusão é a principal causa da fome. Entre os mais pobres, em especial mulheres e crianças indígenas ou afro descendentes das áreas rurais, houve uma mudança no ciclo de produção e acesso à comida. “Enquanto muitos aumentaram o consumo de alimentos saudáveis, como leite e carne, outros precisaram optar por produtos baratos, com alto teor de gordura”, diz o estudo. O resultado é que também cresceu o sobrepeso e a obesidade, que já atingem 60% da população regional (250 milhões). A ONU defende a adoção de políticas contra a desigualdade e a criação de um sistema sustentável de produção de alimentos saudáveis. Caso contrário, lamentavelmente, continuaremos a viver num continente adoentado.

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GESTÃO E CARREIRA

OS ROBÔS, AS PESSOAS E O FUTURO DO TRABALHO

Pesquisa inédita mostra que os brasileiros subestimam o impacto da transformação digital e superestimam suas próprias qualidades. Novos profissionais e CEOs apontam o caminho para se manter tão relevantes quanto as máquinas.

os robôs, as pessoas e o futuro do trabalho

No maior fundo de pensão privado da Finlândia, Ilmarinen, a sigla HR, tradicionalmente indicativa de “Recursos Humanos” em inglês, agora significa Humanos & Robôs. A mudança tem sua dose de marketing. Mas acerta no traduzir, de forma sintética, desafios e ansiedades da maioria dos profissionais. A inteligência artificial avança sobre diferentes aspectos de nossas vidas e ganha adjetivos cada vez mais humanos – entre eles, “empática” e “emocional” (se ainda não ouviu, vai ouvir a respeito em breve). Ao mesmo tempo, escapam dos laboratórios e aproximam­ se do mercado diversas tecnologias que já teriam potencial revolucionário se avançassem individualmente. Combinados, tornam-se difíceis de imaginar os efeitos de inteligência artificial (I.A.), robótica, big data, internet das coisas, impressão 3D, blockchain, drones, veículos autônomos – e isso se ficarmos só no mundo da tecnologia da informação, sem pensar nos desdobramentos de edição genética, neurociências e chips implantados. CEOs, diretores de RH e outros profissionais em postos estratégicos precisam lidar com essas ondas consecutivas como indivíduos, pois seu próprio trabalho é afetado; e também como integrantes-chave de suas organizações, que precisam definir políticas e se posicionar a respeito. A mudança provoca ansiedade compreensível. Vamos finalmente desfrutar o luxo de trabalhar apenas algumas horas por semana, enquanto os bots lidam com as tarefas mais desagradáveis? Ou robôs vão roubar também empregos hoje considerados sofisticados e estratégicos, deixando muitos de nós como uma espécie de subclasse inútil?

A dúvida surge porque o avanço tecnológico vem borrando a fronteira entre o que é função só para humano, só para máquinas ou para ambos desempenharem juntos, em dupla (o que também será desafiador para muita geme). O debate homem x máquina persiste desde a Revolução Industrial, e as perspectivas mais pessimistas nunca se concretizaram. Há, porém, componentes novos na discussão. Seus contornos atuais foram dados pelo economista Carl Benedikt Frey, sueco, e o especialista em I.A. Michael Osborne, britânico, ambos pesquisadores na Universidade de Oxford. A dupla lançou, em 2013, um artigo científico que se tornou clássico instantâneo, prevendo que 47% dos empregos nos Estados Unidos estavam sob ameaça dos robôs. Desde então, publicam-se regularmente outros estudos, com diferentes métodos, que chegam a distintos graus de impacto.

Os mais esperançosos podem escolher se concentrar em expectativas como a do Fórum Econômico Mundial: o relatório mais recente da instituição sobre esse assunto afirma que 75 milhões de cargos atuais podem ser substituídos pela mudança na divisão do trabalho entre humanos, máquinas e algoritmos, mas ao mesmo tempo 133 milhões de novos cargos podem emergir.  Soa bem, com a ressalva de que não sabemos em quais pontos do globo haverá sumiço ou surgimento de postos. Mesmo os estudos mais conservadores concluem que caminhamos para a eliminação de milhões de empregos – cerca de um em cada dez postos de trabalho, mesmo em sociedades já muito automatizadas, instruídas e produtivas, como Alemanha, Estados Unidos, França e Reino Unido, segundo uma das mais detalhadas pesquisas a respeito, feita no Centro de Pesquisa Econômica Europeia (ZEW, na sigla em alemão). Em mudanças dessa magnitude, faz muita diferença o ritmo de aparecimento e a localização dos novos empregos criados pela tecnologia.

Um grande esforço de compreensão do tema está em andamento no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Trata-se da Força Tarefa Sobre o Trabalho do Futuro, que reúne 20 pesquisadores, autoridades em suas áreas. Um dos líderes do grupo é o economista David Autor, que vê duas facetas na questão. “Uma é entender e antecipar o papel do trabalho humano num futuro em que máquinas desempenham muitas das nossas tarefas tradicionais, as físicas e as cognitivas”, afirma “A outra é aproveitar a oportunidade para moldar o futuro.” O economista é da vertente de estudiosos que considera o tema merecedor de novas políticas públicas, a fim de que a sociedade tente direcioná-lo, em vez de esperar por suas consequências. Não sem motivo, Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional também vêm estudando o tema e fazendo alertas a respeito, principalmente para que governos e companhias invistam em educação e treinamento.

De acordo com o relatório do Fórum Econômico Mundial (WEF), hoje as máquinas realizam 29% das tarefas nos locais de trabalho. Pelas projeções, em quatro anos a automação vai cobrir perto de 30%, mesmo dos trabalhos considerados hoje demasiado humano, como comunicação, administração e tomada de decisões. Nesse período, o índice geral de tarefas realizadas por máquinas chegaria a 42%. Por esse cálculo, o jogo vira de vez em 2025, quando a previsão é que os robôs façam mais da metade de todas as tarefas. É uma mudança dramática. O estudo incluiu dados de 20 países, incluindo Brasil.

ENQUANTO ISSO, DENTRO DAS EMPRESAS…

Robôs não vão só substituir humanos. Vão também se tornar seus colegas. Em 2022, pelo menos 40% dos novos projetos de desenvolvimento de aplicativos contarão com I.A. como codesenvolvedora, segundo previsão do Gartner. Aprender rapidamente a trabalhar nessa dinâmica, assim como usar dados hoje na tomada de decisões, se tornará um fator decisivo nas carreiras.

Em qualquer cenário, CEOs e empresas vão ter papel fundamental a desempenhar. Junto com governos e sociedade civil, vão ter de percorrer um mapa em constante mutação. Por isso, organizações como a Siemens, desde a contratação, insistem com seus profissionais no tema da mudança. “É bem normal aqui as pessoas migrarem de área dentro da empresa, e elas precisam ter em mente que certas tecnologias têm ciclo de vida curto”, diz André lark, presidente da Siemens no Brasil.  “Para o profissional passar bem por muitos desses ciclos, precisa ter cada vez mais flexibilidade e curiosidade. Fiz quatro cursos desde que me tornei CEO, há um ano.” Juliana Azevedo, presidente da P&G no Brasil, faz alerta semelhante: ”Quero trabalhar com quem lida bem com ambiguidades e paradoxos.”

A grande questão para os líderes de negócio, como aponta pesquisa do professor de engenharia Ken Goldberg, da Universidade da Califórnia, não é se a I.A. vai roubar empregos (porque vai). A dúvida, para 120 entrevistados, é como máquinas e homens podem trabalhar juntos de maneiras diversas. Remontar o modus operandi de equipes, requalificar profissões inerentemente técnicas e conectar diversas habilidades em torno de um projeto – e não de um produto ou negócio – aparecem como grandes desafios das empresas. Medir habilidades mais criativas e de integração é a missão dos RHs.

Essas transformações, se administradas sabiamente, podem levar a uma nova era do trabalho, com bons empregos ocupados por humanos, usando suas capacidades mais refinadas para elevar a qualidade de vida geral. Cristina Palmaka, presidente da SAP no Brasil, gosta de chamar esse cenário benigno de “humanidade aumentada”. Se mal administradas, porém, as mudanças representam o risco de ampliar as lacunas de habilidades e a desigualdade – com implicações políticas e sociais potencialmente desastrosas.

Para evitar um cenário de “perda-perda”, o WEF defende que empresas, governos e pessoas se curvem no “imperativo da requalificação” (reskiling, em inglês). “Até 2022, 54% dos profissionais precisarão de treinamento significativo para aprimorar ou ganhar novas habilidades.” O problema é saber em quais competências investir, entre as técnicas (hard skills) e as comportamentais (off skills).

Criatividade era a décima habilidade mais demandada em 2015, segundo o WEF. Em 2018, é a quinta. Há três anos, no mesmo relatório, não se falava de “inteligência emocional”, “atenção aos detalhes” e “influência social”. Neste ano, as três aparecem entre as dez aptidões mais exigidas. A lista das competências que os CEOs querem em suas equipes só aumenta e se torna mais sofisticada. Diante do mercado em ebulição e da concorrência imprevisível das startups, é compreensível. Daniela Manique, presidente na América Latina da Solvay (dona da Rhodia), gosta de se cercar de executivos que sejam bons em ler pessoas, capazes de zelar pela qualidade de vida da equipe e sem apego a formalidades. “Isso não dá mais. Hoje, tem estagiário que vem me fazer pergunta por rede social. Temos de estar abertos a isso”, diz.

A mudança contínua também vale para novos conhecimentos técnicos. Há três anos, blockchain não era moda, computação quântica era vanguarda e I.A., “tecnologia emergente”. As competências exigidas mudam na mesma velocidade das tecnologias. “O número de pessoas que indicam” habilidades relacionadas a I.A. nos perfis do Linkedin quase triplicou de 2015 a 2017. Trabalhos fáceis de automatizar – assistente administrativo, representante de atendimento ao cliente, contador e mecânico – sofreram o maior declínio nos últimos cinco anos. “O grande desafio dos novos tempos não é criar novas funções. É como realizar a transição das pessoas”, diz Cezar Taurion, ex­ executivo da IBM, investidor e fundador de um instituto no Brasil para capacitação em I.A. Mesmo CEOs de empresas de tecnologia sofrem nesse cenário. ”Presidentes de grandes empresas convivem com essa pressão diariamente – o medo de deixar o bonde passar. Tenho consciência que nunca vou saber tudo”, diz Laércio Albuquerque, presidente da Cisco.

A despeito das incertezas, há aspectos – e números positivos – nesse cenário de transição. Até 2022, as ocupações emergentes de hoje devem crescer de 16% a 27% na base de funcionários de grandes empresas em todo o mundo. Por outro lado, as funções atualmente afetadas pela obsolescência tecnológica devem diminuir de 31% para 21%. Talvez você não tenha crescido sonhando em ser um “arquiteto de soluções na nuvem”, “ethical hacker”, “técnico em rastreabilidade com blockchain” ou um “previsor de calamidade cibernética”. Mas o jovem brasileiro precisa começar a ter esse sonho – e rápido.

A ELEVADA AUTOESTIMA PROFISSIONAL DO BRASILEIRO

A fim de compreender como o brasileiro lida com as ondas de mudança no mercado de trabalho, foi feita uma pesquisa com 980 profissionais de empresas localizadas em grandes centros urbanos do país. Do total de entrevistados, 25% já sentiram que a tecnologia e suas transformações afetaram negativamente o trabalho que realizam, e 10% acham que vão sentir efeitos em breve. A despeito disso, 87% se sentem capazes de se adaptar à nova realidade.

Uma análise mais detida dos dados mostra que o brasileiro superestima suas capacidades. Dos 75% que afirmam estar preparados para a transformação digital, 42% não conhecem ou não têm nenhuma das 14 competências digitais mais desejadas por empregadores de acordo com o Linkedin. “Vejo um descasamento de tempo. Por mais que as pessoas estejam otimistas e busquem novas competências, as demandas mudam mais rápido. Isso impacta quem já está no mercado e quem está entrando”, diz Leandro Herrera, fundador da Tera.

Não há diferença expressiva entre o perfil de quem diz estar sofrendo com o avanço tecnológico e quem afirma o contrário. “Isso derruba muitos mitos sobre a adoção de tecnologia e novos comportamentos digitais. A transformação afeta todos, independentemente da idade, formação e profissão. É só questão de tempo para impactar todos”, diz Caio Casseb, fundador da Scoop&Co. Uma minoria de profissionais parece conseguir, individualmente, administrar a própria carreira para “surfar” a mudança. O que nos leva de volta à responsabilidade compartilhada com as empresas.

O prazo médio necessário para reciclar um profissional de acordo com as “disrupções” varia de país para país. Segundo o WEF, é de 83 dias para empresas localizadas na Suíça e em torno de 90 dias para companhias no Brasil. Este número é menor do que o visto em países como Alemanha e França. “Isso envolve política educacional no país. Quando a mudança de currículo chega, as tecnologias já são outras. O problema do trabalho hoje tem contornos muito claros mas a resolução é diferente para cada país e organização”, diz Cassio Dreyfuss. VP de pesquisas do Gartner.

 O QUE DIZEM OS NOVOS PROFISSIONAIS

Por aqui, a transformação digital está só começando. O uso de I.A. difundiu­ se há poucos anos, segundo análise de David Dias, diretor da Accenture para a área. “Essa tecnologia começou mesmo a ser trabalhada no Brasil há três ou quatro anos. Teve um crescimento exponencial e, no ano passado, calculamos de 500 a 600 empresas utilizando alguma aplicação com esse apelo.”

O uso de dados para gerar automação, manutenção preditiva e inteligência nos negócios também é recente (embora se fale disso há muito tempo), como atesta a busca atual de empresas por cientistas de dados. “A média do mercado não estava pronta para essa conversa, porque não vinha trabalhando com históricos de dado, com programas de fidelidade e base de clientes. Era uma questão de ir à loja, comprar e acabou. Temos casos de empresas que criaram essa fundação e hoje usam machine learning para analisar dados. Mas ainda é um luxo”, diz Gustavo Pacheco, head de Growth do Google. A área do executivo, responsável por ajudar empresas do varejo a se conectarem digitalmente, surgiu há dois anos.

Para melhor entender como tecnologias causam impacto no emprego, entrevistamos 25 brasileiros que ocupam cargos considerados novos em empresas de vários setores. O que as entrevistas mostraram é que na 4ª revolução industrial as profissões consideradas novas só existem se forem desempenhadas em combinação a outras. “O designer de experiência do usuário [UX] não consegue fazer o trabalho sozinho – precisa do analista de negócios, do cientista de dados, de especialista em comportamento do usuário”, diz Leandro Herrera, da Tera.

Além disso, uma nova competência técnica, como criar sistemas com blockchain, vale tanto quanto o entendimento de como ele pode ser útil no negócio. “O maior desafio na minha área é entender como o modelo de algoritmos se integra à jornada de trabalho do banco. Do contrário, vou passar dois anos produzindo conhecimento inócuo, que não gerará melhor atendimento nem maior eficiência”, diz Rafael Cavalcanti, que lidera uma equipe de 50 pessoas no Bradesco, entre analistas, gerentes de negócios, cientistas estatísticos.

O banco sempre gerou dados para analisar o perfil dos clientes. O que muda atualmente, segundo Rafael, é a velocidade com que a sua equipe precisa apresentar resultados. “Precisamos priorizar o que está caminhando na esteira com a área de negócios e ir entregando aos poucos, mesmo que não seja o produto final.” É o método ágil que valoriza as entregas incrementais, chamado de Minimum Viable Product (MPV). Um modelo que valoriza a formação de pequenos squad, grupos multidisciplinares voltados ao desenvolvimento rápido de projetos (também apelidados de “pizza team”, o time que pode se alimentar de uma pizza). “Não adianta ter dez gênios atuando isolados como cientistas de dados, se milhares de pessoas trabalham como faziam há dez anos, tomando decisões baseadas em critérios subjetivos, sem orientação coerente”, diz Matheus Goyas, diretor da Somos Educação e fundador do AppProva.

Na empresa, o banco de dados é acessível a todos os funcionários. São os cientistas de dados que o alimentam, a partir da sua coleta e “tradução”. “Esse profissional é quem tem o papel de democratizar os dados de uma empresa”, afirma Goyas. O difícil é encontrá-lo. Uma busca no Linkedin por nomenclaturas do cargo mostra que são pouquíssimas as grandes empresas no Brasil com um “head of data science”. De acordo com o guia salarial de 2019 da consultoria Robert Half, o cientista de dados é um dos profissionais com mais oportunidades na área de tecnologia. Os salários, que neste ano ficam entre RS 12 mil e RS 22 mil, cresceram 15% desde 2017. Vale considerar que esse é o salário médio. Para reter o profissional na empresa – e não perdê-lo até para fora do país, grandes corporações pagam mais (cerca de RS 30 mil, segundo o site Love Mondays, que permite aos profissionais avaliar as empresas).

Na indústria 4.0, captar, integrar e mensurar dados em toda a cadeia exige várias tecnologias e novos gestores. “Eu não vejo nenhuma empresa, incluindo as mais renomadas da indústria, como Siemens e Cisco, como detentoras únicas das tecnologias 4.0”, diz Victor Teles, diretor executivo da Didactic, braço educacional da Festo. “Cada empresa fornece uma parte – robótica, gêmeos digitais, impressão 3D – e é a conexão de rodas que vai gerar a fábrica do futuro”, diz. “Precisamos menos hoje de um engenheiro mecatrônico e mais de um engenheiro integrador.”

Há quem, por outro lado, esteja bem mais otimista – e aproveitando as oportunidades geradas pela I.A. “Sou apaixonado por fazer a máquina realizar tarefas que eu não deveria estar fazendo. Se ela for capaz de fazer o que nós; pessoas faziam quer dizer que nós podemos usar nossa habilidade cognitiva para tarefas melhores”, diz Deivid Silva, gerente de novos negócios da Embraco. A plataforma de internet das coisas em que Deivid e sua equipe trabalham capta dados de refrigeradores e mede como o consumidor reagiu aos produtos no ponto de venda. É possível saber quantas vezes uma geladeira foi aberta, quais itens foram tocados pelos clientes e também prever a manutenção dos equipamentos.

Formado em ciência da computação, o trabalho de Deivid exige que ele saia “da caixinha” de sua área e se comunique com outros campos e profissões. É um movimento natural em funções criadas pela tecnologia, às vezes um tanto herméticas para colegas desavisados na mesma organização. Felipe Prado, ethical hacker da IBM, explica o motivo. ”A técnica de invasão ‘todo mundo’ sabe”, diz, modesto. “O diferencial desse profissional é criatividade e comunicação. Ele precisa saber levar a mensagem de segurança da informação a diferentes grupos – técnicos, hackers, comunidades e ao board da empresa. “Essa mensagem não ser entregue tem custado caro – o Facebook que o diga. No final de setembro, as ações da empresa caíram 20% após o escândalo do vazamento de dados de 50 milhões de usuários. Os custos associados a megaviolações, que variam de 1 milhão a 50 milhões de registros perdidos, ficam entre US 40 milhões e US 350 milhões, segundo estudo da IBM Security e do Ponemon lnstitute. Compreende-se a caçada das empresas aos profissionais de cibersegurança. Felipe não teme a evolução da inteligência artificial nessa área. Tem a confiança dos que já dominam a linguagem das máquinas. “Quando o computador começar a pensar o que penso, teremos um problema. Mas não vejo isso em um futuro próximo.”

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ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 19-25 – PARTE I

alimento diário

Cristo com seus Discípulos

A prova infalível da ressurreição de Cristo era o fato de que Ele “se apresentou vivo”, Atos 1.3. Nestes versículos, nós temos a narrativa da sua primeira aparição ao grupo de discípulos, no dia em que ressuscitou. Jesus lhes tinha enviado as notícias da sua ressurreição por mensageiros confiáveis e dignos de crédito. Mas, para mostrar seu amor por eles, e para confirmar sua fé nele, Ele veio pessoalmente, e lhes deu todas as garantias que eles poderiam desejar da verdade da sua ressurreição, para que eles pudessem saber dela não somente por rumores, e de segunda mão, mas pudessem, eles mesmos, ser testemunhas oculares de que Ele estava vivo, por­ que deviam testificar isto ao mundo, e edificar a igreja sobre este testemunho. Observe aqui:

 

I – Quando e onde houve esta aparição, v. 19. Foi no mesmo dia em que Ele ressuscitou, sendo o primeiro dia da semana, o dia depois do sábado judeu, em uma reunião privativa dos discípulos, dez deles, e alguns dos seus amigos com eles, Lucas 24.33.

Há três ordenanças secundárias (como eu as chamo) instituídas pelo nosso Senhor Jesus, que têm a função de colaborar com a continuidade da sua igreja, e com seu sustento, e também com a devida administração das ordenanças principais – a palavra, os sacramentos e a oração. Elas são o dia do Senhor, as assembleias solenes e o ministério permanente. A vontade de Cristo a respeito de cada uma delas nos é claramente mostrada nestes versículos. As duas primeiras, aqui, nas circunstâncias desta sua manifestação, a outra, no versículo 21. O reino de Cristo deveria ser estabelecido entre os homens imediatamente depois da sua ressurreição. E, de acordo com este plano, podemos observar o dia em que o Senhor ressuscitou como um dia aparentemente pequeno aos olhos do mundo, porém o dia mais importante para a humanidade, um dia agraciado com estas solenidades que deveriam ajudar a dar prosseguimento à religião cristã e à igreja por todas as épocas.

1. Aqui está um dia de repouso cristão observado pelos discípulos, e reconhecido pelo nosso Senhor Jesus. A visita que Cristo fez aos seus discípulos aconteceu no primeiro dia da semana. E o primeiro dia da semana é (creio eu) o único dia da semana, ou mês, ou ano, que é mencionado pelo número, em todo o Novo Testamento. E este é diversas vezes mencionado como um dia observado religiosamente. Embora aqui esteja escrito expressamente (v. 1) que Cristo ressuscitou no primeiro dia da semana, e pudesse ter sido suficiente dizer isto aqui (v.19), Ele apareceu aos discípulos na tarde daquele mesmo dia. Para honrar este dia, a informação é repetida: “sendo o primeiro dia da semana”. Não que os apóstolos desejassem honrar o dia (eles ainda tinham dúvidas a respeito da ocasião), mas Deus desejou honrá-lo, ordenando que eles estivessem reunidos para receber a primeira visita de Cristo naquele dia. Assim, na verdade, o Senhor abençoou e santificou aquele dia, porque nele o Redentor descansou.

2. Aqui está uma assembleia cristã, solenizada pelos discípulos, e também reconhecida pelo Senhor Jesus. Provavelmente, os discípulos estavam reunidos aqui para alguma atividade religiosa, para orarem juntos. Ou, talvez, eles estivessem reunidos para comparar observações, e considerar se tinham evidências suficientes da ressurreição do seu Mestre, e para deliberar o que devia ser feito agora, se deviam permanecer juntos ou dispersar-se. Eles se reuniram para conhecer o que os demais pensavam, para fortalecer as mãos uns dos outros, e deliberar as medidas adequadas a serem tomadas na presente situação. Esta reunião era privada, porque eles não apareciam publicamente, especialmente juntos. Eles se reuniram em uma casa, mas conservaram as portas cerradas, para que não pudessem ser vistos juntos, e para que ninguém viesse a estar entre eles, exceto aqueles a quem conheciam. Pois eles temiam os judeus, que desejavam processar os discípulos como criminosos, de tal modo que pareciam crer na mentira com que desejavam enganar o mundo, de que os discípulos de Cristo vieram durante a noite e furtaram seu corpo. Observe que:

(1) Os discípulos de Cristo, até mesmo em tempos difíceis, não devem deixar sua congregação, Hebreus 10.25. Estas ovelhas do rebanho estavam dispersas na tempestade, mas as ovelhas são saciáveis, e se reunirão outra vez. Não é novidade que as assembleias dos discípulos de Cristo sejam forçadas a esconder-se nos cantos, e forçadas a ir ao deserto, Apocalipse 12.14; Provérbios 28.12.

(2) O povo de Deus frequentemente foi obrigado a entrar em suas câmaras e fechar as portas, como aqui, por “medo dos judeus”. A perseguição é designada a eles, e a fuga da perseguição lhes é permitida. E então, onde procuraremos por eles, exceto nas “covas e cavernas da terra”? É uma verdadeira tristeza, mas não uma desonra verdadeira, que os discípulos de Cristo se escondam desta maneira.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

DENTRO DA MENTE TERRORISTA

Cientistas sondam o psiquismo de adeptos de grupos extremistas na tentativa de descobrir o que motiva seus atos. Longe de serem matadores enlouquecidos, eles cometem atrocidades acreditando racionalmente estar a serviço de um bem maior.

dentro da mente terrorista

O terrorismo é um flagelo atemporal. Mas nos últimos anos a ferocidade das agressões desde 11 de setembro de 2001 até as decapitações transmitidas ao vivo e o recrudescimento das atividades da AI Qaeda e outros grupos extremistas, culminando com os ataques em Paris, têm provocado maior interesse de cientistas que buscam elucidar a sustentação psíquica do terrorismo. Embora as gerações anteriores de pesquisadores tenham se concentrado nas raízes políticas de grupos como o Exército Republicano Irlandês (IRA), atualmente muitos estudiosos investigam o funcionamento mental que impele pessoas a cometer atos extremos contra civis.

Estudos recentes sugerem que a vasta maioria dos terroristas não é mentalmente doente, apesar de apresentar fragilidade emocional. Na verdade, são pessoas racionais que pesam os custos e os benefícios do terror e concluem que seus atos são justificáveis – e, mais que isso, necessários.    Entretanto, essa lógica não se sustenta, a não ser em um determinado contexto social bastante restrito. A dinâmica de grupo, frequentemente impulsionada por uma liderança carismática, desempenha o poderoso papel de convencer os indivíduos a adotar metas e a empregar violência para atingi-las. Fatores pessoais também atraem as pessoas ao terror. Grupos extremistas oferecem a seus membros a prazerosa sensação de pertencimento, de fazer parte de algo importante e estar investido de poder que, em alguns casos, pode ser um meio de se vingar das afrontas sofridas no passado.

É inegável que muitas das explicações psicológicas do terrorismo se apoiam em terreno instável porque os estudos empíricos da mente terrorista são relativamente escassos, em parte por causa da dificuldade de serem realizados. Ainda assim, os pesquisadores esperam que o conhecimento os ajude a frustrar o terrorismo por meio da dissolução da cola psicológica que mantém unidos esses grupos rebeldes.

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A DESTRUIÇÃO DO MUNDO

O terrorismo moderno pode ser remontado ao século 12 d.C., quando os zelotes da Judeia assassinaram secretamente membros de forças de ocupação romana e seus colaboradores porque achavam que o governo romano era incompatível com o judaísmo. Assim como outros extremistas religiosos, os zelotes rejeitavam a autoridade de um governo secular e as leis que não incorporassem suas crenças.

Séculos depois, a ascensão do nacionalismo engendrou uma nova estirpe terrorista, exemplificada pelo IRA, fiel a um grupo com cultura e valores comuns. A maioria dos nacionalistas almeja criar ou reclamar uma terra natal: as ações são projetadas para conquistar simpatia internacional para sua causa e coagir o grupo dominante a fazer concessões aos seus desejos. Terroristas revolucionários sociais como a Facção do Exército Vermelho (RAF), também conhecida como Baader-Meinhof), da Alemanha, e as Brigadas Vermelhas italianas, por outro lado, buscavam derrubar o capitalismo e a ordem social.

Nas décadas de 70 e 80, revolucionários foram responsáveis pela maioria dos atos de terrorismo. Nas últimas décadas, porém, tornou-se mais frequente o terrorismo religioso – de certa forma, mais próximos dos zelotes da Judeia. Ao contrário das facções de motivação mais política, esses extremistas se empenham na destruição do mundo ocidental em nome de Deus. E por isso são tão perigosos: não temem a reação negativa nem a morte ou o martírio. O decreto islâmico fatwa) emitido em fevereiro de 1998 pela Frente Islâmica Mundial ilustra esse estado de espírito destrutivo: obedecendo ao comando de Deus, emitimos a seguinte fatwa a todo s os muçulmanos: a resolução de matar os americanos e seus aliados – civis e militares – é um dever individual de todo muçulmano que possa fazê-lo para libertar a mesquita de al-Aqsa e a sagrada mesquita (Meca) das garras deles, e para que os exércitos deles se retirem de todas as terras do Islã, derrotados e incapazes de ameaçar qualquer muçulmano”.

CONVICÇÃO PROFUNDA

Essa forma de pensar pode parecer quase patológica. De fato, muitas pessoas automaticamente qualificamos terroristas de “loucos”. Alguns pesquisadores levantaram a suspeita de problemas psiquiátricos, como transtorno da personalidade antissocial, como causa de violência política ou religiosa. Entretanto, estudos dos membros da Fração do Exército Vermelho (RAF), o Exército Republicano Irlandês (IRA) e Hezbollah, no Líbano, entre outros, não produziram nenhuma evidência de que os terroristas apresentem transtornos mentais.

Mesmo homens e mulheres-bomba têm aspectos mentais prevalentemente saudáveis. Depois de ter entrevistado cerca de 250 membros do Hamas e Jihad Islâmica em Gaza, a jornalista Nasra Hassan, então funcionária da Organização das Nações Unidas (ONU), relatou que nenhuma dessas pessoas-bomba em potencial parecia deprimida ou eufórica (o que poderia maquiar um estado depressivo). Pelo contrário: discutiam o ataque com naturalidade e eram motivadas por profunda convicção de que o que estavam fazendo era certo.

Há dez anos, um comitê de especialistas em causas psicológicas do terrorismo concluiu que a psicopatologia individual era insuficiente para explicar o terrorismo. De fato, os líderes desses movimentos geralmente fazem uma triagem de tais pessoas em suas organizações, pois a instabilidade as torna perigosas para a própria organização. Na teoria do terrorismo como “escolha racional”, a violência e a perpetração do medo funcionam como estratégia para atingir objetivos políticos e religiosos

Tratados autobiográficos sobre o primeiro chefe do estado-maior do IRA Provisório, Sean MacStiofaina, ativista da Organização para a Libertação da Palestina Leili Khaled e o guerrilheiro brasileiro Carlos Marighella corroboram esse ponto de vista, de acordo com a especialista em terrorismo Martha Crenshaw, da Universidade Wesleyan. A pesquisadora enfatiza a coexistência da capacidade intelectual com o ódio, e a teorização política funciona como válvula de escape para a frustração diante de situações de injustiça. A racionalização torna-se perigosa quando se consolida e se transforma em dogma.

Estudos sobre jihadistas islâmicos militantes revelam sinais similares de normalidade incrustados no fanatismo. Depois de vasculhar documentos do governo, reportagens jornalísticas e autos de tribunais sobre 400 desses extremistas, o psiquiatra forense Marc Sageman, da Universidade Estadual da Pensilvânia, afirma que esses indivíduos estão longe de ser combatentes desesperançados ou indivíduos socialmente isolados que sofreram lavagem cerebral. Mais de 90% deles vieram de famílias zelosas, intactas; 63% tinham frequentado a faculdade. Da mesma forma, todos os sequestradores suicidas do 11 de Setembro tinham um bom nível de instrução – três deles estavam fazendo pós-graduação – e descendiam de famílias sauditas e egípcias prósperas.

“Sob alguns aspectos, eles estão entre os melhores e mais brilhantes de suas sociedades, escreveu Sageman em um ensaio sobre seu livro Underswnding terror nelworh. Em geral, os terroristas são pessoas ‘normais’, exatamente como você ou eu.”

Obviamente, nem todos têm uma história financeira e social sólida. Quando cientistas israelenses montaram perfis post-mortem de 93 homens-bomba palestinos, com idade entre 17 a 22 anos, descobriram que eram todos sem instrução, desempregados e solteiros.

Independentemente dos antecedentes, o que parece unir todos os terroristas é a disposição de subordinar a identidade individual a uma identidade coletiva, de acordo com o psicólogo político Jerrold M. Post, da Universidade George Washington. Um número crescente de pesquisadores, incluindo Post, acredita que o terrorismo possa ser mais bem entendido através da lente da psicologia de grupo. É no contexto social que o cálculo racional dos terroristas faz sentido, já que os benefícios do terrorismo são geralmente os do grupo – e não do indivíduo.

Líderes carismáticos têm papel importante em determinar essas metas e convencer os seguidores a defende-las. De acordo com um artigo de Post no ijournal USA, comandantes palestinos de homens-bomba suicidas dizem a seus recrutas: “Vocês têm uma vida sem valor à sua frente, mas podem fazer algo significativo e entrar para o hall dos mártires”.  Quando a estudante de pós-graduação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) Nichole Argo entrevistou em prisões      israelenses 15 palestinos que tinham participado de missões suicidas fracassadas, em 2003, ela também constatou que eles colocavam os interesses da sociedade acima do próprio bem-estar.

Da mesma forma como um clérigo religioso, Osama bin Laden se referia sistematicamente aos versos do Alcorão para validar os atos de extrema violência. Nas culturas do Oriente Médio, os objetivos políticos extremistas frequentemente são inculcados bem cedo nos jovens. Das entrevistas com 35 terroristas médio-orientais presos, Post e colegas constataram que os adultos ensinam rotineiramente as crianças a odiar o inimigo, Israel, e a acreditar na causa de derrotar as forças israelenses. Um dos entrevistados contou que soubera pelo xeque da sua mesquita como o inimigo efetivamente expulsou os palestinos da Palestina.

Nas entrevistas feitas pela equipe de Post, terroristas islâmicos militantes do Hezbollah e do Hamas justificaram o terrorismo suicida chamando-o de martírio, ou auto sacrifício em nome de Alá. Portanto, tais atos cumpriram outra meta socialmente prescrita: sublinharam a profundidade da fé de uma pessoa. O contexto social foi crucial para essa ideia. Os pesquisadores descobriram que terroristas do Islã com motivação claramente religiosa estavam mais determinados a se sacrificar do que os perpetradores menos religiosos, cujos objetivos eram puramente políticos.

Os rebeldes chechenos que mantiveram cativos 800 espectadores de um teatro de Moscou durante 58 horas em outubro de 2002 estavam igualmente determinados ao auto sacrifício pelo suposto bem maior. Ao entrevistar 11 dos reféns sobreviventes, a psicóloga Anne Speckhard, da Universidade Livre de Bruxelas, concluiu que os auto- denominados “combatentes da liberdade” chechenos sabiam o que queriam: fim da violenta ocupação da Chechênia e independência do país.

Ao mesmo tempo, nada parecia mais importante para eles do que morrer pela terra natal. Durante o cerco, um dos terroristas teria dito: “Todos nós temos o mesmo destino aqui. Estamos aqui para morrer”. O terrorismo foi, portanto, usado como um meio para encontrar um significado social e pessoal para a própria existência.

“EU ESTOU NO MAPA”

De fato, fazer parte de um grupo radical proporciona um senso de comunidade, poder e identidade a pessoas que, do contrário, se sentem sozinhas, impotentes e sem importância. Um dos prisioneiros entrevistados pela equipe de Post declarou: “uma ação armada proclama que eu estou aqui, existo, sou forte, estou no controle: faço diferença, estou no mapa”

Em algumas sociedades, é mais clara a pressão social. Quando indagados sobre o motivo de ter aderido ao movimento, muitos dos entrevistados de Post responderam que havia uma certa naturalidade na participação; não pertencer seria sinônimo de ostracismo. O psicólogo John Horgan, da Universidade Estadual da Pensilvânia, conversou com um ex-ativista que lhe ofereceu uma explicação semelhante: “Entrei meio que escorregando; tive a sensação de que estava sendo sugado pelo grupo, e quando me dei conta já estava lá, aquele era meu lugar”.

Além de proporcionar um senso de comunidade e poder, a organização terrorista pode fornecer um meio efetivo de vingança.  “O que leva as pessoas a tais atos de violência é uma longa história de raiva por se sentirem de alguma forma humilhadas”, escreveu o psiquiatra palestino Eyad El Sarraj, que, morto em 2013, dirigiu o Programa Comunitário de Saúde Mental de Gaza. “Muitos homens-bomba suicidas durante a segunda intifada, de 2000 a 2005, testemunharam membros da família serem torturados e mortos.”

Mais de 70% dos cerca de 900 jovens muçulmanos da Faixa de Gaza entrevistados pelo psicólogo Brian K. Barber, da Universidade do Tennessee, tinham sofrido um grave traumatismo durante a primeira intifada, de 1987 a 1993. Muitos desses adolescentes tinham sido vítimas de gás lacrimogéneo lançado por soldados israelenses ou sofrido ataques enquanto estavam na escola ou em casa. Estudos dos antecedentes de outros terroristas também indicam que o trauma foi o motivo mais importante a impeli-los para o movimento clandestino.

Em outros casos, rivalidade familiar pode ser um fator significativo. O criminologista Lorenz Boellinger, da Universidade de Bremen, na Alemanha, e colegas investigaram os antecedentes de 250 pessoas suspeitas ou condenadas por atividade terrorista – leram autos de julgamento e conversaram com funcionários de presídios e também com sete terroristas. Os pesquisadores observaram que na infância muitos dos ativistas tinham sofrido estresse por laços familiares ruins ou outros problemas sociais. Aparentemente, os entrevistados compensavam as decepções e a sensação de impotência subscrevendo uma realidade na qual tinham sensação de maior autonomia.

O terrorismo não tem a ver apenas com a violência explícita. Como sugere o nome, está associado ao medo, como expresso no aforismo chinês: Mate um, apavore 10 mil. Em muitos casos, essa tática psicológica funciona bem demais: depois dos ataques sincronizados, na sexta-feira, 13 de novembro, em Paris, a tristeza silenciou a cidade. Estudos documentam que após 11 de setembro de 2011 um grande número de americanos sofreu altos níveis de estresse. Cada vez mais, porém, pesquisadores se empenham em entender o funcionamento psíquico de terroristas e, assim, descobrir meios de frustrar o recrutamento de novos membros para os grupos e facilitar o afastamento do terrorismo para aqueles que assim desejarem.

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OUTROS OLHARES

A FORÇA DO ESTREAMING

A chegada de serviços como o Youtube Premium ao Brasil dá novas opções ao usuário, que consome cada vez mais música e vídeo sob demanda.

a força do streaming

Muitos formatos para ouvir música e assistir a filmes já surgiram e caíram em desuso. Enquanto gravações físicas perdem espaço, o streaming se consolidou como a opção preferida no mundo todo. De acordo com dados do Music Consumer Insight Report 2018, o relatório divulgado pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica, 86% dos consumidores de música usam algum tipo de serviço sob demanda. O Brasil está entre os países que mais utilizam o streaming no mundo, ficando atrás apenas da Rússia e do México. Ou seja, o formato já foi aceito pelos usuários. E o sucesso de plataformas como a Netflix e o Spotify fazem com que outros produtos sejam lançados constantemente. “Há um potencial de crescimento enorme pela frente no entretenimento via streaming”, afirmou o CEO da Netflix, Reed Haslings. A do YouTube Premium abala ainda mais um mercado já repleto de opções. Entre tantas, qual escolher?

O novo serviço do Google oferece uma vantagem ao unir tanto o acervo audiovisual já conhecido quanto um streaming de músicas. É uma proposta de juntar tudo em um grande pacote em meio a uma segmentação cada vez maior. Há serviços focados em cinéfilos, em fãs do cinema nacional, em audiófilos que prezam por uma qualidade sonora maior, e assim vai. Mercados internacionais têm ainda mais opções de serviços. Filmes clássicos, cinema estrangeiro, música erudita. E a gama de opções vai aumentar, com grandes empresas anunciando seus próprios streamings. É o caso da Disney e da Apple, cujas operações sob demanda devem começar em 2019. O preço de cada serviço costuma ficar em torno de RS 20, então assinar vários deles é uma opção cara. A estratégia que muitos usuários adotam é a de optar por um serviço para música e outro de cinema. Quem quer ir mais fundo seleciona também opções de nicho.

NO VERMELHO

Embora tenha sido adotado pelo público, o streaming ainda apresenta um modelo de negócios pouco rentável. O número de usuários cadastrados no Spotify, por exemplo, é enorme, mas poucos usam a versão paga, preferindo aturar anúncios e outras limitações. O número de assinantes da Netflix também ultrapassou a marca de 130 milhões, mas a empresa opera com um débito de mais de USS 8 bilhões, principalmente por conta do alto custo de produção de seus conteúdos originais. Apesar do crescimento, ainda falta um longo caminho para a empresa se tornar rentável.

A segmentação crescente da oferta de serviços acabou gerando um efeito negativo: a pirataria voltou a ganhar força. Ainda de acordo com o Music Consumer lnsight Report 2018, 38% dos consumidores baixam músicas ilegalmente. É o retorno de um problema que há anos preocupa o mercado fonográfico e audiovisual. O streaming de fato pode se apresentar como o futuro do entretenimento, mas ainda falta resolver alguns entraves para tornar o modelo sustentável a longo prazo.

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GESTÃO E CARREIRA

UM LUGAR VIRTUAL PARA BRILHAR

Qualquer pessoa que deseje alcançar algum resultado profissional positivo no ambiente de rede deve se preparar da mesma forma de alguém que treina para uma maratona.

um lugar virtual para brilhar

Manter-se conectado está se tornando uma verdadeira tortura para quem deseja estar bem no universo virtual. O problema se agrava a cada dia com as novíssimas ferramentas de controle de postagens em conjunto com os sistemas de aferição de resultados.

Diferente do profissional que tramita no ambiente acadêmico, onde o Currículo Lattes é uma referência nacional, qualquer outro perfil profissional terá uma grande área para apresentar seus talentos, capacidades e habilidades. São tantas as opções que torna-se impossível, para uma pessoa normal, cobrir todo o espectro virtual.

Desde o LinkedIn, Instagram e Facebook para divulgação de nome, produto ou marca, até os   realmente especializados em unir talentos aos contratantes, como Workana, Catho ou Fiverr. São vários sistemas on-line que possibilitam a criação e manutenção de uma persona laboral virtual.

Para quem ainda não se aventurou por essa seara aqui vão algumas informações que podem ser úteis e fazer com que possa existir uma economia de tempo de procura e entendimento na utilização dos sistemas on-line. Sem a pretensão de cobrir todas as ferramentas, vamos a alguns exemplos:

REDES DE DIVULGAÇÃO

Para quem já tem um produto ou serviço bem delineado, e deseja apenas a captação de novos clientes existem algumas redes que já provaram ser eficazes:

FACEBOOK: A criação de páginas de empresas permite a publicação de produtos e serviços com promoções dentro do perfil pretendido. As ferramentas de divulgação são precisas e pode-se, inclusive, limitar o público-alvo somente no espaço territorial que pode atender ou ainda, idade, sexo e área de interesse.

INSTAGRAM: Nos últimos tempos o Instagram tem se demonstrado uma excelente ferramenta de    divulgação de talentos. De fato, existem segmentos que trabalham unicamente com o Instagram como fonte de obtenção de conversões. O perfil de negócios, que pode ser configurado rapidamente, auxilia bastante com as métricas que são disponibilizadas.

WORKANA: Para os freelancers ou para aqueles que desejam apenas uma complementação de renda, o Workana é uma ferramenta fantástica que possibilita o encontro entre quem deseja um perfil de serviço com as pessoas mais qualificadas para atendê-lo. O sistema garante o pagamento (que é feito antecipadamente) tão logo o contratante se declare satisfeito com o serviço executado. Para trabalhadores instalados home offices e especializados em serviços virtuais, esse mecanismo é indispensável. De redatores a programadores, todo tipo de serviço que pode ser enviado, como um arquivo é bem-vindo ao Workana.

FIVERR: muito parecido com o Workana, apenas com o detalhe de usar o valor de 5 U$, como bandeira de marketing. Embora esse valor seja apenas uma referência inicial para os serviços mais simples. Dificilmente um trabalho especializado terá esse valor.

BLOGS: Saindo de moda aos poucos, os blogs ainda atraem a atenção de público que preferem uma leitura mais aprofundada. Desta forma é necessário manter um blog para ser o destino das postagens em redes sociais, para dar mais detalhes do que tem para oferecer aos futuros clientes.

 REDES DE RECRUTAMENTO:

Para aquele que o produto é o próprio profissional. São mecanismos que auxiliam empresas no contato com o mercado de oferta de mão de obra. Hoje os departamentos de RH encurtam o caminho usando uma dessas ferramentas. 

Sites como Linkedin, Catho, Empregos.com.br, Manager, Infojobs, Vagas.com.br, lndeed, Vagasonline e Empregocerto (apenas como um pequeno exemplo) se proliferam na rede tornando a tarefa de distribuir currículos cada vez mais fácil para quem está em busca de trabalho.

Como são absolutamente similares – com exceção do Linkedin, que tem a aparência de rede social – as dicas são no sentido de auxiliar na apresentação do profissional:

APARÊNCIA: Fotos e gravações (alguns sites permitem uma apresentação em vídeo), devem ser feitas com o mesmo cuidado que o candidato teria se estivesse presencialmente em frente ao recrutador. Roupa, cabelo, barba devem ser bem preparados da mesma forma como a escolha do fundo que irá aparecer na filmagem.

TEXTO DE APRESENTAÇÃO: Todo currículo deve ser objetivo e atualizado. O foco deve estar centrado naquilo que realmente traduz o que o profissional faz de melhor. Lembrando sempre   que, nos dias atuais, a vaga do especialista é mais garantida do que a do generalista. Quem faz de tudo pode não fazer tudo muito bem. Foque no seu melhor e com o menor número de palavras possível.

PRETENSÃO SALARIAL: Muitos sites preferem que o candidato deixe claro o seu universo de rendimento pretendido. Para não estar fora da realidade, sempre faça uma busca na internet para saber o valor médio do mercado. Uma boa ferramenta para isso é o site: http://www.salariobr.com.br. Mas lembre-se sempre: as grandes empresas sempre têm uma oferta e não deixarão de apresentar caso o valor solicitado pelo trabalhador, seja diferente.

Assim, esse é um pequeno mapa, que pode abrir algumas boas possibilidades. Não se deve temer o desconhecido mundo das redes e sistemas on-line. Mergulhar no oceano virtual pode se transformar em uma produtiva aventura.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 11-18 – PARTE IV

alimento diário

A Ressurreição

IV – Aqui está o relato fiel de Maria Madalena, aos discípulos, do que ela tinha visto e ouvido (v. 18): ela “foi e anunciou aos discípulos”, encontrando-os reunidos, “que vira o Senhor”. Pedro e João a tinham deixado procurando-o, em lágrimas, e não ficaram para procurá-lo com ela. E agora ela vem lhes dizer que o tinha encontrado. Maria Madalena corrige, então, o engano a que tinha sido levada, ao procurar um cadáver, pois agora ela encontrou o Senhor em um corpo vivo e glorificado. Sim, ela, de fato, encontrou o que buscava, e, o que era infinitamente melhor, ela sentiu uma grande alegria ao contemplar o Mestre, e estava desejosa de transmitir sua alegria, pois sabia que seriam boas novas para todos os discípulos. Quando Deus nos consola, seu desígnio é que possamos consolar a outros. E assim como ela lhes disse o que tinha visto, também disse o que tinha ouvido. Ela tinha visto o Senhor vivo, do que isto era um sinal (e era um bom sinal), que Ele “lhe dissera isso” como uma mensagem a ser transmitida a eles, e ela a transmitiu fielmente. Aqueles que conhecem a Palavra de Cristo devem transmitir seu conhecimento para o bem dos outros, e não reclamar que os outros saibam tanto quanto eles sabem.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

“SINTO TUDO, MAS NÃO TENHO NADA…”

O sofrimento físico e mental marca o fenômeno psicossomático, convocando profissionais da saúde a considerar suas implicações, o papel do paciente no processo de adoecimento e eventuais desdobramentos. A própria clínica abre e amplia essa discussão.

sinto tudo, mas não tenho nada...

Sofro com intestino preso e com essas dores há mais de 20 anos. É como se tivesse algo se movimentando dentro de mim, querendo sair, mas não sai. Minha barriga fica estufada, cheia de gases… Não aguento mais. Isso está acabando comigo, afeta toda a minha vida!” Essas palavras, em tom de desabafo, são ditas por Maura, no desenrolar de sua primeira consulta comigo. Visivelmente desgastada, a advogada elegante, de 41 anos, confessa estar cansada de fazer exames, procurar inúmeros especialistas, seguir todas as prescrições e continuar sofrendo e ouvindo as mesmas coisas: “Você não tem nada sério”; “A síndrome do intestino irritável (SII) é assim mesmo, de difícil tratamento”; “É apenas uma disfunção, nada mais que isso”. Por fim, ela me questiona: Terei que simplesmente aceitar e me conformar? Sinto tudo e não tenho nada? Como assim, doutora?”.

Casos como esse exemplificam os desafios cada vez mais frequentes com os quais deparamos na prática clínica diária. Diante desses questionamentos, o que responder? Como abordar o dilema da ambivalência do “sentir tudo e não ter nada”? Maura me fez pensar, especialmente nos possíveis significados de palavras como apenas, nada, tudo.

Ao afirmar que o paciente apresenta alterações funcionais, o médico se refere à exclusão de doença orgânica, após extensa investigação diagnóstica. Ao dizer “é apenas uma disfunção, “nada sério”, a referência é o campo biológico. Entretanto, a exclusão de lesões dos órgãos e sistemas orgânicos não deve implicar um reducionismo na concepção da desorganização somática – na verdade, psicossomática. Tampouco minimizar a complexidade da condição clínica de pacientes como Maura. Tais situações demandam a revisão de conceitos e perspectivas de abordagem clínica e terapêutica envolvidos no processo do adoecimento, com a inclusão da subjetividade, que ultrapassa as fronteiras do clássico modelo biomédico cartesiano (marcado pela dicotomia mente-corpo)

Sabe-se que a maior parte dos quadros disfuncionais não apresenta uma causa claramente definida. Múltiplos fatores estão envolvidos na fisiopatologia desses distúrbios, inclusive aspectos psicossociais. Nesse sentido, o desenvolvimento tecnológico e das pesquisas em neurociência permitiu avanços no campo da psiconeuroimunologia, com grande contribuição à compreensão das íntimas e reciprocas associações entre mente e corpo. As vertentes psicofisiológicas, ainda que fundamentadas em evidências biológicas, abrem caminho para uma interlocução entre profissionais da medicina, psicologia, psicanálise. Muitas vezes, é útil e precioso informar o paciente a respeito da plasticidade do cérebro, de suas conexões com órgãos e sistemas do corpo, sobre os registros conscientes e inconscientes da memória, com o intuito de proporcionar relações “demonstráveis” e, então, “aceitáveis”, entre cérebro e organismo, mente e corpo, psiquismo e soma, dor física e psíquica.

No caso da síndrome do intestino irritável, de fato, não se observa alteração metabólica ou estrutural da víscera. O papel do sistema nervoso central e autônomo é preponderante na função intestinal, através de importantes conexões que modulam as atividades motoras e sensoriais do intestino. Diante de alterações nesses sistemas reguladores, ocorrem as disfunções de motilidade, assim como aumento da percepção dos movimentos peristálticos. Por isso, os principais sintomas são dor, desconforto, distensão abdominal, podendo haver constipação, diarreia ou alternância entre ambos, em variados níveis de intensidade e comprometimento da saúde física e mental.

Considerando a situação de Maura, ela acordava de madrugada por causa da dor, sentia algo se movimentando dentro do abdome, sem possibilidade de evacuação, de alívio. Em sua peregrinação pelos consultórios médicos, a dor, “apenas” de caráter funcional, foi se tornando algo sem importância, sem remédio, sem solução, associado ao nada. Como lidar com a sensação de nulidade, coisa nenhuma, quando se sente “tudo”? É possível encontrar alivio e consolo nessa condição, mesmo com a exclusão de algo grave? Como pode haver ausência diante da presença insistente e perturbadora de sintomas que desorientam, desorganizam e assolam o corpo?

Outra paciente, Lídia, de 38 anos, de início se identificava como “um caso difícil e complicado de SII. Ela se mostrava apreensiva e com muito medo do diagnóstico. Pesquisou sobre o assunto e ficou apavorada diante da condição debilitante vivida por muitas pessoas com a síndrome. Lídia contou ter perdido o emprego por causa de sua dificuldade de concentração no trabalho, já que tinha fortes cólicas abdominais que precediam as idas frequentes ao banheiro. Seus sintomas não melhoravam com medicamentos e restrições dietéticas. “Sinto-me num beco sem salda, a caminho do caos. Eu sei que isso tudo tem a ver com meu emocional, sou muito nervosa, tudo que eu tenho é por causa da minha ansiedade. E, por fim, disse: “Sou a responsável por estar assim, toda estragada!”. Fiquei impactada e perguntei o porquê de uma afirmação tão contundente. Ela disse que sempre ouviu de todos à sua volta – parentes, colegas, médicos, psicólogos – que “isso é psicológico, emocional, psicossomático: isso é por causa do seu estresse, de sua ansiedade”. Eu me pergunto: isso o quê? Ou o que é isso? Percebo que saber disso não a ajudou a compreender o que isso significa.

O caso de Lídia aponta o surgimento de outro sintoma: se sentir responsável por estar “toda estragada” – a opressão da culpa, que adoece ainda mais o corpo e a alma. Esse é um aspecto que demanda atenção e cuidado. Lídia carregava um rótulo, o estigma de ser um caso difícil e complicado, uma pessoa problemática, doente, mas sem doença alguma, “apenas” com distúrbio funcional, “nada ” além disso. Há mais angústia e sofrimento a medida que as possibilidades de extirpação da causa e da tão esperada cura se tornam cada vez menos tangíveis.

Na verdade, muitas pessoas sofrem com a cronicidade de suas dores, seus desarranjos e disfunções e vivem a procura do porquê de seus transtornos. Quando o médico se dá conta do esgotamento de suas possibilidades terapêuticas e da provável influência de fatores psíquicos, é possível que faça encaminhamentos para profissionais da saúde mental. A questão é como o próprio médico concebe a necessidade e o papel do acompanhamento psicológico.

Como o foco é buscar tratar “a causa”, muitos encaminhamentos se resumem à indicações para  esse fim, sem que se compreenda ao certo como a psicoterapia pode ajudar a combater a dor “no corpo”, que não é “do corpo”. Não raramente há a crença de que, se a então procurada e misteriosa causa é psicológica, já não é do físico, é “da cabeça”; não é somático, é psíquico; não é do corpo, é da mente; não é do médico, é do psicólogo! Permanece a dicotomia, a cisão com a mesma sutileza que diferencia os conteúdos dos termos psico-soma e psicossoma. A presença do hífen traz apenas associação, enquanto sua ausência, integração. Sem dúvida, no caminho da compreensão do fenômeno psicossomático importa inicialmente associar psique e soma, para que se possa ligar, integrar, constituir a unidade psicossomática, representativa do que possa ser humano, ainda que disfuncional.

Georg Groddeck, médico contemporâneo de Freud, profundamente interessado na teoria psicanalítica e em suas implicações terapêuticas também nas doenças orgânicas, já apontava de forma crítica os impasses do pensamento causalista, à procura de causas internas ou externas. “Após uma divisão assim tão nítida, nos jogamos com verdadeira fúria sobre as causas externas, isto é: os bacilos, os resfriamentos, o excesso de comida, de bebida, os acidentes de trabalho e sabe-se lá mais o quê. E a causa interna foi completamente esquecida! Por quê? Porque é muito desagradável olhar para dentro de si mesmo – e é apenas em si mesmo que encontramos as poucas fagulhas que iluminam as trevas da causa interna.”

De fato, não é fácil nem simples acessar causas internas. Apesar de todas as dificuldades, esforços e do valor inerentes à formação e capacitação do profissional médico, se prepara mais para conhecer, acessar, interpretar, tratar, extirpar o que está fora do que o que está dentro. Nesse contexto, é perceptível uma contradição no discurso de muitos pacientes: falam de seus órgãos como algo que está dentro, mas é de fora. É comum ouvir “meu intestino é preguiçoso e indisciplinado; não me obedece; não sei o que fazer com ele!”. Apesar de a referência ser a um órgão interno, é como se representasse um objeto externo, uma peça do organismo, que requer avaliação e conserto. E, quando o problema é constatado, a “causa externa” está assegurada. Talvez por essa razão, o encontro de uma doença orgânica, que legitima o sofrimento no corpo, pode parecer mais confortante do que sua exclusão. A exclusão simplifica por um lado e complica por outro: expõe a sensação de vazio e insegurança quando a esperada primazia da “causa externa” é descartada.

Considerando esses aspectos, como podemos compreender a demanda e o conteúdo do apelo implícitos no desabafo de Maura ao dizer “sinto tudo e não tenho nada?”. Creio que o seu verdadeiro anseio por ajuda tinha uma relação muito estreita com essa frase, tão enigmática e desafiadora para um médico. Trata-se de uma pergunta ou de uma afirmação? A exclusão da causa externa reduz a nada o tudo que é sentido no corpo? Entendo haver um clamor pelo sentido intensamente contraditório de nada – e “tudo”, pelo significado de tamanha desorganização, de um existir (ou não existir) caótico. Na verdade, algo circula por todo o seu corpo e o desorganiza: uma excitação sem destino, sem nome, sem reconhecimento, sem fim. Será essa excitação o tudo irrepresentável, oculto e inominado, que se expressa como “nada” no corpo?

Pensar essas questões somente se tornou possível com o reconhecimento da necessidade de ajuda por parte do que cuida para compreender e conceber a dimensão do que possa significar ser pessoa. E isso vai se revelando em meu percurso pessoal profissional através do encontro com os conteúdos da psicossomática psicanalítica, que mobilizam profundas reflexões.

Na verdade, a obra freudiana proporcionou as bases para o desenvolvimento da escola psicossomática do século 20. O psicanalista Sándor Ferenczi desenvolveu conceitos importantes como patoneurose, neurose de órgão, a pontou as relações entre pensamento e descarga motora e ressaltou a importância da dinâmica psíquica em toda e qualquer doença orgânica. Groddeck estava certo de que não existem doenças orgânicas e doenças psíquicas, pois corpo e alma adoecem simultaneamente. O neurologista Paul Schilder (1886-1849) afirmou: “Utilizei o insight que nos dera a psicanálise com seus mecanismos psíquicos para elucidar problemas da patologia do cérebro”. Segundo Wilhelm Reich (1897-1957), “as relações entre as esferas somática e psíquica são resultantes de um paralelismo psicofísico” – toda experiência psíquica apresenta uma ancoragem fisiológica. Franz Alexander (1891-1964), psicanalista húngaro, representante da escola de psicossomática de Chicago, anunciava que “toda doença é psicossomática, pois os fatores emocionais influenciam todos os processos fisiológicos pelas vias nervosas e humorais”. O consagrado psiquiatra infantil e psicanalista René Spitz postulava que “o organismo opera fisiológica e psicologicamente como um sistema binário”.

Não é mesmo possível separar funcionamento mental de funcionamento orgânico. Os estudos do francês Pierre Marty, morto em 1993, e colaboradores, fundadores da escola de psicossomática de Paris, ampliaram os conceitos psicanalíticos, com ênfase na importância de aspectos do funcionamento mental nos processos de somatização. A manifestação de sintomas somáticos e de doenças se associa aos movimentos de organização e desorganização psíquicas, na dependência da qualidade e quantidade dos recursos presentes e disponíveis. Essas capacidades variam entre as pessoas, assim como em um mesmo indivíduo, dependendo do momento de sua vida. Posteriormente, Michel Fain retoma e salienta a noção de trauma, em que uma sobrecarga de excitação pode exceder os limites de resposta do psiquismo, do ego, e “transbordar” para o corpo. De fato, uma das principais funções do aparelho psíquico é possibilitar a assimilação de traumatismos ao longo da vida, transformar as excitações em representações psíquicas. Essas considerações apontam para a importância do infantil, das vivências primitivas, do acontecer vivenciado no corpo: único, singular.

Neste momento não cabe aprofundar, mas ressaltar a importância das pesquisas realizadas por autores como Splitz, Donald Winnicott, Leon Kreisler, que se dedicaram ao estudo das fases iniciais do desenvolvimento, das funções materna e paterna, fundamentais para a ligação entre psique e soma, para a construção e constituição do self, o verdadeiro eu, que possibilita o reconhecimento de si mesmo. Os estudos evidenciaram a necessidade de equilíbrio do par presença-ausência, da mãe na relação com seu bebe, ou seja, excesso de presença e excesso de ausência são profundamente desorganizadores, com impacto na organização psicossomática de todo indivíduo.

No início deste texto, foi proposta uma reflexão em torno das palavras apenas, nada, tudo, presentes no discurso de Maura. Neste momento, acrescento à lista a palavra excesso. Maura e Lídia sofriam de excessos. Excesso de presença não remete a “tudo”, e excesso de ausência, a “nada”, ambos desorganizadores, com conteúdos difusos, sem possibilidade de nomeação e representação psíquica? Seus distúrbios funcionais são “apenas” disfunções? Do corpo, da mente, ou de ambos?

Para Kreisler, “na histeria, o corpo fala; na clínica psicossomática, o corpo sofre…”, exatamente porque não fala. É necessário que alguém escute e possa compreender o não dito. Por isso, ao que cuida, mais do que informação, é necessário formação, para além da aquisição de saberes específicos dos especialistas, inclusive em psicossomática. Chamo atenção para a possibilidade de um verdadeiro encontro, não mais de um profissional bem informado com um organismo fragmentado, ou partes dele, sem vida. Refiro-me ao precioso e singular encontro de uma pessoa bem formada, constituída na qualidade de sujeito, com outro sujeito, muitas vezes aos pedaços e disfuncional, que carrega no próprio corpo as marcas de sua história. Quem sabe, a partir de então, seja possível o caminhar em um percurso que possibilite a esse outro o encontro de “si mesmo”.

Em 1923, Freud escreveu: “A psicanálise nunca pretendeu ser uma panaceia ou produzir milagres. Para além de seus efeitos de cura, ela pode recompensar os médicos através de uma compreensão insuspeitada sobre as relações entre o psíquico e o somático. Certamente, recompensou.

OUTROS OLHARES

JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS

Crescem na América Latina os linchamentos organizados pelas redes sociais. Entre as vítimas, muitos inocentes.

justiça com as próprias mãos

Em 19 de outubro de 2015 os irmãos José Abraham e Rey David Copado Molina, estudantes da Cidade do México, estavam na cidade de Ajalpan, no leste do país, fazendo bico como pesquisadores para uma empresa de marketing. Eles percorriam a cidadezinha, com seus formulários, fazendo perguntas. Nessa mesma manhã circulavam pelas redes sociais informações indicando que criminosos haviam tentado sequestrar uma menina em Ajalpan. Subitamente, uma pessoa na rua, ao ver os dois jovens, gritou: “Eles sequestraram a menina!”. As pessoas ao redor concluíram que, se não eram conhecidos da cidade, logo deveriam ser de fora. E, como estavam fazendo “perguntas esquisitas” – sobre o consumo de tortillas -, só poderiam ser os criminosos que haviam sequestrado a criança.

Quando lhes perguntaram o que faziam ali, responderam que eram “encuestadores” (pesquisadores). Alguém gritou: “Estão vendo? Eles admitem que são sequestradores!”. Diversas pessoas começaram a bater nos dois rapazes. A polícia deteve os dois e os levou para a delegacia, onde comprovaram sua real identidade. Enquanto isso, nas redes sociais, a população era convocada, pelo WhastApp, a ir imediatamente até a delegacia linchar os supostos criminosos.

A polícia optou por não liberá-los, já que uma multidão cercava o prédio. A turba invadiu a delegacia, carregou os dois irmãos para fora, espancou-os, cortou-os com “machetes” (peixeiras), jogou-lhes gasolina e ateou­ lhes fogo em praça pública. Depois, descobriu-se que a menina sequestrada nem sequer existia. Para analistas, os irmãos foram vítimas colaterais da irritação popular com a impunidade de 98% dos crimes no México.

Essa modalidade de linchamento, originada por rumores nas redes sociais, está sendo denominada de “linchamento 2.0”. O formato está em acelerada expansão na América Latina, região que é terreno fértil para esse estilo de vendetas populares, além de receptiva às chamadas fake news. Uma pesquisa do Barómetro de las Américas feita em 2016 indicou que na América Latina os linchamentos contam com a aprovação de 32,1% da população – o índice no Brasil é de 23,5%.

Os linchamentos 2.0 acontecem em três etapas:

1) as redes sociais são usadas para espalhar rumores sobre pessoas, apontando-as como autoras de supostos crimes;

2) convoca-se o linchamento dos supostos criminosos;

3)  após torturar e matar os supostos criminosos, participantes dos linchamentos se ufanam da ação pelas redes sociais, às vezes postando vídeos do assassinato.

Entre 2013 e 2017, o número de linchamentos no México subiu de 40 para 245 casos. Só no primeiro semestre deste ano foram registrados 162 linchamentos e tentativas de linchamento.

Na Colômbia, o aumento dos linchamentos estimulados pelas redes sociais levou a polícia de Bogotá a fazer uma campanha pedindo à população que não confiasse em todas as denúncias que circulam no WhatsApp. Um relatório da universidade Libre aponta que 64% dos bogotanos aprovam a justiça “pelas próprias mãos”. Entre 2014 e 2017 mais de 300 pessoas foram linchadas no país.

Na Venezuela, segundo Roberto Briceno León, presidente da ONG Observatório Venezuelano de Violência, 66% da população aprova os linchamentos. “Os linchamentos têm um efeito de catarse na sociedade”, disse León. Um dos casos de maior repercussão dos últimos tempos foi o de Roberto Bernal, um chef de 42 anos, linchado em Caracas. Ele foi espancado, molhado com gasolina e incinerado. O motivo: Bernal ajudou uma pessoa caída no chão que havia sido assaltada. Os transeuntes acharam que ele era o assaltante e o mataram.

Na Bolívia, os linchamentos fazem parte da tradição das comunidades indígenas. A Constituição não os permite, mas as autoridades federais muitas vezes fazem vista grossa para não contrariar as populações indígenas. A Bolívia tem, em média, mais de 40 linchamentos por ano.

GESTÃO E CARREIRA

COMO ESCUTAR MELHOR

Especialistas em comunicação interpessoal enumeram algumas atitudes que podem nos tornar emocionalmente mais disponíveis.

como escutar melhor.

Por que muitas vezes não ouvimos o que as pessoas de quem mais gostamos tem a dizer? Os motivos podem ser vários: falta de interesse genuíno nos sentimentos alheios ou crenças que nos levam a pensar que já “sabemos” o que o outro tem a falar ou como se sente são alguns deles. Especialistas em comunicação interpessoal e em escuta dão sugestões sobre como podemos nos tornar emocionalmente mais disponíveis e manter diálogos mais produtivos com quem amamos.

QUESTIONAR SUPOSIÇÕES.

Não raro temos “certeza” do que se passa na cabeça de alguém. De acordo com o psicólogo John Stewart, autor de U&Me: communicating in momenls that malkr (Você e eu: comunicação nos momentos que importam), o cérebro é predisposto a aceitar informações que concordam com suas noções preconcebidas. De forma que, quando acreditamos que já “sabemos” o que o outro quer dizer, dificilmente o ouvimos na realidade. “Não acho que seja possível deixar de imaginar o que o outro pensa, isso faz parte de nós”, diz Stewart. No entanto, afirma, podemos balancear essa parcialidade. Uma maneira é cultivando interesse genuíno em conhecer o que o outro sente ou pensa. Verificar as próprias hipóteses durante a conversa – dizer, por exemplo, “então você quer dizer…” ou “você acredita que…” – e deixar que o outro confirme ou corrija melhora comunicação e cria condições para um diálogo verdadeiro.

BUSCAR COMPREENDER A PERSPECTIVA DO OUTRO.

“O lado surpreendente do interesse genuíno é que ele nos impede de sermos defensivos”, diz Stewart. Perguntar-se, por exemplo, por que seu parceiro fica frustrado se você procrastina lavar a louça ou a roupa é mais eficaz do que concluir de saída que ele é excessivamente caprichoso e julga você desleixado. Ao mudar a perspectiva, você pode descobrir que a bagunça pode fazer seu companheiro se sentir estressado, desorganizado, como se a vida estivesse fora de controle. Dessa perspectiva, é mais vantajoso mudar algumas atitudes, organizando-se um pouco mais, ou continuar a oferecer motivos para que o outro tenha esses sentimentos? Uma boa maneira de exercitar o cuidado com o outro é fazer perguntas abertas, como “Pode falar mais sobre isso?”, uma das favoritas de Stewart. Ou “Como isso fez você se sentir?”, “Pode dar mais detalhes para me ajudar a entender?”

TENTAR NÃO JULGAR.

Não raro nos tornamos tão arraigados em nossas próprias crenças e opiniões que nos fechamos ou não ouvimos mais nada de ninguém, mesmo dos mais próximos. “Mas, agindo assim, perdemos mensagens importantes”, diz o pesquisador Philip Tirpak, instrutor de estudos de comunicação do Colégio da Comunidade da Virgínia do Norte e presidente da Associação Internacional de Escuta (ILA, na sigla em inglês), de apoio a pesquisas sobre ouvir de maneira eficaz. “A primeira coisa a fazer ê tentar não interpretar o que o outro diz. Procure, de verdade, deixar a pessoa falar”, ele recomenda. “Ouça a mensagem inteira, sem interrupções. Apenas escute. “Quando fizer isso, vai perceber que, mesmo discordando de alguns tópicos ou objetivos comuns, será mais fácil se colocar no lugar do outro – ou seja, exercitar a empatia. “Esse sentimento tem a ver com compartilhar experiências. Embora possamos não identificar muita coisa em comum em alguns casos, no contexto geral somos muito mais parecidos do que imaginamos, diz Tirpak

RESPEITAR OS PRÓPRIOS LIMITES.

“Escutar alguém de verdade requer humildade e curiosidade. Nenhuma dessas características pode ser simulada com sucesso, afirma Stewart. Uma pessoa em situação de estresse ou com pressa, exemplifica, provavelmente não vai conseguir realmente permanecer presente e com interesse na conversa, principalmente se for sobre um tema difícil. Nesses momentos, sugere Tirpak, “não há nada de errado em apenas dizer “Entendo que isso é muito importante para você’ e quero prestar atenção. Podemos esperar um pouco? Preciso de algum tempo”.

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ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 11-18 – PARTE III

alimento diário

A Ressurreição

III – A aparição de Cristo a Maria, enquanto ela falava com os anjos e lhes contava sua situação. Antes que eles lhe deem qualquer resposta, o próprio Cristo se apresenta, para satisfazer sua busca, pois agora Deus nos fala por meio do seu Filho. Ninguém, exceto Ele mesmo, pode nos levar a si mesmo. Maria deseja ansiosamente saber onde estava seu Senhor, e eis que Ele está à sua direita. Observe:

1. Aqueles que não se satisfarão com nada menos do que uma visão de Cristo, não receberão nada menos. Ele nunca disse à alma que o procurava: Procura em vão. “É Cristo que você deseja ter? Cristo você terá”.

2. Ao manifestar-se àqueles que o procuram, Cristo frequentemente supera suas expectativas. Maria espera ver o corpo de Cristo, e é sua perda que ela reclama, e eis que ela o vê, vivo. Desta maneira, Ele faz, pelo seu povo que ora, mais do que eles são capazes de pedir ou pensar. Nesta aparição de Cristo a Maria, observe:

(1) Como, a princípio, Ele se ocultou dela.

[1] Ele apareceu como uma pessoa comum, e ela o viu desta maneira, v. 14. Ela estava esperando uma resposta dos anjos às suas queixas, e ao ver a sombra, ou ao ouvir os passos, de alguém atrás de si, ela “voltou-se para trás”, deixando de falar com os anjos, e viu Jesus em pessoa, em pé, a mesma pessoa que ela estava procurando, e apesar disso, ela “não sabia que era Jesus”. Observe que, em primeiro lugar, “perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado” (Salmos 34.18), mais perto do que eles se dão conta. Aqueles que procuram a Cristo, embora não o vejam, podem ter certeza de que Ele não está longe deles. Em segundo lugar, aqueles que procuram o Senhor diligentemente se virarão para todos os lados, na sua busca. Maria virou-se para trás, esperando descobrir alguma coisa. Diversos dos antigos sugerem que Maria foi orientada a olhar para trás porque os anjos se levantaram, e fizeram reverência ao Senhor Jesus, a quem viram antes que Maria o visse, e que ela olhou para trás para ver a quem eles prestavam tão profunda reverência. Mas, se isto fosse verdade, não é provável que ela o confundisse com o hortelão. Portanto, foi seu profundo desejo de procurá-lo que a fez voltar-se em todas as direções. Em terceiro lugar, Cristo frequentemente está perto do seu povo, e eles não percebem sua presença. Ela “não sabia que era Jesus”. Não que Ele tivesse aparecido com outra aparência, mas talvez ela tivesse lhe dirigido um olhar rápido e desatento, e, com os olhos tão cheios de preocupação, ela não pôde distinguir bem, ou talvez seus olhos estivessem como que fecha­ dos, de modo que não o reconheceu. O mesmo aconteceu com os olhos daqueles dois discípulos, Lucas 24.16.

[2] Ele lhe fez uma pergunta comum, e ela lhe respondeu, em conformidade com ela, v. 15.

Em primeiro lugar, a pergunta que Ele lhe fez foi suficientemente natural, e que qualquer pessoa lhe poderia ter feito: “Mulher, por que choras? Quem buscas?” O que tu vieste fazer aqui no jardim, tão cedo? E por que tanto ruído e confusão?” Talvez isto tivesse sido dito com alguma rudeza, como José falou com seus irmãos quando mostrou-se estranho para com eles, antes de se dar a conhecer a eles. Aparentemente, estas eram as primeiras palavras que Cristo falava, depois da sua ressurreição: “‘Por que choras?’ Eu ressuscitei”. A ressurreição de Cristo tem em si o suficiente para enlaçar todas as nossas tristezas, para estancar todas as correntes, e secar as fontes, das nossas lágrimas. Observe aqui que Cristo conhece:

1. As tristezas do seu povo, e pergunta: “Por que choras?” Ele armazena suas lágrimas, e as registra no seu livro.

2. As preocupações e as buscas do seu povo: Quem buscas, e o que desejas ter? Mesmo quando sabe que estão procurando por Ele, ainda assim Ele de­ seja ser informado disto por eles. Eles devem dizer-lhe a quem estão buscando.

Em segundo lugar, a resposta que ela lhe deu é suficientemente natural. Ela não lhe dá uma resposta direta, mas, como se dissesse: “Por que você me censura, e me repreende pelas minhas lágrimas? Você sabe por que choro, e a quem busco”. E, portanto, supondo que Ele fosse o jardineiro, a pessoa empregada por José de Arimatéia para embelezar e conservar seu jardim, que, pensou ela, tinha vindo cedo ao seu trabalho, ela disse: “Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei”. Veja aqui:

1. O engano da sua percepção. Ela supôs que nosso Senhor Jesus fosse o jardineiro, talvez por entender que Ele estivesse perguntando que autoridade ela tinha para estar ali. Observe que os espíritos perturbados, em um dia nublado e escuro, são capazes de apresentar Cristo de forma deturpada a si mesmos, e de interpretar erroneamente os métodos da sua providência e graça.

2. A veracidade do seu afeto. Veja como o coração de Maria Madalena estava concentrado em encontrar a Cristo. Ela faz a pergunta a todos que encontra, como a esposa preocupada: “Vistes aquele a quem ama a minha alma?” Ela fala respeitosamente com um jardineiro, e o chama de Senhor, esperando obter dele algum esclarecimento a respeito daquele a quem sua alma ama. Quando ela fala de Cristo, não menciona seu nome, mas diz: “Se tu o levaste”, assumindo que este jardineiro estava tão preocupado com Jesus quanto ela estava, e, portanto, não poderia deixar de saber a quem ela se referia. Outra evidência da força do seu afeto era que, onde quer que Ele estivesse, ela se encarregaria de buscá-lo. Um corpo como este, envolto com tal peso de especiarias, seria muito mais do que ela poderia pretender carregar, mas o verdadeiro amor pensa que pode fazer mais do que realmente pode, e menospreza as dificuldades. Ela supôs que este jardineiro tivesse se incomodado com o fato de que o corpo de alguém que tinha sido crucificado de maneira ignominiosa tivesse a honra de ser depositado no sepulcro novo do seu mestre, e por isto o tivesse removido para algum lugar miserável, que ele julgava mais adequado. Contudo, Maria não ameaça contar isto ao senhor do jardineiro, fazendo-o perder seu trabalho por isto, mas procura descobrir outro sepulcro, ao qual Ele pudesse ser bem-vindo. Cristo não deve ficar onde é considerado um estorvo.

(2) Como Cristo, por fim, se fez conhecer a ela e, com uma agradável surpresa, deu-lhe garantias infalíveis da sua ressurreição. José, por fim, disse aos seus irmãos: Eu sou José. E o mesmo faz Cristo aqui, a Maria Madalena, agora que Ele entrou no seu estado exaltado. Observe:

[1] Como Cristo se revelou a esta boa mulher que o procurava chorando (v. 16): “Disse-lhe Jesus: Maria!” Isto foi dito com ênfase, e com o ar de bondade e liberdade com que Ele estava acostumado a falar com ela. Agora Ele mudou sua voz, e falou como Ele mesmo, e não como um jardineiro. A maneira de Cristo se fazer conhecer ao seu povo é por meio da sua palavra, sua palavra aplicada às suas almas, falando a eles, em particular. Quando aqueles a quem Deus conhece pelo nome, nos conselhos do seu amor (Êxodo 33.12), são chamados pelo nome, na eficácia da sua graça, então Ele revela seu Filho neles, como em Paulo (Gálatas 1.16), quando Cristo o chamou pelo nome: “Saulo, Saulo”. E as ovelhas de Cristo conhecem sua voz, cap. 10.4. Esta única palavra, “Maria”, foi como aquela dita aos discípulos no meio da tempestade, “sou Eu”. Assim, a Palavra de Cristo nos faz bem quando colocamos nossos nomes nos preceitos e nas premissas. “Nisto, Cristo me chama, e fala comigo”.

[2] Com que rapidez ela recebeu esta revelação. Quando Cristo disse: “Maria, você não me conhece? Você e eu nos tornamos estranhos?”, ela imediatamente percebeu quem era, como a esposa (Cantares 2.8): “Esta é a voz do meu amado”. Ela caiu em si e respondeu: “Raboni”, meu Mestre. Isto pode ser interpretado com uma interrogação: “Raboni? E meu Mestre? É realmente Ele?” Observe, em primeiro lugar, o título de respeito que ela lhe confere: meu Mestre, um mestre que ensina. Os judeus chamavam seus doutores de Rabis, grandes homens. Seus críticos nos dizem que Rabon era, para eles, um título de maior honra que Rabi, e por isto Maria escolhe este título, e acrescenta uma nota de apropriação: meu grande Mestre. Observe que apesar da liberdade de comunhão consigo mesmo que Cristo se alegra em nos conceder, nós devemos nos lembrar de que Ele é nosso Mestre, e nos dirigirmos a Ele com um temor piedoso. Em segundo lugar, com que vivacidade de afeto ela atribui este título a Cristo. Ela voltou-se dos anjos, a quem estava olhando, para olhar para Jesus. Nós devemos abandonar toda a nossa consideração por todas as criaturas, até mesmo as mais esplêndidas e as melhores, e fixá-la em Cristo, de quem nada deve nos desviar, e com quem nada deve interferir. Quando pensava que era o jardineiro, ela olhava para outro lado enquanto falava com ele. Mas agora que tinha conhecido a voz de Cristo, voltou-se. A alma que conhece a voz de Cristo, e que se volta para Ele, o chama, com alegria e triunfo: Meu Mestre. Veja com que prazer aqueles que amam a Cristo falam da sua autoridade sobre si. Meu Mestre, meu grande Mestre.

[3] As instruções adicionais que Cristo deu a ela (v. 17): ‘”Não me detenhas’, mas vai e leva as novidades aos discípulos”.

Em primeiro lugar, Ele a desvia da expectativa de associação e convivência familiar com Ele, nesta ocasião: “Não me detenhas, porque ainda não subi”. Maria estava tão tomada pela visão do seu amado Mestre, que se esqueceu de si mesma, e do estado de glória em que Ele agora entrava, e estava prestes a expressar sua alegria abraçando-o afetuosamente, o que Cristo aqui proíbe, nesta ocasião.

1. “Não me detenhas” deste modo, sob qualquer condição, pois Eu subo para o céu. Ele pediu que os discípulos o tocassem, para a confirmação da sua fé. Ele permitiu que as mulheres abraçassem seus pés, e o adorassem (Mateus 28.9). Mas Maria, supondo que Ele havia ressuscitado, como Lázaro, para viver entre eles constantemente, e conviver com eles tão livremente como tinha convivido antes, estava com esta presunção, prestes a tomar sua mão, com a costumeira liberdade. Cristo retificou este engano. Ela devia crer nele, e adorá-lo, como exaltado, mas não devia esperar ter a mesma familiaridade com Ele, como antes. Veja 2 Coríntios 5.16. Ele a proíbe de amar sua presença física, de incitar seu coração com isto, ou de esperar aquela continuidade, e a conduz à convivência e comunhão espiritual que deveria ter com Ele, depois que Ele tivesse subido para seu Pai, pois a maior alegria da sua ressurreição era o fato de que era um passo em direção à sua ascensão. Maria pensou, agora que seu Mestre tinha ressuscitado, que Ele imediatamente estabeleceria um reino temporal, como eles tinham esperado durante tanto tempo. “Não”, diz Cristo, “não me detenhas, com qualquer pensamento deste tipo. Não penses em me deter aqui. Pois, embora Eu ainda não tenha subido, “vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo”. Assim como antes da sua morte, também agora, depois da sua ressurreição, o Senhor repete o mesmo ensino, que Ele ia partir, não mais estaria neste mundo, e, portanto, eles devem olhar além da sua presença física, e olhar além do presente estado de coisas.

2. “Não me detenhas, não me toques, não fiques aqui para fazer mais perguntas, nem para demonstrar mais expressões de alegria, pois Eu ainda não subi, Eu não partirei imediatamente, esta demonstração de amor e carinho poderá ser feita em outra ocasião. O melhor que podes fazer agora é levar as boas novas aos discípulos. Não percas tempo, portanto, vai o mais rápido que puderes”. Observe que o serviço público deve ter preferência à satisfação privada. “Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber”. Jacó deve deixar o anjo partir, quando o dia amanhecer, e é hora de cuidar da sua família. Maria não deve ficar para conversar com seu Mestre, mas deve levar sua mensagem, pois é um dia de boas novas, cujo consolo ela não deve absorver, mas transmitir a outros. Veja esta história, 2 Reis 7.9.

Em segundo lugar, Ele diz a ela qual é a mensagem que deve levar aos discípulos: “Vai para meus irmãos e dize-lhes”, não somente que Eu ressuscitei (ela lhes poderia dizer isto de si mesma, pois ela o tinha visto), mas que “eu subo”. Observe:

1. A quem esta mensagem é enviada: “Vai para meus irmãos”, pois Ele não se envergonha de chamá-los assim.

(A) Agora Ele entrava na sua glória, e era declarado como sendo o Filho de Deus com mais poder do que nunca, mas Ele ainda considera seus discípulos como seus irmãos, e se expressa com um afeto mais terno por eles do que antes. Ele os tinha chamado de amigos, mas nunca de irmãos, até agora. Embora Cristo seja elevado, Ele não é arrogante. Apesar da sua elevação, Ele não se recusa a reconhecer o relacionamento que tem com as pessoas mais simples.

(B) Seus discípulos tinham, ultimamente, se comportado de maneira pouco sincera em relação a Ele. Ele nunca os tinha visto juntos, desde que todos o tinham abandonado e fugido, quando Ele foi preso. Com razão, Ele poderia ter-lhes enviado agora uma mensagem zangada: “Vá àqueles desertores traiçoeiros, e diga-lhes que Eu nunca mais confiarei neles, nem terei qualquer coisa a ver com eles”. Mas não. Ele perdoa, Ele esquece, e Ele não lança fora.

B. Por quem é enviada: por “Maria Madalena, da qual [Jesus] tinha expulsado sete demônios”. Porém, esta era agora uma mulher favorecida pela bênção de Deus. Esta era sua recompensa pela sua constância na união a Cristo, e na sua busca por Ele. Esta era também uma tácita repreensão aos apóstolos, que não tinham estado tão próximos quanto ela, ao acompanhar a Jesus à morte, nem tinham sido tão pioneiros quanto ela, ao encontrar o Jesus ressuscitado. Ela se torna um apóstolo aos apóstolos.

C. Qual é a mensagem propriamente dita: “Eu subo para meu Pai”. Há duas grandes consolações nestas palavras:

(A) Nossa relação conjunta com Deus, resultante da nossa união com Cristo, é um consolo indescritível. Falando desta fonte inesgotável de luz, vida e bênção, Ele diz: Ele é o “meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. Isto é muito expressivo da relação íntima que existe entre Cristo e os crentes: “O que santifica como os que são santificados, são todos de um”, pois eles concordam num, Hebreus 2.11. Aqui temos um avanço dos cristãos, e uma condescendência de Cristo para aproximá-los. O planejamento dos eventos e situações para que a união seja favorecida é admirável.

[A] A grande dignidade dos crentes é que o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo é, em Cristo, seu Pai. Realmente, existe uma vasta diferença entre as respectivas fundações desta relação. Ele é o Pai de Cristo, por geração eterna, e nosso, por uma graciosa adoção. E até mesmo isto nos autoriza a chamá-lo, como fazia Cristo, “Aba, Pai”. Uma das razões pela qual Cristo os chamou de irmãos consistia no fato de que seu Pai era o Pai deles. Cristo agora estava subindo para comparecer como advogado junto ao Pai. Na presença de seu Pai, e por isto podemos esperar que Ele interceda em todos os assuntos. Na presença de nosso Pai, e por isto podemos esperar que Ele interceda por nós.

[B] O fato de que Jesus se alegra em reconhecer o Deus do crente como seu Deus é uma grande condescendência de Cristo: “Meu Deus e vosso Deus”. Meu, para que possa ser seu. O Deus do Redentor, para sustentá-lo (Salmos 89.26), para que Ele possa ser o Deus dos redimidos, para salvá-los. O resumo do novo concerto é que Deus será, para nós, o único Deus. Cristo é a garantia e o cabeça do concerto. É com Ele que se deve tratar primeiro. É somente por meio dele que os crentes, como sua semente espiritual, estão ligados a esta relação de concerto. Primeiro, Deus é o Deus do Senhor Jesus, e depois o nosso. Ao participarmos da natureza divina, o Pai de Cristo se torna nosso Pai. E, como Ele participa da natureza humana, nosso Deus é seu Deus.

(C) A ascensão de Cristo ao céu, na continuação da sua missão por nós, é, da mesma maneira, um consolo indescritível: “Dize-lhes que Eu devo subir em breve. Es­ te é o próximo passo que Eu vou dar”. Isto pretendia ser:

[A] Uma palavra de advertência aos discípulos, para que não esperassem a continuidade da presença física de Jesus aqui na terra, nem o estabelecimento do seu reino temporal entre os homens, com que eles sonhavam. “Não, diga a eles que Eu ressuscitei, não para ficar com eles, mas para prosseguir na missão por eles, ao céu”. Assim, aqueles que são ressuscitados a uma vida espiritual, em conformidade com a ressurreição de Cristo, devem admitir que ressuscitam para subir. Eles são vivificados juntamente com Cristo para que possam assentar-se com Ele nos lugares celestiais, Efésios 2.5,6. Não pensem que esta terra será sua casa e seu descanso. Não, sendo nascidos no céu, eles devem ir para o céu. Seus olhos e seu objetivo devem estar no outro mundo, e isto deve estar sempre nos seus corações: “Eu subo”, portanto devo procurar as “coisas que são de cima”.

[B] Uma palavra de consolo a eles, e a todos os que crerão nele, por meio da palavra deles. Ele então subia, Ele agora subia ao seu Pai, e ao nosso Pai. Isto foi sua promoção. Ele subia para receber estas honras e poderes que seriam a recompensa pela sua humilhação. Ele diz isto com triunfo, para que todos os que o amam possam se alegrar. Isto é nosso benefício, pois Ele subiu como um vencedor, levando cativo o cativeiro, por nós (Salmos 68.18). Ele subiu como nosso precursor, para preparar um lugar para nós e para estar pronto para nos receber. Esta mensagem é parecida com aquela que os irmãos de José levaram a Jacó a respeito dele (Genesis 45.26): ”José ainda vive”, e não somente isto, ele vive, e vem para o senado também. “Ele é governador sobre toda a terra do Egito”. Todo o poder é dele.

Alguns entendem que nestas palavras: “Eu subo para… meu Deus e vosso Deus”, está incluída a promessa da nossa ressurreição, em virtude da ressurreição de Cristo. Pois Cristo tinha provado a ressurreição dos mortos com as palavras: “Eu sou o Deus de Abraão”, Mateus 22.32. Assim, Cristo aqui está dizendo: “Como Ele é meu Deus, e me ressuscitou, também é vosso Deus, e irá, portanto, ressuscitar-vos, e será vosso Deus”, Apocalipse 21.3. “Porque eu vivo, e vós vivereis”. ”Agora Eu subo, para honrar ao meu Deus, e vós subireis a Ele, como vosso Deus”.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O MELHOR CEGO É AQUELE QUE NÃO QUER VER

Artista se dispôs a passar três dias no mais completo breu: foi hermeticamente vendado e imediatamente assumiu a postura de um ancião.

o melhor cego é aquele que não quer ver

A predominância da visão entre os sentidos humanos é tão grande que chegamos a usar coloquialmente as expressões “olha isso” ou “viu?” para indicar estímulos não visuais. Caçadores e coletores, nossos ancestrais viveram em estrita dependência da visão, pois apenas ela fornece imagens detalhadas de objetos distantes. Viver sem ver parece catastrófico para quem normalmente vê, mas o convívio com cegos bem adaptados demonstra que as compensações sensoriais e o aprendizado da falta permitem um notável grau de autonomia. Exímios navegadores da memória, refinados cartógrafos de texturas, senhores dos sons e odores, excepcionais interlocutores no trato com o próximo, os cegos bem temperados não inspiram pena e sim a mais franca admiração.

Em 2015 foi publicado o estudo eletrofisiológico de uma cegueira psicogênica, isto é, provocada não por deficiência anatômica ou fisiológica (hardware) mas por uma disfunção psíquica (software). O caso envolve o raríssimo transtorno dissociativo de identidade, em que o paciente atua como se possuísse distintas personalidades. Descrito há mais de um século por Charcot, Janet e Freud, esse transtorno foi posteriormente questionado como sendo um artefato terapêutico ou cultural. No caso em questão, uma paciente com múltiplas personalidades tornou-se cega após um traumatismo cranioencefálico, mas anos depois recuperou a visão quando sob a identidade de um adolescente do sexo masculino. Após uma sessão em que foram tratados temas especialmente traumáticos, subitamente a paciente tornou-se capaz de ler palavras inteiras. Depois, progressivamente, passou a reconhecer letras e finalmente imagens em geral. Sessões de hipnose levaram a uma generalização da visão para algumas outras personalidades da paciente, de modo que estados videntes e cegos passaram a se alternar na mesma pessoa em questão de segundos.

O registro de potenciais elétricos evocados por estímulos visuais mostrou que o córtex visual respondia apenas quando a paciente declarava ver, mas não quando reportava cegueira. Em outras palavras, a resposta fisiológica do cérebro dependia efetivamente da personalidade assumida a cada instante pela paciente. Ainda não está claro se este caso de cegueira histérica reflete processos cerebrais de cancelamento da imagem visual ou simplesmente um sutil mas eficaz desfocamento dos olhos. Seja como for, a documentação neurofisiológica do fenômeno indica que o transtorno dissociativo de identidade tem caráter biológico.

Se a instalação involuntária da cegueira sem causa orgânica aparente representa um quadro mental potencialmente revelador das misteriosas estruturas da mente, a cegueira voluntária é uma opção instrutiva para quem deseja explorar os limites da consciência. Buscando a experiência do verdadeiro escuro, o artista Leonardo Costa Braga dispôs-se a três dias de breu. Foi hermeticamente vendado e imediatamente assumiu a postura de um ancião. Durante as primeiras horas após o vendamento, expressou fragilidade, necessidade constante de apoio, medo evidente de perigos invisíveis e uma constante sensação de morte da personalidade que achava que a vida era apenas ver. Mover-se e viver tornou-se épico. A atenção chegou a tal extremo de foco que mesmo o som do mar a poucos metros tornou-se inaudível durante uma conversação com um guia durante uma caminhada.

Mas após uma noite de muitos sonhos, a adaptação foi emocionante. Retornou a postura corporal de adulto saudável, revigorada pelo aumento da sensibilidade dos outros sentidos. Instalou-se uma sinestesia poderosa, capaz de transformar em cores e formas os contatos do corpo com superfícies e sons do ambiente. Mestre da fotografia e da semiótica do cotidiano, Leonardo passou a retratar seu entorno com a clarividência de quem vê além da luz. Ao final da experiência, o artista nadava no Atlântico como se viajasse no espaço sideral, destemido e infinitamente livre.

Essa experiência encontra-se bem documentada no livro Olho mágico, fruto de um Prêmio Nacional Rede Funarte de Artes Visuais, em colaboração com o Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e do curso de alfabetização visual para deficientes visuais do Centro Universitário Senac-SP. Para conhecer o trabalho do artista: http://www.leonardocosta braga.com

OUTROS OLHARES

MENOS MÉDICOS, MAIS CONFUSÃO

Cuba rompe acordo com o Brasil e chama de volta profissionais participantes do Programa Mais Médicos. Foi uma retaliação às críticas de Bolsonaro, que promete asilo a quem quiser ficar.

menos médicos, mais confusão

Era esperado que acontecesse, só não se imaginava que seria tão rápido. Na quarta-feira 14, o governo de Cuba anunciou sua saída do Programa Mais Médicos, criado em 2013 na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff com o objetivo de assegurar assistência médica em localidades onde faltam profissionais. Polêmico desde seu início, o programa dividiu setores médicos, políticos e de organizações sociais. Enquanto parte criticou a iniciativa sob o argumento de que o País não precisava de mais profissionais e sim de melhor distribuição e de financiamento, outra a apoiava baseada na afirmação de que centenas de cidades, especialmente as do interior, não tinham qualquer tipo de atendimento e que médicos brasileiros se recusavam a deixar as capitais.

A presença dos cubanos foi sempre especialmente incômoda. Eles somam a maior parte de profissionais envolvidos no programa, totalizando 8.332 médicos em um total de pouco mais de 16 mil. O restante é composto por brasileiros formados no Brasil e no Exterior e por intercambistas (de outras nacionalidades). Os que vieram de Cuba chegaram ao Brasil por meio de um acordo intermediado pela Organização Pan-americana da Saúde que previa o pagamento de uma bolsa hoje no valor de R$ 11.865,60. Porém, os médicos ficam apenas com R$ 3 mil. O resto é repassado ao governo de Cuba.

Essa forma de remuneração e a não exigência de que os médicos passassem por um exame de validação de seus diplomas no Brasil tornaram-se os principais pontos de crítica. As entidades contrárias ao projeto acusavam o governo da ilha de explorar o trabalho de seus médicos – além de proibi-los de pedir asilo – e também o governo brasileiro, ao colocar na ponta da assistência à população carente profissionais cuja qualidade nunca foi testada no Brasil. “Muitos nem são médicos”, afirma o médico José Luiz do Amaral, presidente da Associação Paulista de Medicina. “Não se qualificam minimamente nos exames. São técnicos treinados para ocupar lugares em postos de saúde”, completa.

Em sua campanha, Bolsonaro já havia avisado que mudaria os termos do acordo se eleito. Primeiro, exigiria que os profissionais se submetessem ao Revalida, o teste de validação do diploma. Depois, faria com que os médicos ficassem com o salário integral, sem repasse à “ditadura cubana”, como escreveu em seu twitter. “É trabalho escravo. Não poderia compactuar com isso”, afirmou depois, em entrevista. Por último o presidente eleito disse que permitiria que os cubanos trouxessem suas famílias para morar no País.

CONTRATAÇÃO DE EMERGÊNCIA

O súbito rompimento do acordo, de forma unilateral, surpreendeu e foi entendido como uma retaliação ao futuro presidente brasileiro. Ninguém sabe ao certo como será a repatriação dos profissionais até o fim de dezembro e, principalmente, de que forma o atendimento hoje feito pelos cubanos continuará sendo oferecido. Em nota, o Conselho dos Secretários Municipais de Saúde afirma que chegam a 29 milhões o total de brasileiros hoje atendidos por cubanos. A região Nordeste é onde se concentra a maior parte dos profissionais. “Em caráter emergencial, sugerimos a manutenção das condições atuais de contratação”, pediram os secretários. Na Bahia, onde há 822 cubanos, o prefeito de Salvador, ACM Neto, também manifestou apreensão. “Não é possível acabar com o programa de uma hora para outra. É preciso uma intervenção rápida”, disse. “O governo tem direito de mudar o programa, desde que tenha capacidade de suprir as demandas.” O Ministério da Saúde anunciou que lançará um edital para a contratação emergencial de médicos.

A atitude cubana, que não deu margem a qualquer diálogo entre os governos, deixa o Brasil em uma situação difícil, é verdade. Mas o governo de Miguel Díaz- Canel enfrentará também um cenário complicado. Os médicos que estão aqui foram igualmente surpreendidos e a maioria lamentou a decisão. Anonimamente, muitos pretendem pedir asilo político e continuar no Brasil, onde estabeleceram redes de contatos sociais e profissionais. E Bolsonaro já adiantou que pretende conceder asilo aos cubanos que desejarem permanecer em território brasileiro. Ou seja, menos médicos, mais confusão.

menos médicos, mais confusão.2

GESTÃO E CARREIRA

É MUITO CHATO MESMO…

Pesquisa mostra o que os funcionários fazem durante reuniões com apresentação de slides. A maioria faz tudo, menos prestar atenção…

É muito chato mesmo...

Poucas coisas podem ser mais enfadonhas no dia a dia das empresas do que apresentações, em salas à meia-luz. A companhia húngara Prezi, dona de um sistema concorrente do PowerPoint, resolveu investigar para onde vai o pensamento dos funcionários enquanto um slide se segue a outro e a mais outro e…. Foram ouvidos 2 mil profissionais americanos. Nesses momentos, 95% das pessoas fazem alguma coisa, que não é prestar atenção ao que está sendo dito e mostrado. Alguns conversam no celular, outros leem e-mails e há até aqueles que trabalham, mas longe de onde estão em corpo presente. Resultado: um em cada três perde o fio da meada e um em cada cinco comete erros ao lidar com vários assuntos ao mesmo tempo. A dispersão é maior na faixa etária de 18 a 34 anos – 56% deles precisam rever o conteúdo das apresentações, ante 44% dos que têm 55 anos ou mais. “As apresentações não cativam”, diz Nadjya Ghausi, vice-presidente de marketing da Prezi. O problema está na forma. “Projeções carregadas de estatísticas não engajam ninguém”, explica. Seria diferente se as informações fossem sob a forma de narrativa com exemplos – 35% dos jovens disseram prestar atenção quando a apresentação contém uma ótima história.

É muito chato mesmo...2

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 11-18 – PARTE II

alimento diário

A Ressurreição

 

II – A visão que ela teve de dois anjos no sepulcro, v. 12. Observe aqui:

1. A descrição das pessoas que ela viu. Eram “dois anjos vestidos de branco, assentados” (provavelmente, em algum banco de pedra ou em nichos escavados na rocha), “um à cabeceira e outro aos pés”. Aqui temos:

(1) Sua natureza. Eram anjos, mensageiros do céu, enviados intencionalmente, nesta grande ocasião:

[1] Para honrar o Filho, e para agraciar a solenidade da sua ressurreição. Agora que o Filho de Deus seria novamente introduzido no mundo, os anjos tinham a incumbência de adorá-lo, como tinham feito no seu nascimento, Hebreus 1.6.

[2] Para consolar os santos. Para dizer boas palavras àqueles que estavam sofrendo, e, dando-lhes a notícia de que o Senhor tinha ressuscitado, prepará-los para a visão dele.

(2) Seu número: “dois”, não “uma multidão dos exércitos celestiais”, para cantar louvores, somente dois, para dar testemunho. Pois, pela boca de duas testemunhas, esta palavra seria confirmada.

(3) Sua forma de vestir: eles estavam “vestidos de branco”, indicando:

[1] Sua pureza e santidade. Os melhores homens, diante dos anjos, e comparados com eles, estão vestidos de “vestes sujas” (Zacarias 3.3), mas os anjos são imaculados. E os santos glorificados, quando vierem a ser como os anjos, andarão com Cristo vestidos de branco.

[2] Sua glória, e glorificação, nesta ocasião. O branco em que eles apareceram representava o esplendor daquele estado no qual Cristo agora estava.

(4) Sua posição e seu lugar: eles estavam assentados, como se repousando, no sepulcro de Cristo. Pois os anjos, embora não precisassem de uma restauração, deveriam adorar e honrar a Cristo por terem sido estabelecidos por Ele. Estes anjos entraram no sepulcro, para nos ensinar a não temê-lo, nem pensar que o fato de permanecer ali durante algum tempo irá prejudicar de alguma maneira nossa imortalidade. Não irá. As questões estão organizadas de tal maneira que o sepulcro não é um desvio no nosso caminho para o céu. Isto evidencia, da mesma maneira, que os anjos devem estar emprega­ dos junto aos santos, não somente na sua morte, para levar suas almas ao seio de Abraão, mas no grande dia, para ajuntar seus corpos, Mateus 24.31. Estas guardas angelicais (e os anjos são chamados de vigias, Daniel 4.23), guardando a sepultura, depois de terem afastado os guardas que os inimigos tinham colocado ali, representam a vitória de Cristo sobre os poderes das trevas, derrotando-os e afugentando-os. Assim, Miguel e seus anjos são mais do que vencedores. Eles estão sentados, um em frente ao outro, um à cabeceira da sua cama, o outro aos pés, o que indica seu cuidado pelo corpo inteiro de Cristo, seu corpo místico, assim como pelo seu corpo natural, da cabeça aos pés. Isto também nos lembra dos dois querubins, colocados um em cada extremidade do propiciatório, um olhando para o outro, Êxodo 25.18. Cristo crucificado era o grande propiciatório, e na sua cabeça e aos seus pés estavam estes dois querubins, não com espadas flamejantes, para nos afastar do caminho da vida, mas como mensageiros de boas-vindas, para nos conduzir ao caminho da viela.

2. A misericordiosa pergunta elos anjos sobre a causa da tristeza de Maria Madalena (v. 13): “Mulher, por que choras?” Esta pergunta foi:

(1) Uma repreensão ao seu pranto: “Por que você chora, quando tem motivos para alegrar-se?” Muitas correntes das nossas lágrimas se secariam diante de uma pergunta como esta, diante da busca da fonte das tristezas. Por que você está abatida?

(2) Pretendia mostrar o quanto os anjos se preocupam com as tristezas dos santos, tendo a incumbência ele ministrar-lhes para seu consolo. Os cristãos devem, desta maneira, ser solidários uns com os outros.

(3) Propiciava uma oportunidade de informá-la daquilo que transformaria sua tristeza em gozo, removendo seu pano de saco, envolvendo-a em alegria.

3. A explicação melancólica que ela lhes dá sobre sua tristeza atual: “Porque levaram” o corpo bendito que eu vim embalsamar, e “não sei onde o puseram”. A mesma coisa que ela tinha dito anteriormente, v. 2. Nisto, podemos ver:

(1) A fraqueza da sua fé. Se ela tivesse tido uma fé como um grão de mostarda, esta montanha teria sido removida. Mas frequentemente nós nos confundimos, desnecessariamente, com dificuldades imaginárias, que a fé nos revelaria como sendo vantagens reais. Muitas pessoas boas se queixam das nuvens e das trevas sob as quais se encontram, quando são necessários métodos de graça para humilhar suas almas, mortificar seus pecados, e despertar nelas o afeto por Cristo.

(2) A força do seu amor. Aqueles que têm um afeto verdadeiro por Cristo não podem evitar grande aflição quando perdem os sinais consoladores do seu amor nas suas almas ou as oportunidades consoladoras de estar com Ele, e honrá-lo nas suas ordenanças. Maria Madalena não se desvia da sua busca pela surpresa da visão, nem se satisfaz com esta honra, mas ela ainda repete o mesmo refrão: “Levaram o meu Senhor”. Uma visão de anjos e dos seus sorrisos não será suficiente sem uma visão de Cristo e dos seus sorrisos. Não. A visão dos anjos é apenas uma oportunidade para prosseguir na sua procura por Cristo. Todas as criaturas, as mais excelentes, as mais queridas, devem ser usadas como meios, mas somente como meios, para nos levar ao conhecimento de Deus em Cristo. Os anjos lhe perguntaram: “Por que choras?” Eu tenho motivos suficientes para chorar, diz ela, pois “levaram o meu Senhor”, e, como Mica, “que mais me fica agora?” Vocês me perguntam por que choro? “Já o meu amado se retirou e se foi”. Observe que ninguém, exceto aqueles que já a sentiram, conhece a tristeza de uma alma abandonada, que tinha evidências consoladoras do amor de Deus em Cristo, e esperanças no céu, mas agora as perdeu, e caminha nas trevas. ”Ao espírito abatido, quem o levantará?”

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O QUE OS OUTROS SABEM SOBRE VOCÊ?

o que os outros sabem sobre você

TIPO 1

Pode-se dizer, para começar, que você tem necessidade de ser amado e admirado, e, contudo, pode ser muito crítico consigo mesmo. No plano das relações pessoais, você tem uma grande propensão a se dedicar ao outro. Inimigo do superficial, você não oferece sua amizade ou confiança a qualquer um. Sabe, por experiência própria, que não dá certo mostrar seus sentimentos tão facilmente. Mas sua sociabilidade sempre o leva a estabelecer relações de amizade sinceras, especialmente com as pessoas que escolheu para estar a seu redor. Apesar disso, você às vezes precisa ficar sozinho para recarregar as energias e se reencontrar. Sua abertura de espírito o faz aceitar com entusiasmo as ideias novas e enriquecedoras. Você pode se mostrar um tanto ciumento no amor, principalmente quando outra pessoa parece ameaçar a integridade e estabilidade de sua relação amorosa.

TIPO 2

As sensações prazerosas o atraem. Você adora alimentos saborosos, o que por vezes o leva a excessos na comida e na bebida. O belo e atraente provoca-lhe admiração e prazer. Por isso, a poluição do ambiente o preocupa e as cenas de destruição da Natureza o deixam indignado. Em sua vida, você curte certa dose de mudança e variedade pequenas ou grandes viagens, por exemplo – e por isso é difícil quando alguém (ou algo) lhe impõe limites. Às vezes sua calma es­ conde nervosismo. Você gosta de mostrar seu espírito independente e só aceita a opinião dos outros se seu proveito for claro – ainda que, vez por outra, você possa se deixar influenciar por alguém de que gosta muito. Seu senso de humor é bastante desenvolvido e o riso é para você sinal de saúde.

TIPO 3

A honestidade e a franqueza são qualidades que você preserva e seu senso de justiça o faz criticar todo tipo de injustiça e desigualdade, pois você acredita num mundo melhor. A preguiça é uma tentação a que você sucumbe de vez em quando, mas, quando está realmente motivado, sabe fazer seu trabalho com a maior dedicação e interesse. Você tem um potencial admirável e tudo o que é necessário para usá-lo a seu favor, mas muitas vezes as circunstâncias se opõem a você mais intensamente do que se poderia imaginar. Como ocorre a todo mundo, sua personalidade tem pontos fracos, mas geralmente você sabe muito bem como compensá-los. Nesse sentido, os defeitos são ótimas chances para seu crescimento pessoal, e é com determinação que você os assume. Mas seu lado levemente conservador permite que você aprecie um equilíbrio estável e seguro. Muitas vezes você se pergunta se tomou a decisão certa ou se fez o que deveria ser feito. Algumas de suas aspirações tendem a ser irrealistas, mas você tem consciência disso, pois acredita que na vida é preciso ter sonhos para mobilizar as energias e viver plenamente.

Já sabe em qual tipo se encaixa? Muito bem! Agora vale a pena saber: tendemos a nos reconhecer em análises generalizadas de personalidade como se dissessem respeito unicamente a nós e revelassem nossas características psíquicas. No ímpeto de nos adequarmos a descrições, preenchemos – sem nos darmos conta – as lacunas das descrições com nossas próprias imagens mentais. Em psicologia, esse fenômeno é chamado de efeito Barnum.

As pessoas adoram fazer testes que ofereçam informações sobre seus traços de personalidade. E eles proliferam nas revistas femininas e no Facebook. Em geral, diante do resultado da análise (muitas vezes mero resultado de combinações de informações geridas por algum algoritmo) a pessoa fica estupefata, com a impressão de que seu modo de ser e se relacionar com o mundo foi revelado. A curiosidade em relação às respostas que vêm prontas, de fora, responde a uma curiosidade moderna, já que em nenhuma outra época tentamos seguir de maneira tão estrita a injunção “Conhece-te a ti mesmo”. Ao lado de técnicas psicológicas reconhecidas de investigação da personalidade, horóscopo, grafologia e tantas outras áreas buscam revelar nosso universo interior, o que costuma despertar grande curiosidade. O efeito Barnum, assim denominado pelo psicólogo americano Bertram Forer, refere-se justamente à tendência que as pessoas têm de tomar o genérico como específico – e acreditar que dados gerais, superficiais e amplos, que facilmente se aplicariam a grande número de pessoas, dizem respeito a elas. Com isso, a descrição de personalidade apresentada (qualquer que seja ela) produz o mesmo efeito, contanto que seja um pouco gratificante e que o sujeito esteja convencido de que é específica para ele.

Em 1948, para denunciar a banalidade e generalidade dos horóscopos, Forer teve a ideia de fazer uma experiência surpreendente. Uma semana depois de submeter 39 estudantes a um teste sobre motivação, ele lhes apresentou uma curta análise da personalidade de cada um e pediu que avaliassem sua exatidão segundo uma escala de zero (nenhuma exatidão) a 5 (total exatidão). Acredite ou não, a descrição era a mesma para todos. E, ainda assim, cada um deles se reconheceu nela: dos 39 participantes, 16 deram nota 5; 18 optaram pela nota 4 e 4 pela nota 3. Apenas 1 deu nota 2. E ninguém escolheu nota 1 ou zero. É incrível que, nesse tipo de caso, nunca ocorre aos envolvidos, nem por um segundo, que sua descrição possa convir igualmente ao vizinho – exceto quando se pergunta a esse respeito de modo explícito. A impressão imediata de se reconhecer especificamente parece irrefreável.

Os criadores de testes duvidosos, formulados sem critérios científicos – muito diferentes dos usados por profissionais da psicologia que recorrem a ferramentas estudadas para psicometria, sem qualquer pretensão de antever o futuro – se fiam muito no sentimento de busca de adequação de seu público para assegurar seu sucesso. E o curioso é que mesmo pessoas bem informadas podem se mostrar facilmente ludibriáveis. De fato, não é raro que se argumente que determinado resultado é “verdadeiro” porque todo mundo se reconhece nas características apresentadas.

Ora, o efeito Barnum demonstra que o fato de as pessoas acharem correto o que é dito sobre sua personalidade absolutamente não comprova a validade da avaliação.

O efeito, aliás, aparece também nos testes sérios e validados cientificamente. É análogo ao placebo, que contribui para os resultados benéficos de remédios e práticas sem eficácia comprovada. Também chamado de “efeito da validação subjetiva”, o fenômeno foi batiza do de efeito Barnum em 1956 por Paul Meehl, em homenagem ao criador do primeiro circo moderno, o célebre Phineas Barnum Circus. Ele, que possivelmente ficaria espantado de ver seu nome passar do mundo dos espetáculos populares para o da psicologia, atribuía seu sucesso a duas razões, chegou a declarar que “a cada minuto nasce um trouxa” e que “é preciso reservar algo para apresentar a cada um deles”. A credulidade do público, evocada na primeira afirmação, não está somente no efeito Barnum; e a segunda afirmação aponta aquilo que evidencia os processos da percepção que o indivíduo tem de sua própria identidade.

A experiência de Forer foi refeita diversas vezes, com pequenas variações destinadas a verificar hipóteses secundárias, mas sempre se confirmou. Na mesma escala de zero a 5, a média das avaliações quanto à exatidão da descrição é 4,2, com desvio muito pequeno. Assim, nem a idade nem o sexo dos participantes parecem ter influência sobre os resultados e o mesmo vale para profissão (além dos estudantes, grupo preferido dos psicólogos responsáveis pela experiência, operários, funcionários da área administrativa de empresas e diretores de recursos humanos também passaram por testes).

Foi constatado, entretanto, que a manifestação do efeito Barnum varia levemente, de acordo com o elemento ou a prova que serve de base para a análise da personalidade. Assim, as pessoas julgam um pouco mais exata a descrição proposta quando acreditam que ela é feita a partir de um teste projetivo.

PREENCHENDO CONTORNOS

Mas como explicar o efeito Barnum? Será somente resultado de ingenuidade ou vaidade? Ao que tudo indica, para responder isso é preciso estender um pouco a análise e se debruçar sobre os processos presentes na elaboração de nossa percepção sobre nós mesmos.

Os primeiros elementos para a explicação residem na redação do retrato “personalizado”: o texto emprega termos vagos e genéricos, as apreciações podem se aplicar a muitas situações e abranger grande número de condutas. É aquele que recebe a análise e, sem perceber, define seus contornos ou preenche as lacunas com suas próprias imagens e representações mentais. Além disso, a maior parte dessas descrições apresenta um traço de personalidade e seu contrário, dando a impressão de um retrato com nuances. Consequentemente, o elemento de personalidade com que a pessoa mais se identifica se impõe no processo de seleção perceptiva, em detrimento de sua alternativa.

Certos analistas vão ainda mais longe: estimam que, como seus elementos são universais e caracterizam as pessoas em geral, podemos considerar os retratos Barnum como “verdadeiros”. Sendo assim, o fato de se identificar com eles não é sinal de credulidade excessiva. Sem dúvida, os seres humanos são muito mais parecidos que costumamos supor. De onde vem então essa impressão de que o texto descreve de maneira tão precisa aquilo que nos descreve como uma pessoa única?

É claro que os retratos propõem às pessoas uma avaliação globalmente positiva. Ora, diversas experiências demonstraram que ninguém se estima inferior à média quando se trata de avaliar uma de suas qualidades ou um traço de personalidade socialmente desejável. Assim, numa enquete sobre a avaliação de qualidades sociais, as pessoas se declararão de acordo com a frase “De modo geral, sou consciente dos efeitos de minhas ações sobre os outros”, e em desacordo com “De modo geral, as pessoas são conscientes de suas ações em relação aos outros”. Parece, portanto, que cada um de nós se julga ligeiramente melhor que os outros – mas não muito, pois é preciso ser realista em relação aos diversos aspectos da personalidade. Ademais, alguns elementos desfavoráveis do retrato Barnum, ainda que sejam pouco numerosos, podem às vezes ser julgados exatos, pois permitem que a pessoa admita pequenos defeitos, mostrando-se lúcida em relação a si mesma – outra qualidade muito valorizada socialmente.

Além disso, falando em aspectos negativos, parece que quanto mais se está convencido da competência do analista ou da verdade do sistema empregado, mais os elementos desfavoráveis na avaliação de sua personalidade são aceitos.

A maneira como construímos nossa identidade pode explicar melhor o fenômeno Barnum. Primeiro, como mostraram as teorias psicológicas, na maioria das vezes, não temos acesso direto àquilo que somos de verdade; falta-nos visão clara de nossos processos e de nossas características. É claro que percebemos nossos estados afetivos, até com muita intensidade em dadas situações, mas o cérebro só constrói o conhecimento a partir de informações exteriores a ele, e a percepção de si não escapa à regra. Assim, o conceito de si, que alguns ligam à identidade, repousa em um sistema de representações (o que chamamos de introspecção é apenas um trabalho mais ou me­ nos aprofundado sobre essas representações).

A observação de nossos comportamentos e reações emocionais, as informações de nós mesmos que os outros nos oferecem (que na verdade são filtradas por nossa percepção), assim como as conclusões e deduções tiradas de categorias precedentes constituem o essencial do material de base dessas representações. O cérebro tem a tarefa de fazer uma síntese desses elementos, ou pelo menos criar uma impressão de unidade, coerência, estabilidade e sentido. Para que seja aceitável, essa avaliação deve ser reconfortante, e é por isso que escolhemos os elementos que confirmam nossas ideias já estabelecidas, mais fáceis de serem aceitas. Nós as interpretamos fazendo relações entre esses elementos e “desligando-os” de explicações e significados anteriores. As inferências que fazemos sobre nós mesmos se exprimem como traços de personalidade estáveis, que parecem perdurar e dar conta de condutas diversas – é o papel da memória na identidade pessoal. Apesar de serem categorias semânticas vagas, as palavras que traduzem esses traços são aquelas que empregamos todos os dias para descrever e explicar nossa personalidade e a dos outros.

A imagem de si é estável e, contudo, nunca é definitiva – nutre-se constantemente de novas informações. Para cada um de nós, ela é um frágil edifício virtual, já que nossa imagem não se funda sobre um conhecimento verdadeiro do que se passa em nosso interior e dos fatores reais que regem nossa conduta. Mas, a inda assim, essa quimera é consubstancial a todos os aspectos de nossa existência, intervindo como um poderoso fator de motivação. Esse processo pode ser mais ou menos cambiante, mais ou menos intenso – de acordo com a pessoa e as circunstâncias, tendo em conta, por exemplo, o caráter familiar ou de novidade de uma situação -, mas o conceito de si funciona como uma teoria que precisa ser continuamente confirmada, total ou parcialmente.

UM POUQUINHO MAIS BONITOS

Como toda percepção, nossas representações de nós mesmos são povoadas de algumas ilusões – como a de sermos (um pouco) melhores que os outros; já que tendemos a superestimar levemente os julgamentos positivos que fazem de nós, pensamos dominar o meio em que vivemos. E temos um otimismo irrealista em relação ao futuro. Tendemos a crer, por exemplo, que “a infelicidade só acontece com os outros!” – e nos surpreendemos quando algo grave se passa conosco.

Para nosso bem-estar psicológico, compomos uma imagem positiva de nós mesmos, e, para consegui-la, procuramos prioritariamente coisas que a confirmem, assumindo deliberadamente a complacência. Demonstramos, com efeito, que descrições lisonjeiras, mesmo que redigidas como retratos Barnum, não somente fazem bem, como também aumentam a sensação de nossa competência. Alguns psicólogos acreditam que a saúde mental é diretamente ligada a essa sutil superestimação, e que se enganam aqueles que creem curar seus clientes levando-os a uma visão “objetiva” e realista de si mesmos. Ao contrário, pesquisas diversas revelam que pessoas depressivas têm uma percepção mais exata do julgamento dos outros e tendem menos a “embelezar” tal julgamento. O efeito Barnum é mais manifesto quanto mais positivo for o julgamento: quanto mais elogioso for, mais a pessoa tende a considera ­ lo justo e específico. Para construir nossa imagem interior, temos, portanto, uma inexorável necessidade de apreciações favoráveis. O efeito Barnum revela esse anseio. As descrições propostas pelos “peritos” são para nós um presente dos céus: nos poupam por um momento da busca de informações e do esforço para tratá-las cognitivamente, dando-nos a chance de saborear por um instante a doce e reconfortante sensação de sermos únicos e notáveis, estáveis e coerentes.

Os pseudopsicólogos levam a melhor, numa época em que o autoconhecimento é um imperativo da moda. Mas a credulidade de uns ou a facilidade de se enganar de outros são explicações insuficientes para o fenômeno. O fato de se reconhecer em uma descrição feita “por nós” não é sinal de tolice, mas o reflexo de processos cognitivos e afetivos que estão na base de nossa identidade.

Para além do efeito Barnum, resta uma questão: é possível conhecer a nós mesmos de forma objetiva? Podemos até nos perguntar se é legítimo falar em personalidade e em meios de desvendá-la. Não se trata, absolutamente, de negar as diferenças entre as pessoas, mas de constatar que os recursos de que dispomos para dar conta um caminho longo, que certamente não vem de fora de nós.

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 AO ALCANCE DE TODOS

A experiência idealizada por Forer em 1948 foi repetida dezenas de vezes. De fácil execução, sempre oferece resultados bastante consistentes. Em um módulo de astrologia num curso sobre comportamento realizado pela Sociedade Rádio Canadá, refizemos a experiência em uma classe com 20 alunos dos dois sexos, com idades entre 18 e 48 anos.

Num primeiro encontro, pedimos que os voluntários avaliassem o grau de acerto da descrição de sua personalidade feita a partir de seu signo solar. O texto foi entregue por escrito e eles deveriam proceder “com a maior objetividade possível”, independentemente de sua crença na astrologia, como se nós quiséssemos verificar em que medida os signos do zodíaco seriam capazes de descrever personalidades. Avisamos ainda que os textos haviam sido redigidos por um psicólogo, sem as metáforas e alusões mitológicas normalmente empregadas pelos astrólogos. Por fim, os 18 alunos interessados em participar da experiência escreveram seu nome e data de nascimento em uma folha.

As 18 pessoas leram, sem saber, a mesma descrição, que foi escrita a partir de várias fontes e incluía elementos relativos a diversas dimensões da existência: social, afetiva, intelectual etc. Dezoito cópias do texto foram impressas, e para personalizar o retrato, cada uma continha o nome e o signo astrológico do participante; os adjetivos eram flexionados de acordo com o sexo dele. Note-se que nossa amostra continha nove dos 12 signos zodiacais. Para evitar que a aparência dos papéis distribuídos revelasse nossa (tão inocente) manobra, a divisão de parágrafos era diferente para cada signo. Uma folha de resposta era entregue junto com a descrição. Os participantes deveriam anotar se o retrato os descrevia totalmente (5), em grande medida (4), em boa medida (3), regularmente (2), um pouco (1), ou em nada (O). A título indicativo, deveriam responder se, independentemente da descrição que acabavam de ler, acreditavam em astrologia (as opções de resposta eram: muito, mais ou menos, e não acredito).

Uma semana depois, reencontramos os estudantes. A descrição personalizada e a folha de resposta foram distribuídas e repetimos as instruções, insistindo sobre o caráter objetivo da avaliação. Eles levaram entre cinco e dez minutos para ler o texto e responder. Em seguida – obviamente depois de recolher as folhas de res posta -, explicamos o que é o efeito Barnum, do qual eles tinham acabado de ser vítimas.

Os resultados foram os seguintes: duas pessoas acharam que o texto as descrevia totalmente; 12, correto em grande medida; três, em boa medida; uma, achou que a descrevia regularmente. Esses números são totalmente condizentes com os que forer e outros pesquisadores obtiveram. Além disso, nada indica que tenham relação com a crença na astrologia: ninguém disse acreditar muito em nessa área; os dois participantes que disseram se reconhecer totalmente nas descrições acreditavam medianamente; dos 12 que se reconhecem “em grande medida”, oito se fiavam “medianamente” o poder dos astros e quatro não acreditam; os três que se reconheceram em boa medida no retrato alegaram crer medianamente. E o estudante que se identificou regularmente não acreditava. Em outros termos, das cinco pessoas que disseram não acreditar em astrologia, quatro acharam que o texto proposto as descrevia em grande medida. Portanto, não é o fato de crer nas pseudociências que ocasiona o efeito Barnum. Pensamos que uma descrição que parecesse ainda mais personalizada para o participante, que lhe fosse apresentada como feita a partir de seu mapa astral, em vez de expor características gerais de seu signo, teria provavelmente provocado resultados ainda mais convincentes.

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OUTROS OLHARES

ESCOLA SEM PARTIDO É UM RETROCESSO

O movimento propõe a censura aos professores na sala de aula. O STF decidirá se ele é legal.

escola sem partido é um retrocesso

Paulo Freire (1921-1997), o mais célebre educador brasileiro e reconhecido internacionalmente pela consistência de suas ideias, ensinou que educar é sinônimo de dialogar, de se abrir para o outro. Opiniões são crenças a partir das quais constroem-se diálogos, abrindo o espaço para a criação de conhecimento. As escolas, nessa visão, são lugares para despertar nas crianças a curiosidade, a inquietação, bem longe das platitudes de um ensino pautado pela debilidade de uma verdade apenas. Nos dias atuais, quando é urgente a necessidade de reaprender a ouvir e de respeitar posições contrárias as nossas, os princípios de Paulo Freire deveriam ser mais considerados do que nunca. No entanto, observa-se o avanço do oposto, consolidado nas propostas do movimento Escola sem partido.

Promovido por alas mais conservadoras da sociedade, o programa tem por objetivo inibir o que consideram “a prática da doutrinação política e ideológica em sala de aula e a usurpação do direito dos pais dos alunos sobre a educação moral dos seus filhos”, segundo descrição oficial da iniciativa. Há alguns anos ele vem sendo discutido, mas pegou fôlego a partir de 2015, quando projetos de lei municipais, estaduais e federais pedindo o estabelecimento de normas com esse propósito começaram a tramitar nas esferas legislativas correspondentes. A principal medida é a obrigatoriedade da fixação nas classes de um cartaz com seis deveres dos professores. Entre eles, o de não “promover suas próprias preferências ideológicas” e o de respeitar “o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções”. Em caso de desobediência, os docentes estariam sujeitos a punições que vão de reparação de danos à perda do cargo e pena de detenção de seis meses.

Poucas vezes o País viveu ideias tão obscurantistas na educação quanto essas. Na prática, o movimento significa instituir a censura dentro da sala de aula, por concepção território que deveria ser intocável para o trânsito livre de conceitos. Do que se trata exatamente a tal doutrinação de que fala o Escola sem partido? Na concepção deles, consiste basicamente na transmissão do que entendem como pensamentos de esquerda e também a adoção de boas novidades, como a discussão de gênero dentro das escolas. Ou seja, doutrinação é quando o professor informa aos alunos visões de mundo que não são compartilhadas por eles. Se fossem as por eles defendidas, seria educação. É a aplicação da máxima de que apenas o meu pensamento está correto. O que estiver fora da minha aceitação não existe e, portanto, deve ser ignorada.

Não há nada mais anacrônico do que isso, considerando-se um mundo globalizado que pede, acima de tudo, aceitação da pluralidade de pensamentos e de formas de viver. Hoje, o avanço do conhecimento científico em todas as áreas derruba compartimentos que por muito tempo mantiveram as sociedades estáticas, como os que ainda separam conceitos como de “esquerda” e de “direita”. Atualmente, a boa ciência política ensina que esses rótulos pouco a pouco perdem o sentido e dão lugar a uma nova forma de fazer política que vai além dessa classificação. Outro exemplo é a constatação de que há em andamento uma revolução de comportamento sexual e de gênero cuja base está na liberdade de cada um ser o que quiser. E ser respeitado com qualquer escolha que fizer.

O verbo conjugado hoje é transitar. Por isso, cabe à escola formar indivíduos capazes de entender a complexidade que envolve as relações sociais, políticas e culturais das sociedades. E conviver com ela de forma harmônica. Esse tem sido, inclusive, um atributo cada vez mais valorizado no mercado de trabalho. Sabe-se que em qualquer empresa sincronizada com o século 21 não basta ser o melhor no desempenho de uma tarefa estrita. Aliás, por vezes não é necessário nem ser o melhor. Se o indivíduo for capaz de trabalhar em grupo – o que exige ouvido aberto ao diferente — e de saber juntar peças fragmentadas de conhecimento para criar soluções, ele certamente terá mais sucesso do que alguém que foi doutrinado a enxergar tudo com apenas uma cor.

As reações ao Escola sem partido começaram tímidas, mas estão mais contundentes. Na terça-feira 13, os protestos contra o movimento barraram, mais uma vez, a discussão de um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados desde 2016. Neste, especificamente, constam as propostas gerais dos outros tramitando em outras instâncias legislativas e definições mais precisas quanto à questão de gênero. Relatado pelo deputado Flavinho (PSC-SP), o texto prevê que “a educação não desenvolverá políticas de ensino nem adotará currículo escolar, disciplinas obrigatórias nem mesmo de forma complementar ou facultativa que tendam a aplicar a ideologia de gênero ou orientação sexual.”

Foi a sexta tentativa de a comissão discutir e votar o projeto. A reunião foi tensa e houve muito bate-boca entre parlamentares contrários e apoiadores da iniciativa. Em um momento, o deputado Delegado Éder Mauro (PSD-PA) chegou a se dirigir a um grupo de manifestantes fazendo gestos que simulavam o ato de atirar. Atitudes assim deixam evidente que os defensores do projeto querem muito mais do que apenas caçar a liberdade que os professores devem ter para ensinar. Um apoiador da causa, por exemplo, portava um cartaz pedindo a obrigatoriedade de exame toxicológico para os docentes da rede pública. Há uma histeria conservadora que parece querer levar o Brasil para a sombra da ignorância. E seria injusto comparar com o período que muita gente chama equivocadamente de idade das trevas, a Idade Média (período da história da Europa compreendido entre os séculos V e XV). Ao contrário do senso comum, muito conhecimento foi gerado durante aqueles séculos. As primeiras universidades surgiram nessa fase.

Dentro de uma semana, na quarta-feira 28, espera-se que a questão tenha um ponto final. Nesse dia, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar em plenário uma decisão monocrática tomada em março de 2017 pelo ministro Luís Roberto Barroso suspendendo uma lei que havia sido aprovada em Alagoas instituindo os preceitos do Escola sem partido. Na liminar que concedeu contra a adoção da lei, o magistrado pontuou a necessidade de respeito à pluralidade de ideias e da liberdade de ensinar e de aprender como maneira de assegurar a formação de cidadãos com pensamento crítico. Se o plenário do STF seguir a posição de Barroso e mantiver a lei suspensa, estará indicando aos tribunais do País que façam o mesmo em relação a qualquer outra iniciativa relacionada ao Escola sem partido. E a educação brasileira será poupada de pelo menos mais esse retrocesso.

GESTÃO E CARREIRA

ANSIEDADE: UM VENENO DIÁRIO

A ansiedade passou a ser considerada o mal dos novos tempos. Nossas próprias expectativas acabam se tornando um redemoinho de emoções e fica impossível dar a todas o mesmo grau de atenção.

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Os sintomas da ansiedade são complexos e podem ocorrer com tanta severidade que prejudicam a produtividade e geram o absenteísmo. Casos mais graves podem levar profissionais talentosos ao abandono total de suas atividades. Essas situações deixaram de ser excepcionalidades e a cada dia se tornam mais frequentes.

Ansiedade é um nome moderno, e mais sutil, para uma das seis emoções presentes no homem: o medo!

De fato, as emoções existem como forma de preservar a existência da espécie, e todas (sem exceção) servem muito bem a esse propósito. Ocorre que, devido à evolução social e cultural da espécie humana, as emoções ficaram fora da sintonia da vida atual.

Alegria, nojo, tristeza, raiva, espanto e medo são as emoções aceitas na atualidade, resultado do trabalho do psicólogo americano Paul Ekman. Na década de 1960 ele conseguiu identificar a natureza filogenética dessas emoções. Muitos outros trabalhos já foram realizados e comprovaram não só a existência dessas seis emoções naturais como também outras duas sociais: o desprezo e o desdenho, que são aprendidas durante as relações que ocorrem no desenvolvimento social.

O medo tem a função de paralisar e promover a fuga de situações que coloquem em risco a vida do organismo. Isso, com certeza, foi extremamente útil nos primórdios de nossa existência nesse planeta. Até certo ponto, evitar uma rua escura em um bairro perigoso ainda é um evidente trabalho dessa emoção que nos faz fugir sempre que o risco está em alta probabilidade.

Os tempos são outros. No entanto, nosso coração acelera diante da cena em que o Duende Verde lança granadas no Homem-Aranha. Sequer são atores de carne e osso! É pura computação gráfica! Mas o cérebro não se atenta a esses detalhes, e a adrenalina surge em nosso sistema alterando nossas emoções. Não iremos fugir, permaneceremos sentados no cinema. A tensão criada não terá vazão em movimentos aeróbicos de fuga.

O cenário é outro. Na realidade lidamos com prazos curtos para finalização de projetos, esposa ou marido que cobram mais carinho, filhos que necessitam de atenção, carro que apresenta problemas mecânicos, pressões sociais que brotam de todos os lados… Uma imensidão de turbulências que leva o organismo ao projeto inicial: fuga ou luta!

Não existe a opção luta corpórea (para as pessoas consideradas normais e mais sensatas, claro) nessas situações. É necessária uma sublimação da emoção que gera a conhecida palavra do tema deste texto: a ansiedade.

Sem nenhuma opção de resolução física, a sublimação irá, com certeza, se apresentar como sintomas dos mais variados.

Há pouco tempo uma empresa quase teve seu seguro de saúde rompido com uma grande instituição de saúde por conta dos procedimentos que, de forma alarmante, subiram vertiginosamente em três meses. Chamada para verificar o que poderia ter ocorrido, nossa equipe descobriu que um novo sistema de gestão havia sido implantado quase exatamente no mesmo período do aumento dos problemas de saúde da equipe (a companhia conta com cerca de 6 mil vidas). Um projeto inovador ofertava, a cada elemento das equipes, o mesmo nível de informação do supervisor. “Gerente Estepe” era o título do projeto piloto que criou uma concorrência anormal entre todos os elementos que desejavam a posição de seu gestor. A intenção foi positiva a fim de permitir que o setor jamais tivesse uma paralisação. O efeito foi cruel: de dores de cabeça, prisão de ventre a (até mesmo) pressão alta em vários membros das equipes.

Essa pré-ocupação da mente, com resultados negativos no futuro, é uma alta auto cobrança que cria uma atmosfera destrutiva interna. E como sair disso?

A ressignificação das situações vividas no passado e um propósito de vida bem definido são os segredos para a destruição da ansiedade. O problema reside em ter um foco claro do que se deseja para a vida em longo prazo e saber se livrar do peso das emoções negativas vividas no passado.

Para isso, não tenha dúvida, um texto em página de papel não será o bastante. Busque os cuidados de um profissional de saúde: terapeuta, psicólogo ou até mesmo um coaching de carreira se for um problema mais simples de direcionamento. Mas não dê vazão ou prolongamento a essa estafa emocional. Sem tratamento ela só tende a piorar.

 

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 11-18 – PARTE I

alimento diário

A Ressurreição

Marcos nos diz que Cristo apareceu, em primeiro lugar; a Maria Madalena (Marcos 16.9). Esta manifestação é aqui detalhadamente relatada, e nós podemos observar:

I – A constância e o fervor do afeto de Maria Madalena pelo nosso Senhor Jesus, v. 11.

1. Ela permaneceu no sepulcro, depois que Pedro e João tinham ido embora, porque ali seu Mestre tinha estado, e porque ali era mais provável que ela tivesse notícias dele. Observe que:

(1) Onde houver um verdadeiro amor por Cristo, haverá uma união constante a Ele, e uma determinação, com propósito sincero, de ser fiel a Ele. Esta boa mulher, embora o tivesse perdido, em lugar de parecer abandoná-lo, permanece junto ao sepulcro, por causa dele, e continua a amá-lo mesmo quando lhe falta o consolo do seu amor.

(2) Onde houver um verdadeiro desejo de conhecer a Cristo, haverá uma busca constante dos meios de conhecimento. Veja Oséias 6.2,3: ”Ao terceiro dia, nos ressuscitará”. E então conheceremos o significado desta ressurreição, se continuarmos desejando conhecer mais e mais ao Senhor, como Maria fez aqui.

2. Ela ficou ali, chorando, e suas lágrimas evidenciaram seu afeto pelo seu Mestre. Aqueles que perderam a Cristo têm motivos para chorar. Ela chorava com a lembrança dos seus amargos sofrimentos; chorava pela sua morte, e pela perda que ela e seus amigos, e toda a nação, tiveram, com esta morte; chorava ao pensar em voltar para casa sem Ele; chorava porque não encontrava seu corpo. Aqueles que buscam a Cristo, devem buscá-lo com fervor, ansiosos (Lucas 2.48), e devem chorar, não por Ele, mas por si mesmos.

3. “Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o sepulcro”, e olhou dentro, para que seus olhos pudessem influenciar seu coração. Quando estamos procurando alguma coisa que perdemos, nós procuramos diversas vezes no lugar onde a deixamos pela última vez, e onde esperávamos encontrá-la. Ela olhará “sete vezes mais”, sem saber que, finalmente, poderá ver algum encorajamento. Observe:

(1) O pranto não deve impedir a busca. Embora ela estivesse chorando, ela se abaixou e olhou dentro do sepulcro.

(2) Aqueles que procuram com afeto, que procuram em lágrimas, têm probabilidade de procurar e encontrar.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

CRIANDO FILHOS MAIS SAUDÁVIS E FELIZES

Na tentativa de serem “bons pais”, muitos erram apesar das boas intenções: investem em uma rotina cheia de compromissos escolares e extracurriculares para a criança, envolvem-se nas dificuldades dos filhos a ponto de querer resolvê-las ou, ainda, deixam de cuidar de si com a justificativa de que é preciso cuidar do outro. Especialistas apontam atitudes que podem prejudicar o desenvolvimento de habilidades necessárias para uma vida adulta mais feliz e autônoma.

criando filhos mais saudáveis e felizes

 1. PERMITIR MOMENTOS DE ÓCIO E TÉDIO.

Escola, esporte, cursos extracurriculares. Muitas crianças têm agendas dignas de adultos muito atarefados, com poucas horas livres ao longo do dia. Até mesmo nos fins de semana e férias, que não raro são pré-programados com passeios e viagens. Efeito da nossa cultura, que não vê com bons olhos “não ter o que fazer”. No entanto, estudos sugerem que seguir rotina cheia de compromissos desde cedo pode prejudicar a criança. Um deles, publicado na Frontiers of Psychology em 2014, relaciona a quantidade de atividades estruturadas, como aulas de futebol ou dança, no dia a dia de crianças de 6 anos ao menor desenvolvimento de uma “função executiva autodirigida”. Basicamente, esse processo mental ajuda os pequenos a regular emoções e definir e atingir metas por conta própria, além de ser associado a maior estabilidade emocional e profissional na vida adulta. O que os pais podem fazer então? “Deixe que seus filhos caiam na monotonia e descubram algo para fazer por conta própria”, sugere o psicólogo Michael Ungar, codiretor do Centro de Pesquisa de Resiliência da Universidade Dalhousie, em Nova Escócia. “O tédio num contexto hiperestimulado pode permitir exercer a criatividade e desenvolver a iniciativa, a persistência e a sensação de que podem influenciar o mundo”, explica.

2. DEIXAR QUE RESOLVAM PROBLEMAS.

Não são poucos os pais excessivamente protetores, que se envolvem nas dificuldades cotidianas dos filhos além da conta. A superproteção não favorece o desenvolvimento de habilidades que serão necessárias na vida adulta, como autonomia e resiliência. Pesquisas no campo da autodeterminação relacionam a super­proteção a níveis mais elevados de ansiedade e depressão, notas mais baixas na escola e menor satisfação com a vida quando adultos. “Pouco comprometimento dos pais não é positivo. Mas o envolvimento em demasia também não”, afirma a psicóloga do desenvolvimento Holly H. Schiffrin, professora associada da Universidade de Mary Washington, na Virginia. ” Percebo esse comportamento em sala de aula. Há pais que me procuram para ajustar o horário de aula dos filhos ou ligam para conversar sobre as notas deles. Costumo responder que os próprios alunos podem marcar uma reunião comigo para discutir o assunto”, diz.

3. “COLOCAR A MÁSCARA DE OXIGÊNIO PRIMEIRO”.

A instrução dada antes das viagens de avião é uma boa metáfora da parentalidade – é preciso cuidar de si mesmo para poder cuidar bem de outra pessoa. Mães com diagnóstico de depressão, por exemplo, são mais propensas a ignorar ou a exagerar comportamentos inadequados dos filhos, segundo um estudo longitudinal de dois anos publicado na Psychological Science. Pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia constataram que adultos com TDAH também se tornam pais atenciosos depois de receber tratamento para o distúrbio. Todas as outras atividades cotidianas relacionadas com a saúde também importam. Um estudo de 2015 sobre os dados nacionais de saúde do Reino Unido sugere que o modo de vida dos pais pode ser tão decisivo como a genética na “transmissão” da obesidade. Outra evidência: crianças que participaram de uma pesquisa de 2014 da Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e com pais biológicos com excesso de peso tinham probabilidade 27% maior do que outras de apresentar sobrepeso. Filhos adotados também demonstraram susceptibilidade similar, de 21%. Seguindo essa linha de raciocínio, adotar uma dieta mais saudável e colocar atividades físicas na rotina vai além do autocuidado: é um gesto de amor por aqueles que dependem de nós. Um bom motivo para começar, não?

OUTROS OLHARES

SEM DANOS

Nova cirurgia para extração de tumor de próstata não causa impotência e nem perda de controle urinário.

sem danos

Na medicina brasileira, o mês de novembro é dedicado as campanhas de conscientização sobre o câncer de próstata. De acordo com as estimativas do Instituto Nacional do Câncer, neste ano devem surgir 68 mil novos casos e o registro de mortes ultrapassará a marca de 13 mil homens. Com características diversas — uns de evolução lenta, outros mais agressivos —, todos podem ser prevenidos a partir da realização regular de exames a partir dos 45 anos. Quando a doença se instala, é possível tratá-la com medicações e radioterapia, por exemplo, para tentar preservar a glândula, responsável pela parte do líquido que forma o esperma. Se isso não for possível, a opção é sua total retirada.

Até muito recentemente, a extração completa da próstata trazia como efeitos colaterais, na maioria dos casos, a perda do controle urinário e da capacidade de ereção. Um grupo de médicos brasileiros, italianos e americanos descreveu na edição de julho do jornal da Associação Europeia de Urologia — o principal do mundo no campo de cirurgias urológicas — uma nova técnica que preserva as funções mesmo com a retirada total da glândula.

O grande desafio de tratar qualquer problema na próstata é ter que trabalhar dentro da área onde a glândula está localizada. Ela fica entre a bexiga e a pelvis, região bastante vascularizada e provida de nervos. Por isso são tão comuns sequelas como a perda da continência urinária e da ereção. O que os médicos fizeram foi modificar a técnica padrão usada na prostatectomia robótica, como é a chamada a cirurgia feita por meio do robô (Da Vinci). “Na operação tradicional, é necessário cortar alguns vasos e nervos que estão na parte anterior da próstata para que seja feita sua remoção”, explica o urologista Rafael Coelho, cirurgião robótico do Hospital Nove de Julho, de São Paulo, e um dos especialistas que assina o artigo publicado no jornal europeu de urologia. “Desenvolvemos um método inédito de retirar a próstata preservando esses vasos.”

RETORNO RÁPIDO

A técnica vem sendo usada pelo mesmo time no Brasil desde 2014. De lá para cá, já são mais de mil pacientes operados. Na amostra usada para o estudo, foi avaliada a evolução de 128 pacientes. Os resultados mostraram eficácia e, mais importante, danos mínimos. Nada menos do que 85% apresentaram controle urinário logo após a cirurgia e, depois de um ano, 98% estavam continentes. “E 87% dos homens recuperaram a capacidade de ereção doze meses após o procedimento”, informa Coelho.

Geralmente, o paciente fica apenas um dia no hospital e é liberado para voltar as atividades em torno de quinze dias. Isso é possível porque a operação é minimamente agressiva, o que reduz riscos de infecção e de sangramento além do devido.

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GESTÃO E CARREIRA

INOVAÇÃO É A ALMA DO NEGÓCIO

Netflix, Dotz e Magazine Luiza on-line são as supercampeãs de atendimento. Executivo da Leroy Merlin vence entre CEOs

inovação é a alma do negócio

Não existe mais zona de conforto no mundo dos negócios. Com a revolução digital, tudo ficou mais rápido, o que parecia cena de filme de ficção científica virou realidade. Carros já podem andar sozinhos. Robôs humanoides – como a Sophia, que esteve numa reunião das Nações Unidas –    ganharam inteligência e emoção. Drones andam fazendo entrega a jato. O mundo virou disruptivo; abalando setores tradicionais da economia, que passaram a ser vistos como ultrapassados na Quarta Revolução Industrial. A Netflix virou o exemplo mais bem-acabado da inovação disruptiva,  segundo Clayton Christensen, o professor da Harvard Business School, que cunhou o termo.

Com 130 milhões de assinaturas pagas em mais de 190 países, o principal serviço de entretenimento por internet do mundo foi escolhido pelos consumidores, no último dia 29, como a empresa supercampeã do Prêmio Época Reclame AQUI 2018. Queremos oferecer uma experiência incrível, diz Luciane Carrillo, gerente da companhia na América Latina. A Netflix deixou a concorrência pelo caminho e já é, desde o começo do ano, um negócio com valor de mercado superior ao da Disney – um feito que os executivos da extinta locadora de vídeo americana Blockbuster, sua principal rival, não puderam prever. E o pior: eles chegaram a apostar, em 2002, que a empresa “não seria financeiramente viável”.

Ao simbolizar a nova era da indústria do entretenimento, a Netflix revolucionou o mercado ao trazer o lazer para todas a plataforma inclusive para a palma da mão. Virou corriqueiro seus assinantes assistirem a filmes ou a séries no metrô, no ônibus, no avião. “O Brasil é um mercado muito relevante para a Netflix, sendo uma de nossas primeiras expansões internacionais, que       começamos há sete anos”, lembrou Carrillo. Grandes players do mercado perderam para empresas   de menor porte que estão provocando uma transformação na economia e desestabilizando mercados tradicionais empresa líderes de seus segmentos.

Dotz, uma marca jovem e dinâmica, criou uma moeda virtual que pode ser trocada por produtos, serviços e viagem. Foi eleita a empresa que mais evoluiu em 2018. “Comemos o Brasil pela beirada e viramos o maior programa de fidelidade do país por número de participantes”, comentou Daniel José de Oliveira Neto, gerente de Experiência com o Cliente. Não à toa a empresa ganhou o prêmio de maior evolução. Todos os diretores gravaram vídeos se desculpando pessoalmente com o cliente em caso de alguma reclamação. Oliveira Neto, por exemplo, já protagonizou pouco mais de 120 vídeos. Tudo é gravado num estúdio montado dentro da empresa. Não falamos um texto-padrão porque a ideia é conversar diretamente com o consumidor, explicou.

Em 2019, a Dotz vai colocar o pé em São Paulo, o maior mercado consumidor do país. Está de olho no varejo de alimentação, no qual colocará em circulação sua moeda virtual, seu cartão de compra, batizado com o nome da empresa, irá circular em supermercados, postos de gasolina, farmácias e      empresas de telefonia. E também em lojas de brinquedos, roupas e material de construção. “Queremos ser a maior empresa de coalização do varejo”, disse Oliveira Neto.

A loja on-line do Magazine Luiza foi a campeã de atendimento. O negócio vem registrando taxa de crescimento bem acima da média do mercado. No balanço do segundo trimestre, a empresa registrou um crescimento de 66,1 % no e-commerce em comparação a uma expansão de 13,2% desse segmento de mercado. As vendas das lojas on-line respondem atualmente por 33% das vendas totais do grupo, incluindo as lojas físicas, que somam 900 pontos de venda. “Estamos crescendo acima da média do mercado”, comemorou Beatriz Menezes, gerente de atendimento da empresa.

Coube ao executivo Alain Rickeboer, diretor-geral da Leroy Merlin, o título de CEO RA 1000. O francês chegou ao Brasil há 21 anos e, como expatriado do grupo, começou a trabalhar em São Paulo. A época, a Leroy Merlin não tinha ainda nenhuma loja no país. Duas décadas depois, o grupo soma 41 loja distribuídas por 12 estados, além do Distrito Federal. A frente de 9.500 colaboradores e administrando um negócio que fatura R 5,3 bilhões, o grupo tem no Brasil um de seus mercados mais importantes entre os 14 países em que está presente

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 1-10 – PARTE IV

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A Ressurreição

 

IV – Pedro e João, tendo chegado ao sepulcro, pros­ seguem com as buscas, mas não descobrem muita coisa.

1. João não foi mais além do que Maria Madalena.

(1) Ele teve a curiosidade de olhar dentro do sepulcro, e viu que estava vazio. Ele se abaixou e olhou dentro. Aqueles que desejam encontrar o conhecimento de Cristo devem se abaixar, e olhar para dentro, devem, com o coração humilde, se submeter à autoridade da revelação divina, e devem olhar com atenção.

(2) Mas ele não teve coragem de entrar no sepulcro. Os mais calorosos afetos nem sempre são acompanhados pela determinação mais ousada. Muitos são rápidos na corrida da religião, mas não se esforçam o suficiente para lutar suas batalhas com a coragem, a robustez e a perseverança necessárias.

2. Pedro, embora chegasse depois, entrou primeiro, e fez uma descoberta mais precisa do que aquela que João tinha feito, vv. 6,7. Embora João corresse mais depressa do que ele, Pedro não voltou para trás, nem permaneceu parado, mas correu atrás dele, tão rápido quanto podia. E, enquanto João olhava dentro, com muita atenção, Pedro chegou e, com grande coragem, “entrou no sepulcro”.

(1) Observe aqui a ousadia de Pedro, e como Deus reparte seus dons de maneira variada. João podia correr mais depressa do que Pedro, mas Pedro tinha mais coragem do que João. Raramente, é verdade para todas as pessoas o que Davi diz poeticamente a respeito de Saul e Jônatas, que eles eram “mais ligeiros do que as águias” e “mais fortes do que os leões”, 2 Samuel 1.23. Alguns discípulos são rápidos, e são úteis para despertar aqueles que são mais lentos. Outros são ousados, e são úteis para incentivar aqueles que são medrosos. Diversidade de dons, mas um só Espírito. Pedro aventurando-se no sepulcro pode nos ensinar:

[1] Que aqueles que, com ardor, procuram a Cristo, não devem se assustar com temores irracionais e fantasias tolas: “Há um leão no caminho, um fantasma no sepulcro”.

[2] Que os bons cristãos não devem ter medo do sepulcro, uma vez que Cristo já esteve nele. Pois para eles não há nada assustador no sepulcro. Não é o poço da destruição, nem são os vermes que nele há, vermes eternos. Portanto, não alimentemos, mas derrotemos, o medo que podemos sentir com a visão de um cadáver, ou por estarmos sozinhos entre os sepulcros. E, como em breve deveremos morrer e estar no sepulcro, devemos tornar a morte e o sepulcro familiares, como se fossem nossos parentes próximos, Jó 17.14.

[3] Devemos desejar passar pelo sepulcro para ir até Cristo. Este caminho, Ele percorreu para sua glória, e também nós devemos fazê-lo. Se não pudermos ver a face de Deus e viver, será melhor morrer, contemplando-a, do que nunca vê-la. Veja Jó 19.25ss.

(2) Observe a posição na qual Pedro encontrou as coisas no sepulcro.

[1] Cristo tinha deixado seus lençóis ali. Com que roupas Ele se manifestou aos seus discípulos, não sabemos, mas Ele nunca apareceu nos seus lençóis, como se supõe que fazem os fantasmas. Não, Ele os deixou ali, “à parte”, em primeiro lugar, porque, “havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele”, Romanos 6.9. Lázaro saiu com seus lençóis, pois ele iria usá-los outra vez. Mas Cristo, ressuscitando para uma vida imortal, saiu livre destes estorvos. Em segundo lugar, porque Ele seria vestido com as vestes da glória, por isto deixa de lado estes trapos. No paraíso celestial, não haverá mais ocasião para roupas, como havia no terreno. O profeta que ascendeu deixou cair seu manto. Em terceiro lugar, quando ressuscitamos da morte do pecado para avida da justiça, nós precisamos deixar para trás nossos lençóis, devemos nos despir de toda a nossa corrupção. Em quarto lugar, Cristo os deixou no sepulcro, de certo modo, para nosso proveito, mostrando que o sepulcro é uma cama temporária para os santos. Assim, o Senhor preparou esta cama, e a deixou pronta para eles. O lenço propriamente dito é para o uso dos sobreviventes pranteadores, para enxugarem suas lágrimas.

[2] Os lençóis foram encontrados arrumados, o que serve como evidência de que seu corpo não tinha sido roubado enquanto os homens dormiam. Ladrões de sepulcros eram conhecidos por levar as roupas e deixar o corpo. Mas nenhum [anteriormente às práticas dos ressurrecionistas modernos] jamais levou o corpo e deixou as roupas, especialmente quando eram lençóis finos e novos, Marcos 15.46. Qualquer pessoa preferiria levar um corpo vestido nas suas roupas a levá-lo nu. Ou, se aqueles que supostamente o roubaram deixaram os lençóis, então não se pode supor que eles tenham tido o tempo suficiente para dobrar os lençóis, e o cuidado de fazê-lo.

(3) Veja como a coragem de Pedro incentivou João: agora ele se encorajou e entrou (v. 8), “e viu, e creu”. Não creu simplesmente no que Maria tinha dito, que o corpo tinha sido levado (não se lhe deve elogio por ter crido na­ quilo que viu), mas começou a crer que Jesus tinha res­ suscitado, embora sua fé ainda fosse fraca e hesitante.

[1] João seguiu a Pedro na aventura. Aparentemente, ele não teria entrado no sepulcro, se Pedro não tivesse entrado antes. Observe que é bom ser encorajado em um bom trabalho, pela coragem de outros. O temor da dificuldade e do perigo será removido observando a resolução e a coragem de outros. Talvez a rapidez de João tivesse feito Pedro correr mais rápido, e agora a coragem de Pedro fazia João aventurar-se mais do que um ou o outro, de outra maneira, teriam feito. Embora Pedro tivesse recentemente caído na desgraça de ser um desertor, e João tivesse sido promovido à honra de um confidente (tendo Cristo lhe confiado a tarefa de cuidar de sua mãe), ainda assim João não somente se associou a Pedro, mas não viu nenhum disparate em segui-lo.

[2] Mas, aparentemente, João antecipou a Pedro na fé. Pedro viu e admirou-se (Lucas 24.12), mas João viu e creu. Uma mente disposta à contemplação pode, talvez, receber a evidência da verdade divina mais rapidamente do que uma mente disposta à ação. Mas qual foi o motivo pelo qual eles foram tão lentos de coração em crer? O evangelista nos diz (v. 9): “Porque ainda não sabiam a Escritura”, isto é, eles não levaram em consideração, nem aplicaram, nem aproveitaram devidamente, o que conheciam da Escritura, “que diz que era necessário que [Ele] ressuscitasse dos mortos”. O Antigo Testamento falava da ressurreição do Messias. Eles creram que Ele era o Messias. Ele mesmo lhes tinha dito frequentemente que, de acordo com as Escrituras do Antigo Testamento, Ele ressuscitaria. Mas eles não tiveram a presença de espírito suficiente para explicar as aparências atuais com base nas Escrituras. Observe aqui, em primeiro lugar, como os discípulos foram inaptos, a princípio, a crer na ressurreição de Cristo, o que confirma o testemunho que posteriormente eles deram, com tanta segurança, a respeito dela. Pois, pela sua lentidão em crer, parece que eles não foram crédulos a respeito dela, nem foram daqueles que creem em tudo o que ouvem. Se eles tivessem tido qualquer desejo de promover seus próprios interesses com isto, avidamente teriam capturado o primeiro lampejo da sua evidência, teriam incentivado e apoiado as expectativas um do outro, e teriam preparado as mentes daqueles que os seguiam para receber as notícias deste fato. Mas nós vemos, ao contrário, que suas esperanças se frustraram, isto lhes pareceu uma coisa estranha, e uma das coisas mais distantes dos seus pensamentos. Pedro e João estavam tão relutantes em crer nisto, a princípio, que nada menos do que a mais convincente prova que o evento pudesse produzir poderia levá-los a testemunhá-lo, posteriormente, com tanta segurança. Parece que eles não somente eram homens honestos, que não desejavam enganar aos outros, mas homens cautelosos, que não desejavam ser coagidos. Em segundo lugar, qual foi a razão da sua lentidão em crer: “Ainda não sabiam a Escritura”. Este parece ser o reconhecimento do evangelista, da sua própria culpa, entre os demais. Ele não diz: “Porque Jesus ainda não tinha se manifestado a eles, não tinha mostrado a eles suas mãos e seu lado”, mas: “Porque Ele ainda não tinha aberto seu “entendimento para compreenderem as Escrituras” (Lucas 24.44,45), pois esta é a mensagem profética mais segura.

3. Pedro e João não prosseguiram na sua busca, mas desistiram, oscilando entre a fé e a incredulidade (v. 10): “Tornaram, pois, os discípulos para casa”. Eles voltaram para seus amigos e companheiros, os demais discípulos, nos seus próprios alojamentos, pois eles não tinham nenhuma casa em Jerusalém. Eles foram embora:

(1) Por medo de serem considerados suspeitos de roubar o corpo, ou de serem acusados disto, agora que o corpo tinha desaparecido. Em vez de fortalecerem sua fé, sua preocupação é a de proteger a si mesmos, de fugir para sua própria segurança. Em tempos difíceis e perigosos, é difícil, até mesmo para os homens bons, prosseguir no seu trabalho com a determinação que lhes convém.

(2) Porque estavam confusos, e não sabiam o que deveriam fazer a seguir, nem como entender o que tinham visto. Portanto, não tendo coragem de permanecer no sepulcro, eles decidem ir para casa, e esperar até que Deus lhes revele o que aconteceu, uma atitude que exemplifica a fraqueza que ainda tinham em si mesmos.

(3) É provável que os demais discípulos estivessem reunidos. Eles retornam para junto deles, para contar o que tinham descoberto, e para consultar com eles o que devia ser feito, e, provavelmente, agora convocaram a reunião para o período da tarde, quando Cristo veio a eles. Deve-se observar que antes que Pedro e João fossem ao sepulcro, um anjo tinha aparecido ali, afastado a pedra, assustado os guardas e consolado as mulheres. Tão logo eles se afastaram do sepulcro, Maria Madalena vê dois anjos no sepulcro (v. 12), mas Pedro e João foram ao sepulcro, e entraram nele, e não viram nenhum anjo. Como devemos entender isto? Onde estavam os anjos quando Pedro e João estavam no sepulcro, tendo aparecido ali antes e depois dos apóstolos?

[1] Os anjos aparecem e desaparecem quando querem, de acordo com as ordens e instruções que lhes são dadas. Eles podem estar, e estão, realmente, onde não são visíveis. Na verdade, aparentemente, podem ser visíveis a uns e não a outros, ao mesmo tempo, Números 22.23; 2 Reis 6.17. É presunção desejarmos perguntar como eles se fazem visíveis, e depois invisíveis, e depois visíveis novamente. Mas o fato de que fazem isto fica evidente, com base nesta história.

[2] Este favor foi mostrado àqueles que foram muito adiantados e constantes na sua procura por Cristo, e foi a recompensa daqueles que vieram primeiro e ficaram até o final, mas foi negado àqueles que fizeram uma visita rápida.

[3] Os apóstolos não deviam receber suas instruções dos anjos, mas do Espírito da graça. Veja Hebreus 2.5.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

BEBÊS SÃO MAIS ESPERTOS DO QUE VOCÊ IMAGINA

Crianças desvendam o mundo de um modo muito semelhante ao dos cientistas: por meio de experimentos, análises estatísticas e formação de teorias intuitivas em relação à fenômenos físicos, biológicos e psicológicos.

bebês são mais espertos do que você imagina

Há 30 ou 40 anos, a maioria dos psicólogos, filósofos e psiquiatras julgava que bebês e crianças pequenas eram irracionais, egocêntricas e amorais. Acreditavam que se limitavam ao concreto, ao aqui e agora – incapazes de compreender causas e efeitos, imaginar as experiências de outras pessoas ou apreciar a diferença entre a realidade e a fantasia. E, frequentemente, crianças ainda são vistas por leigos como “adultos imperfeitos”.

Nas últimas três décadas, porém, cientistas descobriram que até os bebês com poucas semanas sabem bem mais do que supúnhamos. Além disso, estudos têm mostrado um fato curioso:     crianças desvendam o mundo de um modo muito semelhante ao utilizado por cientistas, recorrendo a experimentos, análises estatísticas e formação de teorias intuitivas no âmbito físico, biológico e psicológico. No entanto, há pouco mais de uma década pesquisadores começaram a   compreender os mecanismos computacionais, evolutivos e neurológicos subjacentes que escoram   notáveis aptidões precoces. Essas descobertas revolucionárias não apenas mudam nossos conceitos sobre bebês, mas também apresentam novas perspectivas sobre a natureza humana.

Por que nos enganamos tanto, e durante tanto tempo, sobre os bebês? De fato, se observarmos crianças de 4 anos ou menos, poderemos concluir que não há grande atividade intelectual. Afinal, bebês não sabem falar. E até as crianças em idade pré-escolar não têm muita destreza para relatar o que pensam. Faça uma pergunta vaga a uma criança de 3 anos e provavelmente receberá como resposta um lindo – mas incompreensível – monólogo, com palavras fluindo livremente, nem sempre com a coerência valorizada pelos adultos. Até precursores do estudo do funcionamento da mente infantil, como o psicólogo suíço Jean Piaget, concluíram que o pensamento dos pequenos era egocêntrico, “pré – causal” (sem noção de causa e efeito), irracional e ilógico.

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FÍSICA PARA OS PEQUENOS

Abordagens científicas iniciadas no final da década de 70 dependem de técnicas que focalizam o que bebês e crianças pequenas fazem – e não o que falam. Bebês se detêm mais demoradamente em situações novas e inesperadas que naquelas previsíveis – e os pesquisadores podem utilizar esse comportamento para tentar descobrir o que os pequenos esperam acontecer.  Entretanto, os resultados mais contundentes vêm de estudos que também consideram as ações: que objetos os bebês tentam agarrar ou alcançar engatinhando? Como imitam as ações de crianças mais velhas e de adultos?

Embora os muito jovens tenham grande dificuldade para nos dizer o que pensam, podemos utilizar a linguagem com mais sutileza para induzi-las a revelar o que sabem. O pesquisador Henry Wellman, da Universidade de Michigan em Ann Arbor, por exemplo, analisou gravações de conversas infantis espontâneas para obter pistas sobre como os pequeninos pensam. Podemos lhes fazer uma pergunta muito direta, pedindo que escolham entre apenas duas alternativas, em vez de outra mais vaga e aberta.

Em meados dos anos 80 e até a década seguinte, os cientistas que aplicaram essa técnica descobriram que os bebês já sabem muita coisa a respeito do mundo que os cerca. E esse conhecimento vai muito além do concreto, das sensações de aqui e agora. Pesquisadores como as doutoras em psicologia Renée Baillargeon, da Universidade de Illinois, e Elizabeth S. Spelke, da Universidade Harvard, constataram que bebês entendem relações físicas elementares, como trajetórias de movimento, gravidade e contenção. Olham mais pausadamente para um carrinho que parece atravessar uma parede sólida que para situações que se encaixam em princípios fundamentais da física cotidiana.

Ao atingirem 3 ou 4 anos, as crianças têm ideias básicas sobre biologia e uma compreensão inicial de crescimento, herança genética e processos de adoecimento. Isso revela que elas vão além das aparências perceptivas superficiais quando pensam sobre objetos ou fenômenos. A doutora em psicologia com especialização em linguística Susan A. Gelman, também de Michigan, descobriu que elas acreditam que animais e plantas têm uma “essência” – algo invisível que permanece imutável, mesmo quando os aspectos externos mudam. Para bebês e crianças pequenas, o conhecimento mais importante de todos é o de outras pessoas. O doutor em psicologia Andrew N. Meltzoff, codiretor do Instituto do Aprendizado e Ciências do Cérebro e pesquisador da Universidade de Washington, demonstrou que recém-nascidos já entendem que pessoas são especiais e imitarão suas expressões faciais.

A cientista Betty Repacholi e eu constatamos, em 1996, que bebês de 18 meses entendem que eu posso querer uma coisa, enquanto você quer outra. Durante o experimento, uma pesquisadora mostrava a dois grupos de crianças, um de 1 ano e 2 meses e outro de 1 ano e meio, uma tigela com brócolis e outra com biscoitos em forma de peixinhos, e depois experimentava um pouco dos dois, fazendo uma expressão de desagrado ou apreciação. Em seguida, ela entregava o recipiente aos bebês e, na sequência, estendia a mão e perguntava: “Vocês podem me dar um pouco?”. As crianças de 1 ano e meio lhe deram brócolis quando ela agiu como se gostasse, embora não o escolhessem para si mesmas. (As de 1 ano e 2 meses sempre lhe deram biscoitos). Conclusão: nem mesmo nessa tenra idade as crianças são completamente egocêntricas, pois têm a capacidade de assimilar a perspectiva de outra pessoa, ainda que de modo simplificado. Aos 4 anos, sua compreensão de psicologia cotidiana é ainda mais refinada. Conseguem explicar, por exemplo, se uma pessoa está agindo estranhamente porque acredita em algo que não é verdade.

No fim do século 20, os experimentos haviam mapeado um impressionante conhecimento abstrato e sofisticado sobre bebês, bem como uma igualmente admirável quantidade de informações à medida que as crianças cresciam. Alguns cientistas chegam a argumentar que os bebês parecem nascer cientes de muita coisa que os adultos sabem sobre objetos, pessoas e seus comportamentos. Sem dúvida, recém-nascidos estão longe de ser páginas em branco, mas as mudanças no conhecimento infantil sugerem também que os bebês aprendem sobre o mundo que os cerca por meio das próprias experiências.

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EXPERTS EM ESTATÍSTICA

Um dos maiores mistérios da psicologia e da filosofia é como os seres humanos desvendam o mundo com base em um desnorteante emaranhado de dados sensoriais. No decorrer da última década, pesquisadores começaram a entender muito mais como bebês e crianças pequenas são capazes de aprender com tanta rapidez e perspicácia. Em particular, descobrimos que têm uma extraordinária habilidade de assimilação de padrões estatísticos.

Os pesquisadores Jenny R. Saffran, Richard N. Aslin e Elissa L. Newport, todos então da Universidade de Rochester, demonstraram essa capacidade pela primeira vez em estudos sobre os padrões de sons da linguagem. Eles tocaram sequências silábicas com regularidades estatísticas para alguns bebês de 8 meses. Por exemplo, “bi” podia seguir a sílaba “ro” apenas 30% das vezes, enquanto “da” sempre ocorria na sequência de “bi”. Em seguida, tocaram novas séries de sons que podiam ou não seguir esse padrão. Os bebês prestaram atenção mais demoradamente às sequências estatisticamente incomuns. Estudos mais recentes mostram que bebês conseguem detectar padrões estatísticos de tons musicais e cenas visuais, bem como padrões gramaticais mais abstratos.

São até capazes de compreender a relação entre uma amostra estatística e população. Em um estudo de 2008, minha colega Fei Xu, da Universidade da Califórnia em Berkeley, mostrou a bebês de 8 meses uma caixa cheia de bolas de pingue-pongue misturadas: por exemplo, 80% brancas e 20% vermelhas. A pesquisadora então tirava cinco bolas de modo aparentemente aleatório. Os bebês ficaram mais surpresos (ou seja, observaram a cena mais demorada e intensamente) quando ela tirava da caixa quatro bolas vermelhas e uma branca – resultado improvável – do que quando ela extraia quatro brancas e uma vermelha.

Detectar padrões estatísticos é apenas o primeiro passo na descoberta científica. Mais impressionante ainda é que, assim como cientistas, as crianças usam esses dados para tirar conclusões sobre o mundo. Em uma variante do estudo com bolas de pingue-pongue, envolvendo bebês de 1 ano e 8 meses, foram utilizados sapos verdes e patos amarelos. A pesquisadora tirava cinco brinquedos da caixa e em seguida pedia a uma das crianças que lhe desse um bichinho igual aos que estavam sobre a mesa. Os pequenos voluntários se envolveram plenamente na brincadeira e não demonstraram espontaneamente nenhuma preferência de cor quando a experimentadora retirava mais sapos verdes da caixa de brinquedos onde a maioria era verde. Mas lhe davam especificamente um pato amarelo quando ela retirava mais patos da caixa. As crianças concluíram que sua seleção estatisticamente improvável significava que ela não agia de forma aleatória, mas simplesmente devia preferir patos.

Em meu laboratório temos investigado como crianças pequenas utilizam evidências estatísticas e experimentações para descobrir causas e efeitos e concluímos que sua maneira de pensar está longe de ser “pré ­ causal”. Nós lhes mostramos um aparelho que chamamos de detector blicket, uma máquina que acende uma luz e toca música quando você deposita certas coisas nela, mas não outras. Com ela, podemos fornecer às crianças padrões de evidências sobre o detector e observar suas conclusões causais. Quais são os objetos do blicket?

Em um trabalho com a mestre em estatística e doutora em psicologia cognitiva Tamar Kushnir, diretora do Laboratório de Cognição na Primeira Infância da Universidade Cornell, descobrimos que crianças em idade pré-escolar sabiam aplicar probabilidades para aprender como a máquina   funciona. Colocamos várias vezes um de dois blocos sobre o aparelho, e a luz acendia duas em cada três vezes para o cubo amarelo, mas apenas duas em cada seis vezes para o azul. Então demos os blocos às crianças e pedimos que “acendessem a máquina”. Embora ainda incapazes de somar ou subtrair, elas provavelmente colocariam o cubo amarelo, de maior probabilidade, em cima da máquina.

E realmente escolheram de forma correta quando balançamos o bloco de alta probabilidade   sobre o equipamento, ativando-o, mas sem tocá-lo. Embora pensassem que esse tipo de “ação a distância” fosse improvável no início do experimento (nós perguntamos sobre isso), meninos e meninas sabiam como empregar a probabilidade para descobrir fatos inéditos e surpreendentes a respeito do mundo.

Em outro experimento, a doutora em ciência cognitiva Laura Schulz e eu mostramos a crianças de 4 anos um brinquedo com um interruptor e duas engrenagens em cima – uma azul e outra vermelha. As engrenagens giram quando você aciona o interruptor. Esse brinquedo simples pode funcionar de várias maneiras. Talvez o interruptor faça as duas engrenagens se moverem simultaneamente, ou talvez o interruptor acione a engrenagem azul, que aciona a vermelha, e assim por diante. Mostramos às crianças fotos ilustrando cada uma das possibilidades – a engrenagem vermelha empurraria a azul, por exemplo. Depois, mostramos brinquedos que funcionavam de um ou outro desses jeitos e lhes fornecemos evidências bastante complexas sobre o funcionamento de cada um deles. Por exemplo, as crianças que receberam o “brinquedo causal sequencial” percebiam que, se você removesse a engrenagem azul e acionasse o interruptor, a engrenagem vermelha continuava se movendo; mas, se a engrenagem vermelha fosse tirada e o interruptor acionado, nada acontecia. Pedimos às crianças que escolhessem a imagem que ilustrava o funcionamento do brinquedo. As de 4 anos foram as que se saíram surpreendentemente bem ao determinar como o brinquedo funcionava, com base no padrão de evidências que lhes foi apresentado. Além disso, quando outras crianças foram deixadas a sós com o aparelho, elas brincaram com as engrenagens de um modo que as ajudasse a aprender como ele funcionava – como se estivessem   experimentando.

Outro estudo de Laura Schulz envolveu um brinquedo com duas alavancas que faziam aparecer um pato e um fantoche. A um grupo de pré-escolares foi mostrado que o pato surgia quando se pressionava uma alavanca, e o fantoche, ao apertar a outra. O segundo grupo viu que, ao acionar as duas alavancas simultaneamente, os dois brinquedos despontavam, mas as crianças desse grupo nunca tiveram uma chance de ver o que as alavancas faziam separadamente. Em seguida, a pesquisadora fez com que as crianças brincassem com a engenhoca. As do primeiro grupo se entretiveram muito menos que as do segundo. Já sabiam como ela funcionava e estavam menos interessadas em investigá-la. A segunda turma deparou com um mistério, brincou espontaneamente com o aparelho e logo descobriu qual alavanca fazia o quê.

Esses estudos sugerem que, quando crianças brincam voluntariamente, deixando-se envolver livremente, exploram também causas e efeitos e fazem experimentos – o modo mais eficaz de descobrir como funciona o mundo.

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“VAMOS DESCOBRIR…”

Obviamente, crianças não fazem experiências nem analisam estatísticas do modo intencional e consciente como cientistas adultos. Entretanto, o cérebro infantil deve estar processando informações inconscientemente de uma maneira que se iguala aos métodos de descobertas científicas. Embora depois da descoberta da plasticidade neural a ideia de que o cérebro funcione como uma máquina tenha se tornado controversa – e, sob muitos aspectos, simplista -, podemos tomar aqui, com ressalvas, a liberdade de compará-lo a um tipo de computador desenvolvido pela evolução e programado por experiência. Cientistas de computação e filósofos começaram a aplicar   ideias matemáticas sobre probabilidade para compreender as potentes habilidades de aprendizagem de cientistas – e crianças. Uma nova abordagem para desenvolver programas de computador para aprendizado mecanizado utiliza os chamados modelos probabilísticos, conhecidos também como modelos bayesianos ou redes de Bayes. O programa pode solucionar complexos problemas de expressões genéticas ou ajudar a entender mudanças climáticas. Essa abordagem também levou a novos conceitos sobre como os computadores cerebrais infantis poderiam funcionar.

Os modelos probabilísticos combinam duas ideias básicas. Primeiro, aplicam a matemática para descrever as possíveis explicações que as crianças têm para coisas, pessoas ou palavras. Por exemplo, podem os representar o conhecimento causal de uma criança como um mapa das relações causais entre acontecimentos. Para reproduzir essa hipótese, uma seta poderia apontar, por exemplo, “pressione a alavanca azul” para “pato aparece”.

Segundo, os programas sistematicamente vinculam as hipóteses à probabilidade de diferentes padrões de acontecimentos – como os modelos que emergem de experimentos e análises estatísticas na ciência. Suposições que se adequam melhor aos dados tornam-se mais prováveis. Tenho argumentado que o cérebro infantil também poderia relacionar hipóteses sobre o mundo a padrões de probabilidade. Crianças raciocinam de maneira complexa e sutil, que não pode ser explicada através de simples regras ou associações.

Em pesquisa recente, meu grupo constatou que crianças pequenas que pensam estar sendo instruídas modificam suas análises estatísticas e, consequentemente, podem tornar-se menos criativas. Nesse caso, a experimentadora mostrou a meninos e meninas de 4 anos um brinquedo que tocava música se elas executassem a sequência correta de ações nele, como puxar uma alça e depois apertar uma lâmpada. A pesquisadora disse a algumas das crianças “não sei como esse brinquedo funciona – vamos descobrir”. E começou a experimentar diante delas várias ações sequenciais mais longas, algumas das quais terminavam com a sequência curta e produziam música, outras não. Ao pedir às crianças que fizessem o brinquedo funcionar, muitas delas tentaram a série curta e correta, omitindo, de forma astuta, movimentos que provavelmente eram supérfluos com base nas estatísticas do que haviam observado.

A outro grupo de crianças, a experimentadora disse que ensinaria como o brinquedo funcionava ao lhes mostrar as sequências que produziam música e as que não o faziam, e ela manuseou o equipamento de acordo com isso. Ao serem solicitadas a fazer o brinquedo funcionar, essas crianças nunca tentaram um atalho de ações. Em vez disso, elas imitaram exatamente toda a sequência de movimentos mostrada. Essas crianças estavam ignorando as estatísticas do que viram? Talvez não. O comportamento delas é precisamente descrito por um modelo bayesiano, em que se espera que o “professor” escolha as sequências mais instrutivas. Em outras palavras: se ela soubesse que séries mais curtas de ações funcionavam, não lhes teria mostrado os movimentos desnecessários.

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PROJETADOS PARA APRENDER

Se o cérebro é um computador projetado pela evolução, também podemos perguntar quais são as   justificativas evolucionárias e a base neurológica para as extraordinárias aptidões de aprendizagem que observamos em crianças muito jovens. O pensamento biológico recente está plenamente de acordo com o que constatamos no laboratório de psicologia.

Da perspectiva evolucionária, uma das coisas mais admiráveis sobre os seres humanos é nosso longo período de imaturidade. Nós temos uma infância muito mais prolongada que qualquer outra espécie. Por que fazer com que os bebês sejam tão indefesos, durante tanto tempo e, assim, exigir que os adultos empenhem tanto trabalho e dedicação para mantê-los vivos?  No reino animal, a inteligência e a flexibilidade dos adultos estão correlacionadas com a imaturidade dos filhotes.  Espécies “precociais”, como galinhas, dependem de capacidades inatas, altamente especificas, adaptadas a um nicho ambiental em particular e, por isso, amadurecem rapidamente. Já as   “altriciais” (cujas proles necessitam de cuidados e alimentação pelos pais) dependem do aprendizado.  As gralhas são capazes de catar um objeto novo, como um pedaço de arame, e   descobrir como transformá-lo em uma ferramenta, mas seus filhotes dependem de seus pais muito mais tempo que os pintinhos.

Uma estratégia de aprendizado tem muitas vantagens, mas até que este se concretize a criaturinha está indefesa. A evolução soluciona esse problema com uma divisão de trabalho entre bebês e adultos. Os bebês desfrutam um período protegido para aprender sobre seu meio ambiente, sem de fato precisarem fazer nada. Ao crescerem, eles podem aplicar seu conhecimento e descobrir o que é melhor para sobreviver e se reproduzir – e cuidar da próxima geração. Os bebês são projetados para aprender.

Neurocientistas começaram a entender alguns mecanismos cerebrais que permitem todo esse aprendizado. O cérebro de bebês é mais flexível que o de adultos, tem muito mais conexões entre os neurônios, embora nenhuma delas seja particularmente eficiente, mas com o passar do tempo os conectores inutilizados são desbastados e os úteis se tornam mais fortes. O cérebro de bebês tem também um nível elevado daquelas substâncias químicas que mudam facilmente as conexões.

A região cerebral chamada córtex pré-frontal é distintamente humana e leva um tempo longo para amadurecer. As capacidades de concentração, planejamento e ações eficientes dos adultos são governadas por essa área e dependem do longo aprendizado que ocorre na infância. Os circuitos dessa área podem não estar plenamente desenvolvidos até os 20 e poucos anos.

A falta de controle pré-frontal em crianças pequenas parece ser um enorme obstáculo, mas na realidade pode ser tremendamente útil para o aprendizado. A região pré-frontal inibe   pensamentos ou ações irrelevantes, mas o fato de serem desinibidos pode ajudar bebês e crianças pequenas a explorar o mundo livremente. Existe uma permuta entre a aptidão para explorar criativamente e aprender com flexibilidade, como uma criança, e a capacidade de planejar e agir com eficiência, como um adulto. Mas precisamente essas qualidades necessárias para agir com competência – como um rápido processamento automático e um circuito cerebral refinado e coerente – podem ser intrinsecamente antitéticas às propriedades úteis ao aprendizado, como a flexibilidade.

Uma nova imagem de infância e natureza humana emerge das pesquisas da última década. Longe de serem meros adultos inacabados, os bebês e as crianças pequenas são primorosamente projetados pela evolução para mudar e criar, aprender e explorar. Essas aptidões, tão inerentes ao significado de ser humano, aparecem em suas formas mais puras nos mais tenros anos de nossa vida. Nossas realizações mais valiosas são possíveis porque já fomos crianças dependentes e indefesas, e não apesar disso. Infância e dedicação são fundamentais para nossa qualidade de seres humanos.

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O SALTO COGNITIVO E A TEORIA DA MENTE

Do ponto de vista neurológico, nossos cérebros estão equipados para nos permitir pensar sobre nós mesmos e a respeito dos outros – e assim criar formulações, prever intenções e, consequentemente, comportamentos das pessoas. Essa capacidade nos permite a interação social ao fazer parte de grupos, aprender e cooperar. As primeiras hipóteses sobre essa capacidade – denominada teoria da mente – surgiram há quase meio século, quando foi constatado que, por volta dos 4 anos, as crianças experienciavam uma espécie de “salto cognitivo” bastante significativo. A forma padrão para testar a teoria da mente de uma criança é narrar uma história usando fantoches, apresentando a ela cenas que permitem, ao término, questioná-la sobre o que o boneco pensaria em determinada situação. Por volta dos 4 anos, os pequenos costumam dizer, com confiança, o que o personagem gostaria que ocorresse ou que tem intenção de fazer, percebendo nuances da realidade. Por exemplo: se um fantoche está enganado sobre algo, a criança consegue saber o que ele pensa, qual é seu engano e o que de fato aconteceu sem que ele tenha percebido.

Por si só, esse “ir e vir” mental já indica uma sofisticação psíquica bastante grande em crianças pequenas. Há poucos anos, porém, foi publicado na Science um estudo mostrando que a teoria da mente já podia ser observada em bebês a partir de 15 meses. Embora não pudessem responder, eles acompanhavam a história dos bonecos e detinham o olhar em cenas que os surpreendiam. Quando um dos personagens procurava um brinquedo em um lugar onde não deveria esperar encontrá-lo, os meninos se detinham por mais tempo no movimento, parecendo entender que as pessoas podem ter crenças falsas ou simplesmente se equivocar. Curiosamente, o estudo foi repetido em 2010 com crianças de 7 meses e os resultados obtidos foram muito semelhantes.

A cientista cognitiva Rebecca Saxe, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), salienta que atualmente já não é descartada a possibilidade de que desde muito cedo tenhamos uma forma básica, ou implícita, de teoria da mente que, por volta dos 4 anos, se torna mais refinada. Essa, aliás, não seria a única habilidade que passa por um processo de “aprofundamento”. É o que acontece, por exemplo, em relação aos números. Muito antes de ser possível contar, as crianças têm capacidade de distinguir entre muito e pouco, mais e menos, embora não saibam fazer as quatro operações básicas. Nossa capacidade de tomar decisões também pode desenvolver duas etapas. Há fortes indícios de que temos um sistema automático e intuitivo para a tomada de decisões e um segundo, mais lento e detalhista, que se manifesta desde muito cedo. O cientista cognitivo lan Apperly, pesquisador da Universidade de Birmingham, Reino Unido, encontrou evidências de que crianças têm um sistema implícito mais rápido que os adultos. “Pode haver dois tipos de processos, de um lado para a velocidade e eficiência, e de outro para a flexibilidade”, escreveu em um artigo publicado pelo periódico Psychological Review.

OUTROS OLHARES

NOVA ARMA CONTRA A GRIPE

Depois de vinte anos sem novidade na área, governo americano aprova medicamento para combater o Influenza

nova arma contra a gripe

É consenso entre a comunidade científica que uma nova pandemia de gripe acontecerá. Por isso, ao mesmo tempo em que parte dos pesquisadores busca vacinas mais eficazes contra o Influenza, o vírus causador da doença, outra procura remédios para impedi-lo de se replicar e matar os mais fragilizados. Nessa área, a novidade é o Xofluza, remédio recém-aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), a agência americana responsável pela liberação de medicamentos nos Estados Unidos.

Ele não é o primeiro a atuar sobre o Influenza. O Tamiflu e o Relenza já fazem isso. Mas o Xofluxa é a primeira novidade no campo depois de vinte anos e apresenta um modo diferente de atuação.

ADESÃO
Enquanto os outros dois impedem que cópias do vírus saiam das células infectadas para contaminar outras, o Xofluza não permite que o Influenza produza cópias dentro das células.

Essa característica faz com que o remédio baixe a concentração de vírus rapidamente. “Isso diminui a velocidade de propagação do vírus na população, mas ainda não temos evidências populacionais”, explicou Andrew Pavia, chefe da Divisão de Doenças Infecciosas Infantis da Universidade de Utah (EUA), envolvido nos estudos da droga.

O remédio deve ser tomado uma vez por dia, durante cinco dias. Os outros são ingeridos duas vezes ao dia, o que atrapalha a adesão. “Ele também funciona contra variantes do vírus resistentes”, disse Pavia. Para uma área tão necessitada de recursos de ação rápida, qualidades assim fazem diferença, em especial em tempos de endemias, quando a questão tempo é vital para seu controle.

nova arma contra a gripe.2

GESTÃO E CARREIRA

CULTURA ORGANIZACIONAL E VELOCIDADE COMBINAM OU CONCORREM?

Área de gestão de pessoas precisa construir uma base sólida de cultura organizacional com propósito e valores.

cultura organizacional e velocidade combinam ou concorrem

Enquanto o mercado busca fôlego para sair de uma das piores crises de sua história, as startups são a bola da vez enquanto atingem níveis inéditos de maturidade e mind share. Como? Em um contexto onde empresas de maior sucesso se voltam a entregar produtos e serviços de extrema qualidade, essas iniciantes voltam seus olhares especialmente para dentro de casa, numa busca constante em proporcionar uma experiência que ultrapasse os limites das paredes de seus escritórios modernos e impactem de forma avassaladora os clientes dos serviços mais disruptivos do mercado.

Funcionário feliz é mais produtivo e atende melhor seu cliente. Esse propósito molda um modelo de negócio que funciona com autonomia, flexibilidade, eficiência e inovação constantes. Também conversa com intimidade com os jovens de perfil empreendedor que chegam ao mercado buscando fazer a diferença.

Inclusão e autenticidade são palavras de ordem nos dias de hoje. Com sua natureza disruptiva, essas jovens empresas balançam os mercados por onde passam e transformam estruturas de negócios tradicionais através da tecnologia, a fim de proporcionar a melhor experiência possível e fidelizar seus clientes que acabam por compor esse ambiente de ‘comunidade’. Para contribuir com essa atmosfera, as antigas e engessadas técnicas em gestão de pessoas também vêm sendo questionadas. A questão é como ser eficiente e flexível ao mesmo tempo para entender as necessidades das diferentes áreas de negócios e seus diferentes formatos?

É aí que entra a necessidade da área de pessoas em construir uma base sólida de cultura organizacional com propósito e valores que estejam alinhados com os fundadores e a história da construção da empresa. Se a cada novo funcionário, quando entra na empresa, entende e se identifica com os valores que são comunicados, é possível ter liberdade para tomar decisões em qualquer formato, desde que se mostre responsabilidade ao observar esse framework.

Não se trata de uma tarefa fácil. A chave está em entender rapidamente onde estão os eventos, grandes ou pequenos, que refletem e promovem esses conceitos de valorização e fazer essa informação fluir entre os funcionários da empresa em todos os níveis, através de qualquer formato: reuniões rápidas para iniciar a semana, town halls, happy hour, peças de comunicação, portas abertas etc.

Se a empresa é eficiente em encontrar talentos que compartilham dos seus valores, usualmente são eles quem trarão os inputs necessários para a área de Recursos Humanos entender o que funciona e o que não funciona e de que forma conseguimos relativizar ou favorecer esses aspectos no dia a dia.

Ao contrário, se não começarmos desde o início (no processo seletivo) identificando quem poderá contribuir com o business de forma autônoma, será mais difícil fazer com que toda a empresa mire um único objetivo e se sinta à vontade para ser contributivo, para discutir problemas e buscar soluções conjuntas. Será um desafio constante.

Um bom onboard é muito eficaz na conquista deste resultado, mas não é tudo. Na prática, se a combinação de valores entre funcionário e empresa é forte, o próprio sistema se responsabiliza por reconhecer os talentos e repelir os outliers.

Para garantir o sucesso a longo prazo, manter a essência da cultura originais é tão importante quanto definir a próxima aquisição estratégica. Afinal, é isso que vai garantir que seus diferenciais não se percam no mar de opções infinitas de mercado.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 1-10 – PARTE III

alimento diário

A Ressurreição

 

III – Pedro e João correm apressadamente ao sepulcro, para verificar a verdade do que lhes tinha sido dito, e para ver se conseguiam fazer alguma outra descoberta, vv. 3,4. Alguns pensam que os outros discípulos estavam com Pedro e João quando as notícias chegaram, pois elas “anunciaram todas essas coisas aos onze”, Lucas 24.9. Outros pensam que Maria Madalena contou sua história somente a Pedro e a João, e as outras mulheres contaram sua história aos demais discípulos. Mas nenhum deles foi ao sepulcro, exceto Pedro e João, que eram dois dos três primeiros discípulos de Cristo, frequentemente distinguidos dos demais por favores especiais. Observe que é bom quando aqueles que são mais honrados que outros, com os privilégios de discípulos, são mais ativos que outros, no dever de discípulos, mais desejosos de sofrer e arriscar-se em uma boa obra.

1. Veja aqui que uso devemos fazer da experiência e das observações de outros. Quando Maria lhes contou o que tinha visto, eles não se limitaram a aceitar a palavra dela, mas quiseram ir e ver com seus próprios olhos. Outros nos falam do consolo e do benefício das ordenanças? Devemos nos engajar, portanto, para testá-los. Venham e vejam como é bom estar perto de Deus.

2. Veja como devemos estar prontos para compartilhar com nossos amigos suas preocupações e temores. Pedro e João correram ao sepulcro, para que pudessem dar a Maria uma resposta satisfatória pelos seus zelos. Não devemos nos ressentir de quaisquer esforços que fazemos para socorrer e consolar os fracos e medrosos seguidores de Cristo.

3. Veja que pressa devemos ter em um bom trabalho, e quando estamos realizando uma boa tarefa. Pedro e João não se importaram, nem com sua comodidade, nem com sua seriedade, mas correram ao sepulcro, para poderem mostrar a força do seu zelo e da sua afeição, e não perderam tempo. Se estivermos no caminho dos mandamentos de Deus, devemos nos manter firmemente neste caminho.

4. Veja que boa coisa é ter boa companhia em um bom trabalho. Talvez nenhum destes discípulos ti­ vesse se arriscado a ir ao sepulcro sozinho, mas, estando juntos, não viram problema em fazê-lo. Veja Eclesiastes 4.9.

5. Veja que uma louvável competição existe entre os discípulos para ver quem será melhor, quem se superará naquilo que é bom. Não foi má educação para João, embora mais jovem, correr mais apressadamente que Pedro, e chegar primeiro ao sepulcro. Nós devemos fazer o melhor que pudermos, não invejando aqueles que conseguirem fazer melhor do que nós. Também não podemos desprezar aqueles que fizerem o que puderem, ainda que cheguem depois de nós.

(1) Aquele que chegou primeiro nesta corrida foi o “discípulo a quem Jesus amava” de uma maneira especial, e que, portanto, de uma maneira especial amou a Jesus. Observe que o senti­ mento do amor de Cristo por nós, despertando em nós amor por Ele, irá nos fazer sobressair-nos em virtude. O amor de Cristo irá nos impulsionar, mais do que qual­ quer outra coisa, a sermos abundantes no dever.

(2) Aquele deixado para trás era Pedro, que tinha negado seu Mestre, e estava entristecido e envergonhado por isto, e isto o atrapalhava, como um peso. O sentimento de culpa nos limita, e impede nossa expansão a serviço de Deus. Quando nossa consciência está ofendida, nós perdemos terreno.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

POR QUE MULHERES VIVEM MAIS?

Quando se trata de tempo, só o estresse ou mesmo a capacidade intelectual não explicam a diferença entre os sexos. Ao longo da evolução, o papel do corpo era crescer e se reproduzir, mas não valia a pena durar muito, pois o risco de uma morte acidental era grande. E, outras palavras, genes são imortais, mas o corpo é descartável. E o masculino, mais ainda.

por que mulheres vivem mais

Se ainda há alguém que acredita que as mulheres são o sexo mais frágil, já passou da hora de reconsiderar essa ideia. De levarmos em conta a prova mais fundamental de força – o poder de permanecer vivo-, as mulheres são mais resistentes que os homens do nascimento até a idade avançada extrema. O homem médio talvez conclua uma corrida de 100 metros com mais rapidez que a mulher mediana e levante volumes mais pesados. Mas atualmente elas sobrevivem a eles por cerca de cinco a seis anos. Aos 85 anos existem aproximadamente seis mulheres para cada quatro homens. Aos 100, a proporção é de mais de duas para um. E, aos 122 anos, o atual recorde de longevidade humana, a pontuação é de um a zero a favor das mulheres. Então, por que elas vivem mais? Há algumas décadas podia ser considerada a hipótese de que eles têm morte prematura por conta de todas as dificuldades e estresses de suas vidas de trabalho. Mas a realidade se encarrega de colocar a tese por terra – afinal, se fosse assim, nesses dias de maior igualdade entre gêneros, seria de se esperar que a lacuna de mortalidade desaparecesse ou pelo menos diminuísse. No entanto, há pouca evidência de que isso esteja acontecendo. Hoje, as mulheres ainda sobrevivem aos homens por mais ou menos o mesmo tempo que suas mães que não trabalhavam fora de casa sobreviviam aos seus pais. Além disso, quem realmente acredita que as vidas de trabalho dos homens naquela época eram tão mais prejudiciais à saúde que as rotinas domésticas de mulheres? Considere por um momento os estresses e tensões que sempre existiram nos papéis tradicionais femininos. De fato, estatisticamente falando, representantes do sexo masculino lucram muito mais com o casamento que suas mulheres: homens casados tendem a viver muitos anos a mais que os solteiros; enquanto mulheres casadas só vivem um pouco além das solteiras. Então quem, de fato, teria uma vida menos estressante?

Pode ser que as mulheres sejam longevas porque desenvolvam hábitos mais saudáveis que os homens ao, por exemplo, fumarem e beberem menos e escolherem uma dieta melhor. Mas aí, de novo, é preciso se confrontar com os dados da realidade. O número de fumantes femininas está crescendo, e muitas mulheres bebem e consomem alimentos que não são saudáveis. De qualquer modo, se elas são tão saudáveis, por que tantas passam mais anos da velhice com mais problemas de saúde que homens, apesar de sua maior longevidade? O argumento do estilo de vida, portanto, também não responde à pergunta.

A gerontologia aborda essa questão de uma perspectiva biológica mais abrangente ao analisar também outros animais. Foi constatado, por exemplo, que as fêmeas da maioria das espécies vivem mais que os machos, o que sugere que a explicação para a diferença entre humanos talvez tenha suas raízes no fundo de nossa biologia.

Muitos cientistas acreditam que o processo de envelhecimento resulta do acúmulo gradual de um enorme número de pequenas falhas individuais, um dano a um filamento de DNA aqui, uma molécula de proteína desregulada ali, e assim por diante. Essa somatória degenerativa significa que a extensão de nossas vidas é regulada pelo equilíbrio entre a rapidez com que novos danos atingem nossas células e com que eficiência esses problemas são corrigidos. Os mecanismos do corpo para manter e reparar nossas células são maravilhosamente eficazes, razão pela qual vivemos tanto tempo; mas esses mecanismos não são perfeitos. Alguns danos escapam sem serem consertados e se acumulam à medida que os dias, meses e anos passam. Envelhecemos porque nossos corpos ficam cometendo erros.

Podemos, no entanto, nos perguntar por que nossos corpos não se consertam com mais eficiência. De fato, provavelmente poderíamos reparar danos melhor do que já fazemos. Pelo menos em teoria, poderíamos fazer isso suficientemente bem para viver para sempre. A razão por que não o fazemos, penso eu, é porque teria custado mais energia do que valia a pena quando o nosso processo de envelhecimento evoluiu, na época em que nossos ancestrais, caçadores e coletores enfrentavam uma luta constante contra a fome. Sob a óptica da seleção natural para aproveitar da melhor maneira os escassos suprimentos de energia do organismo, nossa espécie deu maior prioridade ao crescimento e à reprodução que a viver para sempre. Nossos genes trataram o corpo como um veículo de curto prazo que devia ser suficientemente bem mantido para crescer e se reproduzir, mas que não valia a pena um investimento maior em termos de durabilidade quando o risco de sucumbir a uma morte acidental era tão grande. Em outras palavras, genes são imortais, mas o corpo, aquilo que os gregos chamavam soma, é descartável.

HOMENS PARA JOGAR FORA

Pelo menos foi essa a ideia que propus no final da década de 70. Desde então, as evidências para sustentar essa teoria do soma descartável cresceram significativamente. Em meu laboratório, mostramos, há alguns anos, que animais mais longevos têm sistemas de manutenção e reparação melhores que animais de vida mais abreviada. Os animais que vivem mais tempo também são os mais inteligentes, os maiores, ou os que, como pássaros e morcegos, evoluíram e sofreram adaptações (como as das asas) para tornar suas vidas mais seguras. Se você pode evitar os riscos do meio ambiente por um período um pouco mais longo ao sair voando de um perigo, ou sendo mais esperto ou maior, então o corpo, correspondentemente, se torna um pouco menos descartável – e compensa gastar mais energia em reparos.

Seria possível que as mulheres sejam mais longevas porque são menos descartáveis que os homens? Apesar de polêmica, essa noção faz excelente sentido biológico. Em humanos, como na maior parte das espécies animais, o estado do corpo feminino é muito importante para o sucesso da reprodução. O feto precisa se desenvolver dentro do útero materno, e o bebê tem de mamar em seu peito. Portanto, se o organismo do animal fêmeo está excessivamente enfraquecido por danos, existe uma ameaça real às suas possibilidades de produzir descendentes saudáveis. Já o papel reprodutivo masculino é menos dependente de sua contínua boa saúde, pelo menos de forma direta.

É demasiado radical afirmar que, no que diz respeito à biologia, tudo o que importa é que os machos atraiam uma fêmea para acasalar, podendo morrer depois disso. Um estudo de crianças na Tanzânia, por exemplo, mostrou que os pequenos que perderam um pai antes dos 15 anos tendiam a ser um pouco mais baixos que seus colegas, e a altura é um referencial razoavelmente bom para a saúde.

Mas crianças que perderam a mãe se saíram pior ainda: elas eram mais baixas, mais pobres e não viveram tanto quanto os órfãos sem pais. De um ponto de vista evolutivo, no entanto, os impulsionadores do sucesso de acasalamento para homens em geral não são os estímulos de longevidade. De fato, elevados níveis de testosterona, que aumentam a fertilidade masculina, são bastante ruins para a sobrevivência de longo prazo.

Mulheres ainda estão lutando para conquistar a igualdade em muitas esferas da vida, mas ser menos descartável é uma facilidade que oferece alguma compensação. Há evidências em estudos de roedores de que as células em um corpo feminino fazem reparos melhores de danos que as dos corpos de machos e que a remoção cirúrgica dos ovários elimina essa diferença. Como muitos proprietários de cães e gatos podem atestar, animais machos castrados muitas vezes vivem mais que seus congêneres intactos. De fato, as evidências apoiam a noção de que a castração de um macho pode ser caminho para uma vida mais longa.

O mesmo poderia ser válido para humanos? No passado, eunucos eram membros da elite em muitas sociedades. Na China, meninos eram castrados para que pudessem servir ao imperador sem o risco de engravidar as concubinas. Na Europa, essas práticas extremas foram utilizadas para manter a sublime qualidade de canto de garotos à medida que eles transitavam para a adolescência.

O registro histórico não é suficientemente bom para determinar se eunucos tendem a viver mais que homens saudáveis que não sofreram a intervenção tão agressiva, mas alguns lamentáveis registros sugerem que sim. Há alguns anos, a castração de homens em instituições para os mentalmente perturbados era surpreendentemente comum. Em um estudo de várias centenas de homens em uma instituição não identificada por nome no Kansas, foi constatado que os homens castrados viviam, em média, 14 anos mais que seus iguais não castrados. Ainda assim, duvido que muitos homens, inclusive eu, escolheríamos um remédio tão drástico para ganhar alguns anos extras de vida.

MENOS INTELIGÊNCIA, MENOS TEMPO

Recentemente, especialistas de áreas que nem sempre estiveram próximas têm se unido em busca de pistas que possam prever quais aspectos de fato influenciam o bem-estar e as doenças que antecipam (ou retardam) a morte. É o caso dos doutores em psicologia Alexander Weiss e lan J. Deary e do especialista em epidemiologia David Batty. Os pesquisadores utilizam séries históricas de estudos em saúde, que abrangem várias décadas. Nesses projetos, centenas, milhares ou às vezes até 1 milhão de pessoas são sistematicamente avaliadas e acompanhadas ao longo de vários anos. Analisando cuidadosamente esses dados, eles e outros pesquisadores descobriram uma nova forma de prever a longevidade das pessoas: os escores obtidos em testes de inteligência quando jovens.

“Os resultados são inequívocos, embora poucos profissionais da saúde os conheçam: quanto mais baixo o nível de inteligência de uma pessoa, maior o risco de ela ter uma vida mais curta, desenvolver doenças físicas e mentais com o passar dos anos e morrer de patologias cardiovasculares, suicídio ou acidente”, afirma Deary. Obviamente não é possível fazer generalizações, mas é surpreendente que baixo nível de inteligência ofereça prognóstico tão forte de fatores de risco bem conhecidos para doenças e morte, como obesidade e hipertensão. Mas simplesmente ter boa capacidade intelectual não basta para garantir a longevidade: é preciso agir e decidir como pessoas inteligentes. E, muitas vezes, funcionamentos psíquicos e aspectos emocionais não permitem que as pessoas usem o potencial que têm a seu próprio favor.

OUTROS OLHARES

UM VIAGRA NATURAL?

O consumo de uma raiz de origem peruana, a maca, é moda entre homens e mulheres em busca do aumento do desejo sexual.

um viagra natural

Uma onda de hashtags se espalhou pelas redes sociais para louvar os supostos efeitos terapêuticos de uma raiz indígena de origem peruana com 2.000 anos de história: # maca­peruana, # viagrainca, # maca powder, #macaroot # peruvianviagra. O fenômeno brotou nos Estados Unidos e na Europa e já está desembarcando no Brasil. Ingerida em pó ou em cápsula, com sabor terroso, a planta tem sido procurada sobretudo por quem busca melhorar a disposição e o desempenho sexual.

Segundo os consumidores, os efeitos são reais – e as pesquisas confirmam. Um estudo, divulgado no periódico Andrologia, concluiu que, para homens em idade fértil, a ingestão de doses entre 1,5 grama e 3 gramas de maca durante doze semanas consecutivas fez aumentar a libido, em comparação ao grupo que tomou um placebo. Há benefícios também para mulheres. Um trabalho conduzido pela Universidade Charles Sturt, na Austrália, mostrou que a raiz ameniza os sintomas da menopausa. Durante essa fase, ocorre redução drástica dos níveis de estrogênio, o hormônio feminino por excelência. Aparentemente, a maca imita a ação do estrogênio. Os resultados foram vistos com o consumo de 2 gramas do ingrediente, equivalentes a meia colher de chá diária.

O aumento do desejo sexual, portanto, é o efeito mais procurado por quem compra a maca peruana. No Japão, a raiz é vendida em farmácias e quiosques em embalagens cujo rótulo faz alusão à ereção masculina. Diz Norvan Martino Leite, especialista em clínica médica e fitoterapia: “A maca atua de forma natural e eficaz em sistemas complexos do organismo, em princípio sem efeitos colaterais”.

Convém, como sempre, ir com cautela. Ainda faltam levantamentos mais conclusivos. A maca se encaixa na categoria de suplemento ou de alimento – e não de remédio. Ou seja, não pode ser empregada como tratamento para disfunções sexuais. Diz Paulo Henrique Março, professor no programa de pós-graduação de tecnologia em alimentos na Universidade Tecnológica Federal do Paraná: “Como qualquer fitoterápico sem comprovação cabal da ciência, ela deve ser usada para melhorar o que já é bom. E não em um corpo doente”. Nenhuma investigação científica mostrou danos colaterais relevantes.

As qualidades do produto atreladas ao desejo e à disposição estão associadas a um pacote de compostos. Há os que aumentam a resistência. Outros aceleram a recuperação muscular. O sucesso levou à promulgação de uma lei exigindo que a planta seja cultivada apenas no Peru. Isso porque as propriedades estariam associadas ao clima, à luminosidade intensa e à altitude de 4.000 metros dos Andes.

O uso de plantas tem conquistado espaço na medicina. Os hospitais de primeira linha no Brasil investem em estudos sobre as propriedades fitoterápicas. A Universidade Harvard, uma das mais conceituadas no mundo, criou um departamento dedicado a pesquisas das terapias complementares. Diz o médico Edson Borges, diretor científico do Fertility Medical Group: “Essa busca é calcada sobretudo no fato de termos atingido os limites nos tratamentos convencionais”.

COMO A RAIZ AGE NO ORGANISMO

 A AÇÃO

Rica nas vitaminas B6 e E, ela facilita a produção dos hormônios sexuais. Contém arginina, aminoácido com ação vaso dilatadora, atalho para uma recuperação rápida das células musculares. Os compostos macamidas, saponinas, alcaloides e polifenóis, de atuação antioxidante, impactam a disposição, dando sensação de bem-estar

CONTRA INDICAÇÃO

Grávidas, lactantes ou pessoas com doenças associadas a alterações hormonais, como endometriose e câncer de mama ou de ovário

QUANTIDADE RECOMENDADA

De 500 miligramas a 3,3 gramas por dia, em pó ou em cápsula

Fontes: Norvan Martino Leite, clínico especialista em fitoterapia; Andrologia; Evidence-Based Complementary and Alternativa Medicine

GESTÃO E CARREIRA

QUATRO DICAS PARA SER UM LÍDER POSITIVO

Liderança positiva tem base científica, mas também a natureza humana em toda a sua complexidade.

quatro dicas para ser um líder positivo

O trabalhador dos dias de hoje não é mais aquele funcionário resignado, capaz de tolerar diversas situações desfavoráveis, pensando em seu trabalho como uma fonte de renda e alicerce de uma carreira. Atualmente, em qualquer nível de emprego, a grande maioria dos trabalhadores enxerga sua vida como o núcleo em que deve se encaixar o trabalho, e não o contrário, como era no passado. Há também os líderes que ainda não se alinharam a essa nova realidade e insistem em exercer sua liderança e atingir metas e objetivos sem considerar a complexidade e os novos valores de seus subordinados. Na junção desses dois universos temos a desmotivação, falta de engajamento e queda de desempenho.

“A liderança positiva surge como uma resposta a esse dilema. É um conceito relativamente novo, com base na psicologia positiva aplicada, que visa a performance, mas considera as múltiplas dimensões biológicas, pessoais, relacionais, institucionais, culturais, globais, para gerar uma série de novos comportamentos no sentido do florescimento humano de um grupo, instituição. Esse desenvolvimento de cada profissional é que gera resultados além dos esperados”, explica Flora Victoria, especialista sobre o tema, mestre em psicologia positiva aplicada pela Universidade da Pensilvânia, e coach fundadora da SBCoaching.

Para Flora, o líder positivo exerce a liderança com base em três pilares:

a) no desvio positivo (o que excede a performance comum);

b) nas ações virtuosas (uso das forças de caráter e virtudes que geram mais resultados e satisfação);

c) no viés afirmativo (foco no que funciona, no que dá certo, nas forças e qualidades).

Mas como ser um líder com esse perfil? Para ajudar quem está interessado nesse processo de mudança como líder, a especialista dá quatro dicas baseadas no acrônimo HERO, que dá origem ao chamado “Psycap”, estado psicológico positivo de desenvolvimento encontrado em empresas e líderes bem-sucedidos e longevos:

1 – HOPE – garanta aos seus funcionários a oportunidade de criar planos e caminhos para conquistar suas metas. Estimule planos alternativos. Ajude-os a ter objetivos claros, a realizar e apresentar projetos bem-sucedidos para a equipe. Deixe-os entrar em ação.

2 – EFFICACY – invista em feedbacks e ações de encorajamento social. Funcionários que apresentam resultados devem ser reconhecidos. Não só acompanhe suas atividades, demonstre que está acompanhando e mostre-se disponível para colaborar, caso ele necessite.

3 – RESILIENCE – pratique a resiliência e inspire seus funcionários a fazer o mesmo. Se exponha a situações nas quais você não tenha um roteiro definido e aumente sua capacidade de improvisar e criar soluções novas. Fazendo isso no dia a dia, sem pressão, quando a pressão ocorrer, você vai estar com a resiliência desenvolvida e sua equipe estará acostumada a lidar com isso.

4 – OPTIMISM – seja otimista. Isso não significa ser alienado. Reconheça dificuldades, problemas, mas a forma como vai lidar com eles é que vai diferenciar você e sua equipe. Um desafio não dura a vida toda. Um problema profissional é um problema profissional e não de todas as esferas da sua vida. Culpados não significam soluções. Perpetrar fraquezas e dificuldades não levam ninguém para frente. “Virar a chave” e acreditar no seu potencial e de sua equipe sim. Segundo Martin Seligman, um dos criadores da psicologia positiva, otimismo pode ser desenvolvido. Que tal?

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 1-10 – PARTE II

alimento diário

A Ressurreição

 

II – Encontrando a pedra tirada, ela corre de volta até Pedro e João, que provavelmente estavam hospedados juntos naquela parte da cidade, não muito distantes, e os coloca a par do acontecido: “Levaram o Senhor do sepulcro”, invejosos da sua honra de ter um sepulcro tão decente, ‘e não sabemos onde o puseram’, nem onde podemos encontrá-lo, para podermos prestar-lhe nossos últimos respeitos”. Observe aqui:

1. Que Maria teve uma noção do que tinha acontecido. Ela encontrou a pedra tirada, olhou dentro do sepulcro e viu que estava vazio. Seria de se esperar que o primeiro pensamento que lhe viesse à mente fosse: Certamente o Senhor ressuscitou, pois sempre que lhes dizia que seria crucificado, o que ela tinha visto acontecer, Ele ainda acrescentava, imediatamente, que ressuscitaria ao terceiro dia. Ela tinha podido sentir o grande terremoto que aconteceu quando se dirigia ao sepulcro, ou se preparava para ir até lá, e agora via o sepulcro vazio, e ainda assim a ideia da ressurreição não entrava na sua mente? Nenhuma conjetura, nenhuma suspeita disto? É o que parece, pela estranha interpretação que ela dá à remoção da pedra, que foi muito ilógica. Observe que, quando refletimos sobre nossa própria conduta em um dia nublado e escuro, ficamos assombrados com nossa estupidez e falta de atenção, a ponto de não ter tais pensamentos que posteriormente parecem óbvios, e como eles podiam estar tão fora de alcance quando precisamos deles. Ela sugeriu: “Levaram o Senhor”. Ou os principais dos sacerdotes o levaram, para colocá-lo em um lugar pior, ou José de Arimatéia e Nicodemos o levaram, depois de pensar melhor, para evitar a má vontade dos judeus. Qualquer que fosse sua suspeita, parece que o fato de o corpo ter desaparecido tinha trazido uma grande irritação a ela, ao passo que, se ela tivesse interpretado corretamente, nada poderia ser mais feliz. Observe que os crentes fracos frequentemente fazem objeto de suas queixas aquilo que, na verdade, é razão para esperança, e motivo de alegria. Nós nos queixamos de que este ou aquele consolo são retirados, e não sabemos como recuperá-los, quando, na verdade, a retirada dos consolos temporais que nós lamentamos se destina à ressurreição dos nossos consolos espirituais, nos quais devemos nos alegrar.

2. Que ela fez um relato a Pedro e a João. Ela não ficou se lamentando, mas colocou seus amigos a par da situação. Observe que a comunicação das nossas tristezas é uma parte importante da comunhão dos santos. Observe que Pedro, embora tivesse negado ao seu Mestre, não tinha abandonado os amigos do seu Mestre, e a sinceridade do seu arrependimento fica evidente no fato de que ele estava associado ao discípulo a quem Jesus amava. E o fato de que os discípulos mantinham sua intimidade com ele, como anteriormente, apesar da sua queda, nos ensina a restaurar aqueles que falharam, com um espírito de mansidão. Se Deus os recebeu, depois do seu arrependimento, por que não o faremos nós?

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O QUE OS BEBÊS TÊM A DIZER?

Mesmo sem se expressar verbalmente, crianças com pouco tempo de vida podem se beneficiar de trabalhos psicológicos ou psicanalíticos; voltados para as relações primordiais entre pais e filhos, profissionais procuram identificar quanto antes eventuais riscos psíquicos, o que tem propiciado intervenções cada vez mais precoces, levando em conta a capacidade dos pequenos.

o que os bebês têm a dizer

Parece desafiador falar em trabalho psíquico com aqueles que estão nas etapas iniciais do processo de subjetivação, já que ainda não falam e aparentemente não sabem tornar inteligíveis suas demandas. É certo que um mediador se faz necessário na relação do bebê com o mundo. Ainda assim, pesquisas e experiências clínicas têm mostrado que os bebês apresentam enorme potencial – até mesmo para responder a psicoterapias. Profissionais da saúde, em especial psicólogos e psicanalistas, têm se voltado cada vez mais à observação das etapas precoces do   desenvolvimento, com destaque para a saúde mãe-bebê, buscando formas adequadas de intervenção terapêutica.

Para tanto, é preciso pressupor que o recém-nascido tenha certa sensibilidade para perceber as demandas, tanto da pessoa que dele cuida como do meio, deixando-se inscrever nelas. As práticas de assistência oferecidas a crianças com poucos meses – sejam no campo da medicina, da psicologia ou da psicanálise – se estruturam justamente com base nessa suposição. Pelo viés do psiquismo, destacam-se três tipos de proposta de trabalho: observação de bebês, consultas psicanalíticas mãe-bebê e formação de profissionais de várias áreas para detectar sinais preditivos de risco psíquico. O acesso a tais possibilidades se dá mais facilmente em locais que recebem bebês e suas mães, como hospitais, consultórios pediátricos, de psicologia e de psicanálise, unidades de terapia intensiva (UTIs) neonatais, escolas de educação infantil, creches e organizações não governamentais (ONGs).

A prática de observação de bebês tem o objetivo de mapear seus sistemas cognitivo e afetivo e identificar desajustes em sua formação psíquica, bem como possíveis correlações que deem conta de explicar a causa. Os estudos sobre o psiquismo perinatal ou fetal, por exemplo, que contam hoje com instrumentos tecnológicos capazes de acompanhar o desenvolvimento intrauterino – caso dos equipamentos de ultrassonografia em três dimensões (3D) -, indicam um esboço da função cognitiva já a partir de 15 semanas de gestação, quando o córtex cerebral está bem formado. Com base em constatações como essas, procura-se intervir no ambiente do bebê para facilitar sua relação com o meio. Vários autores consagrados da psicologia do desenvolvimento e da psicanálise dispõem de técnicas para essa prática.

As primeiras obras do pensador suíço Jean Piaget (1896 -1980) sobre o tema – O nascimento da inteligência na criança (1936) e A construção do real na criança (1937) – já marcavam o início do interesse do criador da epistemologia genética pela inteligência dos bebês. Ele buscou relacionar   a inteligência dos adultos com sua formação na tenra infância. “Piaget nos mostra um bebê sozinho, que consegue resolver problemas cada vez mais complexos, mas, paradoxalmente, não tem nenhuma representação mental, nem pensamento, antes da idade de 2 anos”, lembra a psicanalista francesa Marie-Claude Fourment-Aptekman, professora titular da Universidade Paris   13. Para o pensador, o bebê é egocêntrico (outra forma de dizer narcísico, auto erótico), e seu mundo, povoado por objetos físicos a serem ou não percebidos por ele.

Já para o pediatra e psicanalista inglês Donald W. Winnicott (1896 – 1971), um bebê sozinho não existe: ele precisa de outro humano para se constituir. Se chora, a mãe lhe oferece alimento. Se resmunga, recebe carinho. Quando percebe que o filho desenvolveu estratégias de apelo, a mãe, aos poucos, vai deixando de responder de imediato a ele, pois passa a acreditar na capacidade da criança de suportar sua ausência e se satisfazer, ainda que por pouco tempo, sozinha. “Para Winnicott, essa capacidade de enfrentar a falta progressiva da mãe já constituiria um esboço de pensamento”, lembra Marie-Claude. Embora o mundo físico esteja a seu dispor, a criança só existe do ponto de vista subjetivo a partir de um outro, caracterizado pela figura materna. A mãe precisará se mostrar progressivamente faltante para que o bebê possa desenvolver curiosidade sobre o mundo em geral.  Mas, se as faltas dela forem demasiadas ou insuficientemente progressivas, poderão levar a um “excesso de pensamento”, o que, para Winnicott, se traduz como ausência materna.

Segundo o psicanalista, “inteligência oculta certa privação”, uma vez que o pensamento do bebê seria um substituto materno. Ainda na visão de Marie-Claude, Winnicott indica a possibilidade de as funções de pensamento e de fantasia, abordadas por Freud, caminharem em paralelo. Segundo suas observações, alguns bebês têm aptidão precoce para a fala, chamada por ele de ação de pensar. Outros se especializam nas experiências sensoriais e perceptivas (visão, audição) e criam experiências alucinatórias. Essas duas expressões servem como substitutos da presença da mãe. O bebê recorre a esses recursos para se satisfazer, ao menos temporariamente.

AMBIENTE SEGURO

Winnicott já supunha que tudo o que o bebê registrava “fosse catalogado, categorizado e comparado”. Hoje, técnicas de habituação, provenientes da psicologia do desenvolvimento, comprovam que desde os 2 meses o bebê já é capaz de diferenciar as formas e as cores. “Um pouco mais tarde, também, se torna apto a classificar em duas categorias retratos de homens e de mulheres e consegue encontrar uma matriz idêntica em figuras complexas”, afirma a psicanalista francesa. E mais: logo após o nascimento, o bebê já diferencia fala de ruídos.

Quanto à teoria do apego, do psiquiatra inglês John Bowlby, esta não supõe fenômenos inconscientes na gênese do pensamento. Traz uma concepção desenvolvimentista em termos de segurança e autonomia; quanto maior o estado de segurança, mais disponibilidade a criança tem para descobrir o mundo – o que exige um afastamento gradual da figura materna, tendo em vista a autonomia do filho. Baseados nisso, autores da psicologia do desenvolvimento descrevem tipologias da dupla mãe-criança em função da qualidade do apego (seguro, evitante, ambivalente ou desorganizado) para compreensão de transtornos e psicopatologias infantis. Se há boa interação entre mãe e bebê, ou apego saudável, a criança adquire progressivamente a capacidade de adaptar-se a situações novas, estressoras ou adversas. Caso contrário, torna-se vulnerável às   adversidades da vida, sem condições de enfrentamento. Segundo Marie-Claude, essa teoria   comportamental encontra-se “longe da sobredeterminação freudiana que nos ensina a prudência, indicando-nos que a fragilidade psíquica nunca pode vir de uma única causa”. E acrescenta: ainda que os critérios comportamentais pudessem fornecer “boa preditividade dos sujeitos vulneráveis”, “não nos ajudam em nada a compreender por que, em percursos idênticos, alguns conseguem se livrar (da catástrofe) e outros não”.

Ao psicanalista cabe “escutar ” a relação mãe-bebê e traduzi-la como apelo – tanto a fala materna  e suas hesitações quanto a manifestação do bebê e seus sintomas -, tornando possível, dessa  forma, uma intervenção que se baseia na interpretação do discurso daquele adulto que ocupa a função materna.

POSIÇÃO ESTRATÉGICA

Contemporânea de Jacques Lacan (1901- 1981), com quem trabalhou, a psicanalista francesa   Françoise Deito (1908 – 1988) foi uma das pioneiras a propor um estudo preventivo em relação às psicopatologias infantis. Após um longo trabalho com crianças psicóticas e autistas, criou a Maison Vert, espécie de creche que os pais ou acompanhantes podiam frequentar, contando sempre com   um psicanalista de plantão para escutá-los e atendê-los.

Também psicanalista, a francesa Marie ­ Christine Laznik, da Universidade Paris 13, defende uma intervenção precoce na díade mãe-bebê quando detectados, por meio da observação e escuta do  discurso  materno, dois sinais que poderiam apontar para um risco de autismo: “Um não olhar da  mãe a seu bebê, sobretudo se esta não se dá conta disso, e a não instauração do terceiro tempo do circuito pulsional”. Acrescenta ela: “Intervir na relação do Outro [daquele que ocupa a função   materna) com a criança significa prevenção (..) a síndrome autística clássica é consequência de uma falha no estabelecimento dessa relação, nesse laço sem o qual nenhum sujeito pode advir”.

A psicanalista brasileira Raquel Degenszajn, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), aponta quanto é importante o médico acompanhar o processo de subjetivação da criança, em especial se as funções materna e paterna estão sendo exercidas, uma vez que o bebê produz respostas que podem ser verificadas pelos indicadores de desenvolvimento. O pediatra é quem está em posição estratégica, visto que oferece acompanhamento clínico periódico durante toda a infância, podendo levantar suspeitas diagnósticas, observar a persistência de alterações psíquicas e até encaminhar a criança no momento oportuno ao profissional especializado.

Tanto para os problemas orgânicos que necessitam de esclarecimento quanto para as  perturbações psíquicas (que podem se apresentar sob a forma de manifestações somáticas importantes), é desejável que o pediatra desenvolva instrumentos de leitura que o ajudem não  apenas na detecção dos problemas da criança, mas também na orientação à família e no encaminhamento de seus membros a especialistas, cujo êxito depende de um trabalho de base  sobre a implicação dos pais no sintoma do bebê.

Trabalhos como o de Raquel Degenszajn –  que englobam o ensino na área da saúde mental da criança para residentes do primeiro ano de pediatria comunitária no nível de atenção básica –  têm como meta a interlocução entre campos distintos, com o objetivo de articular a subjetividade da criança e da família aos problemas levados ao pediatra, utilizando como eixo a relação médico-paciente. É muito importante, assim, que as pesquisas relacionadas ao atendimento de bebês levem em conta a formação psíquica destes na interação com os adultos cuidadores (sejam eles os pais, sejam os profissionais da saúde e da educação), bem como a qualidade dessa interação. A interlocução entre as diversas áreas que acompanham o desenvolvimento subjetivo dos bebês é fundamental para a construção de uma prática clínica diversa da tradicional, mais condizente com a adoção de políticas públicas de prevenção e intervenção precoce em educação e saúde mental.

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QUANDO É HORA DE INTERVIR

O bebê pode se beneficiar de estimulação precoce e de atendimentos que envolvam pais e profissionais da saúde

A falta de autonomia do bebê faz com que ele tenha de “pedir” pela satisfação de suas necessidades. Daí o choro, que deve ser entendido pelos adultos que o cercam como um pedido de amparo, isto é, reconhecido como linguagem, como demanda dirigida a eles.

Uma vez que o bebê é posto nesse circuito da demanda, passa a visar a mãe em primeira  instância, em especial a forma como esta lhe responderá: uma sonda oral sacia a fome, mas não o satisfaz, pois ele precisa da presença materna, do olhar e da voz que acompanham a mamada no peito aconchegante. Cria-se uma demanda de amor a esse outro cuidador e uma dependência não apenas física, sobretudo de reconhecimento. A identificação, que nos humanos não é natural como            no reino animal.                                                                        

Toda satisfação o bebê encontra no outro e não no mundo. A mãe, ao responder à demanda do filho, o faz com seu desejo: o modo como interpreta o choro e responde a ele reflete o que ela sente pela criança e o sentido que esta tem em sua vida. Portanto, também ela demanda a seu filho respostas a suas expectativas. Inaugura-se o movimento lógico e fundamental que insere a criança no mundo da cultura.

As trocas afetivas e simbólicas entre mãe e filho, que retiram o foco do organismo a fim de transferi-lo para a relação, iniciam-se assim que o bebê nasce, nas mama­ das, nas trocas de fralda, nos banhos e nas atividades que a família dispensa a ele. Quando ocorre de um recém-nascido, prematuro ou não, precisar de uma UTI neonatal, submetendo-se às rotinas hospitalares, em que seu organismo é o principal foco de ação, é fundamental, do ponto de vista psíquico, que este não seja o único objeto de atenção. Esse bebê, submetido às medicações e aos procedimentos clínicos, deve ter assegurada a possibilidade de estabelecer o circuito da demanda com seus pais – primeiro passo para deixar de ser só um organismo e tornar-se um corpo desejado e futuramente desejante.

A psicologia intervém nos casos em que detecta, por meio de sinais na relação da criança com o ambiente e com os familiares, que o lugar do bebê no desejo dos pais e no estabelecimento do circuito da demanda está ameaçado. Qualquer que seja o motivo que o tenha levado à internação precoce, o psicólogo deve intervir na equipe, sobre os pais e familiares e sobre o bebê, visando sempre um ato ou uma fala, dos adultos que o cercam, capaz de dar a ele a possibilidade de iniciar sua constituição psíquica.

Ao profissional cabe se posicionar de forma a escutar o discurso familiar sobre a criança. Esse discurso que precede o nascimento dela é enunciado pelos pais e parentes. Ele deve interrogar sobre o lugar do bebê no desejo familiar, isto é, os efeitos que tal desejo tem sobre o corpo da criança. Se em geral não é tão claro para os pais como cuidarão do filho, em uma situação em que ele está fisicamente ameaçado é bem provável que haja de fato uma paralisação. Diante de si, só veem o horror e, nesse horror, o bebê. O que pode reverter tal situação é o desejo dos próprios pais de retirar a criança desse lugar, traçando um futuro para ela.

Com a equipe institucional, o trabalho do psicólogo deve ser de parceria e corresponsabilidade. A ele não cabe apenas se ocupar das urgências, como a agressividade ou a infelicidade de pais e familiares que por vezes perturbam a rotina médica. Mais que isso, deve discutir com estes, buscando intervenções comuns e complementares que visem a relação de cada criança com seus pais. Portanto, o bebê pode ser assistido pelo psicólogo de duas formas: indireta (via trabalho de escuta do discurso dos pais e da equipe sobre a criança) e direta (por meio de estimulação precoce). De uma maneira ou de outra, o profissional tem de assegurar à criança o modo particular e estrutural com que seu corpo figura no desejo dos pais e atentar para que as ações institucionais não recaiam apenas sobre seu organismo.

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REFLEXOS DO ESTADO DE HUMOR MATERNO

Alguns trabalhos sugerem que o psiquismo fetal já estaria ao menos esboçado no período uterino e que experiências ocorridas nessa época teriam efeitos emocionais profundos sobre o desenvolvimento infantil. Na década de 90, a pesquisadora e psicanalista italiana Alessandra Piontelli fez um estudo observacional do comportamento fetal e infantil, desde a concepção até os 4 anos de idade. Sua metodologia incluía o acompanhamento regular da gestante no pré-natal, eventualmente do parto, e posterior observação da criança em casa. A partir das ultrassonografias de 11 fetos, sugeriu que suas expressões faciais, motoras e sensoriais poderiam estar relacionadas com o estado de humor materno. Sua investigação não foi conclusiva, mas contribuiu para a evolução da psicologia pré e perinatal. Nas imagens acima, simulação realizada com imagens de ultrassom 3D, recurso tecnológico de última geração.

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FORMAS DO PENSAMENTO INFANTIL

Até os 2 anos de idade o aprendizado é feito pelos sentidos e pela área motora.

O pensador suíço Jean Piaget (1896-1980), um dos mais renomados teóricos do desenvolvimento cognitivo, investigou a lógica formal que rege a criança na resolução dos diferentes obstáculos com os quais ela se defronta ao longo da infância. Constatou que para cada idade há uma lógica de exploração e solução de problemas.

São padrões organizados de comportamentos característicos de cada faixa etária que se modificam segundo a relação que a criança mantém com o ambiente. Piaget nomeou quatro modos de ação no mundo: sensório-motor (do nascimento aos 2 anos), pré­ operatório (dos 2 aos 6), operatório concreto (dos 6 aos 12) e operatório formal (a partir dos 12). O esquema sensório-motor caracteriza-se pelo aprendizado resultante dos sentidos e da atividade motora. Esse primeiro estágio divide-se em seis subestágios.

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QUANTO MAIS CEDO MELHOR

A intervenção precoce pode diminuir ou mesmo eliminar o risco de distúrbios. Abaixo, alguns marcadores psíquicos importantes, dignos de observação pelos profissionais e cuidadores que acompanham o bebê desde o nascimento até os 6 meses:

  • A mãe é capaz de transformar as necessidades fisiológicas do bebê em demanda dirigida a ela, supondo um sujeito?
  • Ela consegue afastar-se do bebê, alternando presença e ausência?
  • A mãe é capaz de diferenciar tipos de choro de seu filho?
  • Ela espera a reação da criança depois de realizar uma ação? Há ligação entre os olhares dela e do bebê?
  • O bebê apresenta indícios de comunicação: olhar, sorriso social, balbucies, experiências orais não alimentares como chupar o dedo, por exemplo?
  • Ele faz movimento em direção aos objetos?
  • A mãe fala com o bebê de um jeito particular? E ele, responde com vocalizações?
  • O bebê tem alterações de sono e vigília, de alimentação ou distúrbios intestinais?

OUTROS OLHARES

TERRA DOS ENFORCADOS

A cidade gaúcha de Santa Cruz do Sul tem o maior índice de suicídios do Brasil. Também tem uma das maiores produções de fumo do país. O que uma coisa tem a ver com a outra?

terra dos enforcados

O coveiro de Monte Alverne gosta de fazer contas. Calcula que já teve cinco automóveis Brasília e que só em uma das estradas das redondezas já houve quatro suicídios. “Aqui teve muita gente se enforcando”, diz Gilberto Bencke, o Pepe, de 58 anos, sentado em frente à mais recente Brasília, que a despeito da paixão do dono está sendo devorada pela ferrugem e tem as lanternas presas por fita adesiva. Apesar de conviver com a morte desde o fim da adolescência, quando começou a aprender com o pai o ofício que herdaria, Pepe estranha a quantidade de suicídios na região. “É um enterro muito mais triste.”

Monte Alverne é o primeiro e o mais importante distrito de Santa Cruz do Sul, município situado no Vale do Rio Pardinho, no centro do Rio Grande do Sul. É uma região de montes e depressões na qual carros de boi ainda transitam por estradas de chão batido e pedregulhos. Ao lado de quase todas as casas há uma estufa de tijolos à vista para secar fumo e, em frente a algumas delas, estátuas religiosas substituem anões de jardim. O estranhamento de Pepe faz sentido.

No Brasil, a cada grupo de 100.000 habitantes houve, na última década, entre quatro e seis suicídios por ano, mas nas famílias dos fumicultores de Santa Cruz o número chegou a76.

O fumo foi um dos produtos que os indígenas repassaram aos portugueses nas primeiras trocas pós-descobrimento. Ainda no século XVI, a planta começou a ser cultivada por colonos, principalmente na Bahia, e acabou servindo como moeda para a compra de escravos africanos. Em meados do século XIX, imigrantes alemães que chegaram à atual região de Santa Cruz trouxeram sementes de fumo na bagagem e, no século seguinte, o tabaco gaúcho desbancou o baiano na liderança do mercado.

Segundo maior plantador mundial de fumo, atrás somente da China, o Brasil lidera o beneficiamento e a exportação do produto. Do que se cultiva aqui, apenas 10% é consumido pelos brasileiros, o restante segue para fora. No ano passado, o país exportou 462.000 toneladas de tabaco, o que rendeu às fumageiras 2,1 bilhões de dólares. Esses números poderiam ter sido menores. Em maio de 2016, antes do impeachment de Dilma Rousseff, o Banco Central baixou uma resolução determinando que fumicultores interessados em crédito subsidiado precisariam aumentar a diversificação de culturas, reduzindo a dependência do tabaco. Em agosto daquele ano, já com Michel Temer no Palácio do Planalto, a determinação foi suspensa.

Santa Cruz tem oscilado entre o segundo e o quinto lugares na lista dos maiores produtores de tabaco, mas é o maior beneficiador e exportador do produto no país, com parte do fumo transformada em cigarro ali mesmo e outra parte vendida picada. Com 118.000 habitantes segundo o censo do IBGE de 2010, Santa Cruz é o mais populoso município entre os maiores produtores de fumo, o que o credencia a comparações. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que não se façam índices de suicídio com pequenas localidades, nas quais um número baixo de mortes pode levar a uma estatística alta.

Com base nesse critério, cruzamos o número de suicídios dos últimos dez anos registrados pelo Ministério da Saúde com a população do mais recente censo do IBGE de todos os municípios brasileiros com mais de 100.000 habitantes. Santa Cruz aparece em primeiro lugar, com média anual de dezesseis suicídios a cada grupo de 100.000 habitantes. Em segundo lugar, aparecem Passo Fundo, também no Rio Grande do Sul, e Patos de Minas, em Minas Gerais, com média anual de doze suicídios por grupo de 100.000 cada uma. Em uma década, portanto, Santa Cruz registrou quarenta suicídios a mais em comparação com Passo Fundo e Patos de Minas. No Brasil, nesse período de 2007 a 2016, em média cinco pessoas tiraram a vida a cada ano por grupo de 100.000 habitantes. O Rio Grande do Sul manteve a tradição de ser o estado recordista em suicídios, com dez casos por100.000 pessoas.

Os números do IBGE e da Secretaria de Agricultura mostram que em Santa Cruz do Sul as famílias de plantadores de fumo reúnem 12.000 pessoas, cerca de 10% da população do município. Apesar disso, com dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação, em cartórios de Santa Cruz e com familiares das vítimas, descobriu-se que a presença de fumicultores entre os suicidas vai muito além desses 10%. Em 2013, por exemplo, dos 25 suicídios ocorridos na cidade, oito foram de trabalhadores da cultura do fumo, de acordo com os registros oficiais. Projetando-se o número, conclui-se que, para cada grupo de 100.000 fumicultores, houve 67suicídios – enquanto, entre a população em geral, esse número ficou em dezesseis por 100.000.

O recorde da década deu-se em 2011, quando 34 pessoas tiraram a vida em Santa Cruz, nove das quais eram fumicultores – um número que projeta 76 suicídios anuais por grupo de 100.000 pessoas ligadas à plantação de fumo. A mais jovem vítima naquele ano foi Angélica Vargas de Oliveira. Era uma adolescente linda e simpática, de 16 anos, que queria ser policial militar. Enforcou­ se perto da escola em Monte Alverne. Os pais da jovem abandonaram o plantio de fumo, deixaram a velha morada e cuidam de um mercadinho de beira de estrada onde jovens se reúnem no fim da tarde de domingo para beber e jogar sinuca. ”A gente veio pra cá para ver se esquecia”, diz o pai, Sebastião Francisco de Oliveira, de 63 anos. “Mas não esquece.” A menina o ajudava desde criança na lavoura de fumo, mas não se descuidava dos estudos, como mostram os boletins dos quais a mãe nunca se desfez. “Ela só tirava notas altas”, orgulha-se Maria Leoni de Vargas, de 57 anos.

Quatro dias depois da morte de Angélica, Silomar Padilha, de 59 anos, enforcou-se na casa onde morava, em Alto Paredão, distrito vizinho a Monte Alverne. “Ele plantava fumo desde quando podia, desde a adolescência”, diz o irmão Senomar José Padilha, que anda de bombacha e chapéu. A menos de 5 quilômetros de onde Padilha se enforcou vive Alcido Schulz, de 77 anos. Ele parou de plantar fumo no ano passado, depois de mais de quatro décadas. Em 2011, precisou vender uma moto da família para pagar a lápide da sepultura do filho Valdomiro, que se enforcou aos 33 anos. “Era um guri que dos 8 anos para a frente estava na roça com a gente, sempre trabalhando.” Clerio Andre Schulz, de 38 anos, irmão de Valdomiro, mantém a lavoura com a ajuda da mulher e dos filhos. “O fumo é a sobrevivência da gente”, diz.

Pelo relato da maioria dos familiares, os fumicultores que se mataram em 2011 apresentavam sinais de depressão. “Ele plantou fumo a vida inteira e estava com depressão havia anos”, diz Jonas Rachow, filho de Albino Rachow, que se suicidou aos 65 anos. “Ele estava se tratando com remédios”, informa Carine Krüger, irmã de Juliano Lindolfo Krüger, que se matou aos 34 anos. Completando a lista dos nove plantadores de fumo que se suicidaram em Santa Cruz em 2011, há ainda Renato Frantz, de 49 anos, José Carlos Severo, de 41, Guido José Sehn, de 63, e Valdori Gõttems, de 32. Dos nove mortos daquele ano, seis usaram a forca para dar fim à própria vida. Existem ainda duas pessoas que optamos por não incluir na relação dos nove porque deixaram a atividade faz algum tempo. Trata-se de uma fumicultora aposentada que abandonou o ofício quatro anos antes de se matar, quando já morava na cidade, e de um agricultor que parou de plantar fumo cerca de cinco anos antes do suicídio.

No começo dos anos 2000, um estudo nos Estados Unidos relacionou o trabalho de migrantes latinos na lavoura de fumo com a depressão. Em 2015, houve uma série de relatos de suicídio de plantadores de fumo do Estado de Andhra Pradesh, no sul da Índia. No Brasil, a primeira suspeita de relação entre suicídio e plantio de fumo apareceu em 1996. Um estudo de um grupo de pesquisadores gaúchos mostrou que o índice de suicídios em Venâncio Aires, município vizinho de Santa Cruz, à época com 61.000 habitantes, chegara a 37 casos anuais por grupo de 100.000 pessoas. O assunto atraiu a atenção da imprensa nacional e de forma esporádica voltaria a aparecer em reportagens nos anos seguintes, sempre com base em médias municipais de suicídio. No levantamento de 2007 a 2016, Venâncio aparece com uma média anual de 23 suicídios por 100.000 habitantes.

“O que a gente sempre vê são hipóteses ou probabilidades que não têm cunho científico”, diz Iro Shünke, presidente do SindiTabaco, que reúne as maiores indústrias do setor no país. “Para mim, isso está dentro da onda antitabagista.” Ele resgata o principal argumento de quem se opõe à ideia de que há uma relação entre suicídio e plantio de fumo. O problema seria a ascendência germânica de grande parte dos moradores da região. Uma espécie de autorrigor cultural levaria esses descendentes a se suicidar ante situações problemáticas.

O cruzamento dos dados compromete esse raciocínio. Municípios gaúchos que tiveram colonização alemã tão ou mais forte que Venâncio Aires e Santa Cruz apresentam índices de suicídio muito aquém daqueles dos produtores de fumo. É o caso de Campo Bom e Igrejinha, cujas médias anuais de suicídio de 2007 a 2016 foram, respectivamente, de sete e oito por grupo de 100.000. E regiões que produzem fumo e não foram colonizadas por alemães têm índices mais altos, como Dom Feliciano (treze) e Camaquã (doze).

Além disso, o perfil dos suicidas de Santa Cruz sepulta a tese germânica. Os sobrenomes dos mortos e de seus pais nas certidões de óbito de anos recentes revelam que a maioria dos suicidas no município não é descendente de alemães. No ano do recorde, 2011, mesmo entre os plantadores de fumo – atividade dominada por netos e bisnetos dos imigrantes -, um terço dos suicidas não tinha origem germânica.

O perfil também mostra que o índice de suicídios é alarmante entre os fumicultores, e não no restante da população de Santa Cruz. Caso se tratasse de uma herança cultural, por que os descendentes de alemães que estão no comércio, na indústria, na prestação de serviços e mesmo em outras atividades agrícolas não se matariam como os plantadores de fumo?

O estudo gaúcho feito em 1996 indicava como provável causa de suicídios em Venâncio Aires o elevado uso de agrotóxicos na cultura do fumo. Depois, entre 1999 e 2001, um grupo multidisciplinar com dezenove pesquisadores de três instituições – Universidade de Santa Cruz do Sul, Universidade Estadual de Campinas e Universidade Federal do Rio de Janeiro – entrevistou e examinou moradores de 147 propriedades rurais que cultivam fumo em Santa Cruz do Sul e arredores. Descobriu que 20% deles haviam sido vítimas de episódios de intoxicação aguda com agrotóxicos, alguns com até nove incidentes. A análise da saúde mental de 315 fumicultores revelou que um quarto deles já havia utilizado medicamentos “para os nervos, para dormir ou para depressão”. Do grupo, dezessete apresentavam ideação suicida e, entre os 298 restantes, um total de 21% tinha familiares que se suicidaram. Do total, 44% atingiram o nível do que os pesquisadores chamaram de “suspeição de caso de morbidade psiquiátrica”. Conclui o estudo: “Pode-se aceitar como verdadeira a hipótese deque os agrotóxicos empregados indiscriminadamente no cultivo do tabaco causam intoxicações e distúrbios neurocomportamentais nos membros das unidades familiares de produção”.

Mais recentemente, outra hipótese passou a ser estudada. Desde o início desta década, pesquisadores de diversos países vêm investigando o que chamam de efeito “em forma de U invertido” da nicotina. Ao ser absorvida por uma pessoa com depressão, a substância iniciaria seu caminho por uma extremidade do U e teria efeito aparentemente positivo até chegar à base da letra. Em seguida, a própria substância passaria a aumentar os sintomas da depressão. Os estudos mais comuns nessa linha são realizados em fumantes pesados, mas o outro grupo populacional exposto a doses altas de nicotina é o dos fumicultores. Na tese de doutorado que defendeu há quatro anos na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, a pesquisadora Nádia Spada Fiori fez uma revisão de dez estudos de cinco países – Índia, Brasil, Estados Unidos, Malásia e Itália – para mensurar a nicotina no organismo de plantadores de fumo. A conclusão: os fumicultores estão expostos à nicotina tanto quanto ou mais que os fumantes pesados.

A médica Neice Faria, pesquisadora associada da UFPel, investiga a saúde de fumicultores e outros agricultores há mais de duas décadas. Em artigo publicado há quatro anos na respeitada revista NeuroToxicology, resultado de um estudo com 2.400 fumicultores de São Lourenço do Sul (RS), além de reforçar a ideia da relação entre agrotóxicos e transtornos mentais, ela se deteve nos plantadores que, no ano anterior à pesquisa, haviam sofrido com a chamada doença da folha verde, que indica intoxicação por nicotina no contato da pele com o fumo. Esses agricultores foram separados em dois grupos: os que tiveram de um a três episódios da moléstia e os acometidos quatro ou mais vezes. No primeiro grupo, 26% apresentavam transtornos como ansiedade, depressão e pânico. No segundo, 47%.

Uma associação entre agrotóxicos em excesso e intoxicação por nicotina pode explicar por que os suicídios são muito mais comuns em municípios produtores de fumo do que naqueles especializados em outras culturas nas quais também há utilização de grandes quantidades de fungicida, inseticida e herbicida. O estudo de São Lourenço foi realizado em três fases que envolveram diferentes períodos de cultivo de fumo e duraram ao todo oito meses. “Um rapaz que estava na primeira e na segunda etapas da pesquisa não foi à terceira”, lembra Neice Faria. “Ele se matou.”

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GESTÃO E CARREIRA

COMO FAZER SUA EMPRESA SER AMADA PELOS FUNCIONÁRIOS

Muitos são os métodos que empresas podem adotar para melhorar o relacionamento com seus funcionários. Confira uma lista com cinco delas:

como fazer sua empresa ser amada pelos pelos funcionáreiosc

Passamos a maior parte do nosso tempo no ambiente de trabalho, dividindo espaço, tarefas, momentos e horas com os nossos colegas de escritório.

Para que todos estejam confortados para executar da melhor maneira possível suas atividades, que o convívio com todos no ambiente corporativo seja o mais saudável possível e os resultados obtidos no final sejam os melhores, existem diversos pontos e observações que devem ser levados em consideração e aplicados no espaço corporativo.

A seguir, compartilhamos uma lista com algumas delas, produzida pela empresa MundiPagg:

COMPARTILHAMENTO DA CULTURA

Uma cultura que promove valores como a união, a liberdade, a autonomia, a responsabilidade e o espírito de dono é fundamental para o sucesso, e deve ser criada e transmitida desde o início, não só na teoria, mas, sobretudo, na prática. Não existe uma riqueza maior para a empresa do que contar com uma equipe que realmente abraça a cultura, absorvendo-a naturalmente.

Para isso, não é necessário pregar os valores na parede, mas eles devem ser vividos no dia a dia, em todas as tarefas. Os colaboradores que vivenciam essa realidade fazem o dia render e trabalham focados em entregar o melhor aos clientes. A cultura deve propiciar o desenvolvimento da responsabilidade desde cedo, com o apoio dos líderes, para que o indivíduo se sinta preparado suficientemente para sugerir e tomar decisões. No final, os resultados são visíveis: quando a instituição cresce, as pessoas crescem junto.

QUALIDADE DE VIDA

Em um país em que o emprego tradicional tem diminuído a cada ano, benefícios como vale-transporte, vale-refeição ou alimentação, auxílio combustível e plano de saúde ainda fazem os olhos dos trabalhadores brilharem. Entretanto, essa é uma visão limitada do que uma empresa pode de fato oferecer ao colaborador.

Um dos fatores essenciais para a qualidade de vida de um funcionário hoje é ter liberdade para exercer suas tarefas da forma que desejar, no momento em que se sentir mais confortável, sem uma rotina fixa, com voz dentro de seu time e autonomia para escolher o melhor caminho. Além disso, a infraestrutura também pode ser mais confortável, com áreas de descanso e de lazer, além da disponibilização de serviços de empresas parceiras, como academias, clubes, restaurantes, cinemas, entre outros.

HIERARQUIA HORIZONTAL E RECONHECIMENTO

Grande parte do sucesso de uma empresa moderna é o tratamento horizontal, que permite à equipe ter liberdade para discutir e dialogar sobre as tarefas e projetos, tendo a liderança como um apoio para guiar as decisões ao invés de apenas cobrar. Para isso, o feedback constante é uma ferramenta básica que funciona como uma bússola, com o objetivo de identificar o que está evoluindo e o que não está, e corrigir a rota.

Esse tipo de ambiente promove uma competitividade do colaborador com ele próprio e faz com que os destaques tenham oportunidade de crescer, com base na meritocracia. Uma consequência desse sucesso é a criação de lideranças jovens, abertas a críticas e sugestões.

PROCESSO SELETIVO DESAFIADOR

Quem almeja uma vaga deve estar preparado para o que lhe espera. Independentemente da forma de captação de candidatos, seja por indicação, hunting, atração e campanhas de comunicação, o recrutamento deve contar com etapas que ofereçam desafios técnicos além das entrevistas.

Quanto mais o processo for inclusivo, com a participação de diferentes líderes, melhor. A conversa deve ser franca e direta com diferentes áreas, como a de RH, gestores dos times e, principalmente, pelo responsável técnico – quando se trata de Tecnologia – como o avaliador final. Provas de lógica, teste de fit, dinâmicas e entrevistas devem ser aplicadas com alto nível de exigência. Na área de Tecnologia, por mais que as etapas tornem o processo mais lento, são fundamentais para validar o escopo técnico e o nível de conhecimento.

CONFIANÇA

Pessoas precisam acreditar no que fazem, que estão no lugar certo, que recebem os desafios sob medida. A confiança é necessária para que possam aprender e correr atrás dos objetivos, para que saibam também cair e se reerguer e, sobretudo, para que possam ser reconhecidos diante de suas conquistas. Isso deve acontecer desde o estagiário, que pode ser muito mais do que um mero ajudante. Ele pode ter responsabilidades, decisões a tomar e liberdade para criar as coisas. A inteligência deve ser estimulada por todos e para todos.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 1-10 – PARTE I

alimento diário

A Ressurreição

 

Não havia nada de que os apóstolos se interessassem mais em produzir provas substanciais do que da ressurreição do seu Mestre:

1. Porque sua ressurreição era aquilo a que Ele mesmo apelava como sendo a última e mais convincente prova de que Ele era o Messias. Àqueles que não cressem nos outros sinais, se faria referência a este milagre do profeta Jonas. Portanto, os inimigos estavam muito interessados em reprimir as notícias deste sinal, porque isto seria incitar a questão e, se Ele ressuscitasse, eles não somente seriam assassinos, mas assassinos do Messias.

2. Porque era disto que dependia o cumprimento da sua missão pela nossa redenção e salvação. Se Ele der sua vida como um resgate, e não retomá-la, não parecerá que sua doação foi aceita como uma expiação. Se Ele ficar prisioneiro pela nossa dívida, e assim permanecer, nós estaremos perdidos, 1 Coríntios 15.17.

3. Porque Ele nunca se manifestou vivo, depois da sua ressurreição, a todo o povo, Atos 10.40,41. Nós deveríamos ter dito: “Que sua morte ignominiosa seja privativa, e sua gloriosa ressurreição seja pública”. Mas os pensamentos de Deus não são os nossos, e Ele ordenou que a morte de Cristo fosse pública, perante o sol, pelo mesmo sinal através do qual o sol enrubesceu e ocultou sua face. Mas as demonstrações da sua ressurreição deveriam ser preservadas como um favor aos seus amigos em particular, e por meio deles ser divulgadas ao mundo, para que aqueles que não tinham visto, e ainda assim tinham crido, pudessem ser bem-aventurados. O método de prova é tal que dê satisfação abundante àqueles que estão piedosamente dispostos a receber a doutrina e a lei de Cristo, e ainda abre lugar para as objeções daqueles que são determinadamente ignorantes e obstinados na sua descrença. E este é um teste justo, adequado ao caso daqueles que estão em experiência.

Nestes versículos, temos o primeiro passo dado para a prova da ressurreição de Cristo, que é o sepulcro sendo encontrado vazio. “Ele não está aqui, e, sendo assim, eles devem nos dizer onde Ele está, ou concluiremos que Ele ressuscitou”.

 

I – Maria Madalena, indo ao sepulcro, “viu a pedra tirada do sepulcro”. Este evangelista não menciona as outras mulheres que estavam com Maria Madalena, mas somente ela, porque ela foi a mais ativa e ousada nesta visita ao sepulcro, e nela ficou evidente o maior afeto. E foi um afeto despertado por uma boa causa, em consideração às grandes coisas que Cristo tinha feito por ela. Muito lhe tinha sido perdoado, por isto ela muito amava. Ela tinha mostrado seu afeto por Jesus enquanto Ele vivia, aprendendo sua doutrina, ministrando a Ele com o que tinha, Lucas 8.2,3. Não parece que ela tivesse qualquer interesse agora em Jerusalém, exceto servi-lo, pois as mulheres não eram obrigadas a subir à festa, e provavelmente ela e as outras o seguiam de perto, como Eliseu seguiu a Elias, agora que sabia que seu mestre seria tomado por de cima de sua cabeça, 2 Reis 2.1-6. Os constantes exemplos do respeito que ela tinha por Ele, na sua morte, e depois dela, provam a sinceridade do seu amor. Observe que o amor por Cristo, para ser sincero, deve ser constante. O amor de Maria Madalena por Cristo era forte como a morte, a morte de cruz, pois o amor foi o motivo pelo qual o Senhor morreu na cruz; cruel como o sepulcro, pois ela fez uma visita a ele, e não se acovardou pelos seus terrores.

1. Ela “foi ao sepulcro”, para lavar o corpo com suas lágrimas, pois foi até lá, para ali chorar e ungir Jesus com o bálsamo que tinha preparado. O sepulcro é um lugar ao qual as pessoas não desejam fazer visitas. Aqueles que são postos entre os mortos estão separados dos vivos, e visitar um túmulo é uma demonstração de afeto pela pessoa falecida. Mas, geralmente, isto é especialmente amedrontador para as mulheres. Poderia ela, que não tinha força suficiente para afastar a pedra, pretender ter tal presença de espírito para entrar no sepulcro? A religião judaica proibia os judeus de se envolverem além do necessário com sepulcros e cadáveres. Ao visitar o sepulcro de Cristo, ela se expôs, e talvez aos discípulos, à suspeita de um desejo de furtar seu corpo. E que serviço real ela poderia fazer ao Senhor através de uma atitude como esta? Mas seu amor responde a esta, e a mil objeções similares. Observe:

(1) Nós devemos nos empenhar em honrar a Cristo naquilo em que não pudermos ser produtivos para Ele.

(2) O amor por Cristo remove o terror da morte e do sepulcro. Se não pudermos ir até Cristo, exceto por aquele vale escuro, mesmo ali, se o amarmos, não temeremos mal algum.

2. Ela veio tão cedo quanto pôde, pois veio:

(1) “No primeiro dia da semana”, tão logo tinha terminado o sábado, desejando, não vender grãos e expor trigo (como Amós 8.5), mas estar no sepulcro. Aqueles que amam a Cristo aproveitarão a primeira oportunidade de testemunhar seu respeito por Ele. Este era o primeiro dia de repouso cristão, e ela o começou da maneira correta, procurando por Cristo. Ela tinha passado o dia anterior comemorando o trabalho da criação, e, portanto, descansando. Mas agora ela estava buscando o trabalho da redenção, e por isto faz uma visita a Cristo, e este crucificado.

(2) Ela “foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro”. Observe que aqueles que desejam procurar a Cristo, para encontrá-lo, devem procurá-lo cedo, isto é:

[1] Procurá-lo ansiosamente, com uma preocupação tal que até mesmo interrompe o sono. Despertar-se cedo, por medo de perdê-lo.

[2] Procurá-lo persistentemente. Nós devemos negar o repouso, a nós mesmos e aos nossos, para procurar a Cristo.

[3] Procurá-lo logo, cedo, nos nossos dias, cedo todos os dias. “Pela manhã, ouvirás a minha voz”. Um dia que começa assim tem grandes possibilidades de terminar bem. Aqueles que procurarem a Cristo diligentemente, “sendo ainda escuro”, serão iluminados a respeito dele com uma luz que brilhará cada vez mais.

3. Ela “viu a pedra tirada do sepulcro”. Esta era aquela pedra que ela tinha visto rolar para fechar sua entrada. Isto foi:

(1) Uma surpresa para ela, pois não esperava isto. Cristo crucificado é a fonte de vida. Seu sepulcro é uma das fontes da salvação, se formos até ele com fé. Embora para um coração carnal isto seja uma fonte fechada, nós veremos que a pedra foi retirada (como Genesis 29.10), e assim teremos livre acesso aos seus consolos. Os frequentes incentivos daqueles que buscam ao Senhor bem cedo são consolos surpreendentes.

(2) Era o começo de uma gloriosa descoberta. O Senhor tinha ressuscitado, embora, a princípio, ela não tenha compreendido isto. Observe que:

[1] Aqueles que são mais constantes na sua adesão a Cristo, e mais diligentes nas suas buscas por Ele, normalmente têm as primeiras e mais doces notícias da graça divina. Maria Madalena, que seguiu a Cristo até o final da sua humilhação, encontrou-o no início da sua exaltação.

[2] Deus normalmente se revela, e aos seus consolos, gradualmente para nós, para despertar nossas expectativas e motivar nossa busca.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

ARTICULAÇÕES FLEXÍVEIS X TRANSTORNOS DE ANSIEDADE

Pesquisadores da Universidade de Sussex, na Inglaterra, descobriram que pessoas com hipermobilidade articular tinham a amígdala aumentada. Essa estrutura é fundamental no processamento das emoções, principalmente o medo.

articulações flexíveis x transtornos de ansiedade

A elasticidade das articulações é geralmente associada ao bom condicionamento físico. Para dançarinos profissionais e atletas de algumas modalidades, ela é essencial. Cobiçada por muitos, porém, a flexibilidade nem sempre é positiva, afirma um crescente corpo de pesquisa que descobriu uma ligação surpreendente entre altos níveis de elasticidade e ansiedade. Um dos estudos mais recentes que reforçam esses dados foi publicado na Frontiers in Psychology, o qual relaciona articulações hipermóveis a maior atividade cerebral em regiões associadas com essa dificuldade emocional.

Característica de 20% da população, a hipermobilidade articular confere amplitude de movimento incomum. Muitos com essa peculiaridade podem, por exemplo, colocar facilmente as mãos espalmadas no chão sem dobrar os joelhos. A característica parece ser genética, resultante de variação no colágeno, a principal proteína estrutural do tecido conjuntivo.

“A hipermobilidade articular pode causar impacto sobre todo o corpo, e não apenas nas conexões entre os ossos”, diz a psiquiatra Jessica Eccles, da Universidade de Sussex, na Inglaterra. Em um estudo com imagens cerebrais de 2012, Jessica e seus colegas descobriram que indivíduos com hipermobilidade articular tinham a amígdala aumentada. Essa estrutura tem papel fundamental no processamento das emoções, principalmente o medo. Na pesquisa publicada mais recentemente na Frontiers in Psychology, de Jessica e sua equipe, em colaboração com pesquisadores da Espanha, os participantes com essa característica exibiram reatividade neural elevada em regiões envolvidas com a ansiedade quando expostos a cenas que evocavam tristeza ou raiva. Os cientistas observaram também associação entre a condição e o aumento do consumo de chocolate, tabaco e álcool – produtos frequentemente utilizados como automedicamentos para tentar amenizar a inquietação. A hipermobilidade articular pode estar associada também com uma exacerbação do mecanismo de “luta ou fuga”. Jessica e seus colegas encontraram mais evidências dessa hipótese num estudo com 400 pacientes psiquiátricos. Eles descobriram um mecanismo simples, mas poderoso por trás dessa relação: alterações no colágeno que deixam as articulações muito flexíveis parecem afetar os vasos sanguíneos, o que pode aumentar a probabilidade de acúmulo de sangue nas veias das pernas. Isso tende a favorecer respostas cardiovasculares exageradas para manter a saída do sangue do coração. Quando esse órgão precisa trabalhar muito mais fortemente apenas para preservar a circulação sanguínea, pode deixar o corpo à beira de uma reação de luta ou fuga, aproximando-o do pânico.

Jéssica acredita que esses pacientes podem se beneficiar, principalmente, dos betabloqueadores, medicamentos que ajudam a aliviar a ansiedade, reduzindo os sintomas da reação de luta ou fuga do organismo. Ela espera que estudos futuros investiguem esses tratamentos específicos para pessoas com articulações mais flexíveis.

OUTROS OLHARES

E SE O PRODUTO FOSSE VOCÊ…

Um café nos Estados Unidos oferece bebidas e internet em troca dos dados pessoais dos clientes – e levanta discussão sobre o valor da informação digital.

o produto é você

Os estudantes da Universidade Brown, nos Estados Unidos, demoraram a acreditar. Bem próximo ao campus, foi aberto um café repleto de mesas de estudo e poltronas confortáveis, com wi-fi de ótima qualidade, tomadas à vontade para carregar celulares e computadores e distribuição de café, chá e sucos de graça. De graça para os alunos, que fique claro. Para terem acesso ao Shiru Café e suas comodidades, os jovens devem fazer um cadastro e consentir em dividir seus dados pessoais com a empresa, que, por sua vez, os negocia com anunciantes que queiram fazer propaganda direcionada aos clientes, de acordo com seus interesses e hábitos, nos telões e copos da lanchonete. A cereja do bolo: o café divide esses dados com recrutadores e departamentos de RH de empresas interessadas em contratar estagiários e recém-formados da prestigiosa universidade. Nissan, Basf e o banco J.P. Morgan usam o serviço. O negócio fez tanto sucesso que 75% dos alunos da Brown frequentam o café, e outras unidades já estão em construção nas universidades Yale, Princeton, Harvard e Amherst. “Eu dou um monte de informações a sites na internet que não me oferecem nada em troca. O Shiru é transparente e ainda pode me render um emprego”, diz Jacqueline Goldman, estudante de saúde pública na Brown.

A ideia de disponibilizar serviços grátis em troca de dados pessoais não tem nada de novo. Na verdade, é o modelo de negócios de gigantes da tecnologia como Facebook e Google: o usuário tem acesso à rede social e à ferramenta de busca sem pagar nada, e as empresas lucram bilhões de dólares vendendo anúncios personalizados baseados no rastro de dados pessoais que cada um deixa em seus sites. Já virou até ditado no Vale do Silício, adaptado de uma conhecida máxima das mesas de pôquer: “Se você não paga pelo produto, o produto é você”.

O Shiru Café, fundado no Japão em 2013, já tinha vinte lojas em seu país de origem e na Índia antes de entrar nos Estados Unidos. Sua criação aponta para o futuro da economia digital ao escancarar o valor que o rastro de informações pessoais pode ter. Cada vez mais gente ao redor do mundo enxerga os dados pessoais como uma matéria-prima fundamental das empresas de tecnologia – tão importante quanto os algoritmos que processam toda a informação. “Uma usina siderúrgica precisa de ferro e carvão para fazer e vender o aço, e paga muito bem por eles. Por que as empresas de tecnologia não pagam por nossas informações, se sem elas seus algoritmos são inúteis?”, questiona Glen Weyl, pesquisador-chefe da Microsoft Research e autor do livro Radical Markets.

As implicações dessa ideia são bem maiores do que pode parecer. Há quase um consenso de que a evolução da tecnologia em geral, e mais especificamente a inteligência artificial, vai causar desemprego em massa ao substituir a mão de obra humana em muitas funções. Nesse processo, o fornecimento de dados por parte dos usuários de serviços digitais exerce um papel importante. As máquinas aprendem comportamentos, gostos e preferências individuais, e novos produtos e serviços são desenhados com base nisso. No modelo atual, as empresas que coletam os dados pessoais (quase todas no mundo digital) são donas dessas informações – e nada pagam por isso. Weyl defende a ideia de que os dados deveriam ser propriedade de cada um e que se faça o que bem entender com eles: dar de graça ao Google e Facebook em troca de seus serviços, guardar para si em nome da privacidade, ou ainda vender a quem oferecer o melhor preço. Diz Weyl: “A rede de supermercados Walmart gasta 40% de suas receitas em salários. O Facebook gasta 1%, porque o resto do trabalho nós lhe damos de graça”. A ideia é interessante, mas de difícil execução. A chanceler alemã Angela Merkel anunciou que pretende criar um imposto sobre os dados, sob o argumento de que são matéria­ prima digital. Mas até agora não se sabe como será feita essa cobrança. E o imposto iria para o Estado, não diretamente para o bolso das pessoas. Atualmente, já existem algumas startups tentando a mediação entre usuários e grandes empresas. Killi, DataCoup, Digi.Me e DataWallet constituem bons exemplos, mas ainda não são tecnicamente sofisticadas e não têm um amparo jurídico claro. O físico britânico Tim Berners-Lee, considerado o pai da web por ter criado o www (sistema de distribuição e conexão de informação em hipertexto), criou o protocolo Solid, em que os dados dos internautas ficam armazenados em seus próprios computadores ou smartphones, e só podem ser acessados com autorização expressa. Mas sem a adoção dessa tecnologia pelas empresas, que não têm nenhum interesse em fazê-lo, o esforço é inútil.

Para quem espera ganhar dinheiro com seus dados, no entanto, há esperança. Com a sofisticação da tecnologia e da inteligência artificial, as empresas vão precisar de informações de melhor qualidade do que as que conseguem hoje. Na verdade, isso já vem acontecendo: a Mighty AI, uma startup americana, paga a milhares de freelancers ao redor do mundo para que eles classifiquem imagens de ruas. O objetivo é treinar um algoritmo que desenvolve softwares para carros autônomos. O que essas pessoas estão fazendo é, simplesmente, fornecer dados de altíssima qualidade. É o mesmo que fazem os estudantes na universidade de Brown quando entram no Shiru Café, onde tudo parece de graça, mas, como se diz no Vale do Silício, o comércio ali se resume no seguinte: “O produto é você”.

o produto é você.2

 

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GESTÃO E CARREIRA

MULHERES OFERECEM MENOS RISCOS NA GESTÃO DAS EMPRESAS

As mulheres exibem perfis de personalidade menos propensos a desvios de conduta que resultam em potenciais riscos para as organizações.

mulheres oferecem menos risco na gestão das empresas

Minoria em posições estratégicas das empresas, as mulheres exibem perfis de personalidade menos propensos a desvios de conduta que resultam em potenciais riscos para as organizações. É o que mostra a Pesquisa Perfil Comportamental de Executivos: homens versus mulheres, elaborada pela HSD Consultoria. Participaram do processo de avaliação comportamental 3.500 profissionais que ocupavam cargos de comando em médias e grandes corporações entre 2014 e 2017. Deste total, somente 26% eram mulheres. 

Segundo a pesquisa, das 3.500 pessoas que participaram do processo, 27% apresentaram desvio de caráter. Destes, 80% eram do sexo masculino. Se forem comparados os percentuais de pessoas com desvio de caráter com relação ao sexo, é possível também concluir que 20,77% das mulheres em cargos executivos demonstram o problema. Já o percentual dos homens é bem maior: 29,2%.

Esta é a primeira vez que a consultoria segmenta os resultados por perfis de gênero. “A decisão de comparar os perfis comportamentais entre homens e mulheres veio da minha experiência como consultora. Apesar de vermos que as características femininas mudam o perfil de gestão de uma empresa, as organizações ainda relutam em contratar mulheres para cargos importantes. Não é necessário que haja um programa de cotas, mas sim uma mudança de visão dos empresários”, afirma a CEO da HSD, Susana Falchi.

Segundo Susana, este baixo percentual mostra que ainda há a preferência pelo sexo masculino para cargos estratégicos. “Embora os homens tragam um risco maior para a empresa, as corporações dão pouco valor à avaliação do fator humano em suas matrizes de risco”, alerta. As mulheres que exibem desvio correspondem a 5,4% do total de analisados. Já entre os homens, 21,6% exibiam essa característica. “Em termos percentuais sobre a amostragem total, é possível observar que ao contratar mulheres, o risco de conduta inapropriada cai de forma considerável”, observa Susana.

A HSD avalia perfis comportamentais de executivos desde 2000. O estudo é feito por meio de entrevistas individuais e da aplicação de um conjunto de testes psicológicos, como os projetivos (em que se avalia as funções psíquicas do indivíduo), o Disc (que aponta a forma como age em variadas situações), de inteligência (avaliação sobre entendimento de diferentes níveis de complexidade e envolvimento de muitas variáveis em um determinado contexto) e até o grafológico que, embora não reconhecido no país pelo Conselho Regional de Psicologia, é largamente utilizado em todo o mundo.

No estudo, são considerados desvios de caráter características como: interesses pessoais desmedidos, conflitos de interesses com atividades que levam a ganhos individuais e condutas moral e ética inadequadas. Dentre as práticas, executivos com esse perfil de personalidade estão maquiagem de resultados, desvios de valores financeiros, manipulação de dados e pessoas para atendimento a interesses próprios e outros comportamentos que resultam em risco para as corporações.

A avaliação é totalmente técnica, independente da percepção do interlocutor que o está entrevistando. “Em nossa metodologia, quem tem contato com os indivíduos não realiza o processo de avaliação, que fica a cargo dos especialistas em comportamento, baseando-se somente nos resultados das ferramentas”, explica Susana e completa: “Independentemente da questão de gênero, há um elevado número de pessoas com perfis comportamentais propensos à prática de atos condenáveis na sociedade e temerários nas empresas. Isso ocorre porque as corporações não se preocupam com a personalidade daqueles que contratam e, ao valorizarem apenas capacitação, preparo técnico, experiência e formação acadêmica, acabam se expondo a sérios riscos”, diz Susana. “As empresas precisam entender que o fator humano é elemento essencial em suas matrizes de riscos”.

mulheres oferecem menos risco na gestão das empresas.2

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 19: 38-42 – PARTE V

alimento diário

O Sepultamento de Cristo

 

V – O funeral solenizado (v. 42): ”Ali… puseram a Jesus”, isto é, o corpo de Jesus. Alguns pensam que mencionar Jesus aqui sugere a inseparável união entre as naturezas divina e humana. Mesmo este cadáver era Jesus, o Salvador, pois sua morte é nossa vida. Jesus ainda é o mesmo, Hebreus 13.8. Ali o puseram, porque era o dia da preparação.

1. Observe aqui a deferência que os judeus tinham pelo sábado, e pelo dia da preparação. Antes do sábado da Páscoa, eles tinham um dia solene de preparação. Este dia tinha sido mal observado pelos principais dos sacerdotes, que se denominavam de igreja, mas foi bem observado pelos discípulos de Cristo, que eram considerados perigosos à igreja, e frequentemente é assim.

(1) Eles não desejavam adiar o funeral até o sábado, porque é necessário um dia de descanso e alegria para os santos, algo com que as atividades e a tristeza de um funeral não combinam.

(2) Eles não desejavam realizá-lo muito tarde, no dia da preparação para o sábado. Aquilo que deve ser feito na tarde que antecede o dia de repouso, deve ser planejado para que não invada este dia, nem nos in­ disponha para suas atividades.

2. Observe a comodidade que tiveram com um sepulcro próximo. O sepulcro de que fizeram uso estava próximo. Talvez, se tivessem tido tempo, eles o tivessem lavado até Betânia, e o tivessem sepultado entre seus amigos ali. E eu tenho certeza de que Ele tinha mais direito de ter sido sepultado no sepulcro principal dos filhos de Davi do que qualquer dos reis de Judá. Mas foi assim ordenado que Ele fosse disposto em um sepulcro próximo:

(1) Porque o Senhor Jesus deveria permanecer ali somente por pouco tempo, como em uma hospedaria, e, portanto, Ele aceitou a primeira que se lhe ofereceu.

(2) Porque era um sepulcro novo. Aqueles que o prepararam nunca teriam imaginado quem iria inaugurá-lo, mas a sabedoria de Deus tem alcances infinitamente além dos nossos, e Ele faz o uso que desejar de nós e do que temos.

(3) Com isto, somos ensinados a não ser excessivamente curiosos quanto ao lugar do nosso sepultamento. No lugar em que a árvore cair, por que não ficará? Pois Cristo foi sepultado no sepulcro que estava próximo. Foi a fé na promessa de Canaã que orientou os desejos do patriarca que queria que seus ossos fossem levados para lá, a despeito do local onde fosse sepultado. Mas agora, como esta promessa foi substituída por uma melhor, este cuidado não é mais necessário.

Assim, sem pompa ou solenidade, o corpo de Jesus é colocado no sepulcro frio e silencioso. Aqui, aquele que é nossa garantia fica aprisionado pelas nossas dívidas, de modo que, quando Ele for libertado, sua libertação será a nossa. Aqui, o Sol da justiça ficará por algum tempo, para erguer-se novamente em maior glória, e nunca mais se pôr. Aqui, temos alguém que está aparentemente cativo da morte, mas que, na verdade, é o verdadeiro vencedor da morte, pois aqui a morte propriamente dita morreu, e o sepulcro foi derrotado. Graças a Deus, que nos deu a vitória.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A DOENÇA DO CORPO ESQUECIDO

A inconsciência de uma deficiência física, como a surdez, a cegueira ou a paralisia de membros, causada por uma lesão cerebral, é um fenômeno registrado desde a antiguidade, mas até hoje intriga e fascina médicos, neurocientistas e psicólogos.

a doença do corpo esquecido

“Você sabe que Arpaste, aquela mulher maluca que foi amiga da minha mulher, tornou-se um peso hereditário na minha casa. De minha parte, sou completamente contrário a dar atenção às suas esquisitices… Essa doida perdeu a visão de repente: bem, coisa inacreditável, mas verdadeira, ela não tem consciência de estar cega e de vez quando pede ao seu cuidador que a leve para outro lugar, porque diz que nossa casa é escura.” Assim escreve Sêneca nas cartas a Lucílio e, até onde se sabe, é a primeira descrição de um distúrbio que se manifesta com a inconsciência de estar acometido por uma doença – nesse caso, a cegueira.

Muitos séculos depois, o quadro recebeu um nome preciso, anosognosia (do grego, “inconsciência de doença”), dado por Joseph Babinski. Nos primeiros anos do século 20, o neurologista francês estudou com critérios científicos uma série de experimentos e casos clínicos que apresentavam as mesmas curiosas manifestações de Arpaste. Filho de um militar polonês que se refugiara em Paris no final do século 19 para escapar da dominação russa no próprio país, Babinski matriculou-se em medicina e foi aluno do famoso neurologista Jean-Martin Charcot. Com ele começou a estudar o fenômeno da histeria e a interessar-se por manifestações psíquicas ligadas a eventos traumáticos, em particular ao diagnóstico diferencial entre doenças da mente e distúrbios orgânicos.

Pacientes não lhe faltavam, dado que, durante os anos da sua maior atividade científica, Paris havia ficado cheia de feridos e veteranos da Primeira Guerra Mundial. Explosões de bombas e outras situações violentas haviam deixado grande número de pessoas com danos cerebrais bem delimitados, que se tornavam casos clínicos perfeitos para o estudo das funções cognitivas. No entanto, embora a “descoberta” da anosognosia seja atribuída a Babinski, descrições desse fenômeno, a partir daquela de Sêneca, não faltam na história.

LESÃO OU MENTIRA?

Um caso semelhante é contado, por exemplo, pelo filósofo francês Michel de Montaigne nos seus Ensaios, curiosamente num capítulo dedicado à arte da simulação. Foi preciso esperar até 1885 para encontrar finalmente um neurologista, o suíço Constantin von Monakow, para relacionar a incapacidade de reconhecer um estado de doença com um dano cerebral. O médico atendeu um paciente cego – exatamente como a mal tolerada hóspede de Sêneca – que atribuía as suas dificuldades de visão ao ambiente muito escuro. Monakow descreve detalhadamente o comportamento desse cego atípico, sentado quieto no quarto, sem nunca se queixar de distúrbios na visão. Só durante a autópsia foi descoberta uma lesão occipital bilateral, assim como um dano do córtex temporal.

Alguns anos depois, em 1893, outro neurologista, Gabriel Anton, da Universidade de Graz, na Áustria, reportou um caso ainda mais curioso e complexo: tratava-se do senhor Wilhelm