PSICOLOGIA ANALÍTICA

PAVIO CURTO PODE SER DISTÚRBIO

Transtorno explosivo intermitente decorre de um descontrole emocional que provoca, como consequência, um comportamento extremamente agressivo.

Pavio curto pode ser distúrbio.

Começo este texto convidando o leitor, seja ele profissional da área da saúde, possível portador ou familiar, a se despir de avaliações pré-estabelecidas tanto a respeito do comportamento agressivo quanto sobre a necessidade de rotularmos todo e qualquer comportamento desadaptativo. Digo isso em virtude dos inúmeros comentários expressos a respeito do transtorno explosivo intermitente, que denotam total falta de conhecimento, gerando preconceito e dificultando o acesso à informação daqueles que sofrem direta ou indiretamente com esse transtorno – e suas consequências.

É fato que a agressividade pode ser sintoma de diversos transtornos, como também pode se manifestar de forma gratuita, sem qualquer justificativa. Porém, é importante que à medida que novos estudos e pesquisas a respeito do comportamento compulsivo agressivo nos possibilitem maior entendimento dessas atitudes, possamos refletir e avaliar a probabilidade de certas pessoas e seus familiares serem beneficiados com os avanços que o conhecimento nos proporciona.

As pessoas portadoras do transtorno explosivo intermitente sofrem intensamente com uma angústia que lhes parece impossível de solucionar. Por serem pessoas empáticas, afetivas, com grande senso de justiça sabem, em seu íntimo, que são boas pessoas. Porém, isso não é suficiente para que possam gerenciar seus sentimentos de raiva descontrolada, impulsiva, e em muitos casos avassaladora, e coloquem em risco relações afetivas de muito valor emocional.

Muitas dessas pessoas, ao entenderem que seu comportamento impulsivo agressivo pode ter uma explicação e que, além disso, é possível se tratar e gerenciar sua vida de maneira mais adaptativa, expressam enorme sensação de alívio. Para outras, o caminho para o lado saudável da vida pode ser um pouco mais difícil; em muitos casos recusam-se a aceitar o diagnóstico em função do preconceito gerado pela falta de informação adequada e assertiva. Rebelam-se pelo medo que ainda hoje ronda as doenças psíquicas. Com essas pessoas é necessário adotar assertividade na transmissão da informação. Uma maneira que pode ter um bom efeito é abordar o possível portador iniciando uma conversa que ressalte suas qualidades, que lhe garanta a sensação do afeto e continência e, só então, trazer o assunto – apenas informe que existe a possibilidade de uma explicação científica para seus comportamentos impulsivos. Deixe a pessoa à vontade, não a pressione, não questione, entenda que cada um de nós tem um tempo interno que precisa ser respeitado.

CONHECENDO O TEI

O transtorno explosivo intermitente (TEI) é, basicamente, um ato incontrolável de impulsividade que, na maioria das vezes, resulta em comportamento agressivo e prejudicial para a pessoa que sofre do transtorno, e, em muitos casos, acarreta prejuízos significativos no âmbito social, familiar e profissional. É importante frisar que a força que impulsiona o paciente a agir é maior que a sua consciência, ou seja, mesmo que haja uma reprovação interna sobre seus atos, ele não tem capacidade de controlá-los no momento em que está tendo um ataque explosivo.

No século XIX, o psiquiatra francês Jean-Étienne Dominique Esquirol (1772-1840) descreveu pela primeira vez os impulsos agressivos e sistematizou o conceito como “insanidade parcial”, por estarem relacionados a atos inconscientes. Ou seja, o autor afirmava que o doente é impulsionado por uma força incontrolável, um impulso cego, que a vontade não tem forças para reprimir. Esquirol considerou a possibilidade de esses atos resultarem em atitudes criminosas, mas, segundo sua compreensão, esses indivíduos deveriam ser entendidos como doentes e receber tratamento médico e psicológico, e não punição.

De acordo com McElroy, as pesquisas revelam que os episódios de raiva ocorrem de forma repentina e duram, em média, de 20 a 30 minutos. Quando em crise, o paciente sofre efeitos físicos, como tremor, taquicardia, aumento de tensão, formigamento, sudorese, que, acompanhados pelos pensamentos de raiva, desencadeiam o chamado “pico de adrenalina” que é o comportamento impulsivo-agressivo. A resposta imediata desses pacientes após o surto de raiva é o sentimento de alívio e de que suas atitudes foram, a princípio, legítimas. Um tempo depois, são assolados pelo remorso: sentem vergonha, tristeza, arrependimento, culpa e um forte senso de inadequação. Para que se possa considerar um possível diagnóstico de TEI, as explosões devem ocorrer cerca de duas vezes por semana, por pelo menos três meses.

A atual descrição do DSM-5 (APA, 2014) classifica os critérios para TEI de forma qualitativa e quantitativa. No que diz respeito à forma qualitativa, especifica as explosões de raiva como mais severas quando resultam em danos ou destruição de propriedades/ objetos e/ ou lesões físicas a pessoas/ animais, e as considera menos severas quando não causam lesão, destruição ou danos. Sendo assim, podemos ter um diagnóstico de TEI em que as agressões físicas podem ser tanto de baixa severidade com alta frequência como de alta severidade com baixa frequência – e suas variantes.

DIFERENÇA

Existe uma grande diferença entre uma pessoa que sofre de TEI e aquelas popularmente conhecidas como “pessoas de pavio curto”. As últimas são pessoas comuns que, quando sofrem certos tipos de provocação, acabam por perder a paciência e reagir àqueles estímulos de forma agressiva, intencionalmente. Apesar de terem consciência de que sua reação por vezes é manifesta de forma exagerada, permanecem repetindo esse padrão de comportamento. Essas pessoas podem ser mais irritadas, impacientes, nervosas, reagirem de forma malcriada ou violenta e não se arrependerem, pelo contrário, sentirem-se seguras de que sua atitude é coerente. Existem também aqueles indivíduos que premeditam a ação agressiva como forma de vingança, retaliação ou necessidade de “fazer justiça”. Ao contrário do anteriormente exposto, portadores de TEI têm reações exageradamente desproporcionais ao evento estressor e não têm capacidade de controlá-las, e apesar de no exato momento da explosão de raiva considerarem que estão certos, jamais premeditam seus atos, sempre se arrependem genuinamente e sentem muita vergonha e culpa.

Hoje já sabemos que fatores biológicos, ambientais, físicos e emocionais representam papéis importantes no desenvolvimento do TEI. Apesar de não haver estudos que comprovem uma causa específica para esse transtorno, muitos o relacionam a possíveis traumas de infância. Para Beck (Prisioners of Hate: the Cognitive Basis of Anger,Hostility,and Violence, 1999, Harper Collins Publishers), as pessoas que manifestam TEI apresentam crenças negativas que, muitas vezes, são decorrentes de atitudes cruéis imputadas aos pais. De acordo com a sua visão, o desenvolvimento da criança é permeado pela sensação de que as pessoas estão sempre contra ela e a atitude agressiva é uma maneira de minimizar o sentimento de menor valia. Assim sendo, essas crianças crescem entendendo que o comportamento dos outros justifica a sua agressividade.

É importante frisar (e ressaltar) que explosões de raiva são sintomas de diversos transtornos ou podem ser também manifestações ocasionais de perda de controle. Porém, o portador de TEI reage com o objetivo de afrontar alguma atitude ou situação que considera extremamente errada, de acordo com os seus valores – ou seja, ele é um “justiceiro”. Por sinal, essa é uma autoavaliação bem recorrente: muitos pacientes manifestam indignação frente a situações que consideram injustas e abusivas, o que torna a compreensão dos seus atos ainda mais difícil para si mesmo, à medida que entra em um conflito interno, pois de um lado se arrepende da forma como reagiu (agressivamente), porém, de outro lado, considera que a causa foi justa, já que o motivo justifica sua ação – como, por exemplo, partir para uma agressão física ou verbal ao se deparar com uma pessoa que estacionou na vaga para idosos, mesmo que o ato praticado pelo outro não tenha reflexo direto na sua vida. Sua avaliação é de que não sendo correto, não deve ser feito. Nesse momento ele não consegue considerar os tons de cinza: é preto no branco.

Através de estudos, é possível notar que o TEI tem seu início na infância ou na adolescência. Agressividade infantil não necessariamente é TEI, pois como já reiterado anteriormente pode ser sintoma de outras desordens emocionais ou apenas uma manifestação natural do desenvolvimento, mas deve ser sempre motivo de atenção quando se apresenta de forma persistente. O alerta vermelho para procurar ajuda profissional se dá quando as atitudes da criança ou do adolescente já estão afetando a qualidade de vida – dele e de terceiros.

O TEI pode ser diagnosticado a partir dos 6 anos e o ambiente familiar tem forte influência na manifestação do comportamento agressivo, visto que as crianças tendem a adotar padrões de interação social vividos no contexto familiar, reproduzindo-os também no ambiente escolar. Ou seja, o que ela aprende em casa replica em outras situações de seu cotidiano.

Consequentemente, o adolescente ou adulto diagnosticados trazem em seu histórico de vida evidências de prejuízo escolar, social, familiar e econômico, visto que seus comportamentos explosivos acabam por resultar em punições e restrições sociais. É preciso ressaltar: portadores de TEI são extremamente prejudicados por suas crises de agressividade, carregam consigo o peso, o sofrimento (dele e de sua família e amigos) e as consequências de seus impulsos agressivos. Por ser pouco conhecido e pouco estudado, ainda se trata de um transtorno difícil de diagnosticar e, muitas vezes, o diagnóstico ocorre tardiamente, quando o indivíduo já coleciona uma série de fracassos ao longo da vida. Isso por­ que há essa linha tênue entre o portador de TEI e a pessoa que reage de maneira agressiva e estressada no dia a dia.

BOA NOTÍCIA

A doença ainda é pouco estudada e pouco diagnosticada no Brasil, mas esse cenário, aos poucos, está mudando. A boa notícia é que os profissionais da área da saúde começam a considerar o TEI como hipótese diagnóstica e, assim, mais pacientes podem se beneficiar do tratamento. Ao receber o diagnóstico, a pessoa não só compreende por que reage dessa maneira desorganizada como também descobre que há tratamento e que esse tratamento tem excelentes resultados. Psicoterapias de diferentes orientações teóricas têm sido usadas no tratamento de transtornos agressivos, mas a terapia cognitivo-comportamental (TCC) tem sido apontada como a mais eficaz (Barkley, The efficacy of problem solving communication training alone, behavior manegement training alone and their combination for parente-adolescent conflict in teenagers with ADHD and ODD, 2001).

Para Lima e Wielenska (Terapia Comportamental-Cognitiva, Psicoterapias: Abordagens Atuais, p. 192-209, 1993), a abordagem da terapia cognitivo-comportamental dá grande ênfase aos pensamentos do paciente e à forma como ele interpreta o mundo, centrando-se nos seus problemas e objetivando que o paciente aprenda novas estratégias para gerenciar seus sentimentos. A metodologia conta com a cooperação paciente-terapeuta no planejamento da superação de problemas.

Aaron Beck (Terapia Cognitiva: Teoria e Prática, 1997) desenvolveu a TCC como uma psicoterapia breve, de tempo limitado, sessões estruturadas, que tem como propósito facilitar uma mudança cognitiva no paciente e, para isso, se utiliza de diversas técnicas. Esse modelo de terapia valoriza a colaboração e a participação ativa do paciente, orienta a identificação de situações-gatilho e crenças disfuncionais, foca em metas e dá ao paciente instrumentos para que tenha recursos e consiga atuar como seu próprio terapeuta. A TCC também enfatiza a prevenção de recaída.

Ao longo do tratamento, o paciente aprende a identificar situações-gatilho de estresse. Compreende que não existem emoções boas ou emoções ruins, emoções simplesmente existem e são incontroláveis – são resultado de nossas vivências individuais. A raiva é só mais uma delas, tão natural e instintiva quanto todas as outras. O seu gerenciamento sobre suas emoções é que pode ser bom ou ruim, ou seja, o problema não é o que o paciente sente, mas a forma como ele lida com isso. Percebe, então, que não conseguir expressar suas emoções de desagrado no momento em que o estresse ocorre é uma dificuldade que precisa ser superada para que não continue acumulando uma carga excessivamente negativa, que pode sair do controle quando ele menos espera.

Na compreensão dessa autora, é de extrema importância que o psicoterapeuta explique ao paciente sua forma de trabalho, abordagem psicológica a ser seguida durante o tratamento, quais os objetivos a serem alcançados e a importância da colaboração do paciente para o bom resultado do tratamento. Pesquisas científicas comprovam que técnicas de relaxamento apresentam bons resultados no gerenciamento da ansiedade, impulsividade e estresse, e essas importantes ferramentas quando utilizadas aumentam as chances de sucesso no tratamento. Particularmente, venho usando a hipnose (hipnoterapia cognitiva) como aliada no tratamento da ansiedade e impulsividade (presentes nos quadros de TEI) e com foco no manejo de imagens mentais, cenários, memórias, de modo a dar novos significados a esses aspectos.

Por fim, a participação da família no tratamento é extremamente desejada e deve ser estimulada. O vínculo terapêutico deve estar fortalecido tanto com o paciente quanto com os familiares. Existem dois tipos de pacientes: aqueles que procuram ajuda por conta própria e aqueles que são intimados pelos familiares a buscar tratamento. Ambos apresentam alto grau de sofrimento, sentem-se incompreendidos, acreditam que as pessoas nunca enxergam o seu lado da história. Ou seja, no momento em que o paciente chega ao consultório, o quadro, na maioria das vezes, já está muito avançado – pois o que leva o paciente a procurar ajuda são os desajustes ocorridos nas relações interpessoais.

Dessa forma, é comum haver cansaço, frustração, mágoa e até mesmo sentimento de raiva que permeia o núcleo familiar. Sempre que possível, é interessante que o terapeuta possa acolher e orientar a família desse paciente e, assim, promover a ressignificação do vínculo afetivo.

Como já visto, o quadro de TEI vem acompanhado de doenças como ansiedade e depressão e, por se tratar de um transtorno do impulso, em alguns casos a medicação deve ser avaliada como uma aliada ao tratamento. Quando necessária, a medicação é introduzida para otimizar o tratamento. Porém, sem o acompanhamento psicoterápico o paciente não alcançará todos os benefícios proporcionados pela terapia, que poderão conduzi-lo a uma melhor qualidade de vida.

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ATENÇÃO ESPECIAL PARA A TEI

É importante atentar para o fato de que o TEI é a única categoria diagnóstica psiquiátrica em que a agressão fisica é um sintoma básico – e é o único que descreve transtornos agressivos não psicóticos e não bipolares (Lish; Kavoussi; Coccaro, Personality Characteristics of the Personality Disordered, p. 24-40,1996). Dessa forma.o diagnóstico do TEImereceumaatenção especial e secaracteriza como um diagnóstico de exclusão – não deve ser confundido com transtornos como o de personalidade borderline, bipolar, antissocial. TDAH (transtorno dedéficit de atenção com hiperatividade) e intoxicação por abuso de substilncias.

Nenhuma das características identificadas nos transtornos abaixo está presente no TEI.
Logo, se o paciente apresentar qualquer uma delas, deve ser automaticamente excluído do diagnóstico de transtorno explosivo intermitente.

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DIAGNÓSTICO DE EXCLUSÃO

BORDERLINE

Oscilação entre extremos de avaliação e idealização em todos os relacionamentos

Medo do abandono

Sensação decorrente de vazio Comportamentos suicidas ou parassuicidas

TDAH

Quadro deimpulsividade associado à dificuldade de atençck>, planejamento e organização

ANTISSOCIAL

Desconsideram e violam direitos dos outros

Enganosos

Manipuladores

Não experimentam sentimentos de remorso por suas atitudes agressivas atitudesagressivas  premeditadas

BIPOLAR

Alteraçõescfclic asde humor

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IDENTIFICAÇÂO DOS SINTOMAS QUE ESTÂO PRESENTES NA PESSOA PORTADORA DE TEI

1. Explosões comportamentais recorrentes representando uma falha em controlar impulsos agressivos, conforme manifestado por um dos seguintes aspectos:

1 – AGRESSÃO VERBAL: Acesso de raiva. injúrias, discussões ou agressões verbais.

2 – AGRESSÃO FÍSICA: Dirigida à propriedade. animais ou outros indivíduos, ocorrendo em uma média de duas vezes por semana. durante um período de três meses, a agressão física não resulta em danos ou destruição de propriedade, nem em lesões físicas em animais ou em outros indivíduos.

2 – Três explosões comportamentais envolvendo danos ou destruição de propriedade e/ou agressão física envolvendo lesões físicas contra animais ou outros indivíduos. ocorridas em um período de 12 meses.

1. A magnitude de agressividade expressada durante as explosões recorrentes é grosseiramente desproporcional em relação à provocação ou a quaisquer estressores psicossociais precipitantes.

2. As explosões de agressividade recorrentes não são premeditadas (ou seja, são impulsivas e/ou decorrentes de raiva) e não têm por finalidade atingir algum objetivo tangível (como dinheiro, poder e intimidação).

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SINTOMAS RELATADOS CARACTERÍSTICOS DO PORTADOR DE TEI

Este quadro pretende facilitar uma melhor comi,>reensão dos sinais e sint0rnas que diferenciam o TEI de outros transtornos psíquicos:

ESQUIZOFRENIA:Apresenta comportamentos agressivos decorrentes de sintomas psicóticos. eomo alucinações e delírio

PSICOSE EMANIA:Nos episódios do tipo persecutório podem ocorrer sentimentos de raiva e aomportameAto impulsivo-agressivo

DELÍRIO: Alucinaçao, estado confusionoal agudo com presença de agitaçào motora, experiências  emocionais intensas, podendo levar a comportamento agressivo

EPISÓDIOS MANÍACOS PRESENTES NO TRANSTORNO BIPOLAR: Nas fases de hipomania, são comuns episódios de irritabilidade e agressividade que se mantêm durante esse
período

TRANSTORNO DISRUPTIVO DA REGULAÇAO DO HUMOR: O paciente apresenta estado de humor persistentemente negativo (irritabilitdade, raiva) quase todos os dias entre explosões de agressividade impulsiva.

TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÀO/HPERATIVlDADE: Dificuldade de atenção e concentração. geralmente são impulsivos e podem apresentar explosões de
agressividade compulsivas

DEMÊNCIAS: Perda progressiva da capacidade cognitiva e de planejamento, com enfraquecimento da memória, dificuldade de concentração, problemas com a linguagem que podem levar a comportamentos agressivos (Alzheimer, Parkinson)

DEPENDÊNCIA QUÍMICA: Alcool, cocaína e anfetaminas, que podem desencadear comportamentos agressivos

CONDIÇÃO ClÍNCA GERAL: Danos cerebrais severos e alguns tumores cerebrais podem desencadear comportamentos agressivos

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OUTROS OLHARES

A REVOLUÇÃO ANTICÂNCER

A Academia Sueca celebrou duas descobertas recentes que resultaram na criação da imunoterapia, o mais novo e espetacular tratamento contra a doença.

A revolução anticâncer.

Estamos vivendo momentos de genuína excitação nos raros anos em que a Academia Sueca oferece o Nobel de Medicina a técnicas descobertas há pouco tempo e, acima de tudo, já postas em prática e bem-sucedidas. Foi o caso da premiação dos imunologistas James P. Allison, de 70 anos, do MD Anderson Câncer Center, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, e de Tasuku Honjo, de 76 anos, da Universidade de Kyoto, no Japão. No mês de outubro, a dupla foi celebrada por desenvolver, nos anos 1990 – outro dia, para os padrões do Nobel -, uma nova forma de combate ao câncer. É a chamada imunoterapia, procedimento que usa a capacidade das próprias células de defesa do organismo na luta contra o tumor.

A base da técnica premiada tem uma abordagem totalmente nova na oncologia. É um salto extraordinário e inventivo. Em vez de bloquear o crescimento do tumor, como fazem os outros tratamentos, a imunoterapia facilita a ação do sistema de defesa, uma rica orquestra composta de células e substâncias que ajudam o corpo a lidar com vírus, bactérias e outros invasores, para matar o câncer. O americano Allison estudou o funcionamento da proteína CTLA-4, e o japonês Honjo, o de uma outra proteína, a PD-1. Ambas, naturalmente produzidas pelo organismo, regulam a ação dos linfócitos T, os principais soldados do mecanismo imunológico contra invasores, tornando o organismo apto a combater as células de tumor.

Até hoje, foram desenvolvidos três remédios com base nas duas descobertas associadas ao Nobel deste ano: o ipilimumabe (Yervoy,) aprovado em 2011, onivolumabe (Opdivo) e o pembrolizumabe (Keytruda), estes liberados em 2014. Há também outros dois medicamentos que agem no sistema imunológico por meio de processos semelhantes. Estima-se que ao menos 100.000 pessoas já tenham se beneficiado da imunoterapia em todo o mundo. No Brasil, o tratamento ainda não é oferecido pelo Sistema Único de Saúde. Há planos de saúde privados que disponibilizam a terapia, que custa uma fortuna: em torno de 50.000 reais por mês. Os remédios imunoterápicos são usados em diversos tipos de câncer, como melanoma, pulmão, bexiga, fígado, estômago, linfoma, intestino, rim e cabeça e pescoço. Costumam ser indicados para pacientes em estágios mais avançados da doença que já tentaram outros caminhos, como a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia, mas sem sucesso. Diz Paulo Hoff, oncologista e presidente da oncologia da Rede D’Or: “O Prêmio Nobel reconheceu a velocidade, cada vez maior e mais interessante, da aplicação da ciência para o desenvolvimento de novos tratamentos eficientes e pouco tóxicos”.

Os medicamentos imunoterápicos têm se mostrado incrivelmente eficazes. Reduzem a taxa de mortalidade em 50% nos casos de câncer de pulmão metastático. Em algumas variedades de melanoma, chega-se a 60% de remissão. Contudo, eles não funcionam para todos os doentes da mesma forma. Dependendo do tipo de tumor, só agem em cerca de 30% das pessoas. O tempo de uso também varia para cada paciente. Em alguns, o tumor pode desaparecer por completo em dois meses, dando uma nova vida a pessoas que estavam desenganadas, sem perspectiva de tratamento. Em outros, o tratamento pode durar dois anos. Ou não funcionar. A instabilidade acontece por dois motivos. Um deles é o fato de o procedimento ter como base o complexo sistema imunológico. O segundo ponto: quando se trata de câncer, não há uma só via de ataque. E dificilmente haverá. Para o futuro próximo, esse que, já está aí, imagina-se a combinação de estratégias, de acordo com as características individuais dos tumores e do doente.

Por enquanto, os remédios imunoterápicos são usados separadamente ou com quimioterapia. Mas há estudos que mostram que a combinação entre eles é um atalho inexorável. Uma pesquisa publicada em agosto na revista científica New England Journal of Medicine revelou resultados empolgantes na combinação de dois imunoterápicos: prolongou a vidadas pessoas com um tipo de câncer gravíssimo que havia se espalhado para o cérebro. Um ano após o início do tratamento combinado, 82% dos doentes estavam vivos. Com as terapias tradicionais, só 20% dos pacientes nessa situação, em média, sobrevivem depois de doze meses. “Há uma estrada brilhante para esses novos remédios, e a tendência é que sejam usados também em pacientes com câncer em estágios mais iniciais”, diz Fernando Maluf, oncologista da BP Mirante e do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

O câncer ainda é a segunda principal causa de morte em todo o mundo. Calcula-se que a doença será responsável por mais de 9 milhões de vítimas somente neste ano. No Brasil, a estimativa é de 243.000 casos fatais. O cenário já foi pior. Graças à criação dos recursos de diagnóstico precoce, à valorização dos hábitos saudáveis e, sobretudo, ao refinamento e à diversificação de medicações, a taxa de mortalidade por câncer entre homens e mulheres caiu 26% nas últimas duas décadas nos Estados Unidos. No caso de alguns tipos de tumor, como o de próstata, a evolução foi ainda mais extraordinária. Em 1960, 56% dos homens estavam vivos cinco anos após o diagnóstico de câncer de próstata. Hoje, a taxa é de 99%. Grande parte dos avanços está associada aos três tratamentos convencionais e plenamente estabelecidos: a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia. Essas estratégias continuam, sem dúvida, indispensáveis para a maioria dos tumores. Com a imunoterapia, vive-se uma quarta e revolucionária etapa.

O avanço mais espetacular na era pré-imunoterapia ocorreu com a chegada dos medicamentos chamados de terapia-alvo, uma quimioterapia direcionada, com menos efeitos colaterais. Com base no conhecimento das características genéticas do câncer, a terapia-alvo bloqueia o crescimento e a disseminação das células cancerígenas. O remédio que inaugurou essa classe foi o trastuzumabe (Herceptin), aprovado nos EUA em 1998 e considerado ainda hoje um grande feito no tratamento da doença. As cirurgias também estão mais precisas e os equipamentos de radioterapia, mais modernos.

Durante muito tempo, falou-se na cura do câncer, a bala de prata tão ambicionada. Há algum tempo não é mais o caso de buscar essa vitória final. Não se trata de curar o câncer, mas sim de preveni-lo e atacá-lo com rapidez e qualidade. Os avanços nas cirurgias, na quimioterapia e na radioterapia significaram grandes saltos – a imunoterapia, que o Nobel celebrou, é um voo cada vez mais promissor.

GESTÃO E CARREIRA

AQUILO QUE NOS DIFERENCIA

Conhecer a si mesmo garante melhores decisões profissionais.

Aquilo que nos diferencia

Acredito fortemente que tomamos as melhores decisões quando nos conhecemos de verdade. Já falei repetidas vezes da importância de descobrir e entender quais são seus valores de vida, propósitos e suas principais características, o que você faz bem e com facilidade e que outras pessoas não fazem. Também já mencionei que é interessante procurar saber como as pessoas te percebem, que marca é essa que você tem e que aparece quando elas pensam em você.

Buscar esse conhecimento sobre si próprio é importante porque nos leva a momentos mais eficientes na vida. Às vezes, as pessoas perdem muito tempo tentando desenvolver aquilo que não fazem bem apenas porque se acredita que é isso que o mercado de trabalho quer e precisa. Tomamos decisões sem considerar o que desejamos, ou sem saber quem realmente somos.

A verdade é que para construir uma carreira s6lida e feliz é preciso colocar força naquilo que te diferencia. Para ajudar nossa caminhada, sugiro que conheça a plataforma Bettha.com. Ela é gratuita e tem ferramentas muito atuais de autoconhecimento. Além de ajudar cada um a se conhecer melhor, também contribui para que o profissional se prepare para o mercado de trabalho. Como? Por meio de jornadas e missões com conteúdos de carreira, competências comportamentais e habilidades portáteis, importantes para toda e qualquer carreira.

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É importante lembrar também que só fazer boas escolhas na carreira não é suficiente. O mercado de trabalho exige uma evolução contínua e constante. Segundo pesquisas, uma habilidade adquirida hoje terá, em média, cinco anos de validade… Antigamente, esse prazo já foi muito maior. Outro ponto a ser levado em consideração é que os modelos educacionais tradicionais não dão conta dessa velocidade sozinhos, ou seja, precisam ser complementados com ferramentas e conteúdos que permitam individualizar o aprendizado e implementar em tempo real, conteúdos que desenvolvam as habilidades e competências que o mercado exige.

O objetivo do Bettha é possibilitar que o profissional conheça as carreiras, o seu estilo de trabalho e se desenvolva sempre, todo dia um pouquinho, seja no aspecto comportamental ou nas habilidades técnicas que o mercado espera do seu perfil. Além disso, ele pode ajudar cada profissional a construir um portfólio que vai muito além do currículo, pois cada assessment realizado e conteúdo assistido contam pontos e compõem esse perfil que as empresas podem acessar e conhecer.

Lembre-se: diferente do passado, hoje, o plano de carreira deve ser construído e gerido por cada um de nós.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 19; 16-18

Alimento diário - Comendo a Bíblia

Cristo é Condenado. A Crucificação

Aqui temos a sentença de morte proferida contra nosso Senhor Jesus, e a execução, que teve lugar pouco tempo depois. Pilatos tinha tido uma poderosa disputa consigo mesmo, entre suas convicções e suas corrupções. Mas, no final, suas convicções capitularam, e suas corrupções prevaleceram, o medo dos homens teve mais poder sobre ele do que o temor a Deus.

I – Pilatos proferiu a sentença contra Cristo, e assinou a autorização para sua execução, v. 16. Aqui podemos ver:

1. Como Pilatos assinou contra sua consciência: repetidas vezes ele tinha dito que Cristo era inocente, e ainda assim, no final, condenou-o como culpado. Desde que tinha chegado a ser governador, Pilatos, em muitas ocasiões, tinha desagradado e exasperado a nação judaica, pois era um homem de espírito arrogante e implacável, e extremamente dedicado ao que lhe agradava. Ele tinha se apropriado do Corbã, e o tinha gastado em uma fonte. Ele tinha trazido a Jerusalém escudos estampados com a imagem de César, o que era extremamente provocador aos judeus. Ele tinha sacrificado a vida de muitos pelas suas determinações. Temendo, portanto, que eles pudessem se queixar dele, por estas e outras insolências, ele estava desejoso de agradá-los. Isto torna o assunto muito pior. Se ele tivesse tido uma disposição tranquila, dócil e flexível, sua capitulação a uma corrente tão forte teria sido mais justificável. Mas para um homem que era tão voluntarioso, em outras coisas, e de uma determinação tão violenta, ser vencido em uma questão desta natureza mostra que ele era verdadeiramente um homem mau, que podia suportar melhor os erros da sua consciência do que a contradição aos seus desejos.

2. Como ele se empenhou para transferir a culpa aos judeus. Ele não o entregou aos seus próprios oficiais (como seria usual), mas aos acusadores, os principais dos sacerdotes e anciãos, justificando, assim, seu erro perante sua própria consciência com o fato de que se tratava somente de uma condenação permissiva, e que ele não condenou Cristo à morte, mas somente foi conivente com aqueles que o fizeram.

3. Como Cristo se fez pecado por nós. Nós merecíamos ter sido condenados, mas Cristo foi condenado em nosso lugar, para que não houvesse mais condenação alguma contra nós. Agora Deus estava entrando em um julgamento com seu Filho, para que não tivesse que entrar em julgamento com seus servos.

 

II – Mal tinha sido concluído o julgamento, e os acusadores, com toda a prontidão possível, tendo conseguido o que queriam, decidiram não perder tempo, para que não houvesse tempo de que Pilatos pudesse mudar de ideia, e ordenar um adiamento (os inimigos das nossas almas, os piores inimigos, são aqueles que nos conduzem ao pecado, e então não nos deixam espaço para podermos desfazer o que fizemos de errado), e também para que não houvesse um tumulto entre o povo, e pudessem encontrar um número de pessoas contrárias a eles maior do que tinham, com muitos artifícios, conseguido a seu favor. Seria bom, se nós conseguíssemos ser diligentes desta maneira naquilo que é bom, e não esperar mais dificuldades.

1. Eles imediatamente levaram o prisioneiro. Os principais dos sacerdotes lançaram-se avidamente sobre a presa que tinham esperado durante tanto tempo. Agora ela estava presa na sua rede. Ou eles, isto é, os soldados que deviam auxiliar na execução, o tomaram e levaram, não ao lugar de onde Ele tinha vindo, e dali, ao lugar de execução, como é usual entre nós, mas direta­ mente ao lugar de execução. Tanto os sacerdotes quanto os soldados o levaram, juntos. Agora o Filho do Homem estava entregue nas mãos dos homens, homens maus e irracionais. Segundo a lei de Moisés (e nas apelações, na nossa lei), os acusadores deveriam ser os executores, Deuteronômio 17.7. E aqui os sacerdotes estavam orgulhosos desta função. O fato de que Ele fosse levado não sugere que Ele tenha feito nenhuma oposição, mas as Escrituras deviam cumprir-se: “Foi levado como a ovelha para o matadouro”, Atos 8.32. Nós merecíamos ter sido levados com os que praticam a maldade, como criminosos à execução, Salmos 125.5. Mas Ele foi levado em nosso lugar, para que pudéssemos escapar.

2. Para aumentar a desgraça de Jesus, eles o obrigaram, enquanto Ele foi capaz, a carregar sua cruz (v.17), conforme o costume entre os romanos. Aqui Furcifer era, entre eles, uma palavra de censura. Suas cruzes não ficavam erguidas permanentemente, como ficam nossas forcas nos locais de execução, porque o malfeitor era pregado à cruz enquanto ela estava estendida no chão, e então era erguida e presa à terra, e removida depois de terminada a execução, e normalmente sepultada com o corpo. De modo que qualquer pessoa que fosse crucificada tinha sua própria cruz. O fato de que Cristo carregasse sua cruz pode ser considerado:

(1) Como parte dos seus sofrimentos. Ele literalmente suportou a cruz. Era necessário um pedaço de madeira longo e espesso para tal uso, e alguns pensam que ele nunca deve ter sido polido nem cortado. O bendito corpo do Senhor Jesus talvez não estivesse acostumado a tais cargas. Somente recentemente, Ele tinha sofrido tantos golpes, sentindo-se exaurido. Seus ombros doíam pelas chibatadas que lhe tinham desferido. Cada balanço da cruz iria renovar sua dor lancinante, e possivelmente enterraria na sua cabeça os espinhos com que o tinham coroado. Mas tudo isto Ele suportou pacientemente, e isto foi apenas o início dos sofrimentos.

(2) Como resposta ao tipo que tinha vindo antes dele. Quando ia ser oferecido, Isaque carregou a madeira à qual ele deveria ser amarrado, e na qual deveria ser queimado.

(3) Como muito representativo da sua missão, tendo o Pai feito “cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaias 53.6), e “levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro”, 1 Pedro 2.24. Ele tinha dito, na verdade: Sobre mim seja tua maldição, pois Ele se fez pecado por nós, e, portanto, a cruz deve­ ria estar sobre Ele.

(4) Como muito instrutivo para nós. Nosso Mestre, com isto, ensinou todos os seus discípulos a tomarem sua cruz, e segui-lo. Seja qual for a cruz que Ele nos chama para levar, em qualquer ocasião, devemos nos lembrar de que Ele suportou a cruz antes de nós. E, suportando-a por nós, Ele a retira de nós, em grande medida, pois assim torna seu jugo suave, e seu fardo, leve. Ele suportou a extremidade da cruz que tinha a maldição sobre si, a extremidade pesada, e, desta maneira, todos os que são seus podem considerar leves e momentâneas as aflições que suportam por amor a Ele.

3. Eles o levaram ao local da execução: Ele foi, não arrastado, contra sua vontade, mas voluntário nos seus sofrimentos. Ele saiu da cidade, pois foi crucificado fora da porta, Hebreus 13.12. E, para acrescentar maior infâmia aos seus sofrimentos, Ele foi levado ao lugar comum de execução, como um entre os muitos que foram contados como transgressores, um lugar chamado Gólgota, o lugar da Caveira, onde eles jogavam os esqueletos e caveiras dos mortos, ou onde eram deixadas as cabeças dos malfeitores decapitados – um lugar cerimonialmente impuro. Ali Cristo sofreu, porque se fez pecado por nós, para que pudesse purificar nossas consciências de obras mortas, e da sua contaminação. Se alguém de­ seja prestar atenção às tradições dos anciãos, há duas que são mencionadas, por muitos dos autores antigos, a respeito deste lugar:

(1) Que Adão foi sepultado aqui, e que este era o local da sua caveira, e eles observam que onde a morte triunfou sobre o primeiro Adão, aqui o segundo Adão triunfou sobre ela. Gerhard cita, para esta tradição, Orígenes, Cipriano, Epifânio, Austin, Jerônimo, e outros.

(2) Que este era o monte, na terra de Moriá, no qual Abraão ofereceu Isaque. O local onde Isaque foi resgatado pelo cordeiro.

4. Ali eles o crucificaram, e os outros malfeitores com Ele (v. 18): ali foi o lugar “onde o crucificaram”. Observe:

(1) A morte que Cristo teve. A morte na cruz, uma morte sangrenta, dolorosa, vergonhosa, uma morte maldita. Ele foi pregado à cruz, como um sacrifício atado sobre o altar, como um Salvador que está com sua atenção completa­ mente fixa na sua missão. Seus ouvidos estão atentos à voz de Deus, o Pai, para servi-lo para sempre. Ele foi levanta­ do, como a serpente de metal, suspenso entre o céu e a terra, porque nós éramos indignos de ambos, e fomos abando­ nados por ambos. Suas mãos estavam estendidas para nos convidar e abraçar. Ele ficou suspenso cerca de três horas, morrendo gradativamente no uso pleno de razão e fala, para que pudesse, verdadeiramente, resignar-se a ser um sacrifício.

(2) Com quem ele morreu: “E, com ele, outros dois”. Provavelmente, estes não teriam sido executados nesta ocasião, mas a pedido dos principais dos sacerdotes, para aumentar a desonra do nosso Senhor Jesus, o que pode ser a razão pela qual um deles o insultou, porque sua morte foi apressada por causa dele. Se eles tivessem tomado dois dos seus discípulos, e os tivessem crucificado com Ele, isto teria sido uma honra para Ele. Mas, se estes ti­ vessem participado do sofrimento com Ele, isto teria sido considerado como se eles tivessem participado da expiação com Ele. Portanto, foi ordenado que estes companheiros de sofrimento fossem os piores pecadores, para que Ele pudesse suportar nossa desonra, e para que o mérito pudesse ser só seu. Isto o expôs ao ódio e ao desprezo das pessoas, que são capazes de julgar as pessoas em conjunto, e não têm curiosidade para distinguir, e concluíram que não somente Ele era um malfeitor, porque compartilhou o jugo com malfeitores, mas que Ele era o pior dos três, porque foi colocado no meio. Porém, assim a Escritura se cumpriu: “Com os malfeitores foi contado”. Ele não morreu no altar, entre os sacrifícios, nem misturou seu sangue com o de bois e bodes, mas morreu entre os criminosos, e misturou seu sangue com o daqueles que eram sacrificados em nome da justiça pública.

E agora, façamos uma pausa, e com os olhos da fé, olhemos para Jesus. Houve alguma tristeza como a sua? Veja aquele que estava vestido de glória, despido de toda ela, e vestido de vergonha, aquele que era o louvor dos anjos, tornado o opróbrio dos homens, aquele que tinha estado com prazer e alegria eternos no seio do seu Pai, agora nos extremos de dor e agonia. Veja-o sangrando, veja-o sofrendo, veja-o morrendo, veja-o e ame-o, ame-o e viva para Ele, e investigue o serviço que devemos fazer.