PSICOLOGIA ANALÍTICA

ESPELHOS DE COMPORTAMENTO

O processo de identificação das crianças com o mundo que as rodeia começa muito cedo. Elas aprendem indiscriminadamente, sem crivos éticos, morais, sociais e por isso são tão naturais no agir.

Espelhos de comportamento

Quantas vezes nos espantamos quando vemos nossas crianças imitarem pessoas estranhas, falarem palavras que não aprenderam em casa e mostrarem claramente afeição especial por outras crianças e adultos que não fazem parte da família e com as quais acabam por se identificar a ponto de copiar seus comportamentos e modo de falar? Pode ser a professora, a mãe de um amigo, o próprio amigo, um vizinho…

O processo de identificação da criança com o mundo que a rodeia começa muito cedo, a partir do nascimento, através das informações que capta do meio, principalmente as que recebe dos pais: todo bebê saudável aprende rapidamente a desenvolver respostas, que se revelam através de comportamentos que vão se tornando mais evidentes com a idade.

A partir dos 24 meses, quando já domina o vocabulário básico e tem condições cognitivas mais elaboradas, a criança começa a imitar, com maior perfeição, os gestos, falas e comportamentos das pessoas com quem mais convive e se vincula afetivamente. Por isso os pais são os primeiros “super-heróis”, os maiores exemplos de comportamento para os filhos: estes gostam de os imitar, até como forma de reafirmação do sentimento de admiração e amor que têm pelos pais. E podem imitá-los em vários momentos, automaticamente e sem críticas, pois estão treinando e experimentando novas formas de se comunicar e, assim, esses modelos apoiam e dão forma às suas manifestações. Em seguida, começam a tomar como amostra os comportamentos de outras pessoas com quem se identificam ou admiram por algum motivo.

Enquanto algumas imitações são até engraçadas, outras causam espanto, pois são inadequadas e indesejadas. Da mesma forma que imitam a mãe ao telefone e o pai fazendo a barba, podem imitar gestos e palavras que viram e ouviram pela primeira vez fora de casa, na escola, na

 

rua, na casa de amigos, na televisão, no computador. Crianças aprendem indiscriminadamente, do meio ambiente, sem crivos éticos, morais, sociais e por isso são tão naturais no agir. Assim como engatinharam, andaram e falaram pela primeira vez, também brincam de imitar, reconhecer e lembrar de pessoas e situações novas.

Aí começa de fato a importância do direcionamento educativo precoce no sentido de ressaltar os comportamentos que queremos que nossas crianças assimilem e desenvolvam e minimizar seu interesse nos outros que desejamos que não exibam.

O modo de alterar essas condutas inadequadas é simples de ser aprendido, e sua aplicação pois consiste em estratégias comportamentais as quais, apesar de fáceis de usar, exigem muita repetição e muita serenidade dos pais, para acompanharem o ritmo da criança em aprender novos comportamentos que substituam os indesejados.

Isso implica primordialmente em compreender que não se deve criticar ou castigar a criança nessa situação. Dois são os motivos principais que fundamentam essa regra: primeiro ela acha que está apenas aprendendo algo novo e desmotivar qualquer aprendizado nessa fase da vida é um fato muito sério, pois implica em a criança ficar confusa, sentir-se incapaz e incompreendida. Segundo porque ela não tem discernimento para distinguir o que é ou não adequado fazer ou dizer e, portanto, precisa ser carinhosamente desmotivada a repetir esse comportamento indesejado, seja através de nossa conduta diária ou de nosso direcionamento verbal. Mas para coibir comportamentos inadequados, nada pior que punir a criança. Castigar não apenas reforça o comportamento como não ensina um novo modo de agir, nem a disciplina, o autocontrole e o discernimento.

As crianças entendem essas reproduções que fazem como brincadeiras, então propor novos ”jogos” também é um bom caminho a seguir. Afinal, elas adotam essa forma para elaborar e compreender pouco o mundo dos adultos, querem agir como eles e perceber gradativamente a realidade sem se arriscar. Vivenciar como se fossem as pessoas que gostariam (ou não) de vir a ser, as diferenças e as reações dos outros, faz parte natural do processo de crescimento, mas deve ser supervisionado pelos adultos.

Estabelecer os limites com carinho e firmeza é função dos pais e toda a família deve respeitar as regras estabelecidas por estes, ainda que isso não seja um acordo fácil de manter. O modelo diário familiar, seguido de uma conversa esclarecedora sobre os sentimentos envolvidos, pontuada pelas razões pelas quais tanto o modelo quanto a imitação devem ser evitados, é muito importante entre os adultos. Mas para as crianças é determinante oferecer novas e saudáveis formas de agir e modelos de expressão, ou seja, novos padrões comportamentais.

Até cerca dos 5 anos de idade, esse processo de imitação é muito forte e constante, não apenas do ponto de vista físico e na maneira de agir como também em nível psicológico e intelectual. Essa última surge geralmente quando as crianças vão para a escola e aprendem a ler e escrever. Por exemplo, se habitualmente veem os pais lendo jornais e assistindo bons programas de TV, elas são estimuladas a fazer o mesmo. Se a família é equilibrada e respeitosa entre si, a criança tende a ser igual.

A preocupação dos pais e, portanto, dos educadores deve ser a de educar a criança para que ela comece a desenvolver desde cedo a noção de respeito ao outro e consequências de seus atos. Assim, o autocontrole e a responsabilidade vão se formando com a certeza de que crianças não se tornam adultos admiráveis e bem-sucedidos sem uma ação educativa familiar coerente e segura.

Espelhos de comportamento. 2

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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