ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 19: 1-15 – PARTE III

Alimento diário - Comendo a Bíblia

Cristo é acusado diante de Pilatos

 

III – Os acusadores, em vez de ficarem mais tranquilos, ficaram ainda mais exasperados, vv. 6,7.

1. Observe aqui seu clamor e sua fúria. Os “principais dos sacerdotes”, que lideravam a multidão, clamavam com fúria e indignação, e seus servidores, ou servos, que deviam dizer o que eles lhes dissessem, os acompanhavam gritando: “Crucifica-o, crucifica-o”. As pessoas comuns talvez tivessem concordado com a declaração da sua inocência proferida por Pilatos, mas seus líderes, os sacerdotes, as levaram ao erro. Com isto, parece que sua maldade contra Cristo era:

(1) Irracional e completamente absurda, no sentido de que eles não se ofereciam para comprovar suas acusações contra Ele, nem para objetar contra o julgamento que Pilatos tinha feito dele. Mas, embora seja inocente, Ele deve ser crucificado.

(2) Insaciável e muito cruel. Nem a situação extrema do seu açoitamento, nem sua paciência ao submeter-se a ele, nem as ternas admoestações do juiz, conseguiam acalmá-los. Não, nem a brincadeira em que Pilatos tentou transformar a causa conseguiu deixá-los com um humor mais agradável.

(3) Violenta e excessivamente decidida. A vontade deles deveria prevalecer, colocando em risco as boas graças do governador, a paz da cidade e sua própria segurança, em vez de diminuir suas exigências. Eles se mostravam tão violentos na perseguição ao nosso Senhor Jesus, gritando: Crucifica-o, crucifica-o? E nós não seremos vigorosos e zelosos na promoção do seu nome, gritando: Coroai-o, coroai-o? Seu ódio por Ele tinha aguçado seus esforços contra Ele? E nosso amor por Ele não vivificará nossos esforços por Ele, e pelo seu reino?

2. A verificação que Pilatos faz da fúria deles, ainda insistindo na inocência do prisioneiro: “Tomai-o vós e crucificai-o, porque eu nenhum crime acho nele”. Isto é dito ironicamente. Ele sabia que eles não podiam, e não iriam, crucificá-lo. Mas é como se ele dissesse: “Vocês não vão fazer de mim um instrumento da sua maldade. Eu não posso, em sã consciência, crucificá-lo”. Uma boa resolução, se pelo menos ele tivesse permanecido fiel a ela. Ele não encontrava crime nele, e por isto não deveria ter continuado a negociar com os acusadores. Aqueles que desejam estar protegidos do pecado devem ser surdos à tentação. Na verdade, ele deveria ter protegido o prisioneiro das ofensas do povo. Para que estava ele revestido de poder, se não para proteger os ofendidos? Os guardas dos governadores deveriam ser os guardiões da justiça. Mas Pilatos não teve coragem suficiente para agir de acordo com sua consciência, e sua covardia o levou a uma armadilha.

3. A desculpa adicional que os acusadores deram à sua exigência (v. 7): “Nós temos uma lei, e, segundo a nossa lei”, se tivéssemos a autoridade para exercê-la, “deve morrei porque se fez Filho de Deus”. Aqui, observe:

(1) Eles se vangloriavam da lei, mesmo quando, ao transgredir a lei, desonravam a Deus, e disto os judeus são acusados, Romanos 2.23. Na realidade, eles tinham uma lei excelente, muito superior aos estatutos e julgamentos de outras nações. Mas eles se vangloriavam dessa sua lei inutilmente, quando a usavam tão mal, e com objetivos tão maldosos.

(2) Eles revelam uma impaciente e inveterada maldade contra nosso Senhor Jesus. Quando não puderam inflamar a Pilatos contra Ele, alegando que Ele dizia ser rei, eles disseram que Ele dizia ser um Deus. Desta maneira, eles reviram cada pedra, na tentativa de eliminá-lo.

(3) Eles pervertem a lei, e fazem dela o instrumento da sua maldade. Alguns pensam que eles se referem a uma lei feita especificamente contra Cristo, como se, por ser uma lei, devesse ser posta em vigor, certa ou errada. Mas “ai dos que decretam leis injustas e dos… que escrevem perversidades”, Isaías 10.1. Veja Miquéias 6.16. Porém, parece que eles se referem à lei de Moisés, e, neste caso:

[1] Era verdade que os blasfemos, os idólatras e os falsos profetas deveriam ser condenados à morte, segundo aquela lei. Aquele que fingisse, falsamente, ser o Filho de Deus, seria culpado de blasfêmia, Levítico 24.16. Mas:

[2] Era mentira que Cristo fingisse ser o Filho de Deus, pois Ele realmente o era, e eles deviam ter examinado as provas que Ele apresentava, de que realmente o era. Se Ele dizia que era o Filho de Deus, e o escopo e a tendência da sua dou­ trina não eram afastar as pessoas de Deus, mas levá-las a Ele, e se Ele confirmava sua missão e doutrina através dos seus milagres, como sem dúvida Ele fazia, sem nenhuma contradição,  a lei que possuíam indicava que aqueles homens deveriam ouvir suas palavras (Deuteronômio 18.18,19), e, caso não o fizessem, deveriam ser punidos com a pena capital. Aquilo que era a honra, e poderia ter sido a felicidade deles, se não tivessem insistido no seu ponto de vista, eles lhe atribuem como um crime, pelo qual Ele não deveria ser crucificado, pois esta não era uma morte à qual sua lei pudesse condenar.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.