PSICOLOGIA ANALÍTICA

CHEGA DE PALMADAS

Em um documento que compila diversos estudos científicos, a Academia Americana de Pediatria condena os castigos físicos e a agressão verbal impostos a crianças.

Chega de palmadas

“Pais, cuidadores e adultos, ao interagir com crianças e adolescentes, não devem usar a punição corporal (incluindo bater e espancar) como castigo ou consequência de mau comportamento nem estratégia disciplinar alguma, inclusive abuso verbal, que cause vergonha ou humilhação”. A orientação lhe soou demasiado óbvia, antiga, repetitiva? Por mais assombroso que possa parecer, em pleno século XXI ela é tudo isso, sim, mas é também obrigatória. Por isso está presente em um documento elaborado pela prestigiosa Academia Americana de Pediatria, que será publicado na edição de dezembro da revista Pediatrics. Trata-se de uma atualização do que a entidade dizia há vinte anos, quando apenas recomendava que os pais, cuidadores e adultos fossem encorajados a não bater nos pequenos. É a primeira vez que a instituição condena enfaticamente tal comportamento. Não é para menos. Em 2013, 67% dos pais americanos admitiam bater nos filhos, segundo a Harris lnsights & Analytics, uma empresa de pesquisa de mercado. O.k., em1995 eram 80%, mas o porcentual de cinco anos atrás, o mais recente da Harris, é ainda vergonhoso. Pior: não há nos EUA nada como a Lei Menino Bernardo, a “lei da palmada”, aprovada no Brasil em 2014 para coibir o uso de castigos físicos na educação. Apesar dela, porém, os números aqui são infames. Um relatório deste ano da Fundação Abrinq, baseado no Disque 100, do Ministério de Direitos Humanos, mostrou que o país tem 396 denúncias diárias de maus-tratos a crianças e adolescentes: 71,3% por negligência, 44,5% devido a agressão psicológica e 42,1% por violência física.

A importância do novo documento da Academia Americana de Pediatria se deve – para além da emergência moral e até, digamos, “policial” – às evidências científicas dos últimos anos que a instituição compila com o objetivo de abominar, de uma vez por todas, o uso de violência contra crianças. O emprego da força, esclarece a entidade, não só é ineficaz a longo prazo como pode comprometer o comportamento e a saúde dos pequenos.

A palmada, por exemplo, aumenta a agressividade e o sentimento de raiva na criança. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Estado de Nova York com 2.400 crianças revelou que aquelas que apanharam mais de duas vezes por mês aos 3 anos eram mais agressivas aos 5 anos. Os pequenos que tenham sido agredidos também tendem a recorrer à violência para resolver conflitos com colegas e irmãos e demonstram maior probabilidade de adotar a mesma conduta com seus filhos no futuro. A agressão verbal é tão nociva quanto a física. A dor e o medo causados por tapas ou xingamentos aumentam os níveis de cortisol no sangue. Altos níveis da substância têm sido associados ao stress tóxico, condição que pode causar perda de neurônios e conexões em regiões associadas à memória, ao humor e à aprendizagem e alterações na conformação cerebral. Já um estudo da Universidade Harvard mostrou que crianças que apanham regularmente apresentam menos matéria cinzenta – substância-chave para o autocontrole – em regiões do córtex pré-frontal associa­ das a depressão e comportamento suicida. Elas também apresentam menor desempenho em testes de Q.I. Outra análise, publicada na revista Child Development e realizada pelas universidades de Petersburgo e Michigan, concluiu que crianças que sofreram agressões verbais tinham mais problemas de comportamento e sintomas depressivos aos 14 anos.

Diz Evelyn Eisenstein, médica que atua na Sociedade Brasileira de Pediatria: “Um tapinha em uma criança é uma violência de um adulto que não aprendeu a educar e conversar. Essa atitude é fruto de descontrole e tem efeitos duradouros naquele menor que foi agredido”. A fim de contribuir para o “controle” dos adultos, a Academia Americana de Pediatria relaciona em seu documento as chamadas “estratégias positivas e eficazes de disciplina”, que incluem o uso de distrações, a determinação de limites e o diálogo no trato com os pequenos (veja o quadro abaixo). São orientações que podem soar óbvias, antigas, repetitivas, entretanto, por tudo o que a instituição demonstra, estão longe de ser dispensáveis – infelizmente. Ao ser anunciado como candidato do PSL ao Planalto, em julho, o agora presidente eleito Jair Bolsonaro prometeu revogar a Lei Menino Bernardo. Cinquenta e três nações têm legislação contra punições físicas a crianças e adolescentes.

Chega de palmadas.2

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OUTROS OLHARES

LIBERDADE OU JUSTIÇA?

O novo moralismo brasileiro, seja de direita ou de esquerda, está fortemente orientado por uma espécie de crise de excesso de experiências de falso reconhecimento.

Liberdade ou justiça

“Temos o direito a ser iguais quando nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito a ser diferentes quando nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades.” Nessa afirmação de Boaventura de Sousa Santos (Reconhecer para libertar, Civilização Brasileira, 2003) apresenta-se, de modo sintético, um dos maiores paradoxos da modernidade. Aspirações de liberdade, autonomia e independência parecem acirrar nossa paixão individualista e egoísta. Mas a liberdade tem um problema constitutivo que é saber onde ela começa. Seu início se dá no berço de cada um? Na forma como cada um livremente encontra um destino para o que herdou? Tudo parece depender de qual é o momento que vamos escolher para dar início à história: a gênese divina, a origem das espécies, a Revolução Francesa, a abolição da escravatura ou a última prova da Fuvest? O direito de ser diferente é o que podemos chamar de liberdade. Ocorre que a diferença gera distinção, comparação e mérito de tal maneira que ela se explica por si mesma.

Diferença gera mais diferença. No reino da pura liberdade vigora a justiça bíblica de Mateus: “quem muito tem, mais lhe será dado, quem pouco tem, mesmo este pouco lhe será tirado”. É comum que se erga aqui, contra os excessos óbvios da liberdade individual, o argumento coletivo da justiça. Aqui o problema é inverso, ou seja, saber quando a justiça termina. O conhecido dilema da flauta indiana proposto por Amartya Sen serve para exemplificar o dilema: se temos três crianças e apenas uma flauta, parece óbvio que esta deve ser dada para a única que sabe tocar o instrumento. É verdade, mas uma verdade encarcerada no presente. Basta acrescentarmos a ideia de que no futuro a segunda criança pode vir a aprender a tocar flauta e que ter o instrumento é o maior estímulo para isso que se perceberá como a justiça incapaz de pensar seu próprio futuro é falha. Bastaria olhar para o passado e ver que a terceira criança foi quem trabalhou para construir a flauta que nosso juízo de justiça se altera imediatamente.

Frequentemente esquecemos essa divisão constitutiva nas relações de gênero, nos dilemas familiares e em nossas pequenas decisões cotidianas. Divisão que estrutura também nossas formas de sofrimento. Um sofre com o sentimento agudo de injustiça, o outro, com a falta crônica de liberdade. Mas a palavra-chave na asserção do pensador português, e nas chamadas epistemologias do sul, não é justiça nem liberdade, mas reconhecimento. O problema de sua formulação é que ele a coloca apenas em termos de direitos. Temos direito à justiça e liberdade assim como aos bens simbólicos da igualdade e da diferença. Para a psicanálise, o direito é o território do gozo, assim como o reconhecimento é a terra do desejo. O novo moralismo brasileiro, seja ele de direita ou de esquerda, está for- temente orientado por uma espécie de crise de reconhecimento. Uma crise formada pelo excesso de experiências de falso reconhecimento: leis que não pegam, direitos que não valem, exceções por toda parte. Um estado livre de democracia formal. Uma crise formada também pela intolerância ao gozo, ódio à diferença e impulso mórbido a praticar a justiça sem memória e uma liberdade sem futuro.

 

CHRISTIAN INGO LENZ DUNKER – é psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).

GESTÃO E CARREIRA

FUTURO DO TRABALHO: DIVERSIDADE E INCLUSÃO

As empresas operam em um ambiente muito mais complexo e competitivo do que em qualquer outro momento da história.

Futuro do trabalho- diversidade e inclusão

As empresas operam em um ambiente muito mais complexo e competitivo do que em qualquer outro momento da história. Os mercados estão cada vez mais interligados, as fronteiras das companhias cada vez mais porosas e a tecnologia convidando constantemente as organizações a reverem seus modelos de negócios. Esses fatores imprimem novas cores no mundo do trabalho e estão nos obrigando a olhar para ele a partir de uma perspectiva até então pouco explorada e repensar as regras para quase todas as práticas organizacionais.

Não há mais espaço para continuar a operar de acordo com velhos paradigmas. Não se trata mais de um convite para abraçar novas formas de pensar nas empresas, mas sim uma condição essencial para aqueles que querem continuar atuando no mercado.

E pensar o futuro do trabalho é muito mais amplo em escopo do que apenas olhar para o core da empresa vs a quantidade de talentos disponíveis. É preciso entender sobre demografia, globalização, comportamentos das pessoas, estilo de gestão, comunicação, colaboração, entre outros. Ainda existem muitas mudanças pela frente e a única certeza que temos é que estar preparado para passar por elas requer adaptabilidade, velocidade de reação, colaboração e pensamento diverso – mas REALMENTE diverso.

Portanto, não tem como falar de futuro do trabalho sem passar pela questão da diversidade e da inclusão, seja pelo aspecto ético ou pelos resultados positivos que proporcionam ao negócio. Empresas com cultura inclusiva e que fomentam equidade entre gêneros, etnias, faixa etária, classes sociais e necessidade especiais são mais inovadoras e geram maior rentabilidade.

  • Pesquisa Mckinsey mostra que as empresas com diversidade de gênero são 15% mais propensas a superar seus pares e as etnicamente diversas são 35% mais propensas a fazer o mesmo.

 

  • Pesquisa Deloitte Austrália mostra que as equipes inclusivas superaram seus pares em 80% nas avaliações baseadas em equipe.

E para fortalecer a importância do tema na atualidade, temos mais um dado: as buscas sobre diversidade no Brasil cresceram nada menos que 30% no último ano, mostrando que o assunto se transformou em uma pauta política e global. (Think with Google).

Temos então uma primeira conquista para celebrar: conseguimos trazer o tema à tona! Este é o primeiro passo para qualquer movimento de transformação. Agora, precisamos mapear e multiplicar as práticas que impactam positivamente a diversidade e inclusão no mercado de trabalho e aqui temos um grande desafio pela frente.

De acordo com os resultados da 17ª edição da pesquisa Carreira dos Sonhos, os profissionais brasileiros acreditam que as empresas nas quais trabalham não se preocupam com estes temas ou então tem um discurso, mas não praticam.

Nos últimos anos, muitas empresas se envolveram em iniciativas relacionadas à diversidade, representatividade e inclusão. Considerando os temas abaixo, como você percebe a sua empresa?

(Apenas respostas de quem escolheu a alternativa “não se preocupam com o tema” ou: tem discurso, mas não pratica”.)

Futuro do trabalho- diversidade e inclusão.2

Embora o cenário geral seja desanimador, um dado chama atenção de maneira positiva. Uma pequena parcela de profissionais diz que suas empresas não se preocupam ou tem discurso diferente da prática quando o foco são as iniciativas para estimular mulheres na liderança, o que significa que toda a discussão que tem sido realizada há tempos está gerando frutos! Ações de conscientização funcionam e precisamos promover mais conversas sobre inclusão de negros, LGBTQ+ e pessoas com deficiência no mercado de trabalho, além de continuar com os diálogos sobre mulheres.

E sejamos realistas, não podemos apenas “dar um tapa” na forma como as empresas encaram este tema, precisamos dar um reset na cultura organizacional!

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 19: 1-15 – PARTE I

Alimento diário - Comendo a Bíblia

Cristo é acusado diante de Pilatos

 

Aqui está um relato adicional do injusto julgamento que fizeram ao nosso Senhor Jesus. Os acusadores prosseguiram com o julgamento, com grande confusão entre o povo, e o juiz, com grande confusão no seu próprio seio. Entre ambos, a narrativa é tal, que não é facilmente entendida de maneira lógica. Portanto, devemos entender as partes como se apresentam.

I – O juiz maltrata o prisioneiro, embora o declare inocente, e espera, com isto, pacificar os acusadores. Sua intenção, se realmente fosse boa, de nenhuma maneira justificaria seus procedimentos, que eram evidentemente injustos.

1. Ele ordenou que Cristo fosse açoitado como um criminoso, v. 1. Pilatos, vendo o povo tão furioso, e desapontado no seu projeto de libertá-lo com a escolha do povo, “tomou, então, a Jesus e o açoitou”, isto é, ordenou aos lictores que o auxiliavam que o fizessem. Pilatos açoitou pessoalmente a Jesus, com suas próprias mãos, porque está escrito: “Tomou, então, a Jesus e o açoitou”, para que isto pudesse ser feito de maneira favorável. Mateus e Marcos mencionam seu açoitamento depois da sua condenação, mas aqui ele parece ter acontecido antes. Lucas fala de Pilatos propondo castigá-lo, e depois deixá-lo ir, o que deve ter acontecido antes da sentença. Este açoitamento se destinava somente a pacificar os judeus, e com ele Pilatos lhes fez um cumprimento, aceitando a palavra deles contra seus próprios sentimentos até então. Os açoitamentos romanos normalmente eram muito severos, não se limitando, como entre os judeus, a quarenta chibatadas, e a esta dor e vergonha Cristo se submeteu por nós.

(1) “Para que se cumprisse a Escritura”, que falava que Ele seria “aflito, ferido de Deus e oprimido”, que “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele” (Isaias 53.5), que Ele daria as costas aos que o feriam (Isaias 50.6), dos lavradores arando sobre suas costas, Salmos 129.3. Ele mesmo, da mesma maneira, tinha predito isto, Mateus 20.19; Marcos 10.34; Lucas 18.33.

(2) Para que, pelas suas pisaduras, fôssemos sarados, 1 Pedro 2.4. Nós, tendo conhecido qual era a vontade do nosso Senhor, e não a tendo cumprido, merecíamos ter sido castigados com açoites e escorpiões, e castigados com muitos açoites, mas Cristo submeteu-se aos açoites por nós, suportando a vara do furor do seu Pai, Lamentações 3.1. A intenção de Pilatos, ao açoitá-lo, era que Ele pudesse não ser condenado, o que não se realizou, mas indicou qual era o desejo de Deus, que seu açoitamento pudesse evitar nossa condenação, tendo nós comunhão nos seus sofrimentos, e isto sim, se realizou. O médico foi açoitado, e assim o paciente se curou.

(3) Para que o açoitamento, por causa dele, pudesse ser santificado e facilitado para seus seguidores, e para que eles pudessem, como Ele, alegrar-se naquela afronta (Atos 5.41; 16.22,25), como Paulo, que foi açoitado sem medida (2 Coríntios 11.23, versão RA). Os açoites em Jesus removem a dor dos açoites nos seus seguidores, e alteram sua propriedade. “Somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”, 1 Coríntios 11.32.

2. Ele entregou Jesus aos seus soldados, para ser ridicularizado, escarnecido, e motivo de brincadeiras, como um tolo (vv. 2,3): “Os soldados”, que eram a guarda que protegia o governador, “tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabeça”. Uma coroa como esta, eles julgavam adequada para um rei como este. “E lhe vestiram uma veste de púrpura”, algum casaco velho daquela cor, que eles julgaram suficientemente bom para ser o sinal da sua realeza. E o saudaram com: “Salve, rei dos judeus!” (tal povo, tal rei), e então “davam-lhe bofetadas”.

(1) Veja aqui a baixeza e a injustiça de Pilatos, que tolerava que alguém que ele acreditava ser inocente, e, neste caso, uma excelente pessoa, fosse assim maltratado e menosprezado pelos seus próprios servos. Aqueles que estão sob a detenção da lei, devem estar sob a proteção da lei, e o fato de que estejam protegidos deve ser sua segurança. Mas Pilatos fez isto:

[1] Para condescender com o bom humor dos seus soldados, e talvez o seu próprio, apesar da seriedade que poderíamos esperar ver em um juiz. Herodes, assim como seus soldados, pouco antes tinha feito a mesma coisa, Lucas 23.11. Foi praticamente uma encenação para eles, agora que era época de festa, assim como os filisteus se divertiram com Sansão.

[2] Para condescender com as más intenções dos judeus, e contentá-los, pois eles desejavam que toda desgraça possível pudesse ser feita a Cristo, e as maiores indignidades fossem colocadas sobre Ele.

(1) Veja aqui a rudeza e a insolência dos soldados, como eles se perderam completamente em relação a toda justiça e humanidade, podendo, desta maneira, triunfar sobre um homem em desgraça, e que tinha tido reputação de sabedoria e honra, e nunca fez nada para perdê-la. Mas, desta maneira, o santo Evangelho de Cristo tem sido, de modo desprezível, adulterado, enfeitado por homens perversos ao seu bel prazer, e exposto ao desprezo e ao ridículo, como Cristo o foi aqui.

[1] Eles o vestem com uma simulação de manto, como se fosse um fingimento e uma brincadeira, e nada além do produto de uma fantasia acalorada e de uma imaginação enlouquecida. E, assim como Cristo aqui é representado como um rei, somente de brincadeira, também seu Evangelho é um interesse, somente de brincadeira, e Deus e a alma, o pecado e o dever, o céu e o inferno, são, para muitos, somente quimeras.

[2] Eles o coroam com espinhos, como se o Evangelho de Cristo fosse um suplício perfeito, e a maior dificuldade e o maior sofrimento do mundo, como se submeter-se ao controle de Deus e da consciência fosse empurrar a cabeça em um arbusto de espinhos. Mas esta é uma avaliação injusta. “Espinhos e laços há no caminho do perverso”, mas rosas e louros, no caminho do Evangelho.

(2) Veja aqui a maravilhosa condescendência do nosso Senhor Jesus, nos seus sofrimentos por nós. As mentes grandiosas e generosas podem suportar qualquer coisa além da ignomínia, qualquer trabalho árduo, qualquer dor, qualquer perda, em lugar da reprovação. Mas a isto, o grande e santo Jesus se submeteu por nós. Veja e admire:

[1] A invencível paciência de um sofredor, deixando-nos um exemplo de satisfação e coragem, serenidade, e paz de espírito, sob as maiores dificuldades que podemos encontrar no caminho do dever.

[2] O invencível amor e bondade de um Salvador, que não somente passou por tudo isto alegremente e decididamente, mas voluntariamente o suportou por nós, e pela nossa salvação. Ele enaltece seu amor no fato de que não somente iria morrer por nós, mas morrer como morre um tolo.

Em primeiro lugar, Ele suportou a dor. Não somente as dores da morte, embora na morte na cruz elas fossem as mais agudas, mas, como se isto fosse pouco, Ele se submeteu a estas dores anteriores. Nós reclamamos de um espinho na carne, e nos deixamos esbofetear pela aflição, porque precisamos que isto nos oculte o orgulho, quando Cristo se humilhou para suportar estes espinhos na cabeça, e estas bofetadas, para nos salvar e ensinar? 2 Coríntios 12.7.

Em segundo lugar, Ele desprezou a afronta, a vergonha de um manto de tolo, e o respeito fingido que lhe foi prestado com: “Salve, rei dos judeus!” Se nós, em qualquer ocasião, formos ridicularizados por fazer o bem, não devemos nos envergonhar, mas glorificar a Deus, pois somos participantes dos sofrimentos de Cristo. Aquele que suportou estas honras fingidas foi recompensado com honras verdadeiras, e também nós o seremos, se suportarmos pacientemente a afronta, por amor a Ele.