ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 18: 28-40 – PARTE I

Alimento diário - Comendo a Bíblia

Cristo na Audiência. Cristo é acusado diante de Pilatos

 

I – A conversa de Pilatos com os acusadores. Eles foram chamados primeiro, e declararam o que tinham a dizer contra o prisioneiro, da maneira adequada, vv. 29-32.

1. O juiz chama para a acusação. Por não desejarem entrar na audiência, ele saiu para falar com eles no pátio diante da casa. Considerando Pilatos como um magistrado, para que possamos dar a cada um o que lhe é devido, aqui estão três coisas elogiáveis a seu respeito:

(1) Sua dedicação diligente e atenta ao trabalho. Se isto tivesse acontecido em uma boa ocasião, estaria muito bem, pois ele estava disposto a ser chamado cedo para o tribunal. Os homens que ocupam cargos públicos não de­ vem amar a comodidade.

(2) Sua condescendência com o estado de espírito das pessoas, abrindo mão da honra da sua posição para satisfazer seus escrúpulos. Ele poderia ter dito: “Se eles são tão detalhistas, a ponto de não entrar comigo, que vão para casa, da mesma maneira como vieram”. Pela mesma regra que nós poderíamos dizer: “Se o queixoso tiver escrúpulos em descobrir a cabeça diante do magistrado, que não seja ouvida sua queixa”. Mas Pilatos não insiste nisto, ele os tolera, e sai ao encontro deles, pois, quando é para o bem, nós devemos nos fazer “tudo para todos”.

(3) Sua obediência aos preceitos da justiça, pedindo a acusação, suspeitando que o processo fosse mal-intencionado: “Que acusação trazei s contra este homem?” Qual é o crime de que Ele é acusado, e que provas há disto?” Esta era uma lei da natureza, antes que Valério Publícola a transformasse em lei romana – Nenhum homem deve ser condenado sem ser ouvido. Veja Atos 25.16,17. É irracional prender um homem sem alegar algum motivo no mandato, e muito mais é prender um homem quando não há uma acusação formal contra ele.

2. Os acusadores exigem que Ele seja julgado sob a conjetura geral de que Ele fosse um criminoso, sem alegar, e muito menos provar, qualquer coisa em particular merecedora de morte ou de prisão (v. 30): “Se este não fosse malfeitor, não to entregaríamos”. Isto indica que eles foram:

(1) Muito rudes e grosseiros com Pilatos, um grupo de homens de má índole, que fingiam desprezar dominação. Quando Pilatos era tão complacente com eles, a ponto de sair para lidar com eles, eles estavam no pior estado de espírito em relação a ele. Ele lhes fez a pergunta mais razoável possível, mas, por mais absurda que fosse a pergunta, eles não poderiam tê-la respondido com mais desdém.

(2) Muito malévolos e maldosos com relação ao nosso Senhor Jesus: certos ou errados, eles o consideravam um malfeitor, e o tratavam como tal. Nós devemos supor que um homem seja inocente, até que seja provado culpado, mas eles supunham que era culpado aquele que podia provar que era inocente. Eles não podem dizer: “Ele é um traidor, um assassino, um criminoso, uma pessoa que perturba a paz”, mas dizem: “Ele é um malfeitor”. Um malfeitor, Ele, que só se dedicava a fazer o bem! Que sejam chamados aqueles a quem Ele tinha curado, e alimentado, e ensinado, a quem Ele tinha libertado de demônios, e ressuscitado dos mortos, e que respondam se Ele é um malfeitor ou não. Observe que não é novidade que o melhor dos benfeitores seja considerado e perseguido como o pior dos malfeitores.

(2) Muito orgulhosos e convencidos de si mesmos, e do seu próprio julgamento e da sua própria justiça, como se entregar um homem com a descrição geral de ser um malfeitor fosse suficiente para que um magistrado civil pudesse basear uma sentença judicial. Poderia isto ser mais presunçoso?

3. O juiz o devolve ao tribunal deles (v. 31): “‘Levai-o vós e julgai-o segundo a vossa lei’, e não me perturbeis a respeito dele”. Agora:

(1) Alguns opinam que Pilatos aqui os elogiou, reconhecendo os remanescentes da sua autoridade, permitindo que eles a exercessem. Eles podiam infligir a punição corporal, como o açoitamento, nas suas sinagogas. Se era para crimes capitais ou não, não se sabe. “Mas”, diz Pilatos, “vão até onde sua lei lhes permitir, e, se forem mais além, isto lhes será tolerado”. Isto, ele disse, desejando agradar aos judeus, mas sem disposição de fazer-lhes o serviço que eles lhe pediam.

(2) Outros julgam que ele os desafiou, e os reprovou pela sua atual condição de fraqueza e submissão. Eles desejavam ser os únicos juízes da culpa. “Ora”, diz Pilatos, “se vocês desejam isso, prossigam como começaram. Vocês o consideraram culpado pela sua própria lei, então condenem-no, se ousarem fazê-lo, pela sua própria lei, prosseguindo em sua disposição”. Nada é mais absurdo, nem merece mais ser exposto, do que o fato de que aqueles que pretendem mandar, e se orgulham da sua sabedoria, sejam fracos e estejam em posições subordinadas, e cujo destino é receber ordens. Alguns pensam que Pilatos aqui reflete sobre a lei de Moisés, como se ela lhes permitisse o que a lei romana, de nenhuma maneira, lhes permitiria – o julgamento de um homem sem ouvi-lo. “Pode ser que sua lei permita uma coisa como esta, mas a nossa não”. Assim, por meio das suas corrupções, a lei de Deus sofreu blasfêmia, e também seu Evangelho.

4. Eles não possuem nenhuma autoridade como juízes, e (como deve ser) se satisfazem em ser acusadores. Agora eles ficam menos insolentes e mais submissos, e admitem: “A nós não nos é lícito matar pessoa alguma”, independentemente de qualquer castigo menor que possamos infligir, e este é um malfeitor cujo sangue nós desejamos”.

(1) Alguns pensam que eles tinham perdido sua autoridade de julgar as questões de vida e morte somente pelo seu próprio descuido, e covardemente se renderam às iniquidades da época – Não temos a autoridade de condenar ninguém à morte. Se o fizermos, teremos a revolta da multidão imediatamente.

(2) Outros supõem que sua autoridade lhes foi tirada pelos romanos, porque não a usavam bem, ou porque era uma responsabilidade grande demais para estar nas mãos de um povo conquistado, e ainda assim indomado. O fato de que reconhecessem isto pretendia ser um cumprimento a Pilatos, compensando sua rudeza (v. 30), mas acaba sendo uma evidência completa de que o cetro tinha se arredado de Judá, e por isto agora tinha vindo o Messias, Gênesis 49.10. Se os judeus não têm autoridade de condenar ninguém à morte, onde está o cetro? Mas eles não perguntam: Onde está Siló?

(3) No entanto, havia uma providência divina nisto, para que eles não tivessem a autoridade de levar nenhum homem à morte, ou para que não recusassem o exercício desta autoridade nesta ocasião, “para que se cumprisse a palavra que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer”, v. 32. Observe:

[1] Em geral, que isto ocorria para que até mesmo aqueles que desejavam a derrota das palavras de Cristo fossem, além da sua intenção, empregados para o cumprimento delas, pela mão dominadora de Deus. Nem uma só palavra de Cristo caiu por terra. Ele não pode enganar nem ser enganado. Mesmo os principais dos sacerdotes, embora o tivessem perseguido como um enganador, tencionavam, no seu espírito, ajudar a provar que Ele era ver­ dadeiro, quando nós pensaríamos que, tomando outras medidas, eles poderiam ter contrariado suas predições. ”Ainda que ele não cuide assim”, Isaías 10.7.

[2] Em particular, estas palavras de Cristo se cumpriram quando Ele falou da sua própria morte. Duas coisas que Cristo disse a respeito da sua morte se cumpriram, quando os judeus se recusaram a julgá-lo de acordo com sua lei:

Em primeiro lugar, Ele tinha dito que seria entregue aos gentios, e que eles o condenariam à morte (Mateus 20.19; Marcos 10.33; Lucas 18.32,33), e com isto estas palavras se cumpriram.

Em segundo lugar, Ele tinha dito que seria crucificado (Mateus 20.19; 26.2), e levantado, cap. 3.14; 12.32. Se eles o tivessem julgado pela sua lei, Ele teria sido apedrejado. As mortes pelo fogo, pela asfixia e pela decapitação eram, em alguns casos, usadas entre os judeus, mas nunca a crucificação. Por isto, era necessário que Cristo fosse condenado à morte pelos romanos, para que, estando pendurado em um madeiro, pudesse fazer-se maldição por nós (Gálatas 3.13), e suas mãos e seus pés pudessem ser perfurados. Assim como o poder romano o tinha trazido para nascer em Belém, também agora o levava para morrer sobre uma cruz, e nos dois casos, segundo as Escrituras. Da mesma maneira, está determinado a nosso respeito, embora não nos seja revelado, que morte teremos, e isto deve nos libertar de todas as inquietantes preocupações sobre este assunto. “Senhor, o que, e quando, e como tiveres determinado”.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.