ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 18: 13-27 – PARTE V

Alimento diário - Comendo a Bíblia

A queda de Pedro. Cristo é levado a juízo. Pedro nega a Cristo novamente

 

 V – Enquanto os juízes o interrogavam, os criados que ali estavam o maltratavam, vv. 22,23.

1. Foi uma ofensa vil, aquela que um dos servidores lhe fez. Embora Ele falasse com tanta calma e apresentasse evidências convincentes, este sujeito insolente o esbofeteou com a palma da sua mão, provavelmente na lateral da sua cabeça ou do seu rosto, dizendo: ”Assim respondes ao sumo sacerdote?” Como se Ele tivesse se comportado de maneira rude no tribunal.

(1) Ele o golpeou, ele lhe deu uma bofetada. Alguns pensam que isto significa um golpe com uma vara, ou com o bastão que era o símbolo do seu cargo. Agora se cumpriam as Escrituras (Isaias 50.6): “Dou minha face”, “aos golpes”, esta foi a terminologia utilizada nos originais. E Miquéias 5.1: “Ferirão com a vara no queixo ao juiz de Israel”, e a resposta (Jó 16.10): “Com desprezo me feriram nos queixos”. Era injusto ferir a alguém que não tinha dito ou feito nada de errado. Era insolente que um mero servo golpeasse a alguém que era declaradamente uma pessoa de importância. Era covardia golpear a alguém que tinha suas mãos amarradas, e bárbaro, ferir um prisioneiro no tribunal. Aqui houve uma brecha na paz perante o tribunal, e ainda assim os juízes o permitiram. A confusão no rosto era nossa obrigação, mas aqui Cristo a toma para si: “Sobre mim venham a maldição e a vergonha”.

 (2) Ele o repreendeu de uma maneira imperiosa e insolente: ”Assim respondes ao sumo sacerdote?” Como se o bendito Jesus não fosse suficientemente bom para falar ao seu senhor, nem suficientemente prudente para saber como se dirigir a ele, mas, como um prisioneiro rude e ignorante, devesse ser controlado pelo carcereiro, e ensinado como devia se comportar. Alguns dos antigos sugerem que este servidor era Malco, que devia a Cristo a cura da sua orelha, e a salvação da sua cabeça, e ainda assim lhe faz esta terrível retribuição. Mas, seja como for, isto foi feito para agradar ao sumo sacerdote, e para bajulá-lo, pois o que ele dizia sugeria uma inveja pela dignidade do sumo sacerdote. Aos governantes ímpios, não faltarão servidores ímpios, que irão ajudar a aumentar a aflição daqueles a quem seus senhores per­ seguem. Houve um sucessor deste sumo sacerdote que ordenou que os presentes ferissem a Paulo, desta maneira, na boca, Atos 23.2. Alguns pensam que este servidor julgou-se ofendido pelo apelo de Cristo àqueles presente s a respeito da sua doutrina, como se Ele tivesse garantido que ele poderia ser uma testemunha. E talvez este fosse um daqueles servidores que tinham falado honradamente sobre Ele (cap. 7.46), e, para que não fosse agora julgado um amigo secreto de Cristo, assim parece ser um inimigo amargo.

2. Cristo suportou esta afronta com maravilhosa mansidão e paciência (v. 23): “‘Se falei mal’, no que disse agora, ‘dá testemunho do mal’. Mencione isto ao tribunal, e que eles, que são os juízes apropriados, o julguem. Mas, se bem, e como me convinha, ‘porque me feres?”‘ Cristo poderia ter-lhe respondido com um milagre de ira, poderia tê-lo feito ficar mudo ou morrer, ou ter secado a mão que se erguia contra Ele. Mas este era o dia da sua paciência e do seu sofrimento, e Ele lhes respondeu com a mansidão da sabedoria, para nos ensinar a não nos vingarmos, a não devolvermos insulto por insulto, mas, com a simplicidade da pomba, suportar as ofensas, mesmo quando, com a prudência da serpente, como nosso Salvador, nós mostrarmos como são injustas, e apelamos ao magistrado a respeito delas. Cristo aqui não ofereceu a outra face, e por isto parece que esta regra, Mateus 5.39, não deve ser interpretada de maneira literal. Um homem pode, possivelmente, oferecer a outra face, e ainda ter seu coração cheio de maldade. Mas, comparando o preceito de Cristo com seu padrão, vemos:

(1) Que, em tais casos, nós não devemos vingar a nós mesmos, nem julgar nossa própria causa. Nós devemos receber, e não desferir, o segundo golpe, que cria a disputa. Nós temos permissão de nos defendermos, mas não de nos vingarmos. O magistrado (se for necessário, para a preservação da paz pública, e para a contenção e intimidação dos malfeitores) deve ser o vingador, Romanos 13.4.

(2) Nosso ressentimento pelas ofensas feitas a nós deve sempre ser racional, e nunca passional. Assim era o de Cristo, aqui. Quando Ele sofria, Ele argumentava, mas não ameaçava. Ele admoestou, com razão, àquele que lhe tinha ofendido, e a mesma coisa nós podemos fazer.

(3) Quando somos chamados ao sofrimento, devemos nos acomodar às inconveniências de uma condição de sofrimento, com paciência, e por uma indignidade feita a nós, devemos estar preparados para receber outra, e assim fazer o melhor uso delas.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.