PSICOLOGIA ANALÍTICA

A CONQUISTA DO EQUILÍBRIO EMOCIONAL

Cada dia ganha mais importância o equilíbrio emocional para o bem-estar da pessoa. Portanto, é imprescindível descobrir como desenvolvê-lo antes que seja tarde.

A conquista do equilíbrio emocional

A busca pelo equilíbrio emocional está cada vez mais frequente, independentemente de sexo e idade. A habilidade em se conhecer e lidar com os próprios sentimentos, sabendo se adaptar às diferentes situações e expressar seus pensamentos e sentimentos de maneira saudável para si mesma e para o outro, faz parte dessa busca. Para nós mulheres, essa busca fica ainda mais forte após a maternidade.

Em meu processo de autoconhecimento tenho percebido uma relação entre equilíbrio emocional e a nossa criança interior.

Acredito que com a maternidade abrimos um portal e entramos em contato com nossos medos, sombras e inseguranças que nos colocam em contato com nossa criança interior. Atravessar esse portal é uma escolha que exige de nós muita coragem e o desejo de se conhecer melhor.

No processo de coaching, trabalho sete passos para despertar sua criança interior, buscar seu autoconhecimento e, enfim, encontrar seu equilíbrio emocional. Talvez a paciência que você procura tanto esteja guardada lá, juntamente a essa “criança”.

O maior presente que podemos dar aos nossos filhos é criar espaços e encorajamento para que saibam lidar com eles mesmos, para que eles possam se conhecer e cuidar de suas emoções. Aprendemos isso à medida que também estamos aprendendo a enfrentar nossas emoções e frustrações. Principalmente essas frustrações.

Esse processo passa por fazer uma viagem à criança interior que fomos, que vive dentro de nós e nomeamos esses sentimentos, assim como validamos o que ela sente. Podem existir raiva reprimida, repressões, desamparo, desamor, etc. Talvez tenhamos a experiência de que sentir raiva é errado ou ruim e vamos nos distanciando de quem realmente podemos ser, idealizando quem deveríamos ser num lugar de uma autoimagem de perfeição. Quantas repressões, rótulos, punições, passamos desde a infância? Como é esse mundo interior de cada um de nós?

O trabalho de acolher a menina que ficava chorando sem saber ou ter recursos para se acalmar; perdoar os gritos ou punições é aprender a ressignificar. Depois que estamos no nosso centro, ficamos livres das emoções conturbadas por feridas internas escondidas que, sem querer, nossos filhos trazem à tona em uma experiência de luz e sombra.

Depois que nos acolhermos e nos encorajamos, conseguiremos ser esse pilar firme e amoroso para auxiliar nossos filhos a atravessar os momentos emocionais desafiadores deles. Sem punir, sem se afastar, sem negligenciar ou adicionar vergonha e culpa. É uma tarefa fácil? Certamente que não. Como você está nesse processo? Somos uma primeira geração de pais e mães repletos de informação e conteúdo; mais são necessárias paciência e persistência, já que estamos limpando séculos de comportamentos pautados na ameaça, na sensação de falta e medo como forma de educar. E, então, esse processo começa com autoconhecimento.

Hoje em dia, contamos com uma gama de informações, conteúdos, técnicas e recursos que abordam como encontrar o equilíbrio para lidar com um mundo frenético.

Também existem técnicas que ensinam a acalmar a mente e os pensamentos, acelerado assim, como a ouvir a própria respiração, a intuição, a alma. A meditação é uma delas.

Segundo 0sho, sempre que seu ego estiver preenchido, você se sentirá feliz. Mas contentamento é outro fenômeno, completamente diferente. Não pode ser prazer, pois não é fisiológico. Não pode ser alegria, pois não há preenchimento de sua entidade. Meditação é isso: a junção, a dissolução em meio ao todo, esquecendo completamente que você é algo separado, lembrando apenas de sua unidade com o todo. É por isso que Gurdjieff costumava chamar seu processo de meditação de “auto- lembrança”. Já Buda chamava sua meditação de “lembrança correta”.

Não importa quanto tempo irá levar ou qual será o preço: é preciso estar pronto. Uma vez que você esteja pronto, não será difícil. É esse estado de espírito que faz com que você se torne merecedor desse enorme contentamento, e as coisas passam a ser então, simples.

BAGAGEM EMOCIONAL

Outros métodos como o processo de coaching, assim como um processo terapêutico podem apoiar e organizar todo o conteúdo interior e começar a eliminar a desordem emocional interior. À medida que verbalizamos passamos a organizar. A escrita também é um recurso curativo que pode ser considerado.

A maioria das pessoas carrega algum tipo de bagagem emocional. Isso nos envelhece prematuramente e se interpõe no caminho de tudo o que queremos fazer.

Uma das piores formas de desordem emocional é a que resulta de mágoas. Olhe profundamente dentro de si mesmo para ver quem ou o que você precisa perdoar. Entre em contato com essa criança interior. Existem alguns segredos guardados a quatro chaves.  Segredos que só você conhece, que só você sabe. Talvez estejam tão bem guardados que você nem se lembra direito quando aconteceram.

Há lembranças bem guardadas em seu coração e que podem fazer muito bem, enquanto outras têm o efeito contrário.

Existem memórias guardadas bem dentro de você, desde a sua infância sobre a falta de amor ou   de cuidado, o desamparo, a solidão, a dor, a insegurança, o abandono, a vergonha, a culpa, e o medo.

Há algumas perguntas que podemos nos fazer para investigar essas memórias e tornar consciente tudo o que nos faz mal, para trabalhar com isso conscientemente. Só assim é possível se libertar.

O processo de autoconhecimento traz luz às suas sombras, pois só temos a oportunidade de trabalhar e evoluir o que vemos claramente. O que está escondido nas sombras não há como ser desenvolvido.

No livro O Milagre da Manhã, o autor menciona sobre o silêncio e ensina técnicas para auxiliar essa organização emocional nos primeiros minutos ou horas da manhã.

O silêncio é uma das melhores maneiras para reduzir o estresse imediatamente, enquanto aumenta sua autoconsciência e proporciona a clareza que lhe permitirá manter o foco em seus objetivos, suas prioridades e o que é mais importante: para sua vida a cada dia.

Algumas atividades para praticar durante seu período de silêncio sem nenhuma ordem específica, seguidas por uma simples meditação para você começar podem ser: meditação, oração, reflexão,   respiração profunda, gratidão.

PERDÃO

Eu incluo nesse processo entrar em contato com o perdão, o processo de se perdoar, afinal, o perdão liberta você!

Você se beneficia imensamente, assim como quem está ao seu redor, quando escolhe perdoar. Quer você precise perdoar outros ou perdoar a você mesma, ao fazê-lo, você se libertai do passado e se permite realizar seu verdadeiro potencial.

O perdão permite que você se livre de crenças e atitudes limitadas. Ele liberta sua energia mental e emocional para que, assim, você possa aplicá-la para criar uma vida melhor.

O perdão ajuda você a alcançar seu objetivo, mesmo os mais práticos e imediatos. Talvez você queira um trabalho melhor para ganhar mais dinheiro, deseja ter relacionamentos melhores ou   viver em um lugar mais agradável. O perdão ajuda você a alcançar tudo isso. Se você não perdoou, uma parte de sua energia interna de vida fica presa ao ressentimento, raiva, dor ou a algum tipo de sofrimento. Então, essa energia de vida que está presa irá limitar você. É como tentar andar de bicicleta freando o tempo todo. Isso atrasa e frustra, fazendo com que seja difícil continuar.

Quando você perdoa, você se torna um marido ou esposa melhor, você se transforma em um aluno ou professor superior, você se faz um melhor empregado ou empregador e se torna uma melhor mãe ou filha. Quando você é capaz de perdoar você se abre ao sucesso, seja o que ele significar para você. Conforme você aprende a perdoar, o que parecia impossível não apenas se torna possível, mas até mesmo mais fácil de alcançar.

Conforme você aprende a perdoar, habilidades que estavam adormecidas irão emergir e você irá descobrir que é muito mais forte e capaz do que imaginava ser. Partes de você – que não podem florescer no solo frígido da falta de perdão – irão começar a crescer. Você começará a livrar-se de    apertos e dificuldades. Encontrará um fluxo fácil e a vida será muito mais prazerosa e muito mais agradável.

O objetivo do meu trabalho é ajudar mães a identificarem as possíveis causais de suas dores passadas e que ainda se fazem presentes. Cada um tem dentro de si uma criança de 3 ou 4 anos e passa a maior parte da vida gritando ou ignorando-a. Ninguém teve uma infância perfeita. Todos nós carregamos questões inconscientes que não foram resolvidas. Sabemos que a maioria das   pessoas não recebeu atenção adequada quando criança. Por isso o resgate da criança interior se torna uma das tarefas mais importantes, pois quando adultos tendemos a nos tratar do mesmo modo como fomos tratados quando criança. A compreensão das vivências de infância depois de adultos pode proporcionar novas e importantes descobertas. É necessário reviver a emoção original para entrar em contato com os reais sentimentos e falar sobre eles, visto que não são os traumas da infância que nos tornam emocionalmente doentes, mas a incapacidade de compreendê-los e expressá-los.

Em termos psicológicos, a criança interior é um símbolo que expressa a totalidade psíquica. A criança por si só tende a ser corajosa, ousada, desafiadora, sendo uma de nossas maiores fontes de criatividade e amor. Quando entramos em contato com nossa criança, por mais que nos lembremos da dor que ela sentiu, também resgatamos a alegria que ela sente de viver, crescer e possa finalmente, ser ela mesma.

A sensação de ter valor – sou uma pessoa de valor – é essencial à saúde mental. O self genuíno é um     tesouro que cada um de nós tem para descobrir.  Encontre sua verdade pessoal, pois ela te pertence! Essa verdade pode provocar muita dor antes de oferecer uma nova dimensão de liberdade interna. Quando crianças, não tínhamos como nos defender nem modificar ou entendermos a realidade, mas agora adultos, podemos. Hoje temos muitos recursos para trabalhar esse resgate da sua criança interior, entre eles o auto­conhecimento e a meditação.

NATUREZA

No livro A Linguagem do Corpo, a autora reforça a importância de estar em contato com a natureza, já que é dela que são tirados todos os recursos e estímulos para a conexão interior. Então, se você tiver recursos para investir em um processo agora, entre em contato com sua   natureza interior. Comece a fazer algo por você agora.

Tudo que você decidir fazer, realize-o imediatamente. Não deixe para o período vespertino aquilo que você pode realizar pela manhã.

A busca pela perfeição exige um esforço constante. Não desanime e saiba que, por pequeno que seja o resultado obtido de seu trabalho, você já estará evoluindo.

Ande descalça sobre a terra, procurando descarregar todas as tensões diárias, pois somos mesmo uma antena captadora de energias e é pelos nossos pés que são eliminadas as energias negativas no plano da terra.

Respire profunda e lentamente para dar tempo ao organismo de realizar perfeitamente as trocas gasosas por meio das células.

Procure manter seu rosto livre de tensões e passe a observá-lo melhor.

Quando você der de cara com aquele sol maravilhoso da manhã, abra os braços como se fosse abraçá-lo e receba dele toda a energia necessária para sua vida.,

Exercite seu pescoço olhando por um bom tempo as nuvens que passam no céu, porque isso o ajudará a sair da depressão e deixará seu pescoço esticadinho.

Ouça os pássaros cantando pois eles possuem harmonia no som que emitem e nosso organismo recebe essa vibração como sinal de saúde e paz.

Nosso corpo é regido por vibrações. Por isso, necessitamos de boas frequências musicais e sonoras para mantermos o ritmo sanguíneo equilibrado.

Os exercícios de relaxamento são desenvolvidos a partir de observações da natureza e dos animais. Sendo assim, cabe a você estar livre de preconceitos para copiar e fundir-se com sabedoria ao ar, à terra, à água e ao fogo.

Mantenha a paz em seu coração em todos os momentos de sua vida e seja prudente ao analisar suas intuições, pois só assim você conseguirá alcançar seu equilíbrio emocional. Sorria sempre! 

A conquista do equilíbrio emocional.2          

TIPOS DE MEDITAÇÃO

Existem vários tipos de meditação e é necessário encontrar a técnica que faz sentido para você, ou seja, que seja coerente com seu estilo de vida. Para que esse silêncio interior não seja um incômodo, um vazio, mas sim um preenchimento. Sobre encontrar quem você realmente é.

Alguns benefícios da meditação segundo o autor do livro Atenção Plena

Estudos mostram que os meditadores regulares são mais felizes e mais satisfeitos do que a média das pessoas.

Esses resultados têm uma importante repercussão na saúde, já que as emoções positivas estão associadas a uma vida mais longa e saudável.

A ansiedade, a depressão e a irritabilidade diminuem com sessões de meditação regulares.

A memória melhora, as reações se tornam mais rápidas e o vigor mental e físico aumenta;

Os meditadores regulares têm relacionamentos melhores e mais gratificantes. Estudos feitos no mundo todo comprovam que a prática da meditação reduz os principais indicadores do estresse crônicos, inclusive a hipertensão.

A meditação é eficaz também para reduzir o impacto de doenças graves como dor crônica e câncer, podendo até auxiliar no combate à dependência de drogas e Álcool.

Além disso, pesquisas mostram que a meditação fortalece o sistema imunológico, ajudando a combater resfriados, gripe e outras doenças;

A atenção plena surge espontaneamente do modo existente quando aprendemos a prestar atenção deliberada no momento presente e sem julgamento, nas coisas como de fato são;

Exercitar, estar presente é um desafio em tempos da era cibernética, quando estamos conectados a pessoas que não estão fisicamente presentes.

CINCO PONTOS

Se fosse para resumir em cinco pontos corno desenvolver seu equilíbrio emocional antes que seja tarde eu diria:

Encontre o seu propósito de vida: viver tem um sentido diferente para cada pessoa. Busque vivenciar o que faz sentido para você. Descubra quais são seus principais valores, busque constantemente seu auto -conhecimento, encontre qual é o seu propósito, qual a sua obra e para que você vive. Escreva a história que você quer contar para os seus netos:

Tenha foco nos seus objetivos e saiba aproveitar o presente: construa metas e sonhos, tanto pessoais quanto profissionais, saiba o que o faz levantar todos os dias. Pratique uma atividade física, se alimente bem, beba bastante água, se cerque das pessoas que você ama e, acima de tudo, tenha tempo par as pessoas que você adora. Quando estiver com elas, esteja de verdade. Fale olhando nos olhos, escute o que elas têm a dizer, desligue o celular e aproveite quem está com você. Quando assumir um compromisso, principalmente com você mesmo, cumpra. Todos os pensamentos e promessas que você faz a si mesmo vão leva-la a construir sua relação com você e com as outras pessoas;

Faça uma gestão estratégica: trabalhe com base em foco, tenha sempre um objetivo claro, planejamento, estruture seu plano de ações para seus objetivos, determine prazos para toda ação que se planejar para fazer pois sem prazo a procrastinação acaba ganhando. Avalie e mensure constantemente se o seu percurso está alinhado com a meta principal. Aprenda a comemorar as pequenas coisas. Isso a motivará a continuar.

Pratique a gratidão até mesmo nos momentos mais desafiadores. Quem reclama, clama por mais problemas, quem agradece, agradece e, com certeza, atrai mais energia e positividade para sua vida.

Nunca se esqueça: você é a pessoa mais importante do seu mundo!

Se você não se priorizar, dificilmente alguém o fará.

Para que seus relacionamentos estejam bem e haja equilíbrio entre todos os setores da sua vida, você precisa olhar para você e avaliar: “Como eu estou hoje? O que me faz feliz? O que me preenche e realiza? Isso vale a pena?”.

A conquista do equilíbrio emocional.3

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OUTROS OLHARES

DEUSES NÃO, ABUSADORES DE MULHERES

 Denunciado por assédio sexual e estupros de centenas de pacientes espirituais, João de Deus segue a trilha perversa de Roger Abdelmassih e vê sua reputação aniquilada do dia para a noite.

Deuses não, abusadores de mulheres

O médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, vinha exercendo tranquilamente seus supostos poderes paranormais em Abadiânia, Goiás, há 44 anos. Graças à sua fama, o lugar virou um dos principais polos de peregrinação espiritual do mundo. Chamada de centro de medicina da alma, a Casa de Dom Inácio de Loyola atraia pelo menos dez mil pessoas para a cidade todos os meses, boa parte estrangeiros, e parecia um lugar abençoado, repleto de entidades mágicas onde as pessoas procuravam e encontravam algum tipo de cura e paz de espírito. Pura ilusão. Mostrou-se agora que o lar de João de Deus era também um templo da perdição. Uma sala privativa localizada na saída do espaço de atendimento coletivo funcionava como o covil de um assediador em série.

As mulheres iam buscar consolo para a alma em consultas individuais, normalmente convocadas pelo próprio médium, e se deparavam com ele seminu, fazendo atos obscenos e prometendo a cura para as que tocassem em seu pênis.

João de Deus, de 76 anos, é mais um típico caso de um homem poderoso e protegido que age descontroladamente com a crença na impunidade, sem perceber que o mundo mudou. As primeiras denúncias que vieram a público indicam que ele tem cometido abusos persistentes desde os anos 1990 pelo menos, contra brasileiras e estrangeiras. Seu caso se assemelha muito ao do ex-médico Roger Abdelmassih, que atacou dezenas de mulheres por duas décadas durante as consultas em sua clínica de reprodução assistida, em São Paulo. Como Abdelmassih, João de Deus também se valia de sua condição de superioridade sobre as mulheres para tentar abusar delas. Ambos atacavam suas vítimas em momentos de fragilidade. Se na clínica do ex-médico elas tinham o sonho de um filho, na Casa Dom Inácio elas buscavam uma cura milagrosa. Mas nos dois casos acabaram encontrando o sofrimento e o trauma. Abdelmassih acabou condenado em 2010 a 181 anos de cadeia por 56 casos de violência sexual contra 39 mulheres e hoje cumpre pena em casa. A Promotoria de Justiça de Goiás solicitou, quarta-feira 12, a prisão preventiva de João de Deus.

“Estamos recebendo denúncias contra o médium há três meses e os dois casos são muito semelhantes”, diz a psicóloga Maria do Carmo Santos, presidente da ONG Vítimas Unidas, criada por pacientes abusadas pelo ex-médico e que está dando apoio para as vítimas de João de Deus. “São pessoas que não se conhecem e contam a mesma história. É bem parecido com o que aconteceu no caso de Abdelmassih.” O ritmo inicial de crescimento do número de denúncias contra João de Deus é assombroso e maior que o de Abdelmassih. As primeiras acusações vieram à tona no programa Conversa com Bial, na Rede Globo, na sexta-feira 7. A primeira vítima a se identificar foi a coreógrafa holandesa Zahira Leeneke Maus, que acusou o médium de estupro. Nos dias seguintes, as acusações se multiplicaram. Outras mulheres como a empresária paulistana Aline Saleh, 29 anos, e a estudante paranaense Sarah Varnier, 24 anos, também mostraram o rosto. O Ministério Público e a Polícia Civil de Goiás criaram duas forças-tarefas para acelerar o fluxo de denúncias e os trabalhos de investigação. No Ministério Público de São Paulo foi criado um grupo especial que vem sendo procurado por dezenas de mulheres.

Até a última quarta-feira, 258 mulheres haviam entrado em contato por e-mail, telefone ou pessoalmente com a promotoria de Goiás para acusar João de Deus. Em São Paulo, outras 12 vítimas já foram ouvidas, 23 estão agendadas para fazer seus relatos nos próximos dias e 38 enviaram e-mails com pedidos para formalizarem suas denúncias. “Os ataques envolvem desde mulheres muito jovens, pré-adolescentes, até mulheres adultas, todas abusadas num momento de extrema fragilidade”, afirma a promotora Valéria Scarance, coordenadora do núcleo de gênero do Ministério Público de São Paulo, que participa da força-tarefa- “Elas noticiam, de uma forma geral, a prática do abuso sexual e no momento inicial do abuso acreditavam que se tratava de um procedimento espiritual. Sabemos que muitas mulheres que se opuseram a João de Deus sofreram ameaças.”

Uma das vítimas que denunciou o médium na última terça-feira foi a dona de casa Maria (nome fictício), de 41 anos, moradora de Valparaíso, em Goiás, que diz ter sido atacada por João de Deus em 1999, aos 19 anos. Naquele tempo, ela estava deprimida e buscava tratamento na Casa Dom Inácio. Foi selecionada para um encontro individual com o médium, na mesma sala onde todas as mulheres denunciam a prática de abusos. “Ele me apertou contra a parede e começou a me passar a mão, enquanto tremia e gemia ofegante no meu ouvido”, contou Maria à ISTOÉ. “Falou que eu ficaria boa se seguisse suas orientações e colocou a minha mão dentro da calça dele. Depois empurrou meu ombro para eu me ajoelhar e tentou me forçar a fazer sexo oral”. Até hoje, ela vive os traumas do abuso. “Nunca falei nada porque me sentia culpada e não imaginava que houvesse outras vítimas. Assim que soube disso, resolvi imediatamente denunciá-lo”

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FOLHA CORRIDA

“Místicos e religiosos utilizam crenças milenares para cometer abusos”, afirma a ativista Sabrina Bittencourt, que coordena o movimento Combate ao Abuso no Meio Espiritual (Coame) e recebeu as primeiras denúncias contra João de Deus. “Eles seduzem as mulheres dizendo que elas são privilegiadas por serem tocadas por um homem santo.” Sabrina também contribuiu para as denúncias contra o guru Sri Prem Baba, acusado de assédio em agosto passado por várias discípulas de sua comunidade. João de Deus tem uma folha corrida considerável. Além de denúncias de charlatanismo e prática ilegal da medicina, ele já foi acusado de seduzir uma menina menor de idade, em 2012, mas acabou absolvido por falta de provas. Também já foi acusado de atentado violento ao pudor, contrabando de minério e assassinato. O médium tem onze filhos. Há uma ação movida por uma de suas filhas, Dalva Teixeira, por abusos. Dalva diz que foi molestada pelo pai dos 9 aos 14 anos.

Na última quarta-feira, 12, João de Deus esteve na casa Dom Inácio, mas passou pouco tempo por ali. Abatido, mais magro, fez uma rápida oração, alegou uma crise de pressão alta e saiu rapidamente, cercado por um cordão humano de seguidores devotados. Numa curta declaração, reafirmou sua inocência. Deixou também um recado: “Meus queridos irmãos e minhas queridas irmãs, agradeço a Deus por estar aqui. Ainda sou irmão de Deus, mas quero cumprir a lei brasileira porque estou na mão da lei brasileira. João de Deus ainda está vivo”. Seu advogado, Alberto Toron, disse que o médium nega enfaticamente as acusações contra ele, e que está à disposição das autoridades para esclarecimentos. A apresentadora americana Oprah Winfrey, que promoveu o médium internacionalmente, retirou do ar vídeos com João Deus no YouTube depois das denúncias. Oprah disse que tem empatia pelas mulheres e “espera que a Justiça seja feita”.

Em geral, abusadores como João Faria e Abdelmassih acreditam que são seres iluminados, acima do bem e do mal, e se enxergam como semideuses. São homens que se sentem numa condição superior e fazem o que querem, sem temer as consequências. Repetem seus atos condenáveis de uma maneira padronizada e carecem de capacidade de empatia e misericórdia. Para o psicoterapeuta junguiano Marcos Callia tanto o caso de João de Deus como o de Abdelmassih expõem o lado obscuro da natureza humana, o chamado “efeito sombra”. “Eles são tratados como seres iluminados e de repente revelam uma sombra tão potente como seus atributos divinos”, diz Callia. “Isso cria uma efeito devastador sobre a credibilidade desses homens, que se transformam em farsantes.”

Os primeiros sinais de que João de Deus caiu em desgraça são evidentes. A Paris Filmes suspendeu a distribuição do filme “João de Deus – o silêncio é uma prece” e a editora Companhia das Letras interrompeu as vendas da biografia “João de Deus – um médium no coração do Brasil”. A própria existência da Casa Dom Inácio está ameaçada. O Ministério Público de Goiás estuda a interdição do centro. Resta saber como ficará Abadiânia, um município de 19 mil habitantes que é completamente dependente do turismo místico. Tem 1,5 mil quartos de pousadas para hospedagem que registram uma ocupação média de 80%, principalmente entre quarta e sexta-feira, dias de atendimentos espirituais. Sem o carisma do médium, essa economia tende a declinar, na mesma intensidade que a crença de seus adeptos.

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GESTÃO E CARREIRA

5 CUIDADOS PARA A HUMANIZAÇÃO NAS EMPRESAS

Humanização exige cautela, pois praticada sem equilíbrio pode prejudicar a produtividade dos colaboradores.

5 cuidados para a humanização nas empresas.2

Em um mundo onde a tecnologia abriu canais públicos de comunicação e conexão, os recursos humanos enfrentam um novo desafio. As pessoas procuram locais de trabalho mais humanizados, onde a abertura é o padrão para a comunicação, a voz do colaborador é ouvida e os integrantes de cada equipe se sentem especiais, significativos e conectados.

Home office, mesa de bilhar, happy hours, levar o pet para o trabalho, reuniões de feedback e folga no dia do aniversário são alguns benefícios que chamam a atenção para quem está procurando um ambiente de trabalho mais humanizado.

“Embora concentrar-se nos aspectos humanos seja fundamental para que os colaboradores se sintam valorizados, as empresas precisam tomar cuidado para não pecar pela humanização por si só, perdendo o foco do resultado, que pode fazer com que a produtividade dos colaboradores caia, ou colocar em risco o limite entre o que é vida profissional e o que é vida pessoal. Esses dois aspectos devem ser integrados, mas não misturados. Assim, a humanização deixa de ser um aspecto positivo e pode causar problemas para a empresa e para os funcionários”, explica a especialista em desenvolvimento humano Susanne Andrade, autora do best-seller O Segredo do Sucesso é Ser Humano.

TRABALHO x INTEGRAÇÃO DA EQUIPE
Algumas empresas costumam organizar “happy hours” após o expediente para promover a troca de ideias, descontrair, ou até mesmo estreitar os laços entre os colegas de trabalho. “Apesar de ser uma ótima ideia, essa é uma questão à qual o empregador deve se atentar, pois como se sabe, não são todas as pessoas que sabem separar momentos de descontração e trabalho”, comenta a especialista.

Existem casos em que funcionários encerram o expediente mais cedo para começar a organizar o “happy hour”, por exemplo, ou de pessoas que se excedem no entusiasmo ou na bebida. “Deve haver um cuidado para que a confraternização não atrapalhe as atividades da empresa, e não ultrapasse o limite do tolerável em um ambiente corporativo”, comenta Susanne.

FEEDBACK DA FORMA ADEQUADA
Embora dar feedback seja indispensável, algumas empresas ainda hoje pecam nesse quesito. “Muitas companhias ainda utilizam o feedback como sinônimo de avaliação de desempenho, como termômetro para categorizar os funcionários entre ‘promovido’ e ‘não promovido’. Essa visão é ultrapassada e um grande equívoco, pois o feedback vai muito além disso. Ele é uma importante ferramenta para manter a equipe motivada e promove o desenvolvimento de habilidades, além dos ajustes necessários na performance”.

Para a especialista, o feedback deve ser praticado sempre que possível. “Ele ajuda nas relações humanas, tanto pelo reconhecimento quanto pelo redirecionamento de comportamento e quanto mais utilizado, mais motivados ficam os profissionais”, explica ela.

POLÍTICA DE HOME OFFICE
As vantagens do home office são inegáveis e, por isso, cada vez mais profissionais têm procurado vagas que oferecem esse benefício ao menos uma vez na semana. “São diversos motivos que podem levar alguém a procurar funções que permitem trabalhar de casa uma ou mais vezes na semana: pais que acabaram de ter bebês, profissionais que moram distante da empresa e querem evitar trânsito, economia com combustível, flexibilidade no horário de almoço, não ter que se preocupar todos os dias com o visual, entre outras razões”.

Mas, infelizmente, nem todo profissional é produtivo atuando no ambiente doméstico. “Dar aquela olhada no que está passando na TV ou ter um desejo incontrolável de tirar uma soneca pós-almoço, sem disciplina para suas entregas, são algumas das armadilhas para o profissional que atua em home office”, elenca Susanne.

Por isso, esse recurso tão desejado pelos colaboradores muitas vezes não funciona para todos. “É preciso avaliar muito bem o perfil daquele profissional, seu nível de comprometimento, e também se as funções que exerce são compatíveis com o trabalho de casa. Caso contrário, pode ser um ‘tiro no pé’”, diz a especialista.

VIDA PROFISSIONAL x VIDA PESSOAL
Hoje é muito comum encontrar empresas que proporcionam espaços de lazer dentro da própria empresa, como mesas de pebolim ou bilhar, e até mesmo vídeo game, para que seus funcionários possam “desestressar” no horário do almoço ou após o expediente.

“Apesar de ser um meio de promover a integração, deve-se tomar cuidado com esse diferencial, pois é preciso ver até que ponto irá humanizar a empresa, para acabar não virando bagunça. Além disso, esse tipo de iniciativa pode incentivar os colaboradores a ficarem até muito tarde no escritório todos os dias, participando de atividades de lazer com os colegas. Isso pode ser prejudicial, pois manter um limite entre vida profissional e pessoal é necessário e saudável. É essencial o foco no equilíbrio”.

ESCRITÓRIOS “PET FRIENDLY”
Permitir que os colaboradores levem seus pets ao trabalho, ao menos uma vez ao mês, é uma tendência que teve início nos Estados Unidos e acabou vindo para o Brasil. Hoje já é possível encontrar alguns escritórios no país que permitem que o funcionário leve seu cão ao trabalho.

“Apesar de algumas pesquisas apontarem que ter um animal de estimação no ambiente de trabalho alivia o estresse e melhora a produtividade, também é preciso cautela, afinal, não há quem resista a um cãozinho fazendo graça e pedindo carinho, por isso o pet pode acabar distraindo os colaboradores, ou até mesmo incomodar pessoas que têm fobia de animais. Avaliar todo o contexto é essencial”, explica.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 18: 13-27 – PARTE V

Alimento diário - Comendo a Bíblia

A queda de Pedro. Cristo é levado a juízo. Pedro nega a Cristo novamente

 

 V – Enquanto os juízes o interrogavam, os criados que ali estavam o maltratavam, vv. 22,23.

1. Foi uma ofensa vil, aquela que um dos servidores lhe fez. Embora Ele falasse com tanta calma e apresentasse evidências convincentes, este sujeito insolente o esbofeteou com a palma da sua mão, provavelmente na lateral da sua cabeça ou do seu rosto, dizendo: ”Assim respondes ao sumo sacerdote?” Como se Ele tivesse se comportado de maneira rude no tribunal.

(1) Ele o golpeou, ele lhe deu uma bofetada. Alguns pensam que isto significa um golpe com uma vara, ou com o bastão que era o símbolo do seu cargo. Agora se cumpriam as Escrituras (Isaias 50.6): “Dou minha face”, “aos golpes”, esta foi a terminologia utilizada nos originais. E Miquéias 5.1: “Ferirão com a vara no queixo ao juiz de Israel”, e a resposta (Jó 16.10): “Com desprezo me feriram nos queixos”. Era injusto ferir a alguém que não tinha dito ou feito nada de errado. Era insolente que um mero servo golpeasse a alguém que era declaradamente uma pessoa de importância. Era covardia golpear a alguém que tinha suas mãos amarradas, e bárbaro, ferir um prisioneiro no tribunal. Aqui houve uma brecha na paz perante o tribunal, e ainda assim os juízes o permitiram. A confusão no rosto era nossa obrigação, mas aqui Cristo a toma para si: “Sobre mim venham a maldição e a vergonha”.

 (2) Ele o repreendeu de uma maneira imperiosa e insolente: ”Assim respondes ao sumo sacerdote?” Como se o bendito Jesus não fosse suficientemente bom para falar ao seu senhor, nem suficientemente prudente para saber como se dirigir a ele, mas, como um prisioneiro rude e ignorante, devesse ser controlado pelo carcereiro, e ensinado como devia se comportar. Alguns dos antigos sugerem que este servidor era Malco, que devia a Cristo a cura da sua orelha, e a salvação da sua cabeça, e ainda assim lhe faz esta terrível retribuição. Mas, seja como for, isto foi feito para agradar ao sumo sacerdote, e para bajulá-lo, pois o que ele dizia sugeria uma inveja pela dignidade do sumo sacerdote. Aos governantes ímpios, não faltarão servidores ímpios, que irão ajudar a aumentar a aflição daqueles a quem seus senhores per­ seguem. Houve um sucessor deste sumo sacerdote que ordenou que os presentes ferissem a Paulo, desta maneira, na boca, Atos 23.2. Alguns pensam que este servidor julgou-se ofendido pelo apelo de Cristo àqueles presente s a respeito da sua doutrina, como se Ele tivesse garantido que ele poderia ser uma testemunha. E talvez este fosse um daqueles servidores que tinham falado honradamente sobre Ele (cap. 7.46), e, para que não fosse agora julgado um amigo secreto de Cristo, assim parece ser um inimigo amargo.

2. Cristo suportou esta afronta com maravilhosa mansidão e paciência (v. 23): “‘Se falei mal’, no que disse agora, ‘dá testemunho do mal’. Mencione isto ao tribunal, e que eles, que são os juízes apropriados, o julguem. Mas, se bem, e como me convinha, ‘porque me feres?”‘ Cristo poderia ter-lhe respondido com um milagre de ira, poderia tê-lo feito ficar mudo ou morrer, ou ter secado a mão que se erguia contra Ele. Mas este era o dia da sua paciência e do seu sofrimento, e Ele lhes respondeu com a mansidão da sabedoria, para nos ensinar a não nos vingarmos, a não devolvermos insulto por insulto, mas, com a simplicidade da pomba, suportar as ofensas, mesmo quando, com a prudência da serpente, como nosso Salvador, nós mostrarmos como são injustas, e apelamos ao magistrado a respeito delas. Cristo aqui não ofereceu a outra face, e por isto parece que esta regra, Mateus 5.39, não deve ser interpretada de maneira literal. Um homem pode, possivelmente, oferecer a outra face, e ainda ter seu coração cheio de maldade. Mas, comparando o preceito de Cristo com seu padrão, vemos:

(1) Que, em tais casos, nós não devemos vingar a nós mesmos, nem julgar nossa própria causa. Nós devemos receber, e não desferir, o segundo golpe, que cria a disputa. Nós temos permissão de nos defendermos, mas não de nos vingarmos. O magistrado (se for necessário, para a preservação da paz pública, e para a contenção e intimidação dos malfeitores) deve ser o vingador, Romanos 13.4.

(2) Nosso ressentimento pelas ofensas feitas a nós deve sempre ser racional, e nunca passional. Assim era o de Cristo, aqui. Quando Ele sofria, Ele argumentava, mas não ameaçava. Ele admoestou, com razão, àquele que lhe tinha ofendido, e a mesma coisa nós podemos fazer.

(3) Quando somos chamados ao sofrimento, devemos nos acomodar às inconveniências de uma condição de sofrimento, com paciência, e por uma indignidade feita a nós, devemos estar preparados para receber outra, e assim fazer o melhor uso delas.