ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 18: 13-27 – PARTE IV

Alimento diário - Comendo a Bíblia

A Queda de Pedro. Cristo E Levado a Juízo. Pedro Nega a Cristo novamente

IV – Tendo Pedro, o amigo de Cristo, começado a negá-lo, o sumo sacerdote, inimigo de Cristo, começa a acusá-lo, ou, mais exatamente, insiste para que Ele se acuse, vv. 19-21. Aparentemente, a primeira tentativa foi provar que Ele era um enganador, e um professor de falsas doutrinas, que é o que este evangelista relata. E, quando não obtiveram a prova disto, então o acusaram de blasfêmia, o que é relatado pelos outros evangelistas, e, por isto, omitido aqui. Observe:

1. Os assuntos sobre os quais Cristo foi interrogado (v. 19): ”Acerca dos seus discípulos e da sua doutrina”. Observe:

(1) A irregularidade do processo. Era contra toda a lei e justiça. Eles o prenderam como um criminoso, e agora que Ele é seu prisioneiro, eles não têm nada de que acusá-lo, nenhum libelo, nenhum acusador. Mas o próprio juiz deve ser o acusador, e o próprio prisioneiro, a testemunha, e, contra toda razão e justiça, Ele é colocado para ser seu próprio acusador.

(2) A intenção. O sumo sacerdote, então (ou portanto, o que parece se referir ao v. 14), por ter decidido que Cristo deveria ser sacrificado à sua maldade privativa, sob o pretexto do bem comum, o examinou nestes interrogatórios sobre sua vida. Ele o interrogou:

[1] A respeito dos seus discípulos, para poder acusá-lo de sedição, apresentando-o como perigoso ao governo romano, assim como à igreja judaica. Ele lhe perguntou quem eram seus discípulos, quantos eram, de que região, quais eram seus nomes e personalidades, insinuando que estes alunos estavam sendo preparados para serem soldados, e, com o tempo, formariam uma força formidável. Alguns pensam que esta pergunta a respeito dos seus discípulos foi: ”Agora, o que irá acontecer com todos eles? Quem são eles? Por que não aparecem?”, censurando-o pela covardia deles ao abandoná-lo, e, desta forma, piorando a angústia. Havia alguma coisa significativa no fato de Cristo ter chamado e reconhecido seus discípulos? Esta foi a primeira acusação contra o Senhor pois foi pelo bem deles que Ele se santificou e sofreu.

[2] A respeito da sua doutrina, para que pudessem acusá-lo de heresia, e puni-lo segundo a lei contra os falsos profetas, Deuteronômio 13.9,10. Esta era uma questão passível de julgamento neste tribunal (Deuteronômio 17.12). Portanto, um profeta não poderia perecer, exceto em Jerusalém, onde era a sede deste tribunal. Eles não conseguiram provar nenhuma falsa doutrina, mas esperavam extorquir de Jesus alguma coisa que pudessem distorcer para seu prejuízo, e fazê-lo culpado, por uma palavra ou por outra, Isaías 29.21. Eles não lhe disseram nada a respeito dos seus milagres, pelos quais Ele tinha feito tanto bem, provando que sua doutrina estava além de contradições, porque sabiam que não conseguiriam se apoderar deles. Desta maneira, os adversários de Cristo, enquanto estão se esforçando para discutir sua verdade, determinadamente fecham os olhos para as evidências dela, e não se dão conta da clareza de tais evidências.

2. O apelo que Cristo fez, respondendo a estas perguntas.

(1) Quanto aos seus discípulos, Ele não disse nada, porque tinha sido uma pergunta impertinente. Se sua doutrina era sadia e boa, o fato de que Ele tivesse discípulos a quem ensiná-la não era nada além do que era praticado e permitido pelos seus próprios doutores. Se Caifás, ao perguntar-lhe a respeito dos discípulos, pretendia armar-lhes uma cilada, e trazer-lhes problemas, foi por bondade a eles que Cristo nada falou sobre eles, pois Ele tinha dito: “Deixar ir estes”. Se ele pretendia censurá-lo pela covardia dos discípulos, não admira que Ele não tivesse dito nada, pois: A vergonha se apresenta quando se apresentam acusações que não podem ser refutadas.

Ele não desejava dizer nada para condená-los, e não poderia dizer nada para justificá-los.

(2) Quanto à sua doutrina, Ele não disse nada em particular, mas, de maneira geral, referiu-se àqueles que o ouviam, não somente manifestando-se a Deus, o Pai, mas também às consciências das pessoas, vv. 20,21.

[1] Ele acusa tacitamente seus juízes de procedimentos ilegais. Na verdade, Ele não fala mal dos governantes do povo, nem diz agora a estes príncipes: Vocês são ímpios, mas apela às regras estabelecidas do seu próprio tribunal, indagando se elas lidavam com Ele com justiça. ”Julgais retamente?” Salmos 58.1. Da mesma maneira, aqui: “Para que me perguntas a mim?” o, que indica dois absurdos de julgamento. Em primeiro lugar: “Por que me perguntam agora a respeito da minha doutrina, que já condenaram?” Eles tinham expedi­ do uma ordem judicial para excomungar todos aqueles que a reconhecessem (cap. 9.22), tinham emitido uma proclamação para prender Jesus, e agora vinham perguntar o que é sua doutrina! Desta maneira, Ele foi condenado, como sua doutrina e sua causa normalmente o são, sem ser ouvido. Em segundo lugar: “Por que me perguntam? Eu devo acusar a mim mesmo, quando vocês não têm evidências contra mim?”

[2] Ele insiste em tê-los tratado abertamente e com justiça, na divulgação da sua doutrina, e se justifica com isto. O crime que o Sinédrio, pela lei, devia investigar era a propagação clandestina de doutrinas perigosas, que atraísse secretamente, Deuteronômio 13.6. Quanto a isto, portanto, Cristo se explica completamente.

Em primeiro lugar, quanto à maneira da sua pregação. Ele falava abertamente, com liberdade e clareza de expressão. Ele não transmitia as coisas de maneira ambígua, como Apolo fazia, pelos seus oráculos. Aqueles que desejam minar a verdade, e espalhar noções corruptas, procuram alcançar seu objetivo por insinuações furtivas, fazendo perguntas, criando dificuldades, sem afirmar nada. Mas Cristo se explicava completamente, através da expressão: “Em verdade, em verdade vos digo”. Suas censuras eram livres e corajosas, e seus testemunhos, expressos contra as corrupções da época.

Em segundo lugar, quanto às pessoas a quem Ele pregava: Ele falava ao mundo, a todos os que tinham ouvidos para ou­ vir, e estavam desejosos de ouvi-lo, nobre ou humilde, instruído ou não, judeu ou gentio, amigo ou inimigo. Sua doutrina não temia a censura de uma multidão mista, nem era Ele relutante ao transmitir este conhecimento a ninguém (como comumente o fazem os mestres de rara inteligência), mas o transmitia livremente, como o sol faz com seus raios.

Em terceiro lugar, quanto aos lugares onde Ele pregava. Quando estava no interior, Ele pregava, normalmente, nas sinagogas – os lugares de reunião para adoração, e durante o sábado, à assembleia. Quando vinha a Jerusalém, Ele pregava a mesma doutrina no Templo, por ocasião das festas solenes, quando os judeus de todos os lugares ali se reuniam. E embora Ele pregasse com frequência em casas particulares, e em montes, e à beira-mar, para mostrar que sua palavra e a adoração a Ele não deviam ficar confinadas a templos e sinagogas, ainda assim aquilo que Ele pregava privadamente era a mesma coisa que Ele transmitia publicamente. Observe que a doutrina de Cristo, prega­ da puramente e claramente, não deve se envergonhar de aparecer diante da assembleia mais numerosa, pois ela traz consigo sua própria força e sua própria beleza. Os fiéis ministros de Cristo desejam que todo o mundo possa ouvir aquilo que eles dizem. A sabedoria clama onde há muita gente, Provérbios 1.21; 8.3; 9.3.

Em quarto lugar, quanto à doutrina propriamente dita. Ele não dizia, às escondidas, nada contrário ao que dizia em público, exceto para repetir e explicar: “Nada disse em oculto “, como se Ele tivesse sido suspeito pela verdade contida na sua doutrina, ou consciente de algum mau intento nela. Ele não procurava cantos, pois não temia disfarces, nem dizia coisa alguma de que precisasse se envergonhar. Aquilo que Ele dizia, em particular, aos seus discípulos, Ele lhes ordenava que proclamassem sobre os telhados, Mateus 10.27. Deus disse sobre si mesmo (Isaias 45.19): “Não falei em segredo”. Seu mandamento “não é encoberto”, Deuteronômio 30.11. E ajustiça da fé fala de maneira semelhante, Romanos 10.6.

[3] Ele apela àqueles que o tinham ouvido, e deseja que se pergunte a eles qual doutrina Ele tinha pregado, e se ela tinha esta tendência perigosa que se julgava: “‘Pergunta aos que ouviram o que é que lhes ensinei’. Alguns deles podem estar no tribunal, ou podem ser ordenados a comparecer, saindo de suas camas”. Ele não se referia aos seus amigos e seguidor es, que poderia presumir-se que falariam a seu favor, mas: Perguntem a qualquer ouvinte imparcial, perguntem aos seus próprios servidores. Alguns pensam que Ele os apontou, quando disse: “Eis que eles sabem o que eu lhes tenho dito”, referindo-se ao relato que tinham feito da sua pregação (cap. 7.46): “Nunca homem algum falou assim como este homem”. Ou melhor: Vocês podem perguntar a alguém no tribunal, pois é provável que alguns deles o tivessem ouvido, e tivessem sido silenciados por Ele. Observe que a doutrina de Cristo pode, segura­ mente, apelar a todos aqueles que a conhecem, e tem tanta justiça e razão do seu lado, que quem desejar julgar imparcialmente não poderá deixar de testificar positivamente a seu respeito.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.