PSICOLOGIA ANALÍTICA

AUTOESTIMA EM ALTA

Condicionar o sucesso de projetos pessoais à confiança em si mesmo pode trazer mais problemas que benefícios. Na contramão da literatura de autoajuda e dos pressupostos propagados pela mídia, em especial o mercado publicitário, o caminho mais eficaz para desenvolver e preservar a autovalorização parece ser pensar menos em si e mais nos outros. Estranho? Nem tanto…

Auto estima em alta

Em épocas de dificuldades, a maioria das pessoas tem grande tendência a distorcer o olhar para si mesmo. Dependendo de nossa história de vida e padrões de comportamento, em geral caímos em duas armadilhas: alguns se esquecem dos sucessos que acumularam ao longo da vida e se sentem péssimos, fracassados e incapazes; outros se agarram à supervalorização de conquistas, terminando por se sentirem injustiçados pelas circunstâncias e profundamente insatisfeitos. Na prática, nenhuma dessas atitudes traz satisfação. Pesquisas científicas têm mostrado uma forma mais eficiente – e inusitada – de incrementar a autoestima. Tudo indica que essa característica não depende do sucesso de nossas realizações – que, em geral, garante apenas a sensação frágil e ilusória de bem­ estar. Aliás, em excesso, ter-se em alta conta pode trazer sérias desvantagens.

Em um estudo publicado em 2002, solicitamos a 37 universitários do último período, candidatos a pós-graduação, que preenchessem um questionário para avaliar o quanto baseavam a autoestima no histórico acadêmico, na aparência física, no bom relacionamento com a família e com os amigos etc. Na sequência, os estudantes deveriam continuar registrando a sensação de auto – confiança duas vezes por semana, durante dois meses, nos quais participariam do processo de seleção. Descobrimos que aqueles cuja autoestima estava fortemente ligada ao desempenho acadêmico sentiram pouco aumento na autoconfiança nos dias em que se saíram bem, mas uma grande queda na segurança nos dias de baixo desempenho. Para essas pessoas, a dor do fracasso superou a alegria do sucesso. Aqueles que não dependiam do resultado para preservar a autoconfiança experimentaram claramente flutuações mais amenas: mostraram-se emocionalmente mais estáveis diante de resultados positivos ou negativos. Outros estudos demonstram vulnerabilidade semelhante em relação à aparência ou ao sucesso profissional.

Doses extras de autoconfiança não duram muito tempo, de acordo com nossos estudos. Mesmo depois de desfrutarmos de grandes realizações, geralmente voltamos a nos sentir como de costume. Além disso, a instabilidade que resulta desses altos e baixos tem custos significativos para a saúde mental – e pode colaborar para o desenvolvimento de sintomas de depressão. No caso dos candidatos à pós-graduação, por exemplo, observamos que as flutuações na autoestima experimentadas estavam associadas a distúrbios do apetite e do sono, a perda de motivação, a humor deprimido e a sentimentos de desesperança e impotência.

A dependência de bom desempenho para manter a autoestima não raro leva a evitar o fracasso em vez de buscar o sucesso – uma atitude que pode minar as chances de êxito. Para proteger a autoconfiança, surgem desculpas para o mau desempenho, como “não tentei o suficiente” ou “estava cansado, doente, chateado”. Para ter efeito, a explicação deve ser verossímil. Por exemplo, uma pessoa pode ficar acordada até tarde antes de fazer um teste para validar a afirmação de cansaço caso vá mal na prova; ou adiar os estudos até o último momento para alegar que não pôde se dedicar o suficiente. Os psicólogos sociais Edward E. Jones, da Universidade de Princeton, e Steven Berglas, da Faculdade de Medicina da Universidade Harvard, cunharam o termo “auto sabotagem” para descrever o comportamento.

Buscar situações somente para sentir-se com maior autoestima prejudica a motivação intrínseca, ou seja, o interesse pela tarefa em si. Os psicólogos Edward Deci e Richard Ryan, da Universidade de Rochester, argumentam que pessoas com autoestima contingente se concentram a maior parte do tempo na maneira como sucessos e fracassos refletem sobre sua imagem. Sua pesquisa, realizada ao longo de várias décadas, aponta que aqueles com essa característica realizam atividades, como estudar e trabalhar, porque sentem que devem e não porque querem. A pressão e o senso de obrigação terminam por suplantar a satisfação. As relações pessoais também ficam prejudicadas. Pessoas focadas em aumentar a autoestima tendem a sempre colocar suas necessidades antes das dos outros. A preocupação com questões sobre o próprio valor influencia a relação com amigos, familiares e conhecidos, que acabam servindo, principalmente, como fontes de validação ou anulação de méritos – no final das contas, a interação gira em torno de uma única pessoa, o que empobrece e desgasta as relações.

No entanto, escorar a autoestima em valores como fé ou virtude parece ter menos consequências negativas do que em outras circunstâncias nas quais é possível ser avaliado e julgado (como aparência ou alguma habilidade específica). Ainda não sabemos exatamente os motivos dessa discrepância. A hipótese é que pessoas com necessidade de provar que são virtuosas ou fiéis a uma religião são mais propensas a se envolver em atividades úteis, colaborativas ou filantrópicas, recebendo então a aprovação dos outros. Ainda assim, as contingências nos tornam vulneráveis às consequências de deixar a autoestima tão dependente de elementos externos para nos definir.

Embora a busca por autoestima possa trazer consequências negativas, também nos motiva à ação. Sem o desejo de provar nosso valor, poderíamos ficar desanimados. Felizmente, temos opções. Em vez de nos concentrarmos em nossa própria situação, podemos focar em outras pessoas ou no benefício coletivo. Metas construtivas e solidárias tendem a fortalecer o sentimento de confiança e a sensação de pertencimento, o que ajuda a reduzir conflitos e medos.

 

GRAU DE COMPAIXÃO

Projetar metas colocando-se no lugar dos outros parece produzir um senso de intimidade. Na prática, isso costuma ajudar a evitar os efeitos devastadores de algum comentário alheio entendido como crítica, por exemplo. Em um estudo que publicamos em 2011 com a psicóloga Amy Canevello, agora na Universidade da Carolina do Norte, em Charlotte, analisamos as consequências dessa atitude em calouros universitários e colegas de quarto do mesmo sexo. Cada participante avaliou seu “grau de compaixão”, de acordo com frases como “ser solidário com meu colega de dormitório” ou “estar ciente do impacto que meu comportamento pode ter sobre os sentimentos da pessoa com quem divido o quarto”. Eles também responderam a um questionário sobre autoestima a cada semana do ano letivo. Além disso, os voluntários classificaram em que medida respeitavam seus colegas, o quão responsáveis acreditavam ser em relação ao que eles precisavam e quanta consideração percebiam daqueles com quem dividiam o dormitório em relação a suas próprias necessidades.

Aqueles que desenvolveram postura mais compreensiva demonstraram maior receptividade às necessidades dos colegas de quarto (de acordo com a própria opinião e a do companheiro). Os colegas com quem os voluntários dividiam o ambiente perceberam a atitude e responderam positivamente, criando um ciclo que fortaleceu a relação entre os dois. Curiosamente, quanto mais procuravam ser sensíveis ao outro, maior autoestima demonstravam, de acordo com as avaliações. O sentimento de autoconfiança entre os colegas também ficou mais forte, sugerindo que se manter atento às demandas dos outros pode ser uma estratégia bastante eficaz para reforçar o sentimento de amor-próprio a longo prazo. Por outro lado, aqueles que se preocuparam excessivamente com a ideia que o companheiro fazia de si foram menos atentos aos colegas – um padrão de comportamento que colaborou para tornar mais frágil a autoestima de ambos.

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A FÓRMULA DA FELICIDADE

A psicologia costuma definir autoestima como o valor que uma pessoa atribui a si mesma, ou seja, trata-se de uma avaliação inerentemente subjetiva. Geralmente os pesquisadores medem essa característica por meio de escalas de autor relato, baseando-se em declarações como “Tenho atitude positiva em relação a mim mesmo” ou “Costumo me comparar com os outros e me sentir fracassado”. Na década de 80, nos Estados Unidos, alguns políticos, psicólogos, e pesquisadores em geral mostravam-se preocupados com a falta de autoconfiança da população. Eles acreditavam que a solução do problema seria forjar cidadãos mais produtivos a resolver problemas sociais como criminalidade e fracasso escolar. Iniciou-se um verdadeiro movimento pró-autoestima, que coincide com o início do boom de livros de autoajuda que pregam o poder incontestável da autorrealização, insistindo no uso de “fórmulas” de motivação e felicidade.

Escolas e outras instituições americanas investiram em intervenções para aumentar a autoconfiança, principalmente das crianças. Esses programas geralmente focavam em exercícios que possibilitavam a exposição de qualidades e em fornecer retorno positivo (independentemente do desempenho). Lições do tipo “eu me amo” incentivavam alunos a completar frases como “Eu sou…” com as palavras “bonito”, “inteligente” ou “talentoso”, por exemplo. Aqueles com baixo desempenho eram ensinados a se concentrar no potencial em vez de olhar para o que precisavam melhorar. Em 1986, o estado da Califórnia destinou US$ 245 mil para a Força Tarefa para Promover Autoestima e Responsabilidade Social, acreditando que o investimento seria recompensado com a queda da criminalidade, do fracasso escolar, do número de gestações indesejadas e de dependência química.

No entanto, mesmo com o grande impulso do movimento a favor da autoestima – que não ficou restrito aos Estados Unidos, mas influenciou formas de pensar em quase todo o planeta-, dados científicos começaram a minar alguns de seus principais pressupostos e sustentações. Muitas pesquisas mostram que pouca gente sofre disso. Pelo contrário, a maioria de nós já se sente muito bem sobre si. Em um estudo publicado em 1989, o psicólogo Roy F. Baumeister e seus colegas Dianne M. Tice e Debra G. Hutton, na época da Universidade Case Western Reserve, mostraram que, de maneira geral na média das escalas a pontuação dos americanos em relação à autoconfiança está bem acima do ponto que denota visão moderada ou digna a respeito de si.

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OUTROS OLHARES

ESSE NÃO É O ANIMAL

Morte da cadela Manchinha, agredida por um funcionário do Carrefour, em Osasco, reforça discussão sobre maus tratos contra animais e mostra que a lei é branda para quem comete esse tipo de crime.

Esse não é o animal

A morte brutal da cadela Manchinha no estacionamento do supermercado Carrefour, em Osasco, na Grande São Paulo, poderia ter sido só mais um dos inúmeros episódios de maus tratos contra animais a passar impunes no Brasil. Não foi assim. A crueldade do ato causou comoção nas redes sociais, mobilizou celebridades e atingiu a imagem da rede varejista, que promove o compromisso do bem­ estar animal entre seus fornecedores de carne e estimula a criação sustentável de bezerros e de galinhas. Enquanto isso, descobriu-se que os cachorros são maltratados por ali. Manchinha circulava pelo estacionamento há vários dias, mas não era bem-vinda. Câmeras registraram as cenas em que, finalmente, um segurança bate nela com uma barra de alumínio. O animal é perseguido e começa a sangrar. “As imagens são claras e sabemos também que a cadela também foi envenenada e capturada por funcionários da Prefeitura com violência desproporcional”, diz a ativista Luísa Mell, que dirige urna ONG de proteção aos animais e divulgou as cenas do crime no Instagram “O que esperamos agora é que essa cadelinha morta se transforme numa espécie de mártir contra esse tipo de abuso”.

COVARDIA HUMANA

As consequências do ataque a Manchinha apareceram rápido. Na segunda-feira 3, um inquérito foi aberto na delegada de Osasco. Um representante do departamento de Fauna e Bem-estar animal da Prefeitura fez a denúncia e solicitou a investigação da morte do cão. No boletim de ocorrência consta que Manchinha foi socorrida por agentes da Prefeitura e teve urna parada cardíaca. Ao mesmo tempo, dois processos estão sendo abertos por iniciativa da Associação de Advogados Criminalistas de São Paulo. O primeiro por danos morais coletivos contra o Carrefour e outro criminal, contra o funcionário, que não teve seu nome identificado. O Ministério Público também abriu uma investigação. “Esse tipo de coisa acontece todo dia, mas as pessoas não denunciam”, diz Carolina Mourão, presidente da Confederação Brasileira de Defesa Animal. “A lei é branda é há um grande campo de impunidade”.

Neste sábado está previsto um ato público na frente da loja do Carrefour em Osasco. Os organizadores da manifestação, que esperam reunir mais de mil pessoas, falam em boicote à rede e no endurecimento da lei O artigo 32 da lei de crimes ambientais prevê pena de três meses a um ano de prisão, além de multa, para quem praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. Na prática, esses crimes são considerados de baixo potencial ofensivo e as penas se limitam ao pagamento de cestas básicas. O segurança que atacou Manchinha será indiciado, mas dificilmente preso. Na quarta-feira 6, o senador Randolfe Rodrigues (Rede­ AP) apresentou um projeto de lei em que eleva a pena de maus tratos para até três anos de prisão.

”Existe uma epidemia de crueldade no Brasil e a morte dessa cadela é um sintoma de desajuste social”, afirma a advogada Antília da Monteira Reis, presidente da Comissão de Proteção de Defesa Animal da OAB de São Bernardo do Campo (SP). A morte de Manchinha imobilizou celebridades, corno o apresentador Luciano Huck, que usou suas mídias sociais para denunciar a crueldade, e as atrizes Tata Werneck e Alexia Dechamps. O Carrefour divulgou nota na qual reconheceu que u1n grave problema ocorreu na loja de Osasco e declarou que não irá se eximir de sua responsabilidade.

”Estamos tristes com a morte desse animal. Somos os maiores interessados para que todos os fatos sejam esclarecidos”, informou a nota. “Por isso, aguardamos que as autoridades concluam rapidamente as investigações”. Desde o início da apuração, o funcionário de empresa terceirizada que agrediu Manchinha foi afastado. A rede informou que “ONGs ligadas a causa animal vão nos auxiliar na construção de uma nova política para a proteção e defesa dos animais”. Os fatos recentes indicam que isso é realmente necessário.

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GESTÃO E CARREIRA

O RESSIGNIFICADO DA LIDERANÇA

Liderança sempre foi um assunto importantíssimo para o ambiente corporativo e no atual momento se tornou crucial.

O ressignificado da liderança

Liderança sempre foi um assunto importantíssimo para o ambiente corporativo e no atual momento se tornou crucial. Em pesquisa recente, o #nowornever, informou que 72% dos CEOs entrevistados acreditavam que os próximos três anos serão mais críticos para seus segmentos do que as últimas décadas. Sem falar que uma entre três empresas correm o risco de quebrar, enquanto há 50 anos este número era de 1 em 20, segundo o Boston Consulting Group (BCG).

Este cenário, então, faz com que as organizações estejam em constante transformação, necessitando assim que as lideranças assumam novos papéis facilitadores da transformação. E quais serão essas novas habilidades tão almejadas pelo mercado?

Antes, conhecer o negócio era essencial para um líder. Já hoje o importe é saber navegar por ambiguidades. Isto porque a liderança muitas vezes, neste contexto de transformação, não terá um norte tão bem definido, o negócio poderá mudar muito rapidamente e também ele terá que utilizar comportamentos e habilidades que nem sempre eram requisitados, e que representavam sua zona de conforto. Por exemplo, a delegação de tarefas, porém, sem perder o controle.

Sem falar que os líderes precisarão envolver-se mais com as operações, mas sem serem controladores. Além disso, precisarão promover a experimentação, mas conter o risco, ou seja, ousar para manter-se competitivo sem deixar de proteger o negócio. E, antes de tudo, terão que buscar pontos de vista distintos, mas impulsionar uma ação unificada. Tal iniciativa requer agilidade para alternância entre diálogo e ação.

Com certeza você já ouviu também que o papel do líder é incentivar o trabalho em equipe bem como a colaboração, mas dentro deste contexto de transformação, ele ganha uma nova tarefa: o de conectar a organização. O objetivo é que todos os membros trabalham em rede.

Com estes desafios, o líder precisará, então, de orientação comportamental para gerenciar em meio ao paradoxo que chamarei de navegação no “núcleo” e na “borda”. Explicando melhor estes conceitos: comportamentos que se referem a “núcleo” impulsionam a geração de resultados consistentes e exatos por meio de conhecimentos, perícia operacional e práticas comprovadas. Exemplo de comportamentos “núcleo”: desenvolvimento de planos com base em dados existentes, desenvolvimento de sistemas e políticas, ênfase em consistência e acuracidade. Enquanto comportamentos que se referem a “borda” empurram criativa e estrategicamente para áreas de risco e possibilidade. Alguns exemplos de comportamentos “borda”: prazer na inovação, tomada de decisões em conjunto, coaching do desempenho de outras pessoas, permitindo-lhes criar soluções e Brainstorming de novas ideias.

Com isso, o líder que então liderava a mudança, terá também que fazer a cultura evoluir. Um papel mais complexo, pois exigirá dele um aprofundamento no DNA da organização. Enfim, a zona de conforto, será um local que este líder nunca mais poderá visitar. Afinal, transformação exige a navegação em ambientes desconhecidos com uma única certeza: o aprendizado será constante, ou seja, estará sempre desaprendendo para aprender!

 

 

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 18: 13-27 – PARTE IV

Alimento diário - Comendo a Bíblia

A Queda de Pedro. Cristo E Levado a Juízo. Pedro Nega a Cristo novamente

IV – Tendo Pedro, o amigo de Cristo, começado a negá-lo, o sumo sacerdote, inimigo de Cristo, começa a acusá-lo, ou, mais exatamente, insiste para que Ele se acuse, vv. 19-21. Aparentemente, a primeira tentativa foi provar que Ele era um enganador, e um professor de falsas doutrinas, que é o que este evangelista relata. E, quando não obtiveram a prova disto, então o acusaram de blasfêmia, o que é relatado pelos outros evangelistas, e, por isto, omitido aqui. Observe:

1. Os assuntos sobre os quais Cristo foi interrogado (v. 19): ”Acerca dos seus discípulos e da sua doutrina”. Observe:

(1) A irregularidade do processo. Era contra toda a lei e justiça. Eles o prenderam como um criminoso, e agora que Ele é seu prisioneiro, eles não têm nada de que acusá-lo, nenhum libelo, nenhum acusador. Mas o próprio juiz deve ser o acusador, e o próprio prisioneiro, a testemunha, e, contra toda razão e justiça, Ele é colocado para ser seu próprio acusador.

(2) A intenção. O sumo sacerdote, então (ou portanto, o que parece se referir ao v. 14), por ter decidido que Cristo deveria ser sacrificado à sua maldade privativa, sob o pretexto do bem comum, o examinou nestes interrogatórios sobre sua vida. Ele o interrogou:

[1] A respeito dos seus discípulos, para poder acusá-lo de sedição, apresentando-o como perigoso ao governo romano, assim como à igreja judaica. Ele lhe perguntou quem eram seus discípulos, quantos eram, de que região, quais eram seus nomes e personalidades, insinuando que estes alunos estavam sendo preparados para serem soldados, e, com o tempo, formariam uma força formidável. Alguns pensam que esta pergunta a respeito dos seus discípulos foi: ”Agora, o que irá acontecer com todos eles? Quem são eles? Por que não aparecem?”, censurando-o pela covardia deles ao abandoná-lo, e, desta forma, piorando a angústia. Havia alguma coisa significativa no fato de Cristo ter chamado e reconhecido seus discípulos? Esta foi a primeira acusação contra o Senhor pois foi pelo bem deles que Ele se santificou e sofreu.

[2] A respeito da sua doutrina, para que pudessem acusá-lo de heresia, e puni-lo segundo a lei contra os falsos profetas, Deuteronômio 13.9,10. Esta era uma questão passível de julgamento neste tribunal (Deuteronômio 17.12). Portanto, um profeta não poderia perecer, exceto em Jerusalém, onde era a sede deste tribunal. Eles não conseguiram provar nenhuma falsa doutrina, mas esperavam extorquir de Jesus alguma coisa que pudessem distorcer para seu prejuízo, e fazê-lo culpado, por uma palavra ou por outra, Isaías 29.21. Eles não lhe disseram nada a respeito dos seus milagres, pelos quais Ele tinha feito tanto bem, provando que sua doutrina estava além de contradições, porque sabiam que não conseguiriam se apoderar deles. Desta maneira, os adversários de Cristo, enquanto estão se esforçando para discutir sua verdade, determinadamente fecham os olhos para as evidências dela, e não se dão conta da clareza de tais evidências.

2. O apelo que Cristo fez, respondendo a estas perguntas.

(1) Quanto aos seus discípulos, Ele não disse nada, porque tinha sido uma pergunta impertinente. Se sua doutrina era sadia e boa, o fato de que Ele tivesse discípulos a quem ensiná-la não era nada além do que era praticado e permitido pelos seus próprios doutores. Se Caifás, ao perguntar-lhe a respeito dos discípulos, pretendia armar-lhes uma cilada, e trazer-lhes problemas, foi por bondade a eles que Cristo nada falou sobre eles, pois Ele tinha dito: “Deixar ir estes”. Se ele pretendia censurá-lo pela covardia dos discípulos, não admira que Ele não tivesse dito nada, pois: A vergonha se apresenta quando se apresentam acusações que não podem ser refutadas.

Ele não desejava dizer nada para condená-los, e não poderia dizer nada para justificá-los.

(2) Quanto à sua doutrina, Ele não disse nada em particular, mas, de maneira geral, referiu-se àqueles que o ouviam, não somente manifestando-se a Deus, o Pai, mas também às consciências das pessoas, vv. 20,21.

[1] Ele acusa tacitamente seus juízes de procedimentos ilegais. Na verdade, Ele não fala mal dos governantes do povo, nem diz agora a estes príncipes: Vocês são ímpios, mas apela às regras estabelecidas do seu próprio tribunal, indagando se elas lidavam com Ele com justiça. ”Julgais retamente?” Salmos 58.1. Da mesma maneira, aqui: “Para que me perguntas a mim?” o, que indica dois absurdos de julgamento. Em primeiro lugar: “Por que me perguntam agora a respeito da minha doutrina, que já condenaram?” Eles tinham expedi­ do uma ordem judicial para excomungar todos aqueles que a reconhecessem (cap. 9.22), tinham emitido uma proclamação para prender Jesus, e agora vinham perguntar o que é sua doutrina! Desta maneira, Ele foi condenado, como sua doutrina e sua causa normalmente o são, sem ser ouvido. Em segundo lugar: “Por que me perguntam? Eu devo acusar a mim mesmo, quando vocês não têm evidências contra mim?”

[2] Ele insiste em tê-los tratado abertamente e com justiça, na divulgação da sua doutrina, e se justifica com isto. O crime que o Sinédrio, pela lei, devia investigar era a propagação clandestina de doutrinas perigosas, que atraísse secretamente, Deuteronômio 13.6. Quanto a isto, portanto, Cristo se explica completamente.

Em primeiro lugar, quanto à maneira da sua pregação. Ele falava abertamente, com liberdade e clareza de expressão. Ele não transmitia as coisas de maneira ambígua, como Apolo fazia, pelos seus oráculos. Aqueles que desejam minar a verdade, e espalhar noções corruptas, procuram alcançar seu objetivo por insinuações furtivas, fazendo perguntas, criando dificuldades, sem afirmar nada. Mas Cristo se explicava completamente, através da expressão: “Em verdade, em verdade vos digo”. Suas censuras eram livres e corajosas, e seus testemunhos, expressos contra as corrupções da época.

Em segundo lugar, quanto às pessoas a quem Ele pregava: Ele falava ao mundo, a todos os que tinham ouvidos para ou­ vir, e estavam desejosos de ouvi-lo, nobre ou humilde, instruído ou não, judeu ou gentio, amigo ou inimigo. Sua doutrina não temia a censura de uma multidão mista, nem era Ele relutante ao transmitir este conhecimento a ninguém (como comumente o fazem os mestres de rara inteligência), mas o transmitia livremente, como o sol faz com seus raios.

Em terceiro lugar, quanto aos lugares onde Ele pregava. Quando estava no interior, Ele pregava, normalmente, nas sinagogas – os lugares de reunião para adoração, e durante o sábado, à assembleia. Quando vinha a Jerusalém, Ele pregava a mesma doutrina no Templo, por ocasião das festas solenes, quando os judeus de todos os lugares ali se reuniam. E embora Ele pregasse com frequência em casas particulares, e em montes, e à beira-mar, para mostrar que sua palavra e a adoração a Ele não deviam ficar confinadas a templos e sinagogas, ainda assim aquilo que Ele pregava privadamente era a mesma coisa que Ele transmitia publicamente. Observe que a doutrina de Cristo, prega­ da puramente e claramente, não deve se envergonhar de aparecer diante da assembleia mais numerosa, pois ela traz consigo sua própria força e sua própria beleza. Os fiéis ministros de Cristo desejam que todo o mundo possa ouvir aquilo que eles dizem. A sabedoria clama onde há muita gente, Provérbios 1.21; 8.3; 9.3.

Em quarto lugar, quanto à doutrina propriamente dita. Ele não dizia, às escondidas, nada contrário ao que dizia em público, exceto para repetir e explicar: “Nada disse em oculto “, como se Ele tivesse sido suspeito pela verdade contida na sua doutrina, ou consciente de algum mau intento nela. Ele não procurava cantos, pois não temia disfarces, nem dizia coisa alguma de que precisasse se envergonhar. Aquilo que Ele dizia, em particular, aos seus discípulos, Ele lhes ordenava que proclamassem sobre os telhados, Mateus 10.27. Deus disse sobre si mesmo (Isaias 45.19): “Não falei em segredo”. Seu mandamento “não é encoberto”, Deuteronômio 30.11. E ajustiça da fé fala de maneira semelhante, Romanos 10.6.

[3] Ele apela àqueles que o tinham ouvido, e deseja que se pergunte a eles qual doutrina Ele tinha pregado, e se ela tinha esta tendência perigosa que se julgava: “‘Pergunta aos que ouviram o que é que lhes ensinei’. Alguns deles podem estar no tribunal, ou podem ser ordenados a comparecer, saindo de suas camas”. Ele não se referia aos seus amigos e seguidor es, que poderia presumir-se que falariam a seu favor, mas: Perguntem a qualquer ouvinte imparcial, perguntem aos seus próprios servidores. Alguns pensam que Ele os apontou, quando disse: “Eis que eles sabem o que eu lhes tenho dito”, referindo-se ao relato que tinham feito da sua pregação (cap. 7.46): “Nunca homem algum falou assim como este homem”. Ou melhor: Vocês podem perguntar a alguém no tribunal, pois é provável que alguns deles o tivessem ouvido, e tivessem sido silenciados por Ele. Observe que a doutrina de Cristo pode, segura­ mente, apelar a todos aqueles que a conhecem, e tem tanta justiça e razão do seu lado, que quem desejar julgar imparcialmente não poderá deixar de testificar positivamente a seu respeito.