PSICOLOGIA ANALÍTICA

COREOGRAFIAS CEREBRAIS

Estudos recentes com uso de técnicas de imageamento do cérebro revelam processos neurais complexos por trás da habilidade de dançar.

Coreografias cerebrais

O ritmo parece algo tão natural que muitos acreditam ser automático ouvir música e marcar o compasso com os pés ou balançar o corpo, às vezes sem se dar conta de que estão se movimentando. Essa habilidade, porém, é uma novidade evolucionária entre os humanos e nada comparável acontece com qualquer outra espécie animal. Nosso dom para a sincronização inconsciente nos permite utilizar a confluência de movimentos, ritmo e representações gestuais – longe da prática coletiva, mas sincronizados. Dançar exige um tipo de coordenação interpessoal no espaço e no tempo quase inexistente em outros contextos sociais. E, embora seja uma forma fundamental de expressão humana, por muito tempo recebeu pouca atenção dos neurocientistas. Entretanto, recentemente, pesquisadores realizaram os primeiros estudos com imageamento do cérebro de dançarinos amadores e profissionais.

Essas investigações esclarecem pontos intrigantes sobre a complicada coordenação mental necessária para executar até mesmo os passos aparentemente mais básicos. Os estudos começaram com a análise de movimentos isolados, como os giros do tornozelo ou o tamborilar dos dedos. Esses trabalhos revelaram informações sobre como o cérebro coordena ações simples. Pular com um pé só exige consciência espacial é equilíbrio, além de intenção e sincronismo (habilidades ligadas ao sistema sensório-motor). O córtex parietal posterior – situado na parte de trás do cérebro – traduz informações visuais em comandos motores, enviando sinais para as regiões de planejamento do movimento no córtex pré-motor e na área motora suplementar. Essas instruções vão para o córtex motor primário, onde são gerados então impulsos neurais que viajam para a medula espinhal e para os músculos, provocando contrações.

Ao mesmo tempo, os órgãos sensoriais nos músculos mandam uma resposta ao cérebro, dando a orientação exata do corpo no espaço por meio de nervos que passam pela medula espinhal até chegar ao córtex. Os circuitos subcorticais do cerebelo e dos gânglios de base também ajudam a atualizar os comandos motores com base na resposta sensorial e no ajuste de movimentos. O que permanece sem resposta é se esses mesmos mecanismos neurais se ampliam para permitir que essas manobras sejam tão graciosas quanto uma pirueta, por exemplo.

Para responder a essa questão, realizamos o primeiro estudo de imageamento cerebral dos movimentos da dança, em conjunto com nosso colega Michael J. Martinez, do Health Science Center da Universidade do Texas em San Antonio, usando dançarinos amadores de tango como voluntários. Escaneamos o cérebro de cinco homens e de cinco mulheres usando a tomografia por emissão de pósitrons, que registra as mudanças no fluxo sanguíneo cerebral seguidas por alterações na atividade cerebral. Os pesquisadores interpretam o aumento no fluxo sanguíneo em uma área específica como sinal de uma atividade maior entre os neurônios da região. Nossos voluntários permaneceram parados dentro da máquina de tomografia, com a cabeça imobilizada, mas movendo as pernas e deslizando os pés por uma superfície inclinada. Primeiro, pedimos que fizessem o passo quadrado, derivado do passo básico do tango argentino chamado salida, sincronizando seus movimentos no ritmo das músicas que ouviam por fones. Em seguida, escaneamos o cérebro dos dançarinos enquanto flexionavam os músculos das pernas no ritmo da música, sem de fato moverem esses membros. Ao subtrair a atividade cerebral obtida por essa simples flexão daquela registrada enquanto “dançavam”, focamos nossa atenção em áreas cerebrais vitais para direcionar as pernas pelo espaço, gerando padrões específicos de movimento.

Como era esperado, essa comparação eliminou muitas das áreas motoras básicas do cérebro. Uma área utilizada foi a parte do lobo parietal que contribui para percepção e orientação espacial. Na dança, a cognição espacial é, primeiro, cinestésica: sentimos o posicionamento do tronco e membros o tempo todo, mesmo com os olhos fechados, graças aos órgãos sensoriais dos músculos. Eles graduam a rotação de cada junta e a tensão dos músculos e retransmitem essas informações para o cérebro, que cria uma representação articulada do corpo como resposta. Mais especificamente, identificamos ativação no precuneus, região do lobo parietal muito próxima de onde fica a representação cinestésica das pernas. Acreditamos que o precuneus contenha um “mapa” cinestésico que permite uma consciência do posicionamento do corpo no espaço enquanto as pessoas se movem à sua volta. Não importa se alguém está dançando uma valsa ou andando em linha reta: o precuneus ajuda a traçar seu caminho e assim o faz a partir de uma perspectiva centrada no corpo.

Em seguida, comparamos as tomografias realizadas durante a dança com aquelas feitas enquanto nossos voluntários faziam os passos do tango sem música. Ao eliminar as imagens das regiões do cérebro em comum ativadas pelas ações, esperávamos identificar áreas críticas para a sincronização dos movimentos com a música. Novamente, essa subtração removeu praticamente todas as áreas motoras do cérebro. A diferença principal estava na parte do cerebelo que recebe informações da medula espinhal. Embora ambas as condições tenham ativado essa área – o vérmis anterior – os passos de dança sincronizados com a música geraram significativamente mais fluxo de sangue no local que a dança auto ritmada.

Embora preliminares, nossos resultados nos levam a crer na hipótese de que essa parte do cerebelo atua como um tipo de maestro, monitorando as informações em várias regiões do cérebro. O cerebelo como um todo atende a todos os critérios para um bom metrônomo neural: recebe uma ampla gama de informações sensoriais dos sistemas corticais auditivo, visual e somatossensório – uma capacidade necessária para sincronizar movimentos a diversos estímulos, desde sons até flashes luminosos e toques; e contém representações sensório-motoras para o corpo inteiro.

Inesperadamente, nossa segunda análise também elucida a tendência dos humanos de mover os pés inconscientemente ao ritmo de uma música. Ao comparar as imagens dos movimentos sincronizados com o som às dos movimentos auto – ritmados, descobrimos que uma parte inferior da via auditiva, uma estrutura subcortical chamada núcleo geniculado medial – MGN, na sigla em inglês -, era ativada apenas durante a primeira ação. No início, partimos do pressuposto de que esse resultado refletia meramente a presença de um estímulo auditivo – isto é, a música – na situação sincronizada, mas outro conjunto de imagens de controle excluiu essa interpretação: quando nossos voluntários escutavam música, mas não moviam as pernas, não detectamos mudança no fluxo sanguíneo do MGN.

Assim, concluímos que a atividade do núcleo refere-se especificamente à sincronização e não apenas ao ato de ouvir. Essa descoberta nos levou a admitir a hipótese de que o sincronismo inconsciente ocorra quando uma mensagem auditiva neural se projeta diretamente nos circuitos auditivos e de ritmo presente no cerebelo, desviando-se de áreas auditivas superiores no córtex cerebral. Outras partes do cérebro são ativadas quando observamos e aprendemos passos de dança. Os pesquisadores Beatriz Calvo-Merino e Patrick Haggard, da Universidade College London, e seus colegas pesquisaram se áreas cerebrais específicas se tornavam ativas preferencialmente quando as pessoas observavam passos que já dominavam. Ou seja, será possível que existam áreas cerebrais que se ativam quando bailarinos assistem a uma apresentação de balé, mas não, por exemplo, quando assistem a uma apresentação de capoeira? Para desvendar esse mistério, a equipe fez ressonâncias magnéticas funcionais de dançarinos, capoeiristas e não praticantes à medida que observavam vídeos de três segundos de movimentos de balé e capoeira, sem áudio. Os pesquisadores descobriram que a experiência dos observadores tinha grande influência no córtex pré-motor: a atividade no local aumentou apenas quando os voluntários observavam as danças que eles mesmos sabiam executar. Outro trabalho oferece uma explicação provável. Os cientistas descobriram que, quando as pessoas observam ações simples, áreas do córtex pré-motor envolvidas na realização dessas ações se ativam, o que sugere que nós mentalmente ensaiamos o que vemos – uma prática que pode nos ajudar a aprender e entender novos movimentos. Os pesquisadores estão avaliando até que ponto os humanos dependem de circuitos de imitação desse tipo.

Em um trabalho posterior, Beatriz comparou o cérebro de bailarinos de ambos os sexos enquanto observavam vídeos de dançarinos homens e mulheres praticando passos específicos para cada gênero. Novamente, os níveis mais altos de atividade no córtex pré-motor eram dos homens que observavam movimentos apenas masculinos, e de mulheres que observavam gestos só femininos.

Na verdade, a capacidade de ensaiar um movimento na mente é vital para as habilidades de aprendizado motor. Emily S. Cross, Scott T. Grafton e seus colegas do Dartmouth College avaliaram se os circuitos de imitação no cérebro aumentam sua atividade à medida que ocorre o aprendizado. Por várias sema nas, a equipe realizou ressonâncias magnéticas funcionais de dançarinos à medida que aprendiam uma sequência complexa de dança moderna. Durante o exame de imageamento, os voluntários observavam vídeos de cinco segundos que mostravam algum movimento que já dominavam ou outros passos diferentes, não relacionados ao contexto. Após cada clipe, os voluntários classificavam sua capacidade de executar satisfatoriamente os movimentos que observaram. Os resultados confirmaram a hipótese de Calvo ­ Merino e de seus colegas. A atividade no córtex pré-motor aumentou durante o treinamento e, de fato, correspondia às avaliações dos voluntários sobre sua capacidade de realizar um segmento de dança observado.

Conclusão: aprender uma sequência motora complexa ativa, além de um sistema motor direto para o controle das contrações dos músculos, um sistema de planejamento motor que contém informações sobre a capacidade do corpo de realizar um movimento específico.

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CONTANDO HISTÓRIAS

Quanto mais experiente a pessoa se torna em determinado padrão motor, melhor consegue imaginar qual a sensação de executá-lo, e, as­ sim, fica mais fácil realizá-lo. Entretanto, como nossa pesquisa demonstra, a capacidade de simular uma sequência de dança – ou fazer um saque no tênis – não é uma atividade simplesmente visual, também é cinestésica. Aliás, a verdadeira aptidão exige, de certo modo, a criação de uma imagem motora nas áreas de planejamento do movimento do cérebro.

Afinal, por que as pessoas dançam? Certamente a música e a dança estão intimamente relacionadas. Em muitos casos, a dança gera som. Os danzantes (ou “dançarinos”) astecas da Cidade do México vestem polainas bordadas com sementes da árvore chachayotes, que emitem um som a cada passo. Em muitas outras culturas, as pessoas usam objetos que produzem sons – de metal na sola dos sapatos a castanholas e guizos – no corpo e nas roupas enquanto dançam. Além disso, os dançarinos frequentemente batem palmas e estalam os dedos. Como resultado, estabelecemos a hipótese da “percussão do corpo” , segundo a qual a dança evoluiu inicialmente como um fenômeno sonoro.

Entretanto, diferentemente da música, a dança é usada para representar e imitar gestos, o que sugere que também possa ter atuado como forma primitiva de linguagem. É interessante observar que durante a execução dos movimentos, em nosso estudo, identificamos ativação em uma região do hemisfério direito correspondente à área de Broca (associada à produção da fala), localizada no hemisfério esquerdo. Nos últimos anos, pesquisas revelaram que essa região também tem uma representação das mãos. A descoberta reforça a teoria gestual da evolução da linguagem. Seus defensores argumentam que a linguagem evoluiu inicialmente como um sistema de sinais antes de se tornar vocal. Nosso estudo está entre os primeiros a demonstrar que o movimento das pernas ativa a área do hemisfério direito correspondente à área de Broca, o que dá mais sustentação à ideia de que a dança se inicia como uma forma de comunicação representativa.

O pesquisador Marco lacoboni, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, e seus colegas realizaram estudo no qual aplicaram estímulo magnético no cérebro para interromper o funcionamento da área de Broca ou de sua homóloga. Em ambos os casos, os voluntários foram menos capazes de imitar os movimentos dos dedos com a mão direita. O grupo concluiu que essas áreas são essenciais para a imitação, um ingrediente-chave para o aprendizado e para a difusão da cultura.

Também temos outra hipótese. Embora nosso estudo não envolva exatamente movimentos imitados, tanto dançar tango quanto imitar movimentos com os dedos exige que o cérebro ordene séries de ações interdependentes. Da mesma forma que a área de Broca nos ajuda a combinar corretamente palavras e frases, sua homóloga pode servir para posicionar unidades de ações em sequências contínuas. Essa interação permite que as pessoas não só contem histórias usando o corpo como também façam isso ao mesmo tempo que sincronizam seus movimentos com os de outros, de maneira a estimular a coesão social.

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Para identificar as áreas do cérebro importantes para a dança, os autores analisaram dançarinos amadores de tango com a ajuda de um tomógrafo PET. A cabeça dos dançarinos permaneceu imóvel no aparelho, e suas pernas sobre uma superfície inclinada, enquanto ouviam a música em fones de ouvido (foto).

A máquina escaneou o cérebro em duas condições: quando os dançarinos flexionavam os músculos da perna no ritmo da música, sem mover os membros, e quando executavam um passo básico de tango (destaque) e no ritmo da música. Quando foi retirada a atividade cerebral provocada pela contração muscular (imagem superior) das obtidas durante o passo restou “acesa” só uma parte do lobo parietal conhecida como precuneus (imagem inferior).

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OUTROS OLHARES

RACISMO CRUEL E COVARDE

Crimes de injúria racial e manifestações explícitas de preconceito revelam a incapacidade do Brasil em superar a cultura de discriminação que perdura desde os tempos da escravidão. O que explica esse atraso em um país tão miscigenado?

Racismo cruel e covarde

 

CENA 1.

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A pequena Ava. de 4 anos, é hostilizada ao entrar na piscina do luxuoso hotel Fasano Boa Vista, em um condomínio de alto padrão em Porto Feliz. interior de São Paulo. Recebida por crianças da sua idade com as frases “Sai daqui” e “Sai da água”, o que seria um banho de piscina em um dia de sol se tornou urna experiência traumática.

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CENA2.

A advogada Valéria Lucia dos Santos foi retirada à força da sala de audiência nas dependências do fórum do Juizado Especial Civil de Duque de Caixas. no Rio de Janeiro, em um episódio com vários componentes racistas. Por ordem da juíza, Valéria foi pega com truculência e algemada pela polícia enquanto reivindicava seu direito de exercer a profissão.

 

CENA 3.

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O turista americano Anthony Barrow foi preso em flagrante no Rio de Janeiro após ter insultado funcionários do Museu do Amanhã. Ele havia solicitado atendimento em inglês. Diante da monitora bilingue e negra, afirmou que não falaria com ela. Preso por um PM também negro, recusou-se a fornecer sua identificação. Estava hospedado em um hotel perto do antigo Cais do Valongo, um dos maiores pontos de desembarque de escravos das Américas.

As três cenas descritas acima ocorreram nas últimas semanas e compõem um retrato dramático da discriminação racial que persiste de forma covarde no Brasil. Passados 130 anos desde que a escravidão foi abolida, o racismo continua arraigado na sociedade brasileira, formada por uma população majoritariamente miscigenada. Ao longo de um dia qualquer, negros brasileiros serão atacados e discriminados por seus concidadãos, em uma rotina de desprezo, exclusão e violência centenários que parece não conhecer limites, apesar dos esforços educacionais, campanhas de conscientização e mudanças na lei que tornaram crime qualquer tipo de intolerância quanto à cor, etnia, credo, origem, gênero, condição social e idade.

Nascida no Malawi, Ava foi adotada pelo casal Maria Klien e Arthur Pinheiro Machado. Eles estavam no condomínio a qual o hotel está integrado a convite de uma amiga que possui residência no local. Indignada, uma amiga do casal manteve a criança na piscina enquanto outros se retiravam. “Naquele momento eu não estava com ela. Se estivesse, teria chamado a polícia na hora”, disse Maria Klien Machado. A babá de Ava, Luzinete Leandro, 41, também negra, diz ter ouvido outras mães comentarem: “Essa gente tem muitas doenças” e “As micoses são difíceis de tratar”.

A incapacidade de aceitar urna pessoa que tem outra cor de pele compartilhando seu ambiente social elitista é um deplorável traço cultural brasileiro. Ela pode se manifestar de forma velada ou explícita, como nas falas do general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL). Ele já afirmou que o subdesenvolvimento do Brasil é causado pela “cultura de privilégio dos ibéricos, a indolência dos indígenas e a malandragem dos africanos”. Ao tentar se explicar, foi mais racista ainda: “Nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano. Então, esse é o nosso cadinho cultural”. Uma frase que revela o quanto a mentalidade escravocrata se mantém viva no País. Ela também aflora nas redes sociais, como demonstram os ataques a frequentes a figuras públicas como a menina Titi, adotada pelo casal de atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, e a jornalista da TV Globo Maria Júlia Coutinho, a Maju. Ambas foram alvo de injúria racial. Nas agressões a Maju, quatro pessoas foram indiciadas.

CRIME INAFIANÇÁVEL

Pela legislação brasileira, racismo é um crime inafiançável. Mas raramente quem o pratica sofre as devidas consequências penais. Talvez por isso, em vez de retroceder, a violência racial vem crescendo. De acordo com a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo (SSP-SP) entre janeiro e maio deste ano houve um aumento de 30%nos boletins de ocorrência por racismo e injúria racial na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 151 registros em 2017 e 195 este ano. No estado do Rio, o aumento entre 2016 e 2017 foi de 47%. Parte da explicação diz respeito ao crescimento da escolarização da população afrodescendente, segundo afirma o filósofo e teólogo frei David Santos, diretor da Educafro, entidade que fornece bolsas de estudo para estudantes negros. “O racismo não aumentou. O povo negro é que está crescendo em consciência e está denunciando aquilo que sempre aconteceu, mas antes não tinha coragem de denunciar”, diz. Outros dados endossam esse raciocínio. Segundo o último Censo do Ensino Superior, elaborado em 2016 pelo instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (lnep), o percentual de pretos e pardos matriculados subiu para 30%. Em 2011, o índice era de11%.

No futebol, esporte nacional, os casos de ofensas raciais são crescentes. Ficou bem conhecido o caso da torcedora branca que ofendeu o goleiro Aranha, do Santos, em um jogo contra o Grêmio, em Porto Alegre, em 2014. No ano seguinte, quando Aranha cobrou do Santos direitos trabalhistas, foi ofendido novamente em rede social – só que pela torcida de seu time. “Racismo entre negros mostra a eficácia dessa ideologia”, diz Nelson Inocêncio, do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade de Brasília (UnB). Dados do Observatório da Discriminação Racial indicam que em 2018, até abril, foram registradas oito ocorrências de racismo e injúria racial nas competições sul-americanas. Desde 2014, foram 20 casos, a maior parte na Argentina – lá, torcedores do Independiente imitaram macacos diante de torcedores do Flamengo, na final da Copa Sul-Americana do ano passado.

Um estudo das Nações Unidas derrubou o que restava do mito da democracia racial brasileira ao considerar a questão do preconceito contra negros e pardos “estrutural e institucionalizada”. Representando 55% da população, eles possuem uma taxa de analfabetismo três vezes maior (30.7% contra 11%), são vítimas de mais de 70% dos homicídios, ganham R$1.2 mil a menos ao mês, em média, vivem 8 anos menos e representam por volta de 20% do PIB. “Racismo é consequência da ignorância”, diz Nelson Inocêncio. Para o cientista social Jessé Souza, autor de “Subcidadania Brasileira”, nossas mazelas são fruto da escravidão: “A desigualdade, o prazer sádico na humilhação diante dos mais frágeis, o esquecimento e o abandono da maior parte da população. Esse é o grande problema brasileiro”. A julgar pelos casos das últimas semanas, um problema que está longe de ser solucionado

Racismo cruel e covarde.5

GESTÃO E CARREIRA

COMO CONQUISTAR A CONFIANÇA DA SUA EQUIPE

Como conquistar a confiança da sua equipe

Por mais que você tente se aproximar dos colaboradores da sua equipe, você não consegue ganhar a confiança deles? Sempre que você toma uma decisão, percebe que eles não concordam, ou sente a necessidade de explicar seus motivos? O ambiente de trabalho é instável e você não consegue motivar os funcionários a darem o seu melhor?

Se você se identificou com essa situação, significa que você precisa fazer com que os seus funcionários confiem mais em você. Líderes são desafiados diariamente a conquistar e manter a confiança dos seus liderados. O problema é que nem sempre é fácil conquistar essa confiança, ou então estabelecer um limite entre a amizade e a relação profissional.

Mas afinal, por que isso é importante? É essencial que os funcionários confiem no seu líder pois só assim eles poderão trabalhar de forma eficiente e aceitar, sem discussões, as decisões da empresa.

A fim de contribuir com esse tema, vamos dar diversas dicas de liderança incríveis, ações que podem ser tomadas e posturas que devem ser adotadas pelos líderes, para que suas equipes o vejam como um verdadeiro líder, e não apenas como um chefe.

Então, quais são as posturas que o líder deve ter para conquistar a equipe? Existem algumas dicas de liderança muito eficazes e práticas, para que você comece hoje mesmo a conquistar a confiança da sua equipe.

CUMPRA O QUE PROMETEU

Não faça nenhuma promessa que não possa cumprir aos seus funcionários. Por menor que seja, uma promessa não cumprida destrói a confiança dos funcionários em você e no seu potencial de liderança. Por exemplo, não oferte uma promoção salarial sem que isso esteja aprovado por todas as esferas competentes, pois revogar esse tipo de promessa pode ocasionar situações muito delicadas. Se a promessa tiver sido menos impactante para o funcionário, chame-o e explique com transparência o motivo do descumprimento daquilo que foi anunciado. Lembre-se: descumprir uma promessa deve ser uma exceção.

SEJA TRANSPARENTE

A transparência está diretamente relacionada à confiança que os colaboradores têm na empresa e nos seus líderes. Isso não significa que você precisa revelar informações confidenciais, dados estratégicos e questões confidenciais. No entanto, é muito importante que os colaboradores tenham clareza da situação da empresa, dos dados que se relacionam com as suas metas, das possibilidades de crescimento profissional e do que a empresa espera dos seus funcionários.

NÃO SEJA UM “CARRASCO”

Se você quer a confiança de sua equipe, trate-os bem e com equidade. Se alguém estiver doente, por exemplo, sugira que ele se recupere em casa. O rendimento de um funcionário doente é muito baixo, e ele irá reconhecer sua atitude mais tarde. Quando você mostra a um funcionário que não é só a produtividade que importa, você se aproxima muito de conquistar a confiança dele.

INVISTA NOS COLABORADORES

Nem sempre é possível reconhecer o bom trabalho de um funcionário com um aumento salarial ou uma promoção de cargo. Palavras tampouco são suficientes em todas as situações. Dessa forma, quando você quer valorizar um funcionário que fez um bom trabalho, procure oferecer um curso para ele, ou então o presenteie com um bom livro que o ajudará no seu crescimento profissional ou pessoal. Essas atitudes demonstram, ao mesmo tempo, que você se importa com o desenvolvimento dele e que o reconhece pelo trabalho realizado. Quando o funcionário se sente valorizado pelo seu líder, a confiança nele só se fortalece.

INCENTIVE AO INVÉS DE APENAS DAR ORDENS

Os colaboradores reconhecem a diferença entre receber uma ordem e ser encorajado. Para estabelecer uma relação de confiança e ter sucesso no longo prazo, trabalhe de forma a motivar os funcionários a tomarem atitudes, ao invés de apenas dar comandos. Isso faz com que eles se sintam capazes de realizar mais e passam a ver que o sucesso da empresa está vinculado ao seu sucesso. Esse sentimento não gera apenas um aumento de confiança, mas faz com que eles trabalhem mais de forma muito mais independente e inteligente. Portanto, delegue tarefas e garanta o maior nível de autonomia aos colaboradores, mas deixe claro quais são suas expectativas e o que está em jogo.

NÃO TENHA FAVORITOS

Essa é uma das dicas de liderança que sempre devem ser relembradas, já que esse tipo de atitude faz com que se perca rapidamente a confiança da equipe. Os colaboradores percebem claramente quando há um favoritismo, e você deve evitar, com todas as forças, escolher favoritos. Cuidado para não passar as informações ou tarefas sempre a uma mesma pessoa, elogiar um único colaborador constantemente na frente dos demais (e não fazer isso com os outros), ou convidar os mesmos para um almoço ou uma partida de futebol. Essas ações prejudicam muito a relação de confiança que você pretende construir. Lembre-se que elogios também podem ser dados em um momento de feedback, quando apenas você e o funcionário estarão presentes.

MOSTRE COMPETÊNCIA

Seja bom no que você faz para fortalecer a confiança dos liderados em você. Por mais que as pessoas gostem de você, isso não basta: é preciso ser muito competente para ser confiável. Como você espera que as pessoas confiem em você se elas têm dúvidas sobre o seu potencial? Seja um perito no que você faz. Nunca deixe de estudar, ler e aprender. Ter humildade para buscar a melhoria contínua serve de exemplo e certamente aumentará a confiança que as pessoas têm em você.

Construir uma relação de confiança demanda tempo e trabalho, mas se você se dedicar e seguir essas dicas, perceberá uma grande diferença no ambiente de trabalho.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 18: 13-27 – PARTE III

Alimento diário - Comendo a Bíblia

A Queda de Pedro.

 

III – Na casa de Caifás, Simão Pedro começou a negar seu Mestre, vv. 15-18.

1. Foi com muita emoção que Pedro entrou na praça onde o tribunal estava reunido, relato que temos nos versículos 15 e 16. Aqui podemos observar:

(1) A amizade de Pedro com Cristo, que (embora não se provasse amizade) foi demonstrada em dois aspectos:

[1] Ele seguiu a Jesus, quando o levaram. Embora, no início, ele tivesse fugido com os demais, depois ele teve um pouco de coragem, e seguiu, a alguma distância, recordando as promessas que tinha feito de permanecer com Ele, não importando o que isto lhe custasse. Aqueles que tinham seguido a Cristo nas suas honras, e que compartilharam com Ele estas honras, quando o povo clamou Hosana a Ele, deveriam tê-lo seguido agora, em meio às suas injúrias, e tê-las compartilhado com Ele. Aqueles que verdadeiramente amam e valorizam a Cristo, o seguirão, em qualquer circunstância.

[2] Quando ele não pôde entrar onde Jesus estava, em meio aos seus inimigos, Ele permaneceu à porta, do lado de fora, desejando estar tão próximo dele quanto possível, esperando por uma oportunidade de aproximar-se mais. Desta maneira, quando nos depararmos com oposição, ao seguir a Cristo, nós devemos mostrar nossa boa vontade. Mas esta amizade de Pedro não foi amizade, porque ele não teve coragem e resistência suficientes para perseverar nela, e assim, como foi provado, ele apenas se deixou apanhar em uma armadilha. E mesmo o fato de que seguisse a Cristo, considerando tudo, merecia repreensão, porque Cristo, que o conhecia melhor do que ele conhecia a si mesmo, tinha lhe dito expressamente (cap. 13.36): “Para onde eu vou não podes, agora, seguir-me”, e lhe tinha dito mais de uma vez que ele o negaria, e recentemente ele tinha experimentado sua própria fraqueza, ao abandoná-lo. Observe que devemos evitar tentar a Deus, correndo riscos além da nossa capacidade, e arriscando-nos demais em um caminho de sofrimentos. Se nosso chamado for claro, de expormo-nos ao risco, podemos esperar que Deus irá nos capacitar para honrá-lo, mas, se não for, nós podemos temer que Deus irá nos deixar para que nos envergonhemos.

(2) A bondade do outro discípulo dirigida à Pedro, que, como foi provado, também não foi bondade. O após­ tolo João, no seu Evangelho, referindo-se diversas vezes si mesmo como outro discípulo, levou muitos intérpretes a imaginar que este outro discípulo aqui era João, e eles têm muitas conjeturas sobre como ele seria conhecido do sumo sacerdote, como se ele tivesse nascido um homem melhor do que seu irmão Tiago, quando ambos eram filhos de Zebedeu, o pescador. Alguns dizem que ele tinha vendido suas propriedades ao sumo sacerdote, outros, que ele fornecia peixe à família do sumo sacerdote, mas ambas as hipóteses são muito improváveis. Porém, eu não vejo motivo para pensar que este outro discípulo fosse João, ou um dos doze. Cristo tinha outras ovelhas, que não pertenciam ao rebanho, e este poderia ser, como diz a versão siríaca, um daqueles outros discípulos que criam em Cristo, mas residiam em Jerusalém, e ali tinham seus postos. Talvez José de Arimatéia, ou Nicodemos, conhecidos do sumo sacerdote, sem que ele soubesse que eram discípulos de Cristo. Observe que, assim como há muitos que parecem discípulos, e não o são, há muitos que são discípulos, e não parecem sê-lo. Há boas pessoas escondidas nas cortes, até mesmo na de Nero, e também escondidas nas multidões. Nós não devemos concluir que um homem não fosse amigo de Cristo simplesmente porque se relacionava e convivia com aqueles que eram seus conhecidos inimigos. Veja:

[1] Este outro discípulo, fosse quem fosse, mostrou respeito por Pedro, ao deixá-lo entrar, não somente para satisfazer sua curiosidade e afeição, mas também para dar-lhe uma oportunidade de ser útil ao seu Mestre, neste julgamento, se houvesse ocasião. Aqueles que têm uma verdadeira amizade com Cristo e seus métodos, embora seu temperamento possa ser reservado, e suas circunstâncias possam levá-los a serem prudentes e retraídos, ainda assim, se sua fé for sincera, eles revelarão, quando forem chamados a fazê-lo, qual é sua inclinação, estando prontos a fazer um favor a um discípulo professo. Talvez Pedro tivesse apresentado este discípulo a Cristo, anteriormente, e agora ele retribuía esta gentileza, e não se envergonha de reconhecê-lo, embora, aparentemente, ele tivesse apenas uma aparência humilde.

[2] Mas esta gentileza provou não ser uma gentileza, antes uma grande crueldade. Permitir que Pedro entrasse na casa do sumo sacerdote deixou-o cair em tentação, e a consequência foi terrível. Observe que a cortesia dos nossos amigos frequentemente prova ser uma armadilha para nós, por intermédio de um afeto equivocado.

2. Depois de entrar, Pedro foi imediatamente atacado pela tentação, e frustrado por ela, v. 17. Observe aqui:

(1) Como foi leve o ataque. Foi apenas uma criada tola, de tão pouca importância que vigiava a porta, que o desafiou, e somente perguntou a ele, de modo descuidado: “Não és tu também dos discípulos deste homem?”, provavelmente suspeitando por causa da sua aparência medrosa, e pela sua entrada temerosa. Muitas vezes, nós manteremos melhor uma boa causa se tivermos bom ânimo nela, e pudermos expressá-la de uma forma positiva. Pedro teria tido algum motivo para alarmar-se se Malco o tivesse visto e se tivesse dito: “Foi este que cortou minha orelha, e eu quero a cabeça dele por isto”. Mas, quando uma criada somente lhe perguntou: “Não és tu também dos discípulos deste homem?”, Ele poderia, sem perigo, ter respondido: “E daí, se for?” Supondo que os servos o tivessem ridicularizado, e insultado, por causa disto, aqueles que podem suportar somente pouco, por Cristo, não podem suportar isto. Isto é apenas correr com homens que vão a pé.

(2) Como foi rápida a capitulação. Sem ter tempo para recuperar-se, subitamente respondeu: “Não sou”. Se ele tivesse tido a coragem de um leão, teria dito: “É minha honra sê-lo”. Ou, se tivesse tido a prudência da serpente, ele teria mantido silêncio neste momento, pois era uma hora ruim. Mas, completamente preocupado com sua própria segurança, ele pensou que não conseguiria assegurá-la, exceto por uma negação incisiva: “Não sou”. Ele não somente nega, mas até mesmo desdenha, e zomba das palavras da criada.

(3) Mas ele ainda vai além, na tentação: “Estavam ali os servos e os criados… e com eles estava Pedro”, v. 18.

[1] Veja como os servos se davam importância. Como a noite estava fria, eles fizeram fogo no pátio, não para seus senhores (que estavam tão ansiosos na perseguição a Cristo, que se esqueceram do frio), mas para si mesmos, para se revigorarem. Eles não se preocupavam com o que aconteceria a Cristo. Toda a sua preocupação era sentar-se e aquecer-se, Amós 6.6.

[2] Veja como Pedro se juntou a eles, e se fez um deles. Ele sentou e aqueceu-se. Em primeiro lugar era uma falta suficientemente grave o fato de que ele não auxilias­ se seu Mestre, e não aparecesse para vê-lo na parte superior do pátio, onde Ele estava sendo interrogado. Ele poderia ter testemunhado por Ele, e ter confrontado as falsas testemunhas que juraram contra Ele, se seu Mestre o tivesse chamado. Pelo menos, ele poderia ter sido uma testemunha por Ele, poderia ter tido uma ideia exata do que estava acontecendo, para que pudesse relatar aos outros discípulos, uma vez que nenhum deles tinha podido entrar para ouvir o julgamento. Ele poderia ter aprendido, com o exemplo do seu Mestre, a como se comportar quando chegasse sua vez de sofrer desta maneira. No entanto, nem sua curiosidade nem sua consciência puderam levá-lo à corte, mas ele se sentou por ali, como se, como Gálio, nada destas coisas o incomodasse. E, ao mesmo tempo, nós temos razão para pensar que seu coração estava tão cheio de tristeza e preocupação como poderia estar, mas ele não tinha coragem de admitir isto. “Senhor, não nos induzas à tentação”. Em segundo lugar, era muito pior que ele se unisse àqueles que eram inimigos do seu Mestre: “Com eles estava Pedro, aquentando-se também”. Esta era uma desculpa pobre para juntar-se a eles. Uma pequena coisa atrairá às más companhias aqueles que forem atraídos pelo amor a um bom fogo. Se o zelo de Pedro pelo seu Mestre não tivesse congelado, mas tivesse permanecido no calor em que parecia estai apenas poucas horas antes, ele não teria tido oportunidade de aquecer-se agora. Pedro merecia ser repreendido:

1. Porque se associou a estes homens maus, e ficou na companhia deles. Sem dúvida, eles estavam se divertindo com a expectativa desta noite, zombando de Cristo, do que Ele tinha dito, do que Ele tinha feito, e triunfando na sua vitória sobre Ele. E que tipo de divertimento isto representaria para Pedro? Se ele dissesse o que eles diziam, ou, pelo seu silêncio, consentisse, ele se envolveria em pecado. Se não, ele se exporia ao perigo. Se Pedro não tinha coragem de aparecer publicamente pelo seu Mestre, ele deveria ter tido devoção suficiente para afastar-se para um canto, e chorar em segredo pelos sofrimentos do seu Mestre, e pelo seu próprio pecado em abandoná-lo. Se ele não podia ter feito o bem, ele devia ter evitado fazer o mal. E melhor esconder-se do que aparecer sem propósito, ou com maus propósitos.

2. Porque desejou ser considerado um deles, para que não suspeitassem que ele era um discípulo de Cristo. Este é Pedro? Que contradição é esta à oração de todo homem justo: “Não colhas a minha alma com a dos pecadores!” Saul, entre os profetas, não é tão absurdo como Davi, entre os filisteus. Aqueles que menosprezam a sorte dos escarnecedores no futuro, devem temer se assentar na roda dos escarnecedores agora, no presente. Não convém que nos aqueçamos com aqueles em cujo meio corremos o risco de nos queimarmos, Salmos 141.4.