ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 18: 1-12 – PARTE VI

Alimento diário - Comendo a Bíblia

VI – Tendo se reconciliado completamente com a dispensação, Cristo se entregou calmamente, e se entregou como um prisioneiro, não porque não pudesse ter fugido, mas porque não desejou fazê-lo. Alguém poderia imaginar que a cura da orelha de Malco teria feito com que os inimigos demonstrassem misericórdia, mas nada os dissuadiria. Observe aqui:

1. Como eles o prenderam: eles “prenderam a Jesus”. Somente alguns deles puderam lançar mãos dele, mas isto é dito a respeito de todos, pois todos eles eram ajudantes e cúmplices. Na traição, não há ajudantes. Todos são principais. Agora se cumpriam as Escrituras: “Touros me cercaram” (Salmos 22.12). “Cercaram-me como abelhas”, Salmos 118.12. “O respiro das nossas narinas… foi preso nas suas covas”, Lamentações 4.20. Eles tinham tão frequentemente se frustrado nas suas tentativas de prendê-lo, que agora, tendo-o em suas mãos, podemos imaginar que se lançaram sobre Ele com muito mais violência.

2. Como o ataram: eles “o manietaram”. Este detalhe dos seus sofrimentos é observado somente por este evangelista, o fato de que, imediatamente depois de preso, Ele foi atado, amarrado, algemado. Diz a tradição: “Eles o amarraram com tanta crueldade, que o sangue começou a sair das pontas dos seus dedos. E, tendo amarrado suas mãos às suas costas, eles colocaram rapidamente uma corrente de ferro ao redor do seu pescoço, e com isto o arrastaram”.

(1) Isto mostra a maldade dos seus perseguidores. Eles o manietaram:

[1] Para que pudessem atormentá-lo, e causar-lhe sofrimentos, da mesma maneira como amarraram a Sansão, para atormentá-lo.

[2] Para que pudessem desonrá-lo, e envergonhá-lo. Os escravos eram amarrados, e também o foi Cristo, embora nascido livre.

[3] Para que pudessem evitar a fuga dele, tendo-lhes dito Judas que o amarrassem bem apertado. Vejam a tolice, pois pensavam que poderiam limitar aquele que tinha acabado de provar que é onipotente.

[4] Eles o prenderam como a alguém já condenado, pois estavam decididos a processá-lo até à morte, e Ele deveria morrer como morre um louco, isto é, como um vilão, com suas mãos atadas, 2 Samuel 3.33,34. Cristo tinha atado a consciência dos seus perseguidores através do poder da sua palavra, o que os atormentou, e, para se vingarem dele, eles o ataram com estas amarras.

(2) A prisão na vida de Cristo era algo muito significativo. Nisto, como em outras coisas, havia um mistério.

[1] Antes de eles o prenderem, Ele tinha prendido a si mesmo, pela sua própria incumbência, à obra e ofício de um Mediador. Ele já estava preso aos chifres do altar com as cordas de seu próprio amor pelo homem, e de seu dever para com seu Pai, senão as cordas deles não o teriam segurado.

[2] Nós estávamos presos com as cordas das nossas iniquidades (Provérbios.5.22), com o jugo das nossas transgressões, Lamentações 1.14. A culpa é uma prisão sobre a alma, pela qual nós estamos presos, do começo ao fim, ao juízo de Deus. A corrupção é uma prisão sobre a alma, pela qual nós estamos presos sob o poder de Satanás. Cristo, sendo feito pecado por nós, para nos libertar dessas prisões, apresentou-se, Ele mesmo, para ser preso por nós, senão nós teríamos sido amarrados de mãos e pés, e reservados nas cadeias da escuridão. À sua prisão, devemos nossa liberdade. Seu aprisionamento foi nossa dilatação. Desta maneira, o Filho nos fez livres.

[3] Nisto, os tipos e profecias do Antigo Testamento foram cumpridos. Isaque foi preso, para que ele pudesse ser sacrificado. José foi preso, e os ferros penetraram em sua alma, a fim de que sua vida o levasse do cárcere ao reinado, Salmos 105.18 etc. Sansão foi preso, a fim de que matasse mais dos filisteus em sua morte do que tinha feito em sua vida. E o Messias foi predito como um prisioneiro, Isaías 53.8.

[4] Cristo foi preso, para que Ele pudesse nos prender ao dever e à obediência. Suas prisões por nós são prisões sobre nós, pelas quais somos, para sempre, obrigados a amá-lo e servi-lo. A saudação de Paulo a seus amigos é a de Cristo a todos nós: “Lembrai-vos das minhas prisões” (Colossenses 4.18), lembrai-os como presos com Ele por causa de todo pecado, e a todo dever”.

[5] As prisões de Cristo, por nós, foram designadas para fazer nossas prisões por Ele fáceis para nós, para santificá-las e abrandá-las, e colocar honra sobre elas, se, em qualquer tempo, formos, deste modo, chamados para sofrer por Ele. Elas habilitaram Paulo e Silas a cantarem no tronco, e Inácio, a chamar suas prisões por Cristo de pérolas espirituais.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.