PSICOLOGIA ANALÍTICA

MOTIVAÇÃO NA MEDIDA CERTA

Alto desempenho nos esportes não é apenas uma questão de preparo físico – muitas vezes, o psiquismo é o principal responsável pelo triunfo ou pela derrota. Por isso, cada vez mais atletas reconhecem a importância do treinamento mental e recorrem a técnicas para exercitar o cérebro.

Motivação na medida certa

Não se ouve uma mosca no estádio. Na pista, os atletas se colocam em posição de partida. Os espectadores prendem a respiração quando o juiz dá o sinal para o início da competição. É o momento de avaliar os resultados de uma preparação que exigiu exaustivos treinos diários nas pistas e nas academias. Mas para ser o primeiro a atravessar a linha de chegada não basta apenas o preparo físico. Pois de que vale a força física se as emoções estremecem no momento mais crítico?

A falta de controle pode surgir justamente nos segundos que antecedem a largada: os mesmos rituais que prendem a atenção do espectador também representam uma tensão às vezes insuportável para o atleta. Se o corredor queimar a largada acaba desclassificado, mas se sair atrasado ou percorrer a pista relaxado demais desperdiça as suas chances. Para vencer essa tensão, precisa que seu corpo e sua mente trabalhem em harmonia. Isso significa manter concentração, tranquilidade, confiança na própria capacidade e o objetivo na cabeça para bloquear os pensamentos que possam comprometer o resultado.

Atingir o equilíbrio almejado muitas vezes requer o trabalho de um psicólogo esportivo, profissional que começa a ser reconhecido por sua importância em vários países. Isso se deve ao fato de que os resultados obtidos pela elite de atletas das mais diversas modalidades estão cada vez mais próximos, e se diferenciar num ambiente assim exige mais que treinamento físico – exige treinamento mental. Pensamentos e sentimentos tornam-se elementos decisivos, principalmente agora que muitos preconceitos estão sendo vencidos, incluindo o medo de parecer louco se recorrer a um psicólogo. E quanto mais limites são vencidos mais fica claro que a vitória é decidida, em grande parte, na cabeça. Desde os anos 80, os “treinadores mentais” são comuns nos Estados Unidos, mas só agora se firmam na Europa e no Brasil.

Não se pode descartar completamente o efeito placebo de ter ao lado alguém empenhado em incentivar o esportista e em tirar dele o melhor rendimento possível, mas o treinamento mental, assim como o físico, bem-sucedido exige o exercício ativo e regular de habilidades. Não se trata de mágica, mas de métodos bastante efetivos.

O psicólogo Hans Eberspacher, coordenador-chefe da seção de psicologia esportiva da Universidade de Heidelberg, cita algumas áreas nas quais os atletas podem tirar proveito do acompanhamento psicológico direcionado: controle da atenção e da concentração; crença na própria capacidade; ativação das reservas físicas. Para tanto, devem-se automatizar os modelos mentais a tal ponto que eles ocorram – assim como os movimentos treinados – sem controle consciente. Assim, principalmente em esportes individuais, a cabeça não fica “livre” apenas para a competição – pelo menos durante o período de duração da prova.

“No momento decisivo, a cabeça deve apoiar e não atrapalhar a ação”, observa Eberspacher. Quanto melhor se consegue sincronizar pensamento e ação, maior a possibilidade de chegar ao ápice de desempenho. “Minha raquete parecia ser a continuação do meu braço e, apesar das linhas demarcadoras, a quadra parecia ser enorme aos meus olhos. Percebi que sentia, ao mesmo tempo, a mais alta concentração e o sentimento excitante de estimulação fervilhante. E mesmo assim, eu estava totalmente tranquilo e me alegrava com toda bola que vinha em minha direção. Eu tinha certeza absoluta de que, na raquetada seguinte, conseguiria colocar a bola praticamente em qualquer lugar”, declarou numa entrevista o tenista Rafael Nadai. Nos anos 70, o psicólogo americano Mihalyi Czikszentmihalyi cunhou um termo que resume bem o estado descrito pelo campeão olímpico: flow – um mergulho completo na própria ação. Despreocupada e sem resistência ou necessidade de impulso externo, a pessoa imerge na sequência de seus gestos – seja num trabalho compensador, num jogo ou numa caminhada no parque.

 

O TÊNIS DE CADA UM

Como um esportista pode se colocar sozinho nesse “estado de desempenho ideal”? O principal pré-requisito para isso é uma alternância razoável entre pressão e relaxamento. O atleta não pode se sentir sobrecarregado nem subaproveitado, para que não surja espaço nem para o medo do fracasso nem para a sensação de enfado. No passo seguinte, ele deve se aprofundar totalmente na sequência de seus movimentos – por exemplo, quando um salta­ dor em altura imagina, com a maior exatidão possível, como toma impulso, salta e faz seu corpo deslizar por cima da barra de metal. E, em vez de apelos gerais – do tipo “concentre-se” -, as indicações sobre como a ação planejada deve decorrer são bem mais úteis. Durante o saque, no tênis, por exemplo, pode-se pensar na sequência: “oscilar, levantar o braço, esticar!”. Com algum treino, é possível imaginar com detalhes o movimento ideal.

A visualização, porém, não serve apenas para a concentração durante a competição; mesmo durante os treinos ela pode ajudar a automatizar exercícios motores complexos. O efeito físico desse método foi comprovado há muito tempo: já no fim do século 19, o fisiologista inglês William Carpenter (1813-1885) afirmou que a mentalização detalhada (e em alguns casos a observação) de movimentos pode desencadear reações musculares. Não raro, nossa perna estremece quando vemos na televisão um jogador de futebol chutando a bola para o gol. Esse “contágio ideomotor”, também denominado efeito Carpenter, faz com que, se a visualização se repetir várias vezes, seja mais fácil imitar o movimento real.

Há pouco tempo, estudiosos do cérebro examinaram esse fenômeno com a ajuda de exames de imagem. Como o psicólogo Stephen Kosslyn, da Universidade Harvard, comprovou há alguns anos, imaginar movimentos torna ativas as áreas motoras responsáveis do córtex cerebral – como se elas realmente estivessem participando da ação. Provavelmente, novas conexões sinápticas entre as células neurais dessa região cerebral produzem o efeito do aprendizado auto- sugestivo. E esportistas estão descobrindo o quanto pode ser útil usar esse recurso. É o caso dos jogadores de basquete, que recapitulam constantemente o movimento ideal ao treinar o lance livre para elevar a porcentagem de acertos. Durante muito tempo, considerava-se que a visualização proporcionava melhores resultados se a pessoa dividisse o movimento em partes: agachar, dobrar o braço, curvar o pulso e rolar a bola pela palma da mão ao lançá-la, por exemplo.

Estudos recentes, no entanto, indicaram que a concentração em pontos -chave, (joelho, braço, mão) também pode atrapalhar a fluência da coordenação, principalmente se ela já está fortemente automatizada. O mais indicado, portanto, é imaginar detalhadamente o objetivo visado pela ação, ou seja, não o movimento, mas seu resultado: por exemplo, a bola entrando na cesta. O campeão americano de golfe Tiger Woods, por exemplo, garante que é mais fácil acertar a jogada quando se imagina concretamente o barulho característico da bola ao entrar na caçapa.

Controlar a própria atenção é comprovadamente indispensável para os es portes. Mas muitas vezes, é justamente essa a maior dificuldade dos chamados “campeões mundiais em treinos”. Eles brilham durante a preparação com os melhores desempenhos – mas quando chega a hora H, quase sempre fracassam. Esse efeito é conhecido por qualquer um que já quis alguma vez apresentar em público piada ou truque de mágica do qual tinha perfeito domínio: olhares ansiosos podem dificultar a apresentação. Podemos imaginar então o quão difícil deve ser manter a calma no burburinho da competição, diante do cenário intimidante do estádio e da necessidade (muitas vezes auto imposta) de vencer.

Nesse caso, monólogos objetivos podem ajudar. Em vez de “Ai, meu Deus, tomara que dê tudo certo”, o lema deve ser: “Eu só preciso me esforçar e vou conseguir!”. Lembrar-se de experiências passadas bem-sucedidas ou pensar nas supostas fraquezas do adversário também impedem pensamentos e sentimentos prejudiciais. O funcionamento certeiro dessa tática, porém, depende da personalidade do atleta. O sapato (ou tênis) de um tipo extrovertido aperta em um lugar; o do tímido, em outro. Para os psicólogos esportivos, isso significa que é preciso realizar sempre um trabalho personalizado e os métodos devem ser adequados a cada indivíduo. A importância das características do temperamento dos esportistas ficou demonstrada de forma impressionante pelo saltador com vara ucraniano Sergej Bubka, que conseguiu seis títulos mundiais entre 1980 e 1990. O fato de Bubka dominar sua área como ninguém não se devia a uma forma física extraordinária. “Ele sai correndo como um louco, como se nunca tivesse sentido medo de nada, e isso faz dele uma exceção”, chegou a comentar outro campeão da mesma modalidade, Tim Lobinger. Nessa prova, de grande exigência técnica, na qual o competidor tem de se lançar a aproximadamente6 metros de altura com a ajuda de um bastão de fibra de vidro, é comum haver relatos de atletas que sentiram as pernas bambas durante a corrida de impulso. Ao que tudo indica, só Bubka não sentia o mesmo.

Além da coragem, muitas vezes outra forma de auto superação é importante: a capacidade de suportar o sofrimento. Principalmente aqueles que praticam esportes de longa duração têm de ser capazes de extenuar o próprio corpo até o limite da dor- e além dele. “Sofre, cachorro!” O drástico apelo do ciclista profissional Udo Bõlz ao seu colega de time Jan Ullrich durante o Tour de France 2003 não foi ouvido. Naquele momento, Ullrich já tinha perdido a visão e a audição.

Quem não possui por natureza o dom de se desligar mentalmente do medo ou da dor ainda pode treinar essa prática. Para tanto, a pessoa precisa se suje it ar constantemente a situações extremas desse tipo até que elas se tornem corriqueiras. Para reduzir a exaustão física e psíquica e o estresse atrelado a elas, existem técnicas como o relaxamento muscular ou o treinamento autógeno. O trabalho para combater o estresse e o medo do fracasso representa um componente importante do treinamento mental. Esportistas de ponta precisam saber conviver com a pressão permanente para evitar consequências como a depressão. Claro que quando o caso se torna mais grave, geralmente um psicólogo é convocado. Mas profissionais como o professor Martin Schweer, do Departamento de Psicologia Esportiva da Faculdade Vechta, Alemanha, criticam exatamente essa atitude: segundo ele, vários treinadores e associações não se preocupam com ações preventivas e acionam especialistas somente quando os danos estão instalados. Uma pesquisa realizada há alguns anos por cientistas esportivos da Universidade Johann Wolfgang, de Frankfurt, indicou que mais de dois terços de todas as medidas adotadas por psicólogos esportivos visam a superação de crises agudas. Segundo Schweer, em vez de chamar bombeiros para apagar o fogo, seria mais importante haver acompanhamento de longo prazo para que problemas psicológicos possam ser reconhecidos e superados a tempo.

De qualquer forma, salvo algumas exceções, os esportistas com alto desempenho em geral já trazem em si os pressupostos psíquicos favoráveis – senão, nunca teriam chegado tão longe. Estudos atestam, por exemplo, que atletas de elite possuem, em comparação com os simples mortais, grande inteligência espacial e capacidade de concentração. Concentrados nos resultados, eles obtêm valores acima da média. E nas competições, demonstrar autoconfiança é quase um pré-requisito exigido pelo treinador e pela torcida.

“Para os atletas, é imprescindível, inicialmente, a imposição de metas altas, mas atingíveis, que desafiem sua capacidade”, esclarece o psicólogo esportivo Jurgen Beckmann, da Universidade de Potsdam. “Essa chamada fase de motivação, porém, transforma-se em algum momento na etapa de volição, na qual é preciso realmente atingir a meta visada. Nesse momento, o esportista deve certamente se livrar de qual­ quer dúvida que tenha em relação a si mesmo.” O modelo de Muhammad Ali – ” Eu sou o maior!” – só serve para o alcance concreto da meta. Durante o estabelecimento prévio do objetivo a ser alcançado é importante uma autoavaliação realista a fim de evitar frustrações permanentes, o que costuma ser extremamente prejudicial. O psicólogo americano Albert Bandura colocou o conceito de auto eficiência – popularmente conhecido como “a fé remove montanhas” – em sua teoria social-cognitiva do aprendizado. Resumidamente, significa que, muitas vezes, apenas aquilo que pensamos poder realizar já restringe nossas possibilidades reais. Inversamente, porém, também se pode dizer: quem está suficientemente convencido de que pode atingir determinada meta consegue superar obstáculos maiores.

 

O MELHOR DE SI

“Eu posso! Eu consigo! Ninguém vai me impedir!” Com frases como essas, o esportista se habitua a apostar na própria capacidade. Monólogos motivadores oferecem a possibilidade de eliminar dúvidas e inseguranças. Os efeitos dessa prática foram comprovados em 1977 em um estudo clássico da psicologia esportiva. O pesquisador Michael Mahoney, da Universidade Estadual da Pensilvânia, entrevistou, na época, junto com o treinador Marshall Avener, um grupo de ginastas sobre os seus pensamentos e monólogos durante as competições. Ficou demonstrado que as esportistas bem-sucedidas, que haviam se qualificado para representar os Estados Unidos nas Olimpíadas, não tinham menos medos do que suas concorrentes não qualificadas. Elas apenas os compensavam melhor na medida em que se auto- encorajavam o tempo todo. Já as esportistas que tiveram pior desempenho estavam claramente menos satisfeitas consigo mesmas.

Na maioria das modalidades esportivas por equipes, por outro lado, a concorrência por desempenho é “mais leve” do que, por exemplo, no atletismo ou natação. Se o time joga bem, mas mesmo assim perde, várias coincidências e variáveis também são consideradas influências decisivas. Para que esses variados aspectos não desanimem o esportista individualmente, é necessário um forte sentimento de solidariedade dentro do time. Por isso, com frequência, treinadores e jogadores enfatizam nas entrevistas a “união da equipe para que cada um dê o melhor de si”. Esportistas de fim de semana (estima-se que existam no Brasil cerca de 4 milhões de corredores profissionais e amadores, dos quais mais de 300 mil participam de corridas de rua) também podem utilizar técnicas como visualização, monólogos motivadores ou técnicas de relaxamento para refinar a coordenação motora, aumentar a autoconfiança ou lidar com reveses como lesões ou sentimentos derrotistas. O desejo frequente de testar os próprios limites d e desempenho faz com que cada vez mais amadores se tornem adeptos do treinamento mental. Nesse campo, como em tantos outros, aliás, também é preciso valorizar a formação profissional, já que muitas pessoas tendem a acreditar que, pelo fato de incentivar o atleta, qualquer amigo ou profissional sem especialização possa ser considerado um “psicólogo esportivo”. Para o ex-piloto de fórmula l Michael Schumacher, o seu cozinheiro particular indiano, Balbir Singh, fazia o papel de “massagista” da alma. Já o ciclista e vencedor do Tour de France Jan Ullrich declarou que recorre a sua fisioterapeuta, Birgit Krohme, não só para massagear seus músculos cansados, mas também quando percebe que está sem motivação.

Mas o que diferencia o especialista do “guru” é, primeiramente, a objetividade. Levar em consideração os objetivos e necessidades individuais sempre é mais promissor do que promessas generalizadas de sucesso. Por esse motivo, todo acompanhamento sério feito por um psicólogo esportivo se inicia com um diagnóstico da situação. Qual o nível de desempenho em que o esportista se encontra? Quais são seus problemas, desejos e objetivos? Só então se inicia a busca por métodos adequados para treinar a concentração, a coordenação ou o desejo de perseverança. Contudo, o preparo físico e o domínio da técnica e das táticas continuam sendo o ponto – chave de qualquer modalidade esportiva. Pelo menos, ninguém ainda ganhou uma maratona apenas com base no treinamento mental.

TÉCNICAS PARA ESTIMULAR A MENTE

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VISUALIZAÇÃO dos movimentos, imaginando sua execução da forma mais perfeita possível. As etapas de cada ação são desmembradas e é priorizada a concentração no resultado desejado (como acertar a bola no gol).

MONÓLOGOS DIRIGIDOS nos quais a pessoa “fala” consigo mesma enquanto treina, estimulando a própria performance, com frases como “muito bem, continue assim!”, em uma corrida de distância, por exemplo. O objetivo é anular estímulos externos que distraiam o esportista e afastar pensamentos prejudiciais, reforçando o desejo de perseverança.

RELAXAMENTO MUSCULAR PROGRESSIVO propõe a alternância da contração de partes do corpo, como ombros ou braços. O fisiologista Edmund Jacobson (1885-1976) criou um programa sistemático de exercícios que leva em conta todos os grandes grupos musculares.

TREINAMENTO AUTÓGENO  foi desenvolvido na década de 20 pelo médico Johannes Heinrich Schultz (1884-1970) para eliminar medos e ansiedades de seus pacientes. O ponto central do método são fórmulas auto sugestivas como “eu estou muito calmo!”. As frases são ditas em voz alta, em posição relaxada. A pessoa pode controlar até mesmo funções como a respiração e pulsação.

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OUTROS OLHARES

NÃO PARECE, MAS É

Nada de passas nem de frutas cristalizadas. O panetone, tradição da ceia de Natal, agora tem cores, sabores e recheios que passam longe da receita milenar inventada em Milão.

Não parece, mas é

Tradição do natal, o panetone, com sua massa entremeada de passas e frutas cristalizadas, sempre foi um corpo meio estranho na ceia brasileira. A primeira investida para aproximar o pão (sim, ele é um pão) natalino das preferências nacionais se deu há exatos quarenta anos, quando a Bauducco trocou as frutas por gotas de chocolate – e, afinal, quem não gosta de chocolate? O chocotone, hoje empatado em vendas com o original, foi a largada para reinvenções que, neste ano, atingiram um frenesi de criatividade: para onde quer que se olhe, há panetone de todas as cores e sabores – salgados, inclusive. “Queremos satisfazer o gosto dos clientes, e os jovens, principalmente, estão sempre atrás de novidades”, diz Alexandre Martins, diretor da Ofner, marca que tem entre suas catorze receitas o Red Velvet (veludo vermelho, em inglês). Inspirado no famoso bolo americano, esse irreconhecível panetone traz corante vermelho na massa, recheio de cream cheese levemente doce e cobertura de chocolate branco.

Nas prateleiras das lojas e mercados, escolher é um exercício de desapego. Tem panetone de doce de leite, brigadeiro, bem-casado, morango. A Cacau Show lançou o de petit gâteau, com massa de cacau recheada de chocolate cremoso, para ser aquecido antes de servir. Sob o rótulo de “natural”, o pão de Natal pode levar farinha integral, castanha e damasco. Mais heterodoxa ainda, a versão salgada adiciona bacalhau, calabresa e carne-seca, entre outros sabores. Maior produtor da América Latina e segundo do mundo, o Brasil também é o segundo maior consumidor de panetone (perde em ambos os casos para a Itália, onde ele nasceu). De novembro de 2017 a janeiro de 2018, foram vendidas aqui 39.000 toneladas da especialidade, o que movimentou 600 milhões de reais. E a previsão é de um crescimento de 8% neste Natal. O panetone foi trazido para o Brasil pelos imigrantes italianos e popularizado após a II Guerra. Neste ano, o produto brasileiro será exportado para cinquenta países, como Estados Unidos – o maior comprador -, Peru (o terceiro maior consumidor), Angola, Argentina e Japão.

O panettone, com dois “t”, foi inventado em Milão – e esse é o único consenso entre as várias lendas que rondam sua origem. A mais romântica diz que Toni, um padeiro na Milão de Ludovico, o Mouro (1452-1508), apaixonou-se pela filha do dono da padaria, criou um pão doce para impressionar o pai da amada e ecco – o pane diToni vendeu como pão quente.

Há referências ao pão de frutas em rituais celtas em 600 a.c. e em quadros renascentistas. No século IX, o ponto alto da noite de Natal entre as famílias milanesas se dava quando o patriarca repartia o “pão grande” como sinal de comunhão. Seis séculos adiante, aristocratas e plebeus consumiam na ceia natalina o mesmo pão, o pan de ton, ou pão de luxo, feito de trigo, manteiga, mel e uva.

Fazer panetone dá trabalho. O processo leva no mínimo 24 horas e envolve etapas como alimentar o fermento, misturar os ingredientes, deixar a massa descansar, dobrá-la e assar. Para proteger a tradição, o governo italiano baixou um decreto, em 2005, que regulamenta a produção. O formato é de massa aerada de fermentação natural, base redonda e crosta crocante. Os ingredientes são farinha, sal, açúcar, ovos, manteiga, fermento natural e frutas cristalizadas em quantidade não inferior a 20% da receita total. Cedendo aos novos tempos, a norma permite outros sabores, desde que se preserve a massa-padrão. Isso mesmo: os italianos também inventam. Nas confeitarias de Roma, encontram-se opções de pistache, de creme de limão e de chocolate. Em Nápoles, foi lançado até um panetone em forma de pizza. “Mesmo assim, o original continua sendo nosso campeão de vendas”, orgulha-se Fabrizio Galla, membro da Academia Italiana de Mestres Confeiteiros. Toni, se existiu, ficaria feliz.

Não parece, mas é.2

 

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GESTÃO E CARREIRA

FATORES QUE AUMENTAM O NÍVEL DE SATISFAÇÃO DOS COLABORADORES

Conheça quatro pontos que fazem com que a empresa esteja acima da média entre as organizações.

Fatores que aumentam o nível de satisfação dos colaboradores

Os colaboradores são quem movem e transformam uma empresa. E saber como seus funcionários se sentem é uma das melhores formas de buscar a melhoria contínua no ambiente de trabalho e crescer ainda mais. Medir estatísticas e obter opiniões que ajudam no assunto através da pesquisa de Gestão de Clima é uma das maneiras mais comuns. A Brandili Têxtil, eleita um dos melhores lugares para trabalhar, segundo o Great Place to Work, instituto de pesquisa que avalia diversas empresas no Brasil e no mundo, divulga os resultados da sua pesquisa de monitoramento, que teve 88% de participação e revelou que 81% de seus colaboradores estão engajados com a empresa. A gerente de Desenvolvimento Humano e Organizacional da Brandili, Cláudia Orçati Caniceiro, comenta sobre quatro pontos que fazem com que a empresa esteja acima da média entre as organizações. 

TREINAMENTO DE GESTORES
Eles são os olhos e ouvidos dentro da equipe. Capacitar gestores para que entendam que o papel deles vai além de delegar demandas faz diferença no engajamento da equipe e, consequentemente, nos resultados finais que a empresa busca. Um líder se faz pelo bom exemplo, pelas boas atitudes e proximidade com o grupo. Trabalhamos para manter os colaboradores bem informados e conectados ao time, pois acreditamos que isso cria vínculos positivos e gera envolvimento. Um bom líder deve ter voz ativa, mas também ser parceiro. Treinamos e atualizamos nossos gestores com frequência, pois eles precisam estar preparados para ouvir, entender, transmitir informações sem ruídos, cobrar e direcionar.

RECONHECIMENTO
A criação de programas diferenciados que estimulam a equipe é um dos caminhos para o engajamento. Na Brandili Têxtil, através do Mais Você Brandili, são realizados programas de valorização profissional, como o GP (Grande Prêmio) da Melhoria Contínua, uma forma de reconhecimento e também de recompensa destinada aos colaboradores que transformam ideais em ações efetivas de melhoria no ambiente de trabalho. Desde 2015 já foram 75 projetos com a participação de 488 colaboradores que se comprometem sugerindo melhorias. O Valeu! é outro projeto onde os colaboradores podem votar e reconhecer colegas que têm atitudes positivas na equipe.

VALORIZAÇÃO
A empresa aposta em programas que oferecem benefícios também para a família dos colaboradores e que buscam mostrar o zelo dos gestores com quem faz parte da equipe. Como o Mãe Amor Brandili, programa de apoio às gestantes que oferece cursos, acompanhamento médico, auxílio creche, leite e licença-maternidade estendida para seis meses. Já para os pais, é oferecido 20 dias de licença- paternidade.

MELHORIA CONTÍNUA
Apesar do alto nível de satisfação e de termos comemorado esse índice acima da média, acreditamos também que temos um importante caminho a percorrer. Por isso nunca paramos, recentemente lançamos a campanha “Minha Brandili”, que enfatiza que juntos podemos alcançar resultados ainda maiores, e que todos somos semelhantes a pequenos retalhos, cada um com a sua história, singularidade e importância, esses pequenos retalhos unidos constroem uma linda colcha, recheada de significado e também de emoção.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 18: 1-12 – PARTE VI

Alimento diário - Comendo a Bíblia

VI – Tendo se reconciliado completamente com a dispensação, Cristo se entregou calmamente, e se entregou como um prisioneiro, não porque não pudesse ter fugido, mas porque não desejou fazê-lo. Alguém poderia imaginar que a cura da orelha de Malco teria feito com que os inimigos demonstrassem misericórdia, mas nada os dissuadiria. Observe aqui:

1. Como eles o prenderam: eles “prenderam a Jesus”. Somente alguns deles puderam lançar mãos dele, mas isto é dito a respeito de todos, pois todos eles eram ajudantes e cúmplices. Na traição, não há ajudantes. Todos são principais. Agora se cumpriam as Escrituras: “Touros me cercaram” (Salmos 22.12). “Cercaram-me como abelhas”, Salmos 118.12. “O respiro das nossas narinas… foi preso nas suas covas”, Lamentações 4.20. Eles tinham tão frequentemente se frustrado nas suas tentativas de prendê-lo, que agora, tendo-o em suas mãos, podemos imaginar que se lançaram sobre Ele com muito mais violência.

2. Como o ataram: eles “o manietaram”. Este detalhe dos seus sofrimentos é observado somente por este evangelista, o fato de que, imediatamente depois de preso, Ele foi atado, amarrado, algemado. Diz a tradição: “Eles o amarraram com tanta crueldade, que o sangue começou a sair das pontas dos seus dedos. E, tendo amarrado suas mãos às suas costas, eles colocaram rapidamente uma corrente de ferro ao redor do seu pescoço, e com isto o arrastaram”.

(1) Isto mostra a maldade dos seus perseguidores. Eles o manietaram:

[1] Para que pudessem atormentá-lo, e causar-lhe sofrimentos, da mesma maneira como amarraram a Sansão, para atormentá-lo.

[2] Para que pudessem desonrá-lo, e envergonhá-lo. Os escravos eram amarrados, e também o foi Cristo, embora nascido livre.

[3] Para que pudessem evitar a fuga dele, tendo-lhes dito Judas que o amarrassem bem apertado. Vejam a tolice, pois pensavam que poderiam limitar aquele que tinha acabado de provar que é onipotente.

[4] Eles o prenderam como a alguém já condenado, pois estavam decididos a processá-lo até à morte, e Ele deveria morrer como morre um louco, isto é, como um vilão, com suas mãos atadas, 2 Samuel 3.33,34. Cristo tinha atado a consciência dos seus perseguidores através do poder da sua palavra, o que os atormentou, e, para se vingarem dele, eles o ataram com estas amarras.

(2) A prisão na vida de Cristo era algo muito significativo. Nisto, como em outras coisas, havia um mistério.

[1] Antes de eles o prenderem, Ele tinha prendido a si mesmo, pela sua própria incumbência, à obra e ofício de um Mediador. Ele já estava preso aos chifres do altar com as cordas de seu próprio amor pelo homem, e de seu dever para com seu Pai, senão as cordas deles não o teriam segurado.

[2] Nós estávamos presos com as cordas das nossas iniquidades (Provérbios.5.22), com o jugo das nossas transgressões, Lamentações 1.14. A culpa é uma prisão sobre a alma, pela qual nós estamos presos, do começo ao fim, ao juízo de Deus. A corrupção é uma prisão sobre a alma, pela qual nós estamos presos sob o poder de Satanás. Cristo, sendo feito pecado por nós, para nos libertar dessas prisões, apresentou-se, Ele mesmo, para ser preso por nós, senão nós teríamos sido amarrados de mãos e pés, e reservados nas cadeias da escuridão. À sua prisão, devemos nossa liberdade. Seu aprisionamento foi nossa dilatação. Desta maneira, o Filho nos fez livres.

[3] Nisto, os tipos e profecias do Antigo Testamento foram cumpridos. Isaque foi preso, para que ele pudesse ser sacrificado. José foi preso, e os ferros penetraram em sua alma, a fim de que sua vida o levasse do cárcere ao reinado, Salmos 105.18 etc. Sansão foi preso, a fim de que matasse mais dos filisteus em sua morte do que tinha feito em sua vida. E o Messias foi predito como um prisioneiro, Isaías 53.8.

[4] Cristo foi preso, para que Ele pudesse nos prender ao dever e à obediência. Suas prisões por nós são prisões sobre nós, pelas quais somos, para sempre, obrigados a amá-lo e servi-lo. A saudação de Paulo a seus amigos é a de Cristo a todos nós: “Lembrai-vos das minhas prisões” (Colossenses 4.18), lembrai-os como presos com Ele por causa de todo pecado, e a todo dever”.

[5] As prisões de Cristo, por nós, foram designadas para fazer nossas prisões por Ele fáceis para nós, para santificá-las e abrandá-las, e colocar honra sobre elas, se, em qualquer tempo, formos, deste modo, chamados para sofrer por Ele. Elas habilitaram Paulo e Silas a cantarem no tronco, e Inácio, a chamar suas prisões por Cristo de pérolas espirituais.