PSICOLOGIA ANALÍTICA

ENCANTOS DA MAQUIAGEM

Mulheres usam cosméticos para ficar mais bonitas, mas os efeitos não são apenas estéticos: um rosto feminino bem pintado, com bom gosto e sem exageros podem tornar espécimes do “sexo forte” mais generosos, propensos a se deixar seduzir, e até mesmo alterar as capacidades cognitivas masculinas.

Encantos da maquiagem

São poucas as mulheres que se arriscam a sair de casa sem pelo menos uma cor nos lábios – ou levar um batom na bolsa, para casos de “emergência”. Não por acaso, mesmo em tempos de crise, a indústria dos cosméticos continua próspera. Bases e corretivos para as olheiras, blush e gloss são usados todos os dias por milhões de consumidoras no mundo todo. E não há novidade nisso, trata-se de uma prática milenar. No fundo, prevalece a crença de que um rosto mais colorido é sinal de beleza e aparência saudável – e, em última instância, tornará as mulheres aceitas e bem tratadas. O curioso é que essa percepção encontra respaldo científico. Já há alguns anos, pesquisadores têm se dedicado a entender como a ação dos cosméticos influi na percepção e no comportamento da maioria das pessoas, provocando a impressão de que mulheres maquiadas com discrição e sem exageros são mais competentes, seguras e emocionalmente estáveis.

E isso se deve, pelo menos em parte, aos cosméticos. Cremes e bases corretivas, por exemplo, deixam a pele mais lisa, aumentam sua firmeza e brilho e eliminam impurezas. Resultado: as pessoas parecem mais jovens e, principalmente, mais saudáveis. Durante uma experiência na Universidade de Aberdeen, na Escócia, vários rostos femininos foram fotografados e, posteriormente, algumas imagens, com diferentes tipos de pele, foram mostradas a um grupo de homens. Foi solicitado que indicassem as fotos que, em sua opinião, correspondiam a mulheres com pele mais sadia. Depois disso, veriam os rostos inteiros e poderiam avaliar se de fato eram bonitos.

A experiência revelou que peles consideradas mais saudáveis eram justamente das pessoas classificadas como mais atraentes. Também foi observado que, quando uma mulher usa base, é vista como mais bonita e em melhores condições de saúde. O pesquisador Robert Mulhern e seus colegas da Universidade de Buckinghamshire, na Grã-Bretanha, pediram a alguns homens que avaliassem a beleza do rosto de algumas mulheres de 31 a 38 anos de idade. Antes da sessão de fotos, todas foram submetidas a uma limpeza profunda da cútis. Para evitar distorções, as imagens mostravam apenas o rosto de cada voluntária, e o penteado era idêntico. De acordo com o caso, a maquiagem foi feita nos olhos, nos lábios, na pele, em todo o rosto, ou optou-se por não aplicar absolutamente nada. Os homens e as mulheres que viam as fotos deveriam dizer o quanto a pessoa fotografada parecia atraente, usando para isso escalas de avaliação da beleza. Também lhes foi pedido que indicassem a foto que consideravam mais fascinante dentre as cinco de cada modelo. Como era de prever, as avaliações positivas foram feitas principalmente quando a pintura tinha sido aplicada simultaneamente nos lábios, olhos e pele. A maquiagem dos olhos tinha poder de atração mais forte, seguida da pele e dos lábios. Mas a impressão de beleza era maior se apenas uma área do rosto estivesse enfatizada. As vantagens da maquiagem poderiam parecer irrefutáveis à luz dessas pesquisas. No entanto, existem situações em que ela pode ser contraproducente. É o caso das fotos anexadas aos currículos para emprego. As psicólogas Diana Kyle e Heike Mahler, da Universidade do Estado da Califórnia, apresentaram a estudantes de recursos humanos a fotografia de uma mulher de 40 anos que se candidatava a uma vaga de direção. Com base nas informações profissionais, os voluntários deveriam avaliar se ela podia ocupar o posto e tinham de deter­ minar a remuneração que deveria receber caso fosse admitida.

Naturalmente, o currículo era sempre o mesmo; o que mudava era a fotografia da candidata, que em alguns casos aparecia com maquiagem, e em outros de “cara lavada”. Quando a mulher estava sem pintura, os voluntários tinham a impressão (apenas pelo currículo) de que ela era mais competente. E estavam prontos para lhe oferecer um salário mais alto. Segundo os psicólogos, para explicar esse mecanismo é necessário fazer uma referência aos estereótipos sociais. Quando precisam designar alguém para um cargo de responsabilidade, os avaliadores seriam inconscientemente atraídos pelas características físicas masculinas. A maquiagem produziria, portanto, um efeito negativo, deixando o candidato demasiado feminino. Em um caso como esse que acabamos de mencionar, é provável que maquiagem sóbria, ou a ausência dela, seria mais adequado para a candidata.

Mas a maquiagem mais pronunciada pode se revelar útil em algumas profissões tipicamente femininas. Experiências realizadas pela mesma equipe revelaram que, para um cargo de secretária ou de recepcionista, a maquiagem aumenta a possibilidade de admissão. Já a psicóloga Maggie McClafin, da Universidade de Missouri, retocou a imagem do rosto de um monarca inglês do século 16 de forma que parecesse que ele estivesse usando base. Nessa versão, alguns examinadores lhe atribuíram menos capacidade de liderança em relação a quando o rosto estava ao natural.

SIM, ELES PERCEBEM!

Pintar o rosto pode ter impacto profundo na percepção de si mesmo. O pesquisador Thomas F. Cash, da Universidade de Norfolk, na Virgínia, confrontou a opinião que algumas mulheres tinham sobre seu próprio aspecto antes e depois de uma sessão de maquiagem. Dessa forma, constatou que elas achavam não apenas o próprio rosto mais atraente, mas também o próprio corpo e o aspecto geral. Além disso, exprimiam maior confiança em si mesmas em aspectos não relacionados à aparência, principalmente no que dizia respeito a suas capacidades profissionais. Esse estudo revela que a maquiagem é muito mais que um sinal de beleza: em alguns casos, pode ser considerada um coadjuvante psíquico, que favorece a autoestima e, literalmente, a forma como a pessoa se vê. Alguns psicólogos pensam até que poderia expressar certas características da personalidade. A pesquisadora Julia Robertson e seus colegas da Universidade de Buckinghamshire, no Reino Unido, submeteram um grupo de moças estudantes a testes de personalidade e a questionários que avaliavam o uso que faziam dos cosméticos. Os pesquisadores descobriram que as pessoas ansiosas, que estão sempre preocupadas em saber como os demais as veem ou apresentam fortes traços de conformismo, recorrem com mais frequência aos produtos de beleza – e também os usam em maior quantidade. Já as mais seguras, com autoestima mais forte e boa capacidade de controle das emoções, utilizam menos pintura, especialmente base. Os resultados, porém, não são conclusivos, pois outras investigações mostram que mulheres que recorrem a cremes e maquiagem revelam cuidado consigo mesmas e valorizam a própria feminilidade.

Em que medida o impacto da maquiagem é concreto e mensurável? No grupo de pesquisa em ciências da informação e da cognição em Vannes, na França, estudamos o tema solicitando a colaboração de algumas jovens voluntárias.

Duas delas tinham de se sentar a uma mesa de um bar muito frequentado no centro da cidade e conversar entre si, esperando que os homens lhes dirigissem a palavra. Dependendo do caso, as voluntárias deveriam maquiar olhos e lábios e passar um pouco de base no rosto. Ou deveriam apenas limpar a pele com leite adstringente.

Os pesquisadores observavam as duplas de voluntárias de perto, cronometrando o tempo que se passava entre o início da experiência e o momento em que algum homem lhes dirigia a palavra. Quando as mulheres estavam maquiadas, o tempo médio que um rapaz levava para aproximar-se era de 17 minutos, em comparação a 23 minutos nos casos em que elas não usavam cosméticos. Portanto, se o objetivo é seduzir e fazer novas amizades, a maquiagem permite economizar pelo menos 25%de tempo! Ou seja: a experiência mostrou também que mais homens tentam se aproximar de uma mulher maquiada – e o fazem com maior rapidez. Sem dúvida, a pintura exerce atração de caráter sexual. Como demonstrou um estudo coordenado por Michael Lynn, da Universidade Cornell, a frequência de um restaurante com clientela formada exclusivamente por homens aumentava quando as garçonetes estavam maquiadas.

Uma experiência recente demonstrou que a maquiagem pode até se tornar um incentivo para a generosidade. Os psicólogos James McElroy e Paula Morrow, da Universidade de Iowa, estudaram o efeito da maquiagem durante uma coleta de fundos organizada para estudos médicos: os homens aceitavam fazer doações de valores mais altos quando uma mulher maquiada lhes fazia o pedido. No entanto, para conseguir esse resultado, a voluntária tinha de se aproximar a cerca de 30 centímetros do homem e, segundo resultados da experiência, não era a beleza do rosto que mais induzia a generosidade – e sim a presença da maquiagem.

Os homens são, portanto, o alvo preferido dos cosméticos – afinal, é sobre eles que o impacto da maquiagem se manifesta com mais evidência. A ponto, até mesmo, de levá­los a parar mais para uma mulher que pede carona maquiada. Durante nossa pesquisa, algumas garotas de 20 a 22 anos deveriam pedir carona numa estrada muito movimentada que leva a um conhecido balneário. Elas o fizeram várias vezes, com ou sem maquiagem (as roupas e o penteado eram sempre os mesmos).

Pudemos, assim, observar que 19% dos motoristas paravam para uma mulher maquiada, mas só 15% se detinham para as mesmas jovens com o rosto ao natural. Portanto, uma mulher que pede carona maquiada aumenta em 25% suas possibilidades de sucesso. Provavelmente, trata-se de um mecanismo automático e inconsciente que tem um efeito muito rápido: a 90 quilômetros por hora (velocidade média em que estavam os motoristas), o tempo de reação é muito breve e o cérebro não tem tempo para analisar conscientemente todos os fatores da situação. O psicólogo John Hartnet, da Universidade de Richmond, nos Estados Unidos, demonstrou, em parceria com colegas, que o desempenho masculino em várias tarefas cognitivas – solução de problemas de aritmética ou aprendizagem de sílabas em um idioma estrangeiro, por exemplo – se reduz consideravelmente na presença de uma mulher pintada sem exageros, mas permanece quase inalterado diante de uma mulher sem nenhuma maquiagem. Talvez este seja um dos aspectos mais interessantes do efeito dos cosméticos: sua capacidade de enfraquecer as faculdades cognitivas do homem, tornando-o mais generoso e sensível à sedução.

Como explicar esses efeitos? Para entende ­los é necessário analisar os comportamentos masculinos e femininos: a atração sexual é norteada pela lógica da propagação dos genes e, consequentemente, pela busca do parceiro ideal para procriação. Sabe-se que uma das qualidades básicas de um bom reprodutor é sua saúde: um rosto maquiado reforça essa percepção no homem e aumenta o poder de atração exercitado por determinada mulher.

Outro “truque” da maquiagem poderia estar em sua capacidade de melhorar a simetria do rosto. De fato, os produtos permitem eliminar as pequenas imperfeições, pequenas manchas e variações do tom da pele. Na procura por uma parceira capaz de ajudá-lo a transmitir o próprio patrimônio genético, o homem daria prioridade àquelas de rosto simétrico, pois essa característica é associada a melhores qualidades genéticas, como um sistema imunológico mais resistente. Dessa forma, uma mulher maquiada daria a impressão de gozar de boa saúde e provavelmente seria capaz de gerar crianças fortes. Durante milênios foi justamente essa lógica – arraigada, mas nem sempre consciente – que tornou o homem sensível ao fascínio de um rosto feminino simétrico, corado e, em geral, maquiado.

Além disso, estudos indicam que em geral quem se pinta é considerado digno de confiança. Também nesse caso os teóricos evolucionistas valorizam essa impressão. Para eles faz sentido que após ter encontrado a parceira ideal do ponto de vista genético o homem necessite saber com certeza que seus recursos não serão desperdiçados no esforço de criar o filho de outro. Desse ponto de vista, a fidelidade da parceira passa a ser um critério fundamental.

Obviamente, o uso dos produtos cosméticos surgiu em uma época em que o ser humano já tinha parcialmente se distanciado do rastro evolucionista para agir segundo critérios culturais ou de livre escolha. Mas esse rompimento na escala evolutiva da nossa espécie é ainda suficientemente próximo para nos deixar sempre sensíveis a esses indícios que outrora eram essenciais na busca de um parceiro: saúde, juventude, simetria no rosto e capacidade de inspirar confiança. Parece que os cosméticos, e particularmente a maquiagem, ainda são capazes de suscitar as sensações que no passado eram indispensáveis.

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UM POUCO DE COR PARA ALEGRAR A VIDA

É provável que a pele tenha sido a primeira “tela” de nossos ancestrais – antes mesmo que as paredes das cavernas fossem decoradas com cenas de caçadas, já que a ornamentação do corpo parece ter sido usada muito antes de qualquer outra forma de expressão gráfica. Bem antes do surgimento da linguagem era nas formas coloridas no corpo que se exprimiam desejos, crenças, conceitos, e era impressa a própria história. Usava-se a pintura em diversas ocasiões como a guerra, a caça e os rituais religiosos. Os índios brasileiros, séculos depois, adotaram práticas semelhantes, e continuamos fazendo isso ainda hoje, como expressão de arte ou como manifestação cultural.

Entre os indígenas, a pintura corporal tem sentidos diversos, não somente como expressão da vaidade, mas também para ressaltar valores e transmiti-los. É usada na preparação para a guerra e como forma de afastar os maus espíritos. Em muitas etnias indica a distinção e divisão hierárquica social – embora haja registros de grupos que a usam apenas segundo suas preferências. Para os povos primitivos há também a busca pela estética perfeita, daí a pintura ser tão presente em rituais de embelezamento e cerimônias que marcavam a formação de casais – nada muito diferente do que acontece hoje nas festas de casamento ou mesmo quando as mulheres se arrumam para agradar aos pretendentes. O mais interessante é que nos últimos anos a ciência tenha buscado comprovar o que nossos ascendentes sabiam havia muito tempo: um pouco de cor pode deixar a vida mais interessante.

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OUTROS OLHARES

A CURA PELAS CÉLULAS

Cresce o uso de células retiradas dos próprios pacientes para tratar doenças como artrose, lesões articulares, câncer e incontinência urinária.

A cura pelas células

O estudante Lucas Daniel Silveira Santos, 30 anos, sempre foi do tipo atlético. Jogador de basquete desde os onze anos, passou pelas categorias de base no Expéria e no Paulistano, dois tradicionais clubes paulistanos.

Em fevereiro, sofreu uma lesão no joelho durante um jogo e teve de abandonar as quadras por causa das dores. Semanas depois, estava em um protocolo de tratamento estabelecido no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para se recompor do machucado usando como remédio suas próprias células. Hoje, com ajuda de fisioterapia, ganhou confiança para andar novamente, não sente mais dor e está pronto para voltar ao jogo. “Estarei nas quadras no próximo ano”, conta.

O tratamento ao qual Lucas foi submetido é um dos exemplos de um caminho seguido pela medicina que visa achar a cura dentro dos próprios recursos do organismo. Chama-se terapia celular. Em seu caso, foram extraídos condrócitos (células produtoras de colágeno), cultivados em laboratório e novamente injetados em seu joelho. Dessa forma, tomam-se peças de reposição para substituir as que estão lesadas, sem funcionar ou funcionando precariamente. “Os resultados são bem animadores”, afirma o ortopedista Moisés Cohen do Albert Einstein.

Outros meios utilizam células-tronco adultas (capazes de se transformar em células de vários tecidos) extraídas do paciente ou retiradas de tecidos doados por outras pessoas. O objetivo é cultivar as células-tronco em laboratório e estimulá-las a se especializarem nas células desejadas. Por exemplo, em células sanguíneas, ósseas ou musculares. No Grupo de Joelho do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Universitário Cajuru, no Paraná, os médicos estão usando células-tronco do cordão umbilical doadas como matéria-prima do tratamento para artrose no joelho ou perda de cartilagem da articulação. “Após análise em laboratório e multiplicação das células em laboratório, elas são implantadas na lesão da cartilagem do joelho promovendo seu reparo”, explica o ortopedista Fabiano Kupcizik, chefe do serviço.

Células-tronco também começam a ser aproveitadas em experimentos para amenizar a dor crônica – são implantadas em ossos ou músculos lesionados – e, mais recentemente, para controlar a incontinência urinária por esforço em mulheres. Um estudo pioneiro no Brasil está sendo conduzido no Hospital Albert Einstein com esse objetivo.

A incontinência por esforço é a perda de urina que ocorre ao tossir, espirrar, caminhar, correr ou pular. É o tipo mais comum de incontinência. Sua incidência varia de 15% a 35%, especialmente na faixa etária entre 45 e 65 anos e provoca um importante impacto social e emocional na vida das pacientes.

Realizado em conjunto com especialistas da Universidade Federal de São Paulo e iniciada há cinco meses, o tratamento foi aplicado até agora em dez mulheres. As células-tronco são extraídas da medula óssea das participantes. Cultivadas em laboratório, são posteriormente injetadas na uretra. A ideia é que a reintrodução das células­ tronco, agora em número muito maior, contribua para a restauração de músculos, nervos e ossos, estruturas que podem estar danificadas principalmente em razão de partos vaginais ou lesões no assoalho pélvico. As primeiras observações indicam que está dando certo. “A primeira paciente não está mais perdendo urina”, afirma o ginecologista Rodrigo Castro do Hospital Albert Einstein.

REPOSIÇÃO DE PEÇAS
O estudo dos efeitos da terapia celular avança no tratamento de diversas enfermidades. Entre elas:

ORTOPEDIA
Condrócitos (células produtoras de colágeno) ou células-tronco (passíveis de serem transformadas em diversos tecidos) extraídas dos pacientes são multiplicadas em laboratório. Depois, são novamente injetadas para tratar lesões em articulações

GINECOLOGIA
Células-tronco são retiradas de pequena amostra de músculo da coxa da paciente e cultivadas em laboratório. Injetadas na região do assoalho pélvico, podem reduzir episódios de incontinência urinária

ONCOLOGIA
Melanoma (tipo mais agressivo de tumor de pele) linfócitos de pacientes com a doença são colocados, em laboratório, em contato com tecido tumoral. Dessa forma, ficam estimulados a identificar e atacar o tumor com maior eficiência quando reinjetados

Leucemia Linfóide Aguda e alguns tipos de linfoma
Linfócitos T são extraídos do paciente e alterados geneticamente para reconhecerem e destruírem as células tumorais assim que forem reintroduzidos

NEFROLOGIA
Está em montagem no Hospital Albert Einstein estudo sobre a eficácia de células-tronco na recuperação de rins

GESTÃO E CARREIRA

RH TAMBÉM É RESPEITO HUMANO

Ainda são muitas as barreiras para o grupo LGBT no mercado de trabalho. E fora dele também.

RH também é respeito humano

O Dia do Orgulho LGBTI é 28 de junho. A data marca um episódio ocorrido em Nova York, em 1969, quando frequentadores do bar Stonewall Inn, um local de frequência de gays, lésbicas e tans, reagiram a uma série de batidas policiais que eram realizadas ali com frequência. O levante contra a perseguição da polícia durou mais duas noites e, no ano seguinte, resultou na organização da 1ª parada do orgulho LGBT, realizada no dia 1° de julho de 1970.

Mas a perseguição, a discriminação e as violências com pessoas por causa de sua orientação sexual ou identidade de gênero, real ou percebida, não acabaram. No relatório Making love a crime, a Anistia Internacional mostra que em 38 países da África a homossexualidade é criminalizada por lei e ao longo da última década houve diversas tentativas de tornar essas leis ainda mais severas. A Pesquisa Stonewall também mostra dados desanimadores: por exemplo, em 72 países é ilegal fazer sexo com alguém do mesmo sexo, o que é punido pela morte, em oito.

O Brasil, não fica atrás: somos o país que mais mata LGBT no mundo: um a cada 25 horas. O balanço da Secretaria da Segurança Pública indica que as delegacias de São Paulo registraram, em média, um crime de intolerância a cada 69 minutos, em 2016. Foram pelo menos 7.587 crimes de ódio; 3.216 (42,4%) eram de intolerância racial, homofobia (15,5%), intolerância de origem (12,7%) e religiosa (6.3%).

O mercado de trabalho reflete a sociedade e recebe essas pessoas em desvantagem competitiva, pois a grande maioria (salvo aquelas de famílias de classes sociais mais elevadas) não teve as mesmas oportunidades de acesso e de manutenção em estabelecimentos de ensino formal, por causa de bullying, discriminação, e ficaram à margem, em casa e na sociedade. E quando começam a buscar trabalho encontram o preconceito.

A recepção dessas pessoas nas empresas deve estar condicionada ao estilo de gestão adotado, ditado pela alta direção e enraizado por meio do RH por toda a estrutura, principalmente a liderança. Um bom exemplo é a Gol, que “abraça a individualidade de cada colaborador”. Lá temos o caso de Nicole Alonso, a primeira comissária de bordo trans do Brasil. Ela teve apoio da empresa para o início da sua transição, contando com a aceitação dos demais colaboradores.

Há outros impulsores alavancando a valorização e a promoção do talento LGBT nas empresas. A referência vem da Grã-Bretanha ao adotar, há anos, o Workplace Equality Index – Pesquisa Stonewall, maior ferramenta de benchmark para as práticas empresariais adotadas para o grupo LGBT. Algumas empresas classificadas como Stonewall Top Global Employers em 2017 foram: Accenture; Bordays; BP; HSBC; Thomson Reuters; Vodafone e Baker McKenzie.

Profissionais de RH (de respeito humano), façamos nossa parte respeitando a maneira de ser de cada indivíduo para que tenha orgulho de ser o que é.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 17: 17-19

Alimento diário - Comendo a Bíblia

A Oração Intercessória de Cristo

A próxima coisa que o Senhor Jesus Cristo pediu a favor deles é que pudessem ser santificados. Não somente protegidos do mal, mas que se tornassem bons cristãos.

 

I – Aqui está o pedido (v. 17): “Santifica-os na verdade”, por meio da tua verdade, por meio da tua palavra, pois “a tua palavra é a verdade”. É a verdade-é a verdade propriamente dita. Ele deseja que eles possam ser santificados:

1. Como cristãos. Pai, santifica-os, e isto será sua preservação, 1 Tessalonicenses 5.23. Observe aqui:

(1) A graça desejada – a santificação. Os discípulos eram santificados, pois não eram deste mundo. Ainda assim, Ele pede: Pai, santifica-os, isto é:

[1] “Confirma a obra da santificação neles, fortalece sua fé, inflama seus bons sentimentos, fixa suas boas resoluções”.

[2] “Prossegue este bom trabalho neles e continua-o. Que a luz brilhe cada vez mais”.

[3] “Completa-os, coroa-os com a perfeição da santidade. Santifica-os completamente e até o fim”. Observe que, em primeiro lugar, a oração de Cristo, por todos os que são seus, é que eles possam ser santificados. Porque Ele não pode, infelizmente, reconhecê-los como seus, seja aqui ou no futuro, nem empregá-los na sua obra, nem apresentá-los ao seu Pai, se não estiverem santificados. Em segundo lugar, aqueles que, pela graça, são santificados, precisam ser repetidamente santificados. Até mesmo os discípulos devem orar pela graça que santifica, pois, se o autor da boa obra não a concluir, nós estaremos perdidos. Não ir adiante é o mesmo que retroceder. Aquele que é santo deve se manter santo, santificando-se mais ainda, prosseguindo adiante, alçando voo para cima, como se não tivesse alcançado um nível satisfatório de santificação. Em terceiro lugar, é Deus quem santifica, assim como é Deus quem justifica, 2 Coríntios 5.5. Em quarto lugar, é um encorajamento para nós, nas nossas orações pela graça que santifica, que é Cristo quem intercede por nós.

(2) Os meios de concessão desta graça – por meio da verdade, “a tua palavra é a verdade”. Não que o Santo de Israel esteja limitado em termos de meios, mas, no conselho de paz, entre outras coisas, foi determinado e concordado:

[1] Que toda a verdade necessária seria englobada e resumida na Palavra de Deus. A revelação divina, como agora está apresentada na palavra escrita, e não somente a verdade pura, sem misturas, mas a verdade inteira, sem insuficiências.

[2] Que esta palavra da verdade deve ser o meio exterior e normal da nossa santificação. Não de si mesma, pois então ela sempre santificaria, mas como o instrumento que o Espírito usa comumente para iniciar e prosseguir com este bom trabalho. É a semente do novo nascimento (1 Pedro 1.23), e o alimento da nova vida, 1 Pedro 2.1,2.

2. Como ministros. “Santifica-os, separa-os para ti mesmo, para teu serviço. Que seu chamado para o apostolado seja ratificado no céu”. Dizia-se que os profetas eram santificados, Jeremias 1.5. Os sacerdotes e levitas eram santificados. “Santifica-os”, isto é:

(1) “Qualifica-os para o trabalho, com graças cristãs e dons ministeriais, para torná-los ministros do Novo Testamento”.

(2) “Separa-os para o ofício, Romanos 1.1. Eu os chamei, eles concordaram. Pai, diz amém a isto”. (3) “Reconheçe-os na função ou no ofício. Que tua mão os acompanhe. Santifica-os pela tua verdade, ou na tua verdade, a verdade que se opõe às figuras e sombras. Santifica-os realmente, não por rituais ou cerimônias, como eram santificados os sacerdotes levitas, pela unção e pelo sacrifício. Santifica-os à tua verdade, a palavra da tua verdade, para que preguem tua verdade ao mundo. Assim como os sacerdotes eram santificados para servir junto ao altar, da mesma maneira permite que eles preguem o Evangelho”, 1 Coríntios 9.13,14. Observe que:

[1] Jesus Cristo intercede pelos seus ministros com uma preocupação particular, e recomenda à graça de seu Pai aquelas estrelas que Ele leva na sua mão direita.

[2] A grande bênção que os ministros do Evangelho devem pedir a Deus é que eles possam ser santificados, efetivamente separados do mundo, completamente devotados a Deus, e familiarizados experimentalmente com a influência, nos seus próprios corações, da palavra que pregam a outros. Que eles tenham Urim e Tumim, a luz e a integridade.

 

II – Temos aqui duas alegações, ou argumentos, para reforçar a petição pela santificação dos discípulos:

1. A missão que tinham recebido dele (v. 18): “‘Assim como tu me enviaste ao mundo’, para ser teu embaixador aos filhos dos homens, assim agora que Eu sou chamado de volta, ‘eu os enviei ao mundo’, como meus delegados”. Aqui:

(1) Cristo fala com grande certeza da sua própria missão: “Tu me enviaste ao mundo”. O grande autor do Evangelho recebeu sua comissão e suas instruções daquele que é a origem e o objeto da fé. Ele foi enviado por Deus para dizer o que disse, e fazer o que fez, e ser o que é, àqueles que creem nele, o que foi sua consolação na sua missão, e também pode ser a nossa. Ela se torna abundante em nossa vida à medida que confiamos mais e mais nele. Tudo o que o Senhor fazia e dizia estava registrado nos mais altos céus, pois sua missão veio de lá.

(2) Ele fala com grande satisfação sobre a comissão que tinha dado aos seus discípulos: “Da mesma maneira, Eu os enviei, com a mesma tarefa, e para prosseguir com o mesmo desígnio”, para pregar a mesma doutrina que Ele pregava, e para confirmá-la com as mesmas provas, e, da mesma maneira, com a incumbência de transmitir a outros homens fiéis aquilo que lhes tinha sido transmitido. Ele lhes deu sua comissão (cap. 20.21) com uma referência à sua própria, e engrandece o trabalho deles que ele venha de Cristo, e que exista alguma afinidade entre a comissão dada aos ministros da reconciliação e aquela dada ao Mediador. Ele é chamado de apóstolo (Hebreus 3.1), de ministro (Romanos 15.8), e de anjo, Malaquias 3.1. Somente eles são enviados como servos, mas o Senhor Jesus foi enviado como Filho. Isto é apresentado aqui como uma razão:

[1] Por que Cristo estava tão preocupado com eles, e trazia o caso deles tão próximo do seu coração. Porque Ele mesmo os tinha colocado em um trabalho difícil, que exigia grandes habilidades para sua devida realização. Observe que aqueles a quem Cristo enviar, Ele irá acompanhar, e se interessará por aqueles que são empregados por Ele. Ele irá nos capacitar e nos sustentar para aquilo que nos chamar para fazer.

[2] Por que Ele os entregou ao seu Pai. Porque Ele estava preocupado com a causa deles, sendo a missão deles uma continuação da sua, e, de certa forma, uma missão derivada da sua. Cristo recebeu dons para os homens (Salmos 68.18), e os deu aos homens (Efésios 4.8), e por isto roga, pedindo o auxílio do seu Pai, para garantir e confirmar estes dons e sua concessão deles. O Pai o santificou quando o enviou ao mundo, cap. 10.36. Agora, sendo eles enviados, como Ele tinha sido, devem também ser santificados.

2. Os méritos que o Senhor Jesus Cristo conquistou a favor dos seus discípulos são destacados aqui (v.19): ”Por eles me santifico a mim mesmo”. Aqui temos:

(1) A designação que Cristo faz de si mesmo, ao trabalho e à função de Mediador: Eu “me santifico a mim mesmo”. Ele se devotou inteiramente a esta missão, e a todas as suas partes, especialmente agora que estava partindo – a oferta de si mesmo, sem mácula, a Deus, pelo Espírito eterno. Ele, sendo o sacerdote e o altar, santificou-se como o sacrifício. Quando Ele disse: Pai, “glorifica o teu nome”; Pai, “seja feita a tua vontade”; Pai, “nas tuas mãos entrego o meu espírito”, Ele pagou a indenização que tinha se empenhado a pagai; e, desta maneira, santificou-se a si mesmo. Isto, Ele alega na presença de seu Pai, pois sua intercessão é feita em virtude da indenização que ofereceu. “Por seu próprio sangue, [Ele]… entrou no santuário” (Hebreus 9.12), como o sumo sacerdote, no dia da expiação, espargiu o sangue do sacrifício ao mesmo tempo em que queimou incenso no interior do véu, Levítico 16.12,14.

(2) O propósito de bondade de Cristo aos seus discípulos nesta atitude. É pelo bem deles, para que eles possam ser santificados, isto é, para que possam ser mártires, segundo alguns. “Eu me ofereço em sacrifício, para que possam ser sacrificados à glória de Deus e para o bem da igreja”. Paulo fala de ter sido oferecido, Filipenses 2.17; 2 Timóteo 4.6. Seja o que for que existe na morte dos santos, que é precioso aos olhos do Senhor; deve-se à morte do Senhor Jesus. Mas eu prefiro interpretar isto de maneira mais genérica, para que eles possam ser santos e ministros, devidamente qualificados e aceitos por Deus.

[1] O trabalho ministerial é a compra que o Senhor Jesus Cristo fez através do seu precioso sangue. Este também é um dos benditos frutos da sua expiação, que deve sua virtude e seu valor aos méritos de Cristo. Os sacerdotes que estavam sob a lei eram consagrados com o sangue de bodes e bezerros, mas os ministros do Evangelho são consagrados com o precioso sangue de Jesus Cristo.

[2] A verdadeira santidade de todos os bons cristãos é um fruto da morte de Cristo, pela qual foi comprado o dom do Espírito Santo. Ele se entregou pela sua igreja, para santificá-la, Efésios 5.25,26. E aquele que planejou o fim, também planejou os meios, para que possam ser santificados pela verdade, a verdade da qual Cristo veio ao mundo para testemunhar; e para a confirmação da qual morreu. A palavra da verdade recebe sua virtude e seu poder santificadores da morte de Cristo. Alguns assim interpretam: para que possam ser santificados na verdade, isto é, verdadeiramente. Pois, uma vez que Deus deve ser servido, nós devemos ser santificados em espírito e em verdade para que possamos servi-lo. E é por isto que Cristo roga a favor de todos aqueles que são seus, pois esta é sua vontade, a santificação de todos aqueles que são seus, e isto os incentiva a orar por esta bênção.