PSICOLOGIA ANALÍTICA

PAVIO CURTO PODE SER DISTÚRBIO

Transtorno explosivo intermitente decorre de um descontrole emocional que provoca, como consequência, um comportamento extremamente agressivo.

Pavio curto pode ser distúrbio.

Começo este texto convidando o leitor, seja ele profissional da área da saúde, possível portador ou familiar, a se despir de avaliações pré-estabelecidas tanto a respeito do comportamento agressivo quanto sobre a necessidade de rotularmos todo e qualquer comportamento desadaptativo. Digo isso em virtude dos inúmeros comentários expressos a respeito do transtorno explosivo intermitente, que denotam total falta de conhecimento, gerando preconceito e dificultando o acesso à informação daqueles que sofrem direta ou indiretamente com esse transtorno – e suas consequências.

É fato que a agressividade pode ser sintoma de diversos transtornos, como também pode se manifestar de forma gratuita, sem qualquer justificativa. Porém, é importante que à medida que novos estudos e pesquisas a respeito do comportamento compulsivo agressivo nos possibilitem maior entendimento dessas atitudes, possamos refletir e avaliar a probabilidade de certas pessoas e seus familiares serem beneficiados com os avanços que o conhecimento nos proporciona.

As pessoas portadoras do transtorno explosivo intermitente sofrem intensamente com uma angústia que lhes parece impossível de solucionar. Por serem pessoas empáticas, afetivas, com grande senso de justiça sabem, em seu íntimo, que são boas pessoas. Porém, isso não é suficiente para que possam gerenciar seus sentimentos de raiva descontrolada, impulsiva, e em muitos casos avassaladora, e coloquem em risco relações afetivas de muito valor emocional.

Muitas dessas pessoas, ao entenderem que seu comportamento impulsivo agressivo pode ter uma explicação e que, além disso, é possível se tratar e gerenciar sua vida de maneira mais adaptativa, expressam enorme sensação de alívio. Para outras, o caminho para o lado saudável da vida pode ser um pouco mais difícil; em muitos casos recusam-se a aceitar o diagnóstico em função do preconceito gerado pela falta de informação adequada e assertiva. Rebelam-se pelo medo que ainda hoje ronda as doenças psíquicas. Com essas pessoas é necessário adotar assertividade na transmissão da informação. Uma maneira que pode ter um bom efeito é abordar o possível portador iniciando uma conversa que ressalte suas qualidades, que lhe garanta a sensação do afeto e continência e, só então, trazer o assunto – apenas informe que existe a possibilidade de uma explicação científica para seus comportamentos impulsivos. Deixe a pessoa à vontade, não a pressione, não questione, entenda que cada um de nós tem um tempo interno que precisa ser respeitado.

CONHECENDO O TEI

O transtorno explosivo intermitente (TEI) é, basicamente, um ato incontrolável de impulsividade que, na maioria das vezes, resulta em comportamento agressivo e prejudicial para a pessoa que sofre do transtorno, e, em muitos casos, acarreta prejuízos significativos no âmbito social, familiar e profissional. É importante frisar que a força que impulsiona o paciente a agir é maior que a sua consciência, ou seja, mesmo que haja uma reprovação interna sobre seus atos, ele não tem capacidade de controlá-los no momento em que está tendo um ataque explosivo.

No século XIX, o psiquiatra francês Jean-Étienne Dominique Esquirol (1772-1840) descreveu pela primeira vez os impulsos agressivos e sistematizou o conceito como “insanidade parcial”, por estarem relacionados a atos inconscientes. Ou seja, o autor afirmava que o doente é impulsionado por uma força incontrolável, um impulso cego, que a vontade não tem forças para reprimir. Esquirol considerou a possibilidade de esses atos resultarem em atitudes criminosas, mas, segundo sua compreensão, esses indivíduos deveriam ser entendidos como doentes e receber tratamento médico e psicológico, e não punição.

De acordo com McElroy, as pesquisas revelam que os episódios de raiva ocorrem de forma repentina e duram, em média, de 20 a 30 minutos. Quando em crise, o paciente sofre efeitos físicos, como tremor, taquicardia, aumento de tensão, formigamento, sudorese, que, acompanhados pelos pensamentos de raiva, desencadeiam o chamado “pico de adrenalina” que é o comportamento impulsivo-agressivo. A resposta imediata desses pacientes após o surto de raiva é o sentimento de alívio e de que suas atitudes foram, a princípio, legítimas. Um tempo depois, são assolados pelo remorso: sentem vergonha, tristeza, arrependimento, culpa e um forte senso de inadequação. Para que se possa considerar um possível diagnóstico de TEI, as explosões devem ocorrer cerca de duas vezes por semana, por pelo menos três meses.

A atual descrição do DSM-5 (APA, 2014) classifica os critérios para TEI de forma qualitativa e quantitativa. No que diz respeito à forma qualitativa, especifica as explosões de raiva como mais severas quando resultam em danos ou destruição de propriedades/ objetos e/ ou lesões físicas a pessoas/ animais, e as considera menos severas quando não causam lesão, destruição ou danos. Sendo assim, podemos ter um diagnóstico de TEI em que as agressões físicas podem ser tanto de baixa severidade com alta frequência como de alta severidade com baixa frequência – e suas variantes.

DIFERENÇA

Existe uma grande diferença entre uma pessoa que sofre de TEI e aquelas popularmente conhecidas como “pessoas de pavio curto”. As últimas são pessoas comuns que, quando sofrem certos tipos de provocação, acabam por perder a paciência e reagir àqueles estímulos de forma agressiva, intencionalmente. Apesar de terem consciência de que sua reação por vezes é manifesta de forma exagerada, permanecem repetindo esse padrão de comportamento. Essas pessoas podem ser mais irritadas, impacientes, nervosas, reagirem de forma malcriada ou violenta e não se arrependerem, pelo contrário, sentirem-se seguras de que sua atitude é coerente. Existem também aqueles indivíduos que premeditam a ação agressiva como forma de vingança, retaliação ou necessidade de “fazer justiça”. Ao contrário do anteriormente exposto, portadores de TEI têm reações exageradamente desproporcionais ao evento estressor e não têm capacidade de controlá-las, e apesar de no exato momento da explosão de raiva considerarem que estão certos, jamais premeditam seus atos, sempre se arrependem genuinamente e sentem muita vergonha e culpa.

Hoje já sabemos que fatores biológicos, ambientais, físicos e emocionais representam papéis importantes no desenvolvimento do TEI. Apesar de não haver estudos que comprovem uma causa específica para esse transtorno, muitos o relacionam a possíveis traumas de infância. Para Beck (Prisioners of Hate: the Cognitive Basis of Anger,Hostility,and Violence, 1999, Harper Collins Publishers), as pessoas que manifestam TEI apresentam crenças negativas que, muitas vezes, são decorrentes de atitudes cruéis imputadas aos pais. De acordo com a sua visão, o desenvolvimento da criança é permeado pela sensação de que as pessoas estão sempre contra ela e a atitude agressiva é uma maneira de minimizar o sentimento de menor valia. Assim sendo, essas crianças crescem entendendo que o comportamento dos outros justifica a sua agressividade.

É importante frisar (e ressaltar) que explosões de raiva são sintomas de diversos transtornos ou podem ser também manifestações ocasionais de perda de controle. Porém, o portador de TEI reage com o objetivo de afrontar alguma atitude ou situação que considera extremamente errada, de acordo com os seus valores – ou seja, ele é um “justiceiro”. Por sinal, essa é uma autoavaliação bem recorrente: muitos pacientes manifestam indignação frente a situações que consideram injustas e abusivas, o que torna a compreensão dos seus atos ainda mais difícil para si mesmo, à medida que entra em um conflito interno, pois de um lado se arrepende da forma como reagiu (agressivamente), porém, de outro lado, considera que a causa foi justa, já que o motivo justifica sua ação – como, por exemplo, partir para uma agressão física ou verbal ao se deparar com uma pessoa que estacionou na vaga para idosos, mesmo que o ato praticado pelo outro não tenha reflexo direto na sua vida. Sua avaliação é de que não sendo correto, não deve ser feito. Nesse momento ele não consegue considerar os tons de cinza: é preto no branco.

Através de estudos, é possível notar que o TEI tem seu início na infância ou na adolescência. Agressividade infantil não necessariamente é TEI, pois como já reiterado anteriormente pode ser sintoma de outras desordens emocionais ou apenas uma manifestação natural do desenvolvimento, mas deve ser sempre motivo de atenção quando se apresenta de forma persistente. O alerta vermelho para procurar ajuda profissional se dá quando as atitudes da criança ou do adolescente já estão afetando a qualidade de vida – dele e de terceiros.

O TEI pode ser diagnosticado a partir dos 6 anos e o ambiente familiar tem forte influência na manifestação do comportamento agressivo, visto que as crianças tendem a adotar padrões de interação social vividos no contexto familiar, reproduzindo-os também no ambiente escolar. Ou seja, o que ela aprende em casa replica em outras situações de seu cotidiano.

Consequentemente, o adolescente ou adulto diagnosticados trazem em seu histórico de vida evidências de prejuízo escolar, social, familiar e econômico, visto que seus comportamentos explosivos acabam por resultar em punições e restrições sociais. É preciso ressaltar: portadores de TEI são extremamente prejudicados por suas crises de agressividade, carregam consigo o peso, o sofrimento (dele e de sua família e amigos) e as consequências de seus impulsos agressivos. Por ser pouco conhecido e pouco estudado, ainda se trata de um transtorno difícil de diagnosticar e, muitas vezes, o diagnóstico ocorre tardiamente, quando o indivíduo já coleciona uma série de fracassos ao longo da vida. Isso por­ que há essa linha tênue entre o portador de TEI e a pessoa que reage de maneira agressiva e estressada no dia a dia.

BOA NOTÍCIA

A doença ainda é pouco estudada e pouco diagnosticada no Brasil, mas esse cenário, aos poucos, está mudando. A boa notícia é que os profissionais da área da saúde começam a considerar o TEI como hipótese diagnóstica e, assim, mais pacientes podem se beneficiar do tratamento. Ao receber o diagnóstico, a pessoa não só compreende por que reage dessa maneira desorganizada como também descobre que há tratamento e que esse tratamento tem excelentes resultados. Psicoterapias de diferentes orientações teóricas têm sido usadas no tratamento de transtornos agressivos, mas a terapia cognitivo-comportamental (TCC) tem sido apontada como a mais eficaz (Barkley, The efficacy of problem solving communication training alone, behavior manegement training alone and their combination for parente-adolescent conflict in teenagers with ADHD and ODD, 2001).

Para Lima e Wielenska (Terapia Comportamental-Cognitiva, Psicoterapias: Abordagens Atuais, p. 192-209, 1993), a abordagem da terapia cognitivo-comportamental dá grande ênfase aos pensamentos do paciente e à forma como ele interpreta o mundo, centrando-se nos seus problemas e objetivando que o paciente aprenda novas estratégias para gerenciar seus sentimentos. A metodologia conta com a cooperação paciente-terapeuta no planejamento da superação de problemas.

Aaron Beck (Terapia Cognitiva: Teoria e Prática, 1997) desenvolveu a TCC como uma psicoterapia breve, de tempo limitado, sessões estruturadas, que tem como propósito facilitar uma mudança cognitiva no paciente e, para isso, se utiliza de diversas técnicas. Esse modelo de terapia valoriza a colaboração e a participação ativa do paciente, orienta a identificação de situações-gatilho e crenças disfuncionais, foca em metas e dá ao paciente instrumentos para que tenha recursos e consiga atuar como seu próprio terapeuta. A TCC também enfatiza a prevenção de recaída.

Ao longo do tratamento, o paciente aprende a identificar situações-gatilho de estresse. Compreende que não existem emoções boas ou emoções ruins, emoções simplesmente existem e são incontroláveis – são resultado de nossas vivências individuais. A raiva é só mais uma delas, tão natural e instintiva quanto todas as outras. O seu gerenciamento sobre suas emoções é que pode ser bom ou ruim, ou seja, o problema não é o que o paciente sente, mas a forma como ele lida com isso. Percebe, então, que não conseguir expressar suas emoções de desagrado no momento em que o estresse ocorre é uma dificuldade que precisa ser superada para que não continue acumulando uma carga excessivamente negativa, que pode sair do controle quando ele menos espera.

Na compreensão dessa autora, é de extrema importância que o psicoterapeuta explique ao paciente sua forma de trabalho, abordagem psicológica a ser seguida durante o tratamento, quais os objetivos a serem alcançados e a importância da colaboração do paciente para o bom resultado do tratamento. Pesquisas científicas comprovam que técnicas de relaxamento apresentam bons resultados no gerenciamento da ansiedade, impulsividade e estresse, e essas importantes ferramentas quando utilizadas aumentam as chances de sucesso no tratamento. Particularmente, venho usando a hipnose (hipnoterapia cognitiva) como aliada no tratamento da ansiedade e impulsividade (presentes nos quadros de TEI) e com foco no manejo de imagens mentais, cenários, memórias, de modo a dar novos significados a esses aspectos.

Por fim, a participação da família no tratamento é extremamente desejada e deve ser estimulada. O vínculo terapêutico deve estar fortalecido tanto com o paciente quanto com os familiares. Existem dois tipos de pacientes: aqueles que procuram ajuda por conta própria e aqueles que são intimados pelos familiares a buscar tratamento. Ambos apresentam alto grau de sofrimento, sentem-se incompreendidos, acreditam que as pessoas nunca enxergam o seu lado da história. Ou seja, no momento em que o paciente chega ao consultório, o quadro, na maioria das vezes, já está muito avançado – pois o que leva o paciente a procurar ajuda são os desajustes ocorridos nas relações interpessoais.

Dessa forma, é comum haver cansaço, frustração, mágoa e até mesmo sentimento de raiva que permeia o núcleo familiar. Sempre que possível, é interessante que o terapeuta possa acolher e orientar a família desse paciente e, assim, promover a ressignificação do vínculo afetivo.

Como já visto, o quadro de TEI vem acompanhado de doenças como ansiedade e depressão e, por se tratar de um transtorno do impulso, em alguns casos a medicação deve ser avaliada como uma aliada ao tratamento. Quando necessária, a medicação é introduzida para otimizar o tratamento. Porém, sem o acompanhamento psicoterápico o paciente não alcançará todos os benefícios proporcionados pela terapia, que poderão conduzi-lo a uma melhor qualidade de vida.

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ATENÇÃO ESPECIAL PARA A TEI

É importante atentar para o fato de que o TEI é a única categoria diagnóstica psiquiátrica em que a agressão fisica é um sintoma básico – e é o único que descreve transtornos agressivos não psicóticos e não bipolares (Lish; Kavoussi; Coccaro, Personality Characteristics of the Personality Disordered, p. 24-40,1996). Dessa forma.o diagnóstico do TEImereceumaatenção especial e secaracteriza como um diagnóstico de exclusão – não deve ser confundido com transtornos como o de personalidade borderline, bipolar, antissocial. TDAH (transtorno dedéficit de atenção com hiperatividade) e intoxicação por abuso de substilncias.

Nenhuma das características identificadas nos transtornos abaixo está presente no TEI.
Logo, se o paciente apresentar qualquer uma delas, deve ser automaticamente excluído do diagnóstico de transtorno explosivo intermitente.

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DIAGNÓSTICO DE EXCLUSÃO

BORDERLINE

Oscilação entre extremos de avaliação e idealização em todos os relacionamentos

Medo do abandono

Sensação decorrente de vazio Comportamentos suicidas ou parassuicidas

TDAH

Quadro deimpulsividade associado à dificuldade de atençck>, planejamento e organização

ANTISSOCIAL

Desconsideram e violam direitos dos outros

Enganosos

Manipuladores

Não experimentam sentimentos de remorso por suas atitudes agressivas atitudesagressivas  premeditadas

BIPOLAR

Alteraçõescfclic asde humor

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IDENTIFICAÇÂO DOS SINTOMAS QUE ESTÂO PRESENTES NA PESSOA PORTADORA DE TEI

1. Explosões comportamentais recorrentes representando uma falha em controlar impulsos agressivos, conforme manifestado por um dos seguintes aspectos:

1 – AGRESSÃO VERBAL: Acesso de raiva. injúrias, discussões ou agressões verbais.

2 – AGRESSÃO FÍSICA: Dirigida à propriedade. animais ou outros indivíduos, ocorrendo em uma média de duas vezes por semana. durante um período de três meses, a agressão física não resulta em danos ou destruição de propriedade, nem em lesões físicas em animais ou em outros indivíduos.

2 – Três explosões comportamentais envolvendo danos ou destruição de propriedade e/ou agressão física envolvendo lesões físicas contra animais ou outros indivíduos. ocorridas em um período de 12 meses.

1. A magnitude de agressividade expressada durante as explosões recorrentes é grosseiramente desproporcional em relação à provocação ou a quaisquer estressores psicossociais precipitantes.

2. As explosões de agressividade recorrentes não são premeditadas (ou seja, são impulsivas e/ou decorrentes de raiva) e não têm por finalidade atingir algum objetivo tangível (como dinheiro, poder e intimidação).

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SINTOMAS RELATADOS CARACTERÍSTICOS DO PORTADOR DE TEI

Este quadro pretende facilitar uma melhor comi,>reensão dos sinais e sint0rnas que diferenciam o TEI de outros transtornos psíquicos:

ESQUIZOFRENIA:Apresenta comportamentos agressivos decorrentes de sintomas psicóticos. eomo alucinações e delírio

PSICOSE EMANIA:Nos episódios do tipo persecutório podem ocorrer sentimentos de raiva e aomportameAto impulsivo-agressivo

DELÍRIO: Alucinaçao, estado confusionoal agudo com presença de agitaçào motora, experiências  emocionais intensas, podendo levar a comportamento agressivo

EPISÓDIOS MANÍACOS PRESENTES NO TRANSTORNO BIPOLAR: Nas fases de hipomania, são comuns episódios de irritabilidade e agressividade que se mantêm durante esse
período

TRANSTORNO DISRUPTIVO DA REGULAÇAO DO HUMOR: O paciente apresenta estado de humor persistentemente negativo (irritabilitdade, raiva) quase todos os dias entre explosões de agressividade impulsiva.

TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÀO/HPERATIVlDADE: Dificuldade de atenção e concentração. geralmente são impulsivos e podem apresentar explosões de
agressividade compulsivas

DEMÊNCIAS: Perda progressiva da capacidade cognitiva e de planejamento, com enfraquecimento da memória, dificuldade de concentração, problemas com a linguagem que podem levar a comportamentos agressivos (Alzheimer, Parkinson)

DEPENDÊNCIA QUÍMICA: Alcool, cocaína e anfetaminas, que podem desencadear comportamentos agressivos

CONDIÇÃO ClÍNCA GERAL: Danos cerebrais severos e alguns tumores cerebrais podem desencadear comportamentos agressivos

OUTROS OLHARES

A REVOLUÇÃO ANTICÂNCER

A Academia Sueca celebrou duas descobertas recentes que resultaram na criação da imunoterapia, o mais novo e espetacular tratamento contra a doença.

A revolução anticâncer.

Estamos vivendo momentos de genuína excitação nos raros anos em que a Academia Sueca oferece o Nobel de Medicina a técnicas descobertas há pouco tempo e, acima de tudo, já postas em prática e bem-sucedidas. Foi o caso da premiação dos imunologistas James P. Allison, de 70 anos, do MD Anderson Câncer Center, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, e de Tasuku Honjo, de 76 anos, da Universidade de Kyoto, no Japão. No mês de outubro, a dupla foi celebrada por desenvolver, nos anos 1990 – outro dia, para os padrões do Nobel -, uma nova forma de combate ao câncer. É a chamada imunoterapia, procedimento que usa a capacidade das próprias células de defesa do organismo na luta contra o tumor.

A base da técnica premiada tem uma abordagem totalmente nova na oncologia. É um salto extraordinário e inventivo. Em vez de bloquear o crescimento do tumor, como fazem os outros tratamentos, a imunoterapia facilita a ação do sistema de defesa, uma rica orquestra composta de células e substâncias que ajudam o corpo a lidar com vírus, bactérias e outros invasores, para matar o câncer. O americano Allison estudou o funcionamento da proteína CTLA-4, e o japonês Honjo, o de uma outra proteína, a PD-1. Ambas, naturalmente produzidas pelo organismo, regulam a ação dos linfócitos T, os principais soldados do mecanismo imunológico contra invasores, tornando o organismo apto a combater as células de tumor.

Até hoje, foram desenvolvidos três remédios com base nas duas descobertas associadas ao Nobel deste ano: o ipilimumabe (Yervoy,) aprovado em 2011, onivolumabe (Opdivo) e o pembrolizumabe (Keytruda), estes liberados em 2014. Há também outros dois medicamentos que agem no sistema imunológico por meio de processos semelhantes. Estima-se que ao menos 100.000 pessoas já tenham se beneficiado da imunoterapia em todo o mundo. No Brasil, o tratamento ainda não é oferecido pelo Sistema Único de Saúde. Há planos de saúde privados que disponibilizam a terapia, que custa uma fortuna: em torno de 50.000 reais por mês. Os remédios imunoterápicos são usados em diversos tipos de câncer, como melanoma, pulmão, bexiga, fígado, estômago, linfoma, intestino, rim e cabeça e pescoço. Costumam ser indicados para pacientes em estágios mais avançados da doença que já tentaram outros caminhos, como a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia, mas sem sucesso. Diz Paulo Hoff, oncologista e presidente da oncologia da Rede D’Or: “O Prêmio Nobel reconheceu a velocidade, cada vez maior e mais interessante, da aplicação da ciência para o desenvolvimento de novos tratamentos eficientes e pouco tóxicos”.

Os medicamentos imunoterápicos têm se mostrado incrivelmente eficazes. Reduzem a taxa de mortalidade em 50% nos casos de câncer de pulmão metastático. Em algumas variedades de melanoma, chega-se a 60% de remissão. Contudo, eles não funcionam para todos os doentes da mesma forma. Dependendo do tipo de tumor, só agem em cerca de 30% das pessoas. O tempo de uso também varia para cada paciente. Em alguns, o tumor pode desaparecer por completo em dois meses, dando uma nova vida a pessoas que estavam desenganadas, sem perspectiva de tratamento. Em outros, o tratamento pode durar dois anos. Ou não funcionar. A instabilidade acontece por dois motivos. Um deles é o fato de o procedimento ter como base o complexo sistema imunológico. O segundo ponto: quando se trata de câncer, não há uma só via de ataque. E dificilmente haverá. Para o futuro próximo, esse que, já está aí, imagina-se a combinação de estratégias, de acordo com as características individuais dos tumores e do doente.

Por enquanto, os remédios imunoterápicos são usados separadamente ou com quimioterapia. Mas há estudos que mostram que a combinação entre eles é um atalho inexorável. Uma pesquisa publicada em agosto na revista científica New England Journal of Medicine revelou resultados empolgantes na combinação de dois imunoterápicos: prolongou a vidadas pessoas com um tipo de câncer gravíssimo que havia se espalhado para o cérebro. Um ano após o início do tratamento combinado, 82% dos doentes estavam vivos. Com as terapias tradicionais, só 20% dos pacientes nessa situação, em média, sobrevivem depois de doze meses. “Há uma estrada brilhante para esses novos remédios, e a tendência é que sejam usados também em pacientes com câncer em estágios mais iniciais”, diz Fernando Maluf, oncologista da BP Mirante e do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

O câncer ainda é a segunda principal causa de morte em todo o mundo. Calcula-se que a doença será responsável por mais de 9 milhões de vítimas somente neste ano. No Brasil, a estimativa é de 243.000 casos fatais. O cenário já foi pior. Graças à criação dos recursos de diagnóstico precoce, à valorização dos hábitos saudáveis e, sobretudo, ao refinamento e à diversificação de medicações, a taxa de mortalidade por câncer entre homens e mulheres caiu 26% nas últimas duas décadas nos Estados Unidos. No caso de alguns tipos de tumor, como o de próstata, a evolução foi ainda mais extraordinária. Em 1960, 56% dos homens estavam vivos cinco anos após o diagnóstico de câncer de próstata. Hoje, a taxa é de 99%. Grande parte dos avanços está associada aos três tratamentos convencionais e plenamente estabelecidos: a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia. Essas estratégias continuam, sem dúvida, indispensáveis para a maioria dos tumores. Com a imunoterapia, vive-se uma quarta e revolucionária etapa.

O avanço mais espetacular na era pré-imunoterapia ocorreu com a chegada dos medicamentos chamados de terapia-alvo, uma quimioterapia direcionada, com menos efeitos colaterais. Com base no conhecimento das características genéticas do câncer, a terapia-alvo bloqueia o crescimento e a disseminação das células cancerígenas. O remédio que inaugurou essa classe foi o trastuzumabe (Herceptin), aprovado nos EUA em 1998 e considerado ainda hoje um grande feito no tratamento da doença. As cirurgias também estão mais precisas e os equipamentos de radioterapia, mais modernos.

Durante muito tempo, falou-se na cura do câncer, a bala de prata tão ambicionada. Há algum tempo não é mais o caso de buscar essa vitória final. Não se trata de curar o câncer, mas sim de preveni-lo e atacá-lo com rapidez e qualidade. Os avanços nas cirurgias, na quimioterapia e na radioterapia significaram grandes saltos – a imunoterapia, que o Nobel celebrou, é um voo cada vez mais promissor.

GESTÃO E CARREIRA

AQUILO QUE NOS DIFERENCIA

Conhecer a si mesmo garante melhores decisões profissionais.

Aquilo que nos diferencia

Acredito fortemente que tomamos as melhores decisões quando nos conhecemos de verdade. Já falei repetidas vezes da importância de descobrir e entender quais são seus valores de vida, propósitos e suas principais características, o que você faz bem e com facilidade e que outras pessoas não fazem. Também já mencionei que é interessante procurar saber como as pessoas te percebem, que marca é essa que você tem e que aparece quando elas pensam em você.

Buscar esse conhecimento sobre si próprio é importante porque nos leva a momentos mais eficientes na vida. Às vezes, as pessoas perdem muito tempo tentando desenvolver aquilo que não fazem bem apenas porque se acredita que é isso que o mercado de trabalho quer e precisa. Tomamos decisões sem considerar o que desejamos, ou sem saber quem realmente somos.

A verdade é que para construir uma carreira s6lida e feliz é preciso colocar força naquilo que te diferencia. Para ajudar nossa caminhada, sugiro que conheça a plataforma Bettha.com. Ela é gratuita e tem ferramentas muito atuais de autoconhecimento. Além de ajudar cada um a se conhecer melhor, também contribui para que o profissional se prepare para o mercado de trabalho. Como? Por meio de jornadas e missões com conteúdos de carreira, competências comportamentais e habilidades portáteis, importantes para toda e qualquer carreira.

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É importante lembrar também que só fazer boas escolhas na carreira não é suficiente. O mercado de trabalho exige uma evolução contínua e constante. Segundo pesquisas, uma habilidade adquirida hoje terá, em média, cinco anos de validade… Antigamente, esse prazo já foi muito maior. Outro ponto a ser levado em consideração é que os modelos educacionais tradicionais não dão conta dessa velocidade sozinhos, ou seja, precisam ser complementados com ferramentas e conteúdos que permitam individualizar o aprendizado e implementar em tempo real, conteúdos que desenvolvam as habilidades e competências que o mercado exige.

O objetivo do Bettha é possibilitar que o profissional conheça as carreiras, o seu estilo de trabalho e se desenvolva sempre, todo dia um pouquinho, seja no aspecto comportamental ou nas habilidades técnicas que o mercado espera do seu perfil. Além disso, ele pode ajudar cada profissional a construir um portfólio que vai muito além do currículo, pois cada assessment realizado e conteúdo assistido contam pontos e compõem esse perfil que as empresas podem acessar e conhecer.

Lembre-se: diferente do passado, hoje, o plano de carreira deve ser construído e gerido por cada um de nós.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 19; 16-18

Alimento diário - Comendo a Bíblia

Cristo é Condenado. A Crucificação

Aqui temos a sentença de morte proferida contra nosso Senhor Jesus, e a execução, que teve lugar pouco tempo depois. Pilatos tinha tido uma poderosa disputa consigo mesmo, entre suas convicções e suas corrupções. Mas, no final, suas convicções capitularam, e suas corrupções prevaleceram, o medo dos homens teve mais poder sobre ele do que o temor a Deus.

I – Pilatos proferiu a sentença contra Cristo, e assinou a autorização para sua execução, v. 16. Aqui podemos ver:

1. Como Pilatos assinou contra sua consciência: repetidas vezes ele tinha dito que Cristo era inocente, e ainda assim, no final, condenou-o como culpado. Desde que tinha chegado a ser governador, Pilatos, em muitas ocasiões, tinha desagradado e exasperado a nação judaica, pois era um homem de espírito arrogante e implacável, e extremamente dedicado ao que lhe agradava. Ele tinha se apropriado do Corbã, e o tinha gastado em uma fonte. Ele tinha trazido a Jerusalém escudos estampados com a imagem de César, o que era extremamente provocador aos judeus. Ele tinha sacrificado a vida de muitos pelas suas determinações. Temendo, portanto, que eles pudessem se queixar dele, por estas e outras insolências, ele estava desejoso de agradá-los. Isto torna o assunto muito pior. Se ele tivesse tido uma disposição tranquila, dócil e flexível, sua capitulação a uma corrente tão forte teria sido mais justificável. Mas para um homem que era tão voluntarioso, em outras coisas, e de uma determinação tão violenta, ser vencido em uma questão desta natureza mostra que ele era verdadeiramente um homem mau, que podia suportar melhor os erros da sua consciência do que a contradição aos seus desejos.

2. Como ele se empenhou para transferir a culpa aos judeus. Ele não o entregou aos seus próprios oficiais (como seria usual), mas aos acusadores, os principais dos sacerdotes e anciãos, justificando, assim, seu erro perante sua própria consciência com o fato de que se tratava somente de uma condenação permissiva, e que ele não condenou Cristo à morte, mas somente foi conivente com aqueles que o fizeram.

3. Como Cristo se fez pecado por nós. Nós merecíamos ter sido condenados, mas Cristo foi condenado em nosso lugar, para que não houvesse mais condenação alguma contra nós. Agora Deus estava entrando em um julgamento com seu Filho, para que não tivesse que entrar em julgamento com seus servos.

 

II – Mal tinha sido concluído o julgamento, e os acusadores, com toda a prontidão possível, tendo conseguido o que queriam, decidiram não perder tempo, para que não houvesse tempo de que Pilatos pudesse mudar de ideia, e ordenar um adiamento (os inimigos das nossas almas, os piores inimigos, são aqueles que nos conduzem ao pecado, e então não nos deixam espaço para podermos desfazer o que fizemos de errado), e também para que não houvesse um tumulto entre o povo, e pudessem encontrar um número de pessoas contrárias a eles maior do que tinham, com muitos artifícios, conseguido a seu favor. Seria bom, se nós conseguíssemos ser diligentes desta maneira naquilo que é bom, e não esperar mais dificuldades.

1. Eles imediatamente levaram o prisioneiro. Os principais dos sacerdotes lançaram-se avidamente sobre a presa que tinham esperado durante tanto tempo. Agora ela estava presa na sua rede. Ou eles, isto é, os soldados que deviam auxiliar na execução, o tomaram e levaram, não ao lugar de onde Ele tinha vindo, e dali, ao lugar de execução, como é usual entre nós, mas direta­ mente ao lugar de execução. Tanto os sacerdotes quanto os soldados o levaram, juntos. Agora o Filho do Homem estava entregue nas mãos dos homens, homens maus e irracionais. Segundo a lei de Moisés (e nas apelações, na nossa lei), os acusadores deveriam ser os executores, Deuteronômio 17.7. E aqui os sacerdotes estavam orgulhosos desta função. O fato de que Ele fosse levado não sugere que Ele tenha feito nenhuma oposição, mas as Escrituras deviam cumprir-se: “Foi levado como a ovelha para o matadouro”, Atos 8.32. Nós merecíamos ter sido levados com os que praticam a maldade, como criminosos à execução, Salmos 125.5. Mas Ele foi levado em nosso lugar, para que pudéssemos escapar.

2. Para aumentar a desgraça de Jesus, eles o obrigaram, enquanto Ele foi capaz, a carregar sua cruz (v.17), conforme o costume entre os romanos. Aqui Furcifer era, entre eles, uma palavra de censura. Suas cruzes não ficavam erguidas permanentemente, como ficam nossas forcas nos locais de execução, porque o malfeitor era pregado à cruz enquanto ela estava estendida no chão, e então era erguida e presa à terra, e removida depois de terminada a execução, e normalmente sepultada com o corpo. De modo que qualquer pessoa que fosse crucificada tinha sua própria cruz. O fato de que Cristo carregasse sua cruz pode ser considerado:

(1) Como parte dos seus sofrimentos. Ele literalmente suportou a cruz. Era necessário um pedaço de madeira longo e espesso para tal uso, e alguns pensam que ele nunca deve ter sido polido nem cortado. O bendito corpo do Senhor Jesus talvez não estivesse acostumado a tais cargas. Somente recentemente, Ele tinha sofrido tantos golpes, sentindo-se exaurido. Seus ombros doíam pelas chibatadas que lhe tinham desferido. Cada balanço da cruz iria renovar sua dor lancinante, e possivelmente enterraria na sua cabeça os espinhos com que o tinham coroado. Mas tudo isto Ele suportou pacientemente, e isto foi apenas o início dos sofrimentos.

(2) Como resposta ao tipo que tinha vindo antes dele. Quando ia ser oferecido, Isaque carregou a madeira à qual ele deveria ser amarrado, e na qual deveria ser queimado.

(3) Como muito representativo da sua missão, tendo o Pai feito “cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaias 53.6), e “levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro”, 1 Pedro 2.24. Ele tinha dito, na verdade: Sobre mim seja tua maldição, pois Ele se fez pecado por nós, e, portanto, a cruz deve­ ria estar sobre Ele.

(4) Como muito instrutivo para nós. Nosso Mestre, com isto, ensinou todos os seus discípulos a tomarem sua cruz, e segui-lo. Seja qual for a cruz que Ele nos chama para levar, em qualquer ocasião, devemos nos lembrar de que Ele suportou a cruz antes de nós. E, suportando-a por nós, Ele a retira de nós, em grande medida, pois assim torna seu jugo suave, e seu fardo, leve. Ele suportou a extremidade da cruz que tinha a maldição sobre si, a extremidade pesada, e, desta maneira, todos os que são seus podem considerar leves e momentâneas as aflições que suportam por amor a Ele.

3. Eles o levaram ao local da execução: Ele foi, não arrastado, contra sua vontade, mas voluntário nos seus sofrimentos. Ele saiu da cidade, pois foi crucificado fora da porta, Hebreus 13.12. E, para acrescentar maior infâmia aos seus sofrimentos, Ele foi levado ao lugar comum de execução, como um entre os muitos que foram contados como transgressores, um lugar chamado Gólgota, o lugar da Caveira, onde eles jogavam os esqueletos e caveiras dos mortos, ou onde eram deixadas as cabeças dos malfeitores decapitados – um lugar cerimonialmente impuro. Ali Cristo sofreu, porque se fez pecado por nós, para que pudesse purificar nossas consciências de obras mortas, e da sua contaminação. Se alguém de­ seja prestar atenção às tradições dos anciãos, há duas que são mencionadas, por muitos dos autores antigos, a respeito deste lugar:

(1) Que Adão foi sepultado aqui, e que este era o local da sua caveira, e eles observam que onde a morte triunfou sobre o primeiro Adão, aqui o segundo Adão triunfou sobre ela. Gerhard cita, para esta tradição, Orígenes, Cipriano, Epifânio, Austin, Jerônimo, e outros.

(2) Que este era o monte, na terra de Moriá, no qual Abraão ofereceu Isaque. O local onde Isaque foi resgatado pelo cordeiro.

4. Ali eles o crucificaram, e os outros malfeitores com Ele (v. 18): ali foi o lugar “onde o crucificaram”. Observe:

(1) A morte que Cristo teve. A morte na cruz, uma morte sangrenta, dolorosa, vergonhosa, uma morte maldita. Ele foi pregado à cruz, como um sacrifício atado sobre o altar, como um Salvador que está com sua atenção completa­ mente fixa na sua missão. Seus ouvidos estão atentos à voz de Deus, o Pai, para servi-lo para sempre. Ele foi levanta­ do, como a serpente de metal, suspenso entre o céu e a terra, porque nós éramos indignos de ambos, e fomos abando­ nados por ambos. Suas mãos estavam estendidas para nos convidar e abraçar. Ele ficou suspenso cerca de três horas, morrendo gradativamente no uso pleno de razão e fala, para que pudesse, verdadeiramente, resignar-se a ser um sacrifício.

(2) Com quem ele morreu: “E, com ele, outros dois”. Provavelmente, estes não teriam sido executados nesta ocasião, mas a pedido dos principais dos sacerdotes, para aumentar a desonra do nosso Senhor Jesus, o que pode ser a razão pela qual um deles o insultou, porque sua morte foi apressada por causa dele. Se eles tivessem tomado dois dos seus discípulos, e os tivessem crucificado com Ele, isto teria sido uma honra para Ele. Mas, se estes ti­ vessem participado do sofrimento com Ele, isto teria sido considerado como se eles tivessem participado da expiação com Ele. Portanto, foi ordenado que estes companheiros de sofrimento fossem os piores pecadores, para que Ele pudesse suportar nossa desonra, e para que o mérito pudesse ser só seu. Isto o expôs ao ódio e ao desprezo das pessoas, que são capazes de julgar as pessoas em conjunto, e não têm curiosidade para distinguir, e concluíram que não somente Ele era um malfeitor, porque compartilhou o jugo com malfeitores, mas que Ele era o pior dos três, porque foi colocado no meio. Porém, assim a Escritura se cumpriu: “Com os malfeitores foi contado”. Ele não morreu no altar, entre os sacrifícios, nem misturou seu sangue com o de bois e bodes, mas morreu entre os criminosos, e misturou seu sangue com o daqueles que eram sacrificados em nome da justiça pública.

E agora, façamos uma pausa, e com os olhos da fé, olhemos para Jesus. Houve alguma tristeza como a sua? Veja aquele que estava vestido de glória, despido de toda ela, e vestido de vergonha, aquele que era o louvor dos anjos, tornado o opróbrio dos homens, aquele que tinha estado com prazer e alegria eternos no seio do seu Pai, agora nos extremos de dor e agonia. Veja-o sangrando, veja-o sofrendo, veja-o morrendo, veja-o e ame-o, ame-o e viva para Ele, e investigue o serviço que devemos fazer.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A SABEDORIA DA CONVIVÊNCIA

O grande desafio de relacionamento com as chamadas pessoas difíceis na família ou ambiente de trabalho é, inquestionavelmente, uma das reclamações mais frequentes nos settings terapêuticos   atualmente.

A sabedoria da convivência

Como lidar com um parceiro difícil, que leva a vida de forma completamente diferente da sua e torna seus dias pesados e desgastantes por sua insatisfação constante, cara feia, críticas frequentes, comportamentos inadequados ou discussões sem fim? E um filho que, em algum momento da sua vida, faz parecer que tudo se tornou um completo caos sem possibilidade de saída ou resolução?

Imaginem como deve ser ter um chefe ou colega de trabalho difícil, que torna o ambiente hostil e estressante, levando setores inteiros a adoecer, desanimar ou a entrar em atritos constantes, gerando inclusive baixa na produtividade da empresa e na qualidade de vida dos funcionários daquela equipe.

A dificuldade de relacionamento com pessoas difíceis é, incontestavelmente, uma das queixas mais frequentes nos settings terapêuticos atualmente. Independentemente da abordagem de trabalho, constatamos hoje que não só terapeutas, mas diversas formas de prestadores de serviço ao próximo, inclusive instituições religiosas, recebem massivamente inúmeras pessoas queixando-se do alto nível de dor emocional, psicológica ou até mesmo física proveniente da manutenção de relações adoecidas ou destrutivas com pessoas que julgam serem difíceis de lidar.

Esse tipo de relação a médio ou longo prazo pode causar prejuízos das mais diversas formas aos envolvidos. Desde questões emocionais e psicológicas, como baixa estima, tristeza, intolerância ou raiva como quadros graves, tanto de distúrbios psiquiátricos severos como crises de ansiedade ou depressão, até doenças físicas desencadeadas por essa carga emocional e mental duradoura e persistente.

O mais difícil é conseguir tomar uma decisão satisfatória que pondere equilibradamente o lado racional que nos impele a nos preservar, evitando a causa de tanta dor e perturbação, e o lado emocional, que envolve o sentimento que nos mantém naquela relação difícil ou a necessidade de se manter naquela situação para a garantia de sua sobrevivência, por exemplo.

CONTORNÁVEIS E EVITÁVEIS

Existem casos em que as pessoas difíceis não fazem, necessariamente, parte de nosso dia a dia. São mais fáceis de lidar. Não causam, geralmente, maiores danos aos envolvidos e o afastamento temporário da pessoa difícil, por si só, é capaz de amenizar os desconfortos e ajudar os envolvidos a restabelecerem o equilíbrio necessário para um novo encontro desgastante e difícil.

Esse é o caso de relações difíceis entre pessoas ou até mesmo parentes que moram ou trabalham longe e não têm a necessidade de estar em contato físico frequente.

Quando a relação difícil se dá entre a esposa ou marido de alguém muito querido ou com quem possuímos algum grau de parentesco, na relação com a sogra de um(a) filho(a), por exemplo, ou os pais de um amiguinho muito querido de seu filho, ainda conseguimos nos manter distanciados de alguma maneira, para preservar o relacionamento com quem prezamos.

Todos esses são casos onde conseguimos, com algum esforço, manter a relação sem prejuízos graves ou insuportáveis, desde que mantenhamos certo distanciamento nos encontros e na profundidade da relação.

E, talvez, por essa possibilidade de controlar esse distanciamento, o caso não envolve a necessidade de uma transformação pessoal para me­ lh orar a convivência com a pessoa de difícil relacionamento. O tempo, por si só, acaba tratando de desintoxicar as emoções destrutivas criadas nos envolvidos e prepará-los, novamente, para tentar um reencontro, para estar perto de quem se gosta e de quem se necessita.

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MEMBROS DA FAMÍLIA

Quando essa pessoa difícil está incluída em nossa família, o quadro já se torna diferente. Nos casos de pais e filhos ou sogros e noras/genros, principalmente quando moram juntos, a dificuldade fica mais nociva devido ao contato frequente com a pessoa tóxica. É o caso, também, de maridos e mulheres que se escolhem e permanecem juntos diariamente, tentando contornar ou suportar as dificuldades diárias impostas pelo jeito de ser de um dos parceiros.

Há quem descreva que a dificuldade provém de um comportamento, um hábito, crenças e valores ou jeito de ser aparentemente oposto ao da “vítima” do familiar difícil. Os familiares se queixam da dificuldade de compreender e encontrar uma maneira eficaz de conviver bem com a pessoa difícil.

E isso causa, constantemente, o desgaste nas relações, provocando distanciamento familiar ou embates verbais e, por vezes, físicos que afetam os filhos e demais envolvidos. Todos acabam sendo afetados, além de socialmente, já que têm seu convívio prejudicado, como pessoalmente. Já que as consequências dessa dificuldade relacional geram, em nível pessoal, muitas marcas, como isolamento e solidão, desenvolvimento de baixa estima, carência afetiva, tristeza ou depressão, irritabilidade e raiva, sensação de fracasso ou incapacidade, desânimo ou desistência frente à vida etc.

Outro fator comumente provocado por essa dificuldade de se relacionar com pessoas ou pela dificuldade de conviver com uma pessoa difícil é a manutenção de uma excessiva carga de trabalho, apenas com o objetivo de evitar a convivência frequente e o mal-estar proveniente dela. Esse é um dos grandes motivos de vermos os workaholics se afundando mais e mais no trabalho.

Eles se escondem e anestesiam na área de sua vida que parecem dominar melhor, área na qual conseguem lidar sem tanta dificuldade, área em que se sentem capazes de estar e atuar de maneira satisfatória e prazerosa. E usam isso para fugir daquilo com que não se sentem capazes de lidar ou com que não estão satisfeitos.

Se, por um lado, essa aparente saída ameniza a dor da incapacidade e frustração, por outro afasta e impe­ de mais ainda que o sujeito se desenvolva e crie condições de lidar com sua dificuldade de alguma outra forma. Afasta-o do problema, mas não o soluciona. Representa, apenas, uma triste fuga da dor e uma fatal permanência da dificuldade de se relacionar e da solidão.

São pessoas que parecem bem-sucedidas e felizes profissionalmente, mas carregam, no seu íntimo, uma amargura, mesmo que escondida e velada, por anos e anos. Essa amargura e evitação uma hora vêm à tona. E, infelizmente, isso ocorre tardia­ mente, quando já não existe mais a possibilidade de fazer diferente e mudar aquele quadro, corroendo, adoecendo e minando corpo e alma do sujeito.

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NO AMBIENTE PROFISSIONAL

Quando a pessoa difícil se encontra no trabalho, na presença de seu chefe, um subordinado necessário ou pares, a convivência diária – geralmente maior até do que a convivência que mantém com seus próprios familiares – se torna um agravante.

Nesse ambiente vemos as dificuldades advirem, com frequência, da disputa ou imposição do poder, necessidade de obtenção de reconhecimento ou destaque, fofocas, traições, manipulações, criação de embates e brigas entre os funcionários e demais comportamentos que acabam por gerar estresse, desmotivação, baixa da produção e sofrimentos pessoais. Vemos pessoas que, claramente, esquecem do propósito comum daquela equipe de trabalho e parecem permanecer ali trabalhando em prol da satisfação de uma necessidade pessoal, baseada no seu ego e não no bem-estar da equipe ou da empresa a que servem. Ficam totalmente cegas e inadequadas, servindo a algo que já não diz respeito ao compromisso que firmaram com a empresa, mas a uma necessidade pessoal da qual, na maioria dos casos, elas nem têm consciência.

Os envolvidos, muitas vezes, também não conseguem compreender o motivo daquele colega de trabalho agir daquela forma. Parece nitidamente um desserviço à empresa, já que gera danos a ela diretamente, através do comprometimento da produção, ou indiretamente, através da criação de um clima hostil e adoecedor entre a sua equipe de trabalho. Mas o fato é que a pessoa difícil está reagindo às marcas e traumas que carrega e reage a elas o tempo inteiro, prejudicando e punindo quem nada tem a ver com a origem daquelas dores que carrega em sua alma. Reage a situações que nem são reais, a ilusões criadas por seu imaginário traumatizado e adoecido pelas marcas do passado e que respondem a uma humilhação ou traição, por exemplo, que nem ocorreram real­ mente em determinada situação, mas que sua visão deturpadora e embaçada pelas marcas do trauma o faz acreditar e responder.

Mas qual seria o propósito de atrair para o seu campo de convivência alguém com uma forma de se relacionar tão difícil?

Mas o que será que essas provações, a que nos vemos presos, seja pelo laço do amor ou da necessidade de sobrevivência, têm a nos ensinar? Qual seria o sentido de tudo isso para nossas vidas e nosso desenvolvimento enquanto pessoas?

Se diante de uma situação dessas conseguirmos tirar o foco, momentaneamente, da pessoa difícil e tentarmos avaliar a situação de forma mais distanciada e impessoal, se conseguirmos nos distanciar de nós mesmos e observar a situação de fora podemos perceber lições importantes que podemos tirar com tudo aquilo.

Sempre poderemos encontrar, numa dificuldade, algo que precisa e pode ser melhorado, modificado ou adquirido por nós. Não se trata de uma tarefa fácil. Trata-se da possibilidade de se utilizar de um desconforto para extrair mais e mais potencialidades e habilidades de nós mesmos.

Às vezes, somente através de um relacionamento difícil teremos a chance de aprender a lidar com as diferenças. A chance de tentar compreender, criar empatia ou apenas respeitar o que não se assemelha a nós. A chance de perceber e refletir acerca de um novo ponto de vista, um jeito diferente de sentir ou ser. Sem juízo de valores. Nem melhor nem pior, apenas diferente. O jeito que o outro é capaz de ser ou apresentar.

Na relação com uma pessoa difícil, somos convidados a desenvolver a humildade e a capacidade de perdoar o outro, já que também não somos perfeitos e necessitamos, em muitos momentos, sermos perdoados pelas falhas que cometemos, consciente ou inconscientemente.

Com uma pessoa difícil, podemos aprender que não existe uma verdade única. Cada um de nós possui a sua verdade e uma jamais exclui ou se sobrepõe a outra. Pois não existe certo ou errado. Existe a forma particular com que cada pessoa vi­ vencia a mesma experiência, já que são pessoas distintas que carregam suas próprias e singulares marcas, traumas e feridas, seu sistema único de crenças e valores, uma educação diferenciada etc. E, com isso, somos convidados a abrir mão da arrogância ou prepotência de que o meu jeito ou o meu ponto de vista é o melhor, o certo. E a parar de julgar que “eu tenho razão e você está errado”.

E, se estivermos abertos e no nosso melhor, quem sabe um relacionamento difícil não pode nos conduzir a aprender mais sobre o nosso lado sombra e nos ajudar a enxergar um lado ou traço que nós mantemos em nosso jeito de ser de que sequer tínhamos consciência até então.

Que grande presente seria poder tomar consciência de uma parte nossa inconsciente que necessita ser revista e modificada. Uma parte que mantemos, mas que não faz mais sentido manter em nossa vida atual, pois causa sofrimento a nós mesmos ou a quem amamos, ao invés de nos assegurar bem-estar ou segurança.

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CAMINHOS PARA A SOLUÇÃO

Pare com a dependência da mudança do outro para ser feliz, seja o próprio agente da sua vida. Por vezes nos sabotamos, colocando nossa possibilidade de realização atrelada ao outro. E isso não passa de uma desculpa para não sermos felizes. Uma desculpa para não arregaçarmos as mangas e fazermos nossa própria vida feliz e realizada.

Julgamos que não somos capazes de viver sem aquela pessoa ou de arrumar um novo emprego e nos acomodamos naquela situação sofrida e insustentável. Nos iludimos de que nosso bem-estar depende de algo externo e deixamos de nos responsabilizar por ele e fazer sequer a nossa parte.

Pode parecer cômodo ou mais confortável jogar a culpa no outro, responsabilizar algo fora, sobre o qual não temos possibilidade de atuar para transformar a situação difícil. Mas não passa de uma saída covarde e ilusoriamente mais fácil. Já que mais difícil do que se esforçar para realizar a mudança é se manter na situação de dor e sustentar todos os prejuízos causados por ela.

Pare com a queda de braço com o outro. Chega de medir forças com o outro e se aliar a ele na manutenção da infelicidade e do desgaste de todos os envolvidos. Abra mão de depositar seu bem-estar e sua realização numa mudança que o outro não quer ou não pode realizar.

Só que, nessa disputa, o maior responsável sempre será aquele que possui maior nível de consciência, justamente por ser o possuidor da maior capacidade de mudança. Mas esse, via de regra, permanece cego, brigando e insistindo uma vida inteira por uma mudança que o outro não tem condições de fazer e o preço disso inclui a privação de seu bem-estar e de sua felicidade.

Se não atentarmos, perderemos parte da vida tentando provar algo ou forçar o outro a se modificar para que vivamos melhor. Com a certeza prepotente de que nossa forma de viver ou pensar é a correta e mais coerente. E desconsiderando, prepotentemente, a capacidade ou vontade de o outro realizar a mudança desejada ou exigida.

Será que já se parou para refletir sobre o que existe por trás de uma pessoa difícil? A busca pela compreensão dos possíveis fatores que motivam aquele sujeito com um jeito de ser tão difícil e massacrante pode ajudar os envolvidos a lidar de uma forma melhor com ela. O que o leva a ser assim? O que o leva a agir dessa forma no mundo? O que, por exemplo, realmente leva alguém a ter que humilhar o outro para se sentir poderoso ou superior?

E a obtenção dessa compreensão geralmente ajuda, porque nos aponta que ninguém se torna tão difícil de conviver se não carregar em si ou em seu histórico de vida uma enorme dor na alma. Podemos notar na estrutura interna dos maiores algozes uma grande dor que os move naquela direção, numa tentativa de aplacá-la ou suportá-la.

Sabemos que a simples compreensão desses fatores não justifica as atitudes tomadas pelas pessoas difíceis. E sabemos, também, que ela não amenizará por si só o desconforto dos que sofrem as consequências dos atos reativos dessas pessoas. Mas pode ser uma ferramenta utilizada pelos que convivem com sujeitos difíceis, no sentido de amenizar o seu desconforto pessoal frente às limitações do ser com quem necessitamos manter o contato.

Também existe a possibilidade de, ao invés de olhar para fora, olhar para dentro de nós. Não vamos nos distrair apenas listando as necessidades de mudança do outro se estamos aqui para nos desenvolver a nós mesmos através das relações interpessoais.

O que aquele sujeito tem na sua forma de ser, agir ou pensar que tanto me afeta ou aborrece? O que possuo disso em mim? Apesar de a maioria das pessoas, nesse caso, julgar que o que mais abomina no sujeito difícil de conviver passa longe do que ela é, muitas delas se enganam. Irritam-se, pois precisam reconhecer através do outro algo que precisam modificar em si mesmas. Algo que elas mesmas possuem, mas que já não faz sentido manter em sua vida. Algo que precisam enxergar e se esforçar para modificar, pois já não está mais de acordo com seus valores e crenças no momento atual. Algo que elas nem tinham consciência que carregavam dentro delas. Mas que só foi possível notar pelo mal-estar causado através do reflexo daquilo que necessita ser modificado nela e que está agora expresso no outro.

Um agravante nessa difícil tarefa de sair da ilusão de ser o dono da razão e chegar a um lugar apaziguador para ambos é a tendência de se vitimizar que o ser humano tem diante de um momento de dor. Ao se colocar no papel de vítima, colocamos automaticamente o outro no papel do algoz. E a vítima se empodera de tal forma como dono da verdade que perde totalmente a capacidade de avaliar adequadamente a situação, de forma a conseguir sair dela e superar a dificuldade imposta com a geração de um novo aprendizado para ela ou eles.

A vítima se mantém presa na dor da injustiça e mantém o outro preso no papel de algoz, e isso impossibilita a dissolução daquele conflito e alimenta pensamentos e emoções destrutivas e a desunião. A mente da vítima se torna o maior perturbador que alguém pode ter e faz com que ela se torne marionete de seus próprios pensamentos vitimizantes e destruidores. Isso, por sua vez, cria um estado emocional difícil e igual­ mente pesado e destrutivo, alimentando reações inadequadas e a manutenção dos conflitos.

Por fim, veremos que só temos a agradecer à pessoa difícil que foi colocada no nosso caminho. Afinal, por qual razão nos depararíamos com alguém tão difícil se ali não estivesse a possibilidade de retirarmos um ensinamento importante para a nossa jornada de crescimento pessoal? Concluímos, então, que a melhor saída para lidar com pessoas difíceis é alcançar mudanças pessoais que nos habilitem a encontrar o equilíbrio e a alegria que necessitamos dentro de nós mesmos. O universo se encarrega do resto.

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MUDANÇA

Durante o processo de convivência com uma pessoa difícil, há vezes em que a solução da relação desgastante passa por uma necessidade de a “vítima” abrir mão do que julga o certo ou justo para viver o que é possível viver dentro daquela situação. No fundo, a pessoa não se conforma com a realidade tal como é e passa anos ou uma vida inteira dando murro em ponta de faca, numa atitude infantil e teimosa de se manter naquela relação exigindo que o outro se modifique.

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O CAMINHO DA AUTOTRANSFORMAÇÃO

Um caminho que pode ser muito útil e nos conduzir a uma convivência sadia com uma pessoa difícil ou um ambiente hostil causado por ela é o da auto- transformação. Esse caminho envolve a difícil tarefa de enxergar a si mesmo no outro. Se não pode mudar o outro ou o ambiente, mude você mesmo. Pois se o outro não muda. você não pode continuar se desgastando e destruindo por isso. Se você não deseja ou não pode, por algum motivo, sair da situação ou se afastar daquela pessoa difícil, modifique o que precisa em você para conviver da melhor forma inserido naquela realidade. A realidade pode não se modificar, mas você tem condições de o fazer e conviver com ela de uma maneira completamente nova e sadia.

OUTROS OLHARES

HORA DE DORMIR

A excessiva carga de trabalho e os apelos (implícitos ou explícitos) da vida moderna para que as pessoas permaneçam acordadas “sequestram” valiosas horas de descanso. Por isso mesmo, assumir conscientemente a responsabilidade pela qualidade do próprio sono pode ser fundamental para a saúde física e mental. Para isso, porém, é preciso mudar alguns hábitos bastante arraigados. Aceita o desafio?

Hora de dormir

A privação de sono é um problema cada vez mais comum em todo o planeta. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo uma em cada três pessoas tem dificuldade para dormir. Poderíamos atribuir a responsabilidade por essa dificuldade – que muitas vezes se traduz num sintoma – aos inúmeros estímulos que a energia elétrica e as inovações tecnológicas nos proporcionam ou mesmo à enorme carga de trabalho de muita gente. As causas sociais e culturais da falta de sono são inegáveis, mas revelam apenas uma parte da questão. A responsabilidade pela qualidade é também pessoal e intransferível: embora muitos reclamem das noites mal dormidas e milhões recorram ao uso de medicações, em grande parte dos casos os hábitos na hora de apagar a luz e abandonar-se nos “braços de Morfeu” (o deus dos sonhos, na mitologia grega) não costumam ser dos melhores. Não raro, deixamos para o momento valioso, que antecede o adormecer, atividades (como checar redes sociais) que terminam roubando boa parte de nossa disposição para dormir.

Cientistas sabem atualmente que as consequências das noites mal dormidas são sentidas tanto no corpo quanto na mente. Vários estudos já têm associado o sono desregulado ao envelhecimento acelerado, ao aumento do risco de obesidade e a alterações prejudiciais no sistema imunológico e cardiovascular. A boa notícia é que em muitas situações – que não envolvem patologias específicas, em que a insônia é um sintoma – dormir melhor pode ser mais simples do que parece. Prestar atenção em alguns hábitos e comportamentos pode marcar a diferença entre acordar descansado e disposto no dia seguinte ou sentir como se o mundo estivesse desabando sobre sua cabeça no momento em que o despertador toca de manhã.

1 – LEVE À SÉRIO A ILUMINAÇÃO.

Ler em tela eletrônica pouco antes de pegar no sono pode inibir a produção de melatonina, um hormônio que ajuda a nos embalar para esse momento. Mas, embora seja verdade que aparelhos digitais possam imitar o efeito da claridade do dia e influenciar o tempo do relógio interno do corpo, o neurocientista Russell Foster, da Universidade de Oxford, que há anos estuda os ritmos circadianos, observa que, no final das contas, a quantidade de luz importa mais do que a qualidade. “A luminosidade provoca um efeito de alerta no cérebro, mas a intensidade da luminosidade que esses dispositivos eletrônicos portáteis emitem é relativamente baixa”, argumenta Foster. “Realmente, para algumas pessoas a luz dos aparelhos interfere bastante no descanso, mas não podemos deixar de lado o fato de que, ironicamente, a última coisa que a maioria de nós faz antes de ir para a cama é acender as lâmpadas mais potentes do banheiro enquanto escova os dentes, o que às vezes é até mais prejudicial ao sono.” Além de preferir a leitura em papel às telas digitais (pelo menos à noite), uma providência útil, portanto, pode ser investir na instalação de um regulador de luminosidade. Outra opção é se preparar com uma antecedência de uma hora a 30 minutos antes do horário que planeja realmente adormecer e começar a apagar as lâmpadas, mantendo apenas luminárias ligadas, inclusive no banheiro, no momento da higiene bucal ou mesmo do banho. Seja lá o que decidir fazer, busque minimizar a exposição à luz.

2 – TOME “BANHOS DE FÓTONS” DE MANHÃ.

As mesmas células dos olhos que dependem de luz baixa para facilitar o sono também necessitam de uma exposição de brilho logo cedo para voltar a sincronizar o ritmo circadiano. “O ciclo do corpo humano dura um pouco mais de 24 horas; por isso, sem esse efeito estabilizador da luminosidade matinal, nosso relógio interno começa a oscilar”, explica Foster. Em outras palavras, isso pode nos levar a ir para a cama cada vez mais tarde, ainda que tenhamos de acordar no mesmo horário todas as manhãs, o que, gradualmente, provoca um acúmulo de déficit de sono. O melhor remédio para com- bater isso é a luz natural do começo do dia. Mas, se o emprego, a geografia ou os filhos obrigam você a se levantar antes do amanhecer, procure aumentar a intensidade luminosa da casa ao máximo possível até a hora em que puder tomar sol de verdade. Deixar as janelas abertas para que os primeiros raios dos dias entrem no quarto, por exemplo, costuma ser uma medida simples e eficiente.  A maioria das lâmpadas de ambientes internos tem pelo menos o mesmo brilho que o céu ao amanhecer – entre 400 e 1000 lux (unidade científica para medir a iluminância). Foster recomenda “tomar banhos” de 1000 a 2000 lux na parte da manhã. Isso ajuda a garantir o estado de alerta e a acertar o relógio biológico para ter uma diminuição adequada do ritmo no final da tarde. Se desejar maior rigor, é possível baixar aplicativos para smartphones que medem a luminosidade por metro quadrado e apontam exatamente a quantidade de luz em cada ponto da casa.

3 – APRIMORE SEUS SONHOS.

As funções oníricas provocam polêmicas, mas alguns estudos recentes têm mostrado que os sonhos de fato podem nos ajudar a aprender e a encontrar soluções para problemas do dia a dia. Uma dessas pesquisas, conduzida pelo bioquímico Robert Stickgold, diretor do Centro do Sono e da Cognição da Escola de Medicina Harvard, mostra que voluntários que foram orientados a encontrar a saída de um labirinto se saíram melhor quando haviam sonhado anterior- mente com conteúdos relacionados à tarefa. E o sonho lúcido (em que a pessoa se torna capaz de controlar a experiência sem acordar) pode ajudar a aumentar a produção de insights oníricos e diminuir os efeitos da ansiedade. “Diversos trabalhos científicos indicam que pessoas que têm um sonho lúcido por mês ou mais são mais resistentes para enfrentar eventos estressantes”, diz o psicólogo Tore Nielsen, da Universidade de Montreal, pesquisador do sono. Segundo ele, podemos nos preparar para ter essa experiência de forma espontânea, cultivando o hábito de nos perguntarmos durante o dia: “Estou sonhando?”. A tendência é que façamos o mesmo dormindo, o que pode nos permitir perceber o que acontece e assumir o controle. “Evidências mostram que podemos voar, explorar ideias criativas e lidar com pesadelos nessas circunstâncias de forma lúcida”, afirma. Nielsen salienta, porém, que é importante insistir em prestar atenção aos sonhos. Registrar o que sonhamos e refletir sobre os significados cifrados que se apresentam também pode ser muito útil na resolução de problemas – por isso, ajudaria bastante deixar papel e caneta perto da cama. Com frequência, psicanalistas ajudam seus pacientes a obter compreensões bastante aprofundadas sobre aspectos psíquicos com base na análise dos sonhos que lhes são relatados.

4 – VÁ PARA A CAMA ANTES.

Enquanto pesquisava para produzir este artigo, encontrei uma quantidade aparentemente inesgotável de truques para melhorar o sono, desde um “cochilo de cafeína” ao meio-dia (beber uma xícara de café e depois dormir por 20 minutos) até manter um pé para fora das cobertas durante a noite. Mas, segundo Stickgold, a coisa pode ser até mais simples. “Recomendo às pessoas que façam uma experiência: ir para a cama 30 minutos mais cedo do que o habitual, a cada noite, por uma semana”, diz.  Se você costuma se deitar à meia-noite, por exemplo, passe para 23h30 e assim por diante, até conseguir dormir (ou pelo menos estar pronto para dormir) às 20h30. “Se depois desse período estiver três horas e meia “para trás” em tudo, então interrompa a experiência; mas aposto que isso não acontecerá, é mais provável que a pessoa esteja mais eficiente, bem-disposta e com esse tempo extra para dormir”, acredita o bioquímico.

Talvez atitudes como deixar de lado o celular, desligar a televisão, reduzir a luminosidade, acordar com luz natural entrando pela janela, prestar atenção nos próprios sonhos e se propor a deitar mais cedo pareçam banais demais – e até nos remetam à rotina de nossos antepassados. Mas cientistas garantem que podem realmente funcionar.

Hora de dormir.2

UMA SONECA PARA FICAR MAIS INTELIGENTE

Passar noites em claro tem vários efeitos, inclusive sobre nossa capacidade de concentração, resolução de problemas e aprendizagem. “Um adulto em estado de vigília contínua por 21 horas tem aptidões equivalentes às de alguém alcoolizado a ponto de ser legalmente impedido de dirigir”, afirma o professor Sean Drummond, da Universidade da Califórnia em San  Diego.  Segundo ele, passar duas ou três noites seguidas dormindo tarde e acordando cedo pode provocar o mesmo efeito. Ou seja, do ponto de vista da cognição, é como se dormir bem (obviamente sem excessos) nos tornasse mais inteligentes – pelo menos mais do que podemos ser quando passamos tempo demais acordados.

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de Lübeck, na Alemanha, com 191 adultos mostrou que dormir bem durante a noite é fundamental para nos lembrarmos melhor do que aprendemos.

Isso ocorre porque durante o descanso ocorre a síntese de proteínas responsáveis pelo desenvolvimento de conexões neurais, o que aprimora habilidades como a memória. Quando dormimos, nosso cérebro seleciona as informações acumuladas,  guardando aquilo que considera importante, descartando o supérfluo e fixando, assim, lições que aprendemos ao longo do dia. Por esse motivo, quem dorme mal, geralmente, tem dificuldade em lembrar-se de situações simples, como episódios ocorridos no dia anterior ou nomes de pessoas próximas.

GESTÃO E CARREIRA

UM MODO FRUGAL DE VIVER

“Empresas simples são mais ágeis e velozes, decidem com maior rapidez e assim atingem metas e objetivos de forma descomplicada e eficaz”

Um modo frugal de viver

A última moda entre os jovens europeus e americanos é o chamado “The Frugal Way of Life” – “O modo frugal de viver”. Frugal significa simples, porém com qualidade. Significa ter menos quantidade e mais qualidade. Significa se livrar de coisas acidentais e se concentrar nas coisas essenciais para uma vida com mais significado e relevância.

Desde o Slow Food, que teve início na Itália em 1986, até o famoso livro Frugal lnnovation de Navi Radjou e Jaideep Prabhu, que ganhou o prêmio de livro do ano de 2016 (tema da 26ª Clínica de Gestão da Anthropos em 25 de julho de 2015), e outros como Keep lt Simple ou “princípio do beijo” pelo acrônimo em inglês – KISS – Keep lt Simple Stupid – a frugalidade (simplicidade com qualidade) vem tomando corpo em todo o mundo.

É preciso lembrar que grandes personalidades sempre adotaram o princípio da frugalidade. Dentre muitos, basta lembrar que Leonardo da Vinci dizia que a “simplicidade é o último grau de sofisticação”, e Albert Einstein afirmava que “tudo deve ser feito da forma mais simples possível”.

Hoje a busca por uma vida frugal, descomplicada, simples está em todos os campos: alimentação frugal; vestimenta frugal; ambiente empresarial frugal, para citar alguns.

Moradores das grandes cidades estão buscando lugares mais tranquilos e simples para viver, onde a competição não seja por aparências. Em Nova York (lembre-se da Fogueira das Vaidades) e na Califórnia, o movimento frugal vem crescendo a cada dia seguindo o exemplo europeu.

Assim, estão caindo de moda os carrões, as mansões, as roupas de grife, os restaurantes caríssimos, os hotéis superluxuosos, enfim, a ostentação em todas as suas formas e aparências.

Empresas de todo o mundo estão fazendo trabalhos sérios de simplificação dentro do conceito de frugalidade. Empresas simples são mais ágeis e velozes, decidem com maior rapidez e assim atingem metas e objetivos de forma descomplicada e eficaz.

Não é por outra razão que entre os livros mais vendidos hoje no mundo está o “Essencialismo A disciplinada busca por menos” de Greg McKeown – tema da 31ª· Clínica de Gestão da Anthropos – onde o autor conclama os leitores para uma vida frugal e focada no essencial, ensinando a como deixar de lado tudo aquilo que não agregar qualidade de vida e como viver uma vida simples e feliz.

Além de tudo, as modernas pesquisas de neurociência de grandes universidades têm reiteradamente demonstrado que uma vida com bons relacionamentos, amigos leais e em comunidade são realmente os fatores fundamentais de uma vida longa e feliz.

Quem tiver maior interesse em entender essas pesquisas e o valor de uma vida frugal, peço que assista à palestra no TED (www.ted.com) do Professor Robert Waldinger: What makes a good fite? Lessons from the longest study on happiness (O que faz uma vida boa? Lições do mais longo estudo sobre felicidade) de Harvard e outras que encontrará sobre o mesmo tema.

Viva uma vida frugal, alicerçada em valores e virtudes permanentes, voltada para as coisas realmente essenciais e descobrirá uma nova forma de ser feliz.

Pense nisso. Sucesso!

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 19: 1-15 – PARTE V

Alimento diário - Comendo a Bíblia

Cristo é acusado diante de Pilatos

 

V – Pilatos luta com os judeus, para libertar Jesus das mãos deles, mas é inútil. Nós não lemos mais nada, depois disto, que tenha acontecido entre Pilatos e o prisioneiro. O resto foi entre ele e os acusadores.

1. Pilatos parece mais desejoso do que antes de libertar Jesus (v.12): “Desde então”, e porque Cristo lhe tinha dado uma resposta (v.11), que, embora contivesse uma repreensão, ainda assim foi aceita com mansidão. E, embora Cristo encontrasse crime nele, ele continuava a não encontrar crime em Cristo, mas procurava soltá-lo, desejando soltá-lo, empenhando-se para isto. Ele procurava soltá-lo. Ele tentava fazer isto habilmente e com segurança, de modo a não desagradar aos sacerdotes. O resultado nunca é bom, quando nossas resoluções de cumprir nosso dever são engolidas em projetos sobre como realizá-lo de maneira plausível e conveniente. Se a política de Pilatos não tivesse prevalecido acima da sua justiça, ele não teria perdido tanto tempo procurando soltá-lo, mas o teria feito.

2. Os judeus estavam mais furiosos do que nunca, e mais violentos, para conseguir crucificar a Jesus. Eles ainda prosseguem no seu objetivo com ruído e clamor, como antes, de modo que gritavam. Eles queriam dar a entender que a maioria estava contra Ele, e por isto se empenhavam para conseguir que uma multidão gritasse contra Ele, e não é difícil reunir uma multidão. Ao passo que, se uma votação honesta tivesse sido realizada, eu não duvido que ela tivesse resultado em uma grande maioria a favor da sua libertação. Alguns poucos loucos podem superar, através de gritos, a muitos homens sábios, e pensar que estão expressando o bom senso (quando é apenas o disparate) de uma nação, ou de toda a humanidade, mas não é uma coisa tão fácil modificar a consciência do povo como o é deturpá-la, e alterar o que ele deseja. Agora que Cristo estava nas mãos dos seus inimigos, seus amigos estavam tímidos e silenciosos, e desapareci­ dos, e aqueles que estavam contra Ele se entusiasmavam em mostrar-se desta maneira. E isto deu aos principais dos sacerdotes uma oportunidade de representar estes gritos como o voto unânime de todos os judeus que Ele fosse crucificado. Neste grito, eles procuravam duas coisas:

(1) Manchar o prisioneiro como um inimigo de César. Ele tinha recusado os reinos deste mundo e a glória deles, tinha declarado que seu reino não era deste mundo, e ainda assim eles dizem que Ele fala contra César, Ele se opõe a César, invadindo sua dignidade e soberania. O artifício dos inimigos do Evangelho sempre foi apresentá-lo como prejudicial a reis e a províncias, quando, na verdade, ele seria alta­ mente benéfico a ambos.

(2) Amedrontar o juiz, como sendo inimigo de César: “Se você permitir que este homem fique impune, e o soltar, você não será amigo de César, e por isto não estará sendo leal ao que lhe foi confiado e ao dever do seu cargo, será odioso e terá o desprazer do imperador, tornando-se passível de ser demitido”. Eles sugerem uma ameaça de que dariam informações contra ele e o deporiam, e aqui eles o tocam em uma parte muito sensível. Mas, dentre todas as pessoas, estes judeus não poderiam ter fingido uma preocupação com César, pois eles mesmos tinham pouquíssima afinidade com ele e com seu governo. Eles não deviam falar de amizade a César, se eles mesmos eram tais inimigos dele. Mas, assim, um falso zelo por aquilo que é bom frequentemente serve para encobrir uma maldade real contra aquilo que é melhor.

3. Quando outros expedientes tinham sido tentados, em vão, Pilatos esforçou-se ligeiramente para acalmá-los com uma brincadeira, e, ao fazer isto, vendeu-se a eles, e abriu caminho para a torrente de acontecimentos, vv. 13-15. Depois de ter resistido por muito tempo, e aparentado, agora, como se tivesse feito uma vigorosa resistência a este ataque (v. 12), ele capitulou vergonhosamente. Observe aqui:

(1) O que chocou Pilatos (v. 13): “Ouvindo, pois, Pilatos esse dito”, que ele não poderia ser fiel à honra de César, nem ter as boas graças de César, se não condenasse Jesus à morte, ele pensou que já era hora de pensar em si mesmo. Tudo o que eles tinham dito para provar que Cristo era um malfeitor, e, portanto, seria o dever de Pilatos condená-lo, não o tinha convencido, ele ainda mantinha sua convicção da inocência de Cristo. Mas, quando sugeriram que era do seu interesse condená-lo, ele começou a render-se. Observe que aqueles que atrelam sua felicidade às boas graças e aos favores dos homens tornam-se presas fáceis das tentações de Satanás.

(2) A preparação que foi feita para uma sentença definitiva: Pilatos “levou Jesus para fora”, com grande cerimônia. Podemos supor que ele tenha pedido seu manto, para parecer grandioso, e então “assentou-se no tribunal”.

[1] Cristo foi condenado com toda a cerimônia possível. Em primeiro lugar, para nos livrar do tribunal de Deus, e para que todos os crentes, por intermédio de Cristo, sendo julgado aqui, pudessem ser absolvidos no tribunal do céu. Em segundo lugar, para remover o ter­ ror dos julgamentos pomposos, aos quais seus seguido­ res seriam trazidos por sua causa. Paulo pôde suportar melhor o tribunal de César, depois que seu Mestre tinha estado ali, antes dele.

[2] Menciona-se aqui o lugar e a hora.

Em primeiro lugar, o lugar onde Cristo foi condenado: “no lugar chamado Litóstrotos, e em hebraico o nome é Gabatá”, provavelmente o lugar onde Pilatos costumava julgar causas ou criminosos. Alguns entendem que Gabatá significa um lugar fechado, protegido dos insultos do povo, que, portanto, humanamente falando, havia menor necessidade de temer. Outros julgam que se tratava de um lugar elevado, para que todos pudessem vê-lo.

Em segundo lugar, a hora, v. 14. “E era a preparação da Páscoa e quase à hora sexta”. Observe:

1. O dia: “Era a preparação da Páscoa”, isto é, do sábado de Páscoa, e das solenidades deste dia e dos demais dias da festa dos pães asmos. Isto fica claro, com base em Lucas 23.54: “E era o Dia da Preparação, e amanhecia o sábado”. De modo que esta preparação era para o sábado. Observe que antes da Páscoa era necessário que houvesse uma preparação. Isto é mencionado, agravando seu pecado, ao perseguirem a Cristo com tanta maldade e fúria, pois todo este episódio aconteceu quando eles deveriam estar lançando fora o fermento velho, para se prepararem para a Páscoa. Mas, no melhor dia, cometeram os piores atos.

2. A hora: era “quase a hora sexta”. Alguns manuscritos antigos, em grego e latim, dizem que era quase a hora terceira, o que está de acordo com Marcos 15.25. E, de acordo com Mateus 27.45, parece que Ele já estava na cruz antes da hora sexta. Mas isto parece ser mencionado aqui, não como uma determinação precisa do tempo, mas como um agravamento adicional do pecado dos seus acusadores, pelo fato de que estavam prosseguindo com a acusação, não somente em um dia solene, o dia da preparação, mas, da terceira à sexta hora (que era, como nós dizemos, hora de estar na igreja) daquele dia, estavam dedicados a esta maldade. De modo que, neste dia, embora fossem sacerdotes, eles abandonaram o serviço do Templo, pois não deixaram Cristo até a sexta hora, quando tiveram início as trevas, que os afugentaram. Alguns pensam que a hora sexta, deste evangelista, corresponde, de acordo com o sistema romano de horas, e o nosso, às seis horas da manhã, correspondendo à primeira hora do dia dos judeus. E muito provável que o julgamento de Cristo diante de Pilatos estivesse no seu auge aproximadamente às seis horas da manhã, que era pouco depois do nascer do sol.

(3) A disputa que Pilatos teve com os judeus, tanto os sacerdotes quanto o povo, antes de dar a sentença, esforçando-se, em vão, para interromper a maré da fúria deles.

[1] Ele disse aos judeus: “Eis aqui o vosso rei”. Isto é uma repreensão a eles, pelo absurdo e pela maldade da sua insinuação de que este Jesus se tivesse feito rei: “‘Eis aqui o vosso rei’, isto é, aquele a quem acusais de ser um pretendente à coroa. Este homem parece ser perigoso ao governo? Eu penso que não, e vós deveis pensar o mesmo e deixá-lo em paz”. Alguns pensam que aqui ele os censura pelo seu desafeto secreto a César: “Se este homem tivesse liderado o povo em uma rebelião contra César, vocês desejariam que Ele fosse seu rei”. Mas Pilatos, embora isto não lhe fosse intencional, parece ser a voz de Deus dirigida a eles. Cristo, agora coroado com espinhos, é, como um rei na sua coroação, oferecido ao povo: “Eis aqui o vosso rei, o rei a quem Deus ungiu sobre o seu santo monte Sião”. Mas eles, em vez de aceitarem isto com aclamações de consentimento jubiloso, protestam contra Ele. Eles não desejam ter um rei escolhido por Deus.

[2] Eles bradaram com a maior indignação: “Tira! Tira!”, o que traduz desprezo, além de maldade, “Prenda-o, Ele não é dos nossos. Nós não o reconhecemos como um parente nosso, e muito menos como nosso rei. Nós não somente não temos veneração por Ele, como nenhuma compaixão. Tire-o da nossa vista”. Pois estava escrito sobre Ele: Ele é aquele “ao que as nações abominam” (Isaias 49.7), e “de quem os homens escondiam o rosto”, Isaías 53.2,3. “Tira da terra um tal homem”, Atos 22.22. Isto demonstra, em primeiro lugar, como nós merecíamos ser tratados no tribunal de Deus. Pelo pecado, nós nos tornamos odiosos à santidade de Deus, que clamou: Tire-os, tire-os, pois Deus tem olhos puros demais para contemplar iniquidade. Nós também nos tornamos odiosos à justiça de Deus, que clama contra nós: “Crucifiquem-nos, crucifiquem-nos. Que seja executada a sentença da lei”. Se Cristo não tivesse intercedido, sendo assim rejeitado pelos homens, nós teríamos sido rejeitados por Deus para sempre. Em segundo lugar, demonstra como nós deveríamos tratar nossos pecados. As Escrituras nos dizem frequentemente que devemos crucificar o pecado, em conformidade com a mor­ te de Cristo. Aqueles que crucificaram a Cristo, o fizeram com ódio. Com uma indignação piedosa, nós devemos destruir o pecado em nós, da mesma maneira como eles, com uma indignação ímpia, destruíram àquele que se fez pecado por nós. O verdadeiro penitente lança fora suas transgressões. Lancem-nas fora daqui (Isaias 2.20; 30.22), crucifiquem-nas, crucifiquem-nas. Não é adequado que elas habitem na minha alma, Oséias 14.8.

[3] Pilatos, desejando libertar a Jesus, mas ainda assim desejando que isto fosse feito por eles, lhes pergunta: “Hei de crucificar o vosso rei?” Ao dizer isto, ele desejava, ou, em primeiro lugar, silenciá-los, mostrando-lhes como era absurdo que eles rejeitassem a alguém que se oferecia para ser seu rei, em uma época em que eles precisavam de um, mais do que nunca. Eles não têm um senso de escravidão? Não têm um desejo de liberdade? Não valorizam um libertador? Embora Pilatos não visse causa para temê-lo, eles podiam ver motivos para esperar alguma coisa dele, pois interesses esmagados e naufragados estão prontos a agarrar-se a qualquer coisa. Ou, em segundo lugar, silenciar sua própria consciência. “Se este Jesus for um rei”, pensa Pilatos, “Ele será somente rei dos judeus, e, portanto, eu não tenho nada a fazer, exceto uma boa oferta dele a eles. Se eles o recusa­ rem, e desejarem ter seu rei crucificado, o que eu tenho a ver com isto?” Ele os provoca, pela sua tolice em esperar um Messias, e ainda assim perseguir alguém que afirmava, tão logicamente, ser Ele.

[4] Os principais dos sacerdotes desejavam definitivamente condenar Cristo e obrigar Pilatos a crucificá-lo. Entretanto, contrariados em seus propósitos, eles clamavam em alta voz: “Nós não temos rei, senão o César”. Eles sabiam como agradar a Pilatos, e esperavam, então, impor-lhe sua vontade, embora, ao mesmo tempo, odiassem César e seu governo. Mas observe, em primeiro lugar, que esta é uma clara indicação para o tempo de o Messias aparecer. Justamente agora, o momento era chegado. Porque, se os judeus não têm rei, mas César, então o cetro é passado de Judá, e o legislador de entre seus pés, o qual nunca deveria estar em Siló, vindo a instituir um reino espiritual. E, em segundo lugar, que foi uma coisa correta Deus trazer sobre eles, através dos romanos, como resultado, aquela ruína que se seguiu pouco tempo depois.

1. Eles aderiram a César, a César irão então. Deus concedeu-lhes Césares suficientes, e, de acordo com a parábola de Jotão, uma vez que as árvores escolheram o espinheiro para seu rei, em lugar da videira e da oliveira, um espírito mau foi enviado ao meio deles para que não pudessem andar em verdade e sinceridade (Juízes 9.12,19). Desde então, eles foram rebeldes contra os Césares, e os Césares tiranos contra eles, e a deslealdade deles resultou na ruína de sua terra e nação. É realmente de Deus produzir certa aflição e incômodo em nós, de tal modo que escolhamos dar preferência a Cristo.

2. Eles não teriam outro rei além de César, como nunca mais tiveram nem um outro até os dias atuais, mas têm agora permanecido “muitos dias sem rei, e sem príncipe” (Oseias 3.4), sem ninguém de sua possessão, ao contrário, os reis das nações têm regido sobre eles. Visto que não terão rei, mas César, então sua sorte será decidida por eles próprios.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

PRESENTES PARA O CÉREBRO

É tempo de trocar lembranças, um gesto com implicações físicas e mentais. Ações como desembrulhar pacotes destinados a você, fazer caridade e até mesmo escolher o mimo mais adequado para cada amigo ou pessoa da família são pautadas por uma sofisticada rede de estruturas em seu cérebro.

Presentes para o cérebro

Que atire o primeiro laço de fita quem nunca ansiou pela alegria de desembrulhar um pacote envolto em papel colorido com seu nome escrito nele. Por mais que um singelo “Não precisava” escape de seus lábios, não há como negar: ganhar presente é bom. Ao ganharmos algo que corresponde às nossas expectativas, sentimos uma onda de bem-estar. Essa sensação é resultado da ação de um conjunto de neurônios especializados na percepção do prazer. Surgi- dos ao longo da evolução, eles cumprem uma função crucial: a manutenção da vida. Os sistemas cerebrais que mais influenciam o comportamento são os que nos levam a satisfazer as necessidades vitais (comer, beber, reproduzir-se e proteger-se). O prazer é o meio empregado pela evolução para que essas funções sejam asseguradas. Para favorecê-las foi desenvolvido o sistema neuronal da recompensa.

Ao longo dos séculos, o cérebro humano diferenciou-se do de outros mamíferos principalmente pelo desenvolvimento do córtex, o que propiciou um aumento na complexidade das conexões neurais. As estruturas mais antigas, onde estão as células do sistema de recompensa no animal, permaneceram inseridas no cérebro ancestral, chamado de reptiliano.

Na década de 50, os fisiologistas ingleses James Olds e Peter Milner fizeram uma experiência sobre o circuito da recompensa: eles implantaram, no núcleo accumbens do cérebro de ratos, eletrodos ligados a uma alavanca que o roedor podia acionar. Observaram que o animal se apoiava sem cessar sobre o dispositivo, estimulando essa região de seu cérebro, esquecendo-se até mesmo de comer e beber. Essas experiências foram feitas também em seres humanos que passavam por operações cirúrgicas.

Presentes para o cérebro. 2

EU QUERIA TANTO…

No sistema hedônico, principalmente na área tegmental ventral e no núcleo accumbens o principal mensageiro químico endógeno é a dopamina. É esta a substância liberada no cérebro dos ratos estimulados por um eletrodo. A maioria das drogas reforça a ação da dopamina. Constatou-se, por exemplo, que os ratos se auto administram drogas na área tegmental ventral ou no núcleo accumbens quando um dispositivo lhes permite. Todas as drogas lícitas (álcool, tabaco) ou ilícitas (heroína, maconha, cocaína) causam um acréscimo na concentração de dopamina no núcleo accumbens, embora não diretamente proporcional à sensação de prazer. As substâncias psicoativas consumidas parecem ter uma propriedade comparável à dos sinais naturais de recompensa: elas aumentam a concentração de dopamina. Há, contudo, uma diferença notável: a modificação da atividade das células nervosas do circuito, sob a ação de recompensas naturais, dura apenas um ou dois segundos, enquanto as drogas exercem uma ação de várias dezenas de minutos. Isso foi demonstrado no animal e no homem, graças ao imageamento por ressonância magnética e à tomografia por emissão de pósitrons.

Uma injeção de morfina provoca no rato uma liberação de dopamina que dura apenas alguns segundos e, no ser humano, o mesmo efeito pode ser causado com a visualização de uma imagem agradável (doces ou cenas eróticas). A oferta de dopamina no núcleo accumbens produz o efeito hedônico. Além disso, após aprender, um animal pode se auto administrar dopamina de maneira repetitiva. Da mesma forma, parece que o prazer de receber um presente corresponde a uma disponibilidade de dopamina no núcleo accumbens.

Diante dessas descobertas da ciência, seria possível falar em uma neurobiologia do prazer em relação aos presentes? Sem dúvida. As modulações bioquímicas observadas durante certas situações, por exemplo, no período de festas que anuncia a chegada de presentes e outras alegrias, certamente influenciam nossa predisposição neurológica para determinados estados emocionais. É importante considerar também que a sensação de bem-estar experimentada quando ganhamos um presente está ligada a uma ativação do sistema hedônico proporcionado por nossos neuromediadores de prazer (dopamina e encefalinas).

Se, por infelicidade, o presente não chega, é possível que a atividade hedônica do circuito diminua, ocasionando uma baixa momentânea de encefalinas. Essa reação desencadeia uma sensação de frustração. A realidade, entretanto, não é assim tão simples, e o prazer costuma estar mesclado à sensação de alegria, que não pode ser reduzida aos movimentos neuroquímicos (embora seja fortemente influenciada por eles). Esse estado complexo necessita da “injeção de prazer” para se exprimir, mas também de sua representação, ou seja, depende da noção adquirida, após diversas experiências, do que seja um presente apropriado.

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OUTROS OLHARES

LEGIÃO SEDENTÁRIA

Legião sedentária

 Mais de 1,4 bilhão de pessoas no mundo não praticam atividades físicas regularmente. É o que revela um estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com base em dados coletados entre 2001 e 2016, divulgado na revista britânica The Lancet Global Health. Na América Latina e Caribe, o índice de pessoas que não praticam atividades físicas avançou de 33% para 39% no período. No Brasil, esse problema alcança 47% da população – o País deu um salto de 15 pontos percentuais nesse intervalo. Em contraponto, os países do leste e do sudeste da Ásia, onde fica a China, apresentaram redução no sedentarismo de 26% em 2001, para 17% em 2016.

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GESTÃO E CARREIRA

NETLIVING NA VIDA E NA CARREIRA

Netliving é a prática de conviver em grupos, ao construir relações e contatos.

Netliving na vida e na carreira

É comum nas pequenas e médias empresas haver uma separação por departamento, e assim não há um relacionamento profundo entre as pessoas dentro das corporações, tanto que elas se referem umas às outras como “A Renata do RH, o Paulo do jurídico, a Sueli do Financeiro e o Ricardo do Marketing”. O netliving, prática de conviver em grupos, ao construir relações e contatos, pode ser a diferença que faltava no networking de vida e carreira, visando ampliar a interação social e o convívio entre os colaboradores de uma companhia, indo além do ambiente profissional.

Com as festas se aproximando, aproveitar as confraternizações da empresa para expandir o relacionamento com aqueles funcionários que você não tem muito contato é um bom início para aumentar seu ciclo de amigos. Assim, você entende as aptidões, troca experiências, compartilha projetos e constrói uma relação sólida com os novos colegas de trabalho.

Para o CEO da Lens & Minarelli, empresa especializada em Outplacement, José Augusto Minarelli, o netliving não é ‘puxa-saquismo’, é um contato de genuíno interesse e que pode e deve ser mantido ao longo da trajetória profissional. “Muito mais que uma estratégia para ampliar oportunidades de carreira e de negócios, o netliving é uma questão de postura diante da vida. Como seres sociais, buscamos grupos afins”, explica.

O contato com profissionais da mesma empresa pode garantir, futuramente, oportunidades de trabalho com novos grupos e aptidões que podem favorecer e melhorar não só o desempenho dentro da organização, como o de seu colega, afinal, netliving é uma troca cotidiana e constante. A relação pode ajudar a encurtar caminhos, favorecer demandas e conhecer oportunidades de crescimento dentro e fora da companhia atual. O executivo reitera, entretanto, a importância de cultivar relações. “A complexidade do mundo atual impõe a expansão dos horizontes para além das relações mais obvias e naturais, demandando um esforço extra. Já não basta abrir portas. É preciso mantê-las acessíveis”, finaliza Minarelli.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 19: 1-15 – PARTE IV

Alimento diário - Comendo a Bíblia

Cristo é acusado diante de Pilatos

 

IV – O juiz traz novamente o prisioneiro ao seu julgamento, depois desta nova sugestão. Observe:

1. A preocupação que dominou Pilatos, quando ouviu o que alegavam (v.8): “E Pilatos, quando ouviu essa palavra”, que este prisioneiro não somente reivindicava a realeza, mas a divindade, “mais atemorizado ficou”. Isto o embaraçou mais do que nunca, e tornou o caso mais difícil para ambos, pois:

(1) Havia maior perigo de ofender as pessoas, se o absolvesse, pois ele sabia o quão zeloso este povo era pela unidade da Divindade, e conhecia a aversão que eles tinham a outros deuses. Portanto, embora pudesse ter a esperança de pacificar sua fúria contra um falso rei, ele nunca poderia reconciliá-los com um falso Deus. “Se isto for a base do tumulto”, pensa Pilatos, “isto não se extinguirá com alguma atitude jocosa”.

(2) Havia maior perigo de ofender sua própria consciência, se ele o condenasse. “Este é aquele”, pensa Pilatos, “que diz ser o Filho de Deus? E se Ele provar que realmente o é? O que irá acontecer comigo?” Até mesmo a consciência natural faz os homens temerem ser descobertos lutando contra Deus. Os pagãos tinham algumas lendas fabulosas de divindades encarnadas, que apareciam, às vezes, em circunstâncias inferiores, e eram maltratadas por alguns, que pagavam caro por agir desta maneira. Pilatos temia que pudesse ser acusado de traição.

2. Seu novo interrogatório do nosso Senhor Jesus, por causa disto, v. 9. Para que pudesse dar aos acusadores toda a justiça que eles pudessem desejai; ele encerrou a discussão: “Entrou outra vez na audiência e disse a Jesus: De onde és tu?” Observe:

(1) O lugar que ele escolheu para fazer esta pergunta: ele “entrou na audiência”, desejando privacidade, para que pudesse escapar dos ruídos e clamores da multidão, e pudesse examinar mais atentamente a questão. Aqueles que desejam descobrir a verdade, tal como ela é em Jesus, devem se afastar dos ruídos e do preconceito, e se afastar, como se entrassem na audiência, para conversar a sós com Cristo.

(2) A pergunta que ele faz a Cristo: “De onde és tu?” Tu vens dos homens ou dos céus? De baixo ou de cima? Antes, ele tinha perguntado diretamente: “Tu és rei?” Mas aqui ele não pergunta diretamente: Tu és o Filho de Deus? Para que não parecesse estar se intrometendo com excessiva ousadia nas coisas divinas. Mas, de maneira geral: “‘De onde és tu?’ Onde estavas, e em que mundo tinhas uma existência, antes da tua vinda a este mundo?”

(3) O silêncio do nosso Senhor Jesus, quando foi questionado sobre este assunto: “Mas Jesus não lhe deu resposta”. Não foi um silêncio sombrio, menosprezando a corte, nem foi porque Ele não soubesse o que dizer, mas:

[1] Foi um silêncio paciente, para que se cumprissem as Escrituras: “Como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca”, Isaías 53.7. Este silêncio evidenciava claramente sua submissão à vontade do seu Pai, nos seus atuais sofrimentos, aos quais Ele se acomodava, disposto a suportá-los. Ele ficou silencioso, porque não desejava dizer nada que atrapalhasse seus sofrimentos. Se Cristo tivesse se declarado um Deus, tão claramente como se declarava um rei, é provável que Pilatos não o tivesse condenado (pois ele se amedrontou com a mera menção disto, pelos acusadores), e os romanos, embora triunfassem sobre os reis das nações que conquistavam, ainda tinham um temor respeitoso pelos seus deuses. Veja 1 Coríntios 2.8. Se eles tivessem sabido que Ele era o Senhor da glória, não o teriam crucificado. E como, então, poderíamos nós ter sido salvos?

[2] Foi um silêncio prudente. Quando os principais dos sacerdotes lhe perguntaram: “És tu o Cristo, Filho do Deus Bendito?”, Ele respondeu: “Eu o sou”, pois Ele sabia que eles se baseavam nas Escrituras do Antigo Testamento que falavam do Messias. Mas quando Pilatos lhe fez a pergunta, Ele sabia que Pilatos não compreendia sua própria pergunta, não tendo noção do Messias, e do fato de que Ele era o Filho de Deus, e, portanto, que propósito teria responder a alguém cujo coração estava tomado pela teologia pagã, à qual ele teria voltado sua resposta?

(4) A arrogante repreensão que Pilatos lhe deu pelo seu silêncio (v. 10): ‘”Não me falas a mim?’ Ousas me desafiar, permanecendo em silêncio? ‘Não sabes tu’ que, como governador da província, ‘tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?”‘ Observe aqui:

[1] Como Pilatos se enaltecia, e se orgulhava da sua própria autoridade, como se não fosse inferior à de Nabucodonosor, de quem está escrito que “a quem queria matava e a quem queria dava a vida”, Daniel 5.19. Os homens no poder são capazes de se orgulhar do seu poder, e quanto mais absoluto e arbitrário ele for, mais gratificará e contentará seu orgulho. Mas ele enaltece seu poder a um nível exorbitante, quando se vangloria de que tem poder de crucificar a alguém a quem tinha declarado inocente, uma vez que nenhum principado ou potestade tem autoridade para fazer o mal.

[2] Como ele subjuga nosso bendito Salvador: “Não me falas a mim?” Ele fala de Cristo, em primeiro lugar, como se Ele fosse desrespeitoso com as autoridades, não falando com elas quando lhe dirigiam a palavra. Em segundo lugar, como se Ele fosse ingrato com alguém que tinha tido algum tipo de bondade por Ele: “Não me falas a mim, que me empenhei para garantir tua libertação?” Em terceiro lugar, como se Ele fosse imprudente: “Você não vai falar a seu próprio favor, como alguém que deseja se justificar?” Se Cristo realmente estivesse procurando salvar sua vida, este seria o momento de ter dito alguma coisa, mas o que Ele tinha que fazer era entregar sua vida.

(5) A resposta pertinente de Cristo a esta repreensão, v. 11, onde:

[1] Ele censura corajosamente a arrogância de Pilatos, e corrige seu engano: “Por mais alto que tu fales, ‘nenhum poder terias contra mim’, nenhum poder para me açoitar, nenhum poder para me crucificar, “se de cima te não fosse dado”. Embora Cristo não julgasse adequa­ do responder a Pilatos quando ele foi impertinente (neste caso, “não respondas ao tolo segundo a sua estultícia, para que também te não faças semelhante a ele”), julgou adequado responder a ele quando foi imperativo. Neste caso, “responde ao tolo segundo a sua estultícia, para que não seja sábio aos seus olhos”, Provérbios 26.4,5. Quando Pilatos usou sua autoridade, Cristo silenciosamente se submeteu a ela. Mas, quando ele se orgulhou disto, Ele fez com que ele conhecesse a si mesmo: “Todo o poder que você tem lhe é dado de cima”, o que pode ser interpretado de duas maneiras.

Em primeiro lugar, como lembrando-o de que sua autoridade em geral, como magistrado, era um poder limitado, e ele não podia fazer mais do que Deus permitiria que fizesse. Deus é a fonte de todo poder, e os poderes que existem, como são ordenados por Ele, e derivados dele, são sujeitos a Ele. Eles não podem ir além do que sua lei lhes indica. Eles não podem ir além do que sua providência lhes permite. Eles são a mão de Deus, e sua espada, Salmos 17.13,14. Embora o machado possa gloriar-se contra o que corta com ele, ainda não passa de uma ferramenta, Isaías 10.5,15. Que os opressores orgulhosos saibam que existe alguém mais alto que eles, a quem deverão prestar contas, Eclesiastes 5.8. E que isto silencie os murmúrios dos oprimidos: “É do Senhor”. Deus tinha permitido que Simei amaldiçoasse a Davi. E que os console o fato de que seus perseguidores não podem fazer nada além do que Deus lhes permite fazer. Veja Isaías 51.12,13.

Em segundo lugar, como informando-o de que seu poder contra Ele, em particular, e todos os esforços de tal poder, eram pelo determinado conselho e presciência de Deus, Atos 2.23. Pilatos nunca imaginou parecer tão grande como agora, quando se sentava para julgar um prisioneiro como este, que era considerado, por muitos, como o Filho de Deus e rei de Israel, e tinha o destino de um homem tão importante nas suas mãos. Mas Cristo o faz saber que ele aqui era somente um instrumento na mão de Deus, e não podia nada contra Ele, exceto pela determinação do Céu, Atos 4.27,28.

[2] Ele escusa e atenua docemente o pecado de Pilatos, em comparação com o pecado dos líderes do complô: “Mas aquele que me entregou a ti” encontra-se sob maior culpa, pois tu, como magistrado, tens poder do alto, e estás no teu lugar, teu pecado é menor do que o daqueles que, por inveja e maldade, insistem em que abuses do teu poder”.

Em primeiro lugar, aqui se declara, claramente, que o que Pilatos fez era pecado, um grande pecado, e que a imposição dos judeus sobre ele, e sua própria imposição sobre si mesmo, não o justificavam. Com isto, Cristo pretendia fazer uma insinuação, para despertar a consciência de Pilatos, e aumentar o temor em que ele se encontrava agora. A culpa de outros não irá nos absolver, nem adiantará, no grande dia, dizer que outros foram piores do que nós, pois nós não seremos julgados por comparação, mas deveremos suportar nossa própria carga.

Em segundo lugar, contudo, era maior o pecado daqueles que o tinham entregado a Pilatos. Com isto, fica claro que todos os pecados não são iguais, mas alguns são mais odiosos que outros. Alguns se comparam a mosquitos, outros, a camelos; alguns, a argueiros nos olhos, outros, a traves; alguns, a centavos, outros, a muitos dólares. Aquele que entregou Cristo a Pilatos era, ou:

1. O povo dos judeus, que gritava: “Crucifica-o, crucifica-o”. Eles tinham visto os milagres de Cristo, e Pilatos não os tinha visto. A eles, o Messias foi enviado primeiro. Eles eram os seus, e a eles, que agora estavam escravizados, um Redentor deveria ter sido muito bem-vindo, e por isto era muito pior que eles se manifestassem contra Ele do que Pilatos.

2. Ou, mais exatamente, Ele se referiu a Caifás, em particular, pois ele estava chefiando a conspiração contra Cristo, e foi quem primeiro tramou sua morte, cap. 11.49,50. O pecado de Caifás foi abundantemente maior do que o pecado de Pilatos. Caifás perseguiu a Cristo por pura inimizade a Ele e à sua doutrina, deliberadamente e com maldade premeditada. Pilatos o condenou puramente por temor ao povo, e foi uma resolução apressada, na qual ele não teve tempo de refletir.

3. Alguns pensam que Cristo se referiu a Judas, pois, embora ele não o tivesse entregado diretamente nas mãos de Pilatos, ele o traiu e entregou àqueles que o entregaram a Pilatos. O pecado de Judas foi, sob muitos aspectos, maior que o pecado de Pilatos. Pilatos era um estranho para Cristo. Judas era seu amigo e seguidor. Pilatos não encontrou crime nele, mas Judas conhecia muita coisa boa sobre Cristo. Pilatos, embora influenciado, não foi subornado, mas Judas “recebeu subornos contra o inocente”. O pecado de Judas foi um pecado principal, que deu ocasião a todos os pecados que se seguiram. Ele “foi o guia daqueles que prenderam a Jesus”. Tão grande foi o pecado de Judas, que a vingança não lhe permitiu viver. Mas, quando Cristo diz isto, ou pouco depois, alguns entendem que Judas já tinha ido ao seu devido lugar.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

ESPELHOS DE COMPORTAMENTO

O processo de identificação das crianças com o mundo que as rodeia começa muito cedo. Elas aprendem indiscriminadamente, sem crivos éticos, morais, sociais e por isso são tão naturais no agir.

Espelhos de comportamento

Quantas vezes nos espantamos quando vemos nossas crianças imitarem pessoas estranhas, falarem palavras que não aprenderam em casa e mostrarem claramente afeição especial por outras crianças e adultos que não fazem parte da família e com as quais acabam por se identificar a ponto de copiar seus comportamentos e modo de falar? Pode ser a professora, a mãe de um amigo, o próprio amigo, um vizinho…

O processo de identificação da criança com o mundo que a rodeia começa muito cedo, a partir do nascimento, através das informações que capta do meio, principalmente as que recebe dos pais: todo bebê saudável aprende rapidamente a desenvolver respostas, que se revelam através de comportamentos que vão se tornando mais evidentes com a idade.

A partir dos 24 meses, quando já domina o vocabulário básico e tem condições cognitivas mais elaboradas, a criança começa a imitar, com maior perfeição, os gestos, falas e comportamentos das pessoas com quem mais convive e se vincula afetivamente. Por isso os pais são os primeiros “super-heróis”, os maiores exemplos de comportamento para os filhos: estes gostam de os imitar, até como forma de reafirmação do sentimento de admiração e amor que têm pelos pais. E podem imitá-los em vários momentos, automaticamente e sem críticas, pois estão treinando e experimentando novas formas de se comunicar e, assim, esses modelos apoiam e dão forma às suas manifestações. Em seguida, começam a tomar como amostra os comportamentos de outras pessoas com quem se identificam ou admiram por algum motivo.

Enquanto algumas imitações são até engraçadas, outras causam espanto, pois são inadequadas e indesejadas. Da mesma forma que imitam a mãe ao telefone e o pai fazendo a barba, podem imitar gestos e palavras que viram e ouviram pela primeira vez fora de casa, na escola, na

 

rua, na casa de amigos, na televisão, no computador. Crianças aprendem indiscriminadamente, do meio ambiente, sem crivos éticos, morais, sociais e por isso são tão naturais no agir. Assim como engatinharam, andaram e falaram pela primeira vez, também brincam de imitar, reconhecer e lembrar de pessoas e situações novas.

Aí começa de fato a importância do direcionamento educativo precoce no sentido de ressaltar os comportamentos que queremos que nossas crianças assimilem e desenvolvam e minimizar seu interesse nos outros que desejamos que não exibam.

O modo de alterar essas condutas inadequadas é simples de ser aprendido, e sua aplicação pois consiste em estratégias comportamentais as quais, apesar de fáceis de usar, exigem muita repetição e muita serenidade dos pais, para acompanharem o ritmo da criança em aprender novos comportamentos que substituam os indesejados.

Isso implica primordialmente em compreender que não se deve criticar ou castigar a criança nessa situação. Dois são os motivos principais que fundamentam essa regra: primeiro ela acha que está apenas aprendendo algo novo e desmotivar qualquer aprendizado nessa fase da vida é um fato muito sério, pois implica em a criança ficar confusa, sentir-se incapaz e incompreendida. Segundo porque ela não tem discernimento para distinguir o que é ou não adequado fazer ou dizer e, portanto, precisa ser carinhosamente desmotivada a repetir esse comportamento indesejado, seja através de nossa conduta diária ou de nosso direcionamento verbal. Mas para coibir comportamentos inadequados, nada pior que punir a criança. Castigar não apenas reforça o comportamento como não ensina um novo modo de agir, nem a disciplina, o autocontrole e o discernimento.

As crianças entendem essas reproduções que fazem como brincadeiras, então propor novos ”jogos” também é um bom caminho a seguir. Afinal, elas adotam essa forma para elaborar e compreender pouco o mundo dos adultos, querem agir como eles e perceber gradativamente a realidade sem se arriscar. Vivenciar como se fossem as pessoas que gostariam (ou não) de vir a ser, as diferenças e as reações dos outros, faz parte natural do processo de crescimento, mas deve ser supervisionado pelos adultos.

Estabelecer os limites com carinho e firmeza é função dos pais e toda a família deve respeitar as regras estabelecidas por estes, ainda que isso não seja um acordo fácil de manter. O modelo diário familiar, seguido de uma conversa esclarecedora sobre os sentimentos envolvidos, pontuada pelas razões pelas quais tanto o modelo quanto a imitação devem ser evitados, é muito importante entre os adultos. Mas para as crianças é determinante oferecer novas e saudáveis formas de agir e modelos de expressão, ou seja, novos padrões comportamentais.

Até cerca dos 5 anos de idade, esse processo de imitação é muito forte e constante, não apenas do ponto de vista físico e na maneira de agir como também em nível psicológico e intelectual. Essa última surge geralmente quando as crianças vão para a escola e aprendem a ler e escrever. Por exemplo, se habitualmente veem os pais lendo jornais e assistindo bons programas de TV, elas são estimuladas a fazer o mesmo. Se a família é equilibrada e respeitosa entre si, a criança tende a ser igual.

A preocupação dos pais e, portanto, dos educadores deve ser a de educar a criança para que ela comece a desenvolver desde cedo a noção de respeito ao outro e consequências de seus atos. Assim, o autocontrole e a responsabilidade vão se formando com a certeza de que crianças não se tornam adultos admiráveis e bem-sucedidos sem uma ação educativa familiar coerente e segura.

Espelhos de comportamento. 2

OUTROS OLHARES

O DILEMA DO SANEAMENTO

O dilema do saneamento

O saneamento básico é um dos grandes desafios do Brasil. Segundo dados do Instituto Trata Brasil, 30 milhões de cidadãos ainda não têm acesso à água potável e mais de 100 milhões de brasileiros não têm rede de coleta e tratamento de esgoto disponíveis. Em 2010, após a criação do marco regulatório do setor, um decreto definiu que cada município desenvolvesse um Plano Municipal de Saneamento Básico para ter acesso a recursos do Orçamento da União destinados a obras no segmento. A pesquisa Perfil dos Municípios Brasileiros (Munic), divulgada neste mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que apenas 41,5% das 5.570 cidades brasileiras tinham o plano em questão em 2017. No período, os Estados que registraram maior proporção de municípios com uma proposta elaborada foram Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com 87,1% e 75,5%, respectivamente.  Paraíba (13%), Pernambuco (14,1%) e Bahia (14,6%) foram os que apresentaram os piores índices. Entre os reflexos desse contexto, 34,7% das cidades brasileiras afirmaram ter conhecimento sobre a ocorrência de endemias ou epidemias de doenças diretamente relacionadas a essa questão. Com 26,9%, a dengue foi a mais citada, seguida por enfermidades como diarreia (23,1%), verminoses (17,6%), chikungunya (17,2%) e zika (14,6%).

O dilema do saneamento.2

GESTÃO E CARREIRA

DIVERSIDADE: AINDA HÁ VAGAS, FALTA PREENCHÊ-LAS

A presença feminina em Conselhos de administração de empresas cresce, mas elas ainda estão longe de conquistar equidade.

Ainda há vagas. Falta preenchê-las

As mulheres ainda estão sub-representadas nos conselhos de administração de empresas do mundo todo, apesar dos esforços contínuos de algumas organizações para melhorar a diversidade de gênero nessas instâncias corporativas. Esta é a principal conclusão da quinta edição do estudo Women in the Boardroom – a global perspective, divulgado pela Deloitte no ano passado.

De acordo com o levantamento, apenas 15% dos assentos dos conselhos de administração das mais de 7 mil companhias analisadas globalmente são ocupados por mulheres. Esse resultado é apenas três pontos percentuais melhor do que os 12% registrados no estudo anterior, cujos dados foram apurados em 2014 e divulgados em 2015.

No mesmo período, o Brasil teve uma pequena evolução de 1,4 ponto percentual entre os dois estudos, passando de 6,3% para 7,7% atualmente. Essa progressão é, proporcionalmente, abaixo da média global do indicador. Com o percentual de 7,7%, o Brasil aparece na 37ª posição dentre os 44 países listados em ranking pelo estudo da Deloitte, à frente apenas do Chile, México, Rússia, Marrocos, Japão Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos, nesta ordem.
Além disso, somente 1,5% dos cargos de presidente dos conselhos das empresas do país que participaram da pesquisa eram ocupados por mulheres.

“Há um longo caminho a seguir quando se trata de diversidade. Mas as mulheres estão ocupando espaços no mercado de trabalho em maior número do que os homens e com grande vontade de desenvolver suas carreiras. Esse fator, combinado aos esforços individuais das empresas, o apoio de ONGs e o interesse demonstrado pela sociedade, me faz acreditar que podemos ver grandes mudanças no futuro próximo”, afirma Camila Araújo, sócia da área de consultoria em riscos da Deloitte Brasil.

Pela primeira vez, o estudo da Deloitte incluiu uma análise por região da relação entre liderança corporativa e diversidade. Foi apurada uma correlação direta entre a liderança feminina nas empresas, que relaciona a presença de CEOs mulheres e diretoras com o estímulo à ocupação feminina de um maior número de cadeiras em conselhos.

As organizações com mulheres em posições de liderança superiores (como presidentes ou CEOs) têm quase o dobro do número de assentos nos conselhos ocupados por profissionais do sexo feminino, segundo o levantamento. Isso ilustra uma tendência importante: de acordo com a ocupação do cargo de CEO e um maior número de cadeiras da diretoria ocupadas por executivas, é provável que a empresa promova uma maior diversidade de gênero na diretoria. No entanto, a percentagem de mulheres que ocupam os principais cargos de liderança permanece ainda muito baixa, com a ocupação por elas de apenas 4% dos cargos de CEO e de alta diretoria globalmente, indica a pesquisa.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 19: 1-15 – PARTE III

Alimento diário - Comendo a Bíblia

Cristo é acusado diante de Pilatos

 

III – Os acusadores, em vez de ficarem mais tranquilos, ficaram ainda mais exasperados, vv. 6,7.

1. Observe aqui seu clamor e sua fúria. Os “principais dos sacerdotes”, que lideravam a multidão, clamavam com fúria e indignação, e seus servidores, ou servos, que deviam dizer o que eles lhes dissessem, os acompanhavam gritando: “Crucifica-o, crucifica-o”. As pessoas comuns talvez tivessem concordado com a declaração da sua inocência proferida por Pilatos, mas seus líderes, os sacerdotes, as levaram ao erro. Com isto, parece que sua maldade contra Cristo era:

(1) Irracional e completamente absurda, no sentido de que eles não se ofereciam para comprovar suas acusações contra Ele, nem para objetar contra o julgamento que Pilatos tinha feito dele. Mas, embora seja inocente, Ele deve ser crucificado.

(2) Insaciável e muito cruel. Nem a situação extrema do seu açoitamento, nem sua paciência ao submeter-se a ele, nem as ternas admoestações do juiz, conseguiam acalmá-los. Não, nem a brincadeira em que Pilatos tentou transformar a causa conseguiu deixá-los com um humor mais agradável.

(3) Violenta e excessivamente decidida. A vontade deles deveria prevalecer, colocando em risco as boas graças do governador, a paz da cidade e sua própria segurança, em vez de diminuir suas exigências. Eles se mostravam tão violentos na perseguição ao nosso Senhor Jesus, gritando: Crucifica-o, crucifica-o? E nós não seremos vigorosos e zelosos na promoção do seu nome, gritando: Coroai-o, coroai-o? Seu ódio por Ele tinha aguçado seus esforços contra Ele? E nosso amor por Ele não vivificará nossos esforços por Ele, e pelo seu reino?

2. A verificação que Pilatos faz da fúria deles, ainda insistindo na inocência do prisioneiro: “Tomai-o vós e crucificai-o, porque eu nenhum crime acho nele”. Isto é dito ironicamente. Ele sabia que eles não podiam, e não iriam, crucificá-lo. Mas é como se ele dissesse: “Vocês não vão fazer de mim um instrumento da sua maldade. Eu não posso, em sã consciência, crucificá-lo”. Uma boa resolução, se pelo menos ele tivesse permanecido fiel a ela. Ele não encontrava crime nele, e por isto não deveria ter continuado a negociar com os acusadores. Aqueles que desejam estar protegidos do pecado devem ser surdos à tentação. Na verdade, ele deveria ter protegido o prisioneiro das ofensas do povo. Para que estava ele revestido de poder, se não para proteger os ofendidos? Os guardas dos governadores deveriam ser os guardiões da justiça. Mas Pilatos não teve coragem suficiente para agir de acordo com sua consciência, e sua covardia o levou a uma armadilha.

3. A desculpa adicional que os acusadores deram à sua exigência (v. 7): “Nós temos uma lei, e, segundo a nossa lei”, se tivéssemos a autoridade para exercê-la, “deve morrei porque se fez Filho de Deus”. Aqui, observe:

(1) Eles se vangloriavam da lei, mesmo quando, ao transgredir a lei, desonravam a Deus, e disto os judeus são acusados, Romanos 2.23. Na realidade, eles tinham uma lei excelente, muito superior aos estatutos e julgamentos de outras nações. Mas eles se vangloriavam dessa sua lei inutilmente, quando a usavam tão mal, e com objetivos tão maldosos.

(2) Eles revelam uma impaciente e inveterada maldade contra nosso Senhor Jesus. Quando não puderam inflamar a Pilatos contra Ele, alegando que Ele dizia ser rei, eles disseram que Ele dizia ser um Deus. Desta maneira, eles reviram cada pedra, na tentativa de eliminá-lo.

(3) Eles pervertem a lei, e fazem dela o instrumento da sua maldade. Alguns pensam que eles se referem a uma lei feita especificamente contra Cristo, como se, por ser uma lei, devesse ser posta em vigor, certa ou errada. Mas “ai dos que decretam leis injustas e dos… que escrevem perversidades”, Isaías 10.1. Veja Miquéias 6.16. Porém, parece que eles se referem à lei de Moisés, e, neste caso:

[1] Era verdade que os blasfemos, os idólatras e os falsos profetas deveriam ser condenados à morte, segundo aquela lei. Aquele que fingisse, falsamente, ser o Filho de Deus, seria culpado de blasfêmia, Levítico 24.16. Mas:

[2] Era mentira que Cristo fingisse ser o Filho de Deus, pois Ele realmente o era, e eles deviam ter examinado as provas que Ele apresentava, de que realmente o era. Se Ele dizia que era o Filho de Deus, e o escopo e a tendência da sua dou­ trina não eram afastar as pessoas de Deus, mas levá-las a Ele, e se Ele confirmava sua missão e doutrina através dos seus milagres, como sem dúvida Ele fazia, sem nenhuma contradição,  a lei que possuíam indicava que aqueles homens deveriam ouvir suas palavras (Deuteronômio 18.18,19), e, caso não o fizessem, deveriam ser punidos com a pena capital. Aquilo que era a honra, e poderia ter sido a felicidade deles, se não tivessem insistido no seu ponto de vista, eles lhe atribuem como um crime, pelo qual Ele não deveria ser crucificado, pois esta não era uma morte à qual sua lei pudesse condenar.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

ADORÁVEIS ESTRANHOS?

Estudos sugerem que estranhos são menos generosos.

Adoráveis estranhos

Em nossas interações anônimas, tendemos a ignorar um comportamento (ao que tudo indica) evolutivo – aquele que nos leva a ser generosos e cooperativos. Ao menos é o que aponta um estudo recém-divulgado de psicólogos da Universidade de Miami (EUA).

Pode-se citar o exemplo de uma garçonete desconhecida, para a qual se pode dar gorjetas, mesmo que nunca mais voltemos ao estabelecimento onde ela trabalha. O ponto a ser discutido em nossa generosidade com as gorjetas não seria o nosso comportamento diante do fato de nunca mais voltarmos ao local, mas, sim, como agiríamos se a garçonete não tivesse como saber quem lhe deu o dinheiro. Nessa última situação, a pesquisa revelou que seria como se, por um instante, desligássemos nosso cooperativismo. A doação seria suspensa se notássemos que não haveria o reconhecimento ou aprovação da garçonete.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores colocaram 200 voluntários em um ambiente social desprovido de qualquer incentivo ou punição pela maneira como trataram os outros e acompanhando como o comportamento deles mudou com o tempo. Em pequenos grupos e com um intervalo de pelo menos um mês, os participantes da pesquisa foram convidados a jogar três jogos que exigiam que eles dividissem seus ganhos com outros na sala e, eventualmente, com uma instituição de caridade. Mas, sentados em consoles com fones de ouvido, os participantes não interagiram entre si. Eles tomaram todas as decisões e coletaram todos os seus ganhos de forma anônima e privada.

Durante o primeiro turno, o estudo mostrou que os participantes se comportaram de maneira previsível: agindo de acordo com os hábitos moldados por suas experiências cotidianas, eles dividiram seus ganhos com os estranhos e cerca de metade de seus ganhos com caridade. Mas em sua visita de retorno, cerca de um mês depois, eles não foram tão generosos, compartilhando, em média, cerca de 20% menos, sabendo que o anonimato não lhes traria retorno algum.

OUTROS OLHARES

O IRMÃO SALVA-VIDAS

Gabriel, o homem- aranha da foto, espera a chegada do novo irmão para se curar de anemia falciforme, doença que provoca crises de dor. O bebê doará as células que o livrarão do sofrimento.

Irmão salva-vidas

Há três meses a dona de casa Ana Oliveira, 33 anos, de São Paulo, leva no útero a esperança de uma vida melhor para o filho Gabriel, 6 anos. O menino tem anemia falciforme, doença hereditária cuja única possibilidade de cura é a realização de um transplante de medula doada por alguém que seja 100% compatível com o receptor. A chance de dar certo exige que o doador, além da compatibilidade, não seja portador da enfermidade. Encontrar uma pessoa assim é dificílimo. O jeito é fazer o que Ana e seu marido, Luciano, 34 anos, conseguiram: submeter-se à fertilização in vitro (óvulo e espermatozoide unidos em laboratório), selecionar o embrião ideal, implantá-lo no útero da mãe e esperar que o bebê nasça saudável, amado e com a missão de doar células da própria medula para salvar o irmão mais velho.

A anemia falciforme é marcada pela mudança no formato das hemácias, as células do sangue que transportam o oxigênio e fabricadas pela medula. Elas adquirem um formato de foice e se agrupam, atrapalhando o fornecimento de oxigênio aos tecidos. Além de repercussões como necrose, o acúmulo das células nos vasos sanguíneos provoca dores intensas. Uma das crises de Biel, como Gabriel é chamado, durou 36 horas. Só a morfina alivia. A cura é possível com o transplante. No procedimento, a medula do paciente é destruída por quimioterápicos e refeita a partir das células-tronco doadas (extraídas do cordão umbilical ou da medula). A nova fábrica passa a produzir as hemácias na forma certa.

DISPONÍVEL NO SUS

O Brasil tem 50 mil portadores desse mal, mas poucos sabem do procedimento. “E muitos médicos não o conhecem”, diz Luciano. Ele mesmo não sabia, até que há dois anos viu uma reportagem na televisão e leu sobre o tratamento. A matéria conta como o procedimento foi aplicado no caso das irmãs Maria Vitória e Maria Clara. A segunda nasceu para doar suas células à mais velha, portadora de talassemia, causada por uma deformidade na hemoglobina, proteína encontrada dentro das hemácias.

É importante saber que a opção existe e está disponível no SUS. “Os resultados para anemia falciforme são excelentes”, afirma o hematologista Vanderson Rocha, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. “E quanto antes o procedimento for feito, melhor”, completa o médico geneticista Ciro Martinhago, diretor da Chromosome Medicina Genômica, responsável pela realização, há dois anos, do primeiro transplante de medula para anemia falciforme da América Latina. Feito, como no caso de Biel e de Maria Vitória, graças a um irmão salva-vidas. “Mas eles não chegam só para curar. Meu novo filho será muito amado”, afirma Luciano.

Irmão salva-vidas.2

GESTÃO E CARREIRA

SINAIS DE INFELICIDADE NO TRABALHO

Procrastinação nas entregas pode ser uma das razões da infelicidade no trabalho

Sinais de infelicidade no trabalho

Encontrar o “emprego dos sonhos” é uma realidade cada vez mais distante para milhões de brasileiros. Em tempos de crise econômica, muitos se contentam com funções que não os satisfazem, por temerem fazer parte da enorme parcela de profissionais em busca de recolocação. De acordo com pesquisa realizada em 2017 pela Gallup, 72% dos profissionais não gostam do próprio trabalho e, 18% desses insatisfeitos estariam dispostos a prejudicar a empresa em que trabalham.

“É um cenário que infelizmente ainda afeta boa parcela da população. Nesses casos, tentar mudar de área pode ser uma saída antes de se desligar do cargo. Em contrapartida, saber a hora de sair ou entender que a demissão pode ser a melhor opção é essencial para o crescimento profissional”, explica Susanne Andrade, especialista em desenvolvimento humano e autora do best-seller “O Segredo do Sucesso é Ser Humano” e também de “O Poder da Simplicidade no Mundo Ágil”. Segundo Susanne, os principais indícios de insatisfação com o trabalho são:

“FOBIA” DOS DOMINGOS
Você é daqueles que, logo no início do domingo tem um sentimento ruim em relação à segunda-feira? Geralmente pessoas que não estão felizes com o trabalho desenvolvem ansiedade e, no final de semana, sentem a pressão que sofrem em todos os outros dias da semana.

“Sentir preguiça aos domingos pode ser comum, o problema está quando a pessoa passa o dia todo desanimada pelo fato de ter que ir trabalhar no dia seguinte. Isso pode ser um sinal de que algo não vai bem na vida profissional”, comenta Susanne.

RELAÇÃO RUIM COM COLEGA DE TRABALHO
Pode parecer que não, mas é preciso ter ao menos um amigo no ambiente de trabalho. Ter uma relação de amizade com alguém proporciona momentos de descontração durante o expediente, para um café, ou até no horário de almoço.

“Muitas vezes a pessoa trabalha em uma empresa e se sente sozinha, o que afeta diretamente o seu desempenho e a sua vontade de ir trabalhar”, avalia.

PROCRASTINAÇÃO NAS ENTREGAS
Postergar tarefas é a principal atitude de quem não está satisfeito com o que faz, e pode trazer grandes prejuízos para a empresa. Colaboradores insatisfeitos contribuem para a piora dos resultados da organização. “Por outro lado, o elevado esforço para poucos resultados geram ansiedade e falta de energia que só potencializam a infelicidade do colaborador. Trabalhar deve ser prazeroso”.

ANSIEDADE E OUTROS SINTOMAS FÍSICOS
Quem nunca saiu do escritório com a sensação de que ficou devendo alguma atividade? Ou fez uma lista na agenda de tarefas que devem ser realizadas no dia a dia? A ansiedade se tornou a doença do século e pode se manifestar por meio de dor de estômago, dor de cabeça, insônia. “Precisamos ter cuidado para não desenvolver a Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA), como se a nossa mente fosse uma maratonista que corre sem saber onde quer chegar. O pensamento pode viajar por diversos lugares ao mesmo tempo”, pondera.

TRABALHO NO “PILOTO AUTOMÁTICO”
A pessoa acorda, se arruma, vai para o trabalho, e tudo passa a ser feito de modo mecânico, sem questionar processos nem mesmo o por quê aquilo está sendo executado. “É preciso refletir quais são os fatores que tiram o entusiasmo dos profissionais, e procurar um significado maior para o trabalho e para a vida. Só assim é possível ser feliz no trabalho”, finaliza a especialista.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 19: 1-15 – PARTE II

Alimento diário - Comendo a Bíblia

Cristo é acusado diante de Pilatos

 

II – Tendo maltratado o prisioneiro, Pilatos o apresenta diante dos acusadores, esperando que agora estivessem satisfeitos, e desistissem do processo, vv. 4,5. Aqui ele propõe duas coisas para a consideração deles:

1. Ele não tinha encontrado nada em Jesus que o fizesse odioso ao governo romano (v. 4): “Nenhum crime acho nele”, – eu não acho nele a menor culpa, ou causa para acusação. Depois de um interrogatório adicional, ele repete a declaração que tinha feito, cap. 18.38. Com isto, ele se condena. Se não encontrava culpa nele, por que o açoitou, por que permitiu que Ele fosse maltratado? Ninguém deve receber o mal, exceto aqueles que fazem o mal. Mas muitos provocam e ofendem o Evangelho, pessoas que, se fossem sérias, não poderiam deixar de reconhecer que não encontram culpa nele. Se ele não encontrava crime em Cristo, por que o entregou aos seus acusadores, e não o libertou imediatamente, como deveria ter feito? Se Pilatos tivesse apenas consultado sua própria consciência, nunca teria açoitado, nem crucificado, a Cristo. Mas, pensando melhorar a questão, tentando agradar ao povo açoitando a Cristo, e salvar sua própria consciência não crucificando-o, ele faz ambas as coisas. Ao passo que, se tivesse decidido, no início, crucificá-lo, não teria tido necessidade de açoitá-lo. É comum que aqueles que pensam estar se protegendo de maiores pecados, cometendo pecados menores, cometam os dois.

2. Ele tinha feito a Cristo o que o tornaria menos perigoso a eles e ao seu governo, v. 5. Ele o levou para fora, usando a coroa de espinhos, com sua cabeça e rosto totalmente ensanguentados, e disse: “Eis o homem de quem vocês sentem tanta inveja”, sugerindo que, embora o fato de que Ele tivesse sido tão popular pudesse ter-lhes dado algum motivo para temer que o interesse que Ele despertava na nação diminuiria o interesse que eles despertavam, ainda assim ele tinha tomado uma medida efetiva para evitar isto, tratando-o como um escravo, e expondo-o ao desprezo. Depois disto, ele supunha que as pessoas não o considerariam com nenhum respeito, nem Ele conseguiria recuperar sua reputação. Mal podia Pilatos imaginar a veneração com que até mesmo estes sofrimentos de Cristo, depois de vários séculos, seriam recordados, pelos melhores e maiores homens, que se gloriariam naquela cruz e naqueles açoites, os quais ele pensava que teriam sido, para Ele e para seus seguidores, uma desonra perpétua e indelével.

(1) Observe aqui como nosso Senhor Jesus aparece vestido com todas as marcas da ignomínia. Ele saiu disposto a ser um espetáculo, e disposto a receber vaias, como sem dúvida Ele estava quando saiu vestido desta maneira, sabendo que Ele devia ser um “sinal que é contraditado”, Lucas 2.34. Ele saiu desta maneira, suportando nossa desonra? “Saiamos, pois, a ele… levando o seu vitupério”, Hebreus 13.13.

(2) Como Pilatos o apresenta: “E disse-lhes Pilatos: Eis aqui o homem”. O texto original não traz o nome de Pilatos, mencionando apenas: “E disse-lhes”. Mas, sendo Jesus o antecedente imediato, eu não vejo inconveniente em supor que estas fossem as palavras do próprio Cristo. Ele disse: “Eis aqui o homem por cuja causa vocês estão tão exasperados”. Mas algumas das cópias em grego, e a maioria dos tradutores, apresentam o texto da mesma maneira que nós: “Disse-lhes Pilatos”, com um desejo de agradá-los, “Eis aqui o homem”. Não tanto para despertar a piedade deles: Eis aqui um homem merecedor da sua compaixão, como para silenciar a inveja deles: Eis aqui um homem que não merece suas suspeitas, um homem por parte do qual vocês, daqui por diante, não precisam temer nenhum perigo. Sua coroa é profanada e lançada ao chão, e agora toda a humanidade zombará dele. As palavras, no entanto, são muito comoventes: “Eis aqui o homem”. É bom que cada um de nós, em benefício da fé, contemple o homem Jesus Cristo, nos seus sofrimentos. Eis aqui este rei, “com a coroa com que o coroou sua mãe”, a coroa de espinhos, Cantares 3.11. “Contemplem-no, e sejam apropriadamente afetados pela visão. Contemplem-no, e lamentem por sua causa. Contemplem-no, e amem-no. Permaneçam contemplando a Jesus”.

 

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

CHEGA DE PALMADAS

Em um documento que compila diversos estudos científicos, a Academia Americana de Pediatria condena os castigos físicos e a agressão verbal impostos a crianças.

Chega de palmadas

“Pais, cuidadores e adultos, ao interagir com crianças e adolescentes, não devem usar a punição corporal (incluindo bater e espancar) como castigo ou consequência de mau comportamento nem estratégia disciplinar alguma, inclusive abuso verbal, que cause vergonha ou humilhação”. A orientação lhe soou demasiado óbvia, antiga, repetitiva? Por mais assombroso que possa parecer, em pleno século XXI ela é tudo isso, sim, mas é também obrigatória. Por isso está presente em um documento elaborado pela prestigiosa Academia Americana de Pediatria, que será publicado na edição de dezembro da revista Pediatrics. Trata-se de uma atualização do que a entidade dizia há vinte anos, quando apenas recomendava que os pais, cuidadores e adultos fossem encorajados a não bater nos pequenos. É a primeira vez que a instituição condena enfaticamente tal comportamento. Não é para menos. Em 2013, 67% dos pais americanos admitiam bater nos filhos, segundo a Harris lnsights & Analytics, uma empresa de pesquisa de mercado. O.k., em1995 eram 80%, mas o porcentual de cinco anos atrás, o mais recente da Harris, é ainda vergonhoso. Pior: não há nos EUA nada como a Lei Menino Bernardo, a “lei da palmada”, aprovada no Brasil em 2014 para coibir o uso de castigos físicos na educação. Apesar dela, porém, os números aqui são infames. Um relatório deste ano da Fundação Abrinq, baseado no Disque 100, do Ministério de Direitos Humanos, mostrou que o país tem 396 denúncias diárias de maus-tratos a crianças e adolescentes: 71,3% por negligência, 44,5% devido a agressão psicológica e 42,1% por violência física.

A importância do novo documento da Academia Americana de Pediatria se deve – para além da emergência moral e até, digamos, “policial” – às evidências científicas dos últimos anos que a instituição compila com o objetivo de abominar, de uma vez por todas, o uso de violência contra crianças. O emprego da força, esclarece a entidade, não só é ineficaz a longo prazo como pode comprometer o comportamento e a saúde dos pequenos.

A palmada, por exemplo, aumenta a agressividade e o sentimento de raiva na criança. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Estado de Nova York com 2.400 crianças revelou que aquelas que apanharam mais de duas vezes por mês aos 3 anos eram mais agressivas aos 5 anos. Os pequenos que tenham sido agredidos também tendem a recorrer à violência para resolver conflitos com colegas e irmãos e demonstram maior probabilidade de adotar a mesma conduta com seus filhos no futuro. A agressão verbal é tão nociva quanto a física. A dor e o medo causados por tapas ou xingamentos aumentam os níveis de cortisol no sangue. Altos níveis da substância têm sido associados ao stress tóxico, condição que pode causar perda de neurônios e conexões em regiões associadas à memória, ao humor e à aprendizagem e alterações na conformação cerebral. Já um estudo da Universidade Harvard mostrou que crianças que apanham regularmente apresentam menos matéria cinzenta – substância-chave para o autocontrole – em regiões do córtex pré-frontal associa­ das a depressão e comportamento suicida. Elas também apresentam menor desempenho em testes de Q.I. Outra análise, publicada na revista Child Development e realizada pelas universidades de Petersburgo e Michigan, concluiu que crianças que sofreram agressões verbais tinham mais problemas de comportamento e sintomas depressivos aos 14 anos.

Diz Evelyn Eisenstein, médica que atua na Sociedade Brasileira de Pediatria: “Um tapinha em uma criança é uma violência de um adulto que não aprendeu a educar e conversar. Essa atitude é fruto de descontrole e tem efeitos duradouros naquele menor que foi agredido”. A fim de contribuir para o “controle” dos adultos, a Academia Americana de Pediatria relaciona em seu documento as chamadas “estratégias positivas e eficazes de disciplina”, que incluem o uso de distrações, a determinação de limites e o diálogo no trato com os pequenos (veja o quadro abaixo). São orientações que podem soar óbvias, antigas, repetitivas, entretanto, por tudo o que a instituição demonstra, estão longe de ser dispensáveis – infelizmente. Ao ser anunciado como candidato do PSL ao Planalto, em julho, o agora presidente eleito Jair Bolsonaro prometeu revogar a Lei Menino Bernardo. Cinquenta e três nações têm legislação contra punições físicas a crianças e adolescentes.

Chega de palmadas.2

OUTROS OLHARES

LIBERDADE OU JUSTIÇA?

O novo moralismo brasileiro, seja de direita ou de esquerda, está fortemente orientado por uma espécie de crise de excesso de experiências de falso reconhecimento.

Liberdade ou justiça

“Temos o direito a ser iguais quando nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito a ser diferentes quando nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades.” Nessa afirmação de Boaventura de Sousa Santos (Reconhecer para libertar, Civilização Brasileira, 2003) apresenta-se, de modo sintético, um dos maiores paradoxos da modernidade. Aspirações de liberdade, autonomia e independência parecem acirrar nossa paixão individualista e egoísta. Mas a liberdade tem um problema constitutivo que é saber onde ela começa. Seu início se dá no berço de cada um? Na forma como cada um livremente encontra um destino para o que herdou? Tudo parece depender de qual é o momento que vamos escolher para dar início à história: a gênese divina, a origem das espécies, a Revolução Francesa, a abolição da escravatura ou a última prova da Fuvest? O direito de ser diferente é o que podemos chamar de liberdade. Ocorre que a diferença gera distinção, comparação e mérito de tal maneira que ela se explica por si mesma.

Diferença gera mais diferença. No reino da pura liberdade vigora a justiça bíblica de Mateus: “quem muito tem, mais lhe será dado, quem pouco tem, mesmo este pouco lhe será tirado”. É comum que se erga aqui, contra os excessos óbvios da liberdade individual, o argumento coletivo da justiça. Aqui o problema é inverso, ou seja, saber quando a justiça termina. O conhecido dilema da flauta indiana proposto por Amartya Sen serve para exemplificar o dilema: se temos três crianças e apenas uma flauta, parece óbvio que esta deve ser dada para a única que sabe tocar o instrumento. É verdade, mas uma verdade encarcerada no presente. Basta acrescentarmos a ideia de que no futuro a segunda criança pode vir a aprender a tocar flauta e que ter o instrumento é o maior estímulo para isso que se perceberá como a justiça incapaz de pensar seu próprio futuro é falha. Bastaria olhar para o passado e ver que a terceira criança foi quem trabalhou para construir a flauta que nosso juízo de justiça se altera imediatamente.

Frequentemente esquecemos essa divisão constitutiva nas relações de gênero, nos dilemas familiares e em nossas pequenas decisões cotidianas. Divisão que estrutura também nossas formas de sofrimento. Um sofre com o sentimento agudo de injustiça, o outro, com a falta crônica de liberdade. Mas a palavra-chave na asserção do pensador português, e nas chamadas epistemologias do sul, não é justiça nem liberdade, mas reconhecimento. O problema de sua formulação é que ele a coloca apenas em termos de direitos. Temos direito à justiça e liberdade assim como aos bens simbólicos da igualdade e da diferença. Para a psicanálise, o direito é o território do gozo, assim como o reconhecimento é a terra do desejo. O novo moralismo brasileiro, seja ele de direita ou de esquerda, está for- temente orientado por uma espécie de crise de reconhecimento. Uma crise formada pelo excesso de experiências de falso reconhecimento: leis que não pegam, direitos que não valem, exceções por toda parte. Um estado livre de democracia formal. Uma crise formada também pela intolerância ao gozo, ódio à diferença e impulso mórbido a praticar a justiça sem memória e uma liberdade sem futuro.

 

CHRISTIAN INGO LENZ DUNKER – é psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).

GESTÃO E CARREIRA

FUTURO DO TRABALHO: DIVERSIDADE E INCLUSÃO

As empresas operam em um ambiente muito mais complexo e competitivo do que em qualquer outro momento da história.

Futuro do trabalho- diversidade e inclusão

As empresas operam em um ambiente muito mais complexo e competitivo do que em qualquer outro momento da história. Os mercados estão cada vez mais interligados, as fronteiras das companhias cada vez mais porosas e a tecnologia convidando constantemente as organizações a reverem seus modelos de negócios. Esses fatores imprimem novas cores no mundo do trabalho e estão nos obrigando a olhar para ele a partir de uma perspectiva até então pouco explorada e repensar as regras para quase todas as práticas organizacionais.

Não há mais espaço para continuar a operar de acordo com velhos paradigmas. Não se trata mais de um convite para abraçar novas formas de pensar nas empresas, mas sim uma condição essencial para aqueles que querem continuar atuando no mercado.

E pensar o futuro do trabalho é muito mais amplo em escopo do que apenas olhar para o core da empresa vs a quantidade de talentos disponíveis. É preciso entender sobre demografia, globalização, comportamentos das pessoas, estilo de gestão, comunicação, colaboração, entre outros. Ainda existem muitas mudanças pela frente e a única certeza que temos é que estar preparado para passar por elas requer adaptabilidade, velocidade de reação, colaboração e pensamento diverso – mas REALMENTE diverso.

Portanto, não tem como falar de futuro do trabalho sem passar pela questão da diversidade e da inclusão, seja pelo aspecto ético ou pelos resultados positivos que proporcionam ao negócio. Empresas com cultura inclusiva e que fomentam equidade entre gêneros, etnias, faixa etária, classes sociais e necessidade especiais são mais inovadoras e geram maior rentabilidade.

  • Pesquisa Mckinsey mostra que as empresas com diversidade de gênero são 15% mais propensas a superar seus pares e as etnicamente diversas são 35% mais propensas a fazer o mesmo.

 

  • Pesquisa Deloitte Austrália mostra que as equipes inclusivas superaram seus pares em 80% nas avaliações baseadas em equipe.

E para fortalecer a importância do tema na atualidade, temos mais um dado: as buscas sobre diversidade no Brasil cresceram nada menos que 30% no último ano, mostrando que o assunto se transformou em uma pauta política e global. (Think with Google).

Temos então uma primeira conquista para celebrar: conseguimos trazer o tema à tona! Este é o primeiro passo para qualquer movimento de transformação. Agora, precisamos mapear e multiplicar as práticas que impactam positivamente a diversidade e inclusão no mercado de trabalho e aqui temos um grande desafio pela frente.

De acordo com os resultados da 17ª edição da pesquisa Carreira dos Sonhos, os profissionais brasileiros acreditam que as empresas nas quais trabalham não se preocupam com estes temas ou então tem um discurso, mas não praticam.

Nos últimos anos, muitas empresas se envolveram em iniciativas relacionadas à diversidade, representatividade e inclusão. Considerando os temas abaixo, como você percebe a sua empresa?

(Apenas respostas de quem escolheu a alternativa “não se preocupam com o tema” ou: tem discurso, mas não pratica”.)

Futuro do trabalho- diversidade e inclusão.2

Embora o cenário geral seja desanimador, um dado chama atenção de maneira positiva. Uma pequena parcela de profissionais diz que suas empresas não se preocupam ou tem discurso diferente da prática quando o foco são as iniciativas para estimular mulheres na liderança, o que significa que toda a discussão que tem sido realizada há tempos está gerando frutos! Ações de conscientização funcionam e precisamos promover mais conversas sobre inclusão de negros, LGBTQ+ e pessoas com deficiência no mercado de trabalho, além de continuar com os diálogos sobre mulheres.

E sejamos realistas, não podemos apenas “dar um tapa” na forma como as empresas encaram este tema, precisamos dar um reset na cultura organizacional!

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 19: 1-15 – PARTE I

Alimento diário - Comendo a Bíblia

Cristo é acusado diante de Pilatos

 

Aqui está um relato adicional do injusto julgamento que fizeram ao nosso Senhor Jesus. Os acusadores prosseguiram com o julgamento, com grande confusão entre o povo, e o juiz, com grande confusão no seu próprio seio. Entre ambos, a narrativa é tal, que não é facilmente entendida de maneira lógica. Portanto, devemos entender as partes como se apresentam.

I – O juiz maltrata o prisioneiro, embora o declare inocente, e espera, com isto, pacificar os acusadores. Sua intenção, se realmente fosse boa, de nenhuma maneira justificaria seus procedimentos, que eram evidentemente injustos.

1. Ele ordenou que Cristo fosse açoitado como um criminoso, v. 1. Pilatos, vendo o povo tão furioso, e desapontado no seu projeto de libertá-lo com a escolha do povo, “tomou, então, a Jesus e o açoitou”, isto é, ordenou aos lictores que o auxiliavam que o fizessem. Pilatos açoitou pessoalmente a Jesus, com suas próprias mãos, porque está escrito: “Tomou, então, a Jesus e o açoitou”, para que isto pudesse ser feito de maneira favorável. Mateus e Marcos mencionam seu açoitamento depois da sua condenação, mas aqui ele parece ter acontecido antes. Lucas fala de Pilatos propondo castigá-lo, e depois deixá-lo ir, o que deve ter acontecido antes da sentença. Este açoitamento se destinava somente a pacificar os judeus, e com ele Pilatos lhes fez um cumprimento, aceitando a palavra deles contra seus próprios sentimentos até então. Os açoitamentos romanos normalmente eram muito severos, não se limitando, como entre os judeus, a quarenta chibatadas, e a esta dor e vergonha Cristo se submeteu por nós.

(1) “Para que se cumprisse a Escritura”, que falava que Ele seria “aflito, ferido de Deus e oprimido”, que “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele” (Isaias 53.5), que Ele daria as costas aos que o feriam (Isaias 50.6), dos lavradores arando sobre suas costas, Salmos 129.3. Ele mesmo, da mesma maneira, tinha predito isto, Mateus 20.19; Marcos 10.34; Lucas 18.33.

(2) Para que, pelas suas pisaduras, fôssemos sarados, 1 Pedro 2.4. Nós, tendo conhecido qual era a vontade do nosso Senhor, e não a tendo cumprido, merecíamos ter sido castigados com açoites e escorpiões, e castigados com muitos açoites, mas Cristo submeteu-se aos açoites por nós, suportando a vara do furor do seu Pai, Lamentações 3.1. A intenção de Pilatos, ao açoitá-lo, era que Ele pudesse não ser condenado, o que não se realizou, mas indicou qual era o desejo de Deus, que seu açoitamento pudesse evitar nossa condenação, tendo nós comunhão nos seus sofrimentos, e isto sim, se realizou. O médico foi açoitado, e assim o paciente se curou.

(3) Para que o açoitamento, por causa dele, pudesse ser santificado e facilitado para seus seguidores, e para que eles pudessem, como Ele, alegrar-se naquela afronta (Atos 5.41; 16.22,25), como Paulo, que foi açoitado sem medida (2 Coríntios 11.23, versão RA). Os açoites em Jesus removem a dor dos açoites nos seus seguidores, e alteram sua propriedade. “Somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”, 1 Coríntios 11.32.

2. Ele entregou Jesus aos seus soldados, para ser ridicularizado, escarnecido, e motivo de brincadeiras, como um tolo (vv. 2,3): “Os soldados”, que eram a guarda que protegia o governador, “tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabeça”. Uma coroa como esta, eles julgavam adequada para um rei como este. “E lhe vestiram uma veste de púrpura”, algum casaco velho daquela cor, que eles julgaram suficientemente bom para ser o sinal da sua realeza. E o saudaram com: “Salve, rei dos judeus!” (tal povo, tal rei), e então “davam-lhe bofetadas”.

(1) Veja aqui a baixeza e a injustiça de Pilatos, que tolerava que alguém que ele acreditava ser inocente, e, neste caso, uma excelente pessoa, fosse assim maltratado e menosprezado pelos seus próprios servos. Aqueles que estão sob a detenção da lei, devem estar sob a proteção da lei, e o fato de que estejam protegidos deve ser sua segurança. Mas Pilatos fez isto:

[1] Para condescender com o bom humor dos seus soldados, e talvez o seu próprio, apesar da seriedade que poderíamos esperar ver em um juiz. Herodes, assim como seus soldados, pouco antes tinha feito a mesma coisa, Lucas 23.11. Foi praticamente uma encenação para eles, agora que era época de festa, assim como os filisteus se divertiram com Sansão.

[2] Para condescender com as más intenções dos judeus, e contentá-los, pois eles desejavam que toda desgraça possível pudesse ser feita a Cristo, e as maiores indignidades fossem colocadas sobre Ele.

(1) Veja aqui a rudeza e a insolência dos soldados, como eles se perderam completamente em relação a toda justiça e humanidade, podendo, desta maneira, triunfar sobre um homem em desgraça, e que tinha tido reputação de sabedoria e honra, e nunca fez nada para perdê-la. Mas, desta maneira, o santo Evangelho de Cristo tem sido, de modo desprezível, adulterado, enfeitado por homens perversos ao seu bel prazer, e exposto ao desprezo e ao ridículo, como Cristo o foi aqui.

[1] Eles o vestem com uma simulação de manto, como se fosse um fingimento e uma brincadeira, e nada além do produto de uma fantasia acalorada e de uma imaginação enlouquecida. E, assim como Cristo aqui é representado como um rei, somente de brincadeira, também seu Evangelho é um interesse, somente de brincadeira, e Deus e a alma, o pecado e o dever, o céu e o inferno, são, para muitos, somente quimeras.

[2] Eles o coroam com espinhos, como se o Evangelho de Cristo fosse um suplício perfeito, e a maior dificuldade e o maior sofrimento do mundo, como se submeter-se ao controle de Deus e da consciência fosse empurrar a cabeça em um arbusto de espinhos. Mas esta é uma avaliação injusta. “Espinhos e laços há no caminho do perverso”, mas rosas e louros, no caminho do Evangelho.

(2) Veja aqui a maravilhosa condescendência do nosso Senhor Jesus, nos seus sofrimentos por nós. As mentes grandiosas e generosas podem suportar qualquer coisa além da ignomínia, qualquer trabalho árduo, qualquer dor, qualquer perda, em lugar da reprovação. Mas a isto, o grande e santo Jesus se submeteu por nós. Veja e admire:

[1] A invencível paciência de um sofredor, deixando-nos um exemplo de satisfação e coragem, serenidade, e paz de espírito, sob as maiores dificuldades que podemos encontrar no caminho do dever.

[2] O invencível amor e bondade de um Salvador, que não somente passou por tudo isto alegremente e decididamente, mas voluntariamente o suportou por nós, e pela nossa salvação. Ele enaltece seu amor no fato de que não somente iria morrer por nós, mas morrer como morre um tolo.

Em primeiro lugar, Ele suportou a dor. Não somente as dores da morte, embora na morte na cruz elas fossem as mais agudas, mas, como se isto fosse pouco, Ele se submeteu a estas dores anteriores. Nós reclamamos de um espinho na carne, e nos deixamos esbofetear pela aflição, porque precisamos que isto nos oculte o orgulho, quando Cristo se humilhou para suportar estes espinhos na cabeça, e estas bofetadas, para nos salvar e ensinar? 2 Coríntios 12.7.

Em segundo lugar, Ele desprezou a afronta, a vergonha de um manto de tolo, e o respeito fingido que lhe foi prestado com: “Salve, rei dos judeus!” Se nós, em qualquer ocasião, formos ridicularizados por fazer o bem, não devemos nos envergonhar, mas glorificar a Deus, pois somos participantes dos sofrimentos de Cristo. Aquele que suportou estas honras fingidas foi recompensado com honras verdadeiras, e também nós o seremos, se suportarmos pacientemente a afronta, por amor a Ele.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

ESTRESSE CRÔNICO

Distúrbio afeta metabolismo da glicose.

Estresse crônico

O cérebro requer uma grande quantidade de glicose para seu funcionamento, e o estresse, sobretudo quando crônico, pode alterar o metabolismo desse poderoso combustível cerebral. Isso além de ser um fator de risco bem conhecido para o desenvolvimento de doenças psiquiátricas, como transtornos de ansiedade e depressão. O achado está ligado ao trabalho de pesquisadores do Departamento de Psiquiatria e Psicoterapia do Centro Médico da Universidade de Mainz e do Cetro Alemão de Resiliência – DRZ (Alemanha). No entanto, ainda não se sabe se os problemas psiquiátricos ligados ao estresse estão associados ao metabolismo da glicose afetado.

Em camundongos a relação glicose anormal x estresse alto foi claramente identificada. Ao mesmo tempo em que normalização das alterações induzidas pelo estresse nos níveis de glicose, utilizando a empagliflozina antidiabética, foi capaz de restaurar a memória espacial e o metabolismo da glicose em longo prazo nos animais. Os resultados foram publicados recentemente na revista científica Proceedings da National Academy of Sciences (PNAS).

OUTROS OLHARES

RESPIRANDO POR APARELHOS

Respirando por aparelhos

A saúde pública está em frangalhos. Problemas de infraestrutura, condições precárias de higiene e a falta de equipamentos básicos, como desfibriladores, em setores de urgência são a tônica em boa parte dos 4.664 postos de saúde fiscalizados pelos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) entre janeiro de 2014 e dezembro de 2017. Num estudo divulgado em agosto, pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), nota-se ainda a falta de itens como termômetros em 10% dos estabelecimentos, estetoscópios (17%), toalhas de papel (23%) e até pias (9%). Do total de unidades visitadas, 24% apresentaram mais de 50 itens que não atendem o estabelecido pelas normas sanitárias. Nem o atendimento de emergência escapa. Dos quase 5 mil postos visitados, 1.160 não possuem máscara laríngea, 1.092 não têm desfibrilador com monitor, 1.004 não possuem oxímetro e 884 não possuem sondas para aspiração. Os resultados explicam a complexa crise do setor, que agoniza com a falta de investimento e não atende os pacientes de forma digna.

Respirando por aparelhos.2

GESTÃO E CARREIRA

BUSCANDO SENTIDO

Felicidade no trabalho: é preciso desenvolver campanhas para que os colaboradores consigam encontrar um sentido também para seus trabalhos.

Buscando um sentido

Felicidade é, muitas vezes, indescritível para muitos de nós. Como uma névoa, você pode vê-la de longe, densa e cheia de forma. Mas, suas partículas podem soltar e, de repente, torna-se fora de alcance, mesmo que elas estejam ao seu redor.

Nós colocamos tanta ênfase na busca da felicidade, mas se você parar para pensar, é como perseguir algo sem uma garantia de que realmente irá capturá-la. Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus, pois a sociedade quer definir o que é certo. Exemplo disso é a máxima repetida inúmeras vezes que todos devem ter sucesso, como se ele não tivesse significados diferentes para cada indivíduo. Sem falar em tantos outros “mantras” ditos por aí, como: “você tem que estar feliz todos os dias!”; “tem que comprar tudo o que puder” e “precisa fazer as coisas do jeito certo!”.

Falamos tanto em termos metas a cada ano que se inicia, mas as metas em nossas vidas muitas vezes podem ser interessantes para o que achamos que seja sucesso, mas não para a nossa felicidade. A felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Logo, é preciso entender que a felicidade não é o lugar aonde se chega, mas a forma como se caminha na direção do propósito de vida. Afinal, cada um tem uma razão de estar neste mundo e, cumprir este propósito, passa a ser, então, a razão de acordarmos todos os dias pela manhã.

Agora, será que este conceito se aplica ao ambiente de trabalho? Ele é visto como forma de melhorar a rentabilidade dos negócios e vem sendo muito discutido ao longo dos últimos anos. De acordo com pesquisa da London School of Economic e da Universidade de Sussex, realizada em 2015, as pessoas se sentem mais infelizes quando se encontram no trabalho, sendo o momento mais triste dos seus dias.

Diante disso é possível perceber que entre felicidade e lucro, ela deve vir sempre em primeiro lugar. E algumas empresas já entenderam que essa combinação traz equilíbrio para uma pessoa estar bem com quem ela é e com o que faz. Dessa forma, ela terá uma tranquilidade maior para conquistar resultados melhores – seja no negócio ou na vida pessoal.

Mas, esse movimento não deve ficar restrito apenas às grandes organizações. Ele deve ser prioridade também nas micros, pequenas e médias, uma vez que elas respondem por 52% dos empregos com carteira assinada no setor privado, algo em torno de 16,1 milhões de pessoas. Logo, é preciso desenvolver campanhas para que os colaboradores consigam encontrar um sentido também para seus trabalhos. O objetivo é gerar lucro, mas desde que seja sustentável. Afinal, não se pode criar um sistema intermitente, que funciona um dia e no outro não.

A opção de ser feliz não é da empresa. É de cada indivíduo. Mas, o objetivo é que as pessoas estejam inseridas em uma plataforma coerente, que ofereça chances reais para os que se esforçam de fato. Sabemos que, por meio dessa prosperidade, a empresa, independente do seu porte, também prospera, já que acontece o alinhamento do propósito da organização com o do indivíduo. Segundo pesquisas, quando a companhia muda a gestão com o foco na felicidade, ela passa para mais de 90% de satisfação onde antes beirava os 60%.

Normalmente, a missão, a visão e os valores da empresa estão escritos na parede e a empresa diz: “cumpra”. Nesse caso, não há, em geral, intenção de convergir com os objetivos pessoais de cada um. Agora, quando se tem a unidade entre o propósito, a missão, a visão e os valores de cada profissional e os da empresa, as pessoas trabalham de forma mais sólida em direção ao que sonham e se dedicam com mais profundidade. E a organização por sua vez se beneficia, é claro, porque o profissional não estará ali só de “corpo presente”.

Agora você deve estar se perguntando: como colocar, então, em práticas essas mudanças? Comece com o básico: dê tempo para as pessoas terem vida fora da organização. Mas, lembre-se que felicidade não é ser permissivo. Não é oferecer presentinhos, dinheiro fácil, ser legal, mas sim justo. As pessoas têm uma predileção natural por justiça. Quando você trata alguém com transparência e verdade, a resposta é compromisso.

Já para as empresas que ainda não acordaram para esse modus operandi, a perda é grande, pois as pessoas precisam ser proativas para ajudar a melhorar os processos da organização e não somente para criar lucro. Tudo isso, nos mostra que estimular as pessoas a voltarem a acreditar nelas mesmas vale a pena. É quase que um resgate de valores que adoraríamos ver de forma maciça se solidificar na sociedade. É um círculo virtuoso. Talvez para ter mais lucro, só precisemos ser um pouquinho mais satisfeitos e felizes.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 18: 28-40 – PARTE III

Alimento diário - Comendo a Bíblia

Cristo na audiência. Cristo é acusado diante de Pilatos

 

III – O resultado das duas conversas, com os acusa­ dores e com o prisioneiro (vv. 38-40), em dois aspectos:

1. O juiz pareceu ser seu amigo, e favorável a Ele, pois:

(1) Declarou publicamente que Ele era inocente, v. 38. “Não acho nele crime algum”. Ele supõe que exista alguma controvérsia sobre a religião, entre Jesus e seus acusadores, em que Ele provavelmente estaria tão certo quanto eles, mas nada criminoso se apresentava contra Ele. Esta solene declaração da inocência de Cristo foi:

[1] Para a justificação e a honra do Senhor Jesus. Com isto, parece que, embora Ele fosse tratado como o pior dos malfeitores, Ele nunca mereceu tal tratamento.

[2] Para explicar o desígnio e a intenção da sua morte, para que Ele não morresse por nenhum pecado seu, nem mesmo durante o julgamento do próprio juiz, e, portanto, morresse como um sacrifício pelos nossos pecados, e para que, conforme o julgamento dos próprios acusadores, um homem morresse pelo povo, cap. 11.50. Este é aquele que “nunca fez injustiça, nem houve engano na sua boca” (Isaias 53.9), que deveria ser tirado, mas não por si mesmo, Daniel 9.26.

[3] Para agravar o pecado dos judeus, que o acusavam com tanta violência. Se um prisioneiro tivesse um julgamento justo, e fosse absolvido por aqueles que eram os juízes adequados do crime, especialmente se não houvesse causa para suspeitar que eles fossem parciais a seu favor, ele devia ser considerado inocente, e seus acusadores, forçados a concordar. Mas nosso Senhor Jesus, embora considerado inocente, ainda é perseguido como um malfeitor, e ainda há sede do seu sangue.

(2) Propôs uma solução para sua libertação (v. 39): “Vós tendes por costume que eu vos solte alguém por ocasião da Páscoa. Quereis, pois, que vos solte o rei dos judeus?” Ele propôs isto, não aos principais dos sacerdotes (ele sabia que eles nunca iriam concordar com isto), mas à multidão. Aparentemente, foi um apelo ao povo, Mateus 27.15. Provavelmente, ele tinha ouvido como este Jesus tinha sido recebido no outro dia, com as hosanas das pessoas comuns. Portanto, ele julgou que Ele fosse estimado pela multidão, e invejado somente pelos governantes, e por isto não teve dúvidas de que eles exigiriam a libertação de Jesus, e isto calaria a boca dos acusadores, e tudo estaria bem.

[1] Ele permite este costume dos judeus, o qual, talvez, eles tivessem tido em vigor durante muito tempo, em honra à Páscoa, que era uma recordação da sua libertação. Mas isto significava acrescentar às palavras de Deus, como se Ele não tivesse feito instituições suficientes para a devida comemoração daquela libertação, e, embora fosse um ato de misericórdia, podia ser injusto para o público, Provérbios 17.5.

[2] Ele se oferece para libertar-lhes Jesus, de acordo com este costume. Se Pilatos tivesse tido a honestidade e a coragem que convinham a um juiz, ele não teria designado uma pessoa inocente para competir com um notório criminoso por este favor. Se ele não encontrava nenhuma falta no Senhor Jesus, ele era obrigado, pela sua consciência, a libertá-lo. Mas ele desejava enfeitar a questão, e agradar a todos os lados, sendo governado mais pela sabedoria mundana do que pelas regras da equidade.

2. O povo pareceu ser seu inimigo, e implacável contra Ele (v. 40): “Todos voltaram a gritar, dizendo: Este não”, não queremos que este seja libertado, “mas Barrabás!” Observe:

(1) Como eles eram cruéis e furiosos. Pilatos lhes fez uma proposta calmamente, como merecedora da sua consideração madura, mas eles a decidiram acaloradamente, e deram sua decisão com clamor e ruído, em meio à maior confusão. Observe que os inimigos da santa religião de Cristo a desprezam, e esperam destruí-la. Testemunhe o clamor em Éfeso, Atos 19.34. Mas aqueles que pensam o pior das coisas ou pessoas, meramente porque eles recebem este clamor contrário, têm uma parcela muito pequena de constância e consideração. Na verdade, há razões para suspeitar de uma deficiência de razão e justiça no lado que pede a ajuda do tumulto popular.

(2) Como eles eram tolos e absurdos, como está evidenciado na curta descrição aqui dada do outro candidato: “Barrabás era um salteador”, e, portanto:

[1] Um infrator da lei de Deus. E ainda assim ele será poupado, em lugar daquele que reprovava o orgulho, a avareza e a tirania dos sacerdotes e anciãos. Embora Barrabás fosse um salteador, ele não lhes deseja tirar a cadeira de Moisés, nem suas tradições. Então, não havia nenhum problema com ele.

[2] Ele era um inimigo da segurança pública e da propriedade privada. O clamor da cidade costumeiramente é contra os ladrões (Jó 30.5: “Gritava -se contra eles como contra um ladrão”), mas aqui é favorável a um ladrão. Assim agem aqueles que preferem seus pecados a Cristo. O pecado é um salteador, todo desejo vil é um salteador, e ainda assim eles são tolamente escolhidos em lugar de Cristo, que verdadeiramente nos enriquece.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

CICATRIZES DA INFÂNCIA

Experiências traumáticas e falta de carinho nos primeiros anos de vida podem modificar os circuitos cerebrais. Seria esta uma das causas dos transtornos psíquicos?

Cicatrizers da Infância

Hiperatividade, déficit de atenção, autismo, transtornos nos hábitos alimentares, esquizofrenia, ansiedade e depressão formam um rosário de problemas sobre os quais se estendia, antigamente, um véu de silêncio. Hoje ocupam mais espaço na mídia, e em geral, são atribuídos a experiências traumáticas vividas na primeira infância. Até recentemente, porém, essa afirmação carecia de apoio científico suficiente.

Mas parece cada vez mais claro que experiências traumáticas influem decisivamente nas conexões neuronais do cérebro infantil e no equilíbrio dos neurotransmissores, causando mudanças capazes de aumentar, de modo significativo, a vulnerabilidade a transtornos psíquicos em fases posteriores da vida.

Supunha-se que o desenvolvimento e o funcionamento do cérebro eram fixados geneticamente. Mas estudos recentes sugerem que a variedade dos estímulos do meio determina o modo de formação das redes neuronais. Nos primeiros meses e anos de vida, esses estímulos procedem, nos humanos e em muitos animais, principalmente dos pais.

Há alguns decênios, as pesquisas sobre comportamento mostram que experiências de aprendizado na primeira infância com forte conteúdo afetivo – como a formação de um vínculo emocional entre o recém-nascido e os pais – dirigem o desenvolvimento psicológico da criança. Nos anos 40, René Spitz, do Instituto Psicanalítico de Nova York, estudou centenas de bebês nascidos em um orfanato. Ele observou que um em cada dez manifestava uma atitude de retraimento em relação ao meio. Além disso, constatou que esses bebês tiveram atraso no desenvolvimento psíquico geral.

CARINHO EMOCIONAL

Para determinar a causa desses transtornos, Spitz realizou um estudo de longo prazo com crianças de orfanato. Descobriu que lhes faltava, além dos estímulos intelectuais, principalmente carinho emocional. Estas primeiras pesquisas sugerem claramente que as crianças adaptam o próprio comportamento ao meio circundante durante as primeiras experiências emocionais após o nascimento.

Nos anos 50 e 60, Clara e Harry Harlow, da Universidade de Wisconsin, Estados Unidos, estudaram chimpanzés para determinar o que ocorria quando a cria perdia precocemente os genitores. Os resultados confirmaram as observações dos estudos com os bebês de orfanato: os chimpanzés adultos que cresceram sem a mãe apresentavam distúrbios permanentes de comportamento. Brincavam menos, eram mais ansiosos e menos interessados em explorar o ambiente que os congêneres criados em circunstâncias normais. Poucas dessas fêmeas procriaram e, quando o fizeram, não souberam cuidar da cria.

Como a presença ou ausência de experiências emocionais podem acarretar alterações tão drásticas de comportamento? Nos últimos anos, neurobiólogos começaram a investigar em animais a influência no cérebro das experiências emotivas e processos de aprendizagem precoces. Já se sabia que os neurônios podem estabelecer conexões distintas quando, em certas fases do desenvolvimento, faltam estímulos para as várias regiões do córtex cerebral. Pesquisadores agora invocam a intervenção do sistema límbico, que desempenha um papel fundamental no controle do comportamento mediante os sentimentos e na aprendizagem e configuração da memória.

Nosso grupo estudou pela primeira vez como se formam os vínculos emotivos entre um recém-nascido e seus pais, fenômeno conhecido como “imprinting filial“. Apresentamos a pintos recém-nascidos ruídos artificialmente produzidos de uma galinha, colocando ao mesmo tempo à disposição dos filhotes uma galinha falsa de pano para que se aconchegassem: os primeiros estímulos agradáveis dos filhotes. Estes associaram o estímulo acústico até então privado de significado – a voz artificial da mãe – à situação emocional, recebendo assim o imprinting, e logo distinguiram os ruídos maternos de outros estímulos acústicos. Corriam em direção à “mãe” tão logo os ouviam.

Queríamos saber o que se passa no cérebro dos animais durante imprinting.  Descobrimos mudanças consideráveis nas propriedades das células nervosas de algumas áreas do prosencéfalo, responsáveis pelo reconhecimento do estímulo do imprinting e, provavelmente, por sua coloração emocional. Nos mamíferos, correspondem às áreas associativas do córtex cerebral, para as quais convergem sinais procedentes de diversas partes do cérebro. O som aprendido ativa muito mais essas zonas do cérebro nos animais que receberam o imprinting que nos animais de controle sem uma mãe artificial substituta. Além disto, os neurônios dos animais com o imprinting reagem ao estímulo com impulsos elétricos mais intensos, isto é, são mais sensíveis. Esta mudança provavelmente ocorre por uma reorganização dos contatos transmissores de informação entre neurônios, as sinapses. De fato, nos primeiros 90 minutos depois do início do imprinting filial, aumentam os contatos sinápticos em uma área do cérebro dos pintos que nos mamíferos corresponde ao setor anterior do córtex cingular, parte do sistema límbico. O cérebro parece querer captar e fixar no maior número possível de canais o novo estimulo que encerra um valor de sobrevivência.

Ao longo deste processo de aprendizagem, as sinapses diminuem novamente. Os pintos de uma semana que receberam o imprinting apresentaram, nas áreas associativas do prosencéfalo, menos sinapses “espinhosas” (predominantemente excitatórias) que animais sem imprinting. Do excesso de ofertas de conexões sinápticas inespecíficas, só permanecerão ativas as que processam estímulos emocionais importantes. Estas conexões são integradas na rede neuronal e podem ser ainda mais reforçadas, mas as inúmeras conexões não envolvidas no estímulo são eliminadas.  Assim, a rede neuronal poderá reagir de forma mais precisa aos estímulos significativos.

Nos animais que cresceram sem contatos sociais, falia esta seleção de sinapses, o que os impede de otimizar seus circuitos límbicos. O incremento e a eliminação de sinapses só ocorrem quando o animal pode associar o estímulo acústico à situação emocional positiva. Um estímulo afetivamente neutro não basta, se os sons não são acompanhados da presença da galinha artificial, as mudanças sinápticas não ocorrem nos pintos. Por outro lado, bastam 30 minutos de estímulo acústico e a presença da mãe artificial para iniciar a seleção das sinapses. As primeiras experiências emocionais contribuem para determinar o padrão fundamental dos circuitos neuronais no sistema límbico durante a primeira fase de desenvolvimento. Estes padrões determinam quais modelos de comportamento e de aprendizado serão possíveis em seguida.

A bioquímica dos neurônios também é alterada no imprinting filial. A mudança afeta sobretudo os neurotransmissores. Após ouvir o som da galinha, os pintos com imprinting produzem no prosencéfalo mais glutamato que aqueles para os quais o som carece de sentido. O glutamato então, ativa o NMDA (N-metil – D­aspartato) e todas estas respostas bioquímicas servem claramente para consolidar o vínculo emocional entre a cria e os progenitores. Se, durante a aprendizagem, o glutamato não se ligar aos receptores NMDA e ativar os neurônios, os animais deixarão de associar o som à situação emocional. Com isso não poderão receber o imprinting.

GENITORES SOLÍCITOS

Também nos humanos a seleção das sinapses é dirigida por processos de aprendizagem e aquisição de experiência. Nos mamíferos, a criação de sinapses serve para adaptação ao meio. Nos primatas, em várias de suas áreas cerebrais e no sistema límbico em particular, são inúmeras as conexões criadas e depois eliminadas.

A capacidade de adaptação do cérebro dos primatas tem um lado obscuro: é eficiente também nas condições adversas, quando há por exemplo, carência afetiva e experiências traumáticas. Podem resultar disto erros de conexão no sistema límbico, capazes de provocar transtornos do comportamento e psíquicos. Para verifica esta hipótese, estudamos filhotes de degus (Octodon degu), uma espécie de roedor existente no Chile. Os degus “falam” entre si de forma muito complexa: sua comunicação por meio de sons desempenha um papel importante na família e na colônia. Além disso, os genitores participam ativamente da criação dos filhotes.

Separamos os pequenos degus da família durante períodos mais ou menos longos e em diversas fases do desenvolvimento. Para esses animais é uma experiência muito negativa, associada a stress e medo. Quando examinamos o consumo de energia no cérebro dos filhotes separados, constatamos que o sistema límbico reduzia sua atividade. Investigamos em seguida as mudanças, ao longo do tempo, nas sinapses dos roedores. Em filhotes que crescem ao lado dos genitores e irmãos as sinapses espinhosas no córtex cerebral anterior inicialmente aumentam, para depois diminuir.  Se, pelo contrário, nas primeiras semanas de vida as crias são separadas dos genitores por algumas horas, observa-se um número maior dessas sinapses. A situação é similar à observada nos pintos que não receberam imprinting filial. Também neste caso parece, portanto, que a experiência desagradável afeta as sinapses.

CARÊNCIA E TRANSTORNOS PSÍQUICOS

Nos degus, outras partes do sistema límbico mudam em função da experiência emocional, como por exemplo, o nucleus accumbens, que colabora na gênese das paixões; a amígdala, centro da apreensão e da agressividade e o hipocampo, porta de entrada para as informações destinadas à memória. Estas mudanças ­sinápticas diferem conforme a região cerebral. A longo prazo, o equilíbrio entre as regiões límbicas pode mudar com consequências imprevisíveis para a estabilidade psíquica.

O equilíbrio entre os neurotransmissores também pode ser alterado, em particular entre a dopamina e a serotonina, substâncias reguladoras do processamento cerebral das emoções. Nos degus com carências emocionais alteram-se tanto a quantidade das fibras nervosas produtoras de serotonina ou de dopamina como a densidade das respectivas moléculas receptoras. Apenas três dias depois de algumas breves separações aumentaram, em partes do sistema límbico, o número de receptores de dopamina e serotonina. É interessante lembrar que muitos transtornos psíquicos humanos exibem um desequilíbrio destas substâncias.

Todas estas mudanças biológicas no cérebro podem influir diretamente no aprendizado e no convívio social, chegando a causar transtornos psíquicos, como sugerem os primeiros resultados das pesquisas sobre degus e ratos de laboratório em condições de privação.

Evidentemente não podemos realizar experimentos similares com humanos. Após a dissolução do bloco soviético, entretanto, pesquisadores estudaram bebês de orfanatos romenos e constataram redução análoga da atividade no sistema límbico anterior quando comparada à atividade nos bebês normais. Um déficit similar é encontrado em pacientes que sofrem de transtornos de atenção e de esquizofrenia.

À primeira vista, essas alterações do comportamento se assemelham incrivelmente aos sintomas de bebês hiperativos ou com déficit de atenção. Este comportamento também poderia ser causado em humanos pela segregação do núcleo familiar? É possível. As experiências emocionais devem influir no desenvolvimento cerebral dos bebês da mesma forma que nas crias de outras espécies, também nos humanos os transtornos psíquicos estão provavelmente associados a transformações sinápticas nos circuitos emocionais límbicos.

Uma consequência dramática destas conexões cerebrais errôneas é a formação de uma rede neural mal estruturada, capaz de provocar desde transtornos comportamentais e de aprendizagem até doenças psíquicas. A elucidação destas relações abre perspectivas para a correção de desenvolvimentos errôneos. Quando conseguirmos isto, os meios de comunicação não só fornecerão informações sobre transtornos psíquicos, mas também sobre novos métodos para ajudar pessoas afetadas.

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EVANGÉLICOS EMERGENTES

Igreja na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, reúne artistas, como Bruna Marquezine, e classifica frequentadores como “powers”, “Winners” e “seeds”.

Evangélicos emergentes

Rua Rosauro Estelita, número 607, Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Dentro do condomínio Rio Mar, o endereço indicado no site oficial da Igreja Mananciais como sua sede aponta para a Escolinha Fla. É preciso seguir até o fim da via, contornando à esquerda, para chegar aos fundos da construção. Ali, num imenso campo de terra, estão estacionados nada menos que 265 carros, numa noite de quarta-feira. Houve final de semana em que se podiam contar mais de 300 carros. À margem do estacionamento, enquanto crianças treinam futebol num espaço ao ar livre, de gramado sintético, por trás dele, no entorno do imenso galpão que serve de templo, adolescentes, jovens e adultos se aquecem para o exercício da fé.

Trinta minutos antes do culto das 20 horas, o banheiro feminino está em polvorosa. Os imensos espelhos que cercam as pias de mármore são disputados por moças vaidosas, que capricham na maquiagem e no perfume importado. “Eu me arrumo toda, mas não adianta muito: acabo descabelada e com a make toda borrada, de tanto que choro. Não tem como, é muita emoção…”, disse a tourinha com porte de modelo, partilhando o corretivo e o rímel com a arruga. Questionada sobre a frequência da atriz Bruna Marquezine nos cultos, uma outra me respondeu, desconfiada: “Ela só aparece às vezes… Mas por quê? Você só veio para ver a atriz da Globo? Deus é muito maior!”.

Do lado de fora, aguardando o término da Sala de Oração, iniciada às 18 horas, misturam-se senhoras, pais e mães com bebês de colo, mulheres e homens desacompanhados. O clima é amistoso, íntimo. Um grupinho de rapazes entre seus 15 e 20 anos conversa sobre esporte, cada qual com sua Bíblia debaixo do braço. De calças jeans, tênis, camisas de times de futebol e moletom, dividem-se entre os de topete moldado com gel e os com longas e douradas madeixas, no estilo surfista. A poucos metros deles, Eduardo anda de um lado para o outro, ansioso, livro sagrado à mão. “Adoro isto aqui!

Venho sempre que posso, porque me sinto acolhido. Parece que essas pessoas são minha família de verdade. Nas outras igrejas que frequentei, não tinha essa energia boa”, ele comentou, sem se prolongar.

Abrem-se, enfim, as portas da igreja. Logo na entrada, a moça bonita recepciona cada fiel entregando um folheto com o resumo dos ensinamentos da noite e as indicações de leitura da Bíblia para meditação. Lá dentro, um espaço enorme, todo acarpetado, em tons escuros. Enfileiradas, cerca de 400 cadeiras estão dispostas no térreo – há outras dezenas delas num andar acima, acessado por escadas à direita e à esquerda do altar. Nele, não há imagens ou símbolos religiosos, à primeira vista. Ali estão demarcados os espaços de bateria, violão, guitarra, baixo, teclado e vocais. Há também um telão, imenso, onde são projetadas letras de hinos e trechos da Bíblia mencionados durante a celebração. Como pano de fundo, frequentemente surgem fotos aéreas da cidade do Rio e imagens de água corrente – numa referência insistente ao nome da igreja. Mananciais, não se esqueça.

O culto tem início com uma sequência de músicas com forte carga emocional que exaltam o poder e a bondade de Jesus Cristo. Com vozes potentes, as cantoras Larissa Araújo e Alyene Donasci lideram a banda de sete integrantes que, literalmente, levanta a plateia. Abraçados, os presentes dançam, pulam, gritam como num show animado de rock. Nas canções mais introspectivas, com as

luzes mais baixas, fecham os olhos e erguem os braços, em louvor. Alguns aproveitam para fazer vídeos e stories pelo celular, registrando a comoção ali instaurada – foi assim que, em fins do último mês de julho, Bruna Marquezine revelou-se frequentadora do lugar. Vez por outra, os mais viciados em tecnologia são interpelados por jovens com crachás em que se leem as iniciais “TE” – de “Turma Especial”, do Instituto Mananciais, espécie de faculdade religiosa que forma líderes -, pedindo para que não se façam registros. São esses mesmos obreiros que, munidos de fones, se posicionam de pé ao fundo da igreja para ajudar a organizar cada etapa do evento. Se chega alguém estranho ao convívio do grupo, logo se aproximam, oferecendo auxílio.

A Mananciais se mostra articulada para arrebatar fiéis das mais diversas faixas etárias. Seus ministérios assim se classificam: Kids (os ensinamentos são voltados para a primeira infância), Seeds (pré-adolescentes), Winners (adolescentes), Press Power (jovens), Casais Aliançados (adultos casados) e Sala de Oração (bastante frequentada por idosos). Pelo menos sete pastores se responsabilizam pela coordenação de cada um desses grupos. O batismo de novos membros é realizado numa piscina, localizada na área externa da igreja, que ainda tem um sítio de convivência, no bairro de Santa Cruz, onde são realizados eventos como a Festa Country, que aconteceu no dia 29 de setembro.

Findado o momento musical, um pastor sobe ao altar – não há um líder fixo, mas um revezamento (naquela quarta-feira, o pastor-presidente Ricardo Carvalho encontrava-se em férias com a família nos Estados Unidos. Durante duas semanas, mesmo após seu retorno ao Rio, evitou dar entrevista. Ainda na euforia da adoração, é feito o convite à oferta. Cada assento é encapado com um tecido que traz a marca “Mananciais” estampada e uma abertura na parte traseira, com um envelope de “Oferta ao Senhor”. Nele, está impresso um trecho bíblico da 2ª Carta aos Coríntios, capítulo 9, versículo 7: “Cada um contribua segundo propôs em seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria”. O pastor reforça: “Ele nos deu o maior presente, que foi a vida eterna. Você não pode dar seu dinheiro com tristeza”. Quem vai fazer sua doação em espécie acomoda as notas no envelope e entrega ao obreiro na frente do altar. No telão, um aviso: “Máquinas de cartão ao lado das escadas”, para quem pretende doar em crédito ou débito.

Nesse momento, identificam-se no recinto mais rostos conhecidos do grande público: o dono da Furacão 2000, Rômulo Costa; o funkeiro Nego do Borel; a atriz e ex-assistente de palco do Domingão do Faustão Carol Nakamura e seu ex(?)-namorado, o empresário Steffan Menah; a atriz Dany Bananinha… “É comum aparecer gente famosa por aqui. Nas redondezas, há muitos condomínios onde moram artistas da Globo e da Record. E o pessoal que frequenta a igreja é tranquilo, não importuna”, comentou uma fiel, pedindo para não ser identificada. Dany contou que essa foi sua primeira ida à Mananciais: “Sou muito religiosa e meu amigo sempre me convidava para vir. Senti vontade de conhecer, achei que poderia ouvir uma mensagem legal. E ouvi, valeu, foi bom! Fui criada no catolicismo e frequento muito a missa, também gosto do espiritismo. Para mim, o mais importante é a fé em Deus e se sentir bem ouvindo sempre coisas positivas e tendo paz de espírito. Amém!”.

“Amém”, “Aleluia” e “Yeah!” são expressões que pontuam cada trecho de pregação do pastor do dia. Entusiasmados, os fiéis erguem os braços com os punhos cerrados, em sinal de vitória; aplaudem; trocam o riso pelo choro em questão de segundos; sublinham a Bíblia e anotam num caderninho à parte os ensinamentos do líder religioso; ajoelham-se e oram fervorosamente, como que em transe. O discurso é sempre sobre um Deus bom, que se preocupa com seus filhos e realiza milagres. “Eu não sei qual é sua luta, meu irmão, mas você já venceu. Você não tem vontade de voar, assobiar, gritar, por estar nos braços D’ele?”, incentivou a pastora Aline Carvalho, fundadora da Igreja Mananciais ao lado do marido, o já citado pastor Ricardo. Também conhecida como Mama Aline, é uma figura engraçada, carismática e risonha, que estende seus domínios à internet, com vídeos dinâmicos no YouTube em que aborda questões de família e da vida cotidiana. Já de volta dos EUA, Aline liderou o culto em nossa segunda visita ao templo, e seu discurso girou em torno da rápida cura do marido, que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) durante as férias. Lá se vão quase duas horas de adoração.

Um hino animado encerra a noite, agora com a pastora ao microfone. Os fiéis se cumprimentam, com o semblante leve, já combinando a ida ao próximo culto, domingo de manhã. “Se eu não acordar com o despertador, porque o sábado promete, você me liga, hein, brother?”, despede-se o rapaz de seu parceiro de culto, ajeitando a franja. E segue para o estacionamento lotado, dando partida em um carro grande, do tipo utilitário.

Fundada em 2004, a Mananciais tem quatro unidades no Rio: além da Barra, há templos em Campo Grande, Bento Ribeiro e Duque de Caxias. Seu site oficial é estampado por uma foto do casal Ricardo e Aline acompanhado por seus três filhos pequenos e um texto onde se lê: “Acreditamos em uma igreja que é apaixonada pelo Senhor Jesus, que não negocia Seus valores e princípios. Buscando intensamente agradá-lo, e não importando o preço a ser pago, desejamos influenciar todas as esferas da sociedade através da expressão da cultura do Reino de Deus”.

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