PSICOLOGIA ANALÍTICA

BATIMENTOS CARDÍACOS PODEM ENGANAR PERCEPÇÕES

Pessoas muito sensíveis a seus estados internos, como a consciência da pulsação do próprio sangue, tendem a ser mais propensas a transtornos de ansiedade e pânico.

Batimentos cardíacos podem enganar percepções

Você sente seu coração batendo? A maior parte das pessoas não consegue, a menos que estejam agitadas ou com medo. Isso ocorre porque, em condições normais, o cérebro disfarça essa percepção para garantir um equilíbrio delicado e necessário: precisamos ser capazes de sentir o músculo cardíaco disparar ocasionalmente para reconhecer o medo ou a excitação. Porém, perceber o ritmo constante na maior parte do tempo nos distrairia demais ou até nos enlouqueceria. Atualmente, várias pesquisas sugerem, no entanto, que, devido à forma como o cérebro compensa (e disfarça) nossos batimentos, ele poderia estar vulnerável a ilusões sensoriais.

Cientistas de uma equipe do Instituto de Tecnologia Federal Suíço, em Lausanne, conduziram uma série de estudos com 143 participantes e constataram que os voluntários levavam mais tempo para identificar um objeto que “aparecia e sumia” quando surgia em sincronia com seus batimentos cardíacos. Utilizando uma ressonância magnética funcional, os especialistas notaram também que a atividade na ínsula, uma área cerebral associada à autopercepção, era suprimida quando as pessoas viam essas imagens sincronizadas.

Os pesquisadores que conduziram o estudo, publicado em maio de 2016 no Journal of Neuroscience, sugerem que o objeto era suprimido pelo cérebro, pois se “misturava” com todas as outras alterações do corpo que ocorrem com cada batimento cardíaco, das quais não nos damos conta: os olhos fazem movimentos minúsculos, a pressão ocular muda ligeiramente, o tórax se expande e se contrai. “O cérebro ‘sabe’ que o batimento é proveniente da própria pessoa, por isso é como se não se incomodasse com as consequências sensoriais desses sinais”, diz Roy Salomon, um dos a tores do estudo.

Outra pesquisa já havia mostrado que as pessoas percebem mais prontamente que um órgão ou membro de realidade virtual é realmente o seu próprio quando surge junto a um estímulo que “aparece e some” em sincronia com seus batimentos cardíacos. Na extremidade oposta do espectro estão resultados de estudos que revelam que as sensações cardíacas podem intensificar o processo de identificação de ameaças. Indivíduos detectam com mais facilidade imagens assustadoras que aparecem ao mesmo tempo que os batimentos cardíacos e as consideram mais intensas. Talvez em razão de um batimento cardíaco perceptível estar frequentemente associado ao medo e à ansiedade, o cérebro tende a confundir o estímulo sincronizado, como se estivesse associado à reação de estresse que nos impulsiona a lutar ou fugir. A descoberta ajuda a explicar por que as pessoas muito sensíveis a seus estados internos, incluindo a consciência de seus bati- mentos cardíacos, tendem a ser mais propensas a transtornos de ansiedade e pânico. Para a maioria de nós, porém, o coração continua sua labuta sem ser notado – e pode ser que as peculiaridades perceptuais relacionadas também não estejam sendo notadas.

Batimentos cardíacos podem enganar percepções.2

Anúncios

OUTROS OLHARES

TEMPO NOS GAMES: UMA QUESTÃO SOCIAL

Violência urbana, divórcios em escala e a falta de monitoramento sobre o comportamento dos adolescentes contribuem para o aumento do engajamento deles em jogos eletrônicos.

Tempo nos games - uma questão social

Em 2016, o mercado de games faturou mais de 99 bilhões de dólares. Atualmente, a indústria de jogos eletrônicos é terceira maior do mundo, perdendo em faturamento apenas para os segmentos bélico e automobilístico. Consumidores adolescentes são maioria, comparados com outros grupos etários. A preocupação maior desse grupo, comumente, é sobre o uso exagerado e aspectos associados à dependência do jogo. O consumo pode ser tão intenso que o jogador abre mão do convívio social para permanecer jogando. Em casos extremos, isso pode virar um transtorno, trazendo muitos prejuízos para o jogador e também para a família. Estudos sugerem que características psicológicas (por exemplo, extroversão, introversão), características sociodemográficas e relacionamento proximal familiar são variáveis que influenciam fortemente o tempo investido em um jogo eletrônico. Sabe-se, por exemplo, que a qualidade da relação entre pai e filho é inversamente proporcional ao tempo dedicado aos games. Dito de outro modo, quanto melhor é a relação estabelecida entre pais e filho, menor é o número de horas jogadas.

No entanto, em recente estudo publicado por pesquisadores da Universidade Nacional de Incheon, na Coreia do Norte, investigou outras variáveis até então não estudadas. Os cientistas utilizaram uma perspectiva sociológica para estudar o fenômeno, chamando atenção sobre como a organização e a estrutura da comunidade em torno do jogador podem influenciar o tempo despendido nos jogos pelos adolescentes. Por exemplo, jogadores residentes em bairros percebidos como menos seguros e pobres, e que expressam um desejo menor de continuarem vivendo ali, investem mais horas em jogos eletrônicos. Outra característica importante estudada foi a emigração e imigração de pessoas nas comunidades norte-americanas. Quanto maior é o entra e sai de pessoas em uma dada comunidade, maior é a probabilidade de os adolescentes jogarem por mais tempo. Sabiamente, os pesquisadores relacionaram essa taxa de movimentação comunitária com a taxa de divórcios – uma vez que essa é uma das causas principais da saída de um dos pais uma comunidade. O resultado não podia ser diferente: constatou-se que os adolescentes tendem a jogar um maior número de horas em regiões com maiores taxas de divórcio. A separação dos pais diminui a força de monitoramento e supervisão sobre o comportamento dos adolescentes.

A proporção de famílias monoparentais é uma das características estruturais que enfraquece a rede social local, pois segundo os pesquisadores norte-coreanos, pais solteiros não investem tempo e energia suficientes para participar da comunidade local – diminuindo a supervisão coletiva, realizada, inclusive pela vizinhança.

Nesse aspecto, é importante refletirmos sobre o efeito da maneira que nos organizamos socialmente nas grandes cidades. Uma lista aérea das regiões da cidade de São Paulo, por exemplo, sugere um verdadeiro paliteiro de construções desconexas. No final dos anos 1970, a cidade cresceu para todos os lados, sobretudo paro cima, mergulhando de cabeça no mercado multimilionário de condomínios. Diante do crescimento da violência urbana, as pessoas identificaram vantagens e se refugiaram no alto das torres – uma espécie de fortaleza protegida por muros, sem acesso à rua, crianças e adolescentes têm cada vez menos contato com outras pessoas de sua idade e perdem oportunidades importantes para se engajar em brincadeiras extremamente importantes para o desenvolvimento. É brincando que se desenvolvem emoções e   conhecimentos que serão necessários na fase adulta. Dentro das residências, os filhos trabalham apenas o “ego” e passam a lidar com sentimentos como frustração, empatia e solidariedade de uma forma mais automatizada e centrada no seu próprio ego. Por exemplo, não gostou, desliga a TV e o videogame. O mundo passa a ser observado como uma sequência de telas que podem ser detectadas, desfeitas ou até mesmo bloqueadas por meio do touch em uma tela.

Como se não bastasse isso, a taxa de divórcios cresce e, com os pais separados um do outro, a força de monitoramento sobre o comportamento dos adolescentes fica arrefecida, contribuindo para o aumento do engajamento dele em jogos eletrônicos. Uma das soluções propostas pelos autores da pesquisa é investir em programas de assistência social tanto para jovens como para os pais. Ampliar o leque de opções para diversão e entretenimento em espaços públicos. Aumentar a segurança social é outra proposta apresentada. Não há dúvida que esses pontos são essenciais, mas eles dependem bastante de investimentos governamentais e decisões que necessariamente não estão sob o nosso controle.

Então, o que fazer? Esperar o mundo mudar ou provocar pequenas mudanças na forma que agimos? Não há dúvida de que a segunda opção seja possível e a mais adequada, Mesmo com as demandas de uma vida atribulada, os pais podem criar regras para os filhos e também investir tempo em entender o mundo deles. O jantar, com certeza fica mais prazeroso se ao invés da conversa à mesa ser de cobrança de por que o filho não larga o videogame, ela passe a focar no que o jovem ou a criança acham sobre o conteúdo de alguns jogos, quais as suas sensações e percepções acerca das horas que passam ausente desse jogo e quais seus desejos como pessoa. Muitos pais podem ser surpreendidos com as respostas deles.

Tempo nos games - uma questão social.2

TIAGO B. EIGÊNIO – é mestre em Psicologia e Estudos do Comportamento Humano. É designer de aprendizagens na Rhyzos Educação e escreve sobre educação, tecnologias e Neurociências.

E-mail: tiagoeugenio20@gmail.com

Site: www.tiagoeugenio.com.br

GESTÃO E CARREIRA

A SÍNDROME DO SUCESSO

Trabalho colaborativo sobrecarrega os profissionais mais talentosos.

A síndrome do sucesso

A onda do trabalho colaborativo tomou conta das empresas na última década – graças aos e-mails, às videoconferências e aos aplicativos de smartphones. Colegas trocam figurinhas o tempo todo sobre as tarefas a resolver, mesmo que estejam em continentes e fusos horários diferentes. Embora exaltado como símbolo dos novos tempos, esse fenômeno está fazendo uma vítima: aquele funcionário mais capacitado e criativo, que passa a ser bombardeado com dúvidas e solicitações alheias, sendo impedido, em consequência, de trabalhar com calma e produzir mais. Por conta da pressão, ele acaba, muitas vezes, deixando a empresa. É o que um estudo publicado pela Harvard Business Review qualifica de “síndrome do sucesso”: quanto mais talentoso o profissional, mais tarefas sobram para ele.

Examinando empresas da lista da Fortune 500, os autores constataram uma tendência crescente nas empresas: a adoção de sistemas duplos de gestão. Traduzindo: os funcionários passaram a responder a dois chefes – uma necessidade surgida da complexidade cada vez maior das tarefas exigidas. É mais uma manifestação do tal trabalho cooperativo que, novamente, acaba colocando mais peso sobre os ombros dos talentosos – não bastasse a solicitação dos colegas, eles agora têm de se reportar a dois superiores. O curioso é que muitos líderes se confessavam surpresos com a queda de produtividade de seus talentos – até se darem conta de que eles estavam recebendo solicitações de todos os lados. Os autores sugerem que as empresas estabeleçam limites ao trabalho colaborativo, poupando os mais capazes de desvios de função.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 16: 1-6

Alimento diário

A Perseguição é predita. A conveniência da partida de Cristo

 

I – Cristo lida fielmente com seus discípulos quando os envia nas suas missões, pois lhes contou o pior para que pudessem se sentar e considerar o custo. Ele lhes tinha dito, no capítulo anteri01 que esperasse m o ódio do mundo. Agora aqui, nestes versículos:

1. Ele lhes dá um motivo pelo qual os alarmou, desta forma, com a expectativa de problemas: “Tenho-vos dito essas coisas para que vos não escandalizeis”, v. 1. 1. Os discípulos de Cristo podem se escandalizar com a cruz, e o escândalo da cruz é uma tentação perigosa, até mesmo para os bons homens, que os tenta a voltar as costas para os caminhos de Deus, ou para se afastar deles, ou para prosseguir pesadamente neles; para deixar, ou sua integridade, ou seu conforto. Não é por acaso que uma ocasião de sofrimento é chamada de “hora da tentação”.

2. Nosso Senhor Jesus, ao nos avisar sobre os problemas, pretendia remover o terror, para que eles não fossem uma surpresa para nós. De todos os adversários da nossa paz, neste mundo de dificuldades, nenhum nos insulta mais violentamente, nem nos deixa mais em desordem, do que os desapontamentos. Mas nós podemos receber facilmente um visitante que esperamos, e estando precavidos, estaremos armados com antecedência.

 

II – Ele prediz particularmente o que eles iriam sofrer (v. 2): “Os que detêm o poder, ‘expulsar-vos-ão das sinagogas’. E isto não é o pior, eles os matarão”. Eis que há duas espadas sacadas contra os seguidores do Senhor Jesus.

1. A espada da reprovação eclesiástica. Ela é sacada, contra eles, pelos judeus, pois eles eram os únicos pretendentes ao poder da igreja. Eles “expulsar-vos-ão das sinagogas”, eles irão excomungá-los.

(1) “Eles irão expulsá-los das sinagogas das quais vocês são membros”. A princípio, eles os açoitaram nas suas sinagogas, por serem pessoas que desprezavam a lei (Mateus 10.17), e no final, os expulsaram, por serem incorrigíveis.

(2) “Eles irão expulsá-los da congregação de Israel em geral, a igreja nacional dos judeus. Irão negar-lhes os privilégios desta igreja, e os colocarão na condição de criminosos”, golpeados na cabeça, como outro lobo. Eles os considerarão como samaritanos, como homens pagãos e publicanos. Eu proíbo a você o uso de água e fogo. E, se não fosse pelas punições, confiscas e anulações, que ocorreram consequentemente, não seria nenhuma ofensa ser expulso, desta maneira, de uma casa infectada e decadente. Observe que sempre foi o destino dos discípulos de Cristo serem injustamente excomungados. Muitas boas verdades foram consideradas anátemas, e muitos filhos de Deus foram entregues a Satanás.

2. A espada do poder civil: “A ocasião é chegada, a hora é chegada. Agora, provavelmente, as coisas serão piores para vocês do que têm sido até agora. Quando vocês forem expulsos como hereges, eles os matarão, e pensarão estar fazendo um serviço a Deus, e muitos outros pensarão a mesma coisa”.

(1) Vocês perceberão que eles são realmente cruéis: eles os matarão. As ovelhas de Cristo eram consideradas como ovelhas para o matadouro. Os doze apóstolos (nós sabemos) foram todos mortos, exceto João. Cristo tinha dito (cap. 15.27): “Vós… testificareis”, vós sereis mártires, selareis a verdade com vosso sangue, o sangue do vosso coração.

(2) Vocês perceberão que eles são, aparentemente, conscienciosos. Eles julgarão fazer um serviço a Deus. Eles parecerão oferecer um bom sacrifício a Deus. Assim como aqueles que expulsavam os servos de Deus antigamente, e diziam: “O Senhor seja glorificado”, Isaías 66.5. Observe:

[1] É possível que aqueles que são verdadeiros inimigos do serviço a Deus finjam ter um zelo vigoroso por ele. A obra do Diabo, muitas vezes, foi feita usando o uniforme de Deus, e um dos mais perversos inimigos que o cristianismo jamais teve esteve no templo de Deus. Na verdade:

[2] É comum tratar com condescendência a um inimigo do Evangelho, sob o pretexto de um dever para com Deus, e um serviço à sua igreja. O povo de Deus sofreu as maiores aflições por parte de perseguidores conscienciosos. Paulo realmente pensava que tinha que fazer o que fez, contra o nome de Jesus. Isto não diminui, em nada, o pecado dos perseguidores, pois as vilanias nunca serão consagradas, ainda que lhes seja atribuído o nome de Deus. Mas acentua os sofrimentos dos perseguidos o fato de que morram considerados inimigos de Deus. Porém, no grande dia, haverá uma ressurreição pessoal e individual, que incluirá nomes e corpos.

 

III – Ele lhes dá a verdadeira razão da inimizade e da ira do mundo contra eles (v. 3): “Isso vos farão’’, não porque vós lhes tendes feito qualquer mal, mas ‘porque não conheceram ao Pai nem a mim’. Que o fato de que ninguém será inimigo de vocês, exceto os piores homens, possa consolar vocês”. Observe:

1. Muitos que fingem conhecer a Deus são desgraçadamente ignorantes sobre Ele. Aqueles que fingem servir a Deus pensam que o conhecem, mas, na verdade, têm uma noção errada a respeito dele. Israel traspassou o concerto, e ainda clamou: “Deus meu! Nós, Israel, te conhecemos”, Oséias 8.1,2.

2. Aqueles que são ignorantes a respeito de Cristo não podem ter nenhum conhecimento correto a respeito de Deus. Em vão, os homens fingem conhecer a Deus e ao Evangelho, enquanto desprezam a Cristo e ao cristianismo.

3. São realmente muito ignorantes a respeito de Deus e de Cristo aqueles que julgam que a perseguição das pessoas boas seja um serviço aceitável à Divindade. Aqueles que conhecem a Cristo sabem que Ele “não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las”; que Ele governa pelo poder da verdade e do amor, e não do fogo e da espada. Não há igreja tão perseguidora como aquela que faz da ignorância a mãe da devoção.

 

IV – Ele lhes diz por que lhes deu este aviso agora, e por que não o fez antes.

1. Ele lhes diz isto agora (v. 4), não para desencorajá-los, ou aumentar seu sofrimento atual. Também não lhes falou do perigo que corriam para que pudessem planejar como evitá-lo, mas para que, quando chegasse “aquela hora” (e podem ter a certeza de que ela chegaria), eles se lembrassem de que o Senhor já lhes tinha falado sobre ela. Observe que, quando chega a hora do sofrimento, é útil que nos lembremos daquilo que Cristo nos disse sobre este.

(1) Ele lhes diz isto agora para que nossa fé na previsão e na fidelidade de Cristo possa ser confirmada. E:

(2) Para que as dificuldades possam ser menos dolorosas, pois já nos foi falado sobre elas anteriormente, e para que nos dediquemos à nossa profissão de fé na expectativa delas, de modo que elas não sejam uma surpresa, nem sejam interpretadas como um mal que nos é feito. Assim como Cristo, nos seus sofrimentos, também seus seguidores, nos seus sofrimentos, objetivam o cumprimento das Escrituras.

2. Por que Ele não lhes contou isto antes: “Eu não vos disse isso desde o princípio”, quando nos conhecemos, “porque estava convosco”.

(1) Enquanto estava com eles, Ele suportava o choque da maldade do mundo, e permanecia na linha de frente da batalha. Contra Ele, os poderes das trevas apontaram toda a sua força, não contra pequenos ou grandes, mas somente contra o rei de Israel. Ele não tinha necessidade de falar tanto aos discípulos sobre os sofrimentos, porque eles não tinham grande participação neles. Mas descobrimos que, desde o princípio, Ele lhes pedia que se preparassem para os sofrimentos. E, portanto:

(2) Isto parece indicar a promessa de “outro consolador”. Ele tinha lhes falado pouco sobre isto no início, porque Ele mesmo estava com eles, para instruí-los, orientá-los e consolá-los, e então não precisavam da promessa da presença extraordinária do Espírito. Os filhos da câmara nupcial não têm tanta necessidade de um consolador, até que o esposo seja retirado.

 

V – Jesus expressa uma preocupação muito afetuosa com a atual tristeza dos seus discípulos, por causa do que Ele lhes tinha dito (vv. 5,6): “Agora Eu não devo mais ficar convosco, mas devo seguir meu caminho em direção ‘àquele que me enviou’, para repousar ali, depois desta fadiga. ‘E nenhum de vós me pergunta’, com alguma coragem: ‘Para onde vais?’ Mas, em vez de procurar o que poderia consolar-vos, vós vos aprofundais no que parece melancólico, e o ‘vosso coração se encheu de tristeza”‘.

1. Ele lhes tinha dito que estava prestes a deixá-los: ”Agora, vou”. Ele não era afastado pela força, mas partia voluntariamente. Sua vida não era extraída dele, mas entregue por Ele. Ele foi para aquele que o enviou, para prestar contas da sua obra. Assim, quando nós partirmos deste mundo, nós iremos para aquele que nos enviou a ele, e isto deveria nos fazer, a todos, interessados em viver com bons objetivos, lembrando que temos uma tarefa que nos foi confiada, que deve ser desempenhada até um dia determinado.

2. Ele lhes tinha advertido sobre as dificuldades que sofreriam quando Ele tivesse partido, e que não deveriam esperar uma vida tão tranquila como a que tinham tido. Consequentemente, se este era o legado que Ele tinha para deixar a eles, que tinham deixado tudo por Ele, eles seriam tentados a pensar que tinham feito um mau negócio, e estavam, nesta ocasião, em consternação, em razão do que seu Mestre se solidariza com eles, mas ainda assim os repreende:

(1) Porque eles não se preocuparam com o consolo, e não se mobilizaram para procurá-lo: “Nenhum de vós me pergunta: Para onde vais?” Pedro tinha feito esta pergunta (cap. 13.36), e Tomé a tinha repetido (cap. 14.5), mas eles não perseveraram, eles não prestaram atenção à resposta. Eles estavam no escuro, no que dizia respeito a ela, e não investigaram nem procuraram um esclarecimento mais completo. Eles não continuaram a procurar, não continuaram batendo. Veja que Mestre misericordioso é Cristo, e corno Ele é condescendente com os fracos e ignorantes. Muitos professores não toleram que o aprendiz faça a mesma pergunta duas vezes. Se ele não consegue entender algo rapidamente, que continue sem entendê-lo. Mas nosso Senhor Jesus sabe corno lidar com as crianças, que devem ser ensinadas “mandamento sobre mandamento”. Se os discípulos aqui tivessem percebido que a partida de Jesus visava o progresso do seu Evangelho (Pois, por que seriam eles contra este progresso?) e o próprio progresso deles, seu afastamento deles e os sofrimentos deles por Ele não deveriam perturbá-los de urna maneira incomum. Pois uma visão de Jesus à direita de Deus seria um incentivo eficaz para eles, assim como o foi para Estêvão. Observe que uma investigação, com fé e humildade, dos desígnios e das tendências das mais obscuras dispensações da Providência nos ajudaria a nos reconciliarmos com elas, e nos faria sofrer menos, e temer menos, por sua causa. Isto nos faria deixar de perguntar: De onde eles vêm? E nos satisfaria abundantemente perguntar: Para onde eles vão? Pois sabemos que estas coisas contribuem para o bem, Romanos 8.28.

(2) Porque eles estavam excessivamente concentrados nos motivos da sua tristeza: “O vosso coração se encheu de tristeza”. Cristo tinha dito o suficiente para enchê-los de alegria (cap. 15.11). Mas, olhando somente para aquilo que lhes era contrário, e não para aquilo que era feito por eles, eles ficaram tão cheios de tristeza, que não havia espaço para a alegria. Observe que a falha e a tolice comum de cristãos melancólicos consiste em permanecerem no lado escuro da nuvem, para meditar somente no terror, e fazer-se de surdos para a voz de gozo e de alegria. Aquilo que enchia os corações dos discípulos de tristeza, e impedia a operação dos estímulos que Cristo administrava, era um afeto excessivamente grande por esta vida atual. Eles estavam cheios de esperanças com o reino e a glória externos do Mestre, além da esperança de que brilhariam e reinariam com Ele, e, consequentemente, ao invés disto, ouvir nada além de obrigações e aflições os enchia de tristeza. Nada atrapalha mais nossa alegria em Deus do que o amor pelo mundo, e a “tristeza do mundo” é a consequência.