PSICOLOGIA ANALÍTICA

GRUPOS DESCOBREM MENTIRAS MAIS RÁPIDO DO QUE UMA PESSOA SOZINHA

Durante estudo, equipes detectaram a falsidade até 62% mais rápido do que voluntários que desempenhavam a tarefa sozinhos.

Grupos descobrem mentiras melhor que uma pessoa sozinha

Nem sempre somos suficientemente habilidosos para identificar quando alguém conta uma lorota. A menos que estejamos a par de informações que contradizem diretamente uma falsa história, pesquisas já mostraram que, em média, percebemos apenas metade das mentiras que nos contam. Mas em equipe podemos ser mais perspicazes para descobrir se alguém está tentando esconder a verdade. Pelo menos é o que mostra um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, USA. Cientistas constataram, porém, que isso só ocorre quando os membros do grupo se consultam entre si antes de chegar a uma conclusão.

O psicólogo Nicholas Epley, pesquisador da área de negócios, e o doutorando Nadav Klein, ambos da Universidade de Chicago, realizaram quatro experimentos para comparar a percepção da mentira de pessoas sozinhas ou acompanhadas. Em cada cenário, centenas de voluntários foram distribuídos em grupos de três para assistir a uma série de dez clipes de vídeo que apresentavam alguns oradores que diziam a verdade e outros que tentavam enganá-los.

Então, os participantes ponderaram sobre quais acreditavam estar simulando – alguns julgaram individualmente e de imediato, enquanto outros optaram por discutir o caso com os membros da    equipe antes de tudo. Em todos os cenários, os grupos tiveram vantagem e detectaram mentiras em até 62% do tempo em comparação com os que agiram de forma independente.

Os pesquisadores acreditam que os resultados não se resumem ao chamado efeito da “sabedoria popular” porque julgamentos não ajudaram a aumenta a habilidade para detectar engodos – isso só acontece quando houve discussão e várias opiniões foram consideradas. Os cientistas suspeitam que haja elementos sinérgicos envolvidos e pretendem aprofundar os estudos para compreender as condições e características grupais que favorecem esse fenômeno.

“As conclusões não significam, necessariamente, que avaliações grupais sejam mais eficientes do que individuais”, pondera Epley. Mas enfatiza que os resultados sugerem a importância de discussões em equipe em locais onde somos convidados a apurar mentiras – de deliberações em um júri a investigações de fraudes de seguro.

Grupos descobrem mentiras melhor que uma pessoa sozinha..2

OUTROS OLHARES

ANGÚSTIA DESNECESSÁRIA

O futuro dos filhos não depende tanto assim das escolas

Angústia desnecessária

Dezembro nem chegou e muitas famílias já estão às voltas com o ano escolar de 2019. Não é pequeno o número de pais que estão naquela maratona de visitas, de dúvidas e de angústias a respeito de qual escola escolher para seus filhos frequentarem. Confirmar ou não a matrícula na escola atual? Qual será a melhor metodologia utilizada pelas instituições para desenvolver o interesse e o gosto dos filhos pelos estudos? O ranking do Enem deve servir como norteador ou não? Quanto devo espremer o orçamento familiar para nele caber a alta mensalidade de uma escola muito conceituada? A arquitetura escolar é decisiva para o aprendizado dos alunos ou o equipamento escolar não tem tanta importância assim no estimulo aos estudos? Trocar de escola pode atrapalhar a vida de meu filho?

Perguntas como essas – e outras bem diferentes – surgem para os pais, que logo partem em busca de auxílio para definir que aspectos priorizar nessa decisão. Na internet por exemplo, ao colocar o tema para busca, de imediato surgem centenas de resultados – alguns recentes e outros nem tanto-, com títulos muito sedutores. Por exemplo: “Como escolher a melhor escola para seu filho em oito passos”‘ ou As dez dicas que você precisa para escolher a escola para seu filho”. Após lerem três ou quatro desses textos – poupe seu precioso tempo, leitor! -, alguns pais saem à procura de ajuda mais sofisticada, como bibliografia. Afinal, como escolher entre métodos tradicionais, construtivistas, montessorianos etc., se não os conhecem? Outros pais, depois de cuidadosa leitura, se veem no mesmo lugar onde já estavam antes.

Mas e aí? O que os pais devem levar em conta na hora de escolher a escola para os filhos já que, segundo dizem, disso dependerá o futuro deles? Para começar, é bom saber que todas as perguntas aqui exemplificadas – e as que não foram citadas também – não têm resposta certa, embora as escolas insistam em querer uma resposta correta para cada pergunta, não é mesmo?

Vale também saber que, entre escolher a melhor escola para seu filho e fazer a melhor escolha possível neste momento, a segunda alternativa é a realista. E a melhor escolha possível precisa ser banhada de realidade. Nenhuma criança ou adolescente merece ficar mais de uma hora no trânsito paira ir para a escola porque a família acha que a escola mais distante é a melhor. E nenhuma família deve se endividar por causa da mensalidade escolar, se há possibilidades mais condizentes com a disponibilidade financeira do momento.

É fundamental saber que, em toda escolha, podemos cometer equívocos que só vão emergir depois de iniciada a jornada. Faz parte da vida errar e revisar as escolhas feitas. Sem arrependimentos. O futuro dos filhos não depende tanto assim das escolas que frequentam. Pois eles irão – deverão, até! – superar esse período, por melhor ou pior que ele tenha sido.

Por isso, opte pela escola que mais lhe agradou e inspirou confiança, que é acessível à família pelo orçamento disponível, mais próxima do que distante da casa onde moram ou por outros motivos que considerar importantes. Você poderá errar nessa escolha? Certamente. Mas, em matéria de filhos, é fundamental saber previamente que erraremos de qualquer maneira, sempre.

GESTÃO E CARREIRA

O PARADOXO DA TOMADA DE DECISÃO

Queremos ter sempre várias opções à mão. Mas esse excesso limita nossas escolhas.

Business person choosing between two options separated by a yell

Na hora de tomar muitas decisões profissionais, um conselho recorrente que se ouve é: não feche portas, não queime pontes. Afinal, quem não quer ter um “plano B”? A ideia é que não há custo nenhum em manter algumas opções sempre abertas. Mas será mesmo?

De um modo geral, seja para lidar com finanças ou com nossas vidas pessoais, temos dificuldades para tomar decisões quando estamos diante de muitas alternativas. De certa maneira, é um paradoxo interessante: queremos ter a liberdade de muitas possibilidades, mas é justamente o excesso de opções que acaba nos limitando.

O dilema acontece até mesmo em situações corriqueiras. Se você estiver interessado em comprar um carro novo, por exemplo, a variedade de marcas no mercado vai ajudar a colocar uma gama extensa de possibilidades dentro da faixa de valores que você esteja disposto a gastar. Ainda que você seja um grande negociador e consiga fechar uma boa compra, se o seu vizinho aparecer com um carro novo também, certamente você ficará se questionando sobre quem fez o melhor negócio.

Em tempos de crise, o dilema das diversas possibilidades deixa investidores ainda mais ansiosos. O mercado está cheio de opções para investir, mas como decidir qual delas é a mais segura? Em quais delas eu me arrisco menos? Será que o retorno por arriscar menos vai valer a pena no futuro? Devo ter o sangue frio de me expor a um risco maior agora visando lucros em longo prazo? Com todo o clima de incerteza que paira no ar, o investidor dorme com as dúvidas fervendo-lhe a cabeça e o dinheiro embaixo do colchão. O problema é que a crise econômica não vai arrefecer de uma hora para a outra somente para facilitar sua decisão. Ainda que você tenha medo, dinheiro parado representa prejuízo e ele espera que você tome uma atitude.

A situação pode ser comparada a um trecho interessante do livro A Redoma de Vidro, da escritora norte-americana Sylvia Plath. Ela fala sobre um personagem que está embaixo de uma figueira cheia de frutos bem maduros. Em cada um deles, havia a possibilidade de um futuro diferente. Em um figo tinha um casamento feliz, filhos. No outro, uma carreira brilhante. Em outro figo, ela enxergava viagens para diferentes países. Diante de tantas possibilidades e sem conseguir decidir, morria de fome e via os figos murcharem, um por um.

De nada adianta ter uma infinidade de opções se você não puder escolher uma delas. Cada decisão tomada traz vantagens e riscos. Quando as opções são parecidas, optar entre uma LCI e um CDB, por exemplo, pode parecer uma tarefa dura. Inevitável se questionar: será que eu fiz a escolha certa? No entanto, esta situação vira um problema quando você, paralisado pelo excesso de opções, acaba não escolhendo nada e deixa o dinheiro esquecido na poupança. Oportunidades não surgem a todo instante – é preciso ter a sabedoria para aproveitá-las. Não deixe que a possibilidade de crescimento financeiro seja um figo murcho em sua vida.

Pondere suas decisões, esteja ciente dos riscos que ela oferece e não gaste energia pensando se deveria ter agido de modo diferente. O fato de ter muitas opções não significa que podemos ter tudo ao mesmo tempo. Isso é uma ilusão.

  

SAMY DANA é economista, doutor em administração e Ph.D. em Negócios. Professor na Eaesp/FGV, autor de livros e consultor, é também comentarista dos programas Conta Corrente, da Globo News, e Hora 1, na Globo. É colunista da Rádio Globo e do G1.

 

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 15: 1-8

Alimento diário

Cristo, a Videira Verdadeira

Aqui Cristo fala a respeito dos frutos, dos frutos do Espírito, que seus discípulos deveriam produzir, de forma semelhante a uma videira. Observe aqui:

 

I – A doutrina desta comparação. Que noção que devemos ter dela.

1. Que Jesus Cristo é a videira, a videira verdadeira. O fato de Cristo se alegrar de falar de si mesmo com tais comparações inferiores e humildes é um exemplo da sua humildade. Ele, que é o Sol da Justiça, e a resplandecente Estrela de manhã, se compara com uma videira. A igreja, que é o corpo místico de Cristo, é uma videira (Salmos 80.8), e Cristo, que é a semente da igreja, também é uma videira. Cristo e a igreja são apresentados desta maneira.

(1) Ele é a videira, plantada na vinha, e não um produto espontâneo; plantada na terra, pois Ele é o Verbo feito carne. A videira não tem uma aparência externa tão bela e promissora, e Cristo não tem parecer nem formosura, Isaías 53.2. A videira é uma planta que se propaga, e Cristo será conhecido como a salvação até os confins da terra. O fruto da videira honra a Deus e alegra os homens (Juízes 9.13), e também o fruto da mediação de Cristo. É melhor do que o ouro, Provérbios 8.19.

(2) Ele é a videira verdadeira, assim como a verdade se opõe ao fingimento e à falsidade. Ele é realmente uma planta frutífera, uma planta de excelente reputação. Ele não é como aquela parra brava, que enganava àqueles que colhiam dela (2 Reis 4.39), mas uma videira verdadeira. Diz-se que as árvores infrutíferas mentem (Habacuque 3.17, marg.), mas Cristo é uma videira que não irá enganar. Qualquer que seja a excelência que exista em qualquer criatura útil ao homem, isto é apenas uma sombra daquela graça que há em Cristo, pelo bem do seu povo. Ele é aquela videira verdadeira, tipificada pela videira de Judá, que o lavou com o sangue das uvas (Genesis 49.11), pela videira de José, cujos ramos correm sobre o muro (Genesis 49.22), e pela videira de Israel, sob a qual ele habitava seguro, 1 Reis 4.25.

2. Que os crentes são os ramos desta videira, o que indica que Cristo é a raiz da videira. A raiz não pode ser vista, e nossa vida está escondida com Cristo. A raiz sus­ tenta a árvore (Romanos 9.18), distribui seiva a ela, e contribui integralmente para seu florescer e frutificar, e em Cristo estão todos os sustentas e nutrientes. Os ramos da videira são muitos, alguns de um lado da casa ou muro, outros do outro lado, mas, como se encontram na raiz, formam todos uma única videira. Assim, todos os bons cristãos, embora distantes uns dos outros, em lugares e opiniões, ainda assim se encontram em Cristo, o centro da sua unidade. Os crentes, como os ramos da videira, são fracos, e não conseguem se sustentar, mas como os ramos, são sustentados. Veja Ezequiel 15.2.

3. Que o Pai é o lavrador, o agricultor. Embora a terra seja do Senhor, ela não lhe produz frutos, a menos que Ele trabalhe nela. Deus tem não somente a propriedade da videira e de todos os ramos, mas também o cuidado deles. Ele plantou, e regou, e fez crescer, pois nós somos cooperadores de Deus, 1 Coríntios 3.9. Veja Isaías 5.1,2; 27.2,3. Ele cuidou de Cristo, a raiz, e o sustentou, e o fez florescer em uma terra seca. Ele cuida de todos os ramos, e os poda, e os vigia, para que nada os danifique. Nunca houve um lavrador tão prudente, tão vigilante, com sua videira, como Deus é com sua igreja, que, desta maneira, deve necessariamente prosperar.

 

II – O dever que nos é ensinado com esta comparação, que é produzir frutos, e, para isto, permanecer em Cristo.

1. Nós devemos produzir frutos. De uma videira, nós esperamos uvas (Isaias 5.2), e de um cristão, nós esperamos cristianismo. Este é o fruto, um temperamento e uma disposição cristãos, uma vida e costumes cristãos, devoções cristãs e desígnios cristãos. Nós devemos honrar a Deus, e fazer o bem, e exemplificar a pureza e o poder da religião que professamos. E isto é produzir frutos. Os discípulos aqui devem ser frutíferos, como cristãos, em todos os frutos da justiça, e como apóstolos, difundindo o cheiro do conhecimento de Cristo. Para persuadi-los a isto, Ele explica:

(1) O destino dos infrutíferos (v. 2): são tirados.

[1] Aqui está indicado que há muitos que se passam por ramos em Cristo que não dão frutos. Se realmente estivessem unidos a Cristo, pela fé, dariam frutos. Mas, estando ligados a Ele somente por uma profissão externa, embora pareçam ser ramos, logo se verá que são ramos secos. Os adeptos infrutíferos são adeptos infiéis. São somente adeptos, e nada mais. Podemos interpretar da seguinte maneira: Toda vara que não dá fruto em mim, e que dá fruto para si mesma. Pois aquelas que não dão frutos em Cristo, e no seu Espírito e na sua graça, são como se não dessem frutos, Oséias 10.1.

[2] Aqui está a ameaça de que eles serão tirados, como justiça para eles e como bondade para o restante dos ramos. Pois daquele que não tem uma união real com Cristo, e frutos produzidos por meio disso, até o que parece ter lhe será tirado, Lucas 8.18. Alguns pensam que isto se refere, originalmente, a Judas.

(2) A promessa feita aos frutíferos: Ele os limpa, par a que deem mais frutos. Observe que:

[1] Uma maior produtividade é a recompensa abençoada da produtividade entusiasmada. A primeira bênção foi: Frutificai. E ainda é uma grande bênção.

[2] Até mesmo os ramos frutíferos, para continuar sendo frutíferos, têm necessidade de serem limpos ou podados, Ele remove aquilo que é supérfluo e exuberante, que atrapalha seu crescimento e sua produtividade. Até mesmo os melhores podem ter em si aquilo que é prejudicial, algo que deve ser removido, algumas noções, paixões ou sentimentos que precisam ser eliminados, o que Cristo prometeu fazer pela sua palavra, pelo seu Espírito e pela sua providência. E estes problemas serão removidos gradualmente, nas ocasiões apropriadas.

[3] A poda dos ramos frutíferos, para sua maior produtividade, é a preocupação e o trabalho do grande lavrador, para sua própria glória.

(3) Os benefícios que os crentes têm com a doutrina de Cristo, cujo poder eles devem se empenhar para exemplificar em uma vida frutífera: “Vós já estais limpos”, v. 3.

[1] O grupo deles estava limpo, agora que Judas tinha sido expulso por aquela frase de Cristo: “O que fazes, faze-o depressa”. Pois, até que tivessem se livrado dele, eles não estariam completamente limpos. A palavra de Cristo é uma palavra diferenciadora, e separa o precioso do vil. Ela irá purificar a igreja dos primogênitos no grande dia da separação.

[2] Cada um deles estava limpo, isto é, santificado, pela verdade de Cristo (cap. 17.17). A fé pela qual eles receberam a palavra de Cristo purificou seus corações, Atos 15.9. O Espírito da graça, pela palavra, os purificou da sujeira do mundo e da carne, e eliminou deles o fermento dos escribas e fariseus, do qual, quando viram a ira e inimizade deles contra seu Mestre, agora estavam completamente limpos. Aplique isto a todos os crentes. A palavra de Cristo é transmitida a eles. Existe uma virtude purificadora na sua palavra, enquanto ela opera graça e elimina a corrupção. Ela purifica, como o fogo purifica o ouro dos seus dejetos, e como um médico purifica o corpo da sua enfermidade. Nós, então, evidenciamos que estamos purificados pela palavra quando produzimos frutos em santidade. Talvez aqui haja uma alusão à lei a respeito das videiras em Canaã. Seu fruto era impuro, e incircunciso, nos primeiros três anos depois que ela tivesse sido plantada, e no quarto ano ele se destinava à santidade, para dar louvores ao Senhor. E então ele seria puro, Levíticos 19.23,24. Os discípulos tinham já estado durante três anos sob as instruções de Cristo, e agora estavam limpos: “Vós já estais limpos”.

(4) A glória que resultará a Deus pela nossa produtividade, com o consolo e a honra que nos sobrevirão, v. 8. Se nós produzirmos muitos frutos:

[1] Nisto nosso Pai será glorificado. A produtividade dos apóstolos, no cumprimento diligente do seu trabalho, seria para a glória de Deus na conversão das almas, e na oferta delas a Ele, Romanos 15.9,16. A produtividade de todos os cristãos, em uma esfera inferior ou pequena, é para a glória de Deus. Com as obras eminentemente boas dos cristãos, muitos são levados a glorificar o nosso Pai que está no céu.

[2] Assim, nós realmente seremos discípulos de Cristo, aceitos como tal e demonstrando que somos real­ mente aquilo que dizemos ser. Assim, evidenciaremos nosso discipulado e o embelezaremos, para sermos do nosso Mestre “por nome, e por louvor, e por glória”, isto é, verdadeiros discípulos, Jeremias 13.11. Assim, nós se­ remos reconhecidos pelo nosso Mestre no grande dia, e teremos a recompensa dos discípulos, uma participação no gozo do nosso Senhor. E, quanto mais frutos produzirmos, mais abundantes formos naquilo que é bom, mais Ele será glorificado.

2. Para nossa produtividade, nós devemos permanecer em Cristo, devemos conservar nossa união com Ele, pela fé, e fazer tudo o que pudermos pelo Evangelho, em virtude desta união. Aqui temos:

(1) O dever imposto (v. 4): “Estai em mim, e eu, em vós”. Observe que o grande e constante interesse de todos os discípulos de Cristo consiste em conservar uma dependência de Cristo e a comunhão com Ele, unir-se a Ele habitualmente, e efetivamente obter nutrientes dele. Aqueles que vêm a Cristo devem permanecer nele: “Estejam em mim, pela fé, e Eu, em vocês, pelo meu Espírito. Permaneçam em mim, e não temam, pois Eu estarei em vocês”. A comunhão entre Cr isto e os crentes nunca falha, por parte dele. Nós devemos permanecer na palavra de Cristo por uma consideração por ela, e ela, em nós, como uma luz para nossos pés. Nós devemos permanecer nos méritos de Cristo como nossa justiça e defesa, e Ele, em nós, como nosso sustento e consolo. O galho está ligado na videira, e a seiva da videira está no galho, e, desta maneira, existe uma comunicação constante entre eles.

(2) A necessidade da nossa permanência em Cristo, para sermos produtivos (vv. 4,5): “Vós não podeis dar frutos, a menos que estejais em mim. Mas, se estiverdes em mim, dareis muitos frutos, pois, em resumo, ‘sem mim’, ou separados de mim, ‘nada podereis fazer”. Tão necessário é, para nosso consolo e para nossa felicidade, que produzamos frutos, que o melhor argumento para nos convencer a permanecer em Cristo é o fato de que, se não for assim, não poderemos dar frutos.

[1] É necessário estarmos em Cristo para que possamos fazer o bem, em grande quantidade. Aquele que é constante no exercício de fé em Cristo e no amor por Ele, que vive segundo suas promessas e é conduzido pelo seu Espírito, produz muito fruto, é muito útil para a glória de Deus, e para sua própria prestação de contas no grande dia. Observe que a união com Cristo é um princípio nobre, produtivo de todo o bem. Uma vida de fé no Filho de Deus é incomparavelmente a vida mais excelente que alguém pode viver neste mundo. É uma vida regular e uniforme, pura e celestial. É útil e confortável, e tudo o que corresponde ao fim da vida.

[2] É necessário estarmos em Cristo para que possamos fazer qualquer bem. Não é somente um meio de cultivar e aumentar o bem que já existe em nós, mas é a raiz e a fonte de todo o bem: “‘Sem mim nada podereis fazer’. Não somente não poderão fazer nada grandioso, curar os enfermos ou ressuscitar os mortos, mas realmente nada”. Observe que nós temos uma dependência necessária e constante da graça do Mediador, para todas as ações da vida espiritual e divina, assim como temos da providência do Criador, para todas as ações da vida natural, pois, quanto a ambas, é o poder divino que faz com que possamos viver, e nos mover, e existir. Fora dos méritos de Cristo, não poderemos fazer nada para nossa justificação, e sem o Espírito de Cristo, nada poderemos fazer para nossa santificação. Sem Cristo, não poderemos fazer nada corretamente, nada que seja um fruto agradável a Deus ou proveitoso para nós mesmos, 2 Coríntios 3.5. Nós dependemos de Cristo, não somente como uma videira depende do muro, para ter seu suporte, mas como o ramo depende da raiz, para ter a seiva que lhe dá alimento e vida.

(3) As consequências fatais de abandonar a Cristo (v. 6): “Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará”. Esta é uma descrição do terrível estado dos hipócritas, que não estão em Cristo, e dos apóstatas, que não permanecem em Cristo.

 

[1] Eles são lançados fora, como ramos secos e murchos, que são arrancados porque sobrecarregam a árvore. É justo que não se beneficiem de Cristo aqueles que pensam que não precisam dele, e que aqueles que o rejeitam sejam rejeitados por Ele. Aqueles que não estão em Cristo serão abandonados por Ele. Eles são deixados à sua própria sorte, para caírem em pecados escandalosos, e então são, com razão, arrancados da comunhão dos crentes fiéis.

[2] Eles secarão, como um ramo arrancado da árvore. Aqueles que não permanecem em Cristo, embora possam florescer durante algum tempo, em uma profissão plausível, ou, pelo menos, aceitável, ainda assim, dentro de pouco tempo, murcham e se reduzem a nada. Suas porções e seus dons murcham. Seu zelo e sua devoção murcham. Sua credibilidade e reputação murcham. Suas esperanças e consolações murcham, Jó 8.11-13. Observe que aqueles que não produzem frutos, dentro de pouco tempo já não terão folhas. Como secou imediatamente a figueira que Cristo amaldiçoou!

[3] Os homens “os colhem”. Os agentes e emissários de Satanás os colhem e fazem deles sua presa fácil. Aqueles que se afastam de Cristo, logo se aproximam dos pecadores, e o Diabo está pronto para capturar para si mesmo a ovelha que se afasta do rebanho de Cristo. Quando o Espírito do Senhor se afastou de Saul, um espírito imundo se apossou dele.

[4] Eles os “lançam ao fogo”, isto é, eles são lançados ao fogo. E aqueles que os seduzem e os atraem são os que, na verdade, os lançam ali, pois eles os tornam filhos do inferno. O fogo é o lugar mais adequado para os ramos murchos, pois eles não ser vem para nada além disto, Ezequiel 15.2-4.

[5] Eles “ardem”. Esta é a consequência natural, mas aqui está acrescentada de modo muito enfático, e torna a ameaça terrível. Eles não serão consumidos em um momento, como espinhos debaixo de uma panela (Eclesiastes 7.6), mas, eles arderão para sempre em um fogo, que não somente não poderá ser apagado, mas que nunca se extinguirá. Este é o resultado de abandonar a Cristo, este é o fim das árvores estéreis. Os apóstatas são duas vezes mortos (Judas. 12), e quando se diz: “São lançados ao fogo e ardem”, isto significa que são condenados duas vezes. Alguns interpretam a imagem dos homens colhendo estes ramos (v. 6) como sendo o ministério dos anjos no grande dia, quando coletarão do reino de Cristo todas as coisas que o ofendem, e colherão o joio e o lançarão no fogo.

(4) O bendito privilégio daqueles que permanecem em Cristo (v. 7): Se “as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes” ao meu Pai, em meu nome, “e vos será feito”. Veja aqui:

[1] Como nossa união com Cristo é mantida – pela Palavra: “Se vós estiverdes em mim”. Ele tinha dito antes: “E eu, em vós”. Aqui Ele se explica: “E as minhas palavras estiverem em vós”. Pois é na palavra que Cristo se apresenta diante de nós, e é oferecido a nós, Romanos 10.6-8. É através da palavra que nós o recebemos e aceitamos, e, onde a palavra de Cristo reside abundantemente, ali reside Cristo. Se a palavra for nosso guia e monitor constante, se ela estiver em nós como se estivesse em casa, então nós estaremos em Cristo, e Ele, em nós.

[2] Como nossa comunhão com Cristo é mantida – pela oração: “Pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito”. E o que podemos querer mais, do que ter o que pedimos? Observe que aqueles que estão em Cristo, que o têm como o deleite dos seus corações, terão, por intermédio de Cristo, aquilo que seus corações desejam. Se nós tivermos Cristo, não nos faltará nada que seja bom para nós. Duas coisas estão implícitas nesta promessa. Em primeiro lugar, que, se estivermos em Cristo, e sua palavra, em nós, não pediremos nada além do que seja apropriado para ser feito por nós. As promessas que estão habitando em nós estão prontas para se transformar em orações, e as orações que estão de acordo com esta situação, são, sem dúvida, respondidas. Em segundo lugar, que, se estivermos em Cristo e na sua palavra, nós teremos tal interesse no favor de Deus e na mediação de Cristo, que teremos uma resposta de paz para todas as nossas orações.