PSICOLOGIA ANALÍTICA

VOVÓS TAMBÉM SE INTERESSAM POR SEXO

Falar sobre o tema pode ser tabu tanto para pessoas mais velhas, quanto para suas famílias e até profissionais de saúde; em busca de informação, idosos recorrem cada vez mais a internet.

Vovó também se interessa por sexo

Para muita gente, pensar que nossos pais, avós (ou até bisavós) sentem desejo, se masturba e mantém vida sexual ativa (ou pelo menos gostariam de fazê­-lo) causa certo incômodo. A verdade é que, apesar das transformações culturais, a vida sexual de pessoas idosas foi um tabu – tanto para elas mesmas quanto para os jovens com quem convivem e até para alguns profissionais da saúde. Apesar disso, estudos sugerem que um número crescente de pessoas com mais de 70 anos continua a ter vida sexualmente ativa, o que colabora com a manutenção da saúde física e mental. Embora boa parte hesite em discutir questões íntimas com o médico, uma nova pesquisa indica que muitos têm lançado mão de comunidades online para ter entre si as respostas e o apoio de que necessitam.

A atividade sexual entre adultos com mais idade é comum – mais da metade dos homens e um terço das mulheres na casa dos 70 anos, casados ou não, relataram fazer sexo pelo menos duas vezes por mês em um estudo de 2015 publicado na Archives of Sexual Behavior. Mas isso pode ser complicado. Problemas médicos que costumam surgir com a idade, como diabetes e doenças cardíacas, muitas vezes afetam o desejo sexual e o desempenho. Não raro, viúvos que começam a namorar novamente não sabem como se proteger de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) ou mesmo abordar alguém por quem têm interesse. Para piorar, crenças e estereótipos relacionados com a idade – como a ideia de que o corpo é “feio” ou a pessoa está “muito velha para o sexo” – costumam dificultar que os interessados cheguem até as respostas.

Uma revisão de 2011 da literatura científica mostra que, além de os idosos raramente conversarem sobre sexo com os médicos, muitos desses profissionais se mostram hesitantes em apresentar o tema. “Os resultados, a literatura científica e a mídia atual mostram que boa parte dos prestadores de cuidados de saúde, das equipes de casas de repouso e das clínicas especializadas que atendem essa população costumam ignorar o desejo, a necessidade e os direitos sexuais de seus clientes e moradores”, afirma cientista social Liza Berdychevsky, da Universidade de Illinois, em Urbana-Champaign.

À luz dessa preocupante tendência, ela e sua colega Galit Nimrod, pesquisadora da área de comunicação, da Universidade Ben-Gurion, Negev, Israel, decidiram investigar se idosos conseguiam encontrar apoio sobre temas sexuais em fóruns online. Depois de analisar aproximadamente 700 mil mensagens postadas no espaço de um ano em diversas comunidades de vários países, elas encontraram cerca de 2.500 posts dedicados a discussões de questões relacionadas com a sexualidade. Menos de 0,4% do total de mensagens. Apesar disso, alguns desses tópicos eram muito populares, com milhares de visualizações, o que sugere que, embora não participassem dos debates, muitos membros da comunidade virtual acompanhavam as pautas.

Os pesquisadores também identificaram evidências que sugerem que esses lugares ajudavam a responder a perguntas dos usuários, deixando-os mais confortáveis sobre o amadurecimento da sexualidade, segundo um artigo publicado em junho no Journal of Leisure Research. “As comunidades virtuais oferecem aos participantes a garantia de que não estão sozinhos e de que tudo o que experimentam é enfrentado por muitos outros em sua faixa etária”, diz Liza.

Além disso, os fóruns online oferecem “um canal para compartilhar dificuldades, ganhar conhecimento em primeira mão e trocar conselhos”. Ela e outros pesquisadores enfatizam a importância de melhorar a comunicação face a face sobre sexo, principalmente em ambientes de cuidados de saúde. “Felizmente, enquanto isso não acontece, à medida que mais idosos em todo o mundo ganham acesso à internet, sua vida sexual tende a melhorar, assim como seu bem-estar geral” afirma a cientista social.

OUTROS OLHARES

EAD: DIPLOMA SEM SAIR DE CASA

Com custo menor que o de uma faculdade convencional, flexibilidade de horário e a possibilidade de acompanhar as aulas pela internet de qualquer lugar, os cursos de graduação à distância têm procura recorde.

Diploma sem sair de casa

Enquanto as matrículas na graduação presencial caem em média 5% ao ano, os cursos à distância aumentam a cifras bastante significativas. De acordo com projeção da CM Consultoria, especializada em Ensino Superior, entre 2013 e 2017 as novas matrículas na graduação à distância na rede privada cresceram 48%, de 999 mil para quase 1.5 milhão. Nos próximos anos a perspectiva é que esse número aumente ainda mais. Entre 2017 e 2026 o crescimento deve ser de 107%, para mais de 3 milhões de novas matrículas.

Menor custo e maior flexibilidade de horário são os principais atrativos dessa modalidade de ensino. Enquanto uma graduação presencial custa em média de R$1mil a R$ 2 mil por mês, a graduação EAD costuma sair em torno de R$ 400. Além da economia com as mensalidades, os alunos deixam de gastar com transporte e ganham o tempo de deslocamento. Esses fatores fazem com que os cursos online sejam atraentes principalmente para pessoas mais velhas. Estudo recente realizado pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) mostrou que a maioria do público do EAD é mulher (62%), pessoas casadas (62%) ou que trabalham (83%). Foi a possibilidade de estudar e ao mesmo tempo cuidar de quatro filhos pequenos que fez com que Nathalie Romano optasse por cursar Pedagogia à distância. Quando o curso começou, ela morava em São Paulo, mas logo teve de se mudar para Itu. Mesmo estando longe, Nathalie não precisou interromper os estudos, já que precisava ir à faculdade apenas para fazer provas, uma vez a cada três meses. “O EAD me possibilitou fazer o meu horário. Eu cuidava do financeiro do escritório do meu marido, da casa, dos filhos, não teria disponibilidade de voltar a ter aulas todos os dias”, diz ela.

DESVANTAGENS

Os pontos positivos do EAD são muitos, mas há também algumas desvantagens e as mais comuns foram as enfrentadas por Nathalie. “Se não tiver disciplina e organização, o conteúdo acumula e fica muito puxado. Com o tempo eu fui conseguindo reservar horários específicos para estudar”, diz ela. Outro ponto negativo é que o ensino à distância diminui as possibilidades de os alunos fazerem networking e interagir melhor com professores e colegas. Em termos de empregabilidade, no entanto, a credibilidade é a mesma que no ensino presencial. Além de não fazer nenhuma diferença no diploma, que não recebe essa classificação, os empregadores admiram quem possui as virtudes necessárias para esse tipo de graduação, como disciplina e automotivação.

O ensino à distância cresce em meio a uma grande crise enfrentada pelas faculdades, impulsionada também pelos cortes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Em 2014, quando ocorreu o grande boom do Fies, o número de alunos subsidiados havia crescido para 732,6 mil. De lá para cá, porém, os novos subsídios do governo caíram 76% e em 2017 foram apenas 175,9 mil novos contratos. Sem ajuda para pagar as altas mensalidades da graduação, muitos alunos desistem. Foi o que aconteceu com Amanda Nunes, técnica em ressarcimento, que começou a cursar Administração, mas, após um semestre, teve de trancar. “Eu entrei com o intuito de fazer o Fies, porque realmente não tinha como pagar. Fiquei tentando fazer a inscrição por meses, mas nunca deu certo por falha do sistema”, diz ela. Agora Amanda pretende realizar o sonho da graduação por meio de um curso à distância, já que os valores são bem mais acessíveis.

“Estamos próximos a uma guerra de preços total. As instituições estão buscando alunos praticamente dentro dos concorrentes, tanto no curso presencial quanto à distância”, diz Carlos Monteiro, que trabalha com gestão e ensino superior há 40 anos e é CEO da CM Consultoria. O mercado está sofrendo com um excesso de oferta de cursos EAD, decorrente do Decreto 9.057, de maio de 2017, que flexibilizou as regras para a abertura de novas graduações. De acordo com a ABMES, antes do Decreto eram 6.172 polos com cursos de graduação EAD ativos. O último número disponível pelo Ministério de Educação mostrou que em 1°de agosto já eram 11.109 polos. Segundo Monteiro, com a oferta maior que a demanda, a tendência é que as instituições façam cada vez mais promoções, com isenção de matrícula e campanhas de alongamento dos prazos da mensalidade. Dessa forma, espera-se que mais pessoas consigam um diploma do ensino superior. “Uma mensalidade de R$ 250 é barata para quem é da classe média, mas não para quem possui uma renda familiar de R$ 1 mil. No Brasil são 60 milhões nessas condições”, diz ele. Diante da enorme crise financeira das instituições, um ensino superior à distância ainda mais acessível é uma boa notícia, já que um diploma de graduação traz, comprovadamente, empregos de maior qualificação e renda.

Diploma sem sair de casa.2

GESTÃO E CARREIRA

CARREIRAS QUENTES

Pesquisa da consultoria Robert Half, divulgada com exclusividade aponta as competências, os cargos e os salários que estarão em alta em 2019.

Carreiras quentes

Ainda que o número de desempregados no Brasil esteja na casa dos 13 milhões e a crise econômica não tenha passado de vez, alguns indícios (ainda tímidos) apontam para a retomada. O Banco Central estima que a economia brasileira crescerá 1.49% em 2018, porcentagem 50% maior que a verificada no ano anterior. Isso se reflete no mercado: nos sete primeiros meses deste ano, o número de vagas repassadas para a consultoria de recrutamento Robert Half de São Paulo, cresceu 40 % – algo expressivo e bastante superior ao último ano, em que as oportunidades criadas cresceram 17,7%. Segundo Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half no Brasil, o aumento de volume está em posições estratégicas de empresas que já vislumbram uma melhora no próximo ano. “As vagas temporárias e as contratações por projetos, frutos da mudança da CLT, também entram nessa coleta”, explica.

O Guia Salarial da consultoria para 2019, divulgado com exclusividade por sinaliza estabilidade em termos de remuneração. “Com mão de obra disponível no mercado e a preocupação com os custos no radar, as companhias têm achatado ou mantido os benefícios, salvo em casos específicos, diz Fernando. Para ter uma ideia, de acordo com o levantamento da consultoria, 60% dos trabalhadores que perderam o emprego nos últimos três anos aceitaram ganhar menos do que no trabalho anterior ao se recolocar. Conheça onde estão as melhores oportunidades nos próximos tópicos.

 FINANÇAS E CONTABILIDADE – Hora da retomada

Nos últimos anos, os profissionais de finanças tiveram o papel de ajudar no ajuste das contas (demanda da crise financeira) e as empresas buscavam pessoas focadas na melhoria de processos e renegociação de dívidas. Agora, com o cenário menos nebuloso, as companhias voltam a atenção para funcionários capazes de gerar novos negócios. “A visão de olhar para dentro de casa é substituída por buscar oportunidades no mercado,” diz Danylo Hayakawa, gerente sénior de recrutamento da Robert Half. A demanda é por aqueles que vão além da área de suporte, – os departamentos de compliance e auditoria continuam em alta. “No passado houve uma juniorização nas cadeiras e agora há uma retomada da busca por mais experientes, diz Marcela Esteves, gerente de recrutamento da Robert Half. Encontrar empregados capacitados é um desafio para 77% dos gerentes de recursos humanos ouvidos pela consultoria. “Direcionar as oportunidades para as posições mais próximas da área comercial ainda é o desafio. Entre as competências estão a facilidade de comunicação e de traduzir números”, afirma Saulo Ferreira, gerente de recrutamento da consultoria.

 Carreiras quentes.2

MERCADO FINANCEIRO – Cada vez mais digital

Conhecido por ser um mercado técnico e tradicional, o setor financeiro passa por um momento de disrupção com o digital invadindo as instituições. São observadas duas tendências: o avanço das fintechs e o esforço dos grandes bancos em criar canais inovadores. Para ter uma ideia, em 2017 as startups do segmento financeiro movimentaram mais de 400 milhões de reais em investimentos, de acordo com um monitoramento feito pelo Conexão Fintech. Com a mudança no mercado, altera-se o tipo de profissional requerido. “Surgem novos cargos como corretores de criptomoedas e gerentes de experiência do usuário, por exemplo”, diz Ricardo Rochman, professor da FGVEAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo). Para acompanhar as mudanças, os trabalhadores devem buscar aperfeiçoamento. “O domínio do inglês e habilidades comportamentais, como comunicação, visão de negócios, curiosidade e versatilidades essenciais”, diz Alexandre Artauah, gerente sênior de recrutamento da Robert Half.

Ainda que a área digital seja a responsável pelo maior número das contratações, os sinais de retomada da economia sugerem demanda por vagas mais tradicionais, como nas equipes de crédito, comercial e em posições regulatórias.

 Carreiras quentes.3

SEGUROS – Um novo mercado

Em seguros, o movimento é bastante parecido com o de mercado financeiro e a parte digital ganha destaque. A aprovação da Resolução nº 359 do Conselho Nacional de Seguros Privados, que permite a uma seguradora ser 100% digital, está revolucionando o segmento com a chegada das chamadas Insurtechs, startups especializadas em seguros, que prometem levar simplicidade, acessibilidade e personalização aos clientes. Com a abertura de mercado e a atuação das resseguradoras, que negociam diretamente com o consumidor final, surge a necessidade de profissionais com conhecimento técnico na área. “Para posições mais gerenciais, as empresas pedem um perfil empreendedor, capaz de oferecer ideias que acelerem o crescimento do negócio”, afirma Alexandre, da Robert Half. Além disso, como as equipes tendem a ser reduzidas, as insurtechs buscam uma pessoa multitarefas, proativa e que trabalhe de maneira independente.

Carreiras quentes.4 

JURÍDICO – Rumo à tecnologia

Náila Nucci, coordenadora pedagógica da Faculdade de Direito da Faap, descreve a área jurídica como binômia. “Seja em momento de crise ou de bonança, profissionais do setor sempre serão demandados. Ou para a dissolução de empresas ou para contratos de novos negócios”, diz. E agora o mercado se volta para o lado mais otimista. Com a melhora gradual da economia, corporações e escritórios buscam pessoas capazes de ajudar a gerar novos negócios, com um perfil mais comercial e senso de dono. “Além disso, temos o advento da tecnologia abraçando a sociedade e precisamos de gente capacitada para legislar acerca disso,” diz. As lawtechs, termo utilizado para denominar as startups jurídicas, deverão ganhar força no país no próximo ano.

Com a terceira maior população de advogados do mundo, é tempo de revisar o perfil. Maria Eduarda Silveira, gerente de recrutamento da Robert Half, afirma que é preciso se preparar tecnicamente para a mudança. “A tecnologia vem para colaborar com o departamento jurídico das empresas e dos escritórios, mas trará muitas alterações de processos”, diz.

Enquanto isso, as áreas de fusões e aquisições e governança corporativa seguem contratando mais.

 Carreiras quentes.5

TECNOLOGIA – Saindo de trás das maquinas

A tecnologia permeia quase todos, se não todos, os setores de uma companhia. Por isso, o profissional precisa ser cada vez mais dinâmico. “Se antes pensávamos neles como os mais ‘nerds’, que não saíam de trás do computador, agora devem ter competências comportamentais afloradas e colaborar diretamente com a estratégia de negócio da empresa”, diz Marcello Nitz, pró-reitor acadêmico do Instituto Mauá de Tecnologia. Para ajudar a desenvolver essas habilidades, universidades e empresas têm investido em capacitação e treinamentos para assegurar a formação do melhor time.

Entre as áreas de destaque aparecem a de proteção de dados, analistas de business inteligence (BI), com foco em análise de mercado e ETL (um processo de extração e leitura de dados), e desenvolvedores não só voltados para design, mas para toda a experiência do usuário. Muitas dessas contratações estão acontecendo por projetos.

 Carreiras quentes.6

VENDAS E MARKETING – Dados para decidir

A área de marketing sofreu uma grande mudança nos últimos anos. Antes, as agências de publicidade eram responsáveis por criar conceitos que ajudavam nas vendas. Hoje, segundo Marcos Bedendo, professor de pós-graduação da ESPM, as empresas criam sua identidade e as agências a divulgam. “Por isso, quem atua com marketing precisa cruzar dados para fazer a diferença nos negócios”, diz. E o digital surge com força para ajudar nessa tarefa. “Existe busca por habilidades voltadas para mídias sociais e ferramentas de marketing digital”, diz Carolina Cabral, gerente sênior de recrutamento da Robert Half. Como o momento é de cobrança por geração de receita, destacam-se as posições que trazem negócios, como as de key acccont e gerente de vendas.

 Carreiras quentes.7 

ENGENHARIA – Desengavetando projetos

Na engenharia, o cenário é de melhora gradual. “Há criação de vagas e contratações que estavam aguardando a retomada”, diz Maria Sartori, gerente sênior de recrutamento da Robert Half. A área de vendas é uma das que mais se destacam e a que demanda gente com alto nível de especialização e conhecimento do produto. Marcello Nitz, pró-reitor do Instituto Mauá de Tecnologia, destaca que isso é difícil de ser encontrado. “O engenheiro costuma ser contratado pela competência técnica e demitido pelas atitudes”, afirma. “Por isso, oferecemos algumas aulas, como de teatro e oratória, para que eles desenvolvam habilidades comportamentais.” Entre os setores mais promissores, o reitor destaca eletrônica, produção e indústria automotiva.

Carreiras quentes.8

 

 

Carreiras quentes.9.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 14: 18-24

Alimento diário

O Sermão Consolador de Cristo

Quando amigos se separam, é comum fazerem um pedido um ao outro: “Mande notícias sempre que puder”.

Cristo prometeu aos seus discípulos que, estando fora da sua vista, eles não estariam fora do seu pensamento.

 

I – Ele promete que continuaria a cuidar deles {v. 18): “Não vos deixarei órfãos’, pois, embora Eu os deixe, Eu lhes deixo este consolo: ‘Voltarei para vós”. Sua separação deles era o que os entristecia muito. Mas não era tão ruim como eles pensavam, pois não era nem total nem final.

1. Não era total. “Embora Eu os deixe sem minha presença corpórea, Eu não os deixo sem consolo”. Embora filhos, e deixados ainda pequenos, eles tinham recebido a adoção de filhos, e seu Pai seria o Pai deles, com quem aqueles que, em outras circunstâncias seriam órfãos, encontram misericórdia. Observe que o caso dos crentes fiéis, embora, às vezes, possa ser pesaroso, nunca é sem consolação, porque eles nunca estão órfãos, pois Deus é seu Pai, e Ele é um Pai eterno.

2. Não era final: “Voltarei para vós”, Eu voltarei, isto é:

(1) “Eu virei rapidamente para vocês na minha ressurreição, Eu não ficarei longe por muito tempo, mas estarei com vocês novamente dentro de pouco tempo”. Ele frequentemente dizia: “Depois de três dias, ressuscitarei”.

(2) “Eu estarei diariamente com vocês por meio do meu Espírito”. Ele ainda vem a cada um de nós através dos sinais do seu amor, e das visitas da sua graça.

(3) “Eu virei, certamente, no fim dos tempos. Com certeza, Eu virei rapidamente, para apresentá-los ao gozo do seu Senhor”. Observe que a consideração da vinda de Cristo a nós nos salva de estarmos sem consolação pelo seu afastamento de nós, pois, se Ele parte por algum tempo, é para que possamos recebê-lo para sempre. Que esta certeza modere nossa tristeza : “Perto está o Senhor”, Filipenses 4.5.

 

II – Ele promete que eles continuarão a ter um relacionamento com Ele, e que estarão nele (vv. 19,20): ”Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais”, isto é: Agora não mais estarei no mundo. Depois da sua morte, o mundo não o viu mais, pois, embora Ele ressuscitasse, Ele nunca se apresentou a todo o povo, Atos 10.41. O mundo maligno pensou que já tinham visto dele o suficiente, e gritavam: Fora com Ele. Crucifica-o. E esta será sua maldição. Eles não mais o verão. Somente aqueles que veem a Cristo com os olhos da fé, é que o verão para sempre. O mundo não o verá mais até sua segunda vinda, mas seus discípulos têm comunhão com Ele, na sua ausência.

1. “Mas vós me vereis”, e continuareis a me ver, quando o mundo não mais me vir. Eles o viram com seus olhos corpóreos depois da sua ressurreição, pois Ele se manifestou a eles com muitas evidências infalíveis, Atos 1.8. E os discípulos ficaram felizes quando viram o Senhor. Eles o contemplaram com fé depois da sua ascensão, sentado à direita de Deus, como Senhor de tudo e de todos. Viram nele o que o mundo não viu.

2. “Porque eu vivo, e vós vivereis”. Aquilo que os entristecia era o fato de que seu Mestre estava prestes a morrer, e eles não esperavam nada além de morrer com Ele. Não, diz Cristo:

(1) “Eu vivo”. Nisto o grande Deus se glorifica, Eu vivo, diz o Senhor, e Cristo diz a mesma coisa. Não somente: Eu viverei, como Ele dizia a respeito deles, mas: Eu vivo, pois Ele tem vida em si mesmo, e vive para sempre. Nós não estamos sem consolo, pois sabemos que nosso Redentor vive.

(2) Por essa razão, “vós vivereis”. Observe que a vida dos cristãos está ligada à vida de Cristo. Tão certo como Ele vive, e pelo tempo que Ele viver, aqueles que, pela fé, estão unidos a Ele, viverão também. Eles viverão espiritualmente, uma vida divina em comunhão com Deus. Esta vida está escondida em Cristo. Se a cabeça e a raiz vivem, os membros e os galhos também vivem. Eles viverão eternamente. Seus corpos irão ressuscitar em virtude da ressurreição de Cristo. Estará tudo bem com eles no mundo porvir. E esta também será a bênção de todos aqueles que são seus, Isaías 26.19.

3. Vocês terão a certeza disto (v. 20): “Naquele dia”, quando Eu for glorificado, quando o Espírito for derramado, “conhecereis”, com mais clareza e certeza do que agora, “que estou em meu Pai, e vós, em mim, e eu, em vós”.

(1) Estes gloriosos mistérios serão plenamente conhecidos no céu. “Naquele dia”, em que Eu os levarei para mim mesmo, vocês conhecerão perfeitamente o que agora veem “por espelho em enigma”. Agora, “ainda não é manifesto o que havemos de ser”, mas naquele dia tudo será manifestado.

(2) Eles foram mais plenamente conhecidos depois do derramamento do Espírito sobre os apóstolos. Naquele dia, a luz divina brilharia, e seus olhos veriam com mais clareza, seu conhecimento se aprofundaria e cresceria, ficaria mais abrangente e mais distinto. Seria como o homem cego, no segundo toque da mão de Cristo. No primeiro, ele viu somente homens como árvores que andavam, mas, no segundo, viu completamente.

(3) Eles são conhecidos por todos os que recebem o Espírito da verdade, para sua abundante satisfação, pois no conhecimento disto se baseia sua comunhão com o Pai e seu Filho, Jesus Cristo. Eles sabem:

[1] Que Cristo está no Pai, é um só com o Pai, pela experiência daquilo que Ele operou por eles e neles. Eles descobrem a admirável harmonia e o notável consentimento que existem entre o cristianismo e a religiosidade natural. Eles serão enxertados na Videira Verdadeira, e assim saberão que Cristo está no Pai.

[2] Que Cristo está neles. Os cristãos experientes sabem, pelo Espírito, que Cristo habita neles, 1 João 3.24.

[3] Que eles estão em Cristo, pois a relação é mútua, e igualmente próxima em ambos os lados, Cristo neles, e eles em Cristo, o que traduz uma união íntima e inseparável. Em virtude dela, é que, porque Ele vive, eles também viverão. Observe que, em primeiro lugar, a união com Cristo é a vida dos crentes, e sua relação com Ele, e com Deus, por meio dele, é sua felicidade. Em segundo lugar, o conhecimento desta união é sua alegria e satisfação indescritíveis. Agora eles estão em Cristo, e Ele, neles. Mas Ele diz que o fato de saberem disto, e terem este consolo, é um ato adicional da graça. Estar em Cristo e ter a consciência de estar em Cristo são, às vezes, duas coisas distintas.

 

III – Ele promete que irá amá-los, e que se manifestará a eles, vv. 21-24. Observe aqui:

1. Quem são estes de quem Cristo irá cuidar, e aos quais irá aceitar, como seus amigos: ”Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda”. Com isto, Cristo mostra que as coisas gentis que Ele disse aqui aos seus discípulos não se destinavam somente àqueles que eram, então, seus seguidores, mas a todos os que cressem nele por meio da sua palavra. Aqui temos:

(1) O dever daqueles que reivindicam a dignidade de serem discípulos. Tendo os mandamentos de Cristo, nós devemos guardá-los. Como cristãos, em nome e profissão de fé, nós temos os mandamentos de Cristo, nós os temos soando em nossos ouvidos, escritos diante dos nossos olhos, nós temos conhecimento deles. Mas isto não é suficiente. Se realmente desejamos ser cristãos aprovados, nós devemos guardá-los. Tendo-os em nossas mentes, nós devemos guardá-los nos nossos corações e vidas.

(2) A dignidade daqueles que realizam o dever de discípulos. Eles são considerados por Cristo como aqueles que o amam. Não aqueles que têm a maior inteligência e sabem como falar por Ele, mas aqueles que guardam seus mandamentos. Observe que a evidência mais certa do nosso amor por Cristo é a obediência às leis de Cristo. Tal é o amor de um súdito pelo seu soberano, um amor dócil, respeitoso, obediente, uma conformidade com sua vontade e uma satisfação com sua sabedoria.

2. A retribuição que Ele lhes fará, pelo seu amor. Ricas retribuições. O amor que é dedicado a Cristo jamais é perdido.

(1) Eles terão o amor do Pai: ”Aquele que me ama será amado de meu Pai”. Nós não poderíamos amar a Deus, se antes Ele não tivesse, pela sua boa vontade para conosco, nos dado sua graça para amá-lo. Mas existe um amor complacente, prometido àqueles que realmente amam a Deus, Provérbios 8.17. Ele os ama, e os deixa saber que os ama, sorri para eles e os abraça. Deus ama tanto o Filho a ponto de amar a todos aqueles que o amam.

(2) Eles terão o amor de Cristo: “E eu o amarei”, como Deus-homem, como Mediador. Deus irá amá-lo como um Pai, e Eu o amarei como um irmão, um irmão mais velho. O Criador irá amá-lo, e será a felicidade da sua existência. O Redentor irá amá-lo, e será o protetor do seu bem-estar. Na natureza de Deus, nada resplandece mais brilhantemente do que o fato de que Deus é amor. E no entendimento de Cristo, nada parece mais glorioso do que o fato de que Ele nos amou. Estes dois amores são a coroa e o consolo, a graça e a glória, que ha­ verá para “todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade”. Cristo estava agora deixando seus discípulos, mas promete continuar com seu amor por eles, pois Ele não somente conserva uma bondade pelos crentes, embora ausente, mas está lhes fazendo o bem enquanto ausente, pois Ele os tem no seu coração, e sempre vive intercedendo por eles.

(3) Eles terão o consolo deste amor: Eu “me manifestarei a ele”. Alguns entendem que isto se refira à manifestação de Cristo vivo aos seus discípulos depois da sua ressurreição.  Mas, sendo prometido a todos os que o amam e guardam seus mandamentos, isto deve ser interpretado como se estendendo a eles também. Existe uma manifestação espiritual de Cristo e do seu amor feita a todos os crentes. Quando Ele esclarece seus entendimentos para que conheçam seu amor e suas dimensões (Efésios 3.18,19), vivifica suas graças e os leva à prática, e, desta maneira, amplia suas consolações em si mesmo, quando Ele esclarece as evidências do fato deles estarem nele, e lhes dá sinais do seu amor, experiências da sua ternura, e anseios pelo seu reino e pela sua glória, então Ele se manifesta a eles. E Cristo só se manifesta àqueles a quem Ele decide se manifestar.

3. O que ocorreu depois de Cristo ter feito esta promessa:

(1) Um dos discípulos expressa seu espanto e sua surpresa, v. 22. Observe:

[1] Quem disse isto – “Judas (não o Iscariotes)”.  Judas, ou Judá, era um nome famoso. A mais famosa tribo de Israel foi a de Judá. Dois dos discípulos de Cristo tinham este nome: um deles era o traidor, e o outro era o irmão de Tiago (Lucas 6.16), um dos irmãos de Cristo, Mateus 13.55. Ele é chamado de Lebeu e Tadeu, foi o autor da última das epístolas, que na nossa tradução, por causa da distinção, nós chamamos de Epístola de Judas. Foi ele que falou aqui. Observe que, em primeiro lugar havia um homem muito bom e um homem muito mau, ambos com o mesmo nome, pois os nomes não nos recomendam a Deus, nem fazem os homens piores. Judas, o apóstolo, nunca foi o pior, nem Judas, o apóstata, sempre o melhor, pelo fato de terem o mesmo nome. Mas, em segundo lugar, o evangelista faz cuidadosamente a distinção entre eles. Quando fala deste Judas piedoso, ele acrescenta: “não o Iscariotes”. Não se enganem. Não confundamos o precioso com o vil.

[2] O que ele disse – “Senhor, de onde vem…?”, o que evidencia, ou, em primeiro lugar, a debilidade do seu entendimento. Assim alguns interpretam esta frase. Ele esperava o reino temporal do Messias, esperava que ele aparecesse em pompa e poder externos, de modo que todo o mundo se assombrasse. “Como, então”, pensa ele, “pode ser isto limitado a nós?”. “Qual é o problema, que faz com que o Senhor não queira se manifestar abertamente como se espera, para que os gentios possam vir à sua luz, e os reis para o resplandecer da sua manifestação?” Observe que nós criamos dificuldades para nós mesmos, confundindo a natureza do reino de Cristo, como se ele fosse deste mundo. Ou, em segundo lugar, como expressando a força do seu afeto, e o sentimento humilde e agradecido que ele tinha com os favores diferenciados de Cristo a eles: Senhor, como é isto? Ele está maravilhado com a condescendência da graça divina, como Davi, 2 Samuel 7.18. O que há em nós para merecermos tão grande favor? Observe que:

1. A manifestação de Cristo aos seus discípulos é feita de uma maneira diferenciada, para eles, e não para o mundo que está nas trevas; para os humildes, e não para os poderosos e nobres; para as criancinhas, e não para os sábios e prudentes. Os favores diferenciados são muito gentis. Consideram quem é deixado de lado, e quem é escolhido.

2. É simplesmente maravilhoso aos nossos olhos, pois é inexplicável, e deve ser atribuído à graça livre e soberana. “Sim, ó Pai, porque assim te aprouve”.

(2) Cristo, respondendo a isto, explica e confirma o que tinha dito, vv. 23,24. Ele ignora qualquer debilidade que houvesse naquilo que Judas tinha dito, e prossegue com suas consolações.

[1] Ele explica ainda mais a condição da promessa, que era amá-lo e guardar seus mandamentos. E, quanto a isto, Ele mostra a inseparável conexão que existe entre amor e obediência. O amor é a raiz, a obediência é o fruto. Em primeiro lugar, onde houver um amor sincero a Cristo no coração, haverá obediência: “Se alguém me ama, este amor será um princípio tão imperioso para ele, que, sem dúvida, ele guardará minhas palavras”. Onde houver um verdadeiro amor por Cristo, haverá uma valorização do seu favor, uma veneração da sua autoridade e uma submissão completa de todo o homem à sua orientação e soberania. Onde houver amor, o dever seguirá naturalmente, será fácil e natural, e fluirá partindo de um princípio de gratidão. Em segundo lugar, por outro lado, onde não houver um verdadeiro amor por Cristo, não haverá preocupação em obedecer a Ele: “Quem não me ama não guarda as minhas palavras”, v. 24. Isto é inserido aqui como uma revelação daqueles que não amam a Cristo. Não importa o que finjam, certamente não o amam aqueles que não creem nas suas verdades, e não obedecem às suas leis, para os quais as palavras de Cristo são apena s histórias sem propósito, às quais eles não prestam atenção, ou palavras duras, das quais eles não gostam. Também há uma razão pela qual Cristo não se manifestará ao mundo que não o ama, porque eles lhe fazem esta afronta de não guardar suas palavras. Por que Cristo deveria ser familiar àqueles que desejam ser estranhos a Ele?

[2] Ele explica melhor a promessa (v. 23): “Se alguém me ama, Eu me manifestarei a ele”. Em primeiro lugar: “Meu Pai o amará”. Ele já tinha dito isto antes (v. 21), e aqui repete, para a confirmação da nossa fé. Porque é difícil imaginar que o grande Deus tornasse objetos do seu amor àqueles que tinham se tornado vasos da sua ira. Judas perguntava se Cristo se manifestaria a eles, mas isto responde à sua dúvida: “Se meu Pai lhe ama, por que Eu não lhe amaria?” Em segundo lugar: “Viremos para ele e faremos nele morada”. Isto explica o significado da manifestação de Cristo a ele, e enaltece o favor.

1. Não somente: Eu virei, mas: Nós viremos, Eu e o Pai, pois somos um. Veja o versículo 9. A luz e o amor de Deus são transmitidos ao homem na luz e no amor do Redentor, de modo que onde quer que Cristo se forme, a imagem de Deus se estampará.

2. Não somente: “Eu me manifestarei a ele, à distância”, mas tais são as poderosas influências das graças e das consolações divinas sobre as almas daqueles que amam a Cr isto com sinceridade, que: “Nós viremos para ele, para estar perto dele, para estar com ele”.

3. Não somente: “E u lhe darei uma visão transitória de mim, ou lhe farei uma curta e rápida visita”, mas: “Faremos nele morada”, o que indica complacência com ele, e constância com ele. Deus não irá somente amar os crentes obedientes, mas irá se alegrar em amá-los, calar-se-á por seu amor por eles, Sofonias 3.17. Ele estará com eles, como na sua casa.

[3] Ele dá uma boa razão, tanto para nos levar a observar a condição quanto para nos incentivar a confiar na promessa. ”A palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou”, v. 24. Ele tinha falado frequentemente sobre isto (cap. 7.16; 8.28; 12.44), e aqui isto surge de modo muito pertinente. Em primeiro lugar, a ênfase do dever é colocada sobre o preceito de Cristo como nossa regra, e com razão, pois a palavra de Cristo que nós devemos guardar é a palavra do Pai, e sua vontade é a vontade do Pai. Em segundo lugar, a ênfase da nossa consolação é colocada na promessa de Cristo. Tendo em vista que, confiando naquela promessa, nós devemos renunciar a nós mesmos, e tomar nossa cruz, e abandonar tudo, nos interessa investigar se a segurança será suficiente para que nisto arrisquemos tudo o que temos. E nos satisfaz o fato de que a promessa é uma Palavra de Cristo e do Pai que o enviou. E sempre podemos confiar na Palavra do Senhor.