PSICOLOGIA ANALÍTICA

POSSIBILIDADES TERAPÊUTICAS DA MACONHA

Estudos recentes indicam que compostos da maconha podem proteger o cérebro dos efeitos do trauma, aliviar espasmos da esclerose múltipla e reduzir crises epilépticas. Trabalho preliminar mostra que as substâncias têm potencial para retardar o crescimento de tumores e reduzir a lesão cerebral em casos de Alzheimer.

Possibilidades terapêuticas da maconha

A polêmica a respeito da Cannabis sativa, a maconha, é antiga, mas vem se tornando cada vez mais atual, à medida que surgem novos estudos a respeito dos efeitos da substância nas funções cerebrais (como atenção, motivação, memória), bem como dos riscos da utilização e de seu potencial terapêutico. Inúmeras pesquisas publicadas nos últimos anos – muitas delas feitas em tubos de ensaio e animais, mas algumas executadas em humanos – sugerem que os canabinoides, ingredientes ativos da maconha, podem ter usos medicinais, até além dos reconhecidos e aprovados legalmente em alguns países.

A questão, porém, não se restringe à compreensão dos efeitos neurológicos que o consumo provoca. É preciso antes entender alguns pontos importantes. O composto químico da maconha que induz além das alucinações, o delta-g-tetraidrocanabinol (THC), foi isolado em 1964. Vários outros componentes foram descritos desde então, inclusive o canabidiol (composto que não provoca euforia), usado por pacientes com epilepsia.

No final da década de 1980 e início dos anos 1990, cientistas passaram a identificar e a mapear dois grupos de moléculas, conhecidos como receptores, no sistema nervoso central e no sistema imune, que ajudam canabinoides a se ligarem às células. Essa interação parece desempenhar um papel crítico sobre diversos efeitos da maconha. O cérebro dispõe de pequenas quantidades de seus próprios canabinoides, os endocanabinoides, que também se ligam a esses receptores.

CB1, o mais comum dos dois receptores principais, se distribui amplamente pelo cérebro, com concentrações elevadas no córtex e no hipocampo (uma região importante para formar novas memórias e mais recentemente reconhecido pela neurociência como uma área importante para conferir o tom emocional associado a recordações). Receptores de CB1 ocorrem também em partes do cérebro envolvidas na percepção da dor. Há níveis baixos de CB1 no tronco cerebral, onde as funções cardíacas e respiratórias são reguladas: sua relativa escassez nessa região pode explicar por que, ao contrário de opioides, mesmo doses pesadas de canabinoides não representam ameaças graves ao coração ou à capacidade respiratória.

CB2. o outro receptor principal de canabinoide, é encontrado principalmente no sistema imune. A sua presença lá interessa a cientistas, pois o sistema imune desencadeia a inflamação, e estudos mostram que a maconha pode ter efeito anti­inflamatório.

No cérebro, quando o componente psicoativo THC se liga ao CB1, ele interfere na ação de neurotransmissores que são moléculas sinalizadoras liberadas pelos neurônios. O resultado é a euforia pela qual a maconha é famosa, muitas vezes acompanhada do prejuízo temporário da memória de curto prazo. Dois outros efeitos bem conhecidos da ligação THC- CB1 são o estímulo do apetite, um benefício para pacientes com aids e outros que precisam manter o peso corporal, e a supressão de náuseas, excelente para alguns pacientes com câncer submetidos à quimioterapia. Foi demonstrado que o THC interrompe a transmissão dos sinais de dor.

Várias pesquisas recentes sugerem que o THC também pode proteger os neurônios do trauma. Os primeiros estudos em tubos de ensaio apontaram para esse efeito, bem como um estudo clínico publicado em outubro passado. Nele, o cirurgião de trauma David Plurad e seus colegas fizeram uma revisão retrospectiva de 446 traumatismos crânio-encefálicos (TCE), casos tratados no Harbor-UCLA Medical Center, de janeiro de 2010 a dezembro de 2012. Segundo estudo publicado na revista American Surgeon, foi descoberto que 82 desses pacientes tiveram teste positivo para THC, e dois deles morreram, o que representa 2.4% da amostra. O índice de mortalidade entre os 364 pacientes que não tinham THC em seu sistema foi de 11.5%, quase cinco vezes superior.

Levando em conta outros fatores como idade, gravidade da lesão e nível de álcool no sangue, pesquisadores concluíram que a relação entre o THC e uma menor taxa de mortalidade nesses pacientes era evidente. Embora os mecanismos não sejam plenamente compreendidos, a investigação anterior sugere que o THC e canabidiol podem aumentar o fluxo sanguíneo no cérebro, trazendo o oxigênio necessário, bem como nutrientes para os neurônios em risco. Como eles inibem o glutamato, podem evitar também efeitos tóxicos que ocorrem após trauma encefálico quando os neurónios podem ser superestimulados pelo neurotransmissor.

Há comprovações de que a maconha prejudica a percepção e o tempo de reação, por isso pode ter contribuído para os acidentes que Plurad estudou – e, ao mesmo tempo, talvez tenha ajudado algumas pessoas a sobreviver a eles. A ironia não passou despercebida pelo cirurgião. “Nunca haverá uma única resposta para questões sobre maconha”, acredita Plurad. “É bom para você: é ruim para você. Nunca será um ou o outro. Ela sempre estará em algum lugar no meio.”

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Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.