PSICOLOGIA ANALÍTICA

ASPECTOS PSICOLÓGICOS DETERMINAM SUA SORTE

A crença em fatos aparentemente inexplicáveis e sem relação com as causas reais que os provocam revelam desejo de conferir significados ao que acontece ao nosso redor. Para alguns especialistas, trata-se de uma ilusão cognitiva. O mais curioso, porém, é que, ao contrário do que muita gente imagina, os sortudos têm a seu favor funcionamentos mentais bastante específicos que podem ser construídos e fortalecidos.

Aspectos psicológicos determinam sua sorte

Você perdeu o horário do embarque, mas – por uma dessas alegrias pequenas da vida – ao chegar ao aeroporto descobriu que seu voo também estava atrasado e conseguiu viajar tranquilamente. Ou algo um pouco diferente: saiu cedo de casa, mas por causa do mau tempo precisou aguardar várias horas antes da viagem, mal acomodado numa cadeira desconfortável, pensando que se tivesse marcado a passagem para um dia antes não teria de passar por essa situação. Sorte no primeiro caso, azar no segundo? O fato é que confiar no acaso está na base de nossa visão de mundo. Ao cruzarmos os dedos na esperança de que o gesto nos favoreça ou optar por determinada roupa para atrair bons resultados, estamos, mesmo sem perceber, levando em conta motivos sobrenaturais, que não podemos controlar ou atribuindo relação de causa e efeito a situações que não têm relação direta entre si.

“Muitos psicólogos não gostam de enfrentar temas ligados à superstição, mas a tendência a dar ordem e significado ao que acontece a nossa volta, criando rapidamente relações entre eventos simultâneos ou sucessivos – como o trovão e a tempestade ou a ingestão de comida estragada e o mal-estar-, é indispensável para a sobrevivência”, diz o psicólogo inglês Richard Wiseman. Professor da Universidade de Hertfordshire, na Inglaterra, ele trabalhou como ilusionista na época da graduação e, mais tarde, conduziu um complexo estudo sobre os mecanismos possivelmente relacionados à sorte. O projeto, financiado por várias instituições, entre as quais a Associação Britânica para o Avanço da Ciência, resultou num livro, O fator sorte, já traduzido em mais de 20 idiomas.

O pesquisador faz uma provocação: “Você tem sorte ou não? Por que algumas pessoas parecem estar sempre no lugar certo na hora certa, ao passo que outras atraem o infortúnio? Podemos mudar essa situação?” Decidido a responder a essas perguntas, ele recorreu a um método inusitado para conseguir voluntários para seus estudos: foi a um programa de TV que tinha milhões de telespectadores e pediu para aqueles que se considerassem muito sortudos ou muito azarados que entrassem em contato com o pesquisador. Um milhão de pessoas respondeu, e as mil primeiras receberam um formulário que permitiria classificá-las como sortudas ou azaradas. Nesse formulário, os voluntários também deviam fazer uma aposta na loteria. A pergunta de Wiseman: os sortudos teriam mais chance de se sair melhor? Do total de participantes, pouco mais de 700, somente 36 acertaram algum número, sendo metade deles sortudos e outra parte azarados. Duas pessoas acertaram quatro números e ganharam 58 libras. Uma se considerava sortuda e a outra azarada. Resultado: empate. Conclusão de Wiseman: as pessoas têm a mesma chance de ter sorte, mas a forma como nos comportamos tende a atrair melhores oportunidades para aqueles que se consideravam privilegiados pelo acaso.

Ou seja, a sensação de sermos azarados ou sortudos está mais associada à forma como vivemos os acontecimentos que aos fatos em si. É o que psicólogos chamam de “profecia auto-realizante”: se acreditamos piamente em algo, tendemos a agir – ainda que inconscientemente – para justificar essa crença e alicerçar nossa compreensão dos fenômenos naquilo que cremos. Em linhas gerais, podemos pensar que uma pessoa azarada “se comporta” de maneira azarada e o mesmo ocorre com quem se considera com sorte. Ou seja: alguém é sortudo, basicamente, porque funciona mentalmente de maneira sortuda.

“Chamo os mais inclinados a essa atitude de perseguidores de significado”, afirma a psicóloga Paola Bressan, professora da Universidade de Pádua. Ela acompanhou voluntários que acreditavam em eventos “logicamente inexplicáveis”, e constatou que certos acontecimentos parecem extraordinários simplesmente porque não levamos em conta a probabilidade de que ocorram. Segundo a psicóloga, essas pessoas tendem a subestimar as leis da probabilidade e a encontrar um maior número de “coincidências”, que atribuem à sorte ou a experiências paranormais.

A pesquisadora ressalta que, sob essa perspectiva, as ilusões cognitivas costumam nos ajudar a viver melhor. Ou a evitar a responsabilização, já que imputar os acontecimentos à sorte (ou à falta dela) permite que a pessoa seja mais indulgente consigo mesma. Segundo a teoria da atribuição, proposta em 1958 pelo psicólogo alemão Fritz Heider, quando analisamos a causa de um fato, podemos nos basear em fatores internos ou externos em relação a nós mesmos e estáveis ou instáveis quanto ao tempo. Um exemplo: é possível creditar o mau desempenho em uma prova ao nosso despreparo (fator interno) ou à má vontade do professor (externo) ou à constante antipatia deste em relação a nós (estável no tempo) ou ainda ao próprio hábito de negligenciar os estudos (instável no tempo). Essas atribuições têm a ver com nossas experiências, crenças e, consequente, comportamentos.

“SÓ ACONTECE COMIGO!”

O sucesso e o fracasso são processados de maneiras diferentes pelo cérebro. Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts descobriram que pode haver muito mais por trás desse acontecimento além de apenas um bocado de sorte. Os resultados de um estudo oferecem indicações sobre como a mente aprende com situações positivas e negativas. Ao treinar macacos para realizar tarefas visuais nas quais era possível escolher duas opções, os pesquisadores descobriram que o cérebro dos animais armazenava as experiências recentes tanto de sucesso quanto de fracasso. Porém, a resposta correta produzia um efeito impressionante: melhorava o processamento neural, aumentando o desempenho na prova seguinte. Caso um animal cometesse um erro em uma tentativa, mesmo após ter dominado a tarefa, seu desempenho na prova seguinte era governado pelo acaso – os erros eram descartados, e ele não aprendia. “O sucesso influencia muito mais o cérebro que o fracasso”, explica o neurocientista Earl Miller, que coordenou o estudo. Ele acredita que as descobertas se aplicam a muitos aspectos do cotidiano: o mau êxito, em geral, não recebe atenção, ao contrário do sucesso, que é recompensado com prêmios – como quando comemoramos os strikes na pista de boliche. O sentimento de prazer da vitória é provocado por uma onda no neurotransmissor dopamina. Quando conseguimos acertar “em cheio” a bola nos pinos e fazer o desejado strike, a substância envia sinais ao cérebro para que a ação vitoriosa seja repetida.

Há alguns anos, o físico Richard A.J. Matthews estudou as chamadas leis de Murphy, máxima pessimista, segundo a qual, “se alguma coisa pode dar errado, dará”. Matthews investigou, em particular, por que uma fatia de pão com manteiga cai geralmente com o lado da manteiga para baixo. O fato foi confirmado por um estudo experimental, patrocinado por um fabricante de manteiga: o aparente azar deve-se simplesmente à relação física entre as dimensões da fatia e a altura em que estava colocada. São também explicáveis outros tipos de infortúnio, como o fato de que quando retiramos duas meias da gaveta geralmente elas não são do mesmo par – nesse caso, por meio da lógica das probabilidades.

Obviamente ninguém está livre dos reveses da vida – seja a perda de uma pessoa querida, uma doença grave, problemas profissionais ou a simples alegria de encontrar numa excelente oferta online aquele artigo que há tanto queríamos e, na hora de fechar a compra, perdermos a conexão e a promoção. A questão não é simplesmente o que acontece, mas a maneira como lidamos com os fatos. Algumas pesquisas têm mostrado que o pessimismo prolongado prejudica parte do cérebro que cuida do funcionamento cognitivo e, em alguns casos, nos torna fisicamente mais frágeis. Um estudo desenvolvido por cientistas da Universidade Stanford levantou uma informação curiosa: a reclamação repetitiva não direcionada a quem de fato poderia resolver o problema, além de ser improdutiva, infla o sentimento de impotência diante da situação desagradável e aumenta os níveis de cortisol (hormônio do estresse) na corrente sanguínea. Os pesquisadores de Stanford descobriram que 95% dos consumidores que tinham um produto problemático em mãos e não o reportavam para a companhia falavam dele para oito a 16 pessoas. Resultado: tanto a irritação quanto o problema persistiam. Podemos pensar que, nessas condições, é fácil se sentir cada vez mais azarado.

Quando se fala em acaso, é preciso considerar outro ponto: em geral, só damos atenção a certos fatos quando eles ocorrem (como o início da chuva assim que você coloca os pés na rua), o que contribui para reforçar nossos preconceitos e nos fazer ignorar as leis da probabilidade. “A diferença entre eventos ordinários e extraordinários é subjetiva”, observa o psicólogo Lorenzo Montali, pesquisador da Universidade de Milão-Bicocca. “Estar atrasado, por exemplo, é um fato comum, mas certamente será recordado por toda a vida como um golpe de sorte se graças a ele formos salvos de um acidente.”

BONS AMULETOS

O genial inventor da lâmpada elétrica, Thomas Alva Edison, morto em 1931- com quase 2 mil patentes registradas em seu nome -, teria dito certa vez: “Boa sorte é o que acontece quando a oportunidade encontra o planejamento”. Outra ideia sua sobre esse assunto que terminou por ficar famosa é que os bons resultados são consequência de “99% de transpiração e 1% de inspiração”. Ou seja, a casualidade seria resultante de uma combinação de fatores, entre os quais o empenho tem papel fundamental.

Para a psicanálise não existe acaso – pelo menos não da maneira como estamos acostumados a considerar essa ideia. Freud postula que somos conduzidos por nossos desejos inconscientes sem nos darmos conta desses movimentos e, não raro, nos sentimos completamente à mercê das situações, imersos em certo grau de alienação. Porém, por meio da análise ou do próprio processo de amadurecimento, tendemos a nos apropriar de nossa história, nos tornando mais autônomos tanto para fazer escolhas e arcar com os resultados delas, quanto para aceitar, sem grande sofrimento, que não é possível ter tudo sob nosso controle. A capacidade de receber de bom grado os benefícios que a vida oferece – sem desvalorizar “a medalha de bronze porque não é de ouro ” – perpetua a sensação de satisfação. Nesse sentido, uma das maneiras mais eficientes de atrair a sorte está no nível racional, na opinião de Wiseman.  Segundo ele, desenvolver conscientemente o hábito de nos atermos àquilo que nos faz bem, sem nos apegarmos excessivamente ao que provoca dor. Para o especialista, o desejo de ser feliz e a confiança de que merecemos essa oportunidade são os melhores amuletos.

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PEQUENO MANUAL MAIS ÚTIL QUE TREVO DE QUATRO FOLHAS

No budismo tibetano, existe um recurso milenar, muito usado, que se resume no que pode ser denominado “trazer o resultado para o caminho”. Trata-se de nos fazer sentir, ainda que momentaneamente, as qualidades que queremos alcançar ao longo da evolução espiritual como se já estivessem amplamente desenvolvidas. Por exemplo, se a pessoa deseja desenvolver a generosidade, por alguns instantes sente-se plena de generosidade, em perfeita harmonia consigo, reconhecendo essa característica em si mesma, se identificando profundamente com essa sensação de plenitude. A técnica, usada ao longo dos séculos, encontra respaldo da ciência: exames de neuroimagem revelam que visualizar (que equivale a imaginar uma situação ou estado mental com o máximo possível de detalhes) deflagra no cérebro reações idênticas às que são desencadeadas quando de fato vivemos a situação. Pois bem: quer ter sorte? Aja como se de fato a tivesse, afirmam os cientistas.

Em suas pesquisas, Wiseman constatou que quase todas as pessoas que passaram a adotar “atitudes de vencedores” tiveram mudanças perceptíveis em suas vidas, incluindo um melhor grau de bons acontecimentos e surpresas. O maior ganho, porém, foi em relação à autoconfiança e à autoestima. É compreensível: quando se sente mais segura, a pessoa tende a se arriscar mais, sorri mais, se permite viver experiências e amplia seu círculo de contato, o que aumenta a probabilidade de que surjam boas oportunidades. “É difícil saber se a origem exata desse círculo virtuoso está no comportamento ou na valorização dos bons resultados, mas o fato é que ele parece funcionar”, afirma Wiseman. Ele avaliou os resultados de seus estudos e sistematizou alguns princípios psicológicos e atitudes que “atraem” a boa sorte:

1. APOSTE NA INTUIÇÃO

Do ponto de vista da psicologia, ela não tem nada de sobrenatural. Trata-se, na verdade, de uma forma de inteligência, uma maneira menos óbvia de selecionarmos e organizarmos informações, tanto recentes quanto mais antigas, que nos escapam à consciência imediata e nos guiamos por ela. Entre os entrevistados de Wiseman, que se diziam sortudos, 80% afirmaram que sua capacidade intuitiva tinha papel fundamental em suas escolhas práticas, especialmente profissionais, enquanto 90% disseram confiar nela para se orientar em suas relações pessoais e decisões que envolviam emoções.

2. MUDE O FOCO

Pesquisadores das universidades de Amsterdã e Bolonha já demonstraram que mergulhar em uma atividade completamente diversa daquela à qual estamos acostumados pode ajudar a resolver um problema ou ter uma ideia criativa. Ao nos afastarmos um pouco da questão, conseguimos ampliar o campo de visão e as respostas tendem a emergir. Sorte? A neurociência ensina que esse “desfocamento” ativa o córtex cingulado anterior, região do cérebro que controla, entre outras funções, a concentração e o processamento de informações que podem resultar em ideias originais.

3. FAÇA DIFERENTE

Sortudos gostam de novidades, mesmo aquelas que parecem fúteis. Fazer pequenas mudanças no cotidiano, como mudar o caminho que faz diariamente para chegar todos os dias ao trabalho, usar um novo meio de transporte, começar um curso para aprender algo que nunca pensou em estudar, pode ser uma maneira divertida de entrar em contato com lugares, pessoas e experiências diferentes. Wiseman salienta, porém, que esse processo deve ser lento, cuidadoso e, sobretudo, fonte de prazer, e não uma autoimposição que seja vista como motivo de desconforto.

4. CORRA RISCOS

Quem tem a convicção de ter a proteção de todos os anjos sobre si, certamente não titubeará em aceitar quando lhe for oferecida uma rifa, por exemplo. Afinal, sua lógica psíquica o leva a crer que tem enormes chances de ganhar. Da mesma maneira irá confiante para uma entrevista de emprego ou para a apresentação de um trabalho. Se algo sair errado, é porque aquela era só uma possibilidade e certamente virão outras – e não a comprovação de que o mundo conspira contra a pessoa. Correr algum risco, portanto, seja de participar de um sorteio ou de se dar mal numa empreitada, se torna menos ameaçador. E se tudo correr bem, melhor – sinal de bons agouros.

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O “AZAR” DE ADOECER

Ao longo dos anos, o acaso tem desafiado a ciência. Recentemente, pesquisadores da Universidade Johns Hopkins e da Escola de Saúde Pública Bloomberg, nos Estados Unidos, fizeram uma afirmação polêmica.

Segundo eles, a ocorrência da maior parte dos tipos de câncer pode ser atribuída, em grande parte, à “má sorte”. Em um artigo publicado no periódico científico Science, afirmaram acreditar que a explicação para esse fator aleatório está na maneira como os tecidos do corpo se regeneram. A pesquisa revela que dois terços de todos os tipos de câncer analisados são originados por mutações genéticas e a explicação para essa alteração pode estar na maneira como os tecidos do corpo se regeneram. O estudo que levou a essa conclusão tem o objetivo de explicar a razão de alguns tecidos do corpo serem mais vulneráveis ao câncer do que outros.

Células mais antigas e desgastadas são constantemente substituídas por células-tronco, que se dividem para formar novas estruturas celulares. Mas em cada divisão há o risco de que ocorra uma mutação anômala, que aumenta o risco de a célula-tronco se tornar cancerígena. O ritmo dessa renovação varia de acordo com a região do corpo, sendo mais rápida no intestino e mais lenta no cérebro, por exemplo. Os pesquisadores compararam o número de vezes que essas células se dividem em 31 tecidos do corpo durante a vida média de uma pessoa com o índice de incidência de câncer nessas partes do corpo e concluíram que dois terços dos tipos de câncer seriam causados pelo “azar” de células-tronco em processo de divisão sofrerem mutações imprevisíveis. Apesar da observação, pesquisadores de todo o mundo ressaltam que um estilo de vida saudável aumenta muito as chances de uma pessoa não desenvolver a doença. Ou seja, favorece “a sorte” de se manter saudável.

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O PRESENTE QUE VEM DO CÉU

Um fenômeno curioso, chamado de culto à carga, aparece em sociedades tribais quando entram em contato com a civilização industrializada – e nos ajuda a entender nossa relação com superstições. Surge quando nativos observam grupos ocidentais, geralmente militares, recebendo alimentos, cobertores, medicamentos e outros suprimentos por barcos e aviões. Sem compreender a origem dessa carga tão bem-vinda, os nativos acabam atribuindo sua chegada a fatores sobrenaturais. Muitas vezes grupos imitam ritualisticamente a forma de andar e se vestir dos grupos industrializados na esperança de também receber o benefício. Alguns povos chegaram a abrir clareiras na selva imitando aeroportos e construindo rádios, fones de ouvido e até falsos aviões de madeira que serviriam para atrair a atenção e a generosidade das entidades “doadoras”. O primeiro caso de que se tem registro de culto à carga foi nas ilhas Fiji, em 1885, mas ocorreram vários outros, inclusive na Amazônia.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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