PSICOLOGIA ANALÍTICA

REELAÇÕES BIOLÓGICAS ENTRE MACONHA E AUTISMO

Estudo com modelos animais sugere que sistema endocanabinoide pode estar alterado em casos de transtorno do espectro autista (TEA).

Relações biológicas entre maconha e autismo

Os endocanabinoides se diferenciam dos neurotransmissores clássicos, entre outros fatores, por terem um sistema de transmissão retrógrado, ou seja, se propagam do neurônio pós-sináptico para o pré-sináptico. Na prática, isso significa que os endocanabinoides e os receptores CB1 influenciam eventos que ocorrem no neurônio pré-sináptico, como a liberação de neurotransmissores como GABA e glutamato, envolvidos no balanço inibitório-exictatório das células.

Assim. os receptores CB1 influenciam de forma indireta a liberação da dopamina, pois “inibem o efeito inibidor” do GABA sobre a dopamina, de forma que esta é liberada em diversas estruturas do cérebro, incluindo as que fazem parte do sistema de recompensa – por isso há aumento de dopamina no cérebro quando há aumento da disponibilidade de canabinoides nas fendas sinápticas.

Em um estudo conduzido na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, a pesquisadora FernandaTeixeira Ribeiro usou uma medicação para aumentar as quantidades de endocanabinoides no cérebro de ratos e observar como essa intervenção afetava o desempenho dos animais em testes sociais. A medicação usada foi um inibidor de enzimas endocanabinoides chamado JZL1g5. Seu efeito consiste em inibir as enzimas FAAH e MGAL (que fazem o catabolismo, respectivamente, dos endocanabinoides anandamida e 2- AG) e aumentar, assim, a disponibilidade desses endocanabinoides na fenda sináptica. Ratos saudáveis e ratos com sintomas de transtorno do espectro autista (modelo animal usado pelo grupo de pesquisa) foram submetidos a testes comportamentais de sociabilidade depois de terem recebido a medicação.

A medicação não teve efeito nos animais com sintomas de transtorno do espectro autista (TEA). No entanto, nos animais saudáveis, reduziu seu interesse em interagir com estímulos sociais nos testes. “Acreditamos que o aumento de dopamina – efeito indireto da droga, afetou a busca natural por recompensa social. O mesmo efeito já foi relatado por outros estudos em modelos animais que usaram o canabinoide exógeno THC, presente na Cannabis sativa”, diz. Na tentativa de buscar uma correlação biológica para a ausência de efeito da medicação sobre a sociabilidade dos animais com sintomas de autismo, a pesquisadora e colegas analisaram a concentração de receptores CB1 em diversas estruturas do cérebro dos animais pesquisados por meio de uma técnica chamada Elisa, que quantifica proteínas especificas. Foi detectada uma diferença no hipocampo desses animais, que apresentaram uma quantidade reduzida de receptores CB1 nessa estrutura. O hipocampo tem importância inconteste na formação de memória emocional e na importância dada ao que vivemos e sentimos. Em estudos futuros o grupo de pesquisa pretende explorar esse caminho, ou seja, estudar possíveis alterações na sinalização canabinoide do hípocampo nesse modelo animal de TEA e, assim, buscar correlações neurobiológicas para os sintomas de autismo.

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A SÍNDROME QUE FAZ TUDO PERDER A GRAÇA

Um efeito experimentado por pessoas que usam maconha com frequência foi observado clinicamente e chamado por especialistas de síndrome amotivacional. Embora sejam necessários mais estudos para documentar esse quadro, o que muitos especialistas ressaltam é que usuários com esse sintoma deixam de ter interesse por atividades em geral que causam prazer, incluindo a socialização. No estudo em que comparou ratos saudáveis com animais com traços de sintomas de autismo, a pesquisadora Fernanda Teixeira Ribeiro analisou os efeitos de uma medicação que aumentava a disponibilidade de canabinoides endógenos no cérebro desses animais. Ela verificou que os roedores saudáveis que receberam a medicação apresentaram comportamentos similares ao que se poderia descrever como uma síndrome amotivacional, mostrando pouco interesse em interação com estímulos sociais, quando submetidos a testes de comportamento social. Ribeiro explica que a medicação inibe a ação das enzimas, aumentando a disponibilidade de endocanabinoides. “A memória estava preservada, mas eles optavam por não interagir, afirma a neurocientista.

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Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.