PSICOLOGIA ANALÍTICA

MACONHA: CONTRA OU A FAVOR?

Para formar qualquer opinião, é fundamental compreender informações básicas. No Brasil, o uso é proibido tanto para uso recreativo quanto medicinal.

Maconha - contra ou a favor

Relatos de 2700 a.c. descrevem o cultivo e uso da Cannabis sativa, a maconha, como analgésico e ansiolítico na China. No final do século 19, cigarros da planta e extrato liquido eram vendidos em farmácia – indicados, por exemplo, para induzir ao sono e controlar a bronquite crônica. Depois de décadas de proibição da cannabis e seus derivados ao longo do século 20, estados americanos e alguns países começaram a liberar o uso médico da planta.

Nesses locais, a prescrição médica se baseia no equilíbrio das proporções de dois fitocanabinoides (os componentes que interagem com o sistema endocanabinoide do cérebro) principais: tetraidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD). Ou seja: variedades padronizadas da planta são receitadas de acordo com a maior ou menor porcentagem desses canabinoides.

Na Holanda, por exemplo, a variedade Bediol (6% de THC e 7.5% de CBO), produzida de forma padronizada e distribuída em farmácias pela companhia Bedrocan, é indicada para alívio da dor e combate a processos inflamatórios. Seu uso não causa as alterações mentais características da maconha recreativa porque a proporção mais alta de CBD (que tem propriedades antipsicóticas e ansiolíticas) ameniza a ação do THC, responsável pelos efeitos psicoativos – confusão mental, euforia, fluidez de pensamentos e outros que variam de uma pessoa para outra. Assim, é possível se beneficiar das qualidades terapêuticas do CBD e do THC (componentes que têm efeitos comprovados no controle de dores) sem sofrer alterações psíquicas como efeito colateral.

Nesse caso, a administração é feita por inalação, com o uso de um vaporizador, por exemplo. Como explica o neurocientista Sidarta Ribeiro, diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), é possível usar a maconha como fitoterápico desde que se tenha conhecimento da proporção de canabinoides. “No caso da inalação com vaporizadores, é possível ter muito controle da dose. Os efeitos são imediatos e o médico pode administrar doses bem pequenas, medidas com precisão, até atingir o efeito desejado.”

Maconha - contra ou a favor.2

USO MEDICINAL

Significa tanto o uso de medicamentos derivados de componentes da cannabis, sintetizados em laboratório, como de compostos feitos de extratos da planta. Ou mesmo o uso por inalação com intenção medicinal. As indicações são diversas e as proporções de canabinoides variam de acordo com o efeito desejado.

USO RECREATIVO

Busca os efeitos psicoativos da planta, corno fluidez de pensamento, relaxamento, euforia – sensações que variam de acordo com o indivíduo e a qualidade e quantidade consumida da droga.

POLÍTICA NO BRASIL

A cannabis é atualmente proibida no Brasil, seja para qualquer tipo de uso. Portar a droga é crime, independentemente da quantidade. Os critérios que definem traficante (revendedor) e usuário (consumidor) não são objetivos, dependem de quantidade e circunstâncias de apreensão. Mas as penalidades são mais brandas no segundo caso. A exceção vale unicamente para remédios com maior quantidade de CBD que de THC, obtidos por meio de importação.

REGULAMENTAÇÃO

É o que vai determinar o controle da venda e acesso à substância. Interferência do Estado pode variar de acordo com cada país. Por exemplo: em alguns estados americanos, a maconha é vendida apenas para uso medicinal, em dispensários, com receita médica. Na Holanda, o uso recreativo é permitido em locais específicos, que vendem a droga com índices controlados de canabinoides, bem explícitos ao consumidor.

LEGALIZAÇÃO

É importante mudar leis de forma a permitir o cultivo próprio e produção de cannabis para comercialização. Pode contemplar somente o uso medicinal ou também o recreativo, dependendo de cada país ou, no caso dos Estados Unidos. Nesse país, 23 estados e Washington permitem o uso medicinal – quatro deles permitem também o recreativo. Envolve muitas discussões, pois demanda regulamentação.

DESCRIMINALIZAÇÃO

Nesse caso, o porte da droga para consumo próprio deixa de ser crime. Mas o tráfico continua sendo proibido.

THC X CBD

SÃO OS COMPONENTES DA MACONHA MAIS ESTUDADOS.

O tetraidrocanabinol (THC) é o agente responsável pelos efeitos psicoativos da planta. Atualmente, no Brasil, está na lista de substâncias proscritas da Anvisa. No exterior, é usado medicinalmente para tratar problemas como dores crônicas e efeitos colaterais da quimioterapia.

O canabidiol (CBD) tem efeito ansiolítico, antipsicótico e anticonvulsivante. É uma substância de uso controlado no Brasil, de forma que medicamentos cujo CBD é o principal componente podem ser importados com prescrição médica. O Conselho Federal de Medicina (CFM) autoriza o uso compassivo da substância para tratar epilepsias refratárias em crianças e adolescentes.

 

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OUTROS OLHARES

HÁBITOS SAUDÁVEIS CONTRA O SEDENTARISMO

Hábitos saudáveis contra o sedentarismo

Dados do IBGE apontam que uma em cada três crianças brasileiras está acima do peso recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Alarmantes, as projeções sugerem uma população infantil e juvenil com sobrepeso e obesidade de até 75 milhões em 2025. Esse é um dos problemas relacionados ao bem-estar na infância que o projeto Vamos brincar! considera prioritário, e que planeja atacar oferecendo informações sobre alimentação e outros hábitos saudáveis para 15 milhões de famílias nos próximos anos.

O principal instrumento é uma série de 26 episódios já em exibição pela TV Cultura e pela TV Brasil, em parceria com a produtora Sésamo e com a Fundação FEMSA, entre outras instituições, e acompanhada por conteúdos para distribuição nas redes sociais e por material educativo. “Esse projeto de colaboração regional inovador foi possível graças a alianças com organizações públicas e privadas que atuam nas áreas de cultura, saúde e educação em diferentes países”, diz Julia Tomchinsky, diretora de educação e impacto social da Sésamo no Brasil.

Elmo, Come Come e Lola são alguns dos personagens carismáticos da Sésamo usados para atrair crianças de 3 a 6 anos de idade em Vamos brincar! cujos objetivos incluem “assegurar que as crianças Sejam conscientes do seu corpo e da necessidade de cuidar dele”. “perceber a atividade física como algo divertido”. “Ensinar cuidados pessoais e saúde oral”, e “reconhecer a importância do autocontrole”.

Hábitos saudáveis contra o sedentarismo.2

GESTÃO E CARREIRA

O PSICOPATA NA MESA AO LADO

Eles são charmosos e carismáticos, mas também ambiciosos e indiferentes aos sentimentos dos outros; profissionais com fortes traços de personalidade antissocial não hesitam em prejudicar colegas para obter ascensão profissional. Ao valorizar excessivamente características relacionadas à liderança – como confiança, capacidade de persuasão e praticidade -, algumas corporações tendem a incentivar essa conduta.

O psicopata na mesa ao lado

Simpático, sedutor, bem articulado, inteligente, com boa retórica, capaz de oferecer exatamente (pelo menos num primeiro momento) o que o outro espera. Quem não gostaria de ter um funcionário assim? O problema é quando, após algum tempo, aqueles que convivem com a pessoa que demonstrava ter tantas qualidades se dão conta de que muitas das qualificações são inventadas e – pior – a palavra “compaixão” parece não existir em seu vocabulário. Pelo contrário: se precisar burlar normas ou prejudicar quem quer que seja para se beneficiar, ela não hesita. Indivíduos com esse tipo de comportamento foram chamados psicopatas pelo psicólogo canadense Robert Hare, professor da Universidade da Colúmbia Britânica, Vancouver. Embora alguns creiam se tratar de um distúrbio, parece ser mais adequado falar em uma estrutura psíquica, uma forma de funcionamento que os psicanalistas denominam “perverso”. Nessa mesma linha de pensamento, alguns grupos da área da saúde mental adotaram a designação personalidade antissocial ou dissocial.

Eventuais associações com um ícone extremo de perversão, o canibal Hannibal Lecter, protagonista do filme O silêncio dos inocentes e, mais recentemente, da série Hannibal, não estão totalmente fora de propósito. O personagem, interpretado pelo ator Anthony Hopkins e por Mads Mikkelsen no seriado, pode ser considerado um exemplo extremo desse transtorno. É típico da personalidade dissocial crônico desrespeito às leis e às normas, falta de cuidado com os que o cercam e total indiferença aos sentimentos alheios. Muitas das pessoas que apresentam o quadro são propensas a comportamentos agressivos e violentos. Não por acaso, os que têm essas características representam grande parte dos criminosos de alta periculosidade que estão na cadeia. Também é frequente que corruptos apresentem essa estrutura psíquica. É importante considerar, porém, que a psicopatia tem variados graus e nem todas as personalidades dissociais serão violentas e se tornarão criminosos. A sua forma branda é a mais difundida: são indivíduos que desrespeitam as regras sociais, infernizam colegas de trabalho, são manipuladores, egoístas, procuram sempre levar vantagem, mas nem sempre afrontam o Código Penal.

Robert Hare acredita que grande parte desses “psicopatas funcionais” não é identificada de imediato, mas prolifera nos cargos de chefia das empresas. São em geral bastante ambiciosos, não raro podem ser identificados com esse tipo de “transtorno”, tiranizam colegas e subordinados, e alguns chegam até a causar grandes prejuízos. Em uma pesquisa, o psicólogo americano Paul Babiak mostrou como essas pessoas disputam altos cargos e salários. Ele analisou o quadro de funcionários de três empresas de porte médio e descobriu três pessoas com fortes traços de psicopatia. Babiak traçou a trajetória de um deles desde que foi contratado. Um comportamento do rapaz, que inicialmente parecia ser uma ótima aquisição para a empresa, chamou atenção de forma bastante desagradável algumas semanas após sua contratação. Sem nenhum motivo, queixou-se de uma secretária, reconhecida por ser confiável e responsável, chamando-a de “incompetente e atrevida”.

 

JEITO DE SER

Foi um primeiro alerta. Nos meses seguintes, seu chefe percebeu que ele faltava a seus compromissos sem justificativa razoável e, depois de um ano, suspeitou que o jovem havia desviado dinheiro da empresa. Questionado sobre onde estariam os recursos, deu respostas evasivas e contou mentiras. O chefe decidiu então procurar a presidência da empresa e descobriu que o funcionário já havia se queixado dele também e foi ignorado: o presidente teceu elogios ao novo e esforçado talento da empresa. Por fim, o rapaz foi promovido e o que o havia contratado, transferido a um posto de menor destaque. Com base em estudos de caso como esse, Babiak distinguiu cinco fases.

Segundo especialistas como o psicólogo Delroy L. Paulus, da Universidade da Colúmbia Britânica, a ausência de empatia e preocupação com o outro é o que faz personalidades dissociais serem potencialmente tão ardilosas – e não necessariamente a inteligência. A falta de escrúpulos faz com que essas pessoas recorram a táticas que outros, mais conscienciosos, jamais usariam. Robert Hare mostrou em uma pesquisa recente que elas não deixam transparecer nenhum sinal físico de medo. Ele analisou um grupo de voluntários, anteriormente diagnosticados com transtorno de personalidade dissocial, e um grupo de controle sem o distúrbio. Ambos deveriam observar um cronômetro, que marcava de dez a zero. No zero, um inofensivo (mas doloroso) choque elétrico seria liberado. Os voluntários do grupo de controle demostraram, durante a contagem regressiva, sinais psicológicos de ansiedade e medo crescente, como sudorese e aumento da pulsação. Em indivíduos com estrutura perversa, essas reações simplesmente não se manifestaram.

O neurologista Ray Dolan, pesquisador do Instituto de Neurologia da Universidade College de Londres, comprovou que falta a esses indivíduos não só a capacidade de temer como também qualquer forma de colocar-se no lugar do outro, compreender seu sofrimento e desejar aliviá-lo. Ele chegou a essa conclusão ao comparar o que ocorre na amígdala, estrutura que reage a informações que despertam emoções. Em geral, ela é ativada quando se veem imagens de pessoas tristes ou que passam por necessidades. No entanto, no grupo diagnosticado com transtorno de personalidade dissocial, não foi identificado nenhum aumento de atividade da amígdala. “Em geral, a empatia ocorre de forma automática e não pode ser controlada segundo sua vontade. Quando vemos alguém sofrendo, sentimos compaixão, querendo ou não”, explica Dolan. Por isso, ele suspeita que a ausência dessa reação seja congênita.

Essas pessoas não percebem o próprio comportamento como anomalia ou um problema pessoal – o que faz com que dificilmente a psicoterapia surta efeito. Aliás, elas não costumam buscar ajuda de psicólogos ou psicanalistas, a não ser por determinação judicial. Outra característica é que não sofrem de alucinações auditivas, ou seja, obediência a “vozes” internas que lhes ditam ordens. Por isso, são considerados indivíduos com responsabilidade penal. O problema é que a pena não surte efeito. “Indivíduos com esse perfil agem de forma consciente e não se incomodam com a transgressão; eles se julgam no direito de fazer o que querem, pois se orientam pelo próprio sistema de valores”, afirma Hare, que há mais de 35 anos trabalha com detentos. Segundo ele, mesmo após ficarem anos na prisão costumam ser mais reincidentes do que outros criminosos. E, quando não entram em conflito com a lei, deixam o clima carregado no trabalho. Se atingem cargos de chefia, fica difícil combater seus desmandos.

Por isso, Hare, no Canadá, e Babiak, nos Estados Unidos, decidiram ajudar empresas a reconhecer funcionários com esse tipo de comportamento. Eles criaram um método psicológico que pode identificar os supostos “psicopatas de escritório” ainda no processo de seleção. O questionário B-Scan 360 retoma o catálogo de sinais diagnósticos de psicopatas criado em 1941 pelo psicólogo Hervey Cleckley. Hare adaptou-o com base nos resultados de seus estudos, transformando-o no chamado Psycho­pathy Checklist- Revised, conhecido como PCL-R. O B-Scan 360 registra o grau de manifestação de características críticas por meio de várias perguntas.

Detalhe: o questionário não é preenchido por quem procura emprego, e sim por ex-colegas e ex-chefes. ” Em um teste convencional, no qual o próprio candidato responde às perguntas, é possível inventar respostas para obter o melhor resultado possível”, diz Babiak. Segundo ele, aliás, esse é um talento das pessoas com traços predominantemente perversos: perceber a expectativa e as fragilidades alheias e atender a elas. Com base nos dados recolhidos, os psicólogos Hare e Babiak pretendem alertar os empregadores sobre o fato de que aparentes características relacionadas à liderança – como confiança e capacidade de persuasão, praticidade e demonstração de frieza – podem, em certos casos, ocultar tendências patológicas.

Alguns profissionais, como o psicólogo organizacional Michael Frese, da Universidade Giessen, na Alemanha, por exemplo, têm dúvidas de que o B-Scan seja um instrumento eficaz e ético. “Incentivar um funcionário a exprimir sua opinião sobre um colega, dizendo que ele ambiciona poder e sucesso, pode deflagrar a difamação”, comenta. No entanto, Frese reconhece que seja justificada a preocupação dos cientistas americanos. “No mundo corporativo, personalidades dissociais não são um fenômeno de massa, ainda assim não podemos negar que estejam presentes em muitas empresas, e, não raro, as próprias instituições incentivam comportamentos bastante cruéis em nome da produtividade.”

De fato, muitas pessoas com marcantes traços de personalidade dissocial conseguem ir longe na carreira e obter sucesso profissional – pelo menos por algum tempo. É claro que os organogramas e a forma como as empresas estão estruturadas colaboram para que indivíduos com comportamento egocêntrico alcancem cargos de chefia. Babiak vê um motivo para o êxito de algumas personalidades dissociais nas estruturas intrincadas de muitas corporações. Em algumas delas, que crescem rapidamente e adotam constantes mudanças de funcionários, as intrigas são dissimuladas por muito tempo, até que venham à tona. Psicólogos organizacionais advertem para o fato de que as próprias corporações podem abrigar uma estrutura doente e atrair funcionários com qualidades semelhantes: empresas doentes tendem a empregar pessoas que combinem com sua estrutura e exigem delas o mesmo tipo de personalidade, o que reforça o estilo inescrupuloso do grupo.

Já que na vida profissional atual valores como força, capacidade de persuasão e controle das emoções estão em alta, à primeira vista as características desses indivíduos são uma vantagem. “A capacidade de exercer poder é entendida como algo positivo pelos executivos”, observa Frese. “Carisma é um conceito relacionado aos valores de uma sociedade; se alguém os incorpora ou finge incorporá-los, somos facilmente atraídos.” É fundamental, portanto, analisar de forma crítica o que pode estar por trás de um currículo eficiente ou mesmo de um excelente vendedor das próprias qualidades. Nesses casos, a presença de psicólogos na empresa costuma ser um diferencial importante.

 

NÃO É DOENÇA

A psicopatia é uma construção clínica definida por um conjunto de traços de personalidade e comportamentos, incluindo megalomania, egocentrismo, emoções superficiais, falta de empatia ou remorso, irresponsabilidade, impulsividade e tendência a ignorar ou a violar as normas sociais. A maioria das pesquisas empíricas sobre a psicopatia envolve populações forenses mais comumente avaliadas com o Psychopathy Checklist-Revised (PCL-R), uma escala de avaliação com 20 itens que mede quatro fatores relacionados ou dimensões (interpessoal, afetiva, estilo de vida e comportamentos antissociais). Recentemente, os pesquisadores voltaram sua atenção para a natureza e as implicações de recursos psicopatas no local de trabalho. Essa pesquisa tem sido dificultada pela falta de uma ferramenta de avaliação orientada para o mundo corporativo. Embora mais pesquisas sejam necessárias antes que o B-Scan 360 seja mais amplamente usado em ambientes organizacionais, a ferramenta pode ser bastante útil no estudo de psicopatia.

TESTE DE ADMISSÃO – B-Scan 360

A ferramenta ajuda a revelar “psicopatas no trabalho” com base nos seguintes indícios:

  • Charme superficial
  • Mentira patológica
  • Sede de estímulos
  • Tendência ao desânimo
  • Caráter manipulador
  • Falta de sentimento de culpa
  • Afetos superficiais
  • Falta de empatia
  • Estilo de vida parasitário
  • Falta de controle emocional
  • Promiscuidade
  • Transtorno de comportamento desde a infância
  • Carência de objetivos realistas a longo prazo
  • Impulsividade
  • Ausência de senso de responsabilidade
  • Incapacidade de admitir os próprios erros
  • Casamentos pouco duradouros
  • Criminalidade precoce

PASSO A PASSO

FASE l: INGRESSO NA EMPRESA

Primeiro, na entrevista de emprego, o candidato mostra-se cativante, charmoso e seguro.

FASE 2: AVALIAÇÃO

Uma vez admitido, procura descobrir o mais rápido possível quem tem voz ativa na empresa e constrói relações pessoais, às vezes íntimas, com funcionários influentes.

FASE 3: MANIPULAÇÃO

De modo intencional, espalha falsas informações para que seja visto de forma positiva e os outros, de maneira negativa. Semeia desconfiança, contando aos colegas que outros os teriam difamado. Assim, cria contato individual com as pessoas, mas evita situações em que precise se posicionar diante do grupo.

FASE 4: CONFRONTO

Ele abandona as pessoas que havia cortejado quando não são mais úteis à sua escalada profissional. Em geral, suas vítimas são humilhadas e, quanto mais exploradas, menos se dispõem a falar sobre suas experiências.

FASE 5: ASCENSÃO

Por fim, aplica o golpe. Coloca os chefes uns contra os outros e toma o lugar de seu superior.

GENTE SEM CULPA

Segundo a Classificação Internacional de Transtornos Psíquicos (CID), o que chama atenção no transtorno de personalidade antissocial é a grande discrepância entre comportamento e normas sociais vigentes. Suas principais características são:

  • Indiferença aos sentimentos alheios, em especial o sofrimento.
  • Incapacidade de manter relações duradouras, facilidade de iniciar múltiplos relacionamentos.
  • Pouquíssima tolerância a frustrações e tendência ao comportamento violento.
  • Incapacidade de experimentar consciência de culpa e de aprender com a experiência.
  • Tendência a culpar os outros e a dar explicações superficiais sobre os próprios erros.

Para o diagnóstico, no mínimo três traços ou modos de comportamento devem estar presentes de forma persistente. Estima-se que esse transtorno atinja entre 1% e 3% da população adulta. Segundo Robert Hare, mulheres e homens são afetados igualmente, mas eles tendem mais claramente a desenvolver a forma violenta. O quadro engloba modelos de comportamento enraizados e contínuos que se manifestam em reações constantes a diferentes situações pessoais e sociais.

As pessoas com essa forma de funcionamento mental agem assim não apenas no trabalho, mas em todos os setores da vida. Atualmente não há consenso a respeito de o quadro ser congênito ou se desenvolver em decorrência de experiências traumáticas na infância. O neurologista Adrian Raine, da Universidade do Sudeste da Califórnia, em Los Angeles, supõe que a causa esteja na atrofia do lobo frontal, parte do cérebro intimamente relacionada à regulação do comportamento.

 

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 13: 1-17 – PARTE II

Alimento diário

Cristo Lavando os Pés dos Discípulos. A Necessidade de Obediência

 

II – Cristo lavou os pés de seus discípulos para nos dar um exemplo de sua própria e maravilhosa humildade, e mostrar como Ele era modesto e condescendente, e para que o mundo inteiro soubesse o quanto Ele podia humilhar-se por amor aos seus. Isto está indicado nos versículos 3-5. Jesus, sabendo, e agora considerando de fato, e talvez discursando sobre suas virtudes como Mediador, e dizendo a seus amigos que “o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas… levantou-se da ceia”, e, para grande surpresa dos companheiros, que desejavam saber o que Ele iria fazer, “começou a lavar os pés aos discípulos”.

1. Aqui está a justa glorificação do Senhor Jesus. Coisas gloriosas são ditas aqui a respeito de Cristo como Mediador.

(1) O Pai havia “depositado nas suas mãos todas as coisas”, havia dado a Ele dignidade em tudo, e poder sobre tudo, como possuidor do céu e da terra, de acordo com os grandes desígnios de sua missão. Veja Mateus 11.27. O acerto e a conciliação de todas as questões em divergência entre Deus e os homens foram depositadas em suas mãos como o grande árbitro e juiz, e a administração do reino de Deus entre os homens, em todos os seus aspectos, fora confiada a Ele, de forma que todas as ações, tanto de autoridade quanto de julgamento, passavam por suas mãos. Ele é “herdeiro de tudo”.

(2) Ele veio de Deus. Isso implica em que Ele estava no princípio com Deus, e tinha existência e glória, não apenas antes que nascesse neste mundo, mas antes que o próprio mundo fosse criado, e que, quando Ele veio ao mundo, veio como embaixador de Deus, comissionado por Ele. Ele veio de Deus como o Filho de Deus, e o enviado de Deus. Os profetas do Antigo Testamento foram levantados e usados por Deus, mas Cristo veio diretamente dele.

(3) Ele “ia para Deus”, para ser glorificado com Ele, com a mesma glória que Ele tinha com Deus desde a eternidade. Aquele que vem de Deus deverá ir para Deus. Aqueles que nascem do céu são destinados ao céu. Assim como Cr isto veio de Deus, para ser o representante dele na terra, da mesma forma Ele foi para Deus, para ser nosso representante no céu, e é um alivio para nós pensarmos no quanto Ele é bem-vindo lá. Ele foi trazido para perto do “ancião de dias”, Daniel 7.13. Foi-lhe dito: “Assenta-te à minha mão direita”, Salmos 110.1.

(4) Ele sabia de tudo isso. Não era como um príncipe no berço, que não sabe nada sobre a glória para a qual nasceu, ou como Moisés, que não sabia que sua face brilhava. Não, Ele tinha uma visão completa de todas as honras de sua condição elevada, e mesmo assim se humilhou a tal ponto. Mas como isso se encaixa aqui?

[1] Como um estímulo para que Ele agora deixasse rapidamente quaisquer que fossem as lições e legados que tivesse que deixar para seus discípulos, porque era agora chegada sua hora, quando Ele deveria despedir-se deles e ser elevado acima daquela convivência familiar que nesse momento Ele tinha com eles, v. 1.

[2] Pode se encaixar como aquilo que o apoiou em seus sofrimentos, e manteve seu ânimo ao longo de sua batalha tão feroz. Judas agora o estava traindo, e Ele sabia disso, e sabia quais seriam a consequências. Porém, sabendo também “que havia saído de Deus, e que ia para Deus”, Ele não recuou, mas foi em frente com ânimo.

[3) Isso parece se inserir como um realce para sua condescendência, para torná-la ainda mais admirável. As razões da graça divina são, algumas vezes, descritas nas Escrituras como estranhas e surpreendentes (como Isaias 57.17,18; Oseias 2.13,14). Assim, aqui isto é concedido como um incentivo a Cristo para humilhar-se, o que, ao contrário, poderia ter sido um motivo para Ele mostrar pompa, pois os pensamentos de Deus não são como os nossos. Compare esta passagem com aquelas que prefaciam os exemplos mais notáveis da graça, com as demonstrações da glória divina, como, por exemplo, Salmos 68.4,5; Isaías 57.15; 66.1,2.

2. Apesar disso, eis aqui a humilhação voluntária de nosso Senhor Jesus. Conhecendo Jesus sua própria glória como Deus, e sua própria autoridade e poder como Mediador, seria de se pensar que deveria seguir-se um ritual como este: Ele se levantaria da mesa, tiraria suas vestes habituais, requisitaria togas, ordenaria que mantivessem distância, e o homenageassem. Mas não, aconteceu algo totalmente contrário. Ele passou a dar o maior de todos os exemplos de humildade. Observe que uma bem fundamentada certeza do céu e da felicidade, em vez de fazer um homem inchar de orgulho, o tornará e o manterá muito humilde. Aqueles que desejarem ser considerados semelhantes a Cristo, compartilhando seu espírito, devem procurar conservar seus pensamentos humildes em meio aos maiores progressos. Cristo se humilhou, lavando os pés de seus discípulos.

(1) O ato em si era degradante e servil, e para o qual servos do mais baixo posto eram utilizados. “Eis aqui a tua serva”, disse Abigail, “servirá de criada para lavar os pés dos criados de meu senhor”. Deixe-me com o trabalho mais humilde, 1 Samuel 25.41. Se ele tivesse lavado as mãos ou os rostos deles, isso teria sido uma grande condescendência (Eliseu “deitava água sobre as mãos de Elias”, 2 Reis 3.11), mas o fato de Cristo ter se humilhado a fazer um trabalho como este, bem poderia despertar nossa admiração. Assim, Ele nos ensinou que nada está abaixo de nós quando se trata de podermos ser úteis para a glória de Deus e para o bem de nossos irmãos.

(2) A condescendência era ainda maior porque Ele fez isso para seus próprios discípulos, que, por si só, eram de uma condição humana baixa e desprezível em relação aos nobres deste mundo. Seus pés, é provável, eram raramente lavados, e, portanto, muito sujos. Em relação a Ele, eles eram seus pupilos, seus servos, e, como tal, deveriam ter lavado os pés dele. Eles dependiam dele e esperavam todas as coisas de suas mãos. Muitas das grandes mentes, por outro lado, farão coisas baixas para bajular seus superiores. Elas progridem através da humilhação, e galgam postos pela bajulação. Mas o fato de Cristo fazer isso por seus discípulos não pode­ ria ser um gesto de astúcia nem um desejo de agradar. Esta foi, de fato, uma atitude de pura humildade.

(3) Ele levantou-se da mesa para fazer isso. Embora interpretemos como tendo acontecido no fim da ceia (v. 2), isto é mais bem interpretado como estando a ceia em andamento, ou estando Ele ceando, pois se assentou outra vez à mesa (v. 12), e o encontramos molhando o bocado (v. 26), de modo que Ele fez isso no meio de sua refeição, e, com isso, nos ensinou:

[1] A não considerarmos uma perturbação, nem motivo justo para qualquer intranquilidade, sermos chamados durante nossa refeição para prestarmos a Deus ou aos nossos irmãos qualquer serviço concreto, valorizando mais o cumprimento do nosso dever do que nossa necessidade de alimento, Jó 4.34. Cristo não interromperia suas pregações para fazer um favor aos seus parentes mais próximos (Marcos 3.33), mas abandonaria sua ceia para mostrar seu amor pelos seus discípulos.

[2] A não sermos muito requintados com relação ao nosso alimento. Lavar pés sujos na hora da ceia teria feito revirar muitos estômagos sensíveis, mas Cristo fez isso, não para que pudéssemos aprender a ser rudes e sujos (a higiene e a devoção andam juntas), mas para ensinar-nos a não sermos cuidadosos, a não fazermos nossa vontade, mas a dominarmos a sensibilidade do apetite, dando às boas maneiras seu devido lugar, e nada mais.

(4) Ele se colocou nos trajes de um servo para realizar essa tarefa: Ele “tirou as vestes” da parte superior, para que pudesse dedicar-se a esse serviço mais livre­ mente. Nós devemos nos direcionar para o dever como aqueles que estão decididos a não se agarrar à ostentação, mas a se esforçar. Devemos nos despojar de tudo aquilo que alimentaria nosso orgulho ou nos atrasaria em nosso caminho e nos impediria de fazer o que temos de fazer, devemos cingir os lombos do nosso entendi­ mento, como aqueles que com fervor se prendem ao trabalho.

(5) Ele fez isso com toda a humildade que poderia existir, passou decididamente por todas as etapas do serviço, e não ignorou nenhuma delas. Ele o fez como se tivesse sido acostumado a servir dessa maneira. Ele mesmo o fez sozinho, e não teve ninguém para ajudá-lo nisso. Ele cingiu-se com a toalha, assim como os servos cobrem seu braço com um lenço, ou colocam um avental diante do seu corpo. Ele despejou água na bacia, das talhas que estavam ao lado (cap. 2.6), e então lhes lavou os pés, e, para completar o serviço, enxugou-os. Alguns acham que Ele não lavou os pés de todos eles, mas de apenas quatro ou cinco, sendo isso considerado suficiente para atingir a finalidade. Mas eu não vejo nada que sustente essa hipótese, pois, em outras ocasiões em que Ele fez alguma distinção ou exceção, isso é mencionado, e a lavagem dos pés de todos eles, sem exceção, nos mostra uma caridade universal, que é extensiva a todos os discípulos de Cristo, até mesmo ao menor deles.

(6) Nada parece indicar que Ele não tenha lavado os pés de Judas entre os demais, pois ele estava presente, v. 26. De fato, um dos atributos de uma viúva é que ela tenha lavado os pés dos santos (1 Timóteo 5.10), e havia algum conforto nisso, mas o bendito Jesus aqui lavou os pés de um pecador, o pior dos pecadores, o pior para Ele, que, naquele momento, estava planejando traí-lo.

Muitos intérpretes consideram a lavagem dos pés dos discípulos por parte de Cristo como um simbolismo de toda a sua missão. Ele sabia que era igual a Deus, e que todas as coisas eram suas, e Ele levantou-se de sua mesa em glória, despojou-se de seu manto de luz, cingiu-se com nossa natureza, tomou para si a forma de servo, não veio para ser servido, mas para servir, derramou seu sangue, derramou sua alma até à morte, e, através disso, preparou uma bacia para nos lavar dos nossos pecados, Apocalipse 1.5.