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A TABELINHA ELETRÔNICA

É aprovado o primeiro aplicativo antigravidez – seguro, mas com eficácia inferior à da pílula e do DIU.

A tabelinha eletrônica.

A tabelinha é um dos mais antigos recursos contraceptivos, usada por mulheres desde priscas eras. Por meio dela, estima-se o período de fertilidade com base nos dias do ciclo menstrual. Com eficácia avaliada em apenas 70%, foi naturalmente substituída, com o tempo, por métodos mais modernos e seguros, como a pílula e o DIU. Agora, a FDA, a agência americana de medicamentos, avalizou a comercialização de uma curiosa invenção que atrela a singela contagem cotidiana a um aplicativo para smartphone. O nome comercial do produto, desenvolvido com tecnologia sueca, é Natural Cycles (ciclos naturais).

Desenhado para celulares, o sistema é alimentado por duas informações básicas: o ciclo menstrual e a temperatura corporal. Ancorado num algoritmo, o programinha calcula em quais dias do mês a mulher está fértil, e pode, portanto, engravidar. O funcionamento é simples. Todas as manhãs, ao longo do mês, a mulher deve medir a própria temperatura, pela boca, com um termômetro ultrassensível, vendido no pacote. Depois, ela põe os dados no celular, e pronto – tudo é calculado automaticamente. A explicação é fisiológica. Durante a ovulação, o organismo feminino aumenta a produção do hormônio progesterona, o composto – chave da gravidez (o nome vem do latim progestare – ou a favor da gestação). A substância eleva em até 0,5 grau a temperatura do corpo – o que é imperceptível por medições comuns. Se o resultado for verde, a usuária não estará ovulando. Se for vermelho, será contraindicado ter relações sexuais sem proteção. A assinatura do aplicativo, já em uso em países escandinavos, custa 50 dólares por ano.

O programa, no entanto, não representa segurança total: a natureza não é tão lógica quanto a inteligência artificial. O corpo humano segue um ritmo biológico que pode ser impactado por algumas variações ambientais, como o stress, o tipo de alimentação, o consumo de álcool e o uso de remédios. O ciclo pode sofrer alterações. O Natural Cycles, dada essa pequena margem de incerteza, tem 93¾ de eficácia – ou seja, de 100 mulheres que o utilizam, sete podem engravidar. A pílula é 98¾ certeira. O DIU hormonal chega a 99,8%. “O índice desse novo produto pode ser bom, mas as estratégias já consolidadas ainda são mais seguras para quem não quer engravidar”, diz o ginecologista Márcio Coslovsky, médico da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida.

Não há hormônios envolvidos no aplicativo, como na pílula anticoncepcional. E essa é uma boa vantagem. Diz Eduardo Zlotnik, ginecologista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo: “Um número cada vez maior de mulheres busca métodos contraceptivos naturais e sem intervenções”. As pílulas modernas são seguras, mas raramente isentas de efeitos colaterais. Aumento de peso, es- pinhas, alterações de humor e trombose estão entre eles. Os hormônios das pílulas anticoncepcionais, no entanto, revolucionaram o mundo. Surgidas na década de 60, elas foram o estopim da revolução sexual, dando às mulheres a possibilidade de controlar a própria reprodução, de fazer sexo por prazer e não apenas para reproduzir. “Uma das sete maravilhas do mundo”, na definição de uma reportagem da revista inglesa The Economisc.

 A tabelinha eletrônica.2

 

A tabelinha eletrônica.3

 

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.