PSICOLOGIA ANALÍTICA

IDOSOS BUSCAM RESPOSTAS SOBRE SEXO NA INTERNET

Falar sobre o tema costuma ser tabu tanto para os mais velhos, quanto para seus cuidadores e parentes; felizmente, a tecnologia pode ser muito útil na hora de procurar informações.

Idosos buscam respostas sobre sexo na internet

Uma pesquisa sugere que um número crescente de idosos continua a ter vida sexualmente ativa, o que colabora com a saúde e a felicidade. Embora boa parte hesite em discutir questões íntimas com o médico, um novo estudo revela que muitos têm lançado mão de comunidades on-line para ter entre si as respostas e o apoio de que necessitam.

A atividade sexual entre adultos com mais idade é comum – mais de metade dos homens e um terço das mulheres na faixa dos 70 anos, casados ou não, relataram fazer sexo pelo menos duas vezes por mês em um estudo publicado na Archives of Sexual Behavior. Mas isso pode ser complicado. Problemas médicos que costumam surgir com a idade, como diabetes e doenças cardíacas, podem afetar o desejo sexual e o desempenho. Muitos viúvos que começam a namorar novamente mais tarde na vida não sabem como se proteger de doenças sexualmente transmissíveis ou abordar alguém por quem têm interesse. Para piorar as coisas, os estereótipos relacionados com a idade – como a ideia de que idosos são “muito velhos para o sexo” – podem criar dificuldades para que eles cheguem às respostas.

Uma revisão recente da literatura científica mostra que, além de os idosos raramente conversarem sobre sexo com os médicos, muitos desses profissionais se revelam hesitantes em apresentar o tema. “Os resultados, a literatura cientifica e a mídia atual mostram que boa parte dos prestadores de cuidados de saúde, das equipes de casas de repouso para idosos e das próprias clínicas que atendem essa população costuma ignorar a saúde, a necessidade e os direitos sexuais de seus clientes e moradores”, afirma a cientista social Liza Berdychevsky, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign.

A luz dessa preocupante tendência, Berdychevsky e sua colega Galit Nimrod, pesquisadora da área de comunicação da Universidade Ben-Guriondo Negev, em Israel, decidiram investigar se idosos conseguiam encontrar apoio sobre temas sexuais em fóruns online. Depois de terem analisado aproximadamente 700 mil mensagens postadas no espaço de um ano em diversas comunidades da rede de vários países, elas encontraram cerca de 2.500 posts dedicados a discussões de questões relacionadas com a sexualidade. Menos de 0.4% do total de mensagens. Apesar disso, alguns desses tópicos eram muito populares, com milhares de visualizações, o que sugere que, embora não participassem dos debates, muitos membros da comunidade acompanhavam as pautas.

Os pesquisadores identificaram também evidências que sugerem que esses lugares ajudavam a responder a perguntas dos usuários, deixando-os mais confortáveis sobre o amadurecimento da sexualidade, segundo um artigo publicado em junho no Journal of Leisure Research.

“As comunidades oferecem aos membros a garantia de que não estão sozinhos e de que tudo o que experimentam é enfrentado por muitos outros em sua faixa etária”, diz Berdychesvky.

Além disso, os fóruns online oferecem um canal para compartilhar dificuldades, ganhar conhecimento em primeira mão e trocar conselhos. Ela e outros investigadores continuam a enfatizar a importância de melhorar a comunicação face a face sobre sexo, principalmente em ambientes de cuidados de saúde. No entanto, à medida que mais idosos ganham acesso à internet sua vida sexual tende a melhorar e, em geral, também seu bem-estar geral.

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OUTROS OLHARES

A BANALIZAÇÃO DA MORTE

A morte é um tabu sempre presente em nossas vidas. Mas os que sonham com a imortalidade podem agora imaginar possibilidades mais concretas, mostradas na ficção científica e que, quem sabe, serão concretizadas pelos avanços da tecnologia.

A banalização da morte

Uma das descobertas mais importantes do homem foi a morte. Nunca saberemos quando ela ocorreu. Foi uma descoberta avassaladora: a morte como algo universal, predestinado. Tudo que vive é um prefácio de uma morte certa, o tempo de vida é muito curto. Uma descoberta traumática. A inescapável mortalidade. O homem é o animal que sabe que será derrotado pela morte.

Com a descoberta da morte, vieram as tentativas de driblá-la. As religiões inventaram a vida após a morte. Ensinaram-nos a não valorizar tanto a vida, para não sofrermos tanto com a perspectiva da morte. “Quem quiser salvar sua vida a perderá”, diz o Evangelho. E sugere que Deus expulsou Adão e Eva do paraíso pois, ao comerem o fruto da Árvore do Conhecimento, poderiam querer se tornar imortais. A promessa da ressurreição da carne é o coroamento da vida eterna para os cristãos. Curiosamente, o Velho Testamento não faz referência, em nenhuma de suas passagens, à vida após a morte.

“O nosso destino é a escuridão”, proclamou Shakespeare na sua peça Antonio e Cleópatra (ato V, cena II). A morte é um terna sempre presente na literatura e na Filosofia. Há uma longa estirpe de filósofos que se dedicaram a ele, passando por Agostinho, Pascal, Schopenhauer, Kierkegaard e muitos outros. No século passado, Heidegger foi um dos filósofos que mais se preocuparam com esse tema. Para ele, a morte é o Nada, o abismo cardinal, a fonte de toda inquietação humana e do pensamento. Seguindo as pegadas de Heidegger, alguns pensadores existencialistas como Camus e Sartre se debruçaram sobre o significado da morte e da finitude do homem.

O homem do século XXI continua a se debater com o horror absoluto da morte e da extinção de sua espécie. A biologia moderna é a nova narrativa sobre a vida e a morte. A imortalidade da alma é a ancestralidade da vida, sua reprodução indefinida como estratégia para triunfar sobre a morte. O código genético é praticamente o mesmo em todos os seres vivos e é sempre reeditado através das gerações.

Em seu livro mais famoso, O gene egoísta, o zoólogo Richard Dawkins defende que nossos corpos são apenas portadores de genes sobreviventes que, por meio de sucessivas gerações, garantiram o triunfo da vida nos últimos 3,5 bilhões de anos. Todas as espécies que existem são ramificações que surgiram de uma única linhagem primordial. A morte de uma pessoa pode ser uma tragédia individual, mas a espécie humana continuará por mais alguns milhões de anos. Nossa missão, como seres vivos, é transmitir genes.

Mas a biologia não consola ninguém. Quando a questão é a morte de um ser humano, ela serve, no máximo, para que o refrão “e a vida continua” possa ser repetido. A engenharia genética, o transplante de órgãos e até o transplante de cabeças estão a serviço do prolongamento da vida. Mas não nos contentamos com apenas prolongar a vida. Que remos a imortalidade, queremos uma ciência que negue que ela está reservada apenas para os deuses e não para os homens.

Atualmente, alguns gurus do Vale do Silício tentam nos convencer de que é possível fazer uma cópia digitalizada do cérebro das pessoas, com todos os seus circuitos neurais e lembranças. Essa cópia poderia ser enviada para a nuvem, na qual ela duraria indefinidamente. Quem lê esses gurus acaba se convencendo de que a ciência poderá, em breve, burlar a morte. Mas a estratégia para nos convencer de que a ciência poderá lidar com a morte é resultado de uma manobra sutil nas entrelinhas desses textos. Para laicizar a morte, esvaziá-la de todo sentido trágico, é preciso torná-la cada vez mais banal.

O sintoma dessa manobra aparece na ficção científica. Na novela Carbono alterado, livro de estreia de Richard Morgan (que se tornou um seriado de TV), o autor descreve um mundo no qual todas as pessoas têm um “cartucho”, um chip extraordinariamente poderoso que contém uma cópia digitalizada do cérebro. O corpo de uma pessoa pode ser destruído, mas se o cartucho ficar intacto, ele poderá ser implantado em um outro corpo no futuro, que o autor chama de “capa”. Todos passam a vida economizando para comprar uma capa. A única exceção são os católicos, que se recusam a viver novamente e, por isso, assinam um documento registrado no Vaticano para que seus cartuchos não sejam reimplantados.

O cenário descrito por Morgan é bizarro. Nessa sociedade, ninguém teme morrer, pois a morte pode acontecer várias vezes para uma pessoa e ela continuará a viver se o cartucho for reimplantado em outra capa. Uma ameaça de morte não surte efeito. A destruição do corpo e do cartucho não amedronta ninguém. O corpo pode ser substituído por uma nova capa e para o cartucho sempre haverá um backup, que poderia ficar armazenado na nuvem. A morte não é apenas secularizada. Ela é banalizada.

No seriado Westworld há, também, personagens que dizem não temer a morte pois já morreram e voltaram à vida várias vezes. A morte é algo trivial, pois se tornou um problema científico que em breve será solucionado.

Mas o que significa a banalização da morte? Morgan nos fornece a resposta em uma passagem de sua novela, na qual ele afirma: “Mas gente? Pessoas se reproduzem como células cancerosas, são abundantes (…) A carne humana é mais barata que uma máquina. É a verdade axiomática de nossos tempos”.

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JOÃO DE FERNANDES TEIXEIRA – é paulistano, formado em filosofia na USP. Viveu e estudou na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Escreveu mais de uma dezena de livros sobre filosofia da mente e tecnologia. Lecionou na UNESP, na UFSCAR e na PUC-SP.

GESTÃO E CARREIRA

O QUE FAZ FLORESCER

As empresas são responsáveis por criar um terreno fértil para o desenvolvimento dos profissionais – mas é papel deles escolher o Local em que mais crescerão.

O que faz florescer

Uma das parábolas bíblicas que sempre me encantaram é a do Semeador. Nas escrituras, explica-se que, quando uma semente cai num terreno pedregoso com pouca terra, ela pode até germinar, mas será queimada pelo sol por não ter raízes fortes o bastante para vingar. Conta-se também que a semente que cai entre plantas espinhosas será abafada pelos espinhos e não conseguirá germinar. A parábola me cativa porque mostra o que acontece nas organizações. A semente é o indivíduo que, por natureza, traz dentro de si mesmo uma energia potencial que precisa desabrochar. Mas, se for colocado num terreno inóspito, não criará raízes, ou seja, se o profissional estiver em condições desfavoráveis para seu crescimento, não vai evoluir – independentemente de seu potencial. É impossível vingar sem um entorno favorável.

E, se o profissional cair numa empresa espinhosa, ele vai realmente morrer sufocado – assim como as sementes bíblicas. Nesses ambientes predomina uma competitividade desenfreada, sem espaço para divergências ou sugestões, sem conversas transparentes e sem feedback. Não há energia interna que segure o autodesenvolvimento.

É preciso estar num solo fértil para florescer. Os insumos desse terreno são: clima meritocrático; liderança democrática; comunicação transparente; divisão justa dos resultados; ambiente de cooperação no qual é possível discordar, argumentar e tomar decisões coletivamente. A responsabilidade por cultivar o solo fértil está nas mãos dos semeadores, ou seja, das empresas e de seus líderes. São eles os responsáveis por criar as condições favoráveis para o crescimento das sementes. Claro que os indivíduos também têm seu papel nesse processo. Devem usar sua energia potencial e seu esforço interno para florescer sem prejudicar o crescimento dos outros. A responsabilidade aqui é compartilhada.

No fim, toda essa conversa é para lembrar que a carreira é um patrimônio pessoal e, portanto, precisa ser gerenciada por cada um de nós. Por isso é tão importante escolher em qual solo você mais crescerá e aproveitar o terreno para ser feliz.

 

LUIZ CARLOS CABRERA – escreve sobre carreira, é professor na EAESP-FGV e diretor na PMC – Panelli, Mota Cabreira e Associados.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 12: 37-41

Alimento diário

A Incredulidade do Povo

Aqui temos a honra que foi prestada ao nosso Senhor Jesus pelos profetas do Antigo Testamento, que tinham predito e lamentado a infidelidade dos muitos que não criam nele. Era realmente uma desonra e um pesar para Cristo que sua doutrina encontrasse tão pouca aceitação e tão grande oposição. Mas o fato de que as Escrituras assim eram cumpridas remove o assombro e a censura, faz cessar a ofensa, e não traz desapontamento a Cristo. Duas coisas são ditas aqui a respeito deste povo intratável, e ambas tinham sido preditas pelo profeta evangélico Isaías, o fato de que não criam, e o fato de que não podiam crer.

 

I – Eles não criam (v. 37): ”Ainda que tivesse feito tantos sinais diante deles”, o que, poderíamos pensar, deveria tê-los convencido, “não criam nele”, mas se opunham a Ele. Observe:

1. A abundância dos meios de convicção que Cristo lhes forneceu: Ele fez sinais, tantos sinais, significando tantos e tão grandiosos. Isto se refere a todos os milagres que Ele tinha realizado anteriormente. Na verdade, agora foram ter com Ele ao Templo cegos e coxos, e curou-os, Mateus 21.14. Seus milagres eram a maior prova da sua missão, e Ele confiava na evidência deles. Aqui Ele insiste em dois pontos, sobre seus milagres:

(1) A quantidade deles. Eram muitos, diversos e de diferentes tipos; numerosos e frequentemente repetidos. E cada novo milagre confirmava a realidade de todos os que tinham sido realizado antes. A quantidade dos seus milagres não somente era uma prova do seu poder inesgotável, mas dava uma oportunidade maior para examiná-los, e se tivesse havido alguma trapaça neles, era moralmente impossível que em um ou outro isto não fosse descoberto. E sendo todos milagres de misericórdia, quanto mais milagres eram feitos, mais bênçãos eram concedidas. O Senhor Jesus estava fazendo o bem constantemente.

(2) A notoriedade deles. Ele realizava estes milagres diante deles, não à distância, não em um canto, mas diante de muitas testemunhas, diante dos seus próprios olhos.

2. A ineficácia destes meios: ”Ainda… não criam nele”. Eles não podiam contradizer as premissas, e ainda assim não podiam conceder a conclusão. Observe que os mais abundantes e poderosos meios de convicção não irão, por si só, operar a fé nos corações preconceituosos e depravados dos homens. Eles viam, e, mesmo assim, não criam.

3. O cumprimento das Escrituras nesta situação (v. 38): “Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías”. Não que estes judeus infiéis desejassem o cumprimento das Escrituras (eles prefeririam que as Escrituras que falam dos melhores filhos da igreja se cumprissem neles mesmos), mas o evento correspondeu com exatidão à predição, de modo que estas palavras de Isaías se cumprissem. Quanto mais improvável é qualquer evento, mais aparece, na verdade, uma presciência divina na sua predição. Não se poderia ter imaginado que o reino do Messias, sustentado com provas tão convincentes, devesse ter encontrado tanta oposição entre os judeus, e por isto sua incredulidade é chamada de “uma obra maravilhosa e um assombro”, Isaías 29.14. O próprio Cristo se maravilhou com isto, mas isto era o que Isaías tinha predito (Isaias 53.1), e que se cumpria agora. Observe:

(1) O Evangelho é aqui chamado de “nossa pregação”: Quem creu, naquilo que ouvimos de Deus, e que vocês ouviram de nós. Nossa pregação é o relato que nós trazemos, como a narrativa de um fato, ou de uma resolução solene no senado.

(2) Está predito que somente alguns, em comparação com aqueles a quem esta pregação é feita, serão persuadidos a dar crédito a ela. Muitos a ouvem, mas poucos prestam atenção a ela, e a aceitam: “Quem creu” nela? Um aqui, e outro ali, mas ninguém creu tanto, a ponto de falar dela. Os sábios e os nobres não creram como deveriam ter crido. Para eles, a pregação não passa de um relato que precisa de confirmação.

(3) O fato de que tão poucos creiam no relato do Evangelho é mencionado como algo a ser enormemente lamentado. O termo “Senhor” aqui é assinalado desde a Septuaginta, mas não consta no texto hebraico, e evidencia um relato pesaroso, trazido pelos mensageiros a Deus, sobre a fria recepção que eles e seu relato tiveram. “Voltando aquele servo, anunciou essas coisas ao seu senhor”, Lucas 14.21.

(4) A razão pela qual os homens não creem no relato do Evangelho é porque o braço do Senhor não foi revelado a eles, isto é, porque não conhecem a graça de Deus, e não se submetem a ela. Eles não conhecem, por experiência própria, a virtude e a comunhão da morte e da ressurreição de Cristo, em que é revelado o braço do Senhor. Eles viam os milagres de Cristo, mas não viam o braço do Senhor revelado neles.

 

II – Eles não podiam crer, e não podiam entender, porque Isaías disse: “Cegou- lhes os olhos”. Estas são palavras duras, quem pode explicá-las? Nós temos certeza de que Deus é infinitamente justo e misericordioso, e por isto não podemos pensar que exista em alguém tal impotência para o bem, resultando dos conselhos de Deus, que o deixe sob uma necessidade fatal de ser mau. Deus não prejudica a ninguém meramente pela sua soberania, mas está escrito: Eles “não podiam crer”. Eles não podiam crer, isto é, não desejavam crer. Eles estavam obstinadamente determinados na sua infidelidade. Crisóstomo e Austin estão inclinados a interpretar assim, e o primeiro fornece diversos exemplos nas Escrituras da atribuição de uma impotência ou incapacidade para representar a invencível recusa da vontade, como em Gênesis 37.4: “Não podiam falar com ele pacificamente”. E João 7.7. Esta é uma impotência moral, como a daquele que está acostumado a fazer o mal, Jeremias 13.23. Mas:

1. Eles não podiam crer, porque Isaías tinha dito: “Cegou- lhes os olhos”. Aqui aumenta a dificuldade. Ê certo que Deus não é o autor do pecado, e ainda assim:

(1) Existe uma mão justa de Deus, que, algumas vezes deve ser reconhecida na cegueira e na obstinação daqueles que persistem na impenitência e na incredulidade, pela qual eles são, adequadamente, punidos pela sua resistência anterior à luz divina, e pela sua rebelião contra a lei divina. Se Deus retiver a graça mal utilizada, e entregar os homens a desejos tolerados, se Ele permitir que o espírito mau faça seu trabalho naqueles que resistem ao Espírito bom, e se, na sua providência, Ele colocar obstáculos no caminho dos pecadores, que confirmam seus preconceitos, então Ele cega seus olhos, e endurece seus corações, e estes são juízos espirituais, como a entrega de gentios idólatras a afeições vis, e de cristãos degenera­ dos, a grandes ilusões. Observe o método de conversão aqui usado, e os passos dados:

[1] Os pecadores são levados a ver com seus olhos, a discernir a realidade das coisas divinas, e a ter algum conhecimento delas.

[2] A compreender com seus corações, a aplicar estas coisas a si mesmos, não somente para assentir e aprovar, mas para consentir e aceitar.

[3] A se converterem, e efetivamente voltarem do pecado para Cristo, do mundo e da carne para Deus, como sua felicidade e destino.

[4] Então Deus irá curá-los, justificá-los e santificá-los. Irá perdoar seus pecados, que são como feridas abertas, e mortificar suas corrupções, que são como enfermidades à espreita. Agora, quando Deus nega sua graça, nada disto acontece. A alienação e sua aversão a Deus, e à vida divina, crescem e se tornam uma antipatia enraizada e in­ vencível, e, desta forma, o caso se torna desesperador.

(2) A cegueira e a insensibilidade judicial no mundo de Deus ameaçam aqueles que voluntariamente persistem na maldade, e foram previstas particularmente a respeito da igreja e da nação judaica. Conhecidas de Deus são todas as suas obras, e todas as nossas também. Cristo sabia de antemão quem iria traí-lo, e falou sobre isto, cap. 6.70. Isto é uma confirmação da verdade das profecias das Escrituras, e, desta maneira, até mesmo a incredulidade dos judeus pode ajudar a fortalecer nossa fé. Isto também pretende ser uma advertência a determinadas pessoas, para que tomem cuidado para que não caia sobre elas aquilo que os profetas disseram, Atos 13.40.

(3) O que Deus predisse certamente virá a acontecer, e sendo assim, por uma consequência necessária, na ordem da argumentação, poderia ser dito que, portanto, eles não podiam crer, porque Deus, por intermédio dos profetas, tinha predito que eles não creriam, pois o conhecimento de Deus é tal, que Ele não pode estar enganado naquilo que prevê, e sua verdade é tal, que Ele não pode se enganar naquilo que prediz, de modo que as Escrituras não podem deixar de se cumprir. Porém, podemos observar que a profecia não citou nenhuma pessoa em particular, para que não se pudesse dizer: “Por isto, este e aquele não podiam crer, porque Isaías tinha dito isto ou aquilo”, mas isto apontava para o corpo da nação judaica, que persistiria na sua infidelidade até que se assolassem as cidades, e ficassem sem habitantes, como consequência (Isaias 6.11,12), reservando, ainda assim, uns restantes (v. 13, a décima parte dela ficará), que é uma reserva suficiente para manter uma porta de esperança aberta a determinadas pessoas, pois cada um poderá dizer: “Por que eu não posso fazer parte deste remanescente?”

Finalmente, o evangelista, tendo citado a profecia, mostra (v. 41) que ela pretendia olhar além dos dias do profeta, e que sua principal referência era aos dias do Messias: “Isaías disse isso quando viu a sua glória e falou dele”.

1. Nós lemos na profecia que isto foi dito a Isaías, Isaías 6.8,9. Mas aqui lemos que foi dito por ele, com este propósito. Pois nada foi dito por ele, como profeta, que não tivesse sido antes dito a ele, e nada era dito a ele, que depois não fosse dito por ele àqueles aos quais ele tinha sido enviado. Veja Isaías 21.10.

2. A visão que o profeta tinha tido da glória de Deus aqui é dita como sendo sua visão da glória de Jesus Cristo: ele “viu a sua glória”. Jesus Cristo, portanto, é igual, em poder e glória, ao Pai, e seus louvores são celebrados igualmente. Cristo tinha uma glória antes da fundação do mundo, e Isaías a viu.

3. Está escrito que o profeta ali falava dele. Isto parece ter sido dito sobre o próprio profeta (pois a ele foram dadas a comissão e as instruções), mas aqui está escrito que foi dito sobre Cristo, pois, assim como todos os profetas testificavam dele, também todos o representavam. Eles falavam que para muitos a vinda de Jesus seria não somente infrutífera, mas fatal, um cheiro de morte para morte. Uma objeção contra sua doutrina era possível: Se ela era do céu, por que os judeus não creram nela? Mas aqui está uma resposta para isto. Não foi por falta de evidências, mas porque seus corações estavam inchados, e seus ouvidos, pesados. Foi dito, a respeito de Cristo, que Ele seria glorificado em meio à ruína de uma multidão incrédula, como também na salvação de um remanescente diferenciado.