PSICOLOGIA ANALÍTICA

UMA REFLEXÃO IMAGINATIVA

Na Psicologia poética, a poesia pode ser explorada no âmbito psicológico para acessar uma realidade transpessoal, ao nível dos arquétipos e demais teorias.

Uma reflexão imaginativa.2

 

“De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo. O mundo, cheio de departamentos, não é bola, bonita caminhando solta no espaço.” (Adélia Prado)

Começo este texto sobre a poesia narrando uma história que aconteceu recentemente em meu consultório: um garoto de 18 anos decidiu procurar Psicoterapia após passar sete horas consecutivas descendo a timeline, curtindo e compartilhando no Facebook.

Como cultura e sociedade, estamos de braços com a urgente superação da clivagem, do tudo ou nada das redes sociais. Diante do cenário no qual meu jovem paciente está inserido, mais como objeto do que como sujeito, o torpor ontológico ganha ares de constatação de Carlos Drummond de Andrade, de que “nada sobrou para nós senão o cotidiano”. Além dos princípios norteadores para uma conduta clínica e prospectiva do caso em questão, veio-me quase que instantaneamente a força sensível da poeta Adélia Prado em seu poema Paixão, na forma de uma resposta imaginativa ao enigma que aquela Esfinge me propunha.

Diante da condição de enclausuramento de um sujeito capturado pelo sintoma (aquele que vê o mundo dividido em “departamentos”), do personagem encoberto pelas ficções de si em meio ao palco sedutor das redes sociais é que percebemos a importância de uma reflexão imaginativa que se aproprie da poesia como elemento capaz de criar um espaço entre, operando uma útil organização dos eventos cotidianos (de considerável ganho terapêutico) ;a fim de mobilizar a “doenças das literalizações”, como diz Hillman. Tudo isso, om a finalidade de desobstruir os canais criativos e imaginativos do ser e facilitar a experiência estética/poética necessária para o fazer alma.

O principal objetivo deste texto é propor uma reflexão imaginativa sobre a importância da poesia no cotidiano, partindo de um enfoque psicológico. Seguiremos a trilha de pensadores como Carl Jung, James Hillman, Edgar Morin e tantos outros que, além das categorias nosológicas, da dimensão conceitual e racional, estruturaram igualmente a dimensão mito poética da psique, enfatizando sua função regulatória do real a partir da irrupção do mundo simbólico. Para eles, a dimensão poética da psique põe em movimento uma dinâmica imaginativo-afetiva, oposta complementar (…) que representa a polaridade antagônica à da racionalidade técnica e da concepção utilitarista da vida’. Trata-se de acessar uma realidade transpessoal ao nível dos arquétipos, cuja energia criativa ­ destrutiva move-se para além e independentemente da percepção retilínea do ego. Ao propormos aqui essa reflexão, movemo-nos nós também ao redor do âmbito psicológico dessa temática e, por isso, apostamos no fecundo encontro entre a consciência de racionalidade e a consciência imaginante.

Ao focarmos nos valores psicológicos da imaginação poética, estamos nos apoiando no desenvolvimento de um olhar poético ancorado nos valores promotores da individuação, segundo C. G. Jung, isto é, do desenvolvimento do ego em direção ao self e da consciência em suas trocas com o inconsciente. Essa percepção considera os valores afetivos e emocionais do indivíduo, não buscando seu objeto num mundo conceitual, abstrato e geral, mas na vida do dia a dia, ou seja, nas experiências e sonhos do indivíduo”. Em outras palavras, reafirmamos o potencial integrativo da psique, tal como o apresenta Gilbert Durand quando reconhece a necessidade de integrar ciência e poética. Segundo a atual leitura a partir de um paradigma hegemônico e unilateral, esses e outros polos da experiência permanecem travados na condição de opostos irreconciliáveis, como rios que desaguam para fazer transbordar a disrupção que impede uma experiência autêntica do existir. Como reitera Durand, uma “ciência sem poesia, inteligência pura sem compreensão simbólica dos fins humanos, conhecimento objetivo sem expressão do sujeito humano, objeto sem felicidade apropriadora é apenas inclinação do homem.

METÁFORAS

Nessas linhas iniciais precisamos reforçar um lembrete ao leitor para que não estranhe o nosso abuso das metáforas. Em um texto sobre poesia, precisamos do refúgio das imagens e daquilo que funcione como um convite para não antecipar o processo imaginativo, amplificando, assim, a compreensão poética para além dos clichês, das ideias congeladas, pré-fabricadas. Para Ortega y Gasset, a metáfora é provavelmente a potência mais fértil que o homem possui. A metáfora seria assim um modo de organização e rejuvenescimento da linguagem em seu modo de mediar o real, uma resposta não linear ao plano linear da vida que a dimensão do ego fomenta. Reafirmando Ortega Y Gasset, “só a metáfora nos facilita a evasão e cria, entre as coisas reais, recifes imaginativos, florescimento de ilhas sutis”.

Num esforço para desarmar a consciência de seu aparato lógico­ conceitual e de seu compromisso aristotélico com a unilateralização reducionista, Paul Valery lembra ­ nos que a função da emoção poética é lançar-nos na vertigem do real.

OUTROS OLHARES

REALIDADA AUMENTADA OU REDUZIDA?

A nova mania do mundo virtual exige que o jogador saia da frente do computador para explorar o mundo real. Porém, esse diálogo de maneira fidedigna com os elementos cotidianos é o ponto de conflito entre os que defendem e criticam o jogo.

Realidade aumentada ou reduzida

A caça é uma das mais antigas atividades do ser humano. Consiste na prática de perseguir animais, geralmente selvagens, para obtê-los como alimento ou, então, simplesmente para entretenimento, defesa de bens ou atividades comerciais. Munido de uma arma, o caçador deixa o conforto de sua residência e se expõe à inúmeros riscos enquanto explora o mundo real em busca da presa almejada. No início de 2016, um jogo para celular subverteu esse conceito tradicional de caça. Essa subversão parece um desdobramento da célebre frase de Henry Jenkins, “em uma sociedade de caça, as crianças brincam com arcos e flechas. Em uma sociedade da informação, as crianças brincam com informações”. A espingarda foi trocada pelo celular, os tiros pelas pokébolas e as presas animais agora são Pokémons virtuais que, em tese, não oferecem quaisquer riscos de vida real para o jogador. Pokémon Go é a nova mania que reacende a vontade ancestral de caçar outros seres – atividade fundamental para qualquer animal carnívoro ou onívoro. Diversos estudos apontam esta motivação como basilar e causal do desenvolvimento cognitivo dos animais. Não é para menos, pois a vida mais parece um jogo de caça e fuga, protagonizada por diferentes técnicas de emboscadas, perseguição, trabalho em grupo, fuga em massa, alertas emitidos para o grupo, entre outras. Contudo, ao contrário da caça concreta, Pokémon Go propõe uma caçada de monstrinhos digitais, que interage com o mundo real a partir do conceito de realidade aumentada.

Ainda diferente de outros jogos, muitos dos quais oferece uma experiência de caça e captura, Pokémon Go exige que o jogador saia da frente do computador e do sofá, e explore o mundo real. É necessário caminhar para encontrar os “pokéstops” – pontos de coleta de itens e pokébolas (a arma que é lançada pelo jogador para capturar o Pokémon). Ovos são chocados somente quando são incubados e o dispositivo móvel é carregado pelo jogador por 2 km, 5 km ou até 10 km. O ponto forte de inovação do jogo é dialogar de maneira fidedigna com os elementos da realidade do jogador. Há um círculo mágico emoldurado por uma história de criaturas ficcionais que os seres humanos capturam e os treinam para lutarem um contra o outro como um esporte. Contudo, este círculo está agora distribuído e geolocalizado.

UM FENÔMENO POLÊMICO

O sucesso estrondoso do jogo suscita uma série de questionamentos acerca da maneira aficionada com que os jogadores de todas as idades se empenham para capturar Pokémons, muitas vezes ficando imersos horas a fio naquela atividade de caça de monstrinhos que não existem. Diversas declarações, muitas delas postadas em redes sociais, julgam as pessoas que apreciam o jogo, afirmando que aos jogadores faltam ­ lhes uma “boa jornada de trabalho” ou outras responsabilidades como cuidar de uma casa, cuidar de filho e família, dentre outras. Há uma tentativa de infantilizar a atitude de jogadores adultos comparando-os com crianças e adolescentes que, em tese, não têm essas responsabilidades. Outros alertam sobre o perigo das   pessoas terem seus celulares roubados. Na imprensa, há histórias de jogadores que caíram de prédios enquanto jogavam, outros que adentraram em locais perigosos e foram assaltados, etc. Contudo, há pessoas que observam a jogatina de outra perspectiva, destacando os pontos positivos como o incentivo para fazer os jogadores andarem pela cidade, ocupar praças, museus e parques e conectar ­ se a outras pessoas. Pretendemos discutir aqui essas nuances da experiência do jogador e buscamos lançar uma luz lúcida sobre a polêmica que envolve conceitos e aplicações de diferentes tecnologias como realidade aumentada, geolocalização e gamificação que constituem a experiência psicológica de Pokémon Go.

 NOSTALGIA PARA OS MAIS VELHOS. NOVIDADE PARA OS MAIS NOVOS

Pokémon foi criado em 1995 para o Game Boy. Na época, foi um fenômeno de grande sucesso, o que possibilitou a criação de uma linha de produtos, envolvendo brinquedos, jogos analógicos, cards colecionáveis e séries de televisão. Para o público adulto. Pokemon Go é uma oportunidade de revisitar algo vivido na infância, assim como a série Stranger Things conquista milhões de assinantes do Netflix e episódios de Chaves e Chapolim são mantidos na grade televisiva e se consolidam como símbolos atemporais da televisão brasileira. Para os mais novos é novidade, mas o encanto é tal devido a uma nova experiência de jogar que mais parece um “caça ao tesouro”. O Jogo nos transporta da tela do celular para as ruas da cidade.

 

TIAGO JOSÉ BENEDITO EUGÊNIO – é Coordenador do curso de pós-graduação em Games e Tecnologias da Inteligência aplicados à Educação da Capacitar e mestre em Psicobiologia pela UFRN e licenciatura e bacharelado em Ciências Biológicas pela UNESP. Possui formação em Game-Based Learmng na Quest to Learn em Nova York e em comunidades de aprendizagem nas Escuelas Experimentales da Terra do Fogo, Ushuaia.  Atualmente é aluno de especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional do Instituto PROMNAS Professor STEAM e de projetos relacionados a produção de Jogos e Ciências forenses do Colégio Bandeirantes.

E-mail: tiagoeugenio20@gmail.com

GESTÃO E CARREIRA

O CLIENTE NO CENTRO DO CONSUMO

Entenda de que forma omnichannel e self checkout são estratégias que podem mudar drasticamente a experiência de compra. Apesar de não ser novidade, consumidores ainda não se deram conta de que estão no meio de toda a estratégia de vendas.

O cliente no centro do consumo

Quebrar as barreiras entre o universo físico e o virtual: isso lhe parece distante? Não para o omnichannel. A evolução do conceito de multicanal tem sido uma estratégia certeira entre as empresas brasileiras. A proposta é permitir que o cliente transite entre o on e o off-line de uma marca de maneira natural e fluída.

Na prática, é como comprar um remédio. Sem sair de casa, você acessa o aplicativo ou o site da farmácia. Navega pelas “prateleiras virtuais”. Depois de encontrar o item, a empresa sinaliza qual loja mais perto da sua geolocalização conta com estoque do produto. Aí são duas opções: retirar o medicamento na loja ou finalizar a compra e receber por meio de um entregador em poucas horas.

A experiência foi vivida pelo CEO e fundador da Kanamobi – empresa de tecnologia criativa -, Cristiano Kanashiro. “‘Esse é um caso bem bacana que mostra a eficiência. Eu não precisei ir até uma loja e correr o risco de não encontrar o produto, como acontece quando a gente vai comprar um remédio e só descobre quando chega lá que o medicamento está em falta. Então, essa solução integrada permite que os usuários tenham uma maior facilidade, melhor comodidade, ou seja, conveniência”, comenta Kanashiro.

NA PRÁTICA

Tudo isso é lindo, na teoria, mas na prática a estratégia que envolve o omnichannel precisa ser muito bem pensada para que a empresa não dê um tiro no pé. “É uma estratégia complexa: você tem uma rede de lojas físicas, onde tudo tem que estar 100% integrado, e essa é a maior dificuldade. Como eu sei que um produto que está na loja virtual tem realmente em estoque físico? É um processo que demanda toda uma operação diferenciada, pontua o especialista.

Traduzindo o que Kanashiro explicou, trata-se de o usuário fazer a compra na internet ou por meio do aplicativo e saber que, ao ir à loja para retirá-lo – caso essa tenha sido a opção – aquele produto estará reservado. Uma vez que você faz a compra, a comunicação tem que ser integrada. Está aí um grande desafio, principalmente dos grandes players do mercado.

PARA PEQUENOS?

Se por um lado, as grandes empresas têm dificuldades para implementar a cultura do omnichanneI e fazer com que a operação seja impecável por conta da complexidade e das dimensões, por outro, esta realidade tende a ser bem mais fácil para o pequeno negócio, certo? Nem sempre. Para Kanashiro, a pequena empresa também vai enfrentar os prós e os contras. “Elas têm esta facilidade por serem menores e por ter um controle mais fácil, mas por outro lado não tem abrangência como as grandes empresas, justifica o executivo da Kanamobi, que complementa: “Nas grandes marcas você pode ter acesso a diversas lojas, enquanto nas pequenas você está muito limitado a uma região especifica”.

Já o coordenador do Curso de Marketing da Toledo Prudente Centro Universitário, Leonardo Lepre, o pequeno negócio ser omnichannel é bem mais difícil do que se pensa. Ele diz que canais de marketing são opções de acesso para adquirir e não necessariamente canais logísticos de entrega. “No caso de um pequeno negócio, é preciso definir isso de maneira muito clara, afinal abrir e operacionalizar canais de Marketing custa dinheiro, e um dinheiro significativo”, comenta o especialista. Neste sentido, a escolha desses canais e quais serão operados deve ser bem feita para que não onere a pequena empresa.

GANHOS

Independentemente do tamanho da operação, é preciso entender de que forma isso impacta no negócio como um todo. Essa estratégia vem para resolver o problema do showrooming, aquele consumidor que usa canais de uma marca ou de um produto para experimentar, e não comprar nele.

Então, se você imaginar que o consumidor vai até a loja para provar um par de tênis, verificar o tamanho e o modelo, mas voltará para casa e concretizará a compra pela internet, está sofrendo com o efeito showrooming. Como resolver isso? Lepre explica: “Tendo a mesma marca em múltiplos canais, assim, ele experimenta no canal físico daquela marca e compra no canal digital daquela marca ou vice-versa”, verifica a compara na internet e vai adquirir na loja física, isso pode acontecer também.

Normalmente os segmentos que são mais eficazes operando com omnichannel são os que envolvem o varejo. É preciso trabalhar com um produto padronizado, por exemplo, eletrônicos. Isso por que são produtos de fácil comparação. “Talvez não seria adequado trabalhar com produto especializado, como um tipo de café específico. Nesse caso, é mais fácil você definir um canal ou dois canais não sendo assim omnichannel, justifica o acadêmico da Toledo Prudente.

TODO CUIDADO É POUCO

A marca que vai usar o omnichannel precisa ter claro qual e o seu posicionamento, qual é o seu segmento de mercado e o que ela pretende com seus produtos ou serviços. Ao ter isso muito bem claro, vai ser fácil definir se ela vai aderir ou não a essa estratégia. “Agora, se ela tem dificuldades para se posicionar ou entender qual é o diferencial competitivo do seu produto, enfim, qualquer característica nesse sentido, ela pode ter problemas aderindo a essa estratégia ou a qualquer outra, afirma Leonardo Lepre, que complementa: “A estratégia será inadequada tendo em vista que o empresário não sabe a razão inicial para adquirir uma ou outra estratégia”.

 SELF CHECKOUT

Ainda falando na proposta de permitir que o cliente tenha o poder de decisão da forma como vai consumir, outro formato que precisa ser discutido é o self checkout. Nesse caso, deixamos o ambiente on-line para falar sobre a experiência de compra na loja física.

O autoatendimento já faz parte da vida das pessoas e muitas não se dão conta disso. Os totens que permitem que o consumidor compre algo sem a intervenção de um funcionário estão por toda parte: no metrô ou na rodoviária para a venda de passagens, nos bancos por meio dos caixas eletrônicos, nos cinemas e teatros para a venda de ingressos.

Essa realidade tem chegado cada vez com mais força ao mercado varejista. Redes com operação nacional, como Carrefour, ou regional, como Muffato, já disponibilizam em parte de suas lojas os caixas de auto- atendimento: o cliente faz as compras, dirige-se ao checkout, passa os itens no leitor, paga pelos produtos e vai embora. “O brasileiro ainda se surpreende quando a empresa transfere para o cliente a responsabilidade de pagar pelo que está sendo comprado. Envolve ainda uma questão de honestidade. Não deveria ser assim, mas, infelizmente, ainda se discute se a pessoa vai lançar cada um dos itens no caixa de autoatendimento, comenta o consultor de negócios e especialista em inteligência de varejo Cláudio Soares.

O self checkout tem como uma das muitas justificativas diminuir as filas dentro dos supermercados. Tanto que um estudo da consultoria CVA Solutions revela que 37% dos frequentadores de supermercados e lojas ficam insatisfeitos por enfrentar filas para o pagamento.

O QUE ESPERAR

Soares diz que a evolução do self checkout está ligada à tecnologia. A ideia é que a desconfiança sobre a honestidade do consumidor seja deixada de lado quando não for mais preciso registrar manualmente item por item no caixa. “Acredita-se que por meio de etiquetas Rfid ou tecnologia semelhante, o consumidor passará com um carrinho por um pórtico e, automaticamente será calculada a compra para então, efetuar o pagamento em uma estação de autoatendimento”, explica o especialista.

Apesar de essa não ser uma realidade, caminha-se para algo perto disso. Soares diz que uma possibilidade ainda mais autônoma seria, por exemplo, permitir que a compra fosse debitada diretamente do cartão que o cliente registrou no início da compra. “Imagine você entrar na loja, registrar o número de um cartão de crédito em uma tela instalada no carrinho de compras. Depois disso, a comunicação dos itens que nele estão e que passarão pelo pórtico de cobrança será automática, da mesma forma que o sistema vai se encarregar de lançar a despesa no cartão. Tudo sem interação com funcionários, projeta Cláudio Soares.

 O cliente no centro do consumo.2

QUATRO PONTOS QUE RESUMEM O OMNICHANNEL

ENTENDA: O omnichannel é a verdadeira convergência da experiência do consumidor. Ela se estende para todo o universo da marca. O que importa é que o consumidor perceba que essa experiência faz parte de um todo – e isso representa uma nova forma de pensar em marketing.

INTEGRAÇÃO: Para estabelecer uma experiência contínua do cliente com a marca, é preciso fazer com que os canais da empresa conversem.

CLIENTE É ÚNICO: A loja virtual deve saber qual foi a experiência do cliente na página da loja no Facebook; a central telefônica de vendas precisa saber quais foram as últimas compras realizadas por meio do app no smartphone: o e-mail marketing deve identificar quais produtos despertaram o interesse do cliente na loja física, e todos os canais precisam saber o nome e o histórico do cliente. Ele é único.

ADAPTE-SE: entender o que os clientes querem é algo que as empresas que buscam fidelizá-los e engajá-los fazem sempre. O importante é descobrir como fazer isso.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 12: 1-11

Alimento diário

Maria unge os pés de Cristo. A hipocrisia de Judas.

A indignação dos principais dos sacerdotes

 

Nestes versículos, temos:

I – A gentil visita que nosso Senhor Jesus fez aos seus amigos em Betânia, v. 1. Ele veio do interior, seis dias antes da Páscoa, e foi até Betânia, uma cidade que, conforme as redondezas das nossas metrópoles, está tão próxima de Jerusalém, que é incluída na sua taxa de mortalidade. Ele se hospedou ali com seu amigo Lázaro, a quem recentemente tinha ressuscitado. Sua vinda a Betânia nesta ocasião pode ser considerada:

1. Como um prefácio à Páscoa que Ele pretendia celebrar, à qual se faz referência, indicando a data da sua vinda: “Seis dias antes da Páscoa”. Os varões devotos dedicavam algum tempo antes da Páscoa para se prepararem para esta solenidade, e, desta maneira, era adequado que nosso Senhor Jesus cumprisse toda a justiça. Desta maneira, Ele nos deu um exemplo de auto – isolamento solene, antes das solenidades da Páscoa do Evangelho. Ouçamos a voz que clama: “Preparai o caminho do Senhor”.

2. Como uma exposição voluntária à fúria dos seus inimigos. Agora que sua hora era chegada, Ele vinha ao alcance deles, e se oferecia livremente a eles, embora já lhes tivesse mostrado com que facilidade Ele podia escapar de todas as suas armadilhas. Observe:

(1) Nosso Senhor Jesus foi voluntário nos seus sofrimentos. Sua vida não foi retirada dele à força, mas foi entregue resignadamente: “Eis que venho”. Assim como a força dos seus perseguidores não podia subjugá-lo, também sua sutileza não podia surpreendê-lo, mas Ele morreu porque desejou fazê-lo.

(2) Como existe uma hora quando nós temos permissão de fugir para nossa própria preservação, assim existe uma hora em que somos chamados para arriscar nossas vidas na causa de Deus, como o apóstolo Paulo, quando foi, ligado pelo Espírito, a Jerusalém.

3. Como um exemplo da sua bondade para com seus amigos em Betânia, a quem Ele amava, e de quem Ele seria afastado em pouco tempo. Esta é uma visita de despedida. Ele veio para despedir-se deles, e para deixar-lhes palavras de consolo para o dia da provação que se aproximava. Observe que embora Cristo se afaste do seu povo por algum tempo, Ele lhes dá indicações de que parte com amor, e não com ira. Betânia aqui é descrita como sendo a cidade onde estava Lázaro, a quem Jesus “ressuscitara dos mortos”. O milagre realizado aqui coloca uma nova honra sobre o lugar, tornando-o notável. Cristo veio para cá para observar que aproveitamento foi feito deste milagre, pois, onde Cristo realiza prodígios, e mostra sinais e favores, Ele acompanha estes lugares, para ver se a intenção dos milagres foi correspondida. Ele observa os locais onde plantou com abundância, para ver se haverá uma boa colheita.

II – A gentil acolhida que seus amigos lhe proporcionaram: “Fizeram-lhe… uma ceia” (v. 2), uma grande ceia, um banquete. Há uma sugestão de que esta seria a mesma que está registrada em Mateus 24.6ss., na casa de Simão. A maioria dos comentaristas pensa que sim, pois a essência da história e muitas das circunstâncias coincidem. Mas aquela ceia está colocada depois do que foi dito dois dias antes da Páscoa, ao passo que esta se realizou seis dias antes. Além disto, não é provável que Marta servisse em qualquer casa que não fosse a sua. E por isto eu concordo com o Dr. Lightfoot em pensar que são dois eventos diferentes: aquela, no Evangelho de Mateus, aconteceu no terceiro dia da semana da Páscoa, mas esta, no sétimo dia da semana anterior; sendo o sábado dos judeus, a noite anterior à sua entrada triunfal em Jerusalém; aquela aconteceu na casa de Simão, esta, na de Lázaro. Sendo ambas as mais públicas e solenes recepções oferecidas a Ele em Betânia, provavelmente Maria compareceu a ambas com este sinal do seu respeito, e o que ela guardou do seu unguento nesta primeira ocasião, quando utilizou apenas uma libra dele (v. 3), ela usou naquela segunda ocasião, quando o derramou todo, Marcos 14.3. Vejamos o relato desta recepção.

1. “Fizeram-lhe… uma ceia”, pois, entre eles, normalmente, a ceia era a melhor refeição. Eles lhe fizeram esta ceia como sinal do seu respeito e gratidão, pois um banquete é feito pela amizade, e para que pudessem ter uma oportunidade de uma conversa livre e agradável com Ele, pois um banquete é feito para comunhão. Talvez seja como uma alusão a esta e a outras recepções semelhantes feitas a Cristo, nos dias da sua carne, que Ele promete, àqueles que abrem a porta de seus corações a Ele, que ceará com eles, Apocalipse 3.20.

2. “Marta servia”. Ela mesma servia à mesa, como símbolo do seu grande respeito pelo Mestre. Embora fosse uma pessoa de um certo nível, ela não julgou que servir fosse uma atitude inferior, quando Cristo se sentou para a refeição. Nem nós julgamos que seja uma desonra ou uma depreciação para nós nos curvarmos a qualquer ser­ viço com o qual Cristo possa ser honrado. Anteriormente, Cristo tinha censurado a Marta, por estar “ansiosa e afadigada com muitas coisas”. Mas ela não deixou de servir por isto, como alguns que, quando são reprovados por algum extremo, irritados, vão ao outro extremo. Não, ela ainda servia, não como naquela ocasião, à distância, mas agora ela ouvia as palavras graciosas de Cristo, que faziam bem-aventurados aqueles que, como disse a rainha de Sabá a respeito dos servos de Salomão, estavam sempre diante dele, que ouviam sua sabedoria (1 Reis 10.8). É melhor ser um garçom à mesa de Cristo do que um convidado à mesa de um príncipe.

3. “Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele”. O fato de que houve aqueles que realmente comeram e beberam com Jesus provou a verdade da ressurreição de Lázaro, assim como a do próprio Senhor Jesus, Atos 10.41. Lázaro não se retirou para um deserto depois da sua ressurreição, como se, depois de ter feito uma visita ao outro mundo, devesse ser para sempre um eremita neste. Não, ele convivia familiarmente com as pessoas, como todos. Ele se sentou à refeição, como um monumento do milagre que Cristo tinha realizado. Aqueles a quem Cristo ressuscitou a uma vida espiritual são levados a se sentarem junto com Ele. Veja Efésios 2.5,6.

III – O respeito especial que Maria demostrou por Jesus, acima dos demais, ao ungir seus pés com um pouco de unguento, v. 3. Ela tinha “uma libra de unguento de nardo puro, de muito preço”. Alguns entendem que este unguento provavelmente se destinava ao seu próprio uso, mas, com a morte e a ressurreição de seu irmão, ela não costumava mais usar tais coisas. Com este unguento, ela ungiu os pés de Jesus, e, como um sinal adicional da sua reverência por Ele, e negligência por si mesma, ela os enxugou com seus cabelos, e isto foi observado por todos os que estavam presentes, pois “encheu-se a casa do cheiro do unguento”. Veja Provérbios 27.16.

1. Sem dúvida, ela pretendia que isto fosse um símbolo do seu amor por Cristo, que tinha dado sinais muito verdadeiros do seu amor por ela e pela sua família, e, desta maneira, ela estuda o que vai fazer. Com isto, seu amor por Cristo parece ter sido:

(1) “Um amor generoso. Longe de economizar nos gastos necessários no serviço a Ele, ela é tão engenhosa a ponto de criar uma oportunidade para gastar uma grande soma em sua adoração, enquanto muitos procuram evitar isto. Se ela tivesse alguma coisa mais valiosa do que aquele unguento, esta seria trazida para a honra de Cristo. Observe que aqueles que amam a Cristo, amam-no verdadeiramente muito mais e melhor do que a este mundo, a ponto de estarem dispostos a entregar o que tiverem de melhor por amor a Ele.

(2) Um amor condescendente. Ela não somente ofereceu a Cristo seu unguento, mas com suas próprias mãos o derramou sobre Ele, embora pudesse ter ordenado a algum de seus servos que o fizesse. Ela não ungiu sua cabeça, como era usual, mas seus pés. O verdadeiro amor, assim como não economiza gastos, também não economiza esforços, para honrar a Cristo. Considerando o que Cristo fez e sofreu por nós, nós somos muito ingratos se julgamos que algum serviço é excessivamente difícil de realizar, ou é muito humilde para que nos curvemos e o realizemos, se Ele puder realmente ser glorificado.

(3) Um amor com fé. Havia fé operando este amor, a fé em Jesus como o Messias, o Cristo, o Ungido, que, sendo tanto sacerdote quanto rei, foi ungido, como foram Arão e Davi. Observe que o Ungido de Deus será nosso Ungido. Deus derramou sobre Ele o óleo de alegria, mais do que sobre seus companheiros? Derramemos sobre Ele o azeite dos nossos melhores afetos, acima de tudo e de todos aqueles que disputam nossa atenção e afeto. Ao aceitarmos Cristo como nosso rei, nós devemos seguir os desígnios de Deus, indicando como nosso cabeça aquele a quem Deus, o Pai, indicou, Oséias 1.11.

2. O fato de que a casa se encheu com o cheiro do unguento pode nos indicar:

(1) Que aqueles que recebem a Cristo em seus corações e em suas casas trazem um aroma doce a si mesmos. A presença de Cristo traz consigo um unguento e um perfume que alegram o coração.

(2) As honras feitas a Cristo são consolos a todos os seus amigos e seguidores. Elas são, para Deus e para os homens bons, uma oferta que tem um cheiro suave.

IV – O descontentamento de Judas com a homenagem de Maria, ou com o símbolo do seu respeito por Cristo, vv. 4,5, onde observe-se:

1. A pessoa que reclamou foi Judas, um dos discípulos. Judas não tinha a mesma natureza dos demais discípulos, mas era somente um deles, um dos que faziam parte do grupo deles. É possível que os piores homens se escondam sob o disfarce da melhor profissão de fé, e há muitos que fingem que se relacionam com Cristo, quando, na realidade, não lhe dedicam uma amizade sincera. Judas era um apóstolo, um pregador do Evangelho, e ainda assim desencorajou e censurou este exemplo piedoso de afeto e devoção. Observe que é triste ver a vida cristã e o zelo sagrado serem censurados e desaprovados por pessoas que teriam a obrigação, pelo seu trabalho, de ajudá-los e incentivá-los. Mas este era aquele que iria trair a Cristo. Observe que a indiferença no amor a Cristo, e um desprezo secreto da piedade sé­ ria, quando aparecem nos que professam a religião, são tristes presságios de uma apostasia final. Os hipócritas, através de exemplos menores de materialismo, revelam se dispostos a aceitar tentações maiores.

2. A desculpa com a qual Judas encobriu seu descontentamento (v.5): “Por que não se vendeu este unguento”, uma vez que se destinava a um uso piedoso, por trezentos dinheiros, “e não se deu aos pobres?”

 (1) Aqui uma vil iniquidade é embelezada com uma desculpa plausível e aparentemente aceitável, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz.

(2) Aqui a sabedoria mundana repreende um zelo piedoso, como sendo culpado de imprudência e incompetência de administração. Aqueles que se valorizam com base na sua política secular, e subestimam os outros pela sua séria piedade, têm mais do espírito de Judas em si do que se imaginaria que tivessem.

(3) Aqui a caridade aos pobres é usada como pretexto para a oposição à piedade a Cristo, e é, secretamente, um disfarce para a cobiça. Muitos se justificam por não gastarem com a caridade sob o pretexto de acumularem recursos para a caridade. Mas, se as nuvens estiverem cheias de chuva, irão se esvaziar. Judas perguntou: “Por que não se deu aos pobres?” A isto, é fácil responder: Porque era melhor concedê-lo ao Senhor Jesus. Observe que não devemos concluir que não fazem um serviço aceitável aqueles que não o fazem da nossa maneira, e exatamente como nós o teríamos feito, como se todas as coisas devessem ser consideradas imprudentes e inadequadas se não se baseiam em nós e nos nossos sentimentos. Os homens orgulhosos julgarão imprudentes aqueles que não se aconselharem com eles.

3. A descoberta e a revelação da hipocrisia de Judas, v.6. Aqui está a observação que o evangelista faz a este respeito, sob a orientação daquele que sonda o coração: “Ele disse isso não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão, e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava”.

(1) Não se originava de um princípio de caridade: “não pelo cuidado que tivesse dos pobres”. Ele não sentia compaixão por eles, nem se preocupava com eles. O que os pobres eram para Judas, além do fato de que eles podiam servir aos seus próprios fins, sendo um administrador de recursos destinados aos pobres? Desta maneira, alguns disputam acaloradamente o poder da igreja, e outros, sua pureza, quando, talvez, pudesse ser dito: Não pelo cuidado da igreja. Para eles, é a mesma coisa, se o verdadeiro interesse é nadar ou naufragar, mas, com este pretexto, eles progridem. Simão e Levi fingiram zelar pela circuncisão, não porque se preocupassem pelo selo do concerto, não mais do que Jeú se preocupou com o Senhor dos exércitos, quando disse: “Vai comigo e verás o meu zelo”.

(2) Isto se originava de um princípio de cobiça. A verdade da questão consistia em que uma vez que este unguento era designado para seu Mestre, Judas preferiria tê-lo em dinheiro, para ser colocado no fundo comum que lhe era confiado, e então ele saberia o que fazer com ele. Observe:

[1] Judas era o tesoureiro da casa de Cristo, e por isto alguns pensam que ele era chamado Iscariotes, aquele que leva a bolsa. Em primeiro lugar, veja as condições que Jesus e seus discípulos tinham para viver. Eles tinham muito pouco. Eles não tinham campos nem negócios, nem celeiros nem armazéns, somente uma bolsa, ou, como alguns supõem que seja o significado da palavra, uma caixa, ou cofre, onde guardavam apenas o suficiente para sua subsistência, dando o excedente, se houvesse, aos pobres. Isto eles levavam consigo, onde quer que fossem. Esta bolsa se originava das contribuições das pessoas boas, e era totalmente compartilhada entre o Mestre e seus discípulos. Isto deve diminuir nossa estima pela riqueza do mundo, e nos insensibilizar para a cobiça e para os detalhes cerimoniais, e nos reconciliar com um modo de vida humilde e desprezível, se este for nosso destino, o qual foi o modo de vida do nosso Mestre. Por nós, Ele se fez pobre. Em segundo lugar, veja quem administrava o pouco que eles tinham. Era Judas, ele cuidava da bolsa. Era seu trabalho receber e pagar, e nós não lemos que ele tenha feito qualquer prestação de contas desta atividade. Judas foi indicado para esta função, ou:

1. Porque era o menor e o mais inferior de todos os discípulos. Nem Pedro nem João foram nomeados administradores (embora esta fosse uma função de confiança e lucro), mas Judas, o menor deles. Observe que os trabalhos seculares, assim como são uma digressão, também são uma degradação para um ministro do Evangelho. Veja 1 Coríntios 6.4. Os primeiros ministros de estado do reino de Cristo se recusavam a se preocupar com a parte financeira, Atos 6.2. Ou:

2. Porque ele desejava esta função. Ele adorava manusear o dinheiro, e por isto a bolsa lhe foi confiada, ou:

(1) Como uma gentileza, para agradá-lo, e, desta maneira, obrigá-lo a ser fiel ao seu Mestre. Às vezes, os súditos ficam insatisfeitos com o governo porque suas preferências são desapontadas, mas Judas não tinha motivos para reclamar disto. Ele tinha pedido a bolsa, e a tinha conseguido. Ou:

(2) Como um julgamento sobre ele, para puni-lo pela sua iniquidade secreta. Isto era como colocar nas suas mãos algo que seria para ele uma cilada e uma armadilha. Observe que as fortes inclinações para o pecado interior são frequentemente, e com razão, punidas com fortes tentações para o pecado exterior. Nós temos poucas razões para nos apegarmos à bolsa, ou nos orgulharmos dela, pois, na melhor hipótese, nós seremos apenas seus administradores. E assim era Judas, um homem de mau caráter, nascido para ser enforcado (perdoem-me pela força da expressão), que administrava a bolsa. ”A prosperidade dos loucos os destruirá”.

[2] Tendo a bolsa a ele confiada, ele era um ladrão, isto é, tinha uma predisposição para o roubo. O amor reinante ao dinheiro rouba o coração, tanto quanto a ira e a vingança matam o coração. Talvez ele tivesse sido realmente culpado de apropriar-se indevidamente da provisão do Mestre, e convertesse, para seu uso próprio, o que era doado para os bens públicos. E alguns conjeturam que agora, tendo ouvido seu Mestre falar tanto sobre problemas que se aproximavam, os quais ele não poderia de nenhuma maneira suportar, ele planejava encher os bolsos, e então fugir e deixar seu Mestre. Observe que aqueles aos quais é confiada a administração e o destino do dinheiro público têm a necessidade de serem governados por firmes princípios de justiça e honestidade, para que nenhuma mancha se fixe às suas mãos, pois, embora alguns brinquem, e nem sequer levem a sério, quando se trata de enganar o governo, ou a igreja, ou o país, se esta traição for roubo, haverá um sério problema. Sendo as comunidades mais consideráveis do que as pessoas em particular, roubá-las é um grande pecado. Assim, a culpa pelo roubo e o destino dos ladrões não será considerado motivo para brincadeiras. Judas, que tinha traído a confiança que tinha recebido, pouco tempo depois traiu o seu Mestre.

V – A justificação que o Senhor Jesus Cristo expressou sobre o ato de Maria (vv. 7,8): “Deixai-a”. Com isto, Ele evidenciava que aceitava a gentileza dela (embora o Senhor fosse perfeitamente mortificado em relação a todos os prazeres dos sentidos, ainda assim, como este era um sinal de boa vontade da parte dela, Ele se mostrou satisfeito por este gesto), e que estava preocupado que ela não fosse perturbada por este motivo. Alguns podem interpretar a atitude do Senhor como um gesto de perdão: “Perdoem-na desta vez. Ainda que seja um erro, é um erro que está sendo cometido por amor”. Observe que Cristo não censurará nem desencorajará aqueles que desejam sinceramente agradá-lo, embora, nos seus empenhos honestos, talvez não esteja presente toda a prudência possível, Romanos 14.3. Embora você não fizesse as coisas da forma que a outra pessoa decidiu fazer, deixe-a em paz. Para a justificação de Maria:

1. Cristo interpreta o que ela fez de uma maneira favorável, da qual aqueles que a condenavam não tinham consciência: “Para o dia da minha sepultura guardou isto”. Ou: “Ela reservou isto para o dia em que Eu for embalsamado”, segundo o Dr. Hammond. “Vocês não lamentam o unguento usado para embalsamar seus amigos mortos, nem dizem que ele deveria ser vendido ou dado aos pobres. Este unguento tinha este propósito, ou, pelo menos, isto pode ser assim interpretado, pois o dia do meu sepultamento está próximo, e ela ungiu um corpo que já está praticamente morto”. Observe que:

(1) Nosso Senhor Jesus pensava muito e frequentemente sobre sua própria morte e sobre seu sepultamento. Seria bom que nós também fizéssemos isto.

(2) A Providência frequentemente abre assim uma porta de oportunidades aos bons cristãos, e o Espírito da graça abre assim seus corações, para que as expressões do seu zelo piedoso provem ser mais oportunas, e mais belas, do que qualquer previsão que se pudesse fazer delas.

(3) A graça de Cristo coloca gentis comentários sobre as palavras e ações piedosas das pessoas boas, e não somente aproveita ao máximo o que está incorreto, mas tira o maior proveito do que é bom.

  1. Ele dá uma resposta adequada à objeção de Judas, v. 8.

(1) Está ordenado, no reino da Providência, que sempre tenhamos conosco os pobres, e que um ou outro sejam objetos de caridade (Deuteronômio 15.11). Estes existirão, enquanto aqui houver, neste estado desvirtuado da humanidade, tanta loucura e tanto sofrimento.

(2) Está ordenado, no reino da graça, que a igreja não teria sempre a presença física de Jesus Cristo. ”A mim não me haveis de ter sempre, mas somente por um pouco” Observe que precisamos de sabedoria, quando duas tarefas competem entre si, para saber a qual delas dar a preferência, o que deve ser determinado pelas circunstâncias. As oportunidades devem ser aproveitadas, e primeiro e mais vigorosamente aquelas que provavelmente terão a duração mais curta, e que podemos ver mais rapidamente concluídas. O bom dever que pode ser feito a qualquer momento deve ceder o lugar para aquele que não poderá ser feito, a menos que seja agora.

VI – O conhecimento público da presença do nosso Senhor Jesus aqui, nesta ceia, em Betânia (v. 9): “Muita gente dos judeus soube que ele estava ali”, porque Ele era o assunto da aldeia, “e foram” até lá. Mais ainda, porque Ele tinha estado afastado até recentemente, e agora surgia como o sol, por trás de uma nuvem escura.

1. Eles foram para ver Jesus, cuja fama estava muito aumentada, consideravelmente pelo último milagre que Ele tinha realizado, ao ressuscitar a Lázaro. Eles foram, não para ouvi-lo, mas para satisfazer sua curiosidade com uma visão dele ali em Betânia, temendo que Ele não aparecesse publicamente, como costumava fazer, nesta Páscoa. Foram, não para prendê-lo, ou denunciá-lo, embora o governo o acusasse de ser um fora-da-lei, mas para vê-lo e prestar-lhe respeito. Observe que há alguns em cujos afetos Cristo desperta algum interesse, apesar de todos os esforços dos seus inimigos para apresentá-lo de forma deturpada. Quando se sabia onde Cristo estava, multidões iam até Ele. Observe que, onde está o rei, ali está a corte; onde estiver Cristo, ali se ajuntarão as pessoas, Lucas 17.37.

2. Eles foram para ver a Lázaro e a Cristo juntos, o que era uma visão muito convidativa. Alguns vieram para a confirmação da sua fé em Cristo, para ouvir a história contada, talvez, pela boca do próprio Lázaro. Outros vieram somente para satisfazer sua curiosidade, para que pudessem dizer que tinham visto um homem que tinha morrido e sido enterrado, e ainda assim viveu novamente. De modo que Lázaro servia como um espetáculo, naqueles dias santos, para aqueles que, como os atenienses, passavam o tempo contando e ouvindo novidades. Talvez alguns viessem para fazer perguntas curiosas a Lázaro sobre a condição de morto, para perguntar quais eram as novidades do outro mundo. Nós mesmos, algumas vezes, podemos ter dito: Nós teríamos feito qualquer coisa para ter uma hora de conversa com Lázaro. Mas, se alguém viesse com este objetivo, é provável que Lázaro ficasse em silêncio e não lhes contasse nada sobre sua jornada. Pelo menos, as Escrituras mantêm silêncio a este respeito, e não nos narram nada sobre isto, e nós não devemos ambicionar saber além do que está escrito. Mas nosso Senhor Jesus estava presente, e era uma pessoa muito mais adequada para ouvir perguntas do que Lázaro, pois, se não ouvirmos a Moisés nem aos profetas, ou a Cristo e aos apóstolos, se não prestarmos atenção ao que eles nos contam a respeito do outro mundo, tampouco seremos persuadidos, embora Lázaro tivesse ressuscitado dos mortos. Nós temos uma palavra profética muito mais garantida.

VII – A indignação dos principais dos sacerdotes (V .1) com o crescente interesse pelo nosso Senhor Jesus, e seu plano para esmagar este interesse (vv. 10,11): eles “tomaram deliberação”, ou decretaram, “para matar também a Lázaro, porque muitos dos judeus, por causa dele”, do que tinha sido feito a ele, não por qualquer coisa que ele tivesse dito ou feito, “iam e criam em Jesus”. Observe aqui:

1. Como tinham sido inúteis e infrutíferos, até agora, seus esforços contra Cristo. Eles tinham feito tudo o que podiam para afastar dele as pessoas, e exasperá-las contra Ele, e ainda assim muitos dos judeus, seus vizinhos, suas criaturas, seus admiradores, estavam tão dominados pela evidência convincente dos milagres de Cristo, que deixaram de lado seu interesse e partidarismo com os sacerdotes, deixaram a obediência à sua tirania, e creram em Jesus. E isto por causa de Lázaro. Sua ressurreição deu vida à fé deles, e os convenceu de que este Jesus era, sem dúvida, o Messias, e tinha vida em si mesmo, e o poder de dar vida. Este milagre os confirmou na fé dos outros milagres de Jesus, os quais eles tinham ouvido que Ele realizara na Galileia. O que seria impossível, para aquele que podia ressuscitar os mortos?

2. Como era absurda e irracional esta decisão, de que Lázaro devia ser levado à morte. Este é um exemplo da fúria mais ignorante que pode haver. Eles eram como um touro selvagem preso em uma rede, tomado pela fúria, e arremetendo ao seu redor, sem qualquer consideração. Era um sinal de que eles nem temiam a Deus, nem tinham consideração pelo homem. Pois:

(1) Se temessem a Deus, eles não teriam cometido tal ato de desafio a Ele. Deus desejou que Lázaro vivesse, pelo seu milagre, e eles desejam que ele morra, pela sua maldade. Eles gritam: “Tira da terra um tal homem, porque não convém que viva”, quando Deus tão recentemente o tinha enviado de volta à terra, declarando que era altamente adequado que ele vivesse. O que era isto, exceto ser contrário ao Senhor? Eles desejavam levar Lázaro à morte, e desafiar o poder todo-poderoso a ressuscitá-lo outra vez, como se pudessem lutar contra Deus e disputar títulos com o Rei dos reis. Quem tem as chaves da morte e da sepultura, Ele ou eles? Lázaro é destacado para ser o objeto do ódio especial daqueles homens, porque Deus o distinguiu com os sinais do seu amor peculiar, como se eles tivessem feito uma aliança ofensiva e defensiva com a morte e o inferno, e tivessem decidido ser severos com todos os desertores. Poderíamos pensar que eles deveriam ter determinado como poderiam ter se unido em amizade com Lázaro e sua família, e, por seu intermédio, ter se reconciliado com este Jesus a quem tinham perseguido. Mas o deus deste mundo tinha cegado suas mentes.

(2) Se tivessem consideração pelo homem, eles não teriam feito um ato de tal injustiça contra Lázaro, um homem inocente, a quem não pretendiam acusar de nenhum crime. Que faixas são sufi­ cientemente fortes para prender aqueles que podem, tão facilmente, romper os mais sagrados laços da justiça comum, e violar as máximas que a própria natureza nos ensina? Mas o apoio à sua própria tirania e superstição era considerado suficiente, como na igreja de Roma, não somente para justificar, mas para consagrar as maiores vilanias, e torná-las dignas de méritos.