OUTROS OLHARES

QUESTÃO DE ESCOLHA

O smartphone tem se tornado um aliado e tanto de pequenos empreendedores que precisam de agilidade e organização na gestão da empresa. Especialistas ajudam a entender que tipo de avaliação deve ser feita antes de comprar e quais são as opções mais indicadas atualmente.

Questão de escolha

O número impressiona: o Brasil tem cerca de 235,7 milhões de linhas de celular ativas. Os dados são da Agência Nacional de Telecomunicações e confirmam o que muita gente já sabe: o brasileiro não desgruda os dedos e os olhos dos smartphones. É tanta gente preocupada com a vida on-line que os aparelhos, hoje, são vistos como uma extensão do corpo das pessoas. Se na vida particular é assim, imaginem na profissional!

O smartphone facilita a realização de tarefas e cria um leque de novas possibilidades. Todos os grandes bancos permitem pagamentos on-line, transferências bancárias e até mesmo empréstimos utilizando somente o smartphone, fazendo com que o pequeno empreendedor economize tempo e ganhe agilidade.

Além disso, a facilidade de comunicação é enorme.  Pode-se responder e enviar e-mails rapidamente e ainda ter acesso a diversas redes sociais e a outros aplicativos de comunicação em massa que podem auxiliar no marketing digital da empresa. “É possível até mesmo realizar o monitoramento das atividades e administrar todo o negócio remotamente, através de por exemplo, um conjunto de câmeras e sistemas web, pontua o membro da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) Marcelo Anderson Batista dos Santos.

QUESTÃO DE SEGURANÇA

Atualmente, para um pequeno empreendedor, ou para o inundo empresarial de forma geral, é necessário que o smartphone utilizado pela empresa ofereça máxima segurança para que não haja desvio de informações. “Há alguns anos, a BlackBerry era a marca que mais oferecia segurança no mundo. Já hoje temos lado a lado, e ouso dizer até melhor, a Apple como a marca mais segura”, opina o técnico em smartphone da Suporte Smart, Junior Gromoski.

O PESO DA TRADIÇÃO

Além da segurança. Gromoski acredita que, hoje, o IPhone é o principal aparelho usado por quem, no começo dos anos 2000, tinha como alvo os aparelhos, Palm. “0 Palm de 2018 vem em formato de maçã. Defendemos a Apple como uma marca completa, por isso se você deseja ter um verdadeiro assistente virtual para facilitar sua vida corporativa, adquira um aparelho Apple”, defende o especialista.

Para quem não se lembra, o nome Palm foi um grande sucesso no ambiente corporativo na era pré- IPhone e Android. A empresa Palm Pilot foi quem produziu o primeiro PDA (Assistentes Pessoais Digitais) que realmente ganhou popularidade em diversas empresas. Com o surgimento de smartphones com o sistema operacional Android e o próprio IPhone da Apple, tivemos o declínio da era Palm e seu fim em meados de 2011, recorda Marcelo Anderson Batista dos Santos, da SBC.

Santos afirma que existem rumores que neste ano a empresa chinesa de comunicação TCL lançará um novo dispositivo Palm. A TCL adquiriu os direitos da marca Palm em 2015, o sistema operacional adotado para o novo Palm deve ser o Android. “Resta saber como o mercado lidará com os novos Palms e como será seu desempenho”, comenta.

Atualmente o mercado de smartphones possui diversas marcas com dezenas de modelos que brigam pela liderança do mercado. A Apple e a Samsung são as duas empresas que mais venderam smartphones no mundo em 2017. As duas empresas hoje lutam pelo rótulo de melhor smartphone do mercado com o IPhone X e o Samsung Galaxy.

PREÇO NA BALANÇA

Um bom smartphone para o pequeno empreendedor pode variar entre RS1 mil e RS 4 mil, de pendendo do perfil do usuário e da necessidade da empresa. E esse preço é composto por uma série de itens que inclui desde a mão de obra de trabalhadores das várias fases de produção, transporte e comercialização dos equipamentos até os impostos e o lucro de fabricantes, transportadoras e lojas. “O custo dos itens que compõem o aparelho, como processadores, câmeras, telas, material de acabamento e absolutamente tudo que é combinado para dar forma e vida a um dispositivo portátil, incidem no preço final que o consumidor vai pagar, enumera o gerente de novos projetos do Grupo PLL, Cléber Gomes.

Os fabricantes de smartphone estão sempre tentando incluir novos recursos para diferenciar seu produto no mercado e obter alguma vantagem competitiva sobre seu concorrente. No entanto, algumas dessas invenções encarecem o preço final do produto e possuem pouca utilidade. Marcelo Anderson Batista dos Santos, da SBC, exemplifica com a batalha pela melhor tela em relação a sua resolução. “Os smartphones de ponta possuem resoluções superiores à televisores com resolução Full HD. Uma densidade de pixels tão alta em dispositivos tão pequenos é algo que torna esses smartphones relativamente mais caros, explica.

Podemos citar ainda os smartphones modulares. A Motorola oferece hoje a linha Moto Z, que possui vários módulos que podem ser comprados separadamente, permitindo ao aparelho ter novas funções possíveis, por exemplo, comprar um módulo de projeção (Snap Moto Insta-Share Projector), que custa em torno de mil reais, apenas o módulo. Na prática, os módulos são caros e ainda buscam uma maior absorção do mercado e uma maior utilidade.

QUESTÃO DE PLANO

Segundo o último levantamento da Anatel – com dados do primeiro quadrimestre de 2018 – a quantidade de linhas no formato pré-pago ainda supera a dos planos Controle e Pós-pago. São 61.6% de linhas mantidas por meio de recargas antes do uso, mas esse número já foi maior.  Em 2015, era 71.5%. Vários fatores contribuíram para isso, entre eles, a oferta de planos com preços acessíveis e com bom pacote de dados. Outro motivo é o fato de empreendedores de pequeno porte unificarem as linhas particular e corporativa por meio de planos empresariais.

Ainda falando em planos, uma estratégia adotada pelas operadoras brasileiras é atrelar uma carência mínima de permanência no plano quando o aparelho é comprado com desconto diretamente na empresa.

Cleber Gomes, do Grupo PLL defende o oposto, ou seja, a compra de aparelhos desbloqueados e livre de carência com a operadora. “O recomendável é a compra de um aparelho desbloqueado para que o usuário possa avaliar e optar pela operadora que lhe seja mais conveniente na questão de serviços e preços,” diz o especialista que complementa: o usuário pode avaliar em uma viagem se o sinal para ligações funciona adequadamente ou se a internet consegue atendê-lo em várias regiões. Caso não atenda, o cliente pode mudar de operadora e não ficar ‘amarrado’ a apenas um prestador de serviços”.

Operadoras, geralmente superestimam os preços dos smartphones. Em alguns casos, é possível encontrar o mesmo aparelho em grandes sites de vendas na Internet por até 50% do preço ofertado por uma operadora.

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Questão de escolha.5

 

Questão de escolha.3

 

 

GESTÃO E CARREIRA

CELEBRAR É IMPORTANTE

Celebrar é importante

Deixando um pouco de lado as tradicionais festas comemorativas de final de ano, não parece estranho que tenhamos vergonha de celebrar nossas vitórias e nossas conquistas? Muitos brasileiros ainda pensam que comemorar e celebrar as conquistas os tornam pessoas arrogantes ou que ”dá azar”. Considero importante compreender que a festa mesmo, pra valer, acontece no dia a dia, sem data especial no calendário, quando há os verdadeiros motivos para celebrar.

O ciclo da vida das empresas passa por uma infinidade de realizações, como superação de metas, a criação de produtos, a descoberta de novos mercados, a conquista de novos clientes, a conclusão de um projeto e uma gama de conquistas que merecem ser celebradas!

Então, por que será que é muito mais fácil criticar o que deu errado do que celebrar as vitórias? Quando o ambiente está sob controle, e tudo dando certo, costuma-se dizer “não é nada mais do que obrigação dos colaboradores. Mas se algo não saiu como deveria, apontam-se os culpados e os crucificam. É preciso, sim, celebrar e compartilhar todas as alegrias e realizações, não só entre as equipes, mas pelo reconhecimento da importância que cada um representa para a organização, apoiando, estimulando e premiando a colaboração em cada etapa superada, não apenas através dos benefícios formais, como também com uma palavra de incentivo, um abraço, um aperto de mão, olho no olho. São pequenos gestos na sua essência, mas grandiosos no resultado que eles podem proporcionar.

Celebrar é compartilhar alegrias e vitórias a cada ciclo na empresa. Não precisa ser grandes alegrias e vitórias – até porque estas não têm tamanho, peso nem altura. Ou são ou não são. Se são, devem ser celebradas.

Você celebra quando manifesta claramente que reconhece a importância ou a qualidade de um colega. Talvez poucas formas de celebração sejam tão poderosas e gratificantes quanto o reconhecimento por um trabalho bem feito, uma ação meritória ou uma atitude digna.

Mais que importante, a celebração é vital para o processo. Serve para confirmar o valor de cada passo concluído. Trata-se, portanto, de valorizar a viagem, e não apenas a chegada ao porto onde se deseja ancorar.

Um elogio, um abraço, um gesto carinhoso ou fraternal, um e-mail de agradecimento, um presente, um alegre telefonema inesperado. Esses exemplos de celebração que mostram uma particularidade que deveria entusiasmar as empresas a estimula-la entre seus colaboradores; pode ser feita a custo praticamente zero.

Já está provado que a produtividade e a criatividade são diretamente proporcionais à alegria das pessoas no trabalho e, portanto, as empresas saudáveis devem incluir em suas metas as celebrações, comemorações, exaltações ou qualquer outra palavra que venha representar esse gesto tão valioso.

Por falar nisso, você já celebrou algo importante hoje?

 

DANIELA DO LAGO – é especialista em comportamento no trabalho, mestre em administração de liderança e gestão de pessoas. Instagram: @danieladolago/Facebook: treinamentosdanieladolago/ http://www.danieladolago.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 8: 38-47 – PARTE II

Alimento diário

As palavras de Cristo aos fariseus

III – Tendo, desta maneira, contestado seu parentesco, tanto com Abraão quanto com Deus, a seguir Ele lhes diz claramente de quem eles são filhos: “Vós tendes por pai ao diabo”, v. 44. Se eles não eram filhos de Deus, deviam ser do Diabo, pois Deus e Satanás dividem o mundo da humanidade. Por isto, diz-se que o Diabo opera nos filhos da desobediência, Efésios 2.2. Todas as pessoas pecadoras são filhas do Diabo, filhos de Belial (2 Coríntios 6.15), são a semente da serpente (Genesis 3.15), filhos do Maligno, Mateus 13.38. Eles compartilham da sua natureza, ostentam sua imagem, obedecem aos seus mandamentos, e seguem seu exemplo. Os idólatras “dizem ao pedaço de madeira: Tu és meu pai”, Jeremias 2.27. O fato de que alguns dos filhos dos homens, especialmente dos filhos da igreja, sejam chamados de filhos do Diabo é uma acusação muito forte, e soa muito rude e terrível, e nosso Salvador prova isto de maneira completa.

1. Com um argumento geral: “Quereis satisfazer os desejos de vosso pai”.

(1) “Vocês satisfazem os desejos do Diabo, os desejos que ele deseja que vocês satisfaçam. Vocês o agradam e satisfazem, e cedem à sua tentação, e são feitos cativos da sua vontade. Na verdade, vocês realizam aqueles desejos que o próprio Diabo satisfaz”. O Diabo tenta os homens aos desejos carnais e mundanos, mas, sendo um espírito, ele não consegue satis fazê-los por si só. Os desejos peculiares do Diabo são iniquidades espirituais; os desejos das forças intelectuais, e sua lógica corrupta; orgulho e inveja, e ira e maldade; a inimizade ao que é bom, e a atração de outros àquilo que é mau. Estes são desejos que o Diabo satisfaz, e aqueles que estão sob o domínio de tais desejos se assemelham ao Diabo, da mesma maneira como um filho é parecido com seu pai. Quanto mais contemplação, e artifício, e complacência secreta existir no pecado, mais ele se parecerá com os desejos do Diabo.

(2) Vocês querem satisfazer os desejos do Diabo. Quanto mais disposição existir nestes desejos, mais diabólicos serão. Quando o pecado é cometido por escolha, e não por surpresa, com prazer, e não com relutância, quando se persiste nele com uma ousada presunção e uma determinação desesperada, como a daqueles que diziam: ”Amo os estranhos e após eles andarei”, então o pecador realizará os desejos do Diabo. “Vocês se deleitam em realizar os desejos do seu pai”, segundo o Dr. Hammond. Eles estão escondidos sob a língua como algo doce.

1. Por dois exemplos em particular, nos quais eles . declaradamente se pareciam com o Diabo – matando e mentindo. O Diabo é um inimigo da vida (porque Deus é o Deus da vida, e a vida é a felicidade do homem), e um inimigo da verdade (porque Deus é o Deus da verdade, e a verdade é a obrigação da sociedade humana).

(1) “Ele foi homicida desde o princípio”, não do seu próprio princípio, pois ele foi criado como um anjo de luz, e tinha tido um estado inicial que era puro e bom, mas desde o início da sua apostasia, que aconteceu pouco depois da criação do homem. Ele era homicida, um assassino.

[1] Ele odiava os homens, e com esta disposição, era um assassino de homens. A origem do seu nome, Satanás, é ódio. Ele denegriu a imagem de Deus no homem, invejou sua felicidade, e desejou ardentemente sua ruína. Ele é um inimigo declarado de toda a raça humana.

[2] Foi ele quem tentou o homem àquele pecado que trouxe a morte ao mundo, sendo assim o assassino de toda a humanidade, da qual Adão era apenas um líder. Ele foi um assassino de almas, enganou-as, levando-as ao pecado, e com isto as matou (Romanos 7.11), envenenou o homem com a desobediência, e, para piorar as coisas, fez dele seu próprio assassino. Assim ele era, não somente no princípio, mas desde o princípio, o que sugere que assim ele tinha sido desde então. Tal como ele começou, assim continua sendo, o assassino dos homens, com suas tentações. O grande tentador é o grande destruidor. Os judeus chamavam o Diabo de anjo da morte.

[3] Ele foi o primeiro impulso no primeiro assassinato, cometido por Caim, que era do maligno e matou a seu irmão, 1 João 3.12. Se o Diabo não tivesse agido tão fortemente na vida de Caim, este não poderia ter cometido um ato tão antinatural, como matar seu próprio irmão. Tendo Caim assassinado seu irmão, por instigação do Diabo, o Diabo é chamado de assassino, o que não diminui a culpa pessoal de Caim, mas aumenta a do Diabo, cujos tormentos, nós temos razão para pensar, serão maiores, quando chegar a hora, por toda a maldade a que ele atrai os homens. Veja como temos razões para aumentar nossa guarda “contra as astutas ciladas do diabo”, e nunca dar ouvidos a ele (pois ele é um assassino, e certamente deseja nos fazer mal, mesmo quando nos fala com gentilezas), e nos assombrarmos com o fato de que aquele que é o assassino dos filhos dos homens ainda esteja, pelo seu próprio consentimento, dominando-os desta maneira. Estes judeus o seguiam, e eram assassinos, como ele; assassinos de almas, às quais conduziam, de olhos vendados, ao fosso, e as faziam filhas do inferno; inimigos declarados de Cristo, agora dispostos a ser seus traidores e assassinos, pela mesma razão pela qual Caim matou a Abel. Estes judeus eram aquela semente da serpente que iria ferir o calcanhar da Semente da mulher: “Agora, procurais matar-me a mim”.

(2) Ele foi um mentiroso. Uma mentira se opõe à verdade (1 João 2.21), e assim, de uma maneira muito própria, o Diabo aqui é descrito como sendo:

[1] Inimigo da verdade, e, portanto, de Cristo. Em primeiro lugar, ele desertou da verdade. Ele “não se firmou na verdade”, não continuou na pureza e retidão da sua natureza, na qual ele tinha sido criado, mas abandonou este seu primeiro estado. Quando ele degenerou da bondade, ele se afastou da verdade, pois sua apostasia se baseava em uma mentira. Os anjos eram o exército do Senhor. Aqueles que caíram não foram fiéis ao seu comandante e soberano, eles não eram dignos de confiança, sendo acusados de loucura e deserção, Jó 4.18. Por verdade, aqui, podemos interpretar a vontade revelada de Deus a respeito da salvação do homem por Jesus Cristo, a verdade que Cristo agora pregava, e à qual os judeus se opunham. Assim, eles agiram como seu pai, o Diabo, que, vendo a honra colocada sobre a natureza humana, no primeiro Adão, e prevendo uma honra muito maior destinada ao segundo Adão, não desejou estar de acordo com aquele conselho de Deus, nem permanecer na verdade a res­ peito dele, mas, com um espírito de orgulho e inveja, dispôs-se a resistir a este, e a tentar frustrar seus desígnios. E a mesma coisa fizeram estes judeus, seus filhos e agentes. Em segundo lugar, ele está destituído da verdade: “Não há verdade nele”. Seu interesse no mundo é sustentado por mentiras e falsidades, e nele não existe verdade, nada em que se possa confiar, nem nele nem em nada que ele diga ou fale. As noções que ele propaga a respeito do bem e do mal são falsas e errôneas, suas provas são milagres falsos, suas tentações são todas trapaças. Ele tem grande conhecimento da verdade, mas, não tendo afeto por ela, ao contrário, sendo um inimigo contumaz dela, diz-se que “não há verdade nele”.

[2] Ele é amigo e patrono da mentira: “Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio”. Três coisas são aqui ditas a respeito do Diabo com referência ao peca­ do da mentira. Em primeiro lugar, que ele é um mentiroso. Seus oráculos são mentirosos, seus profetas são mentirosos, e as imagens nas quais ele é adorado são professoras de mentiras. Ele tentou nossos primeiros pais com uma mentira direta. Todas as suas tentações são realizadas por mentiras, chamando o mal de bem, e o bem de mal, e prometendo impunidade no pecado. Ele sabe que são mentiras, e as sugere com a intenção de enganai; e, desta maneira, destruir. Quando, agora, ele contradizia o Evangelho, pelos escribas e fariseus, era por meio de mentiras, e quando, posteriormente, ele o corrompeu, no “homem do pecado”, foi por meio de fortes enganos e uma mentira muito complicada. Em segundo lugar; que, quando ele “profere mentira, fala do que lhe é próprio”. É a própria expressão da sua língua, da sua, não de Deus. Seu Criador nunca a pôs nele. Quando os homens dizem uma mentira, eles a emprestam do Diabo, Satanás enche seus corações, para que mintam (Atos 5.3). Mas quando o Diabo diz uma mentira, seu modelo é criação sua, os motivos são seus, o que indica a profundidade desesperadora de iniquidade na qual estes espíritos apóstatas estão afundados. Assim como na sua primeira aposta­ sia eles não tiveram tentador, também sua iniquidade se deve unicamente a eles mesmos. Em terceiro lugar, que ele é o “pai da mentira”.

1. Ele é o pai de todas as mentiras, não apenas das mentiras que ele mesmo sugere, mas daquelas que são ditas pelos outros. Ele é o autor e criador de todas as mentiras. Quando os homens dizem mentiras, eles falam por ele, e como da sua boca. Originalmente, elas vêm dele, e têm sua imagem.

2. Ele é o pai de todos os mentirosos, assim podemos entender. Deus criou os homens com uma disposição à verdade. É coe­ rente com a razão e a luz natural, com a ordem das nossas faculdades e as leis da sociedade, que digamos a verdade. Mas o Diabo, o criador do pecado, o espírito que opera nos filhos da desobediência, corrompeu tanto a natureza do homem, que se diz que “alienam-se os ímpios desde a madre… proferindo mentiras” (Salmos 58.3). Ele os ensinou a tratar enganosamente com suas línguas, Romanos 3.13. Ele é o pai dos mentirosos, que os gerou, que os instruiu no caminho da mentira, a quem eles se assemelham e obedecem, e com quem todos os mentirosos terão sua sorte para sempre.

 

IV – Cristo, tendo, desta maneira, provado que todos os assassinos e todos os mentirosos são filhos do Diabo, espera que as consciências dos seus ouvintes digam: “Tu és este homem”. Mas Jesus vem, nos versículos seguintes, ajudá-los na aplicação desta verdade a si mesmos. Ele não os chama de mentirosos, mas lhes mostra que eles não eram amigos da verdade, e com isto se assemelhavam àquele que não se firmava na verdade, porque não há verdade nele. Ele os acusa de duas coisas:

1. De não crerem na palavra da verdade (v. 46).

(1) Isto pode ser interpretado de duas maneiras.

[1] “Embora Eu lhes diga a verdade, ainda assim vocês não creem em mim, que eu faça isto”. Embora Ele desse provas abundantes de que foi designado por Deus, o Pai, e do seu afeto pelos filhos dos homens, ainda assim eles não queriam crer que Ele lhes dizia a verdade. ‘½. verdade anda tropeçando pelas ruas”, Isaías 69.14,16. As maiores verdades, em alguns, não tinham a menor credibilidade, pois eles “se opõem à luz”, Jó 24.13. Ou:

[2] “Por Eu vos dizer a verdade”, assim podemos entender, “por isso ‘não me credes”‘. Eles não queriam aceitá-lo, nem recebê-lo como um profeta, porque Ele lhes dizia algumas verdades desagradáveis que eles não queriam ouvir. Ele lhes dizia a verdade a respeito de si mesmos e da sua própria situação, mostrando-lhes seus rostos em um espelho que não os lisonjeava. Por isto, eles não queriam crer em nenhuma palavra que Ele dissesse. Miserável é a situação daqueles a quem a luz da verdade divina se torna um tormento.

(2) Agora, para lhes mostrar como a infidelidade que estavam demonstrando era irracional, Ele se permite explicar a questão, v. 46. Sendo eles contrários a Ele, alguém estava errado. Ou o Senhor estava errado, ou eles estavam errados. Portanto, é necessário fazer uma escolha. E é óbvio que o Senhor estava certo.

[1] Se Ele estava errado, por que não o convenciam? A falsidade dos falsos profetas era descoberta, fosse pela má inclinação das suas doutrinas (Deuteronômio 13.2), fosse pelo mau teor da sua conversa: “Por seus frutos os conhecereis”. “Mas”, diz Cristo, “quem dentre vós, vós do Sinédrio, que vos dedicais a julgar os profetas, “quem dentre vós me convence de pecado?” Eles o acusavam de alguns dos piores crimes – gula, embriaguez, blasfêmia, violação do sábado, aliança com Satanás, e outros. Mas suas acusações eram calúnias maliciosas e infundadas, e eram tais, que todos os que o conheciam sabiam que eram completamente falsas. Quando eles tinham feito o máximo de truques e artifícios, subornos e perjúrio, para provar que Ele havia cometido algum crime, o mesmo juiz que o condenou reconheceu que não achava nele crime algum. Ele os desafia a condená-lo por um pecado que é, em primeiro lugar, uma doutrina incoerente. Eles tinham ouvido seu testemunho. Poderiam eles mostrar nele alguma coisa absurda ou que não merecesse credibilidade, qualquer contradição, fosse dele mesmo ou das Escrituras, ou alguma deturpação das verdades ou dos costumes, insinuada pela sua doutrina?, cap. 18.20. Ou, em segundo lugar, um comportamento incoerente: “Qual de vocês pode, com razão, acusar-me de alguma coisa, em palavras ou atos, inconveniente a um profeta?” Veja a maravilhosa condescendência do nosso Senhor Jesus, que não exigiu nenhuma credibilidade além daquela que sustentasse suas exigências. Veja Jeremias 2.5,31; Miquéias 6.3. Com isto, os ministros podem aprender:

1. A andar de maneira extremamente circunspeta, para que seus mais rígidos observadores não tenham o poder de condená-los de pecado, para que o “ministério não seja censurado”. A única maneira de não ser acusado de pecado é não pecar.

2. A estar dispostos a aceitar um escrutínio. Embora estejamos confiantes, em muitas ocasiões, de que estamos certos, ainda assim devemos estar dispostos a avaliar se não estamos no erro. Veja Jó 6.24.

[2] Se eles estavam errados, por que não eram convencidos por Ele? “‘Se vos digo a verdade, por que não credes?’ Se não podeis me convencer de nenhum erro, deveis reconhecer que Eu digo a verdade. E por que não me dais crédito? Por que não lidais comigo com confiança?” Observe que se os homens apenas examinassem a razão da sua infidelidade, e examinassem o motivo pelo qual não creem naquilo que não conseguem contradizer, eles se encontrariam reduzidos a tais absurdos dos quais somente poderiam se envergonhar, pois ficaria patente que a razão pela qual não creem em Jesus Cristo é que não estão dispostos a se separar dos seus pecados, e renunciar a si mesmos, e servir a Deus fielmente, porque não são da religião cristã, não querem, na verdade, pertencer a nenhuma religião, e sua descrença no nosso Redentor se resume a uma rebelião declarada contra nosso Criador.

3. Outra acusação a eles é o fato de que não desejam ouvir as palavras de Deus (v. 47), o que mostra ainda mais o quanto era infundada sua reivindicação de parentesco com Deus. Aqui temos:

(1). A apresentação de uma doutrina: “Quem é de Deus escuta as palavras de Deus”. Isto é:

[1] Ele está disposto e pronto para ouvi-las, é sinceramente desejoso de conhecer qual é o pensamento de Deus, e alegremente aceita o que sabe que é tal pensamento. As palavras de Deus têm tal autoridade sobre todos os que são nascidos de Deus, e são tão agradáveis a eles, que eles anelam por elas, como o menino Samuel: “Fala, Senhor, porque o teu servo ouve”. Que venha a palavra do Senhor.

[2] Ele as apreende e discerne, ele as ouve para perceber a voz de Deus nelas, coisa que o homem natural não consegue fazer, 1 Coríntios 2.14. Aquele que é de Deus logo tem consciência das descobertas que faz a respeito dele, da proximidade do seu nome (Salmos 75.1), como os familiares conhecem os passos do seu senhor, para que, quando vier e bater, logo possam abrir-lhe (Lucas 12.36), como a ovelha distingue a voz do seu pastor da de um estranho, cap. 10.4,5; Cantares 2.8.

(2). A aplicação desta doutrina, para a condenação destes judeus incrédulos: “Por isso, vós não as escutais”. Isto é:”Vocês não prestam atenção às palavras de Deus, vocês não as entendem, não creem nelas, nem se preocupam em ouvi-las, porque não são de Deus. O fato de que vocês estejam surdos e mortos para a Palavra de Deus é uma evidência clara de que não são de Deus”. É na sua palavra que Deus se manifesta e está presente entre nós. Portanto, nós somos considerados bem ou mal influenciados pela sua palavra. Veja 2 Coríntios 4.4; 1 João 4.6. Ou, o fato de que não eram de Deus era o motivo pelo qual eles não ouviam de maneira benéfica as palavras de Deus, proferidas por Cristo. Eles não o compreendiam, e não criam nele, não porque as coisas em si mesmas fossem obscuras, ou porque lhes faltasse evidência, mas porque os ouvintes não eram de Deus, não tinham nascido de novo. Se a palavra do reino não produz frutos, a culpa deve ser atribuída ao solo, e não à semente, como fica claro na parábola do semeador. Mateus 13.3.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

PREOCUPAÇÃO COM DINHEIRO DUPLICA A DOR

Estudo relaciona a insegurança emocional e o estresse provocados pela instabilidade econômica a maior sensibilidade a sintomas físicos.

Preocupação com dinheiro pode causar dor física

Poucas coisas causam tanto desconforto quanto não saber quando chega o próximo pagamento. Ou ter a convicção de que o montante a ser recebido não será suficiente para saldar todas as contas. A insegurança econômica traz consigo um amplo espectro de efeitos negativos, incluindo sentimentos de baixa autoestima e prejuízo do funcionamento cognitivo. Cientistas descobriram ainda que o estresse financeiro pode causar dor física. É o que mostra um artigo publicado este ano no periódico científico Psychological Science.

A pesquisadora Eileen Chou, doutora em ciências e professora de políticas públicas na Universidade da Virginia, e seus colaboradores começaram o estudo pela análise de um conjunto de dados de 33.720 famílias americanas. Os cientistas constataram que aquelas com maiores níveis de desemprego eram mais propensas a comprar analgésicos isentos de prescrição. Utilizando comparação de dados e revendo experimentos já realizados nessa área, a equipe descobriu que o simples fato de pensar sobre insegurança financeira bastava para aumentar a sensação dolorosa. Por exemplo, as pessoas relatavam sentir quase o dobro de dor física após se lembrarem de um período financeiramente instável em sua vida, em comparação aos momentos em que rememoraram algum período de segurança econômica.

Em outro experimento, foi pedido a estudantes universitários que mantivessem as mãos num balde de gelo o máximo que pudessem, até que a sensação se tornasse dolorosa. Os voluntários mais ansiosos, que ouviam informações com o objetivo de despertar neles sentimentos de ansiedade em relação ao futuro profissional, removiam as mãos do balde de gelo mais rápido (mostrando menos tolerância à dor) do que aqueles que não eram. Os pesquisadores descobriram também que a insegurança econômica reduzia o senso de autocontrole das pessoas, o que, por sua vez, aumentava a sensação dolorosa.

Chou e seus colegas sugerem que. por causa dessa relação entre insegurança financeira e diminuição da tolerância à dor, a recessão pode ter sido um fator de promoção da epidemia da prescrição de analgésicos nos Estados Unidos. No Brasil, não há dados que mostrem a correlação recente entre venda de analgésicos e crise financeira. Mas a ideia é bastante plausível, principalmente se considerarmos que o estresse em geral é bastante conhecido como responsável pelo aumento das sensações de dor. Mais pesquisas são necessárias para separar a ansiedade financeira de outras fontes de pressão. A hipótese de que o estresse financeiro causa dor tem lógica, embora seja útil ver outras evidências rigorosas num ambiente do mundo real”, diz a economista Heather Schofield, professora da Universidade da Pensilvânia, que não participou do estudo.

 

AFETO AJUDA A ALIVIAR OS INFORTÚNIOS FINANCEIROS

Além de contribuir para o aumento da sensibilidade à dor física, o estresse financeiro pode influir também nos estados emocionais, exacerbando a sensação de angústia. Estudos comprovaram que ganhar menos dinheiro intensifica a tristeza que normalmente resulta de situações difíceis que enfrentamos na vida, como divórcio, problemas de saúde e solidão. Mas as dificuldades financeiras não significam que a pessoa esteja fadada a sofrer. Um estudo americano de 2014 constatou que o apoio social pode ajudar a proteger tanto contra a dor psicológica quanto contra a física associada ao estresse financeiro. Nesse sentido, o afeto pode funcionar como fator de proteção.

Em relação à dor física, a eficácia do toque carinhoso para diminuir a intensidade do desconforto já havia sido comprovada há alguns anos por cientistas da Universidade de Gotemburgo, na Suécia. Levando em conta o fato já conhecido de que sinais elétricos percorrem fibras neurais especializadas para informar o cérebro de que nossa pele está sendo tocada, os pesquisadores usaram uma técnica conhecida como microneurografia. Eles “seguiram” esses impulsos no braço de voluntários e observaram que, quanto maior sua frequência – proporcional à intensidade do afago -, maior a sensação de prazer relatada pelos participantes. Essas fibras especializadas, uma vez estimuladas, são capazes de atenuar sinais dolorosos originados em outras partes do corpo, relataram os autores do artigo publicado na revista Nature Neuroscience.

 

OUTROS OLHARES

REPRODUÇÃO ASSISTIDA: A CULPA NÃO É SÓ A CARREIRA

Nova pesquisa mostra que boa parte das mulheres está decidindo congelar os óvulos porque n o consegue achar parceiros com quem manter relações estáveis.

Reprodução assistida - a culpa não é só a careira

Durante muito tempo, a maioria das mulheres que decidia congelar os óvulos para ter filhos mais tarde fazia isso porque queria investir na carreira profissional. Uma gravidez poderia prejudicar a evolução no mercado no auge da idade produtiva. Isto mudou. De acordo com uma pesquisa divulgada na semana passada pela Universidade de Yale (EUA), grande parte das mulheres adia a gestação porque não encontra parceiros com os quais desejam partilhar a criação de um filho. O resultado foi apresentado no congresso da Sociedade Europeia de Reprodução Humana Assistida, realizado na Espanha.

Os responsáveis pelo trabalho foram antropologistas que decidiram investigar as motivações atuais para o congelamento de óvulos depois de observarem indicações contrárias ao que se pensava. Foram feitas entrevistas com 150 mulheres americanas e israelenses que se submeteram ao procedimento por razões sociais e não por necessidade médica.

SUCESSO PROFISSIONAL

Os pesquisadores se surpreenderam com o retrato que obtiveram. Eles descobriram que 85% das mulheres não mantinham relações afetivas com qualquer parceiro e 15% encontravam­ se em relacionamentos complicados com homens que não estavam interessados em ter filhos ou haviam apresentado interesse em manter relacionamentos mais longos.  “A maioria das mulheres já tinha atingido seus objetivos educacionais e na carreira, mas entrando na faixa dos 30 anos ainda não haviam encontrado alguém com quem se relacionar de forma estável”, explicou Marcia lnhorm, autora da pesquisa. “Esta era a razão pela qual estavam congelando os óvulos.”

Reprodução assistida - a culpa não é só a careira.2

GESTÃO E CARREIRA

ATENTO AOS FEEDBACKS

Atento aos feedbacks

Palavra de origem inglesa e incorporada no cotidiano das organizações, independentemente do seu tamanho e faturamento, que significa retroalimentação. Normalmente a associamos aos retornos que oferecemos e/ou recebemos aos/de nossos pares, gestores e equipes, certo? Essa associação não está errada, desde que esse retorno de fato retroalimente o processo que o motivou. Vamos fazer uma reflexão sobre a forma como estamos elaborando nossas dinâmicas de feedbacks? A seguir, estão colocadas algumas afirmações. Informe o seu nível de concordância com relação a cada uma e depois reflita sobre o seu nível de atenção sobre estes aspectos.

 

1.  Planejo minha agenda de trabalho, de modo a possibilitar espaços recorrentes para conversas com meus pares, gestores e/ou equipes sobre o andamento do processo.

A. Concordo totalmente.

B. Concordo parcialmente.

C. Não concordo nem discordo.

D.Não concordo

 

2. Estou sempre disponível para conversas quando sou solicitado.

A. Concordo totalmente.

B. Concordo parcialmente.

C. Não concordo nem discordo.

D. Não concordo

 

3. Tenho por hábito fazer anotações cotidianas sobre impressões de determinados comportamentos observados que geram impactos positivos ou negativos) nos processos em que estou envolvido (direta ou indiretamente).

A. Concordo totalmente.

B. Concordo parcialmente.

C. Não concordo nem discordo.

D. Não concordo.

 

4. Antes de iniciar uma dinâmica formal de feedback, organizo sistematicamente os pontos a serem abordados com meus interlocutores.

A. Concordo totalmente.

B. Concordo parcialmente.

C. Não concordo nem discordo.

D. Não concordo.

 

5. Após o início da dinâmica formal de feedback sou flexível nas abordagens, de modo a conseguir me comunicar da melhor forma possível com meus interlocutores e respeitar a forma como a conversa está evoluindo.

A. Concordo totalmente.

B. Concordo parcialmente.

C. Não concordo nem discordo.

D. Não concordo.

 

6. Ao longe da dinâmica formal de feedback, ao notar sinais de desconforto em meus interlocutores, abro espaço para falarmos sobre isso.

A. Concordo totalmente.

B. Concordo parcialmente.

C. Não concordo nem discordo.

D. Não concordo.

 

7. Durante a dinâmica formal de feedback, estou disposto a responder a eventuais perguntas, não apenas fazê-las.

A. Concordo totalmente.

B. Concordo parcialmente.

C. Não concordo nem discordo.

D. Não concordo.

 

8. Após a dinâmica formal de feedback, valido o meu entendimento sobre eventuais pontos colocados por meus interlocutores e estabeleço um compromisso de retorno no caso de alguma necessidade de encaminhamentos.

A. Concordo totalmente.

B. Concordo parcialmente.

C. Não concordo nem discordo.

D. Não concordo.

 

9. Trato de forma sigilosa e ética as informações trocadas ao longo da dinâmica de feedback.

A. Concordo totalmente.

B. Concordo parcialmente.

C. Não concordo nem discordo.

D. Não concordo.

 

10. Estou comprometido a acompanhar os status dos eventuais encaminhamentos dados oriundos de demandas surgidas ao longo de dinâmicas de feedbacks com pares, gestores ou equipes.

A. Concordo totalmente.

B. Concordo parcialmente.

C. Não concordo nem discordo.

D. Não concordo.

 

  RESULTADO

MAIORIA – CONCORDO TOTALMENTE

Parabéns, você está amplamente conectado com as boas práticas de feedback.  Demonstra senso de empatia, responsabilidade, ética e espírito de equipe. Seus desafios: manter esta conduta mesmo em eventuais momentos turbulentos e dissemina esta cultura entre seus colaboradores.

 

MAIORIA – CONCORDO PARCIALMENTE

Parabéns, seus caminhos rumo a bons diálogos está cada vez mais sólido, invista um pouco mais de tempo na reflexão sobre aspectos que podem ser melhorados na sua organização pessoal para que essas dinâmicas possam ser otimizadas ao máximo.

 

MAIORIA – NÃO CONCORDO, NEM DISCORDO

Ponto de atenção! Você parece estar muito bem-intencionado com relação às possibilidades de ganhos nas relações, a partir dessas dinâmicas, mas talvez precise investir mais tempo sobre as suas relações profissionais, sobretudo as de confiança que são estabelecidas a partir de elementos como empatia e senso de oportunidades.

 

MAIORIA – NÃO CONCORDO

Alerta vermelho. Em tempos de excesso de informações e demandas, a comunicação se apresenta como um desafio. Invista de forma mais imediata um tempo para refletir sobre como este aspecto da dinâmica de feedback pode ajudar você a desempenhar melhor suas funções ou ainda para seu time estar mais unido e engajado em prol de objetivos em comum da organização onde você trabalha.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 8: 38-47 – PARTE I

Alimento diário

As palavras de Cristo aos fariseus

 

Aqui, Cristo e os judeus ainda estão discutindo. Ele se dispõe a convencê-los e convertê-los, enquanto eles ainda se dispõem a contradizê-lo e combatê-lo.

I – Aqui, ele identifica que a diferença entre seus sentimentos e os deles se deve a uma origem diferente (v. 38): “Eu falo do que vi junto de meu Pai, e vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai”. Aqui se fala de dois pais, de acordo com as duas famílias em que estão divididos os filhos dos homens – Deus e o Diabo, e, sem controvérsia, eles são opostos um ao outro.

1. A doutrina de Cristo era do céu, era copiada dos conselhos da sabedoria infinita, e das bondosas intenções do amor eterno.

(1) “Eu falo do que vi”. As revelações que Cristo nos fez, de Deus e do outro mundo, não se baseiam em adivinhações ou rumores, mas em inspeção ocular, de modo que Ele estava completamente familiarizado com a natureza, e seguro da verdade, de tudo o que dizia. Aquele que é dado como uma testemunha para o povo é uma testemunha ocular, e, por isto, é irrepreensível.

(2) “Vi junto de meu Pai”. A doutrina de Cristo não é uma hipótese plausível, sustentada por argumentos prováveis, mas é uma reprodução exata das verdades incontestáveis que estão permanentemente alojadas na mente eterna. Não era apenas o que Ele tinha ouvido do seu Pai, mas o que Ele tinha visto junto dele, quando o conselho de paz se fez entre ambos. Moisés dizia o que ouvia de Deus, mas não podia ver o rosto de Deus. Paulo tinha estado no terceiro céu, mas o que tinha visto ali, ele não podia, não devia, dizer, pois era a prerrogativa de Cr isto a de ter visto aquilo de que falava, e de falar do que tinha visto.

2. As obras deles vinham do inferno: “‘Vós, porém, fazeis o que vistes em vosso pai’. Vós, pelas vossas próprias obras, sois próprios de vosso pai, pois é evidente com quem tendes semelhança, e por isto é fácil descobrir vossa origem”. Assim como um filho que é treinado com seu pai aprende as palavras e os costumes do seu pai, e cresce como ele, sempre imitando-o em tudo, como por uma imagem natural, também estes judeus, pela sua maldosa oposição a Cristo e ao Evangelho, se faziam como o Diabo, como se o tivessem colocado diligentemente diante de si mesmos, para que este fosse seu padrão.

II – Ele imita e responde às suas orgulhosas ostentações de parentesco com Abraão e com Deus, como seus pais, e lhes mostra a inutilidade e a falsidade das suas pretensões.

1. Eles alegavam parentesco com Abraão, e Cristo responde a isto. Eles disseram: “Nosso pai é Abraão”, v. 39. Com isto, eles pretendiam:

(1) Honrar a si mesmos, e aparentar que eram grandiosos. Eles tinham se esquecido da mortificação prescrita, que lhes trazia aquele reconhecimento (Deuteronômio 26.5): “Siro miserável foi meu pai”, e da acusação apresentada contra seus ancestrais degenerados (sobre cujas pegadas eles andavam, e não sobre as do primeiro fundador da família): “Teu pai era amorreu, e a tua mãe, hetéia”, Ezequiel 16.3. Como é comum que aquelas famílias que estão afundando e entrando em de­ cadência se vangloriem da sua origem, também é comum que aquelas igrejas que são corruptas e depravadas se valorizem com base na sua antiguidade e na eminência dos seus fundadores. Nós fomos troianos, e Tróia já existiu.

(2) Eles desejavam lançar seu ódio sobre Cristo pelo que Ele refletia sobre o patriarca Abraão, ao falar do seu pai como alguém de quem eles tinham aprendido o mal. Veja como eles procuravam uma oportunidade para discutir com Ele. Agora Cristo destrói seu argumento, e revela sua inutilidade com um argumento simples e convincente: “Os filhos de Abraão farão as obras de Abraão, mas vocês não fazem as obras de Abraão, e, portanto, não são filhos de Abraão”.

[1] A proposta é clara: “Se sois filhos de Abraão”, filhos de Abraão que poderiam reivindicar um interesse no concerto feito com ele e com sua descendência, o que realmente lhes honraria muito, então deveríeis realizar ‘as obras de Abraão’, pois somente aos da casa de Abraão que guardassem o caminho do Senhor, como fez Abraão, Deus cumpriria aquilo que prometeu”. Genesis 18.19. Somente são reconhecidos como a semente de Abraão, aos quais pertence a promessa, aqueles que andam nas suas pegadas de fé e de obediência, Romanos 4.12. Embora os judeus tivessem suas genealogias, e as mantivessem exatas, ainda assim eles não podiam, por meio delas, comprovar seu parentesco com Abraão, para ter o benefício do antigo vínculo, a menos que andassem no mesmo espírito. O parentesco das boas mulheres com Sara é provado unicamente por isto – “da qual vós sois filhas, fazendo o bem e não temendo nenhum espanto”, 1 Pedro 3.6. Observe que aqueles que desejam ser reconhecidos como semente de Abraão não devem somente ter a fé de Abraão, mas realizar as obras de Abraão (Tiago 2.21,22), devem responder ao chamado de Deus, como ele, devem entregar ao Senhor os confortos que mais apreciam, devem ser estrangeiros e peregrinos neste mundo, devem manter a adoração a Deus nas suas famílias, e sempre andar diante de Deus na sua justiça, pois estas eram as obras de Abraão.

[2] A suposição, da mesma maneira, é evidente: “Mas agora procurais matar-me, a mim que vos tenho falado a verdade que ouvi de Deus; assim não procedeu Abraão”, v. 40.

Em primeiro lugar, Ele lhes mostra qual era a obra deles, a obra que procuravam realizar agora. Eles procuravam matá-lo. E três coisas são indicadas como um agravamento da sua intenção:

1. Eles eram tão antinaturais a ponto de procurar tirar a vida de um homem, um homem como eles mesmos, osso de seu osso, e carne da sua carne, alguém que não lhes tinha feito nenhum mal, nenhuma provocação. “Até quando maquinareis o mal contra um homem?” (Salmos 62.3).

2. Eles eram tão ingratos a ponto de procurar tirar a vida daquele que lhes tinha dito a verdade, que não somente não lhes tinha feito nenhum mal, mas lhes tinha feito a maior gentileza possível; não somente não os tinha coagido com uma mentira, mas os tinha instruído nas verdades mais necessárias e importantes. Seria Ele seu inimigo?

3. Eles eram tão ímpios a ponto de procurar tirar a vida daquele que lhes dizia a verdade que tinha ouvido de Deus, que era um mensageiro enviado de Deus até eles, de modo que seus esforços contra Ele eram um ato de maldade contra Deus. Esta era a obra deles, e eles perseveravam nela.

Em segundo lugar, Ele lhes mostra que isto não convinha aos filhos de Abraão, pois “Abraão não fez isso”.

1. “Ele não fez nada semelhante a isto. Ele era famoso pela sua humanidade, vejam o resgate dos cativos realizado por ele. E quanto à sua piedade, vejam sua obediência à visão celestial em muitos exemplos, exemplos muito sensíveis”. Abraão cria em Deus, eles eram obstinados na incredulidade. Abraão seguia a Deus, eles lutavam contra Ele. De modo que ele os ignoraria, e não os reconheceria, pois eram extremamente diferentes dele, Isaías 63.16. Veja Jeremias 22.15-17.

2. “Ele não teria feito isto, se vivesse agora, ou se Eu tivesse vivido neste mundo em seus dias”. Ele não teria feito isto, assim alguns interpretam. Assim devemos fugir de qualquer tipo de maldade. Será que Abraão, e Isaque, e Jacó teriam feito isto? Jamais podemos esperar estar com eles, se não formos como eles.

[3] Naturalmente, vem a conclusão (v. 41): “Quais­ quer que sejam suas ostentações e pretensões, vocês não são filhos de Abraão, mas têm um pai em outra família (v. 41). Existe um pai cujas obras vocês fazem, e dele vocês têm o mesmo espírito, e com ele vocês se parecem”. Jesus ainda não diz claramente que se refere ao Diabo, até que eles, pelas suas críticas contínuas, o forçam a explicar-se, o que nos ensina a tratar até mesmo os homens maus com civilidade e respeito, e não nos apressarmos em dizer deles, ou a eles, o que, embora verdadeiro, soe de maneira áspera. O Senhor os colocou à prova, verificando se eles permitiriam que suas próprias consciências deduzissem, a partir das suas palavras, que eles eram filhos do Diabo. E é melhor ouvirem isto das suas consciências, agora que são chamados ao arrependimento, isto é, a trocarem de pai e trocarem de família, ao modificarem seu espírito e procedimento, do que ouvirem isto de Cristo no grande dia.

3. Tão longe eles estavam de reconhecer que eram indignos do parentesco com Abraão, que alegaram parentesco com o próprio Deus, como seu Pai: “‘Nós não somos nascidos de prostituição’, não somos bastardos, mas filhos legítimos. “Temos um Pai, que é Deus”.

(1). Alguns interpretam isto literalmente. Eles não eram filhos da escrava, como eram os descendentes de Ismael, nem gerados em incesto, como eram os moabitas e amonitas (Deuteronômio 23.3), nem eram uma descendência espúria na família de Abraão, mas eram hebreus, nascidos de hebreus, e, tendo nascido de casamentos legítimos, eles podiam chamar a Deus de Pai, que instituiu este estado honroso em inocência, pois uma semente legítima, sem manchas de divórcios, nem de pluralidade de esposas, é chamada de semente de Deus, Malaquias 2.15.

(2). Outros interpretam isto de maneira figurada. Agora eles começam a perceber que Cristo falava de um pai espiritual, e não carnal, falava do pai da sua religião. E assim:

[1] Eles se recusam a ser uma geração de idólatras: “Nós não somos nascidos de prostituição, não somos filhos de pais idólatras, nem fomos criados em adorações idólatras”. A idolatria é sempre mencionada como a prostituição espiritual, e os idólatras, como filhos da prostituição, Oséias 2.4; Isaías 57.3. Mas, se eles queriam dizer que não eram descendentes de idólatras, a alegação era falsa, pois nenhuma nação estava mais habituada à idolatria do que a dos judeus, antes do cativeiro. Se eles não queriam dizer nada, além do fato de que eles mesmos não eram idólatras, então o que queriam dizer? Um homem pode estar livre da idolatria, e ainda assim perecer em outra iniquidade, e ser expulso do concerto de Abraão. Se vocês não cometem nenhuma idolatria (aplique-se isto a esta prostituição espiritual), ainda as­ sim, se vocês matam, vocês se tornam transgressores do concerto. Um filho pródigo rebelde será deserdado, ainda que não seja nascido de prostituição.

[2] Eles se orgulham de serem fiéis adoradores do Deus verdadeiro. “Nós não temos muitos pais, como têm os pagãos, muitos deuses e muitos senhores”, e ainda assim estavam sem Deus, -um filho do povo tem muitos pais, e nenhum garantido. Não, o Senhor nosso Deus é um único Senhor e um único Pai, e, portanto, isto nos é conveniente. Observe que somente se adulam, e colocam uma trapaça condenadora sobre suas próprias almas, aqueles que imaginam que o fato de professarem a verdadeira religião e adorarem ao Deus verdadeiro irá salvá-los, embora eles não adorem a Deus em espírito e em verdade, nem sejam fiéis à sua profissão de fé. Nosso Salvador lhes dá uma resposta completa a esta alegação fraudulenta (vv. 42,43), e prova, com dois argumentos, que eles não tinham nenhum direito de chamar a Deus de Pai.

Em primeiro lugar, eles não amavam a Cristo: “Se Deus fosse o vosso Pai, certamente, me amaríeis”. Ele tinha contestado seu parentesco com Abraão pelo fato de que procuravam matá-lo (v. 40), mas aqui Ele contesta seu parentesco com Deus pelo fato de que não o amavam nem reconheciam. Um homem pode se passar por filho de Abraão, se não aparentar ser um inimigo de Cristo, por algum pecado ofensivo, mas ele não pode ser aceito como filho de Deus, a menos que seja um amigo fiel e um seguidor de Cristo. Observe que todos os que têm a Deus como seu Pai, têm um verdadeiro amor por Jesus Cristo e uma grande admiração pela sua pessoa, um sentimento de gratidão pelo seu amor, um sincero afeto à sua causa e ao seu reino, uma concordância com a salvação realizada por Ele, bem como com seus métodos e condições, e o cuidado de observar seus mandamentos, que é a evidência mais certa do nosso amor por Ele. Nós estamos aqui em um estado de experiência, e a maneira como nós nos comportamos em relação ao nosso Criador será julgada, e, de acordo com o resultado deste julgamento, desfrutaremos o estado de retribuição. Deus adotou vários métodos para nos testar, e este era um deles. Ele enviou seu Filho ao mundo, com provas suficientes da sua filiação e missão, concluindo que todos os que o chamassem de Pai iriam beijar seu Filho, e dar as boas-vindas àquele que era o primogênito entre muitos irmãos. Veja 1 João 5.1. Nossa adoção será provada ou contestada pelo seguinte: Nós amamos a Cristo, ou não? Se alguém não o ama, está muito longe de ser um filho de Deus, e é, na verdade, um anátema, alguém amaldiçoado, 1 Coríntios 16.22. Mas nosso Salvador provou que aqueles que o amam são filhos de Deus, pois, diz Ele: “Eu saí e vim de Deus”. Eles devem amá-lo, porque:

1. Ele era o Filho de Deus: “Eu saí de Deus”. Segundo o Dr. Whitby, significa sua divina origem, do Pai, pela comunicação da essência divina, e também a união do logos divino à sua natureza humana. Isto não podia deixar de recomendá-lo aos afetos de todos os que nasceram de Deus. Cristo é chamado o Amado porque, sendo o Amado do Pai, certamente é o Amado de todos os santos, Efésios 1.6. 2. Ele era o enviado de Deus, vinha dele como um embaixador ao mundo da humanidade. Ele não veio de si mesmo, como os falsos profetas, dos quais nem a mis­ são nem a mensagem eram de Deus, Jeremias 23.21. Observe a ênfase que Ele dá a isto: “Vim de Deus; não vim de mim mesmo, mas ele me enviou”. Suas credenciais e suas instruções vinham de Deus. Ele veio para reunir em um corpo os filhos de Deus (cap. 11.52), para trazer muitos filhos à glória, Hebreus 2.10. E não deveriam todos os filhos de Deus abraçar, com os dois braços, um mensageiro enviado do seu Pai com tal missão? Mas estes judeus aparentam não ser parentes de Deus, pela sua falta de afeição a Jesus Cristo.

Em segundo lugar, eles não o entendiam. O fato de que não compreendiam a língua e o dialeto da família era um sinal de que eles não pertenciam à família de Deus: “Não entendeis a minha linguagem” (v. 43). As palavras de Cristo eram divinas e celestiais, mas suficientemente compreensíveis para aqueles que estavam familiarizados com a voz de Cristo no Antigo Testamento. Aqueles que estavam familiarizados com a palavra do Criador não precisavam de nenhum outro código para o dialeto do Redentor. E ainda assim, estes judeus estranham a doutrina de Cristo, e encontram complicações nela, e não sei quais obstáculos. Podia um galileu ser conhecido pela sua maneira de falar? Um efraimita, pelo seu sibolete? E alguém teria a confiança de chamar a Deus de Pai, se para ele o Filho de Deus era como um bárbaro, mesmo expressando a vontade de Deus através das palavras do Espírito de Deus? Observe que aqueles que não estão familiarizados com as palavras divinas têm motivos para temer serem estranhos à natureza divina. Cristo falava as palavras de Deus (cap. 3.34) no dialeto do reino de Deus. No entanto, eles, que pretendiam pertencer ao reino, não compreendiam suas expressões e características, mas, como estranhos, e, além disto, rudes, as ridicularizavam. E o motivo pelo qual eles não compreendiam as palavras de Cristo piorava a situação: “Por não poderdes ouvir a minha palavra”, isto é: “Vocês não conseguem se persuadir a ouvi-la atentamente, imparcialmente e sem preconceitos, como ela deve ser ouvida”. O significado deste “não” é um “não desejam” obstinado, da mesma maneira como os judeus não quiseram ouvir a Estêvão (At 7.57), nem a Paulo, Atos 23.22. Observe que a antipatia enraizada dos corações corrompidos dos homens para com a doutrina de Cristo é a verdadeira razão pela qual eles não a conhecem, e é a causa dos seus erros e enganos a respeito dela. Eles não gostam dela, nem a amam, e por isto não a compreendem, como Pedro, que fingiu não entender o que a criada dizia (Mateus 26.70), quando, na verdade, ele não sabia o que responder. “Vocês não podem ouvir minhas palavras, pois têm tampados seus ouvidos (Salmos 58.4,5), e Deus, a caminho de um julgamento justo, fez seus ouvidos duros”. Isaías 6.10.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A PSICOLOGIA DO SUCESSO

Quem nunca se sentiu a última das criaturas sobre a face da terra após passar por uma grande frustração e pensou: “Só acontece comigo!”? Esse tipo de raciocínio costuma ser prejudicial, pois confirma crenças falsas sobre si memo. Cientistas já sabem que processamos de formas diversas as experiências que julgamos positivas e negativas, o que pode ajudar a evitar a montanha-russa emocional que aparentes derrotas e conquistas provocam.

A psicologia do sucesso

O sucesso e o fracasso são processados de maneiras diferentes pelo cérebro. Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts descobriram que pode haver muito mais por trás desse acontecimento além de apenas um bocado de mérito, recompensa pelos próprios esforços, acasos, coincidências ou até mesmo um tanto de sorte, como muita gente acredita.

Os resultados de um estudo oferecem indicações sobre como a mente aprende com situações positivas e negativas. Ao treinarem macacos para realizar tarefas visuais nas quais era possível escolher entre duas opções, os pesquisadores descobriram que o cérebro dos animais armazenava as experiências recentes tanto de sucesso quanto de fracasso. Porém, a resposta correta produzia um efeito impressionante: melhorava o processamento neural, aumentando o desempenho na prova seguinte. Caso um animal cometesse um erro em uma tentativa, mesmo após ter dominado a tarefa, seu desempenho na prova seguinte era governado pelo acaso – os erros eram descartados e ele não aprendia.

“O sucesso influencia muito mais o cérebro que o fracasso”, explica o neurocientista Earl Miller, que coordenou o estudo. Ele acredita que as descobertas se aplicam a muitos aspectos do cotidiano: o mau êxito, em geral, não recebe atenção, ao contrário do sucesso, que é recompensado com prêmios – como quando comemoramos um gol numa partida de futebol. O sentimento de prazer causado pela vitória é provocado por uma onda no neurotransmissor dopamina. Quando conseguimos acertar “em cheio” a bola nos pinos e fazer o desejado strike, a substância envia sinais ao cérebro para que a ação vitoriosa seja repetida.

A psicologia do sucesso.3

JOGO DA PROBABILIDADE

Há alguns anos, o físico Richard A. J. Matthews estudou as chamadas leis de Murphy, máxima pessimista segundo a qual “se alguma coisa pode dar errado, dará”. Matthews investigou, em particular, por que uma fatia de pão com manteiga cai geralmente com o lado da manteiga para baixo. O fato foi confirmado por um estudo experimental, patrocinado por um fabricante de manteiga: o aparente azar deve-se simplesmente à relação física entre as dimensões da fatia e a altura em que estava colocada. São também explicáveis outros tipos de infortúnio, como o fato de que, quando retiramos duas meias da gaveta, geralmente não são do mesmo par – nesse caso, por meio da lógica das probabilidades.

Obviamente, ninguém está livre dos reveses da vida que sentimos como derrotas – seja a morte de uma pessoa querida, uma doença grave com a qual temos de lidar, a perda de uma promoção profissional para a qual tanto nos empenhamos, ou mesmo uma frustração banal como, após encontrar uma excelente oferta online daquele artigo que há tanto queríamos, não conseguir fechar a compra. Em todas essas situações há em comum um aspecto: a perda. A questão, porém, não é simplesmente o que acontece, mas a maneira como lidamos com os fatos – e as consequências físicas e mentais que enfrentamos. Algumas pesquisas têm mostrado que o pessimismo prolongado prejudica parte do cérebro que cuida do funcionamento cognitivo e, em alguns casos, nos torna fisicamente mais frágeis.

Quando se fala em acaso, é preciso considerar outro ponto: em geral, só damos atenção a certos fatos quando eles nos afetam diretamente (mesmo em situações banais, como o início da chuva assim que colocamos os pés na rua), o que contribui para reforçar nossos preconceitos e nos fazer ignorar as leis da probabilidade. “A diferença entre eventos ordinários e extraordinários é subjetiva”, observa o psicólogo Lorenzo Montali, pesquisador da Universidade de Milão-Bicocca. “Estar atrasado, por exemplo, é um fato comum, mas certamente será recordado por toda a vida como um golpe de sorte se graças a ele formos salvos de um acidente.” Ou seja, parece que aquela velha máxima de que “o valor está nos olhos de quem vê” faz sentido. Em grande parte, parece que escolher para onde queremos direcionar o olhar pode fazer muita diferença.

 A psicologia do sucesso.2

 

OUTROS OLHARES

O ABANDONO DOS IDOSOS

Com a ilusão de ser eternamente jovem, País sofre com o aumento da expectativa de vida da população. Falta de planejamento gera impasses de difícil solução, como o crescimento do número de pessoas em asilos e a falta de uma poupança para garantir uma boa velhice.

O abandono dos idosos

Um país eternamente jovem está com dificuldades para lidar com seus cabelos brancos. Ficar vivo por mais tempo, o que deveria ser uma boa notícia para todos, virou um desafio econômico pessoal para os brasileiros – e uma bomba relógio de efeitos incalculáveis para o sistema de assistência social. Na parte baixa da pirâmide, onde estão os mais pobres, começa a ser sentido o aumento no número de idosos desamparados pela família. Os albergues públicos estão lotados e a demanda por vagas entre pessoas de mais de 60 anos não para de crescer, segundo estudo do Ministério do Desenvolvimento Social. Entre os mais favorecidos, o problema é de falta de poupança e planejamento. Levantamento recém-concluído pelo Banco Mundial indica que os brasileiros de todas as idades são pouco precavidos, parecem ocupados demais com seus problemas no presente e não estão se preparando para a velhice. Apenas 11% declaram fazer economia para o futuro, contra uma média global de 21%.

ENVELHECIMENTO RÁPIDO

“A situação é multo grave e só tende a piorar. As pessoas não conseguem fazer um pé de meia para ter uma renda estável e segura depois que se aposentam”, afirma Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil. “É natural que cresça o número de pessoas idosas que vivem sozinhas porque a população em geral está envelhecendo, mas o crescimento é muito alto e o número de instituições de longa permanência ou asilos não é suficiente para atender às necessidades.” Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2012 e 2017, a população de idosos no País saltou 19,5%, de 25,4 milhões para mais de 30,2 milhões de pessoas. No mesmo período, o número de homens e mulheres com 60 anos ou mais nos albergues públicos cresceu 33%, de 45,8 mil para 60,8 mil. Se forem considerados também os alojamentos privados, a cifra sobe para 100mil. O desamparo familiar cresce mais rápido que a expectativa de vida – e o País carece de um projeto para reforçar os cuidados prolongados e a assistência na velhice.

o motorista Valter Alves, 64 anos, que há quatro meses se instalou em um centro municipal de acolhida para idosos no bairro de Pinheiros, em São Paulo, é um dos novos moradores desses alojamentos públicos. Alves, que trabalhou a vida toda dirigindo carros e caminhões, fez parte do quadro de funcionários de uma floricultura, de um banco, e chegou a pilotar um guincho, nunca conseguiu guardar dinheiro para se sustentar na velhice. Agora, às vésperas da aposentadoria, marcada para janeiro do ano que vem, ele também desistiu de procurar trabalho. “Por causa da idade, as pessoas acham que você não consegue mais fazer as mesmas coisas”, lamenta. Alves foi casado por 25 anos, é pai de quatro filhos e avô de seis netos. Costuma receber visitas dos familiares e, apesar do isolamento, diz gostar do abrigo, que considera “sossegado”.  “As pessoas são tranquilas e de fácil convivência”, afirma.

“Não tenho muito que fazer por aqui, mas eu gosto de dominó e ajudo na cozinha lavando louça de vez em quando”, diz ele.

“O segmento da população que mais cresce atualmente é acima dos 80 anos”, afirma Fernando Albuquerque, pesquisador do IBGE. Segundo ele, o perfil demográfico do País em 2030 será muito diferente do que temos hoje”. Se atualmente 14% da população é considerada idosa, daqui a 30 anos esse percentual será de 30%. Isso significa uma redução da força produtiva e uma elevação dos custos assistenciais. Há também o problema do enfraquecimento dos laços familiares na nova sociedade. A família, agora, não é mais aquela tradicional que sempre destacava alguém para cuidar dos mais velhos. Ao mesmo tempo, falta um Estado que compense essa deficiência com políticas públicas que protejam os desamparados. “Essas políticas necessárias para atender uma população que está envelhecendo mal, num país em crise e com cortes nas despesas em educação e saúde”, diz Kalache.

O engenheiro Adrian Saranga, 77 anos, também vive num alojamento em São Paulo. Ele veio com 26 anos da Romênia para o Brasil. Aqui, conseguiu aprender seu quarto idioma, o português. Ele também fala romeno, francês e russo. “O engraçado, é que me formei em engenharia, mas nunca trabalhei com isso”, recorda. No Brasil, ele teve uma empresa de materiais de construção e trabalhou como gerente de vendas, até que, aos 70 anos, se aposentou. Há dois anos, foi morar no abrigo. “Amigos, eu não posso dizer que tenho. Amigo mesmo você tem um ou no máximo dois na vida toda”, afirma. Porém, ele diz que tem uma boa convivência com os outros 29 idosos que moram com ele. “Conversamos, vemos televisão. Antigamente eu também lia muito, mas agora não tenho mais paciência”.

As estatísticas mostram que o brasileiro se prepara mal para enfrentar o momento em que sua a sua força produtiva se esgota. Mesmo sem poder contar com um Estado que garanta um bem-estar aos idosos, a imensa maioria da população não pensa no futuro de maneira pragmática. Um levantamento feito pelo Banco Mundial revela que a formação de urna poupança privada no Brasil para sustentar os idosos do futuro também deixa a desejar. Em um ranking de mais de 144 países, o Brasil ocupa um modesto 101º em reserva de aposentadoria, atrás de várias nações latino-americanas e muito abaixo de países desenvolvidos, como o Canadá e os Estados Unidos. Em 2017, apenas 11% dos brasileiros declararam poupar para a velhice. No Canadá esse percentual é de 59%. “Não é só um problema da pobreza”, diz Kalache. “O brasileiro não tem educação financeira.  É a falta de precaução”. A falsa ideia de que o Brasil é um País de jovens está revelando uma realidade preocupante. Há um déficit na percepção de que é preciso fazer um esforço para ter uma renda confortável para um futuro cada vez mais longo. Sem isso, ter uma velhice digna será privilégio de uma minoria de brasileiros.

 O abandono dos idosos.2

O abandono dos idosos.3

O abandono dos idosos.4

GESTÃO E CARREIRA

EU SOU O CHEFE!

Eu sou o chefe

— Dê prioridade a isso, por favor, fulano.

— Chefe, eu preciso finalizar esta tarefa conforme o procedimento.

— Mas fulano, eu sei o que estou fazendo, me respeita que eu sou o chefe!

Será que estou sendo exagerada? Ou é verdade que essa frase quase não vem sendo mais verbalizada por aí, porém o fato de ela não ser dita não significa que as ações não mostrem o que ela quer dizer, não e mesmo? Demonstra – com ou sem palavras – que a demanda que o chefe está pedindo é mais importante e, independentemente de tudo que você tinha planejado de resultados para o seu dia, ela deve ser prioritária.

Quando pesquisei sobre os motivos que faziam as pessoas perderem o foco – um dos mais relatados foi exatamente demandas não programadas atravessadas pelos chefes solicitadas para serem feitas imediatamente sobrepondo o que está sendo realizado.

Para uma empresa de qualquer tipo e tamanho crescer e se destacar, além de cuidar para que a oferta do produto ou serviço seja adequada conforme as necessidades do mercado, precisa – principalmente – trabalhar no sentido de padronizar seus processos internos. Definir procedimentos para as atividades diárias tem um papel muito importante na padronização da experiência do cliente e faz também com que a empresa se beneficie internamente, otimizando recursos, desde despesas com viagens até custos da atividade, mas, principalmente, o cuidado para evitar o retrabalho.

Além de estabelecer um procedimento padrão para realizar as atividades, algo que pode melhorar a comunicação na equipe e auxiliar você como gestor com a definição de prioridades é o planejamento semanal:

1. DEFINA antecipadamente as atividades da semana e compartilhe com aqueles que devem realiza-las, também antecipadamente.

2. ENUMERE as atividades de acordo com a prioridade do dia ou da semana.

3. UTILIZE a técnica “pomodoro” – para focar no cumprimento das atividades-chave

4. TRATE de uma atividade por vez, não se envolva com mais de uma ao mesmo tempo. Não abra mão de seguir para cada uma delas o seu procedimento-padrão.

5. AVALIE a real necessidade de sobrepor tarefas baseadas em critérios claros (urgência, impacto financeiro, impacto operacional etc.).

6. AO SOLICITAR a alguém que priorize uma atividade sua em detrimento da que ele está fazendo, argumente claramente com base e critério pelo qual ela é mais importante do que a atual.

Além disso, vamos falar a verdade, as pessoas sentem-se bastante valorizadas quando têm uma tarefa confiada a si que pode ser realizada até o final, sem interrupções, não é mesmo?

 

CECILIA BETTERO – é administradora, empresária na área de consultoria e treinamento, especializada em gestão empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. http://www.ceciliabettero.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 8: 31-37

Alimento diário

As palavras de Cristo aos fariseus

 

Nestes versículos, temos:

I – Uma confortável doutrina a respeito da liberdade espiritual dos discípulos de Cristo, apresentada com o propósito de incentivar aqueles “judeus que criam nele”. Sabendo que sua doutrina começava a operar em alguns dos seus ouvintes, e percebendo que virtude tinha sido emanada dele, Cristo desviou seu discurso dos orgulhosos fariseus, e dirigiu-se àqueles fracos crentes. Quando Ele tinha denunciado a ira contra aqueles que estavam insensíveis na incredulidade, Ele dirigiu palavras de consolo àqueles poucos e débeis “judeus que criam nele”. Veja aqui:

1. Com que graça o Senhor Jesus olha para aqueles que “tremem diante da sua palavra”, e estão dispostos a recebê-la. Ele tem algo a dizer àqueles que têm ouvidos para ouvir, e não passará por aqueles que se colocam em seu caminho, sem falar com eles.

2. Com que cuidado Ele aprecia os princípios da graça, e encontra aqueles que estão vindo em sua direção. Estes judeus que criam eram, ainda, muito fracos, mas Cristo não os afasta por isto, pois “entre os braços, recolherá os cordeirinhos”. Quando a fé está no seu início, Ele tem condições para guiá-la, seios para que ela se alimente, para que não venha a morrer em um estágio inicial. Nas palavras que Ele lhes disse, nós encontramos duas coisas, que Ele disse a todos os que, em alguma ocasião, cressem:

(1). O caráter de um verdadeiro discípulo de Cristo: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos”. Aqueles que criam nele, como sendo o grande profeta, entregavam-se para serem seus discípulos. Agora, ao serem admitidos em sua escola, Ele estabelece uma regra: Ele não reconheceria como seu discípulo a ninguém, exceto aqueles que permanecessem na sua palavra.

[1] Isto indica que há muitos que se professam discípulos de Cristo que não são verdadeiramente seus discípulos, mas somente em aparência e nome.

[2] Isto tem uma grande aplicação no caso daqueles que não são fortes na fé, para que procurem ser sãos na fé. Embora não sejam discípulos na forma mais forte possível, eles ainda são verdadeiros discípulos.

[3] Aqueles que parecem desejosos de ser discípulos de Cristo devem saber que podem, igualmente, nunca vir até Ele, a menos que venham decididos, pela sua graça, a obedecê-lo. Que aqueles que estão dispostos a estabelecer uma aliança com Cristo não pensem em ter reservado algum poder para revogá-la. As crianças são enviadas à escola, e se tornam aprendizes, somente por alguns poucos anos, mas só serão de Cristo aqueles que estiverem dispostos a permanecer unidos a Ele durante a vida toda.

[4] Somente aqueles que permanecem na palavra de Cristo serão aceitos como seus verdadeiros discípulos, aqueles que aderem à sua palavra em cada situação, sem parcialidade, e que obedecem a ela até o fim, sem apostasia. O termo utilizado é permanecer na palavra de Cristo, como um homem permanece em sua casa, que é seu centro, e seu repouso, e seu refúgio. Nosso relacionamento com a palavra e nossa conformidade a ela devem ser constantes. Se permanecermos como discípulos fiéis até o fim, então, e somente então, seremos aprovados como verdadeiros discípulos.

(2). O privilégio de um verdadeiro discípulo de Cristo. Aqui estão duas preciosas promessas feitas àqueles que, desta maneira, são aprovados como verdadeiros discípulos, v. 32.

[1] “Conhecereis a verdade”, conhecereis toda aquela verdade que é necessário e benéfico que conheçam, sereis mais confirmados na fé dela, e conhecereis sua certeza”. Observe que, em primeiro lugar, mesmo aqueles que são verdadeiros crentes, e verdadeiros discípulos, ainda podem estar, e estão, no escuro a respeito de muitas coisas que deveriam conhecer. Os filhos de Deus são apenas filhos, e compreendem e falam como filhos. Se não precisássemos ser ensinados, nós não precisaríamos ser discípulos. Em segundo lugar, é um grande privilégio conhecer a verdade, conhecer as verdades em particular nas quais devemos crer, nas suas mútuas dependências e conexões, e as bases e razões da nossa fé – para saber o que é verdade e o que prova ser verdade. Em terceiro lugar, é uma promessa graciosa de Cristo, a todos os que permanecem na sua palavra, de que conhecerão a verdade à medida que for necessária e benéfica para eles. Os alunos de Cristo têm certeza de que são bem ensinados.

[2] ”A verdade vos libertará”. Isto é, em primeiro lugar, a verdade que Cristo ensina tende a libertar os homens, Isaías 61.1. A justificação nos liberta da culpa do pecado, pela qual nós estávamos sujeitos ao julgamento de Deus, e sujeitos a temores assombrosos. A santificação nos liberta da escravidão da corrupção, pela qual nós estávamos proibidos daquele serviço que é uma liberdade perfeita, e forçados àquele que é uma escravidão perfeita. A verdade do Evangelho nos liberta do jugo da lei cerimonial, e das cargas mais dolorosas das tradições dos anciãos. Ela nos liberta dos nossos inimigos espirituais, e assim nos tornamos livres no serviço a Deus, livres para os privilégios de filhos, e livres para a Jerusalém que é de cima, que é livre. Em segundo lugar, o conhecimento, a aceitação e a fé nesta verdade realmente nos libertam, nos deixam livres dos preconceitos, enganos e falsos conceitos, e nada mais escraviza e confunde a alma, que estará livre do domínio dos desejos e das paixões. Estas virtudes restauram a alma ao controle de si mesma, reduzindo-a à obediência ao seu Criador. A mente, ao admitir a verdade de Cristo na luz e no poder, é muito engrandecida, e recebe uma abrangência mais ampla. Ela passa a ser altamente elevada sobre as coisas relacionadas aos sentidos, e nunca atua com uma liberdade tão verdadeira como quando atua sob um mandamento divino, 2 Coríntios 3.17. Os inimigos do cristianismo fingem ter liberdade de pensamento, ao passo que os raciocínios mais livres, na verdade, são aqueles guiados pela fé, e são homens de livre pensa­ mento aqueles cujos pensamentos são cativados e trazidos à obediência a Cristo.

II – A ofensa que os judeus carnais sentiram com esta doutrina, e suas objeções contra ela. Embora ela fosse uma doutrina que trazia boas novas de libertação aos cativos, ainda assim eles a criticaram, v. 33. Os fariseus se irritaram com estas palavras de consolo àqueles que criam, os espectadores, que não tinham parte nem sorte nesta questão. Eles se julgaram censurados e afrontados pela carta graciosa de liberdade concedida aos que criam, e por isto, com uma grande dose de orgulho e inveja, eles lhe responderam: “Somos descendência de Abraão”, e, portanto, nascemos livres, e não perdemos nosso direito de liberdade desde o nascimento. Nós “nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?” Veja aqui:

1. Por que eles reclamaram: havia uma insinuação nestas palavras: “Sereis livres”, como se a igreja e a nação judaicas estivessem em algum tipo de escravidão, o que se refletia sobre os judeus, em geral, e como se todos aqueles que não cressem em Cristo continuassem naquela escravidão, o que se refletia sobre os fariseus, em particular. Observe que os privilégios dos crentes causam a inveja e a irritação dos incrédulos, Salmos 112.10.

2. O que eles alegaram contra a doutrina: embora Cristo desse a entender que eles precisavam ser libertados, eles insistiram:

(1) “Nós somos a semente de Abraão, e Abraão foi um príncipe e um grande homem. Embora vivamos em Canaã, nós não descendemos de Canaã, nem nascemos sob sua maldição, “servo dos servos seja”. Nós temos almas livres, e não um contrato de servidão”. É comum que uma família decadente se vanglorie da glória e dignidade de seus ancestrais, e empreste honras daquele nome ao qual devolvem desgraças. Isto faziam estes judeus. Mas isto não era tudo. Abraão estava em concerto com Deus, e também seus filhos, por seu direito, Romanos 11.28. Este concerto, sem dúvida, era uma carta de liberdade, e os investia em privilégios inconsistentes com uma condição de escravidão, Romanos 9.4. Portanto, eles não eram capazes de atribuir à liberdade em Cristo o verdadeiro valor que ela possui, pois pensavam que eram nascidos livres. Observe que é uma falta e uma tolice comum daqueles que têm educação e linhagem piedosa confiar nos seus privilégios e se vangloriarem deles, como se isto pudesse compensar a falta de uma verdadeira santidade. Eles eram a semente de Abraão, mas de que isto lhes serviria, já que é possível encontrar no inferno alguém que poderia chamar Abraão de pai? Os benefícios da salvação não são, como os privilégios comuns, transmitidos por herança, e o acesso ao céu não pode ser conseguido através da hereditariedade. Também não podemos reivindicar ser herdeiros pela lei, fingindo ter um pedigree. Nosso título é obtido exclusivamente pela compra, não nossa, mas do nosso Redentor, por nós, sob certas condições e limitações, que, se não observarmos, não nos ajudarão a ser a semente de Abraão. Desta maneira, muitos, quando pressionados pela necessidade de regeneração, tentam afastá-la através deste argumento frágil: “Nós somos os filhos da igreja”. Mas nem todos em Israel são verdadeiramente israelitas.

(2) “Nunca servimos a ninguém”. Observe:

[1] Como era falsa esta alegação. Eu me pergunto como eles podiam ter a segurança de dizer, diante de uma congregação, uma coisa que era tão notoriamente falsa. A semente de Abraão não tinha estado escravizada no Egito? Eles não tinham estado frequentemente escravizados às nações vizinhas, nos tempos dos juízes? Eles não tinham sido cativos durante setenta anos na Babilônia? Na verdade, eles não eram, nesta época, pagadores de impostos aos romanos, e, embora não sob uma escravidão pessoal, sob uma escravidão nacional a eles, e gemendo pela liberdade? Mas, para confrontar a Cristo, eles têm o descaramento de dizer: “Nunca servimos a ninguém”. Desta maneira, eles tentavam expor Cristo à má vontade, tanto dos judeus, que eram muito zelosos da honra da sua liberdade, quanto dos romanos, que não desejavam ser considerados como escravizadores das nações que conquistavam.

[2] Como era tola esta alegação. Cristo tinha falado de uma liberdade que era trazida pela verdade, o que devia ser entendido como uma liberdade espiritual, pois a verdade, assim como enriquece, também liberta a mente, e a engrandece além do cativeiro do erro e do preconceito. Mas eles alegavam, contra a oferta da liberdade espiritual, que nunca tinham estado em um cativeiro corporal, como se, por nunca terem servido a ninguém, nunca tivessem sido servos de qualquer desejo ou cobiça. Observe que os corações carnais não são sensíveis a nenhum sofrimento, exceto àqueles que perturbam o corpo e prejudicam suas questões seculares. Fale com eles sobre invasões à sua liberdade e propriedade civil, conte-lhes sobre a devastação cometida sobre suas terras, ou os danos feitos às suas casas, e eles irão compreender muito bem, e poderão dar-lhe uma resposta sensata. Isto os toca e os afeta. Mas fale com eles sobre a escravidão do pecado, o cativeiro a Satanás, e a liberdade por Cristo, conte-lhes do mal feito às suas preciosas almas, e o perigo do seu bem-estar eterno, e certam ente trará coisas estranhas aos seus ouvidos. E dirão (como fizeram aqueles, Ezequiel 20.49): “Não é este um dizedor de parábolas?” Isto era muito parecido com o erro grosseiro que Nicodemos cometeu sobre o conceito do novo nascimento.

III – A defesa que nosso Salvador faz da sua doutrina, contra estas objeções, e a explicação, vv. 34-37, onde Ele faz quatro coisas:

1. Ele mostra que, apesar das suas liberdades civis, e da sua filiação visível à igreja, ainda era possível que eles estivessem em um estado de escravidão (v. 34): “Todo aquele que comete pecado”, ainda que seja da semente de Abraão, e nunca tenha servido a ninguém, “é servo do pecado”. Observe que Cristo não os repreende pela falsidade da sua alegação, nem lhes mostra sua escravidão atual, mas explica melhor o que Ele tinha dito, para sua edificação. Assim devem os ministros, com mansidão, instruir aqueles que os combatem, para que possam recuperar-se, e não, com paixão, levá-los a confundir-se ainda mais. Aqui:

(1). O prefácio é muito solene: “Em verdade, em verdade vos digo”. Esta é uma afirmação tremenda, que nosso Salvador frequentemente usava, para exigir uma atenção reverente e uma pronta aceitação. O estilo dos profetas era: ”Assim diz o Senhor”, pois eles eram fiéis, como servos. Mas Cristo, sendo o Filho, fala no seu próprio nome: “Eu vos digo, Eu, o Amém, a testemunha fiel”. Ele empenha nisto sua sinceridade. “Eu digo a vocês, que se vangloriam da sua descendência de Abraão, como se isto pudesse salvá-los”.

(2). A verdade é de interesse universal, embora aqui transmitida em uma ocasião particular: “Todo aquele que comete pecado é servo do pecado”, e, tristemente, precisa ser libertado. Um estado de pecado é um estado de escravidão.

[1] Veja em quem é impressa esta marca naquele que comete pecado, todo aquele que comete pecado. Não há um homem justo sobre a terra, que viva e não peque, mas nem todo aquele que peca é um servo do pecado, pois então Deus não teria servos. Servo do pecado é aquele que comete pecado, que escolhe o pecado, prefere o caminho da maldade ao caminho da santidade (Jeremias 44.16,17), que que faz um concerto com o pecado, entra em aliança com ele, e se casa com ele, que faz artimanhas de pecado, faz provisões para a carne, e imagina iniquidades, e que tem o costume de pecar, que anda segundo a carne, e faz do pecado um negócio.

[2] Veja qual é a marca que Cristo estampa naqueles que cometem pecado. Ele os estigmatiza, confere lhes uma marca de servidão. Eles são servos do pecado, estão aprisionados sob a culpa do pecado, presos, dominados por ele, decididos sob o pecado, e estão sujeitos ao poder do pecado. Eles são servos do pecado, isto é, eles se fazem assim, e assim são considerados. Eles se venderam para realizar maldades. Seus desejos os dominam, eles estão à sua disposição e não são seus próprios senhores. Eles fazem a obra do pecado, dão suporte aos seus interesses, e aceitam seu salário, Romanos 6.16.

2. Ele lhes mostra que, estando em um estado de escravidão, o fato de que tenham um lugar na casa de Deus não lhes dá o direito à herança de filhos, pois (v. 35) “o servo”, embora esteja na casa durante algum tempo, sendo apenas um servo, “não fica para sempre em casa”. Os servos (dizemos nós) não são heranças, são apenas temporários, e não terão uma perpetuação, “mas o Filho fica para sempre”. Veja:

(1). Isto indica basicamente a rejeição da igreja e da nação judaicas. Israel tinha sido filho de Deus, seu primogênito, mas eles maldosamente degeneraram em uma disposição servil, escravizaram se ao mundo e à carne, e por isto, embora por virtude do seu direito de nascimento eles se julgassem seguros da sua filiação à igreja, Cristo lhes diz que tendo-se tornado escravos desta maneira, eles não ficariam na casa para sempre. Jerusalém, ao se opor ao Evangelho de Cristo, que proclamava liberdade, e ao aderir ao concerto do Sinai, que gerava servidão, expirado o prazo, entrou em escravidão com seus filhos (Gálatas 4.24,25), e por isto foi excomungada e privada de direitos. Sua carta foi apreendida e removida, e ela foi expulsa, como o filho da escrava, Gênesis 21.14. Crisóstomo dá a seguinte interpretação a esta passagem: “Não pensem em se tornar livres do pecado pelos ritos e cerimônias da lei de Moisés, pois Moisés era apenas um servo, e não tinha a autoridade perpétua na igreja, que o Filho tem. Mas, se o Filho lhes libertar tudo estará bem”, v. 36. Mas:

(2). Isto vai mais além, culminando com a rejeição de todos os que são servos do pecado, e não recebem a adoção de filhos de Deus. Embora estes servos inúteis possam estar na casa de Deus por algum tempo, como empregados da sua família, ainda assim chegará um dia quando os filhos da serva e os da mulher livre serão diferenciados. Somente os verdadeiros crentes, que são os filhos da promessa e do concerto, são considerados livres, e ficarão para sempre na casa, como Isaque. Eles terão estabilidade no seu santo lugar na terra (Esdras 9.8), e mansões, no santo lugar no céu, cap. 14.2.

3. Ele lhes mostra o caminho da libertação do estado de servidão “para a liberdade da glória dos filhos de Deus”, Romanos 8.21. O caso daqueles que são servos do pecado é triste, mas, graças a Deus, não é impossível, não é desesperador. Assim como é privilégio de todos os filhos da família, e sua dignidade acima da dos servos, o fato de que eles ficam em casa para sempre. Também aquele que é o Filho, o primogênito entre muitos irmãos, e o herdeiro de todas as coisas, tem poder tanto de libertação quanto de adoção (v. 36): “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres”. Observe:

(1) No Evangelho, Jesus Cristo nos oferece nossa liberdade. Ele tem autoridade e poder para libertar.

[1] Libertar prisioneiros. Isto Ele faz na justificação, dando a satisfação necessária pela nossa culpa (onde se baseia a oferta do Evangelho, que é, para todos, um decreto de anistia, e para todos os verdadeiros crentes, com sua fé, uma carta absoluta de perdão) e pelas nossas dívidas, pelo que estávamos, pela lei, presos e sujeitos à execução. Cristo, como nossa garantia, ou melhor, como nosso fiador (pois Ele não estava originalmente preso conosco, mas, pela nossa insolvência, prendeu se por nós), compõe-se com o credor, responde às demandas da justiça ofendida com algo que ultrapassa em muito a equivalência, toma a obrigação e o julgamento nas suas próprias mãos e os cancela para todos aqueles que, pela fé e pelo arrependimento, lhe derem como retribuição (se é que posso dizer assim) uma segurança que deixe sua honra intocada e isenta de danos, e desta maneira, são libertados. E quanto à dívida e toda parte dela, eles estão, para sempre, isentos, exonerados e absolvidos. Além disto, uma libertação geral de todas as ações e reivindicações é selada. Mas, por outro lado, quanto àqueles que se recusam a aceitar estes termos, as garantias ainda se encontram nas mãos do Redentor, em plena força, e eles ainda precisam delas, caso contrário perecerão eternamente.

[2] Ele tem o poder de resgatar escravos, e isto Ele faz na santificação. Pelos poderosos argumentos do seu Evangelho, e as poderosas operações do seu Espírito, Ele rompe o poder da corrupção na alma, reúne as forças dispersas de razão e virtude, e fortalece o interesse de Deus contra o pecado e contra Satanás, e assim a alma é libertada.

[3] Ele tem o poder de naturalizar estrangeiros e forasteiros, e isto Ele faz na adoção. Este é um ato adicional da graça. Nós não somente somos perdoados e curados, mas preferidos. Existe uma carta de privilégios, assim como de perdão. E assim o Filho nos torna habitantes livres do reino de sacerdotes, a nação santa, a nova Jerusalém.

(2). Aqueles a quem Cristo liberta são realmente livres. Não é alethos, a palavra usada (v. 31) para os discípulos verdadeiros, mas ontos verdadeiramente. Isto indica:

[1] A verdade e a certeza da promessa. A liberdade de que os judeus se vangloriavam era uma liberdade imaginária. Eles se vangloriavam de uma dádiva falsa, mas a liberdade que Cristo dá é uma coisa certa, é real, e tem efeitos reais. Os escravos do pecado prometem liberdade a si mesmos, e se imaginam livres, quando rompem a ligação com a religião, mas eles se enganam. Ninguém é verdadeiramente livre, exceto aqueles a quem Cristo liberta.

[2] Isto indica a excelência singular da liberdade prometida. É uma liberdade que merece o nome, e em comparação com ela, todas as outra s liberdades não são melhores do que a escravidão, pois ela se volta para a honra e o benefício daqueles que são libertados por ela. É uma liberdade gloriosa. É algo que é (ontos significa isto). É substância (Provérbios 8.21), ao passo que as coisas do mundo são sombras, coisas que não são.

4. Ele aplica isto a estes judeus descrentes e críticos, em resposta à sua ostentação do parentesco com Abraão (v. 37): “‘Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-me’, perdendo, desta maneira, a honra do parentesco com Abraão, “porque a minha palavra não entra em vós”. Observe aqui:

(1) A dignidade da sua origem é admitida: ‘”Eu sei que sois descendência de Abraão’, todo mundo sabe disto, e isto é vossa honra”. Ele lhes assegura o que era verdade, e naquilo que eles diziam que era falso (que nunca tinham servido a ninguém), Ele não os contradiz, pois Ele desejava beneficiá-los, e não provocá-los, e por isto disse o que iria agradá-los: “Bem sei que sois descendência de Abraão”. Eles se orgulhavam da descendência de Abraão, como algo que enaltecia seus nomes e os tornava sumamente honoráveis, ao passo que isto, na verdade, somente agravava seus crimes, e os tornava excessivamente pecadores. Ele julgará os hipócritas presunçosos a partir das palavras das suas próprias bocas. Est es se vangloriam do seu parentesco e educação: “Vocês são semente de Abraão? Por que, então, vocês não seguiram os passos da sua fé e obediência?”

(2). A inconsistência da sua prática com esta dignidade: “Contudo, procurais matar-me”. Eles tinham tentado matá-lo diversas vezes, e agora desejavam fazê-lo, o que fica rapidamente evidente (v. 59) quando “pegam em pedras para lhe atirarem”. Cristo conhece toda a maldade, não somente a que os homens fazem, mas a que eles procuram, e desejam, e se esforçam para fazer. Procurar matar um homem inocente é um crime suficientemente hediondo, mas planejar e imaginar a morte daquele que era o Rei dos reis era um crime cuja atrocidade nos faltam palavras para expressar.

(3). A razão desta incoerência. Por que aqueles que era m a semente de Abraão eram tão inveterados contra a semente prometida de Abraão, em quem eles e todas as famílias da terra seriam benditos? Aqui nosso Salvador lhes diz: “Porque a minha palavra não entra em vós”, ou. “Minha palavra não encanta vocês, vocês não têm inclinação para ela, não têm prazer nela, outras coisas lhes são mais atraentes, mais agradáveis”. Ou: “Ela não domina vocês, ela não tem poder sobre vocês, ela não os impressiona”. Alguns dos críticos entendem: “Minha palavra não penetra em vós”. Ela desceu como a chuva, mas sobre eles foi como a chuva sobre a rocha, que escorreu e não penetrou nos seus corações, como a chuva penetra no solo arado. A versão siríaca apresenta: “‘Porque vós não aquiesceis à minha palavra’. Não sois persuadidos pela verdade dela, nem agradados pela sua bondade”. Nossa tradução é muito significativa: ela “não entra em vós”. Eles procuravam matá-lo, e efetivamente silenciá-lo, não porque Ele lhes tivesse feito algum mal, mas porque eles não podiam suportar o poder convincente e autoritário da sua palavra. Observe:

[1] A palavra de Cristo deve ter um lugar em nós, o lugar mais interior e o mais alto, um lugar de permanência, como um homem em casa, e não como um estrangeiro ou viajante, um lugar de trabalho. Ela deve ter lugar para operar para eliminar o pecado de nós, e operar a graça em nós. Ela deve ter um lugar dominante, ela deve estar entronizada em nossos corações, e deve habitar em nós ricamente.

[2] Há muitos que fazem uma profissão de religião, mas neles a palavra de Cristo não tem lugar. Eles não lhe dão um lugar, pois não gostam dela. Satanás faz tudo o que pode para removê-la, e outras coisas tomam o lugar que ela deveria ter em nós.

[3] Onde a palavra de Deus não tem lugar, não se pode esperar nenhum bem, pois há lugar para toda a maldade. Se o espírito imundo encontra o coração vazio da palavra de Cristo, ele entra e habita ali.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

SEDUTORAS CALORIAS

O valor energético dos alimentos ativa o sistema cerebral da recompensa tanto quanto o sabor, desencadeando o desejo por determinadas comidas; descobertas devem ajudar no combate a transtornos alimentares e obesidade.

Sedutoras calorias

Se há algo que nos iguala é a fome. Mas que mecanismo biológico é esse que nos diz quando comer e quando parar? Há muito tempo se considera que, em grande parte, dois processos neurobiológicos influenciam a ingestão de comida: um, que controla a necessidade de comer, e outro, que rege o desejo por determinados alimentos. No cérebro, o hipotálamo regula o controle homeostático da dieta, recebendo, coordenando e reagindo aos indícios e sinais metabólicos enviados pelo sistema digestivo. Essa área cerebral integra as informações e nos “diz” quando precisamos comer para manter o peso corporal em um nível preestabelecido, como se fosse um termostato programado para avisar quando o ambiente atingisse uma temperatura específica.

No entanto, é evidente que os centros neurais superiores que controlam o apetite também tenham influência sobre nossos hábitos alimentares. Um desses centros é o sistema de gratificação e recompensa da dopamina. É fácil identificar a ação desse sistema: por exemplo, quando temos vontade de uma taça de sorvete de chocolate depois do jantar, ou seja, de uma comida em um momento em que não estamos sentindo fome, mas sim porque a desejamos.

Em muitas situações, este anseio por certos pratos prevalece sobre a necessidade, levando-nos a consumir produtos saborosos, mesmo quando não precisamos suprir nosso organismo. De forma geral, nossa incapacidade de renunciar a esses alimentos que tanto nos recompensam derrota o controle homeostático, contribuindo para o surgimento da obesidade.

Sabemos que o hipotálamo regula a quantidade do que consumimos com base nos valores metabólicos (quando temos fome, procuramos alimentos com mais calorias); mas ainda falta entender se o sistema de recompensa da dopamina também é sensível ao valor energético da comida. Em outras palavras, o sistema de recompensa da dopamina se ocupa também das calorias, ou somente do gosto e do prazer, como durante muito tempo os cientistas acreditaram? Na Universidade Duke, o pesquisador brasileiro Ivan de Araújo e um grupo de colegas tentaram descobrir isso usando uma linhagem de ratos geneticamente modificados para que não tivessem um receptor específico, sem o qual não é possível sentir sabores doces. Os resultados do trabalho, publicados em um artigo no periódico científico Neuron, mostraram que qualquer mudança no comportamento de recompensa desses animais não poderia ser atribuída à percepção do sabor. Se os roedores preferissem as comidas doces, não seria por causa do gosto, mas porque esses alimentos têm mais calorias, o que traria satisfação independentemente da sensação despertada no paladar.

Na primeira fase de testes os pesquisadores demonstraram que os ratos geneticamente modificados eram insensíveis às doces propriedades de recompensa da sacarose (o açúcar de mesa) – e preferiam a água pura. Os animais sem a mutação, ao contrário, mostravam uma forte preferência pela água em que a sacarose tinha sido dissolvida.

Posteriormente, foram oferecidas aos dois grupos de roedores tanto água pura quanto adoçada. A ideia era descobrir se os ratos geneticamente modificados podiam associar as soluções adoçadas à contribuição calórica – porque alimentos doces contêm mais calorias. O resultado foi que todos consumiram muito mais sacarose: embora não fossem capazes de sentir o sabor doce, os espécimes geneticamente modificados haviam aprendido a preferir a água adoçada. Isso indica que os animais sem os receptores para o doce conseguiram diferenciar as propriedades calóricas da sacarose sem sentir seu sabor – o que faz os cientistas supor que existe algo que, por sua própria natureza, é prazeroso na ingestão de comidas calóricas.

Para tirar a prova, os testes foram repetidos usando-se um adoçante artificial, a sucralose, que tem sabor doce, mas não contém calorias. Os ratos normais continuaram preferindo o sabor doce e consumiram mais água com sucralose, mas os geneticamente modificados, não. Esses resultados já indicavam que a percepção do valor metabólico pode influenciar a ingestão de comida. Porém, ainda faltava saber se o sistema de recompensa da dopamina, do qual se conhece a ativação em resposta ao sabor doce, também estava envolvido no controle das calorias.

Araújo e seus colegas utilizaram uma técnica conhecida como micro diálise nos ratos geneticamente modificados e constataram que a contribuição calórica aumenta os níveis de dopamina em uma área específica do cérebro, o núcleo accumbens, independentemente do gosto que tenha o alimento. De fato, enquanto nos ratos normais tanto a sacarose como a sucralose provocavam o aumento da dopamina além dos níveis considerados padrão, nos modificados o aumento de dopamina surgia apenas com o açúcar “de verdade”, indicando assim que era a contribuição calórica (e não o sabor doce) que ativava o sistema de recompensa.

Embora isso prove que as calorias influenciam o sistema cerebral nos ratos geneticamente modificados qualquer que seja o sabor dos alimentos ingeridos, nos normais a sacarose não aumenta os níveis de dopamina mais que o adoçante artificial. Isso leva a pensar que as calorias não aumentam a sensação de recompensa mais que a presença do sabor. E há ainda um ponto a ser enfatizado: em todas as experiências conduzidas por Araújo estava previsto que os animais passassem um período de privação de comida e água. A ativação do sistema de recompensa da dopamina, por parte da contribuição calórica descrita na pesquisa, poderia ter sido alterada pelas condições de privação alimentar das cobaias.

 

ALÉM DA SATISFAÇÃO

Esse estudo traz à tona novas perguntas. Como o sistema de recompensa da dopamina reconhece a quantidade calórica? Existem açúcares (a frutose, por exemplo) que influenciam o sistema cerebral de maneira diferente? E o fenômeno se verifica também quando as calorias provêm de tipos variados de comida? São perguntas a responder, para que seja possível compreender as verdadeiras causas da obesidade. Entender a capacidade que determinados alimentos têm de estimular o sistema de recompensa nos ajudará a elaborar métodos eficazes para reduzir o desejo por comida uma vez que a necessidade tenha sido satisfeita.

A pesquisa acrescenta informações a estudos que indicam que processos metabólicos não são de domínio exclusivo do hipotálamo. Entre os sinais captados por essa área cerebral e os centros superiores neurais que determinam o desejo por comida existe uma relação muito mais complexa do que durante muito tempo se acreditou. Classificar a alimentação como prática hedonista ou homeostática pode ser não apenas redundante, mas levar a um caminho errado. Afinal, quando se trata de alimentação, necessidade e desejo não são assim tão separados.

 Sedutoras calorias.2ZANE B. ANDREWS – é neurocientista, doutor em endocrinologia, pesquisador-chefe da Universidade Monash de Melbourne, Austrália.

TAMAS L. HORVARTH – é doutor em medicina e neurobiologia, diretor do curso de medicina comparativa da Universidade Yale.

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Pesquisa mostra que a brincadeira preferida das crianças de hoje é assistir a vídeos na internet. E isso pode ser muito bom.

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Em um passado não muito distante, meninos brincavam com carrinho, meninas brincavam com boneca e todos se divertiam com jogos como pega-pega e esconde-esconde – esses dois últimos foram apontados como os passatempos preferidos de infância para 85% dos adultos nascidos de 1960 a 1980. Já entre as crianças que nasceram a partir de 2010, a diversão soberana consiste em deslizar os dedinhos pela tela do celular ou do tablet. Com habilidade de fazer inveja aos adultos, 75% delas dizem gostar mesmo é de assistir a vídeos no YouTube. A pesquisa é da consultoria Let’s Play, que acompanha o comportamento e os hábitos de consumo de crianças e adolescentes no Brasil.

Faz um bom tempo que olhar para uma tela encanta a garotada. Isso ocorre desde o já remoto advento da televisão e dos programas infantis. Tão antigas quanto o Xou da Xuxa são as advertências de especialistas para o excesso de tempo que a criança passa diante da TV. Os alertas continuam valendo para tablets e celulares, e ficaram mais importantes ainda porque nesses aparelhos o acesso é muito mais fácil e rápido e a variedade de opções, infindável.

Mas isso não é necessariamente ruim para as crianças. A internet, em geral, e o YouTube, em especial, podem oferecer entretenimento de primeira, desde que os pais acompanhem e orientem as escolhas – e, passado um tempo razoável, tirem os filhos do sofá. O levantamento da Let’s Play, feito com 1.000 entrevistados, destaca que o velho pega-pega ainda tem sua vez: ele aparece em um honroso segundo lugar nas preferências dos entrevistados. As bonecas vêm em terceiro.

No entanto, ninguém ganha do YouTube, o senhor da hora de brincar. Na plataforma de vídeos mais vista da internet, a audiência é medida pelo número de vezes que os filmes são vistos. Estudo conduzido pelo Media Lab, da Escola Superior de Propaganda e Marketing em São Paulo, verificou que a quantidade de visualizações no Brasil dos canais voltados para crianças de até 12 anos dobrou em dois anos. Passou de 26 bilhões, em 2015, para 52 bilhões, em 2017. No topo da preferência estão os vídeos relacionados ao popularíssimo jogo de computador Minecraft. Os jogadores exibem suas habilidades e macetes nas gravações. A meninada adora, ainda que alguns deles pareçam bem improvisados.

Outra atração com audiência garantida são os youtubers, e aí dois grupos se destacam: o dos mini apresentadores (exemplo de vídeo: Hoje Vou Fazer um Almoço Todo de Massinha) e o de jovens que falam a adolescentes (e cujos vídeos frequentemente têm a mesma profundidade do conteúdo da brincadeira de massinha). Também fazem enorme sucesso os filmes de adultos e crianças abrindo embalagens de brinquedos e mostrando o que fazer com eles, o chamado unboxing (“tirar da caixa”, em inglês). Dois dados da pesquisa da Let’s Play explicam, em parte, essas preferências:

1) 61% das crianças afirmam que se divertem vendo outras brincar; e

2) 72% sonham virar youtubers. Aos 7 anos, a paulistana Marianna Santos, que é atriz mirim do SBT, mantém um canal com quase 300.000 inscritos onde posta vídeos semanais. “Os fãs mandam desafios, como o de não rir ao ouvir piadas, e a gente grava”, explica a mãe, Danielle Santos.

Em geral, especialistas e educadores que acompanham a relação entre comportamento infantil e novas tecnologias não só não veem problema na atração pela plataforma de vídeos como acham até que ela ajuda no desenvolvimento. “O YouTube põe a criança em contato direto com seu interesse. Se ela quer saber mais sobre balão ou pipa, existem tutoriais completos ao alcance de um clique, com uma infinita gama de informações. Trata-se de uma ferramenta potente para estimular a curiosidade”, diz a psicóloga infantil Geres Araújo. E haja curiosidade. “Outro dia, peguei meu filho de 4 anos repetindo palavras em russo. Tinha aprendido em um desenho que ele mesmo encontrou no YouTube”, relata a carioca Isis Duarte, mãe do pequeno Enzo. “A informação que era restrita a escolas e bibliotecas está ao alcance de todos, em uma linguagem nova”, acrescenta o psicanalista Pedro de Sant professor da ESPM.

É evidente que, em se tratando de crianças, tem de haver limites à exposição, como reconhecem inclusive os responsáveis por grudar os olhos do planeta na telinha. Consta que Bill Gates, fundador da Microsoft, só permitiu que seus três filhos tivessem celular aos 14 anos. Steve Jobs não deixava que os seus usassem o iPad, invenção da sua empresa. Sean Parker, ex­presidente do Facebook, falava abertamente sobre o risco das redes sociais. “Só Deus sabe o que fazem com o cérebro de nossas crianças”, disse em uma entrevista. Entre os perigos da superexposição, o mais preocupante é o “vício da tela”, um excesso de atenção concentrada em imagens que a Organização Mundial da Saúde (OMS) cogita incluir na lista de distúrbios mentais (vício em games já entrou no rol).

O risco do exagero é confirmado pelas pesquisas. A Academia Americana de Pediatria sugere que crianças de 2 a 5 anos não passem mais do que uma hora por dia na frente da tela, e assim mesmo assistindo a conteúdos feitos para sua idade. Os pais das que têm a partir de 6 anos devem determinar o tempo, com base em regras bem definidas, sempre com o devido monitoramento e, é claro, sem excessos. Segundo pesquisa da Ofcom, agência reguladora de comunicações do Reino Unido, a garotada tem ficado na frente do vídeo mais tempo do que o recomendável: são oito horas semanais entre 3 e 4 anos, nove dos 5 aos 7, treze dos 8 aos 11.

O exagero de tempo na internet acarreta dois problemas sérios para o amadurecimento infantil. Um deles é a diminuição do contato pessoal com as outras crianças. “Durante toda a história da humanidade, a evolução do cérebro se deu por meio da interação social. Esse processo continua a ser fundamental”, afirma o neurocientista Fernando Louzada, da Universidade Federal do Paraná. Pesquisadora da OMS, Juana Willumsen aponta um segundo efeito colateral de peso: o sedentarismo. “Hoje, 80% dos adolescentes não praticam um mínimo de exercícios”, diz. Além disso, alerta, “na frente da tela a meninada come sem prestar atenção e, por isso, tende a consumir mais”. Resultado: uma em cada seis crianças no mundo está pesando mais do que deveria ou se encaixa na categoria de obesa.

Considerando-se vantagens de um lado e riscos de outro, a internet para crianças será sempre uma babá controversa, mas o fato é que não há como escapar dela. O universo virtual é e continuará sendo uma fonte fácil e inesgotável de atrações, e o YouTube é seu mais prolífico microfone. Sendo assim, impedir a turma de circular por ele é tarefa impossível, e, inclusive, não recomendada. “Uma criança que não aprende a se mover nesse ambiente ficará excluída de uma cultura que só caminha nessa direção”, alerta o psicanalista Santi. Diante dessa realidade, o conselho dos especialistas é o exercício da constante vigilância. Cabe aos pais não se esquecerem de que são eles, e não os youtubers, os primeiros influenciadores dos filhos.

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GESTÃO E CARREIRA

ONDE ESTÁ O SEU FOCO?

Muitos não se dão conta de que passam tempo demais criando, organizando e alterando processos para resolver problemas, e esquecem de pensar sobre o resultado desejado.

Onde está o seu foco

Todo profissional comprometido com o sucesso da sua carreira enfrenta constantemente muitos desafios. A superação das adversidades diárias e a conquista de resultados significativos também deveriam fazer parte do cotidiano, mas parece que, na maioria das vezes, os resultados não chegam e muitos têm a percepção de que tudo vive dando errado e dificilmente ficam felizes por aquilo que conquistam.

Diversos conflitos, preocupações e problemas podem influenciar diretamente a performance do dia, negócio ou carreira. A pressão, o volume de atividades e a cobrança são tão grandes que muitas vezes voltamos para casa com a sensação de um dia perdido e improdutivo. Esse sentimento assombra a nossa mente, causando insônia, frustração e, principalmente, desmotivação.

Diariamente é necessário saber lidar com no mínimo dois tipos de cobrança: a que fazemos para nós mesmos e a que precisamos fazer em relação à equipe e a todas as pessoas que convivemos. Diante do contexto, o ponto mais difícil é manter o equilíbrio das emoções quando algo não sai como se espera. Nessa hora, a tendência é nos culparmos ou buscar alguém para “jogar” a responsabilidade, entretanto, entender e refletir sobre o que há por trás do objetivo ou meta pode ajudar a encontrar soluções e não culpados.

A maioria das pessoas coloca seu foco nos problemas, adversidades e imprevistos que surgem ao longo do caminho. Desse modo, faz o trajeto inverso e enfraquece as suas ferramentas pessoais para a conquista do propósito. Quando não está focada nos problemas ou no resultado negativo, está voltando a sua atenção para o processo. E a solução, fica onde?

Às vezes, as pessoas não se dão conta de que passam a maior parte do tempo criando, organizando e alterando processos, e sequer param para pensar sobre o resultado desejado. Pelo contrário, elas pensam sempre nos problemas que precisam resolver, nos erros que aconteceram, e direcionam a mente ao lado oposto dos resultados que desejam.

Ao trocar o prisma do nosso foco para a solução, conseguimos ter uma visão mais ampla daquilo que queremos e, assim, desenhamos melhor as ações que serão necessárias para alcançarmos exatamente aquilo que desejamos. Por exemplo, se o resultado desejado é fazer com que a equipe bata a meta, faça com que a sua mente já consiga visualizar essa meta alcançada. Dessa forma, será mais fácil enxergar quais estratégias e ações deverão ser tomadas para que isso se concretize.

A dica prática para você que deseja fortalecer a sua liderança e alinhar o seu foco é atuar como se não existissem erros, apenas resultados. Caso não esteja satisfeito com o resultado pessoal ou da equipe, refaça a programação e trabalhe a seu favor para atingir os objetivos gerais.

Pode ser o momento para você avaliar a possibilidade de desenvolver uma habilidade específica, pedir apoio de um colega, revisar o método planejado, mas nunca desistir. Quando há mudança na maneira de analisar um resultado, a mente passará a funcionar na direção de soluções, e isso o colocará ainda mais perto de atingir a meta e o objetivo desejados.

É preciso ter clareza de quais são os resultados desejados e focar na solução. Uma boa técnica a ser aplicada é desenhar o passo a passo de como se pretende chegar até lá. Com essa mudança de olhar, é possível ir mais além e de canalizar as energias para percorrer o caminho para a conquista das metas e objetivos.

Caso repare que o foco se perdeu durante o percurso, regaste-o. Tenha em mente que sempre há tempo para recuperar uma ideia. O importante é identificar a existência da falta de direção, pois perder o foco é sinônimo de perder o sentido da vida.

Relembrar as principais metas de vida e objetivos profissionais já alcançados também pode ajudar e muito em identificar os métodos de sucesso usados, afinal, cada um tem seu jeito próprio de se organizar e trilhar seu caminho.

Analisar o próprio desempenho é importante. Avalie se tem poupado esforços, dedicado tempo e realmente focado em cada um deles. Diariamente, nos doamos para o trabalho e projetos de outras pessoas com muito empenho. Talvez seja a hora de mergulhar de cabeça nos seus próprios sonhos.

O foco é o primeiro passo para a realização. Com a nossa vida plena em sua totalidade, temos ainda mais fôlego para nos dedicar e contribuir com os planos da empresa, dos filhos, amigos e familiares.

São os nossos pés que nos levam à frente, mas é a nossa cabeça que nos comanda. Desse modo, é fundamental não perder o foco ou deixar que o alvo fuja de vista. Caso venha a tropeçar, levante, considere as críticas e tenha humildade para pedir ajuda. Essa é uma tarefa essencial para o sucesso. Em muitos casos, a troca de experiências faz toda diferença.

 

EDUARDO SHINYASHIKI é palestrante, consultor organizacional, especialista em Desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. É presidente do Instituto Eduardo Shinyashiki e também escritor e autor de importantes livros como Transforme seus Sonhos em Vida (Editora Gente), sua publicação mais recente. http://www.edushin.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 8: 21-30

Alimento diário

As palavras de Cristo aos fariseus

Aqui Cristo faz uma justa advertência aos judeus incrédulos e descuidados, para que considerassem qual seria a consequência da sua infidelidade, para que pudessem evitá-la antes que fosse tarde demais, pois Ele falava palavras de terror além de palavras de graça. Observe aqui:

I – A ira ameaçada (v.21): Jesus lhes disse “outra vez” aquilo que provavelmente deveria ser para o bem deles. Ele continuava a ensinar, com benignidade, àqueles poucos que recebiam sua doutrina, embora houvesse muitos que resistiam a ela, o que é um exemplo para os ministros continuarem no seu trabalho, a despeito da oposição, porque alguns se salvarão. Aqui Cristo muda seu tom. Era como se Ele tivesse “tocado” para eles, nas ofertas da sua graça, e eles não tivessem “dançado”. Agora Ele lamenta por eles, nas condenações da sua ira, para ver se eles se lamentariam. Ele disse: “Eu retiro-me, e buscar-me-eis e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou não podeis vós ir”. Cada palavra é terrível, e traduz julgamentos espirituais, que são os piores julgamentos, piores do que a guerra, a peste e o cativeiro, que os profetas do Antigo Testamento denunciavam. Aqui os judeus são ameaçados em relação a quatro coisas:

1. A partida de Cristo do seu meio: “Eu retiro-me”, isto é: “Não tardará muito tempo até que Eu parta. Vocês não precisam se esforçar tanto para me expulsar do seu meio, Eu irei por mim mesmo”. Eles disseram ao Senhor Jesus: “Retira-te de nós; porque não desejamos ter conhecimento dos teus caminhos”, e Ele aceitou o que eles diziam. Mas ai daqueles de quem Cristo se afasta. Icabô, a glória se vai, nossa proteção se acaba, quando Cristo se vai. Cristo frequentemente os advertia da sua partida, antes de deixá-los. Ele se despediu deles, como alguém que estava relutando partir, e desejando ser convidado, e desejando tê-los despertado para que se apegassem a Ele.

2. Sua inimizade com o verdadeiro Messias, e suas infrutíferas buscas de outro Messias quando este já tivesse ido, que era tanto seu pecado quanto sua punição: “Buscar-me-eis”, o que evidencia, ou:

(1) Sua inimizade com o verdadeiro Cristo: “Vocês procurarão destruir meus interesses, perseguindo minha doutrina e meus seguidores com um infrutífero desígnio de extirpá-los”. Isto era uma contínua irritação e um tormento para eles, tornava sua natureza irremediavelmente má, e trazia a ira sobre eles (a de Deus e a deles mesmos) até o máximo. Ou:

(2) Suas buscas de falsos Cristas: “Vocês irão continuar com suas expectativas do Messias, e desconsertadamente procurarão um Cristo futuro, quando Ele já terá vindo”. Como os sodomitas, que, feridos de cegueira, se cansaram para achar a porta. Veja Romanos 9.31,32.

3. Sua impenitência final: “Morrereis nos vossos pecados” (versão inglesa KJV). Aqui há um erro em todas as nossas Bíblias inglesas, até mesmo na antiga tradução dos bispos, e na de Genebra (com uma única exceção, a de Rheims), pois todas as cópias em grego trazem o singular no vosso pecado, como também todas as versões em latim. E Calvino observou a diferença entre este versículo e o versículo 24, onde é plural, de modo que aqui a referência é especialmente ao pecado da incredulidade no vosso pecado. Observe que aqueles que vivem na incredulidade estarão destruídos para sempre, se morrerem na incredulidade. Ou isto pode ser interpretado de maneira geral: “Morrerão na sua iniquidade”, como em Ezequiel 3.19; 33.9. Muitos que viveram muito tempo em pecado são, por meio da graça, salvos de morrer em pecado através de um arrependimento bastante oportuno, mas para aqueles que passam deste mundo de provação para aquele de retribuição sob a culpa do pecado sem perdão, e sem romper o poder do pecado, não há mais alivio, nem mesmo a própria salvação será capaz de salvá-los, Jó 20.11; Ezequiel 32.27.

4. Sua separação eterna de Cristo e de toda a felicidade nele: “Para onde eu vou não podeis vós ir”. Quando Cristo deixou o mundo, Ele foi para um estado de felicidade perfeita. Ele foi para o paraíso. Para lá, Ele levou consigo o salteador penitente, que não morreu nos seus pecados. Mas não é que os impenitentes não irão até Ele por não quererem ir, eles não poderão ir. Isto é moralmente impossível, pois o céu não seria agradável para aqueles que morressem sem ser santificados e sem ser adequados para ele. O céu não seria um céu para estes. “Vocês não poderão vir, porque não terão o direito de entrar naquela Jerusalém”, Apocalipse 22.14. “Para onde eu vou, vocês não podem vir, para me buscar ali”. O Dr. Whitby está de acordo com este comentário, e este é o consolo de todos os bons cristãos, que, quando chegarem ao céu, eles estarão fora do alcance da maldade e da malícia dos seus inimigos.

II – A maneira como eles zombaram desta ameaça. Em vez de tremerem com estas palavras, eles as desafiaram e as ridicularizaram (v. 22): “Porventura, quererá matar-se a si mesmo”. Veja aqui:

1. Que menosprezo eles demonstraram pelas ameaças de Cristo. Eles podiam se divertir, como aqueles que zombavam dos mensageiros do Senhor, e transformavam o “peso da palavra do Senhor” em um provérbio, e “mandamento sobre mandamento, regra sobre regra”, em uma alegre canção, Isaías 28.13. Mas “não mais escarneçais, para que vossas ligaduras se não façam mais fortes” (Isaias 28.22). 2. Que maus pensamentos eles tinham sobre o que Cristo queria dizer, como se Ele tivesse um desígnio desumano para sua própria vida, para evitar as indignidades feitas a Ele, como Saul. “Isto é realmente”, dizem eles, “ir para onde não podemos segui-lo, pois nós nunca iremos nos matar”. Assim, eles o julgam não somente como alguém semelhante a eles mesmos, mas pior. Porém, nas calamidades trazidas pelos romanos sobre os judeus, muitos deles, descontentes e desesperados, vieram a se matar. Eles tinham atribuído um significado muito mais favorável a estas suas palavras (cap. 7.34,35): “Irá, porventura, para os dispersos entre os gregos?” Mas veja como a maldade tolerada cresce, cada vez mais perversa.

III – A confirmação do que Ele havia dito.

1. Ele tinha dito: “Para onde eu vou não podeis vós ir”, e aqui Ele dá a razão disto (v. 23): “Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo”. Vocês são das coisas de baixo, observando, não tanto a subida deles desta condição inferior, quanto o afeto deles por estas coisas inferiores. “Vocês estão com estas coisas, como aqueles que pertencem a elas. Como vocês podem vir para onde eu vou, quando o espírito e a disposição de vocês são tão direta ­ mente contrários aos meus?” Veja aqui:

(1) O que era o espírito do Senhor Jesus – não deste mundo, mas de cima. Ele estava completamente morto para a riqueza do mundo, o conforto do corpo e o elogio dos homens, e completamente tomado pelas coisas divinas e celestiais. E ninguém estará com Ele, exceto aqueles que nasceram de cima e têm sua comunhão com o céu.

(2) Como o espírito deles era contrário a isto: “Vós sois de baixo.. . vós sois deste mundo”. Os fariseus tinham um espírito mundano e carnal. E que comunhão Cristo poderia ter com eles?

2. Ele tinha dito: “morrereis em vossos pecados”, e aqui Ele confirma isto: “Por isso, vos disse que morrereis em vossos pecados, porque sois de baixo”. E Ele lhes dá uma razão adicional para isto: “Se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados”, v. 24. Veja aqui:

(1) O que é exigido que creiamos: “Que eu sou” que é um dos nomes de Deus, Êxodo 3.14. Era o Filho de Deus que ali dizia Eu sou o que sou, pois a libertação de Israel era apenas um exemplo das boas coisas futuras, mas agora Ele diz: “Eu sou Ele, aquele que viria, aquele que vocês esperam que o Messias seja, que vocês desejam que Eu seja para vocês. Eu sou mais do que o simples nome do Messias. Eu não somente me chamo assim, mas eu sou Ele”. A fé verdadeira não diverte a alma com um som vazio de palavras, mas a influencia com a doutrina da mediação de Cristo, como uma coisa real que tem efeitos reais.

(2) Como é necessário que nós creiamos nisto. Se não tivermos esta fé, morreremos nos nossos pecados, pois a questão está tão definida, que, sem esta fé:

[1] Nós não poderemos ser salvos do poder do pecado enquanto vivermos, e, portanto, certamente continuaremos a lutar contra ele até o final. Nada, exceto a doutrina da graça de Cristo, será um argumento suficientemente poderoso, e ninguém, exceto o Espírito da graça de Cristo, será um agente suficientemente poderoso, para nos levar do pecado para Deus. E este Espírito é dado, e esta doutrina é dada, para terem efeito somente sobre aqueles que creem em Cristo, de modo que, se Satanás não estiver destituído pela fé, ele terá a autoridade sobre a alma, durante sua vida. Se Cristo não nos curar, nossa situação será desesperadora, e nós morreremos nos nossos pecados.

[2] Sem a fé, nós não poderemos ser salvos da punição do pecado quando morrermos, pois a ira de Deus permanece sobre aqueles que não creem, Marcos 16.16. A incredulidade é o pecado que condena, é um pecado contra a cura. Isto implica na grande promessa do Evangelho. Se nós crermos que Cristo é Ele, e o recebermos de modo adequado, nós não morreremos nos nossos pecados. A lei diz absolutamente a todos, como Cristo disse (v. 21): “Morrereis no vosso pecado”, pois todos nós somos culpados diante de Deus, mas o Evangelho é uma rescisão da obrigação mediante a condição da fé. A maldição da lei é cancelada e anulada a todos os que se submetem à graça do Evangelho. Os crentes morrem em Cristo, no seu amor, nos seus braços, e, desta maneira, são salvos de morrer nos seus pecados.

IV – Aqui estão algumas palavras adicionais a seu respeito, ocasionadas pelo fato de que Ele exije a fé nele como a condição para a salvação, vv. 25-29. Observe:

1. A pergunta que os judeus lhe fazem (v. 25): “Quem és tu?” Eles perguntaram isto de modo zombeteiro, e não com desejo de serem instruídos. Ele tinha dito: “Vocês devem crer que Eu sou”. Ao não dizer expressamente quem Ele era, Ele claramente indicou que, na sua pessoa, Ele era alguém que podia ser descrito por qualquer pessoa, e no seu oficio, alguém que era esperado por todos os que esperavam a redenção de Israel. Ainda assim, ele convertem esta terrível maneira de falai; que tinha tanto significado, em uma reprovação a Ele, como se Ele não soubesse o que dizer de si mesmo: “‘Quem és tu’, para que nós tenhamos, com uma fé implícita, que crer em ti? Teremos que crer que tu és algum poderoso ELE, que nós não sabemos quem ou o que é, nem somos dignos de saber?”

2. Sua resposta a esta pergunta, indicando-lhes três caminhos de informação:

(1) Ele os lembra daquilo que Ele tinha dito todo e tempo: “Vós perguntais quem Eu sou? ‘Isso mesmo que já desde o princípio vos disse”‘. O original aqui é um pouco intrincado, que alguns interpretam da seguinte maneira: “Eu sou o princípio, o que também já disse a vocês” Assim Austin interpreta. Cristo é chamado o princípio (Colossenses 1.18 Apocalipse 1.8; 21.6; 3.14), e isto está de acordo com o versículo 24: “Eu sou”. Compare Isaías 41.4: “E u, o Senhor, o primeiro”. Aqueles que objetam que esta é uma declinação acusativa, e por isto não responde adequadamente a tú, devem tentar interpretar pelas regras gramaticais i expressão paralela, Apocalipse 1.8. Mas a maioria dos intérpretes concorda com nossa versão: “Vocês perguntam quem Eu sou?”

[1] “Eu sou isso mesmo que disse a vocês já desde o princípio do tempo nas Escrituras do Antigo Testamento, o mesmo de quem desde o princípio se disse que era a Semente da mulher; que feriria a cabeça da serpente, o mesmo que em todas as épocas da igreja foi o Mediador do concerto, e a fé dos patriarcas”

[2] ‘”Desde o princípio’ do meu ministério público”. O Senhor resolveu ater-se ao relato que já tinha dado a respeito de si mesmo. Ele tinha declarado ser o Filho de Deus (cap. 5.17), o Cristo (cap. 4.26), e o Pão da Vida, e tinha se apresentado como o objeto daquela fé que é necessária para a salvação. E Ele os lembra disto como uma resposta à pergunta deles. Cristo é plenamente coerente. O que Ele tinha dito desde o princípio, Ele ainda diz. Seu Evangelho é eterno.

(2) Ele os lembra do julgamento do seu Pai, e das instruções que havia recebido dele (v. 26): “‘Muito tenho que dizer’, mais do que podeis imaginar, tanto para vos dizer como para vos julgar. Mas por que eu ainda deveria me preocupar convosco? Eu sei muito bem que aquele que me enviou é verdadeiro, e estará do meu lado, E me apoiará, pois Eu ‘falo ao mundo’ (ao qual Eu sou enviado como um embaixador) estas coisas, todas estas E somente estas, ‘que dele tenho ouvido”‘ Aqui:

[1] Ele suprime sua acusação contra eles. Ele tinha muitas coisas de que acusá-los, e muitas evidências para apresentar contra eles, mas, no momento, Ele já tinha dito o suficiente. Observe que, quaisquer que sejam m revelações de pecado feitas a nós, aquele que sonda o coração ainda tem muito mais a julgar de nós, 1 João 3.20. Por mais que Deus ajuste as contas com os pecadores neste mundo, ainda haverá outro ajuste de contas, Deuteronômio 32.34. Aprendamos, então, a não nos apressarmos a dizer tudo o que podemos dizer, mesmo contra os piores dos homens. Podemos ter muitas coisas a dizer sob a forma de censura, que ainda será melhor que não sejam ditas, pois o que isto terá a ver conosco?

[2] Ele apresenta sua apelação contra eles ao sei Pai: ”Aquele que me enviou”. Aqui, duas coisas o conso1am. Em primeiro lugar, que Ele tinha sido fiel ao seu Pai, e à confiança nele depositada: “Falo ao mundo” (pois seu Evangelho devia ser pregado a todos) “o que dele tenho ouvido”. Sendo dado como testemunha ao povo (Isaias 55.4), Ele era “o Amém, a testemunha fiel e verdadeira”, Apocalipse 3.14. Ele não ocultou sua doutrina, mas a falou ao mundo (sendo de interesse comum, seria de percepção comum). Nem a modificou ou alterou, nem se desviou das instruções que tinha recebido daquele que o enviou. Em segundo lugar, que seu Pai seria fiel a Ele. Fiel à promessa de que faria sua boca como uma espada aguda (Isaias 49.2). Fiel ao seu propósito a respeito dele, que era um decreto (Salmos 12.7). Fiel às ameaças da sua ira contra aqueles que o rejeitassem. Embora Ele não os acusasse perante seu Pai, ainda assim o Pai, que o tinha enviado, sem dúvida ajustaria contas com eles, e seria fiel ao que tinha dito (Deuteronômio 18.19), que qualquer que não ouvisse as palavras daquele profeta que Deus apresentasse, teria que prestar contas. Cristo não os acusaria, “pois”, diz Ele, “aquele que me enviou é verdadeiro, e irá julgá-los, mesmo que Eu não exija o julgamento deles”. Desta forma, quando Ele abandona a acusação atual, Ele os prende ao dia do juízo, quando ser á tarde demais para discutir aquilo em que agora eles não podem ser persuadidos a crer. “Eu, como surdo, não ouvia… porque tu me ouvirás”, Salmos 38.13,15. Sobre esta parte das palavras do nosso Salvador, o evangelista tem uma observação melancólica (v. 27): eles “não entenderam que ele lhes falava do Pai”. Veja aqui:

1. O poder que Satanás tem de cegar as mentes daqueles que não creem. Embora Cristo falasse tão claramente de Deus como seu Pai celestial, ainda assim eles não entenderam a quem Ele se referia, mas pensaram que Ele estivesse falando do pai que tinha na Galileia. Assim, as coisas mais simples são enigmas e parábolas para aqueles que estão decididos a se apegar aos seus preconceitos. A noite e o dia são iguais para o cego.

2. A razão por que as ameaças da Palavra causam tão pouca impressão sobre as mentes dos pecadores. Porque eles não compreendem de quem é a ira que é revelada nelas. Quando Cristo lhes falou da verdade daquele que o tinha enviado, como um aviso para que se preparassem para seu julgamento, que é de acordo com a verdade, eles desprezaram o aviso, porque não entendiam de quem era o julgamento perante o qual eles se faziam tão odiosos.

(3) Ele fala das suas próprias convicções futuras, vv. 28,29. Ele enxerga que eles não o compreendem, e por isto adia o julgamento até que mais evidências tenham sido apresentadas. Aqueles que não veem, verão, Isaías Observe aqui:

[1] De que eles deveriam ter sido convencidos há muito tempo: “Vocês sabem que Eu sou, que Jesus é o verdadeiro Messias. Reconheçam ou não isto diante dos homens, vocês saberão disto nas suas próprias consciências, cujas convicções, embora vocês possam asfixiar, não podem frustrar: que Eu sou, não aquele que vocês dizem que Eu sou, mas aquele que Eu prego que sou, aquele que viria!” Eles deveriam se convencer de duas coisas. Em primeiro lugar, que Ele não fazia nada por si mesmo, não por si mesmo como homem, mas por si mesmo sozinho, por si mesmo sem o Pai, com quem Ele é um. Portanto, Ele não subestima seu próprio poder inerente, mas somente nega a acusação que lhe fazem, de falso profeta, pois dos falsos profetas está dito que eles profetizavam de seus próprios corações, e seguiam seus próprios espíritos. Em segundo lugar, que assim como seu Pai lhe ensinou, também Ele falava estas coisas, que Ele não era autodidata, mas ensinado por Deus. A doutrina que Ele pregava era formada pelos próprios conselhos de Deus, com os quais Ele estava intimamente familiarizado. Eu falo estas coisas, não somente o que Ele me ensinou, mas como Ele me ensinou, com o mesmo poder e autoridade divinos.

[2] Quando eles seriam convencidos disto: “Quando levantardes o Filho do Homem”, quando o levantassem na cruz, como a serpente de metal sobre a haste (cap. 3.14), como os sacrifícios sob a lei (pois Cristo é o grande sacrifício), que, quando eram oferecidos, dizia-se que eram levantados. Por isto, as ofertas de holocaustos, as mais antigas e honrosas de todas, eram chamadas de elevações e em muitas outras ofertas eles usavam a cerimônia significativa de levantar o sacrifício e apresentá-lo diante do Senhor. Assim, Cristo foi levantado. Esta expressão também pode indicar que sua morte foi sua exaltação. Aqueles que o levaram à morte pensaram que, com isto, tivessem destruído para sempre tanto a Ele como seus interesses, mas sua morte foi, na realidade, a promoção de ambos, cap. 12.24. Quando o Filho do Homem foi crucificado, o Filho do Homem foi glorificado. Cristo tinha chamado sua morte de sua partida. Aqui Ele a chama de sua elevação. Assim, a morte dos santos, da mesma forma que é sua partida deste mundo, também é sua promoção para um mundo melhor. Observe que Ele se refere àqueles com quem está falando agora como instrumentos da sua morte: “Quando levantardes o Filho do Homem”. Não que eles fossem os sacerdotes que o ofereceriam (não, isto foi seu próprio ato, Ele se ofereceu), mas eles seriam seus traidores e assassinos. Veja Atos 2.23. Eles o levantaram na cruz, mas então Ele se elevou ao seu Pai. Observe com que ternura e suavidade Cristo aqui fala àqueles que Ele certamente sabia que o levariam à morte, para nos ensinar a não odiar a ninguém, nem procurar ferir a ninguém, ainda que possamos ter razão para pensar que eles nos odeiam e procuram nos ferir. Cristo aqui fala da sua morte como aquilo que seria uma convicção poderosa da infidelidade dos judeus. “Quando levantardes o Filho do Homem, então, conhecereis” isto. E por que então? Em primeiro lugar, porque as pessoas descuidadas e desatentas frequentemente aprendem o valor das misericórdias pela necessidade delas, Lucas 17.22. Em segundo lugar, a culpa do pecado daqueles homens, ao levarem Cristo à morte, despertaria suas consciências de tal modo, que eles seriam levados a procurar seriamente um Salvador, e então saberiam que Jesus era aquele único que poderia salvá-los. E isto foi provado, quando, ouvindo que com mãos perversas eles tinham crucificado e assassinado o Filho de Deus, eles gritaram: “Que faremos?” E lhes foi dado a conhecer indubitavelmente que este Jesus era o Senhor e Cristo, Atos 2.36. Em terceiro lugar, haveria tais sinais e maravilhas na ocasião da sua morte, e o fato de o Senhor se levantar da morte na sua ressurreição daria uma prova mais forte de que Ele era o Messias do que qualquer que já tinha sido dada. E muitos, com isto, foram levados a crer que Jesus era o Cristo, muitos que anteriormente o haviam contradito e combatido. Em quarto lugar, pela morte de Cristo, foi comprado o derramamento do Espírito, que convenceria o mundo de que Jesus é o Senhor e o Salvador, cap. 16.7,8. Em quinto lugar, os julgamentos que os judeus trouxeram sobre si mesmos, ao levarem Cristo à morte, e que enchiam a medida da iniquidade daqueles homens, eram uma convicção perceptível aos mais insensíveis entre eles de que Jesus era o Senhor e o Salvador. Cristo sempre tinha predito a desolação como a punição justa à incredulidade invencível que demonstravam, e quando isto viesse a acontecer (eis, chegou), eles não poderiam deixar de saber que o grande profeta tinha estado entre eles, Ezequiel 33.33.

[3] O que sustentava nosso Senhor Jesus neste interim (v. 29): ‘”Aquele que me enviou está comigo’, na minha missão, pois o Pai (a fonte e o manancial desta questão, de quem, como sua grande Causa e seu grande Autor, ela deriva), não tem me deixado só, para lidar com isto sozinho, não desertou a missão ou a mim na sua execução, pois faço sempre o que lhe agrada”. Aqui temos: Em primeiro lugar, a certeza que Cristo tinha da presença do seu Pai consigo, o que inclui tanto um poder divino que o acompanhava, para capacitá-lo para seu trabalho, quanto uma graça divina que lhe foi manifesta­ da, para incentivá-lo na sua missão. Aquele que me enviou está comigo, Isaías 42.1; Salmos 89.21. Isto incentiva enormemente nossa fé em Cristo e nossa confiança na sua palavra, de que Ele tinha, e sabia que tinha, seu Pai consigo, para confirmar a Palavra do seu Servo, Isaías 44.26. O Rei dos reis acompanhava seu próprio embaixador, para confirmar sua missão e auxiliar sua administração, e nunca o deixou sozinho, sentindo-se solitário ou fraco. Isto também agravava a iniquidade daqueles que o combatiam, e era uma indicação da traição em que eles incorriam por resistirem a Ele, pois seriam considerados como estando combatendo contra o próprio Deus. Com que facilidade eles podiam pensar em esmagá-lo e destruí-lo, mesmo sabendo que Ele era apoiado por aquele que ninguém jamais seria capaz de combater. Tentar combater o Deus Criador é a maior loucura possível.

Em segundo lugar, a base da garantia que o Senhor Jesus possuía: “Porque eu faço sempre o que lhe agrada”. Isto é:

1. Aquela grande missão na qual nosso Senhor Jesus estava continuamente engajado era uma missão que agradava muitíssimo ao Pai que o enviou. Sua missão como um todo é chamada de bom prazer do Senhor (Isaias 53.10), por causa dos pensamentos e conselhos da mente eterna a respeito dela, e por causa da auto realização da mente eterna em relação a ela.

2. Sua condução desta missão não desagradava ao Pai em nada. Na execução da sua comissão, Ele observava pontual­ mente todas as suas instruções, e não se desviava de nenhuma delas. Nenhum mero homem, desde a queda, podia dizer algo como isto (pois, em muitas coisas, nós ofendemos a muitos), mas nosso Senhor Jesus nunca ofendeu ao seu Pai em nada, porém, como lhe convinha, cumpriu toda a justiça. Isto era necessário para a validação e o valor do sacrifício que Ele deveria oferecer, pois, se Ele tivesse, em alguma coisa, desagradado ao próprio Pai, e tivesse, desta forma, algum pecado próprio pelo qual responder, o Pai não poderia estar satisfeito com Ele como a propiciação pelos nossos pecados. Mas tal sacerdote e tal sacrifício nos convêm porque eram perfeitamente puros e imaculados. Da mesma maneira, nós podemos aprender que os servos de Deus podem, então, esperar a presença de Deus consigo quando decidem fazei e realmente fazem, as coisas que o agradam, Isaías 66.4,5.

V – Aqui está o bom resultado que estas palavras de Cristo tiveram sobre alguns dos seus ouvintes (v. 30): “Dizendo Ele essas coisas, muitos creram nele” Observe:

1. Embora multidões pereçam na incredulidade, ainda há alguns, segundo a eleição da graça, que creem na salvação da alma. Mesmo que Israel, como um conjunto de pessoas, não se deixe ajuntar; ainda há aqueles entre elas em quem Cristo será glorioso, Isaías 49.5. Nisto, o apóstolo insiste, para reconciliar a rejeição dos judeus com as promessas feitas aos seus país. Ele fala de um remanescente, Romanos 11.5. 2. As palavras de Cristo, e particularmente suas palavras ameaçadoras, têm efeito, pela graça de Deus, para levar as pobres almas a crer nele. Quando Cristo lhes disse que se não cressem morreriam nos seus pecados, e nunca chegariam ao céu, eles pensaram que era o momento de olhar à sua volta, Romanos 1.16,18. 3. Às vezes, existe uma porta grande aberta, uma porta eficaz, mesmo onde existem muitos adversários. Cristo irá prosseguir com seu trabalho, apesar da fúria dos pagãos. Muitas vezes o Evangelho obtém grandes vitórias mesmo onde encontra grande oposição. Que isto incentive os ministros de Deus a pregarem o Evangelho, mesmo que com muitas lutas e dificuldades, pois eles não trabalharão em vão. Muitos podem ser secretamente levados a Cristo por aqueles esforços que são abertamente contraditados e criticados pelos homens de mentes corrompidas. Austin tem uma exclamação afetuosa na sua interpretação destas palavras: Eu desejo que, quando eu falar, muitos possam crer; não em mim, mas que creiam nele, juntamente comigo.