ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 11: 45-57

Alimento diário

O Conselho dos Fariseus. A Profecia de Caifás. Uma Conspiração contra Cristo

Temos aqui um relato das consequências deste glorioso milagre, que estavam dentro daquilo que era usual. Para alguns, ele teve sabor de vida para a vida, enquanto para outros, de morte para a morte.

I – Alguns foram convidados pelo milagre, e persuadidos a crer. Muitos dos judeus, quando viram as coisas que Jesus fazia, criam nele, e bem podiam fazê-lo, pois estas eram provas incontestáveis da sua missão divina. Eles frequentemente ouviam sobre seus milagres, e ainda assim evitavam ser convencidos, questionando os fatos. Mas agora que eles tinham visto pessoalmente esta obra, sua incredulidade foi vencida, e eles cederam, por fim. Porém, bem-aventurados são aqueles que não viram, e, apesar disto, creram. Quanto mais nós vemos de Cristo, mais causas veremos para amá-lo e para confiarmos nele. Ha­ via alguns daqueles judeus que tinham vindo para consolar Maria. Quando vamos fazer boas coisas a outros, nós nos colocamos a caminho de receber favores de Deus, e temos a oportunidade de receber o bem quando estamos fazendo o bem.

II – Outros se irritaram com o milagre, e persistiram na sua incredulidade.

1. Assim eram os informantes (v. 46): “alguns deles”, que tinham sido testemunhas oculares do milagre, estavam tão longe de ser convencidos, que foram até os fariseus, sabendo que eram seus mais implacáveis inimigos, e lhes contaram as coisas que Jesus tinha feito, não meramente por se tratar de uma notícia merecedora do conhecimento deles, e muito menos como um incentivo para que eles pensassem de maneira mais favorável a respeito de Cristo, mas com um iníquo desejo de incitar mais vigorosamente aqueles que não precisavam deste tipo de estímulo para acusá-lo. Aqui está um estranho exemplo:

(1) De uma infidelidade obstinada, recusando-se a ceder aos mais poderosos meios de convicção. E é difícil imaginar como eles poderiam fugir à força desta evidência, a menos que o deus deste mundo tivesse cegado suas mentes.

(2) De uma inimizade inveterada. Se eles não desejavam se convencer de que Ele era digno de que cressem que Ele era o Cristo, mesmo assim poderíamos pensar que eles deveriam ter sido abrandados e persuadidos a não persegui-lo. Mas, se a água não for suficiente para extinguir o fogo, irá aumentá-lo. Eles disseram o que Jesus tinha feito, e não disseram nada além da verdade. Mas sua iniquidade deu um tom diabólico à sua informação, deixando o conteúdo semelhante a uma mentira. Perverter o que é verdadeiro é tão ruim quanto forjar o que é falso. A Doegue, é atribuída uma língua falsa, mentirosa e enganadora (Salmos 52.2-4; 120.2,3), mesmo que o que ele dissesse fosse verdade.

2. Os juízes e líderes, que eram os líderes cegos do povo, não ficaram menos exasperados pelo relato que lhes foi trazido, e aqui nós lemos o que eles fizeram.

(1) Um conselho especial é convocado e reunido (v. 47): “Depois, os principais dos sacerdotes e os fariseus formaram conselho”, como tinha sido predito, Salmos 2.2: “Os príncipes juntos se mancomunam contra o Senhor”. O objetivo dos conselhos do Sinédrio era o bem público, mas aqui, sob este pretexto, a maior injúria e o maior dano são feitos ao povo. As coisas que pertencem à paz das nações estavam ocultas dos olhos daqueles a quem são confiados seus conselhos. Este conselho foi convocado, não somente para uma decisão conjunta, mas por irritação mútua. Como o ferro afia o ferro, e como o carvão faz queimar carvão e madeira, assim eles podiam se exasperar e se inflamar uns aos outros com inimizade e fúria contra Cristo e contra sua doutrina.

(2) O caso é proposto, e apresentado como sendo importante e de grandes consequências.

[1] A questão a ser debatida era que curso de ação eles tomariam em relação ao Senhor Jesus, para interromper o crescimento do interesse que Ele despertava. Diziam: “Que faremos? Porquanto este homem faz muitos sinais”. A informação a respeito da ressurreição de Lázaro foi transmitida, e os homens, irmãos, e pais foram convocados para ajudar, tão solicitamente quanto se um inimigo formidável estivesse com um exército no coração do seu país. Em primeiro lugar, eles reconhecem a veracidade dos milagres de Cristo, e que Ele tinha realizado muitos milagres. Portanto, eles são testemunhas contra si mesmos, pois reconhecem suas credenciais e, ainda assim, negam sua comissão. Em segundo lugar eles consideram o que deve ser feito, e se censuram por não terem feito alguma coisa mais cedo para esmagá-lo. Eles não levam em consideração, de maneira nenhuma, o fato de não desejarem recebê-lo e reconhecê-lo como o Messias, embora professem esperá-lo, e Jesus desse provas contundentes de ser o Messias, mas têm certeza de que Ele é um inimigo, e, como tal, deve ser destruído. “Que faremos? Será que nós não nos preocupamos em apoiar nossa sinagoga? Será que não significa nada para nós que uma doutrina tão destrutiva aos nossos interesses se espalhe desta maneira? Nós vamos entregar docilmente o terreno que temos nos afetos das pessoas? Nós vamos ver nossa autoridade sendo desprezada, e o trabalho pelo qual nós ganhamos a vida ser arruinado, e não vamos fazer nada? O que nós estivemos fazendo todo este tempo? O que estamos pensando agora? Nós vamos ficar sempre conversando, sem fazer nada?”

[2] Que o que fazia esta questão ser importante era o perigo em que eles percebiam que sua sinagoga e sua nação se colocavam junto aos romanos (v. 48): “Se não o silenciarmos e o exonerarmos, ‘todos crerão nele’. E se este for o estabelecimento de um novo r ei, os romanos se ofenderão com isto, e virão com um exército, e ‘tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação’, e por isto não é hora de brincar”. Veja a opinião que eles têm:

Em primeiro lugar, do seu próprio poder. Eles falam como se pensassem que o progresso e o sucesso de Cristo no seu trabalho dependessem da sua conivência; como se Ele não pudesse continuar realizando milagres, e fazendo discípulos, a menos que o deixassem em paz; como se eles tivessem o poder de derrotar aquele que tinha derrotado a morte, ou como se pudessem lutar contra Deus, e vencer. Mas aquele que está assentado no céu se ri do conceito carinhoso que a maldade impotente tem em relação à sua própria impotência.

Em segundo lugar, da sua própria política. Eles se consideram como homens de visão e previsão poderosas, e também de grande sagacidade nos seus prognósticos morais.

a. Eles se responsabilizam por profetizar que, dentro de pouco tempo, se Ele tiver a liberdade de continuar, todos os homens crerão nele, reconhecendo algo que serviria aos seus propósitos, que sua doutrina e seus milagres tinham um poder muito convincente para eles, um poder ao qual não se poderia resistir, e assim todos os homens se tornariam seus prosélitos e devotos. Desta maneira, eles agora apresentam o interesse nele como algo formidável, embora, para servir a outro objetivo, estes mesmos homens procurassem torná-lo desprezível, cap. 7.48: “Creu nele, porventura, algum dos principais ou dos fariseus?” Isto era o que eles temiam, que os homens cressem nele, e então todas as suas medidas estariam canceladas. Observe que o sucesso do Evangelho é o terror dos seus adversários. Se as almas se salvarem, eles estarão destruídos.

b. Eles predizem que, se a maioria da nação for atraída a Ele, a fúria dos romanos cairá sobre eles. Eles “virão e tirar-nos-ão o nosso lugar”. A nação em geral, especialmente Jerusalém, ou o Templo, o lugar sagrado, e o lugar deles, o seu predileto, seu ídolo. Ou suas primazias no Templo, seus lugares de poder e confiança. Era verdade que os romanos os vigiavam com muito ciúme, e sabiam que eles não desejavam nada, exceto o poder e uma oportunidade para se livrarem do seu jugo. Era igualmente verdade que, se os romanos quisessem atacá-los com um exército, seria muito difícil que eles esboçassem qualquer resistência. Mas aqui parece uma covardia que ninguém tenha descoberto que os sacerdotes do Senhor haviam perdido, pela própria iniquidade de seus corações, o interesse por Deus e por todos os homens bons. Se eles tivessem conservado sua integridade, não precisariam temer os romanos, mas eles falam como um povo desalentado, como os homens de Judá, quando disseram, de forma desprezível, a Sansão: “Não sabias tu que os filisteus dominam sobre nós?” Juízes 15.11. Quando os homens perdem sua piedade, perdem sua coragem. Mas:

(a) É falso que houvesse qualquer pe1igo de que os romanos se irritassem com sua nação pelo progresso do Evangelho de Cristo, pois ele não era, de maneira nenhuma, prejudicial aos reis ou às províncias, mas altamente benéfico. Os romanos não tinham nenhuma inveja do interesse crescente que Ele despertava, pois Ele ensinava os homens a dar tributo a César, e a não resistir ao mal, mas a tomar cada um sua cruz. O governador romano, no seu julgamento, não encontrou culpa nenhuma no Senhor Jesus. Havia mais perigo de que os romanos se enfurecessem contra a nação judaica devido aos sacerdotes judeus do que devido a Cristo. Observe que os medos imaginários são, frequentemente, os pretextos para os desígnios iníquos.

(b) Se realmente tivesse havido algum perigo de desagradar os romanos, por tolerarem a pregação de Cristo, ainda assim isto não justificaria o fato de que eles odiassem e perseguissem um homem bom. Observe:

[a] Os inimigos de Cristo e do seu Evangelho frequentemente disfarçavam sua inimizade com uma aparente preocupação pelo bem público e pela segurança geral, e, com esta finalidade, tinham estigmatizado seus profetas e seus ministros como perturbadores de Israel, homens que viravam o mundo de cabeça para baixo.

[b] A política carnal normalmente estabelece razões de estado, em oposição às regras de justiça. Quando os homens se preocupam com sua própria riqueza e segurança, mais do que com a verdade e o dever, esta é a sabedoria vinda de baixo, que é terrena, sensual e demoníaca. Mas veja qual era a questão. Eles fingiam temer que o fato de que tolerassem o Evangelho de Cristo pudesse trazer a desolação sobre eles, pelas mãos dos romanos, e, desta maneira, certos ou errados, decidiram ser contrários a ele. Mas foi provado que sua perseguição ao Evangelho trouxe sobre eles o que eles temiam, encheu a medida da sua iniquidade, e os romanos vieram e tomaram seu lugar e sua nação, e assim perderam, de fato, seu lugar. Observe que, quando tentamos escapar de alguma calamidade através do pecado, nós acabamos tomando o caminho mais efetivo para trazê-la sobre nossas cabeças. E aqueles que pensam que, quando se opõem ao reino de Cristo, estão protegendo ou fazendo progredir seus próprios interesses seculares, descobrirão que Jerusalém é uma pedra mais pesada do que eles pensam que ela é, Zacarias 12.3. O temor dos ímpios virá sobre eles, Provérbios 10.24.

(3) Caifás faz um discurso malicioso, porém místico, no conselho, nesta ocasião.

[1] Sua maldade fica evidente à primeira vista, vv. 49,50. Sendo o sumo sacerdote, e, desta maneira, o presidente do conselho, ele resolve decidir a questão antes que ela fosse debatida: “Vocês não sabem nada, sua hesitação evidencia sua ignorância, pois isto não é algo que suporte uma discussão, isto deve ser decidido logo, se vocês levarem em consideração aquela máxima: Convém que um homem morra pelo povo”. Aqui:

Em primeiro lugar; o conselheiro era Caifás, que era sumo sacerdote naquele ano. O sumo sacerdócio era, por indicação divina, atribuído ao herdeiro varão da casa de Arão, durante sua vida natural, e depois ao seu herdeiro varão. Mas, naqueles tempos degenerados, isto tinha se tornado, embora não um cargo anual, como uma função de cônsul, um cargo cujo ocupante mudava frequentemente, de acordo com os interesses dos poderes romanos. Aconteceu que, neste ano, Caifás usava a mitra.

Em segundo lugar, o objetivo do conselho era, em resumo, este: uma maneira ou outra deve ser encontrada para levar Jesus à morte. Nós temos motivos para pensar que eles suspeitassem fortemente que Ele real­ mente era o Messias, mas sua doutrina era tão contrária às suas queridas tradições e aos seus interesses seculares, e seu desígnio distorcia de tal maneira suas noções do reino do Messias, que eles decidem que, seja Ele quem for, deve ser condenado à morte. Caifás não diz: Que Ele seja silenciado, aprisionado, banido, embora isto fosse amplamente suficiente para restringir a alguém a quem eles considerassem perigoso, mas: Ele deve morrer. Observe que aqueles que se colocam contra o cristianismo comumente se despojam de toda humanidade, e são infames e cruéis.

Em terceiro lugar, isto é insinuado de mane ira plausível, com toda a sutileza, assim como a maldade da velha serpente. l. Ele sugere sua própria sagacidade, pela qual nós devemos supor que ele, como sumo sacerdote, se distinga, embora o Urim e Tumim estivessem perdidos há tempos. Com que escárnio ele diz: “Vocês não sabem nada, são apenas sacerdotes comuns, mas precisam admitir que eu enxergo mais do que todos!” Assim, é comum que aqueles que têm autoridade imponham suas regras corruptas, em virtude desta posição de comando, e por quererem ser os melhores e mais sábios, é comum que esperem que todos acreditem que o são.

2. Ele assume que o caso é claro e indiscutível, e que aqueles que não o veem assim são muito ignorantes. Observe que a razão e a justiça são, frequentemente, destruídos por uma mão poderosa. A verdade anda tropeçando pelas ruas, e quando ela cair, acabem com ela. E a equidade não pode entrar. Quando ela estiver fora, mantenham-na ali, Isaías 59.14. 3. Ele insiste em uma máxima da política, a de que o bem-estar das comunidades deve ter preferência sobre o das pessoas em particular. “Convém a nós, como sacerdotes cujas mentiras estão em risco, que um homem morra pelo povo”. Até aqui, isto é verdade, que é conveniente, e mais do que isto, é verdadeiramente honorável, que um homem arrisque sua vida a ser viço do seu país (Filipenses 2.17; 1 João 3.16). Mas levar à morte um inocente, sob o pretexto de levar em conta a segurança pública, é uma política do Diabo. Caifás ardilosamente insinua que o homem melhor e mais grandioso, embora major singulis mais grandioso do que qualquer indivíduo, é minar universis menos que a massa coletiva, e deve pensar que sua vida é bem gasta, ou melhor, bem perdida, ao salvar seu país da destruição. Mas o que tem isto a ver com o assassinato de alguém que era, evidentemente, uma grande benção, sob o pretexto de evitar um mal imaginário ao país? A questão deveria ter sido colocada desta maneira: Seria conveniente que eles trouxessem sobre si mesmos, e sobre sua nação, a culpa do sangue, do sangue de um profeta, para proteger seus interesses civis de um perigo que eles não tinham motivos para temer? Era conveniente que eles afastassem de si mesmos a Deus e a sua glória, em vez de se arriscarem ao descontentamento dos ro­ manos, que não poderiam fazer-lhes nenhum mal, se eles tivessem a Deus do seu lado? Observe que a política carnal, que é movida somente por considerações seculares, enquanto julga salvar tudo através do pecado, destrói tudo no final.

[2] O mistério que havia neste conselho de Caifás não se manifesta à primeira vista, mas o evangelista nos apresenta-o (vv. 51,52): “Ele não disse isso de si mesmo”, isto não era somente a linguagem da sua própria inimizade e política, mas, nestas palavras, ele profetizou que Jesus devia morrer pela nação, embora ele próprio não tivesse consciência disto. Aqui está um precioso comentário sobre um texto pernicioso. O conselho do mal­ dito Caifás interpretado como estando de acordo com os conselhos do bendito Deus. A caridade nos ensina a dar a interpretação mais favorável às temíveis palavras e ações dos homens, mas a piedade nos ensina como aproveitá-las, de maneira até mesmo contrária ao seu propósito original. Se os homens ímpios, naquilo que fazem contra nós, são as mãos de Deus, para nos humilhar e transformar, por que não podem eles, naquilo que dizem contra nós, ser a boca de Deus, para nos instruir e convencer? Porém, nestas palavras de Caifás, havia uma orientação extraordinária do Céu, levando-o a dizer aquilo que tinha um sentido muito sublime. Da mesma forma que os corações de todos os homens estão nas mãos de Deus, o mesmo ocorre com suas línguas. Estão enganados aqueles que dizem: “Nossas línguas são nossas, de modo que podemos dizer o que quisermos, e não estarmos sujeitos ao julgamento de Deus, ou podemos dizer o que quisermos, e não sermos restringidos pela sua providência e pelo seu poder”. Balaão não pôde dizer o que queria quando veio amaldiçoar Israel, nem Labão, quando perseguiu Jacó.

(4) O evangelista explica e expande as palavras de Caifás.

[1] Ele explica o que Caifás disse, e mostra não somente como isto estava, mas pretendia estar adaptado a um propósito excelente. Caifás “não disse isso de si mesmo”. Se fosse apenas um artifício para motivar o conselho contra Cristo, ele estaria falando de si mesmo, ou, mais exatamente, da parte do Diabo, mas como era um oráculo, declarando que o propósito e desígnio de Deus, pela morte de Cristo, era salvar o Israel espiritual de Deus do pecado e da ira, ele não dizia de si mesmo, pois não sabia nada sobre este assunto. Ele não queria dizer isto, nem seu coração pensava isto, pois nada havia no seu coração, exceto a intenção de destruir e desarraigar, Isaías 10.7.

Em primeiro lugar, ele profetizou, e aqueles que profetizam não falam de si mesmos em suas profecias. Mas está também Caifás entre os profetas? Ele está, esta única vez, embora fosse um homem mau, e um inimigo implacável de Cristo e do seu Evangelho. Observe:

1. Deus pode fazer, e frequentemente faz, dos homens maus instrumentos para servir aos seus próprios objetivos, até mesmo contrários às suas próprias intenções, pois Ele não somente os tem acorrentados, para impedi-los de fazer o mal que desejam, mas com rédeas, para levá-los a fazer um serviço que não desejam.

2. Palavras proféticas na boca não são nenhuma evidência infalível de um princípio de graça no coração. Será rejeitada como frívola a alegação: “Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome?”

Em segundo lugar, ele profetizou, sendo “sumo sacerdote naquele ano”. Não que o fato de que fosse sumo sacerdote o dispusesse ou qualificasse para ser um profeta. Nós não podemos supor que a mitra sacerdotal tenha inspirado com profecias a cabeça mais vil que já a usou. Mas:

1. Sendo ele sumo sacerdote, e, portanto, de importância e eminência no conclave, Deus se alegra de colocar esta mensagem importante na sua boca, em vez de colocá-la na boca de qualquer outra pessoa, para que pudesse ser mais observada, ou para que sua não-observância fosse mais agravada. As máximas dos grandes homens sempre foram julgadas merecedoras de consideração especial: “O rei fala com autoridade divina”. Por­ tanto, esta sentença divina foi colocada nos lábios do sumo sacerdote para que, ao sair da sua boca, esta mensagem pudesse ser estabelecida, que Cristo morreu pelo bem da nação, e não por qualquer iniquidade que tenha cometido. Coincidiu que Caifás fosse sumo sacerdote naquele ano que estava fixado para ser o ano dos redimidos, quando o Messias, o príncipe, seria tirado, mas não por si mesmo (Daniel 9.26). E ele, como sumo sacerdote, deveria reconhecer isto. 2. Sendo sumo sacerdote naquele ano, naquele ano famoso, no qual deveria haver tal abundante efusão do Espírito, mais do que jamais tinha havido, de acordo com a profecia (Joel 2.28,29, comparado com Atos 2.17), algumas gotas da chuva abençoada caíram sobre Caifás, como as migalhas do pão dos filhos, que caem da mesa em meio aos cães. Este ano era o ano do término do sacerdócio levítico, e da boca daquele que era, naquele ano, sumo sacerdote, foi arrancada uma renúncia implícita em favor daquele que não ofereceria (como eles tinham feito por muito tempo) animais por aquela nação, mas que iria oferecer a si mesmo, colocando, desta forma, um fim às ofertas pelo pecado. O sumo sacerdote propôs esta renúncia de forma inconsciente, da mesma forma que Isaque deu a bênção a Jacó.

Em terceiro lugar, o teor da sua profecia dizia que Jesus deveria morrer por aquela nação, o mesmo terno de que deram testemunho todos os profetas, que testemunharam, de antemão, os sofrimentos de Cristo (1 Pedro 1.11). Eles previram que a morte de Cristo deveria ser a vida e a salvação de Israel. Por nação, ele se referia àqueles, pertencentes à nação, que obstinadamente ade­ riam ao judaísmo, mas Deus se refe1ia àqueles que desejassem receber a doutrina de Cristo, e se tornassem seus seguidores, todos os crentes, a semente espiritual de Abraão. A morte de Cristo, que Caifás agora planejava, se tornou a destruição dos interesses que os judeus tinham pela nação. Aquele sumo sacerdote pretendia que a nação estivesse segura e fosse estabelecida. Porém, o assassinato de Cristo trouxe o máximo de ira sobre eles. Eles desejavam arruinar a Cristo, porém ocorreu exatamente o contrário, pois Cristo, sendo elevado da terra, atraiu todos os homens a si. Urna grande doutrina foi profetizada aqui: que Jesus deveria morrer pelos outros, não somente para o bem das pessoas, mas no lugar delas. Ele deveria morrer por aquela nação, pois a eles seria feita, em primeira mão, a oferta da salvação que o Senhor Jesus Cristo adquiriu através da sua morte. Se toda a nação dos judeus tivesse, unanimemente, crido em Cristo, e recebido se Evangelho, eles não somente teriam sido salvos eterna mente, mas salvos corno uma nação, dos seus sofrimentos. A fonte foi aberta, primeiro, à casa de Davi, Zacarias 13.1. Ele assim morreu por aquela nação de modo que a nação inteira não perecesse, mas para que um remanescente pudesse ser salvo, Romanos 11.5.

[2] O evangelista expande estas palavras de Caifá, (v. 52), não somente para aquela nação, embora, de alguma maneira, ela pudesse se considerar privilegiada pele Céu, mas também para mostrar que o Senhor desejava: “reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos”. Observe aqui:

Em primeiro lugar, por quem Cristo morreu: não somente pela nação dos judeus (pois este objetivo seria, comparativamente, muito pequeno. O Filho de Deus não se empenharia em uma tarefa tão vasta somente para restaurar os preservados de Jacó e os párias de Israel). Não, Ele devia ser a salvação até às extremidades da terra, Isaías 49.6. Ele devia morrer pelo, “filhos de Deus que andavam dispersos”.

1. Alguns entendem que a referência está sendo feita aos filhos de Deus que existiam naquela época, e que estavam espalhados pelo mundo gentílico, “varões religiosos de todas as nações” (Atos 2.5), tementes a Deus (Atos 10.2), E que o adoravam (Atos 17.4), prosélitos do portão, que serviam ao Deus de Abraão, mas não se submetiam à lei cerimonial de Moisés, pessoas que tinham urna religiosidade natural, mas estavam dispersas entre as nações e não realizavam assembleias solenes, nem tinham nenhum tipo de profissão de fé peculiar que os unisse ou distinguisse. Agora, Cristo morria para incorporar estes povos em uma grande sociedade, para que fossem chama dos por Ele e governados por Ele. E isto estabeleceria um padrão, ao qual poderiam recorrer todos os que tivessem uma consideração por Deus e uma preocupação pelas suas almas, e ao qual poderiam aderir. 2. Outros entendem que se trata de todos os que pertencem à eleição da graça, os que são chamados de filhos de Deus, embora ainda não sejam nascidos, porque estão predestinados à adoção dos filhos, Efésios 1.5. Agora estes estão espalhados em outras nações, em diversos lugares da terra, sendo oriundos de todas as tribos e línguas (Apocalipse 7.9), e que viveriam em diversas épocas do mundo, até o final dos tempos. Em todas as gerações, existem aqueles que temem ao Senhor, e a todos estes Ele tinha em vista na expiação que fez através do seu próprio sangue. O Senhor morreu em favor de todos aqueles que nele cressem, conforme as palavras que Ele usou em sua oração sacerdotal.

Em segundo lugar, o objetivo e a intenção da morte de Jesus a respeito destas pessoas. Ele morreu para acolher aqueles que vagavam, e para reunir em um corpo os que andavam dispersos; para trazer a si aqueles que estavam distantes, e para unir, em si mesmo, aqueles que estavam distantes entre si. A morte de Cristo é:

1. O grande atrativo aos nossos corações, pois para esta finalidade Ele foi levantado, para atrair os homens a si. A conversão das almas é a reunião deles a Cristo, como seu governante e refúgio, como pombas às suas janelas, e Ele morreu para realizar esta grande obra. Com sua morte, Ele os comprou para si mesmo, e comprou o dom do Espírito Santo para eles. Seu amor, ao morrer por nós, é o grande ímã que atrai nosso amor.

2. O grande centro da nossa unidade. Ele congrega todos em um corpo, Efésios 1.10. Eles são um com Ele, um corpo, um espírito, e um com todos os demais, nele. Todos os santos, de todos os lugares e épocas, agregam se em Cristo, assim como todos os membros na cabeça, e todos os ramos na raiz. Cristo, pelo mérito da sua morte, recomendou que todos os santos se unissem como se fossem uma só pessoa, para que assim pudessem receber a graça e o favor de Deus (Hebreus 2.11-13), e por motivo da sua morte, recomenda a todos eles o amor e o afeto de uns para com os outros, cap. 13.34.

(5) O resultado deste debate é uma determinação do conselho, de condenar Jesus à morte (v. 53): “Desde aquele dia, pois, consultavam-se para o matarem”.  Agora eles compreendiam os desejos uns dos outros, e, desta forma, cada um estava concentrado no seu próprio desejo de que Jesus devia morrer. E, aparentemente, foi nomeado um comitê que devia reunir-se, diariamente, para considerar e assessorar-se sobre este intento, e para receber propostas para poder levá-lo a cabo. Observe que a perversidade dos ímpios amadurece gradualmente, Tiago 1.15; Ezequiel 7.10. Dois avanços consideráveis agora eram feitos, no amaldiçoado desígnio daqueles homens iníquos contra Cristo.

[1] Sobre aquilo que eles tinham pensado antes individualmente, agora eles estavam todos de acordo, fortalecendo, assim, as mãos uns dos outros na sua perversidade, e prosseguiram com maior segurança. Os homens maus confirmam e incentivam a si mesmos, e uns aos outros, nas práticas perversas, comparando observações. Os homens de mentes corruptas ficam satisfeitos quando encontram outros que têm a mesma mente. Então, a maldade que antes parecia impraticável, parece não somente possível, mas fácil de ser realizada.

[2] Agora eles estão munidos de uma desculpa plausível para se justificarem neste ato, que antes desejavam que fosse praticado, mas lhes faltava um pretexto, e que servirá, se não para remover sua culpa (que é a menor das suas preocupações), pelo menos para remover o ódio, e satisfazer sutilmente, desta maneira, se não a consciência pessoal, a política. Muitos prosseguirão, com muita segurança, fazendo uma coisa má, enquanto tiverem apenas algo a dizer como desculpa. Esta decisão que eles tomaram, de levar Jesus à morte, estando certos ou errados, prova que toda a formalidade de um julgamento, ao qual Ele se submeteu posteriormente, foi apenas espetáculo e pretexto. Eles já estavam determinados anteriormente quanto ao que fazer.

(6) Consequentemente, Cristo se ocultou, sabendo muito bem qual era a decisão da trama, v. 54.

[1] Ele suspendeu suas aparições públicas: ”Já não andava manifestamente entre os judeus”, entre os habitantes da Judéia, que eram, adequadamente, chamados de judeus, especialmente os de Jerusalém; Ele não andava mais entre eles, não ia de um lugar a outro, pregando e realizando milagres, com a liberdade e a abertura que tinha antes, mas enquanto permaneceu na Judéia, ali esteve incógnito. Desta maneira, os principais dos sacerdotes colocaram a luz de Israel de­ baixo de um alqueire.

Ele retirou-se para uma parte obscura do país, tão obscura que o nome da cidade à qual Ele foi pratica­ mente não é encontrado em nenhuma outra passagem. Ele retirou-se dali para a terra junto do deserto, como se tivesse sido expulso do meio dos homens, ou talvez desejando, como Jeremias, poder ter, no deserto, uma “estalagem de caminhantes”, Jeremias 9.2. Ele entrou em uma cidade chamada Efraim. Alguns pensam que era Efrata, isto é, Belém, onde Ele tinha nascido, e que era vizinha ao deserto de Judá. Outros pensam que era Efrom, ou Efraim, mencionada em 2 Crônicas 13.19. Os discípulos foram com Ele até lá. Eles não desejavam deixá-lo sozinho, nem iriam deixá-lo em perigo. Ali Ele permaneceu, ali Ele viveu. Ele sabia como aproveitar este tempo de isolamento vivendo de maneira privada, quando não tinha uma oportunidade de pregar publicamente. Ele convivia com seus discípulos, que eram sua família, quando foi expulso do Templo, e seus discursos, ali eram, sem dúvida, muito edificantes. Nós devemos fazer o bem que pudermos, quando não pudermos fazer o bem que desejamos. Mas por que Cristo se escondeu agora? Não foi porque temesse o poder dos seus inimigos, ou porque não tivesse confiança no seu próprio poder. Ele tinha muitas maneiras de se salvar, e não era avesso ao sofrimento, nem estava despreparado para ele. Mas Ele se retirou, em primeiro lugar, para colocar um sinal do seu desgosto sobre Jerusalém e o povo dos judeus. Eles o rejeitaram, e ao seu Evangelho. Com razão, portanto, Ele se retirava, e ao seu Evangelho, do meio deles. O príncipe dos mestres estava agora removido a um canto (Isaias 30.20), não era possível vê-lo abertamente, e este era um triste presságio daquela espessa escuridão que cairia, dentro de pouco tempo, sobre Jerusalém, porque ela não conhecia o dia da sua visitação. Em segundo lugar, para tornar a crueldade dos seus inimigos contra si ainda mais injustificada. Se aquilo que os perturbava, e que eles julgavam perigoso para o público, era a aparição pública de Jesus, Ele adotaria um breve isolamento para que ficasse manifesto se a ira deles poderia ser afastada. Quando Davi tinha fugido para Gate, Saul estava satisfeito, e não cuidou mais em o buscar, 1 Samuel 27.4. Mas era a vida, a vida preciosa, que aqueles homens ímpios estavam caçando. Em terceiro lugar, sua hora ainda não era chegada, e por isto Ele evitava o perigo, e o fazia de uma maneira comum aos homens, tanto para justificar e incentivar a fuga dos seus servos em tempos de perseguição como para consolar aqueles que são forçados a deixar sua utilidade e são sepultados vivos no isolamento e na obscuridade. O discípulo não é melhor que seu Mestre. Em quarto lugar, seu isolamento, por algum tempo, tinha a intenção de fazer seu retorno a Jerusalém, quando fosse chegada sua hora, mais notável e ilustre. Isto aumentou as aclamações de alegria com as quais os que o queriam bem o receberam na sua aparição pública seguinte, quando Ele entrou triunfantemente na cidade.

(7) A investigação explícita para descobrir onde Ele estava durante seu isolamento, vv. 55-57.

[1] A oportunidade para isto foi a aproximação da Páscoa, na qual eles esperavam a presença dele, de acordo com o costume (v.55): “Estava próxima a Páscoa dos judeus”. Uma festa que resplandecia no seu calendário, e sobre a qual havia grande expectativa desde algum tempo antes. Esta era a quarta e última Páscoa de Cristo, desde que tinha iniciado seu ministério público, e poderia, verdadeiramente, ser dito (como 2 Crônicas 35.18): “Nunca se celebrou tal Páscoa em Israel”, pois, nela, “Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós”. Agora, como a Páscoa estava próxima, muitos vinham de todas as partes da nação até Jerusalém, para se purificarem. Isto era, ou, em primeiro lugar, uma purificação necessária daqueles que tivessem sofrido alguma contaminação cerimonial. Eles vinham para serem esparzidos com a água da purificação, e para realizar os demais ritos de purificação, de acordo com a lei, pois não podiam comer a refeição de Páscoa em um estado de impureza, Números 9.6. Desta maneira, antes da nossa Páscoa do Evangelho, nós devemos renovar nosso arrependimento, e, pela fé, lavar-nos no sangue de Cristo, colocando-nos, desta maneira, ao redor do altar de Deus. Ou, em segundo lugar, uma purificação voluntária, ou uma auto- segregação, com jejum e oração, e outros exercícios religiosos, que muitos que eram mais devotos que seus vizinhos praticavam algum tempo antes da Páscoa, e decidiam fazê-lo em Jerusalém, por causa da vantagem do serviço do Templo. Desta maneira, nós devemos, através de uma preparação solene, separar e cercar o monte no qual esperamos nos encontrar com Deus.

(7) A investigação era muito ansiosa: “Diziam uns aos outros, estando no templo: Que vos parece? Não virá à festa?” v. 56.

Em primeiro lugar, alguns pensam que isto foi dito por aqueles que o queriam bem, e esperavam sua vinda, para que pudessem ouvir sua doutrina e ver seus milagres. Aqueles que tinham vindo mais cedo de outras partes da nação, para que pudessem se purificar, estavam muito desejosos de encontrar a Cristo, e talvez tivessem vindo mais cedo com esta expectativa. Portanto, estando no Templo, o lugar da sua purificação, perguntavam: Há alguma notícia de Cristo? Alguém poderia dar-lhes esperança de vê-lo? Se estas pessoas que mostravam este respeito a Cristo eram pessoas do tipo mais devoto e mais inclinado à religião, isto era uma acusação contra a inimizade dos principais dos sacerdotes, e um testemunho contra eles.

Em segundo lugar; parece mais provável que seus inimigos é que fizeram esta investigação a seu respeito, desejando uma oportunidade de lançar mão dele. Vendo que a cidade começava a se encher de gente devota do interior, eles imaginavam que poderiam encontrar Jesus no meio deles. Quando deveriam estar ajudando as pessoas que vinham para se purificar, de acordo com o dever que tinham, eles estavam tramando contra Cristo. Como era desgraçadamente degenerada a igreja judaica, quando os sacerdotes do Senhor tinham se tornado como os sacerdotes dos bezerros, como “um laço para Mispa e rede estendida sobre o Tabor. Os transviados têm descido até ao profundo, na matança” (Oseias 5.1,2). Em vez de guardarem a festa com pães asmos, eles mesmos se encontravam levedados pelo fermento da pior iniquidade! “Que vos parece? Não virá à festa?” Suas perguntas indicam:

1. Uma ideia preconceituosa e injusta contra Cristo, como se Ele desejasse omitir seu comparecimento a esta festa do Senhor, por temer expor-se. Se os demais, devido à falta de religiosidade, se ausentassem, não seriam criticados. Mas se Cristo estivesse ausente, em benefício de sua própria preservação (pois Deus quer misericórdia, e não sacrifício), isto seria transformado em uma censura a Ele. Davi incorreria na mesma crítica, se seu lugar estivesse vazio na festa, embora Saul desejasse sua presença somente para ter uma oportunidade de cravá-lo à parede com sua lança, 1 Samuel 20.25-27ss. É triste ver que os homens são capazes de degenerar as santas ordenanças a fim de atenderem a propósitos iníquos.

2. Uma temerosa apreensão de que tivessem perdido o jogo: “‘Não virá à festa?’ Se não vier, nossas medidas terão sido inúteis, e nós estaremos todos perdidos, pois não há como enviar um servo ao campo, para buscá-lo à força”.

[3] As ordens promulgadas pelo governo judeu para a prisão de Jesus eram muito rígidas, v. 57. O grande Sinédrio promulgou uma proclamação, encarregando e exigindo rigorosamente que, se qualquer pessoa, em alguma cidade ou no interior, soubesse onde o Senhor estava (fingindo que Ele era um criminoso, e que tinha fugido da justiça), esta pessoa deveria apresentá-lo. Ele então seria levado, e provavelmente fizeram a promessa de uma recompensa a quem o descobrisse, impondo uma punição sobre aqueles que o abrigassem. Deste modo, o Senhor era descrito ao povo como um homem perigoso e detestável, um fora-da-lei, de quem qualquer pessoa poderia sofrer um ataque. Saul fez uma proclamação semelhante quando desejou prender Davi, e Acabe fez o mesmo acerca de Elias. Veja, em primeiro lugar, como eles estavam determinados nesta perseguição, e como trabalharam infatigavelmente nela agora, em uma ocasião em que, se tivessem tido algum senso de religião e do dever da sua função, teriam encontrado algo diferente para fazer. Em segundo lugar, como eles estavam dispostos a envolver outras pessoas na sua culpa. Se algum homem fosse capaz de trair a Cristo, eles fariam com que ele se considerasse obrigado a fazê-lo. Este era o interesse que aqueles líderes judeus tinham pelas pessoas, abusavam delas, empregando-as para os piores pro­ pósitos. Observe que é um agravo dos pecados dos go­ vernantes ímpios o fato de que eles normalmente fazem dos que lhes são subordinados instrumentos das suas in­ justiças. Mas, apesar desta proclamação, embora, sem dúvida, muitos soubessem onde Ele estava, ainda assim, tal era o interesse por Ele nos afetos do povo, e Deus, o Pai, tinha tal controle sobre as consciências dos homens, que Ele não foi encontrado, pois Deus o ocultou deles.

 

 

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.