PSICOLOGIA ANALÍTICA

DROGAS E QI

Pesquisas indicam que existe uma associação positiva entre o Quociente de Inteligência e a chance de usar drogas ilegais, tabaco e álcool.

Drogas e QI

Embora seja o contrário daquilo que normalmente se esperaria, as pesquisas têm apontado uma estranha relação positiva entre consumo de substâncias que alteram a mente e uma das medidas mais comuns de capacidade cognitiva, os testes de QI (abreviatura para Quociente de Inteligência). Certamente, o teste de QI não é perfeito nem abrange todas as sutilezas da inteligência humana, no entanto mais de um século de pesquisa mostra que é uma medida válida para avaliar alguns aspectos importantes da cognição. De forma algo surpreendente, o uso do tabaco, de álcool ou de drogas psicoativas está estatisticamente associada ao aumento de Ql. Não somente no uso atual dessas substâncias, mas também existe maior probabilidade de realização de experiências com drogas ou álcool na adolescência para os indivíduos inteligentes. Uma série de estudos realizados em todo o mundo leva a esse resultado, em especial pesquisas no Reino Unido e nos EUA. Nessas pesquisas, os sujeitos foram rastreados da infância à vida adulta em relação ao consumo de álcool, tabaco e drogas ilícitas, bem como seu nível geral de inteligência. Um dos estudos foi realizado com mais de 12 mil pessoas nos EUA que foram acompanhadas até os dias atuais, sendo que começaram a ser entrevistadas pela primeira vez em 1979. Os resultados apontaram que existe uma clara relação positiva entre a probabilidade de ter experimentado álcool, maconha, cocaína e várias outras drogas recreativas e níveis elevados de inteligência. Crianças mais inteligentes, tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos, têm mais chances de consumir mais álcool na medida em que crescem. Nos Estados Unidos, as crianças americanas mais inteligentes tendem a consumir mais tabaco, enquanto as crianças britânicas mais inteligentes têm maior probabilidade de consumir mais drogas ilegais. A busca de uma explicação razoável desse padrão é alvo de debate científico e pode gerar controvérsias. Entre as hipóteses levantadas pelos pesquisadores está a noção de que pessoas inteligentes são atraídas e valorizam mais a novidade, ou não têm tanto medo de se tornarem dependentes por terem um auto­controle maior.

A busca de novidades pode ser um dos fatores que impulsionam o maior uso de drogas, uma vez que pesquisas anteriores já documentaram a tendência de pessoas mais inteligentes em ficar entediadas com facilidade. A chamada hipótese Savana-QI, que é refutada por alguns e defendida por outros, afirma que pessoas inteligentes estão mais propensas a experimentar estímulos novos em termos de evolução, por serem mais adaptáveis às novas circunstâncias ambientais. Nessa interpretação, como as substâncias que alteram a mente são mais recentes no contexto da evolução humana, seriam justamente as pessoas mais inteligentes e flexíveis que fariam experiências com a novidade.

A hipótese do maior autocontrole em pessoas inteligentes é uma das mais citadas pelos pesquisadores, uma vez que pessoas mais inteligentes podem estar menos preocupadas com a possibilidade de se tornarem dependentes ou abusar das drogas. Sujeitos mais inteligentes tendem a ter mais autocontrole e podem, portanto, ser melhores em restringir o consumo de substâncias que causam dependência. Em especial, sujeitos mais inteligentes podem prever que serão capazes de conseguir regular seu consumo de drogas sem desenvolver dependência ou abuso. Nesse sentido, a autoconfiança na sua capacidade de controle pode levar à maior tendência de fazer experiências com drogas recreativas.

Estudo recente mostrou um padrão que confirma essa hipótese. O estudo examinou o consumo de álcool e foi identificado que os sujeitos com maior Quociente de Inteligência (ou QI) ingerem mais álcool, mas têm menos dependência e abuso, ou seja, embora tenham atração pela bebida alcoólica, possuem também autocontrole para não abusar do consumo, o u se tornar alcoólatra. Essa investigação também apontou que na medida em que aumenta o QI, a relação vai se diluindo para a faixa superior de QI, o que pode indicar que as relações não são tão simples e pode haver um efeito protetor da inteligência elevada. Mais estudos serão necessários para se entender melhor essa curiosa relação.

 

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed 2011).

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.