GESTÃO E CARREIRA

A HUMANIDADE POR TRÁS DOS DADOS

Entenda o Big Data e por que sua empresa precisa implementá-lo hoje mesmo.

A humanidade por trás dos dados

Uma campanha de marketing político pautada em interesses e comportamentos humanos. A Cambridge Analítica ficou conhecida em todo o mundo por analisar dados sobre a população norte-americana que auxiliaram a vitória de Donald Trump. O problema é que a empresa foi acusada de utilizar ilegalmente informações de cerca de 50 milhões de cidadãos disponibilizadas no Facebook. O antiexemplo, no entanto, abre as portas para o entendimento de como fazer esse trabalho de compreensão do seu consumidor de maneira ética e legal.

Quando as reações emocionais dos indivíduos passam a poder ser interpretadas por meio de tráfegos gerados voluntariamente, fica mais fácil entender exatamente como atingir um público, desenvolver um produto e criar um planejamento de marca. E não é apenas nas urnas que o Big Data transforma- se em aliado. Aplicativos de namoro, por exemplo, podem cruzar dados de seus inscritos para encontrar o par perfeito, enquanto informações sobre o que as pessoas mais gostam de ler no seu site ajudam a desenvolver assuntos focados no interesse do leitor, entre outros milhares de possibilidades.

Existe um conceito sobre os 5V do Big Data: volume/ velocidade/ variedade/ veracidade/ valor.  Dados são gerados a todo momento sobre todas as coisas, em grande volume e de forma muito rápida. A escala de dados de um e-commerce, por exemplo, é monumental. o Big Data olha para um grande volume de dados que falam sobre muitas coisas – com ele, consigo saber sobre o estoque da minha loja, produto a produto, dia a dia, loja a loja. Isso gera muitos bytes de informação cotidianamente. “Por isso, o primeiro ponto é volume”, explica o responsável pela área de inovação e consultoria de análise de dados da Ekantika, Cesar Calvini Alminana.

Ele conta ainda que o segundo ponto, a velocidade, refere-se ao tempo para analisar os dados no momento correto, enquanto a variedade de informação faz com que o conceito deixe de ser uma tabela e passe a proporcionar uma gama de material para observação. “Para isso, tenho imagens, áudio, textos – formas variadas de analisar essas informações. É preciso ainda que assegure veracidade, porque isso também ajuda na tomada de decisão e define que caminho a empresa deve seguir. Por fim, é preciso extrair valor no momento certo e só assim será possível agregar ao negócio. Um erro muito comum é encarar o Big Data como uma grande tabela, quando é preciso encará-lo como urna filosofia que tem poder para auxiliar a política e a gestão de dados da empresa, completa Alminana.

A principal diferença entre big small data é justamente que um oferece uma quantidade de informações, enquanto o outro prefere organiza-las de modo a oferecer maior qualidade de dados. Mas a peça-chave desse fluxo de matéria prima é uma só: você. “O pensamento que distingue pequenos negócios de grandes negócios está balizado pelo critério: Faturamento bruto. Hoje. em todo o mundo, startups “roubam” postos de grandes negócios graças à agilidade e à capacidade de transformação. Independentemente de seu faturamento. Essa régua é um limitador conceitual. Na prática, empresas menores são mais velozes, podem se adaptar mais rápido e o risco de agir e errar é menor, afinal o tempo de recuperação é muito mais acelerado, ressalta o cientista-chefe na Cappra Data Science, Ricardo Cappra.

TORTURE OS DADOS

Colher e analisar dados do público tornou -se essencial para oferecer experiências assertivas em relação a seu produto ou serviço. O primeiro passo para iniciar esse processo é entender a realidade e o momento em que sua empresa está inserida. O contexto influencia a análise e é preciso que a pessoa que vai interpretar essa informação tenha total consciência de questões pessoais que possam influenciar erroneamente o resultado, o chamado viés inconsciente. De maneira simplificada, se sua Fanpage mostra que a maioria do público é formada por mulheres de 25 a 40 anos e você, particularmente, possui uma visão de que toda mulher dessa idade está em busca de casamento, pode realizar uma análise equivocada. Neste momento, liberte-se de suas convicções pessoais e leia outros gráficos que mostrem o comportamento real dessas mulheres, só assim vai entender com clareza o que seu público busca e como se comunicar com ele.

O segundo passo é olhar para a infra­estrutura que se tem dentro da empresa: para onde está indo e aonde quer chegar, como é feito o armazenamento de dados e que informações existem nesse banco? Pensar em tecnologia é fundamental, mas também é preciso estruturar como as áreas poderão utiliza as análises. “A TI tem um papel essencial, que vai além do suporte e da extração de dados pontuais: é uma TI inovadora que trabalha com pessoas que estão sempre pensando no próximo de acordo com o que os dados mostram”, explica César Alminana.

O especialista lembra que todos esses assuntos precisam ser democratizados já que o pequeno empreendedor pode e deve habitar o admirável mundo novo. “O pequeno empreendedor não precisa saber de tudo ao mesmo tempo, nem ter uma grande equipe multidisciplinar. Uma pequena equipe com conhecimento pode entregar pequenas caminhos que agreguem valor”, conta.

Quando você entende o potencial que tem nas mãos, consegue gerar oportunidades de monetização. Para ter uma ideia, um estudo feito no ano passado pela Frost & Sullivan mostrou que o Brasil é líder na América Latina no uso do Big Data, somando 45,8% do mercado e principalmente no segmento de varejo. Redes de supermercado, por exemplo, desenvolveram programas de fidelidade com base nas informações, o que auxilia a personalizar as ofertas para os clientes, gerando maior conversão de compra. “Uma grande parte do esforço técnico é realizada diretamente em nuvem, sem a necessidade de ter uma infraestrutura própria para utilizar essas tecnologias. Isso permite que empresas de pequeno porte sejam competitivas”, ressalta Cappra.

MAS QUE FERRAMENTAS EU USO?

Você pode começar da maneira mais simples: existindo nas redes sociais. Quando você gera conteúdo em ambientes como Facebook, Instagram, Twitter ou YouTube, tem acesso a um analytics gratuito que mostra o público e seus comportamentos – desde o básico até gostos pessoais que interferem na compra final. Além disso, o open source (código aberto) é o grande aliado de pequenas empresas que, com linguagens de programação simples e acessíveis, conseguem acessar ferramentas interligadas para resolver problemas complexos a um baixo custo. Portanto, investir em pessoas capacitadas de TI pode ser a grande chave de mudança do seu negócio.

Ricardo Cappra lembra que é preciso, contudo, organizar uma estratégia para uso de dados, identificando oportunidades analíticas e modelos de decisão. A partir daí, é hora de começar a construir essas ferramentas, com auxílio de uma simples planilha de Excel, por exemplo. O modelo de decisão construído (baseado em matemática e estatística) é o mais importante. “Depois, é necessário testar esses protótipos nas áreas de negócio – usar como um Produto Mínimo Viável (MVP) mesmo, entender o que funciona e o que é desnecessário no processo decisório. Depois disso tudo é hora de falar em tecnologia, pensar em banco de dados, ferramentas avançadas de análise e visualização da informação. O melhor uso de Big Data não tem relação com tecnologia, e sim com o que você vai fazer com aqueles dados, destaca.

A estrutura organizacional deve entender que é para todas as áreas: financeiro, TI, RH, enfim, todas conectadas a fim de tomar decisões que contribuam com o futuro do negócio. A empresa está preparada para se reciclar de forma rápida, dependendo dos dados que o Big Data oferece? “É preciso pensar em cada impacto que o uso de dados pode causar dentro das empresas e todos devem estar preparados para isso”, ressalta o responsável da Ekantika. O desafio é justamente entender a humanidade dos dados e, por isso, observar em volta é essencial.

 E O SMALL DATA?

Big Data é basicamente o que o Excel não resolve sozinho, um volume alto de informações, números e dados que chegam aos montes e sem uma estrutura estabelecida para depois ser distribuído em ferramentas de análise.

Small Data é quando você consegue enxugar essa nuvem de observações para algo mais palpável e com os dados que, de fato, merecem atenção para focar em suas análises.

GLOSSÁRIO

  • IoT (Internet das Coisas): uma extensão da Internet para objetos que podem entrar na conexão, como veículos ou prédios.
  • Algoritmo: fórmula matemática que executa determinada tarefa – um dos mais usados é aquele que cruza informações sobre o comportamento do usuário e entrega conteúdo de maneira personalizada.
  • I (Business Inteligence): conjunto de ferramentas que colabora com a análise de dados colhidos pelo Big Data para tomadas finais de decisão.
  • Cientista de dados: a profissão do futuro, na qual a pessoa analisa os dados armazenados.
  • Dados estruturados: informações que chegam de maneira organizada e possuem claros padrões.
  • Dados não estruturados: um pouco mais subjetivos, incluem imagens, áudios e vídeos, por exemplo, que devem ser observados com profundidade para uma melhor conclusão.
  • IA (Inteligência Artificial): sistemas como o robô Watson, da IBM, foram projetados não apenas para responder a questões como um computador comum. Mais do que isso, eles conseguem interpretar e fornecer respostas a questões subjetivas.
  • Dashboard: painéis para apresentação das informações e dados de maneira estruturada.

FERRAMENTAS QUE FAZEM A DIFERENÇA

PRIMEIRA FASE – O NEGÓCIO: Frameworks, dicas baseadas em Design Thinking e ferramentas que ajudem a estruturar Mapas de tomada de decisão (Mind Map).

SEGUNDA FASE – A CIÊNCIA: Modelos MatemÁtICOS – como Excel

TERCEIRA FASE – TECNOLOGIA: é hora de estruturar um banco de dados MySQL, Mongo DB, Hadoop, aplicar regras, modelagens e automações complexas através de R e Python, além da visualização da informação com as diversas bibliotecas que essas mesmas ferramentas carregam e estão disponíveis na Internet

A humanidade por trás dos dados.2 

BOA IDEIA!

Startup Minha Visita: a empresa gaúcha criou um software de gestão de equipes externas para aumentar a produtividade de vendedores. Com quase 20 mil usuários, o vendedor pode registrar em tempo real sua visita, fornecendo dados personalizados sobre o cliente.

Valuenet Incentive Solutions: desenvolve projetos personalizados para cada negócio a partir de    um mapeamento de contextos culturais e motivacionais. Esses dados podem influenciar comportamentos incentivados e monitorados.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.