ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 11: 33-44 – PARTE II

Alimento diário

 Cristo na sepultura de Lázaro. A Ressurreição de Lázaro

 

II – A aproximação de Cristo à sepultura, e a preparação que foi feita para a realização do milagre.

1. Cristo repete seus gemidos ao aproximar-se da sepultura (v. 38): “Jesus, pois, movendo-se outra vez muito em si mesmo, foi ao sepulcro”: Ele se moveu:

(1) Em desagrado pela descrença daqueles que falavam duvidando do seu poder, e o culpavam por não ter impedido a morte de Lázaro. Ele estava entristecido pela dureza dos seus corações. Ele nunca gemeu tanto pelas suas próprias dores e seus próprios sofrimentos como pelos pecados e pelas loucuras dos homens, particularmente os de Jerusalém, Mateus 23.37.

(2) Tocado pelos novos lamentos, que provavelmente as irmãs, em pranto, expressaram quando se aproximaram do sepulcro, mais apaixonadamente e de modo mais comovente do que antes, seu espírito gentil ficou sensivelmente comovido pelas suas lágrimas.

(3) Alguns pensam que Ele se moveu em espírito porque, para satisfazer o desejo dos seus amigos, Ele devia trazer Lázaro outra vez, daquele descanso no qual ele tinha acabado de entrar, para este mundo problemático e pecador. Seria um ato de benignidade para Marta e Maria, mas para Ele seria como atirar a um mar tempestuoso alguém que tinha acabado de chegar a um porto seguro e tranquilo. Se Lázaro tivesse sido deixado em paz, morto, Cristo rapidamente o teria encontrado no outro mundo. Mas ressuscitando-o, Cristo rapidamente o deixou para trás neste mundo.

(4) Cristo se moveu em espírito como alguém que sentia a situação calamitosa da natureza humana, sujeita à morte, da qual Ele estava prestes a resgatar Lázaro. Desta maneira, Ele se apegou fortemente a Deus, o Pai, na oração que iria fazer, oferecendo-a “com grande clamor e lágrimas”, Hebreus 5.7. Os ministros, quando são enviados a ressuscitar os mortos através da pregação do Evangelho, devem se sentir fortemente tocados pela condição deplorável daqueles a quem pregam e por quem oram, gemendo em espírito ao pensarem na situação destas pessoas.

2. O sepulcro onde estava Lázaro é aqui descrito: “era uma caverna e tinha uma pedra posta sobre ela”. Os sepulcros das pessoas comuns, provavelmente, eram escavados como são os nossos. Mas as pessoas de distinção eram, como acontece conosco, sepultadas em câmaras, como foi Lázaro, e assim era o sepulcro no qual Cristo foi sepultado. Provavelmente, este costume era mantido entre os judeus, imitando o costume dos patriarcas, que sepultavam seus mortos na caverna de Macpela, Génesis 23.19. Este cuidado com os corpos dos seus amigos evidencia a expectativa que tinham em relação à sua ressurreição. Eles consideravam que a solenidade do funeral terminava quando a pedra era rolada à sepultura, ou, como aqui, sobre ela, como aquela sobre a boca da cova onde Daniel foi lançado (Daniel 6.17), para que o propósito não pudesse ser alterado. Isto indica que os mortos estão separados dos vivos, e tomaram o caminho do qual não retornarão. Esta pedra provavelmente era uma lápide, que tinha sobre si uma inscrição que os gregos chamavam de mnemeion um lembrete, porque é, ao mesmo tempo, uma recordação do morto e uma lembrança para os vivos, fazendo com que se lembrem daquilo de que todos nós devemos nos lembrar. É chamada pelos latinos de Monumentum, et monendo, porque traz uma advertência.

3. São dadas ordens para a remoção da pedra (v. 39): “Tirai a pedra”. Ele queria a pedra removida para que todos os expectadores pudessem ver o corpo coloca do morto no sepulcro, e para que o caminho para sua saída fosse aberto, e para que ele pudesse se mostrar como um corpo verdadeiro, e não como um fantasma ou espectro. Ele queria que alguns dos servos a removessem, para que pudessem ser testemunhas, pelo cheiro da putrefação do corpo, que, portanto, estava verdadeiramente morto. É um bom passo em direção à ressurreição de uma alma à vida espiritual quando a pedra é removida, quando os preconceitos são removidos e ultrapassados, e quando se abre caminho para que a palavra chegue ao coração, para que possa realizar suas obras ali, e dizer o que tem que ser dito.

4. Uma objeção é feita, por Marta, contra a abertura do sepulcro: “Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias”. Ele já está há quatro dias no outro mundo. É um cidadão e habitante do sepulcro há quatro dias. Provavelmente, Marta percebeu que o corpo cheirava mal quando estavam removendo a pedra, e por isto clamou desta maneira.

(1) É fácil observar aqui a natureza dos corpos humanos: quatro dias representam apenas um curto período de tempo, mas uma grande mudança ocorrerá no corpo do homem, se ele ficar sem se alimentar durante este período. Quanto mais se ficar tanto tempo sem vida! Os cadáveres (diz o Dr. Hammond), depois de estacionados os fluidos, o que se conclui em 72 horas, naturalmente tendem à putrefação. E os judeus dizem que no quarto dia depois da morte o corpo já está tão alterado, que não se pode ter a certeza de que seja esta ou aquela pessoa. Cristo ressuscitou ao terceiro dia, porque não deveria ver a corrupção.

(2) Não é fácil deduzir qual era o objetivo de Marta ao dizer isto.

[1] Alguns pensam que ela disse isto com carinho, e como ensina a decência para com o corpo. Agora que ele tinha começado a putrefazer-se, ela não desejava que fosse exibido publicamente.

[2] Outros opinam que ela disse isto com uma preocupação por Cristo, para que o cheiro do corpo não fosse ofensivo a Ele. Aquilo que é muito asqueroso ou nocivo é comparado a um sepulcro aberto, Salmos 5.9. Ela não desejaria que seu Mestre estivesse perto de alguma coisa asquerosa ou nociva. Mas Ele não era destas pessoas ternas e delicadas que não podem suportar o mau cheiro. Se fosse, não poderia ter visitado o mundo da humanidade, que o pecado tinha transformado em um lugar imundo, completamente asqueroso, Salmos 14.3.

[3] Aparentemente, pela resposta de Cristo, esta era a linguagem da sua descrença e falta de confiança: “Senhor, é tarde demais para tentar fazer qualquer ato de bondade a ele. Seu corpo já começou a apodrecer, e é impossível que esta carcaça podre viva”. Ela acha que o caso do seu irmão é tão sem esperança quanto inútil, pois não tinha havido nenhum exemplo, nem recentemente nem antigamente, de qualquer pessoa que fosse ressuscitada depois de ter começado a ver corrupção. Quando nossos ossos se secam, nós estamos prontos para dizer: Nossa esperança está perdida. Mas estas palavras de incredulidade de Marta serviram para tornar o milagre mais evidente e, ao mesmo tempo, mais ilustre. Com tais palavras, fica claro que ele estava verdadeiramente morto, e não em transe, pois, embora a postura do cadáver pudesse ser fingida, o cheiro não poderia. A sugestão de Marta, de que nada mais poderia ser feito, honra ainda mais o precioso Senhor que realizou o milagre.

5. A gentil censura que Cristo fez a Marta, pela fraqueza da sua fé (v. 40): ” Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?” Estas palavras que Cristo menciona ter-lhe dito não tinham sido registradas antes. Ê provável que Ele tivesse dito estas palavras quando ela disse (v. 27): “Creio, Senhor”, e é suficiente que isto esteja registrado aqui, mostrando que o Senhor estava repetindo seu ensino a ela. Observe:

(1) Nosso Senhor Jesus nos deu todas as garantias imagináveis de que uma fé sincera será, no final, coroada com uma visão abençoa­ da: “Se você crer, verá as aparições gloriosas de Deus a você neste mundo, e também no outro”. Se aceitarmos a palavra de Cristo, e confiarmos no seu poder e na sua fidelidade, nós veremos a glória de Deus, e seremos felizes com a visão.

(2) Nós temos a necessidade de ser lembrados destas graças garantidas com que nosso Senhor Jesus nos encorajou. Cristo não dá uma resposta direta ao que Marta tinha dito, nem faz qualquer promessa especial quanto ao que Ele iria fazer, mas ordena que ela conserve as garantias gerais que Ele já tinha dado: “Crê somente”. Nós somos capazes de esquecer o que Cristo disse, e precisamos que Ele nos lembre pelo seu Espírito: “‘Não te hei dito’ isto e aquilo? E tu achas que Ele retirará o que disse?”

6. A abertura do sepulcro, em obediência às ordens de Cristo, apesar da objeção de Marta (v. 41): “Tiraram, pois, a pedra”. Quando Marta ficou satisfeita, e tinha desistido da sua objeção, eles prosseguiram. Se desejamos ver a glória de Deus, devemos permitir que Cristo tome seu próprio caminho, e não prescrever a Ele, mas sujeitarmo-nos a Ele. Eles tiraram a pedra, e isto era tudo o que podiam fazer. Somente Cristo podia dar a vida. O que o homem pode fazer é apenas preparar o caminho do Senhor, para encher os vales e abaixar os montes e outeiros, e, como aqui, remover a pedra.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.