GESTÃO E CARREIRA

SEMPRE É TEMPO DE COMEÇAR ALGO NOVO

A terceira idade está cada vez mais se abrindo para o mercado empreendedor e mostrando a que veio.

Sempre é tempo de começar algo novo

Você conhece Morgan Freeman? Ou melhor: você conhece o Morgan Freeman! Um dos principais nomes de Hollywood, o ator esteve em longas como Um Sonho de Liberdade, Todo Poderoso e Menina de Ouro. Nascido em 1937, ele atuou em seu primeiro filme apenas aos 43 anos, mas foi aos 50 que se tornou de fato reconhecido, com Armação Perigosa. Hoje aos 81, o ator é um clássico exemplo de que o sucesso não tem idade e sempre é tempo de começar algo novo.

O empreendedorismo na terceira idade cresceu. Uma pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), de 2017 mostrou que 10,3% dos brasileiros que estão iniciando um novo negócio têm entre 55 e 64 anos, somando 1.9 milhão de empreendedores. As razões podem variar. Ao mesmo tempo que o avanço tecnológico e da saúde permite uma qualidade de vida maior aos idosos, mudando a maneira como se comportam diante do mundo, o Brasil caminha para a velhice na pobreza – diferente de países desenvolvidos, que chegaram à “melhor idade” depois que enriqueceram. Isso significa que só a aposentadoria, que paga uma média de R$1.670, já não basta para quitar as contas no fim do mês.

Considerando que a Secretaria do Previdência Social tem mais de 19 milhões de aposentados registrados, com uma faixa etária média de 58 anos, o empreendedorismo torna-se a luz no fim do túnel para essas pessoas, que possuem ainda uma vantajosa experiência. “Em um curto espaço de oito anos, obtivemos um aumento superiora 70 % de empreendedores com mais de 55 anos. Isso mostra que a terceira idade traz iniciativa, auto- confiança e auto controle que se espera em um negócio, além da motivação para empreender”, conta a CEO do Grupo Capacitare, Leyla Nascimento. Ela explica ainda que a área de serviços tem sido a mais procurada, incluindo TI, Comunicação, Varejo, Engenharia, Entretenimento e Saúde.

O TEMPO É ESTE

Márcio Nogueira faz parte das estatísticas. Trabalhou por 42 anos na administração de uma empresa, aposentou-se e, aos 62, resolveu investir na rede de franquias com produtos de limpeza Ecoville. Quem auxiliou na nova etapa foi seu sobrinho de 40 anos, Saint Clair, que gerencia a unidade móvel em Campinas, interior de São Paulo. “Após me aposentar, procurava uma atividade com baixo investimento e que não me tomasse muito tempo. Assim, comecei a pesquisar oportunidades. A implantação foi mais trabalhosa do que esperava, mas conseguimos concluí-la no cronograma. Apesar dos treinamentos e conhecimentos em vendas que já tínhamos, precisávamos descobrir o caminho passo a passo, entender as necessidades dos clientes e oferecer os produtos certos. Hoje faço a gestão de casa e o Saint Clair faz vendais”. Apesar da bagagem em gestão, houve a necessidade de me adequar ao perfil do negócio em que estava investindo. Trouxe a experiência dos controles financeiros, de custos, de estoque, gestão de pessoas um pouco do comercial para minha empresa, conta.

Os resultados demoraram um pouco a chegar, mas vieram. Os erros do início, como estoque inadequado, colaboradores fora do perfil desejado e falta de conhecimento sobre as reais necessidades dos clientes, trouxeram aprendizados importantes para os 14 meses que seguiram. “Não é fácil ser empreendedor. Tem que ser idealista. Tudo o que lia na imprensa e na TV, agora posso comprovar na prática. Custo fixo, imposto, capital de giro, feriados, leis trabalhistas…Para tudo temos que ter entendimento e saber como contornar”, admite Nogueira.

O fundador e CEO da Ecoville, Leonardo Castelo destaca que sua rede de franqueados conta com muitos empreendedores nesta faixa etária.

Mas não são apenas as franquias que oferecem boas oportunidades. Segundo Leyla, startups não são exclusividade de uma população mais jovem. Com a horizontalização de organogramas do mundo corporativo e a revisão dos modelos de gestão, há cada vez mais busca por parceiros que tenham pequenos empreendimentos e uma vasta experiência. É nesse ponto que entram os colaboradores da terceira idade. “A estrutura enxuta e geradora de melhores resultados incentiva o aumento de empreendedores para dar suporte e apoio nas atividades das grandes e medias empresas”, completa.

MERCADO DE PORTAS ABERTAS

Joana Morales é uma dessas pessoas que arregaçaram a manga e provaram que a melhor hora para iniciar um negócio é sempre agora. Hoje, ela é dona da JoMorales Desenvolvimento Humano. “Desde 2012 atuando como inspetora institucional da Escola Municipal de Administração de São Paulo, fui incorporando novos projetos de cursos ao meu portfólio, entendendo a necessidade daquele órgão em oferecer oportunidade de crescimento aos servidores. Iniciei com uma apresentação de quatro horas de duração e cheguei a desenvolver doze horas. Sentindo necessidade de me aprimorar como instrutora, procurei o Coach, a Programação Neurolinguística – e mais recentemente – a formação como Facilitadora da metodologia The Inner Game, filosofia original do Coach”, conta.

Ela percebeu que os temas de seu trabalho despertavam o interesse de servidores e detectou que o serviço não era oferecido em suas unidades de trabalho. A brecha virou seu negócio e complemento de renda. “Hoje eu me vejo como mais uma mulher na luta para fortalecer o próprio negócio, conseguir clientes, aprimorando constantemente o produto, que no meu caso exige estudar constantemente. Mas, por outro lado, devido ao fato de ter a minha aposentadoria, sinto-me relativamente menos estressada do que se refere à urgência de obter resultados”, ressalta.

Além de saber detectar as chances de empreender no atual mercado, as pessoas da terceira idade possuem melhor capacidade de análise dos cenários corporativos, trabalham com planejamento e geração de resultados. Esse tipo de perfil ajuda a lidar melhor com as mudanças e impactos econômicos. Para Leyla, elas ainda conseguem se reinventar em processos e modelos de negócios, sendo flexíveis – porém assertivas. “Na maioria dos casos, os profissionais abrem suas empresas em áreas que já dominam. Isso facilita o seu planejamento e estimativa de resultados. A área de serviços ainda é a mais procurada para um empreendimento – exatamente nas demandas que as grandes empresas necessitam”, acrescenta.

 CONFLITO DE GERAÇÕES

A nova geração não sabe como era a vida desconectada. As crianças já se desenvolvem entendendo intuitivamente como funciona, por exemplo, o touch de um celular.  Já os pais delas cresceram nos anos 1990 e aprenderam a acessar seus sites favoritos e e-mail aos domingos, porque era mais barato o pulso da internet discada. Enquanto isso, os avós usavam telefone fixo e o WhatsApp nada mais era do que um encontro de domingo.

O que acontece quando todos esses contextos e construções pessoais sofrem uma intersecção no local de trabalho? “As novas tecnologias não foram problema. Costumo dizer que a minha geração foi a que mais sofreu, passando da máquina de escrever para o computador. Agora, é só dar continuidade. Quanto ao conflito de gerações, é algo saudável – pois aprendo e também ensino. “O conflito tornou-se a troca de experiências entre gerações”, comenta Márcio Nogueira. Já Joana sente que as novas tecnologias são um desafio constante, mas entende a necessidade de conhecer o quanto a comunicação, hoje, depende dessa rede de informação, ética nas relações e habilidades de se expressar de maneira adequada. “Acho que esse será um desafio constante. Dominar a tecnologia também exige um processo de aproximação dos novos paradigmas. Por observar a necessidade dos gestores do serviço público, com quem eu mais me relacionava, de entender as gerações mais novas, resolvi me aprofundar em um estudo sobre diferentes gerações que compõem hoje a força de trabalho. Como resultado, consegui conhecer, entender melhor o comportamento dos mais jovens, a começar pelos meus próprios filhos. Atualmente, temos um produto que apresento como “Gerações sem Conflitos”, acrescenta.

O QUE EU FAÇO PARA COMEÇAR?

Primeiro, escolha um segmento que você já domine os principais desafios e características. Mesmo assim, pesquise como as empresas do setor têm se comportado e atualize seu repertório. Fazer um benchmarking também é fundamental – isso significa conhecer e aplicar as melhores práticas relacionadas ao negócio que você escolheu. Fique atento! Verifique ainda seus recursos financeiros para investimento e tenha um Plano de Negócios elaborado com previsões, cenários e variáveis.

Acompanhar o cenário econômico é também essencial – por exemplo, meu negócio depende de compra e venda em dólar? Se sim, todo cuidado é pouco. Se a empresa necessita de contratação de um número considerável de profissionais, é preciso orçar bem, uma vez que os tributos no Brasil são altos. Por outro lado, nosso País tem um enorme potencial para o empreendedorismo em áreas que apresentam forte crescimento. “É bom lembrar que, nas crises, obtemos também grandes oportunidades”, explica Leyla.

Leonardo Castelo acrescenta que é comum o empreendedor estar acostumado a um mundo corporativo, com hierarquias e maneiras tradicionais de atuação. “Mas é importante que ele saiba que, ao abrir uma empresa, precisará desempenhar o papel de presidente e funcionário ao mesmo tempo, principalmente no início do projeto. É preciso ainda mudar a mentalidade de empregado para empreendedor, o que significa resolver questões mais complexas, buscar alternativas e arcar com custos”, finaliza.

PARA LIDAR COM OS CONFLITOS

  • ESTEJA aberto ao novo
  • ENTENDA que sua experiência é importante, mas que vive outras experiências também.
  • ESTUDE o atual cenário e como sua expertise se encaixa nele.
  • OUÇA o que o colaborador mais novo tem a dizer a respeito de inovação e criatividade.
  • NÃO IGNORE as redes sociais.
  • INVISTA em aprender sobre novas tecnologias.
  • ACRESCENTE as novas ferramentas gradativamente à sua rotina.
  • COMUNIQUE-SE! Seja claro ao transmitir uma informação.
  • PARTICIPE de projetos que desenvolvam seu potencial.
  • O COMPARTILAMENTO é um dos importantes pilares da nova geração. Procure saber como funciona.

RIO +60

Realizado no bairro de Botafogo, em agosto de 2018, o Rio +60 é o primeiro evento focado em envelhecimento ativo e saudável. Além de palestras que vão de saúde à empreendedorismo, trouxe laboratórios sobre novas ferramentas tecnológicas. As idealizadoras Leila Victor e Wanessa Nemer destacam que a nova terceira idade tem desvinculado o envelhecimento da ideia de recolhimento e improdutividade. “Estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (ipea) mostra que os trabalhadores seniores estão retardando a saída ou retomando ao mercado de trabalho. Entre os motivos estão a expectativa de vida ampliada, a necessidade de garantir a renda familiar e a falta de planejamento financeiro adequado”, explica Wanessa Nemer.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.