PSICOLOGIA ANALÍTICA

VANTAGEM EVOLUTIVA

Comportamento de dominância mantém-se até mesmo fora das competições sociais.

Vantagem evolutiva

Sabe-se há algum tempo que indivíduos chamados “dominantes” tendem a subir mais alto em hierarquias diversas. Trata-se daquele indivíduo que, comumente, é mais hábil em tomar a frente das situações em relação aos seus pares, sendo o primeiro a tomar decisões e chegar aos recursos que lhe garantam o referido destaque e, consequentemente, a sobrevivência. Uma vantagem evolutiva.

O que não se sabia era se esses sujeitos seriam capazes de tomar decisões mais rapidamente, exibindo o comportamento relacionado à dominância fora de um contexto social, sem que houvesse algum tipo de competição entre dois ou mais indivíduos. Algo que se mostrou, pela primeira vez, interligado, segundo estudo publicado recentemente na revista Cerebral Córtex.

A pesquisa envolveu 240 estudantes do sexo masculino, classificados em grupos de alta ou baixa dominância por um questionário padrão de “pontuação de dominância” que foi validado em estudos anteriores. A velocidade de tomada de decisão foi medida com cinco experimentos que avaliaram sua memória e capacidade de reconhecimento visual, sua capacidade de distinguir emoções, o aprendizado de rotas entre eles e, por fim, sua capacidade de resposta

A primeira tarefa envolveu a discriminação entre emoções vistas em várias imagens de rostos. Então eles se mudaram para uma tarefa de memória e reconhecimento, na qual foram solicitados a lembrar e reconhecer uma série de rostos. O terceiro experimento fez com que os participantes tivessem de se lembrar de um percurso, e o quarto, om experimento de controle, fez com que os participantes batessem na barra de espaço de um teclado assim que vissem um quadrado cinza na tela. Nesta parte do estudo, nenhum dos dois grupos parecia ser mais rápido que o outro.

Num quinto experimento, sinais neurais foram avaliados por exame de eletroencefalograma (EEG), com base na rapidez da realização das tarefas propostas: distinguir imagens de rostos felizes daqueles tristes e, em seguida, de rostos com raiva e neutro. A prontidão para responder, nesse momento, foi acompanhada por um sinal cerebral notavelmente amplificado em torno de 240 milisegundos em homens de alta dominância.

OUTROS OLHARES

QUEBRANDO A CARA

A técnica do reconhecimento de rostos, aposta para flagrar criminosos nas ruas, tem falhado mais do que o esperado e confunde a maioria dos inocentes com bandidos.

Quebrando a cara

O filme de 1985 do americano Terry Gilliam, a distopia futurista Brazil – que não faz referência direta ao país, mas ao gingado da música brasileira -, traz um protagonista, Buttle, que é preso erroneamente depois que um sistema automatizado de identificação do governo ditatorial o confunde com um bandido foragido. Roteiros de ficção científica costumam prever tecnologias que mais tarde se tornam rotineiras. Foi assim com a inteligência artificial, com os carros autônomos, com os smartphones, todas essas inovações imaginadas previamente em livros e no cinema. Agora, o amanhã torto descrito em Brazil começou ase concretizar. Descobriu-se que sistemas de reconhecimento facial utilizados na China para flagrar criminosos são muito menos precisos do que o celebrado pelo Partido Comunista.

A potência asiática é pioneira no uso dessa tecnologia em larga escala. Desde 2015, uma rede de 170 milhões de câmeras de segurança foi espalhada por vias públicas. Por meio de um banco de dados com 1,3 bilhão de fotos de rostos, o governo alega conseguir identificar até 700 milhões de cidadãos, com precisão que ultrapassa 80% de acerto. A China ainda informa que, após uma primeira abordagem de um suspeito, o cruzamento de informações extras de seus sistemas elevaria a probabilidade de correção para 97%. Mas não é bem assim.

Levantamentos recentes escancararam a fragilidade do mecanismo. As autoridades chinesas teriam mentido, falsificando os dados, o que não é lá grande novidade. No ano passado, o Reino Unido passou a testar a mesma técnica de identificação facial no País de Gales. Os resultados foram tenebrosos: de 2.470 alertas de detecção de suspeitos de crimes, 90% eram falhos. Em Londres, o mesmo programa foi usado em eventos de grande público, como partidas de futebol, com taxa de 98% de falso-positivos.

Nos Estados Unidos, a inovação começou a ser testada pela Amazon. No entanto, antes mesmo de algumas cidades adotarem o sistema, a União Americana para as Liberdades Civis (Aclu, na sigla em inglês) protestou. A entidade fez a contraprova da tecnologia de forma inusitada: cruzou as fotos de todos os 535 senadores e deputados federais com as imagens de 25.000 criminosos arquivadas num banco de dados. A falha foi grotesca, visto que 28 dos legisladores foram reconhecidos como bandidos – e nenhum dos parlamentares, diga-se, era foragido da Justiça.

Espera-se que a tecnologia evolua, como sempre. Contudo, é perigosa a forma como o aprimoramento deve ocorrer. Para a identificação ter índice de acerto superior, é crucial que o banco de retratos usado como base seja ampliado. Uma taxa de precisão de quase 100% só seria possível, em teoria, se fosse escaneada a face de todos os cidadãos, incluindo aí a maioria inocente. Uma invasão de privacidade que já ocorre sem que se perceba. Explica o engenheiro José Guerreiro, chefe de tecnologia da brasileira FullFace, fornecedora do programa de reconhecimento facial da polícia de São Paulo: “Ao cederem imagens a uma empresa como o Google ou o Facebook, essas companhias têm o direito de repassá-las para as autoridades”. Em outras palavras, as fotos nas redes sociais podem em breve ser usadas para fichamento na polícia.

Nos Estados Unidos, um relatório do Center on Privacy and Technology (Centro de Privacidade e Tecnologia) da Faculdade de Direito de Georgetown, mostrou que, no ano passado, esse método já possibilitaria que 117 milhões de americanos, entre a população de 325 milhões, tivessem o rosto digitalizado pelo governo. Uma distopia como a de Brazil parece cada vez mais próxima da realidade.

Quebrando a cara. 2

GESTÃO E CARREIRA

SEMPRE É TEMPO DE COMEÇAR ALGO NOVO

A terceira idade está cada vez mais se abrindo para o mercado empreendedor e mostrando a que veio.

Sempre é tempo de começar algo novo

Você conhece Morgan Freeman? Ou melhor: você conhece o Morgan Freeman! Um dos principais nomes de Hollywood, o ator esteve em longas como Um Sonho de Liberdade, Todo Poderoso e Menina de Ouro. Nascido em 1937, ele atuou em seu primeiro filme apenas aos 43 anos, mas foi aos 50 que se tornou de fato reconhecido, com Armação Perigosa. Hoje aos 81, o ator é um clássico exemplo de que o sucesso não tem idade e sempre é tempo de começar algo novo.

O empreendedorismo na terceira idade cresceu. Uma pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), de 2017 mostrou que 10,3% dos brasileiros que estão iniciando um novo negócio têm entre 55 e 64 anos, somando 1.9 milhão de empreendedores. As razões podem variar. Ao mesmo tempo que o avanço tecnológico e da saúde permite uma qualidade de vida maior aos idosos, mudando a maneira como se comportam diante do mundo, o Brasil caminha para a velhice na pobreza – diferente de países desenvolvidos, que chegaram à “melhor idade” depois que enriqueceram. Isso significa que só a aposentadoria, que paga uma média de R$1.670, já não basta para quitar as contas no fim do mês.

Considerando que a Secretaria do Previdência Social tem mais de 19 milhões de aposentados registrados, com uma faixa etária média de 58 anos, o empreendedorismo torna-se a luz no fim do túnel para essas pessoas, que possuem ainda uma vantajosa experiência. “Em um curto espaço de oito anos, obtivemos um aumento superiora 70 % de empreendedores com mais de 55 anos. Isso mostra que a terceira idade traz iniciativa, auto- confiança e auto controle que se espera em um negócio, além da motivação para empreender”, conta a CEO do Grupo Capacitare, Leyla Nascimento. Ela explica ainda que a área de serviços tem sido a mais procurada, incluindo TI, Comunicação, Varejo, Engenharia, Entretenimento e Saúde.

O TEMPO É ESTE

Márcio Nogueira faz parte das estatísticas. Trabalhou por 42 anos na administração de uma empresa, aposentou-se e, aos 62, resolveu investir na rede de franquias com produtos de limpeza Ecoville. Quem auxiliou na nova etapa foi seu sobrinho de 40 anos, Saint Clair, que gerencia a unidade móvel em Campinas, interior de São Paulo. “Após me aposentar, procurava uma atividade com baixo investimento e que não me tomasse muito tempo. Assim, comecei a pesquisar oportunidades. A implantação foi mais trabalhosa do que esperava, mas conseguimos concluí-la no cronograma. Apesar dos treinamentos e conhecimentos em vendas que já tínhamos, precisávamos descobrir o caminho passo a passo, entender as necessidades dos clientes e oferecer os produtos certos. Hoje faço a gestão de casa e o Saint Clair faz vendais”. Apesar da bagagem em gestão, houve a necessidade de me adequar ao perfil do negócio em que estava investindo. Trouxe a experiência dos controles financeiros, de custos, de estoque, gestão de pessoas um pouco do comercial para minha empresa, conta.

Os resultados demoraram um pouco a chegar, mas vieram. Os erros do início, como estoque inadequado, colaboradores fora do perfil desejado e falta de conhecimento sobre as reais necessidades dos clientes, trouxeram aprendizados importantes para os 14 meses que seguiram. “Não é fácil ser empreendedor. Tem que ser idealista. Tudo o que lia na imprensa e na TV, agora posso comprovar na prática. Custo fixo, imposto, capital de giro, feriados, leis trabalhistas…Para tudo temos que ter entendimento e saber como contornar”, admite Nogueira.

O fundador e CEO da Ecoville, Leonardo Castelo destaca que sua rede de franqueados conta com muitos empreendedores nesta faixa etária.

Mas não são apenas as franquias que oferecem boas oportunidades. Segundo Leyla, startups não são exclusividade de uma população mais jovem. Com a horizontalização de organogramas do mundo corporativo e a revisão dos modelos de gestão, há cada vez mais busca por parceiros que tenham pequenos empreendimentos e uma vasta experiência. É nesse ponto que entram os colaboradores da terceira idade. “A estrutura enxuta e geradora de melhores resultados incentiva o aumento de empreendedores para dar suporte e apoio nas atividades das grandes e medias empresas”, completa.

MERCADO DE PORTAS ABERTAS

Joana Morales é uma dessas pessoas que arregaçaram a manga e provaram que a melhor hora para iniciar um negócio é sempre agora. Hoje, ela é dona da JoMorales Desenvolvimento Humano. “Desde 2012 atuando como inspetora institucional da Escola Municipal de Administração de São Paulo, fui incorporando novos projetos de cursos ao meu portfólio, entendendo a necessidade daquele órgão em oferecer oportunidade de crescimento aos servidores. Iniciei com uma apresentação de quatro horas de duração e cheguei a desenvolver doze horas. Sentindo necessidade de me aprimorar como instrutora, procurei o Coach, a Programação Neurolinguística – e mais recentemente – a formação como Facilitadora da metodologia The Inner Game, filosofia original do Coach”, conta.

Ela percebeu que os temas de seu trabalho despertavam o interesse de servidores e detectou que o serviço não era oferecido em suas unidades de trabalho. A brecha virou seu negócio e complemento de renda. “Hoje eu me vejo como mais uma mulher na luta para fortalecer o próprio negócio, conseguir clientes, aprimorando constantemente o produto, que no meu caso exige estudar constantemente. Mas, por outro lado, devido ao fato de ter a minha aposentadoria, sinto-me relativamente menos estressada do que se refere à urgência de obter resultados”, ressalta.

Além de saber detectar as chances de empreender no atual mercado, as pessoas da terceira idade possuem melhor capacidade de análise dos cenários corporativos, trabalham com planejamento e geração de resultados. Esse tipo de perfil ajuda a lidar melhor com as mudanças e impactos econômicos. Para Leyla, elas ainda conseguem se reinventar em processos e modelos de negócios, sendo flexíveis – porém assertivas. “Na maioria dos casos, os profissionais abrem suas empresas em áreas que já dominam. Isso facilita o seu planejamento e estimativa de resultados. A área de serviços ainda é a mais procurada para um empreendimento – exatamente nas demandas que as grandes empresas necessitam”, acrescenta.

 CONFLITO DE GERAÇÕES

A nova geração não sabe como era a vida desconectada. As crianças já se desenvolvem entendendo intuitivamente como funciona, por exemplo, o touch de um celular.  Já os pais delas cresceram nos anos 1990 e aprenderam a acessar seus sites favoritos e e-mail aos domingos, porque era mais barato o pulso da internet discada. Enquanto isso, os avós usavam telefone fixo e o WhatsApp nada mais era do que um encontro de domingo.

O que acontece quando todos esses contextos e construções pessoais sofrem uma intersecção no local de trabalho? “As novas tecnologias não foram problema. Costumo dizer que a minha geração foi a que mais sofreu, passando da máquina de escrever para o computador. Agora, é só dar continuidade. Quanto ao conflito de gerações, é algo saudável – pois aprendo e também ensino. “O conflito tornou-se a troca de experiências entre gerações”, comenta Márcio Nogueira. Já Joana sente que as novas tecnologias são um desafio constante, mas entende a necessidade de conhecer o quanto a comunicação, hoje, depende dessa rede de informação, ética nas relações e habilidades de se expressar de maneira adequada. “Acho que esse será um desafio constante. Dominar a tecnologia também exige um processo de aproximação dos novos paradigmas. Por observar a necessidade dos gestores do serviço público, com quem eu mais me relacionava, de entender as gerações mais novas, resolvi me aprofundar em um estudo sobre diferentes gerações que compõem hoje a força de trabalho. Como resultado, consegui conhecer, entender melhor o comportamento dos mais jovens, a começar pelos meus próprios filhos. Atualmente, temos um produto que apresento como “Gerações sem Conflitos”, acrescenta.

O QUE EU FAÇO PARA COMEÇAR?

Primeiro, escolha um segmento que você já domine os principais desafios e características. Mesmo assim, pesquise como as empresas do setor têm se comportado e atualize seu repertório. Fazer um benchmarking também é fundamental – isso significa conhecer e aplicar as melhores práticas relacionadas ao negócio que você escolheu. Fique atento! Verifique ainda seus recursos financeiros para investimento e tenha um Plano de Negócios elaborado com previsões, cenários e variáveis.

Acompanhar o cenário econômico é também essencial – por exemplo, meu negócio depende de compra e venda em dólar? Se sim, todo cuidado é pouco. Se a empresa necessita de contratação de um número considerável de profissionais, é preciso orçar bem, uma vez que os tributos no Brasil são altos. Por outro lado, nosso País tem um enorme potencial para o empreendedorismo em áreas que apresentam forte crescimento. “É bom lembrar que, nas crises, obtemos também grandes oportunidades”, explica Leyla.

Leonardo Castelo acrescenta que é comum o empreendedor estar acostumado a um mundo corporativo, com hierarquias e maneiras tradicionais de atuação. “Mas é importante que ele saiba que, ao abrir uma empresa, precisará desempenhar o papel de presidente e funcionário ao mesmo tempo, principalmente no início do projeto. É preciso ainda mudar a mentalidade de empregado para empreendedor, o que significa resolver questões mais complexas, buscar alternativas e arcar com custos”, finaliza.

PARA LIDAR COM OS CONFLITOS

  • ESTEJA aberto ao novo
  • ENTENDA que sua experiência é importante, mas que vive outras experiências também.
  • ESTUDE o atual cenário e como sua expertise se encaixa nele.
  • OUÇA o que o colaborador mais novo tem a dizer a respeito de inovação e criatividade.
  • NÃO IGNORE as redes sociais.
  • INVISTA em aprender sobre novas tecnologias.
  • ACRESCENTE as novas ferramentas gradativamente à sua rotina.
  • COMUNIQUE-SE! Seja claro ao transmitir uma informação.
  • PARTICIPE de projetos que desenvolvam seu potencial.
  • O COMPARTILAMENTO é um dos importantes pilares da nova geração. Procure saber como funciona.

RIO +60

Realizado no bairro de Botafogo, em agosto de 2018, o Rio +60 é o primeiro evento focado em envelhecimento ativo e saudável. Além de palestras que vão de saúde à empreendedorismo, trouxe laboratórios sobre novas ferramentas tecnológicas. As idealizadoras Leila Victor e Wanessa Nemer destacam que a nova terceira idade tem desvinculado o envelhecimento da ideia de recolhimento e improdutividade. “Estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (ipea) mostra que os trabalhadores seniores estão retardando a saída ou retomando ao mercado de trabalho. Entre os motivos estão a expectativa de vida ampliada, a necessidade de garantir a renda familiar e a falta de planejamento financeiro adequado”, explica Wanessa Nemer.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 11: 33-44 – PARTE I

Alimento diário

 Cristo na sepultura de Lázaro. A Ressurreição de Lázaro

 

Aqui temos:

I – A gentil compaixão de Cristo pelos seus amigos aflitos, e a participação que Ele assumia nos seus sofrimentos, o que era evidenciado de três maneiras:

1. Pela perturbação e pelos gemidos internos do seu Espírito (v. 33): Jesus viu Maria chorando pela perda de um irmão amado, e também chorando os judeus que com ela vinham, pela perda de um bom vizinho e amigo. Quando Ele viu que este era um lugar de enlutados em lágrimas, “moveu-se muito em espírito e perturbou-se”. Veja aqui:

(1) As tristezas dos filhos dos homens, representadas nas lágrimas de Maria e seus amigos. Que símbolo havia aqui deste mundo, este vale de lágrimas! A própria natureza nos ensina a chorar pelos nossos parentes e amigos queridos, quando são removidos pela morte. A Providência, consequentemente, convoca às lágrimas e ao pranto. É provável que as propriedades de Lázaro fossem transferidas para suas irmãs, e seriam, assim, um acréscimo considerável às suas fortunas. E em um caso como este, as pessoas dizem, atualmente, que, embora não possam desejar a morte de seus parentes (isto é, não dizem que desejam), ainda assim, se estiverem mortos, não desejam que vivam novamente. Mas estas irmãs, não importando o que recebessem com a morte do seu ir­ mão, sinceramente desejavam vê-lo vivo novamente. O Evangelho nos ensina, da mesma maneira, a chorar com aqueles que choram, como estes judeus choravam com Maria, considerando que nós estamos no mesmo corpo. Aqueles que amam verdadeiramente seus amigos irão compartilhar com eles suas alegrias e tristezas, pois o que é a amizade, senão uma comunicação de afetos? Jó 16.5.

(2) A graça do Filho de Deus e sua compaixão por aqueles que estão em sofrimento. “Em toda a angústia deles foi ele angustiado”, Isaías 63.9; Juízes 10.16. Quando Cristo viu a todos eles em lágrimas:

[1] Ele “moveu-se muito em espírito”. Ele permitiu ser tentado (como nós somos, quando perturbados por alguma grande aflição), mas sem pecado. Isto foi uma expressão, ou, em primeiro lugar, do seu desprazer com a tristeza desenfreada das pessoas que estavam ao seu redor, como em Marcos 5.39: “‘Por que vos alvoroçais e chorais?’ Que confusão há por aqui! Será isto conveniente àqueles que creem em Deus, no céu e no outro mundo?” Ou, em segundo lugar, da sua percepção da condição calamitosa em que se encontram os seres humanos, e do poder da morte, ao qual o homem caído está sujeito. Tendo agora que fazer um vigoroso ataque à morte e à sepultura, Ele se agitou para o encontro, “tomou vestes de vingança por vestidura”, e seu furor o susteve. E para poder, mais resolutamente, empreender a tarefa de reparar nossos erros, e curar nossas tristezas, Ele ficou feliz por se sensibilizar diante da importância da obra, e sob seu peso Ele agora “moveu-se muito em espírito”. Ou, em terceiro lugar, foi uma expressão da sua bondosa compaixão pelos seus amigos que sofriam. Aqui havia o ressoar das entranhas e das misericórdias que a igreja aflita tão fervorosamente solicita, Isaías 63.15. Cristo não somente parecia preocupado, mas “moveu-se em espírito”. Ele estava internamente e sinceramente afetado pelo caso. Os falsos amigos de Davi fingiram compaixão, para disfarçar sua inimizade (Salmos 41.6), mas nós devemos aprender com Cristo a ter amor e compaixão sem fingimentos. A comoção de Cristo era profunda e sincera.

[2] Ele “perturbou-se”. Ele se perturbou. É isto que a expressão quer dizer, de maneira muito significativa.

Ele tinha todas as paixões e afeições da natureza humana, pois “convinha que, em tudo, fosse semelhante aos irmãos”, mas Ele tinha um perfeito domínio sobre elas, de modo que elas nunca afloravam, exceto quando e como solicitadas. O Senhor nunca ficava nervoso ou perturbado, exceto quando Ele se perturbava, quando havia motivo para tal. Ele sempre se controlava em meio aos problemas, nunca se descompunha ou se descontrolava por eles. Ele era voluntário, tanto na sua paixão quanto na sua compaixão. Ele tinha poder para expressar sua tristeza, e poder para refreá-la.

2. A preocupação de Jesus por eles foi demonstrada pela sua gentil pergunta sobre os pobres restos do seu amigo falecido (v.34): “Onde o pusestes?” Ele sabia onde o amigo estava, e ainda assim perguntou, porque:

(1) Desta maneira, Ele se expressava como um homem, mesmo quando estava prestes a exercer seu poder, na qualidade de Deus. Estando na forma de homem, Ele se acomodava aos costumes dos filhos dos homens: Ele não é ignorante, mas age como os filhos dos homens.

(2) Ele perguntou onde estava a sepultura, pois, se tivesse ido até lá, com seu próprio conhecimento, os judeus descrentes teriam oportunidade para suspeitar de uma aliança entre Ele e Lázaro, e um truque na situação. Muitos intérpretes observam isto, com base em Crisóstomo.

(3) Desta maneira, Ele desejava desviar a tristeza dos seus amigos entristecidos, despertando suas expectativas de algo grandioso, como se Ele tivesse dito: “Eu não vim para cá para trazer condolências, para mesclar algumas lágrimas insignificantes e infrutíferas com as suas. Não. Eu tenho outro trabalho para fazer. Vamos, vamos até a sepultura fazer o que tenho que fazer ali”. Observe que uma dedicação séria ao nosso trabalho é o melhor remédio contra a tristeza desenfreada.

(4) Desta maneira, Ele nos evidencia o cuidado especial que tem com os corpos dos santos, enquanto estão nas sepulturas. Ele tem conhecimento de onde eles estão, e cuida deles. Não há somente um concerto com o pó, mas ele é guardado.

3. Isto ficou evidenciado pelas suas lágrimas. Aqueles que estavam junto dele não lhe disseram onde o corpo havia sido sepultado, mas desejaram que Ele viesse e visse, e o conduziram diretamente à sepultura, para que seus olhos pudessem afetar ainda mais seu coração com a calamidade.

(1) Enquanto ia para a sepultura, como se estivesse seguindo o cadáver até ali, “Jesus chorou”, v. 35. Um versículo muito curto, mas que contém muitas instruções úteis.

[1] Que Jesus Cristo era realmente e verdadeiramente homem, e compartilhava com os filhos, não somente a carne e o sangue, mas a alma humana, sendo suscetível às impressões de alegria, e tristeza, e outros sentimentos. Cristo deu esta prova da sua humanidade, nos dois sentidos da palavra. Como homem, Ele podia chorar, e como um homem misericordioso, choraria, antes que desse esta prova da sua divindade.

[2] Que Ele era um homem de dores, e familiarizado com as tristezas, como tinha sido predito, Isaías 53.3. Nunca lemos que Ele tivesse rido, porém mais de uma vez nós ovemos em lágrimas. Desta maneira, Ele mostra não somente que um estado desolado é coerente com o amor de Deus, mas que aqueles que semeiam no Espírito devem semear em lágrimas.

[3] Lágrimas de compaixão são bastante apropriadas aos cristãos, e os tornam mais parecidos com Cristo. Ê um alívio para aqueles que estão sofrendo, ter a compaixão dos seus amigos, especialmente a de um amigo como seu Senhor Jesus.

(2) Diferentes interpretações são atribuídas às lagrimas de Cristo.

[1] Alguns interpretam de uma maneira gentil e justa, e muito natural, (v. 36): “Disseram, pois, os judeus: Vede como o amava”. Eles parecem admirar-se que Ele tivesse uma afeição tão forte por alguém que não era seu parente, e com quem não tinha tido uma longa convivência, pois Cristo passava a maior parte do tempo na Galileia, muito distante de Betânia. É apropriado que nós, seguindo este exemplo de Cristo, mostremos nosso amor pelos nossos amigos, tanto vivos quanto mortos. Nós devemos lamentar pelos nossos ir­ mãos que dormem em Jesus como aqueles que estão cheios de amor, embora não estejamos sem esperança, como os varões piedosos que sepultaram Estêvão, Atos 8.2. Embora nossas lágrimas não tragam nenhum benefício para os mortos, elas conservam a lembrança deles. Estas lágrimas de Jesus eram sinais do seu amor particular por Lázaro, mas Ele deu provas de uma evidência nada menor do seu amor por todos os santos ao morrer por eles. Quando Ele derramou apenas algumas lágrimas por Lázaro, eles disseram: “Vede como o amava”. Muito mais razão temos nós para dizer isto daquele que deu sua vida por nós: Veja como Ele nos amou! Ninguém tem maior amor do que este.

[2] Outros fazem uma reflexão irritante e injusta sobre isto, como se estas lágrimas evidenciassem sua incapacidade de ajudar seu amigo (v. 37): “Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também com que este não morresse?” Aqui há uma insinuação maliciosa, em primeiro lugar; de que uma vez que a morte de Lázaro era (como evidenciavam as lágrimas de Jesus) uma grande tristeza para Ele, se pudesse tê-la evitado, Ele o teria feito, e, portanto, como Ele não o fez, eles se inclinam a pensar que Ele não podia fazê-lo, da mesma maneira como, quando Ele estava morrendo, concluíram que Ele não podia se salvar, porque não o fez e não desceu da cruz. Eles não levaram em consideração que o poder divino é sempre orientado, nas suas operações, pela sabedoria divina, não meramente de acordo com sua vontade, mas de acordo com o conselho da sua vontade. A esta, convém nos sempre aquiescer. Se os amigos de Cristo, a quem Ele ama, morrem, se sua igreja, a quem Ele ama, é perseguida e afligida, nós não devemos atribuir isto a nenhuma falha no seu poder ou amor, mas concluir que isto se deve ao fato de Ele considerar que é o melhor. Em segundo lugar, que, portanto, poderia ser questionado, com razão, se Ele realmente tinha aberto os olhos do cego, isto é, se isto não tinha sido uma simulação. Eles julgaram que o fato de que Ele não realizasse este milagre era suficiente para invalidar o anterior. Pelo menos, dava a entender que Ele tinha um poder limitado, e, portanto, não divino. Ressuscitando Lázaro, o que era o maior milagre, Cristo logo convenceu estes murmuradores de que Ele poderia ter evitado sua morte, mas não o fez porque desejava ser ainda mais glorificado.