PSICOLOGIA ANALÍTICA

VOCÊ SABE SE DIVERTIR?

Somos tachados como membros de uma sociedade do prazer. Contudo, se analisarmos bem, ainda temos muito a aprender sobre essa temática.

Você sabe se divertir

Responda-me sincera e rapidamente: tirando a televisão, o que você costuma fazer para se divertir? Engasgou? Se engasgou ou demorou para responder, isso já é um dado importante a ser considerado.

Analisando o comportamento de consumo, muitas vezes classificamos a sociedade atual como uma sociedade de prazeres. Contudo, considero um tremendo contrassenso que nessa mesma sociedade a esmagadora maioria das pessoas se limite a ver televisão para se divertir, um quadro que tende a se agravar em função do aumento da idade dos envolvidos. Parece haver uma espécie de preguiça crônica que impede as pessoas de investirem (tempo, dinheiro, energia) na sua própria diversão. É sempre mais prático se jogar no sofá e ficar passivamente assistindo a programas de qualidade duvidosa ou filmes cujo final se revela nos cinco primeiros minutos de exibição.

Acho graça quando, em uma roda de conversa, alguém me fala alguma coisa sobre uma novela. Inicialmente é sempre constrangedor dizer que não assisto a novelas (aparentemente se trata de um comportamento pedante – ou mentiroso – de minha parte, na visão da maioria). A parte engraçada é quando a pessoa que puxou o assunto diz: “Eu também não gosto de novela. Só estou assistindo essa”. ”Mas se você não gosta, por que, raios, assiste?” – penso, resignada, cá com meus botões que, com a maturidade, têm se tornado cada vez mais meus grandes aliados. O fato é que embora haja aqueles que gostam da novela, muitos a assistem sem gostar, simplesmente porque lhes é cômodo.

É por isso que estou certa que enquanto membros de uma sociedade do prazer, temos ainda muito a aprender sobre o tema.

Dia desses recebi um texto sensacional, atribuído a uma arquiteta chamada Mônica Moro Harguer. O texto, sem rodeios, trazia seu título ou imperativo: “Vá aos encontros felizes”. Isso já me cativou. Ao longo do texto e de forma clara e simples, a autora nos conduzia a uma reflexão importantíssima que gostaria de aqui compartilhar. Dizia ela:

“Vá aos encontros felizes”, eu sempre penso. Pode ser complicado, difícil, caro. Pode ser uma viagem longa (ou até pode ser ali do lado, mas bate aquela vontade de sofá). “Vá!” Tem festa de 80 anos da tia? “Vá!” Aniversário do filho dos amigos? “Vá!” Encontro de 20 anos da sua formatura? “Vá!” Amigo secreto das amigas de infância, casamento do primo, show da sua banda preferida? “Vá!” Pega o carro, o ônibus, o avião, pega carona! Fica no hotel, na tia, agora tem Air-bnb! Parcela a passagem, combina com a sócia uns dias de folga, dá um jeito! Sabe por quê? Porque nos encontros tristes você irá. Quando alguém morre todos vão. Por protocolo, por obrigação ou por amor (e dor). As pessoas vão, se esforçam. Pedem folga no trabalho, deixam as crianças com a avó, levam as crianças, cancelam a reunião, transferem as entregas. E lodos se reúnem e se abraçam e choram juntos. E é bonito isso. E é bom que seja assim. Mas é bom que seja assim também, e principalmente, nos momentos felizes.

A autora tem razão. E ao seu argumento eu incluiria o fato de que, quando perdemos as pessoas, pior desafio que a vida nos apresenta, nosso principal consolo costuma ser o conjunto de momentos felizes que nos permitimos viver ao seu lado. A morte já é triste o suficiente. Não precisamos acrescentar o arrependimento a ela. Porque a pior dor não é a de nos depararmos com o final da vida. É descobrirmos, perplexos diante do irremediável, que jamais a vivemos realmente.

 

LILIAN GRAZIANO – é psicóloga e doutora em Psicologia pela USP, com curso de extensão em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. É professora universitária e diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, onde oferece atendimento clínico, consultoria empresarial e cursos na área.

graziano@psicologiapositiva.combr

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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