GESTÃO E CARREIRA

VICIADO EM TRABALHO

Cuidado! Trabalhar em excesso, além comprometer a qualidade da sua entrega, pode estressar sua mente e adoecer seu corpo.

Viciado em trabalho

Trabalhar em excesso, mesmo quando não há necessidade, tem um nome e pode ser até um vício. O Workaholismo caracteriza-se pelo ato de não conseguir se desligar do ambiente corporativo, mesmo quando se está em casa ou em um momento de relaxamento.

Se você pensa em trabalho 24 horas por dia, ainda que isso possa trazer sofrimento, então pode se considerar um workaholic. “Hoje são constantes os casos de workaholics, e isso é percebido a partir do momento em que a pessoa não consegue se desligar do trabalho, deixando de lado sua convivência social, seja com familiares ou amigos. Assim a pessoa toma-se um trabalhador viciado e compulsivo. Mesmo fora do ambiente de trabalho, ele cria um ambiente recheado de temas sobre seus negócios, não há situação que o faça se desligar”, explica o especialista em recursos humanos e diretor executivo da Bazz Consultoria, Celso Bazzola.

Segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Coaching (SBC), estima-se que problemas de saúde relacionados ao vício em trabalho tragam custos de aproximadamente $150 bilhões de dólares aos Estados Unidos. No Japão, o cenário é ainda mais alarmante: dois mil trabalhadores morrem, anualmente como consequência de jornadas de trabalho excessivas, tornando-se estatística do fenômeno conhecido como karoshi (morte por excesso de trabalho). Vale lembrar o caso do estagiário que, por trabalhar 72 horas seguidas em um dos maiores bancos da Inglaterra, acabou morrendo de exaustão. Ele tinha apenas 21 anos.

CARACTERÍSTICAS DO WORKAHOLIC

Existe uma diferença importante entre quem trabalha em excesso por causa da demanda do trabalho e quem age dessa maneira simplesmente porque não consegue pensar em outro assunto. Para o workaholic, férias ou feriados não são motivos para descansar ou relaxar.

O chamado de worklover sabe que trabalhar demais pode até trazer consequências à sua saúde e vida pessoal, mas ele prefere continuar assim. Neste caso específico, trabalhar a mais não funciona como um vício, e sim estilo de vida.

Já o Workaholic pode ser considerado um viciado. Seu cérebro precisa do trabalho, assim como quem fuma sente dificuldade em se livrar da nicotina. O problema é que muitas vezes quem é viciado em trabalho nem se dá conta disso. O profissional pode achar que é seu dever se esforçar mais, sua mente não para.

Os workaholic costumam trabalhar mais de 12 horas por dia no escritório e ficam sempre de olho no celular. Também checam as mensagens a cada hora para ver se existe alguma pendência no trabalho. Mesmo que estejam em férias no Caribe, a preocupação está na empresa.

PERIGO À SAÚDE

Se o seu pensamento está sempre no escritório, e-mails ou smartphone, talvez seja hora de repensar suas atitudes. Estudos realizados por médicos da área de psiquiatria constataram que quem é viciado em trabalho costuma apresentar alguns sintomas em comum, como baixa autoestima, ansiedade, perfeccionismo, impaciência e competitividade exacerbada. Além disso, realizam várias atividades simultâneas, mesmo quando não são solicitadas, e são pouco resilientes. A frustração é constante.

O resultado de tantos sentimentos negativos vem em forma de estresse mental e físico, além do desenvolvimento de problemas de saúde, como doenças cardíacas, vasculares, intestinais e inflamatórias. A pessoa pode se tornar depressiva e mesmo assim não perceber que algo está errado. “A pessoa tende a adoecer mais porque o sistema imunológico está comprometido. Há casos de pessoas que saíram de férias, descansaram e estavam bem, mas, ao voltar ao trabalho, apresentaram os sintomas novamente, ressalta a psicóloga e autora do livro Burnout ­ Quando o trabalho ameaça o bem­ estar do trabalhador, publicado pela Casa do Psicólogo, Ana Maria Teresa Benevides Pereira.

SÍNDROME DE BURNOUT

Os workaholics têm chance de desenvolver também a Síndrome de Burnout, que provoca sintomas como fadiga, cansaço constante, distúrbios do sono, dores musculares e de cabeça, irritabilidade, alterações de humor e de memória, dificuldade de concentração, falta de apetite, depressão e perda de iniciativa.

Para quem tem dúvida se está passando por isso, o ideal é procurar um especialista, como psicólogo, psiquiatra ou clínico geral. O médico vai avaliar se é o ambiente de trabalho que está causando o estresse ou o comportamento da pessoa.

Caso a síndrome seja detectada, o especialista indicará o tratamento mais apropriado, que   envolve terapia, mudanças de comportamento ou até anti- depressivos. Mas cada caso é um caso.

 PROBLEMAS PARA A EMPRESA

A mente de um workaholic pode levá-lo a acreditar que se dedicar ao trabalho, além de ser um ponto positivo para sua carreira, pode ser bom para a empresa. Mas, a realidade pode não ser essa. “Acredito que para a empresa a situação traz mais desvantagens do que vantagens. Inicialmente pode ser interessante, pois a velocidade dos resultados é satisfatória, porém há um desgaste emocional natural do profissional pois ele estará isolado e resistente ao trabalho, bloqueando sua sociabilização, o que poderá resultar em sérios transtornos futuros para sua vida”, defende Bazzola.

O excesso de trabalho, depois de certo tempo, além de trazer todos os problemas de saúde já citados, ainda pode causar bloqueios de criatividade e produção. A pessoa dedica todas as horas do seu dia, mas, de fato, pouco ou nada produz.

APRENDA A SE DESLIGAR

Para deixar de ser um workaholic- enquanto ainda há tempo, é importante procurar ajuda médica. Como nem sempre a própria pessoa consegue entender ou perceber que tem um problema, amigos, familiares ou profissionais habilitados da empresa podem incentivar o viciado em trabalho a se cuidar.

Como o mercado de trabalho anda cada vez mais competitivo, é comum que o workaholic tenha resistência a aceitar que precisa desacelerar. Além de diminuir a jornada de trabalho, é necessário aprender a aproveitar as folgas e não se sentir culpado por simplesmente não fazer nada relacionado ao trabalho nos momentos livres.

Com a mente descansada, é possível produzir mais, em menos tempo e oferecendo resultados mais positivos e com qualidade à empresa. Além de tudo, o descanso é necessário para evitar a fadiga e problemas de saúde. “Não há pecado em trabalhar esporadicamente além de sua carga diária, desde que essa ação seja meramente por necessidade de urgência e de impacto específico. Isso, para o mercado de trabalho, acaba sendo um diferencial, mas o profissional e a área de Recursos Humanos devem identificar quando há exageros em uma rotina normal de trabalho. A partir do momento em que a carga horária começa a extrapolar constantemente, é momento de refletir. O trabalho é saudável enquanto não aprisiona a pessoa na necessidade constante de falar e agir no trabalho”, finaliza Bazzola.

 5 PRINCIPAIS DÚVIDAS SOBRE O WORKAHOLIC

1. CARACTERÍSTICAS

São pessoas que constantemente trabalham mais de 12 horas por dia no escritório e ainda levam serviço para casa, ficam sempre de olho no celular e checam as mensagens a cada hora para ver se existe alguma pendência no trabalho.

2. EU SOU?

Sintomas desse distúrbio de comportamento incluem autoestima exagerada, insônia, mau humor, impotência sexual, atitudes agressivas em situação de pressão e, muitas vezes, depressão.

3. PROBLEMAS RELACIONADOS

A situação pode ser tão grave que estudos recentes de casos clínicos em consultórios psicológicos e psiquiátricos apontam que o vício em trabalho é similar à adição ao álcool ou à cocaína, tornando o trabalho, nesses casos, uma obsessão doentia

4. É PRECISO SABER VIVER!

O caminho para combater esse problema é assegurar o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional, tentar valorizar melhor os momentos de lazer e perceber que o descanso é fundamental para a melhoria de rendimento e para a busca de novas ideias que podem potencializar os resultados no trabalho.

5. WORKAHOLIC X WORKLOVER

importante sabermos diferenciar o amor ao trabalho do vício. Um worklover tem noção de que o excesso se refletira em conflitos nos relacionamentos pessoais, além de proporcionar efeitos nocivos à saúde e ao bem-estar. Existem profissionais que buscam entregar resultados, e isso é positivo. É importante ter em mente que o fato de ser um Workaholic não significa que o profissional seja mais produtivo. Muitas vezes, vemos pessoas que não costumam ter organização no seu dia a dia e acabam trabalhando mais tempo para entregar o mesmo resultado.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.