ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 11: 1-16 – PARTE I

Alimento diário

A Morte de Lázaro

Nestes versículos, temos:

I – Uma apresentação detalhada das principais pessoas envolvidas nesta história, vv. 1,2.

1. Viviam em Betânia, uma aldeia não muito distante de Jerusalém, onde Cristo normalmente se hospedava quando vinha para as festas. Aqui, ela é chamada de “aldeia de Maria e de sua irmã Marta”, isto é, a aldeia onde elas moravam, da mesma maneira como Betsaida é chamada de “cidade de André e de Pedro”, cap. 1.44. Eu não vejo motivo para pensar, como pensam alguns, que Marta e Maria fossem donas da aldeia, e os demais habitantes fossem seus arrendatários.

2. Aqui havia um irmão chamado Lázaro. Seu nome em hebraico provavelmente seria Eleazar, que, contraído e recebendo uma terminação grega, tornou-se Lázaro. Talvez antecipando esta história, nosso Salvador tivesse feito uso do nome de Lázaro naquela parábola em que desejava apresentar a bem-aventurança do justo no seio de Abraão, imediatamente depois da sua morte, Lucas 16.22.

3. Aqui havia duas irmãs, Marta e Maria, que parecem ser as donas da casa, e que cuidam dos assuntos da família, ao passo que, talvez, Lázaro vivesse uma vida retirada e se dedicasse ao estudo e à contemplação. Era uma família respeitável, feliz e bem organizada, e uma família com a qual Cristo tinha muita comunhão. Parece que nem Lázaro nem suas irmãs eram casados, e que a casa era mantida pelos três, que ali residiam unidos.

4. Uma das irmãs é descrita de maneira particular como sendo aquela Maria que ungiu o Senhor com unguento, v. 2. Alguns pensam que ela era aquela mulher sobre a qual lemos em Lucas 7.37,38, que tinha sido pecadora, uma mulher que tinha problemas em sua vida moral. Eu prefiro pensar que isto se refere àquela unção de Cristo que este evangelista narra (cap. 12.3), pois os evangelistas nunca se referem uns aos outros, mas João frequentemente faz referência a uma ou outra passagem do seu Evangelho. Atos extraordinários de piedade e devoção, que nascem de um princípio honesto de amor por Cristo, não somente encontrarão aceitação por parte dele, como também conquistarão uma elevada reputação na igreja, Mateus 26.13. Esta Maria era aquela cujo irmão Lázaro estava doente, e as enfermidades daqueles a quem amamos são motivos de aflição para nós. Quanto mais ami­ gos tivermos, mais frequentemente nos afligiremos devido à amizade de que desfrutamos, e quanto mais queridos forem, mais dolorosa será nossa aflição. A multiplicação dos nossos consolos é apenas a multiplicação das nossas cruzes e preocupações.

II – As notícias que foram enviadas ao nosso Senhor Jesus sobre a doença de Lázaro, v. 3. Suas irmãs sabiam onde Jesus estava, muito além do rio Jordão, e enviaram um mensageiro especial até Ele, para dar-lhe a conhecer a aflição da sua família, em que manifestam:

1. A aflição e a preocupação que tinham por seu irmão.

Embora, provavelmente, a propriedade dele passasse para elas depois da sua morte, ainda assim elas desejavam ardentemente sua vida, como deviam fazer. Elas mostravam seu amor por ele, agora que estava doente, pois é em meio às adversidades que nascem os irmãos e irmãs. Nós devemos chorar com nossos amigos, quando eles choram, e também devemos nos alegrar com eles, quando se alegram.

2. A consideração que tinham pelo Senhor Jesus, a quem desejavam colocar a par de todas as suas preocupações, e, como Jefté, expressar diante dele todas as suas palavras. Embora Deus conheça todas as nossas necessidades, tristezas e preocupações, Ele deseja conhecê-las a partir de nós, e sente-se honra ­ do quando as depositamos diante dele. A mensagem que elas enviaram foi muito curta, não requerendo, muito menos aconselhando ou pressionando, mas simplesmente relatando o caso com a gentil insinuação de uma súplica poderosa: “Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas”. Elas não dizem: Aquele que nós amamos, mas: ”Aquele que tu amas”. Nossos maiores incentivos na oração são produzidos pelo próprio Deus e pela sua graça. Elas não dizem: Senhor eis que está enfermo aquele que te ama, mas: ”Aquele que tu amas”, pois o amor está, não no fato de que nós amamos a Deus, mas no fato de que Ele nos amou. Nosso amor por Ele não é digno sequer de ser descrito, mas o dele por nós nunca será suficientemente mencionado. Observe:

(1) Há alguns dos amigos e seguidores do Senhor Jesus pelos quais Ele tem um carinho maior. Entre os doze, havia um a quem Jesus amava.

(2) Não é novidade que aqueles a quem Cristo ama fiquem doentes: tudo sucede igualmente a todos. As per turbações físicas corrigem a corrupção, e põem à prova as graças, do povo de Deus.

(3) É um grande consolo, quando estamos doentes, ter junto a nós aqueles que estão dispostos a orar por nós.

(4) Teremos grande estímulo nas nossas orações por aqueles que es­ tão enfermos se tivermos razão para ter esperança de que eles sejam como aqueles a quem Cristo ama, e temos razão para amar e orar por aqueles dos quais temos razão para pensar que Cristo ama e cuida.

III – Um relato de como Cristo recebeu as notícias trazidas a Ele sobre a enfermidade do seu amigo.

1. Ele prognosticou o acontecimento e o resultado da enfermidade, e provavelmente enviou como uma mensagem às irmãs de Lázaro, pelo mensageiro, para apoiá-las, enquanto tardava em ir vê-las. O Senhor prognostica duas coisas:

(1) “Esta enfermidade não é para morte”. Era mortal, certamente fatal, e sem dúvida Lázaro esteve verdadeiramente morto durante quatro dias. Mas:

[1] Esta não era a missão para a qual esta enfermidade tinha sido enviada. Ela não veio como um caso comum, como um chamado para a sepultura, mas havia nela uma intenção adicional. Se ela tivesse sido enviada com esta missão, o fato de Lázaro ressuscitar teria impedido seu cumprimento.

[2] Este não era o resultado final desta enfermidade. Ele morreu, mas poderíamos dizer que ele não morreu, pois não se pode considerar algo como um feito, se este não for algo que possa ser perpetuado. A morte é uma despedida permanente deste mundo, é o caminho do qual nós não retornamos, e, neste sentido, não era para morte. O sepulcro era sua morada por muito tempo, sua casa na eternidade. Assim, Cristo disse a respeito da jovem cuja vida Ele se propôs a restaurar: “Não está morta”. A doença das pessoas boas, por mais ameaçadora que seja, não é para morte, pois não é para a morte eterna. A morte do corpo para este mundo é o nascimento da alma para o outro mundo. Quando nós, ou nossos amigos, estamos doentes, nosso principal apoio é que exista uma esperança de recuperação, mas nisto nós podemos ficar desaponta­ dos. Por isto, é prudente que nos apoiemos naquilo com que jamais nos desapontaremos. Se pertencerem a Cristo, mesmo que venha o pior, eles não poderão sofrer a segunda morte, e nem sofrer algum dano na primeira.

(2) “Mas é para glória de Deus”, para que possa haver uma oportunidade para a manifestação do glorioso poder de Deus. Os sofrimentos dos santos são designa­ dos para a glória de Deus, para que Ele possa ter oportunidade de mostrar-lhes favor, pois as graças mais doces, e as mais eficientes, são aquelas provocadas pelas tribulações. Isto deve nos reconciliar com as mais obscuras dispensações da Providência. Elas são todas para a glória de Deus, seja esta enfermidade, esta perda, ou este desapontamento, e se Deus for glorificado, nós de­ veremos nos sentir satisfeitos, Levítico 10.3. Era para a glória de Deus, pois era para que o Filho de Deus fosse glorificado através da oportunidade de realizar este milagre glorioso, a ressurreição de Lázaro. Assim como, anteriormente, o homem tinha nascido cego para que Cristo pudesse ter a honra de curá-lo (cap. 9.3), também Lázaro deveria ficar doente e morrer para que Cristo pudesse ser glorificado como o Senhor da vida. Isto deve confortar aqueles a quem Cristo ama em todos os seus sofrimentos, o fato de que o desígnio de todos eles é que o Filho de Deus possa ser glorificado. E sua sabedoria, seu poder e sua bondade é que sustentam e aliviam seus servos. Veja 2 Coríntios 12.9,10.

2. Jesus adiou a visita ao seu paciente, vv. 5,6. Marta e Maria tinham suplicado: “Senhor, está enfermo aquele que tu amas”, e a súplica é permitida (v. 5): Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. Desta maneira, as declarações de fé são ratificadas no tribunal do céu. Poderíamos pensar que a seguir viria algo como: Quando Ele soube que Lázaro estava enfermo, Ele foi até ele o mais rapidamente que pôde. Se Ele os amava, agora era o momento de mostrar isto, correndo para junto deles, pois Ele sabia que estariam esperando-o impacientemente. Mas Ele tomou o caminho contrá1io para mostrar seu amor. Não está escrito: Ele os amava, mas ainda assim tardou em ir, mas: Ele os amava, e por isto tardou em ir. Quando soube que seu amigo estava doente, em vez de correr para junto dele, Jesus ficou ainda dois dias no lugar onde estava.

(1) Ele as amava, isto é, tinha grande consideração por Marta e Maria, pela sua sabedoria e graça, pela sua fé e paciência, acima de outros discípulos seus, e por isto Ele adiou sua ida para junto delas, para que pudesse testá-las, para que sua provação pudesse, no final, revelar-se em louvor e honra.

(2) Ele as amava, isto é, Ele desejava fazer alguma coisa grandiosa e extraordinária por elas, realizar, para seu alívio, um milagre tal como nunca tinha realizado para nenhum dos seus amigos. Ele tardou em ir até elas, para que Lázaro pudesse estar morto e sepultado antes da sua chegada. Se Cristo tivesse ido imediatamente, e curado a enfermidade de Lázaro, Ele não teria feito nada além do que fez por muitos. Se Ele o tivesse ressuscitado, pouco tempo depois de morto, não teria feito nada além do que fez por alguns. Mas, atrasando tanto seu alívio, Ele teve uma oportunidade de fazer por ele mais do que por qual­ quer outra pessoa. Observe que Deus tem intenções graciosas, mesmo em aparentes demoras, Isaías 54.7,8; 49.14ss. Os amigos de Cristo em Betânia não estavam fora dos pensamentos dele, no entanto, quando ouviu sobre suas dificuldades, Ele não se apressou em ir até eles. Quando a obra de libertação, temporal ou espiritual, pública ou pessoal, está em espera, ela apenas espera a hora certa, e tudo é bonito na hora certa.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.