PSICOLOGIA ANALÍTICA

O PODER DAS EMOÇÕES INCONSCIENTES

Quando começamos a perceber que nos sentimos angustiados ou com medo, pode ser útil nos lembrarmos do que vimos, ouvimos ou pensamos nos últimos minutos – e, assim, identificar o gatilho emocional.

O poder das emoções inconscientes

Acontece com todo mundo: de repente e inexplicavelmente nos sentimos alegres ou tristes, embora ainda há pouco nosso humor estivesse bem diferente. Geralmente a culpa é de uma pista subliminar ou “estímulo precedente” (priming). Mas não precisamos ficar presos a essas pistas subconscientes. Pesquisas recentes sugerem que simplesmente reconhecer o fenômeno já é meio caminho andado para assumir o controle novamente – afinal, não é porque sentimos algo que isso necessariamente se justifica.

Os pesquisadores geralmente estudam os efeitos do estímulo precedente induzindo os participantes a acreditar que estão envolvidos no teste de outra variável qualquer. Num estudo realizado na Universidade de Toronto, pessoas expostas a imagens de logotipos de fast-food, sem se darem conta disso conscientemente, tornavam-se mais impacientes e dispostas a gastar. Outro estudo, publicado no periódico científico Journal of Psychosomatic Research, mostrou que, quando os participantes evocavam lembranças relacionadas a doenças, sua tolerância à dor diminuía, como se ficassem mais sensíveis diante da lembrança da fragilidade física.

Um artigo publicado no periódico Social Cognition revela como metas das quais não temos consciência clara (aquelas que se tornaram tão automáticas que nem percebemos que ainda as estamos perseguindo, como emagrecer, impressionar o chefe ou tirar férias do Facebook) podem nos deixar com um humor “misterioso” – positivo ou negativo.

No estudo tratado no artigo, alguns participantes que deveriam perseguir certo objetivo foram previamente estimulados com uma tarefa de leitura que incluía palavras como “sucesso” e “realização”. Os voluntários, entretanto, não tinham consciência dessa preparação, acreditavam que a leitura não estava relacionada com o experimento. Quando se saíram mal numa tarefa subsequente de desafio mental, seu estado de ânimo se mostrou mais negativo que o daqueles que não foram submetidos antes ao exercício com palavras orientadas para o cumprimento de uma meta.

A chave para superar os efeitos da preparação pode ser bastante simples: exercitar a autoconsciência. Ou seja: prestar atenção em nossas reações sem se deixar levar pelo “automatismo” no qual costumamos viver. Um fato a ser destacado é que o ânimo dos participantes melhorou quando os pesquisadores mostraram por que razão eles começaram a se sentir tristes. O que isso significa na prática? Talvez, que, quando começamos a perceber que nos sentimos angustiados, depressivos ou com medo, pode ser útil nos lembrarmos do que vimos, ouvimos ou pensamos nos últimos minutos – e, assim, identificar o gatilho emocional. Essa atitude, pautada por uma escolha racional, costuma ser bastante útil para superar crises de mau humor repentinas e, aparentemente, misteriosas.

O poder das emoções inconscientes.2

PENSAMENTOS FELIZES EM AÇÃO

Em busca das causas da depressão, recentemente pesquisadores americanos localizaram duas regiões do cérebro ligadas ao otimismo. Participaram do estudo 15 pessoas que não só se reconheciam como alegres e bem-humoradas, mas também foram avaliadas dessa forma pelos especialistas ao serem submetidas a um questionário-padrão. A pesquisadora Elizabeth Phelps e seus colegas da Universidade de Nova York pediram aos voluntários que imaginassem diversos cenários possíveis enquanto passavam por exame de ressonância magnética funcional (fMRI).

Em dado momento, os participantes seguiram instruções para se lembrar de um evento negativo do passado, como o funeral de um ente querido ocorrido nos últimos cinco anos. Em outra fase da experiência, eles tiveram de imaginar como seria se envolver em um grave acidente de carro em um futuro próximo. Em outros momentos, as pessoas tinham de pensar em acontecimentos positivos, como ter feito uma maravilhosa viagem no passado ou receber uma grande soma de dinheiro no futuro.

A análise dos dados obtidos no exame de imageamento cerebral revelou que refletir sobre os acontecimentos passados e futuros ativa a amígdala e o córtex cingulado anterior. No entanto, os eventos positivos – e particularmente os projetados no futuro – provocaram resposta significativamente mais intensa do que refletir sobre acontecimentos negativos.

Essa descoberta dá respaldo aos estudos anteriores que sugerem que, em muitos casos, o mau funcionamento da amígdala e do córtex cingulado anterior está relacionado ao aparecimento de sintomas de transtornos do humor. Segundo o cientista Wayne Drevets, do Instituto Nacional de Saúde Mental, em Bethesda, Estados Unidos, durante autópsias realizadas em pacientes severamente deprimidos foram encontradas menos células do que o normal nessas áreas. Ele acredita que as novas descobertas do estudo de Elizabeth Phelps podem ajudar a esclarecer, da ótica neurocientífica, por que pessoas com depressão têm dificuldade de produzir pensamentos alegres ou se mostrar confiantes.

OUTROS OLHARES

O DEFICIENTE ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

Lei brasileira de inclusão apresenta problemas por integrar, na mesma legislação, indivíduos com deficiência física e mental.

O Deficiente estatudo da pessoa com deficiência

Em 6 de julho de 2015 foi instituída a Lei nº 13.146, que passa a se chamar Lei Brasileira de Inclusão. A ideia do legislador era “assegurar e promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania”, conforme o seu art. 1°.

Com respeito às opiniões divergentes, essa lei apresenta problemas insuperáveis por incluir, na mesma legislação, indivíduos com deficiência física e mental.

Do ponto de vista médico, não há qualquer possiblidade de equipará-los, colocando-os em uma mesma categoria, uma vez que os transtornos mentais estão relacionados à capacidade de entendimento e de determinação do agente, enquanto as outras deficiências são de natureza eminentemente física ou relacionadas ao comprometimento da sensopercepção.

Para ficar apenas no que interessa à psiquiatria forense, é preciso lembrar que muitos doentes mentais precisam ser interditados, pois a interdição, que tem suas origens na Lei das Doze Tábuas, foi por milênios aperfeiçoada para proteger o indivíduo incapaz de gerir a sua pessoa e de administrar os seus bens. E quem elaborou o Estatuto da Pessoa com Deficiência viu a interdição como um castigo ao interdito, ao passo que é exatamente o contrário, ou seja, um remédio jurídico-social, o qual, como qualquer fármaco, se bem administrado, é medida salutar e necessária. O grande e incompreensível problema da lei em comento está no Capítulo II art. 6°, que estabelece: “A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa” (ou seja, não existe mais interdição total).

Afeta sim, é impossível o esquizofrênico grave, o encefalopata maior, o demente senil, o sequelado grave de acidente vascular cerebral, o alcoolista crônico, o toxicômano grave, o enfermo de mal de Pick, o que está há longo tempo em estado comatoso etc. ter capacidade mental para praticar qualquer ato civil, seja lá qual for. Devem ser protegidos pela lei, pois são totalmente incapazes. Sem a proteção legal, ficam vulneráveis e expostos a toda a sorte de desgraça física, patrimonial, social, pessoal e tudo mais.

Os problemas dessa Lei nº13.146/2015 não param aí. Apenas para citar mais um: o art. 84, § 2°, diz respeito à tomada de decisão apoiada, quando a pessoa com deficiência elege pelo menos dois indivíduos para lhe prestar apoio na tomada de decisão sobre atos da vida civil (art. 1.783-A do Código Civil).

Imagine o leitor um indivíduo limítrofe intelectualmente – ingênuo, sugestionável e com diminuição da inteligência -, sem o pai, a mãe morreu e não tem irmãos ou parentes, na posse da legítima herança. Não estaria correndo o risco de apontar dois espertalhões, dentre tantos que não minguam em qualquer sociedade, que estão sempre prontos para “ajudar”? E como ficam os psicopatas e fronteiriços de todo o gênero? Parece que o legislador que elaborou a referida Lei nº 13.146/2015 foi deficiente em compreender que a interdição total, como dito, não é um castigo, mas a necessária proteção jurídico-social para alguns que possuem transtornos intelectuais.

Se essa lei, com todo respeito, caolha para a psiquiatria forense, não for rapidamente revista, vamos assistir a inúmeras injustiças e práticas condenáveis recaírem naqueles que mais precisam de proteção social e legal.

 

GUIDO ARTURO PALOMBA – é psiquiatra forense e membro emérito da Academia de Medicina de São Paulo.

GESTÃO E CARREIRA

TESTE: VOCÊ É UM LIDER OU TEM APENAS UM CARGO?

Você é um líder ou tem apenas um cargo

Muitas pessoas, apenas por possuírem um cargo de chefia ou gestão, consideram-se líderes. No entanto, um verdadeiro líder deve ter inteligência emocional, equilíbrio e, sobretudo, uma profunda vocação para ajudar as pessoas a crescerem e se desenvolverem. Mas como saber se você é mesmo um líder ou tem apenas um cargo? Faça nosso Teste de Liderança e descubra!

 

1. Você busca ser fonte de inspiração para sua equipe de trabalho?

A – Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

2. Sente prazer em desenvolver habilidades específicas dos membros da sua equipe?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

3. Procura sempre se aperfeiçoar como profissional em vez de acreditar que já sabe o necessário?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

4. Possui inteligência emocional para reagir da melhor forma às situações mais adversas?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

5. Sua equipe se sente à vontade para compartilhar ideias e opiniões?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

6. As pessoas procuram você quando precisam resolver problemas?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

7. Quando algo dá errado no seu setor, você assume a responsabilidade pelo erro?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

8.  Você defende sua equipe diante das pessoas e a corrige particularmente?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

9. Quando algo dá certo, reconhece o mérito de toda a equipe?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

10.  Instiga sua equipe a buscar sempre novos desafios?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

11. Sabe estabelecer limites ao dizer não quando necessário?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

12. Sente necessidade do elevar o tom de voz para ser ouvido com atenção e respeitado?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

13. Quando há uma emergência e precisa fazer horas extras, assume a responsabilidade para si?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

14. É capaz de mudar de opinião e se adaptar a novas situações?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca 

 

15. Ouve as pessoas ao redor e está disposto a ajudar sua equipe nas dificuldades?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

RESPOSTAS:

Se você marcou mais SEMPRE: Você é mesmo um líder!

Parabéns! Pelas suas respostas, pode-se perceber que você é, de fato, um líder. Alguém capaz de inspirar toda a equipe a alcançar os melhores resultados! Você é presença fundamental na sua equipe e o profissional que todos buscam quando precisam resolver problemas. Quanta responsabilidade, hein? Mas tenho certeza de que muito gratificante também. Continue desenvolvendo o que há de melhor em você e também nas pessoas ao seu redor!

 

Se você marcou mais FREQUENTEMENTE: Você ainda não é um líder, mas está quase lá! Calma, não precisa desanimar! Você ainda não é um verdadeiro líder, mas está no caminho. Afinai tudo é um aprendizado, não é mesmo? E basta um pouco mais de esforço e determinação para você chegar lá! Continue se esforçando que, quando menos esperar, você será fonte de inspiração para todos os membros da sua equipe e alcançará resultados surpreendentes.

 

Se você marcou mais ÀS VEZES, RARAMENTE OU NUNCA: Infelizmente, você tem apenas um cargo. Você sabia que conquistar um cargo de chefia não faz, necessariamente, de você um líder? Para conseguir gerir uma equipe de forma eficiente e trazer bons resultados à sua empresa, você precisa desenvolver habilidades que o transformarão em um líder de verdade. Inspirar sua equipe, assumir responsabilidade pelos erros e compartilhar os sucessos são apenas algumas atitudes indispensáveis. Busque aperfeiçoa-las e torne-se aquilo que você realmente busca: ser um líder de verdade!

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 10: 22-38 – PARTE I

Alimento diário

As palavras de Cristo aos judeus

Temos aqui outra discussão no Templo, entre Cristo e os judeus, em que é difícil dizer o que é mais estranho, as palavras de graça que saíam da sua boca, ou as palavras rancorosas que saíam das deles.

I – Temos aqui a ocasião em que esta conversa aconteceu: foi na “Festa da Dedicação, e era inverno”. Esta festa era observada anualmente por todo o povo de Israel, para recordar a dedicação de um novo altar e a purificação do Templo, por Judas Macabeu, depois que o Templo tinha sido profanado, e o altar, contaminado. Temos o relato com detalhes na história dos Macabeus (livro 1, cap. 4), e temos a profecia deste acontecimento, Daniel 8.13,14. Veja mais sobre a festa, 2 Macabeus 1.18. O retorno da sua liberdade era, para eles, como a vida dentre os mortos, e, em comemoração a isto, eles observavam uma festa anual, no vigésimo quinto dia do mês de Quisleu, aproximadamente no início de dezembro, e nos sete dias seguintes. Esta celebração não se limitava a Jerusalém, como as das festas divinas, mas cada um a observava na sua própria cidade ou região, não como um período sagrado (somente uma instituição divina pode santificar um dia), mas como uma época feliz, como os dias de Purim, Ester 9.19. Cristo esperava estar agora em Jerusalém, não em honra à festa, que não exigia sua presença ali, mas para que pudesse aproveitar estes oito dias de folga para bons propósitos.

II – O lugar em que isto aconteceu (v. 23): ”Jesus passeava no templo, no alpendre de Salomão”, assim chamado (Atos 3.11), não porque tivesse sido construído por Salomão, mas porque tinha sido construído no mesmo lugar que aquele que trazia seu nome, no primeiro Templo, e o nome foi conservado para sua maior reputação. Aqui Cristo passeava, para observar os atos do grande Sinédrio, que tinha sede ali (Salmos 82.1). Ele passeava, pronto para atender qualquer pessoa que se dirigisse a Ele. O Senhor estava pronto para abençoar a todos. Ele passeava, aparentemente, sozinho, por algum tempo, como alguém negligenciado. Passeava pensativo, prevendo a destruição do Templo. Aqueles que têm alguma coisa a dizer a Cristo, poderão encontrá-lo no Templo e andar com Ele por ali.

III – A conversa propriamente dita, na qual observe:

1. Uma pergunta importante que os judeus lhe propuseram, v. 24. Eles “rodearam-no”, para provocá-lo. Ele estava esperando uma oportunidade para conceder-lhes um ato de bondade, e eles aproveitaram a oportunidade para fazer-lhe mal. Não é raro nem incomum que más intenções retribuam boas intenções. Ele não podia ficar em paz, não, não no Templo, na casa do seu Pai, sem que o perturbassem. Eles o rodearam, como para prendê-lo. Cercaram-no, como abelhas. Eles o rodearam como se tivessem um desejo conjunto e unânime a ser satisfeito. Vieram como um único homem, fingindo fazer uma procura imparcial e inoportuna da verdade, mas pretendendo um ataque generalizado contra nosso Senhor Jesus, e pareceram expressar a opinião da sua nação, como se fossem a boca de todos os judeus: ”Até quando terás a nossa alma suspensa? Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente”.

(1) Eles discutem com Jesus, como se Ele os tivesse injustamente mantido em suspense até aqui. Por quanto tempo você pretende roubar nossos corações? Ou, roubar nossas almas. Alguns assim interpretam. Indicando, de maneira vil, que qualquer que fosse o amor e o respeito do povo que Ele obtivesse, não o teria obtido de modo adequado, mas por métodos indiretos, da mesma maneira que Absalão furtava o coração dos homens de Israel, e da mesma maneira como os sedutores enganam os corações dos símplices, para atraírem discípulos após si, Romanos 16.18; Atos 20.30. Mas a maioria dos intérpretes entende como nós: “Quanto tempo nos manterá em suspense? Quanto tempo devemos ficar discutindo quanto a se você é ou não o Cristo, sem conseguir definir a questão?” Veja:

[1] O fato de que, mesmo depois de nosso Senhor Jesus ter provado completamente ser o Cristo, eles ainda tivessem dúvidas a este respeito, era resultado da infidelidade e dos fortes preconceitos deles. Eles voluntariamente hesitavam a respeito disto, quando podiam ter sido facilmente satisfeitos. A luta era entre suas convicções, que lhes diziam que Ele era o Cristo, e sua corrupção, que dizia que Ele não o era, porque Ele não era um Cristo do tipo como eles esperavam. Aqueles que desejam ser céticos podem, se quiserem, controlar o equilíbrio, de modo que nem os argumentos mais convincentes possam superar as mais insignificantes objeções, mas a balança ainda pareça equilibrada.

[2] O fato de que eles atribuíam ao próprio Cristo a culpa pelo fato de que eles ainda duvidassem, como se Ele os fizesse duvidar por alguma incoerência de sua parte, ao passo que, na verdade, eles mesmos eram culpados por duvidar, pois toleravam os preconceitos que já tinham. Assim, este era um exemplo da insolência e presunção deles. Se as palavras da Sabedoria parecem duvidosas, a culpa não está no objeto, mas nos olhos. Elas são completamente claras para aquele que as compreende. Cristo deseja nos fazer crer. Nós é que trazemos a dúvida sobre nossa vida.

(2) Eles o desafiam a dar-lhes uma resposta direta e categórica, quanto a ser ou não o Messias: “Se tu és o Cristo”, como muitos creem, “dize-no-lo abertamente”, e não por parábolas, como: Eu sou a luz do mundo, e o bom Pastor, e outras semelhantes, mas em palavras claras, dizendo que tu és o Cristo, ou, como João Batista, que não é, cap. 1.20. Esta investigação insistente dos judeus era, aparentemente, boa. Eles pareciam estar desejosos de conhecer a verdade, como se estivessem prontos a aceitá-la. Mas, na realidade, era ruim, e proposta com más intenções, pois, se Ele lhes dissesse claramente que era o Cristo, não seria necessário nada mais para considerá-lo odioso perante a inveja e a severidade do governo romano. Todos sabiam que o Messias deveria ser um rei, e, portanto, quem pretendesse ser o Messias seria acusado de traição, e isto era exatamente o que eles desejavam, pois, se Ele lhes dissesse claramente que era o Cristo, eles responderiam imediatamente: “Tu testificas de ti mesmo”, como já tinham dito, cap. 8.13.

2. A resposta de Cristo a esta pergunta, em que:

(1) Ele se justifica, dizendo não ser, de nenhuma maneira, um auxiliar à infidelidade e ao ceticismo deles, lembrando-os:

[1] Daquilo que Ele tinha dito: “Já vo-lo tenho dito”. Ele lhes tinha dito que era o Filho de Deus, o Filho do homem, que tinha a vida em si, que tinha autoridade para realizar julgamentos etc. E não será este o Cristo, então? Ele lhes tinha dito estas coisas, e eles não creram. Por que, então, Ele deveria dizer-lhes isto outra vez, simplesmente para satisfazer sua curiosidade? “Não o credes”. Eles fingiam que apenas duvidavam, mas Cristo lhes diz que eles não criam. O ceticismo na religião não é melhor do que a infidelidade direta. Não nos cabe ensinar a Deus a maneira como Ele deve nos ensinar, nem determinar com que clareza Ele deve nos contar sua vontade, mas devemos ser gratos pela revelação divina, da maneira como a recebemos. Se não cremos assim, tampouco seríamos persuadidos, se ela estivesse adaptada ao nosso gosto.

[2] Ele os lembra das suas obras, do exemplo da sua vida, que não somente era perfeitamente pura, mas altamente beneficente e em conformidade com sua doutrina, e, em especial, dos seus milagres, que Ele realizava para a confirmação da sua doutrina. Era certo que ninguém poderia realizar estes milagres, a menos que Deus estivesse com ele, e Deus não estaria com Ele para confirmar algo falso.

(2) Ele os condena pela descrença obstinada, apesar dos mais claros e poderosos argumentos usados para convencê-los: “Não o credes”, e outra vez: “Não credes”. “Vocês ainda são o que sempre foram, obstinados na sua descrença”. Mas a razão que Ele oferece é muito surpreendente: ‘”Vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas’. Vós não credes em mim, porque não pertenceis a mim”.

[1] “Vocês não estão dispostos a ser meus seguidores, não têm uma personalidade propensa a ser ensinada, não têm inclinação para receber a doutrina e a lei do Messias. Vocês não desejam se agregar às minhas ovelhas, não desejam vir e ver, vir e ouvir minha voz”.  As antipatias enraizadas ao Evangelho de Cristo são os laços da iniquidade e da infidelidade.

[2] “Vocês não estão destinados a ser meus seguidores; vocês não estão entre aqueles que me foram dados pelo meu Pai, para serem trazidos à graça e à glória. Vocês não são do número dos eleitos, e sua descrença, se vocês persistirem nela, será uma evidência garantida de que vocês realmente não o são”. Observe que aqueles a quem o Senhor Deus nunca dá a graça da fé, nunca foram destinados ao céu e à felicidade. Aquilo que Salomão disse a respeito da imoralidade é também verdadeiro a respeito da infidelidade: “Cova profunda é”, e aquele contra quem o Senhor se irar cairá nela, Provérbios 22.14. O fato de não estar incluído entre os eleitos não é a causa propriamente dita da infidelidade, mas meramente a causa acidental. Porém, a fé é o dom de Deus, e o resultado da predestinação.

(3) Ele aproveita esta oportunidade para descrever tanto a disposição graciosa quanto a feliz condição daqueles que são suas ovelhas, pois elas existem, embora não sejam eles.

[1] Para convencê-los de que eles não eram suas ovelhas, Ele lhes conta quais eram as características das suas ovelhas. Em primeiro lugar, elas ouvem sua voz (v. 27), pois sabem que é a dele (v.4), e Ele se responsabilizou de que elas ouvissem sua voz, v. 16. Elas a distinguem: “Esta é a voz do meu amado”, Cantares 2.8. Elas se alegram com ela, e ficam completamente à vontade quando se sentam aos seus pés para ouvir sua palavra. Elas agem de acordo com ela, e fazem da sua vontade sua lei. Cristo não considerará suas ovelhas aqueles que são surdos ao seu chamado, surdos ao seu encanto, Salmos 58.5. Em segundo lugar, elas o seguem. Elas se submetem à sua orientação, com uma obediência voluntária a todas as suas ordens, é uma conformidade satisfeita com seu Espírito e padrão. A ordem sempre tinha sido: “Vinde após mim”. Nós devemos ver Jesus como nosso líder e capitão, e seguir seus passos, e andar como Ele andava, seguir as prescrições da sua palavra, as indicações da sua providência e as orientações do seu Espírito, seguir o Cordeiro (o líder do rebanho), onde quer que Ele vá. Nós estaremos ouvindo sua voz em vão, se não o seguirmos.

[2] Para convencê-los de que o fato de não pertencerem ao rebanho de Cristo era a maior infelicidade e desgraça deles, Ele aqui descreve a condição abençoada daqueles que pertencem ao seu rebanho, o que poderia servir tanto para o sustento e consolo dos seus pobres seguidores desprezados quanto para impedi-los de invejar o poder e a grandeza daqueles que não eram suas ovelhas.

Em primeiro lugar, nosso Senhor Jesus conhece suas ovelhas: elas “ouvem a minha voz, e eu conheço-as”. Ele as distingue de outras (2 Timóteo 2.19), tem uma consideração especial com cada uma, individualmente (Salmos 34.6). Ele conhece suas necessidades e seus desejos, conhece suas almas na adversidade, sabe onde encontrá-las e o que fazer por elas. Ele conhece as outras à distância, mas estas, Ele conhece intimamente.

Em segundo lugar, Ele proveu uma felicidade para elas, adequada a elas: “E dou-lhes a vida eterna”, v. 28.

1. O bem que elas recebem é precioso e valioso. É a vida, a vida eterna. O homem tem uma alma viva. Portanto, a felicidade que lhe é fornecida é a vida, adequada à sua natureza. O homem tem uma alma imortal. Portanto, a felicidade que lhe é fornecida é a vida eterna, uma vida que durará para todo o sempre. A vida eterna é a felicidade e o principal bem de uma alma imortal.

2. A entrega é gratuita: “Dou-lhes”. A vida eterna não é objeto de barganha, nem vendida com uma compensação valiosa, mas dada, pela livre graça de Jesus Cristo. O doador tem a autoridade para dá-la. Aquele que é a fonte da vida, e o Pai da eternidade, autorizou Cristo a dar a vida eterna, cap. 17.2. Não é: “Eu desejo dá-la”, mas: “Eu a dou”. É um dom concedido no presente. Ele dá a certeza dela, sua promessa e seu penhor; as primícias e antecipações daquela vida espiritual que é a vida eterna, que entendemos que iniciamos aqui, o céu na forma de se­ mente, no botão, no estado embrionário.

Em terceiro lugar, Ele se responsabilizou pela segurança das ovelhas e pela preservação desta felicidade.

a. Elas serão salvas da perdição eterna. “Nunca hão de perecer”, são as palavras. Assim como existe uma vida eterna, também existe uma destruição eterna. A alma, não aniquilada, mas destruída. Sua existência continua, mas seu consolo e sua felicidade estão irremediavelmente perdidos. Todos os crentes são salvos disto. A despeito das tribulações pelas quais venham a passar nesta terra, eles não entrarão em condenação. Um homem nunca está destruído até que esteja no inferno, e as ovelhas não chegariam a isto. Os pastores que têm grandes rebanhos frequentemente perdem algumas das ovelhas e elas acabam perecendo, mas Cristo se responsabilizou de que nenhuma das suas ovelhas pereça, nem uma sequer.

b. Elas não podem ser afastadas da sua felicidade eterna. Ela está reservada, mas aquele que a dá a elas irá preservá-las para tal felicidade.

(a) Seu próprio poder se responsabiliza por elas: “Ninguém as arrebatará das minhas mãos”. Aqui se imagina uma forte disputa a respeito destas ovelhas. O Pastor é tão cuidadoso com o bem-estar delas, que Ele as conserva, não somente no seu rebanho, e sob seus olhos, mas nas suas mãos, interessadas no seu amor especial e colocadas sob sua proteção especial (“Todos os teus santos estão na tua mão”, Deuteronômio 33.3). Mas seus inimigos são tão ousados, que tentam arrancar das suas mãos aquelas que lhe pertencem, aquelas com quem Ele se preocupa. Porém, eles não conseguem fazer isto, e não o farão. Observe que os que estão nas mãos do Senhor Jesus estão seguros. Os santos são preservados em Cristo Jesus, e sua salvação não está sob seus próprios cuidados, mas sob os cuidados de um Mediador. Os fariseus e os príncipes faziam tudo o que podiam para fazer os discípulos de Cristo temerosos de segui-lo, censurando-os e ameaçando-os, mas Cristo diz que eles não vencerão.

(b) O poder do seu Pai está, da mesma maneira, engajado na preservação das ovelhas, v. 29. Cristo agora aparecia em fraqueza, e, para que sua segurança não pudesse ser considerada insuficiente, Ele apresenta seu Pai, como uma segurança adicional. Observe:

 [a] O poder do Pai: “Meu Pai… é maior do que todos”, maior do que todos os outros amigos da igreja, todos os outros pastores, magistrados ou ministros, e capaz de fazer pelas ovelhas aquilo que eles não podem. Estes pastores descansam e dormem, e será fácil arrebatar as ovelhas das suas mãos, mas Ele guarda seu rebanho dia e noite. Ele é maior do que todos os inimigos da igreja, toda a oposição feita aos interesses dela, e capaz de proteger os seus contra todos os insultos dos inimigos. Ele é maior do que todas as forças combinadas, do inferno e da terra . Ele é maior, em sabedoria, do que a antiga serpente, embora notável pela sutileza; maior, em poder, do que o grande dragão vermelho, embora seu nome seja Legião, e seu título, principados e potestades. O Diabo e seus anjos fizeram várias investidas e tentativas de assumir uma soberania, mas nunca prevaleceram, Apocalipse 12.7,8. “O Senhor nas alturas é mais poderoso” (Salmos 93.4).

[b] O interesse do Pai nas ovelhas, motivo pelo qual este poder está engajado por elas: “Foi meu Pai ‘que mas deu’, e Ele se interessa na honra de sustentar seu presente”. Elas foram dadas ao Filho em confiança, para que Ele cuidasse delas, e, portanto, Deus ainda irá cuidar delas. Todo o poder divino está engajado no cumprimento de todos os conselhos divinos.

[c] A segurança dos santos infere-se destes dois. Se isto é assim, então ninguém (seja homem ou demônio) é capaz de arrancá-las da mão do Pai, nem capaz de privá-las da graça que possuem, nem bloquear a glória que está destinada a elas, nem é capaz de tirá-las da proteção de Deus, nem de colocá-las sob seu próprio poder. Cristo tinha sentido pessoalmente o poder do seu Pai, sustentando-o e fortalecendo-o, e por isto coloca também todos os seus seguidores na mão do seu Pai. Aquele que assegurou a glória do Redentor irá assegurar a glória dos redimidos. Para garantir ainda mais a segurança, para que as ovelhas de Cristo possam ter um consolo ainda mais forte, Ele declara sua união com Deus, o Pai: “Eu e o Pai somos um”, e nos encarregamos, juntamente e separadamente, da proteção dos santos e da sua perfeição”. Isto indica que havia mais do que harmonia, consentimento e bom entendimento entre o Pai e o Filho na obra da redenção do homem. Todo homem bom é tão unido a Deus, a ponto de estar de acordo com Ele. Portanto, o fato de serem um só em essência, e iguais em poder e glória, deve ser o significado da unicidade da natureza do Pai e do Filho. Os patriarcas da igreja enfatizaram isto, tanto contra os sabelianos, para provar a distinção e a pluralidade das pessoas, que o Pai e o Filho são duas pessoas, como contra os arianos, para provar a unidade da natureza, que o Pai e o Filho são um só. Se nós nos calássemos a respeito do profundo significado destas palavras, até mesmo as pedras que os judeus pegaram para o apedrejar iriam falar abertamente, pois os judeus consideravam que Ele se fazia Deus (v. 33), e Ele não negou isto. Ele prova que ninguém poderia arrancá-las das suas mãos, porque não poderia arrancá-las da mão do Pai, o que não teria sido um argumento conclusivo, se o Filho não tivesse o mesmo poder todo-poderoso com o Pai, e, consequentemente, não fosse um só com Ele, em essência e operação.