ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 10: 1-18 – PARTE II

Alimento diário

O Bom Pastor

III – A explicação que Cristo dá desta parábola, abrindo completamente seus detalhes. Nós veremos o Senhor Jesus, pessoalmente, pronto para explicar quaisquer dificuldades que possamos ver em suas palavras. Basta estarmos desejosos ele compreendê-las. Nós descobriremos que uma passagem das Escrituras explica a outra, e o bendito Espírito é o intérprete do bendito Jesus. Nesta parábola, Cristo tinha diferenciado o pastor do ladrão pelo fato de que Ele entra pela porta. Agora, explicando a parábola, Ele se faz tanto a porta pela qual o pastor entra quanto o Pastor que entra pela porta. Embora possa ser um solecismo em retórica, fazer a mesma pessoa ser a porta e o pastor, não há solecismo na Divindade ao fazer Cr isto obter sua autoridade de si mesmo, assim como Ele tem vida em si mesmo, e Ele mesmo entra, pelo seu próprio sangue, como a porta, no santuário.

1. Cristo é a porta. Isto Ele diz àqueles que fingiam procurar a justiça, mas, como os sodomitas, se cansavam de procurar a porta onde ela jamais seria encontrada. Ele disse aos judeus, que deveriam ser o único rebanho de Deus, e aos fariseus, que deveriam ser seus únicos pastores: “Eu sou a porta das ovelhas”, a porta da igreja.

(1) De maneira geral:

[1] Ele é como uma porta fecha­ da, para manter afastados os ladrões e os salteadores, e outras pessoas que não devem ser admitidas. O fechar da porta é a segurança da casa. E que maior segurança tem a igreja ele Deus do que a interposição do Senhor Jesus, e ela sua sabedoria, do seu poder e da sua bondade, entre ela e todos os seus inimigos?

[2] Ele é como uma porta aberta, para passagem e comunicação. Em primeiro lugar, por Cristo, como a porta, nós temos nossa primeira admissão no rebanho de Deus, cap. 14.6. Em segundo lugar, nós entramos e saímos, em uma relação de fé, ajuda­ dos por Ele, aceitos nele, andando no seu nome, Zacarias 10.12. Em terceiro lugar, através dele, Deus, o Pai, vem à sua igreja, visita-a, e se comunica com ela. Em quarto lugar, através dele, como a porta, as ovelhas são, por fim, admitidas no reino celestial, Mateus 25.34.

(2) Mais particularmente:

[1] Cristo é a porta dos pastores, de modo que ninguém que não entre por Ele será considerado pastor, mas (ele acordo com a regra estabelecida, v.1) ladrões e salteadores (embora finjam ser pastores), porém as ovelhas não os ouvem. Isto se refere a todos os que tinham o caráter de pastores em Israel, fossem magistrados ou ministros, que exerciam seu ofício sem nenhuma consideração pelo Messias, ou quaisquer outras expectativas dele além das que eram sugeridas pelos seus próprios interesses carnais. Observe, em primeiro lugar, o caráter que lhes foi atribuído: “São ladrões e salteadores” (v. 8). De todos os que vieram antes dele, não em termos de existência, muitos deles eram pastores fiéis, mas todos os que se anteciparam à sua comissão, e correram antes que Ele os enviasse (Jeremias 23.21), que assumiram para si mesmos uma precedência e uma superioridade em relação a Ele, agiram como o anticristo, que exalta a si mesmo, 2 Tessalonicenses 2.4. “Os escribas e fariseus, os principais dos sacerdotes, todos os que vieram antes de mim, que se empenharam em monopolizar meus interesses, e a evitar que eu conquistasse qualquer espaço na mente elo povo, influenciando-o com preconceitos contra mim, estes são ladrões e salteadores, e roubam aqueles corações sobre os quais não têm direitos, defraudando o dono legítimo da propriedade”. Eles condenaram nosso Salvador como ladrão e saltearam porque Ele não passou por aqueles que se consideravam a porta, nem obteve alguma permissão da parte deles, mas Ele mostra que eles deveriam ter recebido dele sua comissão, que deveriam ter sido admitidos por Ele, e terem vindo depois dele, e por não terem agido desta maneira, mas terem se antecipado a Ele, eles eram ladrões e salteadores. Eles não vieram como seus discípulos, e, por esta razão, foram condenados como usurpadores, e suas falsas comissões foram canceladas e substituídas. Observe que os rivais de Cristo são salteadores da sua igreja, ainda que finjam ser pastor es, ou até mesmo pastores de pastores. Em segundo lugar, o cuidado tomado para proteger as ovelhas em relação a eles: “Mas as ovelhas não os ouviram”. Aqueles que tinham uma verdadeira característica de piedade, que eram espirituais e celestiais, e sinceramente devotados a Deus e à religiosidade, não podiam, de maneira nenhuma, aprovar as tradições dos anciãos, nem apreciar suas for maldades. Os discípulos de Cristo não possuíam nenhuma instrução especial de seu Mestre que os impedisse de comer sem efetuar antecipadamente uma lavagem cerimonial das mãos, nem colher espigas no sábado, pois nada é mais contrário ao verdadeiro cristianismo do que o farisaísmo, e não existe nada mais repugnante a uma alma verdadeiramente devota do que as devoções hipócritas daqueles fariseus.

[2] Cristo é a porta das ovelhas (v. 9): “Se alguém entrar por mim” (através de mim como a porta) no curral, como alguém pertencente ao rebanho, “salvar-se-á”, não somente estará a salvo dos ladrões e salteadores, mas será feliz, “e entrará, e sairá”. Aqui temos, em primeiro lugar, instruções claras sobre como entrar no curral: nós devemos entrar por Jesus Cristo, que é a porta. Por meio da fé nele, como o grande Mediador entre Deus e o homem, nós entramos em aliança e comunhão com Deus. Não é possível entrar na igreja de Deus, a não ser entrando na igreja de Cristo. Ninguém é considerado como membro do reino de Deus entre os homens, a não ser aqueles que estão dispostos a submeter-se à graça e à soberania do Redentor. Agora devemos entrar pela porta da fé (Atos 14.27), uma vez que a porta da inocência está fechada para nós, e aquela passagem ficou intransponível, Gênesis 3.24. Em segundo lugar, promessas preciosas àqueles que observarem estas orientações.

1. Eles serão salvos no futuro. Este é o privilégio da sua casa. Estas ovelhas serão salvas de serem sequestradas e confinadas pela justiça divina, devido às transgressões. A satisfação pelos danos foi feita pelo seu grande Pastor. Elas são salvas de serem uma presa do leão que ruge. Elas serão felizes para sempre.

2. Enquanto isto, elas entrarão e sairão, e acharão pastagens. Este é o privilégio do seu caminho. Elas terão suas relações com o mundo pela graça de Cristo, estarão no seu rebanho como um homem na sua própria casa, onde ele entra, sai e regressa livremente. Os verdadeiros crentes estão em casa em Cristo. Quando saem, eles não ficam do lado de fora como estranhos, mas têm liberdade para entrar outra vez. Quando entram, eles não são trancados como invasor es, mas têm liberdade de sair. Eles saem para o campo pela manhã e voltam para o curral à noite, e nos dois percursos o Pastor os guia e protege, e nos dois percursos eles encontram pastagens: grama no campo, forragem no curral. Em público, ou em particular, eles têm a palavra de Deus com a qual dialogar, pela qual sua vida espiritual é sustentada e alimentada. e da qual seus desejos graciosos são satisfeitos. Eles se reabastecem com a bondade da casa de Deus.

3. Cristo é o pastor, v. 11ss. A vinda dele havia sido profetizada no Antigo Testamento. Ele seria um pastor, Isaías 40.11; Ezequiel 34.23; 31.24; Zacarias 13.7. No Novo Testamento, Ele é mencionado como o Grande Pastor (Hebreus 13.20), o Sumo Pastor (1 Pedro 5.4), o Pastor e Bispo das nossas almas (1 Pedro 2.25). Deus, nosso grande dono, de cuja pastagem nós somos as ovelhas, desde a criação constituiu seu Filho Jesus para ser nosso Pastor, e Ele reconhece esta relação por repetidas vezes. Ele tem, pela sua igreja, e por todos os crentes, todo o cuidado que um bom pastor tem pelo seu rebanho. E Ele espera a presença e a obediência de toda a igreja, e de cada crente em particular, assim como ocorria com os pastores e seus rebanhos naquelas regiões.

(1) Cristo é um pastor, e não é como o ladrão, não é como aqueles que não vêm pela porta. Observe:

[1] A intenção prejudicial do ladrão (v. 10): o ladrão não vem com nenhuma boa intenção, senão roubar, matar e destruir. Em primeiro lugar, aqueles de quem estes ladrões roubam, cujos corações e afetos eles roubam de Cristo e das suas pastagens, matam e destroem espiritualmente, pois as heresias que eles produzem secretamente são odiosas. Aqueles que enganam as almas são assassinos de almas. Aqueles que roubam as Escrituras, conservando-as em um idioma desconhecido, que roubam os sacramentos, mutilando-os e alterando suas propriedades, que roubam as ordenanças de Cristo, colocando suas próprias invenções no lugar delas, matam e destroem. A ignorância e a idolatria são coisas destrutivas. Em segundo lugar, aqueles que eles não conseguem roubar, nem conduzir, levar ou carregar do rebanho de Cristo, por meio de perseguições e massacres, eles procuram matar e destruir fisicamente. Aquele que não se permitir roubar corre o risco de ser morto.

[2] O desígnio gracioso do pastor. Ele veio:

Em primeiro lugar, para dar vida às ovelhas. Em oposição à intenção do ladrão, que é matar e destruir (e que era a intenção dos escribas e fariseus), Cristo diz: “Eu vim” entre os homens:

1. “Para que tenham vida”. Ele veio para dar vida ao rebanho, à igreja em geral, que parecia mais um vale cheio de ossos secos do que uma pastagem coberta de rebanhos. Cristo veio para defender as verdades divinas, para purificar as ordenanças divinas, para corrigir injustiças, e para restaurar o zelo que estava prestes a morrer. Ele veio procurar as ovelhas do seu rebanho que estavam perdidas, ligar aquilo que estava quebrado (Ezequiel 34.16), e isto, para sua igreja, é como a vida dentre os mortos (Romanos 11.15). Ele veio para dar vida aos crentes, individualmente. A vida abrange todo o bem, e está em oposição à morte ameaçadora (Genesis 2.17). Ele veio para que pudéssemos obter vida, como um criminoso obtém vida quando é perdoado, como um doente obtém vida quando é curado, e um morto obtém vida quando é ressuscitado, para que pudéssemos ser justificados, santificados, e, por fim, glorificados.

2. Para que tenham vida “em abundância”. Como nós interpretamos, esta é uma comparação: para que possamos ter uma vida mais abundante do que aquela que foi perdida devido ao pecado, mais abundante do que aquela que foi prometida pela lei de Moisés. Sua duração é superior aos dias em Canaã, mais abundante do que poderia ser esperado ou do que poderíamos pedir ou pensar. Mas isto pode ser interpretado sem a conotação de comparação: para que eles pudessem ter abundância, ou pudessem ter a vida abundantemente. Cristo veio para dar vida e – algo a mais, algo melhor, avida com benefícios, para que em Cristo nós pudéssemos, não somente viver, mas viver confortavelmente, viver plenamente, viver e alegrar-nos. A vida em abundância é a viela eterna, a vida sem a morte ou o temor da morte, a vida e muito mais.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.