GESTÃO E CARREIRA

GINÁSTICA MENTAL

Somos bombardeados com tanta informação diariamente que é impossível guardar tudo em nossos arquivos mentais. Mas há como preparar o cérebro para registrar aquilo que importa e produzir mais com menos estresse.

Ginástica mental

Memória é o tipo da coisa a que só damos importância quando ela falta e acaba causando algum transtorno: não lembrar o nome de alguém a quem já fomos apresentados, perder o prazo de uma entrega ou deletar da cabeça o horário de uma reunião com a chefia. Esquecer é normal, mas muita gente reclama que a memória parece estar pior do que nunca. Essa impressão tem fundamento. Queremos fazer várias coisas ao mesmo tempo, vivemos sob estresse e ansiedade, negligenciamos o descanso e estamos expostos a uma enxurrada de informação sem precedentes – mas cerca de 70% do que aprendemos todo dia é deixado de lado quando não é útil ou interessante. Somando tudo, não há cérebro que aguente.

Ter memória boa não é questão de sorte ou juventude (embora haja um declínio natural da função à medida que a idade avança), mas principalmente de prestar atenção. “Só registramos aquilo que entendemos, temos interesse ou alguma espécie de vínculo”, diz Alberto Dell’lsola, especialista em aprendizado e recordista latino-americano de memorização. Quando não há uma conexão intrínseca, é possível criar códigos que vão funcionar como gatilhos de recordação. É aí que entram as estratégias e os exercícios específicos, completa. A seguir, conheça algumas técnicas que ajudam a deixar o cérebro tinindo.

LEIA NO PAPEL

Eis a melhor maneira de reter ideias, evocar outras já consolidadas e criar conexões entre elas. Mas não basta passar os olhos no texto. É importante ler com atenção e, mais do que isso, parar para refletir depois que fechar o livro, a revista ou o jornal – essa estratégia ajuda a fixar o que foi aprendido. Ler no papel, aliás, é mais eficiente do que na tela do computador. Foi o que comprovou um estudo norueguês publicado no International Journal of Educational Research, que comparou o nível de aproveitamento de estudantes que leram em formato impresso e digital. A turma do papel se saiu bem melhor em testes de entendimento de texto. Fatores como a luminosidade da tela, a necessidade de rolar a página e a presença de links que abrem novas janelas atrapalham e obrigam a rever o mesmo trecho mais de uma vez, o que prejudica a concentração e a fixação do conteúdo.

ESCREVA À MÃO

Fazer anotações durante aulas, palestras ou reuniões é uma das melhores ferramentas para memorizar o que for importante. E o ideal é fazer isso com caneta e caderno mesmo, e não sacar o notebook ou o bloco de notas do smartphone. Escrever implica criar códigos como: a cor da tinta, o formato da letra, a posição do texto na página, a chance de traçar desenhos para resumir conceitos – eles vão ajudar a resgatar as informações mais tarde. Por outro lado, quando se digita o conteúdo, a tendência é ser literal em vez de processar as informações a fim de estabelecer associações e interpretações próprias, que colaboram para fixar os conceitos na cabeça, de acordo com um trabalho publicado no periódico Psychological Science. Por isso, o bom e velho bloquinho pode funcionar muito mais do que uma lista no celular.

FAÇA ASSOCIAÇÕES

Esse exercício dá uma nova forma à informação, poupando esforço cognitivo quando você precisar dela outra vez. As paródias com músicas para se lembrar de conceitos complicados nos cursinhos pré-vestibular são um exemplo. Criar senhas que sejam formadas pelas iniciais de uma frase ou verso facilita na hora de acessá-las – pense em “quem tem medo do lobo mau” para não esquecer a sequência QTMDLM. O empresário Luciano Bueno, de 26 anos, fundador da Horvath, startup de nanotecnologia para aplicação na indústria têxtil, parou de esquecer os nomes de clientes e parceiros de projetos depois que aprendeu a fazer combinações. “Quando conheço alguém, tento ligá-lo na hora a um amigo ou parente com o mesmo nome, assim a memória não falha nos encontros seguintes”, diz.

CRIE CATEGORIAS

Depois de associar, o último passo é categorizar. Funciona, por exemplo, para gravar um número de telefone quando não dá para anotá-lo. Em vez de decorar 99943-1140, desmembre a sequência em blocos de dois ou três números – 99 9, 43,11 e 40 – o que já facilita a tarefa de recordação. Desse modo, é possível relacionar cada grupo a alguma coisa (sua idade, número do seu apartamento, código de área da sua cidade, e assim por diante) para facilitar a lembrança. Luciano Bueno também coloca a técnica em prática para não se perder em aulas e reuniões que rendem um volume enorme de conteúdo.

“Separo os assuntos por grau de prioridade ou pelo momento em que apareceram no evento (início, meio ou fim), assim consigo absorver o máximo de informação sem sair esgotado mentalmente”.

 

OS INIMIGOS DA LEMBRANÇA

Entenda se seus hábitos estão jogando contra ou a favor de sua faculdade de reter ideias.

ESTRESSE

Esse é o maior vilão. “A liberação de cortisol em situações de tensão deixa o indivíduo irritado e ansioso, o que afeta o desempenho da concentração e da recordação”, diz Solange Jacob, especialista em desenvolvimento de habilidades cognitivas. Por causa da rotina estressante, a assessora de compras internacionais Ana Lúcia Santana, de 47 anos, cometeu gafes no trabalho e na vida privada que credita a panes da memória: já chamou cliente pelo nome errado, pareceu mal-educada ao cumprimentar um colega pela segunda vez, confundiu datas de reuniões e consultas. Até que, curiosa, quis saber do que se tratava um curso de ginástica cerebral. Descobriu que o esquecimento tinha tudo a ver com a mente ansiosa e agitada. Além de exercícios de memorização, aprendeu a importância de controlar o nervosismo para aliviar a sensação de cabeça sempre cheia e passou a apostar no próprio bem-estar. “Não abro mão de começar o dia com calma, tomar café sem pressa. Faço pausas para respirar, reconectar-me e organizar as ideias”, conta. Saiu ganhando não só em menos cansaço, mas também em mais auto­ estima. “Voltei a estudar francês, sinto-me capaz de aceitar desafios. Tudo isso conta para envelhecer bem, com o cérebro em forma”.

 MULTITAREFA

Como o cérebro só é capaz de focar totalmente uma coisa de cada vez e a memória está diretamente ligada à atenção, uma das tarefas sempre sairá automatizada, o que é péssimo para que seja lembrada”, diz Alberto Dell’lsola, especialista em memorização. Pense em dirigir enquanto conversa com alguém. A menos que esteja fazendo o mesmo trajeto de todos os dias (o que o coloca no piloto automático), dificilmente vai conseguir se recordar de detalhes do papo quando chegar ao destino.

SONO RUIM

Dormir pouco ou de forma entrecortada impede que o cérebro alcance o estado REM (rapid eye movement, ou movimento rápido dos olhos), que se dá depois de algumas horas de repouso e tem várias funções relativas ao equilíbrio do organismo. “É nessa fase do sono, em que o cérebro está superativo, que ocorre a consolidação de memórias recentes”, diz Fábio Porto, neurologista do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. O sono funciona ainda como uma espécie de refresh, que apaga o que é dispensável e deixa armazenado o que nos serve. Adotar hábitos saudáveis é importante para não se sentir soterrado (e estressado) por tanta informação, porém sem absorver ou aproveitar multa coisa.

EXCESSO DE TECNOLOGIA

É claro que ela existe para ajudar e estimula habilidades mentais – quando você faz uma busca por algum assunto na internet ativa áreas cerebrais relacionadas à capacidade de julgamento e à solução de problemas. Mas não precisa viver colado a seus gadgets preferidos, muito menos ao celular. Uma pesquisa publicada em julho no periódico americano Enviromental Health Perspectives sugere que a radiação emitida pelo aparelho (quando usado diretamente no ouvido, sem fones) afeta regiões do cérebro responsáveis por guardar sons, cheiros, cores e suas associações.

SEDENTARISMO

Fazer atividade física diminui o estresse e a ansiedade, melhora o sono e estimula o crescimento de novas células cerebrais. Sem falar que, dependendo da modalidade, trabalha direta mente a memória – no caso de dança e outras aulas coreografadas, por exemplo. Um estudo de cientistas da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, publicado no British Journal of Sports Medicine revelou que pessoas que fizeram exercícios aeróbicos em intensidade moderada durante pelo menos seis meses apresentaram um aumento no volume do hipocampo, região-chave para o aprendizado e a memória.

DESORGANIZAÇÃO

Não lembrar onde deixou objetos, esquecer compromissos e perder contatos importantes acontece quando você não tem o costume de usar lembretes e anotações. “Isso obriga a buscar a mesma informação várias vezes e a refazer atividades, o que estressa o cérebro e destrói a capacidade de aprendizado”, afirma Christian Barbosa, especialista em produtividade e gestão do tempo.

 

TESTE SUA MEMÓRIA

Marque com que frequência você se esquece das seguintes atividades ou Informações, sendo:

“NUNCA”= O, “ÀS VEZES”= 1 FREQUENTEMENTE = – 2 SEMPRE = – 3

Em seguida, some os pontos correspondente às suas respostas e veja se precisa tomar uma atitude.

  1. Acontecimentos recentes, como o que fez no fim de semana.
  2. Compromissos, como reuniões e consultas.
  3. O que viu em um filme, série ou novela.
  4. Pagar as contas.
  5. O que foi fazer em um determinado lugar quando já estava lá.
  6. Nome de pessoas famosas.
  7. Contar a mesma coisa mais de uma vez para a mesma pessoa.
  8. Desligar o fogo ou trancar a porta de casa ou do carro.
  9. Onde guardou os óculos, o controle remoto ou a chave do carro.
  10. Trajetos que faz várias vezes no dia a dia.
  11. Nome de conhecidos ou parentes.
  12. Número de telefone de familiares próximos, de casa ou do escritório.
  13. Levar suas coisas com você aonde vai.
  14. Atividades cotidianas, como tomar remédios.
  15. Palavras que queria dizer, mas ficaram na ponta da língua.

 

                         RESULTADO

ATÉ 14 PONTOS: NORMAL

Todo mundo esquece coisas no dia a dia. Procure estratégias que ajudem a memorizar compromissos e informações importantes, se acha que o esquecimento pode impactar negativamente a rotina

ACIMA DE 15 PONTOS: SUA LEMBRANÇA PEDE ATENÇÃO.

Fique de olho na qualidade do sono e da alimentação, no acúmulo de tarefas e na desorganização na sua rotina pessoal e de trabalho, e faça algo para que não afetem a capacidade do cérebro de reter informações importantes.

ACIMA DE 30 PONTOS: INDICA COMPROMETIMENTO IMPORTANTE DA MEMÓRIA.

Observe o impacto do esquecimento frequente na rotina e busque orientação profissional para checar se há necessidade de uma avaliação neuropsicológica mais ampla, mudanças no estilo de vida ou exercícios de estimulação cognitiva.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.