PSICOLOGIA ANALÍTICA

DEPRESSÃO: MOVIMENTO EM DIREÇÃO À CURA

O exercício é um dos tratamentos mais efetivos para casos leves e moderados da doença, pois fortalece a resiliência bioquímica ao estresse, encoraja o crescimento de novas células cerebrais, estimula a autoestima e pode até neutralizar um risco genético de adoecimento.

Depressão - movimewnto em direção à cura

O fato de que exercitar o corpo melhora a saúde física – diminuindo o risco de doenças cardíacas, obesidade, diabetes, câncer – já é tão conhecido que se tornou lugar-comum falar sobre isso. Porém os benefícios para a saúde mental não são tão óbvios ou divulgados. No caso da depressão, um conjunto de evidências recentes demonstra os efeitos benéficos da atividade física. Além de promover autoestima, a prática fortalece a resiliência neuroquímica ao estresse e o crescimento de novas células cerebrais, e há indícios de que ajuda a compensar riscos associados à doença mental. Para a maioria das pessoas com depressão leve a moderada, o exercício constitui um dos tratamentos disponíveis mais eficientes, seguros, práticos, baratos – e agradáveis.

Somente uma fração dos milhões de pessoas acometidas pela depressão busca assistência, e desse contingente apenas um terço responde ao tratamento-padrão com medicamentos. Os antidepressivos costumam ser caros e podem ter sérios efeitos colaterais, levando muitos pacientes a ansiar por soluções mais baratas, seguras e naturais. Em uma pesquisa de mais de 2 mil adultos americanos com diagnóstico de depressão, mais da metade relatava já ter recorrido a algum tipo de tratamento não farmacológico, como ioga, fitoterapia e acupuntura.

Antidepressivos que aumentam os níveis de serotonina e outros neurotransmissores podem funcionar ao revigorar a proliferação neural, um processo que depende em parte de uma molécula chamada fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF). Em estudos tanto com animais quanto com pessoas, o exercício intensifica a produção de BNDF. Em 2015, o médico Helmuth Haslacher e seus colegas na Universidade de Medicina de Viena, na Áustria, compararam a saúde mental e os genomas de 55 corredores de maratona e ciclistas de resistência com os de 58 não atletas. Os pesquisadores concluíram que o exercício aeróbico vigoroso no longo prazo pode de fato neutralizar uma susceptibilidade genética à depressão, graças à estimulação do BDNF.

A neurobiologia pode também explicar por que, além do fato de o exercício prevenir a depressão, o inverso parece ser verdadeiro: correlações em pesquisas epidemiológicas sugerem que a inatividade física, embora algumas vezes resultante da depressão, pode também constituir um risco maior para desenvolvê-la subsequentemente. Em um estudo de 2014 com mais de 6 mil cidadãos idosos do Reino Unido, quanto mais tempo despendiam assistindo à televisão, mais propensos eram a relatar sintomas de depressão (embora isso não valesse para outras atividades sedentárias, como a leitura). Aqueles que participavam de algum tipo de atividade física vigorosa pelo menos uma vez por semana vivenciavam menos depressão.

Da mesma forma, uma pesquisa recente com 5 mil universitários chineses constatou que, quanto mais tempo o jovem passava em frente à televisão ou tela de computador, mais propenso era a apresentar sintomas depressivos. Em contraste, o risco de depressão caía quanto mais fisicamente ativo o aluno se mostrava, independentemente da idade, gênero ou histórico familiar. Uma meta-análise de 24 estudos, envolvendo cerca de 200 mil participantes, chegou à mesma conclusão: o comportamento sedentário está associado a um risco aumentado de depressão. Na média, as pessoas ativas são 45% menos propensas a serem deprimidas do que as inativas, segundo o Departamento Americano de Prevenção de Doença e Promoção da Saúde.

OUTROS OLHARES

INÚTIL PARA O CORAÇÃO

Estudo encomendado pela Organização Mundial da Saúde revela que consumir cápsulas de ômega-3 diariamente, não previne doenças cardiovasculares.

inútil para o coração

A reputação dos suplementos alimentares, que já não andava boa, acaba de sofrer um novo golpe. Desta vez, as vítimas foram as populares cápsulas de ômega-3. Até pouco tempo atrás, acreditava-se que seu consumo seria capaz de prevenir problemas cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral. Um estudo encomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), porém, mostrou que não existem evidências de que isso ocorra. ”Há muitas coisas que podemos fazer para proteger nosso coração, como não fumar, ter uma alimentação saudável e uma vida mais ativa”, disse a líder da pesquisa, Lee Hooper da Universidade de East Anglia, na Inglaterra. “Mas as cápsulas de óleo de peixe não vão nos ajudar.”  Estima-se que 54¾ da população brasileira consuma suplementos alimentares – sendo o ômega-3 um dos mais populares entre eles. Nos Estados Unidos, o índice de adeptos dos multivitamínicos chega a 68%.

O levantamento que apontou a inocuidade do ômega-3 foi encomendado ao instituto Cochrane, organização inglesa que avalia estudos médicos. Seus pesquisadores revisaram os principais trabalhos já publicados na literatura cientifica sobre o tema. Analisaram 179 pesquisas e examinaram os dados de 112.000 pessoas. Levantamentos desse tipo garantem uma síntese mais precisa dos resultados ao reunir um grande volume de dados e elevado número de participantes. E a síntese, nesse caso, não foi nada positiva para as cápsulas: mostrou que elas trouxeram pouco ou nenhum benefício para a saúde cardiovascular dos indivíduos. A incidência de morte entre pessoas que aumentaram a ingestão de ômega-3, por exemplo, foi de 8 8%. Entre os indivíduos que mantiveram a dieta habitual ou ingeriram placebo, o índice foi de 9%.

A boa fama do composto surgiu na década de 70, quando cientistas identificaram um menor risco cardíaco em esquimós que viviam na Groenlândia. Ao investigarem, viram que a dieta deles era composta essencialmente de peixes, baleias e focas – fontes naturais de ômega-3. A substância tem ação anticoagulante, anti-inflamatória, diminui o acúmulo de placas de gordura, dilata os vasos, reduz a pressão arterial, baixa os trigiicérides e aumenta o colesterol bom. Por que então os suplementos não conseguem alcançar esses efeitos? “Urna das hipóteses é que a ação do ômega-3 seja na dieta, seja em cápsulas, não é suficientemente potente para modificar o curso de doenças”, diz o cardiologista Raul Dias dos Santos, da Universidade de São Paulo Ê mais ou menos como a relação entre o consumo de carne vermelha e a incidência de câncer – estudos já comprovaram que ela existe mas isso está longe de significar que quem come filé vai desenvolver a doença.

Na virada dos anos 1990, os suplementos vitamínicos passaram a ser anunciados como o Santo Graal da saúde. Seriam capazes de acabar com a queda de cabelo e até de prevenir o câncer. Mas descobertas de falhas na metodologia dos testes de eficácia das pílulas, assim como o surgimento de medicamentos com efeitos bem mais poderosos. que os das vitaminas acabaram por reduzir as expectativas. No caso do ômega-3, porém, estudos ainda podem comprovar sua eficácia – só que para fins mais específicos e com outra dosagem. Duas pesquisas em curso testaram o uso do composto, em doses altíssimas no tratamento de pacientes resistentes à medicações para normalizar o nível de triglicérides. Mas, quanto ao resto da população, o levantamento encomendado pela OMS é claro. Não há por que gastar dinheiro com suplementos. “Sabemos que uma alimentação com consumo de peixe faz bem à saúde de forma geral. Mas as pessoas preferem contar com a facilidade das cápsulas, não querem mudar o estilo de vida”, diz Daniel Magnoni, chefe do setor de nutrição do Instituto Dante Pazzanese, em São Paulo. A boa notícia para os adeptos do óleo de peixe comprado em farmácia é que mal para a saúde ele não faz – só 1nesmo para o bolso.

GESTÃO E CARREIRA

GINÁSTICA MENTAL

Somos bombardeados com tanta informação diariamente que é impossível guardar tudo em nossos arquivos mentais. Mas há como preparar o cérebro para registrar aquilo que importa e produzir mais com menos estresse.

Ginástica mental

Memória é o tipo da coisa a que só damos importância quando ela falta e acaba causando algum transtorno: não lembrar o nome de alguém a quem já fomos apresentados, perder o prazo de uma entrega ou deletar da cabeça o horário de uma reunião com a chefia. Esquecer é normal, mas muita gente reclama que a memória parece estar pior do que nunca. Essa impressão tem fundamento. Queremos fazer várias coisas ao mesmo tempo, vivemos sob estresse e ansiedade, negligenciamos o descanso e estamos expostos a uma enxurrada de informação sem precedentes – mas cerca de 70% do que aprendemos todo dia é deixado de lado quando não é útil ou interessante. Somando tudo, não há cérebro que aguente.

Ter memória boa não é questão de sorte ou juventude (embora haja um declínio natural da função à medida que a idade avança), mas principalmente de prestar atenção. “Só registramos aquilo que entendemos, temos interesse ou alguma espécie de vínculo”, diz Alberto Dell’lsola, especialista em aprendizado e recordista latino-americano de memorização. Quando não há uma conexão intrínseca, é possível criar códigos que vão funcionar como gatilhos de recordação. É aí que entram as estratégias e os exercícios específicos, completa. A seguir, conheça algumas técnicas que ajudam a deixar o cérebro tinindo.

LEIA NO PAPEL

Eis a melhor maneira de reter ideias, evocar outras já consolidadas e criar conexões entre elas. Mas não basta passar os olhos no texto. É importante ler com atenção e, mais do que isso, parar para refletir depois que fechar o livro, a revista ou o jornal – essa estratégia ajuda a fixar o que foi aprendido. Ler no papel, aliás, é mais eficiente do que na tela do computador. Foi o que comprovou um estudo norueguês publicado no International Journal of Educational Research, que comparou o nível de aproveitamento de estudantes que leram em formato impresso e digital. A turma do papel se saiu bem melhor em testes de entendimento de texto. Fatores como a luminosidade da tela, a necessidade de rolar a página e a presença de links que abrem novas janelas atrapalham e obrigam a rever o mesmo trecho mais de uma vez, o que prejudica a concentração e a fixação do conteúdo.

ESCREVA À MÃO

Fazer anotações durante aulas, palestras ou reuniões é uma das melhores ferramentas para memorizar o que for importante. E o ideal é fazer isso com caneta e caderno mesmo, e não sacar o notebook ou o bloco de notas do smartphone. Escrever implica criar códigos como: a cor da tinta, o formato da letra, a posição do texto na página, a chance de traçar desenhos para resumir conceitos – eles vão ajudar a resgatar as informações mais tarde. Por outro lado, quando se digita o conteúdo, a tendência é ser literal em vez de processar as informações a fim de estabelecer associações e interpretações próprias, que colaboram para fixar os conceitos na cabeça, de acordo com um trabalho publicado no periódico Psychological Science. Por isso, o bom e velho bloquinho pode funcionar muito mais do que uma lista no celular.

FAÇA ASSOCIAÇÕES

Esse exercício dá uma nova forma à informação, poupando esforço cognitivo quando você precisar dela outra vez. As paródias com músicas para se lembrar de conceitos complicados nos cursinhos pré-vestibular são um exemplo. Criar senhas que sejam formadas pelas iniciais de uma frase ou verso facilita na hora de acessá-las – pense em “quem tem medo do lobo mau” para não esquecer a sequência QTMDLM. O empresário Luciano Bueno, de 26 anos, fundador da Horvath, startup de nanotecnologia para aplicação na indústria têxtil, parou de esquecer os nomes de clientes e parceiros de projetos depois que aprendeu a fazer combinações. “Quando conheço alguém, tento ligá-lo na hora a um amigo ou parente com o mesmo nome, assim a memória não falha nos encontros seguintes”, diz.

CRIE CATEGORIAS

Depois de associar, o último passo é categorizar. Funciona, por exemplo, para gravar um número de telefone quando não dá para anotá-lo. Em vez de decorar 99943-1140, desmembre a sequência em blocos de dois ou três números – 99 9, 43,11 e 40 – o que já facilita a tarefa de recordação. Desse modo, é possível relacionar cada grupo a alguma coisa (sua idade, número do seu apartamento, código de área da sua cidade, e assim por diante) para facilitar a lembrança. Luciano Bueno também coloca a técnica em prática para não se perder em aulas e reuniões que rendem um volume enorme de conteúdo.

“Separo os assuntos por grau de prioridade ou pelo momento em que apareceram no evento (início, meio ou fim), assim consigo absorver o máximo de informação sem sair esgotado mentalmente”.

 

OS INIMIGOS DA LEMBRANÇA

Entenda se seus hábitos estão jogando contra ou a favor de sua faculdade de reter ideias.

ESTRESSE

Esse é o maior vilão. “A liberação de cortisol em situações de tensão deixa o indivíduo irritado e ansioso, o que afeta o desempenho da concentração e da recordação”, diz Solange Jacob, especialista em desenvolvimento de habilidades cognitivas. Por causa da rotina estressante, a assessora de compras internacionais Ana Lúcia Santana, de 47 anos, cometeu gafes no trabalho e na vida privada que credita a panes da memória: já chamou cliente pelo nome errado, pareceu mal-educada ao cumprimentar um colega pela segunda vez, confundiu datas de reuniões e consultas. Até que, curiosa, quis saber do que se tratava um curso de ginástica cerebral. Descobriu que o esquecimento tinha tudo a ver com a mente ansiosa e agitada. Além de exercícios de memorização, aprendeu a importância de controlar o nervosismo para aliviar a sensação de cabeça sempre cheia e passou a apostar no próprio bem-estar. “Não abro mão de começar o dia com calma, tomar café sem pressa. Faço pausas para respirar, reconectar-me e organizar as ideias”, conta. Saiu ganhando não só em menos cansaço, mas também em mais auto­ estima. “Voltei a estudar francês, sinto-me capaz de aceitar desafios. Tudo isso conta para envelhecer bem, com o cérebro em forma”.

 MULTITAREFA

Como o cérebro só é capaz de focar totalmente uma coisa de cada vez e a memória está diretamente ligada à atenção, uma das tarefas sempre sairá automatizada, o que é péssimo para que seja lembrada”, diz Alberto Dell’lsola, especialista em memorização. Pense em dirigir enquanto conversa com alguém. A menos que esteja fazendo o mesmo trajeto de todos os dias (o que o coloca no piloto automático), dificilmente vai conseguir se recordar de detalhes do papo quando chegar ao destino.

SONO RUIM

Dormir pouco ou de forma entrecortada impede que o cérebro alcance o estado REM (rapid eye movement, ou movimento rápido dos olhos), que se dá depois de algumas horas de repouso e tem várias funções relativas ao equilíbrio do organismo. “É nessa fase do sono, em que o cérebro está superativo, que ocorre a consolidação de memórias recentes”, diz Fábio Porto, neurologista do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. O sono funciona ainda como uma espécie de refresh, que apaga o que é dispensável e deixa armazenado o que nos serve. Adotar hábitos saudáveis é importante para não se sentir soterrado (e estressado) por tanta informação, porém sem absorver ou aproveitar multa coisa.

EXCESSO DE TECNOLOGIA

É claro que ela existe para ajudar e estimula habilidades mentais – quando você faz uma busca por algum assunto na internet ativa áreas cerebrais relacionadas à capacidade de julgamento e à solução de problemas. Mas não precisa viver colado a seus gadgets preferidos, muito menos ao celular. Uma pesquisa publicada em julho no periódico americano Enviromental Health Perspectives sugere que a radiação emitida pelo aparelho (quando usado diretamente no ouvido, sem fones) afeta regiões do cérebro responsáveis por guardar sons, cheiros, cores e suas associações.

SEDENTARISMO

Fazer atividade física diminui o estresse e a ansiedade, melhora o sono e estimula o crescimento de novas células cerebrais. Sem falar que, dependendo da modalidade, trabalha direta mente a memória – no caso de dança e outras aulas coreografadas, por exemplo. Um estudo de cientistas da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, publicado no British Journal of Sports Medicine revelou que pessoas que fizeram exercícios aeróbicos em intensidade moderada durante pelo menos seis meses apresentaram um aumento no volume do hipocampo, região-chave para o aprendizado e a memória.

DESORGANIZAÇÃO

Não lembrar onde deixou objetos, esquecer compromissos e perder contatos importantes acontece quando você não tem o costume de usar lembretes e anotações. “Isso obriga a buscar a mesma informação várias vezes e a refazer atividades, o que estressa o cérebro e destrói a capacidade de aprendizado”, afirma Christian Barbosa, especialista em produtividade e gestão do tempo.

 

TESTE SUA MEMÓRIA

Marque com que frequência você se esquece das seguintes atividades ou Informações, sendo:

“NUNCA”= O, “ÀS VEZES”= 1 FREQUENTEMENTE = – 2 SEMPRE = – 3

Em seguida, some os pontos correspondente às suas respostas e veja se precisa tomar uma atitude.

  1. Acontecimentos recentes, como o que fez no fim de semana.
  2. Compromissos, como reuniões e consultas.
  3. O que viu em um filme, série ou novela.
  4. Pagar as contas.
  5. O que foi fazer em um determinado lugar quando já estava lá.
  6. Nome de pessoas famosas.
  7. Contar a mesma coisa mais de uma vez para a mesma pessoa.
  8. Desligar o fogo ou trancar a porta de casa ou do carro.
  9. Onde guardou os óculos, o controle remoto ou a chave do carro.
  10. Trajetos que faz várias vezes no dia a dia.
  11. Nome de conhecidos ou parentes.
  12. Número de telefone de familiares próximos, de casa ou do escritório.
  13. Levar suas coisas com você aonde vai.
  14. Atividades cotidianas, como tomar remédios.
  15. Palavras que queria dizer, mas ficaram na ponta da língua.

 

                         RESULTADO

ATÉ 14 PONTOS: NORMAL

Todo mundo esquece coisas no dia a dia. Procure estratégias que ajudem a memorizar compromissos e informações importantes, se acha que o esquecimento pode impactar negativamente a rotina

ACIMA DE 15 PONTOS: SUA LEMBRANÇA PEDE ATENÇÃO.

Fique de olho na qualidade do sono e da alimentação, no acúmulo de tarefas e na desorganização na sua rotina pessoal e de trabalho, e faça algo para que não afetem a capacidade do cérebro de reter informações importantes.

ACIMA DE 30 PONTOS: INDICA COMPROMETIMENTO IMPORTANTE DA MEMÓRIA.

Observe o impacto do esquecimento frequente na rotina e busque orientação profissional para checar se há necessidade de uma avaliação neuropsicológica mais ampla, mudanças no estilo de vida ou exercícios de estimulação cognitiva.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 9: 39-41

Alimento diário

As palavras de Cristo aos fariseus

Tendo dito palavras de conforto ao pobre homem que era perseguido, Cristo aqui diz palavras de condenação para seus perseguidores, uma amostra da distribuição de tribulação e descanso do grande dia, 2 Tessalonicenses 1.6,7. Provavelmente, isto não aconteceu imediatamente depois da sua conversa com o homem, mas Ele aproveitou a primeira oportunidade que se apresentou para falar com os fariseus. Aqui temos:

I – O relato que Cristo dá do seu desígnio ao vir ao mundo (v. 39): “Eu vim a este mundo para juízo”, para ordenar e administrar os grandes assuntos do reino de Deus entre os homens, e estou investido com um poder judicial para fazê-lo, para exercê-lo em conformidade com os sábios conselhos de Deus, e dando prosseguimento a eles. O que Cristo dizia, Ele não dizia como um pregador no púlpito, mas como um rei no trono, e um juiz no tribunal.

1. Sua missão no mundo era grande. Ele veio para realizar o juízo e cumprir objetivos específicos. Ele veio para juízo, isto é:

(1) Para pregar uma doutrina e uma lei que pusessem os homens à prova, e que efetivamente os revelassem e distinguissem, e que seriam completamente adequadas, em todos os aspectos, para serem a regra do governo agora e do julgamento próximo.

(2) Para estabelecer uma diferença entre os homens, revelando os pensamentos de muitos corações, e expondo o verdadeiro caráter dos homens, com este único teste: se eles se sentiriam bem ou mal por causa do Senhor e do seu glorioso Evangelho.

(3) Para mudar a face do governo na sua igreja, abolir as regras judaicas, remover aquela estrutura que, embora erigida pela mão do próprio Deus, ainda assim, pelo passar do tempo, tornou-se antiquada, e pelas incuráveis corrupções dos seus administradores, apodreceu e tornou-se perigosa. Ele também erigiria uma nova estrutura, segundo um novo modelo, para instituir novas ordenanças e funções, para abolir o judaísmo e decretar o cristianismo. Para este juízo, Ele veio ao mundo, e esta foi uma grande revolução.

2. Ele explica esta grande verdade por meio de uma metáfora emprestada do milagre que Ele tinha realizado recentemente: ”A fim de que os que não veem vejam e os que veem sejam cegos”. Esta diferença na vinda de Cristo é sempre mencionada. Para alguns, seu Evangelho é um “cheiro de vida para vida”, para outros, “de morte para morte”.

(1 ) Isto se aplica às nações e aos povos, para que os gentios, que tinham sido destituídos por tanto tempo da luz da revelação divina, pudessem vê-la, e para que os judeus, que a tinham tido durante tanto tempo, pudessem ter as coisas da sua paz ocultas de seus olhos, Oséias 1.10; 2.23. Os gentios viram uma grande luz, enquanto a cegueira se abate sobre Israel, e seus olhos se escurecem.

(2) Aos filhos em particular. Cristo veio ao mundo:

[1] Intencionalmente e propositadamente para dar visão àqueles que eram espiritualmente cegos. Pela sua Palavra, revelar as necessidades, e pelo seu Espírito, curar os órgãos, para que muitas almas preciosas pudessem se converter das trevas à luz. Ele veio para juízo, isto é, libertar da prisão escura aqueles que desejavam ser libertos, Isaías 61.1.

[2] Finalmente, para que aqueles que “veem sejam cegos”, para que aquele s que têm um grande convencimento da sua própria sabedoria, e a usam para contradizer a revelação divina, possam ser selados na ignorância e na infidelidade. A pregação da cruz era uma tolice, e uma obsessão, para aqueles que, por meio da sabedoria, não conheciam a Deus. Cristo veio ao mundo para este juízo, para cuidar das questões de um reino espiritual, assentado nas mentes dos homens. Enquanto na igreja judaica as bênçãos e os juízos do governo de Deus eram, na sua maioria, temporais, agora o método de administração deveria ser modificado. E assim como os bons súditos do seu reino seriam abençoados com bênçãos espirituais nas coisas celestiais, como as que se originam de um esclarecimento da mente, também os rebeldes seriam punidos com pragas espirituais, que não seriam a guerra, a fome ou a pestilência, como antigamente. Estas surgiriam de uma obsessão judicial, de uma insensibilidade de coração, de um terror de consciência, de fortes enganos, e de afetos vis. Desta maneira, Cristo iria julgar entre “gado miúdo e gado miúdo”, Ezequiel 34.17,22.

II – As críticas dos fariseus a isto. Eles estavam com Ele, porém sem desejo de aprender qualquer coisa boa com Ele, mas para fazer o mal contra Ele. E “disseram-lhe: Também nós somos cegos?” Quando Cristo disse que, através da sua vinda, aqueles que viam ficariam cegos, eles entenderam que Ele se referia a eles, que eram os videntes do povo e se orgulhavam de suas percepções e previsões. “Nós”, dizem eles, “sabemos que as pessoas comuns são cegas, mas também nós somos cegos? Nós, quem? Os rabinos, os doutores, os versados em leis, os graduados nas escolas, também nós somos cegos?” Isto é uma difamação dos grandes. Observe que frequentemente aqueles que mais precisam de reprovação, e que mais a merecem, embora tenham inteligência suficiente para discernir uma pessoa tácita, não têm graça suficiente para tolerar uma pessoa justa. Estes fariseus interpretaram esta reprovação como uma repreensão, como aqueles doutores da lei (Lucas 11.45): “Também nós somos cegos? Você ousa dizer que nós somos cegos, nós, cujo juízo todos veneram, valorizam e aceitam?” Observe que nada fortalece mais os corações corruptos dos homens contra as condenações do mundo, nem as repele com mais eficiência, do que a boa opinião, especialmente se for uma opinião favorável, que os outros tenham deles, como se todos os que são aplaudidos pelos homens devessem, necessariamente, obter a aceitação de Deus. Nada é mais falso e enganador do que este conceito, pois Deus não vê como o homem vê.

III – A resposta de Cristo a esta crítica, que, se não os convenceu, pelo menos os calou: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos, por isso, o vosso pecado permanece”. Eles se orgulhavam de não ser cegos, como as pessoas comuns, não ser tão crédulos e manipuláveis como eles, mas de poder ver com seus próprios olhos, ter capacidade, segundo pensavam, suficiente para sua própria orientação, de modo que não precisavam de ninguém que os guiasse. Esta mesma coisa de que se orgulhavam, aqui Cristo lhes diz que era sua vergonha e ruína. Pois:

1. “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado”.

(1) “Se fossem verdadeiramente ignorantes, seu pecado não teria sido tão profundamente agravado, nem vocês teriam tantos pecados para explicar como têm agora. Se fossem cegos, como são os pobres gentios, e muitos dos seus próprios pobres súditos, de quem vocês roubaram a chave da ciência, vocês não teriam, comparativamente, nenhum pecado”. Deus tolera as épocas de ignorância, ignorância involuntária, embora não justifique o pecado, nem o ignore, nem lhe diminua a culpa. Haverá mais tolerância para aqueles que estão perecendo por falta de visão do que para aqueles que se rebelam contra a luz.

(2) Se tivessem percebido sua própria cegueira, se, quando não desejaram enxergar mais nada, pudessem ter enxergado a necessidade de ter alguém que lhes orientasse, logo teriam aceitado Cristo como seu guia, e então não teriam pecado. Eles teriam se sujeitado à justiça do Evangelho, e teriam sido colocados em um estado justificado. Observe que aqueles que são convencidos da sua enfermidade estão no caminho da cura, pois não existe maior obstáculo para a salvação das almas do que a auto – suficiência.

2. “Mas como agora dizeis: Vemos”. Uma vez que tendes conhecimento, e sois instruídos pela lei, vosso pecado se agrava muito. E uma vez que tendes o convencimento daquele conhecimento, e pensais que vedes vosso caminho melhor do que qualquer pessoa possa vos mostrar, vosso pecado permanece, vosso caso é desesperador, e vossa doença, incurável”. E como os piores cegos são aqueles que não querem ver; também é mais perigosa a cegueira daqueles que imaginam que veem. Nenhum paciente é mais difícil de controlar do que aqueles que estão em um frenesi, que dizem que estão bem, e que nada os aflige. O pecado daqueles que são arrogantes e auto -confiantes permanece, pois eles rejeitam o Evangelho da graça. Portanto, a culpa dos seus pecados permanece sem perdão, e eles perdem o direito ao Espírito da graça, e, consequentemente, o poder do seu pecado permanece indestrutível. “Tens visto um homem que é sábio a seus próprios olhos?” Você pode ouvir os fariseus dizendo: “Vemos”? “Maior esperança há no tolo”, em um publicano e em uma prostituta do que em alguém como eles.