ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 9: 8-12

Alimento diário

A visão é concedida a um cego de nascença

Um evento tão maravilhoso como a concessão da visão a um cego de nascença não poderia deixar de ser o assunto da cidade, e muitos não lhe davam maior atenção do que a outros assuntos cotidianos, ou seja, um período que estimamos em aproximadamente nove dias de admiração e espanto. Mas aqui nós lemos o que os vizinhos disseram, para a confirmação do fato. Aquilo que, a princípio, não tinha crédito sem escrutínio pode, posteriormente, ser aceito sem quaisquer dúvidas. Duas coisas são discutidas nesta conversa sobre o fato:

I – Se este era o mesmo homem que antes era cego, v. 8.

1.  Os vizinhos que moravam próximos ao lugar onde o que dantes era cego tinha nascido e crescido, e sabiam que ele era cego, não puderam deixar de se maravilhar quando viram que ele tinha visão, repentina e perfeita, e perguntaram: “Não é este aquele que estava assentado e mendigava?” Aparentemente, este cego era um mendigo comum, incapacitado para trabalhar para ganhar seu sustento, e, desta maneira, isento da obrigação da lei, que dizia que alguém que não trabalhasse também não comeria. Como não podia ganhar o próprio sustento, ele se sentava para mendigar: Se não pudermos trabalhar para Deus, devemos nos assentar, nos aquietar, e esperar pelas providências dele. Como não podia trabalhar, e não sendo seus pais capazes de sustentá-lo, ele mendigava. Observe que aqueles que não conseguem subsistir de outra maneira não devem, como o mordomo injusto, se envergonhar de mendigar (Lucas 16.3). Que ninguém se envergonhe de nada, exceto do pecado. Existem alguns mendigos comuns que são objetos de caridade, que devem ser diferenciados, e nós não devemos deixar que as abelhas passem fome por causa dos zangões ou das vespas que estão entre elas. Quanto a este homem:

(1) Estava bem ordenado pela Providência que aquele em quem este milagre se realizou fosse um mendigo comum, e muito conhecido e notável, pois, desta maneira, a verdade do milagre se confirmou melhor, e houve mais pessoas para testemunhar contra estes judeus infiéis, que não desejavam crer que ele tinha sido cego, do que teria havido se ele tivesse sido mantido na casa do seu pai.

(2) Foi o grande exemplo da condescendência de Cristo o fato de que Ele parecesse (como eu diria) empenhar-se mais na cura de um mendigo comum do que de outras pessoas. Embora fosse vantajoso que seus milagres se realizassem naqueles que eram conhecidos, Ele escolhia aqueles que o eram devido à sua pobreza e miséria, não pela sua dignidade.

2.  Em resposta a esta pergunta:

(1) Uns diziam: “É este”, o mesmo homem, e estes eram testemunhas da verdade deste milagre, pois sabiam que ele era cego havia muito tempo.

(2) Outros, que não julgavam ser possível que um homem cego de nascença recebesse, de modo repentino, sua visão, por esta razão, e nenhuma outra, diziam: “Não é ele, mas “parece-se com ele”, e assim, pela sua confissão, se fosse ele, seria um grande milagre que teria sido operado nele. Aqui nós podemos aproveitar a oportunidade para pensar:

[1] Sobre a sabedoria e o poder da Providência em ordenar uma variedade universal nos rostos dos homens e das mulheres. Deste modo, não há dois rostos tão parecidos a ponto de não poderem ser distinguidos, o que é necessário para a sociedade, o comércio e a administração da justiça. E: [2] Sobre amaravilhosa mudança que a graça conversora de Deus opera sobre alguns que antes eram muito perversos e vis, mas que agora são tão universalmente e visivelmente alterados, que ninguém pensaria que são as mesmas pessoas.

3.  Esta controvérsia logo foi solucionada pelo próprio homem que dantes era cego: “Ele dizia: Sou eu”, o mesmo homem que até tão pouco tempo se sentava e mendigava. “Eu sou aquele que era cego, e era objeto da caridade dos homens, mas agora eu vejo, e sou um monumento da misericórdia e da graça de Deus”. Não creio que os vizinhos tivessem lhe perguntado sobre o assunto, mas acredito que ele, tendo ouvido a discussão, interferiu e deu-lhe um fim. Há um ato de justiça que devemos àqueles que estão à nossa volta, corrigir seus erros, e apresentar os fatos diante deles, até onde formos capazes, sob uma luz verdadeira. Aplicando isto espiritualmente, somos ensinados que aqueles que são, de maneira redentora, esclarecidos pela graça de Deus, devem estar prontos para reconhecer o que eram antes de serem transformados pela bendita mudança ocorrida em si mesmos, 1 Timóteo 1.13,14.

II – Como ele veio a ter seus olhos abertos, vv. 10-12. Eles agora se viram, e vêm esta grande visão, e fazem mais perguntas a respeito. O Senhor não tocava uma trombeta diante de si quando realizava tais atos de caridade, nem realizava suas curas sobre um palco, e, ainda assim, como uma cidade edificada sobre um monte, suas curas não podiam ser escondidas (Mateus 5.14). Duas coisas estas pessoas que conheciam o cego queriam saber:

1.  Como a cura foi realizada: “Como se te abriram os olhos?” Sendo grandes as obras do Senhor, elas são procuradas, Salmos 111.2. É bom observar o caminho e o método das obras de Deus, e elas parecerão ainda mais maravilhosas. Nós podemos aplicar isto espiritualmente. É estranho que os olhos cegos se abram, mas é ainda mais estranho quando consideramos a maneira como eles foram abertos. Como são fracos os meios utilizados, e como é forte a oposição que é derrotada. Em resposta a esta pergunta, o pobre homem lhes dá um relato completo e claro sobre o ocorrido: “O homem chamado Jesus fez lodo… e vi”, v. 11. Observe que aqueles que experimentaram exemplos especiais do poder e da bondade de Deus, em coisas temporais ou espirituais, devem estar preparados, em todas as ocasiões, para divulgar suas experiências, para a glória de Deus e para a instrução e o incentivo de outros. Veja o conjunto das experiências de Davi, as suas próprias e as de outros, Salmos 34.4-6. Temos uma dívida para com nosso Benfeitor, e para com nossos irmãos. Os favores de Deus que são derramados sobre nós podem beneficiar a vida de outras pessoas. Quando isto não acontece, eles se perdem em nós, e não alcançam as pessoas que poderiam alcançar através de nossos testemunhos e obras.

2.  O autor da cura (v. 12): “Onde está Ele?” Alguns, talvez, fizessem esta pergunta movidos pela curiosidade. “Onde está Ele, para que possamos vê-lo?” Um homem que realizava curas como esta podia perfeitamente ser um espetáculo tal, que alguém poderia percorrer uma grande distância somente para vê-lo. Outros, talvez, perguntassem com más intenções: “Onde está Ele, para que possamos prendê-lo?” Havia uma ordem para que Ele fosse localizado e preso (cap. 11.57), e a multidão irracional, apesar de toda a razão e justiça, terá maus pensamentos sobre aqueles a quem foi imputada uma má fama. Acreditamos que alguns faziam esta pergunta com boas intenções: “Onde está Ele, para que possamos conhecê-lo? Onde está Ele, para que possamos ir até Ele, e compartilhar dos favores que Ele concede tão livremente?” Em resposta a isto, o homem não pôde dizer nada: “Não sei”. Tão logo Cristo o enviou ao tanque de Siloé, aparentemente, Ele se retirou imediatamente (como fez em João 5.13), e não esperou que o homem retornasse, como duvidando do resultado ou esperando pelos agradecimentos do homem. As almas humildes sentem mais satisfação em fazer o bem do que em ouvir sobre o evento outra vez. Haverá tempo suficiente para ouvir falar sobre isto, na “ressurreição dos justos”. O homem nunca tinha visto a Jesus, pois, quando ganhou a visão, perdeu seu médico, e, provavelmente, ele teria perguntado: “Onde está Ele?” Nenhuma de todas as novas e surpreendentes visões que se apresentavam diante dele poderiam ser tão agradáveis a ele como uma visão de Cristo, mas ele não soube mais nada sobre Ele, exceto que se chamava, e com razão se chamava, Jesus Salvador. Assim, na obra de graça realizada sobre nossa alma. nós podemos ver a transformação, mas não a mão que a realiza. pois o caminho do Espírito é como o do vento, ouvimos sua voz, mas não sabemos donde vem.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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