PSICOLOGIA ANALÍTICA

O ESPECTRO DA ESQUIZOFRENIA

Especialistas consideram que, assim como acontece com o autismo e a depressão, a psicose pode ter várias gradações. Pesquisadores argumentam que até a absoluta maioria das pessoas apresenta sintomas psicóticos em algum grau, ainda que mínimo – o que não é necessariamente um problema.

O espectro da esquizofrenia

É cada vez mais comum ouvir pessoas se queixarem de que se sentem deprimidas ou ansiosas, mesmo que os sintomas não sejam debilitantes a ponto de comprometer a rotina. Também não é raro que numa conversa com amigos alguém comente que tem “um pouco” de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Fica claro que intuitivamente muitos acreditam que doenças mentais têm um espectro que varia de manifestações leves a graves. A maioria, porém, não sabe o que é ter alucinações (ver ou ouvir coisas que não existem) ou ter delírios, noções e lógicas persistentes, até bastante elaboradas, que não correspondem à realidade. Ainda assim, muitas vezes a psicose é vista como se não tivesse nuances: um indivíduo é psicótico ou não.

No entanto. as evidências de que talvez não haja uma clara linha divisória têm se tornado cada vez mais consistentes. Não é de hoje que psiquiatras debatem se a psicose está num espectro. Pesquisadores investigam essa questão por mais de uma década. Uma meta-análise feita pelo psiquiatra Jim van Os, pesquisador da Universidade Maastricht na Holanda, e pelo psicólogo Richard Linscott, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, combinou dados existentes e encontrou prevalência de 7.2% de alucinações e delírios na população geral – um número muito mais elevado do que 0.4% de diagnósticos de esquizofrenia encontrado em pesquisas recentes.

O estudo epidemiológico mais abrangente de experiências psicóticas até hoje, publicado há alguns meses no periódico cientifico JAMA Psychiatry, oferece aos pesquisadores uma imagem ainda mais detalhada do número de pessoas que apresentam essas experiências e da frequência em que ocorrem. Os resultados indicam fortemente um espectro. O tratamento-padrão para episódios psicóticos talvez precise ser revisto.

Cientistas liderados pelo psiquiatra John McGrath, da Universidade de Queensland, na Austrália, analisaram dados das Pesquisas Mundiais de Saúde Mental (WMH, na sigla em inglês), da Organização Mundial da Saúde (OMS), um conjunto de estudos comunitários com 31.261 adultos de 18 países. Depois de excluírem experiências provocadas por drogas ou sono, os cientistas chegaram à conclusão de que 6% dos entrevistados tiveram experiências psicóticas. Dois terços dessas pessoas passaram apenas por um episódio, sendo as alucinações quatro vezes mais comuns do que os delírios.

As experiências psicóticas eram tipicamente raras: 32% dos indivíduos tiveram apenas um único episódio e outros 32%, de 2 a 5. O outro terço relatou entre seis e mais de 100. Ter mais de um tipo de experiência foi associado com ter mais no total. Essas pessoas não procuraram ajuda e não haviam sido diagnosticadas com um transtorno psicótico. “A maioria passa apenas por episódios fugazes e esporádicos. mas há um subgrupo com ocorrências frequentes e persistentes, diz McGrath.

Os resultados sugerem que a psicose está num espectro, embora ainda não se saiba se é distribuída de forma contínua em toda a população. Todos temos um pouco de esquizofrenia em nós ou alguns têm e outros não?”. pergunta Linscott. Não é fácil responder. Aquilo que é considerado alucinação pode ser algo difícil de delinear. Além disso, mesmo os testes elaborados de forma mais cuidadosa podem estar abertos a interpretação. Talvez o que vemos nas margens sejam essas sutilezas devido à linguagem utilizada nas perguntas, diz ele.

As experiências psicóticas foram ligeiramente mais comuns em mulheres (6.6%) do que em homens (5%), apesar de a esquizofrenia plena ser mais prevalente no sexo masculino. Além disso. os episódios psicóticos foram mais prevalentes entre pessoas que viviam em países de média e alta renda (7,2% e 6.8 %, respectivamente) do que nos de baixa (3.2%). Estar desempregado, solteiro ou ser de uma família relativamente pobre também foi associado com maiores taxas de alucinações e delírios. Aspectos socioeconômicos e ambientais como o estresse são conhecidos fatores de risco para a esquizofrenia.

“Vivências psicóticas podem ser marcadores de estresse psicológico geral: podem surgir na depressão, nos transtornos de ansiedade etc.”, argumenta McGrath. Costumam ocorrer também em pessoas saudáveis, e, em última instância, o objetivo talvez seja descobrir o que determina o porquê de alguns serem pouco afetados enquanto outros sofrem gravemente. Responder a essa pergunta poderia ter consequências importantes para ajudar pessoas em dificuldades.

O tratamento seria muito diferente para um indivíduo cujas experiências psicóticas estão relacionadas com transtornos depressivos, de ansiedade ou com um momento de estresse agudo, em comparação com alguém que demonstra os primeiros sinais de esquizofrenia. O fato de que a psicose pode estar num espectro também ajuda a aliviar o estigma associado ao diagnóstico de esquizofrenia. Isso seria um enorme benefício para as pessoas que experimentam os sintomas, leves ou graves.

 O espectro da esquizofrenia.2

QUAL A DIFERENÇA ENTRE ALUCINAÇÃO E DELÍRIO?

As alucinações estão associadas aos sentidos (podem ser olfativas, gustativas, auditivas, táteis e visuais). Alucina-se com fenômenos existentes que aparecem mesclados (por exemplo, um elefante que canta; tanto a música quanto o animal existem, mas a combinação da cena é irreal). Já o delírio não depende dos nossos sentidos, mas sim de um estímulo externo real que é interpretado de forma errada, trata-se de um a interpretação equivocada da realidade. Ou seja, o que diferencia alucinação e delírio é que no primeiro caso não há fenômeno ou estímulo externo, enquanto no segundo algo externo é percebido de maneira deformada e enganosa.

 O espectro da esquizofrenia.3

PODE FAZER BEM?

Jane não foi diagnosticada com esquizofrenia, mas tem alucinações há alguns anos. Nessas situações, Marcos, seu primeiro namorado, ainda na adolescência, lhe oferece conselhos. “Eu o sinto no cômodo onde estou, em geral de pé, atrás de mim”, conta. ” Ele foi meu primeiro amor, perdemos completamente o contato, mas ele me guia desde que meus delírios começaram a tomar forma definitiva.

Eu o vejo pelos cantos dos olhos e ele me diz para confiar em minhas capacidades.” Foram as palavras de Marcos que tranquilizaram Jane quando ela decidiu se mudar da casa onde vivia e investir na carreira profissional que sempre desejou. Jane, hoje com 32 anos, pediu que não usássemos seu nome real para se preservar, mas concordou em falar sobre suas alucinações, que considera benignas.

Ela sabe que ele é uma parte de si mesma que ela procura quando precisa de orientação. Jane acredita que as experiências da infância e os problemas de saúde mental de sua mãe a predispuseram à psicose – o que não é uma grande surpresa, considerando o componente genético envolvido no transtorno. Um estudo do ano passado associa fortemente 108 regiões genéticas com a esquizofrenia. Segundo Jane, anos de psicoterapia lhe trouxeram tranquilidade para lidar com a situação e a certeza de que o conteúdo de suas experiências está relacionado com a falta de capacidade dos pais de lhe oferecer o afeto de que necessitava durante a infância. Jane acredita que a forma que encontrou para internalizar sua própria rede de apoio foi por meio das alucinações. “Foi a forma que encontrei para me cuidar”, diz. “Talvez um dia essa ‘parte boa’ que me aconselha possa estar tão integrada à minha personalidade que não precise mais vê-la fora de mim, mas o que sei hoje é que encontrar sentidos para o que sinto e vejo foi uma grande conquista em minha vida.”

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

Abre Olho Raposa

A fonte de notícias que vai te manter informado

troca de óleo automotivo do mané

Venda e prestação de serviço automotivo

darkblack78

Siyah neden gökkuşağında olmak istesin ki gece tamamıyla ona aittken 💫

Babysitting all right

Serviço babysitting todos os dias, também serviços com outras componentes educacionais complementares em diversas disciplinas.

Maromba's

Marombas

M.A

Interviews, reviews, marketing for writers and artists across the globe

Gaveta de notas

Guardando idéias, pensamentos e opiniões...

Isabela Lima Escreve.

Reflexões sobre psicoterapia e sobre a vida!

Roopkathaa

high on stories

Luna en mengua

Poesía, arte, literatura y música.

de tudo um pouco ❗❕❗😉👌

de tudo um pouco 😉👌

Painel do Grupo

Aqui um pouquinho de nossas realizações

%d blogueiros gostam disto: