PSICOLOGIA ANALÍTICA

AMIGOS SÃO ESSENCIAIS

Inúmeros estudos desenvolvidos em várias universidades internacionais indicam que as pessoas que criam verdadeiros laços emocionais e sociais vivem mais e com melhor saúde física e mental.

Amigos são essenciais

Isadora e Fernanda (nomes fictícios) se conheceram aos 9 anos de idade, na escola. Se pudéssemos falar em “amizade à primeira vista” poderia se tentar explicar a conexão que nasceu entre as duas e que as levou a se autodenominarem dali para a frente melhores amigas.

Na contramão das estatísticas publicadas pela Psychological Science, segundo as quais a maior parte das amizades dos primeiros anos de escola está condenada, Isadora e Fernanda estudaram juntas até os 15 anos e continuaram amigas inseparáveis nesse período.

Durante os tempos de escola, faziam tudo juntas: estudavam, iam à biblioteca fazer os trabalhos, andavam de bicicleta, brincavam e, quando o dia terminava, ficavam horas ao telefone, pois o assunto e os motivos para as tantas risadas eram intermináveis.

Diferentes em muitas coisas e muito parecidas em outras, se completavam. A sensação que tinham, juntas, era de completude e alegria. Ter um grande amigo na infância é como ter um grande tesouro! Poder compartilhar ideias, sonhos, brincadeiras, artes e ter um companheiro para as aventuras é algo fantástico.

Entretanto, aos 17 anos, circunstâncias da vida as separaram de cidade. Continuaram seus estudos, se formaram, constituíram suas famílias.

O tempo e a distância foram construindo uma ponte entre as duas que, apesar disso, continuaram com o forte vínculo e com as lembranças. Continuavam sabendo sobre os fato mais marcantes de suas vidas. Telefonemas e encontros esporádicos nas datas especiais ou ocasiões importantes da vida de cada uma ocorriam. No coração uma carregava a outra e a forte conexão continuava, mesmo com a distância.

Na maturidade, já haviam vivido seus dramas pessoais, situações normais da vida. Mantendo o contato distante, pensavam que as lutas seriam bem menos pesadas se estivessem perto e pudessem dividir os pesos em diversas situações, uma com a outra. Com o passar do tempo, percebiam que tinham um buraquinho que não havia sido preenchido, embora tivessem conhecido muitos outros amigos.

A vida nos surpreende o tempo todo, e após essa “ponte” de 30 anos, Isadora e Fernanda ganharam o que consideraram um presente divino: voltaram, coincidentemente, a morar na mesma cidade! Mais uma vez, as amigas entram na pequena estatística publicada em um estudo da Florida Atlantic University, de que apenas um por cento dos alunos que estudaram juntos na escola permanecem amigos fiéis a vida toda. Fernanda e Isadora faziam parte, então, dessa ínfima porcentagem. Perceberam, ao se reencontrarem fisicamente, que o mesmo vinculo, o mesmo amor e a cumplicidade da infância continuavam fortes, como se não houvesse o tempo e a distância entre elas.

Voltaram, com o tempo e convivência, a compartilhar suas alegrias, seus receios, suas conquistas, lembranças da infância. Voltaram a fazer coisas juntas e passaram a ter mais orgulho ainda dessa amizade: uma amizade de 40 anos! Familiares e pessoas próximas notaram a diferença de disposição e de humor nas duas. Os semblantes estavam mais leves e mais felizes! A saúde emocional de ambas havia melhorado e a física também… passaram a fazer atividades físicas juntas e ficaram mais motivadas a ter uma vida saudável.

Obviamente, existiram outras amizades, na infância de ambas, algumas delas também especiais, que foram bem alimentadas durante o período da escola, permaneceram intactas durante esses mesmos 30 anos e que também foram resgatadas e mereceriam uma bonita história.

Hoje, um pequeno e íntimo grupo de amigas se formou junto a Fernanda e Isadora, agora mulheres maduras, compartilhando não só lembranças, mas o dia a dia dessas, tornando a vida mais leve e muito mais gostosa! O fato de estarem conectadas tem trazido bem-estar físico e alegria para todas.

Mas, afinal, podem a ciência e a Psicologia explicarem essa felicidade proporcionada por amizades? Existe comprovação cientifica que justifique esses sentimentos de prazer e até bem-estar físico e emocional promovidos por uma verdadeira amizade?

A resposta é sim! A ciência comprova: as amizades nos mantêm mais saudáveis e felizes. E até aumentam em 50% a chance de vivermos mais tempo, protegidos de circunstâncias adversas de envelhecer.

A amizade faz bem à saúde, produz prazer e felicidade! A começar pelos hormônios da amizade: a endorfina, que funciona como um ópio sem o risco da dependência. Com a liberação da endorfina, existe a sensação de relaxamento e felicidade. Rir com um amigo, conversar ou ouvir suas histórias são gatilhos para liberação de endorfina. Junto à endorfina, no contato e cuidado com a amizade há liberação de outro hormônio muito importante para a felicidade: a ocitocina, hormônio calmante, que reduz os níveis de tensão.

É comprovado, pela ciência, que a ocitocina, o hormônio do prazer, também está presente nos relacionamentos de amizade. O nível dessa substância aumenta quando encontramos pessoas confiáveis e isso nos faz propensos a nos relacionarmos. Seus efeitos chegam à confiança e fidelidade. Nas mulheres, esse hormônio é mais concentrado e, por isso, existe a possibilidade de mais apego afetivo e de relacionamentos profundos. A ocitocina age em oposição à adrenalina, que nos deixa ansiosos e estressados. Portanto, ao estarmos com amigos, vivenciando momentos de alegria e prazer, estamos liberando endorfina e ocitocina, que combatem o estresse, a ansiedade e a depressão.

Mas os benefícios das conexões sociais, das amizades vão muito além. Uma pesquisa realizada pela Universidade Harvard (Study of Adult Development) investigou durante 75 anos, a partir de 1938, qual seria o segredo da felicidade. Este foi o estudo mais longo sobre o assunto.

Participaram do estudo 724 pessoas, jovens, na época, que foram acompanhados durante todos esses 75 anos. Além dos selecionados, os familiares de cada um também foram observados e entrevistados com eles, a cada dois anos.

Robert Waldinger, psiquiatra, um dos diretores desse estudo da Harvard, teve acesso a dados sobre a verdadeira felicidade, na opinião dessas pessoas, no decorrer de suas vidas.

As questões que mapearam a pesquisa foram: “Qual é o segredo para uma vida feliz?” e “Se você hoje fosse investir no seu melhor futuro, no que você colocaria tempo e energia”?

Ao contrário do que se esperava como resposta provável, como dinheiro, trabalho ou status, a conclusão da pesquisa foi: amizade, relacionamentos sociais.

O estudo demonstrou, durante o período em que foi realizado, que as pessoas que criaram verdadeiros laços emocionais e sociais viveram mais e melhor.

No início da pesquisa, todos os 724 selecionados eram jovens, alguns foram convocados para a guerra, se tornaram depois médicos, engenheiros, advogados, pedreiros, operários, e, um deles, presidente dos Estados Unidos, o presidente Kennedy, mas todos os que se mantiveram saudáveis física e emocionalmente atestaram que foram as conexões sociais que os mantiveram assim.

AMIZADE X DEPRESSÃO

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 350 milhões de pessoas no planeta sofrem de depressão. A doença afeta 4,4% da população mundial e 5,8% dos brasileiros, de acordo, ainda, com a OMS. O Brasil é recordista em transtornos de ansiedade e é comprovado cientificamente que a ansiedade tanto pode ser uma comorbidade comum à depressão como pode ser um fator desencadeante dela.

Hoje, a depressão é a maior causa de incapacidade mental e física global. A expectativa para os próximos anos, infelizmente, é de aumento dessas estatísticas, o que torna essa patologia uma das mais preocupantes no topo da lista das políticas públicas e das empresas, no mundo todo. A depressão afeta os relacionamentos, a saúde física e mental e o trabalho. Ela é multifatorial e pode se apresentar de diversas formas, entre elas como uma tristeza profunda, falta de motivação, de energia e de prazer nas atividades rotineiras. Entretanto, há uma luz no fim do túnel para que a depressão seja combatida e, mais uma vez, as conexões sociais entram em evidência quando o assunto é esse.

Uma pesquisa, feita pela agência France Presse, declara que ter um amigo reduz a probabilidade de a pessoa desenvolver depressão e duplica as chances de cura da pessoa deprimida em 6 a 12 meses. Por outro lado, uma pessoa isolada, que não mantém vínculos sociais, tem muito mais probabilidade de desenvolver depressão.

É consenso, no meio acadêmico, que ter uma boa rede social pode ser uma forma de combater a depressão e que, ao ter um amigo, seu corpo e mente ficam imunes a problemas, ou seja, quem tem amigo adoece menos e vive mais tempo, de acordo com outro estudo da Universidade de Chicago.

Sabe-se que o sorriso é algo contagiante e que, quando se convive com pessoas otimistas, as chances de dar mais risadas crescem em até 60%, estatística essa ainda demonstrada pelo estudo de Harvard.

Nesse sentido, um amigo que tenha atitudes positivas com o qual se possa dar boas risadas pode ser um ótimo aliado para combater as doenças físicas e da alma.

AMIGOS NOS APRIMORAM

Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Ter empatia leva as pessoas a se conectarem totalmente com as outras, colocando-se no lugar do outro, conseguindo compartilhar totalmente os sentimentos.

Um estudo recente, desenvolvido pela Universidade de Virgínia e dirigido pelo psiquiatra James Coan, demonstrou que os amigos fazem nossa empatia crescer. A partir da observação de tomografias das pessoas analisadas os estudiosos descobriram que nosso “eu” inclui as pessoas mais próximas. A atividade cerebral de uma pessoa quando está em perigo, é praticamente idêntica à que ela demonstra quando é amigo seu que corre algum risco. Ou seja, as pessoas “mais chegadas” se convertem em parte de nós, diz o diretor do estudo, não no sentido poético, mas no sentido real.

Segundo o antropólogo e psicólogo inglês Robin Dunbar, o “cuidar” é muito importante na construção de uma amizade. Para ele, a frequência do contato é o que mais importa nessa construção. A intensidade da relação está intimamente ligada ao tempo gasto com ela entre as duas pessoas. Ele diz ainda que os encontros cara a cara é que sustentam a amizade.

Dessa forma, manter uma amizade nos ensina e nos aprimora na arte de cuidar do outro e dos sentimentos. É colocar em prática aquele velho ditado: “É preciso regar diariamente os relacionamentos”.

Dunbar justifica a importância da amizade como uma necessidade de sobrevivência. Desde os primórdios tempos, só sobrevivemos em grupo. O homem não foi feito para viver isoladamente. Hoje não necessitamos dos amigos para nos proteger de predadores, mas ter amigos é essencial para termos uma vida de sucesso.

Seus estudos apontam ainda que, de acordo com o filósofo Aristóteles, os amigos se amam pelo que são e desejam o melhor para o outro, sem esperar nada em troca.

Aprendemos, sendo amigos, a amar de forma incondicional. Em contrapartida, uma relação de qualidade é aquela em que os amigos se sentem seguros, para serem exatamente quem são. Não há papéis e nem máscaras. É um relacionamento baseado na compreensão do outro, com suas qualidades e seus defeitos.

CONEXÕES SOCIAIS E TRABALHO

A pesquisa de Harvard inspirou Shown Achor a escrever o livro O Jeito Harvard de Ser Feliz. Nele, o autor declara: você não precisa ter sucesso para ser feliz, mas precisa ser feliz para ter sucesso. E, nesse sentido, ter amigos no trabalho pode tomar a pessoa mais produtiva, mais criativa e mais motivada. Amizade é sinônimo de apreço e afeição. Pessoas amigas são as que possuem respeito, confiança, e ter companheiros assim no trabalho contribui para o sucesso não só pessoal, mas da própria empresa.

Os amigos torcem pelo sucesso uns dos outros e a amizade pode ser um fator importantíssimo para a formação de uma equipe unida e produtiva.

Fazer amigos no trabalho torna o ambiente menos competitivo e individualista. É saudável para todos. Estudiosos apontam que, segundo entrevistas realizadas para uma pesquisa, quase 50% dos profissionais entrevistados relatam que os relacionamentos sociais no trabalho os deixam mais motivados e produtivos, tornando o ambiente de trabalho um lugar agradável e de muito mais sucesso.

As pesquisas demonstram que esse é um consenso em diversas faixas etárias, tanto entre jovens com idades entre 18 e 24 anos, como entre pessoas mais maduras, com idade variando entre 55 e 65 anos.

No entanto, apesar dos vínculos sociais tornarem-se mais fortes entre funcionários, seus colegas e chefes, é preciso ter muito bom senso para que não haja protecionismo ou a busca por ele, ou ainda misturar assuntos profissionais com os pessoais dentro da empresa.

A relação dentro do ambiente profissional sempre deve ser respeitosa, por mais que se tenha proximidade ou amizade entre colegas, lembrando que os assuntos familiares, sociais e pessoais devem ser tratados, de preferência, fora da empresa.

Retomando aquele provérbio bíblico que diz “quem encontra um amigo, encontra um tesouro”, realmente, a partir de tantos estudos científicos e de descobrir quão bem uma verdadeira amizade nos faz, nunca essas palavras antigas foram tão verdadeiras, literalmente!

Como seres sociais, precisamos nos conectar, fazer amizades e, mais do que isso, valorizar aquelas pessoas que estão ao nosso lado em todas as circunstâncias… nossos verdadeiros amigos!

A história de amizade de Isadora e Fernanda ainda está sendo escrita, pois as duas certamente terão muito a compartilhar e viver juntas! Felicidade, bem-estar, motivação e completude são, mais uma vez, os sentimentos nutridos por essas sempre amigas.

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AMIZADE NA PÓS-MODERNIDADE

É sabido que as amizades virtuais não substituem as amizades reais. Mas será que elas não são saudáveis?

A internet, hoje, é uma das ferramentas mais utilizadas para as conexões globais e para se iniciar amizades. Ela está transformando as relações. tornando muito mais fácil o conhecimento de novas pessoas.

De acordo com um estudo da Universidade de Toronto, no Canadá, a internet faz com que as amizades se multipliquem. A pesquisa constatou que, durante a década passada, com o aumento das redes sociais, o número de amizades cresceu muito. E os usuários que passam mais tempo na internet (heavy users) foram aqueles que ganharam mais amigos fora da rede, no mundo real. As estatísticas do estudo mostram que enquanto eles tiveram um aumento de 38% em suas amizades reais, os outros. que passavam menos tempo na internet, ampliaram em apenas 4% seus amigos.

A pesquisa ainda indica que a internet não cria amizades totalmente aleatórias. O Facebook, por exemplo, parte de um perfil individual para sugerir a conexão e novos amigos, utilizando, inclusive, para isso, algumas afinidades.

Barry Willman, da Universidade de Toronto, diz que as redes sociais estão cada vez mais diversificadas e maiores. No entanto, alguns estudiosos defendem que a distância entre os usuários e amigos acaba prejudicando muito essas amizades.

O antropólogo Dunbar afirma: “No fim das contas, ainda precisamos estar próximos das pessoas”. Nesse sentido, a proximidade física é essencial para sentirmos os reais benefícios da amizade. Entretanto, para o cérebro, só o fato de estar conectado à rede já faz com que haja a liberação de oxitocina, diminuindo os efeitos do cortisol, embora seja fato que o contato presencial libera uma quantidade muito maior do hormônio.

Os pesquisadores ainda relatam que de tanto as pessoas estarem conectadas podem estar mais abertas para as amizades e isso pode mudar padrões cerebrais, tornando o homem um ser hiperssocial. Portanto, as amizades virtuais acabam por ajudar as amizades reais!

Alguns deles deram grandes e lindos depoimentos sobre seus amigos e como eles tiveram influência em suas vidas.

Os pesquisadores verificaram que as pessoas que estavam mais felizes e satisfeitas aos 50 anos eram as mais saudáveis aos 80 e que o motivo para essa felicidade era, sem dúvida, na opinião deles, os relacionamentos bons e íntimos que haviam construído no decorrer de suas vidas, com os companheiros conjugais e com seus verdadeiros amigos.

Durante todo o processo de investigação, os cérebros das pessoas estudadas foram escaneados várias vezes e exames de saúde física e mental eram realizados com frequência.

Os estudiosos chegaram a algumas outras conclusões muito interessantes sobre o poder da amizade. Bons relacionamentos nos mantêm felizes, saudáveis e produtivos, inclusive no trabalho. A amizade ajuda na prevenção de várias doenças, como distúrbios cardiovasculares, depressão e outros.

Aqueles que não conseguem manter bons e verdadeiros relacionamentos possuem maiores chances de ter a saúde comprometida. O isolamento é tóxico e envenena a alma e o corpo. O cérebro de quem se mantém isolado se deteriora mais cedo, as chances de desenvolver depressão e Alzheimer aumentam, o tempo de vida é mais curto. Ou seja, a solidão mata!

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VERDADES QUE SÓ OS GRANDES AMIGOS COMPARTILHAM

  1. Será possível ter ciúme do melhor amigo? Peter De Scioli, diretor de um estudo da Universidade da Pensilvânia, diz que sim! Somos seres ciumentos e a amizade é uma aliança. Nesse sentido, é natural sentirmos ciúme daqueles amigos eleitos como nossos melhores amigos. Um ciúme que seja saudável e equilibrado.
  2. Um verdadeiro amigo o apoia em seus empreendimentos. Mesmo avisando sobre os riscos que você talvez não esteja enxergando, um amigo sempre irá encorajá-lo em suas ideias e projetos.
  3. Um amigo ama suas “bobeiras”. Todos nós temos momentos em que fazemos palhaçadas, rimos à toa, contamos piadas sem graça. Seu melhor amigo o acompanhará nessas atitudes e verdadeiramente irá gostar e rir de suas idiotices.
  4. Perdoa sempre. Seu amigo verdadeiro sabe que você não é perfeito e uma hora cometerá erros. Obviamente se sentirá chateado se for algo que o machucou, porém vai perdoar, pois valoriza muito mais a amizade do que o erro.
  5. Seu amigo conhece você como ninguém. Ele conhece seus gostos. suas reações, suas peculiaridades. Reconhece seus sentimentos e como você está apenas por seu olhar, sua fala, seus gestos.
  6. Um verdadeiro amigo mantém contato sempre. Seu amigo não age com interesse, o procurando apenas quando precisa. Ele tem verdadeiro interesse em você, em saber como você está e, portanto, o contato é frequente.
  7. Seu segredo está seguro. Se você tem um verdadeiro amigo. poderá contar com ele para manter seus maiores segredos guardados. Existe uma relação de confiança total.
  8. Seu amigo sempre terá tempo para você. Não importa se ele está atolado de afazeres, ele dará sempre atenção. É uma questão de abrir mão de um tempo para si mesmo para estar com você.
  9. Seu amigo verdadeiro vai brigar muito com você. Se vocês se conhecem melhor do que ninguém, sabem exatamente o que irrita o outro ou o que machuca, e a intimidade fará com que percam a paciência e estourem quando acontecerem atitudes nesse sentido. Mas estarão logo em paz novamente.
  10. Seu amigo verdadeiro jamais fará algo apenas para impressioná-lo. Ele não se importa em como você está vestido, se vocês saem ou se encontram em casa mesmo e nem quer impressionar com coisas… isso não importa, e sim o tempo que passam juntos.

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OUTROS OLHARES

O REALIZADOR DE UTOPIAS

Há pouco mais de 500 anos, o padre alemão Martinho Lutero sonhava em reformular o catolicismo. Acabou sendo excomungado e criou uma nova Igreja, a luterana. Hoje, religiões derivadas dos princípios defendidos por ele, como as evangélicas e protestantes, contam com um terço dos brasileiros.

O realizador de utopias

O monge alemão Martinho Lutero queria apenas realizar um sonho e transformar a igreja católica à qual pertencia, mas acabou mudando a história do Cristianismo. Ele não concordava com as diretrizes impostas por Roma, na Itália, onde ficava o Papa, chefe da sua igreja. Lutero elaborou então um elenco com 95 teses que gostaria de ver aplicadas ao catolicismo e afixou o documento na porta do castelo de Wittenberg, na Alemanha, onde era padre, para que os fiéis tomassem conhecimento de suas ideias revolucionárias. Era dia 31 de outubro de 1517, há exatamente 501 anos. Entre outras coisas, Lutero criticava a “venda de indulgências”, com os pecadores sendo perdoados desde que fizessem contribuições em dinheiro para a congregação. A Igreja Católica não acatou suas sugestões e passou a combatê-las. Nascia ali o embrião de um novo movimento. Hoje, a igreja inspirada na reforma protestante de Lutero, está espalhada no mundo todo. No Brasil, os adeptos das Igrejas evangélicas já somam 32% da população.

Nascido em 10 de novembro de 1483, Martinho Lutero vinha de uma família pobre. O pai queria que ele fosse jurista. Lutero, contudo, acabou virando monge recluso num mosteiro em Wittenberg. Sempre foi multo temente a Deus. Em 1505, quase foi atingido por um raio. Por ter escapado com vida, passou a ser mais devoto ainda. Mas logo o monge começou a mostrar seu inconformismo com dogmas e orientações vindas do Papa. Fez duras críticas à indulgência concedida pela igreja, na qual o perdão divino só seria alcançado em troca de colaborações em dinheiro pelos fiéis. “Assim que o dinheiro entra no cofre, a alma sai voando do purgatório”, pregou Lutero à época.

Depois de lançar seu manifesto, em 1517, Lutero casou-se com uma freira que largou o convento, provocando a ira do Papa. Outros gestos de Lutero também desagradaram a igreja. Ele traduziu a Bíblia para o alemão e acabou com as missas em latim, para que as pessoas pudessem compreender melhor o que os pregadores diziam. Passou a usar a imprensa para propagar seus escritos pela Alemanha e outros países. Apesar de discordar do Papa, Lutero não rompeu com a doutrina cristã. Ele sempre acreditou no “poder do diabo” e considerava justo que as bruxas fossem queimadas nas fogueiras. Entendia que Deus tomava o homem bom e justo e que a salvação só viria com a fé em Cristo. Queria uma fidelidade absoluta aos ensinamentos dos evangelhos. Por isso, seus seguidores passaram a ser chamados de luteranos, evangélicos ou protestantes.

EVASÃO DE FIÉIS

A disputa com a igreja católica aumentou e Lutero passou a sofrer ameaças vindas de Roma. Ele precisou ficar um ano escondido num castelo no interior da Alemanha. Quando voltou, não se dizia mais católico romano. Começaram a surgir então as igrejas com orientação luterana, onde não havia mais o culto às imagens e não se reconhecia mais a presença do corpo e do sangue de Cristo na Eucaristia. Lutero foi repreendido, mas somente em 1521 foi excomungado pelo Papa Leão X. Com isso, estava oficializada a cisão da igreja.

A ação de Lutero provocou uma crise no catolicismo, coma evasão de fiéis. Por isso, o papa Paulo III convocou, em 1542, o Concílio de Trento para discutir os caminhos da igreja católica. Realizado em Trento, na Itália, o Concílio durou de 1545 a 1563 e marcou a contra- reforma. Apesar de condenar a venda de indulgências, como combatia Lutero, a igreja manteve teses condenadas pelos evangélicos: confirmou o culto às imagens de santos e à Virgem Maria, ressaltou a importância das missas, confirmou a existência do purgatório, manteve a proibição do casamento para membros do clero e a indissolubilidade do casamento. Esses dogmas são mantidos até hoje pelo Vaticano. As divergências entre as duas igrejas existem até hoje, 501 anos depois do documento de Lutero. Alguns dos seus ensinamentos, contudo, não são respeitados na maioria das congregações evangélicas brasileiras atualmente, onde o fiel é obrigado a pagar o dízimo de seu salário para “alcançar o reino do céu”. É o mercantilismo da fé tão combatido por Lutero há 501 anos.

Assim caminha a humanidade.

O realizador de utopias.2

 

O realizador de utopias.3

GESTÃO E CARREIRA

BONS HÁBITOS CONQUISTAM CLIENTES

Seguir a etiqueta corporativa no trato com pessoas e seus diferentes perfis faz a diferença no futuro do negócio.

Bons háitos conquistam clientes

Tanto quanto fidelizar a base de clientes já conquistados, a luta contínua de toda empresa, seja de qual porte ou segmento for é manter a área comercial ativa em busca de novos negócios. Isso faz com que eles sejam renovados diariamente, garantindo a saúde da companhia.

Como qualquer área ou ramo, o contato com pessoas (ou marketing de relacionamento) é um ponto delicado a se tratar, que exige postura e estratégia visando à boa experiência do interlocutor e os relacionamentos duradouros, tendo em mente que 68% das vendas são perdidas pelo mau atendimento.

A boa e velha etiqueta corporativa – que nada mais é do que um conjunto de normas que visa tornar harmoniosa a relação entre os colaboradores, fornecedores, clientes e concorrentes em um ambiente de negócios – pode ser o guia para criar um bom momento inicial entre a empresa e o futuro cliente. Importante ter em mente, sempre, que a experiência de compra começa no momento em que o potencial cliente descobre que tem uma necessidade: o papel da empresa e sua equipe de vendas é entender essa necessidade, como a sua empresa pode satisfazê-la plenamente e como abordar e passar essa informação de forma a criar uma conexão (necessidade – solução) com o outro, iniciando um relacionamento. “Clientes têm preferências, hábitos, necessidades e expectativas distintas e devem ser atendidos levando-se em consideração essas características”, lembra o consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Sérgio Dias.

CRIANDO BOA EXPERIÊNCIA

A abordagem deve ser adequada ao perfil de cada indivíduo, já que cada um é único, e o cuidado no trato faz a excelência do serviço de atendimento. Segundo Dias, do Sebrae, existem momentos específicos na abordagem que devem ser considerados e, para cada um desses momentos, as regras básicas aplicáveis são as seguintes:

PERCEPÇÃO DO PERFIL E DO MOTIVO DO INTERESSE DO CLIENTE: procurar obter essas informações no início do atendimento, deixando ou estimulando que o cliente exponha esse motivo.

COMPORTAMENTO, APARÊNCIA E CUIDADOS NO ATENDIMENTO: Ter uma postura cordial, estar adequadamente trajado para o tipo de negócio em que atua, expressar-se de forma clara e objetiva, sem constranger ou pressionar o cliente, ouvir mais do que falar e procurar entender o que o cliente deseja.

INTERAÇÃO ENTRE VENDEDOR E CLIENTE: Interagir com confiança, sinceridade e honestidade, deixando no cliente a sensação de segurança no produto e na empresa. Responder as questões do cliente de forma clara e objetiva, sem subterfúgios.

ENCANTAMENTO: Clientes atribuem valor ao que adquirem, seja um produto ou serviço. Valor é diferente de preço. Quando o cliente adquire algo, precisa sentir que a relação entre o preço pago e o valor recebido lhe é favorável. A ação do vendedor deve ser no sentido de fazer com que o cliente enxergue o valor do que está adquirindo.

É preciso também estar presente a todo momento, sem se preocupar se precisa dessa venda ou não. Preocupando-se, sim, com o que se pode fazer para ajudar o prospect, exercendo um papel de consultor mais do que vendedor. A venda pode não ser imediata, mas no longo prazo compensa.

TRATAMENTO DE ACORDO

A master coach, especializada na área comportamental e de gestão de pessoas Andrea Deis lembra que o tratamento com o cliente deve ser sincronizado com a capacidade e necessidade dele. “Respeite-o, coloque-se como parceiro, não subestime sua capacidade e trate-o como único, com educação e zelo, independentemente do gênero, nacionalidade ou cargo: você o procurou, diz.

Caso a pessoa abordada seja de outra nacionalidade (estrangeiro), é importante se adaptar, assim como no aspecto da inteligência emocional. Vale lembrar que, no Brasil, cada região tem hábitos e costumes que devem ser respeitados e entendidos para que haja engajamento na conversa e entendimento na comunicação e percepção.

DIFERENTES AMBIENTES, ABORDAGENS DISTINTAS

E em tempos de modernização do atendimento através das mídias sociais e aplicativos de conversa, o cuidado com a abordagem se faz ainda mais necessária. De acordo com a senior coach, fundadora da Gattemayr Consulting, Adriana Gattemayr, a grande diferença deve estar no cuidado com a interpretação do outro. ”Pessoalmente conseguimos “ler” muito mais sinais na comunicação do outro do que conseguimos por telefone ou virtualmente. Mesmo de forma inconsciente, captamos mais facilmente as intenções e o que o interlocutor quis dizer”, pontua. Pessoalmente, o cliente observa a postura, a aparência, a forma de se expressar e a cordialidade do vendedor. Nas abordagens virtuais ou por telefone, quando não há o contato visual com o vendedor a clareza e objetividade da abordagem são determinantes para o sucesso da venda.

Segundo a especialista em recursos humanos e diretora geral do Grupo Capacitare, Débora Nascimento, nesses casos, há a necessidade de muito treinamento do operador no caso do atendimento telefônico, e muita amigabilidade na navegação pelo site de compras. “No telefone, sempre adotar uma fala tranquila, clara de ser entendida, articulando bem cada palavra, com um sorriso na voz. Já no virtual, atenção à ortografia dos textos, à abreviação de palavras e ao uso de gírias. No contato pessoal, seja cordial, transpareça segurança e confiança, evite tocar a pessoa sem necessidade, e cuidado para gestos muito expansivos”, indica a profissional.

No caso do telefone, é somente pelo tom de voz e pela escolha das palavras que isso é feito. Por isso, muita atenção ao tom de voz. Aqui vale subir um pouco a energia (não o volume) ao conversar com o cliente. Isto é, se o cliente fala baixo de forma mais prática e direta, é melhor colocar um pouco mais de ânimo e gentileza na resposta, pois, se mantiver o mesmo ritmo e energia da voz dele, vai soar desanimado.

Em todos os casos, é preciso respeitar o tempo do cliente, sem ficar insistindo muito por uma resposta imediata. Além disso, é importante levar em consideração que, em uma era de excesso de informações, não podemos sobrecarregá-lo de informação, já que esta postura pode ser negativa.

Vale lembrar que as tecnologias mudam, mas o bom senso não. Seja pessoalmente, pelo telefone ou pela internet, recomenda-se cautela para não misturar os aspectos pessoais com o profissional, compartilhamento de coisas sem autorização ou que denigram o outro sem direito à resposta, ou invasão, como contato fora do horário comercial. Isso pode ser fatal no relacionamento.

Na internet, nas redes sociais, é recomendável seguir uma linha corporativa, pensando não em como nós ­ indivíduos – falaríamos com o cliente, mas sim como a instituição como um todo se comporta nesse momento. As empresas devem se manter atuais e presentes nas mesmas redes que seus clientes, mas devem seguir uma persona condizente com a empresa, e o cliente também espera isso”, lembra a gerente de comunicação e marketing da Cemara Loteamentos, Giuliane Strapasson.

Na prática, a especialista e fundadora da Gattemayr Consulting indica que as mensagens devem ser lidas, depois de escritas e antes de se enviar ao cliente, com diferentes tons de voz e diferentes interpretações, para que a escolha das palavras seja ajustada até que fique o mais próximo possível do que se quer passar. “Para evitar problemas, pode-se pesar na gentileza, em negociações normais ou usar de recursos como rsrs ou emojis em negociações informais. Atenção para a assinatura da mensagem. Att., abreviatura de atenciosamente é excessivamente formal, aqui no Brasil. Pode ser entendido como braveza ou distanciamento. Se usar beijos, pode ser entendido como uma invasão por quem é mais formal ou introvertido. O mais neutro são expressões como “abraços”, “ótima semana”, “até amanhã”. Já “tenha um bom dia” é quase ofensivo, evite sempre. Pontos de exclamação somente devem ser usados em conversas informais e com moderação. Mais de dois após uma palavra denota certa imaturidade, recomenda.

ATITUDES A EVITAR

Independentemente do meio de contato, tenha em mente que a falta de propósito ou entendimento do que você faz pode ser fatal, “Não importa o que você é ou tem, para o cliente é o que ele percebe e entende, e isso você transmitirá no vestuário, linguagem e postura. Seja responsável pelo que fala e pelo que o cliente entenderá, o que só será possível se você ouvir muito bem o que o cliente almeja. Se não conseguir isso, sua taxa de conversão será muito baixa, ressalta a máster coach, Andrea Deis.

O primeiro contato é a questão da primeira impressão. Empatia é a palavra de ordem. O colaborador deve evitar nervosismo, não estar preparado para responder a questões sobre o produto/serviço e falta de conexão, além, é claro, das normas básicas da educação.

No fim, evite mostrar desinteresse pelo cliente ou interlocutor, sarcasmo nos comentários (que às vezes não é sarcasmo, mas uma piada feita com uma cara séria demais a alguém que não conhece você); desinteresse pela venda; repetir um texto decorado, não saber responder perguntas, ficar excessivamente calado ou falar demais; tentar forçar uma venda.

 DICAS PRÁTICAS PARA UMA BOA PROSPECÇÃO

  • OBSERVAR O PERFIL e responder à expectativa de cada um deles.
  • FAÇA UM COMENTÁRIO na chegada e observe desde o aperto de mão até a resposta e você conseguirá entender quem é.
  • O MAIS IMPORTANTE é sincronizar a comunicação para obter o melhor resultado.
  • PARA PRAGMÁTICOS, o menos é mais, seja objetivo e assertivo no menor tempo. Não enrole.
  • ANALÍTICOS gostam de explicações, tempo e coerência.
  • EXPRESSIVOS gostam de envolvimento emocional na conversa além do objetivo fim.
  • AFÁVEIS gostam de envolvimento e elogios, além do objetivo fim.
  • NAS REDES SOCIAIS, não adicione o cliente nos perfis pessoais, respeite cada núcleo na sua intenção e racionalidade.
  • OUÇA antes de falar;
  • FAÇA perguntas esclarecedoras para entender a expectativa e necessidade do cliente.
  • FALE o que ele perguntou, e não o que você quer falar.
  • BUSQUE atender a uma necessidade.
  • OFEREÇA benefícios.
  • APRESENTE
  • AJUSTE o foco da necessidade e objetivo.
  • NUNCA ofereça o que não pode entregar;
  • AGENDE um novo encontro com data e objetivo da entrega.
  • PROMOVA uma boa experiência.
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ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 11: 45-57

Alimento diário

O Conselho dos Fariseus. A Profecia de Caifás. Uma Conspiração contra Cristo

Temos aqui um relato das consequências deste glorioso milagre, que estavam dentro daquilo que era usual. Para alguns, ele teve sabor de vida para a vida, enquanto para outros, de morte para a morte.

I – Alguns foram convidados pelo milagre, e persuadidos a crer. Muitos dos judeus, quando viram as coisas que Jesus fazia, criam nele, e bem podiam fazê-lo, pois estas eram provas incontestáveis da sua missão divina. Eles frequentemente ouviam sobre seus milagres, e ainda assim evitavam ser convencidos, questionando os fatos. Mas agora que eles tinham visto pessoalmente esta obra, sua incredulidade foi vencida, e eles cederam, por fim. Porém, bem-aventurados são aqueles que não viram, e, apesar disto, creram. Quanto mais nós vemos de Cristo, mais causas veremos para amá-lo e para confiarmos nele. Ha­ via alguns daqueles judeus que tinham vindo para consolar Maria. Quando vamos fazer boas coisas a outros, nós nos colocamos a caminho de receber favores de Deus, e temos a oportunidade de receber o bem quando estamos fazendo o bem.

II – Outros se irritaram com o milagre, e persistiram na sua incredulidade.

1. Assim eram os informantes (v. 46): “alguns deles”, que tinham sido testemunhas oculares do milagre, estavam tão longe de ser convencidos, que foram até os fariseus, sabendo que eram seus mais implacáveis inimigos, e lhes contaram as coisas que Jesus tinha feito, não meramente por se tratar de uma notícia merecedora do conhecimento deles, e muito menos como um incentivo para que eles pensassem de maneira mais favorável a respeito de Cristo, mas com um iníquo desejo de incitar mais vigorosamente aqueles que não precisavam deste tipo de estímulo para acusá-lo. Aqui está um estranho exemplo:

(1) De uma infidelidade obstinada, recusando-se a ceder aos mais poderosos meios de convicção. E é difícil imaginar como eles poderiam fugir à força desta evidência, a menos que o deus deste mundo tivesse cegado suas mentes.

(2) De uma inimizade inveterada. Se eles não desejavam se convencer de que Ele era digno de que cressem que Ele era o Cristo, mesmo assim poderíamos pensar que eles deveriam ter sido abrandados e persuadidos a não persegui-lo. Mas, se a água não for suficiente para extinguir o fogo, irá aumentá-lo. Eles disseram o que Jesus tinha feito, e não disseram nada além da verdade. Mas sua iniquidade deu um tom diabólico à sua informação, deixando o conteúdo semelhante a uma mentira. Perverter o que é verdadeiro é tão ruim quanto forjar o que é falso. A Doegue, é atribuída uma língua falsa, mentirosa e enganadora (Salmos 52.2-4; 120.2,3), mesmo que o que ele dissesse fosse verdade.

2. Os juízes e líderes, que eram os líderes cegos do povo, não ficaram menos exasperados pelo relato que lhes foi trazido, e aqui nós lemos o que eles fizeram.

(1) Um conselho especial é convocado e reunido (v. 47): “Depois, os principais dos sacerdotes e os fariseus formaram conselho”, como tinha sido predito, Salmos 2.2: “Os príncipes juntos se mancomunam contra o Senhor”. O objetivo dos conselhos do Sinédrio era o bem público, mas aqui, sob este pretexto, a maior injúria e o maior dano são feitos ao povo. As coisas que pertencem à paz das nações estavam ocultas dos olhos daqueles a quem são confiados seus conselhos. Este conselho foi convocado, não somente para uma decisão conjunta, mas por irritação mútua. Como o ferro afia o ferro, e como o carvão faz queimar carvão e madeira, assim eles podiam se exasperar e se inflamar uns aos outros com inimizade e fúria contra Cristo e contra sua doutrina.

(2) O caso é proposto, e apresentado como sendo importante e de grandes consequências.

[1] A questão a ser debatida era que curso de ação eles tomariam em relação ao Senhor Jesus, para interromper o crescimento do interesse que Ele despertava. Diziam: “Que faremos? Porquanto este homem faz muitos sinais”. A informação a respeito da ressurreição de Lázaro foi transmitida, e os homens, irmãos, e pais foram convocados para ajudar, tão solicitamente quanto se um inimigo formidável estivesse com um exército no coração do seu país. Em primeiro lugar, eles reconhecem a veracidade dos milagres de Cristo, e que Ele tinha realizado muitos milagres. Portanto, eles são testemunhas contra si mesmos, pois reconhecem suas credenciais e, ainda assim, negam sua comissão. Em segundo lugar eles consideram o que deve ser feito, e se censuram por não terem feito alguma coisa mais cedo para esmagá-lo. Eles não levam em consideração, de maneira nenhuma, o fato de não desejarem recebê-lo e reconhecê-lo como o Messias, embora professem esperá-lo, e Jesus desse provas contundentes de ser o Messias, mas têm certeza de que Ele é um inimigo, e, como tal, deve ser destruído. “Que faremos? Será que nós não nos preocupamos em apoiar nossa sinagoga? Será que não significa nada para nós que uma doutrina tão destrutiva aos nossos interesses se espalhe desta maneira? Nós vamos entregar docilmente o terreno que temos nos afetos das pessoas? Nós vamos ver nossa autoridade sendo desprezada, e o trabalho pelo qual nós ganhamos a vida ser arruinado, e não vamos fazer nada? O que nós estivemos fazendo todo este tempo? O que estamos pensando agora? Nós vamos ficar sempre conversando, sem fazer nada?”

[2] Que o que fazia esta questão ser importante era o perigo em que eles percebiam que sua sinagoga e sua nação se colocavam junto aos romanos (v. 48): “Se não o silenciarmos e o exonerarmos, ‘todos crerão nele’. E se este for o estabelecimento de um novo r ei, os romanos se ofenderão com isto, e virão com um exército, e ‘tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação’, e por isto não é hora de brincar”. Veja a opinião que eles têm:

Em primeiro lugar, do seu próprio poder. Eles falam como se pensassem que o progresso e o sucesso de Cristo no seu trabalho dependessem da sua conivência; como se Ele não pudesse continuar realizando milagres, e fazendo discípulos, a menos que o deixassem em paz; como se eles tivessem o poder de derrotar aquele que tinha derrotado a morte, ou como se pudessem lutar contra Deus, e vencer. Mas aquele que está assentado no céu se ri do conceito carinhoso que a maldade impotente tem em relação à sua própria impotência.

Em segundo lugar, da sua própria política. Eles se consideram como homens de visão e previsão poderosas, e também de grande sagacidade nos seus prognósticos morais.

a. Eles se responsabilizam por profetizar que, dentro de pouco tempo, se Ele tiver a liberdade de continuar, todos os homens crerão nele, reconhecendo algo que serviria aos seus propósitos, que sua doutrina e seus milagres tinham um poder muito convincente para eles, um poder ao qual não se poderia resistir, e assim todos os homens se tornariam seus prosélitos e devotos. Desta maneira, eles agora apresentam o interesse nele como algo formidável, embora, para servir a outro objetivo, estes mesmos homens procurassem torná-lo desprezível, cap. 7.48: “Creu nele, porventura, algum dos principais ou dos fariseus?” Isto era o que eles temiam, que os homens cressem nele, e então todas as suas medidas estariam canceladas. Observe que o sucesso do Evangelho é o terror dos seus adversários. Se as almas se salvarem, eles estarão destruídos.

b. Eles predizem que, se a maioria da nação for atraída a Ele, a fúria dos romanos cairá sobre eles. Eles “virão e tirar-nos-ão o nosso lugar”. A nação em geral, especialmente Jerusalém, ou o Templo, o lugar sagrado, e o lugar deles, o seu predileto, seu ídolo. Ou suas primazias no Templo, seus lugares de poder e confiança. Era verdade que os romanos os vigiavam com muito ciúme, e sabiam que eles não desejavam nada, exceto o poder e uma oportunidade para se livrarem do seu jugo. Era igualmente verdade que, se os romanos quisessem atacá-los com um exército, seria muito difícil que eles esboçassem qualquer resistência. Mas aqui parece uma covardia que ninguém tenha descoberto que os sacerdotes do Senhor haviam perdido, pela própria iniquidade de seus corações, o interesse por Deus e por todos os homens bons. Se eles tivessem conservado sua integridade, não precisariam temer os romanos, mas eles falam como um povo desalentado, como os homens de Judá, quando disseram, de forma desprezível, a Sansão: “Não sabias tu que os filisteus dominam sobre nós?” Juízes 15.11. Quando os homens perdem sua piedade, perdem sua coragem. Mas:

(a) É falso que houvesse qualquer pe1igo de que os romanos se irritassem com sua nação pelo progresso do Evangelho de Cristo, pois ele não era, de maneira nenhuma, prejudicial aos reis ou às províncias, mas altamente benéfico. Os romanos não tinham nenhuma inveja do interesse crescente que Ele despertava, pois Ele ensinava os homens a dar tributo a César, e a não resistir ao mal, mas a tomar cada um sua cruz. O governador romano, no seu julgamento, não encontrou culpa nenhuma no Senhor Jesus. Havia mais perigo de que os romanos se enfurecessem contra a nação judaica devido aos sacerdotes judeus do que devido a Cristo. Observe que os medos imaginários são, frequentemente, os pretextos para os desígnios iníquos.

(b) Se realmente tivesse havido algum perigo de desagradar os romanos, por tolerarem a pregação de Cristo, ainda assim isto não justificaria o fato de que eles odiassem e perseguissem um homem bom. Observe:

[a] Os inimigos de Cristo e do seu Evangelho frequentemente disfarçavam sua inimizade com uma aparente preocupação pelo bem público e pela segurança geral, e, com esta finalidade, tinham estigmatizado seus profetas e seus ministros como perturbadores de Israel, homens que viravam o mundo de cabeça para baixo.

[b] A política carnal normalmente estabelece razões de estado, em oposição às regras de justiça. Quando os homens se preocupam com sua própria riqueza e segurança, mais do que com a verdade e o dever, esta é a sabedoria vinda de baixo, que é terrena, sensual e demoníaca. Mas veja qual era a questão. Eles fingiam temer que o fato de que tolerassem o Evangelho de Cristo pudesse trazer a desolação sobre eles, pelas mãos dos romanos, e, desta maneira, certos ou errados, decidiram ser contrários a ele. Mas foi provado que sua perseguição ao Evangelho trouxe sobre eles o que eles temiam, encheu a medida da sua iniquidade, e os romanos vieram e tomaram seu lugar e sua nação, e assim perderam, de fato, seu lugar. Observe que, quando tentamos escapar de alguma calamidade através do pecado, nós acabamos tomando o caminho mais efetivo para trazê-la sobre nossas cabeças. E aqueles que pensam que, quando se opõem ao reino de Cristo, estão protegendo ou fazendo progredir seus próprios interesses seculares, descobrirão que Jerusalém é uma pedra mais pesada do que eles pensam que ela é, Zacarias 12.3. O temor dos ímpios virá sobre eles, Provérbios 10.24.

(3) Caifás faz um discurso malicioso, porém místico, no conselho, nesta ocasião.

[1] Sua maldade fica evidente à primeira vista, vv. 49,50. Sendo o sumo sacerdote, e, desta maneira, o presidente do conselho, ele resolve decidir a questão antes que ela fosse debatida: “Vocês não sabem nada, sua hesitação evidencia sua ignorância, pois isto não é algo que suporte uma discussão, isto deve ser decidido logo, se vocês levarem em consideração aquela máxima: Convém que um homem morra pelo povo”. Aqui:

Em primeiro lugar; o conselheiro era Caifás, que era sumo sacerdote naquele ano. O sumo sacerdócio era, por indicação divina, atribuído ao herdeiro varão da casa de Arão, durante sua vida natural, e depois ao seu herdeiro varão. Mas, naqueles tempos degenerados, isto tinha se tornado, embora não um cargo anual, como uma função de cônsul, um cargo cujo ocupante mudava frequentemente, de acordo com os interesses dos poderes romanos. Aconteceu que, neste ano, Caifás usava a mitra.

Em segundo lugar, o objetivo do conselho era, em resumo, este: uma maneira ou outra deve ser encontrada para levar Jesus à morte. Nós temos motivos para pensar que eles suspeitassem fortemente que Ele real­ mente era o Messias, mas sua doutrina era tão contrária às suas queridas tradições e aos seus interesses seculares, e seu desígnio distorcia de tal maneira suas noções do reino do Messias, que eles decidem que, seja Ele quem for, deve ser condenado à morte. Caifás não diz: Que Ele seja silenciado, aprisionado, banido, embora isto fosse amplamente suficiente para restringir a alguém a quem eles considerassem perigoso, mas: Ele deve morrer. Observe que aqueles que se colocam contra o cristianismo comumente se despojam de toda humanidade, e são infames e cruéis.

Em terceiro lugar, isto é insinuado de mane ira plausível, com toda a sutileza, assim como a maldade da velha serpente. l. Ele sugere sua própria sagacidade, pela qual nós devemos supor que ele, como sumo sacerdote, se distinga, embora o Urim e Tumim estivessem perdidos há tempos. Com que escárnio ele diz: “Vocês não sabem nada, são apenas sacerdotes comuns, mas precisam admitir que eu enxergo mais do que todos!” Assim, é comum que aqueles que têm autoridade imponham suas regras corruptas, em virtude desta posição de comando, e por quererem ser os melhores e mais sábios, é comum que esperem que todos acreditem que o são.

2. Ele assume que o caso é claro e indiscutível, e que aqueles que não o veem assim são muito ignorantes. Observe que a razão e a justiça são, frequentemente, destruídos por uma mão poderosa. A verdade anda tropeçando pelas ruas, e quando ela cair, acabem com ela. E a equidade não pode entrar. Quando ela estiver fora, mantenham-na ali, Isaías 59.14. 3. Ele insiste em uma máxima da política, a de que o bem-estar das comunidades deve ter preferência sobre o das pessoas em particular. “Convém a nós, como sacerdotes cujas mentiras estão em risco, que um homem morra pelo povo”. Até aqui, isto é verdade, que é conveniente, e mais do que isto, é verdadeiramente honorável, que um homem arrisque sua vida a ser viço do seu país (Filipenses 2.17; 1 João 3.16). Mas levar à morte um inocente, sob o pretexto de levar em conta a segurança pública, é uma política do Diabo. Caifás ardilosamente insinua que o homem melhor e mais grandioso, embora major singulis mais grandioso do que qualquer indivíduo, é minar universis menos que a massa coletiva, e deve pensar que sua vida é bem gasta, ou melhor, bem perdida, ao salvar seu país da destruição. Mas o que tem isto a ver com o assassinato de alguém que era, evidentemente, uma grande benção, sob o pretexto de evitar um mal imaginário ao país? A questão deveria ter sido colocada desta maneira: Seria conveniente que eles trouxessem sobre si mesmos, e sobre sua nação, a culpa do sangue, do sangue de um profeta, para proteger seus interesses civis de um perigo que eles não tinham motivos para temer? Era conveniente que eles afastassem de si mesmos a Deus e a sua glória, em vez de se arriscarem ao descontentamento dos ro­ manos, que não poderiam fazer-lhes nenhum mal, se eles tivessem a Deus do seu lado? Observe que a política carnal, que é movida somente por considerações seculares, enquanto julga salvar tudo através do pecado, destrói tudo no final.

[2] O mistério que havia neste conselho de Caifás não se manifesta à primeira vista, mas o evangelista nos apresenta-o (vv. 51,52): “Ele não disse isso de si mesmo”, isto não era somente a linguagem da sua própria inimizade e política, mas, nestas palavras, ele profetizou que Jesus devia morrer pela nação, embora ele próprio não tivesse consciência disto. Aqui está um precioso comentário sobre um texto pernicioso. O conselho do mal­ dito Caifás interpretado como estando de acordo com os conselhos do bendito Deus. A caridade nos ensina a dar a interpretação mais favorável às temíveis palavras e ações dos homens, mas a piedade nos ensina como aproveitá-las, de maneira até mesmo contrária ao seu propósito original. Se os homens ímpios, naquilo que fazem contra nós, são as mãos de Deus, para nos humilhar e transformar, por que não podem eles, naquilo que dizem contra nós, ser a boca de Deus, para nos instruir e convencer? Porém, nestas palavras de Caifás, havia uma orientação extraordinária do Céu, levando-o a dizer aquilo que tinha um sentido muito sublime. Da mesma forma que os corações de todos os homens estão nas mãos de Deus, o mesmo ocorre com suas línguas. Estão enganados aqueles que dizem: “Nossas línguas são nossas, de modo que podemos dizer o que quisermos, e não estarmos sujeitos ao julgamento de Deus, ou podemos dizer o que quisermos, e não sermos restringidos pela sua providência e pelo seu poder”. Balaão não pôde dizer o que queria quando veio amaldiçoar Israel, nem Labão, quando perseguiu Jacó.

(4) O evangelista explica e expande as palavras de Caifás.

[1] Ele explica o que Caifás disse, e mostra não somente como isto estava, mas pretendia estar adaptado a um propósito excelente. Caifás “não disse isso de si mesmo”. Se fosse apenas um artifício para motivar o conselho contra Cristo, ele estaria falando de si mesmo, ou, mais exatamente, da parte do Diabo, mas como era um oráculo, declarando que o propósito e desígnio de Deus, pela morte de Cristo, era salvar o Israel espiritual de Deus do pecado e da ira, ele não dizia de si mesmo, pois não sabia nada sobre este assunto. Ele não queria dizer isto, nem seu coração pensava isto, pois nada havia no seu coração, exceto a intenção de destruir e desarraigar, Isaías 10.7.

Em primeiro lugar, ele profetizou, e aqueles que profetizam não falam de si mesmos em suas profecias. Mas está também Caifás entre os profetas? Ele está, esta única vez, embora fosse um homem mau, e um inimigo implacável de Cristo e do seu Evangelho. Observe:

1. Deus pode fazer, e frequentemente faz, dos homens maus instrumentos para servir aos seus próprios objetivos, até mesmo contrários às suas próprias intenções, pois Ele não somente os tem acorrentados, para impedi-los de fazer o mal que desejam, mas com rédeas, para levá-los a fazer um serviço que não desejam.

2. Palavras proféticas na boca não são nenhuma evidência infalível de um princípio de graça no coração. Será rejeitada como frívola a alegação: “Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome?”

Em segundo lugar, ele profetizou, sendo “sumo sacerdote naquele ano”. Não que o fato de que fosse sumo sacerdote o dispusesse ou qualificasse para ser um profeta. Nós não podemos supor que a mitra sacerdotal tenha inspirado com profecias a cabeça mais vil que já a usou. Mas:

1. Sendo ele sumo sacerdote, e, portanto, de importância e eminência no conclave, Deus se alegra de colocar esta mensagem importante na sua boca, em vez de colocá-la na boca de qualquer outra pessoa, para que pudesse ser mais observada, ou para que sua não-observância fosse mais agravada. As máximas dos grandes homens sempre foram julgadas merecedoras de consideração especial: “O rei fala com autoridade divina”. Por­ tanto, esta sentença divina foi colocada nos lábios do sumo sacerdote para que, ao sair da sua boca, esta mensagem pudesse ser estabelecida, que Cristo morreu pelo bem da nação, e não por qualquer iniquidade que tenha cometido. Coincidiu que Caifás fosse sumo sacerdote naquele ano que estava fixado para ser o ano dos redimidos, quando o Messias, o príncipe, seria tirado, mas não por si mesmo (Daniel 9.26). E ele, como sumo sacerdote, deveria reconhecer isto. 2. Sendo sumo sacerdote naquele ano, naquele ano famoso, no qual deveria haver tal abundante efusão do Espírito, mais do que jamais tinha havido, de acordo com a profecia (Joel 2.28,29, comparado com Atos 2.17), algumas gotas da chuva abençoada caíram sobre Caifás, como as migalhas do pão dos filhos, que caem da mesa em meio aos cães. Este ano era o ano do término do sacerdócio levítico, e da boca daquele que era, naquele ano, sumo sacerdote, foi arrancada uma renúncia implícita em favor daquele que não ofereceria (como eles tinham feito por muito tempo) animais por aquela nação, mas que iria oferecer a si mesmo, colocando, desta forma, um fim às ofertas pelo pecado. O sumo sacerdote propôs esta renúncia de forma inconsciente, da mesma forma que Isaque deu a bênção a Jacó.

Em terceiro lugar, o teor da sua profecia dizia que Jesus deveria morrer por aquela nação, o mesmo terno de que deram testemunho todos os profetas, que testemunharam, de antemão, os sofrimentos de Cristo (1 Pedro 1.11). Eles previram que a morte de Cristo deveria ser a vida e a salvação de Israel. Por nação, ele se referia àqueles, pertencentes à nação, que obstinadamente ade­ riam ao judaísmo, mas Deus se refe1ia àqueles que desejassem receber a doutrina de Cristo, e se tornassem seus seguidores, todos os crentes, a semente espiritual de Abraão. A morte de Cristo, que Caifás agora planejava, se tornou a destruição dos interesses que os judeus tinham pela nação. Aquele sumo sacerdote pretendia que a nação estivesse segura e fosse estabelecida. Porém, o assassinato de Cristo trouxe o máximo de ira sobre eles. Eles desejavam arruinar a Cristo, porém ocorreu exatamente o contrário, pois Cristo, sendo elevado da terra, atraiu todos os homens a si. Urna grande doutrina foi profetizada aqui: que Jesus deveria morrer pelos outros, não somente para o bem das pessoas, mas no lugar delas. Ele deveria morrer por aquela nação, pois a eles seria feita, em primeira mão, a oferta da salvação que o Senhor Jesus Cristo adquiriu através da sua morte. Se toda a nação dos judeus tivesse, unanimemente, crido em Cristo, e recebido se Evangelho, eles não somente teriam sido salvos eterna mente, mas salvos corno uma nação, dos seus sofrimentos. A fonte foi aberta, primeiro, à casa de Davi, Zacarias 13.1. Ele assim morreu por aquela nação de modo que a nação inteira não perecesse, mas para que um remanescente pudesse ser salvo, Romanos 11.5.

[2] O evangelista expande estas palavras de Caifá, (v. 52), não somente para aquela nação, embora, de alguma maneira, ela pudesse se considerar privilegiada pele Céu, mas também para mostrar que o Senhor desejava: “reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos”. Observe aqui:

Em primeiro lugar, por quem Cristo morreu: não somente pela nação dos judeus (pois este objetivo seria, comparativamente, muito pequeno. O Filho de Deus não se empenharia em uma tarefa tão vasta somente para restaurar os preservados de Jacó e os párias de Israel). Não, Ele devia ser a salvação até às extremidades da terra, Isaías 49.6. Ele devia morrer pelo, “filhos de Deus que andavam dispersos”.

1. Alguns entendem que a referência está sendo feita aos filhos de Deus que existiam naquela época, e que estavam espalhados pelo mundo gentílico, “varões religiosos de todas as nações” (Atos 2.5), tementes a Deus (Atos 10.2), E que o adoravam (Atos 17.4), prosélitos do portão, que serviam ao Deus de Abraão, mas não se submetiam à lei cerimonial de Moisés, pessoas que tinham urna religiosidade natural, mas estavam dispersas entre as nações e não realizavam assembleias solenes, nem tinham nenhum tipo de profissão de fé peculiar que os unisse ou distinguisse. Agora, Cristo morria para incorporar estes povos em uma grande sociedade, para que fossem chama dos por Ele e governados por Ele. E isto estabeleceria um padrão, ao qual poderiam recorrer todos os que tivessem uma consideração por Deus e uma preocupação pelas suas almas, e ao qual poderiam aderir. 2. Outros entendem que se trata de todos os que pertencem à eleição da graça, os que são chamados de filhos de Deus, embora ainda não sejam nascidos, porque estão predestinados à adoção dos filhos, Efésios 1.5. Agora estes estão espalhados em outras nações, em diversos lugares da terra, sendo oriundos de todas as tribos e línguas (Apocalipse 7.9), e que viveriam em diversas épocas do mundo, até o final dos tempos. Em todas as gerações, existem aqueles que temem ao Senhor, e a todos estes Ele tinha em vista na expiação que fez através do seu próprio sangue. O Senhor morreu em favor de todos aqueles que nele cressem, conforme as palavras que Ele usou em sua oração sacerdotal.

Em segundo lugar, o objetivo e a intenção da morte de Jesus a respeito destas pessoas. Ele morreu para acolher aqueles que vagavam, e para reunir em um corpo os que andavam dispersos; para trazer a si aqueles que estavam distantes, e para unir, em si mesmo, aqueles que estavam distantes entre si. A morte de Cristo é:

1. O grande atrativo aos nossos corações, pois para esta finalidade Ele foi levantado, para atrair os homens a si. A conversão das almas é a reunião deles a Cristo, como seu governante e refúgio, como pombas às suas janelas, e Ele morreu para realizar esta grande obra. Com sua morte, Ele os comprou para si mesmo, e comprou o dom do Espírito Santo para eles. Seu amor, ao morrer por nós, é o grande ímã que atrai nosso amor.

2. O grande centro da nossa unidade. Ele congrega todos em um corpo, Efésios 1.10. Eles são um com Ele, um corpo, um espírito, e um com todos os demais, nele. Todos os santos, de todos os lugares e épocas, agregam se em Cristo, assim como todos os membros na cabeça, e todos os ramos na raiz. Cristo, pelo mérito da sua morte, recomendou que todos os santos se unissem como se fossem uma só pessoa, para que assim pudessem receber a graça e o favor de Deus (Hebreus 2.11-13), e por motivo da sua morte, recomenda a todos eles o amor e o afeto de uns para com os outros, cap. 13.34.

(5) O resultado deste debate é uma determinação do conselho, de condenar Jesus à morte (v. 53): “Desde aquele dia, pois, consultavam-se para o matarem”.  Agora eles compreendiam os desejos uns dos outros, e, desta forma, cada um estava concentrado no seu próprio desejo de que Jesus devia morrer. E, aparentemente, foi nomeado um comitê que devia reunir-se, diariamente, para considerar e assessorar-se sobre este intento, e para receber propostas para poder levá-lo a cabo. Observe que a perversidade dos ímpios amadurece gradualmente, Tiago 1.15; Ezequiel 7.10. Dois avanços consideráveis agora eram feitos, no amaldiçoado desígnio daqueles homens iníquos contra Cristo.

[1] Sobre aquilo que eles tinham pensado antes individualmente, agora eles estavam todos de acordo, fortalecendo, assim, as mãos uns dos outros na sua perversidade, e prosseguiram com maior segurança. Os homens maus confirmam e incentivam a si mesmos, e uns aos outros, nas práticas perversas, comparando observações. Os homens de mentes corruptas ficam satisfeitos quando encontram outros que têm a mesma mente. Então, a maldade que antes parecia impraticável, parece não somente possível, mas fácil de ser realizada.

[2] Agora eles estão munidos de uma desculpa plausível para se justificarem neste ato, que antes desejavam que fosse praticado, mas lhes faltava um pretexto, e que servirá, se não para remover sua culpa (que é a menor das suas preocupações), pelo menos para remover o ódio, e satisfazer sutilmente, desta maneira, se não a consciência pessoal, a política. Muitos prosseguirão, com muita segurança, fazendo uma coisa má, enquanto tiverem apenas algo a dizer como desculpa. Esta decisão que eles tomaram, de levar Jesus à morte, estando certos ou errados, prova que toda a formalidade de um julgamento, ao qual Ele se submeteu posteriormente, foi apenas espetáculo e pretexto. Eles já estavam determinados anteriormente quanto ao que fazer.

(6) Consequentemente, Cristo se ocultou, sabendo muito bem qual era a decisão da trama, v. 54.

[1] Ele suspendeu suas aparições públicas: ”Já não andava manifestamente entre os judeus”, entre os habitantes da Judéia, que eram, adequadamente, chamados de judeus, especialmente os de Jerusalém; Ele não andava mais entre eles, não ia de um lugar a outro, pregando e realizando milagres, com a liberdade e a abertura que tinha antes, mas enquanto permaneceu na Judéia, ali esteve incógnito. Desta maneira, os principais dos sacerdotes colocaram a luz de Israel de­ baixo de um alqueire.

Ele retirou-se para uma parte obscura do país, tão obscura que o nome da cidade à qual Ele foi pratica­ mente não é encontrado em nenhuma outra passagem. Ele retirou-se dali para a terra junto do deserto, como se tivesse sido expulso do meio dos homens, ou talvez desejando, como Jeremias, poder ter, no deserto, uma “estalagem de caminhantes”, Jeremias 9.2. Ele entrou em uma cidade chamada Efraim. Alguns pensam que era Efrata, isto é, Belém, onde Ele tinha nascido, e que era vizinha ao deserto de Judá. Outros pensam que era Efrom, ou Efraim, mencionada em 2 Crônicas 13.19. Os discípulos foram com Ele até lá. Eles não desejavam deixá-lo sozinho, nem iriam deixá-lo em perigo. Ali Ele permaneceu, ali Ele viveu. Ele sabia como aproveitar este tempo de isolamento vivendo de maneira privada, quando não tinha uma oportunidade de pregar publicamente. Ele convivia com seus discípulos, que eram sua família, quando foi expulso do Templo, e seus discursos, ali eram, sem dúvida, muito edificantes. Nós devemos fazer o bem que pudermos, quando não pudermos fazer o bem que desejamos. Mas por que Cristo se escondeu agora? Não foi porque temesse o poder dos seus inimigos, ou porque não tivesse confiança no seu próprio poder. Ele tinha muitas maneiras de se salvar, e não era avesso ao sofrimento, nem estava despreparado para ele. Mas Ele se retirou, em primeiro lugar, para colocar um sinal do seu desgosto sobre Jerusalém e o povo dos judeus. Eles o rejeitaram, e ao seu Evangelho. Com razão, portanto, Ele se retirava, e ao seu Evangelho, do meio deles. O príncipe dos mestres estava agora removido a um canto (Isaias 30.20), não era possível vê-lo abertamente, e este era um triste presságio daquela espessa escuridão que cairia, dentro de pouco tempo, sobre Jerusalém, porque ela não conhecia o dia da sua visitação. Em segundo lugar, para tornar a crueldade dos seus inimigos contra si ainda mais injustificada. Se aquilo que os perturbava, e que eles julgavam perigoso para o público, era a aparição pública de Jesus, Ele adotaria um breve isolamento para que ficasse manifesto se a ira deles poderia ser afastada. Quando Davi tinha fugido para Gate, Saul estava satisfeito, e não cuidou mais em o buscar, 1 Samuel 27.4. Mas era a vida, a vida preciosa, que aqueles homens ímpios estavam caçando. Em terceiro lugar, sua hora ainda não era chegada, e por isto Ele evitava o perigo, e o fazia de uma maneira comum aos homens, tanto para justificar e incentivar a fuga dos seus servos em tempos de perseguição como para consolar aqueles que são forçados a deixar sua utilidade e são sepultados vivos no isolamento e na obscuridade. O discípulo não é melhor que seu Mestre. Em quarto lugar, seu isolamento, por algum tempo, tinha a intenção de fazer seu retorno a Jerusalém, quando fosse chegada sua hora, mais notável e ilustre. Isto aumentou as aclamações de alegria com as quais os que o queriam bem o receberam na sua aparição pública seguinte, quando Ele entrou triunfantemente na cidade.

(7) A investigação explícita para descobrir onde Ele estava durante seu isolamento, vv. 55-57.

[1] A oportunidade para isto foi a aproximação da Páscoa, na qual eles esperavam a presença dele, de acordo com o costume (v.55): “Estava próxima a Páscoa dos judeus”. Uma festa que resplandecia no seu calendário, e sobre a qual havia grande expectativa desde algum tempo antes. Esta era a quarta e última Páscoa de Cristo, desde que tinha iniciado seu ministério público, e poderia, verdadeiramente, ser dito (como 2 Crônicas 35.18): “Nunca se celebrou tal Páscoa em Israel”, pois, nela, “Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós”. Agora, como a Páscoa estava próxima, muitos vinham de todas as partes da nação até Jerusalém, para se purificarem. Isto era, ou, em primeiro lugar, uma purificação necessária daqueles que tivessem sofrido alguma contaminação cerimonial. Eles vinham para serem esparzidos com a água da purificação, e para realizar os demais ritos de purificação, de acordo com a lei, pois não podiam comer a refeição de Páscoa em um estado de impureza, Números 9.6. Desta maneira, antes da nossa Páscoa do Evangelho, nós devemos renovar nosso arrependimento, e, pela fé, lavar-nos no sangue de Cristo, colocando-nos, desta maneira, ao redor do altar de Deus. Ou, em segundo lugar, uma purificação voluntária, ou uma auto- segregação, com jejum e oração, e outros exercícios religiosos, que muitos que eram mais devotos que seus vizinhos praticavam algum tempo antes da Páscoa, e decidiam fazê-lo em Jerusalém, por causa da vantagem do serviço do Templo. Desta maneira, nós devemos, através de uma preparação solene, separar e cercar o monte no qual esperamos nos encontrar com Deus.

(7) A investigação era muito ansiosa: “Diziam uns aos outros, estando no templo: Que vos parece? Não virá à festa?” v. 56.

Em primeiro lugar, alguns pensam que isto foi dito por aqueles que o queriam bem, e esperavam sua vinda, para que pudessem ouvir sua doutrina e ver seus milagres. Aqueles que tinham vindo mais cedo de outras partes da nação, para que pudessem se purificar, estavam muito desejosos de encontrar a Cristo, e talvez tivessem vindo mais cedo com esta expectativa. Portanto, estando no Templo, o lugar da sua purificação, perguntavam: Há alguma notícia de Cristo? Alguém poderia dar-lhes esperança de vê-lo? Se estas pessoas que mostravam este respeito a Cristo eram pessoas do tipo mais devoto e mais inclinado à religião, isto era uma acusação contra a inimizade dos principais dos sacerdotes, e um testemunho contra eles.

Em segundo lugar; parece mais provável que seus inimigos é que fizeram esta investigação a seu respeito, desejando uma oportunidade de lançar mão dele. Vendo que a cidade começava a se encher de gente devota do interior, eles imaginavam que poderiam encontrar Jesus no meio deles. Quando deveriam estar ajudando as pessoas que vinham para se purificar, de acordo com o dever que tinham, eles estavam tramando contra Cristo. Como era desgraçadamente degenerada a igreja judaica, quando os sacerdotes do Senhor tinham se tornado como os sacerdotes dos bezerros, como “um laço para Mispa e rede estendida sobre o Tabor. Os transviados têm descido até ao profundo, na matança” (Oseias 5.1,2). Em vez de guardarem a festa com pães asmos, eles mesmos se encontravam levedados pelo fermento da pior iniquidade! “Que vos parece? Não virá à festa?” Suas perguntas indicam:

1. Uma ideia preconceituosa e injusta contra Cristo, como se Ele desejasse omitir seu comparecimento a esta festa do Senhor, por temer expor-se. Se os demais, devido à falta de religiosidade, se ausentassem, não seriam criticados. Mas se Cristo estivesse ausente, em benefício de sua própria preservação (pois Deus quer misericórdia, e não sacrifício), isto seria transformado em uma censura a Ele. Davi incorreria na mesma crítica, se seu lugar estivesse vazio na festa, embora Saul desejasse sua presença somente para ter uma oportunidade de cravá-lo à parede com sua lança, 1 Samuel 20.25-27ss. É triste ver que os homens são capazes de degenerar as santas ordenanças a fim de atenderem a propósitos iníquos.

2. Uma temerosa apreensão de que tivessem perdido o jogo: “‘Não virá à festa?’ Se não vier, nossas medidas terão sido inúteis, e nós estaremos todos perdidos, pois não há como enviar um servo ao campo, para buscá-lo à força”.

[3] As ordens promulgadas pelo governo judeu para a prisão de Jesus eram muito rígidas, v. 57. O grande Sinédrio promulgou uma proclamação, encarregando e exigindo rigorosamente que, se qualquer pessoa, em alguma cidade ou no interior, soubesse onde o Senhor estava (fingindo que Ele era um criminoso, e que tinha fugido da justiça), esta pessoa deveria apresentá-lo. Ele então seria levado, e provavelmente fizeram a promessa de uma recompensa a quem o descobrisse, impondo uma punição sobre aqueles que o abrigassem. Deste modo, o Senhor era descrito ao povo como um homem perigoso e detestável, um fora-da-lei, de quem qualquer pessoa poderia sofrer um ataque. Saul fez uma proclamação semelhante quando desejou prender Davi, e Acabe fez o mesmo acerca de Elias. Veja, em primeiro lugar, como eles estavam determinados nesta perseguição, e como trabalharam infatigavelmente nela agora, em uma ocasião em que, se tivessem tido algum senso de religião e do dever da sua função, teriam encontrado algo diferente para fazer. Em segundo lugar, como eles estavam dispostos a envolver outras pessoas na sua culpa. Se algum homem fosse capaz de trair a Cristo, eles fariam com que ele se considerasse obrigado a fazê-lo. Este era o interesse que aqueles líderes judeus tinham pelas pessoas, abusavam delas, empregando-as para os piores pro­ pósitos. Observe que é um agravo dos pecados dos go­ vernantes ímpios o fato de que eles normalmente fazem dos que lhes são subordinados instrumentos das suas in­ justiças. Mas, apesar desta proclamação, embora, sem dúvida, muitos soubessem onde Ele estava, ainda assim, tal era o interesse por Ele nos afetos do povo, e Deus, o Pai, tinha tal controle sobre as consciências dos homens, que Ele não foi encontrado, pois Deus o ocultou deles.

 

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

DROGAS E QI

Pesquisas indicam que existe uma associação positiva entre o Quociente de Inteligência e a chance de usar drogas ilegais, tabaco e álcool.

Drogas e QI

Embora seja o contrário daquilo que normalmente se esperaria, as pesquisas têm apontado uma estranha relação positiva entre consumo de substâncias que alteram a mente e uma das medidas mais comuns de capacidade cognitiva, os testes de QI (abreviatura para Quociente de Inteligência). Certamente, o teste de QI não é perfeito nem abrange todas as sutilezas da inteligência humana, no entanto mais de um século de pesquisa mostra que é uma medida válida para avaliar alguns aspectos importantes da cognição. De forma algo surpreendente, o uso do tabaco, de álcool ou de drogas psicoativas está estatisticamente associada ao aumento de Ql. Não somente no uso atual dessas substâncias, mas também existe maior probabilidade de realização de experiências com drogas ou álcool na adolescência para os indivíduos inteligentes. Uma série de estudos realizados em todo o mundo leva a esse resultado, em especial pesquisas no Reino Unido e nos EUA. Nessas pesquisas, os sujeitos foram rastreados da infância à vida adulta em relação ao consumo de álcool, tabaco e drogas ilícitas, bem como seu nível geral de inteligência. Um dos estudos foi realizado com mais de 12 mil pessoas nos EUA que foram acompanhadas até os dias atuais, sendo que começaram a ser entrevistadas pela primeira vez em 1979. Os resultados apontaram que existe uma clara relação positiva entre a probabilidade de ter experimentado álcool, maconha, cocaína e várias outras drogas recreativas e níveis elevados de inteligência. Crianças mais inteligentes, tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos, têm mais chances de consumir mais álcool na medida em que crescem. Nos Estados Unidos, as crianças americanas mais inteligentes tendem a consumir mais tabaco, enquanto as crianças britânicas mais inteligentes têm maior probabilidade de consumir mais drogas ilegais. A busca de uma explicação razoável desse padrão é alvo de debate científico e pode gerar controvérsias. Entre as hipóteses levantadas pelos pesquisadores está a noção de que pessoas inteligentes são atraídas e valorizam mais a novidade, ou não têm tanto medo de se tornarem dependentes por terem um auto­controle maior.

A busca de novidades pode ser um dos fatores que impulsionam o maior uso de drogas, uma vez que pesquisas anteriores já documentaram a tendência de pessoas mais inteligentes em ficar entediadas com facilidade. A chamada hipótese Savana-QI, que é refutada por alguns e defendida por outros, afirma que pessoas inteligentes estão mais propensas a experimentar estímulos novos em termos de evolução, por serem mais adaptáveis às novas circunstâncias ambientais. Nessa interpretação, como as substâncias que alteram a mente são mais recentes no contexto da evolução humana, seriam justamente as pessoas mais inteligentes e flexíveis que fariam experiências com a novidade.

A hipótese do maior autocontrole em pessoas inteligentes é uma das mais citadas pelos pesquisadores, uma vez que pessoas mais inteligentes podem estar menos preocupadas com a possibilidade de se tornarem dependentes ou abusar das drogas. Sujeitos mais inteligentes tendem a ter mais autocontrole e podem, portanto, ser melhores em restringir o consumo de substâncias que causam dependência. Em especial, sujeitos mais inteligentes podem prever que serão capazes de conseguir regular seu consumo de drogas sem desenvolver dependência ou abuso. Nesse sentido, a autoconfiança na sua capacidade de controle pode levar à maior tendência de fazer experiências com drogas recreativas.

Estudo recente mostrou um padrão que confirma essa hipótese. O estudo examinou o consumo de álcool e foi identificado que os sujeitos com maior Quociente de Inteligência (ou QI) ingerem mais álcool, mas têm menos dependência e abuso, ou seja, embora tenham atração pela bebida alcoólica, possuem também autocontrole para não abusar do consumo, o u se tornar alcoólatra. Essa investigação também apontou que na medida em que aumenta o QI, a relação vai se diluindo para a faixa superior de QI, o que pode indicar que as relações não são tão simples e pode haver um efeito protetor da inteligência elevada. Mais estudos serão necessários para se entender melhor essa curiosa relação.

 

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed 2011).

OUTROS OLHARES

AS ESCRAVAS SEXUAIS DA NXIVM

Escândalo envolvendo a herdeira do império de bebidas Seagram e uma atriz de Hollywood revela os sórdidos rituais em que mulheres eram abusadas e marcadas a ferro como gado – com as iniciais do líder Keith Raniere. Ele pode ser condenado à prisão perpétua.

As escravas sexuais da nxivm

Bem-vindo à nexium. Ou melhor, Nxivm, a macabra academia de auto ajuda fundada em 1998 em Colonie, Estados Unidos, pelo ex-progarmador de computadores e supostamente génio precoce Keith Raniere, hoje com 57 anos. Depois de desenvolver um método que prometia revelar os segredos do triunfo pessoal e trazer sucesso e prosperidade, Raniere caiu nas graças de ricas e famosas, ascendendo ao status de guru. Por meio de ciclos de palestras e treinamentos que combinavam doses de filosofia, alguma religiosidade e programação neurolinguística, a organização prosperou atraindo jovens inseguras em busca de auto – afirmação. Por trás das falsas promessas, porém, havia uma armadilha para aliciar mulheres e submetê-las a uma sórdida rotina de trabalhos forçados e escravidão sexual. Como se fossem gado, as vítimas eram marcadas a ferro com as iniciais do líder em rituais frequentados por socialites. Na terça-feira 24, o FBI efetuou uma série de prisões – e acrescentou nomes antes insuspeitos ao núcleo central da Nxivm. Entre as detidas está a herdeira da destilaria Seagram, Clare Bronfman, de 39 anos. A atriz de Hollywood Allison Mack, famosa pelo seriado “Smallville”, fora detida em abril, acusada de ser uma das integrantes do que se mostrou ser uma seita de horrores. Raniere, que havia se refugiado no México, também está preso e irá a julgamento em 10 de outubro.

Junto com a bilionária Clare Bronfman foram detidas três mulheres, entre elas Nancy Salzman, de 64 anos, cofundadora da Nxivm. Pesam contra elas acusações de extorsão, roubo de documentos de identidade e participação em um esquema de entrada ilegal de estrangeiras que se tornariam vítimas do círculo interno da empresa, onde funcionava a seita sexual The Vow (O Voro) ou DOS, acrônimo em latim para Dominus Obsequious Sororium”, algo como “Mestre de Mulheres Submissas”. Próxima de Raniere, Clare é suspeita de arrecadar cerca de USS 100 milhões para a seita. Parte desse dinheiro seria de sua própria herança. Edgar Bronfman, ex-acionista maioritário da Seagram, morreu em 2013. Dez anos antes, ele Já havia denunciado a existência do culto à revista “Forbes”. Ele acreditava que as técnicas da Nxivm o distanciaram de suas filhas Clare e Sara. A advogada de Clare, Susan Necheles, alega que ela é vítima de abuso de poder por parte das autoridades: “Apenas porque o governo discorda de algumas crenças da Nxivm”. No dia das prisões, o diretor-assistente do FBI em Nova York William Sweeney afirmou que os “detalhes desses supostos crimes se tornam cada vez mais sombrios”.

CHANTAGEM

Detida e liberada após pagar uma fiança de US$5 milhões, a atriz Allison Mack entrou para a Nxivm em 2017 pelas mãos da colega Kristin Kreuk, também integrante do elenco de “Smallville”. Enquanto Kristin deixou o culto sem maiores queixas, Allison mergulhou no esquema, ajudando a atrair mulheres para Raniere. Seu julgamento está marcado para 7 de janeiro de 2019. Diante de uma pena que pode ir de 15 anos à prisão perpétua, ela poderia até negociar um acordo judicial, porém preferiu se declarar inocente. Nas redes sociais é possível assistir a alguns de seus vídeos, nos quais fala ao mundo sobre felicidade e autorrealização.

A realidade era bem outra para as vítimas. As que escaparam sequer conseguiam convencer as autoridades de que havia um esquema que as escravizava sexualmente. As denúncias não iam adiante, pois Raniere afirmava que as “tatuagens” com suas iniciais eram consensuais. No ano passado, cinco mulheres apresentaram as mesmas queixas, com marcas em suas virilhas e quadris, o que alertou a promotoria federal de Justiça. As marcas seriam feitas sem anestésicos em cerimônias organizadas na cidade de Albany, no estado de Nova York. Mack participaria como mestra, segundo contou uma das vítimas, Sarah Edmondson, ao “The New York Times”. Sarah relatou ter passado por treinamentos “motivacionais” para superar “fraquezas”. Ela foi obrigada a jurar obediência total ao líder, fez confissões íntimas e até entregou fotos suas sem roupas – que seriam usadas como instrumento de chantagem. Só depois passou pelo ritual de tatuagem. Deitada nua em uma maca e com os olhos vendados, ela teve braços e pernas seguros por outras mulheres. Entre os crimes, Raniere também obrigava as vítimas a seguir dietas de fome para se adequarem aos seus ideais de beleza feminina. Todas tinham a obrigação de saciar o desejo sexual do guru quando melhor lhe conviesse, sem a mínima opção de dizer não.

No esquema da pirâmide, cada mestre deveria arranjar seis escravas, e essas, mais seis cada uma, a fim de subir na hierarquia. Não se sabe o número de mulheres que caíram na armadilha. Em 2016, por mensagem no Twiter, Allison Mack tentou atrair a estrela Emma Watson, da série “Harry Potter”. Não houve qualquer indício de sucesso. Segundo as investigações, como Mack exercia o papel de recrutadora, seus depoimentos serão fundamentais para desvendar outros crimes. Agora as autoridades querem detalhes de como toda essa operação era financiada, já que o estilo de vida de Raniere não era barato. Em seu site, a Nxivm informa que suspendeu suas atividades diante de “eventos extraordinários”.

As escravas sexuais da nxivm.2

GESTÃO E CARREIRA

A HUMANIDADE POR TRÁS DOS DADOS

Entenda o Big Data e por que sua empresa precisa implementá-lo hoje mesmo.

A humanidade por trás dos dados

Uma campanha de marketing político pautada em interesses e comportamentos humanos. A Cambridge Analítica ficou conhecida em todo o mundo por analisar dados sobre a população norte-americana que auxiliaram a vitória de Donald Trump. O problema é que a empresa foi acusada de utilizar ilegalmente informações de cerca de 50 milhões de cidadãos disponibilizadas no Facebook. O antiexemplo, no entanto, abre as portas para o entendimento de como fazer esse trabalho de compreensão do seu consumidor de maneira ética e legal.

Quando as reações emocionais dos indivíduos passam a poder ser interpretadas por meio de tráfegos gerados voluntariamente, fica mais fácil entender exatamente como atingir um público, desenvolver um produto e criar um planejamento de marca. E não é apenas nas urnas que o Big Data transforma- se em aliado. Aplicativos de namoro, por exemplo, podem cruzar dados de seus inscritos para encontrar o par perfeito, enquanto informações sobre o que as pessoas mais gostam de ler no seu site ajudam a desenvolver assuntos focados no interesse do leitor, entre outros milhares de possibilidades.

Existe um conceito sobre os 5V do Big Data: volume/ velocidade/ variedade/ veracidade/ valor.  Dados são gerados a todo momento sobre todas as coisas, em grande volume e de forma muito rápida. A escala de dados de um e-commerce, por exemplo, é monumental. o Big Data olha para um grande volume de dados que falam sobre muitas coisas – com ele, consigo saber sobre o estoque da minha loja, produto a produto, dia a dia, loja a loja. Isso gera muitos bytes de informação cotidianamente. “Por isso, o primeiro ponto é volume”, explica o responsável pela área de inovação e consultoria de análise de dados da Ekantika, Cesar Calvini Alminana.

Ele conta ainda que o segundo ponto, a velocidade, refere-se ao tempo para analisar os dados no momento correto, enquanto a variedade de informação faz com que o conceito deixe de ser uma tabela e passe a proporcionar uma gama de material para observação. “Para isso, tenho imagens, áudio, textos – formas variadas de analisar essas informações. É preciso ainda que assegure veracidade, porque isso também ajuda na tomada de decisão e define que caminho a empresa deve seguir. Por fim, é preciso extrair valor no momento certo e só assim será possível agregar ao negócio. Um erro muito comum é encarar o Big Data como uma grande tabela, quando é preciso encará-lo como urna filosofia que tem poder para auxiliar a política e a gestão de dados da empresa, completa Alminana.

A principal diferença entre big small data é justamente que um oferece uma quantidade de informações, enquanto o outro prefere organiza-las de modo a oferecer maior qualidade de dados. Mas a peça-chave desse fluxo de matéria prima é uma só: você. “O pensamento que distingue pequenos negócios de grandes negócios está balizado pelo critério: Faturamento bruto. Hoje. em todo o mundo, startups “roubam” postos de grandes negócios graças à agilidade e à capacidade de transformação. Independentemente de seu faturamento. Essa régua é um limitador conceitual. Na prática, empresas menores são mais velozes, podem se adaptar mais rápido e o risco de agir e errar é menor, afinal o tempo de recuperação é muito mais acelerado, ressalta o cientista-chefe na Cappra Data Science, Ricardo Cappra.

TORTURE OS DADOS

Colher e analisar dados do público tornou -se essencial para oferecer experiências assertivas em relação a seu produto ou serviço. O primeiro passo para iniciar esse processo é entender a realidade e o momento em que sua empresa está inserida. O contexto influencia a análise e é preciso que a pessoa que vai interpretar essa informação tenha total consciência de questões pessoais que possam influenciar erroneamente o resultado, o chamado viés inconsciente. De maneira simplificada, se sua Fanpage mostra que a maioria do público é formada por mulheres de 25 a 40 anos e você, particularmente, possui uma visão de que toda mulher dessa idade está em busca de casamento, pode realizar uma análise equivocada. Neste momento, liberte-se de suas convicções pessoais e leia outros gráficos que mostrem o comportamento real dessas mulheres, só assim vai entender com clareza o que seu público busca e como se comunicar com ele.

O segundo passo é olhar para a infra­estrutura que se tem dentro da empresa: para onde está indo e aonde quer chegar, como é feito o armazenamento de dados e que informações existem nesse banco? Pensar em tecnologia é fundamental, mas também é preciso estruturar como as áreas poderão utiliza as análises. “A TI tem um papel essencial, que vai além do suporte e da extração de dados pontuais: é uma TI inovadora que trabalha com pessoas que estão sempre pensando no próximo de acordo com o que os dados mostram”, explica César Alminana.

O especialista lembra que todos esses assuntos precisam ser democratizados já que o pequeno empreendedor pode e deve habitar o admirável mundo novo. “O pequeno empreendedor não precisa saber de tudo ao mesmo tempo, nem ter uma grande equipe multidisciplinar. Uma pequena equipe com conhecimento pode entregar pequenas caminhos que agreguem valor”, conta.

Quando você entende o potencial que tem nas mãos, consegue gerar oportunidades de monetização. Para ter uma ideia, um estudo feito no ano passado pela Frost & Sullivan mostrou que o Brasil é líder na América Latina no uso do Big Data, somando 45,8% do mercado e principalmente no segmento de varejo. Redes de supermercado, por exemplo, desenvolveram programas de fidelidade com base nas informações, o que auxilia a personalizar as ofertas para os clientes, gerando maior conversão de compra. “Uma grande parte do esforço técnico é realizada diretamente em nuvem, sem a necessidade de ter uma infraestrutura própria para utilizar essas tecnologias. Isso permite que empresas de pequeno porte sejam competitivas”, ressalta Cappra.

MAS QUE FERRAMENTAS EU USO?

Você pode começar da maneira mais simples: existindo nas redes sociais. Quando você gera conteúdo em ambientes como Facebook, Instagram, Twitter ou YouTube, tem acesso a um analytics gratuito que mostra o público e seus comportamentos – desde o básico até gostos pessoais que interferem na compra final. Além disso, o open source (código aberto) é o grande aliado de pequenas empresas que, com linguagens de programação simples e acessíveis, conseguem acessar ferramentas interligadas para resolver problemas complexos a um baixo custo. Portanto, investir em pessoas capacitadas de TI pode ser a grande chave de mudança do seu negócio.

Ricardo Cappra lembra que é preciso, contudo, organizar uma estratégia para uso de dados, identificando oportunidades analíticas e modelos de decisão. A partir daí, é hora de começar a construir essas ferramentas, com auxílio de uma simples planilha de Excel, por exemplo. O modelo de decisão construído (baseado em matemática e estatística) é o mais importante. “Depois, é necessário testar esses protótipos nas áreas de negócio – usar como um Produto Mínimo Viável (MVP) mesmo, entender o que funciona e o que é desnecessário no processo decisório. Depois disso tudo é hora de falar em tecnologia, pensar em banco de dados, ferramentas avançadas de análise e visualização da informação. O melhor uso de Big Data não tem relação com tecnologia, e sim com o que você vai fazer com aqueles dados, destaca.

A estrutura organizacional deve entender que é para todas as áreas: financeiro, TI, RH, enfim, todas conectadas a fim de tomar decisões que contribuam com o futuro do negócio. A empresa está preparada para se reciclar de forma rápida, dependendo dos dados que o Big Data oferece? “É preciso pensar em cada impacto que o uso de dados pode causar dentro das empresas e todos devem estar preparados para isso”, ressalta o responsável da Ekantika. O desafio é justamente entender a humanidade dos dados e, por isso, observar em volta é essencial.

 E O SMALL DATA?

Big Data é basicamente o que o Excel não resolve sozinho, um volume alto de informações, números e dados que chegam aos montes e sem uma estrutura estabelecida para depois ser distribuído em ferramentas de análise.

Small Data é quando você consegue enxugar essa nuvem de observações para algo mais palpável e com os dados que, de fato, merecem atenção para focar em suas análises.

GLOSSÁRIO

  • IoT (Internet das Coisas): uma extensão da Internet para objetos que podem entrar na conexão, como veículos ou prédios.
  • Algoritmo: fórmula matemática que executa determinada tarefa – um dos mais usados é aquele que cruza informações sobre o comportamento do usuário e entrega conteúdo de maneira personalizada.
  • I (Business Inteligence): conjunto de ferramentas que colabora com a análise de dados colhidos pelo Big Data para tomadas finais de decisão.
  • Cientista de dados: a profissão do futuro, na qual a pessoa analisa os dados armazenados.
  • Dados estruturados: informações que chegam de maneira organizada e possuem claros padrões.
  • Dados não estruturados: um pouco mais subjetivos, incluem imagens, áudios e vídeos, por exemplo, que devem ser observados com profundidade para uma melhor conclusão.
  • IA (Inteligência Artificial): sistemas como o robô Watson, da IBM, foram projetados não apenas para responder a questões como um computador comum. Mais do que isso, eles conseguem interpretar e fornecer respostas a questões subjetivas.
  • Dashboard: painéis para apresentação das informações e dados de maneira estruturada.

FERRAMENTAS QUE FAZEM A DIFERENÇA

PRIMEIRA FASE – O NEGÓCIO: Frameworks, dicas baseadas em Design Thinking e ferramentas que ajudem a estruturar Mapas de tomada de decisão (Mind Map).

SEGUNDA FASE – A CIÊNCIA: Modelos MatemÁtICOS – como Excel

TERCEIRA FASE – TECNOLOGIA: é hora de estruturar um banco de dados MySQL, Mongo DB, Hadoop, aplicar regras, modelagens e automações complexas através de R e Python, além da visualização da informação com as diversas bibliotecas que essas mesmas ferramentas carregam e estão disponíveis na Internet

A humanidade por trás dos dados.2 

BOA IDEIA!

Startup Minha Visita: a empresa gaúcha criou um software de gestão de equipes externas para aumentar a produtividade de vendedores. Com quase 20 mil usuários, o vendedor pode registrar em tempo real sua visita, fornecendo dados personalizados sobre o cliente.

Valuenet Incentive Solutions: desenvolve projetos personalizados para cada negócio a partir de    um mapeamento de contextos culturais e motivacionais. Esses dados podem influenciar comportamentos incentivados e monitorados.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 11: 33-44 – PARTE III

Alimento diário

 Cristo na sepultura de Lázaro. A Ressurreição de Lázaro

 

III – A realização do milagre propriamente dito. Os espectadores, estimulados pelo rolar da pedra, reuniram se ao redor do sepulcro, não para entregar o pó de volta ao pó, e aquilo que fora formado da terra de volta à terra, mas para receber de novo do pó aquilo que era pó, e da terra aquilo que fora formado da terra. E sendo despertadas suas expectativas, nosso Senhor Jesus inicia seu trabalho.

1. Ele se dirige ao seu Pai que vive no céu, pois assim Ele o tinha chamado (cap. 6.27,37), e assim o olha aqui.

(1) O gesto que Ele fez foi muito significativo: Ele levantou os olhos para o céu, uma expressão exterior da elevação da sua mente, para mostrar aos espectadores de onde Ele obtinha seu poder, e também para nos dar um exemplo. Este sinal exterior é, portanto, recomendado nas nossas práticas. Veja cap. 17.1. Veja como irão reagir aqueles que, de forma profana, o ridicularizam. Mas o que nos é especificamente recomendado é que devemos nossos corações a Deus nas alturas. O que é a oração, senão a ascensão da alma a Deus, e a orientação dos seus afetos e impulsos para o céu? Ele levantou seus olhos, como quem olha para o alto, olhando além da sepultura onde estava Lázaro, e ignorando todas as dificuldades que surgiam dali, para que pudesse ter seus olhos fixos na onipotência divina, para nos ensinar a fazer como Abraão, que não “atentou para o seu próprio corpo já amortecido… nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara”, nunca ocupou seus pensamentos com isto, e assim conseguiu um nível de fé a ponto de não vacilar quanto à promessa, Romanos 4.20.

(2) Sua maneira de dirigir-se a Deus demonstrava uma grande certeza, e uma confiança que era adequada a Ele: “Pai, graças te dou, por me haveres ouvido”.

[1] Aqui Ele nos ensina, com seu próprio exemplo, em primeiro lugar, a chamar Deus de Pai, na oração, e a nos aproximarmos dele como os filhos se aproximam do pai, com uma reverência humilde, e, apesar disto, uma ousadia santa. Em segundo lugar, a louvá-lo nas nossas orações, e, quando viermos para implorar por mais misericórdia, com gratidão reconheceremos as bênçãos anteriores. Os agradecimentos, que evidenciam a glória de Deus (não a nossa, como os fariseus evidenciavam quando agradeciam a Deus), são formas adequadas através das quais devemos apresentar nossas súplicas.

[2] O agradecimento do nosso Salvador aqui pretendia expressar a inabalável certeza que Ele tinha da realização deste milagre, que Ele tinha poder para realizar, juntamente com seu Pai: “Pai, Eu te agradeço porque minha vontade e a tua são, neste caso, como sempre são, iguais”. Elias e Eliseu ressuscitavam os mortos como servos, por súplicas, mas Cristo, sendo Filho, por autoridade, tendo a vida em si mesmo, e poder para despertar quem Ele desejasse. E Ele fala sobre isto como sendo seu próprio ato (v. 11): “Vou despertá-lo”, mas também fala disto como aquilo que tinha obtido por oração, por­ que seu Pai o tinha ouvido. Provavelmente, Ele tenha orado quando se moveu em espírito duas vezes (vv. 33,38), em uma oração mental, com gemidos que não poderiam ser exprimidos.

Em primeiro lugar, Cristo fala deste milagre como sendo uma resposta à oração:

1. Porque assim Ele desejava se humilhar. Embora Ele fosse o Filho de Deus, ainda assim tinha aprendido a obedecer, na atitude de pedir e receber. Sua coroa de Mediador lhe era concedida por solicitação, embora lhe pertencesse por direito, Salmos 2.8; cap. 17.5. Ele ora pela glória que tinha antes que o mundo existisse, embora, nunca tendo perdido o direito a ela, podia tê-la exigido.

2. Porque Ele se alegrava, as­ sim, em honrar a oração, tornando-a a chave com a qual Ele liberava os tesouros do poder e da graça divinos. Desta maneira, Ele nos ensinaria, em oração, pelo exercício vivo da fé, a entrar no santuário.

Em segundo lugar, Cristo, tendo certeza de que sua oração seria atendida, professa:

1. Sua agradecida aceitação desta resposta: “Graças te dou, por me haveres ouvido”. Embora o milagre ainda não tivesse se realizado, ainda assim a oração foi atendida, e Ele triunfa antes da vitória. Ninguém pode pretender ter uma certeza como a que Cristo tinha, mas nós podemos, pela fé, ter uma perspectiva da graça antes que ela seja completamente concedida, e podemos nos alegrar com esta perspectiva, e dar graças a Deus por ela. Nas devoções de Davi, o mesmo salmo que começa com uma oração pedindo uma graça, é concluído dando graças por ela. Observe:

(a) As misericórdias em resposta à oração devem ser, de uma maneira especial, reconhecidas com gratidão. Além da concessão da graça propriamente dita, nós devemos considerar como um grande favor o fato de termos nossas pobres almas observadas.

(b) Devemos receber a primeira manifestação da res­ posta à oração dando graças prematuramente. Como Deus nos atende com misericórdia, mesmo antes de lhe pedirmos algo, e nos ouve quando ainda estamos falando, assim nós devemos responder a Ele com louvor antes que Ele conceda, e dar-lhe graças enquanto Ele ainda está proferindo palavras boas e consoladoras.

2. Sua certeza jovial de uma resposta pronta a qualquer momento (v. 42): “Eu bem sei que sempre me ouves”. Que ninguém pense que isto foi algum favor incomum concedido a Ele agora, um favor como Ele nunca tinha tido antes, nem jamais voltaria a ter. Não, Ele tinha o mesmo poder divino acompanhando-o por toda a sua missão, e não realizou nada, exceto o que Ele sabia que estaria de acordo com o conselho da vontade de Deus. “Graças te dou”, diz Ele, “por ser ouvido neste caso, porque tenho certeza de que sou ouvido em todas as coisas”. Veja aqui:

(a) O interesse que nosso Senhor Jesus recebia do céu. O Pai sempre o ouvia, Ele tinha acesso ao Pai em todas as ocasiões, e sucesso com Ele em todas as tarefas. E podemos ter certeza de que seu interesse não será menor pela sua ida ao céu, o que pode nos encorajar a confiar na sua intercessão, e a colocar todas as nossas solicitações nas suas mãos, pois temos a certeza de que a Ele o Pai sempre ouve.

(b) A confiança que Ele tinha de tal interesse: “Eu bem sei”. Ele não tinha tido a menor hesitação ou dúvida a este respeito, mas tinha na sua própria mente uma satisfação completa da complacência do Pai, e da sua cooperação em tudo. Nós não somos capazes de ter uma certeza tão particular como a que Ele tinha, mas sabemos que qualquer coisa que pedirmos, segundo sua vontade, Ele nos ouve, 1 João 5.14,15.

Em terceiro lugar, por que Cristo daria esta indicação pública de ter obtido este milagre através da oração?

Ele acrescenta: “Por causa da multidão que está ao redor, para que creiam que tu me enviaste”, pois a resposta à oração pode trazer uma mensagem ao coração do povo, como se fosse uma pregação.

1. Isto pretendia eliminar as objeções dos seus inimigos, e suas reflexões. Os fariseus e suas crias tinham sugerido, de maneira blasfema, que Ele realizava seus milagres através de algum tipo de pacto com o Diabo. Agora, para evidenciar o contrário, Ele se dirige abertamente a Deus, usando orações, e não encantos, não olhando furtivamente e murmurando, como faziam aqueles que usavam espíritos familiares (Isaias 8.19), mas com os olhos elevados e uma voz que professava sua comunicação com o Céu, e sua confiança no Céu.

2. Isto pretendia corroborar a fé daqueles que se influenciavam por Ele: “Para que creiam que tu me enviaste”, não para destruir as vidas dos homens, mas para salvá-las. Moisés, para mostrar que Deus o tinha enviado, fez a terra se abrir e engolir homens (Números 16.31). Elias, para mostrar que Deus o tinha enviado, fez descer fogo do céu e devorar homens, pois a lei era uma dispensação de terror e morte. Mas Cristo prova qual é sua missão, ressuscitando alguém que estava morto. Alguns preferem esta interpretação: se Cristo tivesse declarado que o faria livremente, pelo seu próprio poder, alguns dos seus fracos discípulos, que ainda não tinham compreendido sua natureza divina, poderiam ter pensado que Ele se encarregava de coisas em excesso, e poderiam ter se atrapalha­ do com esta ideia. Estes “bebês” não podiam suportar este alimento tão forte, por isto Ele decide falar do seu poder como algo recebido e obtido, Ele fala renunciando a si mesmo, para que pudesse falar mais claramente a nós.

3. Agora Ele se dirige ao seu amigo morto na terra. Ele “clamou com grande voz: Lázaro, vem para fora”.

(1) Ele poderia ter ressuscitado Lázaro por uma aplicação silenciosa do seu poder e da sua vontade, e pelas operações imperceptíveis do Espírito da vida. Mas Ele o fez com um clamor, um clamor com grande voz:

[1] Para indicar o poder que foi utilizado na ressurreição de Lázaro, a maneira que Ele criou para fazer esta obra nova e maravilhosa. Ele falou, e o milagre aconteceu. Ele clamou, para evidenciar a grandiosidade da obra, e do poder empregado nela, e para estimular-se, como se com isto atacasse os portões da morte, como os soldados se põem em ação com um grito. Falando com Lázaro, era adequado clamar com grande voz, pois, em primeiro lugar, a alma de Lázaro, que devia ser chamada de volta, estava longe, não estava pairando sobre o sepulcro, como imaginavam os judeus, mas tinha sido removida para o Hades, o mundo dos espíritos. É natural que falemos alto quando chamamos quem está à distância. Em segundo lugar, o corpo de Lázaro, que devia ser chamado, estava adormecido, e é usual que falemos alto quando de­ sejamos despertar alguém. Porém, mais do que todos estes argumentos, o Senhor Jesus clamou com grande voz para que se cumprissem as Escrituras (Isaias 45.19): “Não falei em segredo, nem em lugar algum escuro da terra”.

[2] Para se tornar uma característica de outros prodígios, e, particularmente, de outras ressurreições, que o poder de Cristo viria a realizar. Este clamor com grande voz era um modelo, em primeiro lugar, do chamado do Evangelho, pelo qual as almas mortas deveriam ser trazidas do sepulcro do pecado, de cuja ressurreição Cristo já tinha falado anteriormente (cap. 5.25), e da sua palavra como o meio para que isto se cumprisse (cap. 6.63), e agora Ele apresenta uma amostra. Com sua palavra, o Senhor disse às almas: “Vive; sim… vive”, Ezequiel 16.6. “Levanta-te dentre os mortos”, Efésios 5.14. O espírito de vida de Deus entrou naqueles que tinham sido ossos secos e mortos, quando Ezequiel profetizou a eles, Ezequiel 37.10. Aqueles que inferem, a partir dos mandamentos da palavra de retornar e viver, que o homem tem um poder próprio para converter e regenerar a si mesmo, podem, igualmente, inferir deste chamado a Lázaro que ele tinha o poder de ressuscitar a si mesmo. Em segundo lugar, do som da trombeta do arcanjo no último dia, com o qual aqueles que dormem no pó serão despertados e convocados diante do grande tribunal, quando Cristo descerá com um clamor, um chamado, ou um comando, como este: “Vem para fora”, Salmos 50.4. Ele chamará dos céus suas almas, e da terra, seus corpos, para que possa julgar seu povo.

(2) Este clamor em grande voz foi curto, porém poderoso, por meio de Deus, para demolir as fortalezas do sepulcro.

[1] Ele o chama pelo nome, Lázaro, assim como nós chamamos pelos seus nomes àqueles a quem desejamos despertar de um sono profundo. Deus disse a Moisés, como sinal do seu favor: “Conheço-te por teu nome”. O fato de que o chame pelo nome indica que o mesmo indivíduo que morreu ressuscitará novamente no último dia. Aquele que chama as estrelas pelos seus nomes pode distinguir, pelo nome, suas estrelas que es­ tão no pó da terra, e não perderá uma sequer.

[2] Ele o chama para que saia da sepultura, falando com ele como se já estivesse vivo, e não tivesse nada para fazer, exceto sair da sepultura. Ele não diz a Lázaro: Vive, pois Ele mesmo deve dar a vida, mas Ele lhe diz: Vem, pois quando, pela graça de Cr isto, nós vivemos espiritualmente, devemos nos mover. O sepulcro do pecado e deste mundo não é lugar para aqueles a quem Cristo despertou, e por isto eles devem vir para fora.

[3] O evento se realizou de acordo com a intenção: aquele que estava morto saiu para fora, v. 44. O poder acompanhou a palavra de Cristo, para reunir a alma e o corpo de Lázaro, e então ele saiu. O milagre é descrito, não pelas suas correntes invisíveis, para satisfazer nossa curiosidade, mas pelos seus resultados visíveis, para adequar nossa fé. Alguém pergunta onde estava a alma de Lázaro durante os quatro dias de separação do corpo? Não nos é dito, mas temos motivos para pensar que estava no paraíso, em alegria e felicidade. Mas você dirá: “Não terá sido, na verdade, uma crueldade fazê-la retornar à prisão no corpo?” Sendo assim, para a honra de Cristo e para servir aos interesses do seu reino, esta não foi uma ofensa a Lázaro, assim como não foi uma ofensa ao apóstolo Paulo continuar na carne, mesmo sabendo que partir para junto de Cristo era muito melhor. Se alguém perguntar se Lázaro, depois de ser ressuscitado, poderia dar uma explicação ou descrição da remoção da sua alma do corpo, ou do seu retorno até ele, ou sobre o que ele tinha visto no outro mundo, eu suponho que estas mudanças foram tão indescritíveis para ele, que ele diria, como Paulo: “Se no corpo, se fora do corpo, não sei”, e quanto ao que ele viu e ouviu, que não seria lícito nem possível falar sobre estas coisas. No mundo dos sentidos, em que vivemos, não podemos construir para nós, e muito menos transmitir a outros, quaisquer ideias adequadas sobre o mundo dos espíritos, e sobre as questões daquele mundo. Não devemos cobiçar ter uma sabedoria superior àquilo que está escrito, e tudo o que está escrito a respeito da ressurreição de Lázaro é que “o defunto saiu”. Alguns observaram que, embora possamos ler sobre muitos que foram ressuscitados, que, sem dúvida, conversavam familiarmente com os homens depois disto, as Escrituras não registraram se­ quer uma palavra proferida por qualquer um deles, exceto pelo nosso Senhor Jesus.

(3) Este milagre se realizou:

[1] Rapidamente. Nada se interpõe entre o comando, “vem para fora”, e o resultado, ele “saiu”, fez-se tão rapidamente quanto foi dito. Haja vida, e houve vida. Assim, a transformação na ressurreição ocorrerá “num momento, num abrir e fechar de olhos”, 1 Coríntios 15.52. O poder onipotente, que pode fazer tudo, pode fazer tudo em um instante: “Ele me invocará, e eu lhe responderei”. Atenderei ao chamado, como no caso de Lázaro: Aqui estou.

[2] Perfeitamente. Ele voltou completamente à vida, e saiu do sepulcro tão forte como sempre se levantou da sua cama. Lázaro retornou, não somente para a vida, mas para uma vida saudável. Ele não ressuscitou apenas por alguns momentos, mas para viver como os outros homens.

[3] Com um milagre adicional, como alguns consideram o fato de ele ter saído do sepulcro, embora estivesse vestido com suas faixas do túmulo, com as quais lhe foram atadas as mãos e os pés, e tendo seu rosto envolto por um lenço (pois esta era a maneira de sepultar dos judeus). E ele saiu com as mesmas vestes com as quais tinha sido sepultado, para que pudesse parecer que era ele mesmo, e não outro, e que ele não apenas estava vivo, mas forte, e capaz de caminhar, mesmo com as faixas. O fato de o seu rosto estar envolto por um lenço provava que ele tinha estado realmente morto, pois, se não fosse assim, em um período de tempo menor do que os quatro dias, o lenço o teria asfixiado. E os espectadores, ao desatá-lo, o toca­ riam, o veriam, observariam que era ele mesmo e, desta maneira, seriam testemunhas deste milagre. Veja aqui, em primeiro lugar, como nós levamos pouco conosco quando deixamos este mundo – somente um lençol que nos envolve, e um caixão. Não há troca de roupas no sepulcro, nada, exceto um único conjunto de faixas. Em segundo lugar, em que condições estaremos no sepulcro. Que sabedoria ou astúcia pode haver onde os olhos estão vendados, ou que trabalho pode haver onde as mãos e os pés estão atados? E assim será no sepulcro, para onde iremos. Tendo Lázaro saído, atrapalhado e embaraçado com suas faixas, podemos muito bem imaginar que aqueles ao redor do sepulcro estariam tremendamente surpresos e assustados com isto. Nós também estaríamos, se víssemos um morto ressuscitar. Mas Cristo, para tornar a situação mais familiar, lhes diz que trabalhem: “Desligai-o”, afrouxai suas faixas, para que possam servir como roupas até que ele chegue à sua casa. E ele irá sozinho, vestido assim, sem ninguém para guiá-lo ou sustentá-lo, até à sua própria casa”. Como, no Antigo Testamento, os trasladas de Enoque e Elias foram demonstrações perceptíveis de um estado invisível e superior (um deles, na metade da era patriarcal, o outro, na legislação mosaica), assim a ressurreição de Lázaro, no Novo Testamento, teve a finalidade de confirmar a doutrina da ressurreição.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

FLEXIBILIDADE COGNITIVA

Atualmente vivemos em ambientes quase inteiramente construídos pela nossa grande imaginação, oferecendo vantagem pela mente flexível em um mundo dinâmico que valoriza, e muito, essa competência.

Flexibilidade cognitiva

Depois de trocar algumas vezes de canal, você começa a ver um filme, do qual nada sabe a respeito. Minutos depois, sem que ninguém lhe diga, você já sabe se a história é atual futurista ou de algum período do passado. As roupas, a linguagem e os cortes de cabelo ajudam a marcar cada época. A humanidade sempre esteve em constante transformação e adaptação.

Mas as vividas nas últimas décadas são muito mais profundas que qualquer mudança de estilo ou tendência de época. E também são bem refletidas nos filmes atuais: a comunicação entre os jovens acontece em grande parte em ambientes virtuais, pessoas trabalham e estudam à distância, a informação é propagada de forma incrivelmente rápida, a tecnologia é usada como extensão do cérebro.

Essas novidades impactam a forma como pensamos e vivemos. Passam a ser parte do material que forma nossa identidade. Interferem em nossos sentimentos e ações e moldam a maneira como interagimos com o mundo. Hoje, a maior parte dos nossos planos, relacionamentos, conhecimentos e até ansiedades é gerada a partir de recursos que passaram a existir há pouco tempo. Em dez anos, possivelmente estaremos dedicando parte de nossa vida a uma atividade que hoje ainda nem foi criada. Em contrapartida, dentro de dez anos os ninhos das aves continuarão sendo iguais ao que sempre foram, os cachorros continuarão usando os mesmos recursos para se comunicar com os humanos e os gatos de seus filhos terão as mesmas habilidades dos gatos de seus avós. Ao contrário de todas as outras espécies, nós temos o impulso de inovar, criar e viver em um ambiente dinâmico e imprevisível e, de maneira incrivelmente rápida, adaptar-nos às mais drásticas mudanças. Isso só é possível porque temos uma capacidade fundamentalmente humana, que chamamos de “flexibilidade cognitiva”.

Conforme explica o físico e escritor Leonard Mlodinov, em seu recém-lançado Elastic (Elástico), hoje vivemos em ambientes quase inteiramente construídos pela nossa imaginação. “Embora o pensamento elástico não seja um novo talento da espécie humana, as demandas deste momento da nossa história trouxeram essa barbaridade do segundo para o primeiro plano e a transformaram em uma aptidão crítica até mesmo para questões rotineiras do âmbito profissional e pessoal. Não se trata mais de uma ferramenta especial daqueles envolvidos na resolução de grandes problemas, inventores e cientistas. O talento para o pensamento elástico é um fator importante para o sucesso de qualquer pessoa:

Todos naturalmente têm uma dose de flexibilidade e essa nossa qualidade sempre foi necessária para o sucesso nos relacionamentos e na resolução de problemas. No entanto, assim como a flexibilidade muscular, a cognitiva apresenta imensa variação entre as pessoas. Da mesma forma como acontece com o músculo, a mente tende a enrijecer quando sua elasticidade não é exercitada.

O cérebro é projetado para aprender e mudar com a aprendizagem, mudar e aprender com a mudança. Sua complexidade nos possibilita desde mudanças rápidas de foco, quando recebemos estímulos diferentes, a transformações profundas na forma como agimos e pensamos, de acordo com a necessidade e o ambiente. Quanto mais nos permitimos conhecer o incerto, mais treinamos a capacidade de adaptar a forma de agir e de pensar de acordo com a necessidade que encontramos. A flexibilidade cognitiva depende das mudanças e ao mesmo tempo as torna possíveis.

A velocidade com que a informação hoje é distribuída e os saltos de inovação em todas as áreas do conhecimento colocam a rigidez em enorme desvantagem. A resistência a mudanças costuma sempre perder. E hoje elas são muitas, exigindo tanto das empresas quanto das pessoas uma capacidade de aprender, reaprender e se adaptar de forma contínua. Por conta disso, a flexibilidade cognitiva entrou na lista das competências que serão mais valorizadas pelo mercado nos próximos anos, de acordo com o relatório O Futuro do Trabalho, do Fórum Econômico Mundial.

Com muitas ocupações tornando-se desnecessárias e tantas outras sendo criadas, devemos estar preparados para mudar de atividade ao longo da vida profissional. Fazer carreira ganhou outro significado e hoje, mais que nunca, requer mente aberta a mudanças e a novas oportunidades. Pessoas flexíveis tiram proveito do que o novo tem a oferecer e não esperam sentir-se prontas para assumir algum risco, pois sabem que nunca estarão. O conhecimento é um produto da ação, e não o contrário. A escritora Elizabeth Gilbert lembra que todos aqueles que alcançaram grandes conquistas questionaram-se se já estariam prontos para enfrentar o incerto. E talvez nunca se sintam prontos, pois mentes flexíveis sabem que nunca estamos, pois somos uma espécie em constante transformação.

Os ginastas mentais vão ganhar as melhores oportunidades e poderão não apenas usufruir das inovações como contribuir para que o mundo continue evoluindo.

 

MICHELE MULLER – é jornalista, pesquisadora, especialista em Neurociências, Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação. Pesquisa e aplica estratégias para o desenvolvimento da linguagem. Seus projetos e textos estão reunidos no site http://www.michelemuller.com.br

OUTROS OLHARES

AS EMERGÊNCIAS SILENCIOSAS

Paramédica relata como é lidar com um fio de vida numa ambulância e nunca saber como terminou a história.

As emergências silenciosas

“Eu acho que é encefalite”, ela me disse. ” Porque dói aqui atrás, no meu pescoço.” A senhora apontou para a nuca, na linha do cabelo grisalho e seco.

Susan tem 70 anos e ligou para o 911 por causa do nariz escorrendo e da dor. Estava doente havia alguns dias, mas não foi ao médico. Ela mora numa “ocupação de um quarto” num conjunto habitacional no centro da cidade e divide o espaço pequeno com um homem mais novo que, de acordo com ela, é seu amigo. Estamos numa cidade litorânea populosa, com antigos hotéis colados a arranha-céus de novos-ricos, condomínios e casas enfileiradas idênticas. Um casal de jovens bêbados talvez escolha caminhar algumas quadras a mais para evitar um bairro como o de Susan.

Ela estava usando um suéter grande e laranja e arregaçou uma manga com o polegar enquanto conversávamos. A roupa não estava tão suja quanto a da maioria das pessoas que tratamos, mas não estava limpa. Verifiquei seus sinais vitais e liguei o monitor cardíaco. Aumentei a temperatura da ambulância.

Susan é igual à maioria de meus pacientes: solitária, pobre e sem queixas sérias. Trabalhei numa ambulância por cinco anos em três países diferentes. Urbano e rural, rico e pobre, seco e molhado. Meu trabalho não é bem o que se pensa.

Na tela da TV, paramédicos estão sempre correndo para tentar salvar uma mulher presa debaixo de escombros, um homem sangrando ou um bebê sem fôlego. Há muitas sirenes, muita gritaria, um bêbado engraçado de vez em quando, mas a maior parte do trabalho é retratada com muita adrenalina. Geralmente, as pessoas arregalam os olhos quando conto qual é meu emprego.

A verdade sobre meu trabalho é, ao mesmo tempo, menos e mais interessante. Hoje em dia, a categoria de paramédico é mal definida, uma mistura de médico de combate, assistente social e gari. Atendemos muitas chamadas sem ligar as sirenes e nos sentamos com pessoas que têm problemas distantes da medicina. Há pouco tempo deparei com uma retratação surpreendentemente fiel da alma dos serviços de emergência médica num livro que não tem nada a ver com emergência. Em Evicted (Despejado), best-seller do New York Times, o autor, Matthew Desmond, acompanha oito famílias que estão sendo despejadas em Millwaukee, Wisconsin. O livro sobre economia e habitação logo se torna uma história comovente sobre a pobreza americana. Nas três primeiras páginas, pensei: “Ah, este livro aborda meu trabalho”. Desmond escreve sobre Arlene, mãe solteira de cinco ou seis crianças. Ela depende de programas sociais porque o dinheiro é mais fixo do que em qualquer emprego. Seu filho mais novo tem asma, e ela sempre se esquece de seus remédios. Ele fica doente o tempo todo e, sem um médico de família, é levado à emergência. Eu sei. Já fiz um atendimento desses.

A história das moradias, dos bairros em que as pessoas moram e por que elas moram lá é a história da pobreza americana. Como uma médica de rua, nunca vou saber o resultado de exames da maioria de meus pacientes – mas verei seus quartos e os de seus vizinhos. Verei a pilha de fotos no canto escuro do armário antes de ver uma radiografia de tórax. Subo três lances de escada com minha maleta e passo por vasos de plantas, certificados emoldurados e fotos de família. Sei quais casas têm construções ilegais, laboratórios de metanfetamina ou terraços lindos. Procuro por insulina na geladeira. Uma paciente me leva até seu armário, e eu escolho um casaco para ela usar; ela não gosta do amarelo, pego o azul atrás dele. Um boné da infantaria do Vietnã cai quando pego o cabide. Ela pede que eu o guarde, era de seu marido. As bordas estão finas de tanto uso.

Vemos cozinhas reformadas, sótãos apodrecidos. Eu deixo comida para os animais de estimação, desligo as luzes e a boca do fogão embaixo da panela com rabada. Uma vez, li metade de um poema deixado na máquina de escrever de uma mulher que morreu.

Serviços de ambulância, no fundo, são serviços de transporte. Fazemos muitas avaliações e poucas intervenções, mas nossa função principal é levar as pessoas do lugar onde estão até o hospital. Chamamos de “cenário”. Como estava o cenário? O cenário é seguro? Estamos numa casa, numa clínica, num beco atrás de várias lixeiras? Num mês normal, atendo cerca de 70 a 100 pacientes. Normalmente, dois ou três são emergências do tipo luzes e sirenes, pisa no acelerador, “Johnny, traz o desfibrilador”. Você sofre um acidente de carro, um ataque cardíaco. O resto dos pacientes é igual a Susan: pobres, velhos, bêbados e sem casa – pessoas que se distanciaram ou foram expulsas da sociedade e não sabem a quem pedir ajuda.

Geralmente vejo cada paciente por cerca de uma hora, da rua ao hospital. Temos alguns clientes fiéis, mas eles só aparecem em seus dias ruins. Quando passamos um tempo sem ver uma pessoa, a maioria das vezes é porque elas ficaram sóbrias, foram presas ou morreram. Chegamos num momento de crise de uma história e quase nunca testemunhamos seu final.

Quase nunca vemos uma história ser resolvida.

À noite, depois de terminar o livro de Desmond, anotei todas as chamadas de meu turno. Eu trabalho no centro, das 16h30 às 4h30. As chamadas incluíam Tag, de 41 anos, que estava numa clínica e sofria de dores nas costelas havia um mês. Depois de Tag, vinha Ronnie, um homem de 58 anos de um abrigo para veteranos sem teto. Ele estava sofrendo de surto psicótico e coriza, nessa ordem. Falando rápido e com sentido na maioria das vezes, se ele conduzia a conversa por muito tempo, a paranoia começava. Seu nariz estava escorrendo havia uma semana e seu vizinho havia roubado suas calças e as pintara de outra cor. “Estas calças?” Eu apontei para o jeans que usava. Ele não tinha certeza. Disse que o homem rastejava por debaixo de sua porta toda noite, pintava as calças e então rastejava de volta. Demos a Ronnie uns lenços de papel e o levamos para o Departamento de Assuntos de Veteranos.

Em seguida, foi a vez de um mendigo bêbado com um corte na cabeça; a ligação foi feita por uma turista que nem parou o carro, só pegou o celular e continuou dirigindo. Depois, Susan, com a dor na nuca e o suéter laranja. E uma russa de 91 anos com um ataque de asma que estava mais ou menos resolvido quando chegamos. Mas seu filho estava preocupado: ela mora sozinha, ele não poderia passar a noite lá, e eles não tinham dinheiro para pagar uma cuidadora que ficasse com ela.

Todos esses pacientes enfrentam sérios problemas de moradia, comida, competências. A ligação ao 911 não é tanto uma emergência quanto uma incapacidade de sustentar a si mesmos. A falta de acesso a necessidades básicas como comida, água e higiene se tornará problema de saúde se ignorada por tempo suficiente. Geladeiras vazias levam à desnutrição, encanamento defeituoso traz infecções. Vício se torna overdose. Algumas pessoas nos ligam com esperança de ser levadas à emergência quando não querem passar mais uma noite sozinhas.

Susan contou que tomava remédios para pressão alta, problemas psicológicos e dor. Já teve um ataque cardíaco. A maioria de seus remédios tinha acabado havia uma semana, e ela não conseguira ir a uma farmácia para comprar mais. Susan olhou para mim um pouco envergonhada. “Eu achava que não estavam fazendo efeito mesmo.”

Ela disse que sobrou um pouco de Haldol, mas não tomava sempre porque não gostava. Seus joelhos balançavam para a frente e para trás na maca, provavelmente um efeito colateral do medicamento. Pacientes que tomam remédios psiquiátricos a vida toda costumam ser um pouco inquietos. Ela disse que a braçadeira para medir pressão arterial estava um pouco apertada.

Susan é beneficiária de programas de auxílio do governo desde os 24 ou 25 anos por causa de alucinações. Ela morava no Sul naquela época. Passou um ano em Tulsa, dois em Sacramento, indo de um lado para o outro. Às vezes recebe benefício por causa da deficiência e outros auxílios financeiros. Divide o quarto com Marcos há muitos anos. Procurei por seu nome em nosso sistema: transportamos Susan quatro vezes neste mês. Ela explicou que costuma ir de cadeira de rodas à farmácia, mas nesta semana havia feito frio.

Quando estávamos indo embora, perguntei: “Se esteve doente a semana inteira, o que foi que mudou para você ter ligado para o 911 hoje?”.

“Eu fico assoando o nariz, mas ele continua escorrendo”, respondeu.

Em comunidades pobres, acesso constante a medicamentos é raro. Mudanças de casa frequentes levam a mudanças no seguro, na elegibilidade ao Medicare – o sistema de seguros de saúde gerido pelo governo americano – e no fornecimento de transporte até um novo médico.

Quando a comida acaba, quando não têm mais casa, quando os relacionamentos terminam, somos a última alternativa.

Temos uma paciente regular em minha cidade chamada Leena. Ela tem o temperamento de uma criança desnutrida. Passa de feliz a zangada num piscar de olhos, rindo e chorando, nos ajudando ou cuspindo em nós. Liga no meio da noite porque a vodca acabou ou o motorista do ônibus olhou feio para ela. Gosta de descrever suas aventuras sexuais em detalhes desconfortáveis e já socou paramédicos do nada.

Uma série de leis severas impede o “abandono de pacientes”, que é o tempo legal usado para o caso de eu sentar na frente dela e dizer “Não”. De dizer: “Querida, você já ligou nove vezes nos últimos quatro dias. Você foi expulsa do pronto-socorro hoje de manhã porque cuspiu numa enfermeira. Você foi expulsa do último abrigo por brigar com um vigia. Você não tem uma queixa de saúde, só está cansada. Eu entendo, o sol está se pondo, a calçada está rachada e os ratos vão aparecer, e isso é um saco, eu sei. Eu queria poder fazer alguma coisa. Mas o pronto-socorro é para emergências de saúde, para pessoas que estão morrendo mais rápido que você. E a ambulância serve para dirigir rapidamente, para quem está tão perto da morte que não consegue esperar no sinal vermelho porque pode não sobreviver até ficar verde. E talvez alguém assim esteja tentando ligar para nós agora, mas não podemos ajudá-lo porque estamos aqui com você. De novo”.

Queria poder ser a pessoa que leva esses pacientes a clínicas de atendimento a longo prazo e à terapia, que, sozinha, os tira da escuridão. Mas tudo que posso fazer é colocá-los na maca e levá-los ao hospital.

Fui treinada para reagir a situações de vida ou morte em segundos. Abra a via aérea, pare o sangramento. Salve o coração que está precariamente à beira da morte, estenda a mão e agarre a última chance de vida. Emergências. Para alguém como Leena, porém, estar cansada e sozinha é uma emergência. Sua vida está tão fora de seu controle que ela não consegue pensar além de uma hora daqui para a frente. E, na próxima hora, o sol vai se pôr e a neblina vai tomar conta da noite. Em vez de deixá-la na rua, tentei colocar juízo em sua cabeça e lhe dei um cobertor e uma carona até o pronto-socorro. Pode ser que desta vez algo tenha mudado. Três horas depois, Leena ligou novamente, a uma quadra do hospital. Uma equipe diferente atendeu a chamada.

O número de overdoses sempre sobe nos dias 1 e 15. Eu sei mais sobre seguridade social do que sobre câncer, com certeza. E a quantidade de pessoas que não têm mais nada, que estão perdidas, com medo e sozinhas, sempre será maior que a de pessoas que acabam tendo um derrame ou um infarto. Sempre. Enquanto o serviço de 911 permanecer gratuito e rápido, a maior parte do trabalho não vai se tratar de transporte rápido.

Em Evicted, Desmond escreve: “Há duas formas de desumanização: a primeira é privar as pessoas de toda virtude; a segunda é purificá-las de todo pecado”. Desmond escreve sobre seu povo, meu povo, com compaixão e em detalhes. Ele evoca seus dias bons, os momentos alegres entre períodos complicados. Preenche a história daquele mês em que Leena não ligou, quando estava bem alimentada e morando com sua tia em algum lugar ao norte. Para mim é bom ver essa parte da história. Lembrar que existe um ser humano por trás da ligação.

Quando deixamos Susan na sala de emergência, meu parceiro e eu elogiamos seu suéter. Dissemos que ficava bonito nela e era aconchegante naquele inverno. Ela sorriu abertamente. “Tenho ele há muitos anos”, disse. “É meu favorito.” Puxou as mangas e apoiou o queixo na mão escondida dentro do suéter. Eu ajeitei o cobertor e desejei tudo de bom para ela. Esperava que ela se sentisse melhor, organizasse seus remédios e ficasse longe do hospital por um tempo. Em outras palavras, eu esperava nunca mais vê-la de novo.

As emergências silenciosas.2

GESTÃO E CARREIRA

4 HÁBITOS QUE DESTROEM A PRODUTIVIDADE DE UM TIME E UMA EMPRESA

 Em um ambiente cada dia mais competitivo, as empresas precisam reduzir custos, e profissionais são desafiados a fazer cada vez mais, de forma mais rápida e com menos recursos. Nesse cenário, quem não for produtivo dificilmente sobreviverá.

4 Hábitos que destroem a produtividade de um time e uma empresa

Cada dia que começa é como se existisse uma batalha acontecendo, de um lado está o foco no que precisa ser feito e do outro as distrações do dia a dia, e é justamente disso que quero falar, de quatro hábitos que viraram distrações crônicas em diversas empresas.

Vamos imaginar alguém que precisa entregar um relatório para hoje. Esse é o foco dele. Assim que começa a trabalhar surgem as distrações, notificações no celular de mensagens e e-mails, redes sociais, o colega da mesa ao lado chamando para tomar um café e o relatório ali na tela do computador.

Até que, de repente, surge o chefe dizendo “bora lá” para uma reunião bem rapidinha, só que todos sabem que em menos de uma hora ninguém sai lá de dentro. No meio disso, uma pessoa do time pergunta se precisa ir e o chefe responde já que tá aí, vamos todos. Reuniões do tipo “bora lá” envolvendo todo mundo proliferam-se pelas empresas.

O problema é que reuniões assim não têm pauta, ninguém se preparou para contribuir, e várias pessoas vão ficar inutilmente assistindo enquanto seus trabalhos estão parados em suas mesas.

Aqui vão mudanças simples que podem acabar com esses habito, aumentando substancialmente a produtividade:

  • Faça reuniões menores com regularidade -15 minutos a cada semana é uma ótima escolha.
  • Envolva apenas quem deve estar na reunião.
  • Quando surgir um assunto “urgente”, pergunte-se se não pode esperar a próxima reunião. Seja crítico ao responder.
  • Se não tiver jeito, agende a reunião para o dia seguinte, divulgue o assunto e chame só quem deve estar presente.

Sobre o terceiro hábito, não importa quão produtivo você seja, as tarefas nunca vão terminar. Com o volume de tarefas que as empresas possuem hoje em dia, podemos definir produtividade inteligente como a arte de decidir o que não fazer.

Como essa escolha não é tão simples, vejo times inteiros trabalhando duro em demandas que não contribuem tanto com os objetivos estratégicos da empresa. O resultado disso é muitas vezes ter os dois lados insatisfeitos. O gestor infeliz com seu time, com o sentimento de que as coisas não progridem, pois a equipe está trabalhando em algo que ele não vê tanta relevância, e trabalhando duro, mas também infeliz pela falta de reconhecimento do gestor ou líder.

A solução mais simples é manter uma lista em lugar visível com todas as demandas e projetos em que o time está envolvido naquele momento, listados por ordem de prioridade, com atualização semanal nas reuniões de acompanhamento que já falamos aqui. Assim, o volume de trabalho em que a equipe está envolvida fica visível para todos e, ao mesmo tempo, todos sabem onde devem colocar maior foco. Com isso, a capacidade produtiva do time, que é finita, é alocada àquilo que realmente importa e, se tiver que entrar novos projetos naquele momento basta alterar a ordem de prioridade.

O quarto hábito está ligado ao feedback dado de forma inadequada. O que vemos nas empresas são três situações:

(1) Ausência completa de feedback do líder ao seu time;

(2) Limitar­ se a informar o que o colaborador tem feito de errado;

(3) O líder que acredita que a forma de manter a equipe motivada é apenas elogiar.

Quando o líder não dá feedbacks regulares, o que temos é uma equipe que não sabe se está indo na direção certa, com o tempo vem a desmotivação. Quando o líder só critica, a equipe perde a confiança e fica esperando pela decisão dele para evitar mais críticas. Só elogiar também não é a solução, com o tempo a equipe tende a se acomodar e não acompanhar as necessidades dinâmicas do mercado.

Aqui vão algumas dicas para melhorar a forma de dar feedbacks:

  • Marque uma conversa periódica com cada liderado para falar individualmente do desempenho dele, assim o feedback deixa de ser visto como algo negativo e se torna rotina de evolução.
  • Comece por um resumo do que aconteceu de relevante e positivo no último mês e em seguida indique os pontos de melhora, concentre-se nos fatos e evite julgamento.
  • Termine destacando os pontos fortes e a evolução recente do liderado. Seja sempre verdadeiro.

Basicamente, comece pelo que aconteceu de positivo desde o último encontro, passe para os desafios e termine pelos pontos fortes para que o liderado vença os desafios que você acabou de apontar.

Como em qualquer empresa, sempre existirão pontos de desafio, e o que torna uma empresa competitiva e duradoura é a consistência em evoluir. Neste momento, o que você pode fazer como líder ou empresário é simplesmente escolher um ponto que vai implementar. Agora é só ir lá e fazer!

 

GERONIMO THEMI – é coach especialista em Produtividade e Desenvolvimento Humano. É palestrante internacional especializado em mudança de comportamento, aumento de produtividade, e empreendedorismo. Fundador do Instituto Geronimo Themi de Coach e Desenvolvimento Humano (IGT). É o idealizador do Programa Profissão Coach, no qual prepara  coaches para alcançarem sucesso profissional.  

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 11: 33-44 – PARTE II

Alimento diário

 Cristo na sepultura de Lázaro. A Ressurreição de Lázaro

 

II – A aproximação de Cristo à sepultura, e a preparação que foi feita para a realização do milagre.

1. Cristo repete seus gemidos ao aproximar-se da sepultura (v. 38): “Jesus, pois, movendo-se outra vez muito em si mesmo, foi ao sepulcro”: Ele se moveu:

(1) Em desagrado pela descrença daqueles que falavam duvidando do seu poder, e o culpavam por não ter impedido a morte de Lázaro. Ele estava entristecido pela dureza dos seus corações. Ele nunca gemeu tanto pelas suas próprias dores e seus próprios sofrimentos como pelos pecados e pelas loucuras dos homens, particularmente os de Jerusalém, Mateus 23.37.

(2) Tocado pelos novos lamentos, que provavelmente as irmãs, em pranto, expressaram quando se aproximaram do sepulcro, mais apaixonadamente e de modo mais comovente do que antes, seu espírito gentil ficou sensivelmente comovido pelas suas lágrimas.

(3) Alguns pensam que Ele se moveu em espírito porque, para satisfazer o desejo dos seus amigos, Ele devia trazer Lázaro outra vez, daquele descanso no qual ele tinha acabado de entrar, para este mundo problemático e pecador. Seria um ato de benignidade para Marta e Maria, mas para Ele seria como atirar a um mar tempestuoso alguém que tinha acabado de chegar a um porto seguro e tranquilo. Se Lázaro tivesse sido deixado em paz, morto, Cristo rapidamente o teria encontrado no outro mundo. Mas ressuscitando-o, Cristo rapidamente o deixou para trás neste mundo.

(4) Cristo se moveu em espírito como alguém que sentia a situação calamitosa da natureza humana, sujeita à morte, da qual Ele estava prestes a resgatar Lázaro. Desta maneira, Ele se apegou fortemente a Deus, o Pai, na oração que iria fazer, oferecendo-a “com grande clamor e lágrimas”, Hebreus 5.7. Os ministros, quando são enviados a ressuscitar os mortos através da pregação do Evangelho, devem se sentir fortemente tocados pela condição deplorável daqueles a quem pregam e por quem oram, gemendo em espírito ao pensarem na situação destas pessoas.

2. O sepulcro onde estava Lázaro é aqui descrito: “era uma caverna e tinha uma pedra posta sobre ela”. Os sepulcros das pessoas comuns, provavelmente, eram escavados como são os nossos. Mas as pessoas de distinção eram, como acontece conosco, sepultadas em câmaras, como foi Lázaro, e assim era o sepulcro no qual Cristo foi sepultado. Provavelmente, este costume era mantido entre os judeus, imitando o costume dos patriarcas, que sepultavam seus mortos na caverna de Macpela, Génesis 23.19. Este cuidado com os corpos dos seus amigos evidencia a expectativa que tinham em relação à sua ressurreição. Eles consideravam que a solenidade do funeral terminava quando a pedra era rolada à sepultura, ou, como aqui, sobre ela, como aquela sobre a boca da cova onde Daniel foi lançado (Daniel 6.17), para que o propósito não pudesse ser alterado. Isto indica que os mortos estão separados dos vivos, e tomaram o caminho do qual não retornarão. Esta pedra provavelmente era uma lápide, que tinha sobre si uma inscrição que os gregos chamavam de mnemeion um lembrete, porque é, ao mesmo tempo, uma recordação do morto e uma lembrança para os vivos, fazendo com que se lembrem daquilo de que todos nós devemos nos lembrar. É chamada pelos latinos de Monumentum, et monendo, porque traz uma advertência.

3. São dadas ordens para a remoção da pedra (v. 39): “Tirai a pedra”. Ele queria a pedra removida para que todos os expectadores pudessem ver o corpo coloca do morto no sepulcro, e para que o caminho para sua saída fosse aberto, e para que ele pudesse se mostrar como um corpo verdadeiro, e não como um fantasma ou espectro. Ele queria que alguns dos servos a removessem, para que pudessem ser testemunhas, pelo cheiro da putrefação do corpo, que, portanto, estava verdadeiramente morto. É um bom passo em direção à ressurreição de uma alma à vida espiritual quando a pedra é removida, quando os preconceitos são removidos e ultrapassados, e quando se abre caminho para que a palavra chegue ao coração, para que possa realizar suas obras ali, e dizer o que tem que ser dito.

4. Uma objeção é feita, por Marta, contra a abertura do sepulcro: “Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias”. Ele já está há quatro dias no outro mundo. É um cidadão e habitante do sepulcro há quatro dias. Provavelmente, Marta percebeu que o corpo cheirava mal quando estavam removendo a pedra, e por isto clamou desta maneira.

(1) É fácil observar aqui a natureza dos corpos humanos: quatro dias representam apenas um curto período de tempo, mas uma grande mudança ocorrerá no corpo do homem, se ele ficar sem se alimentar durante este período. Quanto mais se ficar tanto tempo sem vida! Os cadáveres (diz o Dr. Hammond), depois de estacionados os fluidos, o que se conclui em 72 horas, naturalmente tendem à putrefação. E os judeus dizem que no quarto dia depois da morte o corpo já está tão alterado, que não se pode ter a certeza de que seja esta ou aquela pessoa. Cristo ressuscitou ao terceiro dia, porque não deveria ver a corrupção.

(2) Não é fácil deduzir qual era o objetivo de Marta ao dizer isto.

[1] Alguns pensam que ela disse isto com carinho, e como ensina a decência para com o corpo. Agora que ele tinha começado a putrefazer-se, ela não desejava que fosse exibido publicamente.

[2] Outros opinam que ela disse isto com uma preocupação por Cristo, para que o cheiro do corpo não fosse ofensivo a Ele. Aquilo que é muito asqueroso ou nocivo é comparado a um sepulcro aberto, Salmos 5.9. Ela não desejaria que seu Mestre estivesse perto de alguma coisa asquerosa ou nociva. Mas Ele não era destas pessoas ternas e delicadas que não podem suportar o mau cheiro. Se fosse, não poderia ter visitado o mundo da humanidade, que o pecado tinha transformado em um lugar imundo, completamente asqueroso, Salmos 14.3.

[3] Aparentemente, pela resposta de Cristo, esta era a linguagem da sua descrença e falta de confiança: “Senhor, é tarde demais para tentar fazer qualquer ato de bondade a ele. Seu corpo já começou a apodrecer, e é impossível que esta carcaça podre viva”. Ela acha que o caso do seu irmão é tão sem esperança quanto inútil, pois não tinha havido nenhum exemplo, nem recentemente nem antigamente, de qualquer pessoa que fosse ressuscitada depois de ter começado a ver corrupção. Quando nossos ossos se secam, nós estamos prontos para dizer: Nossa esperança está perdida. Mas estas palavras de incredulidade de Marta serviram para tornar o milagre mais evidente e, ao mesmo tempo, mais ilustre. Com tais palavras, fica claro que ele estava verdadeiramente morto, e não em transe, pois, embora a postura do cadáver pudesse ser fingida, o cheiro não poderia. A sugestão de Marta, de que nada mais poderia ser feito, honra ainda mais o precioso Senhor que realizou o milagre.

5. A gentil censura que Cristo fez a Marta, pela fraqueza da sua fé (v. 40): ” Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?” Estas palavras que Cristo menciona ter-lhe dito não tinham sido registradas antes. Ê provável que Ele tivesse dito estas palavras quando ela disse (v. 27): “Creio, Senhor”, e é suficiente que isto esteja registrado aqui, mostrando que o Senhor estava repetindo seu ensino a ela. Observe:

(1) Nosso Senhor Jesus nos deu todas as garantias imagináveis de que uma fé sincera será, no final, coroada com uma visão abençoa­ da: “Se você crer, verá as aparições gloriosas de Deus a você neste mundo, e também no outro”. Se aceitarmos a palavra de Cristo, e confiarmos no seu poder e na sua fidelidade, nós veremos a glória de Deus, e seremos felizes com a visão.

(2) Nós temos a necessidade de ser lembrados destas graças garantidas com que nosso Senhor Jesus nos encorajou. Cristo não dá uma resposta direta ao que Marta tinha dito, nem faz qualquer promessa especial quanto ao que Ele iria fazer, mas ordena que ela conserve as garantias gerais que Ele já tinha dado: “Crê somente”. Nós somos capazes de esquecer o que Cristo disse, e precisamos que Ele nos lembre pelo seu Espírito: “‘Não te hei dito’ isto e aquilo? E tu achas que Ele retirará o que disse?”

6. A abertura do sepulcro, em obediência às ordens de Cristo, apesar da objeção de Marta (v. 41): “Tiraram, pois, a pedra”. Quando Marta ficou satisfeita, e tinha desistido da sua objeção, eles prosseguiram. Se desejamos ver a glória de Deus, devemos permitir que Cristo tome seu próprio caminho, e não prescrever a Ele, mas sujeitarmo-nos a Ele. Eles tiraram a pedra, e isto era tudo o que podiam fazer. Somente Cristo podia dar a vida. O que o homem pode fazer é apenas preparar o caminho do Senhor, para encher os vales e abaixar os montes e outeiros, e, como aqui, remover a pedra.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

VANTAGEM EVOLUTIVA

Comportamento de dominância mantém-se até mesmo fora das competições sociais.

Vantagem evolutiva

Sabe-se há algum tempo que indivíduos chamados “dominantes” tendem a subir mais alto em hierarquias diversas. Trata-se daquele indivíduo que, comumente, é mais hábil em tomar a frente das situações em relação aos seus pares, sendo o primeiro a tomar decisões e chegar aos recursos que lhe garantam o referido destaque e, consequentemente, a sobrevivência. Uma vantagem evolutiva.

O que não se sabia era se esses sujeitos seriam capazes de tomar decisões mais rapidamente, exibindo o comportamento relacionado à dominância fora de um contexto social, sem que houvesse algum tipo de competição entre dois ou mais indivíduos. Algo que se mostrou, pela primeira vez, interligado, segundo estudo publicado recentemente na revista Cerebral Córtex.

A pesquisa envolveu 240 estudantes do sexo masculino, classificados em grupos de alta ou baixa dominância por um questionário padrão de “pontuação de dominância” que foi validado em estudos anteriores. A velocidade de tomada de decisão foi medida com cinco experimentos que avaliaram sua memória e capacidade de reconhecimento visual, sua capacidade de distinguir emoções, o aprendizado de rotas entre eles e, por fim, sua capacidade de resposta

A primeira tarefa envolveu a discriminação entre emoções vistas em várias imagens de rostos. Então eles se mudaram para uma tarefa de memória e reconhecimento, na qual foram solicitados a lembrar e reconhecer uma série de rostos. O terceiro experimento fez com que os participantes tivessem de se lembrar de um percurso, e o quarto, om experimento de controle, fez com que os participantes batessem na barra de espaço de um teclado assim que vissem um quadrado cinza na tela. Nesta parte do estudo, nenhum dos dois grupos parecia ser mais rápido que o outro.

Num quinto experimento, sinais neurais foram avaliados por exame de eletroencefalograma (EEG), com base na rapidez da realização das tarefas propostas: distinguir imagens de rostos felizes daqueles tristes e, em seguida, de rostos com raiva e neutro. A prontidão para responder, nesse momento, foi acompanhada por um sinal cerebral notavelmente amplificado em torno de 240 milisegundos em homens de alta dominância.

OUTROS OLHARES

QUEBRANDO A CARA

A técnica do reconhecimento de rostos, aposta para flagrar criminosos nas ruas, tem falhado mais do que o esperado e confunde a maioria dos inocentes com bandidos.

Quebrando a cara

O filme de 1985 do americano Terry Gilliam, a distopia futurista Brazil – que não faz referência direta ao país, mas ao gingado da música brasileira -, traz um protagonista, Buttle, que é preso erroneamente depois que um sistema automatizado de identificação do governo ditatorial o confunde com um bandido foragido. Roteiros de ficção científica costumam prever tecnologias que mais tarde se tornam rotineiras. Foi assim com a inteligência artificial, com os carros autônomos, com os smartphones, todas essas inovações imaginadas previamente em livros e no cinema. Agora, o amanhã torto descrito em Brazil começou ase concretizar. Descobriu-se que sistemas de reconhecimento facial utilizados na China para flagrar criminosos são muito menos precisos do que o celebrado pelo Partido Comunista.

A potência asiática é pioneira no uso dessa tecnologia em larga escala. Desde 2015, uma rede de 170 milhões de câmeras de segurança foi espalhada por vias públicas. Por meio de um banco de dados com 1,3 bilhão de fotos de rostos, o governo alega conseguir identificar até 700 milhões de cidadãos, com precisão que ultrapassa 80% de acerto. A China ainda informa que, após uma primeira abordagem de um suspeito, o cruzamento de informações extras de seus sistemas elevaria a probabilidade de correção para 97%. Mas não é bem assim.

Levantamentos recentes escancararam a fragilidade do mecanismo. As autoridades chinesas teriam mentido, falsificando os dados, o que não é lá grande novidade. No ano passado, o Reino Unido passou a testar a mesma técnica de identificação facial no País de Gales. Os resultados foram tenebrosos: de 2.470 alertas de detecção de suspeitos de crimes, 90% eram falhos. Em Londres, o mesmo programa foi usado em eventos de grande público, como partidas de futebol, com taxa de 98% de falso-positivos.

Nos Estados Unidos, a inovação começou a ser testada pela Amazon. No entanto, antes mesmo de algumas cidades adotarem o sistema, a União Americana para as Liberdades Civis (Aclu, na sigla em inglês) protestou. A entidade fez a contraprova da tecnologia de forma inusitada: cruzou as fotos de todos os 535 senadores e deputados federais com as imagens de 25.000 criminosos arquivadas num banco de dados. A falha foi grotesca, visto que 28 dos legisladores foram reconhecidos como bandidos – e nenhum dos parlamentares, diga-se, era foragido da Justiça.

Espera-se que a tecnologia evolua, como sempre. Contudo, é perigosa a forma como o aprimoramento deve ocorrer. Para a identificação ter índice de acerto superior, é crucial que o banco de retratos usado como base seja ampliado. Uma taxa de precisão de quase 100% só seria possível, em teoria, se fosse escaneada a face de todos os cidadãos, incluindo aí a maioria inocente. Uma invasão de privacidade que já ocorre sem que se perceba. Explica o engenheiro José Guerreiro, chefe de tecnologia da brasileira FullFace, fornecedora do programa de reconhecimento facial da polícia de São Paulo: “Ao cederem imagens a uma empresa como o Google ou o Facebook, essas companhias têm o direito de repassá-las para as autoridades”. Em outras palavras, as fotos nas redes sociais podem em breve ser usadas para fichamento na polícia.

Nos Estados Unidos, um relatório do Center on Privacy and Technology (Centro de Privacidade e Tecnologia) da Faculdade de Direito de Georgetown, mostrou que, no ano passado, esse método já possibilitaria que 117 milhões de americanos, entre a população de 325 milhões, tivessem o rosto digitalizado pelo governo. Uma distopia como a de Brazil parece cada vez mais próxima da realidade.

Quebrando a cara. 2

GESTÃO E CARREIRA

SEMPRE É TEMPO DE COMEÇAR ALGO NOVO

A terceira idade está cada vez mais se abrindo para o mercado empreendedor e mostrando a que veio.

Sempre é tempo de começar algo novo

Você conhece Morgan Freeman? Ou melhor: você conhece o Morgan Freeman! Um dos principais nomes de Hollywood, o ator esteve em longas como Um Sonho de Liberdade, Todo Poderoso e Menina de Ouro. Nascido em 1937, ele atuou em seu primeiro filme apenas aos 43 anos, mas foi aos 50 que se tornou de fato reconhecido, com Armação Perigosa. Hoje aos 81, o ator é um clássico exemplo de que o sucesso não tem idade e sempre é tempo de começar algo novo.

O empreendedorismo na terceira idade cresceu. Uma pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), de 2017 mostrou que 10,3% dos brasileiros que estão iniciando um novo negócio têm entre 55 e 64 anos, somando 1.9 milhão de empreendedores. As razões podem variar. Ao mesmo tempo que o avanço tecnológico e da saúde permite uma qualidade de vida maior aos idosos, mudando a maneira como se comportam diante do mundo, o Brasil caminha para a velhice na pobreza – diferente de países desenvolvidos, que chegaram à “melhor idade” depois que enriqueceram. Isso significa que só a aposentadoria, que paga uma média de R$1.670, já não basta para quitar as contas no fim do mês.

Considerando que a Secretaria do Previdência Social tem mais de 19 milhões de aposentados registrados, com uma faixa etária média de 58 anos, o empreendedorismo torna-se a luz no fim do túnel para essas pessoas, que possuem ainda uma vantajosa experiência. “Em um curto espaço de oito anos, obtivemos um aumento superiora 70 % de empreendedores com mais de 55 anos. Isso mostra que a terceira idade traz iniciativa, auto- confiança e auto controle que se espera em um negócio, além da motivação para empreender”, conta a CEO do Grupo Capacitare, Leyla Nascimento. Ela explica ainda que a área de serviços tem sido a mais procurada, incluindo TI, Comunicação, Varejo, Engenharia, Entretenimento e Saúde.

O TEMPO É ESTE

Márcio Nogueira faz parte das estatísticas. Trabalhou por 42 anos na administração de uma empresa, aposentou-se e, aos 62, resolveu investir na rede de franquias com produtos de limpeza Ecoville. Quem auxiliou na nova etapa foi seu sobrinho de 40 anos, Saint Clair, que gerencia a unidade móvel em Campinas, interior de São Paulo. “Após me aposentar, procurava uma atividade com baixo investimento e que não me tomasse muito tempo. Assim, comecei a pesquisar oportunidades. A implantação foi mais trabalhosa do que esperava, mas conseguimos concluí-la no cronograma. Apesar dos treinamentos e conhecimentos em vendas que já tínhamos, precisávamos descobrir o caminho passo a passo, entender as necessidades dos clientes e oferecer os produtos certos. Hoje faço a gestão de casa e o Saint Clair faz vendais”. Apesar da bagagem em gestão, houve a necessidade de me adequar ao perfil do negócio em que estava investindo. Trouxe a experiência dos controles financeiros, de custos, de estoque, gestão de pessoas um pouco do comercial para minha empresa, conta.

Os resultados demoraram um pouco a chegar, mas vieram. Os erros do início, como estoque inadequado, colaboradores fora do perfil desejado e falta de conhecimento sobre as reais necessidades dos clientes, trouxeram aprendizados importantes para os 14 meses que seguiram. “Não é fácil ser empreendedor. Tem que ser idealista. Tudo o que lia na imprensa e na TV, agora posso comprovar na prática. Custo fixo, imposto, capital de giro, feriados, leis trabalhistas…Para tudo temos que ter entendimento e saber como contornar”, admite Nogueira.

O fundador e CEO da Ecoville, Leonardo Castelo destaca que sua rede de franqueados conta com muitos empreendedores nesta faixa etária.

Mas não são apenas as franquias que oferecem boas oportunidades. Segundo Leyla, startups não são exclusividade de uma população mais jovem. Com a horizontalização de organogramas do mundo corporativo e a revisão dos modelos de gestão, há cada vez mais busca por parceiros que tenham pequenos empreendimentos e uma vasta experiência. É nesse ponto que entram os colaboradores da terceira idade. “A estrutura enxuta e geradora de melhores resultados incentiva o aumento de empreendedores para dar suporte e apoio nas atividades das grandes e medias empresas”, completa.

MERCADO DE PORTAS ABERTAS

Joana Morales é uma dessas pessoas que arregaçaram a manga e provaram que a melhor hora para iniciar um negócio é sempre agora. Hoje, ela é dona da JoMorales Desenvolvimento Humano. “Desde 2012 atuando como inspetora institucional da Escola Municipal de Administração de São Paulo, fui incorporando novos projetos de cursos ao meu portfólio, entendendo a necessidade daquele órgão em oferecer oportunidade de crescimento aos servidores. Iniciei com uma apresentação de quatro horas de duração e cheguei a desenvolver doze horas. Sentindo necessidade de me aprimorar como instrutora, procurei o Coach, a Programação Neurolinguística – e mais recentemente – a formação como Facilitadora da metodologia The Inner Game, filosofia original do Coach”, conta.

Ela percebeu que os temas de seu trabalho despertavam o interesse de servidores e detectou que o serviço não era oferecido em suas unidades de trabalho. A brecha virou seu negócio e complemento de renda. “Hoje eu me vejo como mais uma mulher na luta para fortalecer o próprio negócio, conseguir clientes, aprimorando constantemente o produto, que no meu caso exige estudar constantemente. Mas, por outro lado, devido ao fato de ter a minha aposentadoria, sinto-me relativamente menos estressada do que se refere à urgência de obter resultados”, ressalta.

Além de saber detectar as chances de empreender no atual mercado, as pessoas da terceira idade possuem melhor capacidade de análise dos cenários corporativos, trabalham com planejamento e geração de resultados. Esse tipo de perfil ajuda a lidar melhor com as mudanças e impactos econômicos. Para Leyla, elas ainda conseguem se reinventar em processos e modelos de negócios, sendo flexíveis – porém assertivas. “Na maioria dos casos, os profissionais abrem suas empresas em áreas que já dominam. Isso facilita o seu planejamento e estimativa de resultados. A área de serviços ainda é a mais procurada para um empreendimento – exatamente nas demandas que as grandes empresas necessitam”, acrescenta.

 CONFLITO DE GERAÇÕES

A nova geração não sabe como era a vida desconectada. As crianças já se desenvolvem entendendo intuitivamente como funciona, por exemplo, o touch de um celular.  Já os pais delas cresceram nos anos 1990 e aprenderam a acessar seus sites favoritos e e-mail aos domingos, porque era mais barato o pulso da internet discada. Enquanto isso, os avós usavam telefone fixo e o WhatsApp nada mais era do que um encontro de domingo.

O que acontece quando todos esses contextos e construções pessoais sofrem uma intersecção no local de trabalho? “As novas tecnologias não foram problema. Costumo dizer que a minha geração foi a que mais sofreu, passando da máquina de escrever para o computador. Agora, é só dar continuidade. Quanto ao conflito de gerações, é algo saudável – pois aprendo e também ensino. “O conflito tornou-se a troca de experiências entre gerações”, comenta Márcio Nogueira. Já Joana sente que as novas tecnologias são um desafio constante, mas entende a necessidade de conhecer o quanto a comunicação, hoje, depende dessa rede de informação, ética nas relações e habilidades de se expressar de maneira adequada. “Acho que esse será um desafio constante. Dominar a tecnologia também exige um processo de aproximação dos novos paradigmas. Por observar a necessidade dos gestores do serviço público, com quem eu mais me relacionava, de entender as gerações mais novas, resolvi me aprofundar em um estudo sobre diferentes gerações que compõem hoje a força de trabalho. Como resultado, consegui conhecer, entender melhor o comportamento dos mais jovens, a começar pelos meus próprios filhos. Atualmente, temos um produto que apresento como “Gerações sem Conflitos”, acrescenta.

O QUE EU FAÇO PARA COMEÇAR?

Primeiro, escolha um segmento que você já domine os principais desafios e características. Mesmo assim, pesquise como as empresas do setor têm se comportado e atualize seu repertório. Fazer um benchmarking também é fundamental – isso significa conhecer e aplicar as melhores práticas relacionadas ao negócio que você escolheu. Fique atento! Verifique ainda seus recursos financeiros para investimento e tenha um Plano de Negócios elaborado com previsões, cenários e variáveis.

Acompanhar o cenário econômico é também essencial – por exemplo, meu negócio depende de compra e venda em dólar? Se sim, todo cuidado é pouco. Se a empresa necessita de contratação de um número considerável de profissionais, é preciso orçar bem, uma vez que os tributos no Brasil são altos. Por outro lado, nosso País tem um enorme potencial para o empreendedorismo em áreas que apresentam forte crescimento. “É bom lembrar que, nas crises, obtemos também grandes oportunidades”, explica Leyla.

Leonardo Castelo acrescenta que é comum o empreendedor estar acostumado a um mundo corporativo, com hierarquias e maneiras tradicionais de atuação. “Mas é importante que ele saiba que, ao abrir uma empresa, precisará desempenhar o papel de presidente e funcionário ao mesmo tempo, principalmente no início do projeto. É preciso ainda mudar a mentalidade de empregado para empreendedor, o que significa resolver questões mais complexas, buscar alternativas e arcar com custos”, finaliza.

PARA LIDAR COM OS CONFLITOS

  • ESTEJA aberto ao novo
  • ENTENDA que sua experiência é importante, mas que vive outras experiências também.
  • ESTUDE o atual cenário e como sua expertise se encaixa nele.
  • OUÇA o que o colaborador mais novo tem a dizer a respeito de inovação e criatividade.
  • NÃO IGNORE as redes sociais.
  • INVISTA em aprender sobre novas tecnologias.
  • ACRESCENTE as novas ferramentas gradativamente à sua rotina.
  • COMUNIQUE-SE! Seja claro ao transmitir uma informação.
  • PARTICIPE de projetos que desenvolvam seu potencial.
  • O COMPARTILAMENTO é um dos importantes pilares da nova geração. Procure saber como funciona.

RIO +60

Realizado no bairro de Botafogo, em agosto de 2018, o Rio +60 é o primeiro evento focado em envelhecimento ativo e saudável. Além de palestras que vão de saúde à empreendedorismo, trouxe laboratórios sobre novas ferramentas tecnológicas. As idealizadoras Leila Victor e Wanessa Nemer destacam que a nova terceira idade tem desvinculado o envelhecimento da ideia de recolhimento e improdutividade. “Estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (ipea) mostra que os trabalhadores seniores estão retardando a saída ou retomando ao mercado de trabalho. Entre os motivos estão a expectativa de vida ampliada, a necessidade de garantir a renda familiar e a falta de planejamento financeiro adequado”, explica Wanessa Nemer.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 11: 33-44 – PARTE I

Alimento diário

 Cristo na sepultura de Lázaro. A Ressurreição de Lázaro

 

Aqui temos:

I – A gentil compaixão de Cristo pelos seus amigos aflitos, e a participação que Ele assumia nos seus sofrimentos, o que era evidenciado de três maneiras:

1. Pela perturbação e pelos gemidos internos do seu Espírito (v. 33): Jesus viu Maria chorando pela perda de um irmão amado, e também chorando os judeus que com ela vinham, pela perda de um bom vizinho e amigo. Quando Ele viu que este era um lugar de enlutados em lágrimas, “moveu-se muito em espírito e perturbou-se”. Veja aqui:

(1) As tristezas dos filhos dos homens, representadas nas lágrimas de Maria e seus amigos. Que símbolo havia aqui deste mundo, este vale de lágrimas! A própria natureza nos ensina a chorar pelos nossos parentes e amigos queridos, quando são removidos pela morte. A Providência, consequentemente, convoca às lágrimas e ao pranto. É provável que as propriedades de Lázaro fossem transferidas para suas irmãs, e seriam, assim, um acréscimo considerável às suas fortunas. E em um caso como este, as pessoas dizem, atualmente, que, embora não possam desejar a morte de seus parentes (isto é, não dizem que desejam), ainda assim, se estiverem mortos, não desejam que vivam novamente. Mas estas irmãs, não importando o que recebessem com a morte do seu ir­ mão, sinceramente desejavam vê-lo vivo novamente. O Evangelho nos ensina, da mesma maneira, a chorar com aqueles que choram, como estes judeus choravam com Maria, considerando que nós estamos no mesmo corpo. Aqueles que amam verdadeiramente seus amigos irão compartilhar com eles suas alegrias e tristezas, pois o que é a amizade, senão uma comunicação de afetos? Jó 16.5.

(2) A graça do Filho de Deus e sua compaixão por aqueles que estão em sofrimento. “Em toda a angústia deles foi ele angustiado”, Isaías 63.9; Juízes 10.16. Quando Cristo viu a todos eles em lágrimas:

[1] Ele “moveu-se muito em espírito”. Ele permitiu ser tentado (como nós somos, quando perturbados por alguma grande aflição), mas sem pecado. Isto foi uma expressão, ou, em primeiro lugar, do seu desprazer com a tristeza desenfreada das pessoas que estavam ao seu redor, como em Marcos 5.39: “‘Por que vos alvoroçais e chorais?’ Que confusão há por aqui! Será isto conveniente àqueles que creem em Deus, no céu e no outro mundo?” Ou, em segundo lugar, da sua percepção da condição calamitosa em que se encontram os seres humanos, e do poder da morte, ao qual o homem caído está sujeito. Tendo agora que fazer um vigoroso ataque à morte e à sepultura, Ele se agitou para o encontro, “tomou vestes de vingança por vestidura”, e seu furor o susteve. E para poder, mais resolutamente, empreender a tarefa de reparar nossos erros, e curar nossas tristezas, Ele ficou feliz por se sensibilizar diante da importância da obra, e sob seu peso Ele agora “moveu-se muito em espírito”. Ou, em terceiro lugar, foi uma expressão da sua bondosa compaixão pelos seus amigos que sofriam. Aqui havia o ressoar das entranhas e das misericórdias que a igreja aflita tão fervorosamente solicita, Isaías 63.15. Cristo não somente parecia preocupado, mas “moveu-se em espírito”. Ele estava internamente e sinceramente afetado pelo caso. Os falsos amigos de Davi fingiram compaixão, para disfarçar sua inimizade (Salmos 41.6), mas nós devemos aprender com Cristo a ter amor e compaixão sem fingimentos. A comoção de Cristo era profunda e sincera.

[2] Ele “perturbou-se”. Ele se perturbou. É isto que a expressão quer dizer, de maneira muito significativa.

Ele tinha todas as paixões e afeições da natureza humana, pois “convinha que, em tudo, fosse semelhante aos irmãos”, mas Ele tinha um perfeito domínio sobre elas, de modo que elas nunca afloravam, exceto quando e como solicitadas. O Senhor nunca ficava nervoso ou perturbado, exceto quando Ele se perturbava, quando havia motivo para tal. Ele sempre se controlava em meio aos problemas, nunca se descompunha ou se descontrolava por eles. Ele era voluntário, tanto na sua paixão quanto na sua compaixão. Ele tinha poder para expressar sua tristeza, e poder para refreá-la.

2. A preocupação de Jesus por eles foi demonstrada pela sua gentil pergunta sobre os pobres restos do seu amigo falecido (v.34): “Onde o pusestes?” Ele sabia onde o amigo estava, e ainda assim perguntou, porque:

(1) Desta maneira, Ele se expressava como um homem, mesmo quando estava prestes a exercer seu poder, na qualidade de Deus. Estando na forma de homem, Ele se acomodava aos costumes dos filhos dos homens: Ele não é ignorante, mas age como os filhos dos homens.

(2) Ele perguntou onde estava a sepultura, pois, se tivesse ido até lá, com seu próprio conhecimento, os judeus descrentes teriam oportunidade para suspeitar de uma aliança entre Ele e Lázaro, e um truque na situação. Muitos intérpretes observam isto, com base em Crisóstomo.

(3) Desta maneira, Ele desejava desviar a tristeza dos seus amigos entristecidos, despertando suas expectativas de algo grandioso, como se Ele tivesse dito: “Eu não vim para cá para trazer condolências, para mesclar algumas lágrimas insignificantes e infrutíferas com as suas. Não. Eu tenho outro trabalho para fazer. Vamos, vamos até a sepultura fazer o que tenho que fazer ali”. Observe que uma dedicação séria ao nosso trabalho é o melhor remédio contra a tristeza desenfreada.

(4) Desta maneira, Ele nos evidencia o cuidado especial que tem com os corpos dos santos, enquanto estão nas sepulturas. Ele tem conhecimento de onde eles estão, e cuida deles. Não há somente um concerto com o pó, mas ele é guardado.

3. Isto ficou evidenciado pelas suas lágrimas. Aqueles que estavam junto dele não lhe disseram onde o corpo havia sido sepultado, mas desejaram que Ele viesse e visse, e o conduziram diretamente à sepultura, para que seus olhos pudessem afetar ainda mais seu coração com a calamidade.

(1) Enquanto ia para a sepultura, como se estivesse seguindo o cadáver até ali, “Jesus chorou”, v. 35. Um versículo muito curto, mas que contém muitas instruções úteis.

[1] Que Jesus Cristo era realmente e verdadeiramente homem, e compartilhava com os filhos, não somente a carne e o sangue, mas a alma humana, sendo suscetível às impressões de alegria, e tristeza, e outros sentimentos. Cristo deu esta prova da sua humanidade, nos dois sentidos da palavra. Como homem, Ele podia chorar, e como um homem misericordioso, choraria, antes que desse esta prova da sua divindade.

[2] Que Ele era um homem de dores, e familiarizado com as tristezas, como tinha sido predito, Isaías 53.3. Nunca lemos que Ele tivesse rido, porém mais de uma vez nós ovemos em lágrimas. Desta maneira, Ele mostra não somente que um estado desolado é coerente com o amor de Deus, mas que aqueles que semeiam no Espírito devem semear em lágrimas.

[3] Lágrimas de compaixão são bastante apropriadas aos cristãos, e os tornam mais parecidos com Cristo. Ê um alívio para aqueles que estão sofrendo, ter a compaixão dos seus amigos, especialmente a de um amigo como seu Senhor Jesus.

(2) Diferentes interpretações são atribuídas às lagrimas de Cristo.

[1] Alguns interpretam de uma maneira gentil e justa, e muito natural, (v. 36): “Disseram, pois, os judeus: Vede como o amava”. Eles parecem admirar-se que Ele tivesse uma afeição tão forte por alguém que não era seu parente, e com quem não tinha tido uma longa convivência, pois Cristo passava a maior parte do tempo na Galileia, muito distante de Betânia. É apropriado que nós, seguindo este exemplo de Cristo, mostremos nosso amor pelos nossos amigos, tanto vivos quanto mortos. Nós devemos lamentar pelos nossos ir­ mãos que dormem em Jesus como aqueles que estão cheios de amor, embora não estejamos sem esperança, como os varões piedosos que sepultaram Estêvão, Atos 8.2. Embora nossas lágrimas não tragam nenhum benefício para os mortos, elas conservam a lembrança deles. Estas lágrimas de Jesus eram sinais do seu amor particular por Lázaro, mas Ele deu provas de uma evidência nada menor do seu amor por todos os santos ao morrer por eles. Quando Ele derramou apenas algumas lágrimas por Lázaro, eles disseram: “Vede como o amava”. Muito mais razão temos nós para dizer isto daquele que deu sua vida por nós: Veja como Ele nos amou! Ninguém tem maior amor do que este.

[2] Outros fazem uma reflexão irritante e injusta sobre isto, como se estas lágrimas evidenciassem sua incapacidade de ajudar seu amigo (v. 37): “Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também com que este não morresse?” Aqui há uma insinuação maliciosa, em primeiro lugar; de que uma vez que a morte de Lázaro era (como evidenciavam as lágrimas de Jesus) uma grande tristeza para Ele, se pudesse tê-la evitado, Ele o teria feito, e, portanto, como Ele não o fez, eles se inclinam a pensar que Ele não podia fazê-lo, da mesma maneira como, quando Ele estava morrendo, concluíram que Ele não podia se salvar, porque não o fez e não desceu da cruz. Eles não levaram em consideração que o poder divino é sempre orientado, nas suas operações, pela sabedoria divina, não meramente de acordo com sua vontade, mas de acordo com o conselho da sua vontade. A esta, convém nos sempre aquiescer. Se os amigos de Cristo, a quem Ele ama, morrem, se sua igreja, a quem Ele ama, é perseguida e afligida, nós não devemos atribuir isto a nenhuma falha no seu poder ou amor, mas concluir que isto se deve ao fato de Ele considerar que é o melhor. Em segundo lugar, que, portanto, poderia ser questionado, com razão, se Ele realmente tinha aberto os olhos do cego, isto é, se isto não tinha sido uma simulação. Eles julgaram que o fato de que Ele não realizasse este milagre era suficiente para invalidar o anterior. Pelo menos, dava a entender que Ele tinha um poder limitado, e, portanto, não divino. Ressuscitando Lázaro, o que era o maior milagre, Cristo logo convenceu estes murmuradores de que Ele poderia ter evitado sua morte, mas não o fez porque desejava ser ainda mais glorificado.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

PRECONCEITOS E EVIDENCIAS

Como eles se combinam na tomada de decisão.

Preconceitos e evidências

Um estudo publicado recentemente no periódico Neuron, por pesquisadores da Universidade de Columbia, EUA, sugere que nosso cérebro dá bastante peso a um raciocínio matemático na tomada de decisões, mas não sem consultar a ampla gama de conceitos e experiências acumulados ao longo do tempo em nossas vidas. Mais ainda: além de nossas escolhas (até as percebidas como irracionais) serem fruto de um processo que ocorre sob a lógica de nosso conhecimento prévio, isso acontece ao mesmo tempo em que o cérebro é capaz de avaliar novas informações que chegam e rever antigas ideias sobre o tema em questão.

Para chegar a essa conclusão, a equipe de cientistas pediu a voluntários que observassem um grupo de pontos enquanto estes se moviam pela tela do computador. Os participantes da pesquisa deveriam avaliar a tendência de movimento de cada novo grupo de pontos – para a esquerda ou para a direita – enquanto estes eram desviados para uma percepção ambígua. Uma segunda tarefa também lhes foi solicitada: julgar se o programa de computador que gerava os pontos parecia ter mesmo um viés subjacente (o que, de fato, havia sido estipulado pelos pesquisadores, que não distribuíram os movimentos de maneira uniforme na tela). O intuito foi entender como aquelas pessoas gradualmente aprenderiam ou não a direção do viés, incorporando esse conhecimento à percepção individual que tiveram dos movimentos, para depois responder a respeito do tema. O que desbancaria ou não o que se acreditava acontecer até então: decisões ocorreriam baseadas em preconceitos e experiências pregressas, mesmo diante de situações de ambiguidade.

O resultado, na opinião dos estudiosos, foi “estatisticamente surpreendente” dada a capacidade do cérebro humano demonstrada na atualização de conceitos previamente formulados.

AINDA DECISÔES

Vale lembrar uma pesquisa apresentada em 2015 à Divisão de Psicologia Ocupacional da Sociedade Britânica de Psicologia, em Glasgow, que mostra trabalhadores com burnout tendendo a ser mais espontâneos ou irracionais em suas decisões, muitas vezes evitando-as.

Para que os cientistas chegassem a essa conclusão, um total de 262 profissionais (119 homens, 143 mulheres) completou questionários on-line sobre seus estilos de decisão e taxas de burnout. Quase metade dos funcionários trabalhava em média 40 horas por semana e eles vinham de uma ampla gama de ocupações, incluindo negócios e finanças, educação, serviços sociais e saúde.

Um outro teste definiu diferentes cenários de trabalho em que os participantes foram convidados a se imaginar em situações e escolher em uma escala quais das duas ações seriam tomadas; uma opção envolvia mais risco e outro menos risco.

Os participantes também foram solicitados a avaliar a probabilidade, bem como a gravidade das consequências do pior cenário.

OUTROS OLHARES

VAIDADE EM RISCO

Como uma perigosa combinação de sociedades médicas clandestinas, desinformação de pacientes e desejo de obter beleza a qualquer custo tem resultado em complicações e mortes que ameaçam a confiança em cirurgias e procedimentos estéticos.

vaidade em risco

Casos recentes de erros médicos e óbitos decorrentes de cirurgias plásticas expuseram os riscos de uma atividade que tem atraído uma parcela crescente da população, sobretudo feminina. Dados do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) mostram uma explosão de queixas envolvendo a especialidade. Em 2015, foram10 denúncias. O número saltou para 27 em 2016 e chegou a 68 no ano passado. Apesar do aumento, as reclamações ainda não refletem a realidade: muitos pacientes prejudicados preferem o silêncio. Não denunciam seus médicos e nem ingressam com ação judicial mesmo quando há comprovação de erro durante o procedimento. As razões para não levar processos adiante são muitas. “Há descrença no Judiciário, indisposição para enfrentar um processo que pode ser custoso e demorado, além da falta de estrutura emocional para as vítimas reviverem os fatos infelizes e trágicos pelos quais passaram”, diz Fernando Polastro, voluntário responsável pelos primeiros atendimentos, triagem e direcionamento de pacientes que procuram a Associação Brasileira de Vítimas de Erro Médico (Abravem). “Outros não denunciam por desconhecimento de seus direitos ou dúvida sobre ter havido ou não erro médico em seu caso”. Como resultado dessa omissão, mais e mais pessoas se tornam sujeitas a procedimentos inseguros, negligência, imperícia e imprudência de médicos. A falta de bom senso na busca por um corpo perfeito, modelado por implantes de silicone ou lipoesculturas é outro fator que contribui para o aumento de casos sem final feliz. Para atender a uma crescente demanda por transformações estéticas, surgiram no País até sociedades médicas clandestinas, que colocam em risco a vida de pacientes.

CÓDIGO ULTRAPASSADO

A divulgação de procedimentos cirúrgicos por meio de redes sociais deve ser vista com desconfiança. “Cirurgia plástica só com cirurgião plástico. Procedimento estético pode ser com dermatologista”. afirma Alexandre Senra, cirurgião do Hospital Albert Einstein e membro da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica Estética (ASAPS). “Não existe mágica. Desconfie de preços muito abaixo da média, afinal é a sua vida”, adverte. Segundo ele, o código de 1957 sobre o exercido da medicina que diz que após os seis anos de formação o médico pode exercer qualquer especialidade está ultrapassado. “Existe uma jurisprudência que diz que o médico que faz procedimento sem estar habilitado pode ser penalizado. A relação médico – paciente continua primordial, mas está se perdendo. O médico precisa conhecer o paciente e vice-versa. Sem isso, somos apenas técnicos.” A filosofia da cirurgia plástica é gerar bem-estar, auto estima e contribuir para a harmonia da auto – imagem do paciente. Bem diferente da venda de fantasias e ilusões feita por profissionais não habilitados colocando em risco pacientes. O presidente da SBCP, Níveo Steffen afirma que a Sociedade é frontalmente contra a banalização dos procedimentos cirúrgicos. “Cabe ao cirurgião plástico ser honesto ao examinar e escutar o paciente para identificar a indicação ou não da cirurgia plástica, informando sobre as reais possibilidades de resultado, riscos cirúrgicos e pós-operatório”, Segundo Steffen, a SBCP tem cerca de 6.500 membros. Apenas seis cirurgiões plásticos e um dermatologista estão entre os 289 médicos processados por problemas em procedimentos relacionados à cirurgia plástica entre 2001 e 2008.

CORPORATIVISMO

Ainda que poucos cometam erros, o corporativismo da classe costuma proteger os negligentes. Uma empresária de campo Grande de 36 anos, que pediu para não ser identificada, tem vivido esse drama. Ela colocou prótese nas mamas em 2006. No ano passado, depois de amamentar dois filhos, achou que os seios estavam um pouco assimétricos e consultou um renomado cirurgião plástico da cidade, professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, indicado por várias pessoas. “Combinamos a retirada das próteses com correção estética no mesmo procedimento: Segundo ela, consta no prontuário médico que foi uma cirurgia de retirada de implantes mamários com correções estéticas. “Não sei no que ele errou, mas sei que o resultado foi um pesadelo na minha vida”.

Segundo a paciente, o cirurgião se negou a dar fotos do pós-cirúrgico e a cópia do contrato de prestação de serviço. Ele disse que após seis meses suas mamas voltariam ao normal, o que não aconteceu. Quando ela voltou a procurar o médico, ele deixou de atendê-la e a bloqueou no WhatsApp. A empresária consultou outros médicos que constataram lesão muscular em uma das mamas, mas quando pedia um laudo, se negavam, por serem colegas do renomado cirurgião e não quererem se comprometer. “O que vai valer é a avaliação judicial, mas os peritos serão os colegas do cirurgião que fez minha plástica. Será difícil encontrar um que aceite se comprometer.” Depois da perícia médica, ela fará cirurgia reparadora nos Estados Unidos. “‘Não confio mais nos médicos daqui”, diz, frustrada.

vaidade em risco.2

ERROSFATAIS

Denis Furtado, Dr. Bum­bum, expôs a realidade da cirurgia plástica no Brasil. Médico sem nunca ter feito residência médica e sem título de especialista em qualquer área da Medicina, ele tem no currículo pós-graduações não reconhecidas pelo Ministério da Educação. Denis (na foto com a mãe, Maria de Fátima) foi preso no dia 19 de julho acusado de ter causado a morte de sua paciente, a bancária Lilian Calixto (foto), de 46 anos, após um procedimento estético realizado no apartamento do médico no Rio de Janeiro.

PRECAUÇÕES QUE SALVAM VIDAS

Casos atuais de erros e mortes em procedimentos estéticos chamam a atenção para escolha criteriosa do profissional, esclarecimento do paciente sobre possíveis riscos e os cuidados no pós-operatório.

  • Certifique-se de que o profissional é registrado como cirurgião plástico no site do Conselho Regional de Medicina de sua localidade e/ou no site da SBCP.
  • Sempre pesquise sobre antecedentes e idoneidade do profissional.
  • Dê preferência a cirurgiões conhecidos ou próximos de sua família. Cuidado com recomendações feitas por falsos pacientes criados para elogiar profissionais em mídias sociais e blogs.
  • Exija o Termo de Consentimento Informado. Médico e hospital têm a obrigação de informar o paciente com linguagem clara sobre todas as possibilidades de sua cirurgia, incluindo os riscos e fatores imponderáveis, até mesmo a morte.
  • Siga criteriosamente as orientações médicas antes e após a cirurgia.

vaidade em risco.3 FONTE: Níveo Steffen, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

GESTÃO E CARREIRA

SABOTANDO O PRÓPRIO CRESCIMENTO PROFISSIONAL

Cometemos muitas falhas na vida profissional, mas existem algumas que merecem atenção, pois travam a evolução da carteira sem percebermos.

Sabotando o próprio crescimento profissional

Geralmente, as pessoas que iniciam uma carreira promissora têm como objetivo se tornar profissionais de sucesso e realizados. Alguns conseguem alcançar a meta, outros não chegam à concretização mesmo sendo competentes e capazes. O que será então que os profissionais que chegam a se realizar fazem ou deixam de fazer?

Por um momento, imagine um avião lindo. Um jato executivo mais moderno que existe, e que quando você olha pensa: “Que coisa incrível”. Porém, esse avião está parado no aeroporto e não é usado para o propósito pelo qual foi construído. Nessa metáfora, podemos entender por que profissionais não conseguem decolar a carreira. São indivíduos que têm tudo pronto, competência, talento, qualidades, mas que ainda estão colocando a atenção em algo que não permite que cumpram com maestria o seu propósito.

Não definir claramente o seu posicionamento, por exemplo, é um dos principais erros que cometemos, muitas vezes sem consciência. Em algum momento, um posicionamento confuso ou inexistente faz com que o mercado e o público não saibam exatamente o que o profissional tem a oferecer. A falta de posicionamento não significa falta de competência, porém faz com que o profissional não seja percebido como poderoso, presente e competente e, quando isso acontece, ele não vai ser lembrado nem procurado, e assim, usando a metáfora anterior, o avião não decola.

A falta de fortalecimento das competências socioemocionais e do autodomínio também pode atrapalhar. Isso faz uma diferença imensa quando se trata de sucesso e realização, pois permite que planos e projetos não fiquem fechados em uma gaveta, esquecidos, abandonados, perdidos ao longo do tempo porque foram escondidos atrás de uma cortina de medos, limitações, inseguranças e desculpas.

Os limitadores mais fortes não são externos à pessoa, mas são internos. Quando o ser humano olha muito para fora, pouco conhece sobre si mesmo e sobre suas reações ou até mesmo sobre como lidar com os conflitos, dificuldades, desafios, medos e como transformá-los a seu favor.

A competência emocional que inclui autoconhecimento, autoanálise, controle das emoções, automotivação, e o uso das emoções adequadamente para atingir os objetivos, permite ter ações responsáveis, eficazes e direcionadas ao sucesso, de forma ética e cooperativa. Dessa forma, a pessoa não deixa que o seu medo tome as decisões mais importantes da sua carreira, não deixa que a sua reatividade comece a dominar e conduzir a sua vida, pois o autodomínio faz com que ela reconheça essas armadilhas e as transforme em aliadas.

Por isso, é muito importante que o profissional invista em um caminho de autodesenvolvimento e de evolução no seu processo de crescimento pessoal, para que possa compreender suas limitações e também seus talentos e ser coerente com seu propósito de carreira.

A velocidade de responder às mudanças é o diferencial do profissional atual, e quem não se renova está falhando. Agilidade, flexibilidade e adaptação ao novo e às inovações são o que mais nos será pedido no futuro. Porém, ocasionalmente, o programa original se torna a nossa única opção, pois nos dá a sensação de que é mais fácil repetir o programa ao mudá-lo, e assim se segue sem questionar.

Estar aberto a se renovar, atento e suscetível ao novo e sempre disposto a aprender, é o diferencial do profissional de sucesso. Até a reclamação de um cliente é oportunidade e motivação para evoluir, é um convite para se tornar melhor do que se é hoje e se reinventar e inovar, criando as estratégias adequadas para alcançar as metas.

A arte de se renovar, de se repropor, de se recriar é importantíssima. Conquista o sucesso quem aceita o desafio de mudar, de adquirir novas competências e de evoluir com flexibilidade e resiliência. Afunda quem resiste às mudanças.

Existem pessoas que focam nas dificuldades da vida e são negativas mediante as situações desafiadoras. O ponto de vista dessas pessoas é a dificuldade e não a solução. Saber criar uma “rede de proteção” de pessoas que vibrem na mesma intensidade e frequência que a nossa é algo muito importante para o sucesso do negócio e para resolver problemas complexos em que a participação de todos os envolvidos é essencial.

Encontrar pessoas que apoiam e que ascendam seus padrões, inspirando-lhe e desafiando a ser melhor a cada dia, é um caminho de sucesso. Claro, lembre-se de que você também precisa ser a pessoa que apoia as outras e que apoia você mesmo, isto é, cuidado com seus pensamentos e atitudes para não se tornar você o seu maior sabotador.

Olhe para dentro de si e para as suas ações e analise onde tem falhado consigo mesmo. Inverta o prisma da falha para o aprendizado e então veja como a pista se abre a sua frente, chamando para o desafio da decolagem.

 

EDUARDO SHINYASHIKI – é mestre em Neuropsicologia, liderança educadora e especialista em desenvolvimento das competências de liderança organizacional e pessoal. Com mais de 30 anos de experiência no Brasil e na Europa, é referência em ampliar o crescimento e a auto liderança das pessoas.

www.edushin.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 11: 17-32 – PARTE III

Alimento diário

Cristo em Betânia

2. A conversa entre Cristo e Maria, a outra irmã. E aqui observe:

(1) A notícia que Marta deu a Maria da vinda de Cristo (v. 28): “Dito isso”, como alguém que não precisava dizer mais nada, ela “partiu”, em paz consigo mesma, e “chamou a Maria, sua irmã”.

[1] Marta, tendo recebido instruções e consolo do próprio Cristo, chamou sua irmã para que compartilhasse com ela. Houve uma época em que Marta teria afastado Maria de Cristo, para que viesse e a ajudasse em muitos serviços (Lucas 10.40), mas, para compensá-la por isto, aqui ela se empenha em levá-la a Cristo.

[2] Ela a chamou “em segredo”, e deve ter sussurrado no seu ouvido, porque havia visitas, judeus, que não eram amigos de Cristo. Os santos são chamados à comunhão com Jesus Cristo por um convite que é secreto e distinto, dado a eles, e não a outros. Eles têm alimentos que o mundo não conhece, e uma alegria de que o estranho não participa.

[3] Ela a chamou por ordem de Cristo. Ele lhe disse que fosse chamar sua irmã. Este chamado que é eficaz, não importa quem o faça, é enviado por Cristo. “O Mestre está aqui e chama-te”.

Em primeiro lugar, Ela chama Cristo de Mestre, um mestre que ensina. Ele era normalmente chamado e conhecido entre eles por este título.

Em segundo lugar, ela se alegra com sua chegada: “O Mestre está aqui”. Aquele que nós tanto esperamos, está aqui, está aqui. Este era o melhor alívio na atual aflição. “Lázaro morreu, e nosso consolo nele também se foi, mas o Mestre está aqui, e Ele é melhor que o mais querido amigo, e tem em si aquilo que irá compensar abundantemente todas as nossas perdas. Está aqui aquele que é nosso professor, que irá nos ensinar a ficar bem em meio às nossas tristezas (Salmos 94.12), que irá nos ensinar, e, desta maneira, consolar”. Em terceiro lugar, ela convida sua irmã para ir e encontrá-lo: “Ele lhe chama, pergunta o que aconteceu com você, e quer que você vá vê-lo”. Observe que, quando Cristo, nosso Mestre, chega, Ele nos chama. Ele vem a nós através da sua Palavra e das suas ordenanças, nos chama para elas, nos chama por elas, nos chama para junto de si. Ele te chama em particular, te chama pelo teu nome (Salmos 27.8). E se Ele te chama, Ele irá te curar e consolar.

(2) A pressa com que Maria foi até Cristo, depois de receber este aviso (v. 29): “Ela, ouvindo” estas boas notícias, de que o Mestre estava ali, “levantou-se logo e foi ter com ele”. Ela não sabia o quanto Ele estava próximo dela, pois Ele está sempre mais próximo daqueles que choram em Sião do que eles se dão conta. Mas quando soube o quanto Ele estava próximo, ela se levantou bruscamente, e, em um arrebatamento de alegria, correu para encontrá-lo. A menor indicação da aproximação graciosa de Cristo é suficiente para uma fé vívida, que já se dispõe a entender a indicação e a responder ao primeiro chamado. Quando Cristo chegou:

[1 ] Ela não levou em consideração o decoro do seu luto, mas, esquecendo a cerimônia, e os costumes comuns em tais casos, correu pela cidade para encontrá-lo. Não devemos permitir que os detalhes da decência e da honra nos privem de qualquer ocasião e oportunidade de conviver com Cristo, de termos nossa comunhão com Ele.

[2] Ela não levou em consideração seus vizinhos, os judeus, que estavam com ela, consolando-a. Ela os deixou a todos, para ir até Ele, e não somente não pediu o conselho deles, mas também não lhes pediu permissão, nem implorou seu perdão pela sua grosseria.

(3) Nós lemos onde ela encontrou o Mestre (v. 30): ”Ainda Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar onde Marta o encontrara”. Veja aqui:

[1] O amor de Cristo pela sua obra. Ele ficou próximo do lugar onde estava o sepulcro, para estar pronto para ir até ele. Ele não desejou ir à cidade, para descansar depois da fadiga da sua viagem, até que tivesse feito o que tinha vindo fazer. Nem desejou ir à cidade, para que não parecesse que tivesse algum desejo de ostentação e um plano para reunir uma multidão para que fosse espectadora do milagre.

[2] O amor de Maria por Cristo. Ela o amava muito. Embora Cristo tivesse parecido descortês com sua demora, ela não podia considerar que Ele fizesse nada inadequado. “Saiamos, pois, a ele fora do arraial”, Hebreus 13.13.

(4) A maneira equivocada com que os judeus interpretaram a saída tão apressada de Maria (v. 31): eles disseram: “Vai ao sepulcro para chorar ali”. Marta suportava melhor esta aflição do que Maria, que era uma mulher de espírito gentil e sofredor. Tal era seu temperamento natural. Aqueles que são assim têm necessidade de evitar a melancolia, e devem ser alvo da nossa misericórdia e da nossa ajuda. Estes judeus consoladores descobriram que suas formalidades não a estavam ajudando, mas que ela estava se enrijecendo em tristeza. Assim concluíram, quando ela saiu e tomou aquele rumo, que iria ao sepulcro, para chorar ali. Veja:

[1] Qual é, frequentemente, a loucura e falha dos pranteadores. Eles inventam maneiras de agravar sua própria tristeza, e piorar o que já está ruim. Nós somos capazes, em tais casos, de ter um prazer estranho na nossa própria dor, e dizer: Nós estamos tão aprofundados em nossa dor, como se estivéssemos enfrentando uma tristeza mortal. Nós somos capazes de nos apegar àquelas coisas que pioram a aflição, e que bem isto nos traz, sabendo que nosso dever é nos posicionarmos de acordo com a vontade de Deus? Por que os enlutados deveriam ir ao sepulcro para chorar ali, uma vez que não sofrem como aqueles que não têm esperança? O sofrimento em si é doloroso. Por que nós o tornaríamos pior?

[2] Qual é a sabedoria e o dever dos consoladores. É evitar e desviar, tanto quanto puder ser evitado, naqueles que sofrem desordenadamente, o renascimento da tristeza. Estes judeus que seguiram Maria foram, portanto, levados a Cristo, e se tornaram testemunhas de um dos seus mais gloriosos milagres. E bom estarmos junto aos amigos de Cristo quando sofrem, pois assim, podemos vir a conhecê-lo melhor.

(5) As palavras de Maria ao nosso Senhor Jesus (v. 32): Ela veio, acompanhada pelo seu séquito de consoladores, e “lançou-se aos seus pés”, como alguém esma­ gado por uma tristeza terrível, e disse, em meio a muitas lágrimas (como parece, v. 33): “Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”, a mesma coisa que Marta tinha dito antes, pois elas tinham dito isto uma à outra muitas vezes. Aqui:

[1] Sua atitude é muito humilde e submissa:  ela “lançou-se aos seus pés”, o que foi mais do que Marta tinha feito, tendo maior domínio sobre seus sentimentos. Ela caiu, não como alguém que afundava de tristeza, mas “lançou-se aos seus pés” como alguém que faz uma súplica humilde. Esta Maria tinha se sentado aos pés de Cristo para ouvir sua palavra (Lucas 10.39), e aqui nós a encontramos em outra atividade. Observe que aqueles que, em tempos de paz, se colocam aos pés de Cristo para receber instruções dele, podem, com consolo e confiança, em tempos de tribulação, se lançar aos seus pés, esperando encontrar nele a graça de que precisam. Ela se lançou “aos seus pés” como alguém que se submete à sua vontade naquilo que tinha sido feito, e procurando suas boas intenções naquilo que estava prestes a ser feito. Quando estamos em aflição, nós podemos nos lançar aos pés de Cristo em uma tristeza penitente, em uma auto- humilhação pelo pecado, e em uma paciente resignação à disposição divina. O fato de que Maria se lançasse aos pés de Cristo foi um símbolo do profundo res­ peito e da veneração que ela sentia por Ele. Assim os súditos deviam dar honra aos seus reis e príncipes. Mas como nosso Senhor Jesus não se apresentava revestido de uma glória secular, como um príncipe terreno, aqueles que, com esta atitude de adoração o honravam, certamente o consideravam mais do que um mero homem, e pretendiam, desta maneira, dedicar-lhe uma honra divina. Desta maneira, Maria professou a fé cristã tão genuinamente como Marta, e, na verdade, foi como se dissesse: “Creio que tu és o Cristo”. Dobrar o joelho diante de Cristo, e confessá-lo com a língua, são equivalentes, Romanos 14.11; Filipenses 2.10,11. Isto ela fez na presença dos judeus que a acompanhavam, que, em­ bora fossem seus amigos e da sua família, ainda eram amargos inimigos de Cristo. Diante dos olhos deles, ela caiu aos pés de Cristo como alguém que não sentia vergonha de reconhecer a veneração que sentia por Ele, nem medo de incomodar seus amigos e vizinhos por isto. Que eles se ofendessem, se quisessem, mas ela “lançou-se aos seus pés”, e se isto é ser desprezível, ela será ainda mais desprezível. Veja Cantares 8.1. Nó, servimos ao Senhor do qual não temos motivos para nos envergonhar, e cuja aceitação dos nossos serviços é suficiente para contrabalançar a reprovação dos homens E todas as ofensas deles.

[2] Suas palavras são muito patéticas: “Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. A demora de Cristo tinha as melhores intenções, e isto acabou sendo provado. Ainda assim, as dum irmãs, de modo muito inadequado, disseram-lhe a mesma coisa, e, na verdade, acusaram-no da morte do seu irmão. Ele poderia, com razão, ter se ressentido deste desafio repetido, poderia ter dito a elas que tinha algo melhor para fazer do que estar à sua disposição. Ele deveria vir quando seu trabalho lhe permitisse que viesse. Mas Ele não disse nada disto. Ele considerou as circunstâncias da sua aflição, e que as pessoas, depois de uma perda, pensam que têm permissão para falar, e por isto ignorou a rudeza desta recepção que as irmãs lhe fizeram, e nos ensinou um exemplo de mansidão e moderação em tais casos. Maria não disse mais nada, come Marta tinha dito, mas parece, pelo que vem a seguir que ela compensou com lágrimas aquilo que não conseguiu transmitir com palavras. Ela disse menos que Marta, mas chorou mais, e as lágrimas de afeição devota têm uma voz, uma voz alta e dominante, nos ouvido: do Cristo maravilhoso. Não há retórica como esta.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O CORPO QUE HABITO

De uma maneira singular, o livro A Garota Dinamarquesa reflete os conflitos inconscientes criados a partir de aspectos recusados e reprimidos no interior da alma.

O corpo que habito

O que é verdadeiro em uma época quando se sabe da limitação do conhecimento humano que muda com as experiências? O que fazer quando percebemos a natureza de um homem gritar para expressar seu complexo mundo interior, quando seus semelhantes estão fixados no que é aparentemente padrão e não aceitam o que é diferente, atacando-o com as armas da ignorância? Realmente nascemos homem ou mulher, ou, como diz C. G. Jung no seu conhecido Livro Vermelho: “A pessoa masculina e feminina, não é só homem ou só mulher. De tua alma não sabes dizer de que gênero ela é”. Essas são questões que apreciamos ao ler a obra A Garota Dinamarquesa.

O livro, conhecido em edições anteriores como A Moça de Copenhague, foi o primeiro romance do americano David Ebershoff; tendo ganhado, em 2016, uma adaptação para o cinema, David se inspirou na história real de Lili Elbe, que escreveu suas memórias em um livro de publicação póstuma em 1933, intitulado Man into Woman. Não há um compromisso da literatura em narrar os fatos, mas sim uma verdade maior que se encontra em todos os humanos.

O romance conta a história de Einar, um rapaz que viveu no século XX como uma das primeiras pessoas que passaram por uma cirurgia de afirmação de gênero. Perdeu a mãe ao nascer, foi criado por sua avó paterna e um pai portador de doenças raras.

Einar contemplou, por muitas vezes, a imagem sagrada da mãe cujo contato físico ele não pôde sentir, a não ser quando vestia o colar e as peças de roupa que restaram dela. Foi aos 8 anos, em um desses rituais de contato, que o pai de Einar o surpreendeu com esses adereços femininos e transformou o momento sagrado do filho em uma transgressão dos costumes em que um menino não poderia usar roupas femininas.

Greta, uma jovem pintora, foi estudar arte na Dinamarca e Einar tornou-se seu professor. Ele era um jovem tímido que ela conquistou. Ao beijá-lo, Greta sentiu a sensação de beijar a si mesma e foi assim que se apaixonou por ele. Certo dia, já casados, ela usou Einar como modelo, fazendo-o vestir-se de mulher. Transformou o marido em sua musa inspiradora, enquanto algo desconhecido tocava memórias inconscientes e confusas do rapaz, fazendo-o descobrir uma verdade sobre a sua alma inconformada com o corpo que habitava.

Sabemos que os diversos momentos em que Einar vestia-se de mulher na infância, e foi alvo dos assombros do seu pai, poderiam tornar-se memórias carregadas de energia para influenciar na formação do seu “Eu”. Mas, talvez, sem que nada disso houvesse acontecido, a história de Einar ainda fosse essa.

Os gêneros são determinados por características biológicas, sem levar em conta que cada alma poderá ou não se compatibilizar com o corpo que habita. Alma aqui é um conceito junguiano da relação da psique com o nosso mundo interno. Nascemos com a condição de desenvolver uma ideia sobre quem somos por meio do “complexo do Eu”, como descreve a Psicologia Analítica. Esse “Eu” poderá ou não se identificar com o corpo biológico.

Aprendemos sobre os comportamentos humanos analisando os mitos. “Hermafrodito” é um mito grego que mostra um corpo masculino dominado por uma natureza feminina. Criado pelas ninfas, tornou-se um jovem belo que não se interessava por mulheres. Um dia, enquanto descansava, a ninfa Salmácis grudou-se a ele e chamou as águas para que os unissem. Hermafrodito tentou se desvencilhar, mas uma força maior fez com que o seu corpo se fundisse ao da ninfa. Um só ser tornou-se dois, homem e mulher participando de um único corpo.

Einar, como Hermafrodito, foi sendo dominado por Lili Elbe. Esse foi o nome dado a sua interioridade feminina que estava aprisionada a um corpo que precisava se modificar para atendê-la. Greta foi aos poucos assistindo a essa transformação, mas, como todos que se amam, ela lutou ao seu lado, levando ­ o a médicos que diagnosticaram desde esquizofrenia até homossexualidade, já que precisavam classificar o que lhes era desconhecido.

Como poderemos expressar esse nosso mundo interior, com os seus segredos, sem ter que enfrentar uma sociedade que impõe regras, psicopatologizando tudo que não se define como normal dentro do conhecimento de uma época? O que fazer quando a natureza de um homem precisa se ajustar à sua verdade interior? São questões que as ciências médicas vêm tentando dar conta no mundo atual.

Nascemos com genitália masculina, feminina ou ambígua. Construímos uma realidade subjetiva de acordo com a complexidade do desenvolvimento da personalidade e nos aprontamos para amar um outro ser humano independentemente das regras estabelecidas como leis que definem as pessoas pela forma como direcionam seu amor.

Em cada indivíduo existem aspectos de si mesmo que são rejeitados. Quando o aspecto recusado é reprimido, criamos conflitos inconscientes, atacando, para compensar, um outro que espelha essas confusões. Essa é uma das razões para as pessoas enfrentarem grandes tensões, discriminação, dor física e psicológica, principalmente quando necessitam exercer a sua natural construção identitária. Felizmente, as ciências médicas contemporâneas vêm subtraindo de seu livro de categorização as situações no homem que foram patologizadas devido à não aceitação do diferente. Isso já é um caminho para desfrutarmos de uma humanidade melhor.

O corpo que habito.2

CARLOS SÃO PAULO – é médico e psicoterapeuta junguiano. É diretor e fundador do Instituto Junguiano da Bahia. carlos@ijba.com.br/www.ijba.com.br

 

OUTROS OLHARES

O PLANETA RESPONDE AOS EFEITOS DA AÇÃO HUMANA.

Altas recordes de temperatura são registradas em todo o mundo e eventos climáticos extremos confirmam as previsões dos cientistas sobre as consequências do aquecimento global. Arcar com os custos para mitigar os efeitos dessas mudanças sobre as populações é apenas parte do problema.

O planeta responde aos efeitos da ação humana

Nas últimas semanas, o mundo tem experimentado uma anomalia climática. Na segunda, feira 23, o Japão registrou 41.1oC, a maior temperatura de sua história. Desde o começo de julho, mais 70 pessoas morreram devido à onda de calor que atingiu o país. Os japoneses ainda lutam para se recuperar da destruição causada pelas chuvas do início do mês que causaram mais de 200 mortes. No Círculo Polar Artico, as temperaturas atingiram picos de 300 C e a Sibéria teve em junho uma média oito graus acima do normal. No Canadá, mais de 70 pessoas, a maioria idosos, morreram devido às temperaturas elevadas depois que uma massa de ar quente dominou cidades acostumadas ao frio. O calor é dramático por provocar consequências desastrosas como racionamento de água, cortes de energia e, muitas vezes, incêndios florestais. A Suécia precisou pedir ajuda internacional para debelar mais de 50 focos de incêndios. Eventos extremos no clima são a resposta do planeta aos efeitos da contínua degradação provocada pelas atividades do homem – e confirmam que a Terra está mais quente a cada ano.

Em 1990, o primeiro relatório do Painel lntergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU já previa os efeitos do aquecimento global. Quase 30 anos depois, elas parecem se concretizar. “Nós sabemos que as mudanças climáticas aumentam a frequência e a intensidade dos eventos climáticos extremos, além da linha de base da temperatura do planeta”, diz Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e membro do IPCC. “O aumento de 3oC já está acontecendo e não há dúvida de que uma fração da riqueza global terá de ser utilizada para os países se protegerem. Não é o fim do mundo, mas as próximas gerações terão um clima muito menos propício ao desenvolvimento, diz ele.

As alterações no clima já são percebidas no Brasil. Diversas regiões enfrentam um inverno mais quente e seco, o que se refletiu em aumento no número de incêndios florestais. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que os focos de fogo em 2018 cresceram 52% em relação a 2017. Em abril, antes mesmo do período de seca ser considerado crítico, o Distrito Federal decretou estado de emergência ambiental por conta do risco de incêndios. As bacias hidrográficas do País também estão sofrendo com as alterações climáticas. Apenas no Nordeste, dos cerca de 521 reservatórios monitorados pela Agência Nacional de águas (ANA), 214 estão abaixo de 30%, mesmo com as medidas de restrição de uso da água. Em São Paulo, o sistema Cantareira preocupa com o acúmulo de apenas 40.62% de sua capacidade – em julho no ano passado, ele possuía 63.89%. Menos é sinônimo de menos desenvolvimento. Um estudo realizado pela ANA em parceria com a FGV analisou os impactos das mudanças climáticas na bacia do rio Pirambas-Açu. que vai da Paraíba ao Rio Grande do Norte. A pesquisa a ser divulgada, traz as seguintes conclusões: de junho de 2012 a Junho de 2017, a crise hídrica que atingiu essa bacia causou R$ 3 bilhões em perdas econômicas, um valor expressivo que leva a um jargão comum no semi- árido: “água cara é aquela que não se tem”, diz Sérgio Aymoraes, superintendente de Planejamento de Recursos Hídricos da ANA. “Precisamos de mais controle na demanda da água e mais investimentos em infraestrutura para aumentar a oferta. É uma soma de ações que vai nos preparar para as mudanças”.

Os prejuízos causados pelo aumento do calor também estão afetando as produções agrícolas do

País. Esse ano, as perdas na safrinha de milho, que ocorre de janeiro a abril, chegaram a 10 milhões de toneladas, quase o dobro de 2017. Produções de feijão, laranja e café também sofrem com as altas temperaturas, pois as plantas não podem produzir a flor e consequentemente, o fruto. “Há mais de 20 anos estamos avisando e mostrando para todo mundo que a temperatura mínima está subindo”, diz Eduardo Assad, pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária e professor de mudanças climáticas no mestrado de negócios da FGV. “O Brasil está muito vulnerável às ondas de calor e cada ano que passa são mais frequentes as temperaturas elevadas. Os empresários do agronegócio estão preocupadíssimos”, diz ele, que defende, entre outras medidas, sistemas de manejo de solo e água mais adaptados e tolerantes a temperaturas elevadas e revegetação de áreas degradadas, principalmente no sul do Pará e na Bacia do Rio São Francisco. As dificuldades, no entanto, se encontram no Congresso. “A Embrapa investe dois terços do seu orçamento em soluções para o aquecimento global no Brasil e está sendo achincalhada por deputados e senadores da bancada ruralista que olham apenas para o seu próprio umbigo”, diz ele. Como pouco foi feito no passado, os desastres climáticos chegaram. Para que não sejam ainda maiores, o mundo precisa agir.

 O planeta responde aos efeitos da ação humana.2

GESTÃO E CARREIRA

SUCESSO NAS VENDAS DIGITAIS

Além de ter uma boa presença digital, é preciso criar um ambiente de compra atrativo, fácil de entender e que seja conveniente ao consumidor. Da estabilidade técnica do e-commerce até a escolha do parceiro para realizar as entregas, entenda as 7 etapas que podem salvar ou afundar sua loja virtual.

Sucesso nas vendas digitais

A gigante da internet não nos deixa mentir: segundo um estudo encomendado pelo Google junto à empresa Forrester Reserch, as vendas na Internet no Brasil devem atingir a marca de R$ 84.7 bilhões até 2021. O valor é 47,5% maior do que os RS57bilhões projetados para 2018.

Entre os motivos estão o aumento da confiança em compras feitas pelo computador ou dispositivos móveis e também a possibilidade de comparar preços entre diversas lojas e com mais facilidade.

Nesse cenário todos ganham; consumidores que conseguem fazer compras por preços mais baratos e vendedores que enxergam um futuro ainda mais promissor. Mas não basta ter bom preço, é preciso seguir uma série de estratégias para ampliar as vendas.

1. ESCOLHA UMA BOA PLATAFORMA

Para quem está começando, saber escolher uma boa plataforma para montar a loja virtual é decisivo. É fundamental pesquisar entre outras opções do mercado a fim de encontrar o parceiro ideal para ajudá-lo na implementação, mesmo que por meio de plataformas pré-formatadas. Vários players grandes do mercado, como C&A, Coca-Cola e Nespresso, utilizam a plataforma VTEX. Para negócios que ainda estejam começando, recomendamos a Xtech, que pode ser mais adequada a esse momento. Alguns já utilizam a Loja Integrada também para esses casos”, indica o especialista em Marketing Digital e CEO da Performa web, Denis Casita.

 2. AVALIE O INVESTIMENTO NA PLATAFORMA

A plataforma Saas (Software as a service) ajuda muitas lojas virtuais atualmente a vender com sucesso dentro do planejamento. É preciso ter cuidado na escolha, pois existem modelos com um custo fixo mensal com porcentagem na venda e até de graça., mas os recursos disponíveis precisam suprir as necessidades da sua loja e permitir o crescimento dela para que as vendas cresçam.

Para o gerente de Marketing e E-commerce na Moccato e professor do curso de extensão E-commerce na prática, nas Faculdades Integradas Hélio Alonso, Caio Mattos, a troca de plataforma é uma das atitudes mais penosas em uma operação de e-commerce, portanto, é importante ser criterioso na escolha.  “Recomenda-se comparar recursos, verificar reviews de quem já usou, além de calcular a relação entre custos e benefícios para entender qual plataforma se adequará ao negócio, já que existem muitas ofertas disponíveis, orienta Mattos.

3. INVISTA NA EXPERIÊNCIA

O e-commerce assim como em uma loja física, é necessário pensar em detalhes para facilitar a venda. Focos de luz bem posicionados podem valorizar a exposição dos produtos, bem como o posicionamento do caixa, influencia no fluxo e movimentação dentro de uma loja física.

Na loja on-line não é diferente: você precisa cuidar da experiência do usuário. “Existe uma estatística que diz que 40% dos usuários abandonam o site caso ele demore mais do que três segundos para carregar por exemplo”, comenta a planner e sócia, na Inventiva Comunicação e coordenadora do curso de extensão E-commerce na Prática nas Faculdades Integradas Hélio Alonso, Francelle Jacobsen.

A especialista diz que cases mostram que as vendas podem ter crescimentos significativos a mudança cor dos botões de venda do site, a produção e a escolha das fotos dos produtos também ajudam: eles representam credibilidade, qualidade e conversão. A maioria dos visitantes de um e-commerce prefere observar os detalhes de uma boa foto com recursos de zoom, lupa e até imagem em 360graus”, detalha.

O Google entende que a experiência do usuário é tão importante que “valoriza os sites com as melhores experiências em seus posicionamentos de busca. Então, ter um design bem pensado e uma experiência do usuário eficaz são primordiais para o sucesso do negócio on-line.

4. TENHA UMA BOA LOGÍSTICA DE ENTREGA

O consumidor está cada vez mais exigente. Ele tem a expectativa de fazer uma compra no e-commerce receber o quanto antes e pagando pouco. “Uma das ofertas que costumam gerar mais conversões é o frete grátis”, destaca Denis Casita. Por isso, se a empresa não tem um bom sistema de entrega, pode acabar perdendo a venda pelo custo do frete.

Hoje, grande parte utiliza os Correios, mesmo com a série de problemas enfrentados pela empresa. Os funcionários entram em greve com alta frequência e, no fim do primeiro semestre, os Correios anunciaram a suspensão temporária do pacote básico de entregas. “O pacote ajudava as PMEs com valor mínimo de R$100, que podia variar por cliente. Agora, a exigência mínima gira perto de R$2 mil, que tem sido uma verdadeira pedra no sapato dos pequenos lojistas”, exemplifica Caio Mattos.

Somente com um volume maior é possível contratar um player mais eficaz, como grandes transportadoras ou algumas startups especializadas no mercado.

5. PREZE PELO PRAZO

Além do preço do frete, é preciso buscar parceiros que tenham boas opções de prazo de entrega. Isso pode ser decisivo na hora da compra. Ninguém quer esperar 30 dias úteis para receber um produto em casa.

Caio Mattos diz que o certo é escolher formas de envio com cuidado. “Ter mais de uma opção, como agendamento ou entrega expressa, com certeza, pode ajudar a sua loja a vender mais”, destaca.

Recomenda-se levantar os custos antes de acoplar qualquer serviço adicional. Deve-se entender se é uma oportunidade ou se é um custo que vai drenar o faturamento do seu negócio.

6. TENHA BOAS FORMAS DE RECEBIMENTO

Para expandir o seu negócio na Internet, tenha em mente que mais de um parceiro para receber pagamentos pode ser um plus na sua relação com o consumidor. São várias opções disponíveis no mercado hoje, então pesquise para saber quais se encaixam melhor a suas necessidades.

A PagSeguro, do UOL, não tem mensalidade fixa. É descontada uma taxa de R$0,40, além de uma fatia que varia de 3,99% a 4.99%, dependendo do tempo que se quer receber. Caso o cliente opte por fazer um parcelamento em até 12 vezes sem acréscimo, a loja virtual pagará uma taxa de 2.99% ao mês. A empresa oferece ainda 25 opções de meio de pagamento.

A plataforma Mercado Pago também não cobra mensalidade fixa. O lojista paga uma taxa de 4,99% por cada pagamento que receber. O Mercado Pago permite que a loja receba por meio de seis opções de bandeiras de cartão de crédito, além do boleto bancário.

Já o PayPal oferece a opção de receber o pagamento em até 24 horas. Para isso, o empresário paga uma taxa de 4,79%, além de um valor fixo de R$0,60 por transação. Caso queira esperar para receber 30 dias após a venda, a taxa cai para R$3.6%.

Outra opção é o Moip. A plataforma tem taxas mais salgadas se comparadas às citadas anteriormente. Cada transação com cartão de crédito rende a cobrança de uma taxa fixa de R$ 0,69, além do desconto de 5,49% do valor de venda. Esse percentual cai para 3,49%, caso o cliente opte por fazer débito on-line.

7. PLANEJE AÇÕES

Não tem como fugir de algo importante. Se você quer vender mais, aposte em uma boa estratégia de marketing digital. Mesmo com pouco investimento, é possível registrar bons resultados e, o melhor, é possível mensurar o retorno dessas ações. “Complementar a isso, recomendo um planejamento antecipado levando em conta as sazonalidades, como Dia das Mães, Black Friday e Natal. Além dos momentos de promoção que a empresa queira criar”, exemplifica Denis Casita.

Outro ponto importante é criar relacionamento com os clientes, entendendo seu comportamento de compras e oferecendo os produtos certos na hora certa. Algumas ações básicas de CRM, como um desconto ou vale no aniversário fazem toda a diferença.

 Sucesso nas vendas digitais.2 

FISGANDO CLIENTES NAS REDE

 ATRAIA CLIENTE PARA O INÍCIO DO FUNIL DE VENDAS:

Use SEO de palavras-chave para ranquear artigos no Google, use propagandas no Google e redes sociais. Entre outras estratégias, esteja presente na vida do prospect e o faça descobrir que o serviço ou produto existe.

PROMOVA TROCAS COM O CLIENTE:

Quando um prospect começa a seguir a empresa na rede social, isso significa que ele entrou no funil. Promova pequenos engajamentos e mostre que ele precisa do produto. Na sequência, mostre números, resenhas positivas e também a reputação do produto na mídia.

 CRIE O SENSO DE URGÊNCIA:

Agora que o cliente está envolvido no funil de vendas, crie o senso de urgência: está na hora do desconto relâmpago, ou a falta de estoque entrar em ação. Crie um ambiente para que ele realize a compra.

AVALIE A COMPRA:

Uma vez que a venda foi feita e que o cliente começou a usar o produto, é preciso trabalhar para garantir que ele realmente teve a melhor experiência. Ele gostou? Funcionou? Como é possível melhorar? Ele recomendaria para um amigo? Foi possível surpreender o cliente e ir além das expectativas?

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 11:17-32 – PARTE II

Alimento diário

Cristo em Betânia

II – O que aconteceu entre Jesus e as amigas sobreviventes neste encontro. Quando Cristo adia suas visitas por algum tempo, elas são, consequentemente, mais aceitáveis, e ainda mais bem-vindas. E este foi o caso aqui. As partidas de Jesus fazem bem-vindos seus regressos, e sua ausência nos ensina a valorizar sua presença. Aqui temos:

1. A conversa entre Cristo e Marta.

(1) Nós lemos que ela “saiu-lhe ao encontro”, v. 20.

[1] Aparentemente, Marta estava esperando ansiosamente a chegada de Cristo, e procurando saber dela. Talvez ela tivesse enviado mensageiros que lhe trouxessem notícias de quando Ele se aproximasse, ou talvez ela perguntasse frequentemente: “Vistes aquele a quem ama a minha alma?” De modo que a primeira pessoa que o visse corresse para ela com as boas notícias. Seja como for, ela soube da sua vinda antes que Ele chegasse. Ela tinha esperado por muito tempo, e perguntado frequentemente: Ele já veio? E não tinha notícias dele. Mas aquele que tinha sido tão esperado chegou, por fim. ”A visão… até ao fim falará, e não mentirá”.

[2] Quando chegaram até Marta as boas novas de que Jesus estava chegando, ela deixou tudo de lado e saiu-lhe ao encontro, como sinal de uma acolhida muito afetuosa. Ela deixou de lado toda a cerimônia e corte sia para com os judeus que tinham vindo visitá-la, e apressou-se a ir encontrar Jesus. Observe que quando Deus, pela sua graça ou providência, vem a nós em misericórdia e consolo, devemos sair, com fé, esperança e oração, para encontrá-lo. Alguns sugerem que Marta saiu da aldeia para encontrar Jesus, para avisá-lo de que havia diversos judeus na casa, que não eram seus amigos, para que, se desejasse, Ele pudesse evitar encontrá-los.

[3] Quando Marta saiu ao encontro de Jesus, Maria ficou assentada em casa. Alguns pensam que ela não teria ouvido as notícias, estando na sala, recebendo visitas de condolências, ao passo que Marta, que estava ocupada com as tarefas da casa, tinha sido avisada logo. Talvez Marta não desejasse dizer à sua irmã que Cristo estava chegando, ambicionando a honra de recebê-lo antes dela. A santa prudência nos conduz a Cristo, enquanto os irmãos e pais não sabem o que nós estamos fazendo. Outros pensam que ela soube que Cristo estava chegando, mas estava tão dominada pela tristeza, que não se preocupou em animar-se, preferindo satisfazer sua tristeza e ficar sentada em aflição, dizendo: Eu faço bem em chorar. Comparando esta história com a de Lucas 10.38ss., podemos observar os diferentes temperamentos destas duas irmãs, bem como as limitações e qualidades de cada uma delas. O temperamento natural de Marta era ativo e agitado. Ela amava estar aqui e ali, e fazendo coisas. E isto tinha sido uma cilada para ela, quando, por este motivo, ela estava não apenas preocupada e sobrecarregada com muitas coisas, mas impedida dos exercícios de devoção. Mas agora, em um dia de aflição, este temperamento ativo foi bom para ela, afastou a tristeza do seu coração e a fez sair ao encontro de Cristo, e assim ela recebeu seu consolo mais prontamente. Por outro lado, o temperamento natural de Maria era contemplativo e reservado. Anteriormente, isto tinha sido benéfico para ela, quando a colocou aos pés de Cristo, para ouvir sua palavra, e permitiu que ela o ouvisse sem aquelas distrações que sobrecarregavam a Marta. Mas agora, em um dia de aflição, este mesmo temperamento provou ser uma cilada para ela, fazendo-a menos capaz de combater sua tristeza e predispondo-a à melancolia: “Maria, porém, ficou assentada em casa”. Veja aqui como é prudente e sábio vigiarmos contra as tentações e aproveitarmos as vantagens do nosso temperamento natural.

(2) Aqui está integralmente narrada a conversa entre Cristo e Marta.

[1] As palavras de Marta a Cristo, vv. 21,22.

Em primeiro lugar, ela reclama da longa ausência de Cristo e da sua demora. Ela disse isto, não somente com tristeza pela morte de seu irmão, mas com algum ressentimento pela aparente falta de amabilidade do Mestre: “Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. Aqui temos:

1. Alguma evidência de fé. Ela tinha fé no poder de Cristo, de que, embora a enfermidade do seu irmão fosse muito grave, ainda assim Ele poderia tê-la curado, evitando assim sua morte. Ela tinha fé na sua piedade, acreditava que se Ele tivesse apenas visto a Lázaro na sua terrível enfermidade, e todos os seus parentes em lágrimas à sua volta, Ele teria sentido compaixão, e teria evitado uma ruptura tão triste, pois sua compaixão não falha. Mas:

2. Aqui estão tristes exemplos de descrença. Sua fé era verdadeira, mas fraca como uma cana quebrada, pois ela limitava o poder de Cristo ao dizer: “Se tu estivesses aqui”, embora ela devesse saber que Cristo podia curar à distância, e que suas graciosas intervenções não se limitavam à sua presença física. Ela reflete, da mesma maneira, sobre a sabedoria e bondade de Cristo, pelo fato de que Ele não correu até eles quando o chamaram, como se não tivesse planejado bem suas atividades, e agora podia, igualmente, ter ficado longe e não ter vindo, pois agora era tarde demais, e ela mal podia pensar em alguma ajuda da parte dele.

Em segundo lugar, ela se corrige e se consola ao pensar sobre o interesse predominante que Cristo tem em relação ao céu. Pelo menos, ela se repreende por culpar seu Mestre e por insinuar que Ele tinha vindo tarde demais: “Mas também, agora, sei que tudo quanto pedires a Deus, Ele vos concederá”. Observe:

1. Como era determinada sua esperança. Embora ela não tivesse tido coragem de pedir a Jesus que ressuscitasse seu irmão, pois não havia precedente de ninguém ressuscitado, tendo estado morto por tanto tempo, ainda assim, como uma modesta suplicante, ela humildemente entrega o caso à sábia e misericordiosa consideração do Senhor Jesus. Quando não sabem os o que pedir ou esperar, em particular, devemos nos dirigir a Deus de maneira geral, deixar que Ele faça o que lhe parecer melhor. Quando não sabemos pelo que orar, é consolador saber que o grande Intercessor sabe o que pedir por nós, e sempre é ouvido.

2. Como era fraca sua fé. Ela poderia ter dito: “Senhor, tu podes fazer tudo o que desejares”, mas ela diz somente: “Tu podes obter tudo o que pedires em oração”. Ela havia se esquecido de que o Filho tem a vida em si mesmo, que Ele realiza milagres com seu próprio poder. Mas ambas estas considerações devem ser feitas para o incentivo da nossa fé e esperança, e nunca devem ser excluídas: o domínio que Cristo tem sobre a terra e seus interesses e sua intercessão no céu. Ele tem, em uma das mãos, o cetro de ouro, e na outra, o incensário de ouro. Seu poder é sempre predominante, sua intercessão é sempre preponderante.

[2] As palavras consoladoras de Cristo a Marta, em resposta às suas palavras patéticas (v. 23): “Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar”. Marta, na sua reclamação, olhou para trás, refletindo com tristeza o fato de que Cristo não estivesse ali, pois, então, pensa ela, “meu irmão estaria vivo agora”. Em tais casos, nós somos capazes de piorar nossa própria perturbação, imaginando o que poderia ter acontecido. “Se tal método tivesse sido empregado, se tal médico tivesse sido chamado, meu irmão não teria morrido”. Não sabemos com certeza se as situações seriam realmente como imaginamos. Mas que bem nos faz isto? Quando a vontade de Deus se cumpre, nós devemos nos sujeitar a Ele. Cristo pede que Marta, e nós, olhemos para frente, e pensemos no que acontecerá, pois isto traz uma certeza e um consolo garantido: “Teu irmão há de ressuscitar”. Em primeiro lugar, isto era verdade, sobre Lázaro, em um sentido peculiar a ele: ele seria imediatamente ressuscitado. Mas Cristo fala sobre este assunto de maneira geral, como algo a ser feito, não como algo que Ele mesmo fazer, de modo que realizar nosso Senhor Jesus falava com muita humildade a respeito das suas próprias obras. Ele também expressa isto de maneira ambígua, deixando-a insegura, a princípio, sobre se Ele o ressuscitaria imediatamente, ou não até o último dia, para que Ele pudesse provar a fé e a paciência dela. Em segundo lugar, isto se aplica a todos os santos, e à sua ressurreição no último dia. Observe que é um consolo para nós, quando sepultamos nossos amigos e parentes crentes, pensar que eles ressuscitarão. Assim como a alma não é perdida na mor­ te, mas parte para a eternidade, também o corpo não é perdido, mas guardado. Pense que você está ouvindo Cristo dizer: “Seus pais, seus filhos, seus amigos, res­ suscitarão. Estes ossos secos viverão”.

[3] A fé que Marta mesclou com estas palavras, e sua descrença mesclada com esta fé, v. 24.

Em primeiro lugar, ela considera que a mensagem de que seu irmão ressuscitará no último dia é uma mensagem fiel. Embora a doutrina da ressurreição devesse ser plenamente comprovada pela ressurreição de Cristo. ainda assim Marta cria firmemente da maneira que ela já tinha sido revelada, Atos 24.15.

1. Que haverá um último dia, com o qual todos os dias do tempo serão numerados e concluídos.

2. Que haverá uma ressurreição geral neste dia, quando a terra e o mar entregarão seus mortos.

3. Que haverá uma ressurreição particular de cada um: “Eu sei que ressuscitarei, e também estes e aqueles parente s e amigos que eram queridos para mim”. Assim como cada osso retornará ao seu osso neste dia, também cada amigo a seu amigo.

Em segundo lugar, ela parece pensar que estas palavras não são tão merecedoras de toda a aceitação, como, na verdade, eram: “Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último Dia”. Mas em que isto melhora nossa situação agora?” Ela diz isso como se os consolos da ressurreição para a vida eterna não merecessem ser mencionados, nem resultassem em satisfação suficiente para equilibrar sua aflição. Veja como somos fracos e agimos com loucura, porque permitimos que coisas palpáveis e visíveis nos causem uma impressão mais profunda, tanto de tristeza quanto de alegria, do que aquelas coisas que são objetos da fé. “Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último Dia”. E isto não é suficiente? Ela parece pensar que não. Desta maneira, com nosso descontentamento sob as aflições atuais, nós subestimamos enormemente nossas esperanças futuras, e as menosprezamos, como se não fossem merecedoras de consideração.

[4] A instrução e o incentivo adicionais que Jesus Cristo lhe deu. Pois Ele “não esmagará a cana quebrada e não apagará o morrão que fumega”. Ele lhe disse: “Eu sou a ressurreição e a vida”, vv. 25,26. Com relação a esta aflição atual, Cristo edifica sobre dois pilares a fé que ela possui, e é a eles que nossa fé deve se apegar em casos semelhantes.

Em primeiro lugar, o poder de Cristo, seu poder soberano: “Eu sou a ressurreição e a vida”, a fonte da vida, e a cabeça e o autor da ressurreição. Marta acreditava que, com sua oração, Deus lhe daria qualquer coisa, mas Ele deseja que ela saiba que, com sua palavra, Ele pode fazer qualquer coisa. Marta acreditava em uma ressurreição no último dia. Cristo diz a ela que Ele tinha aquele poder, armazenado na sua própria mão, e os mortos ouviriam sua voz (cap. 5.25), e com base nisto é fácil concluir que aquele que pode ressuscitar um mundo de homens que estarão mortos há muitos séculos, sem dúvida poderia ressuscitar um homem que estava morto há apenas quatro dias. Observe que é um consolo indescritível a todos os bons cristãos, que Jesus Cristo é a ressurreição e a vida, e assim será para eles. A ressurreição é um retorno à vida. Cristo é o autor deste retorno, e desta vida à qual a ressurreição é o retorno. Nós buscamos a ressurreição dos mortos e a vida do mundo futuro, e Cristo é as duas coisas, o autor e o princípio de ambos, e a base da nossa fé em ambos.

Em segundo lugar, as promessas do novo concerto, que nos dão mais base para a esperança de que viveremos. Observe:

1. A quem são feitas as promessas: àqueles que creem em Jesus Cristo, àqueles que aceitam e creem em Jesus Cristo como o único Mediador de reconciliação e comunhão entre Deus e o homem, que recebem os registros que Deus deu na sua Palavra a respeito do seu Filho, que sinceramente se sujeitam a eles, e atendem a todos os seus grandes objetivos. A condição da última promessa é assim expressa: “Todo aquele que vive e crê em mim”, o que pode ser interpretado, ou:

(a) Como vida natural: Todo aquele que vive neste mundo, seja judeu ou gentio, onde quer que viva, se crer em Cristo, viverá por Ele. Mas há um limite de tempo: Todo aquele que, durante sua vida, enquanto estiver aqui neste estado de provação, crer em mim, será feliz em mim, mas depois da morte, será tarde demais. “Todo aquele que vive e crê”, isto é, vive pela fé (Gálatas 2.20), tem uma fé que influencia seu comportamento. Ou:

(b) Como vida espiritual: Aquele que “vive e crê” é aquele que, pela fé, nasce de novo, para uma vida celestial e divina, para quem “o vi­ ver é Cristo” – que faz de Cristo a vida da sua alma

A. Quais são as promessas (v. 25): “Ainda que esteja morto, viverá”, ou melhor, “nunca morrerá”, v. 26. O homem consiste de corpo e alma, e é feita provisão para a felicidade de ambos.

(a) Para o corpo. Aqui está a promessa de uma ressurreição abençoada. Embora o corpo esteja morto, por causa do pecado (não há como evitar, ele irá morrer), ainda assim viverá novamente. Todas as dificuldades que acompanham a condição do morto são, aqui, ignora­ das, e consideradas insignificantes. Embora a sentença de morte seja justa, embora os resultados da morte sejam tristes, embora os grilhões da morte sejam fortes, embora ele esteja morto e sepultado, morto e putrefato, embora a poeira dispersa possa se misturar com o pó comum, de modo que nenhuma habilidade humana possa distingui-los, muito menos separá-los, por mais forte que seja a situação daquele lado, ainda assim nós temos a certeza de que ele viverá outra vez: o corpo será res­ suscitado como um corpo glorioso.

(b) Para a alma. Aqui está a promessa de uma imortalidade abençoada. ”Aquele que vive e crê”, que, estando unido a Cristo pela fé, vive espiritualmente por virtude daquela união, nunca morrerá. Esta vida espiritual nunca se extinguirá, mas se aperfeiçoará na vida eterna. Como a alma, sendo espiritual por natureza, é, portanto, imortal, assim, se pela fé ela vive uma vida espiritual, coerente com sua natureza, sua felicidade também será imortal. Ela nunca morrerá, nunca deixará de estar tranquila e feliz, e nunca haverá nenhum intervalo ou interrupção da sua vida, como existe para a vida do corpo. A mortalidade do corpo estará, no final, envolvida em vida, mas a vida da alma, a alma crente, estará, imediatamente depois da morte, envolvida em imortalidade. Ele não morrerá. O corpo não estará morto para sempre na sepultura. Ele morre (como as duas testemunhas), mas apenas por um tempo, e tempos, e metade de um tempo. E quando não mais houver tempos, e todas as suas divisões forem numeradas e concluídas, um espírito de vida, vindo de Deus, entrará nele. Mas isto não é tudo. A alma não morrerá aquela morte que é para sempre, não morrerá eternamente: “Bem-aventurado e santo”, isto é, bem-aventurado e feliz, é “aquele que tem parte na primeira ressurreição”, aquele que tem par te em Cristo, que é esta ressurreição, pois a segunda morte, que é uma morte para sempre, não terá poder sobre tal pessoa. Veja cap. 6.40. Cristo pergunta a Marta: “‘Crês tu isso?’ Concordas com isto, com fé? Podes aceitar minha palavra quanto a isto?” Observe que, quando lemos ou ouvimos as palavras de Cristo a respeito das grandes coisas do outro mundo, nós devemos, seriam ente, perguntar a nós mesmos: “Nós cremos nisto, nesta verdade em particular, cremos nisto que é aceito com tantas dificuldades, nisto que é adequado ao meu caso? Minha crença me permite perceber isto, e dá à minha alma uma certeza disto, de modo que eu posso dizer não somente que creio nisto, mas que creio nisto desta maneira?” Marta estava cegamente concentrada na ressurreição do seu irmão neste mundo. Antes que Cristo lhe desse esperanças disto, Ele direcionou os pensamentos dela a outra vida, a outro mundo: “Não se preocupe com aquilo, mas você acredita nisto que Eu lhe digo a respeito do estado futuro?” As cruzes e os consolos deste tempo atual não causariam tamanho impacto sobre nós se apenas crêssemos nas coisas da eternidade como deveríamos.

B. A aceitação sincera de Marta ao que Cristo disse, 27. Aqui temos o credo de Marta, a boa confissão da qual ela deu testemunho, a mesma pela qual Pedro foi elogiado (Mateus 16.16,17), e a conclusão de todo o assunto. Em primeiro lugar, aqui está o guia da sua fé, que é a palavra de Cristo. Sem nenhuma alteração, exceção ou condição, ela a aceita completamente corno Cristo a tinha dito: “Sim Senhor”, e com isto ela aceita a verdade de todas as partes daquilo que Cristo tinha prometido, no seu próprio sentido: mesmo assim. A fé é um eco da revelação divina. Ela traz as mesmas palavras e se de­ termina a agir e a permanecer de acordo com elas: Sim, Senhor, como a Palavra foi apresentada, assim eu aceito e creio nela, disse a rainha Elizabeth.

Em segundo lugar, a base da sua fé, que é a autoridade de Cristo. Ela crê nisto porque crê que aquele que disse isto é Cristo. Ela recorre à fundação para o apoio da superestrutura. “Eu creio”, “Eu creio que tu és o Cristo, e por isto verdadeiramente creio nisto”. Observe aqui:

1. O que ela creu e confessou a respeito de Jesus.

Três coisas, todas com o mesmo objetivo:

(a) Que Ele era o Cristo, ou o Messias, prometido e esperado sob este nome e noção, o Ungido.

(b) Que Ele era o Filho de Deus. Assim era chamado o Messias (Salmos 2.7), não somente pelo seu trabalho, mas pela sua natureza.

(c) Que era Ele que havia de vir ao mundo. Aquela bênção das bênçãos que a igreja, por tantos anos, esperou como sendo futura, ela aceitou como sendo presente.

1. O que ela inferiu disso, e o que ela alegou por isto. Se ela aceita que Jesus é o Cristo, não há problema em crer que Ele é a ressurreição e a vida. pois, se Ele é o Cristo, então:

(a) Ele é a fonte de luz e de verdade, e nós podemos aceitar todas as suas palavras como fiéis e divinas verdadeiramente. Se Ele é o Cristo, Ele é aquele profeta de quem nós devemos ouvir todas as coisas.

(b) Ele é a fonte da vida e da bem-aventurança, e, portanto, nós podemos confiar na sua capacidade tanto quanto na sua veracidade. Como os corpos, transformados em pó, poderão viver outra vez? Como poderão as almas, obstruídas e perturbadas como são as nossas, viver para sempre? Nós não podemos crer nisto, a menos que creiamos naquele que é o Filho de Deus, que tem a vida em si mesmo, e que a tem por nós.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

APRENDENDO A PENSAR

Pesquisadores que estudam a capacidade intelectual das crianças antes de seu primeiro aniversário sabem que desde muito cedo os pequenos aprendem a comparar características e conseguem se lembrar do que viram e ouviram.

Aprendendo a pensar

Ainda que os bebês quase não falem antes de 1 ano, estudos mostram que eles já pensam, têm capacidade de memorização e conseguem fazer comparações que os ajudam a organizar suas experiências – preparando-se para acumular outras. Com isso, organizam o ambiente em que vivem. “A quantidade de novas impressões adquiridas pelo recém-nascido são incontáveis e surgem o tempo todo, ameaçando sobrecarregar seu cérebro, daí a urgência dessa organização”, explica Sabina Pauen, professora de psicologia do desenvolvimento da Universidade de Heidelberg, na Alemanha. “Para dar certa ordem a esse volume de informações o bebê separa tudo em categorias, como se as distribuísse em gavetas em seu intelecto”, explica. Assim, a criança não precisa reaprender todas as características daquilo que surge em sua vida, mas pode transferir sua experiência com determinado objeto para outros ainda desconhecidos. Ao ver um caminhão, por exemplo, o aproxima mentalmente de um ônibus. Também é comum que no momento em que os pequenos criam a categoria cadeira, por exemplo, passem a reconhecer imediatamente o mesmo objeto, ainda que com cor e forma diferente, em sua casa – mas que ainda assim é um “lugar para sentar”.

Como a categorização ocorre na fase em que os pequenos desenvolvem a capacidade óptica de forma plena, a hipótese mais provável é que se orientem, em especial, pela aparência do que veem. Nesse caso, provavelmente conseguiriam agrupar primeiro o que tem aparência similar e que, ao mesmo tempo, fosse bastante diverso de outros objetos – ou seja, classes como gatos, cachorros, cadeiras ou mesas, identificadas de forma básica. Em contraposição, categorias globais como animais, móveis ou veículos motores seriam mais complicadas de organizar, pois incluem objetos de aparência muito diversa.

“Nossas experiências. Porém, chegaram ao resultado oposto: categorias globais são diferenciadas antes de básicas”. afirma Sabina. Segundo ela, não é apenas a semelhança externa que determina a divisão em categorias, pois crianças de 11 meses conseguem distinguir tão bem os modelos de animais e móveis aparentemente muito semelhantes como aqueles que apresentam todas as diferenças naturais entre as duas classes de objetos.

“Bebês com mais idade, portanto, constroem novas categorias não apenas por meio de uma abstração visual, já que, do contrário, teriam categorizado melhor os modelos mais fáceis de diferenciar”, afirma. Algo, porém, intrigava a pesquisadora: afinal o que guia a categorização? Os conhecimentos e as experiências prévias teriam algum papel aqui? Nesse caso, animais apresentados aos pequenos voluntários em fases iniciais dos testes deveriam fazê-los se lembrar de bichos de verdade. A favor de tal suposição existe o fato de que as que crescem em companhia de um gato ou um cachorro são capazes de distinguir esses animais aos 9 meses, enquanto aquelas sem essa experiência não conseguem executar tal tarefa nem mesmo aos 11. Independentemente do que orienta o bebê para a categorização, é necessário que ele consiga imaginar as coisas de alguma forma, o que os psicólogos denominam “formação de representação metais estáveis” (uma ideia persistente e com consistência a respeito de algo).

Quem convive com crianças pequenas percebe, a todo o momento, que muito antes de dominar as palavras e construir frases elas já se recordam concretamente de objetos e pessoas e estruturam tal lembrança em pensamento. Por volta do sétimo mês, por exemplo, surge o medo de gente desconhecida: muitos já não vão para o colo daqueles que não conhecem, como faziam antes, preferindo claramente os mais próximos. Isso significa que já conseguem diferenciar os conhecidos dos estranhos e já reconhecem a mãe até em fotos, identificam as pessoas pela aparência e recorrem a experiências para interpretar o que veem.

Isso, porém, não explica como os bebês constroem categorias globais. O que faz com que bebês sejam capazes de distinguir seres vivos de coisas inanimadas? Aqui a teoria da evolução nos dá uma dica. Animais e humanos podem significar perigo ou solicitude à criança indefesa. Por isso, é aconselhável observar seres vivos com maior atenção que objetos – e para tanto é necessário primeiro saber diferenciá-los. Nesse caso, provavelmente, são ativados comportamentos de percepção natos. Por isso, recém-nascidos se interessam especialmente por rostos e preferem observá-los a outras coisas com padrões de complexidade semelhante. Esse interesse próprio dos bebês por movimentos em seu campo de visão também os ajuda a perceber logo a diferença entre seres vivos e coisas.

Dessa maneira, já nos primeiros meses de vida eles aprendem que nem tudo consegue se movimentar sozinho.

Vários estudos têm demonstrado que a capacidade de aprendizagem já se inicia no período fetal. A memória, uma das funções cognitivas fundamentais, desenvolve-se, desde antes do nascimento, de forma quantitativa e qualitativa, paralelamente à maturação cerebral. Segundo a psicóloga Flavia Heloísa dos Santos, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Assis, o recém-nascido é predisposto a registrar e recordar importantes sinais biológicos, como expressões faciais e a fala.

Recém-nascidos expostos às mães por apenas algumas horas olham mais profundamente para a face dela que para a de estranhos. A autora cita uma série de pesquisas feitas com bebês, nas quais foi usado o paradigma de resposta do chute de um móbile em movimento, o que demonstra que os sistemas de explicito e implícito da memória de longo prazo se desenvolvem no mesmo espaço de tempo – e não sequencialmente. A memória explicita, de caráter consciente e intencional armazena fatos, nomes e eventos, já a implícita relaciona-se aos hábitos e habilidades adquiridos. O tempo médio de retenção, quando a informação é repetida várias vezes (como no caso do movimento do móbile), se expande com a idade. “Aos 2 meses dura cerca de 2 dias, aos 9 aumenta abrupta e progressivamente: e, com 1 ano e meio alcança 13 semanas”, afirma a neuropsicóloga clínica Mónica Carolina Miranda, doutora em ciências pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenadora do Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Infantil da instituição. Ela lembra que a retenção mnêmica de eventos também mostra padrão específico. Por exemplo: aos 3 meses, o bebé já guarda informações sobre lugares onde ocorreram determinados acontecimentos, aos 6, incorpora algumas informações de ordem temporal dos fatos. As experiências de vida no período neonatal, como as sensações relacionadas à fome, ativam vias neurais específicas com a respectiva associação límbica, modulando o humor e a emoção, ressalta. São esses padrões rudimentares de atividade neural que fornecerão a base do desenvolvimento psicológico da criança, permitindo entender de que forma os bebês acumulam experiências iniciais e como isso afetará seu comportamento mais tarde.

Outro processo cognitivo, de extrema importância, é o desenvolvimento da atenção. O neuropsicólogo Alexander R. Luria (1902- 1977), especialista em psicologia do desenvolvimento, enfatizou que a atenção, principalmente a voluntária, não é de origem biológica – mas um ato social. A concentração da criança nos primeiros meses de vida é mais elementar, involuntária, já que é atraída pelos estímulos que lhe são biologicamente significativos. No final do primeiro ano de vida, quando a mãe ou outro adulto próximo, nomeia um objeto e o aponta, a atenção do bebê é atraída para ele – e isso se dá por meio da comunicação social, palavras ou gestos, estágio fundamental no desenvolvimento infantil, base do comportamento direcional organizado.

“Podemos pensar que o desenvolvimento cognitivo da criança não é, portanto, um processo contínuo e homogêneo: depende da interação entre os múltiplos fatores de crescimento das áreas cerebrais, do grau de mielinização de suas estruturas, de sua evolução pré-natal. bem como das possibilidades que o cérebro imaturo tem de reorganizar seus padrões de respostas e conexões por meio de novas experiências ou mesmo após lesões neurais”. observa a neuropsicóloga Maria Elisa Prado. especializada em desenvolvimento infantil. “Há um refinado sincronismo entre como o cérebro se desenvolve e o que modela seu crescimento e maturação.

É evidente que desde a primeira infância a estrutura e as conexões neurais são esculpidas por numerosas influências ambientais. Como centro do pensamento. das emoções, dos planos de ação e da autorregulação da mente e do corpo, o cérebro passa por um longo processo de crescimento – que de fato dura a vida inteira. Esse desenvolvimento é mais intenso nos primeiros anos (bastante acelerado no decorrer da infância até a fase da adolescência e de adulto jovem). Isso quer dizer que as experiências precoces têm impacto profundo sobre o potencial subsequente de cada pessoa.

Aprendendo a pensar.2 

AS BARREIRAS DOS SIMBOLOS

Um passo importante no desenvolvimento mental infantil é passar a pensar simbolicamente – algo que envolve, além da memória, habilidades de raciocínio e observação. Dada a complexidade desse processo, as crianças pequenas tendem a “misturar” objetos reais e seus símbolos logo que percebem que uma coisa pode representar outra. “‘A capacidade de criar e operar uma grande variedade de representações é o que mais distingue os humanos de outras criaturas. Essa habilidade nos permite transmitir informações de uma geração a outra, o que toma possível a cultura, e adquirir repertório sobre certos assuntos sem ter experiência direta com elas”, afirma a psicóloga Judy S. Deloache, doutora em desenvolvimento infantil, professora das universidades de Virgínia e llinois. Ela exemplifica: “Temos conhecimento dos dinossauros apesar de jamais termos visto um de verdade; por causa desse papel fundamental da simbolização, talvez nenhum aspecto do desenvolvimento humano seja mais importante do que a compreensão dos símbolos”.

O primeiro tipo de objeto simbólico que os bebês dominam é a figura, embora os intrigue.

O problema deriva à dualidade inerente a todos os objetos simbólicos: eles são reais e, ao mesmo tempo, representações de outra coisa. Para compreendê-los, o observador tem de perceber essa ambiguidade; mentalmente precisa codificar o objeto e estabelecer relação entre ele e o que representa. Judy alerta para o fato de que numa sociedade como a nossa, tão rica em imagens, a maioria das crianças tem acesso diário a álbuns de família e livros ilustrados. Dessas interações, aprendem de que modo as figuras diferem dos objetos e passam a reconhecer o material iconográfico como fontes de contemplação – e não de interação. Não obstante, sua natureza exige vários anos para ser completamente compreendida. O pesquisador John H. Flavell, da Universidade Stanford descobriu, por exemplo, que até os 4 anos muitas delas pensam que virar de cabeça para baixo uma tigela com uma figura de pipoca faz a pipoca cair do recipiente. Ou seja, cabe aos pequenos superar barreiras para desenvolver uma concepção madura sobre a representação, um desafio cada vez maior, em uma cultura tão visual e rica em estímulos quanto a nossa.

OUTROS OLHARES

O INFERNO CHEGOU

O calor extremo que castiga o Hemisfério Norte pode servir para transformar em cinzas os argumentos de quem nega os perigos das mudanças climáticas.

O inferno chegou

Nada como saber de antemão quando uma mudança com potencial catastrófico vai acontecer para poder, se possível, evitá-la ou, ao menos, preparar-se adequadamente. Os cientistas que, desde 1990, alertam para os riscos do aquecimento global causado pela ação humana tentam fazer exatamente isso: convencer governantes de todo o planeta a adotar medidas para enfrentar ou amenizar o fenômeno. O problema das previsões, e que os argumentos para agir não são palpáveis para a maioria da população (e dos políticos que dependem do seu voto) enquanto não se tornam realidade. Aproveitando-se disso, os céticos do aquecimento global dizem, jocosamente, que as previsões sobre as mudanças climáticas de longo prazo são tão críveis quanto as que afirmam que vai chover no fim de semana, mas faz um sol de rachar. Recorrer a esse sofisma pode ficar mais difícil depois do atual verão no Hemisfério Norte – que vem batendo sucessivos recordes de temperatura em diferentes regiões, muitas vezes com resultados desastrosos.

Na Finlândia, os habitantes de Sodankyla, localizada a menos de 100 quilômetros do Círculo Polar Ártico, experimentaram neste ano um dia de verão com características tropicais: 32 graus, mais que o dobro do esperado. No Japão, 65 pessoas, em sua maioria idosos, não resistiram ao verão mais quente da história do país e morreram. Na Grécia, 91 pessoas perderam a vida em incêndios causa­ dos pela combinação de calor intenso, vegetação seca e ventos fortes. Há dezesseis dias, foram registradas temperaturas próximas a 50 graus no sul da Califórnia, nos Estados Unidos, e a temporada de incêndios florestais, própria desta estação, está se provando mais longa que o normal. Os alemães também enfrentaram, neste ano, o mês de abril mais quente da história de seu país. Com os termômetros marcando mais de 40 graus, nem os peixes dos rios Reno e Elba resistiram ao fenômeno – milhares morreram por causa da falta de oxigênio provocada pelo aquecimento da água. Os meteorologistas preveem que a temperatura na Península Ibérica será, neste mês, a mais alta já registrada na Europa continental, batendo o recorde de 48 graus, observado em 1977, em Atenas, na Grécia. Até o que era quente se tornou ainda mais infernal –   no início de julho fez 51,3 graus à sombra no Deserto do Saara, a temperatura mais elevada já medida pelos termômetros na África.

Não é possível afirmar que cada um dos eventos acima foi ou é causado diretamente pelo aquecimento global. Há inúmeros fatores regionais que podem tê-los influenciado. O que está claro é que situações climáticas extremas como essas vêm se tornando mais frequentes – e isso não acontece por acaso. A explicação se encontra na emissão dos gases do efeito estufa, que contribuíram para o aumento de mais de 1 grau na média da temperatura na Terra desde o século XIX. Segundo um estudo divulgado na quarta-feira lº pela Sociedade Americana de Meteorologia, 2017 foi o ano mais quente de que se tem registro sem influência do El Nino, fenômeno natural que começa com o aquecimento das águas do Oceano Pacífico e tem impacto global no clima. E quais foram os anos mais quentes com El Nino? Aqueles imediatamente anteriores: 2016 e 2015. “As temperaturas que estamos experimentando podem não ser ainda o ‘novo normal’, mas podem vir a ser em algumas décadas”, avisou Stephen Belcher, cientista-chefe do serviço nacional de meteorologia britânico.

A janela de oportunidade para combater as causas das alterações climáticas está se fechando. “Muitos cientistas dizem que temos apenas vinte anos para mudar nosso comportamento e partir para um mundo com balanço zero nas emissões de carbono na atmosfera. Isso significa que a cada ano que passa perdemos 4% dessa margem de segurança”, diz o ecólogo Daniel Nepstad, diretor do Earth Innovation Institute, ONG com sede na Califórnia. Se outros efeitos já visíveis do aquecimento global – como a retração do gelo marítimo do Ártico, o aumento do nível dos mares, o encolhimento das geleiras e a morte de corais – não foram ainda suficientes para persuadir políticos e outras personalidades influentes que negam a ação do homem nas mudanças climáticas, quem sabe a atual onda de calor cumpra esse papel. O presidente americano Donald Trump, que tirou seu país de um acordo internacional de redução de emissões, deveria ser o primeiro a cair na real. O problema, como observou o jornal britânico TheGuardian em editorial, é que é mais fácil mudar o clima do que as opiniões de Trump.

GESTÃO E CARREIRA

DENTRO OU FORA DE PADRÃO?

Apesar de parecer atraente, o modelo de franchising pode ser um verdadeiro tiro no pé se não for bem planejado. Entenda como funcionam as franquias e compare se é melhor abrir uma ou investir na sua própria marca.

Dentro ou fora do padrão

Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, picles e um pão com gergelim. Você sabe exatamente o que vem depois, certo? A maior cadeia mundial de restaurantes fast-food de hambúrguer, o Mc Donalds, surgiu em 1940 e começou seu processo de franqueamento em 1955, com o surgimento do “Mc Donalds Systems, Inc.”. Hoje, serve suas receitas, incluindo o citado Big Mac, para cerca de 68 milhões de pessoas por dia, em 119 países e com 37 mil pontos de venda.

Aqui no Brasil, no entanto, as primeiras franquias vieram por meio de escolas de línguas que incluem marcas como Yazigi (1954) e Fisk (1962), dando espaço ainda para perfumarias como o Boticário – que somou um faturamento de RS2,8 bilhões para as unidades franqueadas em 2009. A marca surgiu em Curitiba, em março de 1977, e conta hoje com loja em Portugal, além de franquias e vendas por catálogo.

Mas, afinal, o que faz das franquias um sucesso? O primeiro ponto é que esse sistema de trabalho utiliza uma marca já conhecida logo que abre seu negócio. O modelo, de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), caracteriza-se por um contrato em que a patente expande sua empresa ao conceder o direito de uso da marca de maneira específica. Você também vai ouvir o termo franchising, que pode ser usado para designar essa estratégia de distribuição dos produtos ou serviços.

É importante ainda não confundir contrato de franquia com licenciamento de uso de marca. No caso da rede, existe um contrato mais complexo, regido pela Lei 8.955194, que inclui a transferência de conhecimento e uma série de direitos e obrigações, tanto para o franqueado como para o franqueador, onde uma replicação propriamente dita do modelo de negócio.

ONDE ESTÃO POTE DE OURO?

Apesar de necessitar de um investimento inicial, ter uma franquia pode não ser tão caro quanto você pensa. É possível encontrar algumas opções por um mínimo de R$ 699,00, como é o caso da YLAIL, de customização de joias. Mesmo assim, a aplicação de seu dinheiro precisa estar embasada em uma pesquisa de mercado e conhecimento do setor. Além disso, o cálculo de investimento de uma franquia não se resume à sua taxa – existe ainda o capital para instalação e capital de giro. Mas lembre-se: Não é porque você paga um valor mais baixo pela sua unidade que o seu trabalho também será menor. Ser franqueado significa gerir um negócio já consolidado, mas que exige qualidade na entrega e conhecimento dos manuais de ação das marcas.

Quanto a regiões onde elas funcionam, São José do Rio Preto é um nascedouro de redes de franquias, conta o cofundador do Open Franchise e da empresa Reset, Pedro Mello.

Ele acrescenta que a maioria desses estabelecimentos chegam pelo viés da oportunidade em si ao pequeno empreendedor, e não como novos negócios em busca de expansão na hora de distribuir o produto ou serviço. E completa: ‘São Paulo continua sendo a cidade com mais redes afiliadas, seguida por Rio de Janeiro, interior de São Paulo e municípios de Minas Gerais. Porém, de uns cinco anos para cá, multas redes estão nascendo no Nordeste, especialmente em cidades como Recife e Salvador. Existem ainda alguns números a respeito de fechamento das unidades criadas, mas elas não incluem repasse de franquias, apenas o encerramento de um contrato. Mesmo assim, o número é abaixo de dois dígitos, segundo Mello.

De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o desempenho das atividades no primeiro trimestre deste ano foi de 5,1% no Brasil, o que significa um faturamento de R$38.762 bilhões. No ano passado inteiro, o faturamento cresceu 8% em relação a 2016. Neste momento, são registradas 147.657 franquias abertas em todo o País.

A Mary Help é uma dessas franquias, que criou um conceito de profissionais diaristas e mensalistas agendadas para serviços relacionados a locais e pessoas, como explica o fundador e CEO da marca, José Roberto Campanelli. “Devido ao sucesso obtido pela Mary Help com sua proposta inédita no mercado brasileiro, a partir da PEC das domésticas de maio de 2013. surgiram outras redes de franquia que copiaram o modelo, sendo que algumas tiveram sucesso e outras não. Mesmo assim, o mercado é muito grande e certamente há lugar para todos”, ressalta o CEO, que possui 72 unidades em 14 estados, fazendo com que seu crescimento oscile entre 20% e 40% por ano.

Por serem negócios já testados tanto do ponto de vista comercial como financeiro, a taxa de mortalidade é bastante baixa – apenas 15% em sete anos de existência.

MAS NEM TUDO QUE RELUZ É OURO!

Em um contexto geral, o fechamento de lojas franqueadas pode se dar por questões internas, como deficiências do franqueador ou franqueador ou externas, incluindo a crise econômica com retração do mercado. O modelo tradicional é um modelo antigo, ultrapassado, cansado. Foi criado no pós Segunda Guerra Mundial para dar escala para os negócios, baseado em estruturas centralizadoras, altamente hierárquicas e focadas no controle dos franqueados, que devem ser condicionados a receber ordens e obedecê-las, diz Pedro Mello.

Esse modelo, na sua opinião, é lento para reagir a mudanças, torna a franqueadora um gargalo para a rede e tem uma estrutura operacional custosa, que diminui a competitividade da rede. “Quando passamos a implementar estruturas mais horizontais do Open Franchising, também adotamos a descentralização, a colaboração, a transparência a autonomia e o equilíbrio das relações. Esse novo mindset começo a transformar radicalmente a maneira como os empresários gerem suas redes, bem como a satisfação dos franqueados e a situação financeira das redes como um todo”, sugere. O modelo horizontal consiste em uma liderança coletiva ao invés da impositiva.

ESTÁ EM ALTA

Além de serviços, outro ramo de boas oportunidades é o da alimentação saudável. Larissa Souza é fundadora da Snack Saudável, rede delivery, e possui 42 contratos fechados com 24 unidades já em operação em todas as regiões do Brasil, incluindo Brasília, Rondônia, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

O cofundador do Open Franchise lembra que, historicamente, o setor de alimentação sempre foi carro-chefe de marcas franqueadoras; seguido por idiomas e educação. Um ponto importante para faze, dar certo é estar estruturado antes de abrir sua rede de franquias. “Para uma empresa que quer expandir seu negócio, no entanto, a resposta dependerá do setor onde o empreendimento atua, da importância de controlar o seu know-how, do capital disponível para promover o crescimento do seu negócio e outros. A expansão via franchising poderá ser uma boa alternativa para quem tem domínio do conhecimento em uma determinada área, um negócio rentável e uma marca forte e tradicional, mas com pouco capital próprio para promover o crescimento da empresa e se expandir nacionalmente ou internacionalmente. Para uma pessoa física que procura abrir um negócio, ingressar em uma rede de franquias pode ser uma alternativa mais cômoda, rápida e segura de investir seu capital, acrescenta José Roberto Campanelli.

EXPANSÃO: VALE A PENA?

Primeiro, é importante escolher um segmento que faça sentido dentro do seu conhecimento de mercado. Além disso, organize-se economicamente analise os diferentes cenários e seus riscos. “A vantagem da franquia é ter um modelo de negócio pronto e que já foi testado, ou seja, a probabilidade de errar é menor”, ressalta Larissa. Ela diz ainda que não saber o que busca é um tiro no pé, já que não existe mágica para fazer dar certo, mas sim um bom planejamento.

O dono de uma franquia tem a possibilidade de acesso a know-how de maneira rápida, sem os esforços de desenvolvimento de um novo negócio, uma vez que se associa a algo que já existe e está consolidado. A desvantagem, caso o dono da marca não opte por um trabalho horizontal, está em ter que se sujeitar a padrões já definidos. “Basicamente, se você tem medo de investir as economias em um novo projeto e não quer se arriscar a grandes riscos, gosta de seguir padrões pré-estabelecidos ou prefere um negócio que garanta estabilidade, a melhor saída é adotar o modelo de franquias. Se possui perfil de liderança e prefere delegar tarefas, sente-se confortável em resolver crises, busca sempre tendências e não tem problemas em investir grande parte do dinheiro em algo, o ideal é que inicie sua própria marca”, aconselha o sócio de Auditoria e Transações da Grant Thornton, Marcello Palamartchuk.

Para quem tem sua própria empresa, a franquia será sempre uma chance de expandir o negócio utilizando capital de terceiros. Além disso, por não existir vínculo trabalhista com o franqueado, o administrativo pode ser mais enxuto. Por outro lado, expandir seu negócio no formato matriz/ filiais exige uma estrutura mais complexa.

PORMENORES

Os cuidados ficam em tomar conta de não perder qualidade na prestação de serviços, já que as gestões serão realizadas por outros empreendedores. “Entre os pontos de atenção estão expectativas erradas, como achar que vai vender mil lanches em um mês, zelar pela qualidade e segurança do alimento e saber que o diferencial está na assistência para que haja a fidelização”, completa Larissa, falando especificamente para quem atua no setor alimentício.

Além de seguir com a parte burocrática e com a legislação que regula o setor de franquias, o potencial franqueador deve mapear as operações, como o controle de estoque e os métodos de produção. É necessário selecionar fornecedores, definir como será a seleção dos franqueados, montar uma área de suporte para esses parceiros e confeccionar o manual. Outro passo fundamental é calcular as taxas de franquia, royalties e propaganda. “Precisa aprender a trabalhar com pessoas que podem não ter conhecimento de gestão e também precisa ter entendimento de como funciona uma operação conjunta e a parametrização de processos”, completa Palamartchuk.

Ele também ressalta a importância de analisar a concorrência e verificar modelos similares, além da pesquisa de mercado inerente a qualquer novo empreendimento e informações do segmento em que deseja estar. Gerar diferenciais competitivos é importante na hora de fazer certo e, no caso de rede de franquias, saber lidar com a logística de estar representado em diferentes lugares é essencial ao bom andamento.

NÃO ATIRE NO PRÓPRIO PÉ

Mas não basta ter apenas know-how. Abrir um negócio, franqueá-lo e administra-lo sem estrutura vai fazer com que você se enforque aos poucos. Há muitas redes de franquia que se apresentam ao mercado com uma proposta que se viabiliza apenas por um curto período de tempo – são modismos que não têm perenidade, sendo que quem investe espera, em tese e com poucas exceções, poder explorar por muitos anos o negócio onde investiram seu capital. A maioria dos contratos de franquia tem duração de cinco anos renováveis por vários períodos iguais. “Adquirir uma franquia também poderá ser prejudicial para o investidor que não tiver capacidade de seguir regras e de ver seus ímpetos criativos podados pela franqueadora lembra José Roberto Campanelli da Mary Help.

De acordo com a pesquisa da ABF, os segmentos que mais apresentaram variações de crescimento nos três primeiros meses de 2018 foram Hotelaria e Turismo, com o faturamento maior em 14.9%. além de Serviços e Outros Negócios, que aumentaram m 9,3%, com resultado impulsionado, principalmente por franquias de Logística, Entretenimento e Lazer ficou em terceiro lugar no desempenho, cm um aumento de 7,8%.

Os segmentos de Alimentação e Limpeza e Conservação também oferecem boas oportunidades para quem quiser ser franqueado. Ambos tiveram crescimento de 6,6%, assim como no ano passado. Apesar de o aumento não apresentar grandes mudanças de um ano para o outro existe um tipo de estabilidade no crescimento de alcance desses setores, uma vez que o ritmo é constante, principalmente pelo hábito de comer fora de casa.

Além de pontos de venda tradicionais, como lojas físicas e quiosques, uma tendência que se observa é o aumento de atendimentos residenciais e a condomínios comerciais. Esse tipo de localização somou 5% em 2018, tendo sido 3% no ano anterior, enquanto lojas e shoppings tiveram queda. Caso você esteja em dúvida se vale a pena investir, o SEBRAE conta que o setor de franquias não para de crescer, independentemente da crise, e a taxa de mortalidade gira em torno de 5% nos dois primeiros anos. Achou alta? Pois saiba que outros modelos de negócios possuem uma taxa de até 30 %.

Apesar de tudo apontar para os aspectos positivos de comprar uma franquia ou criar franquias do seu negócio, cuidado com o excesso de otimismo sem estudo de como o segmento no qual está inserido tem se comportado nesse mercado. Dê um passo por vez e todos com base em números e pesquisas de público-alvo. “Um dos grandes erros é o impulso na contratação da franquia, principalmente sem entender que o retorno do investimento pode demorar até mais que o previsto e que, muitas vezes, não é possível o franqueado fazer retiradas do fluxo da franquia para despesas próprias, sendo que o mais comum é acontecer o contrário – investimento de mais recursos para capital de giro do negócio”, conta o sócio de Auditoria e Transações  da Grant Thornton.

Por outro lado, com tudo preparado e em conformidade, a ABF tem boas notícias para você. A instituição projeta que o crescimento em relação a franquias deve ser entre 7% e 8%, no quesito faturamento, incluindo crescimento de 3% no número de unidades e 3% em volume de empregos diretos. Além disso, o número de redes franqueadas deve se manter estável. “Vamos acompanhar de perto o desenvolvimento dos indicadores macroeconômicos e no campo político, cuja melhora pode abrir caminho para um desenvolvimento mais vigoroso da franchising nacional nos próximos trimestres”, conclui o presidente da ABF, Altino Castofoletti Júnior, no site oficial da pesquisa.

 Dentro ou fora do padrão.2

TOME NOTA:

Franqueador: pessoa jurídica detentora dos direitos da marca ou patente.

Franqueado: pessoa física ou jurídica que adere à rede de franquias, mediante pagamento pela cessão do direito de uso da marca e transferência de know-how.

Royalty: remuneração periódica paga pelo franqueado ao franqueador. Geralmente, é um percentual sobre o faturamento bruto.

Taxa de franquia (franchise fee ou taxa inicial): valor único estipulado pelo franqueador para que o franqueado possa aderir ao sistema, pago no momento de assinar o contrato.

Fundo de propaganda (ou fundo de promoção): montante referente às taxas de publicidade pagas pelos franqueados e pelas unidades próprias dos franqueadores, para ações de marketing que beneficiem toda a rede.

Conselho de franqueados: serve para consultas e é constituído pela franqueadora e por um grupo de franqueados.

Circular de Oferta de Franquia: documento que, segundo a legislação brasileira, deve ser entregue pelo franqueador ao candidato a franqueado até dez dias antes da assinatura do pré-contrato, contrato ou pagamento de qualquer valor. Deve conter as informações sobre a franquia, a rede e tudo o que será exigido antes e após a assinatura do contrato

Fonte: SEBRAE – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.

Dentro ou fora do padrão.3 

O QUE PRECISO PERGUNTAR ANTES DE COMPRAR UMA FRANQUIA?

  • Quanto custa? Além da taxa de franquia, existem outros custos previstos
  • Eu vou lucrar? Fluxo de caixa é a primeira planilha de um novo negócio.
  • O que diz o contrato? Observe direitos, deveres, tempo da franquia e normas de renovação.
  • Quanto tempo demora para meu investimento retornar? O segmento desta empresa faz sentido para mim? Tenha conhecimento da área que escolheu.
  • Como a empresa me ajuda? Observe quais as condições de suporte, treinamento e marketing.
  • Como é feito o treinamento? Onde devo localizar minha franquia? Concorrência, transporte próximo e outros fatores podem ajudar ou derrubar um negócio.
  • E os outros franqueados? Observe as taxas de adesão e possíveis reclamações de outros franqueados da mesma empresa em que está interessado.
  • O negócio já está consolidado? Empresas que já nascem com franquias tendem a não estar estruturadas o suficiente.

VANTAGENS E DESVANTAGENS

VANTAGENS:

  • Menor tempo de abertura do negócio.
  • Conceito do negócio já es
  • Assistência na busca de um local ideal.
  • O poder de venda de uma marca conhecida.
  • Custos mais baixos através de compras em grupo.
  • Utilização de um modelo de negócio estabelecido.
  • Campanhas publicitárias nacionais e regionais.
  • Geração de leads de clientes através de sites e centros de atendimento centralizados.
  • Uma rede de pares (colegas franqueados) para fornecer aconselhamento.

DESVANTAGENS:

  • Falta de independência de tudo, desde os bens e serviços que vendem à cor da pintura em suas paredes.
  • Promoções obrigatórias em toda a empresa que podem não funcionar em seu mercado (cortes de preços, novos produtos ou serviços).
  • Dependência do franqueador, que define estratégias do negócio.
  • Modo de gestão.

 

Fonte: MARCELO PALAMARTCHUK, Sócio de Auditoria e Transações da Grant Thornton.

 

FAÇA DAR CERTO EM DEZ PASSOS!

1. Tenha uma marca própria e registrada, uma proposta clara de negócios comercialmente viável e com sucesso naquilo que faz, entendendo-se por sucesso o retorno financeiro sobre o investimento.

2. Tenha uma unidade do seu negócio com histórico saudável de faturamento e margens de lucro durante pelo menos 24 meses.

3. Abra a segunda unidade e continue a mostrar bons resultados por pelo menos 12 meses.

4. Agora sim! Comece a pensar em novas franquias.

5. Tenha capital para sobreviver do negócio sem precisar contar com taxas de franquia para se sustentar.

6. A abertura de unidades franqueadas vai requerer a formatação do negócio ao modelo da franchising, em consonância com a lei 8-955, com uma COF (circular de ofertas).

7. Faça um plano de negócios (ou DRE – demonstrativo de resultados financeiros) para mostrar a rentabilidade do negócio e a expectativa de retorno do capital que o franqueado vai investir.

8. Realize um Contrato de Franquias claro onde conste os direitos e as responsabilidades das partes (franqueadora e franqueado) e manuais de treinamento na operação do negócio.

9. Selecione bem franqueados, pessoas que têm afinidade e perfil adequado ao negócio,

10. Treine bem seus franqueados, dando assistência permanente para que estes consigam reproduzir o sucesso da unidade piloto.

ERROS MAIS COMUNS

  • Quando a pessoa não pesquisa direto o franqueador, não liga para os franqueados e ex­ franqueados para validar se o negócio realmente é bom.
  • Quando a franquia é comprada para dar para familiares, como filhos e
  • Quando a franquia é escolhida apenas pelo retorno sobre o capital e lucratividade do negócio.
  • Não escolher bem seus franqueados.
  • Não ter estrutura para comportar o aumento da rede e perder o controle do negócio.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 11: 17-32 – PARTE I

Alimento diário

Cristo em Betânia

Tendo sido decidida a questão, de que Cristo iria à Judéia, e seus discípulos com Ele, eles começam sua jornada. Nela, aconteceram algumas circunstâncias que são registradas pelos outros evangelistas, como a cura do cego em Jericó e a conversão de Zaqueu. Nós não devemos imaginar que estamos fora do nosso curso, enquanto estivermos no caminho de fazer o bem, nem pretender um bom trabalho a ponto de negligenciar outro. Por fim, Ele se aproximou de Betânia, que, segundo está escrito, “distava de Jerusalém quase quinze estádios”, aproximadamente três quilômetros, v. 18. Ê chamada atenção para o fato de que este milagre foi, na verdade, realizado em Jerusalém, e, desta maneira, foi a ela computado. Os milagres de Cristo na Galileia foram mais numerosos, mas aqueles em Jerusalém, ou perto de lá, foram mais ilustres. Ali Ele curou uma pessoa que tinha estado doente por trinta e oito anos, outra que era cega de nascença, e ressuscitou uma outra que estava morta já há quatro dias. Cristo foi a Betânia, e observe:

I – De que maneira Ele encontrou seus amigos. Quando Ele tinha estado com eles pela última vez, é provável que os tivesse deixado bem, com saúde e alegres. Mas quando nos separamos dos nossos amigos, nós não sabemos (embora Cristo soubesse) quais mudanças podem nos afetar, ou a eles, antes que voltemos a nos encontraram.

1. Ele encontrou seu amigo Lázaro na sepultura, v. 17. Quando se aproximava da cidade, provavelmente próximo do cemitério, que pertencia à cidade, Ele soube, pelos vizinhos ou algumas pessoas que encontrou, que Lázaro já estava enterrado havia quatro dias. Alguns pensam que Lázaro morreu no mesmo dia em que o mensageiro trouxe a Jesus as notícias da sua enfermidade, computando, desta maneira, dois dias para a permanência de Jesus no mesmo lugar, e dois dias para sua viagem. Eu prefiro pensar que Lázaro morreu no mesmo instante em que Jesus disse: “Nosso amigo dorme”, ele acaba de adormecer”, e que o período de tempo entre sua morte e seu sepultamento (que, entre os judeus, era curto), mais os quatro dias da sua permanência na sepultura, tenha sido o tempo desta viagem. Pois Cristo viajou abertamente, como evidencia sua passagem por Jericó, e sua permanência na casa de Zaqueu, que consumiram algum tempo. As salvações prometidas, embora sempre venham com toda a certeza, muitas vezes vêm lentamente.

2. Ele encontrou entristecidas as amigas que haviam sobrevivido. Marta e Maria estavam praticamente consumidas pela tristeza pela morte do seu irmão, o que fica evidente, quando lemos que muitos dos judeus tinham ido consolar a Marta e a Maria. Observe:

(1) Normalmente, onde há morte, há pranteadores, especialmente quando são levados aqueles que eram agradáveis e afáveis nos seus relacionamentos, e úteis à sua geração. A casa onde há morte é chamada de casa de luto, Eclesiastes 7.2. Quando o homem se vai à sua eterna casa, os pranteadores andarão rodeando pela praça (Eclesiastes 12.5), ou talvez preferirão ficar sozinhos em silêncio. Aqui era a casa de Marta, uma casa onde se temia a Deus, e onde havia sua bênção, mas, ainda assim, era uma casa de luto. A graça manterá a tristeza afastada do coração (cap. 14.1), mas não da casa.

(2) Onde há pranteadores, deve haver consoladores. Temos um dever para com aqueles que pranteiam, o de prantear com eles e consolá-los, e o fato de que pranteamos com eles lhes trará algum consolo. Quando estamos sujeitos às impressões imediatas de tristeza, estamos sujeitos a esquecer-nos daquelas coisas que deveriam nos ministrar consolo, e por isto temos necessidade de quem nos lembre delas. Ê uma graça ter quem nos recorde, quando estamos submersos em tristezas, e é nosso dever recordar àqueles que estão tristes. Os doutores judeus colocavam grande ênfase nisto, obrigando seus discípulos a terem consciência de consolar os enlutados depois do sepultamento do morto. Aqui os pranteadores consolavam Marta e Maria acerca do seu irmão, isto é, falando com elas sobre ele, não somente sobre o bom nome que ele havia deixado, mas sobre a feliz condição para a qual ele tinha passado. Quando nossos parentes e amigos crentes são tirados do nosso convívio, entristecemos nos e afligimos nos por nós mesmos, pensando que fomos deixados para trás, e sentimos a falta deles. Porém, nestas situações, temos motivos para nos consolar por aqueles que partiram, antes de nós, a um local de eterna felicidade, onde não precisam de nós. Esta visita que os judeus fizeram a Marta e Maria é uma evidência de que elas eram pessoas distintas e de boa reputação, e também de que elas se comportavam de maneira gentil com todos, de modo que, embora fossem seguidoras de Cristo, mesmo aqueles que não dedicavam respeito a Ele eram gentis com elas. Havia também uma providência no fato de que tantos judeus, homens e mulheres, provavelmente, estivessem reunidos, justamente nesta ocasião, para consolar as enlutadas, para que todos pudessem ser testemunhas irrepreensíveis do milagre, e ver como seus consolos eram miseráveis, em comparação com os de Cristo. Cristo não pedia, normalmente, testemunhas para seus milagres, e nenhum deles as teve, exceto em se tratando da presença ocasional de parentes e amigos. Mas este seria uma exceção. Desta maneira, o conselho de Deus ordenou as coisas para que estas pessoas se reunissem acidentalmente, para darem testem unho deste milagre, para que a infidelidade fosse silenciada.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

VOCÊ SABE SE DIVERTIR?

Somos tachados como membros de uma sociedade do prazer. Contudo, se analisarmos bem, ainda temos muito a aprender sobre essa temática.

Você sabe se divertir

Responda-me sincera e rapidamente: tirando a televisão, o que você costuma fazer para se divertir? Engasgou? Se engasgou ou demorou para responder, isso já é um dado importante a ser considerado.

Analisando o comportamento de consumo, muitas vezes classificamos a sociedade atual como uma sociedade de prazeres. Contudo, considero um tremendo contrassenso que nessa mesma sociedade a esmagadora maioria das pessoas se limite a ver televisão para se divertir, um quadro que tende a se agravar em função do aumento da idade dos envolvidos. Parece haver uma espécie de preguiça crônica que impede as pessoas de investirem (tempo, dinheiro, energia) na sua própria diversão. É sempre mais prático se jogar no sofá e ficar passivamente assistindo a programas de qualidade duvidosa ou filmes cujo final se revela nos cinco primeiros minutos de exibição.

Acho graça quando, em uma roda de conversa, alguém me fala alguma coisa sobre uma novela. Inicialmente é sempre constrangedor dizer que não assisto a novelas (aparentemente se trata de um comportamento pedante – ou mentiroso – de minha parte, na visão da maioria). A parte engraçada é quando a pessoa que puxou o assunto diz: “Eu também não gosto de novela. Só estou assistindo essa”. ”Mas se você não gosta, por que, raios, assiste?” – penso, resignada, cá com meus botões que, com a maturidade, têm se tornado cada vez mais meus grandes aliados. O fato é que embora haja aqueles que gostam da novela, muitos a assistem sem gostar, simplesmente porque lhes é cômodo.

É por isso que estou certa que enquanto membros de uma sociedade do prazer, temos ainda muito a aprender sobre o tema.

Dia desses recebi um texto sensacional, atribuído a uma arquiteta chamada Mônica Moro Harguer. O texto, sem rodeios, trazia seu título ou imperativo: “Vá aos encontros felizes”. Isso já me cativou. Ao longo do texto e de forma clara e simples, a autora nos conduzia a uma reflexão importantíssima que gostaria de aqui compartilhar. Dizia ela:

“Vá aos encontros felizes”, eu sempre penso. Pode ser complicado, difícil, caro. Pode ser uma viagem longa (ou até pode ser ali do lado, mas bate aquela vontade de sofá). “Vá!” Tem festa de 80 anos da tia? “Vá!” Aniversário do filho dos amigos? “Vá!” Encontro de 20 anos da sua formatura? “Vá!” Amigo secreto das amigas de infância, casamento do primo, show da sua banda preferida? “Vá!” Pega o carro, o ônibus, o avião, pega carona! Fica no hotel, na tia, agora tem Air-bnb! Parcela a passagem, combina com a sócia uns dias de folga, dá um jeito! Sabe por quê? Porque nos encontros tristes você irá. Quando alguém morre todos vão. Por protocolo, por obrigação ou por amor (e dor). As pessoas vão, se esforçam. Pedem folga no trabalho, deixam as crianças com a avó, levam as crianças, cancelam a reunião, transferem as entregas. E lodos se reúnem e se abraçam e choram juntos. E é bonito isso. E é bom que seja assim. Mas é bom que seja assim também, e principalmente, nos momentos felizes.

A autora tem razão. E ao seu argumento eu incluiria o fato de que, quando perdemos as pessoas, pior desafio que a vida nos apresenta, nosso principal consolo costuma ser o conjunto de momentos felizes que nos permitimos viver ao seu lado. A morte já é triste o suficiente. Não precisamos acrescentar o arrependimento a ela. Porque a pior dor não é a de nos depararmos com o final da vida. É descobrirmos, perplexos diante do irremediável, que jamais a vivemos realmente.

 

LILIAN GRAZIANO – é psicóloga e doutora em Psicologia pela USP, com curso de extensão em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. É professora universitária e diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, onde oferece atendimento clínico, consultoria empresarial e cursos na área.

graziano@psicologiapositiva.combr

OUTROS OLHARES

AS ENGRENAGENS DO ESTADO

 Exibido pela primeira vez na 23ª edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, em abril deste ano, Auto de Resistência continua a fazer carreira nos cinemas do país ao mesmo tempo que chega às plataformas de streaming. É um caso clássico de filme-denúncia, jogando luzes sobre o elevado número de homicídios praticados pela polícia contra civis no Rio de Janeiro.

As engrenagens do estado

O título se refere às situações em que essas mortes são justificadas pelos policiais como ação em legítima defesa. Não é, contudo, o que transparece nos casos reconstituídos e nos julgamentos acompanhados pela equipe de Natasha Neri e Lula Carvalho, que assinam a direção do filme. As versões conflitantes de policiais e de testemunhas, bem como provas documentais, apontando um outro cenário.

Auto de resistência apresenta mães que lutam para provar a inocência de seus filhos e mostra debates entre os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito formada, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, para apurar o alto índice de mortes praticadas por policiais. “Registramos processos sociais complexos que revelam as engrenagens do Estado em ação”, dizem os diretores. “O veredito final está nas mãos da sociedade.”

 As engrenagens do estado.2

GESTÃO E CARREIRA

VICIADO EM TRABALHO

Cuidado! Trabalhar em excesso, além comprometer a qualidade da sua entrega, pode estressar sua mente e adoecer seu corpo.

Viciado em trabalho

Trabalhar em excesso, mesmo quando não há necessidade, tem um nome e pode ser até um vício. O Workaholismo caracteriza-se pelo ato de não conseguir se desligar do ambiente corporativo, mesmo quando se está em casa ou em um momento de relaxamento.

Se você pensa em trabalho 24 horas por dia, ainda que isso possa trazer sofrimento, então pode se considerar um workaholic. “Hoje são constantes os casos de workaholics, e isso é percebido a partir do momento em que a pessoa não consegue se desligar do trabalho, deixando de lado sua convivência social, seja com familiares ou amigos. Assim a pessoa toma-se um trabalhador viciado e compulsivo. Mesmo fora do ambiente de trabalho, ele cria um ambiente recheado de temas sobre seus negócios, não há situação que o faça se desligar”, explica o especialista em recursos humanos e diretor executivo da Bazz Consultoria, Celso Bazzola.

Segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Coaching (SBC), estima-se que problemas de saúde relacionados ao vício em trabalho tragam custos de aproximadamente $150 bilhões de dólares aos Estados Unidos. No Japão, o cenário é ainda mais alarmante: dois mil trabalhadores morrem, anualmente como consequência de jornadas de trabalho excessivas, tornando-se estatística do fenômeno conhecido como karoshi (morte por excesso de trabalho). Vale lembrar o caso do estagiário que, por trabalhar 72 horas seguidas em um dos maiores bancos da Inglaterra, acabou morrendo de exaustão. Ele tinha apenas 21 anos.

CARACTERÍSTICAS DO WORKAHOLIC

Existe uma diferença importante entre quem trabalha em excesso por causa da demanda do trabalho e quem age dessa maneira simplesmente porque não consegue pensar em outro assunto. Para o workaholic, férias ou feriados não são motivos para descansar ou relaxar.

O chamado de worklover sabe que trabalhar demais pode até trazer consequências à sua saúde e vida pessoal, mas ele prefere continuar assim. Neste caso específico, trabalhar a mais não funciona como um vício, e sim estilo de vida.

Já o Workaholic pode ser considerado um viciado. Seu cérebro precisa do trabalho, assim como quem fuma sente dificuldade em se livrar da nicotina. O problema é que muitas vezes quem é viciado em trabalho nem se dá conta disso. O profissional pode achar que é seu dever se esforçar mais, sua mente não para.

Os workaholic costumam trabalhar mais de 12 horas por dia no escritório e ficam sempre de olho no celular. Também checam as mensagens a cada hora para ver se existe alguma pendência no trabalho. Mesmo que estejam em férias no Caribe, a preocupação está na empresa.

PERIGO À SAÚDE

Se o seu pensamento está sempre no escritório, e-mails ou smartphone, talvez seja hora de repensar suas atitudes. Estudos realizados por médicos da área de psiquiatria constataram que quem é viciado em trabalho costuma apresentar alguns sintomas em comum, como baixa autoestima, ansiedade, perfeccionismo, impaciência e competitividade exacerbada. Além disso, realizam várias atividades simultâneas, mesmo quando não são solicitadas, e são pouco resilientes. A frustração é constante.

O resultado de tantos sentimentos negativos vem em forma de estresse mental e físico, além do desenvolvimento de problemas de saúde, como doenças cardíacas, vasculares, intestinais e inflamatórias. A pessoa pode se tornar depressiva e mesmo assim não perceber que algo está errado. “A pessoa tende a adoecer mais porque o sistema imunológico está comprometido. Há casos de pessoas que saíram de férias, descansaram e estavam bem, mas, ao voltar ao trabalho, apresentaram os sintomas novamente, ressalta a psicóloga e autora do livro Burnout ­ Quando o trabalho ameaça o bem­ estar do trabalhador, publicado pela Casa do Psicólogo, Ana Maria Teresa Benevides Pereira.

SÍNDROME DE BURNOUT

Os workaholics têm chance de desenvolver também a Síndrome de Burnout, que provoca sintomas como fadiga, cansaço constante, distúrbios do sono, dores musculares e de cabeça, irritabilidade, alterações de humor e de memória, dificuldade de concentração, falta de apetite, depressão e perda de iniciativa.

Para quem tem dúvida se está passando por isso, o ideal é procurar um especialista, como psicólogo, psiquiatra ou clínico geral. O médico vai avaliar se é o ambiente de trabalho que está causando o estresse ou o comportamento da pessoa.

Caso a síndrome seja detectada, o especialista indicará o tratamento mais apropriado, que   envolve terapia, mudanças de comportamento ou até anti- depressivos. Mas cada caso é um caso.

 PROBLEMAS PARA A EMPRESA

A mente de um workaholic pode levá-lo a acreditar que se dedicar ao trabalho, além de ser um ponto positivo para sua carreira, pode ser bom para a empresa. Mas, a realidade pode não ser essa. “Acredito que para a empresa a situação traz mais desvantagens do que vantagens. Inicialmente pode ser interessante, pois a velocidade dos resultados é satisfatória, porém há um desgaste emocional natural do profissional pois ele estará isolado e resistente ao trabalho, bloqueando sua sociabilização, o que poderá resultar em sérios transtornos futuros para sua vida”, defende Bazzola.

O excesso de trabalho, depois de certo tempo, além de trazer todos os problemas de saúde já citados, ainda pode causar bloqueios de criatividade e produção. A pessoa dedica todas as horas do seu dia, mas, de fato, pouco ou nada produz.

APRENDA A SE DESLIGAR

Para deixar de ser um workaholic- enquanto ainda há tempo, é importante procurar ajuda médica. Como nem sempre a própria pessoa consegue entender ou perceber que tem um problema, amigos, familiares ou profissionais habilitados da empresa podem incentivar o viciado em trabalho a se cuidar.

Como o mercado de trabalho anda cada vez mais competitivo, é comum que o workaholic tenha resistência a aceitar que precisa desacelerar. Além de diminuir a jornada de trabalho, é necessário aprender a aproveitar as folgas e não se sentir culpado por simplesmente não fazer nada relacionado ao trabalho nos momentos livres.

Com a mente descansada, é possível produzir mais, em menos tempo e oferecendo resultados mais positivos e com qualidade à empresa. Além de tudo, o descanso é necessário para evitar a fadiga e problemas de saúde. “Não há pecado em trabalhar esporadicamente além de sua carga diária, desde que essa ação seja meramente por necessidade de urgência e de impacto específico. Isso, para o mercado de trabalho, acaba sendo um diferencial, mas o profissional e a área de Recursos Humanos devem identificar quando há exageros em uma rotina normal de trabalho. A partir do momento em que a carga horária começa a extrapolar constantemente, é momento de refletir. O trabalho é saudável enquanto não aprisiona a pessoa na necessidade constante de falar e agir no trabalho”, finaliza Bazzola.

 5 PRINCIPAIS DÚVIDAS SOBRE O WORKAHOLIC

1. CARACTERÍSTICAS

São pessoas que constantemente trabalham mais de 12 horas por dia no escritório e ainda levam serviço para casa, ficam sempre de olho no celular e checam as mensagens a cada hora para ver se existe alguma pendência no trabalho.

2. EU SOU?

Sintomas desse distúrbio de comportamento incluem autoestima exagerada, insônia, mau humor, impotência sexual, atitudes agressivas em situação de pressão e, muitas vezes, depressão.

3. PROBLEMAS RELACIONADOS

A situação pode ser tão grave que estudos recentes de casos clínicos em consultórios psicológicos e psiquiátricos apontam que o vício em trabalho é similar à adição ao álcool ou à cocaína, tornando o trabalho, nesses casos, uma obsessão doentia

4. É PRECISO SABER VIVER!

O caminho para combater esse problema é assegurar o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional, tentar valorizar melhor os momentos de lazer e perceber que o descanso é fundamental para a melhoria de rendimento e para a busca de novas ideias que podem potencializar os resultados no trabalho.

5. WORKAHOLIC X WORKLOVER

importante sabermos diferenciar o amor ao trabalho do vício. Um worklover tem noção de que o excesso se refletira em conflitos nos relacionamentos pessoais, além de proporcionar efeitos nocivos à saúde e ao bem-estar. Existem profissionais que buscam entregar resultados, e isso é positivo. É importante ter em mente que o fato de ser um Workaholic não significa que o profissional seja mais produtivo. Muitas vezes, vemos pessoas que não costumam ter organização no seu dia a dia e acabam trabalhando mais tempo para entregar o mesmo resultado.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 11: 1-16 – PARTE II

Alimento diário

A morte de Lázaro

 

IV – A conversa que Ele teve com seus discípulos quando estava prestes a ir visitar seus amigos em Betânia, vv. 7-16. A conversa é tão descontraída e familiar, que nos permite compreender o que Cristo disse: “Tenho-vos chamado amigos”. Ele fala sobre duas coisas: sobre os perigos que Ele corria e sobre a morte de Lázaro.

1. Os perigos que Ele corria ao ir para a Judéia, vv. 7-10.

(1) Aqui está o aviso que Cristo deu aos seus discípulos sobre seu propósito de ir à Judéia, em direção a Jerusalém. Seus discípulos eram os homens do seu conselho, e a eles Ele disse (v. 7): “‘Vamos outra vez para a Judéia’, embora os habitantes da Judeia não mereçam um favor como este”. Assim, Cristo repete as ofertas da sua misericórdia àqueles que sempre as rejeitavam. Isto pode ser considerado:

[1] Como um objetivo da sua bondade aos seus amigos em Betânia, cujo sofrimento, e todas as circunstâncias que o agravavam, Ele conhecia muito bem, embora não lhe tivesse vindo nenhuma outra mensagem, pois Ele estava presente no espírito, embora ausente no corpo. Quando Ele soube que os sofrimentos tinham chegado ao extremo, quando o irmão e as irmãs tinham dado e recebido o último adeus, “agora”, disse Ele, “vamos outra vez para a Judéia”. Cristo se manifestará para favorecer seu povo quando for chegada a hora, sim, a hora indicada, para favorecê-lo. E a hora mais difícil é normalmente a hora indicada, quando nossa esperança está perdida e nós estamos despedaçados. “Sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir as vossas sepulturas”, Ezequiel 37.11,13. Nas profundezas da aflição, deixemos que estas preciosas palavras nos mantenham afastados das profundezas do desespero. O ponto extremo do homem é a oportunidade de Deus, Jehovah-jireh. Ou:

[2] Como uma prova para a coragem dos discípulos, se eles se aventurariam a segui-lo até lá. Eles haviam sido, recentemente, atemorizados por um atentado contra a vida do seu Mestre, o que eles consideraram como um atentado também contra suas próprias vidas. Ir para a Judéia, que recentemente tinha sido tão perigosa para eles, era uma expressão que os colocava à prova. Mas Cristo não disse: “Vão vocês para a Judéia, e Eu vou ficar e me abrigar aqui”. Não, Ele disse: “Vamos”. Observe que Cristo nunca conduz seu povo a nenhum perigo, mas o acompanha nele, e está com ele quando ele caminha pelo vale da sombra da morte.

(2) A objeção dos discípulos contra esta viagem (v. 8): “Rabi, ainda agora os judeus procuravam apedrejar-te, e tornas para lá?” Aqui:

[1] Eles o lembram do perigo que tinha passado ali há pouco tempo. Os discípulos de Cristo conseguem fazer dos sofrimentos um problema muito maior do que é para seu Mestre, e se lembrar das ofensas por mais tempo. Ele tinha suportado a ofensa, para Ele ela estava acabada e esquecida, mas seus discípulos não tinham podido esquecê-la. Ultimamente, agora, como se tivesse acontecido neste mesmo dia, “os judeus procuravam apedrejar-te”. Embora já tivessem se passado pelo menos dois meses, a lembrança do medo estava bastante vívida em suas mentes.

[2] Eles se admiram que Ele vá para lá de novo. “Você vai favorecer, com sua presença, aqueles que o expulsaram da sua região?” Os métodos de Cristo para ignorar ofensas estão acima dos nossos. “Você irá se expor em meio a um povo que está tão desesperadamente enfurecido contra você? Irá de novo para lá, quando ali foi tão maltratado?” Aqui eles mostravam grande preocupação com a segurança do seu Mestre, do mesmo modo que Pedro, quando disse: “Senhor, tem compaixão de ti”. Se Cristo estivesse disposto a evitar sofrimentos, Ele não precisaria de amigos que o persuadissem a fazê-lo, mas teria aberto sua boca para o Senhor, e Ele não desejou, Ele não poderia, retroceder. Mas enquanto os discípulos mostram uma preocupação pela segurança de Jesus, eles revelam, ao mesmo tempo, em primeiro lugar, uma falta de confiança no seu poder, como se Ele não pudesse proteger a si mesmo e a eles agora na Judéia tão bem como já tinha feito anteriormente. Teria seu poder diminuído? Quando nós cuidamos dos interesses da igreja e do reino de Cristo no mundo, nós devemos ficar satisfeitos com a sabedoria e o poder do Senhor Jesus, que sabe como proteger um rebanho de ovelhas em meio a um bando de lobos. Em segundo lugar, um temor secreto de que eles mesmos sofressem, pois eles podem contar com isto, se Ele sofrer. Nas ocasiões em que nossos interesses particulares coincidem com os públicos, nós somos capazes de julgar que zelamos pelo Senhor dos exércitos, quando, na verdade, estamos zelando somente pela nossa própria riqueza, credibilidade, comodidade e segurança, e buscando nossas próprias coisas, sob o pretexto de buscar as coisas de Cristo. Portanto, nós precisamos fazer uma distinção entre nossos princípios.

A resposta de Cristo a esta objeção (vv. 9,10):

“Não há doze horas no dia?” Os judeus dividiam o dia em doze horas, e, segundo alguns comentaristas, faziam suas horas mais longas ou mais curtas conforme eram os dias, de modo que uma hora, para eles, era equivalente a um doze avos do tempo entre sol e sol. Ou, estando muito mais ao sul do que nós, seus dias eram aproximadamente doze horas mais longos que os nossos. A Providência divina nos deu a luz do dia para trabalhar, e a estende durante um período adequado, e, ao longo do ano inteiro, cada país tem o mesmo período de luz de dia quanto de noite, e ainda mais, se computarmos os crepúsculos. A vida de um homem é um dia. Este dia é dividido em diversas idades, condições e oportunidades, como em horas mais curtas ou mais longas, como Deus indicou. Esta consideração nos deve fazer não somente muito ocupados quanto ao trabalho da vida (se houvesse doze horas no dia, cada uma delas deveria estar tomada por trabalho, e nenhuma delas, desperdiçada), mas também muito à vontade quanto aos perigos da vida. Nosso dia deve ser prolongado até que nosso trabalho esteja feito, e nosso testemunho, concluído. Isto Cristo aplica ao seu caso, e mostra por que Ele deve ir à Judéia, porque Ele tinha uma ordem clara de ir. Para explicar isto:

[1] Ele mostra o consolo e a satisfação que um homem tem, na sua propriamente, enquanto se mantém no caminho do seu dever, como é prescrito, de maneira geral, pela Palavra de Deus, e particularmente determinado pela providência de Deus: “Se alguém andar de dia, não tropeça”, isto é, se um homem se mantiver ao lado do seu dever, e se preocupar com ele, e colocar a vontade de Deus antes da sua, como regra, com um respeito imparcial a todos os mandamentos de Deus, ele não hesitará na sua própria mente, mas, andando corretamente, anda com segurança e com uma santa confiança. Como aquele que anda de dia não tropeça, mas prossegue firmemente e alegremente no seu caminho, porque vê a luz deste mundo, e, por ela, vê seu caminho à sua frente, assim um bom homem, sem nenhum outro tipo de segurança, nem objetivos sinistros, confia na Palavra de Deus como sua regra, e tem, como seu objetivo, que o Senhor Deus seja glorificado. Isto ocorre porque ele vê estas duas grandes luzes, e conserva seus olhos fixos nelas. Desta maneira, ele tem um guia fiel em todas as suas dúvidas, e um cuidado poderoso em todos os seus perigos, Gálatas 6.4; Salmos 119.6. Onde quer que Cristo fosse, Ele andava de dia, e também nós deveremos fazê-lo, se seguirmos seus passos.

[2] Ele mostra a dor e o perigo em que está um homem que não anda de acordo com esta regra (v. 10): “Se andar de noite, tropeça”, isto é, se um homem andar segundo seu coração e seguindo a visão dos seus olhos, e de acordo com o curso deste mundo, se consultar seus motivos carnais mais do que a vontade e a glória de Deus, cai em tentações e armadilhas, está sujeito a grandes desconfortos e temerosas apreensões, o sonido de uma folha movida o perseguirá, e ele fugirá sem ninguém o perseguir, enquanto um homem correto ri-se do brandir da lança, e não teme a invasão de dez mil. Veja Isaías 33.14-16. Ele tropeça, porque nele não há luz, pois a luz em nós é para nossas ações morais aquilo que a luz à nossa volta é para nossas ações naturais. Ele não tem um bom princípio. Ele não é sincero. Seu objetivo é mau. Assim, Cristo não somente justifica seu propósito de ir para a Judéia, como também incentiva seus discípulos a irem com Ele e não temerem nenhum mal.

2. A morte de Lázaro aqui é comentada entre Cristo e seus discípulos, vv. 11-16, onde temos:

(1) A notícia que Cristo dá aos seus discípulos da morte de Lázaro, e uma indicação de que seu trabalho na Judéia seria cuidar dele, v. 11. Depois de ter preparado seus discípulos para esta perigosa marcha adentro de uma região inimiga, Ele lhes dá:

[1] Pleno conhecimento da morte de Lázaro, embora Ele não tivesse recebido tal notícia: “Lázaro, o nosso amigo, dorme”. Veja aqui como Cristo se refere a um crente e à morte de um crente:

Em primeiro lugar, Ele se refere ao crente como seu amigo: “Lázaro, o nosso amigo”. Observe:

1. Existe um concerto de amizade entre Cristo e os crentes, uma afeição amistosa e uma comunhão que nosso Senhor Jesus irá reconhecer. Ele não se envergonhará deste lindo relacionamento. “Com os sinceros está o seu segredo”.

2. Aqueles a quem Cristo se alegra por reconhecer como seus amigos devem ser considerados como amigos por todos os discípulos. Cristo fala de Lázaro como um amigo comum a todos: “Nosso amigo”.

3. A morte, em si, não rompe o laço de amizade entre Cristo e um crente. Lázaro está morto, mas continua sendo “nosso amigo”.

Em segundo lugar, Ele se refere à morte de um crente como um sono: ele “dorme”. É bom chamar a morte com tais nomes e títulos, de modo a ajudar-nos a torná-la mais familiar e menos formidável para nós. A morte de Lázaro era, em um sentido peculiar, um sono, como aquele da filha de Jairo, porque ele seria ressuscitado rapidamente. E uma vez que nós temos a certeza de que vamos ressuscitar, no final, por que isto deveria fazer uma grande diferença? E por que a esperança desta ressurreição à vida eterna não deveria nos fazer deixar o corpo e morrer tão facilmente como quando despimos nossas roupas e vamos dormir? Um bom cristão, quando morre, apenas dorme: ele descansa dos trabalhos do dia terminado, e se revigora para a manhã seguinte. Na verdade, aqui a morte tem a vantagem do sono. O sono é apenas o parêntesis, mas a morte é o final das nossas preocupações e do nosso trabalho. A alma não dorme, mas fica mais ativa. Porém o corpo dorme, sem nenhuma agitação, sem nenhum tempo, sem perturbação ou distúrbios. O sepulcro do ímpio é uma prisão, e os lençóis do seu sepulcro são como as algemas de um criminoso destinado à execução, mas para o crente fiel é uma cama, e todas as suas faixas são como os suaves e felpudos laços de um sono tranquilo. Embora o corpo esteja corrompido, ele ressuscitará na manhã seguinte, como se nunca tivesse visto corrupção. Ele apenas despe nossas roupas para que sejam consertadas e adornadas para o dia das bodas, o dia da coroação, no qual devemos ressuscitar. Veja Isaías 57.2; 1 Tessalonicenses 4.14. Os gregos chamavam seus sepulcros de dormitórios.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A VERDADEIRA AUTOESTIMA

Desde cedo, as pessoas formam crenças sobre si baseadas nas experiências, assim sua conduta é moldada pelas respostas do ambiente em que vivem.

A verdadeira autoestima

O reconhecimento da importância da autoestima na formação da personalidade, do caráter e comportamento do ser humano impulsionou pesquisas sobre qual o melhor momento para começar a oferecer às crianças condições de desenvolverem plenamente esse ingrediente crucial para o bem-estar e a qualidade de vida.

Em alguns pontos, todos os estudiosos da área concordam: atenção dos pais ao desenvolvimento físico, mental e psicológico infantil, assim como o oferecimento de modelos claros e estáveis de identificação, ambiente familiar amoroso e equilibrado, estímulos cognitivos adequados na escola e participação social saudável etc., especialmente nos seis primeiros anos de vida, são determinantes para o incremento de uma boa autoestima.

A família constitui o primeiro local onde a criança compreende quem é, observa o que os outros fazem, pratica a todo instante seus novos aprendizados. A escola e o meio social também são importantes, mas o melhor alicerce da boa autoestima vem do contato, trocas afetivas e educação familiar.

A autoestima verdadeira nada tem de comportamento supérfluo, despretensioso ou de exibicionismo. Ao contrário, ela contempla uma crença positiva no próprio eu, junto à percepção da capacidade de realizar diversas coisas. Não é a criança para quem os pais vivem dando elogios sem fundamento, achando que a estão “colocando pra cima”, que desenvolverá uma autoestima verdadeira, mas sim terá esse sentimento aquela cujos pais estão atentos ao seu empenho, esforço, motivação e principalmente à sua crescente capacidade de vencer desafios e frustrações.

Resumindo, a criança com boa autoestima sente-se não apenas amada e valorizada, mas também capaz de realiza tarefas, de assumir gradativamente responsabilidades, de agir e reagir adequadamente, de lidar com os percalços da vida. Torna-se resiliente, aprende a superar frustrações e perdas, a optar, e ao mesmo tempo continua a perceber seu valor e sente-se merecedora de ser amada.

Desde cedo, as pessoas estão constantemente formando crenças sobre si próprias e tomando pequenas decisões, baseadas nas suas experiências de vida, incluindo nestas as circunstâncias que podem e não podem alterar ao seu prazer e os imputs positivos e negativos que recebem sobre seu comportamento, principalmente dos familiares. Assim, sua conduta vai sendo moldada pelas pequenas escolhas que fazem e pelas respostas de aprovação ou não. Se as elogiamos sem qualquer fundamento, elas se percebem como incapazes de terem atenção, orientação e confiança do adulto.

Existem influências de várias ordens que têm grande importância na autoestima em formação de uma criança. Não se deve, por exemplo, diminuir o impacto pessoal de sua história de vida, algo peculiar e marcante com que sempre terá que lidar, pois não é possível mudar. É o caso de um problema físico de nascença, uma adoção malsucedida, uma doença crônica, a perda de um dos pais etc.; muitas das escolhas que farão na sua vida com base nessas circunstâncias dificilmente podem ser modificadas por outras pessoas. Crianças têm seus próprios sentimentos e acabam formando opiniões pessoais sobre perdas desse porte, que são reveladas em geral pelo seu comportamento.

Entretanto, mais importante que tais influências e perdas é a orientação do valor e do sentido (positivo ou negativo) que darão às decisões que tomarem, e aí é que entra a importância da autoestima.

Sem dúvida, os exemplos (positivos e negativos) e interferências dos adultos são importantes. Como concreto sobre o ferro, formam a base de toda construção! Não bastam apenas diálogos, pois apesar das crianças compreenderem tudo que ouvem, elas também percebem que, muitas vezes, as estamos tentando encorajar e não sendo fiéis ao nosso próprio pensamento. Exemplo disso é quando a criança que comete muitos equívocos, ou tem dificuldades escolares, escuta da mãe frases como “isso não tem importância”, “eu era assim”, “gosto de você de qualquer jeito”… ela sente que a verdadeira mensagem é diferente, pois o meio lhe mostra isso e as palavras da  mãe ou do pai que devem ser coerentes, soam não como um incentivo sincero, mas como um prêmio de consolação para o eterno último colocado, aquele que erra sempre. O filho precisa saber que é amado e respeitado por seus familiares, que ele é único, importante, insubstituível, amado, que tem qualidades pessoais (importante valorizar as que realmente tem), é divertido, carinhoso, responsável etc.

É preciso dizer à criança o quanto suas qualidades e atitudes são valorizadas. Mostrar o quanto é capaz de fazer coisas legais, ser responsável, criativa, empenhada, elogiando um trabalho bem-feito (“Gostei! Bom trabalho, parabéns”), ou a forma como cuida dos parentes mais velhos (“Ficamos orgulhosos de como você ajudou seu avô), dar atenção ao que diz ou pergunta (“Boa pergunta! O que você disse é interessante”). Isso conduz ao desenvolvimento da autoestima, da segurança pessoal.

A autoestima baseia-se na capacidade de aceitar tanto nossos limites quanto nossas necessidades. Reconhecer nossos limites nos protege de auto­agressões, não nos expondo a situações que estão além de nossas condições, assim como reconhecer necessidades pessoais nos ajuda a identificar nossas prioridades e a viver melhor. Mas para que esse alicerce seja forte, a autoestima precisa ser construída sem fantasia e em cima das habilidades e atitudes reais das crianças. Elogios infundados não fortalecem a autoestima. Pelo contrário, a deixam frágil como uma criança que acredita ser incapaz de realizar qualquer coisa na vida.

 

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação EspeciaI e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07.) É autora de artigos e publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem. irenemaluf@uol.com.br

 

 

OUTROS OLHARES

UMA POTENCIA AGRÍCOLA ONDE FALTA COMIDA

A pobreza extrema cresce 128% em três anos e recoloca o País no Mapa da Fome das Nações Unidas. O que alimenta cerca de 11,7 milhões de brasileiros por dia é insuficiente para atender às necessidades básicas de nutrição e saúde.

Uma potencia agricola onde falta comida

Quando a Constituição de um país determina que não pode haver desigualdade e que nenhum cidadão deve levar uma vida indigna, é muito provável que já exista gente demais nessas condições. No Brasil de hoje, uma em cada vinte pessoas termina o dia sem ter conseguido comer o mínimo necessário. Vão dormir com fome e acordar sem qualquer esperança de uma refeição satisfatória. Esse cenário assustador devolve o Brasil ao Mapa da Fome, elaborado desde 1990 pela FAO, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. A entidade faz análises por países e regiões, propondo soluções ao problema da insegurança alimentar. Desde 2014, o Brasil estava fora desse mapa. A fome foi vencida com muito esforço, graças a uma combinação de programas sociais e de uma economia em forte expansão. O resultado permitiu que menos de 5% da população ficasse abaixo da linha da extrema miséria. Dados recentes divulgados pelas ONGs ActionAld Brasil e Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), a partir de índices do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), indicam que a fome voltou a crescer, atingindo 11,7 milhões de brasileiros, o que perfaz 5,6 % da população.

Para entender onde o Brasil fracassou após tantos avanços e o que deve ser feito daqui para frente é preciso colocar os olhos sobrea recessão econômica que se arrasta desde 2014 e os subsequentes cortes nos programas sociais do governo em decorrência da Emenda do Teto de Gastos, que congelou o orçamento público por 20 anos. Analistas das áreas de saúde pública e de assistência social alertam que só um grande conjunto de medidas integradoras pode amenizar o quadro até a economia recomeçar a andar direito. Mesmo depois da retomada, seria preciso continuar, já que a desigualdade não se resolveria sem políticas públicas consistentes e de longo prazo.

“Uma economia voltada para o rentismo não resolverá”, afirma a antropóloga Maria Emília Pacheco, integrante da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) e ex-presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Segundo dados do Governo Federal, o Bolsa Família beneficia hoje, 137 milhões de famílias em todos os municípios brasileiros. Mas, além do auxílio direto, que este ano foi reajustado acima da inflação acumulada de julho de 2016 a março de 2018, houve enfraquecimento de iniciativas como o Programa Merenda Escolar e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), voltados para pequenos produtores rurais de municípios do interior do Brasil. Os cortes afetam diretamente a renda dessas famílias.

O PAA encolheu de RS839 milhões em 2012 para RS 150 milhões em 20 17. Como resultado, sobra alimento que ninguém compra. Um efeito disso foi sentido durante a Greve dos Caminhoneiros, em maio, com a elevação de preços dos alimentos mesmo em municípios de produção agrícola voltada ao consumo direto. Além desses prejuízos, a preocupação de Maria Emília é que essa discussão não entrou de vez na agenda dos presidenciáveis.

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DESAMPARADOS

O perfil estatístico do pobre, de acordo com os dados do Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e da Síntese dos Indicadores Sociais (SIS 2017), ambos do IBGE, indica que dois tipos de brasileiros em idade ativa estão mais sujeitos à falta crônica de alimentos. A mais emblemática é a mulher preta ou parda, entre 30 e 40 anos, com alguns filhos, moradora da zona rural de um estado do Norte ou Nordeste e cujo marido foi procurar em prego em uma grande cidade, deixando-a desamparada.

O outro é o homem ou mulher, chefe de família residente em cidade grande que convive com a falta crônica de emprego. Estes, e principalmente seus filhos, são as grandes vítimas desse quadro.

Desde o a no passado a FAO lança alertas sobre a delicada situação brasileira. Se mantidos, os programas sociais poderiam praticamente erradicar a fome até 2030, conforme anunciou a organização em outubro. Essa é uma meta da ONU. No curto prazo, contudo, os resultados da crise no País são doença e morte. A Fundação Abrinq estimou que a desnutrição infantil crônica e severa deva atingir 17,6% das crianças brasileiras. Iniciativas solidárias têm sido empreendidas para impedir que o número cresça. Após uma década, a Campanha Natal sem Fome foi reativada pela ONG Ação da Cidadania para atender as novas levas de necessitados, arrecadando 900 toneladas de alimentos. A ONG foi criada em 1993, pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, para combater a fome e a miséria.

“Precisamos de ações agudas. Uma criança sem comida em poucos dias está em sérios riscos”, diz o epidemiologista e pesquisador da Fiocruz Maurício Barreto. Para ele, a solução está na volta da manutenção das redes de suporte social em conjunto com avanços na economia. A ausência de qualquer um desses componentes resultará em fracasso e contribuiria para tornar o problema cada vez maior. Transformar o mundo não é algo simplório. Mesmo uma recuperação econômica não resolveria, dado os fatores de desigualdade da sociedade brasileira. Sem contar que é um erro acreditar que proteção social é coisa de país pobre”, disse Barreto, citando os países ricos da Europa Ocidental.

 HISTÓRIA E LITERATURA

Ainda que o Brasil seja uma potência agrícola, com safras recordes ano a ano, a fome é uma velha conhecida da história e da literatura nacionais. A terra do “dar- se- à nela tudo”, citada numa carta de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel, de Portugal, logo no Descobrimento, era uma miragem. Por aqui, fome e a miséria geraram revoltas, como a de Canudos, relatada em “Os Sertões” (1902), de Euclides da Cunha, e êxodos coletivos e familiares, como os descritos em “O Quinze” (1930), de Rachel de Queiroz, e “Vidas Secas”(1938), de Graciliano Ramos. Duas grandes estiagens no Nordeste, entre 1877 e 1917, causaram 600 mil mortes e surgimento das primeiras grandes migrações internas. O assunto foi tratado com metodologia em “Geografia da Fome” (1946), do médico e dentista social Josué de Castro, que considerava o problema uma praga social criada pelo homem e “a mais trágica expressão do subdesenvolvimento”.

O diretor-geral da FAO José Graziano, ex-coordenador do Programa Fome Zero e ex-ministro extraordinário para o Combate à Fome, defende a adoção de um firme programa de segurança alimentar no Brasil como forma de minimizar um problema que pode ser considerado tanto crônico como estrutural. Ainda mais na nação que fez a revolução da agricultura tropical, capaz de permitir a adaptação de culturas e climas temperados ao calor do Cerrado e da Amazônia, e se tornou um dos maiores exportadores de commodities agrícolas. Com a expectativa de que os ganhos de produtividade façam com que até 2027 o País alcance safras de 300 milhões de toneladas de grãos, saber que quase 12 milhões passam fome enquanto cresce a obesidade infantil nas camadas média e alta da pirâmide social é de uma incongruência ilógica. Graziano escreveu um artigo publicado no jornal “Valor Econômico”, no qual afirma que os governos, principalmente da América Latina, não podem se dar ao luxo de esperar pelo próximo ciclo de expansão global para lidar adequadamente com a fome e a desnutrição. “Seria apenas uma agenda de boas intenções, não fosse esse também um teste de sobrevivência da democracia e das lideranças da região”.

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GESTÃO E CARREIRA

BURRICE EMOCIONAL

Burrice emocional

Fala-se muito em inteligência emocional, mas poucos discutem o seu 0posto; a burrice emocional. Li este termo em uma das colunas da escritora Martha Medeiros, o que me fez trazer a reflexão para o mundo corporativo.

A inteligência emocional já virou clichê nas empresas. Desde que Daniel Goleman lançou seu best-seller, o tema tornou-se recorrente nas empresas, nos meus treinamentos e nas aulas.

Como especialista em comportamento no trabalho, a inteligência emocional é sim uma característica importante a ser desenvolvida, afinal, interpretar os nossos sentimentos e os dos outros é uma habilidade muito valorizada. Ter a capacidade de sentir, de acreditar na intuição, de levar um pouquinho mais a sério o sofrimento que você às vezes não consegue explicar, mas que está ali com boas chances de ser verdadeiro.

Pouco ou nada se fala sobre a burrice emocional. Não me levem à mal pelo tema pejorativo, mas considero burro não aquele que não sabe (este seria o ignorante), mas os que têm consciência sobre o que querem de suas carreiras e mesmo assim continuam fazendo escolhas profissionais estapafúrdias, esperando que um milagre aconteça e os tirem daquela dura realidade no trabalho.

Essas pessoas passam o dia inteiro no trabalho reclamando da empresa e culpando-a por todos os seus problemas. Diz, em frases do tipo: “na minha empresa existem problemas que nenhuma outra tem. Você só vai acreditar se trabalhar aqui um dia. Por isso não consigo progredir nem realizar todo o meu potencial”.

Colocam toda a culpa no ambiente. Chega um dia em que mudam de empresa. Passam-se alguns meses de “lua-de-mel e vem a grande surpresa: a nova empresa tem os mesmos problemas da anterior. Alguns até piores.

Não adianta nada você mudar de ambiente e levar você com você. Os problemas tendem a se repetir. Mudanças apenas no ambiente podem ser respostas a problemas ocasionais, mas dificilmente atacam as causas. Por isso chamamos essas mudanças de remediativas. Elas apenas remedeiam o problema e dificilmente geram grandes mudanças.

Quero despertar em você a autorreflexão sobre como tem tratado sua vida pessoal e profissional.

Quando você vai desligar o piloto automático de sua vida, por meio do qual você não conduz, mas é conduzido por uma rotina sem sequer saber para qual direção?

O que precisa acontecer para que acorde e escolha fazer algo diferente por você?

O mundo já é cruel o suficiente para ainda procurarmos confusão e Chatice. Chega de burrice emocional. Tome uma atitude positiva hoje!

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 11: 1-16 – PARTE I

Alimento diário

A Morte de Lázaro

Nestes versículos, temos:

I – Uma apresentação detalhada das principais pessoas envolvidas nesta história, vv. 1,2.

1. Viviam em Betânia, uma aldeia não muito distante de Jerusalém, onde Cristo normalmente se hospedava quando vinha para as festas. Aqui, ela é chamada de “aldeia de Maria e de sua irmã Marta”, isto é, a aldeia onde elas moravam, da mesma maneira como Betsaida é chamada de “cidade de André e de Pedro”, cap. 1.44. Eu não vejo motivo para pensar, como pensam alguns, que Marta e Maria fossem donas da aldeia, e os demais habitantes fossem seus arrendatários.

2. Aqui havia um irmão chamado Lázaro. Seu nome em hebraico provavelmente seria Eleazar, que, contraído e recebendo uma terminação grega, tornou-se Lázaro. Talvez antecipando esta história, nosso Salvador tivesse feito uso do nome de Lázaro naquela parábola em que desejava apresentar a bem-aventurança do justo no seio de Abraão, imediatamente depois da sua morte, Lucas 16.22.

3. Aqui havia duas irmãs, Marta e Maria, que parecem ser as donas da casa, e que cuidam dos assuntos da família, ao passo que, talvez, Lázaro vivesse uma vida retirada e se dedicasse ao estudo e à contemplação. Era uma família respeitável, feliz e bem organizada, e uma família com a qual Cristo tinha muita comunhão. Parece que nem Lázaro nem suas irmãs eram casados, e que a casa era mantida pelos três, que ali residiam unidos.

4. Uma das irmãs é descrita de maneira particular como sendo aquela Maria que ungiu o Senhor com unguento, v. 2. Alguns pensam que ela era aquela mulher sobre a qual lemos em Lucas 7.37,38, que tinha sido pecadora, uma mulher que tinha problemas em sua vida moral. Eu prefiro pensar que isto se refere àquela unção de Cristo que este evangelista narra (cap. 12.3), pois os evangelistas nunca se referem uns aos outros, mas João frequentemente faz referência a uma ou outra passagem do seu Evangelho. Atos extraordinários de piedade e devoção, que nascem de um princípio honesto de amor por Cristo, não somente encontrarão aceitação por parte dele, como também conquistarão uma elevada reputação na igreja, Mateus 26.13. Esta Maria era aquela cujo irmão Lázaro estava doente, e as enfermidades daqueles a quem amamos são motivos de aflição para nós. Quanto mais ami­ gos tivermos, mais frequentemente nos afligiremos devido à amizade de que desfrutamos, e quanto mais queridos forem, mais dolorosa será nossa aflição. A multiplicação dos nossos consolos é apenas a multiplicação das nossas cruzes e preocupações.

II – As notícias que foram enviadas ao nosso Senhor Jesus sobre a doença de Lázaro, v. 3. Suas irmãs sabiam onde Jesus estava, muito além do rio Jordão, e enviaram um mensageiro especial até Ele, para dar-lhe a conhecer a aflição da sua família, em que manifestam:

1. A aflição e a preocupação que tinham por seu irmão.

Embora, provavelmente, a propriedade dele passasse para elas depois da sua morte, ainda assim elas desejavam ardentemente sua vida, como deviam fazer. Elas mostravam seu amor por ele, agora que estava doente, pois é em meio às adversidades que nascem os irmãos e irmãs. Nós devemos chorar com nossos amigos, quando eles choram, e também devemos nos alegrar com eles, quando se alegram.

2. A consideração que tinham pelo Senhor Jesus, a quem desejavam colocar a par de todas as suas preocupações, e, como Jefté, expressar diante dele todas as suas palavras. Embora Deus conheça todas as nossas necessidades, tristezas e preocupações, Ele deseja conhecê-las a partir de nós, e sente-se honra ­ do quando as depositamos diante dele. A mensagem que elas enviaram foi muito curta, não requerendo, muito menos aconselhando ou pressionando, mas simplesmente relatando o caso com a gentil insinuação de uma súplica poderosa: “Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas”. Elas não dizem: Aquele que nós amamos, mas: ”Aquele que tu amas”. Nossos maiores incentivos na oração são produzidos pelo próprio Deus e pela sua graça. Elas não dizem: Senhor eis que está enfermo aquele que te ama, mas: ”Aquele que tu amas”, pois o amor está, não no fato de que nós amamos a Deus, mas no fato de que Ele nos amou. Nosso amor por Ele não é digno sequer de ser descrito, mas o dele por nós nunca será suficientemente mencionado. Observe:

(1) Há alguns dos amigos e seguidores do Senhor Jesus pelos quais Ele tem um carinho maior. Entre os doze, havia um a quem Jesus amava.

(2) Não é novidade que aqueles a quem Cristo ama fiquem doentes: tudo sucede igualmente a todos. As per turbações físicas corrigem a corrupção, e põem à prova as graças, do povo de Deus.

(3) É um grande consolo, quando estamos doentes, ter junto a nós aqueles que estão dispostos a orar por nós.

(4) Teremos grande estímulo nas nossas orações por aqueles que es­ tão enfermos se tivermos razão para ter esperança de que eles sejam como aqueles a quem Cristo ama, e temos razão para amar e orar por aqueles dos quais temos razão para pensar que Cristo ama e cuida.

III – Um relato de como Cristo recebeu as notícias trazidas a Ele sobre a enfermidade do seu amigo.

1. Ele prognosticou o acontecimento e o resultado da enfermidade, e provavelmente enviou como uma mensagem às irmãs de Lázaro, pelo mensageiro, para apoiá-las, enquanto tardava em ir vê-las. O Senhor prognostica duas coisas:

(1) “Esta enfermidade não é para morte”. Era mortal, certamente fatal, e sem dúvida Lázaro esteve verdadeiramente morto durante quatro dias. Mas:

[1] Esta não era a missão para a qual esta enfermidade tinha sido enviada. Ela não veio como um caso comum, como um chamado para a sepultura, mas havia nela uma intenção adicional. Se ela tivesse sido enviada com esta missão, o fato de Lázaro ressuscitar teria impedido seu cumprimento.

[2] Este não era o resultado final desta enfermidade. Ele morreu, mas poderíamos dizer que ele não morreu, pois não se pode considerar algo como um feito, se este não for algo que possa ser perpetuado. A morte é uma despedida permanente deste mundo, é o caminho do qual nós não retornamos, e, neste sentido, não era para morte. O sepulcro era sua morada por muito tempo, sua casa na eternidade. Assim, Cristo disse a respeito da jovem cuja vida Ele se propôs a restaurar: “Não está morta”. A doença das pessoas boas, por mais ameaçadora que seja, não é para morte, pois não é para a morte eterna. A morte do corpo para este mundo é o nascimento da alma para o outro mundo. Quando nós, ou nossos amigos, estamos doentes, nosso principal apoio é que exista uma esperança de recuperação, mas nisto nós podemos ficar desaponta­ dos. Por isto, é prudente que nos apoiemos naquilo com que jamais nos desapontaremos. Se pertencerem a Cristo, mesmo que venha o pior, eles não poderão sofrer a segunda morte, e nem sofrer algum dano na primeira.

(2) “Mas é para glória de Deus”, para que possa haver uma oportunidade para a manifestação do glorioso poder de Deus. Os sofrimentos dos santos são designa­ dos para a glória de Deus, para que Ele possa ter oportunidade de mostrar-lhes favor, pois as graças mais doces, e as mais eficientes, são aquelas provocadas pelas tribulações. Isto deve nos reconciliar com as mais obscuras dispensações da Providência. Elas são todas para a glória de Deus, seja esta enfermidade, esta perda, ou este desapontamento, e se Deus for glorificado, nós de­ veremos nos sentir satisfeitos, Levítico 10.3. Era para a glória de Deus, pois era para que o Filho de Deus fosse glorificado através da oportunidade de realizar este milagre glorioso, a ressurreição de Lázaro. Assim como, anteriormente, o homem tinha nascido cego para que Cristo pudesse ter a honra de curá-lo (cap. 9.3), também Lázaro deveria ficar doente e morrer para que Cristo pudesse ser glorificado como o Senhor da vida. Isto deve confortar aqueles a quem Cristo ama em todos os seus sofrimentos, o fato de que o desígnio de todos eles é que o Filho de Deus possa ser glorificado. E sua sabedoria, seu poder e sua bondade é que sustentam e aliviam seus servos. Veja 2 Coríntios 12.9,10.

2. Jesus adiou a visita ao seu paciente, vv. 5,6. Marta e Maria tinham suplicado: “Senhor, está enfermo aquele que tu amas”, e a súplica é permitida (v. 5): Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. Desta maneira, as declarações de fé são ratificadas no tribunal do céu. Poderíamos pensar que a seguir viria algo como: Quando Ele soube que Lázaro estava enfermo, Ele foi até ele o mais rapidamente que pôde. Se Ele os amava, agora era o momento de mostrar isto, correndo para junto deles, pois Ele sabia que estariam esperando-o impacientemente. Mas Ele tomou o caminho contrá1io para mostrar seu amor. Não está escrito: Ele os amava, mas ainda assim tardou em ir, mas: Ele os amava, e por isto tardou em ir. Quando soube que seu amigo estava doente, em vez de correr para junto dele, Jesus ficou ainda dois dias no lugar onde estava.

(1) Ele as amava, isto é, tinha grande consideração por Marta e Maria, pela sua sabedoria e graça, pela sua fé e paciência, acima de outros discípulos seus, e por isto Ele adiou sua ida para junto delas, para que pudesse testá-las, para que sua provação pudesse, no final, revelar-se em louvor e honra.

(2) Ele as amava, isto é, Ele desejava fazer alguma coisa grandiosa e extraordinária por elas, realizar, para seu alívio, um milagre tal como nunca tinha realizado para nenhum dos seus amigos. Ele tardou em ir até elas, para que Lázaro pudesse estar morto e sepultado antes da sua chegada. Se Cristo tivesse ido imediatamente, e curado a enfermidade de Lázaro, Ele não teria feito nada além do que fez por muitos. Se Ele o tivesse ressuscitado, pouco tempo depois de morto, não teria feito nada além do que fez por alguns. Mas, atrasando tanto seu alívio, Ele teve uma oportunidade de fazer por ele mais do que por qual­ quer outra pessoa. Observe que Deus tem intenções graciosas, mesmo em aparentes demoras, Isaías 54.7,8; 49.14ss. Os amigos de Cristo em Betânia não estavam fora dos pensamentos dele, no entanto, quando ouviu sobre suas dificuldades, Ele não se apressou em ir até eles. Quando a obra de libertação, temporal ou espiritual, pública ou pessoal, está em espera, ela apenas espera a hora certa, e tudo é bonito na hora certa.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O CRESCENTE NÚMERO DE SUICÍDIO ENTRE ADOLESCENTES

Num dos períodos mais delicados da vida, a adolescência, em certas horas o jovem se comporta como criança, em outras adota uma postura mais madura, o que acarreta grande confusão mental.

O crescente núero de suicídios entre adolescentes

A adolescência é uma etapa da vida bem delicada e conturbada, pois compreende o momento em que estamos deixando a fase da infância para adentrar na fase adulta. Um momento no qual não nos reconhecemos mais como crianças, mas ainda não pertencemos, de fato, ao universo dos adultos. Momento confuso, quando ora nos comportamos como crianças e ora tentamos nos diferenciar delas, buscando um comportamento distinto, porém nem sempre mais maduro.

E como se não bastasse toda essa confusão acerca de sua identidade pessoal, ainda precisam lidar com a confusão que os circundantes também atravessam e impõem a eles. Por vezes, seus pais lhes fazem cobranças pesadas como se já fossem adultos. E paradoxalmente, os regulam, vigiam e tolhem, fazendo cobranças e tratando-os como se ainda fossem crianças. As informações que recebem do meio são ambíguas e os confundem ainda mais. Falas do tipo: “você não acha que está muito velho para isso?” seguidas de: “você não acha que ainda não tem idade suficiente para isso?” fazem com que essa confusão se agrave mais.

Como compreender e lidar com esse limite subjetivo e tênue nessa fase de transição entre a infância e a vida adulta? Roupas de criança x roupas de adulto, programas de criança x programas de adulto, comportamentos, gostos… quando chega a hora de mudar? E qual a medida para essa mudança?

Por conta da dificuldade em saber essas respostas, vemos jovens tentando acelerar o processo e se esforçando para deixar hábitos e prazeres ainda presentes para trás. Essa pressão pode vir deles mesmos ou do mundo que os cerca – familiares, sociedade, amigos etc. Tentando se enquadrar no modelo desejado ou esperado, o mais novo adolescente do pedaço pode se submeter a manter secretos certos gostos ou padrões da infância, evitando ser cobrado ou criticado pelos demais. E pode até se sentir mal caso a cobrança por essas mudanças seja também uma cobrança interna.

Tudo isso vem aliado a uma série de mudanças corporais. Os hormônios estão a todo vapor, causando instabilidade emocional e uma supervalorização dos eventos vivenciados com a presença de sentimentos e reações exacerbados em muitas vezes, desproporcionais ao momento. Tudo fica exagerado e mais dramático. E as emoções mudam da alegria à tristeza em questão de segundos, já que a instabilidade emocional se encontra extremada. As emoções oscilam e os comportamentos impulsivos aparecem, sem que os adultos possam compreender o que está se passando com os jovens.

A voz e o corpo se modificam drasticamente, causando desde incertezas, timidez e insegurança até baixa estima e isolamento social. Novos pelos, crescimento dos seios, início da menstruação, voz mais grave nos meninos, aumento da estatura, do peso corporal e do tamanho dos pés – tudo isso notado e apontado pelos que com eles convivem e demandando adaptação para todos.

Perdem roupas e sapatos em questão de meses e esbarram em tudo pelo caminho. Se machucam e machucam os demais por não terem, ainda, a noção de seu tamanho e força atuais. Muita coisa necessita ser reajustada e reaprendida ali. Essa fase demanda, ainda, que o adolescente construa a sua individualidade, e para isso precisará passar pelo processo de desidentificação (separação) de seus pais e da identificação com o grupo de amigos e adoção de ídolos ou modelos, para irem criando sua identidade pessoal. Para se diferenciar de seus pais, muitos adolescentes acabam se afastando demais do seu núcleo familiar, já que passam a recriminar e negar muita coisa que vem deles. Os amigos ganham força e se apoiam entre si. E é no grupo de amigos que o adolescente passa a se identificar, adotando por vezes características desse grupo que ainda não combinam com seu perfil, mas poderão ser deixadas de lado mais tarde, com a conclusão desse processo.

Nesse momento em que o adolescente, tentando se diferenciar de seus pais, se mistura e se torna parte do seu grupo, a dor do amigo passa a ser dele também. Momento em que os grupos ganham força, unidos por seus gostos, afinidades e ideais e quando um sente junto com o outro. A causa de um se torna a causa de todos. A dor, as alegrias, as “certezas” infundadas e os medos também.

Na adolescência, a dependência financeira é percebida pelos jovens como a limitadora da tão almejada autonomia. Mas o que eles não percebem é que a dependência deles nessa fase da vida não é, somente, a financeira, como eles imaginam. Permanecem dependendo de afeto e cuidado de sua família muito mais do que muitos pensam. E a conquista da autonomia e independência tão sonhadas está recheada de medos e inseguranças e, por isso, deve ser feita gradativamente, com suporte e supervisão, até que eles tenham competência e capacidade de dar conta dessa grande e dura responsabilidade do universo adulto.

Por essas e outras razões percebemos muitos adolescentes apresentando uma angústia excessivamente contida, que pode ser drenada se dirigida para algo fora dele, através de uma conversa, um esporte, hobby, terapia ou atividade de seu interesse. Mas pode ser perigosamente dirigida para os circundantes ou para ele mesmo, por meio de comportamentos autodestrutivos como automutilações, vícios ou extremo isolamento social, acarretando, em alguns casos, distúrbios psicológicos, como depressão ou transtornos de ansiedade, por exemplo.

DIFICULDADE DOS PAIS

Os pais dos adolescentes também podem se encontrar muito perdidos e vacilantes no que tange às necessidades e cuidados demandados pelos adolescentes, atualmente. Com a era virtual e a modificação da estrutura familiar da época antiga para os dias de hoje, vemos pais sem saber qual o limite de seu filho, que deve ser respeitado, e até onde eles devem acessar, participar e exigir.

Vemos nos consultórios a dificuldade dos pais em saber se devem respeitar “a privacidade” de seu filho e abrir mão de saber e acompanhar o conteúdo aces­ sado por eles na internet, as companhias que eles têm na escola ou nas saídas de lazer, os papos que mantêm nas mídias sociais etc. Outros questionam se o filho pode exigir que não entrem em seu quarto, que não os cobrem sobre a sujeira e bagunça que eles mantêm em seus quartos e/ou em diversos locais da casa etc.

E, muitas vezes, na tentativa de preservar a privacidade que julgam que o jovem deve ter, ou na tentativa de fazer diferente do que viveram em sua juventude, alguns pais acabam se perdendo nesse momento de seus filhos. Deixando que um espaço vazio de isolamento, estranheza e desamparo se crie entre eles com o apelo de “respeito a privacidade do filho”.

E com esses equívocos sobre o que seria mais adequado e eficaz no que tange à educação dos filhos, surge mais uma preocupação a ser evitada pelos pais, que é a falta de limites. Vemos filhos que não cumprem com seus deveres de estudante e filho não respeitando os pais e exigindo direitos que não deveriam receber – dinheiro e permissão para sair, caronas para as baladas, roupas novas, melhorias em seus quartos; tudo isso exigido sem que eles, ao menos, frequentem as aulas e obtenham o aproveitamento escolar mínimo exigido na escola.

A falta de limites para esses jovens acaba tendo uma consequência danosa e desastrosa. Os jovens, além de não se sentirem privilegiados e superamados por esses pais que dão o que não deviam, ainda se sentem carentes e abandonados por eles. Pais que não se poupam em dar os recursos financeiros que julgam fundamentais para a satisfação e felicidade dos filhos, mas parecem não se importar se eles estão se destruindo ou sabotando nos estudos, com amizades e condutas destrutivas, como consumo de drogas ou bebidas, por exemplo. Pais que não punem os filhos, numa tentativa de serem amados ou evitarem as reações fortes dos filhos1 sempre que não são atendidos em seus caprichos e vontades.

E os jovens passam, numa atitude rebelde e raivosa a se destruírem cada vez mais, numa tentativa de chamar atenção ou punir o descaso de seus pais. Mas nesse jogo, os maiores punidos continuam sendo eles mesmos.

A escolha, mesmo que inconsciente, por essa rotina de vida já acaba sendo uma espécie de suicídio indireto, já que esses jovens passam a não se cuidar e a se colocarem em situações de risco, numa tentativa de acabar ou pelo menos anestesiar, esquecendo por alguns momentos que seja a sua dor.

 SUICÍDIO

O suicídio (do latim suicaedere – a morte do próprio) resulta de uma complexa interação entre fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociológicos, culturais e ambientais.

De fato, sabe-se hoje que as tentativas de suicídio são os mais importantes preditores do suicídio consumado, o que nos obriga, enquanto técnicos de saúde mental, pais e outros agentes sociais a uma reflexão sobre o seu significado.

O crescente índice de suicídios de jovens e adolescentes: hoje, acompanhamos as notícias, cada vez mais frequentes, de suicídio de jovens em toda parte do mundo. Amigos, familiares e conhecidos são surpreendidos com a notícia e levam um bom tempo tentando compreender os motivos que os levaram a tomar uma atitude extrema e irremediável como essa.

Segundo matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo em abril deste ano, sabemos que nos últimos cinco anos a incidência entre jovens de 12 a 25 anos teve um salto de quase 40%. Nas outras faixas etárias, o índice caiu. No Brasil, o suicídio é a quarta maior causa de morte entre homens e mulheres de 15 a 29 anos. Tristeza, isolamento e irritabilidade podem ser sinais para que os pais percebam se há algo errado. Os jovens são mais suscetíveis tanto por aspectos biológicos quanto pelos novos desafios impostos nessa fase da vida.

Resta-nos buscar algumas informações para alertar jovens e familiares acerca do que torna esse momento delicado na vida de nossos jovens algo tão insuportável e degradante.

Dentre os inúmeros fatores motivadores do suicídio de jovens de que temos conhecimento hoje, convém apontar alguns:

DIFICULDADE DE LIDAR COM AS MUDANÇAS (corporais, emocionais, de seu papel social, demanda do mundo etc.).

Aqui podemos incluir todas as pressões geradas pelas mudanças que ocorrem no corpo e na vida da criança ao chegar na adolescência. Além da enxurrada de emoções fortes, oscilantes e antagônicas durante dia e noite com que eles têm que se adaptar, tem a mudança corporal, que para alguns deles traz sentimentos confusos e situações constrangedoras.

A tentativa de se enquadrar num novo papel perante sua família e sociedade e satisfazer as demandas internas e do mundo acarreta também uma forte pressão sobre o adolescente, que tem necessidades emocionais de afeto e proteção, mas age, muitas vezes, numa postura que julga ser adulta, mas os distancia, deixando-os vulneráveis e estressados.

A pressão pela escolha de carreira e pelo bom desempenho escolar a fim de conseguirem aprovação no vestibular é outro ponto massacrante para muitos jovens. Até então, eles eram tratados como crianças que recebiam tudo praticamente pronto de seus pais, inclusive segurança, afeto e proteção. E, de repente, passam a ter que dar algo em troca, espera-se deles responsabilidade, administração do seu tempo de estudo e entrega das tarefas requisitadas a eles, um maior envolvimento nos problemas familiares etc., sem que eles tenham sido preparados e acompanhados para isso.

Com tudo isso, a pressão e o medo do fracasso e das escolhas erradas passam a atormentar jovens secretamente e, por vezes, de forma inconsciente, em que o mal-estar é sentido e eles nem sabem, devido a tantas mudanças, o motivo.

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ISOLAMENTO E SOLIDÃO: Falta de contenção, suporte e acolhimento familiar e, por vezes, social. Isso tudo reforçado por uma postura crítica e evitativa da família, que deveria ser nessa fase esteio, suporte ou exemplo.

Com a separação de sua família na busca de sua identidade pessoal, o jovem se insere em grupos ou adota novos modelos e ídolos e acaba criando um abismo entre ele e seus familiares. E isso torna essa fase mais difícil ainda de ser atravessada.

Pela falta de maturidade e postura vitimizada que, normalmente, adotam nessa fase, os jovens se reúnem em bandos e tendem a desqualificar suas famílias e tudo que vêm delas num momento em que mais precisam de apoio, orientação e afeto.

Os pais, na tentativa de acertarem e sem saber o caminho correto e adequado, também acabam deixando que o isolamento ocorra, e colocam na conta da adolescência as dificuldades que vão surgindo na relação e no comportamento mais introvertido, reativo ou mudo do filho. Muitos pais sofrem e se afastam pela incapacidade de lidar com a dor e revolta de seu filho nessa fase. E ao invés de se aproximarem para ajudar e sanar, se afastam e se “distraem”; elegendo as preocupações práticas do dia a dia que eles, pelo menos, ainda sabem como lidar.

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PROBLEMAS FAMILIARES E/OU INTERPESSOAIS (baixa estima, bullying): Com esse afastamento do seu núcleo familiar, percebemos o jovem enfrentando com bastante frequência problemas com relação a sua autoimagem.

Diante de todas aquelas mudanças corporais e com a necessidade de ser incluído no grupo e receber aprovação dos meios e dos pares, notamos os jovens sofrendo por uma insatisfação consigo mesmo, normalmente envolvendo uma supervalorização dos atributos físicos e a ausência de consciência acerca de seus valores pessoais e pontos fortes.

Vemos jovens ignorantes acerca do que seria, de fato, um valor positivo pessoal. Atributos físicos são usados como forma de medida nessa escala de valor; enquanto que caráter, honestidade, generosidade ou amizade não são notados ou considerados por eles.

E com isso vemos jovens sofrendo por uma crença na sua falsa incompetência relacional, baseada nessa necessidade de possuir os atributos físicos, para que consiga pertencer ao grupo dos populares mesmo que esse grupo não combine com ele no que diz respeito a valores, gostos ou formas de pensar e agir no mundo.

E nessa tentativa árdua de fazer parte e receber valor do grupo ao qual pertencem, vemos jovens sofrendo com o bullying da dor causada pela exclusão e rejeição de colegas e pares. Os populares, dotados dos atributos físicos requisitados, aliados à capacidade de liderar e se impor no grupo, se empoderam e passam a submeter, rejeitar e humilhar os que não se enquadram no perfil exigido para fazer parte daquele bando.

E os excluídos se isolam mais ainda do mundo, e introjetam indevidamente a leitura cruel e estigmatizada que fizeram dele como que um rótulo que o define e descreve.

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DIFICULDADE DE LIDAR COM FRUSTRAÇÕES E SENTIMENTO DE RAIVA E INSATISFAÇÃO (término de relacionamento, perda de pessoas queridas – luto -, perda de emprego ou algo que julguem importante).

Essa dificuldade, encontrada com frequência nos jovens da atualidade, se deve ao fato de os pais tentarem arduamente, desde a infância, suprir todas as necessidades e demandas de seus filhos. Na tentativa de serem os melhores pais e não deixar faltar aos filhos o que faltou a eles, vemos pais suprindo as necessidades antes mesmo que seus filhos criem a demanda. Vemos pais se esforçando em atender desejos e caprichos de seus filhos mesmo quando eles não estão merecendo. E vemos as crianças sendo muito pouco frustradas, recebendo o tão importante não raramente e, com isso, não aprendem a lidar com a frustração de uma negativa.

Tudo isso, feito com tanto esforço e com a melhor das intenções, acarreta num jovem que não aprende a lidar com as frustrações tão comuns e inevitáveis na vida adulta. Jovens que não sabem lidar com a raiva de forma saudável, para que consigam expressá-la de maneira adequada e dar vazão a ela.

E diante das negativas da vida, um objetivo não alcançado ou o término de um relacionamento, vemos os jovens sofrendo de ira por não terem conseguido ou de tristeza e sensação de que não há saída. E tudo isso os leva a um desânimo e desistência da vida, provocados pela crença equivocada de que não conseguirão reverter o quadro.

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PRESENÇA DE PSICOPATOLOGIA (depressão e demais transtornos da personalidade, dependência de álcool/drogas etc.), doença física (como perturbações neurológicas, cancro e infecção pelo HIV, por exemplo) ou dor crônica.

Outra causa frequente dos casos de suicídio, atualmente, é a presença de distúrbios psicológicos que, muitas vezes, nem são reconhecidos pelas famílias. Com diversos rótulos usados pelo senso comum, como ranzinza, estourado, mimado, mal-humorado, grosso, birrento, bicho do mato, tímido, desanimado, preguiçoso etc., vemos casos de psicopatologias sendo ignorantemente desqualificados e ganhando uma roupagem popular, quando precisariam ser acompanhados, de perto, por profissionais qualificados.

A depressão é uma das psicopatologias mais frequentes dentre os jovens propensos ao suicídio e, normalmente, está associada pela maior parte da população a quadros de tristeza, prostração e falta de sentido na vida. Mas o que muitos não sabem é que a rebeldia, irritação e comportamentos de enfrentamento e autodestruição também são indicativos de casos de depressão.

Além do componente genético da depressão, notamos que diante de grandes e/ou duradouras frustrações sofridas na vida, indivíduos tendem a desenvolver esse tipo de quadro, demonstrando, ao invés, ou associado à comum tristeza, grande carga de contrariedade, raiva e insatisfação.

Cargas essas dirigidas ao mundo ou a si mesmos. Na impossibilidade de alcançar ou obter o que desejam, os deprimidos podem assumir uma postura bélica – de embate – e começam uma queda de braço com a vida, em que o maior perdedor são eles próprios. Perdem, uma vez que se negam a ter prazer de alguma outra forma que não seja a que viria de seu objeto de desejo inalcançado.

Outro componente presente nessa fase turbulenta da vida é o uso de substâncias psicotrópicas, que entram como uma maneira de lidar com as dificuldades enfrentadas na adolescência. Seja uma tentativa para aplacar a timidez, seja para esquecer as causas de contrariedade e frustração ou para tentar ter um momento de alegria e descontração, esse tipo de saída acaba deixando suas presas ainda mais culpadas, estigmatizadas e insatisfeitas. E, além de não representarem uma solução, algumas vezes ainda complicam mais o quadro de dor do jovem.

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PREVENÇÃO

A prevenção do suicídio é muitas vezes possível, sobretudo se tivermos um olhar atento sobre a sucessão tipificada de momentos que o precedem. São eles: a ideação suicida (as ideias de suicídio que passam pela cabeça através de pensamentos ou cenas que lhes sugerem isso, podendo ser verbalizadas ou não), comportamentos de risco (vícios, esportes radicais ou atividades que apresentem risco de vida) e as tentativas de suicídio.

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PSICOPATOLOGIAS

Estima-se que 90% dos sujeitos que cometeram suicídio tinham alguma forma de psicopatologia, sendo que cerca de 60% estariam deprimidos quando se suicidaram. Os comportamentos suicidas são sempre um meio de comunicação com o meio e, muitas vezes, numa lógica de “último recurso percebido”, demonstram aos demais a presença de um enorme sofrimento e desespero interior daquele jovem.

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ÍNDICES DE SUICÍDIO NO BRASIL CRESCEM ANUALMENTE

Estatisticamente, os índices de suicídio entre jovens no Brasil, vem crescendo preocupantemente nas últimas décadas. Para se ter uma ideia, de 2000 a 2015, os suicídios aumentaram 65% entre pessoas com idade de 10 a 14 anos e 45% entre os de 15 a 19 anos, ou seja, mais do que a alta de 40% na média da população. Dados mais recentes, de 2017, indicam que, em12 anos, a taxa de suicídios na população de 15 a 29 anos subiu de 5.1 por 100 mil habitantes, em 2002 para 5.6 em 2014, o que representa um crescimento de quase 10%. Os números são do Mapa da Violência 2017, um estudo publicado anualmente a partir de dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. Olhando um pouco mais para trás percebemos que a questão não é tão recente quanto parece. Em 1980, a taxa de suicídios na faixa etária de 15 a 29 anos era de 4.4 por 100 mil habitantes; chegou a 4.1 em 1990 e a 4.5 em 2000. Assim, entre 1980 e 2014 houve um crescimento de 27.2 %.

OUTROS OLHARES

LUXO NO LIXO

Para continuar vendendo seus produtos a preços estratosféricos, grifes voltadas para clientes de alto poder aquisitivo destroem mercadorias caríssimas que encalharam nas prateleiras.

Luxo no lixo

A prática parece estúpida, mas é corriqueira no mercado de alto luxo. Itens que não encontram compradores acabam no lixo, são destruídos ou incinerados. É literalmente, uma queima total e não no sentido em que o termo aparece nas liquidações. Para a indústria que fabrica joias, relógios, perfumes e roupas exclusivas, reduzir preços é heresia. Na semana passada, a grife britânica Burberry, ícone de luxo cuja fundação remonta 1856, anunciou ter queimado, em apenas um ano, o equivalente em produtos a 28 milhões de libras, cerca de R$141 milhões. Os dados constam do relatório anual da Burberry, relativo a 2017. Não foi a primeira vez. Nos últimos cinco anos, a marca incinerou aproximadamente 90 milhões de libras esterlinas, algo próximo de RS 446 milhões. Os produtos, segundo a grife, haviam sido produzidos em quantidades muito acima do que o mercado era capaz de absorver. Ou seja, encalharam.

“Uma das características da marca de luxo é a exclusividade. O conceito de escassez planejada da oferta explica essa necessidade que marcas como a Burberry têm de manter o preço”, diz Amnon Armoni, especialista em luxo e professor do MBA em Gestão Estratégica de Negócios da FAAP, em São Paulo. Para ele, marcas que atuam nesse segmento não podem correr o risco de perder relevância – o que ocorreria no caso de desequilíbrio da oferta em relação à demanda.

Embora tenha um alto custo tanto financeiro quanto ambiental, a destruição do excedente não gera prejuízo. Pelo contrário. Segundo Armoni, os acionistas são extremamente sensíveis aos resultados e ao valor da marca. “É preciso garantir o lucro, crescer, obter dividendos”, afirma. Ainda assim, ele acredita que tornar pública a informação sobrea destruição de mercadorias pode ser prejudicial para a imagem da grife. “Foi bizarro” diz Armoni. “Se a Burberry decidiu divulgar esse procedimento para chamar atenção. o tiro saiu pela culatra. Como sera a percepção dos consumidores daqui em diante?”, questiona. Em pronunciamento à imprensa, representantes da Burberry afirmaram que a incineração não deteriora o meio ambiente: “A energia gerada a partir dessa queima é armazenada, então o processo não polui”.

Para o professor do Instituto de Energia e Meio Ambiente da USP, Pedro Roberto Jacobi, a incineração é uma ação cada vez mais combatida, e o fato de a prática ser recorrente por parte das grifes “representa uma aberração do ponto de vista ambiental mas, principalmente, social. É uma atitude escandalosa e a melhor maneira de combater esse absurdo é boicotar seus produtos”, afirma Jacobi.

“ABSURDO”

Uma alternativa bem mais sustentável seria doar os produtos excedentes pelas instituições filantrópicas, que poderiam leiloá-los e destinar os recursos obtidos para causas sociais e humanitárias. Patrocinar programas de combate à pobreza extrema, a fome e a destruição ambiental seria bem mais interessante que destruir objetos que empregaram não apenas recursos naturais valiosos como o trabalho de centenas de pessoas. Em um mundo marcado pela crescente concentração de renda e onde cada vez mais se questiona a ostentação e o desperdício, destruir parte dos estoques para garantir mais lucros é um convite a críticas. “Um absurdo”, afirma Katherine Braun, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e especialista em moda. Ela relembra que o grupo Richemont, proprietário das marcas Montblanc e Cartier, “redirecionou” cerca de 500 milhões de euros R$ 2,1 bilhões) em estoque excedente nos últimos dois anos. Nesse caso, parte dos itens foi reciclado, mas muito do material acabou destruído. Não é de estranhar que o bilionário sul-africano Johann Rupert, principal acionista do grupo Richemont tenha declarado. anos atrás, que a desigualdade social o perturba a ponto de ele não dormir tranquilo. Suas práticas comerciais são mesmo capazes de tirar o sono de qualquer um.

Luxo no lixo.2

GESTÃO E CARREIRA

CONSÓRCIO DE FRANQUIA

Sistema de crédito chega ao franchising e oferece planos com valores mensais a partir de R$ 1,3 mil. Modalidade ainda recente no Brasil é alternativa para quem não conta com dinheiro em caixa para fazer investimento inicial.

Consórcio de franquias

O Sistema de Consórcios fechou o primeiro semestre de 2018 com vendas de 1,22 milhão de novas cotas, o que representa R$ 48.3 bilhões em créditos contratados. Os dados são da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac).

Quando a comparação é feita com os mesmos seis meses de 2017, as adesões cresceram 10,9% sobre o 1.1 milhão do ano passado, enquanto os negócios aumentaram 10% em relação aos R$43.92 bilhões do mesmo período. Os números comprovam que a opção por compras de bens por meio de grupos se manteve firme mesmo em meio a economia estagnada.

A modalidade é, segundo a Abac, mais usada por quem busca carros leves, seguidos de motos e imóveis. Entram na lista ainda veículos pesados como caminhões e carretas, seguidos de serviços e eletroeletrônicos.

Mas não pense que os consórcios ficam restritos a isso. O franchising também está começando a apostar na expansão de redes por meio do formato.

PIONEIRA

A Ótris, rede especializada em recuperação de créditos para pequenas e médias empresas, lançou em 2018, por meio da Ótris Consórcio, o primeiro consórcio destinado ao franchising no País. O novo produto, criado em parceria com a Loja de Franquia, recebeu o nome de Ótris/VKN.

O Consórcio Ótris/VKN possuía autorização do Banco Central. Trata-se de um financiamento isento de juros, Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) e Taxa de Abertura de Crédito (TAC). “O dinheiro a ser emprestado ao contemplado vem dos recursos arrecadados pelos próprios integrantes do Grupo Consorciado, por se tratar de um autofinanciamento cuja arrecadação é similar ao consórcio de poupança, não por haver juros nem impostos”, explica o fundador da Ótris, Caio Katayama.

O empresário revela que a administradora fica somente com a taxa de franquia, o que corresponde a 0,30% por mês linear, e não ao mês como os bancos costumam cobrar em seus financiamentos.

Cada um dos grupos com duração de 80 meses conta com 300 participantes. As cotas variam de R$80 mil a R$ 160 mil. Cada membro pode pagar uma mensalidade a partir de R$ 1,3 mil, dependendo do valor da carta de crédito que escolher. Além disso, também serão realizados sorteios mensais, com lances fixos de 30% ou livre com o objetivo de contemplar antecipadamente os membros do grupo de acordo com as regras do Banco Central do Brasil (Bacen), o consorciado contemplado pode comprar além dos modelos da Ótris Franquias, mais 84 opções de marcas que a Loja de franquia representa, de acordo com o valor de crédito da sua contemplação, esclarece Katayama. Entram na lista franquias dos setores de alimentação, automotivo, educação e saúde.

OS PASSOS

Após o consorciado ter a contemplação aprovada, ele deve escolher um modelo de franquia para verificar se o perfil será aprovado pelo franqueador. Na sequência, a partir de uma cópia da Circular de Oferta (COF) e contrato de franquia acompanhado do termo de autorização do franqueado, o franqueador deve emitir uma nota fiscal da Taxa de Franquia. “Com as altas taxas de juros e garantias acima de 100%, impostos pelos bancos, muitos investidores têm dificuldades de crédito, e o consórcio atende muito bem para quem não tem pressa para empreender“, pontua o executivo da marca.

O QUE DIZ A LEI

Mas não adianta se empolgar e agir por impulso. É preciso buscar informação para não se decepcionar. O sócio da Guirão Advogados, Moacir Guirão Junior, diz que para a elaboração de um contrato que indique de forma transparente os direitos – e deveres a serem seguidos, é muito importante que o interessado considere pontos, como descrição do serviço, preço e critério aplicável para a sua atualização, obrigações financeiras do consorciado, condições para concorrer à contemplação, informações sobre as condições para o recebimento da restituição dos valores pagos pelos participantes excluídos, garantias exigidas do consorciado para a aquisição do bem ou serviço e periodicidade de realização da assembleia geral ordinária.

A principal garantia jurídica de um consórcio é a autorização pelo Banco para funcionamento e o contrato escrito e assinado pelas partes interessadas. “Por se tratar de um “investimento”, não há como apresentar mais garantias de que ao final do pagamento”, ou após a contemplação, o consorciado realizar o resgate total do valor contratado”, explica Guirão.

Outra preocupação por parte dos consorciados é o fato de uma eventual “quebra” do grupo, o que deixaria os participantes no prejuízo. Guirão afirma que não existem mecanismos que garantam a saúde financeira do grupo. “Como em qualquer outra prática financeira que envolve cliente e prestador de serviços, o que há são leis específicas, criadas com o objetivo de promover respaldo jurídico quando identificada alguma ação que não esteja em conformidade com contrato, como a execução de uma cobrança indevida ou o não cumprimento de prazos quando da contemplação, entre outras situações”, explica o especialista.

 CERTIFIQUE-SE

Diante desse cenário, o melhor a se fazer é cercar-se de cuidados. Sempre faça uma pesquisa junto ao BACEN para verificar se o número de autorização apresentado pela empresa que comercializa o consórcio é real. Lembre-se de que esta precisa estar cadastrada e autorizada a operar.

Guirão reforça para que as pessoas fiquem atentas a todas as cláusulas, em especial aquelas que constam em letras pequenas. Outra orientação é quanto a leis ou resoluções apresentadas de forma não muito clara. Tudo deve ser esclarecido antes da assinatura. Vale, também, pesquisar se tais informações fazem sentido.

A lista de cuidados inclui ainda, uma boa e detalhada pesquisa junto ao órgão de Defesa do Consumido, para verificar se há reclamações por má gestão do fundo do consórcio em nome da empresa.

Mais uma dica útil é priorizar o pagamento das contribuições via boletos. “Nunca efetue depósitos de dinheiro ou cheques em contas que não sejam vinculadas à empresa que administra o consórcio”, comenta o advogado.

Em hipótese alguma adquira consórcio em que a operação não esteja autorizada pelo Banco Central, ou que seja alguma operação indicada como “pirâmide”. O risco é muito grande nesse tipo de situação. “O sistema de pirâmide é uma prática em que os envolvidos são levados por grupos de amigos ou de ‘empreendedores’ em que, na maioria da vezes, são oferecidas oportunidades de altos ganhos financeiros em um curto período, mediante investimento e indicação de novos participantes”, explica Guirão que complementa: “Mas cuidado, pois trata-se de um crime contra a economia popular”.

 CONSÓRCIO EM QUATRO PASSOS

1. Escolha uma administradora autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil que é a autoridade que normatiza e fiscaliza o Sistema de Consórcios no País;

2. Entre em contato com a empresa e verifique os planos disponíveis. Faça a adesão ao grupo que tiver os melhores prazos e valores para o seu bolso. E atenção: Antes de assinar o contrato, não se esqueça de ler atentamente todas as cláusulas.

3. Adesão confirmada, é hora de participar das Assembleias, que são as reuniões em que ocorre a distribuição dos créditos aos participantes. Os contemplados da vez são escolhidos por sorteio ou lance que nada mais é do que a antecipação de prestações.

4. Após ser contemplado, utilize seu crédito para adquirir o bem e lembre-se: com o consórcio você tem poder de compra à vista, podendo negociar descontos e muitas outras vantagens.

 Fonte: Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios.

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Número de unidades próprias: 2 • Número de unidades franqueadas: 22 • Investimento inicial: Micro franquia – R$ 87 mil e  Padrão –  RS120 mil • Taxa de franquia: R$ 40mil • Capital de giro: R$ 30mil • Royalties: R$ 200,00 fixo por cliente de assessoria • Taxa de publicidade: R$ 100,00 fixo por cliente de assessoria • Faturamento bruto: 50% em média dos valores recebidos mensalmente • Lucro líquido: de 20% a 30% por mês • Prazo de retorno do investimento: de 18 a 24 meses •  Contato para interessados na franquia: www.otrisfranquias.com.br

Consórcio de franquias.2.jpg 

SEIS ATITUDES ANTES DE ASSINAR UM CONTRATO DE CONSÓRCIO 

  • Leia atentamente as cláusulas do contrato para conhecer seus direitos e obrigações
  • Verifique se o valor do crédito e o prazo de duração do grupo constam no contrato.
  • Confira os percentuais de contribuições (taxa de administração e, se houver fundo de reservas e/ou seguro e as demais despesas que serão cobradas
  • Certifique-se quanto ao critério de correção do crédito que será aplicado pela administradora e às garantias que você deverá fornecer para retirar o bem ao ser contemplado.
  • Verifique as regras de contemplação por sorteio e lance, a forma de antecipação de pagamento de prestações, a possibilidade de optar por crédito de menor ou maior valor antes da contemplação.
  • Certifique-se de que aquilo que foi prometido, em propaganda ou pelo vendedor, consta do contrato. Desconsidere promessas verbais; todos os direitos e obrigações do consorciado devem estar estabelecidos no contrato.

Fonte: Associação Brasileira de Administração de Consórcios.

 

 

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 10: 39-42

Alimento diário

Cristo se retira para além do Jordão

Aqui temos o resultado da conversa com os judeus. Poderíamos pensar que ela os tivesse convencido e der­ retido, mas seus corações estavam insensíveis e endurecidos. Aqui lemos:

I – Como eles o atacaram pela força. “Procuravam, pois, prendê-lo outra vez”, v. 39. Portanto:

1. Por ter Ele respondido completamente à sua acusação de blasfêmia, e ter eliminado esta imputação, de modo que eles não podiam, por vergonha, prosseguir nas suas tentativas de apedrejá-lo, eles procuraram prendê-lo e processá-lo como um ofensor contra o estado. Quando foram obrigados a abandonar seu intento por um tumulto popular, ainda tentaram fazer o que puderam, sob o pretexto de um processo legal. Veja Apocalipse 12.13. Ou:

2.  Por ter Ele perseverado no mesmo testemunho a seu próprio respeito, eles persistiram na sua maldade contra Ele. O Senhor Jesus disse outra vez aquilo que tinha dito anteriormente, pois a testemunha fiel nunca se afasta daquilo que disse antes. Portanto, sentindo a mesma provocação, eles expressam o mesmo ressentimento, e justificam sua tentativa de apedrejá-lo com outra tentativa de prendê-lo. Tal é o temperamento de um espírito perseguidor, e tal é sua política, um conjunto de más obras com outro, para que o primeiro não ficasse, mas tenha seu prosseguimento

 

II – Como Ele os evitou, fugindo. Não com uma retirada inglória, na qual houvesse alguma fraqueza humana, mas uma retirada gloriosa, na qual havia muito poder divino. “Ele escapou de suas mãos”, não pela intercessão de algum amigo que o ajudasse, mas pela sua própria sabedoria, Ele se livrou deles. Ele jogou um véu sobre si mesmo, ou lançou uma névoa diante dos olhos deles, ou atou as mãos daqueles cujos corações Ele não converteu. Observe que nenhuma arma prosperará contra nosso Senhor Jesus, Salmos 2.4. Ele escapou, não porque tivesse medo de sofrer, mas porque sua hora ainda não era chegada. E aquele que sabia como livrar a si mesmo, sem dúvida sabe como livrar os santos da tentação, e produzir um caminho para que eles escapem.

 

III – O que Ele fez, nesta retirada: “Retirou-se outra vez para além do Jordão”, v. 40. O bispo da nossa alma veio, não para fixar-se em uma sede, mas para ir de lugar a lugar, fazendo o bem. Este grande benfeitor nunca saía do seu caminho, pois, onde quer que Ele fosse, havia trabalho a ser feito. Embora Jerusalém fosse a cidade real, Ele fez muitas visitas generosas ao campo, não somente à sua própria região, a Galileia, mas também a outras partes, até mesmo aquelas mais distantes além do Jordão. Observe:

1. Que acolhida Ele encontrou ali. Ele foi a uma parte isolada da nação, e ali ficou. Ali encontrou algum descanso e tranquilidade, que em Jerusalém não tinha podido encontrar. Observe que, embora os perseguidores possam expulsar a Cristo e ao seu Evangelho da sua própria cidade ou nação, não podem expulsá-los do mundo. Embora Jerusalém não tivesse se agregado, nem viesse a se agregar, ainda assim Cristo era glorioso, e sempre o será. A retirada de Jesus para além do Jordão era um símbolo da retirada do reino de Deus dos judeus, um reino que foi levado aos gentios. Cristo e seu Evangelho sempre encontraram melhor acolhida entre as pessoas simples do interior do que entre os sábios, os poderosos e os nobres, 1 Coríntios 1.26,27.

2. O sucesso que Ele teve ali. Ele não foi para lá simplesmente para sua própria segurança, mas para ali fazer o bem. E Ele decidiu ir para lá, onde João tinha primeiramente batizado (cap. 1.28), porque haveria ali algumas impressões do ministério e do batismo de João, as quais disporiam o povo a receber a Cristo e à sua dou­ trina, pois ainda não havia completado três anos desde que João batizava ali, e o próprio Cristo tinha sido batizado ali, em Betábara. Cristo foi para lá agora para ver quais frutos haveria de todos os esforços que João Batista tinha feito entre eles, e o que eles guardavam das coisas que tinham ouvido e recebido então. O evento, até certo ponto, correspondeu às expectativas, pois lemos:

(1). Que eles corriam até Ele em grandes grupos (v. 41): “Muitos iam ter com ele”. O retorno dos meios da graça a um lugar, depois de terem sido, durante algum tempo, interrompidos, comumente provoca uma grande agitação de sentimentos. Alguns pensam que Cristo decidiu permanecer em Betábara, sua casa de passagem, onde ficavam as balsas pelas quais eles cruzavam o rio Jordão, para que a confluência de pessoas ali pudesse lhe dar a oportunidade de ensinar a muitos que viessem para ouvi-lo. Muitas destas pessoa s dificilmente sairiam do seu percurso para ter uma oportunidade de ouvir a Palavra do Senhor. Assim, este ponto geográfico era bastante estratégico.

(2). Que eles faziam considerações que eram favoráveis ao Senhor, e procuravam argumentos para induzir outros a se aproximarem dele, tanto quanto Jerusalém procurava objeções contra Ele. Eles diziam, muito criteriosamente: “Na verdade, João não fez sinal algum, mas tudo quanto João disse deste era verdade”. Eles consideravam duas coisas, junto com as lembranças do que tinham visto e ouvido de João, e as comparavam com o ministério de Cristo.

[1] Que Cristo excedia, em muito, o poder de João Batista, pois João não tinha feito nenhum milagre, mas Jesus fazia muitos, do que era fácil deduzir que Jesus era maior que João. E, se João era um tão grande profeta, que grandeza teria, então, este Jesus! Cristo é mais bem conhecido e reconhecido por uma comparação com outros, que o coloca superlativam ente acima deles. Embora João tivesse vindo no espírito e no poder de Elias, ainda assim não realizou milagres, como Eli as tinha feito, para que as mentes das pessoas não fossem levadas a hesitar entre ele e Jesus. Por isto, a honra de realizar milagres estava reservada para Jesus como uma flor na sua coroa, para que pudesse haver uma demonstração visível e inegável de que, embora tivesse vindo depois de João, ainda assim tinha a preeminência sobre ele.

[2] Que Cristo correspondeu com exatidão ao testemunho de João Batista. João Batista não somente não realizou nenhum milagre, para não desviar as pessoas de Cristo, como disse muita coisa para dirigi-las a Cristo, e para entregá-las a Ele como seus aprendizes, e isto vinha agora às suas mentes: “Tudo quanto João disse deste era verdade”, que Ele seria o Cordeiro de Deus, que batizaria com o Espírito Santo e com fogo. João tinha dito grandes coisas sobre Jesus, o que tinha aumentado as expectativas do povo, de modo que eles não tinham tido zelo suficiente que os levasse até sua região, para procurá-lo, mas, quando Ele veio até a deles, e trouxe o Evangelho até suas portas, eles reconheceram que Ele era tão grandioso como João tinha dito que seria. Quando formos instruídos a respeito de Cristo, e viermos a conhecê-lo pela experiência, nós descobriremos que todas as coisas que as Escrituras dizem sobre Ele são verdadeiras, e, mais ainda, que a realidade excede o relato, 1 Reis 10.6,7. João Batista agora estava morto, mas ainda assim seus ouvintes se beneficiavam do que tinham ouvido anteriormente, e, comparando o que tinham ouvido então com o que viam agora. tiveram uma dupla vantagem. Pois, em primeiro lugar, eles foram confirmados na sua crença de que João era um profeta, que tinha predito tais coisas, e falado da eminência com que este Jesus iria chegar, embora seu início fosse tão humilde. Em segundo lugar, eles estavam preparados para crer que Jesus era o Cristo, em quem eles viam cumpridas todas aquelas coisas que João tinha predito. Com isto, vemos que o sucesso e a eficácia da palavra pregada não estão confinados à vida do pregador, nem expiram com o fim do seu fôlego de vida na terra, mas que aquilo que parecia ser uma água derramada ao chão pode, posteriormente, ser recolhido novamente. Veja Zacarias 1.5,6.

(3) Que muitos ali creram nele. Crendo que aquele que realizava tais milagres, e em quem se cumpriam todas as predições de João, era o que declarava sei; o Filho de Deus, eles se entregaram a Ele como seus discípulos, v. 42. Aqui, deve-se colocar ênfase:

(1] Sobre as pessoas que creram nele. Eram muitas. Enquanto aqueles que receberam e aceitaram sua doutrina em Jerusalém eram apenas as sobras da colheita, aqueles que creram nele na região além do Jordão foram uma colheita plena para Ele.

[2] Sobre o lugar onde isto aconteceu. Foi no lugar onde João tinha primeiramente pregado e batiza­ do, e tinha tido grande sucesso. Ali muitos creram no Senhor Jesus. A pregação da doutrina de reconciliação e da graça do Evangelho tem grande possibilidade de ser próspera onde a pregação da doutrina do arrependimento teve o sucesso desejado. Jesus não deixaria de ser aceitável onde João tinha sido aceitável. A trombeta de júbilo soará mais docemente aos ouvidos daqueles que, no dia da expiação, tiverem afligido suas almas por causa do pecado.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

MAIS INTELIGÊNCIA, MAIS TEMPO

Embora o bom nível intelectual não seja suficiente para garantir que teremos uma vida mais longa, muitos cientistas acreditam que, quanto mais baixa a capacidade cognitiva de uma pessoa, maior seu risco de desenvolver doenças físicas e mentais e morrer prematuramente.

Mais inteligência, mais tempo

Muitos cientistas acreditam que o processo de envelhecimento resulta do acúmulo gradual de um enorme número de pequenas “falhas” isoladas.

É uma espécie de somatório degenerativo que regula nosso tempo de vida por meio de um delicado equilíbrio entre a rapidez com que novos danos atingem as células e a eficiência com que os problemas são corrigidos. Recentemente, especialistas de áreas que nem sempre estiveram próximas têm se unido em busca de pistas que possam prever quais aspectos de fato influenciam o bem-estar e as doenças e antecipam (ou retardam) a morte. É o caso dos doutores em psicologia Alexander Weiss e Ian J. Deary e do especialista em epidemiologia David Batty.

Os pesquisadores utilizam séries históricas de estudos em saúde, que abrangem várias décadas. Nesses projetos, centenas, milhares ou às vezes até 1 milhão de pessoas são sistematicamente avaliadas e acompanhadas ao longo de vários anos. Analisando cuidadosamente esses dados, eles e outros pesquisadores descobriram uma nova forma de prever a longevidade das pessoas: os resultados obtidos em testes de inteligência quando jovens.

“Os resultados são inequívocos, embora poucos profissionais da saúde os conheçam: quanto mais baixo o nível de inteligência de uma pessoa, maior o risco de ela ter uma vida mais curta, desenvolver doenças físicas e mentais com o passar dos anos e morrer de patologias cardiovasculares, suicídio ou acidente”, afirma Deary. Obviamente não é possível fazer generalizações, mas é surpreendente que baixo nível de inteligência ofereça prognóstico tão forte de fatores de risco bem conhecidos para doenças e morte, como obesidade e hipertensão.

Mas simplesmente ter boa capacidade intelectual não basta para garantir a longevidade: é preciso agir e decidir como pessoas inteligentes. E, muitas vezes, funcionamentos psíquicos e aspectos emocionais não permitem que as pessoas usem o potencial que têm a seu próprio favor.

Psicólogos e neurocientistas alertam para a importância da resiliência, uma palavra “emprestada” da área da física que estuda a resistência dos materiais. O termo passou a ser usado em psicologia para falar da habilidade psíquica de enfrentar frustrações e dos recursos de que a pessoa dispõe para regular sentimentos como tristeza, raiva e medo. “A forma como lidamos com desafios e situações que nos afligem influencia o nível de estresse e, consequentemente, a saúde mental e física”, observa o psiquiatra Steven M. Southwick, especialista em transtorno de estresse pós-traumático e em resiliência e professor da Escola de Medicina da Universidade Yale. É possível aprimorar a resiliência, em especial por meio da psicoterapia, que oferece à pessoa a oportunidade de rever, elaborar e reinterpretar as próprias experiências.

O psicólogo Kevin Ochsner e seus colegas da Universidade Columbia comprovaram que, quando uma pessoa passa a reinterpretar o significado de um evento adverso e a enxergá-lo de forma mais amena, diminui suas reações fisiológicas relacionadas a situações traumáticas. A descoberta mais interessante da equipe de Ochsner é que ganhos emocionais vêm acompanhados de mudanças cerebrais específicas, como o aumento da atividade no córtex pré-frontal, área envolvida no planejamento e decisões, além de diminuição da ação da amígdala, região relacionada ao processamento de emoções primitivas, como o medo. Ou seja: ampliar a capacidade de resiliência tende a nos tornar emocionalmente mais seguros e com maior clareza mental para nos direcionar aos cuidados que realmente são necessários e, possivelmente, nos ajuda a permanecer vivos por mais tempo.

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OUTROS OLHARES

TREMOR SEM FIM?

A doença de Parkinson ainda é considerada incurável. Pesquisadores procuram ao menos, atenuar seus sintomas por meio da terapia genética, de transplantes celulares e do marca-passo cerebral.

Tremor sem fim

Atlanta, 9 de julho de 1996. Solenemente, Cassius Clay acende a pira olímpica na abertura dos XXVI Jogos de Verão. Mas a mão do antigo campeão mundial de box treme. O mundo é testemunha de um mal que Clay – mais conhecido como Muhammad Ali – compartilha com pelo menos outras 4 milhões de pessoas hoje no mundo. Estamos falando de uma doença cujos sintomas o médico e farmacêutico James Parkinson (1755 – 1824) descreveu pela primeira vez em 1817. Devido ao acentuado tremor de seus pacientes, ele a denominou shaking palsy, ou seja, “paralisia agitante”. Uma designação errônea, já que ela não causa paralisia e nem vem obrigatoriamente acompanhada de tremores. Na verdade, seu principal sintoma é um crescente e generalizado empobrecimento dos movimentos. Parkinson ainda não sabia nada sobre suas causas – e recomendava sangria e aplicação de ventosas.

Se diagnosticada a tempo, a doença pode ser bem controlada com medicamentos em seu estágio inicial. Em um tratamento ideal é possível atenuar os sintomas durante oito a 15 anos – e a expectativa de vida dos afetados permanece quase normal. No entanto, o diagnóstico quase nunca é feito em seu início, pois a doença começa com sintomas pouco específicos, como tensões musculares em um dos ombros ou braços, o que faz as pessoas visitar primeiro o ortopedista, e não o neurologista. Antes dos primeiros distúrbios de movimento, são frequentes cansaço, depressão ou crises repentinas de suor.

Muitas vezes, nada acontece durante anos – podem se passar de nove a 12 anos até a doença se manifestar completamente. Mas, pouco a pouco fica cada vez mais difícil lidar com objetos cujo manejo exige habilidade motora tina, como enfiar linha na agulha. Também o ato de escrever é afetado e a letra dos pacientes vai se tomando menor e de difícil leitura. Por fim, as atividades cotidianas se tomam obstáculos quase intransponíveis, escovar os dentes, pentear os cabelos, amarrar os sapatos, abotoar a camisa. A longo prazo, os doentes precisam de acompanhamento e sua qualidade de vida diminui sensivelmente.

Às dificuldades motoras somam-se problemas psíquicos, assim como os movimentos, os processos mentais ficam mais lentos. O fluxo de pensamentos se torna vagaroso, a fala soa arrastada e baixa. Cerca de um em cada dois pacientes é depressivo ou tem distúrbios de ansiedade, além disso, um em cada três sofre crises de demência.

Depois do mal de Alzheimer, Parkinson é a doença neurodegenerativa mais comum do mundo ocidental: aproximadamente 4 milhões de pessoas são afetadas no mundo todo, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU). Apesar de também existirem parkinsonianos de 30 a 40anos, a doença é típica da velhice e atinge principalmente homens. Cerca de 1% das pessoas com mais de 60anos tem Parkinson e tal probabilidade aumenta l% a cada década de vida. Com expectativa de vida crescente e taxa de natalidade progressivamente menor, haverá no futuro cada vez mais doentes. Crianças nascidas hoje devem viver em média 90 anos, e calcula-se que cerca de 7,5% delas terão a doença até chegar a essa idade. Nesse cenário, a pesquisa médica tem sido cada vez mais desafiada a descobrir as causas do mal e desenvolver tratamentos efetivos. Apesar de progressos significativos já terem sido alcançados nos últimos anos, as causas da doença permanecem obscuras.

Desde os anos 60 sabe-se que as células nervosas do mesencéfalo se atrofiam com a doença. Os mais afetados por essa perda são os gânglios basais, situados abaixo do telencéfalo, responsáveis pelo controle da execução de movimentos automáticos. Ao escorregarmos em uma casca de banana, quase sempre um rápido movimento de equilíbrio – coordenado inconscientemente pelos gânglios basais – nos protege da queda. Se, por outro lado, quiséssemos controlar tudo conscientemente pelo telencéfalo, o processo levaria muito mais tempo – nós cairíamos muito mais vezes de cara no chão.

Entre os gânglios basais encontra-se a substância negra, que deve seu nome à grande concentração de pigmentos escuros, a melanina. Suas células nervosas altamente especializadas, que perfazem aproximadamente 1% do volume cerebral, produzem a dopamina – uma das mais importantes substâncias transmissoras do cérebro. Responsável principalmente pela regulação de todos os movimentos corporais, esse neurotransmissor atua como inibidor e também como ativador sobre outras áreas menos importantes como por exemplo o corpo estriado, que repassa os sinais para o telencéfalo. Pacientes com Parkinson perdem entre 20 e 25 mil dessas células nervosas dopaminérgicas.

Na ausência de dopamina o controle de estímulos no mesencéfalo não funciona corretamente. O paciente fica rígido, só consegue controlar seus movimentos com dificuldade e caminhar se transforma em um esforço quase insuperável. Sequer passar por locais estreitos, fica paralisado de repente – os clínicos denominam esse temido fenômeno de freezing.

 COMANDANTE INVISÍVEL

O tálamo, uma área de conexão do mesencéfalo, também depende da dopamina. Em estado saudável, ali aparentemente reina o caos – os neurônios trabalham desordenadamente. Porém, se o nível dopaminérgico cai, as células nervosas reagem de forma peculiar, sincronizam suas atividades – como sob ordens de um comandante invisível – e passam a trabalhar sincronicamente. Como consequência, os dedos, as mãos ou as pernas começam a tremer. Médicos descobriram tal fenômeno quando extraíram por engano parte do tálamo de um paciente: após a operação, o tremor em estado de descanso desapareceu.

Na maioria dos casos não é possível encontrar o causador da atrofia neuronal. Apenas em raras ocasiões pode-se rastrear uma meningite ou um tumor que sufoca a substância negra. Esses poucos casos são facilmente revelados por tomografia computadorizada ou ressonância magnética; nos pacientes típicos de Parkinson, no entanto, as imagens cerebrais raramente apresentam anomalia. Os casos da doença que atinge frequentemente boxeadores como Muhammad Ali, cujos cérebros foram constantemente expostos a golpes, também são considerados exceções. Outros fatores de risco possíveis são substâncias nocivas ao ambiente como pesticidas e metais pesados.

Entre 5% e 10% dos pacientes têm um defeito genético. Nesse caso, o mal se manifesta bem cedo. Se a doença afeta algum parente próximo, o risco é dobrado. Até agora foram identificados nove lócus gênicos envolvidos no surgimento da doença de Parkinson. Pelo menos quatro desses genes participam da produção de proteínas dentro da célula. Por esse motivo, vários neurologistas partem do princípio de que a doença tem como base uma sobrecarga dos neurônios com suas próprias proteínas. Se elas não podem mais ser eliminadas nem transformadas, a célula literalmente é sufocada pelos produtos de seu próprio metabolismo. Um outro gene controla a produção de energia pelas mitocôndrias. Se essas “usinas elétricas” das células deixam de funcionar, vários processos produtivos se paralisam – entre eles, a produção de dopamina.

O estudo das bases genéticas modificou nossa visão do problema, de um lado, percebemos que a doença de Parkinson não pode ser atribuída a uma causa apenas, e de outro, abrem-se novas possibilidades de diagnóstico. Cientistas esperam que, no futuro, a doença possa ser reconhecida precocemente por meio de um teste genético. Já se fala em tratamentos baseados em engenharia genética, mas até agora nenhum deles saiu da fase experimental. O plano é inserir genes no mesencéfalo do paciente através de vírus especialmente manipulados. Lá, os genes devem, por exemplo, ativar determinadas enzimas que liberam ou transportam dopamina. Os primeiros testes com animais já tiveram bons resultados – possivelmente este será um caminho pelo qual os sintomas da doença poderão ser atenuados ainda mais drasticamente.

Os pesquisadores estão introduzindo fatores neurotróficos – compostos que promovem o crescimento e a diferenciação neuronal – no cérebro. Esses agentes não só aliviam os sintomas como prometem proteger os neurônios dos danos e recuperar os que já foram prejudicados. Uma linha de pesquisa em animais sugere que uma família de proteínas chamada fator neurotrófico derivado de células gliais (GDNF; do inglês gliaI cell – derived neurotrophic factor) pode aumentar a sobrevivência de neurônios dopaminérgicos lesionados e reduzir drasticamente os sintomas parkinsonianos. Em macacos, essa substância conseguiu estimular a regeneração celular e interromper o declínio da formação de novos neurônios.

Em 2002, Stephen Gill e seus colegas já arriscaram testá-la em seres humanos no Hospital Frenchay, em Bristol, Inglaterra: o grupo administrou o GDNF por um cateter diretamente no corpo estriado, principal receptor dos gânglios de base da dopamina secretada pelos neurônios da substância negra, de cinco pacientes com Parkinson em estágio avançado. E vejam só: os sintomas realmente recuaram e a produção de dopamina aumentou. Em um dos pacientes, hoje falecido, os médicos comprovaram, até mesmo novos axônios neuronais. Mas muitos cientistas ainda mantêm- se reservados em seus prognósticos sobre a terapia genética. Ainda há poucos experimentos para avaliar sua efetividade e seus riscos.

Sendo assim, por enquanto, entre os métodos à escolha figuram apenas os medicamentos clássicos, entre os quais, no entanto, não há nenhum capaz de realmente curar a doença. O tratamento dos sintomas, porém, melhorou muito nos últimos 30 anos. O desenvolvimento da, L- Dopa, um estágio preliminar da dopamina que se transforma em dopamina no cérebro, foi o avanço mais revolucionário. Contrariamente à dopamina pura, a L- Dopa atravessa a barreira hematoencefálica – um revestimento de pouca permeabilidade dos vasos cerebrais que impede a penetração de substâncias nocivas no sensível órgão. Por isso, a L-Dopa pode ser simplesmente tomada na forma de comprimido.

Os primeiros resultados da L- Dopa impressionam: o medicamento devolve a autonomia de movimentos aos pacientes e lhes possibilita voltar a viver ativamente. No entanto, após alguns anos de tratamento, fica cada vez mais difícil calcular a quantidade ideal de L- Dopa, pois os receptores dopaminérgicos da região neuronal visada, o corpo estriado, tornam-se extremamente sensíveis com a evolução da doença. Apenas poucos neurônios dopaminérgicos continuam disponíveis para equilibrar as variações do nível de dopamina. Quando há uma overdose de L – Dopa, os movimentos se tornam exagerados e incontroláveis – a chamada discinesia. Por outro lado, uma dose menor que a necessária leva a um bloqueio completo. Muitos pacientes acham tal alternância entre essas fases “on” e “off” mais estressante que os sintomas originais da doença.

Uma alternativa são as substâncias da classe das agonistas da dopamina que imitam a sua função. Anualmente há uma enorme variedade de substâncias desse tipo no mercado. Mesmo que não tenham efeito tão forte quanto a, L – Dopa no início, a longo prazo, elas se mostram eficientes, são mais fáceis de dosar e a inutilizavam. Desde metade dos anos 90, surgiram opções mais elegantes. Veio da França a estimulação cerebral profunda, os cirurgiões implantam um eletrodo em um dos dois alvos dos gânglios de base – os gânglios basais ou o núcleo subtalâmico – ligado a um dispositivo que gera impulsos, implantado no tórax. Dessa forma a atividade do tálamo deve ser interrompida por meio de pequenos choques dirigidos.

A operação é extremamente complicada e demanda um trabalho de precisão milimétrica. O eletrodo não pode atingir um vaso em hipótese alguma. Há a ameaça de hemorragias cerebrais – que teriam como consequência uma paralisia ou um derrame. Felizmente, tais complicações raramente surgem. Como o cérebro não tem receptores de dor, os cirurgiões realizam a intervenção com o paciente em estado consciente. Uma vantagem decisiva, pois assim os médicos podem lhe lazer perguntas ou pedir que conte uma história durante a operação – e ter assim certeza de que não estão prejudicando nenhuma área cerebral importante. Por fim, o eletrodo é conectado a um marca-passo através de um cabo invisível sob a pele. O dispositivo normalmente emite impulsos de 90 microssegundos e 3 volts até 185 vezes por segundo. A caixinha, do tamanho de um maço de cigarros, é colocada sob a clavícula ou a pele da barriga, a troca de bateria a cada três a seis anos se dá sem complicações.

Se a operação for bem-sucedida, o paciente vive uma mudança impressionante que chega a lembrar um filme de ficção científica, um assistente opera um controle remoto e o paciente, que antes mal conseguia se movimentar, perde a rigidez e atravessa a sala lepidamente.

O procedimento parece muito promissor, o efeito da estimulação no núcleo subtalâmico se mantém estável por anos, de forma que a dose dos medicamentos muitas vezes pode ser reduzida pela metade. Porém, a estimulação permanente afeta também as áreas cerebrais vizinhas podendo causar sensação de surdez, distúrbios de fala ou problemas de equilíbrio. Portanto, cientistas trabalham para criar um marca-passo que trabalhe de forma mais cuidadosa, supervisionando o tálamo permanentemente e só o estimulando quando necessário.

TRATAMENTO DE LONGO PRAZO

O objetivo das pesquisas continua a ser o tratamento das causas da doença. A solução mais próxima parece ser a simples substituição das células atrofiadas. No entanto, as primeiras tentativas com células da medula supra- renal do próprio paciente não tiveram o resultado desejado, nem mesmo a implantação de tecidos de cérebros de suínos.

Até hoje quase todas as tentativas de curar a doença de Parkinson através do transplante celular fracassaram. Além da rejeição ao tecido estranho, o principal problema é a transferência do número correto de células. Em alguns casos de sucesso, o efeito placebo parece ter tido um papel importante: Cynthia McRae da Universidade de Denver fez seus pacientes acreditarem que havia implantado neles novas células nervosas. Um ano após essa operação fictícia ela ainda pôde observar uma melhora significante dos sintomas. Pesquisadores coordenados por Fabrízio Benedeni da Universidade de Turim injetaram uma solução com sal de cozinha em pacientes com Parkinson. Após o procedimento, seus movimentos musculares melhoraram e até mesmo a atividade de alguns neurônios aumentou significativamente.

Esperançosa parece ser a implantação de células epiteliais pigmentares capazes de produzir L-Dopa. Elas são encontradas na retina de fetos abonados e podem ser facilmente reproduzidas em cultura. Ligadas aos chamado msicrocamer, esferas de proteína microscópicas, o sistema imunológico quase não percebe as células implantadas, o que diminui o risco de rejeição. Com a retina de um único prematuro podem ser tratados 200 pacientes de Parkinson. Depois do sucesso de um estudo piloto com seis pessoas, o procedimento está sendo testado em 50 pacientes nos Estados Unidos.

Além disso, os médicos depositam grandes esperanças nas células-tronco que conseguem se transformar em diferentes tipos de células com funções específicas. Essas desejadas multifuncionais existem não apenas em embriões, mas também no organismo adulto. Uma grande reserva fica na chamada zona subventricular do mesencéfalo onde se formam novas células nervosas a fim de manter a plasticidade do cérebro. Principalmente o hipocampo, indispensável para a função da memória, responde pelo acréscimo regular de novas células.

A chamada célula C representa um estágio intermediário entre as células nervosas e as células-tronco. O grupo de trabalho de Marburg liderado por Günter Hoglinger e Wolfgang Oertel conseguiu demonstrar que o crescimento dessas células reage à dopamina. Se a produção de dopamina é interrompida em ratos, são produzidas menos células C. Como a dopamina nos seres humanos também estimula a divisão das células-tronco, forma-se um ciclo vicioso nos pacientes de Parkinson: devido à perda das células produtoras de dopamina, seu cérebro torna-se incapaz de substituir as células nervosas atrofiadas.

Pesquisadores coordenados por Jun Takahashi da Universidade de Kyoto, no Japão, tentam transformar células-tronco embrionárias através de processos de crescimento naturais em neurônios dopaminérgicos para só então transplantá-los. No início deste ano eles conseguiram o primeiro resultado positivo com macacos. Porém, antes que o tratamento de Parkinson com células-tronco embrionárias possa se aproximar de um estágio tecnicamente factível, há ainda várias perguntas a serem respondidas.

Está claro que todos esses casos tratam de possibilidades futuras. E não apenas o tratamento médico, mas também o ambiente em que vive o paciente têm um papel importante para o desenvolvimento da doença. Estar cercado de cuidados pode muitas vezes reduzir espantosamente os sintomas psíquicos, enquanto a fisioterapia regular estimula a capacidade de movimentação.

Muitos doentes revelam-se grandes inventores quando se trata de administrar sua rotina. Eles ouvem música em um walkman para falar mais alto e claramente; desenhos no tapete os ajudam a se concentrar em seu caminho. Hoje, a indústria oferece sistemas ópticos para reduzir o grande risco de quedas, integrado em óculos especiais, o sistema denominado “Park Aid projeta desenhos gráficos no campo de visão do paciente a fim de facilitar a sua orientação espacial. E IBM desenvolveu um mouse especial que possibilita aos pacientes trabalhar ao computador sem tremores.

O grupo coordenado por Alfons Schnitzler, da Universidade de Dusseldorf, também trabalha com técnicas de vídeo. Para facilitar o controle de sintomas, os pesquisadores instalaram câmeras nos apartamentos de cem pacientes. O que à primeira vista lembra um Big Brother possibilita a observação do ambiente caseiro, os pacientes apresentam sua mobilidade quatro vezes ao dia, o que faz com que o médico possa decidir a distância se os seus sintomas se modificaram. Se for este o caso, então a dose de medicamentos provavelmente precisa ser readequada. O ajuste leva normalmente duas semanas na clínica, o que aumenta consideravelmente os custos. No entanto, um estudo de controle ainda precisa comprovar o quanto este método realmente funciona.

Por fim, fica a pergunta sobre o que as pessoas saudáveis podem fazer para evitar o mal. Como no caso da maioria das doenças, movimentação corporal não faz mal algum – a não ser que se trate de boxe. Pelo menos para homens, o grupo de trabalho de Alberto Aschiero, da Escola de Saúde Pública de Harvard, em Boston, pôde comprovar em 2005 que a atividade esportiva reduz pela metade o risco do surgimento da doença. Em que se baseia tal proteção, ainda não está claro. Talvez o esporte eleve o nível de dopamina – um efeito que também foi atribuído à nicotina recentemente. Nancy Pedersen, do Instituto Karolinska, de Estocolmo, também pôde comprovar em 2004 aquilo que pesquisadores da Universidade de Magdeburg, coordenados por Wiebke Hellenbrand, descobriram em 1997, amantes do cigarro aparentemente são vítimas menos frequentes da pérfida paralisia agitante. Os fumantes teriam então nova desculpa.

 

GESTÃO E CARREIRA

A INCANSÁVEL CLASSE C

A famosa fatia da população que nunca par de consumir e consegue manter o mercado vivo.

A Incansável classe C

Imagine uma oportunidade de negócios com um público com potencial de mais de 100 milhões de pessoas. Bem-vindo ao poderoso mundo da classe C no Brasil, que corresponde a 60% da população. No ano passado, ela cresceu ainda mais quando os resquícios da crise levaram pessoas da classe A e B a mudar seu lugar na pirâmide.

De acordo com uma pesquisa do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do banco Bradesco e da consultoria LCA, 900 mil pessoas fizeram essa migração – vale ressaltar que o estudo considera classe média pessoas com renda total familiar entre R$ 1.815 e R$7.278, totalizando 11,31 milhões de brasileiros em 2017. Em um recorte mais específico, o montante maior desse público está nos 70 milhões de pessoas que constituem famílias recebendo entre R$ 1.500 e R$ 3.500 por mês.

Mas, afinal, o que eles procuram? Segundo a fundadora do Outdoor Social e especialista em negócios nesse segmento, Emília Rabello, os consumidores da classe C buscam produtos que possam representar sua realidade e características natas, acrescentando um tipo de representatividade.

Nos anos 2000, o público foi a grande aposta da publicidade, que acabou deixando o filão de lado quando a crise chegou, mas uma pesquisa realizada pelo Plano CDE mostra que esse consumidor não parou de comprar, apenas adaptou­ se à nova realidade. “Eles são dois em cada três brasileiros e representam 50% da renda do Brasil. Não é um nicho, é o maior mercado do País”, enfatiza o diretor-executivo do Instituto Plano CDE, Maurício de Almeida Prado.

Segundo ele, são anos de uma era de aspirações paro entrar na fase de identificações. E isso é extremamente importante para comunicar para a classe C hoje. Antigamente tínhamos um modelo de propaganda e marca pautado nas aspirações, nas projeções de uma vida ideal. Todos querem ser a mocinha bonita da propaganda ou a família perfeita da campanha de margarina. As campanhas faziam o inatingível, principalmente para esse público. Agora o jogo virou e os consumidores querem se ver nas campanhas, com seus dilemas e imperfeições. “É aí que entra a identidade. As marcas que resolvem pepinos reais e empoderam o consumidor a partir da quebra de padrões sairão na frente, completa a head de pesquisa aa Consumoteca – consultoria especializada no comportamento do consumidor brasileiro, Marina Reale.

VALE A PENA?

Sim, desde que você entenda exatamente o terreno em que está pisando. Esse público está em busca de alternativas baratas por qualidade e boas experiências. Com cada vez mais informações, não é apenas o baixo preço que vai definir a escolha do cliente. Pesquisa e comparação são essenciais. Por isso, comece seu negócio oferecendo o mínimo de informações para seu consumidor em todas as plataformas que puder – o mundo digital não é apenas um segmento       de mercado, é ferramenta essencial para o desenvolvimento de qualquer empreendimento. “A classe C está cada vez mais exigente, não adianta oferecer gato por lebre, a relação custo-benefício sempre entra na tomada de decisão”, lembra Marina. Além disso, olhar para essa pessoa que vai em busca de seu produto ou serviço como alguém próximo, com problemas e vontades reais, é essencial para desenvolver exatamente aquilo de que ela precisa.

A rede Mania de passar é um exemplo de quem acertou. A marca surgiu da necessidade detectada pelo sócio- fundador Claudio Augusto, que sentia falta de um serviço do tipo que não fosse agregado a muitos outros e acabou se tornando pioneiro em uma empresa que apenas passa roupa. Simples assim, destacou­ se ainda como o sistema “Leva e Traz”, em que a unidade mais próxima busca as roupas limpas na casa do cliente e devolve com o serviço feito em até uma semana, com frete incluso. “Primeiro, buscamos nos aprofundar em conhecer os hábitos e entender qual seria a melhor comunicação que deveríamos utilizar. Falar sobre liberdade, mudança de carreira, independência financeira e, principalmente, trabalhar em casa, são assuntos que chamam bastante a atenção do público”, conta Augusto.

QUEM SÃO ELES?

Inicialmente, olhe para além dos números. Esse público busca por pagamentos facilitados, mas também há perfis que divergem e geram diferentes oportunidades – desde jovens universitários tentando conciliar horário do expediente com estudos até mulheres que cuidam sozinhas das contas da casa e do trabalho com os filhos. “Cada um deles tem suas tensões e particularidades. Mais do que idade, gênero ou profissão, um jeito bacana de entendê-los é olhar para quem são, suas referências de sucesso, qual seu grau de afinidade com a tecnologia, ou ainda seu acesso à informação”, explica Marina.

Além do consumo em si, é preciso estar atento ao fato de que é um público que trabalha duro e vive a dicotomia entre obrigações e diversão. Pensando nisso, o que você pode oferecer para melhorar ou facilitar essa logística? A solução pode se transformar em seu novo negócio. Falando em trabalho, entenda ainda o calendário de seu cliente. No fim do mês, falta dinheiro – apesar de ainda haver disposição para o lazer. É seu papel como empreendedor entender como isso pode afetar sua empresa para o bem ou para o mal. As compras por impulso também devem ser tiradas do perfil de comportamento desse público e é preciso lembrar que os limites de cartão de crédito não são altos. Por isso, algumas empresas como Casas Bahia, oferecem sua própria linha de crédito e facilitam as compras.

Além disso, Prado alerta que a grande maioria desses consumidores não possui conta poupança com aquela reserva de dinheiro. “De um tempo para cá, o mercado vem respondendo a isso com uma série de facilidades que tem funcionado: serviços pré-pagos, assinaturas que possam ser compartilhadas entre familiares e ofertas de compras casadas têm feito bastante sucesso com este público. Mais do que um preço baixo, eles estão sempre em busca de uma boa oportunidade de compra que desperte a sensação de bom custo-benefício. Com isso, marcas estão se tomando fator de compra tão importante quanto preço”, ressalta Marina.

Uma boa parte desse público está também em comunidades. Segundo Emília, cerca de 65% dos clientes de classe C são moradores desses espaços, bem divididos entre homens e mulheres e uma maioria de pessoas negras. Este recorte reforça ainda o quanto produtos segmentados por representatividade podem fazer sucesso, já que faltam no mercado empreendimentos que pensam em populações especificas de maneira a ultrapassar conceitos predeterminados.

DE OLHO NO ALVO

Fábio Marques Jr é sócio-diretor da Detroit Steakhouse e iniciou o projeto em 2011, com o objetivo de oferecer um ambiente estilo americano a um custo mais acessível. “As promoções criadas para os diversos tipos de públicos e horários funcionaram bem. Por exemplo, temos o almoço executivo a partir de R$10. Já na happy hour temos três chopes Brahma em caneca congelada por RS 13,95 e ainda, para almoço de fim de semana e à noite, rodízio de costela e aperitivos à vontade por somente R$ 39,95”, explica.

O sócio também ressalta que produtos com preços altos não funcionaram, mas não havia lucro em colocar um custo mais baixo e foi necessário mexer no cardápio. “Como o dinheiro é ainda mais valioso, a qualidade do atendimento é muito relevante e normalmente os que dão feedback querem continuar fazendo negócio com você. Para conseguir atender esse público, tem de ter um ticket médio mais barato, e isso pode ser visto por alguns empresários e empreendedores como negativo, todavia, enxergamos uma perspectiva bem diferente porque, dependendo dos critérios, a classe B/C representa até 80% da população brasileira, ou seja, temos um enorme público para continuar crescendo por todo o País por muitos e muitos anos”, explica Marques.

A incansável classe c.2

NOVOS HÁBITOS DA CLASSE C

ITENSDE CONSUMO REDUZIDO: comer fora de casa, lazer, vestuário, serviços de beleza, artigos para casa, alimentação, produtos de limpeza, material e eventos escolares, produtos de higiene pessoal.

ITENS QUE TIVERAM CONSUMO AMPLIADO: luz, alimentação, medicamentos, água, gás, internet, TV a cabo, produtos de higiene pessoal, transporte.

ITENS QUE PLANEJAM COMPRAR: roupas, móveis, reforma de casa, celular, automóvel usado, computador, produtos de alimentação.

O QUE ELES QUEREM?

  • Acesso ao crédito
  • Preços acessíveis
  • Opções de parcelamento
  • Descontos
  • Experiências positivas e representatividade

 

POR ONDE COMEÇAR?

O QUE ELESBUSCAM?

Materiais de construção (gastos com reformas e manutenção do lar), educação (gastos com matrículas e mensalidades de cursos) e saúde (gastos com medicamentos, exames e consultas em clínicas populares).

QUAIS OS CONSUMOS MAIS COMUNS?

Produtos de supermercado e categorias como alimentos, higiene, beleza e limpeza. Nos últimos anos, cresce sua importância no consumo de serviços como lazer, viagens, educação e saúde.

As telecomunicações também ganharam muito destaque no orçamento dessas famílias, com gastos crescentes em créditos para celular, Wi-Fi, TV a cabo e serviços de streaming.

ONDE POSSO INVESTIR?

O turismo possui espaço e ainda é pouco explorado. Na área da saúde, principalmente a odontologia, também há espaço dentro desse público.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 10: 22-38 – PARTE II

Alimento diário

As palavras de Cristo aos judeus

 

IV – A ira, a fúria, dos judeus contra Ele, devido a estas palavras: “Os judeus pegaram, então, outra vez, em pedras para o apedrejarem”, v. 31. Estas não são as palavras que foram usadas anteriormente (cap. 8.59), mas eles pegaram pedras, grandes pedras, pedras que eram pesadas, como as que usavam no apedrejamento de malfeitores. Eles as tinham trazido de algum lugar distante, como se estivessem preparando as coisas para a execução de Jesus, sem qualquer processo judicial; como se Ele fosse condenado de blasfêmia com a notória evidência do fato, sem a necessidade de um julgamento. O absurdo deste insulto que os judeus fizeram a Cristo ficará evidente, se considerarmos:

1. Que eles, imperiosamente, para não dizer insolentemente, o tinham desafiado para que lhes dissesse claramente se era o Cristo ou não, e mesmo agora, que Ele não somente dizia que era o Cristo, mas provava ser, eles o condenavam como a um malfeitor. Se os pregadores da verdade a propõem modestamente, são tachados como covardes; se a propõem ousadamente, como insolentes. Mas “a sabedoria é justificada por seus filhos”.

2. Que, quando eles tinham, anteriormente, feito uma tentativa similar, tinha sido inútil. Ele “ocultou-se … passando pelo meio deles” (cap. 8.59). Mas, ainda assim, eles repetiram sua tentativa frustrada. Os pecadores atrevidos atirarão pedras ao céu, ainda que elas retornem sobre suas próprias cabeças. Estes iníquos procurarão se fortalecer contra o Todo-Poderoso, embora nenhum daqueles que tentaram se fortalecer contra Ele tenha prosperado.

 

V – A terna censura que Cristo lhes faz, por ocasião da demonstração desta fúria (v. 32): Jesus respondeu ao que eles fizeram, pois não vemos que eles tivessem dito nada, a menos, talvez, que tivessem incitado a multidão que havia se reunido ao redor dele, para que se unissem a eles, gritando: ”Apedreja-o, apedreja-o”, da mesma maneira como fizeram posteriormente: “Crucifica-o, crucifica-o”. Quando Ele poderia ter respondido a eles com o fogo do céu, mansamente replicou: “Tenho vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual dessas obras me apedrejais?” Palavras tão ternas, que se poderia pensar que teriam derretido um coração de pedra. Ao lidar com seus inimigos, Ele ainda argumentava com base nas suas obras (os homens mostram o que são com o que fazem), suas boas obras, obras excelentes e eminentes. A expressão quer dizer grandes obras, como também boas obras.

1. O poder divino das suas obras os condenava da infidelidade mais absoluta. Estas eram obras do seu Pai, tão acima do alcance e do curso da natureza, a ponto de provar que quem as fazia era enviado de Deus, e que agia comissionado por Ele. Ele lhes mostrou estas obras. Ele fez isto abertamente, diante do povo, e não às escondidas, em um canto. Suas obras suportariam o teste, e se submeteriam ao testemunho dos espectadores mais investigativos e imparciais. Ele não mostrou suas obras à luz de velas, como aqueles que se preocupam somente com as aparências, mas as mostrou à luz do meio-dia, diante do mundo, cap. 18.20. Veja Salmos 111.6. Suas obras demonstravam, de maneira inegável, que eram uma demonstração incontestável da validade da sua comissão.

2. A graça divina das suas obras os condenava da mais vil ingratidão. As obras que Ele realizava entre eles não eram apenas milagres, mas misericórdias. Não somente prodígios, para maravilhá-los, mas obras de amor e gentileza, para fazer o bem a eles, e, desta maneira, torná-los bons, e tornar-se querido por eles. Ele curava os enfermos, purificava os leprosos, expulsava demônios, coisas que eram favores, não somente para as pessoas envolvidas, mas para o público. Estas obras, Ele tinha repetido e multiplicado: “‘Por qual dessas obras me apedrejais?’ Vós não podeis dizer que Eu vos tenha feito nenhum mal, nem vos feito qualquer provocação justa. Se, portanto, iniciais uma discussão comigo, deve ser por causa de alguma boa obra, alguma boa obra feita a vós. Dizei-me qual é”. Observe que:

(1) A horrível ingratidão que existe nos nossos pecados contra Deus e Jesus Cristo é um grande agravamento dos nossos próprios pecados, e os exibe terrivelmente pecaminosos. Veja como Deus argumenta a este respeito, Deuteronômio 32.6; Jeremias 2.5; Miquéias 6.3.

(2) Não devemos julgar estranho se nos encontramos com aqueles que não somente nos odeiam sem causa, mas que são nossos adversários pelo nosso amor; Salmos 35.12; 41.9. Quando Ele pergunta: “Por qual dessas obras me apedrejais?”, assim como evidencia a abundante satisfação que Ele tem na sua própria inocência, que dá coragem a um homem em um dia de sofrimento, também faz com que seus perseguidores considerem qual era a verdadeira razão da sua inimizade, e se perguntem, como deveriam fazer todos aqueles que criam problemas para seus vizinhos: “Por que o perseguimos?” Como Jó aconselha que seus amigos façam, Jó 19.28.

 

VI – A defesa que tentaram fazer de si mesmos, V 1. quando acusaram o Senhor Jesus Cristo, e a causa sobre a qual fundamentam sua acusação, v. 33. Que pecadores optarão por folhas de figueira para se cobrir, quando até mesmo os sanguinários perseguidores do Filho de Deus podiam encontrar algum argumento para se defender?

1. Eles não seriam considerados tão terríveis inimigos da sua nação por perseguirem a Jesus devido a uma boa obra: “Não te apedrejamos por alguma obra boa”. Pois, na verdade, eles dificilmente admitiram que alguma das suas obras fosse boa. A cura do homem paralítico (cap. 5) e do cego (cap. 9) estavam tão longe de serem reconhecidas como bons serviços à cidade, e beneméritos, que se somavam à quantidade dos seus crimes, porque tinham sido realizadas no sábado. Mas, se El e tinha feito alguma obra boa, eles não reconheceriam que o apedrejavam por causa dela, embora estas fossem realmente as coisas que mais os exasperavam, cap. 11.47. Assim, por mais absurdo que parecesse, eles não podiam ser levados a reconhecer seus próprios absurdos.

2. Eles seriam considerados amigos de Deus e da sua glória ao acusar Jesus de blasfêmia: “Porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo”. Aqui temos:

(1) Um falso zelo pela lei. Eles pareciam extremamente preocupados com a honra da majestade divina, e dominados por um horror religioso com aquilo que eles imaginavam ser uma censura a ela. “Aquele que blasfemar… certamente morrerá”, Levítico 24.16. Esta lei, pensavam eles, não somente justificava, mas santificava o que eles tentavam fazer; como em Atos 26.9. Observe que os costumes mais vis são frequentemente encobertos por pretextos plausíveis. Assim como nada é mais corajoso do que uma consciência bem informada, também nada é mais ultrajante do que uma equivocada. Veja Isaías 66.5; cap. 16.2.

(2) Uma verdadeira inimizade pelo Evangelho, ao qual eles não podiam fazer afronta maior do que representar a Cristo como um blasfemo. Não é novidade que as piores características sejam atribuídas aos melhores homens, por aqueles que decidem dar a eles o pior tratamento.

[1] O crime do qual Ele é acusado é blasfêmia, ou seja, falar de maneira reprovável e maldosa sobre Deus. O próprio Deus está fora do alcance do pecador, e não é suscetível de receber nenhuma ofensa real, e, portanto, a inimizade com Deus lança seu veneno sobre seu nome, e assim mostra sua má intenção.

[2] A prova do crime: “Sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo”. Assim como é glória de Deus o fato de que Ele é Deus, e nós a roubamos dele quando o fazemos como um de nós, também é sua glória o fato de que, além dele, não existe outro, e nós a roubamos dele quando nos equiparamos, ou a qualquer criatura, a Ele. Agora, em primeiro lugar, até aqui, eles tinham razão, pois o que Cristo tinha dito a seu respeito era isto, que Ele era Deus, pois Ele tinha dito que era um só com o Pai, e que daria a vida eterna. E Cristo não nega isto, o que poderia ter feito se tivesse havido uma conclusão indevida das suas palavras. Mas, em segundo lugar, eles estavam muito enganados quando o consideravam como um mero homem, e julgavam que a divindade que Ele reivindicava era uma usurpação, e da sua própria invenção. Eles julgavam absurdo e ímpio que alguém como Ele, que surgia com a aparência de um homem pobre, humilde e desprezível, ousasse professar ser o Messias, e afirmasse ter o direito às honras confessadamente devidas ao Filho de Deus. Observe que:

1. Aqueles que dizem que Jesus é um mero homem, e somente um Deus fabricado, como dizem os socinianos, na verdade o acusam de blasfêmia, mas provam que os blasfemos são eles mesmos.

2. Aquele que, sendo um homem, um homem pecador, se faz um deus, como o Papa, que afirma ter poderes e prerrogativas divinas, é inquestionavelmente um blasfemo e anticristo.

 

VII – A resposta de Cristo à acusação feita a Ele (pois a defesa dos judeus era uma acusação a Cristo), e a confirmação daquelas reivindicações que eles diziam que eram blasfemas (v. 34ss.), onde Ele prova não ser blasfemo, com dois argumentos:

1. Com um argumento extraído da Palavra de Deus. Ele recorre ao que estava escrito na lei dos judeus, isto é, no Antigo Testamento. Quem quer que se oponha a Cristo, saiba que seguramente Ele terá as Escrituras do seu lado. Está escrito (Salmos 82.6): “Eu disse: sois deuses”. É um argumento do menor para o maior. “Se eles eram deuses, quanto mais Eu o sou”. Observe:

(1) Como Ele aplica o texto (v.35): Ele “chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada)”. A palavra da comissão de Deus tinha vindo sobre eles, indicando-os para serem seus oficiais, como juízes, e, por essa razão, são chamados de deuses, Êxodo 22.28. A alguns, a palavra de Deus foi dirigida imediatamente, como a Moisés; a outros, sob a forma de uma ordenança instituída. A magistratura é uma instituição divina, e os magistrados são representantes de Deus, e, portanto, as Escrituras os chamam de deuses, e nós temos certeza de que as Escrituras não podem ser anuladas, nem se pode introduzir nada a elas, nem se pode encontrar falhas nelas. Toda palavra de Deus está correta. O estilo e a linguagem das Escrituras são irrepreensíveis, e não devem ser corrigidos, Mateus 5.18.

(2) Como Ele o aplica. De modo geral, é fácil concluir que aqueles que condenavam a Cristo como blasfemo, somente por dizer que era o Filho de Deus, eram muito imprudentes e irracionais, quando eles mesmos chamavam assim seus príncipes, e isto as Escrituras lhes permitiam. Mas o argumento vai mais além (v. 36): Se os magistrados eram chamados deuses, porque eram comissionados para administrar justiça à nação, “àquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas”? Aqui temos duas questões a respeito do Senhor Jesus:

[1] A honra que seu Pai lhe concedeu, na qual, com razão, Ele se glorifica: o Pai o santificou e enviou ao mundo. Os magistrados eram chamados de filhos de Deus, embora a palavra de Deus fosse apenas dirigida a eles, e o espírito de governo tenha vindo a eles por medida, como sobre Saul. Mas nosso Senhor Jesus era, Ele mesmo, a Palavra, e tinha o Espírito sem medida. Eles eram constituídos para uma região, cidade ou nação em particular, mas Ele era enviado ao mundo, revestido de uma autoridade universal, como Senhor de tudo. Eles eram mandados, como pessoas distantes. Ele era enviado, como tendo estado com Deus desde a eternidade. O Pai o santificou, isto é, o designou e consagrou para o ofício de Mediador, e o qualificou e capacitou para este oficio. Santificá-lo significa a mesma coisa que selá-lo, cap. 6.27. Observe que o Pai santifica a quem envia. Aquele que Ele designa para propósitos santos, Ele prepara com santos princípios e disposições. O Deus santo só irá empregar e recompensar aqueles que Ele julgar santos, ou aqueles que Ele santificar. O ato de o Pai santificar e enviar o Senhor Jesus Cristo é aqui certificado como a permissão suficiente para que Ele se declarasse Filho de Deus, pois, por Ele ser santo, foi chamado de Filho de Deus, Lucas 1.35. Veja Romanos 1.4.

[2] A desonra que os judeus lhe fizeram, da qual Ele reclama com razão – que eles tinham dito de maneira ímpia sobre Ele, a quem o Pai tinha dignificado desta forma, que Ele era um blasfemo, porque tinha dito ser Filho de Deus: “Vocês dizem isto dele? Vocês ousam dizer isto? Vocês ousam direcionar suas bocas contra os céus? Vocês têm coragem suficiente para dizer ao Deus da verdade que Ele está mentindo, ou condenar aquele que é justo e poderoso? Olhem-me nos olhos, e digam se podem fazer isto. O que! Vocês dizem, do Filho de Deus, que Ele é um blasfemo?” Se os demônios, que Ele veio para condenar, tivessem dito isto a seu respeito, não teria sido tão estranho. Mas o fato de estes homens, aos quais Ele tinha vindo ensinar e salvar, dizerem isto dele, era algo pelo que os céus poderiam pasmar. Veja qual é a linguagem de uma incredulidade obstinada. Na verdade, ela chama o santo Jesus de blasfemo. Ê difícil dizer com que devemos nos espantar mais, com o fato de que homens que respiram o ar de Deus ousassem dizer estas coisas, ou com o fato de que homens que dissessem tais coisas ainda tivessem permissão para respirar o ar de Deus. A maldade do homem e a paciência de Deus disputam entre si qual será a mais surpreendente.

2. Com um argumento que Ele extrai das suas próprias obras, vv. 37,38. Anteriormente, Ele apenas respondeu à acusação de blasfêmia com um argumento – voltando o argumento de um homem contra si mesmo. Mas aqui Ele apresenta suas próprias reivindicações, e prova que Ele e o Pai são um só (vv. 37,38): “Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis”. Embora o Senhor pudesse, com razão, ter abandonado estes blasfemos infelizes, como casos incuráveis, Ele ainda concorda em argumentar com eles. Observe:

(1) A partir de que Ele argumenta – de suas obras, que Ele sempre apresentava como suas credenciais, e provas da sua missão. Assim como Ele provava ser enviado de Deus pela divindade das suas obras, também nós devemos nos provar aliados de Cristo pelo cristianismo das nossas.

[1] O argumento é muito convincente, pois as obras que Ele realizava eram as obras do seu Pai, que somente o Pai poderia fazer, e que não poderiam ser feitas no curso ordinário da natureza, mas somente pelo poder soberano e predominante do Deus da natureza. Obras peculiares de Deus, e Obras dignas de Deus, as obras de um poder divino. Aquele que pode prescindir das leis da natureza, repeli-las, alterá-las e anulá-las da maneira como desejar, pelo seu próprio poder, certamente é o príncipe soberano que primeiro instituiu e promulgou tais leis. Os milagres que os apóstolos realizassem em seu nome, pelo seu poder, e para a confirmação da sua doutrina, corroborariam este argumento, e continuariam sendo sua evidência, quando Ele tivesse partido.

[2] Este argumento é proposto de modo tão correto quanto se poderia desejar, e utilizado em prol de um resultado breve. Em primeiro lugar: “Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis”. Ele não exige uma fé cega e implícita, nem uma concordância com sua missão divina além das provas que Ele oferece. Ele não desejou ganhar o afeto do povo, nem os adulou com insinuações dissimuladas, nem se aproveitou da sua credulidade com afirmações ousadas, mas, com a mais imaginável correção, eliminou todas as exigências da sua fé, além de oferecer justificativas para estas exigências. Cristo não é um mestre difícil, que espera colher concordâncias onde não plantou argumentos. Ninguém perecerá por não crer naquilo que não lhe foi proposto com motivos suficientes para credibilidade, e a própria Sabedoria Infinita será o juiz. Em segundo lugar: “Mas se faço ‘as obras de meu Pai’, se realizo milagres inegáveis para a confirmação de uma doutrina sagrada, e vocês não creem em mim, embora sejam tão escrupulosos a ponto de não aceitar minha palavra, creiam nas obras. Creiam nos seus próprios olhos, na sua própria razão. As coisas falam por si mesmas, de maneira suficientemente clara”. Assim como as coisas invisíveis do Criador são claramente vistas pelas suas obras de cri­ ação e providência comum (Romanos 1.20), também as coisas invisíveis do Redentor eram vistas pelos seus milagres, e por todas as suas obras, tanto de poder quanto de misericórdia, de modo que todos aqueles que não se convenceram por estas obras não tinham justificativa.

(2) Para que Ele argumenta – “que conheçais e acrediteis”, inteligentemente, e com total satisfação, “que o Pai está em mim, e eu, nele”, que é o mesmo que Ele tinha dito (v. 30): “Eu e o Pai somos um”. O Pai estava tanto no Filho, que nele residia toda a plenitude da Divindade, e era por um poder divino que Ele realizava seus milagres. O Filho estava tanto no Pai, que estava perfeitamente familiarizado com a plenitude da sua vontade, não por comunicação, mas por consciência, tendo estado no seu seio. Isto nós devemos saber, não saber e explicar (pois não podemos, investigando, descobrir com perfeição), mas conhecer e crer, reconhecer e adorar a profundidade, quando não pudermos encontrar o fundo.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O PODER DAS EMOÇÕES INCONSCIENTES

Quando começamos a perceber que nos sentimos angustiados ou com medo, pode ser útil nos lembrarmos do que vimos, ouvimos ou pensamos nos últimos minutos – e, assim, identificar o gatilho emocional.

O poder das emoções inconscientes

Acontece com todo mundo: de repente e inexplicavelmente nos sentimos alegres ou tristes, embora ainda há pouco nosso humor estivesse bem diferente. Geralmente a culpa é de uma pista subliminar ou “estímulo precedente” (priming). Mas não precisamos ficar presos a essas pistas subconscientes. Pesquisas recentes sugerem que simplesmente reconhecer o fenômeno já é meio caminho andado para assumir o controle novamente – afinal, não é porque sentimos algo que isso necessariamente se justifica.

Os pesquisadores geralmente estudam os efeitos do estímulo precedente induzindo os participantes a acreditar que estão envolvidos no teste de outra variável qualquer. Num estudo realizado na Universidade de Toronto, pessoas expostas a imagens de logotipos de fast-food, sem se darem conta disso conscientemente, tornavam-se mais impacientes e dispostas a gastar. Outro estudo, publicado no periódico científico Journal of Psychosomatic Research, mostrou que, quando os participantes evocavam lembranças relacionadas a doenças, sua tolerância à dor diminuía, como se ficassem mais sensíveis diante da lembrança da fragilidade física.

Um artigo publicado no periódico Social Cognition revela como metas das quais não temos consciência clara (aquelas que se tornaram tão automáticas que nem percebemos que ainda as estamos perseguindo, como emagrecer, impressionar o chefe ou tirar férias do Facebook) podem nos deixar com um humor “misterioso” – positivo ou negativo.

No estudo tratado no artigo, alguns participantes que deveriam perseguir certo objetivo foram previamente estimulados com uma tarefa de leitura que incluía palavras como “sucesso” e “realização”. Os voluntários, entretanto, não tinham consciência dessa preparação, acreditavam que a leitura não estava relacionada com o experimento. Quando se saíram mal numa tarefa subsequente de desafio mental, seu estado de ânimo se mostrou mais negativo que o daqueles que não foram submetidos antes ao exercício com palavras orientadas para o cumprimento de uma meta.

A chave para superar os efeitos da preparação pode ser bastante simples: exercitar a autoconsciência. Ou seja: prestar atenção em nossas reações sem se deixar levar pelo “automatismo” no qual costumamos viver. Um fato a ser destacado é que o ânimo dos participantes melhorou quando os pesquisadores mostraram por que razão eles começaram a se sentir tristes. O que isso significa na prática? Talvez, que, quando começamos a perceber que nos sentimos angustiados, depressivos ou com medo, pode ser útil nos lembrarmos do que vimos, ouvimos ou pensamos nos últimos minutos – e, assim, identificar o gatilho emocional. Essa atitude, pautada por uma escolha racional, costuma ser bastante útil para superar crises de mau humor repentinas e, aparentemente, misteriosas.

O poder das emoções inconscientes.2

PENSAMENTOS FELIZES EM AÇÃO

Em busca das causas da depressão, recentemente pesquisadores americanos localizaram duas regiões do cérebro ligadas ao otimismo. Participaram do estudo 15 pessoas que não só se reconheciam como alegres e bem-humoradas, mas também foram avaliadas dessa forma pelos especialistas ao serem submetidas a um questionário-padrão. A pesquisadora Elizabeth Phelps e seus colegas da Universidade de Nova York pediram aos voluntários que imaginassem diversos cenários possíveis enquanto passavam por exame de ressonância magnética funcional (fMRI).

Em dado momento, os participantes seguiram instruções para se lembrar de um evento negativo do passado, como o funeral de um ente querido ocorrido nos últimos cinco anos. Em outra fase da experiência, eles tiveram de imaginar como seria se envolver em um grave acidente de carro em um futuro próximo. Em outros momentos, as pessoas tinham de pensar em acontecimentos positivos, como ter feito uma maravilhosa viagem no passado ou receber uma grande soma de dinheiro no futuro.

A análise dos dados obtidos no exame de imageamento cerebral revelou que refletir sobre os acontecimentos passados e futuros ativa a amígdala e o córtex cingulado anterior. No entanto, os eventos positivos – e particularmente os projetados no futuro – provocaram resposta significativamente mais intensa do que refletir sobre acontecimentos negativos.

Essa descoberta dá respaldo aos estudos anteriores que sugerem que, em muitos casos, o mau funcionamento da amígdala e do córtex cingulado anterior está relacionado ao aparecimento de sintomas de transtornos do humor. Segundo o cientista Wayne Drevets, do Instituto Nacional de Saúde Mental, em Bethesda, Estados Unidos, durante autópsias realizadas em pacientes severamente deprimidos foram encontradas menos células do que o normal nessas áreas. Ele acredita que as novas descobertas do estudo de Elizabeth Phelps podem ajudar a esclarecer, da ótica neurocientífica, por que pessoas com depressão têm dificuldade de produzir pensamentos alegres ou se mostrar confiantes.

OUTROS OLHARES

O DEFICIENTE ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

Lei brasileira de inclusão apresenta problemas por integrar, na mesma legislação, indivíduos com deficiência física e mental.

O Deficiente estatudo da pessoa com deficiência

Em 6 de julho de 2015 foi instituída a Lei nº 13.146, que passa a se chamar Lei Brasileira de Inclusão. A ideia do legislador era “assegurar e promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania”, conforme o seu art. 1°.

Com respeito às opiniões divergentes, essa lei apresenta problemas insuperáveis por incluir, na mesma legislação, indivíduos com deficiência física e mental.

Do ponto de vista médico, não há qualquer possiblidade de equipará-los, colocando-os em uma mesma categoria, uma vez que os transtornos mentais estão relacionados à capacidade de entendimento e de determinação do agente, enquanto as outras deficiências são de natureza eminentemente física ou relacionadas ao comprometimento da sensopercepção.

Para ficar apenas no que interessa à psiquiatria forense, é preciso lembrar que muitos doentes mentais precisam ser interditados, pois a interdição, que tem suas origens na Lei das Doze Tábuas, foi por milênios aperfeiçoada para proteger o indivíduo incapaz de gerir a sua pessoa e de administrar os seus bens. E quem elaborou o Estatuto da Pessoa com Deficiência viu a interdição como um castigo ao interdito, ao passo que é exatamente o contrário, ou seja, um remédio jurídico-social, o qual, como qualquer fármaco, se bem administrado, é medida salutar e necessária. O grande e incompreensível problema da lei em comento está no Capítulo II art. 6°, que estabelece: “A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa” (ou seja, não existe mais interdição total).

Afeta sim, é impossível o esquizofrênico grave, o encefalopata maior, o demente senil, o sequelado grave de acidente vascular cerebral, o alcoolista crônico, o toxicômano grave, o enfermo de mal de Pick, o que está há longo tempo em estado comatoso etc. ter capacidade mental para praticar qualquer ato civil, seja lá qual for. Devem ser protegidos pela lei, pois são totalmente incapazes. Sem a proteção legal, ficam vulneráveis e expostos a toda a sorte de desgraça física, patrimonial, social, pessoal e tudo mais.

Os problemas dessa Lei nº13.146/2015 não param aí. Apenas para citar mais um: o art. 84, § 2°, diz respeito à tomada de decisão apoiada, quando a pessoa com deficiência elege pelo menos dois indivíduos para lhe prestar apoio na tomada de decisão sobre atos da vida civil (art. 1.783-A do Código Civil).

Imagine o leitor um indivíduo limítrofe intelectualmente – ingênuo, sugestionável e com diminuição da inteligência -, sem o pai, a mãe morreu e não tem irmãos ou parentes, na posse da legítima herança. Não estaria correndo o risco de apontar dois espertalhões, dentre tantos que não minguam em qualquer sociedade, que estão sempre prontos para “ajudar”? E como ficam os psicopatas e fronteiriços de todo o gênero? Parece que o legislador que elaborou a referida Lei nº 13.146/2015 foi deficiente em compreender que a interdição total, como dito, não é um castigo, mas a necessária proteção jurídico-social para alguns que possuem transtornos intelectuais.

Se essa lei, com todo respeito, caolha para a psiquiatria forense, não for rapidamente revista, vamos assistir a inúmeras injustiças e práticas condenáveis recaírem naqueles que mais precisam de proteção social e legal.

 

GUIDO ARTURO PALOMBA – é psiquiatra forense e membro emérito da Academia de Medicina de São Paulo.

GESTÃO E CARREIRA

TESTE: VOCÊ É UM LIDER OU TEM APENAS UM CARGO?

Você é um líder ou tem apenas um cargo

Muitas pessoas, apenas por possuírem um cargo de chefia ou gestão, consideram-se líderes. No entanto, um verdadeiro líder deve ter inteligência emocional, equilíbrio e, sobretudo, uma profunda vocação para ajudar as pessoas a crescerem e se desenvolverem. Mas como saber se você é mesmo um líder ou tem apenas um cargo? Faça nosso Teste de Liderança e descubra!

 

1. Você busca ser fonte de inspiração para sua equipe de trabalho?

A – Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

2. Sente prazer em desenvolver habilidades específicas dos membros da sua equipe?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

3. Procura sempre se aperfeiçoar como profissional em vez de acreditar que já sabe o necessário?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

4. Possui inteligência emocional para reagir da melhor forma às situações mais adversas?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

5. Sua equipe se sente à vontade para compartilhar ideias e opiniões?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

6. As pessoas procuram você quando precisam resolver problemas?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

7. Quando algo dá errado no seu setor, você assume a responsabilidade pelo erro?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

8.  Você defende sua equipe diante das pessoas e a corrige particularmente?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

9. Quando algo dá certo, reconhece o mérito de toda a equipe?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

10.  Instiga sua equipe a buscar sempre novos desafios?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

11. Sabe estabelecer limites ao dizer não quando necessário?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

12. Sente necessidade do elevar o tom de voz para ser ouvido com atenção e respeitado?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

13. Quando há uma emergência e precisa fazer horas extras, assume a responsabilidade para si?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

14. É capaz de mudar de opinião e se adaptar a novas situações?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca 

 

15. Ouve as pessoas ao redor e está disposto a ajudar sua equipe nas dificuldades?

A- Sempre

B- Frequentemente

C- Às vezes

D- Raramente

E- Nunca

 

RESPOSTAS:

Se você marcou mais SEMPRE: Você é mesmo um líder!

Parabéns! Pelas suas respostas, pode-se perceber que você é, de fato, um líder. Alguém capaz de inspirar toda a equipe a alcançar os melhores resultados! Você é presença fundamental na sua equipe e o profissional que todos buscam quando precisam resolver problemas. Quanta responsabilidade, hein? Mas tenho certeza de que muito gratificante também. Continue desenvolvendo o que há de melhor em você e também nas pessoas ao seu redor!

 

Se você marcou mais FREQUENTEMENTE: Você ainda não é um líder, mas está quase lá! Calma, não precisa desanimar! Você ainda não é um verdadeiro líder, mas está no caminho. Afinai tudo é um aprendizado, não é mesmo? E basta um pouco mais de esforço e determinação para você chegar lá! Continue se esforçando que, quando menos esperar, você será fonte de inspiração para todos os membros da sua equipe e alcançará resultados surpreendentes.

 

Se você marcou mais ÀS VEZES, RARAMENTE OU NUNCA: Infelizmente, você tem apenas um cargo. Você sabia que conquistar um cargo de chefia não faz, necessariamente, de você um líder? Para conseguir gerir uma equipe de forma eficiente e trazer bons resultados à sua empresa, você precisa desenvolver habilidades que o transformarão em um líder de verdade. Inspirar sua equipe, assumir responsabilidade pelos erros e compartilhar os sucessos são apenas algumas atitudes indispensáveis. Busque aperfeiçoa-las e torne-se aquilo que você realmente busca: ser um líder de verdade!

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 10: 22-38 – PARTE I

Alimento diário

As palavras de Cristo aos judeus

Temos aqui outra discussão no Templo, entre Cristo e os judeus, em que é difícil dizer o que é mais estranho, as palavras de graça que saíam da sua boca, ou as palavras rancorosas que saíam das deles.

I – Temos aqui a ocasião em que esta conversa aconteceu: foi na “Festa da Dedicação, e era inverno”. Esta festa era observada anualmente por todo o povo de Israel, para recordar a dedicação de um novo altar e a purificação do Templo, por Judas Macabeu, depois que o Templo tinha sido profanado, e o altar, contaminado. Temos o relato com detalhes na história dos Macabeus (livro 1, cap. 4), e temos a profecia deste acontecimento, Daniel 8.13,14. Veja mais sobre a festa, 2 Macabeus 1.18. O retorno da sua liberdade era, para eles, como a vida dentre os mortos, e, em comemoração a isto, eles observavam uma festa anual, no vigésimo quinto dia do mês de Quisleu, aproximadamente no início de dezembro, e nos sete dias seguintes. Esta celebração não se limitava a Jerusalém, como as das festas divinas, mas cada um a observava na sua própria cidade ou região, não como um período sagrado (somente uma instituição divina pode santificar um dia), mas como uma época feliz, como os dias de Purim, Ester 9.19. Cristo esperava estar agora em Jerusalém, não em honra à festa, que não exigia sua presença ali, mas para que pudesse aproveitar estes oito dias de folga para bons propósitos.

II – O lugar em que isto aconteceu (v. 23): ”Jesus passeava no templo, no alpendre de Salomão”, assim chamado (Atos 3.11), não porque tivesse sido construído por Salomão, mas porque tinha sido construído no mesmo lugar que aquele que trazia seu nome, no primeiro Templo, e o nome foi conservado para sua maior reputação. Aqui Cristo passeava, para observar os atos do grande Sinédrio, que tinha sede ali (Salmos 82.1). Ele passeava, pronto para atender qualquer pessoa que se dirigisse a Ele. O Senhor estava pronto para abençoar a todos. Ele passeava, aparentemente, sozinho, por algum tempo, como alguém negligenciado. Passeava pensativo, prevendo a destruição do Templo. Aqueles que têm alguma coisa a dizer a Cristo, poderão encontrá-lo no Templo e andar com Ele por ali.

III – A conversa propriamente dita, na qual observe:

1. Uma pergunta importante que os judeus lhe propuseram, v. 24. Eles “rodearam-no”, para provocá-lo. Ele estava esperando uma oportunidade para conceder-lhes um ato de bondade, e eles aproveitaram a oportunidade para fazer-lhe mal. Não é raro nem incomum que más intenções retribuam boas intenções. Ele não podia ficar em paz, não, não no Templo, na casa do seu Pai, sem que o perturbassem. Eles o rodearam, como para prendê-lo. Cercaram-no, como abelhas. Eles o rodearam como se tivessem um desejo conjunto e unânime a ser satisfeito. Vieram como um único homem, fingindo fazer uma procura imparcial e inoportuna da verdade, mas pretendendo um ataque generalizado contra nosso Senhor Jesus, e pareceram expressar a opinião da sua nação, como se fossem a boca de todos os judeus: ”Até quando terás a nossa alma suspensa? Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente”.

(1) Eles discutem com Jesus, como se Ele os tivesse injustamente mantido em suspense até aqui. Por quanto tempo você pretende roubar nossos corações? Ou, roubar nossas almas. Alguns assim interpretam. Indicando, de maneira vil, que qualquer que fosse o amor e o respeito do povo que Ele obtivesse, não o teria obtido de modo adequado, mas por métodos indiretos, da mesma maneira que Absalão furtava o coração dos homens de Israel, e da mesma maneira como os sedutores enganam os corações dos símplices, para atraírem discípulos após si, Romanos 16.18; Atos 20.30. Mas a maioria dos intérpretes entende como nós: “Quanto tempo nos manterá em suspense? Quanto tempo devemos ficar discutindo quanto a se você é ou não o Cristo, sem conseguir definir a questão?” Veja:

[1] O fato de que, mesmo depois de nosso Senhor Jesus ter provado completamente ser o Cristo, eles ainda tivessem dúvidas a este respeito, era resultado da infidelidade e dos fortes preconceitos deles. Eles voluntariamente hesitavam a respeito disto, quando podiam ter sido facilmente satisfeitos. A luta era entre suas convicções, que lhes diziam que Ele era o Cristo, e sua corrupção, que dizia que Ele não o era, porque Ele não era um Cristo do tipo como eles esperavam. Aqueles que desejam ser céticos podem, se quiserem, controlar o equilíbrio, de modo que nem os argumentos mais convincentes possam superar as mais insignificantes objeções, mas a balança ainda pareça equilibrada.

[2] O fato de que eles atribuíam ao próprio Cristo a culpa pelo fato de que eles ainda duvidassem, como se Ele os fizesse duvidar por alguma incoerência de sua parte, ao passo que, na verdade, eles mesmos eram culpados por duvidar, pois toleravam os preconceitos que já tinham. Assim, este era um exemplo da insolência e presunção deles. Se as palavras da Sabedoria parecem duvidosas, a culpa não está no objeto, mas nos olhos. Elas são completamente claras para aquele que as compreende. Cristo deseja nos fazer crer. Nós é que trazemos a dúvida sobre nossa vida.

(2) Eles o desafiam a dar-lhes uma resposta direta e categórica, quanto a ser ou não o Messias: “Se tu és o Cristo”, como muitos creem, “dize-no-lo abertamente”, e não por parábolas, como: Eu sou a luz do mundo, e o bom Pastor, e outras semelhantes, mas em palavras claras, dizendo que tu és o Cristo, ou, como João Batista, que não é, cap. 1.20. Esta investigação insistente dos judeus era, aparentemente, boa. Eles pareciam estar desejosos de conhecer a verdade, como se estivessem prontos a aceitá-la. Mas, na realidade, era ruim, e proposta com más intenções, pois, se Ele lhes dissesse claramente que era o Cristo, não seria necessário nada mais para considerá-lo odioso perante a inveja e a severidade do governo romano. Todos sabiam que o Messias deveria ser um rei, e, portanto, quem pretendesse ser o Messias seria acusado de traição, e isto era exatamente o que eles desejavam, pois, se Ele lhes dissesse claramente que era o Cristo, eles responderiam imediatamente: “Tu testificas de ti mesmo”, como já tinham dito, cap. 8.13.

2. A resposta de Cristo a esta pergunta, em que:

(1) Ele se justifica, dizendo não ser, de nenhuma maneira, um auxiliar à infidelidade e ao ceticismo deles, lembrando-os:

[1] Daquilo que Ele tinha dito: “Já vo-lo tenho dito”. Ele lhes tinha dito que era o Filho de Deus, o Filho do homem, que tinha a vida em si, que tinha autoridade para realizar julgamentos etc. E não será este o Cristo, então? Ele lhes tinha dito estas coisas, e eles não creram. Por que, então, Ele deveria dizer-lhes isto outra vez, simplesmente para satisfazer sua curiosidade? “Não o credes”. Eles fingiam que apenas duvidavam, mas Cristo lhes diz que eles não criam. O ceticismo na religião não é melhor do que a infidelidade direta. Não nos cabe ensinar a Deus a maneira como Ele deve nos ensinar, nem determinar com que clareza Ele deve nos contar sua vontade, mas devemos ser gratos pela revelação divina, da maneira como a recebemos. Se não cremos assim, tampouco seríamos persuadidos, se ela estivesse adaptada ao nosso gosto.

[2] Ele os lembra das suas obras, do exemplo da sua vida, que não somente era perfeitamente pura, mas altamente beneficente e em conformidade com sua doutrina, e, em especial, dos seus milagres, que Ele realizava para a confirmação da sua doutrina. Era certo que ninguém poderia realizar estes milagres, a menos que Deus estivesse com ele, e Deus não estaria com Ele para confirmar algo falso.

(2) Ele os condena pela descrença obstinada, apesar dos mais claros e poderosos argumentos usados para convencê-los: “Não o credes”, e outra vez: “Não credes”. “Vocês ainda são o que sempre foram, obstinados na sua descrença”. Mas a razão que Ele oferece é muito surpreendente: ‘”Vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas’. Vós não credes em mim, porque não pertenceis a mim”.

[1] “Vocês não estão dispostos a ser meus seguidores, não têm uma personalidade propensa a ser ensinada, não têm inclinação para receber a doutrina e a lei do Messias. Vocês não desejam se agregar às minhas ovelhas, não desejam vir e ver, vir e ouvir minha voz”.  As antipatias enraizadas ao Evangelho de Cristo são os laços da iniquidade e da infidelidade.

[2] “Vocês não estão destinados a ser meus seguidores; vocês não estão entre aqueles que me foram dados pelo meu Pai, para serem trazidos à graça e à glória. Vocês não são do número dos eleitos, e sua descrença, se vocês persistirem nela, será uma evidência garantida de que vocês realmente não o são”. Observe que aqueles a quem o Senhor Deus nunca dá a graça da fé, nunca foram destinados ao céu e à felicidade. Aquilo que Salomão disse a respeito da imoralidade é também verdadeiro a respeito da infidelidade: “Cova profunda é”, e aquele contra quem o Senhor se irar cairá nela, Provérbios 22.14. O fato de não estar incluído entre os eleitos não é a causa propriamente dita da infidelidade, mas meramente a causa acidental. Porém, a fé é o dom de Deus, e o resultado da predestinação.

(3) Ele aproveita esta oportunidade para descrever tanto a disposição graciosa quanto a feliz condição daqueles que são suas ovelhas, pois elas existem, embora não sejam eles.

[1] Para convencê-los de que eles não eram suas ovelhas, Ele lhes conta quais eram as características das suas ovelhas. Em primeiro lugar, elas ouvem sua voz (v. 27), pois sabem que é a dele (v.4), e Ele se responsabilizou de que elas ouvissem sua voz, v. 16. Elas a distinguem: “Esta é a voz do meu amado”, Cantares 2.8. Elas se alegram com ela, e ficam completamente à vontade quando se sentam aos seus pés para ouvir sua palavra. Elas agem de acordo com ela, e fazem da sua vontade sua lei. Cristo não considerará suas ovelhas aqueles que são surdos ao seu chamado, surdos ao seu encanto, Salmos 58.5. Em segundo lugar, elas o seguem. Elas se submetem à sua orientação, com uma obediência voluntária a todas as suas ordens, é uma conformidade satisfeita com seu Espírito e padrão. A ordem sempre tinha sido: “Vinde após mim”. Nós devemos ver Jesus como nosso líder e capitão, e seguir seus passos, e andar como Ele andava, seguir as prescrições da sua palavra, as indicações da sua providência e as orientações do seu Espírito, seguir o Cordeiro (o líder do rebanho), onde quer que Ele vá. Nós estaremos ouvindo sua voz em vão, se não o seguirmos.

[2] Para convencê-los de que o fato de não pertencerem ao rebanho de Cristo era a maior infelicidade e desgraça deles, Ele aqui descreve a condição abençoada daqueles que pertencem ao seu rebanho, o que poderia servir tanto para o sustento e consolo dos seus pobres seguidores desprezados quanto para impedi-los de invejar o poder e a grandeza daqueles que não eram suas ovelhas.

Em primeiro lugar, nosso Senhor Jesus conhece suas ovelhas: elas “ouvem a minha voz, e eu conheço-as”. Ele as distingue de outras (2 Timóteo 2.19), tem uma consideração especial com cada uma, individualmente (Salmos 34.6). Ele conhece suas necessidades e seus desejos, conhece suas almas na adversidade, sabe onde encontrá-las e o que fazer por elas. Ele conhece as outras à distância, mas estas, Ele conhece intimamente.

Em segundo lugar, Ele proveu uma felicidade para elas, adequada a elas: “E dou-lhes a vida eterna”, v. 28.

1. O bem que elas recebem é precioso e valioso. É a vida, a vida eterna. O homem tem uma alma viva. Portanto, a felicidade que lhe é fornecida é a vida, adequada à sua natureza. O homem tem uma alma imortal. Portanto, a felicidade que lhe é fornecida é a vida eterna, uma vida que durará para todo o sempre. A vida eterna é a felicidade e o principal bem de uma alma imortal.

2. A entrega é gratuita: “Dou-lhes”. A vida eterna não é objeto de barganha, nem vendida com uma compensação valiosa, mas dada, pela livre graça de Jesus Cristo. O doador tem a autoridade para dá-la. Aquele que é a fonte da vida, e o Pai da eternidade, autorizou Cristo a dar a vida eterna, cap. 17.2. Não é: “Eu desejo dá-la”, mas: “Eu a dou”. É um dom concedido no presente. Ele dá a certeza dela, sua promessa e seu penhor; as primícias e antecipações daquela vida espiritual que é a vida eterna, que entendemos que iniciamos aqui, o céu na forma de se­ mente, no botão, no estado embrionário.

Em terceiro lugar, Ele se responsabilizou pela segurança das ovelhas e pela preservação desta felicidade.

a. Elas serão salvas da perdição eterna. “Nunca hão de perecer”, são as palavras. Assim como existe uma vida eterna, também existe uma destruição eterna. A alma, não aniquilada, mas destruída. Sua existência continua, mas seu consolo e sua felicidade estão irremediavelmente perdidos. Todos os crentes são salvos disto. A despeito das tribulações pelas quais venham a passar nesta terra, eles não entrarão em condenação. Um homem nunca está destruído até que esteja no inferno, e as ovelhas não chegariam a isto. Os pastores que têm grandes rebanhos frequentemente perdem algumas das ovelhas e elas acabam perecendo, mas Cristo se responsabilizou de que nenhuma das suas ovelhas pereça, nem uma sequer.

b. Elas não podem ser afastadas da sua felicidade eterna. Ela está reservada, mas aquele que a dá a elas irá preservá-las para tal felicidade.

(a) Seu próprio poder se responsabiliza por elas: “Ninguém as arrebatará das minhas mãos”. Aqui se imagina uma forte disputa a respeito destas ovelhas. O Pastor é tão cuidadoso com o bem-estar delas, que Ele as conserva, não somente no seu rebanho, e sob seus olhos, mas nas suas mãos, interessadas no seu amor especial e colocadas sob sua proteção especial (“Todos os teus santos estão na tua mão”, Deuteronômio 33.3). Mas seus inimigos são tão ousados, que tentam arrancar das suas mãos aquelas que lhe pertencem, aquelas com quem Ele se preocupa. Porém, eles não conseguem fazer isto, e não o farão. Observe que os que estão nas mãos do Senhor Jesus estão seguros. Os santos são preservados em Cristo Jesus, e sua salvação não está sob seus próprios cuidados, mas sob os cuidados de um Mediador. Os fariseus e os príncipes faziam tudo o que podiam para fazer os discípulos de Cristo temerosos de segui-lo, censurando-os e ameaçando-os, mas Cristo diz que eles não vencerão.

(b) O poder do seu Pai está, da mesma maneira, engajado na preservação das ovelhas, v. 29. Cristo agora aparecia em fraqueza, e, para que sua segurança não pudesse ser considerada insuficiente, Ele apresenta seu Pai, como uma segurança adicional. Observe:

 [a] O poder do Pai: “Meu Pai… é maior do que todos”, maior do que todos os outros amigos da igreja, todos os outros pastores, magistrados ou ministros, e capaz de fazer pelas ovelhas aquilo que eles não podem. Estes pastores descansam e dormem, e será fácil arrebatar as ovelhas das suas mãos, mas Ele guarda seu rebanho dia e noite. Ele é maior do que todos os inimigos da igreja, toda a oposição feita aos interesses dela, e capaz de proteger os seus contra todos os insultos dos inimigos. Ele é maior do que todas as forças combinadas, do inferno e da terra . Ele é maior, em sabedoria, do que a antiga serpente, embora notável pela sutileza; maior, em poder, do que o grande dragão vermelho, embora seu nome seja Legião, e seu título, principados e potestades. O Diabo e seus anjos fizeram várias investidas e tentativas de assumir uma soberania, mas nunca prevaleceram, Apocalipse 12.7,8. “O Senhor nas alturas é mais poderoso” (Salmos 93.4).

[b] O interesse do Pai nas ovelhas, motivo pelo qual este poder está engajado por elas: “Foi meu Pai ‘que mas deu’, e Ele se interessa na honra de sustentar seu presente”. Elas foram dadas ao Filho em confiança, para que Ele cuidasse delas, e, portanto, Deus ainda irá cuidar delas. Todo o poder divino está engajado no cumprimento de todos os conselhos divinos.

[c] A segurança dos santos infere-se destes dois. Se isto é assim, então ninguém (seja homem ou demônio) é capaz de arrancá-las da mão do Pai, nem capaz de privá-las da graça que possuem, nem bloquear a glória que está destinada a elas, nem é capaz de tirá-las da proteção de Deus, nem de colocá-las sob seu próprio poder. Cristo tinha sentido pessoalmente o poder do seu Pai, sustentando-o e fortalecendo-o, e por isto coloca também todos os seus seguidores na mão do seu Pai. Aquele que assegurou a glória do Redentor irá assegurar a glória dos redimidos. Para garantir ainda mais a segurança, para que as ovelhas de Cristo possam ter um consolo ainda mais forte, Ele declara sua união com Deus, o Pai: “Eu e o Pai somos um”, e nos encarregamos, juntamente e separadamente, da proteção dos santos e da sua perfeição”. Isto indica que havia mais do que harmonia, consentimento e bom entendimento entre o Pai e o Filho na obra da redenção do homem. Todo homem bom é tão unido a Deus, a ponto de estar de acordo com Ele. Portanto, o fato de serem um só em essência, e iguais em poder e glória, deve ser o significado da unicidade da natureza do Pai e do Filho. Os patriarcas da igreja enfatizaram isto, tanto contra os sabelianos, para provar a distinção e a pluralidade das pessoas, que o Pai e o Filho são duas pessoas, como contra os arianos, para provar a unidade da natureza, que o Pai e o Filho são um só. Se nós nos calássemos a respeito do profundo significado destas palavras, até mesmo as pedras que os judeus pegaram para o apedrejar iriam falar abertamente, pois os judeus consideravam que Ele se fazia Deus (v. 33), e Ele não negou isto. Ele prova que ninguém poderia arrancá-las das suas mãos, porque não poderia arrancá-las da mão do Pai, o que não teria sido um argumento conclusivo, se o Filho não tivesse o mesmo poder todo-poderoso com o Pai, e, consequentemente, não fosse um só com Ele, em essência e operação.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

PARA ENTENDER E COMBATER A DEPRESSÃO

Muitos sonham com um comprimido capaz de remover os sentimentos de tristeza sem motivo, desânimo e irritação e dores frequentes. No entanto, o quadro é complexo – com sintomas que variam de um paciente para outro – e não tem um único tratamento; o caminho mais eficiente resulta da combinação de múltiplas ações, como psicoterapia, exercícios físicos, meditação, estimulação cerebral e, em muitos casos, também medicamentos.

Para entender e combater a depressão

A maioria das pessoas vive por mais tempo e com melhor saúde do que em qualquer outro momento de nossa espécie. Mas nem por isso somos mais felizes. Apesar das inúmeras opções de diversão, maior poder de compra e, aparentemente, de escolha, estamos cada vez mais insatisfeitos: a depressão será o problema de saúde pública mais comum em menos de 20 anos; 350 milhões de pessoas de todas as idades sofrem com o transtorno no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) – 17 milhões só no Brasil. Nas próximas duas décadas, a patologia deverá afetar mais pessoas que o câncer ou as doenças cardíacas e se constituir na maior causa de afastamentos do trabalho.

Atualmente, a depressão é vista como resultado da combinação de fatores endógenos (como hereditariedade) e fatores de risco ambientais, como valores culturais e experiências emocionais.

Os sintomas se configuram de maneira diferente em cada paciente, de forma que não há tratamento definitivo. “Seria muito simples pensar a depressão apenas como resultado da maior ou menor oferta de neurotransmissores. É mais correto relacioná-la à interação desses agentes químicos – serotonina, dopamina, glutamato e tantos outros. São vários caminhos neurais diferentes que, juntos, determinam cognição, interesse, vontade”, explica o psiquiatra Ricardo Moreno, diretor do Grupo de Estudo de Doenças Afetivas (Gruda) do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP).

Dor e depressão têm uma via neuroquímica comum. Em média, pessoas com sintomas depressivos procuram atendimento médico sete vezes mais do que quem não tem o distúrbio, segundo a OMS. Menos da metade delas é diagnosticada corretamente e recebe tratamento adequado. “Queixas de dor crônica não raro estão no centro de um círculo vicioso de depressão, ansiedade, estresse e insônia”, explica o psiquiatra Kalil Duailibi, coordenador de psiquiatria da Universidade de Santo Amaro (Unisa). A literatura médica sugere que a noradrenalina, neurotransmissor envolvido na regulação do humor, do ciclo de sono e na resposta de estresse, desencadeia eventos em cascata, que se manifestam em ansiedade, no início e, depois, em depressão.

Mais de 60% dos episódios depressivos são precedidos por quadros de ansiedade, e a insônia crônica aumenta quatro vezes o risco de depressão. Já o estresse crônico leva à diminuição do fator de proteção neuronal, afetando a ramificação dendrítica dos neurônios. Consequentemente, há morte de células e redução do volume de regiões cerebrais.

Estudos que usam técnicas de neuroimagem mostram que, na depressão, há redução de atividade em áreas corticais, como córtex cingulado anterior, área associada a funções como modulação de respostas emocionais, motivação e atenção. Em contrapartida, há maior metabolismo de regiões mais “primitivas” do cérebro, como a ínsula, relacionada à sensação de repulsa, e do sistema límbico como um todo, com amplo papel no processamento de emoções negativas. De fato, um dos principais traços da depressão é uma maneira “acinzentada” de interpretar o mundo, que prioriza as perspectivas negativas. Duailibi cita o “fenômeno Kindling” na depressão: um evento estressor significativo provoca o primeiro episódio. Progressivamente, os quadros passam a ser desencadeados por eventos menos intensos ou mesmo sem motivo; é uma espécie de suscetibilidade crônica, que envolve alterações cerebrais, muitas ainda não elucidadas, e estímulos ambientais.

O tratamento mais comum, e de mais fácil acesso, ainda é o farmacológico. Os medicamentos costumam trazer alívio para pacientes com sintomas mais graves, que geralmente apresentam prejuízos no trabalho e na vida pessoal. Em depressões leves, a eficiência dos antidepressivos é menos nítida: eles têm desempenho equivalente ao placebo (substância neutra, mas que pode desencadear efeitos psicológicos). “Se os medicamentos ajudam a superar um episódio depressivo, a psicoterapia ajuda a evitar outros”, salienta Duailibi.

Psicoterapia, terapias complementares e hábitos saudáveis, como exercícios físicos, ajudam a prevenir a volta dos sintomas. Acupuntura, massagem, alimentação rica em nutrientes e pobre em gordura animal combatem o estresse e favorecem o bem-estar. Recentemente, o Conselho Federal de Medicina aprovou a técnica de estimulação magnética transcraniana (EMT) superficial. O tratamento consiste em aplicar ondas eletromagnéticas sobre o cérebro, com o objetivo de modular o funcionamento de regiões (determinadas por exames de neuroimageamento) que operam de forma alterada em pessoas com transtornos neuropsiquiátricos. As ondas eletromagnéticas aumentam o luxo sanguíneo na área e, consequentemente, sua atividade cerebral.

“A área do cérebro a ser trabalhada é marcada numa touca e o médico direciona os estímulos para o local correto. A EMT pode ajudar pacientes que não respondem ao tratamento medicamentoso, acelerar a resposta a ele ou mesmo ser uma alternativa”, explica Marco Marcolin, coordenador do Serviço de Estimulação Magnética Transcraniana do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). O tratamento é indolor, pois é não invasivo, não há corte nem anestesia. Um estudo observacional publicado no periódico científico Depression and Anxiety, que acompanhou 307 pacientes com depressão grave que não estavam sendo tratados com antidepressivos, revela que a EMT é eficaz para pacientes que não respondem aos medicamentos: em média, 58% apresentaram redução dos sintomas e 37%, ausência deles.

O HÁBITO DE SOFRER

Cada vez mais estudos comprovam o impacto positivo da meditação sobre o humor. Uma pesquisa brasileira publicada na Neuroimage mostra que a técnica melhora o desempenho cerebral, especialmente em tarefas que exigem concentração. “O cérebro de pessoas que meditam recruta menos áreas cerebrais para realizar uma determinada tarefa, como se fizesse uma maior ‘economia’, o que se traduz em mais foco e concentração; um desafio no mundo cheio de estímulos em que vivemos”, diz a psicobióloga Elisa Kozasa, do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein, autora do trabalho. O cérebro de pessoas com depressão está “habituado” a processos mentais que desencadeiam o problema, como pensamentos depreciativos sobre si mesmo. A meditação ajuda o paciente a se conscientizar de emoções, fantasias, lembranças e situações que passam por sua mente consciente. Atualmente, cientistas estão comprovando os benefícios da terapia baseada na atenção plena (mindfulness), isto é, o uso de técnicas de meditação para potencializar os efeitos do tratamento. Trata-se de um programa de oito semanas que ajuda o paciente a perceber os velhos hábitos de pensar que atiram sua mente em uma espiral descendente de pensamentos negativos. “A proposta é que a pessoa aprenda a ser mais gentil consigo mesma e atente para os aspectos positivos de seu cotidiano, exercitando o julgamento baseado na autocompaixão”, explica Kozasa, citando o dalai-lama Tenzin Gyatso: “A mente é como paraquedas: funciona melhor aberta”.

OUTROS OLHARES

A CIÊNCIA DA PERSUASÃO

A psicologia social identificou os princípios básicos que levam uma pessoa a dizer “sim”.

A ciência da persuasão

Olá, espero que esteja gostando da matéria. Por ora, eu gostaria de apresentar algo que pode ser de extrema importância pessoal para você. Você já foi induzido a dizer sim? Já se sentiu forçado a comprar algo que não queria ou a contribuir com alguma causa suspeita? Alguma vez já desejou entender porque agiu desse jeito, para que, no futuro pudesse resistir a esses ardis? Sim? Então este artigo é perfeito. Ele contém informações de grande valor sobre as mais poderosas pressões psicológicas que fazem você responder sim a pedidos. E é repleto de pesquisas NOVAS e APRIMORADAS que mostram exatamente como e por que essas técnicas funcionam. Então não perca tempo, apenas relaxe e acesse as informações – que, no fundo, você já concordou que quer.

O estudo científico do processo de influência social tem mais de 50 anos, tendo começado de modo mais sério com os programas de propaganda, informes públicos e de persuasão da Segunda Guerra Mundial. Desde aquela época, inúmeros cientistas sociais investigaram os meios pelos quais uma pessoa pode influenciar as atitudes e ações de outra. Participei nos últimos 30 anos dessa empreitada, concentrando-me em especial nos principais fatores que causam uma forma específica de mudança de comportamento – a concordância com uma solicitação. Seis inclinações básicas do comportamento humano atuam para gerar uma resposta positiva, reciprocidade, coerência, validação social, gostar (de alguém), autoridade e escassez. Pelo fato de essas inclinações ajudarem a orientar nossas transações comerciais, nossa participação social e nossas relações pessoais, o conhecimento das regras da persuasão pode efetivamente ser pensado como algo que aumenta nosso poder enquanto cidadãos.

RECIPROCIDADE

Quando a organização dos Veteranos Americanos Incapacitados envia por mala-direta pedidos de contribuição, a requisição é atendida em apenas 18% dos casos. No entanto, quando a correspondência inclui um conjunto gratuito de etiquetas personalizadas de endereço, a aceitação praticamente dobra, chegando a 35%. Para entender o efeito desse presente não solicitado, devemos reconhecer o alcance e a força de uma regra elementar da conduta humana, o código de reciprocidade.

Todas as sociedades endossam normas que obrigam os indivíduos a retribuir de algum modo àquilo que recebem. Pressões da seleção evolutiva provavelmente fixaram esse comportamento em animais sociais, como é o nosso caso. A exigência de reciprocidade explica em parte o grande aumento de doações feitas ao grupo de veteranos. Receber um presente não solicitado – e talvez até mesmo não desejado – convenceu um número significativo de doadores a retribuir o favor. Organizações beneficentes não estão sozinhas na utilização dessa abordagem, pelo contrário, supermercados oferecem degustações grátis, dedetizadores fornecem orçamentos sem compromisso, academias de ginástica propõem aulas-teste. Desse modo, os clientes são expostos aos produtos e serviços, mas também obrigados a retribuir. Mas os consumidores não são os únicos sob a influência da reciprocidade. Indústrias farmacêuticas gastam milhões de dólares por ano para financiar pesquisas e para oferecer presentes a médicos – atividades que podem influenciar indiretamente as descobertas dos pesquisadores e as recomendações dos médicos. Estudo de 1989 publicado no New England Journal of Medicine descobriu que apenas 37% dos pesquisadores que haviam publicado conclusões críticas sobre a segurança dos bloqueadores de canais de cálcio já tinham recebido financiamentos de indústrias farmacêuticas. Todavia, entre aqueles cujas conclusões atestavam a segurança do remédio, o número de pesquisadores que tinham recebido viagens gratuitas, financiamento para pesquisa ou emprego disparava – para 100%.

A reciprocidade envolve mais que presentes e favores; ela também se aplica a concessões que as pessoas fazem umas às outras. Suponha, por exemplo, que você recuse meu pedido principal, e eu então lhe proponha algo mais simples. É muito provável que você retribua com uma concessão de sua parte: a concordância com a minha segunda proposta. Em meados dos anos 70, meus colegas e eu realizamos uma experiência que ilustra com clareza a dinâmica das concessões recíprocas. Nós abordávamos uma amostra aleatória de passantes na rua e perguntávamos se eles se ofereceriam como voluntários para ciceronear jovens infratores em um passeio ao zoológico. Como era de esperar, pouquíssimos concordaram – apenas 17%.

No entanto, em outra amostra aleatória de passantes, começamos com um pedido ainda maior: trabalhar, sem remuneração, como conselheiro no centro de detenção juvenil, duas horas por semana pelos próximos dois anos. Todo mundo dessa segunda amostra rejeitou esse pedido excessivo. Nesse ponto, oferecíamos a eles uma concessão. “Se não podem fazer isso, perguntávamos, vocês poderiam ciceronear um grupo de jovens infratores em um passeio ao zoológico” Nossa concessão estimulou fortemente a retribuição. Comparado ao pedido direto para acompanhar os jovens ao zoológico, o nível de aceitação praticamente triplicou, chegando a 50%.

COERÊNCIA

Em 1998 Gordon Sinclair, proprietário de um famoso restaurante em Chicago, lutava contra um problema que aflige todos os restaurantes.  Os clientes com frequência reservavam mesas e não compareciam nem ligavam para desmarcar. Sinclair resolveu o problema pedindo que a recepcionista mudasse duas palavras do que ela dizia aos fregueses que solicitavam reservas. A mudança fez com que os casos de pessoas que não apareciam nem ligavam para desmarcar a reserva imediatamente despencassem de 30% para 10%.

As duas palavras surtiram efeito porque elas mobilizavam a força de outra forte motivação humana, o desejo de ser, e de parecer, coerente. A recepcionista simplesmente mudou seu pedido de ‘Por favor, ligue se você tiver de mudar seus planos” para ‘Você pode, por favor, ligar se tiver de mudar seus planos? Nesse momento ela fazia, de modo cortês, uma pausa, e aguardava a resposta. A espera era fundamental porque induzia os clientes a preencher a pausa com um compromisso público. E compromissos públicos, mesmo aqueles aparentemente banais, determinam as ações futuras.

Em outro exemplo, a equipe de Joseph Schwarzwald, da Universidade Bar-llan, em Israel, praticamente dobrou as contribuições em dinheiro para deficientes físicos em determinados bairros. O principal fator, duas semanas antes de solicitar as contribuições, eles colheram assinaturas entre os moradores para um abaixo-assinado em apoio aos deficientes, o que fez com que eles assumissem um compromisso público com aquela causa.

VALIDAÇÃO SOCIAL

Em uma manhã fria de inverno no final dos anos 60, um homem parou numa movimentada calçada na cidade de Nova York e fitou o céu por 60 segundos, sem nenhum motivo especial. Fez isso como parte de um experimento realizado pelos psicólogos Stanley Milgram, Leonard Bickman e Lawrence Berkowitz, da Universidade da Cidade de Nova York, planejado para descobrir que efeito essa ação teria sobre os passantes. A maioria simplesmente se desviava ou esbarrava nele, 4% se juntavam ao homem olhando para cima. O experimento foi então repetido com uma pequena modificação. Com a mudança, um grande número de pedestres foi induzido a parar, aglomerar-se e olhar para o alto.

Essa única alteração incorporava o fenômeno da validação social. Um dos modos fundamentais de decidirmos o que fazer numa determinada situação é olhar o que os outros estão fazendo ou fizeram naquela circunstância. Se muitos optaram por uma certa ideia, tendemos a segui-la, porque vemos a ideia como sendo mais correta, mais válida.

Milgram, Bickman e Berkowitz introduziram a influência da validação social em seu experimento simplesmente fazendo com que cinco homens, em vez de apenas um, fitassem coisa alguma. Com mais pessoas no grupo inicial olhando para cima, a porcentagem de nova-iorquinos que fizeram o mesmo mais que quadruplicou, chegando a 18%. Grupos iniciais com mais pessoas olhando para o alto causaram uma reação ainda maior: um grupo inicial de 15 pessoas fez com que 40% dos passantes se juntassem a eles, praticamente parando o trânsito em menos de um minuto.

Aproveitando-se da validação social, aqueles que nos pedem algo podem estimular nosso consentimento demonstrando (ou simplesmente insinuando) que outras pessoas como nós já consentiram. Por exemplo, um estudo descobriu que, quando um arrecadador de doações mostrava aos moradores uma lista de vizinhos que haviam feito doações para uma instituição de caridade local, o número de contribuições aumentava significativamente; quanto maior a lista, maior o efeito. Por essa razão os publicitários se desdobram para nos informar que seu produto é o que mais vende ou cresce entre os seus similares, e os comerciais de televisão retratam multidões correndo às lojas para comprar o produto anunciado.

No entanto, são menos óbvias as circunstâncias sob as quais a validação social sai pela culatra, produzindo o oposto da intenção de quem pedia algo. Um exemplo é a compreensível, mas potencialmente equivocada, tendência de especialistas em saúde a chamar a atenção para um problema caracterizando-o como lamentavelmente frequente. Campanhas de conscientização apontam que o consumo de álcool e drogas é muito elevado, que os índices de suicídio entre adolescentes é alarmante e que quem polui está destruindo o ambiente. Independente do fato de essas afirmações serem não só verdadeiras como bem-intencionadas, os criadores dessas campanhas não perceberam algo básico sobre o processo de aquiescência. Na frase “Veja quantas pessoas estão fazendo essa coisa indesejável” esconde-se a mensagem poderosa e corrosiva “Veja quantas pessoas estão fazendo essa coisa indesejável”. Pesquisas mostram que, como resultado, muitos desses programas têm um “efeito bumerangue”, aumentando ainda mais o comportamento que se queria evitar.

Foi o caso de um programa de prevenção de suicídios dirigido a adolescentes de Nova Jersey, que os informava sobre o alto número de suicídios entre jovens. O pesquisador da área de saúde David Shaffer e seus colegas da Universidade Columbia descobriram que os adolescentes participantes se tornavam significativamente mais inclinados a ver o suicídio como uma solução potencial de seus problemas. As campanhas mais eficazes são as que retratam, de forma franca, a atitude indesejada como sendo nociva, independente do fato de que relativamente poucos indivíduos a praticam.

GOSTAR

“Afinidade”, “empatia” e “afeição” descrevem um sentimento de conexão entre as pessoas. Mas a singela palavra “gostar” é a que expressa de modo mais completo o conceito, tendo por isso se tornado a definição corrente na literatura das ciências sociais. As pessoas preferem dizer sim àqueles de quem gostam. Pensemos no sucesso mundial da Tuppeware Corporation e seu programa de “festas em casa”. No encontro de demonstração em casa, a estratégia é fazer os consumidores comprarem de alguém de quem eles gostam, o anfitrião, em vez de comprarem de um desconhecido. O efeito sobre as vendas foi tão positivo que, segundo dados da corporação, a cada dois segundos tem início uma “festa” da Tuppeware em algum lugar do mundo. Na verdade, atualmente 75 % de todas as “festas” da Tuppeware acontecem fora dos Estados Unidos, em países onde os laços sociais do grupo são muito mais importantes que nos Estados Unidos.

É claro que a maioria das transações comerciais se dão fora da casa de amigos. Nessas circunstâncias – muito mais comuns -, aqueles que querem se valer da força do gostar utilizam táticas centradas em certos fatores que, segundo pesquisas, efetivamente podem funcionar.

A atração física pode ser um desses instrumentos. Em um estudo de 1993 conduzido por Peter H. Reingen, da Universidade Estadual do Arizona, e Jerome B. Kernan, da Universidade George Mason, os arrecadadores mais bonitos da Associação Americana do Coração conseguiram quase o dobro de doações (42% contra 23%) que os outros arrecadadores. Nos anos 70, Michael G. Efran e. W. J. Patterson, da Universidade de Toronto, descobriram que, nas eleições federais canadenses, os eleitores davam muito mais votos a candidatos fisicamente atraentes. Mesmo assim, esses eleitores insistiam que suas escolhas não eram influenciadas por algo tão fútil como a aparência.

A similaridade também pode facilitar a criação de empatia. Em geral, vendedores procuram, ou simplesmente inventam, uma conexão entre eles e seus clientes: “Ah, você tá brincando, você é de Minneapolis? Eu estudei em Minneapolis!”. Arrecadadores de doações fazem o mesmo, com bons resultados. Em 1994, os psicólogos R. Kelly Aune e Michael D. Basil, da Universidade de Denver, publicaram uma pesquisa em que arrecadadores correram um campus solicitando contribuições para uma instituição de caridade. Quando a frase “Eu também sou estudante” era acrescentada às solicitações, o número de doações mais que dobrava.

Elogios também incentivam o gostar, e vendedores que trabalham cm contato direto com os clientes treinam a lisonja. Na verdade, mesmo a adulação forçada pode funcionar. Pesquisas da Universidade da Carolina do Norte em Chappel Hill descobriram que elogios, tanto faz se falsos ou sinceros, produzem empatia pelo bajulador.

A cooperação é outro fator que produz ações e sentimentos positivos. Vendedores, por exemplo, empenham-se em se mostrar como parceiros cooperativos aos possíveis fregueses. Gerentes de revendedoras de carros costumam assumir o papel de vilões, para que o vendedor possa “lutar” pelo cliente. Essa manobra naturalmente estabelece uma forma de o cliente gostar do vendedor, o que estimula as vendas.

AUTORIDADE

Retomemos o caso do homem que usava a validação social para conseguir que um grande número de passantes parasse e fitasse o céu. Ele poderia conseguir o efeito oposto e colocar estranhos em movimento ao arrogar-se o papel de autoridade. Em 1995, Monroe Lefkowitz, Robert R. Blake e Jane S. Mouton, pesquisadores da Universidade do Texas em Austin, descobriram que um homem podia, mudando apenas uma coisa, aumentar em 350% o número de pedestres que o seguiam quando ele atravessava a rua com o sinal fechado. Em vez de estar vestido casualmente, ele trajava sinais de autoridade, terno e gravata.

Quem se gaba demais de sua experiência, habilidade ou reputação científica pode estar tentando se aproveitar do poder da autoridade. “Bebês são nosso negócio, nosso único negócio”, “Quatro de cada cinco médicos recomendam”, e por aí vai. (A biografia do autor serve, em parte, para isso.) Não há nada de errado com tais afirmações quando elas são verdadeiras, porque em geral nós queremos a opinião de pessoas que realmente são autoridades. Suas opiniões nos ajudam a escolher de forma rápida e acertada.

O problema é quando nos impingem afirmações falsas. Se deixamos de pensar como em geral ocorre quando nos deparamos com símbolos de autoridade, podemos ser facilmente manipulados por falsos especialistas – aquelas que apenas afetam ar de legitimidade. Aquele texano de terno e gravata atravessando a rua de modo irresponsável não era mais autoridade em cruzar ruas que o resto dos pedestres que, não obstante, o seguiram. Na década de 70, uma campanha publicitária de tremendo sucesso mostrava o ator Robert Young apregoando os benefícios à saúde do consumo de café descafeinado. Aparentemente, Young podia apresentar com legitimidade essa opinião médica porque, na época, ele vivia o papel do médico mais famoso do país. O fato de o dr. Marcus Welby ser apenas um personagem de um programa de TV era menos importante que a aparência de autoridade.

ESCASSEZ

Quando trabalhava na Universidade Estadual da Flórida, nos anos70, o psicólogo Stephen West após colher as opiniões dos estudantes sobre a cozinha do refeitório, reparou num fato estranho: a avaliação da comida havia subido significativamente em relação à semana anterior, apesar de não ter havido nenhuma mudança no cardápio, na qualidade da comida ou na preparação das refeições. Na verdade, a mudança foi causada pela notícia de que, devido a um incêndio, o refeitório ficaria interditado por várias semanas.

Essa história põe em relevo o efeito da percepção da escassez sobre o julgamento humano. Há muitos indícios que mostram que produtos e oportunidades se tornam mais desejados por nós à medida que eles ficam menos disponíveis. É por esse motivo que publicitários apregoam os benefícios das características exclusivas dos produtos que oferecem. E é por essa razão também que eles sempre realizam promoções do tipo “por tempo limitado”, ou nos põem para competir uns com os outros através de campanhas baseadas em “estoque limitado”.

Menos conhecido é o fato de que a escassez afeta não apenas o valor das mercadorias, mas também o das informações. Informações exclusivas têm maior poder de persuasão. Tomemos como exemplo os dados usados na dissertação de um ex-orientando meu, Amram Knishinsky, dono de uma empresa que importava carne bovina para os Estados Unidos e a revendia para supermercados. Para verificar os efeitos da escassez e da exclusividade sobre a aquiescência, ele instruiu seus operadores de telemarketing a ligar para uma amostra aleatória de clientes e fazer a oferta padrão de venda de carne. Knishinsky também orientou seus vendedores a fazerem o mesmo com uma segunda amostra aleatória de clientes, mas acrescentando que haveria falta de carne bovina australiana devido a fatores climáticos, o que era verdade. A informação extra de que haveria falta de carne bovina, mais que dobrou as vendas.

Por último, ele determinou que sua equipe ligasse para uma terceira amostra de cliente e lhes dissesse que (1) era iminente a falta de came bovina australiana e que (2) essa informação fora obtida de fontes exclusivas da empresa no instituto meteorológico nacional australiano. Esses clientes aumentaram seus pedidos em mais de 600%. Eles foram influenciados pelo temor de dois tipos de escassez: não apenas havia pouca carne, mas a própria informação de que a carne era escassa era, ela mesma, escassa.

SABER É PODER

É digno de nota que muitos dos dados apresentados neste artigo foram tirados de estudos sobre as técnicas dos profissionais da persuasão – especialistas em marketing, publicitários, vendedores, arrecadadores de contribuições e aqueles cujo bem-estar financeiro depende de sua habilidade de fazer com que os outros digam sim. Uma espécie de seleção natural age sobre essas pessoas, uma vez que aqueles que utilizam táticas ineficientes vão logo à falência. Por outro lado, aqueles que usam táticas que funcionam bem sobrevivem, crescem e disseminam essas estratégias vencedoras. Desse modo, com o passar do tempo, os princípios mais eficientes de influência social podem ser vistos nos repertórios das profissões tradicionais de persuasão. Meu próprio trabalho aponta que esses princípios incorporam as seis inclinações humanas básicas examinadas neste artigo, reciprocidade, coerência, validação social, gostar (de alguém), autoridade e escassez.

De um ponto de vista evolutivo, cada um dos comportamentos apresentados teria sido, aparentemente, selecionado para animais que, como nós mesmos, precisam encontrar os melhores modos de sobreviver vivendo em grupos sociais. E, com efeito, na imensa maioria das vezes esses princípios nos orientam de maneira correta. Em geral, faz todo sentido retribuir favores, agir com coerência, imitar pessoas com quem nos identificamos, dar preferência aos pedidos daqueles de quem gostamos, prestar atenção à autoridade legítima e valorizar recursos escassos. Assim, pessoas influentes que usam esses princípios nos fazem um verdadeiro favor. Se uma agência de publicidade, por exemplo, centrasse sua campanha de remédios para dor de cabeça em dados científicos baseados em verdadeiras autoridades da área médica, em benefício de seus consumidores, todas as pessoas corretas ganhariam com isso – a agência, o fabricante e o público. O que não seria o caso se a agência, não vendo nenhum mérito cientifico no analgésico, introduzisse clandestinamente o princípio da autoridade por meio de anúncios que mostrassem atores vestidos com jalecos brancos.

Será que estamos condenados a ser manipulados por esses princípios? Não. Ao compreendermos as técnicas de persuasão, podemos começar a reconhecer essas estratégias e, desse modo, analisar criticamente os pedidos e ofertas. Nossa obrigação é fazer com que os profissionais da persuasão prestem contas pelo uso daqueles seis poderosos motivadores, comprando seus produtos e serviços, apoiando suas propostas políticas ou fazendo doações apenas quando eles agirem de modo sincero.

Se, ao lidarmos com esses mestres das artes persuasivas, fizermos essa distinção vital, será pouco provável que consintamos com o engodo. Em vez disso, daremos a nós mesmos uma opção muito melhor: dizer um sim bem fundamentado. Além disso, ao aplicarmos a mesma distinção a nossas próprias tentativas de influenciar os outros, nós podemos legitimamente mobilizar aqueles seis princípios. Ao tentar persuadir mostrando a existência de verdadeiro domínio do assunto, validação social crescente, compromissos pertinentes ou reais oportunidades de cooperação, entre outras coisas, atendemos aos interesses de ambas as partes e, no processo, aprimoramos a qualidade do tecido social.

 

Bem, é claro que alguém com a sua inteligência compreende o bem que este artigo pode fazer. E como você parece ser uma pessoa tão, mas tão bondosa que faz questão de dividir estas importantes informações com outros, permita-me fazer-lhe um pedido. Você por acaso compraria esta edição da revista para dez amigos? Bem, se não pode fazer isso, poderia pelo menos mostrar para um único amigo? Espere, não responda ainda. Por eu gostar de você do fundo do coração, vou incluir – sem nenhum custo extra – um conjunto de referências que você pode consultar para saber mais sobre este assunto tão pouco conhecido.

Como é, você declara a sua disposição de ajudar?… Por favor, reconheça que estou fazendo uma pausa bastante cortês aqui. Mas enquanto eu espero, quero que saiba que muitos outros como você certamente darão seu consentimento. Por sinal, que linda camisa você está usando!  

A ciência da persuasão.2                                                  

INFLUÊENCIA SEM FRONTEIRAS

Será que os seis fatores básicos da influência social funcionam de modo similar entre as fronteiras nacionais? Sim, mas com pequenas diferenças. Afinal, os cidadãos do planeta são seres humanos, portanto suscetíveis às tendências básicas que caracterizam todos os membros da nossa espécie. No entanto, normas culturais, tradições e experiências podem alterar o peso desempenhado por cada um dos fatores.

Examinemos os resultados de um relatório publicado em 2000 por Michael M. Morris, Joel M. Podolny e Sheira Ariel, da Universidade Stanford. Eles estudaram os funcionários do Citibank, uma corporação financeira multinacional. Os pesquisadores selecionaram quatro sociedades para ser investigadas: os Estados Unidos, a China, a Espanha e a Alemanha. Eles pesquisaram as filiais do Citibank em cada país e mediram a disposição dos funcionários de atender voluntariamente o pedido de ajuda de um colega para executar uma tarefa. Embora fatores diferentes pudessem influir, o principal motivo que fazia com que funcionários se sentissem obrigados a atender ao pedido variava de país para país. Cada um desses motivos incorporava um princípio diferente da influência social.

Os funcionários americanos adotavam uma postura baseada na reciprocidade ao decidirem se atenderiam ao pedido. Eles se perguntavam: “O que essa pessoa fez por mim recentemente?”, e sentiam-se obrigados a ajudar se eles devessem a ela algum favor. Os funcionários chineses reagiam basicamente à autoridade, na forma de lealdade aos ocupantes das posições hierárquicas mais elevadas em seu pequeno grupo. Eles se perguntavam: “Essa pessoa que está pedindo é ligada a alguém de minha equipe, em especial a algum superior?”.  Se a resposta fosse afirmativa, eles se sentiam obrigados a prestar auxílio.

Os funcionários do Citibank espanhol baseavam a decisão de atender ao pedido sobretudo no gostar/amizade. Dispunham-se a ajudar seguindo regras de amizade que incentivam a lealdade aos amigos, independentemente de sua posição ou status. Eles se perguntavam: “A pessoa que está pedindo é ligada a meus amigos?”. Caso a resposta fosse positiva, era muito provável que eles atendessem ao pedido.

Os funcionários alemães eram movidos pela coerência. Oferecendo ajuda para que fossem coerentes com as regras da organização. Eles decidiam se iriam atender ou não ao pedido perguntando: “De acordo com os regulamentos e categorias oficiais, devo atender esse pedido?”. Se sim, eles se sentiam efetivamente obrigados a consentir no pedido.

Em suma, apesar de todas as sociedades humanas aparentemente agirem sob o mesmo conjunto de regras, os pesos relativos de cada uma dessas regras podem variar de uma cultura para outra. Pedidos persuasivos dirigidos a públicos de diferentes culturas devem levar em conta essas diferenças.

 

ROBERT B. CIALDINI – é professor de psicologia da Universidade Estadual do Arizona. Seu livro Influence, resultado de três anos de pesquisa sobre os motivos que levam as pessoas a atender pedidos do dia-a-dia, já teve inúmeras edições e foi traduzido em nove idiomas. Seu profundo interesse pelos mistérios da influência deve-se ao fato de ter crescido em uma família italiana, num bairro predominantemente polonês de uma cidade de tradição alemã (Milwauke), localizada em um estado rural.

 

GESTÃO E CARREIRA

COACH É UMA CILADA?

Em meio a centenas de opções, escolher um coach que realmente faça um bom trabalho não é tarefa simples. Aprenda como fazer essa seleção e se proteja dos picaretas.

Coach é uma cilada

Ao pesquisar a palavra “coach” no Google, surgirão 907 milhões de resultados – muito acima da busca por “vaga de emprego”, que tem mais de 61 milhões de resultados. O alto número de arquivos sobre o assunto não é à toa. Esses profissionais se proliferam no mundo e no Brasil. Por aqui, de acordo com a International Coach Federation (JCF), nos últimos cinco anos a quantidade de associados saltou de 150 para 650 – e existem centenas de outros treinadores que não fazem parte da instituição. “Temos uma série de exigências para que alguém se associe. Uma delas é um mínimo de 60 horas de treinamento comprovado em coaching e hora prática remunerada para cada nível de credencial que temos”, diz João Luiz Pasqual, presidente da ICP no Brasil. O problema é que muitos dos que se dizem coaches não exercem o trabalho correto da função. “Como houve a banalização do termo, há dúvidas sobre para que e para quem, afinal, serve esse instrumento. Isso muitas vezes gera expectativas equivocadas e frustradas”, afirma Vicky Bloch, sócia da Vicky Bloch Associados e professora nos cursos de especialização em RH na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e na Fundação Instituto de Administração.

Por isso, antes de embarcar de vez no coaching, entenda se essa é a solução ideal para seu problema. Em alguns casos, dá para resolver a questão conversando com mentores, colegas e chefes. Em outros, a transformação pessoal necessária é tão complexa e profunda que, em vez de um treinador, o indicado seria contratar um psicólogo. Afinal, o trabalho de um coach é bem específico: ajudar uma pessoa a encontrar solução para um problema relacionado à carreira durante um número determinado de sessões. Quem foge disso pratica outro tipo de aconselhamento – e, muitas vezes, prejudica seus clientes.

Foi isso que ocorreu com Fabian Seabra quando ele era diretor de RH de uma empresa alimentícia em 2016. Na época, ele buscou um coach por causa de problemas de relacionamento com seus colegas no emprego. Mas, depois de dez sessões e do gasto de cerca de 10.000 reais, ele não estava satisfeito. “Eu falava sozinho, praticamente. Meu coach agia mais como um psicólogo – perguntava como eu me sentia, como eu pretendia resolver meu problema, mas não me ajudava a traçar nenhum plano de ação”, afirma Fabian. No décimo encontro, ele abriu o jogo: as sessões não haviam funcionado e o método utilizado era ineficaz. “A sugestão que ele deu foi aumentar a quantidade de sessões. Não quis. Joguei fora tempo e dinheiro.

Para não entrar em ciladas como essas, recomenda-se tomar alguns cuidados durante a escolha do profissional contratado para esse tipo de serviço. Ficar apenas aconselhando não é o comportamento que se deve esperar. “Essa coisa de mestre da montanha que dá inúmeros conselhos é um papel válido, mas não é o que o coach deve fazer. Deve-se conduzir todo o processo de descoberta para que o cliente não seja induzido a tomar determinada decisão”, afirma Rebeca Toyama, coach de liderança e fundadora da academia de Coaching Interativo.

INVESTIGAÇÃO PRÉVIA

Só encontra o coach ideal e se protege de picaretas quem está disposto a gastar algumas horas pesquisando sobre o prestador de serviço. Como não existe um órgão que regulamente a profissão, peça indicações para amigos, chefes (e ex-chefes), colegas de trabalho e, também, para o departamento de recursos humanos de sua empresa. O boca a boca, nesse caso, vale ouro. O bom coach tem a adesão de mais de 90% das pessoas porque sabe selecionar qual cliente se encaixa melhor com seu modo de atuar”, diz Adriana Prates, CEO da Daisen, empresa de recrutamento e seleção.

Com as indicações à mão, selecione alguns profissionais para fazer uma pesquisa aprofundada. Aja como um repórter: olhe o Linkedin, as redes sociais e busque o nome deles no Reclame Aqui. Verifique também a trajetória dos treinadores – afinal, eles darão aconselhamento de carreira a você. “O coach deve ter tido um crescimento sustentável, chegado a posições relevantes, com aprendizado contínuo”, afirma Luiz Carlos Cabrera, professor na Escola de Administração de Empresas da FGV – Eaesp e diretor na PMC – Panelli, Mola, Cabrera & Associados.

Lembre-se de checar sites de órgãos respeitados, como a ICF e a Associação Brasileira de Coaching, e verificar os treinamentos que cada coach fez. E tome cuidado com os cursos de curta duração. “As pessoas começaram a criar uma série de treinamentos e acham que, em 24 horas, estão aptas a fazer coaching. O ideal é que os cursos durem de 50 a 120 horas”, diz Denise Dutra, coordenadora do MBA de desenvolvimento de gestores da Fundação Getúlio Vargas.

DEU MATCH

Depois de toda a jornada online, marque uma conversa presencial com seus pré-selecionados. Nesse momento, garanta que eles não cobrem pelo primeiro encontro. Se alguém agir de outra maneira, desconfie. Coaches sérios recebem a cada sessão e não cobram caso o cliente desista no meio do caminho.

Durante o primeiro contato, disseque o método a ser aplicado. ”Peça uma descrição explicita da metodologia, com o programa e explicação do que deverá ocorrer nas reuniões. Senão, vira uma conversa de bar”, diz Cabrera. Por isso, não tenha pudores; pergunte tudo, o número de sessões, a duração de cada uma delas e como a discussão será conduzida. Entre, inclusive, em detalhes mais pessoais. Saber se seu coach, recebe mentoria, terapia ou se ele também tem um treinador faz diferença. “Um bom coach está sempre preocupado com o próprio equilíbrio e mantém esse tipo de acompanhamento”, afirma Rebeca. No final da conversa, peça ao profissional que lhe dê indicações de pessoas ou empresas com quem trabalha ou já trabalhou. Ao entrar em contato com essas indicações, você vai entender o estilo do coach e descobrir se ele é bom para sua necessidade. Assim como no futebol, para cada time existe um técnico ideal. Com todos esses cuidados, evita-se que à beira de seu gramado esteja um treinador que não entenda nada do riscado e faça com que você só cometa gols contra.

Coach é uma cilada.2

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 10: 19-21

Alimento diário

Sentimentos e opiniões a respeito de Cristo

Aqui temos um relato dos diferentes sentimentos das pessoas a respeito de Cristo, por ocasião do discurso anterior. Houve uma divisão, um cisma, entre eles. Eles divergiram em suas opiniões, o que os separou em grupos. Eles já tinham estado antes em uma agitação semelhante a esta (cap. 7.43; 9.16), e ali já tinha havido uma divisão. Os rasgos são feitos mais facilmente do que são compensados ou remendados. Esta divisão foi ocasiona­ da pelas palavras de Cristo, que, poderíamos pensar, deveriam, em vez disto, tê-los unido a todos nele, como seu centro, mas eles as entendiam de variadas maneiras, como Cristo tinha predito, Lucas 12.51. Porém, é melhor que os homens estejam divididos a respeito da doutrina de Cristo do que unidos a serviço do pecado, Lucas 11.21. Veja o que foi este debate, em particular.

I – Alguns, nesta oportunidade, falaram mal de Cristo e das suas palavras, ou abertamente, diante da assembleia, pois seus inimigos eram muito insolentes, ou privadamente, entre eles mesmos. Eles diziam: “Tem demônio e está fora de si; por que o ouvis?”

1. Eles o reprovam, como se estivesse endemoninhado. A pior das características é atribuída ao melhor dos homens. “Ele é um homem perturbado, Ele tresvaria e está delirante, e não deve ser ouvido mais do que as divagações de um homem em um hospício”. Desta maneira, se um homem prega seriamente e insistentemente sobre outro mundo, ele é considerado como alguém que fala como um entusiasta, e seu comportamento será atribuído a um cérebro fantasioso e a uma imaginação enlouquecida.

2. Eles ridicularizam seus ouvintes: “‘Por que o ouvis?’ Por que o encorajais, prestando atenção ao que Ele diz?” Observe que Satanás destrói a muitos, colocando-os contra a Palavra de Deus e suas ordenanças, tentando lhes transmitir a ideia de que a obediência a ambas é um procedimento frágil e tolo. Os homens não querem ser ridicularizados pelo alimento que lhes é necessário, mas toleram ser ridicularizados pelo que lhes é mais necessário. Aqueles que ouvem a Cristo, e mesclam a fé com aquilo que ouvem, logo serão capazes de explicar por que ouvem ao Senhor.

II – Outros se colocavam em sua defesa, e em defesa do seu discurso, e, ainda que a correnteza fosse forte, ousavam nadar contra ela. E, embora talvez não cressem que Ele era o Messias, eles não podiam suportar vê-lo assim maltratado. Ainda que não pudessem falar mais nada dele, eles sustentariam que Ele era um homem cuja inteligência estava muito acima dos melhores que eles conheciam, que Ele não tinha demônio, que Ele não era tolo nem lhe faltava a graça divina. As censuras mais absurdas e menos razoáveis, que algumas vezes foram feitas a Cristo e ao seu Evangelho, estimulavam a que aparecessem em defesa de ambos aqueles que, não fosse por isto, não teriam grande afeição por nenhum deles. Duas coisas eles alegam:

1. A excelência da sua doutrina: “Estas palavras não são de endemoninhado”. Estas não são palavras inúteis. Os homens perturbados não estão acostumados a falar desta maneira. Estas não são as palavras de alguém que está violentamente possuído por um demônio, ou voluntariamente aliado ao Diabo. O cristianismo, se não fosse a verdadeira religião, certamente seria a maior trapaça que já se pregou ao mundo. E, se assim fosse, deveria ser do Diabo, que é o pai de todas as mentiras. Mas é certo que a doutrina de Cristo não é uma doutrina de demônios, pois ela combate diretamente o reino do Diabo, e Satanás é sutil demais para se dividir contra si mesmo. Existe tanta santidade nas palavras de Cristo, que nós podemos concluir que elas não são as palavras de alguém que tenha um demônio. Portanto, são as palavras de alguém que foi enviado por Deus. Não são do inferno, e, portanto, têm de ser do céu.

2. O poder dos seus milagres: “Pode, porventura, um demônio”, isto é, um homem que tem um demônio, “abrir os olhos aos cegos?” Nem os homens loucos nem os maus podem realizar milagres. Os demônios não são tão senhores do poder da natureza a ponto de serem capazes de realizar tais milagres, nem são tão amigos da humanidade a ponto de desejar realizá-los, se fossem capazes. Os demônios prefeririam remover os olhos dos homens a abri-los. Portanto, Jesus não tinha demônio.

 

OUTROS OLHARES

O VAZIO ALÉM DO COPO

O abuso crônico de álcool é uma das causas da Síndrome de Wernicke-Korsakoff, que provoca grave estado de desorientação e perda da memória de curto prazo.

O vazio além do copo

Passada meia-noite quando Eleonora, 67 anos, é levada ao pronto-socorro. Depois de vagar pelas ruas, policiais a interpelam. Eleonora sabe seu nome, mas é incapaz de dizer onde mora. Na verdade, trata-se de uma velha conhecida do hospital, que frequenta a seção de neurologia há mais de dez anos. Veio trazida pelo filho e pelo marido, devido a uma série de distúrbios neurológicos de causa desconhecida. Pouco antes, começara a cambalear a ponto de cair constantemente, mesmo em casa.

Apesar do bom nível sociocultural (era física e fora gerente de informática de uma loja de departamentos), já apresentava na época alguns traços característicos curiosos, tendia a se esquecer de algumas pessoas mesmo as vendo com regularidade, mas não admitia ter dificuldades de memória. Segundo ela (e os familiares), tudo andava na mais perfeita normalidade.

Na primeira internação, infelizmente, os médicos não entenderam a gravidade da situação. Mas dois anos depois, quando retornou ao hospital, a situação piorara. Caminhar com equilíbrio estava cada vez mais complicado, assim como memorizar acontecimentos. Tanto que, depois de alguns meses, foi aposentada de forma compulsória.

A razão dos distúrbios veio à tona da maneira mais brutal: uma noite Eleonora começou a gritar, porque via “enormes aranhas negras no teto”. Suava, estava agitada e fria, não foi preciso muito mais para entender que se tratava de um episódio de delirium tremens, a síndrome de abstinência alcoólica.

O marido, informado do acontecido, exclamou indignado: “Minha mulher jamais colocou uma só gota de álcool, e não ousem dizer o contrário. Em nossa casa, não há sequer urna garrafa de bebida alcoólica. Todas foram eliminadas”. Foi inútil explicar-lhe que precisamente com esta última afirmação ele se traíra. O médico explicou que os distúrbios de Eleonora poderiam derivar de uma intoxicação por álcool. “É uma situação muito conhecida: chama-se síndrome de Wernicke, e se deve a um defeito na absorção da vitamina B1, causado pelo próprio álcool. Podemos tentar ajudá-la e fazer regredir ao menos em parte, os sintomas.”

Uma terapia vitamínica melhorou os sintomas neurológicos, mas não aqueles relacionados    memória. Ela teve alta, mas não voltou para as consultas de controle. Cinco anos, acompanhada pelo filho e pela nora, que ingressara recentemente na família e estava decidida a enfrentar a situação. Eleonora retornou ao hospital. Mas já era tarde. Ao entrar no ambulatório, disse: “Querido, você não deveria ter-se perturbado, eu viria por mim mesma testar os novos produtos”.

O filho então contou que a mãe não reconhecia mais ninguém, nem ele próprio. “Meu pai não quer mais tê-la em casa, o médico da família disse que provavelmente ela tem Alzheimer’, contou. “Ela continua bebendo? “, perguntou o neurologista. Um silêncio embaraçoso acolheu a pergunta.

A nora confessa que Eleonora bebia sim, e muito. “Parece que sempre bebeu, desde os primeiros tempos depois do casamento.” O marido de Eleonora fez com que desistisse da carreira universitária, e procurasse trabalho num escritório. Ela obedeceu, mas depois do nascimento do filho começou a beber. Foi submetida a terapia antidepressiva e quase entrou em coma por misturar pílulas e bebida. Depois da primeira internação, há alguns anos, começou a beber garrafinhas de bebida de má qualidade e chegou a ser detida ao tentar roubar aguardente num supermercado. Foi então que começou a confundir as pessoas e os fatos.

Durante essa longa conversa, Eleonora olhava ao redor com ar de desorientação. ”Quantos anos a senhora tem?”, pergunta o médico. “Quarenta”, “Lembra de mim?”  “Claro, você é o meu contador. A propósito, precisa calcular o imposto da casa da praia”. “Mamãe, já a vendemos há mais de dez anos!” Jovenzinho, você não se intrometa, que já fez bastante estrago com aquele sistema informatizado. Veja, engenheiro”, continua dirigindo-se ao médico, como eu lhe dizia…”.

Parar seu falatório era impossível. O diagnóstico não deixava dúvidas: tratava-se de síndrome de Korsakoff, evolução do distúrbio de sete anos antes e que derivava da destruição de regiões cerebrais destinadas à memorização de novas recordações e à recuperação coerente das antigas. A causa é sempre a mesma, o álcool e a sua interferência no metabolismo da vitamina B1, mesmo se alguns casos podem apresentar-se também em jovens anoréxicas ou em mulheres grávidas com vômito incontrolável, todas situações em que algo interfere com a correta absorção das substâncias nutritivas.

Em Eleonora, os exames revelaram a destruição completa dos corpos mamilares, duas pequenas formações vizinhas ao hipocampo que têm o papel de regulador dos circuitos da memória nem mesmo enchendo-a de vitamina seria possível regenerar os neurônios mortos pelo álcool. O dano anatômico é típico da síndrome de Korsakoff.

Desta vez, chegava de ambulância. Durante o período de internação, um psiquiatra procurou estabelecer um diálogo, na esperança de tornar-lhe ao menos familiar o ambiente ao redor.

A cada dia, Eleonora acreditava estar em um lugar diferente, uma colônia de férias, um centro de bem-estar, um balneário (do qual lamentava a baixa qualidade da comida), um congresso. E todo dia o psiquiatra refazia a mesma pergunta, “Eleonora, você sabe o que está fazendo aqui?”.

Grande foi a surpresa do médico quando, depois de algumas semanas, ela se mostrou séria e lhe encarou com olhos tristes: “Eu tenho um problema de memória, é um cartão defeituoso, mas não se consegue trocá-lo. Todos os dados estão confusos e o banco de dados não está acessível. “E você, como se sente?”, insistiu o médico. “Sozinha, ela respondeu, desconsolada. Mas depois de poucos segundos a expressão do rosto mudou de novo, “Caro advogado, não precisava se incomodar, eu teria lhe mandado um envelope pela secretária”.

 

DANIELA OVADIA – é jornalista médico-científica e desenvolve atividades de pesquisa no laboratório de neuropsicologia do Hospital Niguarda de Milão.

 

GESTÃO E CARREIRA

DESMISTIFICANDO A INOVAÇÃO

Desmistificando a inovação

Uma das ideias mais comuns sobre inovação é que inovar significa fazer tudo novo, tudo diferente, começando do zero.

A grande verdade é que as maiores inovações foram feitas a partir de ideias já existentes. Foram, na verdade, pequenas melhorias feitas em produtos e serviços que existiam há anos. Outra verdade é que muitas inovações ocorreram por puro acaso e, muitas vezes, por consequências de um erro. Outra verdade ainda é que pessoas inovadoras são aquelas que não têm medo de errar e acreditam nas suas ideias e intuições. Muitas pessoas me dizem ter tido ideias que apareceram como inovadoras somente anos depois.

Para ser uma pessoa inovadora siga estes sete conselhos:

1. Tenha uma atitude de observação constante. Observe tudo. Preste atenção nos detalhes do que estiver fazendo.

2. Tenha uma atitude curiosa e inquisitiva, ou seja, pergunte sempre se aquilo com o que está trabalhando poderia ser feito de outra forma.

3. Tenha coragem de testar suas ideias e não tenha medo de errar.

4. Troque ideias com colegas sem se deixar levar pelo negativismo deles.

5. Encha o seu cérebro de informação. Isso significa que você deve estudar, ler, participar de cursos, congressos, palestras e tudo que agregue conhecimento.

6. Aprenda a ter momentos de relaxamento para que seu cérebro possa fazer conexões e trazer para fora novas ideias e intuições.

7. Faça ao perceber. Não deixe uma ideia se perder. Muitas ideias boas se perdem por falta de ação imediata.

Estou escrevendo isso porque as pessoas que trabalham nas empresas ou organizações são as que têm as melhores ideias para solucionar os problemas existentes, mas essas ideias jamais são conhecidas da liderança. E, quando um consultor de fora apresenta essas mesmas ideias, as pessoas da empresa se sentem, com toda razão, desmotivadas e desprestigiadas.

Lembre-se: o medo de errar, de falar, de propor é um dos maios empecilhos para a inovação. Acredite em você e em suas ideias e pise fundo!

PENSE NISTO:

Quantas vezes já lhe aconteceu de ver uma ideia que você teve há anos ser apresentada por outras pessoas e ser elogiada pela diretoria de sua empresa?

_ Quantas ideias você já teve e não teve coragem de apresentar?

A maioria das grandes inovações foram apenas pequenas melhorias em produtos e sistemas que já existiam. Você tem ideias para melhorar algum sistema ou produto de sua empresa ou organização?

_ Muitas pessoas dizem que não são criativas e na verdade o que lhes falta é coragem para acreditar em suas ideias.

_ Você participa dos programas e treinamentos de sua empresa? Lembre-se de que quanto mais você participa, mais inovador e criativo se tornará.

Pense nisso. Sucesso!

 

LUIZ MARINS – É antropólogo, professor e consultor de empresas no Brasil e no exterior. Tem 13 livros e mais de 300 vídeos e DVDs publicados. www.marins.com.br

 

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 10: 1-18 – PARTE III

Alimento diário

O Bom Pastor

Em segundo lugar, para dar sua vida pelas ovelhas, e isto para que pudesse dar a viela a elas (v. 11): “O bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas”.

1. É uma característica e uma qualidade de todo bom pastor arriscar e expor sua vida pelas ovelhas. Jacó fez isto, uma vez que se fatigava tanto para cuidar delas, Gênesis 31.40. Também Davi, quando matou o leão e o urso. Tal pastor ele almas foi o apóstolo Paulo, que alegremente se cansava para servir a elas, e considerava que sua vida não era importante, em comparação com a salvação delas. Mas:

2. Era prerrogativa do grande Pastor dar sua viela para resgatar seu rebanho (Atos 20.28), para compensar suas transgressões, e para derramar seu sangue para lavá-los e purificá-los.

(2) Cristo é um bom pastor, e não é como um mercenário. Havia muitos que não eram ladrões, desejando matar e destruir as ovelhas, mas faziam-se passar por pastores, porém eram muito pouco cuidadosos no desempenho da sua função, e, devido à sua negligência, o rebanho foi enormemente prejudicado. Pastores insensatos, pastores inúteis, Zacarias 11.15,17. Em oposição a estes:

[1] Cristo aqui diz ser “o bom Pastor” (v. 11), e novamente (v. 14), aquele bom Pastor; que Deus tinha prometido. Observe que Jesus Cristo é o melhor dos pastores, o melhor no mundo para supervisionar e cuidar das almas. Ninguém é tão talentoso, tão fiel, tão terno, como Ele. Não há ninguém que alimente e lidere como Ele, nem que proteja e cure as almas como Ele.

[2] Ele prova ser o bom Pastor, em oposição a todos os mercenários, vv. 12-14. Aqui observamos:

Em primeiro lugar, a descrição da desatenção do pastor desleal (vv. 12,13). Aquele que é um mercenário, que é empregado como um servo e que é pago pelos seus esforços, a quem as ovelhas não pertencem, que não lucra nem perde com elas, vê o lobo aproximando-se, ou qualquer outro perigo ameaçador, e deixa as ovelhas à mercê do lobo, pois, na verdade, ele não se preocupa com elas. Aqui há uma referência clara ao pastor inútil, Zacarias 11.17. Os maus pastores, os maus magistrados e os maus ministros são aqui descritos, tanto pelos seus maus princípios quanto pelos seus maus costumes.

1. Seus maus princípios, a raiz elos seus maus costumes. O que faz com que aqueles que têm que cuidar das almas, em épocas de provação, traiam a confiança que lhes é depositada, e em épocas de tranquilidade, não se preocupem com elas? O que os torna falsos, zombeteiros e interesseiros? É o fato de que são mercenários, e não se preocupam com as ovelhas. Isto é:

(a) A riqueza do mundo é o principal dos seus bens, porque eles são mercenários. Eles assumem o trabalho de pastor, como um negócio com o qual viver e se enriquecer, e não como uma oportunidade de servir a Cristo e fazer o bem. É o amor ao dinheiro, e aos seus próprios estômagos, que os faz prosseguir nele. Isto não significa que sejam mercenários aqueles que, enquanto servem ao altar, vivem, e vivem confortavelmente, do altar. O trabalhador é digno do seu alimento, e uma manutenção escandalosa formará, em pouco tempo, um ministério escandaloso. Mas estes são mercenários que amam o salário mais do que o trabalho, e se preocupam mais com o salário, como está escrito que são os mercenários, Deuteronômio 24.15. Veja 1 Samuel 2.29; Isaías 56.11; Miquéias 3.5,11.

(b) O trabalho é a menor das suas preocupações. Eles não se importam com as ovelhas, não se preocupam com as almas dos outros. Sua preocupação é ser senhores de seus irmãos, e não seus guardiões ou protetores. Eles cuidam somente das suas próprias coisas, e não se preocupam naturalmente pela condição das almas, como fazia Timóteo. O que mais se pode esperar, além de que eles fujam quando o lobo vier. Eles não se preocupam com as ovelhas, pois elas não pertencem a eles. De certa forma, nós podemos dizer que o melhor a respeito dos sub – pastores é que as ovelhas não lhes pertencem, eles não têm domínio sobre elas, nem a propriedade delas (”Apascenta minhas ovelhas e meus cordeiros”, diz Cristo), mas em se tratando de afeição e carinho, elas deviam ser como suas. Paulo considerava como seus aqueles a quem ele chamava de amados, e de quem sentia saudades. Aqueles que não aderem cordialmente aos interesses da igreja, tornando-os seus, não serão fiéis a eles por muito tempo.

  1. Seus maus costumes, o resultado destes maus princípios, v. 12. Veja aqui:

(a) De que maneira vil o mercenário abandona seu posto. Quando ele vê vir o lobo, embora seja quando há mais necessidade da sua presença, ele deixa as ovelhas e foge. Observe que aqueles que se importam mais com sua própria segurança do que com seu dever são uma presa fácil para as tentações de Satanás.

(b) Como são fatais as consequências! O mercenário imagina que o rebanho saberá se cuidar, mas isto não é o que acontece: “O lobo as arrebata e dispersa”, e lamentavelmente o rebanho é destruído, do que toda a culpa será do pastor traidor. O sangue das almas que perecem é requerido das mãos dos vigias descuidados.

Em segundo lugar, veja aqui a graça e a ternura do bom Pastor, que se colocará contra os anteriores, como estava predito (Ezequiel 34.21,22ss.): “Eu sou o bom Pastor”. É um consolo para a igreja, e para todos os seus amigos, o fato de que, por mais que ela possa ser prejudicada e colocada em perigo pela traição e pela má administração dos seus sub – oficiais, o Senhor Jesus é, e será, como sempre foi, o bom Pastor. Aqui estão dois grandes exemplos da bondade do pastor.

2. O fato de que Ele está familiarizado com seu rebanho, com todas as ovelhas que pertencem ao seu rebanho, ou que, de alguma maneira, estão relacionadas com ele, e que são de dois tipos, ambos conhecidos dele:

(a) Ele conhece todas as ovelhas que agora pertencem ao seu rebanho (vv.14,15), sendo o bom Pastor (vv. 3,4): “Conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido”. Observe que existe um conhecimento mútuo entre Cristo e os verdadeiros crentes. Eles se conhecem muito bem, e o conhecimento indica afeição.

[a] Cristo conhece seu rebanho. Ele conhece, com olhos que distinguem, quais são suas ovelhas e quais não são. Ele conhece as ovelhas sob suas muitas fraquezas, e os bodes, sob seus disfarces mais plausíveis. Ele conhece, com olhos favoráveis, aqueles que, na verdade, são suas próprias ovelhas. Ele toma conhecimento da sua condição, se preocupa com elas, tem uma consideração terna e afetuosa por elas, e está continuamente atento a elas na intercessão que Ele mesmo vive para fazer do lado de dentro do véu. O Senhor as visita graciosamente pelo seu Espírito, e tem comunhão com elas. Ele as conhece, isto é, Ele as aprova e aceita, como em Salmos 1.6; 37.18; Êxodo 33.17.

[b] Ele é conhecido das suas ovelhas. Ele as observa com um olhar de graça, e elas o observam com um olhar de fé. O fato de que Cristo conhece suas ovelhas é anterior ao fato de que elas o conheçam, pois Ele nos conhece u e amou primeiro (1 João 4.19), e nossa felicidade não é tanto o fato de que o conhecemos, mas o fato de sermos conhecidos por Ele, Gálatas 4.9. Mas é a personalidade das ovelhas de Cristo que as faz conhecê-lo; conhecê-lo entre todos os fingidores e intrusos. Elas conhecem sua vontade, conhecem sua voz, conhecem, por experiência, o poder da sua morte. Cristo fala aqui como se Ele se gloriasse em ser conhecido pelas suas ovelhas, e julgasse o res peito delas uma honra para si. Nesta ocasião, Cristo menciona (v. 15) o conhecimento mútuo entre seu Pai e Ele mesmo: ”Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai”. Isto pode ser considerado, ou, em primeiro lugar, como a base daquele conhecimento e relacionamento íntimo que existe entre Cristo e os crentes. O concerto da graça, que é o elo desta relação, está fundamentado no concerto da redenção entre o Pai e o Filho, que, podemos ter certeza, permanece firme, pois o Pai e o Filho se compreendiam perfeitamente bem sobre este assunto, e não poderia haver nenhum engano, o que poderia atribuir alguma incerteza à questão, ou colocá-la sob algum risco. O Senhor Jesus conhece a todos os que Ele escolheu, e está seguro a respeito deles (cap. 13.18), e eles também conhecem aquele em quem confiaram, e estão seguros a respeito dele (2 Timóteo 1.12), e a base para ambos é o perfeito conhecimento que o Pai e o Filho tinham, cada um, da vontade do outro, quando houve o conselho da paz entre ambos. Ou, em segundo lugar, como uma semelhança apropria­ da, exemplificando a intimidade que existe entre Cristo e os crentes. Isto pode relacionar-se às palavras anteriores desta maneira: “Conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai”. Compare com João 17.21.

1. Assim como o Pai conhecia o Filho, e o amava, e o reconhecia nos seus sofrimentos, quando Ele foi leva­ do, como uma ovelha, para o matadouro, também Cristo conhece suas ovelhas, e mantém um olhar vigilante sobre elas, e estará com elas quando elas forem abandonadas, como seu Pai esteve com Ele.

2. Assim como o Filho conhecia o Pai, e o amava e o obedecia, e sempre fazia as coisas que lhe agradavam, confiando nele como seu Deus, mesmo quando Ele parecia tê-lo abandonado, também os crentes conhecem a Cristo com uma consideração obediente e confiante.

(b) Ele conhece aqueles que, no futuro, serão do seu rebanho (v. 16): ”Ainda tenho outras ovelhas”, tenho direito a elas e interesse nelas, “que não são deste aprisco”, da igreja judaica; “também me convém agregar estas”. Observe:

[1] A consideração que Cristo tinha pelos pobres gentios. Algumas vezes Ele tinha evidenciado seu interesse especial pelas ovelhas perdidas da casa de Israel. A elas, realmente, limitava-se seu ministério pessoal. “Mas”, diz Ele, “tenho outras ovelhas”. Aqueles entre os gentios que, no decorrer do tempo, desejassem crer em Cristo, e fossem levados a obedecer a Ele, são aqui chamados de ovelhas, e está escrito que Ele as tem, embora elas ainda não sejam chamadas, e muitas delas ainda não tenham nascido. Isto porque são escolhidas de Deus, e são entregues a Cristo nos conselhos do amor divino, desde a eternidade. Cristo tem o direito, em virtude da doação do Pai e do seu próprio resgate, das muitas almas das quais Ele ainda não tem a posse. Assim, Ele tinha muita gente em Corinto, quando esta cidade ainda vivia em iniquidade, Atos 18.10. “Estas outras ovelhas que Eu tenho”, diz Cristo, “Eu as tenho no meu coração, nos meus olhos, e estou tão certo de tê-las como se já as tivesse”. Agora Cristo fala daquelas outras ovelhas, em primeiro lugar, para remover o desprezo que lhe era atribuído, pelo fato de ter apenas poucas ovelhas. Alguns pensavam que, mesmo sendo um bom Pastor; Ele ainda assim fosse um pobre pastor: “Mas”, diz Ele, “Eu tenho mais ovelhas do que vocês podem ver”. Em segundo lugar, para remover o orgulho e a vanglória dos judeus, que pensavam que o Messias deveria reunir todo o seu rebanho do seu meio. “Não”, diz Cristo, “Eu tenho outras que irei colocar junto às ovelhas do meu rebanho, embora vocês desdenhem colocá-las junto aos cães do seu rebanho”.

[2] Os propósitos e as determinações da sua graça a respeito delas: “‘Também me convém agregar estas’, trazê-las para casa, para Deus, trazê-las para a igreja, e, para isto, despi-las dos seus costumes inúteis, trazê-las de volta das suas perambulações, como aquela ovelha perdida”, Lucas 15.5. Mas por que Ele deve trazê-las? Qual era a necessidade? Em primeiro lugar, a necessidade da sua condição o exigia: “Eu devo trazê-las, ou elas serão deixadas vagando interminavelmente, pois, como ovelhas, elas nunca voltarão por si mesmas, e nenhum outro poderá, ou quererá, trazê-las”. Em segundo lugar, a necessidade dos seus próprios compromissos o exigia. Ele deve trazê-las, ou não será fiel ao que lhe foi confiado, e fiel à sua missão. “Elas são minhas, compradas e pagas, e, portanto, eu não devo negligenciá-las nem deixar que pereçam”. Ele deve, honrosamente, trazer aquelas que lhe foram confiadas.

[c] O feliz resultado e a consequência disto, em dois aspectos. Em primeiro lugar: “Elas ouvirão a minha voz.

Minha voz não somente será ouvida entre elas (embora elas ainda não a tenham ouvido, e por isto não possam crer, agora que o som do Evangelho irá até os confins da terra), mas será ouvida por elas. Eu falarei e elas ouvirão”. A fé vem pelo ouvir, e nossa observação diligente da voz de Cristo é, ao mesmo tempo, um meio e uma evidência de que somos trazidos a Cristo, e a Deus, por seu intermédio. Em segundo lugar: “Haverá um rebanho e um Pastor”. Assim como há um pastor, haverá um rebanho. Tanto os judeus quanto os gentios, voltando-se à fé em Cristo, serão incorporados em uma única igreja, serão participantes comuns e iguais nos seus privilégios, sem distinção. Estando unidos a Cristo, eles estarão unidos nele. Duas varas se tornarão uma, na mão do Senhor. Observe que um pastor faz um rebanho, um Cristo faz uma igreja. Assim como a igreja é única na sua constituição, submissa a uma cabeça, animada por um Espírito, e guiada por uma regra, também seus membros deverão ser um só, em amor e afeto, Efésios 4.3-6.

A. A oferta que Cristo faz de si mesmo, pelas suas ovelhas, é outra prova de que Ele é um bom pastor, e nisto Ele recomenda ainda mais seu amor, vv. 15,17,18.

(a) Ele declara seu propósito de morrer pelo seu rebanho (v. 15): “Dou a minha vida pelas ovelhas”. Ele não somente arrisca sua vida por elas (neste caso, a esperança de salvá-la pode ser equivalente ao temor de perdê-la), mas, na verdade, a deposita, e a sujeita a uma necessidade de morrer pela nossa redenção – Eu a ofereço como uma garantia ou penhor, como um dinheiro depositado adiantado. As ovelhas destinadas ao matadouro, prontas para o sacrifício, foram resgatadas pelo sangue do Pastor. Ele ofereceu sua vida, não somente para o bem das ovelhas, mas no lugar delas. Milhares de ovelhas eram oferecidas em sacrifício pelos seus pastores, como ofertas pelo pecado, mas aqui, em uma inversão surpreendente, o pastor é sacrificado pelas ovelhas. Quando Davi, o pastor de Israel, foi culpado pessoalmente, e o anjo destruidor sacou sua espada contra o rebanho, por causa dele, com boas razões ele implorou: “Estas ovelhas que fizeram? Seja, pois, a tua mão contra mim”, 2 Samuel 24.17. Mas o Filho de Davi era sem pecado e imaculado. E suas ovelhas, qual foi o mal que não fizeram? Ainda assim, Ele disse: “Seja, pois, a tua mão contra mim”. Aqui Cristo parece referir-se à profecia de Zacarias (Zacarias 13.7): “Ó espada, ergue-te contra o meu Pastor”. E, embora ferir o pastor significasse a dispersão imediata do rebanho, seu objetivo é reunir o rebanho.

(b) Ele remove o escândalo da cruz, que para muitos é uma pedra de tropeço, com quatro considerações:

[a] Que a oferta da sua vida pelas ovelhas era a condição cujo cumprimento lhe dava o direito às honras e aos poderes do seu estado exaltado (v. 17): ‘”Por isso, o Pai me ama, porque dou a minha vida’. Nestes termos, Eu, como Mediador, devo esperar a aceitação e a aprovação do meu Pai, e a glória designada a mim, de me tornar um sacrifício pelo remanescente escolhido”. Não somente que, como Filho de Deus, Ele fosse amado pelo seu Pai, desde a eternidade, mas como Deus-homem, como Emanuel, Ele era, por essa razão, amado pelo Pai, por­ que se comprometeu a morrer pelas ovelhas. Por isso, a alma de Deus se alegrava nele, como seu Eleito, porque nisto Ele era seu servo fiel (Isaias 42.1), e por isto Ele disse:

“Este é o meu Filho amado”. Que lindo exemplo do amor de Deus pelos homens é este, que Ele amou ainda mais ao seu Filho, por amar a nós! Veja que importância Cristo dá ao amor do seu Pai, pois, para merecê-lo, Ele daria sua vida pelas ovelhas. Ele julgava que o amor de Deus era recompensa suficiente por todos os seus ser viços e sofrimentos, e julgaremos nós que é pouco pelos nossos, e procuraremos os sorrisos do mundo para compensar? “Por isso, o Pai me ama”, isto é, a mim, e a todos os que, pela fé, se tornam um só comigo. A mim, e ao corpo místico, porque Eu dou minha vida.

[b] Que a oferta da sua vida tinha o objetivo de retomá-la: “Dou a minha vida para tornar a tomá-la”. Em

primeiro lugar, o resultado do amor do seu Pai, e o primeiro passo da sua exaltação, eram fruto daquele amor. Por ser o Santo de Deus, Ele não deveria ver a corrupção, Salmos 16.10. Deus o amava demais para deixá-lo na sepultura. Em segundo lugar, seu objetivo, ao ofertar sua vida, era poder ter uma oportunidade de declarar ser o Filho de Deus em poder pela sua ressurreição, Romanos 1.4. Por um estratagema divino (como aquele diante de Ai, Josué 8.15), Ele se entregou à morte, como se fosse ferido diante dela, para que pudesse vencer a morte de modo mais glorioso, e triunfar sobre a sepultura. Ele entregou um corpo desonrado, para poder assumir um corpo glorificado, apropriado para ascender ao mundo dos espíritos. Entregou uma vida adaptada a este mundo, mas assumiu uma adaptada ao outro, como um grão de trigo, cap. 12.24.

[c] Que Ele era completamente voluntário nos seus sofrimentos e na sua morte (v. 18): “Ninguém tira, ou pode tirar, minha vida contra minha vontade, mas Eu, voluntariamente, ‘de mim mesmo a dou’, Eu a entrego como me u próprio documento legal, pois ‘tenho’ (o que nenhum homem tem) ‘poder para a dar e poder para tornar a tomá-la'”.

Em primeiro lugar, veja aqui o poder de Cristo, como o Senhor da vida, particularmente da sua própria vida, que Ele tinha em si mesmo.

1. Ele tinha poder de proteger sua vida de todo o mundo, de modo que ela não fosse arrancada dele sem seu próprio consentimento. Embora a vida de Cristo parecesse ser tomada por um ataque repentino, na realidade ela foi entregue. Caso contrário, ela teria sido inabalável, e nunca seria tomada. O Senhor Jesus não caiu nas mãos dos seus perseguidores por que não pudesse evitar isto, mas, na verdade, Ele se entregou às mãos deles, por que era chegada sua hora. “Ninguém ma tira de mim”. Este era um desafio como nunca tinha sido feito, nem pelo herói mais ousado.

2. Ele tinha poder para ofertar sua vida.

(1) Ele tinha a capacidade de fazer isto. Ele podia, quando desejasse, desfazer o nó da união entre a alma e o corpo e, sem nenhum ato de violência cometido contra si mesmo, podia desligar um do outro. Tendo assumido um corpo voluntariamente, Ele podia, voluntariamente, abandoná-lo, o que ficou evidente quando Ele clamou com grande voz, e entregou seu espírito.

(2) Ele tinha autoridade para fazer isto. Embora possamos encontrar instrumentos de crueldade, que são capazes de acabar com nossa própria vida, ainda assim nós só podemos fazer aquilo, e somente aquilo, que pudermos fazer legitimamente. Nós não temos permissão de fazê-lo. Mas Cristo tinha uma autoridade soberana para dispor da sua própria vida como desejasse. Ele não era devedor (como somos nós) nem da vida nem da morte, mas completamente sui juris.

3. Ele tinha “poder para tornar a tomá-la”. Nós não temos. Nossa vida, uma vez ofertada, é como água derramada sobre o chão. Mas Cristo, quando oferta sua vida, ainda a tem ao seu alcance, e pode tornar a tomá-la. Separando-se dela por uma transferência voluntária, Ele podia limitar como desejasse a entrega, e Ele o fez com um poder de revogação, que era necessário para preservar as intenções da entrega.

Em segundo lugar, veja aqui a graça de Cristo. Uma vez que ninguém podia exigir sua vida pela lei, ou extorqui-la pela força, Ele mesmo a entregou, pela nossa redenção. Ele se ofereceu para ser o Salvador. “Eis que venho”. E então, como a necessidade da nossa situação o exigia, Ele se oferece u para ser um sacrifício: Eis-me aqui, deixem estes em paz. Portanto, é pela vontade dele que nós somos santificados, Hebreus 10.10. Ele era, ao mesmo tempo, o ofertante e a oferta, de modo que, ao oferecer sua vida, Ele estava oferecendo a si mesmo.

[d] Que Ele fez tudo isto pela expressa ordem e designação de seu Pai, no que Ele explicou, enfim, toda a questão: “Esse mandamento recebi de meu Pai”. Não tanto um mandamento como um feito, que Ele fez necessário, antes de sua própria incumbência voluntária. Mas esta era a lei da mediação, que Ele estava disposto a ter escrita em seu coração, assim como deleitar-se em fazer a vontade de Deus, de acordo com ela, Salmos 40.8.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

DEPRESSÃO: A DOR QUE NÃO PASSA

A depressão não causa apenas sintomas profundamente desconfortáveis que afetam todas as áreas da vida do paciente; também tem efeitos sobre a anatomia do cérebro, e pode ser revertida com tratamento adequado.

Depressão - a dor que não passa.2

Algumas pesquisas estimam que entre 30% e 50% das pessoas já preencheram, em algum momento da vida, os critérios diagnósticos do transtorno depressivo maior. Outros estudos sugerem que uma em dez pessoas tem um episódio de depressão pelo menos uma vez na vida – em geral desencadeado por uma situação infeliz, por uma perda importante, pelo estresse constante ou, em alguns casos, por uma doença grave. Quando a causa não está em um agente externo, falamos em depressão endógena. De acordo com os neurobiólogos, o distúrbio seria consequência da falta de certos neurotransmissores (monoaminas) no cérebro: dopamina, noradrenalina e, principalmente, a serotonina, que são hormônios reguladores de emoções.

Sabemos atualmente que a depressão não traz apenas desconforto, mas pode ter repercussões ainda mais graves, como a diminuição de regiões específicas do cérebro. Um estudo realizado com tupaias (pequenos mamíferos herbívoros, semelhantes a esquilos), coordenado por Eberhard Fuchs, do Centro de Primatas de Göttingen, Alemanha, foi o primeiro a apontar nessa direção. Ele mostrou que em animais “deprimidos” – sem iniciativa, passivos e que pouco se alimentavam – o hipocampo, que funciona como uma espécie de centro de controle dos processos de aprendizagem e memória, apresentava tamanho reduzido. Contudo, esse processo podia ser detido com o tratamento da depressão. Algo semelhante foi observado em seres humanos pela psiquiatra Yvette Sheline, da Universidade de Washington. Ela analisou o hipocampo de 38 mulheres com depressão crônica e descobriu que, assim como acontecia com os bichinhos estudados pelos alemães, os efeitos neuroanatômicos existiam e também podiam ser revertidos com tratamento adequado. Uma das formas de combater esse efeito é manter o hábito de fazer exercícios físicos.

VIDA MUITO TRANQUILA

Mas algo chama atenção tanto de leigos quanto de especialistas: por que os casos de depressão têm aumentado tanto? As estatísticas cresceram quando as pessoas passaram a desfrutar de comodidades que poupam tempo. Paradoxalmente, gerações anteriores, cuja vida se caracterizava por maiores esforços para a simples sobrevivência, eram mentalmente mais sadias, o que faz pensar que o excesso de facilidades, de alguma forma, nos torna mais vulneráveis à depressão. Nossos ancestrais evoluíram em condições nas quais era necessário trabalho físico duro para prosperar, e esse empenho físico acionava áreas cerebrais, proporcionando sensações de bem-estar. A rede accumbens – estriado-cortical (sistema responsável pela conexão entre movimento, emoção e pensamento), chamada pela autora de “circuito de recompensas impulsionadas pelo esforço”, está na base dos sintomas associados à depressão, como perda de prazer, respostas motoras lentas e baixa concentração.

Quando a “economia doméstica” dos neurotransmissores sai dos eixos, antidepressivos como fluoxetina e sertralina podem intervir de forma controlada e melhorar o humor. Com certeza, os medicamentos trazem alívio, mas infelizmente não oferecem a cura mágica que gostaríamos de obter no balcão da farmácia. Antidepressivos atuais podem levar semanas para aliviar a depressão. Para certas pessoas nem chegam a funcionar, e, se funcionam hoje, isso pode não acontecer amanhã. Agentes de ação mais rápida e com novos mecanismos são necessários, mas a fonte dessas drogas na grande indústria farmacêutica é limitada.

Talvez um dos avanços mais significativos dos últimos anos em relação à depressão seja que a percepção de que um único caminho pode não ser suficiente para toda e qualquer pessoa que apresente o quadro. Psicoterapias são fundamentais – e não apenas como tratamentos coadjuvantes, mas em muitos casos como principal estratégia terapêutica.

MUITO ALÉM DA TRISTEZA

A depressão se distingue do sentimento de tristeza pela duração de seus sinais e pelo contexto em que ocorre. Por exemplo, é natural sentir-se triste e sem perspectivas após a morte de um ente querido, perda do emprego ou término de um relacionamento. Períodos de luto, de elaboração de experiências desagradáveis, acontecem na vida de qualquer pessoa e, normalmente, são superados – apesar de, atualmente, termos cada vez menos tempo e espaço para vivenciar a tristeza. Na depressão, porém, essa sensação é duradoura. Humor depressivo por mais de duas semanas, incapacidade de sentir qualquer prazer, tendência a sobrevalorizar eventos negativos são alguns dos sinais emocionais. Também há sintomas físicos, como problemas de sono, falta de apetite e dores difusas.

 

 

 

 

OUTROS OLHARES

A AMEAÇA CRESCENTE DA OBESIDADE

O número de pessoas acima do peso no Brasil saltou de 24% da população nos anos 1970 para mais da metade dos brasileiros hoje em dia.

A ameaça crescente da obesidade

Os dados são precisos, recentes e, sobretudo, alarmantes. De acordo com o Ministério da Saúde, dos 207,6 milhões de brasileiros, 53,8¾ estão acima do peso. Na década de 70 o índice no país era bem menor: 24%. A marca ultrapassou 50% da população em 2016 – o que equivale a dizer que o salto não ocorreu de uma hora para outra; desenhou-se aos poucos, é verdade, mas não sem deixar pistas. A crônica da obesidade no Brasil foi, sim, anunciada.

Para além dos fatores genéticos, as causas do sobrepeso se multiplicam – e as mudanças nos hábitos ali1mntares verificadas mundo afora nas últimas décadas têm enorme responsabilidade no avanço da obesidade. Houve, por exemplo, um aumento significativo no consumo de alimentos semipronto congelado. A popularização dos micro-ondas, e dos freezers contribuiu bastante para isso. Embora prático, esse cardápio é quase sempre pouco saudável; como a maioria das atrações das redes de fast-food.  E o pior: muitas vezes, engorda.

Não bastasse o alastramento do sobrepeso entre os adultos – que no Brasil atinge 57,7% dos homens e 50,5% das mulheres -, a obesidade se espalha de forma avassaladora na população infantil. No país, 12,7% dos meninos e 94% das meninas estão obesos. O índice nos Estados Unidos para ficar em um exemplo, é maior; no entanto, observando-se a curva dos últimos vinte anos, nota-se que o crescimento de casos de crianças acima do peso na população americana foi de 66%, enquanto no Brasil esse índice subiu 239%. A Organização Mundial da Saúde projeta que até 2022 o número de crianças obesas no planeta deva ultrapassar o das que se situarem abaixo do peso.  Para tentar ao menos abrandar essa perspectiva, a entidade defende a elevação de impostos sobre produtos açucarados e a restrição a alimentos industrializados nas escolas. A propósito, os especialistas chamam a atenção para o fato de que frequentemente em supermercados os alimentos naturais ocupam menos espaço, e com menor destaque, que os produtos industrializados. Outra medida para frear o avanço da obesidade infantil seria uma estudada na regulação da publicidade destinada ao público infanto-juvenil.

A ameaça crescente da obesidade.2

 Tamanha preocupação com a infância vai, na realidade além da própria infância. A probabilidade de uma criança gorda tornar-se um adulto acima do peso é enorme. Isso porque o, número de células adiposas, que retêm gorduras conhecidas como adipócitos, é geralmente definido até os 20 anos. Depois dessa idade, nada, absolutamente nada é capaz de diminuir a quantidade de adipócitos – nem a mais radical das dietas. Quando uma pessoa emagrece, os adipócitos apenas perdem volume, entretanto, continuam lá.

A ameaça crescente da obesidade.3

Adultos com obesidade grave desde a infância vivem até dez anos menos em relação aos que mantiveram a linha. A condição aumenta ainda em três vezes o risco de diabetes do tipo 2. Num mundo onde não existissem pessoas acima do peso, o índice de infartos e de hipertensão seria 30% menor e o de diabetes cairia 70¾. Em outras palavras, a obesidade é uma doença – aliás, só reconhecida como tal em 2017 -, que provoca outros males. Calcula-se que 30% dos casos de sobrepeso ocorram por causa dos genes, isto é, em razão de uma disfunção biológica. Seja qual for a origem do problema, o emagrecimento só deve ser orientado e acompanhado por profissionais de medicina e não por consultores, blogueiros e outros curiosos.

Uma vez que a obesidade já se instalou o desafio é como combatê­la de forma eficaz. Atualmente, o Brasil tem sete compostos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento da doença. É preciso ressaltar, contudo, que os medicamentos reduzem, no máximo, apenas. 

A ameaça crescente da obesidade.4

GESTÃO E CARREIRA

FINTECHS: O QUE SÃO E COMO ESTÃO REVOLUCIONANDO O MERCADO FINANCEIRO

 Em um mercado competitivo e globalizado, inovação é a palavra-chave para o sucesso de qualquer empreendimento. Inclusive, para os empreendimentos do segmento financeiro, onde a tecnologia há um bom tempo está revolucionando o setor de serviços.

Fintechs - o que são e como estão revolucionando o mercado financeiro

As fintechs, por exemplo, têm promovido mudanças importantes no setor, ao disputar a clientela com instituições financeiras tradicionais. Todos vivenciamos e somos testemunhas das contínuas transformações por que passam os serviços bancários.

A palavra fintech ainda soa um pouco estranha para uma significa parcela da população brasileira, mas seu conceito e seu efeito já são bastante conhecidos. É sobre isso que trataremos nesse post. Continue a leitura!

O QUE É UMA FINTECH?

Fintechs são startups do setor financeiro que têm todos os seus processos e serviços amparados em ferramentas digitais, com o objetivo de facilitar o acesso dos clientes aos produtos e serviços financeiros e resolver suas demandas de forma rápida, segura, barata e eficiente.

Uma característica fundamental das fintechs é a experiência personalizada que ela proporciona ao cliente na gestão das finanças, oferecendo a ele atendimento humanizado e eficaz.

AS PRINCIPAIS FINTECHS BRASILEIRAS SÃO?

Nubank – Lançada há pouco mais de 2 anos, possui mais de 3 milhões de usuários. Todos os serviços são realizados on-line, por meio de um aplicativo móvel.

VivaReal – Voltada para o mercado imobiliário, esta fintech tem reconhecimento internacional e figura entre as 100 fintechs mais inovadoras do mundo(apenas 3 empresas brasileiras conquistaram esse feito). Fundada há 9 anos, possui mais de 1,8 milhão usuários.

GuiaBolso – Seu produto principal oferece soluções de gerenciamento financeiro para um público que não para de crescer, resultando no crescente aumento  dos investimentos de parceiros.

Easynvest – Seu diferencial é oferecer opções de investimentos para pessoas físicas.

A QUE SE DEVE O SUCESSO DAS FINTECHS?

Os principais fatores de sucesso e o crescimento das fintechs são:

  • democratização do acesso aos serviços financeiros
  • atendimento mais próximo ao cliente
  • investimento constante no desenvolvimento e no uso das novas tecnologias
  • foco na educação financeira do consumidor
  • capacidade de prever e de suprir as necessidades dos clientes com rapidez

 

QUATRO TRANSFORMAÇÕES PROMOVIDAS PELAS FINTECHS NA ECONOMIA

POPULARIZAM OS BANCOS ON-LINE

As startups que usam a tecnologia para inovar o setor financeiro, conhecidas como fintechs, começaram a mudar o mercado a partir da criação de bancos exclusivamente on-line – sem agência, fila nem gerente. Hoje há cerca de 400 delas no Brasil.

APOSENTAM O “CONSELHO DO GERENTE

Com base em informações de gastos inseridas nos bancos de dados das fintechs, o usuário recebe aconselhamentos automáticos, de acordo com seu padrão de consumo e poupança.

REDUZEM A BUROCRACIA PARA O CRÉDITO

Para captarem clientes que não têm acesso a crédito em bancos tradicionais, essas empresas usam formas diversas de garantia, como a hipoteca de veículos. Com isso. podem oferecer juros mais baixos.

DESCOMPLICAM INVESTIMENTOS

Nos grandes bancos, clientes são orientados a investir nas aplicações mais rentáveis da instituição na qual têm conta. Em muitas fintechs, são aplicativos que oferecem ao usuário as opções de investimento – e em diversas instituições financeiras.

Fintechs - o que são e como estão revolucionando o mercado financeiro.2

E você, conhece e/ ou é usuário dos serviços de alguma fintech? Já está integrado à revolução digital? Conta pra gente. Deixe aqui seu comentário!

 

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 10: 1-18 – PARTE II

Alimento diário

O Bom Pastor

III – A explicação que Cristo dá desta parábola, abrindo completamente seus detalhes. Nós veremos o Senhor Jesus, pessoalmente, pronto para explicar quaisquer dificuldades que possamos ver em suas palavras. Basta estarmos desejosos ele compreendê-las. Nós descobriremos que uma passagem das Escrituras explica a outra, e o bendito Espírito é o intérprete do bendito Jesus. Nesta parábola, Cristo tinha diferenciado o pastor do ladrão pelo fato de que Ele entra pela porta. Agora, explicando a parábola, Ele se faz tanto a porta pela qual o pastor entra quanto o Pastor que entra pela porta. Embora possa ser um solecismo em retórica, fazer a mesma pessoa ser a porta e o pastor, não há solecismo na Divindade ao fazer Cr isto obter sua autoridade de si mesmo, assim como Ele tem vida em si mesmo, e Ele mesmo entra, pelo seu próprio sangue, como a porta, no santuário.

1. Cristo é a porta. Isto Ele diz àqueles que fingiam procurar a justiça, mas, como os sodomitas, se cansavam de procurar a porta onde ela jamais seria encontrada. Ele disse aos judeus, que deveriam ser o único rebanho de Deus, e aos fariseus, que deveriam ser seus únicos pastores: “Eu sou a porta das ovelhas”, a porta da igreja.

(1) De maneira geral:

[1] Ele é como uma porta fecha­ da, para manter afastados os ladrões e os salteadores, e outras pessoas que não devem ser admitidas. O fechar da porta é a segurança da casa. E que maior segurança tem a igreja ele Deus do que a interposição do Senhor Jesus, e ela sua sabedoria, do seu poder e da sua bondade, entre ela e todos os seus inimigos?

[2] Ele é como uma porta aberta, para passagem e comunicação. Em primeiro lugar, por Cristo, como a porta, nós temos nossa primeira admissão no rebanho de Deus, cap. 14.6. Em segundo lugar, nós entramos e saímos, em uma relação de fé, ajuda­ dos por Ele, aceitos nele, andando no seu nome, Zacarias 10.12. Em terceiro lugar, através dele, Deus, o Pai, vem à sua igreja, visita-a, e se comunica com ela. Em quarto lugar, através dele, como a porta, as ovelhas são, por fim, admitidas no reino celestial, Mateus 25.34.

(2) Mais particularmente:

[1] Cristo é a porta dos pastores, de modo que ninguém que não entre por Ele será considerado pastor, mas (ele acordo com a regra estabelecida, v.1) ladrões e salteadores (embora finjam ser pastores), porém as ovelhas não os ouvem. Isto se refere a todos os que tinham o caráter de pastores em Israel, fossem magistrados ou ministros, que exerciam seu ofício sem nenhuma consideração pelo Messias, ou quaisquer outras expectativas dele além das que eram sugeridas pelos seus próprios interesses carnais. Observe, em primeiro lugar, o caráter que lhes foi atribuído: “São ladrões e salteadores” (v. 8). De todos os que vieram antes dele, não em termos de existência, muitos deles eram pastores fiéis, mas todos os que se anteciparam à sua comissão, e correram antes que Ele os enviasse (Jeremias 23.21), que assumiram para si mesmos uma precedência e uma superioridade em relação a Ele, agiram como o anticristo, que exalta a si mesmo, 2 Tessalonicenses 2.4. “Os escribas e fariseus, os principais dos sacerdotes, todos os que vieram antes de mim, que se empenharam em monopolizar meus interesses, e a evitar que eu conquistasse qualquer espaço na mente elo povo, influenciando-o com preconceitos contra mim, estes são ladrões e salteadores, e roubam aqueles corações sobre os quais não têm direitos, defraudando o dono legítimo da propriedade”. Eles condenaram nosso Salvador como ladrão e saltearam porque Ele não passou por aqueles que se consideravam a porta, nem obteve alguma permissão da parte deles, mas Ele mostra que eles deveriam ter recebido dele sua comissão, que deveriam ter sido admitidos por Ele, e terem vindo depois dele, e por não terem agido desta maneira, mas terem se antecipado a Ele, eles eram ladrões e salteadores. Eles não vieram como seus discípulos, e, por esta razão, foram condenados como usurpadores, e suas falsas comissões foram canceladas e substituídas. Observe que os rivais de Cristo são salteadores da sua igreja, ainda que finjam ser pastor es, ou até mesmo pastores de pastores. Em segundo lugar, o cuidado tomado para proteger as ovelhas em relação a eles: “Mas as ovelhas não os ouviram”. Aqueles que tinham uma verdadeira característica de piedade, que eram espirituais e celestiais, e sinceramente devotados a Deus e à religiosidade, não podiam, de maneira nenhuma, aprovar as tradições dos anciãos, nem apreciar suas for maldades. Os discípulos de Cristo não possuíam nenhuma instrução especial de seu Mestre que os impedisse de comer sem efetuar antecipadamente uma lavagem cerimonial das mãos, nem colher espigas no sábado, pois nada é mais contrário ao verdadeiro cristianismo do que o farisaísmo, e não existe nada mais repugnante a uma alma verdadeiramente devota do que as devoções hipócritas daqueles fariseus.

[2] Cristo é a porta das ovelhas (v. 9): “Se alguém entrar por mim” (através de mim como a porta) no curral, como alguém pertencente ao rebanho, “salvar-se-á”, não somente estará a salvo dos ladrões e salteadores, mas será feliz, “e entrará, e sairá”. Aqui temos, em primeiro lugar, instruções claras sobre como entrar no curral: nós devemos entrar por Jesus Cristo, que é a porta. Por meio da fé nele, como o grande Mediador entre Deus e o homem, nós entramos em aliança e comunhão com Deus. Não é possível entrar na igreja de Deus, a não ser entrando na igreja de Cristo. Ninguém é considerado como membro do reino de Deus entre os homens, a não ser aqueles que estão dispostos a submeter-se à graça e à soberania do Redentor. Agora devemos entrar pela porta da fé (Atos 14.27), uma vez que a porta da inocência está fechada para nós, e aquela passagem ficou intransponível, Gênesis 3.24. Em segundo lugar, promessas preciosas àqueles que observarem estas orientações.

1. Eles serão salvos no futuro. Este é o privilégio da sua casa. Estas ovelhas serão salvas de serem sequestradas e confinadas pela justiça divina, devido às transgressões. A satisfação pelos danos foi feita pelo seu grande Pastor. Elas são salvas de serem uma presa do leão que ruge. Elas serão felizes para sempre.

2. Enquanto isto, elas entrarão e sairão, e acharão pastagens. Este é o privilégio do seu caminho. Elas terão suas relações com o mundo pela graça de Cristo, estarão no seu rebanho como um homem na sua própria casa, onde ele entra, sai e regressa livremente. Os verdadeiros crentes estão em casa em Cristo. Quando saem, eles não ficam do lado de fora como estranhos, mas têm liberdade para entrar outra vez. Quando entram, eles não são trancados como invasor es, mas têm liberdade de sair. Eles saem para o campo pela manhã e voltam para o curral à noite, e nos dois percursos o Pastor os guia e protege, e nos dois percursos eles encontram pastagens: grama no campo, forragem no curral. Em público, ou em particular, eles têm a palavra de Deus com a qual dialogar, pela qual sua vida espiritual é sustentada e alimentada. e da qual seus desejos graciosos são satisfeitos. Eles se reabastecem com a bondade da casa de Deus.

3. Cristo é o pastor, v. 11ss. A vinda dele havia sido profetizada no Antigo Testamento. Ele seria um pastor, Isaías 40.11; Ezequiel 34.23; 31.24; Zacarias 13.7. No Novo Testamento, Ele é mencionado como o Grande Pastor (Hebreus 13.20), o Sumo Pastor (1 Pedro 5.4), o Pastor e Bispo das nossas almas (1 Pedro 2.25). Deus, nosso grande dono, de cuja pastagem nós somos as ovelhas, desde a criação constituiu seu Filho Jesus para ser nosso Pastor, e Ele reconhece esta relação por repetidas vezes. Ele tem, pela sua igreja, e por todos os crentes, todo o cuidado que um bom pastor tem pelo seu rebanho. E Ele espera a presença e a obediência de toda a igreja, e de cada crente em particular, assim como ocorria com os pastores e seus rebanhos naquelas regiões.

(1) Cristo é um pastor, e não é como o ladrão, não é como aqueles que não vêm pela porta. Observe:

[1] A intenção prejudicial do ladrão (v. 10): o ladrão não vem com nenhuma boa intenção, senão roubar, matar e destruir. Em primeiro lugar, aqueles de quem estes ladrões roubam, cujos corações e afetos eles roubam de Cristo e das suas pastagens, matam e destroem espiritualmente, pois as heresias que eles produzem secretamente são odiosas. Aqueles que enganam as almas são assassinos de almas. Aqueles que roubam as Escrituras, conservando-as em um idioma desconhecido, que roubam os sacramentos, mutilando-os e alterando suas propriedades, que roubam as ordenanças de Cristo, colocando suas próprias invenções no lugar delas, matam e destroem. A ignorância e a idolatria são coisas destrutivas. Em segundo lugar, aqueles que eles não conseguem roubar, nem conduzir, levar ou carregar do rebanho de Cristo, por meio de perseguições e massacres, eles procuram matar e destruir fisicamente. Aquele que não se permitir roubar corre o risco de ser morto.

[2] O desígnio gracioso do pastor. Ele veio:

Em primeiro lugar, para dar vida às ovelhas. Em oposição à intenção do ladrão, que é matar e destruir (e que era a intenção dos escribas e fariseus), Cristo diz: “Eu vim” entre os homens:

1. “Para que tenham vida”. Ele veio para dar vida ao rebanho, à igreja em geral, que parecia mais um vale cheio de ossos secos do que uma pastagem coberta de rebanhos. Cristo veio para defender as verdades divinas, para purificar as ordenanças divinas, para corrigir injustiças, e para restaurar o zelo que estava prestes a morrer. Ele veio procurar as ovelhas do seu rebanho que estavam perdidas, ligar aquilo que estava quebrado (Ezequiel 34.16), e isto, para sua igreja, é como a vida dentre os mortos (Romanos 11.15). Ele veio para dar vida aos crentes, individualmente. A vida abrange todo o bem, e está em oposição à morte ameaçadora (Genesis 2.17). Ele veio para que pudéssemos obter vida, como um criminoso obtém vida quando é perdoado, como um doente obtém vida quando é curado, e um morto obtém vida quando é ressuscitado, para que pudéssemos ser justificados, santificados, e, por fim, glorificados.

2. Para que tenham vida “em abundância”. Como nós interpretamos, esta é uma comparação: para que possamos ter uma vida mais abundante do que aquela que foi perdida devido ao pecado, mais abundante do que aquela que foi prometida pela lei de Moisés. Sua duração é superior aos dias em Canaã, mais abundante do que poderia ser esperado ou do que poderíamos pedir ou pensar. Mas isto pode ser interpretado sem a conotação de comparação: para que eles pudessem ter abundância, ou pudessem ter a vida abundantemente. Cristo veio para dar vida e – algo a mais, algo melhor, avida com benefícios, para que em Cristo nós pudéssemos, não somente viver, mas viver confortavelmente, viver plenamente, viver e alegrar-nos. A vida em abundância é a viela eterna, a vida sem a morte ou o temor da morte, a vida e muito mais.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

ESTRANHOS CONVIDADOS CONHECIDOS

As cenas em preto e branco, em clima intimista, revelam a presença de aspectos psíquicos dos personagens e conflitos que entram como “penetras” na comemoração.

Estranhos convidados conhecidos

Apenas quatro ambientes: sala, cozinha, banheiro e uma pequena área externa. É por esses espaços que circulam os personagens do longa-metragem A festa, dirigido por Sally Potter. O clima teatral e intimista do filme em preto e branco, passado na Inglaterra, comporta desde as primeiras cenas uma leve tensão e sugere a quem assiste a impressão de que os personagens poderiam estar em cima de um palco, a poucos metros de seu rosto. A primeira cena já convida o espectador a se tornar expectador, quando Janet, a protagonista, transtornada, aponta uma arma diretamente para a câmera que representa um recém-chegado (neste momento ainda desconhecido). Mas, para entender o que ocorreu, é preciso acompanhar o que veio antes. Na cozinha, Janet, a dona da casa, prepara receitas para recepcionar seus convidados. A proposta é comemorar sua nomeação para o cargo de ministra da saúde. Na sala ao lado, porém, seu marido, Bill, um intelectual que abriu mão de várias conquistas na carreira acadêmica para apoiar a mulher (como será enfatizado ao longo da trama), permanece apático, sentado, com olhar perdido, levantando-se de sua cadeira apenas para trocar o disco que roda num antigo aparelho de som.

Como seria de se esperar, cada um dos convidados para a pequena reunião tem seus próprios segredos, que alimentam sub tramas do filme e que aos poucos vêm à tona por vezes com toques de sátira, humor e sadismo: uma doença termina!, impermanência, ciúmes, inveja, raiva, medo de assumir responsabilidades, histórias antigas de afetos silenciados, mágoas não resolvidas e memórias distorcidas. Como pano de fundo, o filme apresenta a alusão a ideais e atuação política, mas coloca ênfase nas relações e conflitos particulares (não por acaso é uma festa para poucos). Como acontece na vida real, é a esfera da intimidade que determina movimentos mais amplos, influenciando encontros e movimentações sociais.

Ao passo que a trama se desenrola, a forma contida que impera nas interações cede lugar à ação mais intensa e à catarse. Como assinala Sigmund Freud, em parceria com Josef Breuer, em Estudos sobre a histeria (1893-1895), no processo catártico o sujeito consegue, por meio da fala, exteriorizar afetos patogênicos, que transitam entre a emoção e a razão. Esta relação remete a uma série de outros dualismos, como passividade e atividade; natureza e cultura; corpo e consciência; subjetividade e objetividade; valores e fatos; impulsividade e controle.

Do lado da razão está o direito de expressão diretamente implicado no universo público, nas decisões mais importantes e relevantes em relação à produtividade e ao reconhecimento público. Do lado das emoções, parece prevalecer o espaço mais marginal, reservado ao afeto, ao desejo e também ao conflito. É nessa área que o filme vislumbra a impossibilidade de contenção, os segredos podem vir à tona a qualquer momento, levando a situações caóticas, descontroladas. Por trás das aproximações contidas, “arrumadas”, ”óbvias”, há a pulsão sexual não restrita a questões estritamente sexuais, mas ampliada para outros campos da vida, incluindo agressividade e instinto de preservação.

Em A festa, aspectos psíquicos nem sempre reconhecidos entram disfarçados ou claramente como “penetras” e tomam contam do evento: dançam entre os personagens e convidam quem assiste a participar. Mesmo quem está ausente se faz presente.

 Estranhos convidados conhecidos.2

OUTROS OLHARES

POP COMEÇA COM K

Os jovens brasileiros mergulham no K- pop, um movimento embalado por música, moda e séries de TV feito para espalhar a cultura da Coreia do Sul pelo mundo.

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De calças rasgadas e justas casacos coloridos e cabelos perfeitamente despenteados, sete jovens na casa dos 20 anos sobem ao palco. Dançam em movimentos sincronizados, numa coreografia enérgica e ultra ensaiada que bebe da fonte do hip-hop, enquanto cantam em inglês, canções melosas de refrão-chiclete: “Eu estou tão cansado desse / Amor falso, amor falso, amor falso/ eu sinto muito, mas é um / Amor falso, amor falso, amor falso”. A plateia enlouquece. Meninas adolescentes pulam e gritam os nomes dos integrantes (cada um deles encarna um personagem –   o “líder”, o “bonito” o “caçula”). O grupo se chama BTS e aquela apresentação em Las Vegas em maio teve um gostinho especial: os meninos da Coreia do Sul ganharam o prêmio máximo do público no célebre Billboard Music Awards, desbancando artistas como Justin Bieber e Ariana Grande.  Além de comprovar o sucesso da banda, criada em 2013, o troféu foi a consagração do K-pop – estilo de música e de comportamento minuciosamente desenvolvido pela indústria e pelo governo coreano com o intuito já largamente alcançado, de ganhar o mundo. O Brasil também se rendeu.

Na primeira vez em que o BTS se apresentou no país, em 2014, reuniu minguados 1.500 fãs. Na terceira, em 2017, 14.000 jovens cantaram e dançaram suas coreografias em São Paulo – enquanto 30.000 amargavam a fila de espera na venda de ingresso on-line. Só a recepção ao grupo no Aeroporto de Guarulhos juntou 8.000 fãs ensandecidos. Atualmente, no Rio de Janeiro dezenas de grupos cover de K-pop se reúnem toda semana na Zona Norte. Alguns chegam a cobrar 5.000 reais para apresentar-se em festa de debutantes. No ano passado, quando o Centro Cultural Coreano convidou fãs interessados em fazer teste com uma das principais agências de talentos de Seul 6.000 brasileiros compareceram.

O K- pop é apenas a ponta mais visível de um fenômeno batizado de Hallyu (pronuncia-se ráliu). Em uma tradução livre; significa “onda coreana” – produto de um esforço concentrado da iniciativa privada e do governo para fincar a marca da Coreia na moda, na gastronomia, em séries de televisão e até no vocabulário de outras nações. Em 2005 o governo daquele país canalizou 1 bilhão de dólares para patrocínios culturais.

”O sucesso do K- pop não é acidente. É fruto de publicidade e de uma gestão inovadora de talentos -,” afirma o compositor coreano Won Yrong-Oh. Um dos mais bem-sucedidos exemplos de investimento em soft power; a força que não vem das armas o Hallyu ajudou a Coreia a acumular não apenas divisas (só no ano passado o negócio das bandas movimentou 4,7 bilhões de dólares) como também prestigio. Ser coreano passou a ser cool. Nada mau para uma comunidade cujos integrantes, nos Estados Unidos, eram até pouco tempo atrás conhecidos pelo jocoso apelido de “kinchi” – o prato nacional de cheiro forte, à base de repolho fermentado.

Hoje, o canal do BTS no YouTube tem 10 milhões de inscritos e os vídeos acumulam 11,5 bilhão de visualizações. A também coreana banda feminina Black Pink vai ainda mais longe: tem 2,4 bilhões de views. Isso sem falar no recordista, o rapper Psy, o primeiro fenômeno global da onda: seu hit Gangnam Style, de 2012 atingiu 3,1 bilhões de visualizações. Por trás do sucesso das bandas de K-pop estão os gigantes SM, YG e JYP, três fábricas de grupos musicais. ‘A indústria de criação de ídolos parece uma linha de montagem”, compara a pesquisadora Daniele Mazur, da Universidade Federal Fluminense, especialista em cultura coreana. Essas empresas recebem 300.000 inscrições de adolescentes por ano em seus programas de treinamento. Os candidatos selecionados fazem um curso de até três anos e saem com banda formada contrato e patrocinador. Por causa do K-pop, a Coreia do Sul é um dos últimos lugares do mundo desenvolvido em que ainda se compram e vendem CDs. “Para os fãs, adquirir um álbum é uma experiência bem diferente da de consumir as músicas por streaming”, diz Pedro Pereira. Autor do livro O Melhor Guia de K pop Real Oficial – a primeira obra brasileira sobre o tema, ele explica que cada CD produzido por essas bandas sai em diferentes versões e traz na embalagem pôsters exclusivos e sortidos de seus integrantes; que depois, são trocados entre os fãs. Dessa forma, os grupos conseguem a proeza de vender mais de 1 milhão de cópias de suas obras, mesmo que todas as músicas estejam nas plataformas de streaming. ”Às vezes, o lançamento funciona mais ou menos como o dos filmes de super-heróis. Os clipes são apresentados aos poucos, cada um com um integrante. No fim, lançam o grupo completo. Fica todo mundo na maior expectativa”, diz Pereira.

O guarda-roupa do K-popper, como a turma é chamada, é composto de saia plissada, curta para as meninas e calça bem justa para os meninos, moletom esportivo e camiseta estampada. A pele do rosto das garotas é a mais clara e imaculada possível. A maquiagem dos olhos inclui delineador reto e lentes de contato para ampliar as pupilas – cópia dos desenhos orientais. Na boca; batom só no centro dos lábios. A publicitária Larissa Lair, 24 anos, fez um mês de intercâmbio em Seul. “Voltei cheia de cremes para a pele. São o melhor do ulzzang”‘, diz, usando a palavra coreana para “rosto bonito”. Muitos fãs passaram a aprender coreano. Nas salas de aula do Centro Cultural paulistano estudam 400 alunos e outros 600 aguardam vaga. A World Study, agência especializada em intercâmbios, viu a demanda por viagens para a Coreia triplicar em seis meses. Surfando na mesma onda, o catálogo da Netflix no Brasil conta com mais de oitenta doramas – como são chamadas as séries e novelas coreanas. “Os enredos são bem água com açúcar e acho que é isso que atrai o público”, explica Daniele. A estudante de arquitetura Thais Midori, 23 anos, morou um ano na Coreia, em 2016. Já voltou várias vezes e hoje é a maior youtuber brasileira de temática K-pop. Para quem ainda não aprendeu a reconhecer os entusiastas do movimento, fica a dica: viu algum cabelo pintado de azul ou rosa por aí?

Pop começa com K.3

 

Pop começa com K.4

GESTÃO E CARREIRA

NO MEIO DO CAMINHO…TINHA INSATISFAÇÃO.

É assim que se sente a média gerência, camada espremida entre a diretoria e as equipes operacionais.

No meio do caminho...tinha insatisfação

Eles são experientes e já subiram alguns degraus da escada corporativa. Chegaram ao meio da pirâmide organizacional, conquistando cargos de liderança e responsabilidade. No entanto, supervisores, coordenadores e gerentes das empresas brasileiras não estão tão satisfeitos quanto era de se esperar.

A verdade é a seguinte: a média gestão das companhias é o grupo mais estressado e infeliz.

Um estudo realizado pelo Grupo Cia de Talentos em 2017, realizado com 113.378 pessoas no Brasil e na América Latina mostrou que 22% da média gerência se considera insatisfeita ou muito insatisfeita com o trabalho atual, enquanto o percentual entre os jovens e a alta liderança ficou em 18% e 17%, respectivamente. No time dos gerentes desmotivados, quase metade (46%) afirmou que não tem desenvolvimento no cargo atual, e 15% disseram desejar fazer algo novo. No ano anterior, a pesquisa apontou que o modelo atual de trabalho não satisfaz 83% da camada intermediária. O levantamento de 2017 mostrou ainda que 31% da média gestão está incomodada com a falta de coerência entre o que se fala e o que se pratica nas empresas, enquanto 11% destacaram que o desconforto com a hierarquia impede a autonomia. “Eles percebem com mais clareza a diferença entre o que é dito e os fatos”, diz Danilca Galdini, diretora da NextView People, braço de pesquisa do Grupo Cia de Talentos.

ESPREMIDOS

A dor da média gerência está em sua posição, comprimida entre a alta liderança, que define metas ambiciosas, e as áreas operacionais, numa missão que muitas vezes parece impossível. O diretor define o que fazer, numa sala fechada com ar-condicionado, e é o gestor que vai ter de levar as piores notícias às equipes operacionais e, ao mesmo tempo, motivá-las. Mesmo antes da crise, estar no meio da pirâmide corporativa era uma posição desafiadora. Isso porque quem ocupa um posto intermediário precisa ter muita maturidade e jogo de cintura para receber pressão da chefia e saber quais informações passar adiante, numa linguagem que seja adequada e compreensível.

Esse profissional deve trabalhar como um filtro entre os outros níveis, o que pode ser um causador de estresse. “Isso gera pressão interna, angústia, pois existe cobrança para os resultados acontecerem, mas o gestor tem de fazer isso por meio de outras pessoas, afirma Alexandre Marins, diretor de desenvolvimento de talentos para a América Latina da consultoria LHH. Muitos têm dificuldade de se adaptar ao papel porque, antes de serem promovidos, atuavam em áreas operacionais. Fazer a transição entre ser o funcionário que coloca a mão na massa e ser um líder é um processo delicado, até mesmo por que esse gestor não está no topo da companhia. Não cabe a ele tomar as grandes decisões, e muitas vezes ele nem concorda com as diretrizes que vêm de cima.

Todas essas questões provocam uma sobrecarga. A psicóloga especialista em liderança nas organizações Maria Elisa Moreira conta que muitos gerentes sofrem de burn out e não foram diagnosticados, algo que ocorre em todos os ramos de negócios. Eles querem mostrar que são fortes, mas não conseguem administrar o próprio tempo nem para atender os superiores nem para atender as equipes, e ainda precisam realizar tarefas como colaboradores individuais”, diz Maria Elisa. E há um detalhe: como a maioria dos gerentes tem de 35 a 50 anos, é comum que estejam passando por um momento atribulado emocionalmente, repensando a própria vida, a carreira e seus valores. Segundo Maria Elisa, que também é professora no lnsper, é natural fazer tais questionamentos nessa fase – só que isso pode causar insatisfação.

LIMITES TRANSPARENTES

Lidar com essa realidade é desgastante, mas cabe aos profissionais traçar limites saudáveis no dia a dia de trabalho. Negociar prazos com os superiores, definir claramente quais são as prioridades e apontar as limitações existentes são algumas das sugestões para evitar a sobrecarga. Embora muitos tenham medo, manter esse diálogo aberto com a alta liderança é fundamental para construir um ambiente saudável e para manter a vida pessoal em ordem. Para evitar qualquer mal-estar nessas conversas, o segredo é ser transparente, positivo e mostrar os problemas sem ser agressivo. Se você tem dez coisas para resolver e o prazo é segunda-feira, precisa definir junto com o chefe quais são as prioridades.

Foi essa estratégia que ajudou a gerente de marketing da FTD Educação, Gisele Cruz, a atravessar os períodos de sobrecarga de trabalho nos últimos cinco anos. “Sempre saí fortalecida de situações desafiadoras mantendo um diálogo aberto com a liderança”, afirma Gisele, que aos 38 anos comanda uma equipe de 24 pessoas, sendo quatro coordenadores. De acordo com ela, ter um diálogo transparente significa compartilhar dificuldades com a diretoria antes que elas se transformem em problemas. Fazer cursos de liderança na própria empresa e no Insper a ajudou a construir essa confiança perante os chefes. Atualmente, ela se reúne às terças-feiras pela manhã com seu diretor para trocar informações e antecipar obstáculos. A comunicação também vale para seus coordenadores, com os quais Gisele se reúne semanalmente e sempre que necessário. “Quando você tem confiança, não há problema em se mostrar frágil diante do outro”, afirma.

Essa transparência na relação com a equipe é um aspecto fundamental para reduzira a pressão na média gestão, pois atenua a solidão desses profissionais e ajuda a motivar os times. Saber ouvir os colaboradores e criar um momento para conversas periódicas ajuda a deixar o ambiente de trabalho mais agradável.

NOVO OLHAR

Outro caminho para reduzir a pressão é encontrar novas maneiras de gerir o tempo e estabelecer as próprias prioridades. Na busca por autoconhecimento, a gerente de projetos Nina Silva, de 36 anos, promoveu grandes mudanças. Depois de sofrer uma crise de burn out em 2015, quando trabalhava como gerente numa empresa de construção civil e biotecnologia, Nina decidiu ficar cinco meses em Nova York fazendo cursos livres de literatura, área bem diferente de tecnologia, seu foco de atuação. De volta ao Brasil, passou por um processo de coaching de carreira que a ajudou a avaliar seus pontos fortes e suas prioridades. “Depois disso, procurei uma empresa que fosse mais condizente com meus valores”, afirma. Atualmente, ela é gerente na Thought Works, consultoria de desenvolvimento de softwares. “Um dos motivos da escolha foi a valorização da diversidade racial de classe e de gênero. Esse fator está fortemente alinhado no propósito de Nina, que, paralelamente à vida corporativa, toca um projeto social de educação financeira para a população negra – ela é uma das fundadoras do Movimento Black Money. “Estou mais saudável mental e fisicamente para encarar essa jornada”.

Saber o que te move e encontrar um equilíbrio entre esse ímpeto pessoal e a vida profissional – como fez Nina – é um dos grandes segredos para retomara motivação. Sem compreender isso, fica difícil fazer qualquer movimento que traga mais qualidade de vida e aumentar a eficiência no trabalho. ”É o profissional que deve descobrir o que é importante para ele. A partir daí, poderá conquistar espaço para cuidar do lado pessoal”, diz Bruno Andrade, líder de engajamento na Mercer Brasil. Esse exercício não é fácil, claro. Mas assumir as rédeas da situação e buscar saídas para a insatisfação (com transparência na comunicação e foco no que é importante) é a melhor alternativa para superar a infelicidade.

No meio do caminho...tinha insatisfação.2 

SINAIS DE ALERTA

Como saber se você está desmotivado

1 – IRRITABILIDADE

Mau humor sem motivo aparente e falta de paciência para lidar com pequenos detalhes do dia a dia, tanto no lado pessoal quanto no trabalho.

2 – CANSAÇO FISICO E MENTAL

Sono, indisposição e fadiga constantes, mesmo nos fins de semana.

3 – PROJETOS ATRASADOS

Dificuldade para realizar tarefas que antes fazia com tranquilidade e sensação de que precisa organizar melhor a rotina.

4 – FALTA DE PERSPECTIVA

Não conseguir olhar para o futuro, pois não tem clareza do que deseja alcançar nos próximos anos.

5 – PERDA DE OTIMISMO

Ver a realidade de maneira negativa e reclamar em excesso.