PSICOLOGIA ANALÍTICA

CONSTRUINDO RELAÇÕES SAUDÁVEIS

Para encontrar a tão sonhada felicidade no amor não é necessário apenas investir no próprio relacionamento, mas é imprescindível descobrir mecanismos para se autoconhecer e, a partir daí, compartilhar uma vida a dois.

Construindo relações saudáveis

A vida a dois é uma construção diária, não há milagres! É preciso investir em si mesmo, se autoconhecer, para que se possa ter uma relação amorosa saudável. A maioria das pessoas que têm problemas de relacionamento coloca expectativa demais no outro e esquece de fazer o necessário pela sua própria felicidade.

Aquela velha máxima “encontrar a outra metade da laranja” está um tanto obsoleta, se pensarmos que já somos uma laranja inteira, ou seja, que é investindo em nós mesmos, na nossa autoconfiança e amor próprio, que poderemos compartilhar com o outro um relacionamento amoroso saudável.

Nesse sentido é importante prestar atenção aos detalhes da relação, avaliar bem quais são suas necessidades e as do (a) companheiro(a), pois cada pessoa tem necessidades distintas, que, muitas vezes, podem até mesmo ser divergentes. Quando isso ocorre, é preciso conversar, compreender o que é importante para cada um e respeitar o seu espaço e o do outro.

Muitos relacionamentos que não dão certo estão pautados pela falta de diálogo, de empatia, que implica em se colocar no lugar do outro. Então, ao invés de buscar satisfazer apenas suas necessidades pessoais, é preciso que cada parte possa também se doar e buscar espaço de satisfação para o outro e para o casal.

Assim, é imprescindível que se tenha a atenção voltada para o outro e para si mesmo, pois uma pessoa nunca deve se abandonar dentro de uma relação, que deve ser como uma balança equilibrada, sem pender demais para um lado ou para o outro. Isso pode parecer muito difícil num primeiro momento, mas quando se consegue gerenciar e investir no cuidado com a relação, na observação dos detalhes que a compõem, fica fácil, pois basta investir no amor, nas qualidades e coisas boas da relação que tudo fica mais fácil.

Imagine um casal que tem dificuldades de se encontrar em função da vida profissional: um trabalha por escala de plantão e o outro em horário comercial. O momento de estar junto tem que ser muito bom, porque já é pouco. Caso seja ruim, o que fica marcado é a distância e o afastamento. Por isso, toda vez que estiver junto da pessoa que você ama, pense bem no que vai falar, no que prefere investir: no que está dando certo ou no que está dando errado.

A comunicação entre o casal deve ser sempre assertiva, preferencialmente em tom de afetividade, ou seja, é importante, antes de falar, lembrar o quanto uma simples fala pode magoar o outro e impactar negativamente na relação. Como cada pessoa que faz parte da relação é um ser singular, com suas capacidades, preferências, valores e gostos, cada um deve ter seu espaço, na relação, sem que um tenha mais poder do que outro, cabendo momentos de diálogo e também de silêncios, que são valorosos e devem ser respeitados.

A maioria dos problemas de relacionamento ocorre porque as pessoas não estão dispostas a olhar para si mesmas e fazer uma simples pergunta: “O que eu espero dessa relação?”. Aliás, essa é uma pergunta que deveria ser feita desde o início de toda e qualquer relação amorosa, e, tão logo a relação começasse de fato, um diálogo sobre o tema deveria ser travado, pois muitas vezes as pessoas esperam coisas completamente diferentes de um relacionamento. Uma pessoa pode querer um casamento com filhos, e a outra apenas uma relação saudável, duradoura, mas sem filhos, por exemplo. O simples desejo de querer ou não ter filhos pode ser um grande problema para o relacionamento a dois.

DIÁLOGO

Portanto, é preciso dialogar, saber o que se esperar, o que se deseja, até para que haja um consenso em prol da relação e a decisão por continuar nela ou não. Afinal, algumas pessoas não estão dispostas a abrir mão de seus desejos e necessidades em prol de um relacionamento.

Por isso, é sempre importante ser sincero consigo mesmo e não entrar na ilusão de que, com o tempo, será fácil mudar o outro. Ninguém muda ninguém. E a cobrança por mudança constante pode gerar mentiras desnecessárias, simplesmente porque é mais fácil não entrar em embates e encerrar o assunto. Portanto, prezar o diálogo aberto, a honestidade e a cumplicidade é essencial em toda e qualquer relação amorosa.

O amor precisa da cumplicidade, do vínculo de confiança. Sem isso, ele não sobrevive. E por falar em confiança, não tem coisa mais destruidora de relações do que o ciúme. Quando ele chega, principalmente em altos níveis, é porque todas as portas da confiança já foram fechadas; se ele não existia antes e surge de repente, então é porque a cumplicidade está afetada. É preciso rever as bases da relação e avaliar o que ocorreu para que ela se torne forte novamente.

O sucesso na relação amorosa depende de muitos fatores e talvez os mais importantes sejam o respeito e a amizade, principalmente porque depois de algum tempo de relação é isso que vai fazer a diferença e que vai ser a base forte da manutenção do amor, do carinho e dos modos de enfrentamento dos problemas. Sim, os problemas virão, eles sempre virão. Portanto, não adianta ficar com a “mala na porta”, esperando a próxima briga, para ir embora já pensando no próximo relacionamento, porque este, sim, será um conto de fadas. Ledo engano. Todas as relações têm problemas, porque envolvem pessoas e as pessoas têm problemas. Portanto, é preciso investir na felicidade.

Quando há investimento na felicidade por parte das pessoas envolvidas no relacionamento, mesmo que haja algumas divergências, a tendência é que se consigam superar as dificuldades. Quando estas forem muitas, é preciso dialogar, esclarecer os pontos de forma assertiva, sem agressividade, buscando soluções e negociando em um jogo ganha-ganha, ou seja, todos ganham e ninguém perde.

Alguns pontos a serem considerados: o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal; momentos de lazer para o casal; respeito ao direito do outro de ter emoções, de ficar com raiva, de ficar triste, de simplesmente sentir e ser; renove o amor constantemente, enamore-se novamente, busque o encantamento. Para refletir: o que nela ou nele encanta? O que faz admirar? Convide para algo novo. Dê o primeiro passo. Deixe o orgulho de lado.

Toda relação tem que ter espaço para o acolhimento, pois muita s vezes a agressividade é um pedido de ajuda. Então, como toda relação é uma troca contínua, abrace, acolha, entenda. Há momentos de aproximação e afastamento e isso é normal em toda e qualquer relação.

Cada um precisa ter bem delimitado seu espaço, suas necessidades, seus anseios e desejos, para não criar expectativas em cima do outro que podem gerar frustrações. E, nesse sentido, é preciso ser realista, pois há momentos e momentos: com mais trabalho, mais estresse, mais demandas, mais exigências familiares etc.

A compreensão é a chave para qualquer relação, mas não se deve se isolar, acreditando que o silêncio eterno vai resolver tudo; deixar de compartilhar emoções e pensamentos; perder a amizade, que é a base de qualquer relação, perder a admiração, que é necessária para continuar enamorado(a); permanecer por muito tempo em atitude defensiva, porque gera brigas desnecessárias; perpetuar brigas das quais você nem se lembra o motivo inicial (tente fazer as pazes antes de ir dormir).

Todo relacionamento tem problemas. É preciso aprender a lidar com os percalços do caminho e continuar investindo na relação para que ela seja saudável. Se não existem pessoas perfeitas, não existe relacionamento perfeito, mas existe vida a dois saudável, possível, feliz, na qual as pessoas conversam sobre seus problemas e lidam com eles, escolhendo ficar juntas e superar as dificuldades.

VIDA A DOIS

O espaço do casal – investir na intimidade do casal, nos momentos a dois, vale a pena. Com tantas demandas e exigências do trabalho, dos amigos, da família, filhos, é possível que o casal se perca de si mesmo e acabe dando atenção para tudo o que o cerca, menos para o seu próprio espaço, que deve ser cuidadosamente criado para que se tenha um “ninho de aconchego.

Se o casal mora junto deve sempre preservar o desejo de querer voltar para casa, de estar perto do outro, pois isso faz muito bem. Você já deve ter ouvido alguém dizer que não tem vontade de voltar para casa, o que acarreta em mais afastamento e denota que a relação já vem passando por sérios problemas. O ideal é não deixar criar um abismo na relação. Por isso, a palavra cuidado cabe tão bem aqui. É mesmo preciso muita dedicação e cuidado para perceber que as duas partes juntas constroem a relação cotidianamente e não adianta tentar culpar o outro quando as coisas não vão bem. Os dois têm responsabilidade, e assumir isso requer maturidade para avaliar a parte que lhe cabe e implementar as mudanças necessárias.

Todo mundo quer ser amado, todo mundo gosta de afeto e de se sentir valorizado. De nada adianta encher a pessoa amada de presentes se você não dá atenção e carinho necessários. Muitas pessoas pensam que presentes substituem esse espaço destinado ao casal, mas é uma grande ilusão, uma vez que o presente apenas oferta uma satisfação momentânea, que também pode ser muito agradável, mas se não houver um espaço real de carinho, dedicação e atenção com a relação, os presentes se tornam vazios de significado. Então, arrume tempo para exercitar a felicidade com a pessoa amada.

MAIS LEVEZA

Muito cuidado para não fantasiar a relação e jogar todas as suas expectativas de felicidade em cima do outro. O amor é um dos aspectos da vida, mas existem outros que também precisam estar bem resolvidos para que o relacionamento amoroso não seja sobrecarregado com cobranças. Por isso, invista na autorrealização, seja no trabalho, lazer, amizades, vida familiar ou espiritual. Quando há investimento em outros aspectos da vida para os envolvidos na relação, a tendência é que o amor fique mais leve, porque ambos já estão felizes e querem compartilhar essa felicidade, têm assuntos diferentes para conversar.

Contos de fadas só existem nos livros, a vida real exige esforço e dedicação. Assim, como uma flor precisa de atenção, água e adubo para crescer, uma relação precisa de amor, cuidado, diálogo e muito investimento das duas partes para que possa continuar a dar certo ao longo dos anos.

O relacionamento amoroso tem que ser leve, delicado, sem exigências descabidas, porque isso sufoca o outro. Quando alguém se sente sufocado, a primeira coisa que faz é sair para respirar e se afastar do elemento sufocador. E quanto mais longe, melhor. Ser leve implica em saber conversar, o que envolve saber ouvir e saber falar na hora certa. A pior coisa para uma relação é despejar em cima do outro frustrações e angústias sem se dar conta se o outro está preparado para ouvir e se aquele é o momento oportuno. Se uma pessoa está com muitos problemas, mas ainda não conseguiu falar sobre eles e a outra parte, sem perceber essa situação, despeja mais uma maratona de problemas em cima da pessoa, muito provavelmente ela se sentirá muito mal, com o peso do mundo nas costas e sem saber o que fazer. Então, quando estiver com seu balde cheio, cuidado para não esvaziar em cima do outro, dê uma volta no quarteirão, respire, converse com alguém, e somente quando estiver se sentindo bem pergunte ao outro qual o melhor momento para ele ouvir.

CONSTRUÇÃO DIÁRIA

A felicidade não pode ser comprada, vendida, emprestada nem tomada de alguém. Ela é uma construção diária, uma atitude perante a vida, uma decisão que requer olhar com atenção para si mesmo e suas escolhas. Se algo não vai bem agora, é importante questionar o que pode ser feito para melhorar, pois um dia nunca é igual ao outro e o modo como lidamos com os problemas faz com que possamos olhar para eles com diferentes tons. É uma questão de escolha.

Há pessoas que são felizes no casamento, que têm uma relação saudável, mas que estão sofrendo urna profunda angústia ou uma grande dificuldade em lidar com suas próprias emoções. Por isso, quando duas pessoas se amam, é preciso que se faça uma conta de somar: uma pessoa feliz + uma pessoa feliz = uma relação feliz.

Os motivos que fazem uma pessoa feliz são intrínsecos, isto é, de dentro para fora, e um a relação amorosa pode, de fato, incentivar esses motivos de felicidade, mas apenas se eles já existem. Lembre-se: ninguém dá o que não tem. Se a busca é por fidelidade, não adianta reclamar ao se envolver com uma pessoa que não valoriza esse atributo. É preciso ter consciência do que se quer e mais ainda do que não se quer para poder investir na relação mais adequada e não se envolver em relações destrutivas.

Se a felicidade está dentro, a auto­ estima também está. É preciso se valorizar e se respeitar e também valorizar e respeitar o outro para que a relação seja tratada como um verdadeiro diamante. Isso é essencial para que os momentos difíceis do relacionamento sejam superados e para que a felicidade se mantenha constante.

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PROCEDIMENTOS PARA UMA RELAÇÃO EXITOSA

Algumas dicas para o sucesso da relação: encontrem motivos para rir juntos – um relacionamento divertido faz as pessoas quererem estar juntas, simplesmente porque é bom quando elas se encontram e dá vontade de estar perto: respeito em primeiro lugar – estabelecer juntos regras de respeito, do que cabe ou não na relação desde o início é uma excelente estratégia, pois permite que as partes saibam exatamente como devem se comportar na relação e o que não é bem-visto e pode ser prejudicial: compartilhar responsabilidades – estabelecer responsabilidades para ambas  as partes com a casa, família, filhos e financeira: superação e acolhimento  –  os momentos de crise devem ser superados com acolhimento das fragilidades, o que fortalece os vínculos da relação:  surpresas, cuidados e mimos  –  fazem parte do investimento no outro, da conquista que deve ocorrer enquanto durar a relação: sensibilidade, percepção e admiração –  ligue seu sensor para o  outro, perceba como o outro está, se mudou alguma coisa em si, elogie (invista no poder do elogio). Admire.

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ACONCHEGO

O sentido da palavra aconchego pode ser definido como uma acomodação confortável, acolhedora. Sua sensação é conseguida por intermédio de inúmeras atividades, nos mais variados ambientes ou no contato com a pessoa amada, quando transmite uma espécie de relaxamento. Em momentos de enfrentamento de problemas sérios pessoais encontrar no outro uma disposição ao acolhimento, ao aconchego alivia o sofrimento e deixa a pessoa mais segura.

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CIÚME

Historicamente o ciúme é um dos grandes responsáveis pelo fracasso de relacionamentos. Segundo definição, trata-se de uma reação complexa a uma ameaça perceptível a uma relação valiosa ou a sua qualidade. Apresenta um caráter instintivo e natural e é marcado pelo medo – real ou irreal – e vergonha de perder o amor. O ciúme está relacionado à falta de confiança no outro e/ou em si próprio. Quando é exagerado, pode se tornar patológico.

 

BEATRIZ ACAMPORA – é psicóloga e especialista em comunicação e relacionamentos humanos e autora do livro e treinamento A Sétima Chave. http://asetimachave.com.br

JOÃO OLIVEIRA – é psicólogo e especialista em comunicação e análise comportamental. Diretor de cursos do Isec. Autor do livro Relacionamento em Crise – Perceba Quando os Problemas Começam; Tenha as Soluções.

OUTROS OLHARES

ERA UMA VEZ UM BÔNUS

Studio shot of babies sitting in row

O Brasil passou meio século desfrutando o perfil demográfico ideal para um país que quer enriquecer e se desenvolver. Não soube aproveitar a chance e agora a vantagem está indo embora.

Pelo menos uma vez na história, todos os países passam por um período especialmente favorável ao desenvolvimento, em que a parcela da população economicamente ativa, com idade para trabalhar, entre 20 e 64 anos, cresce mais rapidamente do que a fatia dos idosos e crianças, que não se sustentam sozinhos. A esse intervalo positivo de tempo, que dura por volta de cinquenta anos, dá-se o nome de bônus demográfico. Com mais gente dentro do que fora do mercado de trabalho, gera-se riqueza e fica mais fácil promover a educação, a saúde e a qualidade de vida. Bem administrado, o bônus demográfico é a porta de entrada para o mundo desenvolvido. Mal aproveitado, é a perda de uma chance de ouro para saltar de patamar. O Brasil, infelizmente, a perdeu.

A janela brasileira se abriu em 1970 e se fecharia em 2023, ou seja, já era um prazo apertado para virar uma mesa abarrotada de problemas. Agora, uma revisão de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) levou especialistas à suspeita de que o bônus pode ter começado a se fechar já em 2018. Ou seja: pela primeira vez, o contingente de brasileiros aptos para o trabalho vai crescer em ritmo mais lento que o da população em geral.

Isso significa que o Brasil continua tendo muito a fazer, só que em condições bem mais desfavoráveis. Não é impossível avançar, mas o país terá de encontrar caminhos para fazer mais com menos gente produtiva. “A desaceleração do aumento da população ativa é um sinal de que a demografia brasileira, que antes ajudava, agora começa a atrapalhar o setor econômico”, afirma Samuel Pessoa, doutor em economia e professor da Fundação Getúlio Vargas no Rio. Juntem-se à receita as previsões de que as mulheres terão cada vez menos filhos (de 1,77, em 2018, a média cairá para 1,66, em 2060); a proporção de idosos na população vai quase triplicar no período, saltando de 9,2% para 25,5%; e o contingente afeito ao trabalho cairá de 69,4% para 59,8% – e está pronto o bolo indigesto de um país que envelheceu antes de ficar rico.

Ninguém sabe o exato momento em que o bônus demográfico vai se fechar por completo. Economistas e demógrafos têm opiniões distintas. Para Pessoa e seus colegas, o fechamento acontece em 2018, porque, a partir do momento em que o contingente da população ativa começa a crescer em ritmo menor que o da população em geral, entra em operação uma engrenagem que não tem mais volta, é irreversível.

Já do ponto de vista dos demógrafos, que se debruçam nas estatísticas com outro olhar, o bônus tecnicamente só acaba quando o tamanho da população ativa começa a diminuir, fenômeno previsto para acontecer, segundo eles, em 2037. A diferença de mais de uma década nos cálculos de economistas e demógrafos se deve aos conceitos distintos de “população ativa”. Os economistas preferem a faixa etária dos 20 aos 64 anos, mais realista em termos de geração de renda. Os demógrafos trabalham com a faixa dos 15 aos 64 anos.

Diante da situação atual do país, porém, as diferenças nas projeções viraram uma questão de semântica. “O bônus não fechou, mas começa a se fechar. Na prática, no entanto, já jogamos a oportunidade fora. Não há como o Brasil se beneficiar dele com desemprego tão alto e a economia sem perspectiva de melhorar tão cedo”, diz o demógrafo José Eustáquio Diniz, professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE. O número de brasileiros sem trabalho está em 65,6 milhões, recorde da série iniciada em 2012, quando eram 60,7 milhões. É menos dinheiro girando para cobrir o rombo da Previdência, que está em 270 bilhões de reais em 2017 e deve mais que duplicar, para 700 bilhões, em dez anos.

Mais cedo ou mais tarde, o bônus demográfico acaba em toda parte. Quem faz a lição de casa aproveita o intervalo para melhorar as condições de vida da população e investir pesadamente em educação, um ingrediente vital para o desenvolvimento. O resultado é um salto de produtividade que, quando o bônus se for, compensará a presença menor de pessoas aptas ao trabalho na população em geral. Na Coreia do Sul, cujo bônus demográfico se abriu por volta de 1970, uma vasta reforma do sistema educacional culminou com 100% dos jovens no ensino médio e 80% avançando para a universidade. O Brasil tem 66% dos adolescentes no ensino médio, e destes mais da metade não se forma. Conclusão: enquanto a produtividade sul-coreana dispara 7% ao ano, a brasileira não chega a 1%. Em outra medida de progresso, o Índice de Desenvolvimento Humano (de O a 1), o país desperdiçou sua vantagem demográfica estacionado em 0,7.”Todas as nações que passam de 0,9 aproveitaram bem o bônus”, afirma Diniz. O Brasil agora terá de navegar para o futuro com os ventos demográficos soprando contra.

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GESTÃO E CARREIRA

AUTONOMIA COM RESPONSABILIDADE

A informação deve ser a base de qualquer processo da descentralização de poderes. O empowerment surge como uma forma de colocar o comprometimento da empresa com o seu mercado em primeiro plano.

Autonomia com responsabilidade

O momento atual exige velocidade nas respostas. Não há tempo para divagações entre as estruturas institucionais, pois o cliente pode optar pelo concorrente em segundos, graças às tecnologias disponíveis ao toque dos dedos. Ter uma equipe funcional afinada com os ideais da empresa é apenas parte do processo e é necessário utilizar o empowerment.

A burocracia não é o único empecilho no trâmite para a resolução de demandas no dia a dia de qualquer instituição. A falta de distribuição de responsabilidades com autonomia nos indivíduos da equipe, de fato, é o maior problema.

Uma intervenção que visa tornar os processos ágeis deve se preocupar em nivelar o conhecimento das ações para solucionar problemas. De nada adianta ter velocidade e causar danos à própria empresa em prol de atender solicitações. Temos que lembrar que essa mudança é necessária porque o mercado possui sua própria estrutura de poder, de escolha e de moldar a opinião futura. Um cliente que passa por um a experiência ruim de atendimento irá buscar outro fornecedor na próxima ocasião que precisar, e ainda pode influenciar outras pessoas com o relato de sua própria experiência. Dependendo da credibilidade desse cliente, outros nem buscarão a empresa, mesmo que nunca tenham tido nenhum contato bom ou ruim com a instituição.

As grandes multinacionais consideram a resolução rápida de situações, mesmo que possam gerar   pequenas perdas, como um investimento no futuro cliente, que é fidelizado e um agente promotor de seus serviços ou produtos. Um exemplo é o atendimento de um serviço mundial de streaming de vídeos, no qual os atendentes em todos os países em que o serviço opera, são capazes de ofertar descontos, deletar faturas ou aplicar créditos extras nas contas de seus usuários imediatamente enquanto falam ao telefone, sem nenhum tipo de prolongamento no debate. Solução em primeiro plano para gerar satisfação no usuário.

Nem todas as empresas podem atender seus clientes dessa forma, até mesmo pelo perfil de produto que fornecem. A limitação de estoque ou espaço – coisa inexistente nesse universo de serviços on-line – pode diminuir o percentual de êxito nas negociações entre as partes. No entanto, dar concessões ou alternativas deve ser padrão no atendimento ao cliente e, para isso, o empoderamento dos colaboradores que atuam diretamente com o mercado deve existir em plenitude.

A terceirização do SAC, cada vez mais comum, é a maior inimiga da resolução de demandas. Nesse tipo de atendimento ao cliente, a limitação de informações e autonomia é fato comprovado. Outra forte barreira é a tentativa de automatização nos atendimentos com opções de direcionamentos infindáveis. Isso ocorre pela especialização extrema de áreas, e o que, antes, parecia ser um investimento em solução, toma-se uma pirâmide inversa, levando o cliente a se perder no universo diversificado criado pela instituição, afinal pessoas gostam de falar com pessoas.

O sucesso não tem muito segredo. Geralmente tem muito investimento em tempo de planejamento e de trabalho na efetivação do projeto. Mas o resultado pode ter grande durabilidade se a execução for bem-sucedida. O empowerment surge como uma forma de colocar o comprometimento da empresa com o seu mercado em primeiro plano. Mas não existe empowerment sem distribuição, primeiro, da informação. Dar autonomia a um indivíduo que desconhece os recursos disponíveis para a resolução de conflitos é investir no breve fracasso de qualquer negociação com o mercado. As pequenas instituições podem, mais rapidamente, ofertar soluções internas e externas graças à limitação de contatos. Muitas vezes, supervisores ou gerentes são acionados, demandando alguns poucos minutos até que haja a dissolução do impasse. Mesmo assim, são recursos desviados de seus focos principais muitas vezes por situações de fácil finalização sem revés institucional.

Podemos inferir que o empowerment deve iniciar na empresa no momento de seu surgimento sem a centralização de decisões considera das cotidianas. Aqui entra o planejamento visando o plano futuro de crescimento. Não se deve entrar no mercado sem o pensamento voltado para a evolução. O contrário disso é o processo artesanal, no qual uma pessoa é responsável por todo o processo, sem distribuição de tarefas.

Treinamentos constantes são necessários, mesmo onde não existe a distribuição de responsabilidades, da mesma forma que uma comunicação aberta, em duas vias, é a única forma de transparecer alguma autonomia entre os elementos atuantes no corpo institucional. Quem não sabe os recursos que tem para resolução de demandas, e não consegue se comunicar com quem deveria saber, é inútil e ainda prejudica o crescimento da instituição em que opera.

A centralização de poderes pode ser atraente para quem possui uma autoestima duvidosa e questionável. Isso pode ser resolvido fora das fronteiras da instituição em um local terapêutico livre da possibilidade de causar danos na produtividade e ao conceito que o mercado pode construir sobre a empresa.

 

JOÃO OLIVEIRA – é psicólogo e diretor de Cursos do Instituto de Psicologia Ser e Crescer (www.isecpsc.br).Entre seus livros estão: Relacionamento em Crise – Perceba Quando os Problemas Começam; Tenha as Soluções; Jogos para Gestão de Pessoas: Maratona para o Desenvolvimento Organizacional; Mente Humana: Entenda Melhor a Psicologia da Vida; Saiba Quem Está à sua Frente – Análise Comportamental pelas Expressões Faciais e Corporais (Wak Editora).

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 8: 12-20

Alimento diário

As palavras de Cristo aos fariseus

 

O restante do capítulo está repleto de debates entre Cristo e os pecadores que o contradiziam, que criticavam até as palavras mais cheias de graça que saíam dos seus lábios santos. Não se sabe ao certo se estas discussões ocorreram no mesmo dia em que a mulher adúltera foi absolvida. É provável que sim, pois o evangelista não menciona outro dia, e observa (v. 2) como Cristo tinha começado cedo este dia de trabalho. Embora aqueles fariseus que acusavam a mulher tivessem fugido, ainda havia outros fariseus (v. 23) para confrontar a Cristo, com suficiente bronze em suas testas para se conserva­ rem estimulados, embora alguns do seu grupo tivessem sido levados a uma retirada vergonhosa. Ou melhor, tal­ vez isto os tornasse mais empenhados em discutir com Ele, para recuperar, se possível, a reputação do grupo frustrado. Nestes versículos, temos:

I – A apresentação de uma grande doutrina, e sua aplicação.

1. A doutrina é que Cristo é a luz do mundo (v. 12): “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez”. Embora Ele já tivesse lhes falado muitas coisas, aparentemente alcançando poucos resultados, e o que Ele dizia fosse contrariado, ainda assim Ele lhes falou outra vez, pois Ele “fala uma e duas vezes”. Eles se fizeram de surdos ao que Ele dizia, e Ele novamente falou a eles, dizendo: “Eu sou a luz do mundo”. Observe que Jesus Cristo é a luz do mundo. Um dos rabinos diz que “Luz” é o nome do Messias, como está escrito, Daniel 2.22: “E com Ele mora a luz”. Deus é luz, e Cristo é a “imagem do Deus invisível”, Deus dos deuses, Luz das luzes. Esperava-se que Ele fosse uma luz para alumiar as nações (Lucas 2.32), e assim a luz do mundo, e não somente da igreja judaica. A luz visível do mundo é o sol, e Cristo é o Sol da Justiça. Um sol ilumina o mundo inteiro, e assim um Cristo, e não há necessidade de mais. Ao dizer que é a luz, Cristo expressa:

(1) O que Ele é em si mesmo – totalmente excelente e glorioso.

(2) O que Ele é para o mundo – a fonte de luz que ilumina cada homem. Que masmorra seria o mundo sem o sol! Também o seria sem Cristo, por cujo intermédio “a luz veio ao mundo”, cap. 3.19.

2. A conclusão desta doutrina é: “Quem me segue”, como um viajante segue a luz em uma noite escura, “não andará em trevas, mas terá a luz da vida”. Se Cristo é a luz, então:

(1) É nosso dever segui-lo, submeter-nos à sua orientação, e, em tudo, aceitar suas instruções no caminho que leva à felicidade. Muitos seguem falsas luzes, que os levam à destruição, mas Cristo é a verdadeira luz. Não é suficiente olharmos para esta luz, e contemplá-la, devemos segui-la, crer nela e andar nela, pois é uma luz para nossos pés, e não somente para nossos olhos.

(2) É a felicidade daqueles que seguem a Cristo o fato de que não andam em trevas. Eles não serão deixados destituídos, no caminho da verdade, daquelas instruções que são necessárias para protegê-los do erro destruidor, e no caminho do dever, daquelas instruções que são necessárias para protegê-los do pecado condenador. Eles terão a luz da vida, o conhecimento e a satisfação de Deus que serão para eles a luz da vida espiritual neste mundo e na vida eterna do outro mundo, onde não haverá morte nem trevas. Sigamos a Cristo, e seremos indubitavelmente felizes em ambos os mundos. Sigamos a Cristo, e o seguiremos até o céu.

II – A objeção extremamente insignificante e frívola que os fariseus fazem contra esta doutrina: “Tu testificas de ti mesmo; o teu testemunho não é verdadeiro”, v. 13. Nesta objeção, eles seguiram a suspeita que nós comumente temos da autocondenação dos homens, que podemos concluir que é a linguagem nativa do amor, próprio que somos tão dispostos a condenar em outros, mas que poucos estão dispostos a reconhecer em si mesmos. Porém, neste caso, a objeção era muito injusta, pois:

1. Eles fizeram disto seu crime, e a diminuição da credibilidade da sua doutrina, que, no caso de alguém que apresentava uma revelação divina, era necessária e inevitável. Moisés e todos os profetas não deram testemunho de si mesmos, quando afirmavam que eram mensageiros de Deus? Os fariseus não perguntaram a João Batista: “Que dizes de ti mesmo?”

2. Eles negligenciaram o testemunho de todas as outras testemunhas, que corroboravam o testemunho que Jesus dava de si mesmo. Se somente Ele tivesse dado testemunho de si mesmo, seu testemunho teria, realmente, sido suspeito, e a fé nele poderia ter sido interrompida, mas sua doutrina era confirmada por mais do que duas ou três testemunhas confiáveis, suficientes para confirmar cada palavra dela.

III – A resposta de Cristo a esta objeção, v. 14. Ele não devolve a acusação a eles, como poderia ter feito (“Vocês professam ser homens bons e devotos, mas seu testemunho não é verdadeiro”), mas simplesmente se defende. E, embora Ele tivesse evitado seu próprio testemunho (cap. 5.31), ainda assim aqui Ele se atém a ele, para que não diminuísse a credibilidade das suas outras evidências, mas era necessário mostrar-lhes a força delas. Ele é a luz do mundo, e é propriedade da luz ter evidência própria. Os primeiros princípios se provam. Ele insiste em três coisas que provam que seu testemunho, ainda que sendo de si mesmo, era verdadeiro e convincente.

1. Que Ele era consciente de sua própria autoridade, e que estava plenamente satisfeito a respeito dela. Ele não fala como alguém inseguro, nem propõe uma noção discutível, sobre a qual Ele mesmo hesitasse, mas promulga um decreto e dá uma explicação a respeito de si mesmo, e se atém a ela: “Sei de onde vim e para onde vou”. Ele estava completamente familiarizado com sua missão, desde o início até o final. Sabia de quem era a mis­ são que Ele realizava, e qual seria seu sucesso. Ele sabia o que Ele era antes da sua manifestação ao mundo, e o que Ele seria depois dela, que Ele vinha do Pai e ia para Ele (cap. 16.28), vinha da glória e ia para a glória (cap. 17.5). A satisfação de todos os bons cristãos consiste no fato de que, embora o mundo não os conheça, como não conhecia a Jesus, ainda assim eles sabem de onde vem sua vida espiritual e para onde vai, e caminham sobre terreno seguro.

2. Que eles são muito incompetentes para julgá-lo, e à sua doutrina, e não devem ser levados em consideração.

(1) Porque eram ignorantes, voluntariamente e decididamente ignorantes: “Vós não sabeis de onde vim, nem para onde vou”. Que objetivo há em falar com aqueles que não sabem nada sobre o assunto, nem desejam saber? Ele lhes tinha contado da sua vinda do céu, e que iria voltar para o céu, mas isto era uma tolice para eles, eles não aceitavam. “O homem brutal nada sabe”, Salmos 92.6. Eles se incumbiam de julgar o que não compreendiam, aquilo que estava fora do seu conhecimento. Aqueles que desprezam os do­ mínios e dignidades de Cristo, falam mal daquilo que não conhecem, Judas 8,10.

(2) Porque eram parciais (v. 15): “Vós julgais segundo a carne”. Quando a sabedoria da carne dita a regra do julgamento, e somente a aparência externa é dada como evidência, e o caso é decidido de acordo com estas, então os homens julgam segundo a carne. E quando a consideração de um interesse secular move a balança no julgamento de questões espirituais, quando nós julgamos a favor daquilo que agrada à mente carnal, e nos recomenda a um mundo carnal, então nós julgamos segundo a carne. E o julgamento não pode estar certo, se a regra estiver errada. Os judeus julgavam a Cristo e ao seu Evangelho segundo as aparências externas. E, por Ele parecer tão humilde, julgavam impossível que Ele fosse a luz do mundo. Como se o sol, encoberto por uma nuvem, não fosse mais o sol.

(3) Porque eram injustos com relação a Ele, o que é sugerido nisto: “‘Eu a ninguém julgo’. Eu não me intrometo nas suas questões políticas, nem minha doutrina se entrincheira contra seus direitos civis ou poderes seculares, nem interfere neles”. Ele não julgava a ninguém. Se Ele não militava segundo a carne, era muito pouco razoável que eles o julgassem segundo a carne, e o tratassem como alguém que ofendia o governo civil. Ou: “Eu a ninguém julgo”, isto é, “não agora, na minha primeira vinda, mas isto está adiado até que eu venha novamente”, cap. 3.17. A primeira vinda de Cristo teve o propósito de administrar, não a justiça, mas o remédio.

3. Que seu testemunho de si mesmo era suficientemente apoiado e corroborado pelo testemunho do seu Pai, com Ele e por Ele (v. 16): “E, se, na verdade, julgo, o meu juízo é verdadeiro”. Na sua doutrina, Ele julga (cap. 9.39), embora seu julgamento não seja político. Considere-o, então:

(1) Como um juiz, e seu próprio julgamento era válido: “Se eu julgo, Eu, que tenho autoridade de executar julgamentos, Eu, a quem todas as coisas são entregues, Eu, que sou o Filho de Deus, e que tenho o Espírito de Deus, se Eu julgo, meu juízo é verdadeiro, de incontestável retidão e autoridade incontrolável, Romanos 2.2. Se eu julgo, meu juízo deve ser verdadeiro, e então vocês serão condenados. Mas o dia do juízo ainda não é chegado, vocês ainda não serão condenados, mas poupados, e por isto agora, Eu não julgo a ninguém”, segundo Crisóstomo. O que torna seu julgamento irrepreensível é:

[1] A conformidade do seu Pai com Ele: “Não sou eu só, mas eu e o Pai”. Ele tem os conselhos de concordância do Pai para orientação. Assim como Ele estava com o Pai antes do mundo, formando os conselhos, também o Pai estava com Ele no mundo, acionando e executando estes conselhos, e nunca o deixou sem conselhos, Isaías 11.2. Havia todos os conselhos de paz (e também de guerra) “entre ambos”, Zacarias 6.13. O Senhor Jesus também tinha o poder de concordância do Pai para autorizar e confirmar aquilo que Ele fazia. Veja Salmos 89.2lss.; Isaías 42.1. Ele não agia separadamente, mas no seu próprio nome e no do seu Pai, e pela autoridade anteriormente mencionada, cap. 5.17; 14.9,10.

[2] A comissão do seu Pai a Ele: “O Pai que me enviou”. Observe que Deus acompanhará aqueles a quem Ele envia. Veja Êxodo 3.10,12: “Vem, e enviar-te-ei” e “Eu serei contigo”. Veja que, se Cristo tinha uma comissão do Pai, e a presença do Pai consigo em todas as suas administrações, sem dúvida seu julgamento era verdadeiro e válido. Não há exceção a este, nem qualquer apelação em relação a ele.

(2) Considere-o como um testemunho, e agora Ele não aparecia de outra maneira (não tendo ainda assumido o trono do julgamento), e como tal seu testemunho era verdadeiro e irrepreensível. Isto Ele mostra, vv. 17,18, onde:

[1] Ele cita uma máxima da lei dos judeus, v.17. Que “o testemunho de dois homens é verdadeiro”. Não como se fosse sempre verdadeiro em si mesmo, pois muitas vezes mãos se uniam para dar um falso testemunho, 1 Reis 21.10. Mas isto era admitido como evidência suficiente sobre a qual basear um veredicto e se não houvesse nada em contrário, era aceito como verdadeiro. Aqui se faz referência àquela lei (Deuteronômio 17.6): “Por boca de duas ou três testemunhas, será morto o que houver de morrer”. E veja Deuteronômio 9.15; Números 35.30. Era exigida a presença de duas testemunhas a favor da vida em casos de pena de morte, como no nosso meio, em casos de traição. Veja Hebreus 6.18.

[2] Ele aplica isto ao caso em questão (v. 18): “Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai, que me enviou”. Eis as duas testemunhas! Nos tribunais humanos, onde duas testemunhas são exigidas, o criminoso ou acusado não tem a permissão de dar testemunho de si mesmo. Mas em uma questão puramente divina, que só possa ser provada por um testemunho divino, e o próprio Deus deva ser a testemunha, se a formalidade de duas ou três testemunhas for mantida, elas não poderão ser outras senão o eterno Pai, o eterno Filho do Pai e o eterno Espírito. Agora, se o testemunho de duas pessoas diferentes, que são homens, e, portanto, podem ser enganados, ou enganar, é conclusivo, muito mais deve ser o testemunho do Filho de Deus, a respeito de si mesmo, respaldado pelo testemunho do Pai a seu respeito, para obrigar a aceitação. Veja 1 João 5.7,9-11. Isto prova não apenas que o Pai e o Filho são duas pessoas diferentes (pois seus respectivos testemunhos são aqui mencionados como sendo testemunhos de duas pessoas diferentes), mas que eles são um só, não somente um só no seu testemunho, mas iguais em poder e glória, e, portanto, em substância. Austin aqui aproveita a oportunidade para alertar seus ouvintes contra o sabelianismo, por um lado, que confundia as pessoas da Divindade, e o arianismo, por outro lado, que negava a divindade do Filho e do Espírito. O Filho é uma Pessoa, e o Pai é outra. No entanto, Eles não constituem dois Seres, mas o Pai é o mesmo Ser que o Filho, isto é, o único Deus verdadeiro. Aqui Cristo fala de si mesmo e do Pai como testemunhas ao mundo, dando evidência à razão e à consciência dos filhos dos homens, com quem Ele lida como homens. E estas testemunhas ao mundo agora, no grande dia, serão testemunhas contra aqueles que persistirem na incredulidade, e sua palavra irá julgar os homens.

Este é o resumo da primeira conversa entre Cristo e estes judeus carnais, em cuja conclusão nós lemos como suas línguas se soltaram, e suas mãos foram atadas.

Em primeiro lugar, como suas línguas se soltaram (tal era a maldade do inferno) para criticar as palavras de Jesus, v.19. Embora naquilo que Ele dizia não aparecesse nada de política ou artifícios humanos, mas uma segurança divina, ainda assim eles se dispõem a interrogá-lo. Ninguém é tão irremediavelmente cego como aqueles que decidem não ver. Observe:

1. Como eles se esquivaram da convicção com uma crítica: “Disseram-lhe, pois: Onde está teu Pai?” Eles podiam ter compreendido facilmente, pelo teor desta e de outras conversas, que, quando Ele falava do seu Pai, Ele não se referia a ninguém senão ao próprio Deus. Ainda assim, eles fingiram compreender que Ele falava de uma pessoa comum e, como Ele apelava para seu testemunho, eles lhe pedem que chame sua testemunha, e o desafiam, se Ele puder, que o apresente: “Onde está teu Pai?” Assim, como Cristo tinha dito sobre eles (v. 15), eles julgam segundo a carne. Talvez eles pretendessem uma reflexão sobre a humildade e a obscuridade da sua família: “‘Onde está teu Pai’, que deveria ser capaz de dar evidências em um caso como este?” Dessa forma, eles o rejeitavam com um gracejo, quando não podiam resistir à sabedoria e ao espírito com que Ele falava.

2. Como Ele evitou a crítica com uma convicção adicional: Ele não disse a eles onde estava seu Pai, mas os acusou de ignorância voluntária: “‘Não me conheceis a mim, nem a meu Pai’. É inútil conversar convosco sobre coisas divinas, pois falais delas como os cegos conversam sobre cores. Pobres criaturas! Vós não sabeis nada sobre o assunto”.

(a) O Senhor Jesus os acusa de ignorância a respeito de Deus: “Não conheceis a meu Pai”. Deus era conhecido em Judá (Salmos 76.1). Eles tinham algum conhecimento sobre Ele, como aquele Deus que criou o mundo, mas seus olhos estavam obscurecidos e eles não podiam ver a luz da sua glória brilhando no rosto de Jesus Cristo. Os filhinhos da igreja cristã conhecem o Pai, conhecem-no como o Pai (1 João 2.13), mas estes governantes dos judeus não, porque não queriam conhecê-lo.

(b) Ele lhes mostra a verdadeira causa da sua ignorância sobre Deus: “Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai”. A razão pela qual os homens são ignorantes sobre Deus é o fato de que não conhecem a Jesus Cristo. Se conhecêssemos a Cristo:

[a] Ao conhecê-lo, conheceríamos o Pai, de cuja pessoa Ele é a imagem expressa, cap. 14.9. Crisóstomo prova, então, a divindade de Cristo e sua igualdade com seu Pai. Nós não podemos dizer: ”Aquele que conhece um homem conhece um anjo”, nem: ”Aquele que conhece uma criatura conhece o Criador”, mas aquele que conhece a Cristo conhece o Pai.

[b] Por Ele, deveríamos ser instruídos no conhecimento de Deus, o Pai, e no conhecimento dele mesmo. Se conhecêssemos melhor a Cristo, conheceríamos melhor ao Pai. Mas, onde a religião cristã é desprezada e combatida, a religião natural em breve será perdida e negligenciada. O deísmo abre o caminho para o ateísmo. Aqueles que não aprendem a respeito de Cristo tornam inúteis suas imaginações a respeito de Deus.

Em segundo lugar, veja como suas mãos estavam atadas, embora suas línguas estivessem soltas. Tal era o poder do céu para restringir a maldade do inferno. “Essas palavras”, estas palavras corajosas, estas palavras de condenação e reprovação, Jesus pronunciou “no lugar do tesouro”, um cômodo do Templo, onde, com certeza, os principais dos sacerdotes, que lucravam com sua santidade, ficavam a maior parte do tempo, cuidando dos assuntos da sua renda. Cristo ensinava no Templo, algumas vezes em um lugar outras, em outro, conforme Ele via oportunidade. Agora os sacerdotes, que tinham tanto zelo pelo Templo, e que cuidavam dele como sua propriedade, podiam facilmente, com a ajuda dos servidores que esperavam seu sinal, ter prendido Jesus e o exposto à fúria da multidão, e àquela punição que eles chamavam de espancamento dos rebeldes. Ou, pelo menos, tê-lo silenciado, e calado sua boca ali, como Amós, embora tolerado na terra de Judá, foi proibido de profetizar no santuário do rei, Amós 7.12,13. Mas, mesmo no Templo, onde eles o tinham ao seu alcance, ninguém o prendeu, porque ainda não era chegada sua hora. Veja aqui:

1. A restrição imposta aos seus perseguidores por um poder invisível. Nenhum deles ousou intrometer-se com Ele. Deus pode estabelecer limites para a ira do homem, como Ele faz com as ondas do mar. Portanto, não temamos o perigo no caminho do dever, pois Deus tem Satanás e todos os seus instrumentos acorrentados.

2. A razão desta restrição: ”Ainda não era chegada a sua hora”. A frequente menção disto indica quanto a hora da nossa partida deste mundo depende do conselho e decreto de Deus. Ela virá, ela se aproxima. Ainda não chegou, mas chegará. Nossos inimigos não podem apressá-la, nem nossos amigos retardá-la, além do tempo indicado pelo Pai, o que é muito consolador para todo homem bom, que pode olhai para o alto e dizer, com prazer: “Os meus tempos estão nas tuas mãos”, Salmos 31.15, e é melhor que estejam nas mãos do Senhor do que em nossas próprias mãos. Sua hora ainda não era chegada, porque seu trabalho ainda não estava terminado, nem seu testemunho, concluído. Há um tempo certo para todos os propósitos de Deus.

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