ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 8: 1-11

Alimento diário

A Mulher flagrada em adultério

 

Embora Cristo tivesse sido desprezivelmente maltratado no capítulo anterior, tanto pelos principais como pelo povo, contudo nós o vemos ainda em Jerusalém, ainda no Templo. Com que frequência Ele os reunia! Observe:

I – Seu afastamento à noite, saindo da cidade (v. 1): “Jesus foi para o monte das Oliveiras”. Não se sabe ao certo se para a casa de algum amigo, ou para alguma tenda ali armada, na Festa dos Tabernáculos, nem se Ele descansou ali, ou, como julgam alguns, continuou a noite toda em oração a Deus. Mas Ele saiu de Jerusalém, talvez porque não tivesse ali nenhum amigo que tivesse bondade ou coragem suficiente para hospedá-lo por uma noite. Enquanto seus perseguidores tinham suas casas para onde ir (cap. 7.53), Ele não podia sequer ter um lugar emprestado onde pudesse descansar a cabeça, exceto aquele em que Ele deveria se afastar da cidade cerca de um a três quilômetros. Ele retirou-se (como pensam alguns) porque não queria arriscar-se ao perigo de um tumulto popular à noite. Sempre que pudermos, é prudente sair do caminho do perigo sem sair do caminho do dever. Durante o dia, quando tinha trabalho a fazer no Templo, Ele voluntariamente se expunha, sob proteção especial, Isaías 49.2. Mas à noite, quando não tinha trabalho a fazer, Ele se retirava para o campo e ali se abrigava.

II – Seu retorno pela manhã, ao Templo e ao seu trabalho, v. 2. Observe:

1. Que pregador diligente era Cristo: “Pela manhã cedo, voltou para o templo… e os ensinava”. Embora tivesse ensinado no dia anterior, Ele ensinava hoje novamente. Cristo era um pregador constante, “a tempo e fora de tempo”. Três coisas são observadas aqui, a respeito da pregação de Cristo.

(1) A hora: “Pela manhã cedo”. Embora Ele se hospedasse fora da cidade, e talvez tivesse passado grande parte da noite em oração particular, ainda assim Ele veio cedo. Quando o trabalho de um dia deve ser feito para Deus, e para as almas, é bom começar logo, e ter o dia diante de nós.

(2) O lugar: o “templo”. Não tanto porque fosse um lugar consagrado (pois Ele o tinha escolhido em outras ocasiões), mas porque agora era um lugar de grande afluxo de público. E assim Ele podia estimular assembleias solenes para adoração religiosa, e incentivar as pessoas a virem ao Templo, pois Ele não o tinha deixado desolado.

(3) Sua postura: “Assentando-se, os ensinava”, como alguém que tinha autoridade e como alguém que tencionava permanecer ali por algum tempo.

2. Com que diligência as pessoas compareciam à sua pregação: “Todo o povo vinha ter com Ele”, e talvez muitos deles fossem gente do campo, que, neste dia, terminada a festa, voltariam para casa, e estavam desejosos de ouvir mais um sermão da boca de Cristo, antes de voltarem. Eles vinham ter com Ele, embora Ele chegasse cedo. “Os que de madrugada me buscam me acharão” (Provérbios 8.17). Embora os principais estivessem descontentes com aqueles que vinham para ouvir Jesus, ainda assim eles vinham. E Ele os ensinava, embora os principais estivessem irados com Ele também. Embora houvesse poucos ou nenhum entre eles que eram pessoas de alguma importância, ainda assim Cristo lhes dava as boas-vindas e os ensinava.

III – A maneira como Ele lidou com aqueles que lhe trouxeram a mulher apanhada em adultério, para tentá-lo. Os escribas e fariseus não somente não queriam ouvir pessoalmente a Cristo, mas também o perturbavam quando o povo comparecia para ouvi-lo. Observe aqui:

1. O caso que os escribas e fariseus lhe propuseram, que contribuiria para iniciar uma discussão com Ele, e atraí-lo a uma cilada, vv. 3-6.

(1) Eles levam a prisioneira ao tribunal (v. 3): “Trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério”, talvez apanhada recentemente, durante o período da Festa dos Tabernáculos, quando, possivelmente, o fato de que habitassem em tendas e em meio à festa e alegria pudesse, pelas mentes pervertidas, que corrompem as melhores coisas, promover oportunidades de pecado. Aqueles que eram apanhados em adultério deviam, segundo a lei judaica, ser levados à morte, e sua execução era permitida pelas autoridades romanas, e, portanto, ela foi trazida diante da corte eclesiástica. Observe que ela foi apanhada em adultério. Embora o adultério seja uma obra das trevas, que os culpados comumente tomam todo o cuidado possível para ocultar, ainda assim, algumas vezes, ele vem estranhamente à luz. Aqueles que se comprometem secretamente com o pecado se enganam. Os escribas e fariseus a trazem até Cristo, e a colocam no meio da assembleia, como se pretendessem deixá-la completamente ao julgamento de Cristo, estando Ele assentado como um juiz no tribunal.

(2) Eles apresentam a acusação contra ela: “Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando”, v.4. Aqui eles chamam de Mestre àquele que apenas um dia antes eles tinham chamado de enganador; esperando, com suas adulações, atraí-lo a uma cilada, como aqueles mencionados em Lucas 20.20. Mas, embora os homens possam ser influenciados por tais elogios, aquele que sonda os corações não pode.

[1] O crime de que a prisioneira é acusada é nada menos do que adultério, que, mesmo na era patriarcal, antes da lei de Moisés, era considerado como uma iniquidade a ser punida pelos juízes, Jó 31.9-11; Gênesis 38.24. Os fariseus, com sua acusação vigorosa a esta criminosa, pareciam ter grande zelo contra o pecado, quando, mais adiante, será demonstrado que eles mesmos não estavam livres dele. Na verdade, interiormente estavam cheios de toda imundícia, Mateus 23.27,28. Observe que é comum que aqueles que são indulgentes com seus próp1ios peca­ dos sejam severos com os pecados de outras pessoas.

[2] A prova do crime vinha da evidência notória do fato, uma prova incontestável. Ela tinha sido apanhada no ato, de modo que não havia lugar para alegar inocência. Se ela não tivesse sido apanhada neste ato, poderia ter cometido outro, até que seu coração estivesse completamente endurecido, mas, às vezes, é uma graça de misericórdia para os pecadores quando seu pecado vem à luz, para que possam não continuar cometendo-o arrogantemente. É melhor que nosso pecado nos envergonhe do que nos destrua, e seja apresentado diante de nós para nossa acusação do que para nossa condenação.

(3) Eles apresentam os estatutos deste caso, sobre os quais ela era acusada, v. 5: “Na lei, nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas”. Moisés ordenava que elas fossem levadas à morte (Levíticos 20.10; Deuteronômio 22.22), mas não que fossem apedrejadas, a menos que a adúltera fosse desposada, não casada, ou uma filha de sacerdote, Deuteronômio 22.21. Observe que o adultério é um pecado extremamente pecaminoso, pois é a rebelião de uma luxúria vil, não somente contra o mandamento, mas também contra o concerto do nosso Deus. É a violação de uma instituição divina em inocência, pela indulgência de um dos mais vis desejos do homem na sua degeneração.

(4) Eles pedem que Jesus julgue este caso: “‘Tu, pois, que dizes?’ Tu, que reivindicas ser um mestre vindo de Deus para substituir as leis antigas e promulgando novas? O que tens a dizer neste caso?” Se eles tivessem feito esta pergunta com sinceridade, com um humilde desejo de conhecer sua mente, isto teria sido altamente elogiável. Aqueles a quem é confiada a administração da justiça devem olhar para Cristo pedindo orientação, mas “isso diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar”, v. 6.

[1] Se Ele confirmasse a sentença da lei, e deixasse que seguisse seu curso, eles o censurariam como incoerente consigo mesmo (por ter recebido publicanos e prostitutas) e com o caráter do Messias, que deveria ser manso, e trazer salvação, e proclamar o ano da remissão, e talvez o acusassem diante do governador romano por estimular os judeus no exercício de um poder judiciário. Mas:

[2] Se Ele a absolvesse, e desse a opinião de que a sentença não deveria ser cumprida (como eles esperavam que Ele fizesse), eles o apresentariam, em primeiro lugar; como um inimigo da lei de Moisés, e como alguém que usurpava uma autoridade para corrigi-la e controlá-la, e iriam confirmar o preconceito contra Ele que tão engenhosamente propagavam seus inimigos, de que Ele tinha vindo destruir a lei e os profetas. Em segundo lugar, como amigo de pecadores e, consequentemente, como alguém favorável ao pecado. Se Ele parecesse tolerar tais pecados, permitindo que não recebessem uma punição, eles o apresentariam como alguém que estaria estimulando as ofensas, e sendo um patrono destas, como se fosse um protetor dos criminosos. E nenhuma reflexão poderia ser mais injusta e odiosa sobre alguém que professava a rigidez e a pureza de um profeta no desempenho de suas atividades.

2. O método que Ele usou para resolver esta situação, evitando a armadilha.

(1) Ele pareceu menosprezar o caso, e fazer-se de surdo: “Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra”. É impossível dizer, e, portanto, desnecessário perguntar, o que Ele escrevia, mas esta é a única menção feita nos Evangelhos de Cristo escrevendo. Eusébio, na verdade, menciona que o Senhor Jesus escreveu a Abgar, rei de Edessa. Alguns pensam que têm alguma liberdade para conjeturar quanto ao que Ele escrevia aqui. Grotius diz: “Eram algumas palavras graves e sérias, e era usual que os homens sábios, quando muito concentrados a respeito de alguma coisa, fizessem isto”. Jerônimo e Ambrósio supõem que Ele tenha escrito: “Que os nomes destes homens maus estejam escritos na terra”. Outros sugerem que foi: ”A terra acusa a terra, mas o julgamento é meu”. Com isto, Cristo nos ensina a sermos lentos ao falar quando nos forem propostos casos difíceis, e não disparar nossa resposta com rapidez. E quando formos provocados ou desafiados, devemos fazer uma pausa para fazermos considerações antes de responder, a pensar duas vezes antes de falar uma. O coração dos sábios pensa para responder. Nossa tradução de algumas cópias em grego, que acrescentam me prospoioumenos (embora algumas cópias não incluam isto) , dá esta explicação da razão pela qual Ele escreveu no chão, como se Ele não os tivesse ouvido. Ele fez como se estivesse olhando para outro lado, para mostrar que não estava disposto a prestar atenção nas palavras deles, dizendo, na verdade: “Quem me pôs a mim por juiz ou repartidor?” É seguro, em muitos casos, ser surdo àquilo a que não é seguro responder, Salmos 38.13. Cristo não deseja que seus ministros se envolvam em questões seculares. Ele deseja que eles sejam mais bem empregados em qualquer estudo lícito, e preencham seu tempo escrevendo no chão (ao que ninguém vai prestar atenção), e não se ocupem daquilo que não lhes pertence. Mas, embora parecesse que Cristo não estivesse ouvindo aqueles homens, Ele deu a entender que não somente tinha ouvido suas palavras, mas que também conhecia seus pensamentos.

(2) Quando, de modo inoportuno, ou melhor, impertinente, o pressionaram em busca de uma resposta, Ele voltou a condenação da prisioneira sobre os acusadores, v. 7.

[1] Eles continuaram perguntando a Ele, e o fato de que Ele parecesse não prestar atenção os fez mais veementes, pois agora eles tinham certeza de que o tinham deixado sem saída, e que Ele não poderia evitar a imputação de contradizer a lei de Moisés, se absolvesse a prisioneira, ou sua própria doutrina de misericórdia e perdão, se a condenasse, e por isto eles apelavam a Ele vigorosamente, embora pudessem ter interpretado sua desatenção para com eles como uma reprovação aos seus desígnios, e uma sugestão para que desistissem, enquanto provavam sua própria reputação.

[2] Por fim, Ele os envergonha e silencia com urna palavra: Ele se endireitou, como se estivesse despertando de um sono (Salmos 78.65), e lhes disse: ”Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela”.

Em primeiro lugar, aqui Cristo evita a armadilha que eles lhe tinham preparado, e efetivamente salva sua própria reputação. Ele não refletiu sobre a lei nem desculpou a culpa da prisioneira, nem, por outro lado, incentivou a acusação ou estimulou seu calor. Veja o bom resultado da reflexão. Quando não pudermos expressar diretamente o que desejamos, é bom que falemos utilizando certos artifícios de linguagem.

Em segundo lugar, “na rede que ocultaram ficou preso o seu pé”. Eles podem ter vindo com desejos de acusá-lo, mas foram forçados a acusar a si mesmos. Cristo reconheceu que era adequado que a prisioneira fosse acusada, mas apelou às suas consciências se eles eram adequados para serem os acusadores.

a. Aqui Ele se refere à regra que a lei de Moisés prescreveu na execução de criminosos, de que a mão das testemunhas seria primeiro contra eles (Deuteronômio 17.7), corno no apedrejamento de Estêvão, Atos 7.58. Os escribas e fariseus eram as testemunhas contra esta mulher. Agora Cristo lhes pergunta se, de acordo com sua própria lei, ousariam ser os executores. Ousariam eles tirar, com suas mãos, aquela vida que estavam agora tirando com suas línguas? Suas consciências não se lhes oporiam, caso o fizessem?

b. Ele constrói uma máxima incontestável de moralidade, pela qual é completamente absurdo que os homens sejam zelosos em punir as ofensas de outros, enquanto eles mesmos são completamente culpados, e não sejam melhores do que autocondenados que julgam os outros. Porém, existem aqueles que ainda assim fazem a mesma coisa: “Se houver algum entre vocês que esteja sem pecado, sem pecado desta natureza, que não tenha nunca, em nenhuma ocasião, sido culpado de fornicação ou adultério, que atire a primeira pedra sobre ela”. Os magistrados, que estavam conscientes da culpa em si mesmos, não poderiam, portanto, ser coniventes com a culpa de outros. Por isto:

(a) Quando encontrarmos faltas em outros, devemos refletir sobre nós mesmos, e ser mais severos contra o pecado em nós do que nos outros.

(b) Nós devemos ser favoráveis, embora não aos pecados, mas às pessoas, daqueles que ofendem, e restabelecê-las com um espírito de mansidão, considerando a nós mesmos e à nossa própria natureza corrupta. Nós somos, ou já fomos, ou podemos ser o que ele é. Devemos nos conter, e não atirar pedras em nossos irmãos. Não devemos divulgar suas faltas. Que aquele que esteja sem pecado comece um discurso como este, e então aqueles que estão verdadeiramente humilhados pelos seus próprios pecados enrubescerão e ficarão felizes em esquece r o assunto.

(c) Aqueles que, de alguma maneira, são obrigados a observar as faltas dos outros devem se preocupar em olhar bem para si mesmos, e conservarem-se puros (Mateus 7.5). Os apagadores do Tabernáculo eram de ouro puro.

c.Talvez Ele se refira ao julgamento da mulher de quem o marido ciumento suspeita, movido pelo ciúme. O homem devia trazê-la perante o sacerdote (Números 5.15), assim como os escribas e fariseus tinham trazido esta mulher perante Cristo. Era uma opinião admitida pelos judeus, e confirmada pela experiência, que, se o marido que trazia sua esposa para este julgamento tivesse sido, em alguma ocasião, culpado de adultério. “Então”, diz Cristo, “Eu julgarei vocês de acordo com sua própria tradição. Se vocês estão sem pecado, levantem-se para a acusação, e que a adúltera seja executada. Mas, se ela for culpada, enquanto vocês, que a apresentam, também forem igualmente culpados, ela ficará livre de acordo com a regra que vocês mesmos estabeleceram”.

c. Com isto, Ele cumpria a grande missão para a qual Ele veio ao mundo, que era trazer os pecadores ao arrependimento. Não para destruir, mas para salvar. Ele desejava trazer, não apenas a prisioneira ao arrependimento, mostrando-lhe sua misericórdia, mas também seus acusadores, mostrando-lhes seus pecados. Eles procuravam apanhá-lo em uma armadilha, Ele procurava convencê-los e convertê-los. Assim, “os homens sanguinários aborrecem aquele que é sincero, mas os retos procuram o seu bem”.

[3] Tendo lhes dito estas palavras assombrosas, Ele os deixou considerando-as, e “tornando a inclinar-se, escrevia na terra”, v. 8. Como quando eles se dirigiram a Ele, Ele pareceu dar pouca importância à sua pergunta, também agora que lhes tinha dado uma resposta, Ele dava pouca importância ao ressentimento deles, não se importando com o que eles diriam. Na verdade, eles não precisavam responder nada. A questão se alojava em seus próprios corações, que eles aproveitem o melhor dela. Ou, Ele não pareceu esperar por uma resposta, para que eles não se justificassem repentinamente, e então se julgassem presos pela honra a persistir no julgamento, mas lhes deu tempo para pensarem e se comunicarem com seus próprios corações. Deus diz: “Eu escutei e ouvi”, Jeremias 8.6. Algumas cópias em grego trazem aqui as seguintes palavras: “Ele escrevia na terra, os pecados de cada um deles”. Isto Ele podia fazer, pois nossas iniquidades estão diante dele, e isto Ele fará, pois Ele as apresentará diante de nós também. Ele sela nossas transgressões, Jó 14.17. Mas Ele não escreve os pecados dos homens na areia. Não, eles são escritos com um ponteiro de ferro, com ponta de diamante (Jeremias 17.1), para nunca serem esquecidos, até que sejam perdoados.

[4] Os escribas e fariseus ficaram tão estranhamente aturdidos com as palavras de Cristo, que abandonaram sua perseguição a Cristo, a quem não mais tentaram, e a perseguição à mulher a quem não mais acusaram (v. 9): “Saíram um a um”.

Em primeiro lugar, talvez o fato de que Ele estivesse escrevendo na terra os assustasse, como os dedos que escreviam na parede assustaram a Belsazar (Daniel 5.5). Eles concluíram que Ele estava escrevendo coisas amargas contra eles, escrevendo sua condenação. Felizes são aqueles que não têm motivos para temer o que Cristo escreve!

Em segundo lugar, o que Ele disse os assustou, porque os remeteu às suas próprias consciências. Ele lhes tinha mostrado a si mesmos, e eles tiveram medo de ficar até que Ele se erguesse novamente, pois acreditavam que sua próxima palavra seria mostrá-los ao mundo, e envergonhá-los diante dos homens, e por isto julgaram melhor retirar-se. Eles saíram um a um, para que pudessem sair delicadamente, e não perturbar a Cristo com uma fuga ruidosa. Eles saíram furtivamente, como as pessoas envergonhadas fazem quando fogem da peleja, 2 Samuel 19.3. A ordem da sua partida é observada, começando pelos mais velhos (ou porque fossem os mais culpados, ou porque estivessem mais conscientes do perigo que corriam de se envergonharem). E, se os mais velhos deixam o campo, e se retiram sem glória, não admira que os mais jovens os sigam. Veja aqui:

1. A força da palavra de Cristo para a condenação dos pecadores: aqueles que a ouviam eram acusados pelas suas próprias consciências. A consciência é a representante de Deus na alma, e uma única palavra dele se põe em ação, Hebreus 4.12. Aqueles que eram veteranos em adultérios, e, há muito, haviam fixado uma orgulhosa opinião de si mesmos, estavam aqui, até mesmo os mais velhos deles, atemorizados pela palavra de Cristo. Até mesmo os escribas e fariseus, que tinham mais orgulho de si mesmos, são, pelo poder da palavra de Cristo, levados a retirar-se envergonhados.

2. A tolice dos pecadores sob estas acusações, como mostram estes escribas e fariseus.

(1) É tolice que aqueles que são acusados assumam como sua principal preocupação evitar a vergonha, como Judá (Genesis 38.23): “Para que porventura não venhamos a cair em desprezo”. Nossa preocupação deve ser mais salvar nossas almas do que salvar nossa credibilidade. Saul evidenciou sua hipocrisia quando disse: “‘Pequei; honra-me’, te rogo”. Não há maneira de obter a honra e o consolo dos penitentes, exceto removendo sua vergonha.

(2) É tolice que aqueles que são acusados tramem como transferir suas condenações e livrar-se delas. Os escribas e fariseus tiveram a ferida aberta, e agora deviam estar desejosos de examiná-la, e então ela poderia ser curada, mas isto era o que eles temiam e recusaram fazer.

(3) É tolice que aqueles que são acusados se afastem de Jesus Cristo, como estes fizeram, pois Ele é o único que pode curar as feridas da consciência, e nos trazer a paz. Aqueles que são acusados pelas suas consciências serão condenados pelo seu Juiz, se não forem justificados pelo seu Redent01: E estes se afastam dele? Para onde irão?

[5] Quando os acusadores arrogantes deixaram o campo, e fugiram pela vergonha, a prisioneira que se autocondenava permaneceu, com a determinação de esperar o julgamento do nosso Senhor Jesus. O grupo de escribas e fariseus deixou Jesus em paz, livre das suas perturbações, e também deixou a mulher em pé no meio da assembleia que assistia à pregação de Cristo, onde a tinham colocado, v. 3. Ela não procurou fugir, embora tivesse a oportunidade de fazê-lo, mas seus acusadores tinham apelado a Jesus, e a Ele ela iria. Nele, ela iria esperar sua condenação. Observe que aqueles cuja causa é trazida diante do nosso Senhor Jesus nunca terão oportunidade de levá-la a nenhum outro tribunal, pois Ele é o refúgio dos penitentes. A lei que nos acusa, e convoca o julgamento contra nós, é, pelo Evangelho de Cristo, levada a retirar-se. Suas exigências são atendidas, e seus clamores, silenciados, pelo sangue de Jesus. Nossa causa está perante o tribunal do Evangelho. Nós somos deixados a sós com Jesus. É somente com Ele que devemos tratar agora, pois a Ele foi entregue todo o julgamento. Portanto, asseguremos nosso interesse nele, e estaremos salvos para sempre. Que o Evangelho nos governe, e ele infalivelmente nos salvará.

[6] Aqui está a conclusão do julgamento, e seu resultado: “Endireitando-se Jesus e não vendo ninguém…”, vv. 10,11. Embora possa parecer que Cristo não preste atenção ao que é dito e feito, e que os filhos dos homens lutem uns contra os outros em meio às suas contendas, quando chegar a hora de pronunciar seu julgamento, Ele não manterá silêncio. Quando Davi tinha apelado a Deus, ele orou: “Levanta-te, Senhor”, Salmos 7.6; 94.2 (versão NTLH). A mulher, provavelmente, ficou tremendo no tribunal, como alguém em dúvidas quanto ao resultado. Cristo era sem pecado, e podia atirar a primeira pedra, mas, embora não exista ninguém mais severo contra os pecados do que Ele, pois Ele é infinitamente justo e santo, não existe ninguém mais compassivo do que Ele para com os pecadores, pois Ele é infinitamente cheio de graça e misericordioso, e esta pobre malfeitora descobre isto, agora que espera pela libertação. Aqui está o método que as cortes de magistratura observavam.

Em primeiro lugar, os acusadores são chamados: “Onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?” Ninguém, exceto Cristo, sabia onde eles estavam. Mas Ele perguntou, para poder envergonhar aqueles que recusaram seu julgamento, e para incentivar aquela que decidiu esperar por ele. O desafio do apóstolo Paulo é como este: “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?” Onde estão seus acusadores? O acusador dos irmãos será, com razão, afastado, e todas as acusações serão legalmente e regularmente canceladas.

Em segundo lugar, eles não aparecem quando a pergunta é feita: “Ninguém te condenou?” Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Ela fala com Cristo respeitosamente, chamando-o de Senhor, mas não diz nada a respeito dos seus acusadores, não diz nada em resposta à pergunta a respeito deles: “Onde estão aqueles teus acusadores?” Ela não triunfa com a retirada deles, nem os insulta como testemunhas contra si mesmos, nem contra ela. Se nós esperamos ser perdoados pelo nosso Juiz, nós devemos perdoar nossos acusadores. E se as acusações deles, por mais dolorosas que sejam, forem a feliz oportunidade para despertar nossas consciências, nós podemos facilmente perdoar-lhes este erro. Mas ela respondeu à pergunta que dizia respeito a ela: “Ninguém te condenou?” Os verdadeiros penitentes julgam que é suficiente prestar contas de si mesmos a Deus, e não se empenham em prestar contas de outras pessoas.

Em terceiro lugar, a prisioneira é, desta maneira, absolvida: “Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais”. Considere isto:

1. Como sua absolvição da punição temporal. “Se eles não a condenam a ser apedrejada até à morte, tampouco Eu o farei”. Não que Cristo tenha vindo desarmar o magistrado, tirando-lhe sua espada de justiça, nem que sua vontade seja que as penas de morte não sejam aplicadas aos malfeitores nos países em que ela é parte da justiça. Longe disto, a administração de justiça pública é estabelecida pelo Evangelho, e deve se tornar sub­ serviente ao reino de Cristo: “Por mim, reinam os reis”. Mas Cristo não condenaria esta mulher:

(a) Porque esta não era sua função. Ele não era juiz nem divisor, e por isto não se intrometeria em questões seculares. Seu reino não era deste mundo. Que cada um atue na sua própria esfera de ação.

(b) Porque ela era acusada por aqueles que eram mais culpados do que ela, e não puderam, por vergonha, insistir na sua exigência de justiça contra ela. A lei indicava as mãos das testemunhas para serem as primeiras sobre o criminoso, e, depois, as mãos de todo o povo, de modo que, se os acusadores dessa mulher fugiram, e não a condenaram, a acusação foi anulada. A justiça de Deus, ao infligir julgamentos temporais, às vezes observa um julgamento comparativo, e poupa aqueles que, de outra maneira, seriam odiosos, quando a punição destes só iria satisfazer àqueles que são piores do que eles, Deuteronômio 32.26,27. Mas quando Cristo a absolveu, foi com esta advertência: “Vai-te e não peques mais”. A impunidade incentiva os malfeitores. Portanto, aqueles que são culpados e encontram um meio de escapar à força da lei, precisam redobrar sua vigilância, para que Satanás não obtenha alguma vantagem. Quanto mais justa for a absolvição, mais justa será a advertência para ir e não pecar mais. Aqueles que desejam ajudar a salvar a vida de um criminoso devem, como Cristo fez aqui, ajudar a salvar sua alma através desta advertência.

d. Como sua absolvição da punição eterna. Pois Cristo dizer: “Eu não te condeno”, na verdade, significa: “Eu te perdoo”. E “o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados”, e pode, com bom fundamento, dar esta absolvição, pois assim como Ele conhecia a dureza e os corações impenitentes dos acusadores, e por isto disse aquilo que os confundiu, também Ele conhecia a ternura e o sincero arrependimento da prisioneira, e por isto disse o que a confortaria: “Nem Eu também te condeno”, assim como fez com aquela mulher que era uma pecadora como esta, que, da mesma maneira, foi desprezada por um fariseu (Lucas 7.48,50): “Os teus pecados te são perdoados… vai-te em paz”. Observe:

(a) São verdadeiramente felizes aqueles a quem Cristo absolve, pois sua absolvição é uma resposta suficiente a todas as outras acusações. Elas estão todas diante de um juiz não autorizado.

(b) Cristo não irá condenar aqueles que, embora tenham pecado, irão e não mais pecarão, Salmos 85.8; Isaías 55.7. Ele não usará a vantagem que tem contra nós, das nossas rebeliões anteriores, se apenas abaixarmos as armas e retornarmos à nossa fidelidade.

(c) A graça de Cristo para nós, na remissão dos pecados passados, deve ser um argumento predominante para que não pequemos mais, Romanos 6.1,2. Cristo não vai lhe condenar? Então vá, e não peque mais.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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