PSICOLOGIA ANALÍTICA

FRONTEIRAS ENTRE O PRAZER E O SOFRIMENTO

A interação sexual pela internet não exige a presença física do(a) parceiro(a) sendo considerada uma revolução na sexualidade, porém, esse fruto nem sempre é saudável.

Fronteiras entre o prazer e o sofrimento

A internet, espaço virtual amplamente debatido, gerou novas e diversas possibilidades no acesso às informações, algumas delas específicas ao público adulto. Nesse grupo etário, um ponto que sofreu alterações significativas foi o circunscrito à sexualidade. Sabe-se que as modernas mídias de comunicação proporcionam alternativas na expressão psicopatológica, e a internet, em particular, possui uma relevante tendência no desenvolvimento e manutenção de diversos adoecimentos psíquicos (seja no campo dos transtornos de ansiedade, transtornos do controle dos impulsos, dentre outros) no campo da sexualidade no ciberespaço.

O cibersexo pode ser considerado uma subcategoria da intitulada atividades sexuais on-line. Essa definição ocorre quando duas ou mais pessoas compartilham de uma conversa sexual enquanto estão conectadas com propósitos de prazer sexual, podendo ou não incluir a masturbação. Três características fundamentais classificam o cibersexo: acessar pornografia on-line, áudio, vídeo e histórias textuais; interação em tempo real com um parceiro virtual (ou fantasioso) e, por fim, softwares multimídia (CD, DVD e Blu-ray.

Apesar da dependência de sexo virtual ser considerada mais uma expressão patológica dos comportamentos desadaptativos relacionados à tecnologia, é importante salientar que a maior parte dos usuários de pornografia virtual apresenta um usufruto saudável. Esse grupo, que não revela problemas em seu comportamento on-line, constitui aproximadamente 80% dos internautas que utilizam recursos pornográficos da internet. Existem relatos na literatura de que esses indivíduos revelam uma melhor comunicação sexual em seus relacionamentos devido ao uso de pornografia na rede.

Distante daquilo que é considerado adaptativo, o grupo de usuários dependentes apresenta dificuldades na liberdade de escolha, comportamentos compulsivos, pensamentos obsessivos, isolamento e tempo excessivo na prática de sexo virtual. Um estudo revela que o transtorno depressivo maior, transtornos de ansiedade, transtornos de personalidade e uso de substâncias podem acometer dependentes de sexo virtual e usuários que apresentam comportamento sexual compulsivo off-line. Um dos fatores que podem servir para a manutenção desta possível psicopatologia é a existência, segundo os usuários, de algumas vantagens na prática do sexo virtual: fácil acesso, anonimato, mercado ilimitado, prevenção do medo da rejeição, comunicação interativa, espaço para experimentação entre a fantasia e o comportamento da vida real, identidades virtuais e, por fim, baixo risco de apreensão.

Técnicas importantes podem ser implantadas no manejo e prevenção do uso problemático do sexo virtual, como: assegurar que o computador seja utilizado apenas em locais de grande movimentação; limitar os dias e o tempo de uso; utilizar o computador apenas quando outras pessoas estiverem próximas; especificar locais onde a internet possa ou não ser usada; ter certeza de que o monitor está visível para terceiros e, por fim, instalar planos de fundo (screen savers ou backgrounds) de pessoas importantes (familiares, parceiro/a). Técnicas efetivas no tratamento da dependência de sexo virtual são: melhora na intimidade, recondicionamento de estimulação e desenvolvimento de estratégias de enfrentamento. Outros modelos de tratamento eficazes são: a terapia cognitivo-comportamental, terapia familiar, treinamento de habilidades sociais e intervenções farmacológicas.

IGOR LUÍS LEMOS – é doutor em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental Avançada pela Universidade de Pernambuco (UPE). É psicoterapeuta cognitivo-comportamental, palestrante e pesquisador das dependências tecnológicas. E-mail: igorlemos87@hotmail.com

OUTROS OLHARES

DESAFIOS DA ADOLESCÊNCIA

A passagem da vida infantil para a adulta não é fácil – e não só para os jovens, mas também para pais e educadores. Nos últimos anos essa fase se tornou mais longa e as mudanças sociais e culturais que determinam o processo de amadurecimento e a constituição subjetiva. O que antes era coletivo e tradicional se tornou nos últimos anos “patológico”, “problemático”.

Desafios da adolescência

Sabemos que o ser humano não nasce com um destino já estabelecido em seu genoma. Embora muita coisa esteja prevista geneticamente, a grande vantagem do homem sobre as outras espécies é sua capacidade de ser moldado pela relação com o outro, com a sua própria história e com a cultura. Desde o nascimento, ou até antes dele, o sujeito irá se constituir a partir daquilo que experimenta enquanto vivências reais, imaginárias e simbólicas. Um efeito dessa historicidade do desenvolvimento humano é percebido nas evidentes mudanças nas suas etapas ao longo dos últimos 300 anos, a ponto de podermos localizar a origem do conceito de infância no século 17 e a origem do da adolescência no século 20.

As transformações sociais, culturais e psicológicas têm alongado o tempo de passagem da infância à maturidade. Desse processo, emerge um sujeito meio criança, meio adulto, e demorou muito tempo para que a própria ciência passasse a reconhecê-lo. Adolescente, adolescência e adolescer. Mas em que consiste esta etapa da vida, pela qual passam todos os homens contemporâneos? A definição de adolescência é importante, pois existe muita confusão em relação a isso. A forma mais fácil de defini-la é tomar como referência a idade. A partir do referencial cronológico a Organização Mundial da Saúde (OMS) define adolescência como o período da vida que vai precisamente dos 10 anos até os 19 anos, 11 meses e 29 dias. Já o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera adolescente entre 12 e 18 anos podendo ir até 21 anos em casos especiais, quando os jovens cumprem medidas socioeducativas.

Nessa fase ocorrem pelo menos três fenômenos importantes do desenvolvimento humano: do ponto de vista biológico, a puberdade, com o amadurecimento sexual e reprodutor; do ponto de vista social, a passagem da infância para a vida adulta, com a assunção de papéis adultos e a autonomia em relação aos pais; e, do ponto de vista psicológico, a estruturação de uma identidade definitiva para a subjetividade.

PUBERDADE PRECOCE

Houve nos últimos anos uma mudança nos limites de idade que definem a adolescência, que antes começava aos 12 anos e terminava aos 18. Por que essas mudanças ocorreram? Estamos aqui diante de um dos fenômenos mais interessantes dos últimos 120 anos, que evidencia a historicidade dos períodos do desenvolvimento e da vida humana acima apontada, determinada por transformações sociais, psicológicas, culturais e biológicas.

Entre outras mudanças, vem ocorrendo uma antecipação do começo da puberdade. A menarca, como se define a primeira menstruação, no início do século 20 surgia por volta dos 15 anos. Atualmente acontece, em média, aos 12. Como geralmente a menarca é antecedida de três anos pelos primeiros sinais da adolescência, seu início pode ser aos 9 anos, em média. Essa antecipação se deve a vários fatores. Um deles é o aumento do peso corporal, que se deu em função das melhores condições de saúde e alimentação, mas também por um maior apelo para o amadurecimento sexual, determinado pelo imaginário veiculado nos meios de comunicação. Meninos e meninas fortemente submetidos a esse apelo, que atingem certa estatura e peso precocemente, têm a menarca ou a ejaculação mais cedo.

A própria existência da adolescência é bem marcada historicamente. Podemos dizer que ela é um fenômeno da contemporaneidade. Nas sociedades que não passaram pelas transformações que delineiam hoje o mundo ocidental, e mesmo nas sociedades atuais tradicionais, a passagem da infância para a vida adulta acontece de forma tranquila, amparada por rituais socialmente estabelecidos, fazendo com que esta mudança seja vivida de forma coletiva, ritualizada, tradicional. Além disso, é transmitida de uma geração a outra por séculos.

Nas sociedades ocidentais que se caracterizam pela globalização e pela emergência de modalidades complexas nos papéis sociais em função da sofisticação do trabalho e uma maior diversidade de subjetividades, ocorre, de um lado, um alargamento do tempo da formação profissional, que chega até os 25 anos e a antecipação do término da infância, por outro uma infinidade de possiblidades no devir sujeito. A adolescência, assim, torna-se um período ampliado. Nas sociedades modernas, o adolescer passou então a ser um processo vivenciado de forma individual, de acordo com os ideais de liberdade e singularidade reinantes. Assim, todas as dificuldades que envolvem a passagem da infância para a vida adulta terão de ser vividas pelo jovem solitariamente. Com as transformações físicas e psicológicas, o adolescente e quem compartilha de sua vida se veem mobilizados a criar formas de se estabelecer na vida adulta. Sem rituais, cada um vai viver esse processo de forma única, singular.

A necessidade de “ritualizar” a passagem passa então a ser considerada problemática, e isso torna-se “o” adolescer. Daí o importante conceito de “síndrome da adolescência normal”, dos psicanalistas Arminda Aberastury e Maurício Knobel. O que antes era coletivo e tradicional hoje é “patológico e problemático”. O que antes era marcado pelo amadurecimento biológico, e finalizado por um ritual de iniciação, hoje é vivido singularmente e de forma muito diversificada: é o primeiro beijo, a primeira transa, o piercing, a tatuagem, a viagem sem os pais e o trabalho. Dentre essas diversas formas de adolescer encontramos as mais problemáticas, as mais sofridas, e também as patológicas. Porém, a diferenciação entre o normal e o patológico é difícil, e promove-se muita estigmatização e patologização diante dos estranhos comportamentos dos jovens.

O conceito de “síndrome da adolescência normal” foi criado para evidenciar exatamente este aspecto: na passagem da infância para a vida adulta, mais do que um período de tempo, o sujeito terá de cumprir a tarefa de viver os lutos pela perda do corpo infantil, luto pelos pais idealizados da infância e situar-se subjetivamente como adulto. Aqui devemos ressaltar a presença da palavra “luto”, que revela a perda de algo muito valioso.  Essa perda é vivida com grande sofrimento, mas temos de criar meios de substituí-la por novas aquisições reais, imaginárias e simbólicas. Na adolescência temos duas grandes formas do sofrimento psíquico: melancolia e atuação impulsiva.

Ser do contra, ter manias com alimentos diferentes, vestir-se de forma estranha, cultuar ídolos, passar a gostar mais dos amigos que dos pais, conhecer novas religiões e até mesmo experimentar variadas formas de ser, inclusive na sexualidade, todas essas vivências são comportamentos que fazem parte do processo de experimentação para encontrar a forma nova do ego. Estar meio deprimido, chorar sem motivo aparente, ser alegre de forma exagerada, reivindicar atitudes inesperadas dos pais são parte dessa elaboração do luto. O processo também é vivenciado com angústia, depressão e agressividade.

É importante salientar que na contemporaneidade todas as passagens são problemáticas, pois os parâmetros históricos foram perdidos para todas as etapas do crescimento humano, por conta da complexidade do mundo ocidental contemporâneo. Assim, é difícil crescer, adolescer, ser adulto, assumir a paternidade, envelhecer e morrer. Mas o adolescer passou a ser o problemático, numa espécie de condensação dos problemas sobre os jovens.

O adolescer dos pais de hoje já é antigo e o novo adolescer lhes parece problemático, mais pela falta de identificação entre o processo de amadurecimento das diferentes gerações que propriamente porque estamos diante de uma “juventude perdida”. O que perdemos foram as semelhanças: outrora o adolescer era o mesmo durante séculos, além de ser totalmente ritualizado. Hoje, com a velocidade das mudanças, o adolescente de uma geração causa estranhamento e perplexidade para a anterior. Todos sofrem com isso. Os pais, principalmente, sentem-se desorientados e vivem o luto da perda do filho dócil, companheiro – e muito idealizado –, que agora os troca pela “balada com a turma” e não é mais o primeiro aluno da classe. Os jovens, por outro lado, ficam expostos a um excesso de crítica, são estigmatizados e, infelizmente, muitas vezes abandonados e incompreendidos.

O adolescer é um dos eventos cheios de emboscadas que temos de enfrentar na vida moderna. As crises relacionadas às transformações envolvem a todos. Pais, educadores e profissionais da saúde também fazem parte dela e frequentemente manifestam sintomas ao enfrentar a convivência com os jovens, revivendo suas próprias adolescências. O desamparo e a necessidade de criar os próprios rituais de passagem estão presentes em todos os períodos da vida humana, como no envelhecer, no aposentar-se e até mesmo no morrer. O homem contemporâneo está pagando, e caro, com solidão e angústia a troca dos rituais tradicionais pela liberdade e pela individualidade.

Algumas culturas ainda mantêm esses rituais, e penso que são muito acolhedores para muitos jovens e pais, como por exemplo, o bar mitzvah (para os meninos) ou bat mitzvah (para as meninas) entre os judeus.

Desafios da adolescência.2

NO BRASIL

Os problemas nessa fase da vida existem e não são poucos. O mais grave aspecto que envolve o adolescente brasileiro se refere à mortalidade por causas externas, entre as quais se destacam os óbitos violentos: homicídios, suicídios e acidentes, que atingem níveis alarmantes. Tudo se passa como se estivéssemos em guerra declarada. Hoje, na faixa etária que vai de zero a 20 anos, é entre os 15 e os 20 que se concentra a maior mortalidade. Há 30 anos, o grande desafio era reduzir a mortalidade infantil, ou seja, na faixa de zero a 1 ano de vida. De certa forma, essa batalha importante foi vencida. Houve um deslocamento do pico de mortalidade para a faixa etária entre 15 e 24 anos, bem como nos tipos de óbito, pois se antes a criança morria de desnutrição ou infecção, hoje os jovens es- tão morrendo por causas violentas. É esse o grande desafio de quem trabalha com adolescentes no Brasil na atualidade, principalmente em regiões de maior carência e violência.

O que estaria determinando esses números? Não pretendemos esclarecer de forma definitiva o assunto, até porque sobre ele não existe consenso, mas podemos fazer algumas observações a partir de certas experiências. Os jovens são vítimas e também agentes nesse cenário. Um aspecto evidente é que muitas dessas mortes são consequência do envolvimento com ações ilegais, até mesmo criminosas – jovens são mortos no enfrenta- mento entre grupos, por domínio e poder, ou no choque com a polícia. Muitas mortes de- correm de conflitos em bares ou bailes, onde a violência e as brigas terminam de forma trágica. Existe exagero quando se relaciona a violência à pobreza, embora essa associação seja em parte verdadeira. Estamos diante de um problema complexo, em que atuam muitos determinantes.

Um olhar mais cuidadoso para esta realidade encontra o que se chama de “comportamento de risco”, e a morte é o resultado de um processo que tem seus antecedentes ou sua história individual e única. Por isso, o estudo de caso é uma ferramenta muito valiosa, pois nos leva a conhecer as singularidades dos componentes deste cenário. Falhas da função materna e paterna somam-se à falta de acolhimento, de oportunidades, num cenário social de carências e falta de seriedade por parte do Estado, pois a grande maioria desses jovens está em regiões carentes das grandes cidades. Assim, a “crônica da morte anunciada” é evidente. Em geral ocorre algum problema na constituição familiar ligado à ausência do pai (é comum o adolescente ser filho de uma primeira ligação da mãe, e o novo parceiro dela não aceitar o jovem muito bem, podendo ocorrer hostilidade contra o rapaz). Alia-se a essa situação uma atitude superprotetora da mãe, que toma o filho como parceiro de suas desilusões, em geral submetendo-se aos caprichos de um jovem exigente. O quadro recorrente apresenta um jovem que, embora arrogante, não tem êxito nos estudos e no trabalho, e com frequência é analfabeto funcional (de certa forma, resultado de falhas no processo educacional).

Não se destaca em atividades esportivas e artísticas, ou não teve oportunidade de se descobrir competente em alguma delas, por falhas e faltas de uma educação mais consciente sobre o que é ser jovem. Em geral, a vida escolar torna-se algo sem valor. Não existe oportunidade para descobrir competências ou vocações desconhecidas. O comportamento agressivo manifesta-se diante de qualquer frustração. Encaminhado para algum atendimento psicológico, ou não se vinculou ou foi atendido de forma inadequada. Ao se ver mais livre, o jovem envolve-se em condutas ilegais, é capturado por apelos midiáticos e fundamentalistas. Está no “olho do furacão”, já que muito perto de se envolver com lideranças negativas ou com formas imaginárias de ter poder e conseguir realizar seus desejos através da violência.

Como interromper esse caminho é um desafio. Mas a experiência tem mostrado que políticas públicas intersetoriais são eficientes na medida em que se trabalha em parcerias, envolvendo todos os tipos de profissionais e a família. O ECA é uma referência para esse tipo de trabalho, porém existe um grande vazio na sua realização. Mas devemos principalmente atuar cedo e caso a caso. Jean-Jacques Rassial afirma que dois filmes tocaram pontos essenciais para o público jovem: Imensidão azul e Sociedade dos poetas mortos. Esses filmes tratam do gozo não sexual que é avizinhar-se com a morte.

Entre os filmes brasileiros essa realidade é retratada de forma muito adequada e sensível no filme Através da janela (2000, de Tata Amaral) que conta a história de um jovem e sua mãe em processo de luto e melancolia pela morte do pai e marido. Os dois se envolvem numa dinâmica incestuosa que, de um lado, alivia a dor decorrente da perda e, de outro, impele o jovem a um comportamento transgressivo, sem a interdição necessária da função paterna e com uma alienante conivência da mãe. No filme, o jovem acaba envolvido na criminalidade. Esse “outro” com poder de uma captura alienada sobre o jovem pode ser encarnado por muitos agentes.

O adolescer pode lançar os jovens a desafios de independência, de escolhas profissionais e da barreira do vestibular. É comum   encontrar uma saída para esse desafio numa gravidez precoce, que os recoloca no papel de cuidadores de bebês, escolhendo ser mãe, ou pai, o que funciona como uma solução inconsciente de retorno à condição infantil. Portanto, nem sempre a gravidez adolescente é indesejada. Pelo contrário, é uma saída, ou fuga, para o espaço doméstico como alternativa ao enfrentamento do árduo caminho para a vida adulta.

A adolescência pode ser muito traumática para um jovem que já tenha dado mostras de fragilidades egoicas. As transformações físicas e psicológicas vão resultar numa violenta fragmentação do ego. É por isso que na adolescência costumam ocorrer problemas de saúde mental importantes, tais como anorexia, esquizofrenia, pânico, depressão, (principalmente a depressão manifestada por sintomas agressivos), melancolia, auto e hetero- agressividade, todos tendo como desencadeantes dificuldades no processo de elaboração dos três lutos anteriormente vivido. Assim, alguns pais não conseguem mais enfrentar o desafio e as dificuldades que envolvem a tarefa de exercer a paternidade de um adolescente. Muitos se deprimem, se angustiam e usam o discurso dos perigos e dos riscos para impedir que o filho cresça, mantendo-o na posição infantil, a fim de garantir a posição de pais de uma eterna criança. É comum esse processo de domínio sobre o filho ser perpetrado com atitudes autoritárias, geradoras de grandes conflitos familiares.

Mas encontramos mais uma vez situações opostas: diante de um jovem caseiro, inibido e desinteressado pelas baladas, alguns pais se preocupam, pois entendem que algo não está normal. É interessante notar que diante de pais muito liberais e avançados, o processo do adolescimento vai se dar na direção oposta. Ser retraído é forma de o adolescente “ser do contra” ou diferente dos pais e encontrar sua própria subjetividade.

Desafios da adolescência.3

PROFISSÃO, ÍDOLOS E AMOR

A passagem da infância para a maturidade será concluída se o jovem encontrar um caminho na busca de um papel social, o que não é fácil num país de grande índice de desemprego. A escolha de uma carreira é muito importante nesse caminho, mas a organização dos vestibulares por carreiras antecipa e dificulta muito a escolha. Nem sempre as dificuldades com o vestibular decorrem de nível de conhecimento e de uma concorrência extrema. Podem ocorrer por uma total falta de decisão e de escolhas. Aos 18 anos, é algo que pode ser esperado. Se o jovem ainda nem sabe bem quem é, como pode escolher o que será profissionalmente?

Encontrar referências para seguir no processo de construção de uma identidade na adolescência implica busca de parâmetros fora dos modelos parentais. Os pais já estão incorporados à subjetividade, às vezes até demais, e agora é preciso certo afastamento dessas referências. Daí vem a necessidade que os adolescentes sentem de buscar seus ídolos e amigos. Nem sempre, porém, as referências existentes são adequadas.

Nesse momento de transição as companhias afetivas são fundamentais, e aqui destacamos as amizades, intensas, profundas e prazerosas. Não existe adolescência sem a turma ou a “galera”.

É sempre bom lembrar que muitas revoluções nas ciências e nas artes tiveram como protagonistas os jovens. O amadurecimento implica numa grande potência intelectual e criativa, que podem se perder no labirinto de imagens e propostas nas redes sociais contemporâneas.

A grande descoberta da adolescência é a do amor, que vai ser um importantíssimo sinal de qualidade na construção da subjetividade. Ter a capacidade de investir uma pessoa como um verdadeiro parceiro no amor vai marcar definitivamente o fim das escolhas edípicas (com a dissolução do complexo de Édipo), posicionando o jovem no caminho definitivo da maturidade. Os adolescentes são sensíveis, disponíveis e ávidos para viver o namoro, e há exagero quando se fala de promiscuidade amorosa entre eles, pois muitos buscam viver uma grande paixão. Aqui encontramos, talvez, a essência e a beleza de todo o processo do adolescimento.

Novamente surgem emboscadas, pois diante da angústia desencadeada pelas perdas e transformações, a relação amorosa pode ser vivida com sentimentos de domínio, simbiose, dependência, representando um deslocamento de modalidades relacionais problemáticas da infância. Grandes sofrimentos, ou mesmo suicídios, decorrem de frustrações nas relações amorosas.

O amor na adolescência inspira romancistas, poetas, músicos e cineastas, muitas vezes com ênfase em seus aspectos apaixonados, violentos e trágicos. Mas com a psicanálise constatamos que, desde a infância, é a partir dos cuidados e do amor do outro que se constitui o corpo e, depois, o ego infantil. Em outras palavras, é do olhar impregnado de amor do outro que o ego infantil tira sua força para se constituir e ter seu lugar na cultura. Na adolescência mudam os protagonistas, o espelho constitutivo agora é o outro do sexo e das relações na turma. O corpo e o ego revivem a experiência de não integração e da ressignificação e é novamente no encontro com o olhar de um parceiro, na amizade, no amor e na transferência terapêutica que o sujeito vai se reapropriar de sua nova identidade.

WAGNER RANÑA – é pediatra e psicanalista, mestre em psiquiatra infanto juvenil, membro do Departamento de Psicanálise da Criança do Instituto Sedes Sapientiae, onde é professor do curso de Psicossomática Psicanalítica.

GESTÃO E CARREIRA

PRATIQUE A AUTO COMPREENSÃO

Competência técnica é importante. No entanto, já não é mais mandatória para conseguir resultados. Para obter êxito no trabalho, é essencial desenvolver as habilidades socioemocionais.

Pratique a autocompreensão

Atualmente, o fator humano tem maior peso quando um indivíduo se depara com situações adversas, de estresse ou baixo rendimento que acontecem no ambiente profissional. A forma como o ser humano reage às pressões externas e as exigências profissionais faz toda a diferença entre a realização e o fracasso. Há duas habilidades muito próximas quando lidamos com esse tipo de situações. São elas a autocrítica e a auto compreensão. É muito importante entender o papel de cada uma para identificar como se expressam no contexto profissional.  Uma excessiva autocrítica leva a pessoa a não se considerar boa o suficiente, a ter dúvidas sobre o próprio valor e a se sentir   inadequada e vulnerável ao contexto externo. A pressão interna e a cobrança influenciam negativamente o humor, o pensamento, a autoconfiança, as decisões e as ações.

Por exemplo, um jovem que só tira notas máximas nas provas e tem elogios de todos os professores não consegue nunca estar satisfeito com sua atuação e apenas reclama após as provas, não conseguindo relaxar e comemorar o merecido resultado e aproveitar os sucessos conquistados. Às vezes, não percebemos o quanto podemos ser duro e exigentes com nós mesmos. Quantas vezes nos pegamos criticando nosso trabalho e forma de agir, senti, sentir e expressar?  Treinar a auto compreensão no lugar da autocrítica permite fazer uma avaliação mais clara e objetiva da situação e dos pontos a serem melhorados ou fortalecidos.

As pesquisas na área da Psicologia demostram que a excessiva autocrítica é ligada essencialmente a duas correntes de pensamento: a preocupação com aquilo que os outros podem pensar de nós e a preocupação com o que nós mesmos pensamos sobre nós. Ou seja, o mundo externo e interno é fonte de ameaças e a sensação é que na realidade não existe um lugar seguro onde se proteger. Autocrítica é auto exigência e auto cobrança excessiva que fazem mal, que bloqueiam, que impedem de dar passos ao estado desejado.

No estado de autocrítica, quando não atingimos uma meta, entramos em uma sensação de fracasso generalizado e com a tendência de atribuí-lo unicamente a si mesmo e à própria incapacidade, vivendo um contínuo sentimento de inadequação.

Quando uma pessoa repete obsessivamente que não é capaz de fazer nada e que é inútil, está automaticamente condenando a sua vida a contínuas frustrações e alimentando uma baixa autoestima. Mas, quando se realiza uma autocrítica saudável e positiva, permite a si mesmo crescer e melhorar.

A autocrítica disfuncional não permite considerar os sucessos obtidos e os aspectos positivos da pessoa, pois leva a atenção aos erros e insucessos. A pessoa convive com um constante diálogo interno negativo que a acusa e a julga constantemente, perdendo o foco.

Quando a auto compreensão está presente, essa situação é substituída pela avaliação das possíveis causas e das razões da falta de resultados para poder se preparar aos próximos passos. Desenvolvê-la significa avaliar-se com um olhar muito mais objetivo para poder entender melhor a realidade. O diálogo interno negativo, então, é substituído pela voz interior, pela capacidade de falar consigo mesmo de forma não punitiva mas positiva e motivadora para ir em busca de soluções.

Suponhamos que esteja inseguro em relação a algo ou a alguma coisa. Procure então conversar amorosamente consigo mesmo: Você está se sentindo inseguro, não é mesmo! E o que precisa para não se sentir assim? O que está faltando para atingir esse objetivo?

É preciso começar a se perguntar para poder ouvir a sua voz interior, pois é a auto compreensão que o coloca em contato consigo mesmo, e num momento você estará aberto para ouvir à sua intuição. E é quando estamos com problemas, incertezas ou dificuldades que a intuição é mais necessária.

Talvez você faça uma pergunta em que a autocrítica responda, por isso é importante ficar atento: se a resposta o deprime, ignore-a. A intuição é a voz que acolhe e protege – e as respostas que pode obter dela são de tal sabedoria e profundidade que você ficará impressionado.

O autor americano Zig Ziglar disse que a pessoa mais influenciável com a qual você falará todos os dias é você. Tenha cuidado, então, com o que você diz para si mesmo”. A frase traduz perfeitamente a relação entre a autocrítica e a auto compreensão. A conversa diária que temos com nós mesmos é responsável pela forma como lidamos e enfrentamos os mais diferentes tipos de situação na vida profissional, por isso não podemos atribuir a ninguém o nosso desempenho.

Desenvolver a auto compreensão e compaixão por si mesmo requer coragem para poder enfrentar a viagem em direção às próprias emoções e sofrimentos. É preciso coragem para aceitar uma derrota sem se afogar no mar inútil da autocrítica que denigre a si mesmo. É necessário coragem para aceitar as próprias imperfeições e assim poder superá-las.

A auto compreensão, que não é auto justificação, portanto leva à aceitação, à autoestima e à identificação das próprias capacidades, competências e pontos fortes, que nos permitem ter motivação e perseverança para superar os limites mesmo diante de dificuldades.

 Pratique a autocompreensão.2

EDUARDO SHINYASHIKI – é mestre em Neuropsicologia, liderança educadora e especialista em desenvolvimento das competências de liderança organizacional e pessoal. Com mais de 30 anos de experiência no Brasil e na Europa, e referência em ampliar o crescimento e a auto liderança das pessoas. w.w.w.edushin.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 8: 1-11

Alimento diário

A Mulher flagrada em adultério

 

Embora Cristo tivesse sido desprezivelmente maltratado no capítulo anterior, tanto pelos principais como pelo povo, contudo nós o vemos ainda em Jerusalém, ainda no Templo. Com que frequência Ele os reunia! Observe:

I – Seu afastamento à noite, saindo da cidade (v. 1): “Jesus foi para o monte das Oliveiras”. Não se sabe ao certo se para a casa de algum amigo, ou para alguma tenda ali armada, na Festa dos Tabernáculos, nem se Ele descansou ali, ou, como julgam alguns, continuou a noite toda em oração a Deus. Mas Ele saiu de Jerusalém, talvez porque não tivesse ali nenhum amigo que tivesse bondade ou coragem suficiente para hospedá-lo por uma noite. Enquanto seus perseguidores tinham suas casas para onde ir (cap. 7.53), Ele não podia sequer ter um lugar emprestado onde pudesse descansar a cabeça, exceto aquele em que Ele deveria se afastar da cidade cerca de um a três quilômetros. Ele retirou-se (como pensam alguns) porque não queria arriscar-se ao perigo de um tumulto popular à noite. Sempre que pudermos, é prudente sair do caminho do perigo sem sair do caminho do dever. Durante o dia, quando tinha trabalho a fazer no Templo, Ele voluntariamente se expunha, sob proteção especial, Isaías 49.2. Mas à noite, quando não tinha trabalho a fazer, Ele se retirava para o campo e ali se abrigava.

II – Seu retorno pela manhã, ao Templo e ao seu trabalho, v. 2. Observe:

1. Que pregador diligente era Cristo: “Pela manhã cedo, voltou para o templo… e os ensinava”. Embora tivesse ensinado no dia anterior, Ele ensinava hoje novamente. Cristo era um pregador constante, “a tempo e fora de tempo”. Três coisas são observadas aqui, a respeito da pregação de Cristo.

(1) A hora: “Pela manhã cedo”. Embora Ele se hospedasse fora da cidade, e talvez tivesse passado grande parte da noite em oração particular, ainda assim Ele veio cedo. Quando o trabalho de um dia deve ser feito para Deus, e para as almas, é bom começar logo, e ter o dia diante de nós.

(2) O lugar: o “templo”. Não tanto porque fosse um lugar consagrado (pois Ele o tinha escolhido em outras ocasiões), mas porque agora era um lugar de grande afluxo de público. E assim Ele podia estimular assembleias solenes para adoração religiosa, e incentivar as pessoas a virem ao Templo, pois Ele não o tinha deixado desolado.

(3) Sua postura: “Assentando-se, os ensinava”, como alguém que tinha autoridade e como alguém que tencionava permanecer ali por algum tempo.

2. Com que diligência as pessoas compareciam à sua pregação: “Todo o povo vinha ter com Ele”, e talvez muitos deles fossem gente do campo, que, neste dia, terminada a festa, voltariam para casa, e estavam desejosos de ouvir mais um sermão da boca de Cristo, antes de voltarem. Eles vinham ter com Ele, embora Ele chegasse cedo. “Os que de madrugada me buscam me acharão” (Provérbios 8.17). Embora os principais estivessem descontentes com aqueles que vinham para ouvir Jesus, ainda assim eles vinham. E Ele os ensinava, embora os principais estivessem irados com Ele também. Embora houvesse poucos ou nenhum entre eles que eram pessoas de alguma importância, ainda assim Cristo lhes dava as boas-vindas e os ensinava.

III – A maneira como Ele lidou com aqueles que lhe trouxeram a mulher apanhada em adultério, para tentá-lo. Os escribas e fariseus não somente não queriam ouvir pessoalmente a Cristo, mas também o perturbavam quando o povo comparecia para ouvi-lo. Observe aqui:

1. O caso que os escribas e fariseus lhe propuseram, que contribuiria para iniciar uma discussão com Ele, e atraí-lo a uma cilada, vv. 3-6.

(1) Eles levam a prisioneira ao tribunal (v. 3): “Trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério”, talvez apanhada recentemente, durante o período da Festa dos Tabernáculos, quando, possivelmente, o fato de que habitassem em tendas e em meio à festa e alegria pudesse, pelas mentes pervertidas, que corrompem as melhores coisas, promover oportunidades de pecado. Aqueles que eram apanhados em adultério deviam, segundo a lei judaica, ser levados à morte, e sua execução era permitida pelas autoridades romanas, e, portanto, ela foi trazida diante da corte eclesiástica. Observe que ela foi apanhada em adultério. Embora o adultério seja uma obra das trevas, que os culpados comumente tomam todo o cuidado possível para ocultar, ainda assim, algumas vezes, ele vem estranhamente à luz. Aqueles que se comprometem secretamente com o pecado se enganam. Os escribas e fariseus a trazem até Cristo, e a colocam no meio da assembleia, como se pretendessem deixá-la completamente ao julgamento de Cristo, estando Ele assentado como um juiz no tribunal.

(2) Eles apresentam a acusação contra ela: “Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando”, v.4. Aqui eles chamam de Mestre àquele que apenas um dia antes eles tinham chamado de enganador; esperando, com suas adulações, atraí-lo a uma cilada, como aqueles mencionados em Lucas 20.20. Mas, embora os homens possam ser influenciados por tais elogios, aquele que sonda os corações não pode.

[1] O crime de que a prisioneira é acusada é nada menos do que adultério, que, mesmo na era patriarcal, antes da lei de Moisés, era considerado como uma iniquidade a ser punida pelos juízes, Jó 31.9-11; Gênesis 38.24. Os fariseus, com sua acusação vigorosa a esta criminosa, pareciam ter grande zelo contra o pecado, quando, mais adiante, será demonstrado que eles mesmos não estavam livres dele. Na verdade, interiormente estavam cheios de toda imundícia, Mateus 23.27,28. Observe que é comum que aqueles que são indulgentes com seus próp1ios peca­ dos sejam severos com os pecados de outras pessoas.

[2] A prova do crime vinha da evidência notória do fato, uma prova incontestável. Ela tinha sido apanhada no ato, de modo que não havia lugar para alegar inocência. Se ela não tivesse sido apanhada neste ato, poderia ter cometido outro, até que seu coração estivesse completamente endurecido, mas, às vezes, é uma graça de misericórdia para os pecadores quando seu pecado vem à luz, para que possam não continuar cometendo-o arrogantemente. É melhor que nosso pecado nos envergonhe do que nos destrua, e seja apresentado diante de nós para nossa acusação do que para nossa condenação.

(3) Eles apresentam os estatutos deste caso, sobre os quais ela era acusada, v. 5: “Na lei, nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas”. Moisés ordenava que elas fossem levadas à morte (Levíticos 20.10; Deuteronômio 22.22), mas não que fossem apedrejadas, a menos que a adúltera fosse desposada, não casada, ou uma filha de sacerdote, Deuteronômio 22.21. Observe que o adultério é um pecado extremamente pecaminoso, pois é a rebelião de uma luxúria vil, não somente contra o mandamento, mas também contra o concerto do nosso Deus. É a violação de uma instituição divina em inocência, pela indulgência de um dos mais vis desejos do homem na sua degeneração.

(4) Eles pedem que Jesus julgue este caso: “‘Tu, pois, que dizes?’ Tu, que reivindicas ser um mestre vindo de Deus para substituir as leis antigas e promulgando novas? O que tens a dizer neste caso?” Se eles tivessem feito esta pergunta com sinceridade, com um humilde desejo de conhecer sua mente, isto teria sido altamente elogiável. Aqueles a quem é confiada a administração da justiça devem olhar para Cristo pedindo orientação, mas “isso diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar”, v. 6.

[1] Se Ele confirmasse a sentença da lei, e deixasse que seguisse seu curso, eles o censurariam como incoerente consigo mesmo (por ter recebido publicanos e prostitutas) e com o caráter do Messias, que deveria ser manso, e trazer salvação, e proclamar o ano da remissão, e talvez o acusassem diante do governador romano por estimular os judeus no exercício de um poder judiciário. Mas:

[2] Se Ele a absolvesse, e desse a opinião de que a sentença não deveria ser cumprida (como eles esperavam que Ele fizesse), eles o apresentariam, em primeiro lugar; como um inimigo da lei de Moisés, e como alguém que usurpava uma autoridade para corrigi-la e controlá-la, e iriam confirmar o preconceito contra Ele que tão engenhosamente propagavam seus inimigos, de que Ele tinha vindo destruir a lei e os profetas. Em segundo lugar, como amigo de pecadores e, consequentemente, como alguém favorável ao pecado. Se Ele parecesse tolerar tais pecados, permitindo que não recebessem uma punição, eles o apresentariam como alguém que estaria estimulando as ofensas, e sendo um patrono destas, como se fosse um protetor dos criminosos. E nenhuma reflexão poderia ser mais injusta e odiosa sobre alguém que professava a rigidez e a pureza de um profeta no desempenho de suas atividades.

2. O método que Ele usou para resolver esta situação, evitando a armadilha.

(1) Ele pareceu menosprezar o caso, e fazer-se de surdo: “Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra”. É impossível dizer, e, portanto, desnecessário perguntar, o que Ele escrevia, mas esta é a única menção feita nos Evangelhos de Cristo escrevendo. Eusébio, na verdade, menciona que o Senhor Jesus escreveu a Abgar, rei de Edessa. Alguns pensam que têm alguma liberdade para conjeturar quanto ao que Ele escrevia aqui. Grotius diz: “Eram algumas palavras graves e sérias, e era usual que os homens sábios, quando muito concentrados a respeito de alguma coisa, fizessem isto”. Jerônimo e Ambrósio supõem que Ele tenha escrito: “Que os nomes destes homens maus estejam escritos na terra”. Outros sugerem que foi: ”A terra acusa a terra, mas o julgamento é meu”. Com isto, Cristo nos ensina a sermos lentos ao falar quando nos forem propostos casos difíceis, e não disparar nossa resposta com rapidez. E quando formos provocados ou desafiados, devemos fazer uma pausa para fazermos considerações antes de responder, a pensar duas vezes antes de falar uma. O coração dos sábios pensa para responder. Nossa tradução de algumas cópias em grego, que acrescentam me prospoioumenos (embora algumas cópias não incluam isto) , dá esta explicação da razão pela qual Ele escreveu no chão, como se Ele não os tivesse ouvido. Ele fez como se estivesse olhando para outro lado, para mostrar que não estava disposto a prestar atenção nas palavras deles, dizendo, na verdade: “Quem me pôs a mim por juiz ou repartidor?” É seguro, em muitos casos, ser surdo àquilo a que não é seguro responder, Salmos 38.13. Cristo não deseja que seus ministros se envolvam em questões seculares. Ele deseja que eles sejam mais bem empregados em qualquer estudo lícito, e preencham seu tempo escrevendo no chão (ao que ninguém vai prestar atenção), e não se ocupem daquilo que não lhes pertence. Mas, embora parecesse que Cristo não estivesse ouvindo aqueles homens, Ele deu a entender que não somente tinha ouvido suas palavras, mas que também conhecia seus pensamentos.

(2) Quando, de modo inoportuno, ou melhor, impertinente, o pressionaram em busca de uma resposta, Ele voltou a condenação da prisioneira sobre os acusadores, v. 7.

[1] Eles continuaram perguntando a Ele, e o fato de que Ele parecesse não prestar atenção os fez mais veementes, pois agora eles tinham certeza de que o tinham deixado sem saída, e que Ele não poderia evitar a imputação de contradizer a lei de Moisés, se absolvesse a prisioneira, ou sua própria doutrina de misericórdia e perdão, se a condenasse, e por isto eles apelavam a Ele vigorosamente, embora pudessem ter interpretado sua desatenção para com eles como uma reprovação aos seus desígnios, e uma sugestão para que desistissem, enquanto provavam sua própria reputação.

[2] Por fim, Ele os envergonha e silencia com urna palavra: Ele se endireitou, como se estivesse despertando de um sono (Salmos 78.65), e lhes disse: ”Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela”.

Em primeiro lugar, aqui Cristo evita a armadilha que eles lhe tinham preparado, e efetivamente salva sua própria reputação. Ele não refletiu sobre a lei nem desculpou a culpa da prisioneira, nem, por outro lado, incentivou a acusação ou estimulou seu calor. Veja o bom resultado da reflexão. Quando não pudermos expressar diretamente o que desejamos, é bom que falemos utilizando certos artifícios de linguagem.

Em segundo lugar, “na rede que ocultaram ficou preso o seu pé”. Eles podem ter vindo com desejos de acusá-lo, mas foram forçados a acusar a si mesmos. Cristo reconheceu que era adequado que a prisioneira fosse acusada, mas apelou às suas consciências se eles eram adequados para serem os acusadores.

a. Aqui Ele se refere à regra que a lei de Moisés prescreveu na execução de criminosos, de que a mão das testemunhas seria primeiro contra eles (Deuteronômio 17.7), corno no apedrejamento de Estêvão, Atos 7.58. Os escribas e fariseus eram as testemunhas contra esta mulher. Agora Cristo lhes pergunta se, de acordo com sua própria lei, ousariam ser os executores. Ousariam eles tirar, com suas mãos, aquela vida que estavam agora tirando com suas línguas? Suas consciências não se lhes oporiam, caso o fizessem?

b. Ele constrói uma máxima incontestável de moralidade, pela qual é completamente absurdo que os homens sejam zelosos em punir as ofensas de outros, enquanto eles mesmos são completamente culpados, e não sejam melhores do que autocondenados que julgam os outros. Porém, existem aqueles que ainda assim fazem a mesma coisa: “Se houver algum entre vocês que esteja sem pecado, sem pecado desta natureza, que não tenha nunca, em nenhuma ocasião, sido culpado de fornicação ou adultério, que atire a primeira pedra sobre ela”. Os magistrados, que estavam conscientes da culpa em si mesmos, não poderiam, portanto, ser coniventes com a culpa de outros. Por isto:

(a) Quando encontrarmos faltas em outros, devemos refletir sobre nós mesmos, e ser mais severos contra o pecado em nós do que nos outros.

(b) Nós devemos ser favoráveis, embora não aos pecados, mas às pessoas, daqueles que ofendem, e restabelecê-las com um espírito de mansidão, considerando a nós mesmos e à nossa própria natureza corrupta. Nós somos, ou já fomos, ou podemos ser o que ele é. Devemos nos conter, e não atirar pedras em nossos irmãos. Não devemos divulgar suas faltas. Que aquele que esteja sem pecado comece um discurso como este, e então aqueles que estão verdadeiramente humilhados pelos seus próprios pecados enrubescerão e ficarão felizes em esquece r o assunto.

(c) Aqueles que, de alguma maneira, são obrigados a observar as faltas dos outros devem se preocupar em olhar bem para si mesmos, e conservarem-se puros (Mateus 7.5). Os apagadores do Tabernáculo eram de ouro puro.

c.Talvez Ele se refira ao julgamento da mulher de quem o marido ciumento suspeita, movido pelo ciúme. O homem devia trazê-la perante o sacerdote (Números 5.15), assim como os escribas e fariseus tinham trazido esta mulher perante Cristo. Era uma opinião admitida pelos judeus, e confirmada pela experiência, que, se o marido que trazia sua esposa para este julgamento tivesse sido, em alguma ocasião, culpado de adultério. “Então”, diz Cristo, “Eu julgarei vocês de acordo com sua própria tradição. Se vocês estão sem pecado, levantem-se para a acusação, e que a adúltera seja executada. Mas, se ela for culpada, enquanto vocês, que a apresentam, também forem igualmente culpados, ela ficará livre de acordo com a regra que vocês mesmos estabeleceram”.

c. Com isto, Ele cumpria a grande missão para a qual Ele veio ao mundo, que era trazer os pecadores ao arrependimento. Não para destruir, mas para salvar. Ele desejava trazer, não apenas a prisioneira ao arrependimento, mostrando-lhe sua misericórdia, mas também seus acusadores, mostrando-lhes seus pecados. Eles procuravam apanhá-lo em uma armadilha, Ele procurava convencê-los e convertê-los. Assim, “os homens sanguinários aborrecem aquele que é sincero, mas os retos procuram o seu bem”.

[3] Tendo lhes dito estas palavras assombrosas, Ele os deixou considerando-as, e “tornando a inclinar-se, escrevia na terra”, v. 8. Como quando eles se dirigiram a Ele, Ele pareceu dar pouca importância à sua pergunta, também agora que lhes tinha dado uma resposta, Ele dava pouca importância ao ressentimento deles, não se importando com o que eles diriam. Na verdade, eles não precisavam responder nada. A questão se alojava em seus próprios corações, que eles aproveitem o melhor dela. Ou, Ele não pareceu esperar por uma resposta, para que eles não se justificassem repentinamente, e então se julgassem presos pela honra a persistir no julgamento, mas lhes deu tempo para pensarem e se comunicarem com seus próprios corações. Deus diz: “Eu escutei e ouvi”, Jeremias 8.6. Algumas cópias em grego trazem aqui as seguintes palavras: “Ele escrevia na terra, os pecados de cada um deles”. Isto Ele podia fazer, pois nossas iniquidades estão diante dele, e isto Ele fará, pois Ele as apresentará diante de nós também. Ele sela nossas transgressões, Jó 14.17. Mas Ele não escreve os pecados dos homens na areia. Não, eles são escritos com um ponteiro de ferro, com ponta de diamante (Jeremias 17.1), para nunca serem esquecidos, até que sejam perdoados.

[4] Os escribas e fariseus ficaram tão estranhamente aturdidos com as palavras de Cristo, que abandonaram sua perseguição a Cristo, a quem não mais tentaram, e a perseguição à mulher a quem não mais acusaram (v. 9): “Saíram um a um”.

Em primeiro lugar, talvez o fato de que Ele estivesse escrevendo na terra os assustasse, como os dedos que escreviam na parede assustaram a Belsazar (Daniel 5.5). Eles concluíram que Ele estava escrevendo coisas amargas contra eles, escrevendo sua condenação. Felizes são aqueles que não têm motivos para temer o que Cristo escreve!

Em segundo lugar, o que Ele disse os assustou, porque os remeteu às suas próprias consciências. Ele lhes tinha mostrado a si mesmos, e eles tiveram medo de ficar até que Ele se erguesse novamente, pois acreditavam que sua próxima palavra seria mostrá-los ao mundo, e envergonhá-los diante dos homens, e por isto julgaram melhor retirar-se. Eles saíram um a um, para que pudessem sair delicadamente, e não perturbar a Cristo com uma fuga ruidosa. Eles saíram furtivamente, como as pessoas envergonhadas fazem quando fogem da peleja, 2 Samuel 19.3. A ordem da sua partida é observada, começando pelos mais velhos (ou porque fossem os mais culpados, ou porque estivessem mais conscientes do perigo que corriam de se envergonharem). E, se os mais velhos deixam o campo, e se retiram sem glória, não admira que os mais jovens os sigam. Veja aqui:

1. A força da palavra de Cristo para a condenação dos pecadores: aqueles que a ouviam eram acusados pelas suas próprias consciências. A consciência é a representante de Deus na alma, e uma única palavra dele se põe em ação, Hebreus 4.12. Aqueles que eram veteranos em adultérios, e, há muito, haviam fixado uma orgulhosa opinião de si mesmos, estavam aqui, até mesmo os mais velhos deles, atemorizados pela palavra de Cristo. Até mesmo os escribas e fariseus, que tinham mais orgulho de si mesmos, são, pelo poder da palavra de Cristo, levados a retirar-se envergonhados.

2. A tolice dos pecadores sob estas acusações, como mostram estes escribas e fariseus.

(1) É tolice que aqueles que são acusados assumam como sua principal preocupação evitar a vergonha, como Judá (Genesis 38.23): “Para que porventura não venhamos a cair em desprezo”. Nossa preocupação deve ser mais salvar nossas almas do que salvar nossa credibilidade. Saul evidenciou sua hipocrisia quando disse: “‘Pequei; honra-me’, te rogo”. Não há maneira de obter a honra e o consolo dos penitentes, exceto removendo sua vergonha.

(2) É tolice que aqueles que são acusados tramem como transferir suas condenações e livrar-se delas. Os escribas e fariseus tiveram a ferida aberta, e agora deviam estar desejosos de examiná-la, e então ela poderia ser curada, mas isto era o que eles temiam e recusaram fazer.

(3) É tolice que aqueles que são acusados se afastem de Jesus Cristo, como estes fizeram, pois Ele é o único que pode curar as feridas da consciência, e nos trazer a paz. Aqueles que são acusados pelas suas consciências serão condenados pelo seu Juiz, se não forem justificados pelo seu Redent01: E estes se afastam dele? Para onde irão?

[5] Quando os acusadores arrogantes deixaram o campo, e fugiram pela vergonha, a prisioneira que se autocondenava permaneceu, com a determinação de esperar o julgamento do nosso Senhor Jesus. O grupo de escribas e fariseus deixou Jesus em paz, livre das suas perturbações, e também deixou a mulher em pé no meio da assembleia que assistia à pregação de Cristo, onde a tinham colocado, v. 3. Ela não procurou fugir, embora tivesse a oportunidade de fazê-lo, mas seus acusadores tinham apelado a Jesus, e a Ele ela iria. Nele, ela iria esperar sua condenação. Observe que aqueles cuja causa é trazida diante do nosso Senhor Jesus nunca terão oportunidade de levá-la a nenhum outro tribunal, pois Ele é o refúgio dos penitentes. A lei que nos acusa, e convoca o julgamento contra nós, é, pelo Evangelho de Cristo, levada a retirar-se. Suas exigências são atendidas, e seus clamores, silenciados, pelo sangue de Jesus. Nossa causa está perante o tribunal do Evangelho. Nós somos deixados a sós com Jesus. É somente com Ele que devemos tratar agora, pois a Ele foi entregue todo o julgamento. Portanto, asseguremos nosso interesse nele, e estaremos salvos para sempre. Que o Evangelho nos governe, e ele infalivelmente nos salvará.

[6] Aqui está a conclusão do julgamento, e seu resultado: “Endireitando-se Jesus e não vendo ninguém…”, vv. 10,11. Embora possa parecer que Cristo não preste atenção ao que é dito e feito, e que os filhos dos homens lutem uns contra os outros em meio às suas contendas, quando chegar a hora de pronunciar seu julgamento, Ele não manterá silêncio. Quando Davi tinha apelado a Deus, ele orou: “Levanta-te, Senhor”, Salmos 7.6; 94.2 (versão NTLH). A mulher, provavelmente, ficou tremendo no tribunal, como alguém em dúvidas quanto ao resultado. Cristo era sem pecado, e podia atirar a primeira pedra, mas, embora não exista ninguém mais severo contra os pecados do que Ele, pois Ele é infinitamente justo e santo, não existe ninguém mais compassivo do que Ele para com os pecadores, pois Ele é infinitamente cheio de graça e misericordioso, e esta pobre malfeitora descobre isto, agora que espera pela libertação. Aqui está o método que as cortes de magistratura observavam.

Em primeiro lugar, os acusadores são chamados: “Onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?” Ninguém, exceto Cristo, sabia onde eles estavam. Mas Ele perguntou, para poder envergonhar aqueles que recusaram seu julgamento, e para incentivar aquela que decidiu esperar por ele. O desafio do apóstolo Paulo é como este: “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?” Onde estão seus acusadores? O acusador dos irmãos será, com razão, afastado, e todas as acusações serão legalmente e regularmente canceladas.

Em segundo lugar, eles não aparecem quando a pergunta é feita: “Ninguém te condenou?” Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Ela fala com Cristo respeitosamente, chamando-o de Senhor, mas não diz nada a respeito dos seus acusadores, não diz nada em resposta à pergunta a respeito deles: “Onde estão aqueles teus acusadores?” Ela não triunfa com a retirada deles, nem os insulta como testemunhas contra si mesmos, nem contra ela. Se nós esperamos ser perdoados pelo nosso Juiz, nós devemos perdoar nossos acusadores. E se as acusações deles, por mais dolorosas que sejam, forem a feliz oportunidade para despertar nossas consciências, nós podemos facilmente perdoar-lhes este erro. Mas ela respondeu à pergunta que dizia respeito a ela: “Ninguém te condenou?” Os verdadeiros penitentes julgam que é suficiente prestar contas de si mesmos a Deus, e não se empenham em prestar contas de outras pessoas.

Em terceiro lugar, a prisioneira é, desta maneira, absolvida: “Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais”. Considere isto:

1. Como sua absolvição da punição temporal. “Se eles não a condenam a ser apedrejada até à morte, tampouco Eu o farei”. Não que Cristo tenha vindo desarmar o magistrado, tirando-lhe sua espada de justiça, nem que sua vontade seja que as penas de morte não sejam aplicadas aos malfeitores nos países em que ela é parte da justiça. Longe disto, a administração de justiça pública é estabelecida pelo Evangelho, e deve se tornar sub­ serviente ao reino de Cristo: “Por mim, reinam os reis”. Mas Cristo não condenaria esta mulher:

(a) Porque esta não era sua função. Ele não era juiz nem divisor, e por isto não se intrometeria em questões seculares. Seu reino não era deste mundo. Que cada um atue na sua própria esfera de ação.

(b) Porque ela era acusada por aqueles que eram mais culpados do que ela, e não puderam, por vergonha, insistir na sua exigência de justiça contra ela. A lei indicava as mãos das testemunhas para serem as primeiras sobre o criminoso, e, depois, as mãos de todo o povo, de modo que, se os acusadores dessa mulher fugiram, e não a condenaram, a acusação foi anulada. A justiça de Deus, ao infligir julgamentos temporais, às vezes observa um julgamento comparativo, e poupa aqueles que, de outra maneira, seriam odiosos, quando a punição destes só iria satisfazer àqueles que são piores do que eles, Deuteronômio 32.26,27. Mas quando Cristo a absolveu, foi com esta advertência: “Vai-te e não peques mais”. A impunidade incentiva os malfeitores. Portanto, aqueles que são culpados e encontram um meio de escapar à força da lei, precisam redobrar sua vigilância, para que Satanás não obtenha alguma vantagem. Quanto mais justa for a absolvição, mais justa será a advertência para ir e não pecar mais. Aqueles que desejam ajudar a salvar a vida de um criminoso devem, como Cristo fez aqui, ajudar a salvar sua alma através desta advertência.

d. Como sua absolvição da punição eterna. Pois Cristo dizer: “Eu não te condeno”, na verdade, significa: “Eu te perdoo”. E “o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados”, e pode, com bom fundamento, dar esta absolvição, pois assim como Ele conhecia a dureza e os corações impenitentes dos acusadores, e por isto disse aquilo que os confundiu, também Ele conhecia a ternura e o sincero arrependimento da prisioneira, e por isto disse o que a confortaria: “Nem Eu também te condeno”, assim como fez com aquela mulher que era uma pecadora como esta, que, da mesma maneira, foi desprezada por um fariseu (Lucas 7.48,50): “Os teus pecados te são perdoados… vai-te em paz”. Observe:

(a) São verdadeiramente felizes aqueles a quem Cristo absolve, pois sua absolvição é uma resposta suficiente a todas as outras acusações. Elas estão todas diante de um juiz não autorizado.

(b) Cristo não irá condenar aqueles que, embora tenham pecado, irão e não mais pecarão, Salmos 85.8; Isaías 55.7. Ele não usará a vantagem que tem contra nós, das nossas rebeliões anteriores, se apenas abaixarmos as armas e retornarmos à nossa fidelidade.

(c) A graça de Cristo para nós, na remissão dos pecados passados, deve ser um argumento predominante para que não pequemos mais, Romanos 6.1,2. Cristo não vai lhe condenar? Então vá, e não peque mais.

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