PSICOLOGIA ANALÍTICA

UMA REFLEXÃO IMAGINATIVA

Na Psicologia poética, a poesia pode ser explorada no âmbito psicológico para acessar uma realidade transpessoal, ao nível dos arquétipos e demais teorias.

Uma reflexão imaginativa.2

“De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo. O mundo, cheio de departamentos, não é bola, bonita caminhando solta no espaço.” (Adélia Prado)

Começo este texto sobre a poesia narrando uma história que aconteceu recentemente em meu consultório: um garoto de 18 anos decidiu procurar Psicoterapia após passar sete horas consecutivas descendo a timeline, curtindo e compartilhando no Facebook.

Como cultura e sociedade, estamos de braços com a urgente superação da clivagem, do tudo ou nada das redes sociais. Diante do cenário no qual meu jovem paciente está inserido, mais como objeto do que como sujeito, o torpor ontológico ganha ares de constatação de Carlos Drummond de Andrade, de que “nada sobrou para nós senão o cotidiano”. Além dos princípios norteadores para uma conduta clínica e prospectiva do caso em questão, veio-me quase que instantaneamente a força sensível da poeta Adélia Prado em seu poema Paixão, na forma de uma resposta imaginativa ao enigma que aquela Esfinge me propunha.

Diante da condição de enclausuramento de um sujeito capturado pelo sintoma (aquele que vê o mundo dividido em “departamentos”), do personagem encoberto pelas ficções de si em meio ao palco sedutor das redes sociais é que percebemos a importância de uma reflexão imaginativa que se aproprie da poesia como elemento capaz de criar um espaço entre, operando uma útil organização dos eventos cotidianos (de considerável ganho terapêutico) ;a fim de mobilizar a “doenças das literalizações”, como diz Hillman. Tudo isso, om a finalidade de desobstruir os canais criativos e imaginativos do ser e facilitar a experiência estética/poética necessária para o fazer alma.

O principal objetivo deste texto é propor uma reflexão imaginativa sobre a importância da poesia no cotidiano, partindo de um enfoque psicológico. Seguiremos a trilha de pensadores como Carl Jung, James Hillman, Edgar Morin e tantos outros que, além das categorias nosológicas, da dimensão conceitual e racional, estruturaram igualmente a dimensão mito poética da psique, enfatizando sua função regulatória do real a partir da irrupção do mundo simbólico. Para eles, a dimensão poética da psique põe em movimento uma dinâmica imaginativo-afetiva, oposta complementar (…) que representa a polaridade antagônica à da racionalidade técnica e da concepção utilitarista da vida’. Trata-se de acessar uma realidade transpessoal ao nível dos arquétipos, cuja energia criativa ­ destrutiva move-se para além e independentemente da percepção retilínea do ego. Ao propormos aqui essa reflexão, movemo-nos nós também ao redor do âmbito psicológico dessa temática e, por isso, apostamos no fecundo encontro entre a consciência de racionalidade e a consciência imaginante.

Ao focarmos nos valores psicológicos da imaginação poética, estamos nos apoiando no desenvolvimento de um olhar poético ancorado nos valores promotores da individuação, segundo C. G. Jung, isto é, do desenvolvimento do ego em direção ao self e da consciência em suas trocas com o inconsciente. Essa percepção considera os valores afetivos e emocionais do indivíduo, não buscando seu objeto num mundo conceitual, abstrato e geral, mas na vida do dia a dia, ou seja, nas experiências e sonhos do indivíduo”. Em outras palavras, reafirmamos o potencial integrativo da psique, tal como o apresenta Gilbert Durand quando reconhece a necessidade de integrar ciência e poética. Segundo a atual leitura a partir de um paradigma hegemônico e unilateral, esses e outros polos da experiência permanecem travados na condição de opostos irreconciliáveis, como rios que desaguam para fazer transbordar a disrupção que impede uma experiência autêntica do existir. Como reitera Durand, uma “ciência sem poesia, inteligência pura sem compreensão simbólica dos fins humanos, conhecimento objetivo sem expressão do sujeito humano, objeto sem felicidade apropriadora é apenas inclinação do homem.

METÁFORAS

Nessas linhas iniciais precisamos reforçar um lembrete ao leitor para que não estranhe o nosso abuso das metáforas. Em um texto sobre poesia, precisamos do refúgio das imagens e daquilo que funcione como um convite para não antecipar o processo imaginativo, amplificando, assim, a compreensão poética para além dos clichês, das ideias congeladas, pré-fabricadas. Para Ortega y Gasset, a metáfora é provavelmente a potência mais fértil que o homem possui. A metáfora seria assim um modo de organização e rejuvenescimento da linguagem em seu modo de mediar o real, uma resposta não linear ao plano linear da vida que a dimensão do ego fomenta. Reafirmando Ortega Y Gasset, “só a metáfora nos facilita a evasão e cria, entre as coisas reais, recifes imaginativos, florescimento de ilhas sutis”.

Num esforço para desarmar a consciência de seu aparato lógico­ conceitual e de seu compromisso aristotélico com a unilateralização reducionista, Paul Valery lembra ­ nos que a função da emoção poética é lançar-nos na vertigem do real.

 

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Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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